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Iniciação científica um salto para a ciência
 

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    Iniciação científica um salto para a ciência Iniciação científica um salto para a ciência Document Transcript

    • IniciaçãoCientífica: um salto para a ciência BOLETIM 11 JUNHO 2005
    • SUMÁRIOPROPOSTA PEDAGÓGICAINICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA ............................................................................... 03Antonio Carlos PavãoPGM 1CIÊNCIA NA ESCOLA ........................................................................................................................ 07Estudantes cientistasAntonio Carlos PavãoPGM 2LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS ........................................................................................................................ 13Dietrich SchielPGM 3FEIRA DE CIÊNCIAS ....................................................................................................................................... 20Feira de ciências: a produção escolar veiculada e o desejo de conhecer no alunoMaria Edite Costa LimaPGM 4MATERIAL DIDÁTICO DE CIÊNCIAS ................................................................................................................. 29O material didático para o ensino de ciênciasCarlos A. ArguelloPGM 5DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA ............................................................................................................................ 39O papel da escola na divulgação científicaAntonio Carlos Pavão INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 2
    • PROPOSTA PEDAGÓGICA Iniciação científica: um salto para a ciência Antonio Carlos Pavão 11. Conceituação e JustificativaA série Iniciação científica: um salto para a ciência, composta de cinco programas, seráapresentada no Salto para o Futuro/TV Escola na semana de 20 a 24 de junho de 2005. A série temcomo proposta a formação continuada e o aperfeiçoamento de docentes e de alunos dos cursos demagistério que trabalham em EDUCAÇÃO PARA A CIÊNCIA, possibilitando que professores detodo o país revejam e construam seus respectivos princípios e práticas pedagógicas.A temática desta série de programas deverá atender às demandas de reflexão do ensino de Ciênciasem diferentes áreas e etapas do ensino básico, respeitando os diversos níveis de tratamento dostemas trabalhados. O fluxo do trabalho e a unidade entre os cinco programas da série estão baseadosna interatividade e na participação ativa de pesquisadores, professores e alunos. Durante a semana,serão realizados experimentos nas escolas, cujos resultados serão discutidos nos programas. Relatosde experiências pedagógicas bem sucedidas também serão discutidos durante os programas. Oscinco programas da série visam estimular o desenvolvimento continuado de atividades de iniciaçãocientífica nas escolas e provocar mudanças na prática pedagógica do ensino de Ciências.2. Objetivos• Estimular a prática da pesquisa científica na escola;• Relatar experiências bem sucedidas de iniciação científica na escola;• Oferecer orientação científico-pedagógica para desenvolver a iniciação científica na escola.3. Fundamentação teórica INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 3
    • Para os alunos, existe um alto grau de desvinculação entre a atividade científica e a vida cotidiana.Em geral, entre eles não há consciência a respeito da medida em que a atividade científico-tecnológica participa e afeta nossa realidade diária. A imagem do cientista na sociedade responde aestereótipos muito marcados. Por causa disso, para os alunos, a ciência escolar é rotineira, é chata,pouco útil e muito difícil.Sabemos que os interesses dos alunos estão centrados na ação, no diálogo, na confrontação deidéias, no trabalho em equipe, na experimentação, na reflexão conjunta, na busca de novosquestionamentos. As aulas de Ciências não conseguem transmitir o caráter de empresa vital,humana, fascinante, indagadora, aberta, tolerante, útil e criativa que tem a atividade científica, pois,muitas vezes, há uma brecha muito ampla entre o que se considera importante fazer na escola e oque realmente é feito.Esta série de programas tem como objetivo estimular a prática científica com a utilização dametodologia de pesquisa que se baseia n a exploração ativa, no envolvimento pessoal, nacuriosidade, no uso dos sentidos e no esforço intelectual na formulação de questões e na busca derespostas. Pretende oferecer respostas, mas, sobretudo, gerar a indagação e o interesse pela ciência,vista como fonte de prazer, de transformação da qualidade de vida e das relações entre os homens.Busca, também, alertar para as repercussões sociais do fato cientifico e formar cientistas sim, mas opropósito educacional, antes de tudo, deve contemplar a formação de cidadãos, indivíduos aptos atomar decisões e estabelecer os julgamentos sociais necessários ao século 21.A série busca democratizar