Teoria Da Imagem # A Imagem Na Imprensa [16]

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    Teoria Da Imagem # A Imagem Na Imprensa [16] - Presentation Transcript

    1. UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR TEORIA DA IMAGEM “A IMAGEM DE IMPRENSA” Docente: Ivone Ferreira Data: Covilhã, 13 de Junho de 2008
    2.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     Conteúdo INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3 IMAGEM ......................................................................................................................... 4 A IMAGEM ENQUANTO ELEMENTO SOCIOCULTURAL ..................................... 7 Uma Civilização da Imagem......................................................................................... 7 A Novelização da Realidade ......................................................................................... 8 Homo Videns - O homem enquanto espectador .......................................................... 10 RETÓRICA DA IMAGEM EM FOTOJORNALISMO ................................................ 18 UMA IMAGEM E SEU TEXTO ................................................................................... 24 PRÁTICA ....................................................................................................................... 27 CONCLUSÃO ................................................................................................................ 33 BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................... 34 WEBGRAFIA ................................................................................................................ 34 ANEXO .......................................................................................................................... 35 2  
    3.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     INTRODUÇÃO Todos os dias as pessoas são bombardeadas com imagens que relatam os acontecimentos do momento, os problemas, as fazes da vida, a sociedade. As imagens fotojornalisticas revelam-nos tudo isso. Diariamente aparecem-nos imagens de vários assuntos dirigidos ao público, estas fotografias retratam acontecimentos políticos, económicos, sociais, ou seja, de todo o mundo. Os media têm a função de informar, de revelar o que acontece “agora”, e será que o conseguiriam fazer sem texto? Falaram mesmo as imagens por si? Aqui pretendemos revelar o poder da imagem. Dessa forma procuraremos explicar (1) como interpretar uma imagem, (2) como é que a imagem se relaciona socialmente, (3) a fenomenologia na imagem, (4) a retórica na imagem e (5) a imagem como apoio de um texto. As fotografias de um jornal, também conseguem ter grande impacto sobre o público. Actualmente as imagens jornalísticas conseguem, por vezes, ser muito sensacionalistas, ou seja, «comover», «atrair» o público através da imagem. Muitas vezes o que vemos engloba o acontecimento como ele é, contar uma história é diferente de estar dentro dele, bem como, ler um acontecimento é 3 diferente de vê-lo numa fotografia. Se “a imagem vale mais que mil palavras” iremos explicar por “mil” palavras a importância da imagem no papel de um jornal.
    4.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     “Para que uma fotografia «deixe de ser uma fotografia e passe a ser um romance» 1 deve propor um puctum suficientemente forte e cativante para que esqueçamos a própria fotografia” 2 JOLY, Martine IMAGEM Qualquer texto complementado por imagens encontra desde logo bastantes factores positivos, destaca-se aqui o facto de a imagem ser universal, não é necessário ter nenhum conhecimento de linguagem para qualquer indivíduo poder compreender uma imagem de forma imediata sejam quais forem os seus domínios linguísticos ou culturais. Outra grande vantagem da imagem é que permite uma leitura significativamente mais rápida quando comparada com a leitura de um texto. Outro factor positivo apresentado por Joly é o maior prazer estético e comunicativo quando se analisam obras constituídas por texto e imagem. As imagens têm uma razão de ser e com elas uma mensagem a transmitir, ou 4 seja, um sentido. Na obra “Introdução à análise da imagem”, Martine Joly apoia-se em mensagens plásticas, icónicas e linguísticas para propor que o processo pelo qual são interpretados os motivos que compõem as imagens ocorre através da conotação. Para Joly os signos não são apenas compostos por imagens directas ou denotativas, mas também por uma estrutura de sentidos complexa que abre as portas a outras interpretações dos seus elementos, sendo assim a imagem começa por ter uma significação primeira (denotativa) que leva a uma segunda de caris mais profundo e complexo (conotativa). A isto chamaram Martine Joly e Roland Barthes de retórica da conotação. As mensagens transmitidas pelas imagens são, assim dotadas de sentidos graduais que passam pelo significante (denotativo), que é a área mais concreta e perceptível da imagem, sendo facilmente captada por igual por qualquer indivíduo, e passa para o significado (conotativo), factor que denota a imagem como objecto de interpretação sígnica. Barthes diz-nos que o significante é imprescindível na constituição do signo. Parte-se deste para formar um esquema de mediação para o significado, ou seja                                                              1  Frase citada: Hervé Guibert em “A imagem e sua interpretação”  2  JOLY, Martine “A imagem e sua interpretação” 
    5.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     só podemos partir para uma interpretação mais aprofundada aquando da presença de um significante para lhe dar sentido. Sendo que assim o significante é a “matéria-prima” do significado, que reside na psique do analisador. Com isto temos que as interpretações podem variar dependendo do conhecimento que o indivíduo já possui dentro das suas ideologias pessoais, sociais ou culturais. Como afirma Barthes: “Cada sistema de significantes corresponde, no plano dos significados, um corpo de práticas e técnicas; esses corpos de significação implicam, por parte dos consumidores de sistemas, diferentes saberes, o que explica que a mesma lexia possa ser diferente decifrada segundo os indivíduos, sem deixar de pertencer a certa língua; vários léxicos – e, portando vários corpos de significados – podem coexistir num mesmo indivíduo, determinando, em cada um, leituras mais ou menos profundas.” 3 5 BARTHES, Roland Visto a interpretação de imagens estar directamente relacionada com a pessoa que a analisa, como vimos nos parágrafos anteriores, surge um ponto de análise muito importante também abordado por Joly, as expectativas do espectador. Uma imagem é muitas vezes dirigida para um público, e caber-lhe-á a ele, também interpretar o que visualiza nesta. Martine Joly, apresenta-nos em a “imagem e a sua interpretação” o conceito de “expectativa da verdade”, isto é algo que toda a gente sente quando confrontada com a imagem em todas as suas vertentes. Esta expectativa provoca uma posição que tem tanto de cruel, em relação à imagem como de frágil em relação as expectativas das pessoas. Como afirma Martine Joly “Actualmente, o que ainda se receia das imagens é que sejam «falsas», que não sejam «verdadeiras», logo, que nos enganem (…)”. Este receio de ser enganado justifica-se na forma como a imagem nos é transmitida. No entanto, as imagens que não conseguimos descodificar na totalidade e cujo significado não é de leitura simples e directa, suscitam-nos maior interesse do que uma que se apresente de simples leitura. A isto chamou de “força da Imagem vestígio”, que                                                              3  (BARTHES, Elementos de semiologia, 1971) 
    6.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     tem como consequência particular a confiança cega em imagens “indiciarias” que não sabemos ler (ex: ecografias) que ao olhar sem bases prévias não nos parecem nada, fazendo com que as interpretações feitas por especialistas, sejam logo tidas como verdadeiras. Isto vai de encontro ao “horizonte de expectativas”, que pressupõe, que ao interpretarmos algo possuamos a priori um conjunto de crenças e princípios culturais e também pessoais que limitam a liberdade de interpretação. No entanto isto não está só restrito á imagem científica ou técnica, também nas imagens documentais somos limitados com a dúvida entre o que é ficcional e real, o desconhecimento das intenções do autor da imagem também se coloca como entrave á interpretação das mesmas. Desta forma conclui-se que a veracidade da imagem é uma das características mais ambíguas e ao mesmo tempo mais incríveis, visto estar associada, tanto ao visível, ou seja, acreditamos naquilo que vemos, como ao invisível, ou seja, o essencial é invisível aos olhos. Por outro lado nem toda a imagem provoca primeiramente uma expectativa da 6 verdade, mas sim uma expectativa do verosímil ou da crença, sendo o caso dos filmes científicos, que estimulam o nosso imaginário, remetendo a realidade para segundo plano.
