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3 o mundo medieval

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Aula de Epistemologia - O mundo Medieval.

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  • 1. A Filosofia Medieval
  • 2. Ascensão e queda do Império Romano A Idade Média compreende o período que vai da Queda do Império Romano, noséculo V, até a tomada de Constantinopla pelos turcos , no século XV.
  • 3. A Formação do Cristianismo O Cristianismo é formado por três grandes culturas: • Grega; • Romana; • Judaica.A Igreja Católica surge no mundo medieval como força espiritual e política.
  • 4. Constantino e ConstantinoplaA grande questão discutida no mundo medieval é a relação entre razão e fé, entre filosofia e teologia
  • 5. A Patrística Principais características• Patrística é a filosofia dos padres da Igreja Católica a partir do século II d. C.;• Converter os pagãos e combater as heresias e justificar a fé;• Desenvolvem a apologética elaborando textos de defesa do cristianismo;• A razão é auxiliar da fé e a ela subordinada;• Logos divino.
  • 6. Santo Agostinho(354-430): o pai da IgrejaCatólica • Conhece Platão através de Plotino; • Retoma o conceito estóico de Logos Divino; • Retoma a dicotomia platônica entre o mundo sensível e o mundo inteligível, substituindo o último pelas ideias divinas; • Fundamenta a teologia católica com a a filosofia; • Livros: As Confissões e A Cidade de Deus (Te Civitate Die) “Credo ut intelligam” “Creio para que possa entender” Santo Agostinho
  • 7. A Escolática Principais características•A escolástica surge a partir do século IX e atingeseu apogeu no século XIII com Santo Tomás deAquino;•Continuação da Aliança entre fé e razão;•Ocorrem mudanças fundamentais no campo dacultura;• Ameaças de ruptura da unidade da igreja eheresias em função da busca de autonomia darazão;•Criação das Universidades;•Retomada do pensamento de Aristóteles vindo detraduções perigosas à fé vindas do mundo árabe.
  • 8. Santo Tomás de Aquino(1225-1274): aquestão dos universais • Com base em Aristóteles passa a considerar importante o conhecimentos das coisas naturais; • Se a razão não pode conhecer, a essência de Deus, pode, no entanto, demonstrar sua existência ou a criação divina do mundo; • Reconhece a participação dos sentidos e do intelecto no ato de conhecer; • O conhecimento começa pelo contato com as coisas concretas, passa pelos sentidos internos da fantasia ou imaginação até a apreensão de formas abstratas; • O conhecimento processa um salto qualitativo ao partir da apreensão da imagem, que é concreta e particular, O Universal é o até a elaboração da ideia, que é abstrata e universal. conceito, a ideia, a essência comum a todas as coisas.
  • 9. O Nome da Rosa: a aliança entre fé e razão no medievo ocidental Estranhas e misteriosas mortes começam a ocorrer num mosteiro beneditino localizado no norte da Itália durantea baixa idade média, onde as vítimas aparecem sempre com os dedos e a língua pretos. O mosteiro guarda umaimensa biblioteca, onde poucos monges tem acesso a publicações sacras e profanas. A chegada de um monge fransciscano, Wilhelm de Barskeville (Sean Conery) e seu noviço Adso de Melk(Chistian Slater) ao mosteriro, provocaria uma reviravolta sobre as suspeitas das mortes, que até então recaíam numaaura sagrada: profanações terrrenas no interior do mosteiro seriam a causa das mortes dos monges. Dispondo de recursos sofisticados de investigação, como os instrumentos apresentados em cena, o astrolábio eo quadrante que eram utilizados pelos mouros e desconhecida da maioria dos cristãos, e afeito à lógica aristotélica,repudiada pelos monges beneditinos agostinianos em um momento em que os artífices da filosofia aristotélica erapouco ou totalmente desconsiderados, serão o indicativo de caminhos arrojados seguido pelo monge franciscano nainvestigação dos mistérios que assolavam aquela casa do Senhor. Com uma perspicácia investigativa arrojada, Wilhelm de Barskeville sairá à caça de provas empíricas, na melhorinterpretação de Sherlock Homes, personagem criado por Sir Conan Doyle, que baseava suas ponderações nosprincípios aristotélicos e procurava o evidente em fatos obscuros e inexplicáveis, deixando o mote ao mundo: éelementar meu caro Wodison, que será explorado no filme pelo monge franciscano: é elementar meu caro Adso. O filme, baseado no romance homônimo do escritor, professor e intelectual italiano Umberto Eco, se constitui emuma grande aula de história e filosofia. Pois além de apresentar uma representação fiel dos costumes, arquitetura esociedade da época, enfoca com maestria a relação estabelecida entre a igreja católica e o saber secular: a relaçãoentre fé e razão. As perspectivas se abrem desde o princípio da trama, por estar, o telespectador, respirando os ares de ummosteiro encravado no alto de uma montanha, controlado por monges beneditinos e que receberá a visita de mongesfranciscanos para um concílio sobre a predestinação de Jesus e sua posse de bens materiais e de riquezas, temaeste, próprio das argumentações franciscanas: Jesus era ou não dono das roupas que vestia, perguntariam osfranciscanos ao representante do Papa, no filme. A atmosfera sombria da localidade, o aspecto doentio de muitos dosfrades que aparecem no transcorrer da história, o tom escuro de muitas seqüências (efeito propositadamentetrabalhado pelo diretor Jean-Jacques Annaud), a rejeição a conceitos considerados avançados pelas maiorias dosmonges que circulam o mosteiro e a presença destacada da inquisição a partir da metade do filme, permitecompreender o que foi a Idade Média dominada pelos valores da Igreja Católica.