o acesso ao conhecimento científico e tecnológico, incentivando ointeresse pela ciência e pelas relações entre os conceitos científicos e a vida. Deverá estimular ainteração de escolas com universidades, faculdades e outros centros de produção do conhecimento.De um modo geral, visa contribuir para a constituição de uma base qualificada de recursos humanospara o fortalecimento de programas de Educação para Ciência e Tecnologia nas escolas, comenfoque sobre aspectos da aprendizagem e sobre os impactos sociais e educativos da atividadecientífica.Temas que serão debatidos na série Iniciação científica: um salto para a ciência, que seráapresentada no Salto para o Futuro/TV Escola de 20 a 24 de junho de 2005: INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 4
    • PGM 1 - Ciência na escolaNeste programa, será abordada a questão da prática científica na escola. Serão apresentadas ediscutidas as várias etapas do método científico: levantamento de questões, análise dos conceitosprévios e formulação de hipóteses, teste destas hipóteses, proposição de teorias e formulação deleis. Deverá ser destacada a importância da interação entre a escola e centros de produção do saber(universidades, faculdades, centros de pesquisa, etc.).PGM 2 - Laboratório de CiênciasNeste segundo programa, o conceito de laboratório será discutido, destacando-se que o meio em quea escola está inserida pode ser utilizado como o melhor dos laboratórios. É uma reflexão sobre oconceito tradicional de labor et ora (trabalhe e reze). Não significa, porém, desprezar a importânciados equipamentos de investigação científica. Relatos de experimentos com materiais de fácil acessoe de baixo custo deverão estimular a prática da investigação científica na escola.PGM 3 - Feira de CiênciasFeira de ciência é uma revolução pedagógica, como definia J. Reis. Esta é a proposta a sertrabalhada neste programa. A feira é um instrumento bastante rico para a prática da atividadecientífica. É uma forma de abrir a escola para estudar problemas de seu entorno, de suacomunidade, de sua cidade, estado ou país, para discutir questões ambientais e/ou sociais, enfim, étodo um mundo que se abre. É uma grande oportunidade para a interação escola-sociedade. A feiradeve fazer parte do currículo da escola e deve ser preparada desde o início do ano letivo. Omomento da feira representa um coroamento de todo um trabalho desenvolvido durante o ano e nãoum evento pontual.PGM 4 - Material didático de CiênciasA proposta deste quarto programa é discutir a utilização do livro e de outros materiais didáticos noensino das Ciências. O programa deverá oferecer orientação para uma boa escolha e utilização dolivro, além de fornecer exemplos de materiais didáticos complementares para a melhoria do ensino INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 5
    • de Ciências.PGM 5 - Divulgação científicaO objetivo deste quinto e último programa é destacar a importância da divulgação científica paraaproximar os alunos da ciência. A comunicação de resultados de pesquisa requer um trabalhointegrado com Língua Portuguesa, com a Arte e com as demais áreas do conhecimento, de um modogeral. O programa deverá estimular hábitos de leitura, orientar para uma melhor seleção deprogramas de rádio e TV, incentivar visitas a museus, etc.Site para consulta: http://educar.sc.usp.br/bfl Nota 1 Professor do Departamento de Química Fundamental (CCEN), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 1979, tendo como principal linha de pesquisa Química Quântica Computacional. Graduou-se em Química pela Universidade de São Paulo (USP), instituição onde fez Mestrado e Doutorado. Pesquisador nível 1 do CNPq e membro efetivo da Academia Pernambucana de Ciências. Diretor do Espaço Ciência, em Olinda, Pernambuco. Autor de mais de 40 artigos publicados em periódicos. Consultor desta série. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 6
    • PROGRAMA 1 CIÊNCIA NA ESCOLA Estudantes cientistas Antonio Carlos Pavão 1 “Quero saber quantas estrelas tem no céu, Quero saber quantos peixes tem no mar, Quero saber quantos raios tem o sol...” Lia de ItamaracáI. Ciência, poder e prazerO rápido crescimento da ciência ocorrido nos últimos 100 anos foi acompanhado por uma educaçãoformal focada cada vez mais na memorização de fatos. É necessário romper com este método efamiliarizar o estudante com a prática da ciência, destacando o prazer e a utilidade da descoberta,formando cidadãos capazes de responder às necessidades do mundo atual. Cabe à escolademocratizar o acesso ao conhecimento científico e tecnológico, incentivando o interesse pelaciência e pelas relações entre os conceitos científicos e a vida. Embora não seja uma tarefa simples,a escola deve buscar a interação com universidades, faculdades, museus de ciência e outros centrosde produção e difusão do conhecimento. E vice-versa, universidades, faculdades e os centros depesquisa devem reconhecer seu papel de destaque na inovação da educação para a ciência . Assim,estaremos constituindo uma base qualificada