    7.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     A IMAGEM ENQUANTO ELEMENTO SOCIOCULTURAL   Uma Civilização da Imagem Nunca a imagem desempenhou um papel tão importante na sociedade (nomeadamente na ocidental), como nos dias que hoje correm. É um facto que a presença (ou até a omnipresença) da imagem no nosso quotidiano tem influenciado, e muito, comportamentos e atitudes. Se é o próprio senso comum que diz que somos invadidos (“atacados”), diariamente, por imagens; também o poderemos comprovar através de estudos que têm surgido (entre outros, nos domínos da psicologia, da sociologia, das ciências da comunicação), precisamente, no âmbito da imagem e da influência que a imagem tem exercido sobre o indíviduo e a sociedade. Isto acontece uma vez que, se antigamente a imagem se podia afirmar como o privilégio de apenas algumas camadas da população (mais abastadas economicamente), hoje a situação é precisamente a inversa. A imagem acompanhou o ritmo industrializante do mundo ocidental, massificando-se. Graças, em grande parte, à acção estrondosa e 7 “mobilizadora” da televisão e da publicidade – dois dos principais meios de comunicação da actualidade e da última metade do século passado – hoje todos temos acesso à imagem, voluntaria ou involuntariamente. Nos principais centros urbanos, onde também se concentram os grandes agentes económicosm, isso é particularmente visível, onde milhões de pessoas circundam diariamente outros tantos milhões de imagens de todos os tipos feitas para os mais variados propósitos. Como refere Huyghe, a vida moderna «assalta-nos pelos sentidos», conduzindo a civilização a um novo patamar (antes ocupado pelos livros e pela leitura) o da obcessão pela imagem, a «Civilização da Imagem». «Apesar do lugar que os intelectuais de primeiro plano ocuparam na cena contemporânea, já não somos homens de pensamento, homens cuja vida interior se alimenta nos textos. Os choques sensoriais conduzem-nos e dominam-nos; a vida moderna assalta-nos pelos sentidos, pelos olhos, pelos ouvidos.
    8.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     [...] Um prurido auditivo e óptico obceca e submerge os nossos contemporâneos. Conduziu ao triunfo das imagens, que cercam o homem, e a sua missão, na publicidade, é chocar e dirigir a atenção. Noutros campos, suplantam a leitura no papel que lhe estava confiado de alimento da vida moral». (Huyghe, 2006) No entanto, este papel que a imagem tem assumido nos últimos tempos tem contribuído também para um melhor entendimento ou compreensão da realidade social na qual vivemos. Com a complexificação dos sistemas sociais, políticos e culturais em que vivemos, a imagem tem , efectivamente contribuido para, também ela, nos ajudar a pensar e reflectir acerca dos mais diversos aspectos – e aqui o fotojornalismo 4 tem 8 ganho um terreno fundamental. Imagens houve que ajudaram a vencer guerras, outras que ajudaram a perdê-las, e ainda outras que ajudaram a compreendê-las. Não basta falarmos na imagem apenas sob os eventuais pontos de vista negativos que esta pode ter em relação ao texto. É necesário, primeiro que tudo, abstrairmo-nos da gigantesca quantidade de imagens com que lidamos hoje em dia para que a possamos perceber melhor (não só ao nível da estética como também ao nível da própria conceptualidade e interpretação). Além do mais, é sempre necessário ver uma imagem como sendo ela própria um testemunha do contexto espacio-temporal em que se inseriu, e vê-la também como susceptível de possuir um discurso, uma mensagem que também lhe é própria. A Novelização da Realidade Os próprios meios de comunicação, os media (onde se incluem os meios informativos/jornalísticos e publicitários), e em especial os chamados mass media, têm                                                               Diz Gabriel Bauret a proósito da fotografia: «Hoje, toda a gente sabe que a fotografia não é  4  uma produção de imagens inocente, casual ou mecânica: não é, como muitos pensaram durante muito  tempo, um simples reprodução da “natureza”, do mundo que nos rodeia, mas antes uma linguagem  relativamente estruturada nas suas formas e significados, e “trabalhada” por uma história que foi  progressivamente enriquecendo” (Bauret, 2006) 
    9.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     vindo a aperceber-se, e também a aproveitar-se, da importância e valorização que a imagem tem assumido, sobretudo nas últimas décadas, em todo um contexto social e político que tem sido influenciado ou até gerado por uma nova realidade cultural em torno da imagem e dos meios e conteúdos audiovisuais. No caso dos meios informativos/jornalísticos, e em particular no caso da imprensa escrita, a tendência é para a imagem deixar cumprir uma função meramente ilustrativa ou informativa: muitas vezes passa ela a ser, agora, a história, a notícia. Daí que agora se fale de uma nova enfatização, de uma “novelização” da realidade levada a cabo pelos media, em muito devido ao uso que é feito da imagem – algo completamente oposto àquilo que se passava antigamente. A célebre expressão popular segundo a qual “uma imagem vale mais do que mil palavras” passou, em grande parte, a estar em voga nas linhas ideológicas e editoriais dos meios informativos. Mais uma vez, no caso da 9 imprensa escrita, a criação do “repórter fotográfico” e a grande expansão que o fotojornalismo sofreu ultimamente tem vindo a confirmar isso mesmo. «A modificação de atitudes e ideias sobre a imprensa contribuiu para a emergência do moderno fotojornalismo» 5 . Ainda, e para realçar um outro autor, refere Fernando Correia: «Nas últimas décadas, com a valorização da imagem na imprensa (imposta quer pelas exigências gráficas de uma publicidade cada vez mais sofisticada quer pela nova linguagem trazida pelo desenvolvimento da televisão[...]), a função do repórter fotográfico foi aumentando de importância e de autonomia[...]. De tal modo que a situação inverteu-se e passou a ser a prosa a acompanhar a fotografia; e nem mesmo a imprensa noticiosa, incluindo a de referência, desdenha a oportunidade de, em espaços de leitura mais “ligeira”, publicar páginas em que a legenda é                                                              Sousa, Jorge Pedo, Fotojornalismo ‐ Uma introdução à história, às técnicas e à linguagem da  5  fotografia na imprensa, Porto, BOCC (Biblioteca Online de Ciências da Comunicação), 2005   ‐  http://www.bocc.ubi.pt/pag/sousa‐jorge‐pedro‐fotojornalismo.pdf 
    10.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     feita para a foto e não o contrário, no seguimento, pois, do que dantes excepcionalmente se verificava». (Correia, 2006) Homo Videns - O homem enquanto espectador Desligando-nos agora um pouco do âmbito dos meios de comunicação, centremo-nos de novo na imagem em si. Há quem defenda que esta nova «Civilização da Imagem» é, por sua vez, propícia a uma modificação algo radical dos comportamentos humanos. Para tentar perceber as implicações nesses termos, é, antes de mais, necessário ver o que define a espécie humana (o Homo Sapiens), o que a distingue das restantes espécies animais, e, finalmente, o que é que a imagem poderá ter a dizer relativamente a esse ponto. 10 O Homo Sapiens distingue-se das demais espécies animais pela sua capacidade eminentemente simbólica. O que se entende por capacidade simbólica? Não só a capacidade para receber e interpretar signos, ou conjuntos sígnicos, mas também (e sobretudo) a capacidade de produzir ele próprio esses próprios signos (ou conjuntos de signos), sobretudo aqueles que possuem cariz abstracto, isto é, que desligam-se quase por completo mundo natural, da realidade palpável. Um exemplo típico disto mesmo é a materialização da palavra através do alfabeto e das suas múltiplas “ramificações” linguísticas. O Homo Sapiens caracteriza-se assim como sendo uma nimal eminentemente simbólico, dotado de uma fabulosa capacidade abstracção, o que, por sua vez faz com que o seu pensamento se torne se torne extremamente fluído e reflexivo. A propósito destas, e outras, questões, é pertinente elucidar algumas das ideias de Giovanni Sartori, que nos fala precisamente das capacidades simbólicas e cognitivas do Homo Sapiens, e do quanto estas se podem modificar quando em contacto excessivo com a imagem.