  • 10. Uma das maiores qualidades do filme está na reprodução de época, com a equipe de Annaudsendo assessorada pelo eminente historiador francês Jacques Lê Goff, o que confere ao filme maiorcredibilidade no que se refere à utilização do mesmo como recurso didático. O figurino, as locações(o filme foi feito num autêntico mosteiro medieval), a ambientação, as músicas, os objetosdisponibilizados e mesmo a fotografia em tons lúgubres (escuros, dando-nos uma impressão deumidade nos locais de filmagens) se tornam referências para que possamos apresentar o domíniocristão no medievo. A trama central gira em torno dos referidos assassinatos, atribuído pelos beneditinos às forçasocultas do mal, à ação demoníaca que teria dominado alguns dos monges daquela casa de Deus. Éinteressante ressaltar que conceitos como Deus e as forças do bem se confrontando com o diabo e omal eram dominantes nesse período devido ao enorme poder da Igreja Católica (a grande forçaremanescente desde a época em que os romanos e seu grande império ruíram, ainda no longínquoséculo V); um dos maiores veículos de propagação dessa crença foram os trabalho do filósofo cristãoSanto Agostinho (354–430 d.C.), em especial com a obra De Civitate Die, A cidade de Deus. No período em que se passa a ação, a Igreja já passava por algumas dificuldades devido aoressurgimento de cidades e rotas de comércio, além da concessão aos leigos para freqüentar asnascentes universidades (é dessa época um dos trabalhos que precederam o renascimento cultural eque são considerados basilares para as transformações que se operam na transição do mundomedieval para o moderno, ou seja, a obra clássica do italiano Dante Aliguieri, A Divina Comédia). Osurgimento da Inquisição e a forma como essa instituição da Igreja foi se tornando cada vez maisdura na sua perseguição aos hereges comprova os receios por parte do mundo cristão. É neste tocante que se sobressai Wilhelm de Barskeville por contrastar com a atribuição dasforças do bem, do supra sensível, da crença beneditina, e se lançar numa investigação científica epolicial em busca de provas, de evidências dos crimes (o que pode ser considerado como umaantecipação de posturas investigativas que passaram a ser adotadas no mundo moderno, quando dosurgimento de correntes filosóficas e científicas apoiadas no empirismo e no racionalismo). O confronto entre os franciscanos e os representantes da Inquisição, em destaque Bernardo Gui,coloca novamente frente a frente a questão maniqueísta, da luta entre o bem e o mal, apenas queinteriorizados na Instituição que se considera, por excelência, a representação terrena dos dotescelestiais e da mensagem de bondade, da felicidade eterna aos homens.
  • 11. Nestes termos, O Nome da Rosa, abre-se como material imprescindívelpara a análise, compreensão e contextualização da Filosofia e daEpistemologia, fortemente marcadas pelos princípios teológico-filosóficosda Igreja Católica medieval. Ademais aponta o princípio pedagógico dedoutrinação do bem, imposto aos fiéis como único caminho de salvação domundo dos homens em favor da felicidade eterna no mundo de Deus, comopreconizara Agostinho. E, finalmente, aponta os novos caminhos abertos,nos últimos séculos do medievo, com a vinculação do pensamentoAristotélico à explicação ontológica da realidade dos entes, que será levadoa termo por Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica, e mudaráradicalmente o posicionamento intelectual do ocidente em favor da novaordem intelectual na modernidade, a saber, o humanismo: o racionalismo eo cientificismo moderno. Wilhelm de Barskeville, o monge fransciscano, será o representanteintelectual renascentista, que com uma postura humanista científico-racional, conseguirá desvendar a verdade por detrás dos crimes cometidosno mosteiro provando a eficiência do novo método de investigaçãofundados nos pressupostos da lógica aristotélica de investigação darealidade, da multiplicidade, contrário ao da Inquisição embasado na torturafísica e psicológica em favor da salvação humana. Wilhelm só nãoconseguirá salvar os livros raros do devastador incêndio da Biblioteca doMosteiro. Portanto, faz-se necessário no Curso de Filosofia e Educação I, deNormal Superior a apreciação deste drama policialesco inigualável docinema, a fim de que se possa esclarecer e antever as questões quefundamentarão o Conhecimento (Filosofia, Filosofia da Educação ePedagogia) na Modernidade. Octavio Silvério de Souza Vieira Neto Primavera -16/11/2006