de recursos humanos para o fortalecimento dosprogramas de educação para ciência e tecnologia, com enfoque sobre aspectos da aprendizagem esobre os impactos sociais e educativos da atividade científica. É preciso também permitir o debatesobre as relações entre o conhecimento popular e o conhecimento científico, reforçar a interação daescola com as famílias e a comunidade, enfatizando temas atuais, objetos de debate na sociedade,estabelecendo relações entre conhecimento científico e exercício da cidadania.II. Alunos têm opinião!Para os alunos, existe um alto grau de desvinculação entre a atividade científica e a vida cotidiana.Em geral, entre eles não há consciência de em que medida a atividade científico/tecnológica INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 7
    • participa e afeta nossa realidade diária. A ciência escolar é rotineira, chata, pouco útil e muitodifícil. Sabemos que os interesses dos alunos estão centrados na ação, no diálogo, na confrontaçãode idéias, no trabalho em equipe, na experimentação, na reflexão conjunta, na busca de novosquestionamentos. Entretanto, as aulas de Ciências não conseguem transmitir o caráter de empresavital, humana, fascinante, indagadora, aberta, tolerante, útil e criativa que tem a atividade científica.A imagem do cientista, para os alunos e para a sociedade, responde a estereótipos muito marcados.Quando se fala em cientista, a imagem recorrente é aquela do Einstein descabelado e com a línguade fora. Também existe uma brecha muito ampla entre o que os mestres consideram importantefazer e o que realmente fazem. E nem sempre estão, ou podem estar, em consonância com conceitosatuais da teoria pedagógica e do conhecimento científico. E como, então, veicular informaçãocorreta, precisa, adequada e atualizada? Talvez a resposta seja simples. Que tal experimentar umaproposta pedagógica que considera ensinar ciência como o fazer ciência?III. O que fazer?Por quê? É esta simples pergunta que devemos estimular em nossos alunos. A interrogação deve setornar um hábito. Começar a fazer ciência é só começar a perguntar. Desta forma, estaremosiniciando a prática científica, descobrindo que a utilização da metodologia de pesquisa se baseia n aexploração ativa, no envolvimento pessoal, na curiosidade, no uso dos sentidos, no esforçointelectual na formulação de questões e na busca de respostas. Construir e oferecer respostas, mas,sobretudo, gerar a indagação e o interesse pela ciência, vista como fonte de prazer, detransformação da qualidade de vida e das relações entre os homens. E sempre alertar para asrepercussões sociais do fato cientifico. Formar cientistas sim, mas o propósito educacional, antes detudo, deve contemplar a formação de cidadãos, indivíduos aptos a tomar decisões e a estabelecer osjulgamentos sociais necessários ao século 21.Também é simples estimular a utilização do método científico na escola. Basta propiciar situações,tanto coletivas como individuais, para observações, questionamentos, formulação de hipóteses,experimentação e elaboração de teorias e leis pelo aluno, submetendo-as à validação no processo detroca professor – classe. É bom começar valorizando e identificando o conhecimento que o alunodetém sobre o que se pretende ensinar. Este procedimento é também um reconhecimento de que aconstrução do conhecimento é um empreendimento laborioso e que envolve diferentes pessoas einstituições, às quais se deve dar o devido crédito. Assim, é possível relacionar o conhecimento INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 8
    • construído com aquele historicamente acumulado, considerando que a descoberta tem um ou maisautores e um contexto histórico que deve ser enfatizado e trabalhado.IV. Uma lição e dez exemplosExistem muitos outros, mas vamos citar aqui apenas dez exemplos de como a proposta acimaexposta vem sendo trabalhada. Em 1988, o Professor Leopoldo De Meis, do Departamento deBioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, inaugurou um curso de férias paraexpor professores e estudantes do Ensino Médio à prática da ciência: duas semanas para professorese uma semana para alunos nas férias escolares de janeiro e de julho. Em 2004, o tema desenvolvidono curso da UFRJ foi “Quanto mais quente melhor”. Neste curso, professores e alunos tentaramdesvendar experimentalmente tópicos na área biomédica. Mas o projeto do Professor De Meis, quetem como título geral “Geração de novos espaços de interação entre ciência e educação”, envolvehoje 10 universidades no país, entre as quais a Universidade Estadual de Campinas e as federais dePernambuco, Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Santa Catarina, Porto Alegre(UFRGS) e Santa Maria. Em Pernambuco, no Departamento de Química Fundamental da UFPE,por exemplo, o curso chama-se “O que Ricardo Ferreira disse para sua cozinheira ”, explorando aquímica na cozinha. No primeiro dia de atividades, os alunos-cursistas simplesmente perguntam:por quê? Por que a panela de pressão cozinha mais rápido? Por que a maçã escurece