    11.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     «O Homo Sapiens – voltemos a ele – deve todo o seu saber e mesmo todo o seu progredir no compreender à sua capacidade de abstracção. Quase todo o nosso vocabulário cognitivo e teorético consiste em palavras abstractas, que não têm qualquer equivalente preciso em coisas visíveis, e cujo significado não é reconduzível nem traduzível em imagens [...] são conceitos abstractos, elaborados por processos mentais abstractivos, que estão em lugar de entidades construídas pela nossa mente». (Sartori, 2000) 11 Esta capacidade de abtracção que o Homo Sapiens possui distingue-o verdadeiramente das outras espécies animais (sem, no entanto, deixar de ser um animal) apenas só sob uma forma: na escrita. Como diz John Gray, «o que é distintivamente humano não é a capacidade de linguagem [uma vez que também outros animais também têm essa capacidade]. É a cristalização da linguagem na escrita». É a escrita que lhe permite desenvolver à sua volta um “mundo” inteligível (que lhe permite não se reger tanto pelas leis da percepção natural, mas mais pelas da própria abstracção). «A escrita cria uma memória artificial, através da qual os seres humanos podem alargar a sua experiência para além dos limites de uma geração ou de um modo de vida. Ao mesmo tempo, permitiu-lhes inventar um mundo de entidades abstractas e tomá-las por reais. O desenvolvimento da escrita tornou-os capazes de construir filosofias, segundo as quais teriam já deixado de pertencer ao mundo natural» (Gray, 2007)
    12.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     Voltando a Sartori, este dizia que essa mesma capacidade de abstracção do homem foi aquilo que lhe permitiu chegar onde chegou hoje. À medida que as estrututras do seu pensamento foram, naturalmente, evoluindo, também o progresso e o avanço civilizacional se foi sentindo na mesma medida. Com efeito, Sartori compara os chamados povos primitivos , assentes no sistema da aldeia tribal e que ainda se baseiam na chamada linguagem perceptiva, uma linguagem rica em ligações ao mundo natural (e portanto, sem grandes elementos abstractos), com os povos avançados que, segundo o autor, «são-no porque adquiriram uma linguagem abstracta – que é também uma linguagem de construção lógica – que permite o conhecimento analítico-científico». Nos tempos actuais, e uma vez que a tende, cada vez mais a ocupar um papel cada vez mais central no interior “espírito” humano, o pensamento, ou os processos que a ele levam, tende ficar atrofiado. É esta, em grande parte, a ideia de Sartori. A própria 12 natureza humana, que define, enfim, o Homo Sapiens, tende a sofrer profundas modificações ao nível da sua estrutura-base. Resta, pois, saber a que é que isto se deve. A imagem apela, como sabemos, à visão, um dos cinco sentidos. Ao vermos uma qualquer imagem, é a visão que usamos primordialmente. Pelo contrário, a escrita apela sobretudo a outros elementos da psique humana, onde entra, primeiro que tudo, a memória, que por sua vez irá desencadear todo um conjunto de processos cognitivos ligados ao pensamento propriamente dito. Ora, ver não implica necessariamente, ou obrigatoriamente, pensar. A visão implica sempre, primeiro que tudo, um processo de percepção, que poderá levar a um reconhecimento dos elementos visuais percepecionados, e, só muito posteriormente, caso haja interesse por parte do espectador, a um pensamento devidamente estruturado. Aliás, o próprio conceito de espectador conduz-nos, precisamente, à passividade do acto de ver ou visualizar algo. Como refere aquela que é já considerada a “maior” encilopédia do mundo, a Wikipedia, «os espectadores são aqueles que apreciam voluntariamente ou não um evento. [...] são aqueles que assistem, escutam e recebem informações. O conceito de espectador determina um acto passivo, o espectador não interage com o que está assistindo». Quem vê não tem por isso que se envolver
    13.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     directamente com aquilo que visualiza, não tem que “interagir” com a imagem; ao contrário do que acontece com o leitor, que, ao ler, é obrigado a interagir com toda uma quantidade e diversidade de símbolos e signos linguísticos que remeterão, por sua vez, o leitor para uma determinada ideia. A propósito disto, e também a propósito do Homo Videns (assim como das suas implicações) e das ideias de Sartori, refere João de Almeida Santos. «O concreto, para o Homo Videns, é a imagem: ela é ponto de partida e ponto de chegada, é tudo. Dela se parte, para a ela se chegar, com mais convicção. Pelo contrário, o Homo Sapiens é aquele que está em condições de desencadear este processo de reconstrução cognitiva do real, de reconstrução desse concreto que é já síntese de numerosas determinações. 13 O mesmo não se passa com aquele que chamamos Homo Videns: aquele que só conhece e reconhece o que vê, o dado que está perante si, e sem mediações conceptuais. Aquele que vê sem saber nem compreender as causas e as conexões que explicam o que está a ver» (Santos, 2000) Falta assim ao acto de ver toda uma dimensão interaccionista, que faça pensar e reflectir, que existe na leitura devido às próprias características em que esta assente. Falta-lhe, enfim, toda uma espécie de “conduta interna” que dê azo a um processo abstracção que faça o “leitor visual” encarar a imagem não apenas como mais uma entre tantas, mas como algo distinto que também é susceptível de uma análise aprofundada (uma vez que uma imagem também pode conter elementos sígnicos) e que leve ao pensamento voluntário por parte de quem a lê.
