Entrevista
Um minutocom
texto de Artur Soares da Silva
NEO2
Nuno Saraiva - São dez anos de humor e Sátira na ilustração ou banda
desenhada. Guarda Abília, Arnaldo o pós-cataléptico ou “o inimigo público” ...
Apostamos em como não há ninguém que não conheça os seus desenhos!
Quando começaste a desenhar?
-Em Moçambique, província de Muembe, ao largo do Niassa. Tinha cinco anos e uma
macaquinha saguim como modelo.
O que mais te atrai na BD?
-Pouca coisa. Há algum tempo que não me entusiasmo com as novidades, se for a comparar
com os tempos em que abria uma “À Suivre” ou uma “Metal Hurlant”, para apontar dois
exemplos. Hoje o meu entusiasmo está, provavelmente, adormecido. Aliás, é na cama que
escolho bd como leitura para adormecer. Sempre é coisa mais ligeira que literatura ou cinema...
o que acaba por ser curioso. É que vejo a bd desta forma: como perfeita simbiose dessas duas
áreas.
Quais são as histórias que mais te influenciaram?
-Duas, não me saem da cabeça: “Zil Zelub” de Guido Buzzelli e “Os charutos do Faraó” de
Hergé. Logo de seguida vem “O Demónio da Torre Eiffel” de Tardi, “A Marca Amarela” de E.P.
Jacobs, “O Ditador e o Cogumelo” de Fraquim, “Watchmen” de Dave Gibbons e Alan Moore, “As
Aventuras de Paulette” de Wolinski e Pichard, “Fritz the Cat” de Robert Crumb, “A Boca do
Diabo” de Boucq e “The Spirit” de Will Eisner.
E os autores que encaras como marcantes para o teu trabalho?
-Tardi, Eisner e Júlio Pinto.
Fala-nos um pouco do teu processo criativo? (Se tens um método peculiar, de
onde colhes temas para criar, os materiais preferidos)
-As ideias surgem-me nos momentos mais inesperados. Por exemplo, entre copos com os
amigos ou quando surge uma Musa Aspiradora. Para me precaver da crise da página em branco,
vou reunindo um pesado arquivo de recortes de artigos sobre os mais variados assuntos.
Procuro sempre seguir uma formula fixa que parte do “cocktail” politica+humor+sexo. Para tal
uso, evidentemente, o pincel.
Alguns dados editoriais, fala-nos de 3 edições tuas e comenta-as para os
nossos leitores...
-“Zé Inocêncio”, editado pela Baleia Azul é o meu estimado personagem que os meus amigos
apontam como meu alter-ego, só para me chatearem. São aventuras extra ordinárias de um
suburbano galante que segue o principio “em cada esquina uma amiga”. “Filosofia de Ponta”
terrorismo puro escrito pelo saudoso Júlio Pinto onde reside “uma certa sacralização do corpo”
segundo palavras do mesmo. Para terminar “Na Terra como no Céu” episódios da eterna luta
entre as relações apagadas e as ralações ardentes, que tenho vindo a publicar todas as
semanas no semanário Sol.
Como avalias a BD em Portugal?
-O quê, a bd portuguesa? Inexistente. As que vão aparecendo têm a consistência do fumo. Do
presente, a única coisa que vai suportando a ideia de que existe bd nacional é o Festival de bd
da Amadora, dirigido a pulso pelo Nelson Dona.
Para terminar, se houvesse um personagem de BD/ou uma história que
gostasses de ser protagonista qual seria ?
-Gostaria de ser um estrunfe.
in NEO2 Novembro+Dezembro 2007
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