quandocortada? Por que o leite derrama quando ferve? Por que o fósforo acende quando colocado no óleoquente que está no ponto certo de fritura? Por que a chama fica amarela quando entra em contatocom o sal? Perguntas não faltam. Em seguida, os alunos se agrupam, selecionam um conjunto dequestões e partem em busca das respostas. Levantam hipóteses e buscam verificá-las. Usam toda ainfra-estrutura dos laboratórios que estão disponíveis para eles. São acompanhados por monitores-alunos do programa de pós-graduação, que são orientados para não dar resposta pronta. Sãoproblematizadores. Todos têm acesso a bibliotecas e à internet. No final da pesquisa, os alunos-cursistas devem apresentar um relatório, sistematizando os resultados através de textos, desenhos,figuras, tabelas e outros registros característicos das ciências. É uma forma de estimular o emprego(construção e análise) de recursos de comunicação comumente utilizados no meio científico. Nofinal do curso, cada grupo deve dar uma aula sobre o assunto pesquisado. Em geral, usam formascriativas, especialmente dramatizações e representações teatralizadas.O(a)s aluno(a)s do Ensino Médio de baixa renda que se destacam nos cursos são convidado(a)s a INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 9
    • estagiar no laboratório sob a orientação de um estudante de doutorado e, indiretamente, pelo seuorientador. O objetivo não é só melhorar o nível do estudante, mas prepará-lo para entrar nauniversidade pública. Nesta parceria, estudante de baixa renda e estudante de pós-graduação, ambossão educados. O estudante ajuda no trabalho experimental, mas ao mesmo tempo mostra umarealidade social nem sempre visível ao pós-graduado. Por outro lado, o pós-graduado funcionacomo tutor que ajuda no entendimento da matéria escolar e mostrando o fazer cientifico no trabalhode bancada. Nos últimos 17 anos, cerca de 10 mil estudantes participaram deste programa e pelomenos metade destes ingressaram na Universidade, muitos fazem (ou já concluíram) pós-graduação, um ou outro já fez pós-doutorado (um deles na Universidade de Harvard) e outros estãoatualmente estagiando em laboratórios das universidades. Também o(a)s professores(as) que sedestacavam nos cursos são convidado(a)s para estagiar nos laboratórios de pesquisa por período deum a 2 anos. Uma extensão desta iniciativa é o encaminhamento para a pós-graduação. Atualmentevários(as) professores(as) estão concluindo ou já concluíram seus programas de pós-graduação.Alguns já são hoje professores universitários.V. Experimente você tambémSim, experimente! Por que não? Não se preocupe se você não dispõe de laboratório. Você vai sesurpreender com sua criatividade e a de seus alunos. A sabedoria popular diz que conselho, se fossebom, ninguém dava, mas cobrava . Mas isto não vale para nós, professores, que queremoscompartilhar experiências em busca da melhoria do ensino. Não se trata de uma receita, mas aseguir apresentamos alguns conselhos:• Escolha um tema e solicite que seus alunos façam a pergunta: por quê?• Selecione, junto com seus alunos, as perguntas mais interessantes, úteis e simples;• Deixe que os alunos levantem hipóteses e formas de testar estas hipóteses;• Assegure que os experimentos propostos sejam factíveis, com resultados confiáveis einterpretação teórica correta;• Cuide para não gerar situações inadequadas, como as que ferem leis, normas de segurança ou que INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 10
    • não respeitem os direitos do trabalhador e do cidadão;• Privilegie a apresentação da terminologia científica, fazendo uso, quando necessário, deaproximações adequadas, sem, no entanto, ferir o princípio da correção conceitual;• Estimule a leitura de textos complementares, revistas especializadas e livros disponíveis nabiblioteca da escola, da cidade, dos alunos, dos amigos, etc.;• Proponha o uso de computadores para pesquisa na internet, simulações, argumentação e registro.Uma dica para evitar sites sem credibilidade é não aceitar aqueles com a extensão .com;• Valorize a comunicação da ciência, utilizando diferentes propostas (seminários, teatro, painéis,exposições, experimentos), linguagens e formatos apropriados;• Realize o debate sobre a ética da ciência e as relações entre conhecimento e poder, abordando, deforma sistemática, as repercussões, relações e aplicações do conhecimento;• Contemple as diversidades geográfica, social e política na exploração dos conceitos científicos;• Evite estereótipos e associações que depreciem grupos étnicos ou raciais, ou que desvalorizem acontribuição que todos os diferentes segmentos da comunidade;• Incentive uma postura de respeito ao ambiente, conservação e manejo correto;• Considere uma visão humanística da ciência;• Proponha a integração das linguagens. Interaja com seus colegas professores de outrasdisciplinas;• Prepare, desde o início do ano letivo, uma Feira de Ciências para apresentar o resultado de seutrabalho e de seus alunos; INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 11