    14.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     FENOMENOLOGIA Pensar num jornal, como meio de comunicação, é pensar numa imagem, em algo que tenha uma segunda mensagem para o leitor. Ao vermos um jornal deparamo-nos muitas vezes com fotografias que demonstram aquilo que está explicito no texto. Surge, por isto, uma dúvida. Será a imagem um suplemento da notícia? Ou poderá ela falar pelo texto que a suporta? Se o simples facto de termos numa imagem uma mensagem, que pode ser conotativa ou denotativa, é o mesmo que encontrar numa imagem a comunicação, os dois factores leitor/texto e texto/mensagem. 14 Relacionando a atitude que o leitor pode ter ao deparar-se com uma fotografia de um jornal, poder-se-á relacionar a sua reacção com o termo fenomenologia. Fenomenologia no dicionário toma-se pela “intencionalidade da consciência humana”, ou seja, descreve, interpreta e procura compreender os fenómenos que se apresentam à percepção. Procurar-se-á agora relacionar este termo com um jornal, ou a reacção que um leitor tem perante uma notícia (com ou sem fotografia), será que a reacção que um individuo tem perante uma notícia depende dos seus ideais, crenças, ou seja, da sua consciência? «Na verdade, não só é muito razoável crer que não somos no nosso ser passivos e que o fundamento das nossas afecções está em nós mesmos, como parece bastante irrazoável afirmar o contrário. Com efeito, de um lado temos a crença de que somos espontaneidade e liberdade, e de outro temos a ideia de que, se não fosse assim, tudo cairia no nada, seja a responsabilidade dos
    15.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     nossos actos (…), seja a moralidade, (…), tudo aquilo por que nos reconhecemos humanos.» 6 Segundo o livro, “Metáforas da Consciência” de André Barata, este afirma que dependerá, de alguma forma, da forma como o cidadão está inserido na sociedade para reagir de uma certa forma a certo tipo de fenómenos. Poder-se-á mesmo dar um exemplo que mais tarde será debatido, pegando numa fotografia [anexo 1] que apareceu em inúmeros jornais de todo o Mundo, sobre o 11 de Setembro, em que se visualizava perfeitamente o desespero de alguém a lançar-se de uma das torres gémeas. Para a “nossa” sociedade é encarado como algo desumano e cruel, mas pensando de uma forma – que para nós poderá parecer algo “impensável” – será que (a “outra” sociedade) quem mandou os aviões embaterem e tinham consigo a sua crença e fé no que fizeram não terá sido um acto de coragem e força? Sem querer levar este exemplo a um extremo, poderemos relacionar este 15 acontecimento ao simples facto de existirem, desde sempre, diferentes culturas e diferentes formas de cada uma encarar determinado tipo de ideais. As diferenças a nível dos vestuários, das crenças, isto é, dos ideais de cada um dependem sobretudo da sociedade – do grupo – em que uma pessoa se encontra inserido. «(…), só me é possível passar das aparições, que me aparecem fenomenicamente, ao existente se reconheço aquelas numa série, a qual, contudo, não se me manifesta na sua totalidade» 7 Como foi possível esclarecer no texto acima, de um fenómeno poder-se-á ter uma reacção consoante um determinado conjunto de ideais e de ideias no seu total. Assim, a fenomenologia está ligada ao “ser”. Tudo dependerá do significado que determinado objecto/essência tem para o sujeito/ser. Assim, a essência é algo que pode ou não ter uma relação directa com o ser, a partir do momento em que se inter-relacione com o sujeito e a cultura e ideais do ser.                                                              6  (BARATA, André, 1ª Edicção ‐ Dezembro 2000)  7  (BARATA, André, 1ª Edicção ‐ Dezembro 2000) 
    16.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     «¿Puedo decir acaso que en la existencia hay más que en la mera posibilidad? (…) «la existencia no es un predicado o determinación de cosa alguna» 8 Será, na opinião de Kant, mentira quando referimos que o ser é “real”, isto é, faz parte de um conceito, enquanto existência, mas sim das suas teses. Numa das teses de Kant “El único fundamento” 9 ele divide mesmo a existência em três partes, sendo a primeira «a existência no geral», onde este nos revela que a existência não é um predicado ou determinação de coisa alguma, bem como «a existência é a posição absoluta de uma coisa e por ela se distingue de qualquer outro predicado que se põe numa coisa sempre de um modo meramente relativo», por último e continuando a sua explicação sobre o “único fundamento sobre a existência no geral”. Onde a existência 16 significa “complementum possibilitatis”, isto é, a afectividade de algo, a sua existência é o complemento da sua possibilidade. Com isto, o que se pretende demonstrar é que a reacção que o leitor/público poderá ter perante um facto/objecto, ou (uma vez que temos vindo a utilizar esse termo), perante uma fenomenologia, ou seja, algo que relacione o ser a um objecto, não dependerá de mais ninguém que do próprio “facto de acontecer”. Diariamente perante jornais e notícias debatemo-nos com imagens que nos podem causar uma reacção negativa ou positiva, ou ainda mesmo, ser-nos indiferente. No entanto, e com apoio no que já foi até aqui referido (baseado nos termos de Kant), estas reacções acontecem da mera possibilidade. Como exemplo poderemos referir, a nível da fotografia jornalística o factor “sorte” ou o factor “momento” como dois grandes pontos importantes para este acontecimento, uma vez que, muitas das fotografias revelam mais que uma simples imagem de sociedade, tendo cada imagem uma mensagem “dentro” de si. Por isso, outra “forma” de comunicar e revelar através da fotografia depende em muito, como afirmou Kant, da “possibilidade”, ou seja, da existência de um factor que cause reacção.                                                              8  HEIGGER Martin, Los problemas fundamentales de la fenomelogia, Editorial Trotta, 2000  9  Tradução: “O único fundamento” 