    • • E, principalmente, valorize o papel do professor como um problematizador e não um simplesfacilitador ou monitor de atividades.E dê dez para você e seus alunos!Referências bibliográficas“Ciência Hoje das Crianças”. Esta é uma coleção preciosa. Qualquer volume é muito bom.“Ensinar as Ciências na Escola”, do projeto “A mão na massa”, CDCC-USP São Carlos, 2005."O Método Científico" e os DVDs: "Ensinando Ciência com Arte", "A mitocôndria", "O ciclo deKrebs" e "Uma breve história do conhecimento" de Leopoldo De Meis e colaboradores, UFRJ, Riode Janeiro. Distribuição gratuita em escolas públicas.Apostila do Curso “O que Ricardo Ferreira disse para sua cozinheira”, Antonio Carlos Pavão ecolaboradores, DQF-UFPE, 2005.Vídeos e publicações diversas da TV Escola.Pesquise, se puder, na internet, evitando os sites (ou tomando todo o cuidado) de extensão .comAgradecimentos: Devemos destacar o apoio da VITAE para este programa. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos que, com uma visão moderna e transformadora, tem desenvolvido no Brasil um efetivo esforço de apoio à educação, à cultura e à promoção social. Ao Professor Leopoldo De Meis, os agradecimentos pela lição para a construção de uma nova educação para a ciência. Nota 1 Professor do Departamento de Química Fundamental (CCEN), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 1979, tendo como principal linha de pesquisa Química Quântica Computacional. Graduou-se em Química pela Universidade de São Paulo (USP), instituição onde fez Mestrado e Doutorado. Pesquisador nível 1 do CNPq e membro efetivo da Academia Pernambucana de Ciências. Diretor do Espaço Ciência, em Olinda, Pernambuco. Autor de mais de 40 artigos publicados em periódicos. Consultor desta série. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 12
    • PROGRAMA 2 LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS Dietrich Schiel 1IntroduçãoA ciência é uma criação humana que se destina à nossa compreensão da complexidade da naturezaque observamos. A natureza em si não é científica – ela simplesmente é, está aí a desafiar a nossacuriosidade, percepção e capacidade de criar modelos que a expliquem.Para que nosso aluno possa entender o que seja a ciência, não basta transferir o conteúdo pronto, énecessário que, de uma maneira ou de outra, ele participe desse diálogo com a natureza através doqual se cria o conhecimento científico. “Linguagens” desta indagação à natureza são aexperimentação e a observação sistemática.Para realizar essas ações em sala de aula, há necessidade da ferramenta experimental, materiaisconstruídos ou a construir pelo professor e seu aluno. Estes materiais podem se inserir em umaproposta pedagógica existente ou, então, podem se inserir na proposta que o professor já estejausando. Na minha carreira, desenvolvi as duas possibilidades: a Experimentoteca é materialexperimental que o professor pode usar da maneira que convém à sua própria proposta de trabalho.Por outro lado, o programa “A mão na massa” é constituído de uma proposta pedagógica,juntamente com o material apropriado à sua aplicação.A Experimentoteca públicaA Experimentoteca é um Laboratório de Ciências que pretende racionalizar o uso de materialexperimental, da mesma maneira que uma Biblioteca Pública facilita o acesso de um grande númerode publicações a um público extenso. Nos locais onde a Experimentoteca entrou em uso, ela ésediada em Centros de Ciências, Prefeituras Municipais, Institutos Universitários que mantêmconvênio com autoridades educacionais, Parques de Tecnologia ou Clubes de Ciência. Um mesmoacervo atende, simultaneamente, a 20 ou até a 30 escolas e mais de 4.000 alunos por ano podem INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 13
    • usá-lo. A pouca ociosidade do acervo circulante e a alta qualidade, que torna a manutenção simples,acabam por gerar um sistema de baixo custo para a experimentação executada por aluno. AExperimentoteca destina-se a alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental, podendo ser adaptadaa outras faixas etárias. Um projeto que está em vias de ser entregue para aplicação destina-se aoEnsino Médio.A Experimentoteca completa é constituída por 74 itens para o Ensino Fundamental e mais 54 para oEnsino Médio. É formada basicamente por material experimental ou demonstrativo, além de filmespara vídeo, mapas, modelos e jogos. O material experimental possibilita a experimentação por partedos alunos, havendo material para 10 equipes de alunos trabalharem simultaneamente sobre cadatema.O programa Experimentoteca prevê a capacitação dos professores usuários do sistema em cursosespecíficos.A Experimentoteca é projetada de acordo com modernas técnicas de design , permitindo areprodução em série. É um produto patenteado, sendo a patente explorada por uma empresaespecializada.A Experimentoteca pode ser adquirida. No entanto, muitos dos experimentos podem ser realizadoscom material improvisado. Uma relação completa dos roteiros, com listas de material, encontram-sena página http://www.cdcc.sc.usp.br/exper.htmClicar em “relação dos itens que compõem a Experimentoteca”. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 14
    • Transformação de energia: a energia da chama faz a água subir até o tubo de ensaioKits de Química e de microscopia INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 15
    • Capacitação de professores indígenas em Mato Grosso do Sul no uso da Experimentoteca .O que é ABC na Educação Científica – A Mão na Massa ?A idéia geral de A Mão na Massa é um desdobramento da Pedagogia Ativa, já praticada por umbom número de professores nas séries iniciais do Ensino Fundamental e da Educação Infantil.Consiste em criar condições para que a criança participe da descoberta dos objetos e fenômenos danatureza, fazendo que os contate em sua realidade, como objetos de observação e deexperimentação, estimulando a imaginação e desenvolvendo o domínio da linguagem: a criança seapropria de conhecimentos consolidados.Mais precisamente, o esquema típico de uma aula de A mão na massa é o que se segue:• Dirigida pelo professor, uma criança colocou uma questão relativa a seu ambiente, inanimado ouvivo. Ao invés de responder, o professor devolve a questão à classe: “e vocês, o que acham disso?”levantando as hipóteses das crianças e fazendo, assim, trabalhar a sua imaginação.Uma experiência simples (observação, manipulação, medida...) é então proposta. Conduzida pelascrianças em pequenos grupos, esta experiência deverá, em princípio, levar à resposta, fazendo queretornem às hipóteses iniciais e conduzindo, então, ao processo de dialética/ raciocínio/ INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 16
    • experimentação, que se situa no próprio âmago do conhecimento científico. Enfim, as crianças sãolevadas a se expressarem (exposições breves, redação num caderno de experiências) sobre apequena aventura que vêm a viver juntas, enriquecendo seu vocabulário, tornando mais precisa asua lógica e, portanto, a sua sintaxe.Há diversos relatos de professores que constataram que este procedimento é especialmente eficazcom alunos que antes demonstravam dificuldades na alfabetização. Há um projeto piloto em SãoPaulo usando esse método na Educação de Jovens e Adultos.Apresentamos acima um esquema ideal no qual, em muitos casos reais, pode ser omitido um doselementos. Assim, os seres vivos ou os objetos do céu levam a questões específicas. Da mesmamaneira, a experiência poderá fracassar, obrigando o professor a fornecer a resposta à questãoinicial. Seja como for, decorre que o engajamento pessoal da criança – quando seus sentidos e suainteligência são solicitados – tende a lhe tornar a ciência amável e viva.Em 1995, Georges Charpak, prêmio Nobel de Física, a quem se juntaram Pierre Léna e Yves Quéré,da Academia das Ciências, iniciou na França o programa La main à la pâte com o propósito derevitalizar o ensino das Ciências na escola primária. Além da parceria das autoridades educacionaisdaquele país, os acadêmicos contam com o apoio de uma equipe dedicada de dez pessoas em tempointegral, em contato estreito com pesquisadores de renome nas Ciências e na Educação.No Brasil, o programa, que se insere na tradição criada a partir do Manifesto dos Pioneiros daEducação Nova (1932), é desenvolvido desde 2001 numa parceria com a A cademia B rasileira deC iências com o nome ABC na Educação Científica – A Mão na Massa , sendo coordenado porErnst Wolfgang Hamburger. Procedimentos de Educação a Distância possibilitaram que o programaesteja hoje presente em 11 cidades brasileiras: São Paulo, São Carlos, Rio de Janeiro, RibeirãoPreto, Jaraguá do Sul, Vitória, Campina Grande, Salvador, Juiz de Fora, Viçosa e Piracicaba . Oprofessor interessado encontra informações que permitem aplicar as idéias desta proposta emhttp://educar.sc.usp.br/mm . Lá há diversos roteiros de experimentos, quase todo o material pode serimprovisado. Lá se encontram também as bases metodológicas desta nova proposta educacional. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 17
    • INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 18
    • Em Vitória (ES) os alunos discutem quais frutos irão flutuar e quais irão afundar Nota 1 Professor da USP – São Carlos. Vice-diretor do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP – São Carlos. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 19