    17.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     Desta forma deparamo-nos com a imagem com dois sentidos, sendo o primeiro a conotação (o que é a imagem a olhos vistos) e denotação (o que constitui a imagem). Será a partir da denotação que encaramos diversificadamente o que representa a imagem. Tudo o que constitui uma imagem é (sem dúvida) um signo a partir do momento em que “significa algo para alguém”. Será nesta parte que as ideias de Kant diversificam e nos revelam que o signo, ou o significado que o signo tem para alguém poderá alterar-se consoante a “possibilidade” ou segundo Sartre dependendo da cultura de cada um. O filósofo francês Jean-Paul Sartre, que também procurou entender a fenomenologia e a sociedade através da existência. Tentando entendendo as pessoas através da existência. O que será interpretar as pessoas através da sua existência? Para Sartre uma das formas de estudar a fenomenologia encarava-se pelo facto de estudar as pessoas como cultura, como grupo com os “objectos” que constituem essa sociedade. Para conseguir explicar o que realmente é para Sartre a fenomenologia este dividiu dois 17 pontos o «em si» e o «para si». Por «em si» entender-se-ia qualquer objecto que existe no mundo e que tenha uma essência ou uso definido, como exemplo deste poderá ser uma caneta – um objecto criado - que tem como função verter tinta, trazendo com ela, a escrita. Sartre afirmou ainda que um objecto que não sente, apenas é, ou seja, não tento consciência o objecto apenas é usado, não tem ligações directas com o mundo. Enquanto que «para si» se focaria no ser humano, no que tem consciência e tem, de certa forma, uma ligação com o Mundo. Pensemos desta forma que, para conseguir ser «para si» o indivíduo terá que encontrar o «em si» para conseguir com ele, encontrar a sua relação com o que o rodeia, ou seja com o mundo. Assim o ser humano e a sua consciência estão ligados entre si, para conseguir ser “um só” no que toca à existência. Concluindo e inter-ligando a fenomenologia com a imagem e o impacto que esta poderá ter com a sociedade entenderemos que um objecto que “intervenha” ou faça parte da vida de um ser humano, tem uma ligação grande com ele. Pegando ainda no estudo da fenomenologia de Sartre para terminar, este filósofo francês terá mesmo feito um estudo em que nos apercebemos que os objectos poderão ter uma “influência” no ser ou na consciência do homem no que representa os seus sentimentos, os seus ideais. Explicando apenas um dos vários assuntos a que foram feitos ligações, em que o objecto influenciou o ser – algo que Kant utilizava bastante – teríamos o facto do ser humano
    18.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     ser livre ou não. Sartre afirma que o Homem é livre, a partir do momento em que poderá fazer as coisas como bem entender, mas muitas vezes, os objectos as crenças e a sua vontade em realizar algo, revela-lhe também uma vontade de ser “superior” e conseguir realizar algo que o faça continuar a acreditar nos seus ideais, mas perante algo que o ligue ao mundo, ou à sua sociedade, tendo para isso, o objecto como apoio de inter-ligação. Em suma, ao abrirmos um jornal debatemo-nos muitas vezes com imagens que nos poderão deixar chocadas, mas na sua maior parte das vezes, porque o objecto não está a ser inconscientemente (uma vez que o objecto não tem qualquer ligação com o mundo sem ser pelas mãos do ser humano) pelo Homem, podendo desta forma ser excluído a ideologia de sociedade, e tendo o Homem a liberdade de fazer o que quiser com os objectos, este poderá ser julgado pelos seus actos. Desta forma, as fotografias, as imagens e as notícias podem ter o “poder” de revelar o que está errado e está a ser utilizado de má fé – outro termo estudado por Sartre no que respeita a relação do 18 existente com o objecto – pelo ser Humano. “Querem convencer alguém? Querem ser bem sucedidos? Então não ignorem as emoções.” Ivone Ferreira 10 RETÓRICA DA IMAGEM EM FOTOJORNALISMO Por retórica entenderemos a forma de “falar bem” a capacidade de persuadir uma audiência, ou seja, um público. Num argumento, a forma como um auditório aceita uma ideia e interpreta a mesma como boa ou má, correcta ou errada, ou como bonita ou feia (no caso da imagem) dependerá acima de tudo da forma como um texto, uma mensagem, um diálogo, ou uma imagem consegue captar a atenção desse auditório ou público. Conseguir interpretar semioticamente uma imagem requererá falar de tudo o que constitui essa imagem e a partir daí conseguir uma análise que reflicta o assunto que nela se está a debater. Saber se algo é bonito ou feio terá a ver como anteriormente foi                                                              10 Psicologia da imagem: Um retrato do discurso persuasivo na Internet de Ivone Ferreira, BOCC
    19.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     falado, com a cultura e interesses de cada um. Socialmente, cada pessoa tem princípios e ideais que foi adquirindo e respeitando ao longo dos anos. A partir desse raciocínio e desses ideais, as pessoas vão conseguindo interpretar as acções dos outros como boas ou más. Será aí, então, que tentaremos reflectir na famosa frase “as imagens falam por si” ou “uma imagem vale mais do que mil palavras”. No entanto, explicar estas frases e compará-las a imagens apenas poderá ser realizado depois de explicarmos a relação que uma imagem tem com a retórica, ou seja, ao discurso e ao argumento. Coloca-se assim a questão: será que a imagem, só por si, tem poder persuasivo? «Imagina agora o seguinte diálogo: — Claro que Deus existe! — Ah, sim? E porquê? — Porquê? Porque sim. — Estás enganado. Deus não existe. 19 — Mas porquê? — Porque não.» Artur Polónio 11 Com este diálogo de Artur Polónio procurou revelar-se que, a partir do momento em que duas pessoas não têm as mesmas ideias e a mesma forma de visualizar as coisas, ou as mesmas crenças, não poderão ter um discurso que englobe, como afirma Toulmin, na sua obra “Os usos do argumento”, um “final feliz”. Mesmo que, retoricamente sejam ambos os diálogos «Deus existe» ou «Deus não existe» correctos. Com isto o que pretendemos revelar será que, mesmo que embora a priori as ideias sejam antagónicas, acabarão sempre por existir “dois lados distintos da mesma moeda”, dois lados distintos mas que têm que ser aceites, ou seja, considerados como verdadeiros ou falsos até se provar algo que justifique a “discussão” ou argumento. «Não, o nosso cérebro faz, antes, uma interpretação, “uma nova versão reconstruída do original”. Temos no entanto                                                              11 Argumentação e imagem de Paulo Polónio
    20.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     a sensação de que podemos evocar nos olhos ou ouvidos da nossa mente, imagens aproximadas daquilo que experienciámos anteriormente. Elas podem ser sonoras ou visuais, tactéis, gostativas ou olfactivas mas são predominantemente visuais» Ivone Ferreira 12 Com esta citação de Ivone Ferreira o que se pretende esclarecer é que a imagem faz parte do ser humano, isto é, da sociedade para com isto provar que toda a imagem mesmo fazendo parte do pensamento e enquadrando-se na psicologia do ser trás consigo mensagens e provas do dia-a-dia da cultura de cada um. Por exemplo, ao vermos uma túlipa roxa não poderemos imaginar-lhe o cheiro se nunca tivéssemos estado com nenhuma. Este enquadramento passado/presente representa e relembra a retórica e, neste 20 caso, a retórica presente na imagem. Pensemos agora numa fotografia de um jornal, onde temos um acontecimento. O acontecimento que temos na imagem poderá ser positivo ou negativo, poderemos achar que o que se passou é bom ou mau, mas algo é certo, ou um momento feliz ou triste. A verdade é que, como qualquer signo em semiótica, uma imagem poderá ter vários significados, e isso dependerá da forma como a mensagem for “recebida” por parte do público. Em termos argumentativos o facto de termos, por exemplo, uma festa de benfiquistas e uma derrota de sportinguistas, certamente implicaria uma “boa” fotografia – a nível de mensagem (e esquecendo a estética) – para os benfiquistas, mas uma “má” fotografia para os sportinguistas. «A informação visual influencia-nos mais do que qualquer outra modalidade sensorial. Actualmente somos constantemente bombardeados com informações mas é sabido que a percepção de um elemento visual faz-se sem esforço. (…) através da                                                              12  Psicologia da imagem: Um retrato do discurso persuasivo na Internet de Ivone Ferreira, BOCC 
    21.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     imagem que aparece no ecrã, parece ter coerência prestar atenção a um discurso que procura convencer pela imagem.» Ivone Ferreira 13 Nesta citação, Ivone Ferreira procura apoiar a visualização ao nível das imagens na internet. No entanto, o mesmo conceito, ou pelo menos a mesma mensagem poderá ser aplicada em termos do jornal em papel no que diz respeito à imagem fotográfica de um jornal. Pensemos como um fotojornalista. Este como trabalhador que pretende informar através da sua máquina fotográfica não terá em principal informação em relação à cor ou ao enquadramento mas sim ao nível da mensagem que querem transmitir ao leitor/observador da imagem. A realidade, e pegando agora na citação de Ivone Ferreira, o que é pelo leitor/observador visualizando numa imagem tem uma influência sobre ele. Ou seja, retoricamente e apoiando-nos mais uma vez em Toulmin, - 21 na sua obra “Os usos do argumento” - poderemos ver que, a nível da argumentação, encontramos contrariedades e é a partir destas que a opinião do leitor/público poderá mudar, a partir do momento em que o caso consegue ser “provado” contrariamente ao que o leitor/observador poderia antes de ler. O mesmo termo de contrariedade apoiado em Toulmin poderá ser referido ao nível da imagem, a partir do momento em que visualizamos um facto que nos deixe mudar de ideias perante um facto, através do momento em que a imagem revele o contrário. «A informação visual influencia-nos mais do que qualquer outra modalidade sensorial», esta afirmação de Ivone Ferreira, que neste caso também poderá ser utilizada como numa fotografia jornalística tem impacto no público e influência a ideia deste perante o assunto da notícia, mesmo que, jornalisticamente, o jornalista não deverá revelar o seu ponto de vista ou influenciar uma ideia perante uma notícia, a realidade é que perante uma imagem o público sente e vê o que realmente lhe diz mais ou menos respectivamente ao seu “ponto de vista”. Surgem-nos agora dúvidas: «poderá a imagem matar?»; «poderá a imagem levar ao crime?», a realidade é que diariamente os media revelam novas e actuais imagens, perante as quais nos revelam conhecimento e nos mostram, de certa forma, o que                                                              13  Psicologia da imagem: Um retrato do discurso persuasivo na Internet de Ivone Ferreira, BOCC 
    22.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     devemos pensar. Em teoria da imagem sabemos que a imagem poderá ter diversos impactos na sociedade, tais como: ter uma influência hipnótica, a perda do real, alucinação e o delírio, desta forma verificamos em que pontos de vista é que a imagem pode e influência o seu auditório. Poderemos assim ver dois lados/interpretações de uma imagem fotográfica, «quando visualizamos» e «a atitude que temos perante a imagem» 14 será assim que vemos como se realiza a retórica na imagem. Desta forma, mesmo que para o “visualizador” a imagem não tenha qualquer reacção, este poderá criticar o acontecimento e dar a sua opinião ou ponto de vista. Claramente sabemos mesmo perante as metáforas de Roland Barthes que as imagens, como forma de comunicação, têm uma grande influência perante o público 15 . A imagem sempre teve esta importância, e muitas vezes, o intuito de tentar persuadir o público influenciando-o de alguma forma. Relembramos os anos de 1933- 45, em que Hitler se apoiou em rádio, televisão e jornais para conquistar o seu 22 público/auditório. Hitler conseguiu através dos seus discursos, e dando ao seu povo o que este queria ouvir, bem como nas imagens aconteciam. No entanto, poderemos ver uma evolução na forma como as pessoas encaravam e encararam actualmente uma imagem que nos revele “uma multidão a apoiar um homem com o braço erguido”, ou seja, Hitler. Pensando nas pessoas alemães que estavam no desemprego e que viam em Hitler uma salvação, certamente iremos entender o porquê de as pessoas o apoiarem, no entanto, actualmente e depois de sabermos todos os males realizados por este “imperador nazi” não conseguimos entender o porquê de uma multidão enorme o apoiar e louvar, comparando-o até, com Deus. Sabermos tudo isto revela-nos que existe uma evolução (passado, presente e futuro) até em retórica nas imagens, ou seja, os padrões mudam e os campos de argumentação revelam-se diferentes de tempos em tempos,                                                              14 Imaginemos que estamos perante a imagem de Michael Reynolds, do jornal “Notícias.rtp.pt” que nos retrata uma equipa de socorro perplexa diante dos destroços causados pelo sismo Chinês. Ao vermos esta imagem as nossas reacções poderão variar bastante, uma vez que, podemos, num primeiro plano, ter uma reacção de pena e compaixão e agir enviando contributos para de qualquer forma ajudar, ou simplesmente não fazer nada. 15 Mesmo a nível das imagens de moda, onde a pessoa compra porque se deixa influenciar por ele; ou então uma capa de um filme, onde as pessoas se deixam influenciar pela imagem se valerá a pena ver ou não; uma revista de uma agência de viagem, que ajudam bastante na decisão do lugar onde a pessoa gostaria de ir, entre outros exemplos. 