    • PROGRAMA 3 FEIRA DE CIÊNCIAS Feira de ciências: a produção escolar veiculada e o desejo de conhecer no aluno Maria Edite Costa Lima 1 “As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender.” (Paulinho da Viola. Coisas do mundo, minha nêga)Aprendemos com a Psicanálise que a linguagem se constitui através da relação com as pessoas.Instaura-se a partir do desejo – da criança e do Outro – de estabelecer trocas, de partilhar o mundo.Penso que assim também ocorre com o processo de aprendizagens ao longo da vida. Nossacuriosidade, portanto, é fruto de uma construção que tem no Outro seu catalisador.Imaginem o que aconteceria a vocês, leitores, se, dia após dia, produzissem objetos, fatos econhecimentos que ninguém observasse: empobrecimento, esvaziamento, desestímulo,imobilização.Temos assim que a interlocução é fator determinante na aquisição de conhecimentos e na geraçãode descobertas. E a escola, como local de produção de conhecimento, precisa estar atenta a estanecessidade humana fundamental – o diálogo. De preferência, um diálogo o mais amplo possível,compreendendo que é da diversidade de pontos de vista que nascem as indagações equestionamentos.No terreno da educação científica, esta necessidade é vital. Por vários motivos. Primeiramente,porque a linguagem é um instrumento que apóia a organização de idéias, a elaboração e asistematização de conceitos. Quanto mais empobrecida a prática do diálogo em sala de aula, menosreflexivo e argumentativo é o aluno. E o modelo escolar tem, via de regra, limitado aspossibilidades de troca pelo aluno, seja colocando-o na posição de receptor – aquele que ouve –,seja reduzindo as fontes de interlocução, centradas na figura exclusiva do professor. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 20
    • O universo, dessa forma, fica reduzido a uma janela, apenas.As Feiras de Ciências (ou Feiras de Conhecimentos, ou Feiras de Ciência e Cultura) se apresentamentão como um convite para abrir todas as janelas: da curiosidade e do interesse do aluno, dacriatividade e da mobilização do professor, da vida e do sentido social da Escola.Ao definir um projeto de Feira de Ciências na escola, é possível perceber de imediato uma série demudanças positivas na movimentação dos alunos e em suas aquisições. Então vejamos:A Feira como mobilizadora da produção – A perspectiva de expor um trabalho gera no grupo umcompromisso com a qualidade – querem fazer melhor –, pois o sentimento de autoria tem este poderde identificar o aluno com sua produção;A Feira como mídia – Não se produz por produzir, ou simplesmente para receber uma nota. Afunção do conhecimento aqui é social, precisa ser veiculada, tem um interlocutor real e umpotencial de repercussão entre as pessoas;A Feira como espaço de trocas e amplificação de aprendizagens – Ao submeter um trabalho àavaliação, os alunos têm a oportunidade de ouvir comentários e questões sobre o que produziram,encontrando outras perspectivas/outros ângulos de visão. Ao visitar outros trabalhos, eles têm apossibilidade de contato com novos objetos de conhecimento e novos parâmetros de produção;A Feira como geradora do protagonismo – Muitos trabalhos apresentados em Feiras de Ciências,atualmente, têm buscado uma contextualização, num esforço de estabelecer relações entre seusobjetos de estudo e as possíveis aplicações na realidade. Assim, tem sido comum verificar apresença de trabalhos que trazem denúncias sociais e ambientais ou orientações ao público,colocando os estudantes num papel de transformadores, de formadores de opinião, contribuindopara a formação de atitudes nos jovens e para o desenvolvimento de uma concepção política dofazer científico. Possivelmente tais atitudes são determinadas pelo espaço de divulgação dostrabalhos oportunizado pelas Feiras;A Feira como estímulo ao trabalho cooperativo – Na realização de um trabalho para apresentaçãoem Feiras de Ciências, a dimensão e as demandas do trabalho – leituras, pesquisas, entrevistas, INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 21
    • realização de experiências, construções, sistematização e roteiros de apresentação – envolvem umesforço que requer planejamento, divisão de tarefas, e controle das ações;A Feira como exercício de um estilo redacional específico – No caso, os resumos de trabalhoscientíficos, que são o meio de apresentação dos projetos na fase de inscrição, anterior à feira, demodo geral também submetidos à análise pela comissão avaliadora. Os resumos têm padrõeslingüísticos específicos, envolvendo a objetividade, a capacidade de síntese e a observação de itenscomo apresentação, objetivos, metodologia e resultados dos trabalhos;A Feira como impulsionadora da competência comunicativa – Exploram-se formas decomunicar a diferentes públicos, exercitam-se a habilidade de argumentação e a compreensão daperspectiva do outro, o ouvinte. Desenvolvem-se, ainda, múltiplas formas de apresentação, nasquais estão presentes a preocupação estética, a utilização de objetos e estratégias interativas, acriação de cenários, cartazes, o uso eficiente do espaço e do tempo disponíveis;A Feira como exercício de avaliação – do próprio trabalho, do trabalho do outro, dos instrumentose da infra-estrutura da própria Feira.Como organizar um Projeto de Feira de Ciências na Escola?O trabalho começa com a definição, no planejamento anual da escola, do período de realização daFeira.A partir daí, as diferentes equipes – direção, coordenação, professores e alunos – assumirão papéis etarefas específicos.Diretores e coordenadores deverão, por exemplo, discutir e planejar com os professores, definindoquais as turmas que participarão do projeto. Para gerar um movimento de ebulição na escola, detroca de idéias e experiências, o ideal seria contar com todas as turmas.A escolha dos temas também é uma questão a ser tratada entre os integrantes da equipe pedagógica,sendo várias as possibilidades: pode-se partir de um tema mais geral, cada turma se encarregando de INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 22