    23.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     como nos afirma Toulmin. Com isto pretendemos revelar que bem como as pessoas ou como os textos também as imagens podem ser contraditórias. O mesmo se revela a nível do jornalismo e das suas fotografias. Diariamente existe uma actualização dos acontecimentos, e com eles vão-se formando ideias e formas diferentes de encarar as coisas – a sociedade. Todos os factos trazem com eles resultados, mas nem sempre os resultados de uma notícia poderá ser o esperado pelo leitor, ou favorável para ele 16 . 23 “Impõe-se um relacionamento entre as imagens, os textos e a literatura, que se mostra extremamente revelador do terreno interpretativo em que nos enxertamos” JOLY, Martine 17                                                              16 Poderemos com isto dar um acontecimento bastante actual e que tem abalado em vários aspectos o nosso país, o caso da “greve dos camionistas” e o resultado negativo que isso tem tido para o país. O facto de eles terem feito a greve revela-nos que algo está mal na sociedade e que algo terá que ser mudado, o impacto que isso tem perante a sociedade poderá fazer as opiniões divergirem e mesmo dentro do país, certamente, haverão pessoas a favor e outras contra. 17  Frase citada: Hervé Guibert em “A imagem e sua interpretação” 
    24.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     UMA IMAGEM E SEU TEXTO Anteriormente verificamos que as imagens, por si só, têm vários sentidos, significados e formas de ser interpretadas pelo público. Basearemo-nos agora apenas do ponto de vista da imagem – fotográfica – num jornal. Ao observarmos a primeira página de um jornal verificamos um título, que será certamente o que nos salte à vista, mas antes disso, e que nos explicam conotativamente o que aconteceu chama também a atenção do leitor. Surge-nos agora uma dúvida: Será que a imagem nos capta a imagem apenas de uma forma conotada, ou poderemos entendê-la sem lermos o título? «Assim, o «valor» (…) que se atribuiria à imagem resultaria do facto de ela ser percebida em primeiro lugar como vestígios: vestígios da «realidade» quando ela é o seu reflexo ou a sua gravação, mas também vestígios do pintor ou do seu criador, 24 sempre que a imagem é fabricada por eles» 18 JOLY, Martin As imagens podem ser «criadas» pelo Homem, bem como revelar a «realidade» dos acontecimentos. Através de uma fotografia poderemos encontrar ter conhecimento de um acontecimento, ou seja, interpretar – através da visão – as coisas como elas realmente acontecem. No entanto, ao vermos o que aconteceu através de uma imagem, são muitas as dúvidas que nos surgem; como saber a data e local de um acontecimento através de uma imagem? Por vezes existem monumentos que nos expliquem o local através de um monumento, ou seja, poderemos encontrar numa imagem através da denotação – cultura geral – onde estamos. Poderá uma imagem revelar-nos um problema, substituindo o texto? Actualmente estamos diariamente a ser “bombardeados” com diferentes fotografias, os jornais investem, cada vez mais, neste método de fotojornalismo. Fica- nos agora uma dúvida: Porquê? Com o passar dos tempos aprendemos a analisar as imagens como elas são, e aprendemos que uma imagem “pode dizer/valer mais do que                                                              18  Frase citada: Hervé Guibert em “A imagem e sua interpretação” 
    25.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     mil palavras”. Ao vermos numa imagem uma bomba a explodir, um bebé a chorar, uma ponte a cair, pessoas vestidas de diferentes formas estamos perante diferentes imagens que trazem diferentes pontos de vista, ou seja, mensagens 19 . Quando estamos perante uma fotografia, podemos entender e interpretar dela várias mensagens e ideias. No entanto, numa imagem não é possível interpretar todo o acontecimento sem o apoio do texto. Todas as fotografias têm algo que a caracterize e que a relacione com o acontecimento, contudo, sem o apoio de uma interpretação escrita, o acontecimento não ficaria bem explicado, pois os detalhes da imagem, os factos do acontecimento nem sempre poderão ser encontrados numa fotografia. «(…), é importante sublinhar que o discurso que se tem sobre um filme é necessariamente um discurso da recordação. Com efeito, ao contrário do que acontece com outras artes (literatura, pintura, escultura, arquitectura) é impossível elaborar 25 um discurso crítico ao mesmo tempo que se contempla a obra ou 20 a sua reprodução.» JOLY, Martine Uma fotografia jornalística pode não ser interpretada pelo público da mesma forma – dependendo do local que a retrata – assim, a fotografia está relacionada com a cultura e com a sociedade, ou seja, com o Mundo. Através da imagem, mesmo que não entendendo toda a mensagem da fotografia, esta tem muito significado em muitos aspectos. A imagem fotográfica tem consigo muitos sentimentos, revelar emoções, e conseguir provar ou convencer um auditório. Na actualidade algumas das imagens necessitam de texto que as expliquem e identifiquem. Pensar numa fotografia num jornal é como relembrar esse acontecimento, é vivê-lo directamente, através das imagens e dos contextos. Poderemos mesmo encontrar numa fotografia algo que pode ser «criticado» e «explicado» através dos objectos que fazem parte dessa imagem, numa                                                              19  Quando nos debatemos com uma imagem com objectos religiosos encontramos nela diferentes culturas religiosas e crenças; ou então quando imaginamos algo a explodir podemo-nos assustar e entendemos que estamos perante uma imagem que representa um acontecimento desastroso; ou então quando estamos perante uma multidão que se ri e festeja algo, entendemos que se trata de uma festa e de um momento comemorativo.   20  Frase citada: Hervé Guibert em “A imagem e sua interpretação” 
    26.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     imagem fotográfica, por mais que a vejamos e interpretamos podemos sempre reter uma imagem diferente e não sempre a mesma que o «criador» quer dar ao seu auditório. Consoante encontramos no jornal uma notícia apoiada na sua imagem verificamos que a imagem, pode ter um papel não apenas secundário – depois de ler o texto entendemos a imagem – mas sim um papel principal, em que damos mais valor ao acontecimento lido, depois de visualizar a imagem 21 . Pensar numa imagem jornalística é pensar num «acontecimento real». 26                                                              21  Imaginando um jogo de futebol em que Portugal tenha ganho por 5 golos numa final de um Mundial, certamente, mais tarde ao vermos essa imagem, não terá um valor menos importante que tem no dia seguinte que Portugal venceu, muito pelo contrário poderá mesmo representar o mesmo, trazer lembranças e saudade.
    27.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     PRÁTICA “O 11 de Setembro” Legenda: Atentado às Torres Gémeas no 11 de Setembro quando o Mundo menos 27 esperava e teve um dos maiores – actualmente – atentados terroristas. Denotação: Estamos perante uma imagem que é constituída, em último plano, por um céu azul e dois prédios muito grandes comparativamente aos outros pequenos – neste caso. Haverá, ainda, saliente num dos prédios um grande fumo preto a sair, e os lavaredas acompanhadas por destroços. Conotação: Olhando atentamente para a imagem apercebemo-nos que os prédios em questão são as “Torres Gémeas”, situadas em Nova Iorque. Estas possuem uma grande explosão no seu topo que sabemos ter sido causado por aviões, num que foi o maior atentado terrorista. Onde os Americanos foram as vitimas deste. Sendo o World Trade Center o “cérebro financeiro do mundo”, podemos depreender que este ataque visava abalar a economia a escala mundial. Outra conclusão a que podemos chegar é a de que, um país tido como invulnerável, também tem os seus pontos fracos e perante um ataque destas dimensões mostrou-se impotente. Fenomenologia: Desta imagem podemos caracterizar como objecto de um fenómeno os aviões, construídos e utilizados pelo homem para viajar, mas que neste caso foram utilizados como arma de destruição pelo ser.
    28.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     Retórica na imagem: Neste acontecimento drástico, poderemos ter dois pontos diferentes no que toca à interpretação retórica: onde estamos perante um país destruído (América) e uma ideia vencida (terrorismo). Socialmente: Este foi um acontecimento de grande impacto, onde as imagens se revelaram drásticas e trouxeram com elas mensagens de compaixão e revolta por parte das famílias, do país e de todo o Mundo. O terrorismo tornou-se ainda uma imagem que trás com ela o medo e revelou a falta de segurança para estes cidadãos. “25 de Abril de 1974” 28 Legenda: Após a revolução ficou a esperança de um futuro melhor. O 25 de Abril e a sua revolução que revelou a força de um país que procurou lutar e conseguiu contra o que não estava a respeitar o que estes acreditavam. Denotação: Uma criança que coloca, no cano duma espingarda segura por três mãos, uma flor, na imagem pode ler-se «Portugal 25 de Abril de 1974». Conotação: Primeiramente, encontraremos uma criança, que representa a esperança, a colocar dentro de uma espingarda uma flor. Nesta criança poderemos encontrar o futuro risonho e pacífico de Portugal, depois da revolução. As roupas rotas desta menina
    29.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     revelarão a pobreza e as poucas condições que o país teria até agora, e o seu acto de colocar a flor dentro de um cano de uma arma (que simboliza guerra) revela-nos a paz e fim de uma luta por outro regime, como se as roupas da menina revelassem um futuro capaz de “remendar” os buracos da roupa. O facto de a criança contrapor a arma de fogo com uma flor mostra-nos que esta revolução se passou de forma pacífica, onde o único vermelho que nela se viu foi mesmo o das pétalas do cravo. Um cravo, que é vermelho e representa a revolução e ficou conhecido como um dos principais ícones desta revolução. O contraste de ser uma menina «frágil» a colocar um cravo numa espingarda «segura» por três mãos, o que representa «força» revela-nos que o futuro daquela criança – bem como de todas as crianças – estavam entregues a pessoas que deveriam ter servido o regime salazarista mas preferiram ajudar o «futuro», ou seja, as crianças a terem uma vida melhor. Fenomenologia: uma arma, como objecto de guerra, uma flor como objecto de paz. Ambos os objectos utilizados pelo ser e fazem ambos parte da capacidade do ser 29 humano, ser ou não utilizados. Retórica na imagem: Nesta imagem teremos, retoricamente, a paz assinalada por uma criança. Ou a segurança de uma arma por um soldado. Social: A nível social poderemos ter dois pontos de vista distintos, sendo o primeiro, a antiguidade que “adorou” Salazar; a sociedade que sofreu com os actos de Salazar; e a parte da sociedade que nunca viveu no tempo de Salazar, mas que por aquilo que estudou poderá afirmar o que é a favor ou contra os actos realizados no passado, não querendo assim deixar que este se repitam num futuro. Desta forma teremos retoricamente os processos de “passado, presente e futuro”.
    30.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     “Chavez em França” 30 Legenda: uma imagem com Hugo Chavez como plano principal, em que o quadro atrás dele revelaria muito mais que um simples motivo político, mas também ironicamente, o seu tipo artístico. Denotação: um homem sentado num sofá, de pernas cruzadas. Atrás desse mesmo homem, encontra-se um quadro, uma pintura que nos mostra um lenhador no seu ofício. Conotação: o momento, aparentemente “feliz”, apanhado pelo fotógrafo revela toda uma estrutura simbólica na qual o lenhador, ao executar o seu ofício, estende o seu machado na direcção da cabeça de Hugo Chavéz, Presidente Venuzuelano, como que estando prestes a executá-lo, como um carrasco. Nesta imagem temos um presidente, sentado num sofá sozinha, que poderá revelar solidão, e ao mesmo tempo um Presidente completamente despreocupado e relaxado com as suas pernas cruzadas e a sua pose de “café”. Podendo ser conotado o todo da imagem como uma espécie de “vontade” de acabar com o reinado político de Chavéz, “mal-visto” não só dentro da Venezuela como
    31.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     em todo o mundo. A curiosidade do quadro poderá ter uma mensagem bem clara como se se trata-se de uma ideia muito bem pensada no caso de ser contra os pontos de vista deste venezuelano. Fenomenologia: O objecto – neste caso sentimento – mesmo que não criado pelo homem é mais forte que este, e o quadro como objecto de efeito, neste caso revelou-se como algo existencial, ao acaso ou não, como uma fotografia que critica as atitudes do jogador. Retórica na imagem: esta imagem retrata a política venezuelana, e esta poderá ser encarada como correcta ou errada por outros países que não tenham os mesmos ideais que Chavéz. Social: Socialmente, a imagem do político poderá ter grande impacto, uma vez que a junção do político com o quadro relata muito significado. “Saddam Hussein e George W. Bush” 31 Denotação: Saddam Hussein e George W. Bush, dois “políticos” de renome dentro da cena política e mediática internacional Conotação: a imagem de um democrata confunde-se com a imagem de um ditador. Analiticamente, subsiste a dúvida acerca de qual dos dois será o «vilão» e o «bom» da história; sendo que existe uma contradição dentro da própria imagem do suposto «bom»: a frase “attack begins” faz toda a diferença. Entre um e outro, venha o diabo e escolha… Do lado esquerdo encontraremos um político vestido de militar, que representa a luta e a vontade de lutar, enquanto que do lado direito estaremos perante um político bem vestido de uma forma formal. Fenomenologia: O facto de estarem numa posição de falar para o público, revela o que estes querem transmitir.
    32.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     Retóritca: Será cada lado de uma fotografia, ou seja, o que estes poderão revelar a favor de um e contra outro. Social: Um discurso com estes dois políticos é de extrema importância para a sociedade. 32      
    33.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     CONCLUSÃO “As imagens falam por si”. Mas estas não podem revelar todo o pormenor de um acontecimento. Ao realizarmos o trabalho entendemos que, jornalísticamente, mesmo que o público se apoie em imagens, no primeiro ou segundo plano, poderemos interpretar «melhor» a mensagem, mas não substituí-la. Interpretar uma imagem não é apenas ver o que há nela, mas sim entende-la. Saber analisar uma imagem, impõe a junção semiótica, psicológica e retórica dos factos. Através deste trabalho confirmamos que “as imagens falam por si” e que têm sempre uma mensagem a transmitir a um público/audiência. Mas que sem texto ou algo que as explique, por vezes, é difícil entender tudo o que “preenche” a imagem. 33
    34.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     BIBLIOGRAFIA • Correia, Fernando, Jornalismo, Grupos Económicos e Democracia, Caminho, 2006 • Gray, John, Sobre Humanos e Outros Animais, Lua de Papel, 2007, Lisboa • Huyghe, René, O Poder da Imagem, Edições 70 – Arte e Comunicação, 1978, Lisboa • Santos, João de Almeida, Homo Zappiens – O feitiço da televisão, Editorial Notícias, 2000 • Sartori, Giovanni, Homo Videns – televisão e pós-pensamento, Terramar, 2006 • JOLY, Martine “A imagem e sua interpretação 34 WEBGRAFIA • Psicologia da imagem: Um retrato do discurso persuasivo na Internet de Ivone Ferreira, BOCC Trabalho realizado por: Andrea Ribeiro N.º 19681 João Marcelino N.º 19830 Nuno Santos N.º 1991
    35.   Universidade da Beira Interior – Teoria da Imagem – “A imagem de Imprensa”     Miguel ANEXO Anexo 1 35
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