    • identificar subtemas adequados aos interesses e níveis dos grupos, ou determinar-se um períodopara levantamento de propostas de temas diferentes em cada turma. As pesquisas serão comuns paratoda a turma? Uma mesma turma poderá abrigar diferentes projetos de pesquisa? O importante,neste caso, é não perder de vista o interesse e o envolvimento dos alunos com os objetos de estudoeleitos.No planejamento, é necessário prever recursos e infra-estrutura. A decisão do quantitativo detrabalhos, por exemplo, deve considerar os recursos humanos disponíveis na escola para prestarapoio e orientação a cada um deles.Considerando que cada equipe responsável pelos trabalhos a serem apresentados na Feira tambémprecisará planejar seus passos, é importante divulgar uma série de informações, através de umregulamento ou simplesmente da comunicação direta entre as equipes de alunos e seus orientadores:data e duração da Feira; delimitação de temas ou áreas de conhecimento; se haverá um prazo parainscrição dos trabalhos; quais os dados necessários para as inscrições; o formato de apresentaçãodos trabalhos, tanto na versão escrita (resumo) quanto na apresentação presencial, no momento daFeira; como serão expostos os trabalhos – espaço, tempo de apresentação, materiais disponíveispela organização da Feira e se haverá avaliação dos trabalhos. Neste último caso, também éimportante para as equipes expositoras tomar conhecimento dos critérios de avaliação utilizados.Algumas Feiras que envolvem a participação de diferentes níveis de ensino costumam definircritérios de avaliação específicos para cada um deles: Iniciação à Pesquisa (para os mais jovens);Incentivo à pesquisa (para os estudantes de nível mais avançado).Outras estabelecem a participação de apenas um nível de ensino e elaboram diferentes critérios deavaliação segundo a natureza dos objetos de estudo dos trabalhos: Ciências Exatas e da Terra,Biológicas e da Saúde, Agrárias, Sociais e Humanas, Engenharia, Tecnologia. Outras, ainda,associam as duas alternativas. Podem-se também estabelecer diferentes categorias para análise dostrabalhos.Finalmente, caberá às escolas definir se serão conferidos Prêmios ou certificados. Considerando queas escolas que se envolvem num projeto dessa natureza têm como objetivo estimular o gosto pelapesquisa e fortalecer a educação científica dos alunos, cabe lembrar que um saudável meio de INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 23
    • ampliar estes objetivos seria assegurar a participação, ao final da Feira na escola, de algumasequipes em Feiras de dimensão mais ampla, como as Estaduais ou Nacionais.O debate atual sobre avaliação em Feiras de Ciências tem contribuído para introduzir novasmetodologias, em particular a avaliação participativa, na qual se incluem como avaliadores osexpositores, público e especialistas. Esta é uma visão democrática da avaliação, que passa a serformadora, na medida em que tem como eixo a perspectiva de mudança de atitudes e a qualificaçãodos trabalhos. Esta nova forma de avaliar considera que a prática tradicional de ‘julgamento eeleição de premiados contradiz os objetivos de estimular a produção científica nas escolas.Divulgados os parâmetros de realização da Feira na escola, temos um período de intenso e saudávelmovimento de preparação. Mãos à obra e bons frutos!Para saboreá-los, convidem pais, familiares, amigos da escola, pesquisadores que colaboraram comos trabalhos, pessoas da comunidade, outras instituições escolares do bairro, autoridades e cientistaslocais. E aproveitem este momento festivo do saber!Difícil? Cansativo? Custoso? Complicado? Nem tanto...Muitas vezes, as escolas têm interesse em promover Feiras de Ciências, mas algumas idéiasimpedem sua realização. Uma delas é a de que as Feiras envolvem um alto custo e recursossofisticados.O papel dos gestores escolares está exatamente em resolver, com criatividade, a equação custo Xbenefício, adaptando e criando soluções viáveis: Não é possível financiar estandes? As bancadas ecarteiras escolares podem resolver o problema de divisão de espaços e suportes para as exposições.O material necessário para a montagem dos trabalhos requer verba extra? Muito se pode fazerutilizando-se sucatas ou descartáveis. Não se dispõe de recursos para aquisição de troféus? Umaentrega de certificados atende ao objetivo de valorizar, simbolicamente, os expositores.Outra justificativa comum para a não realização de Feiras de Ciências é a dificuldade emcompatibilizar o tempo didático com o programa de conteúdos previsto para o ano letivo. Aqui, épreciso uma opção e a compreensão, pelos educadores, dos princípios pedagógicos INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 24
    • contemporâneos. Perrenoud (2001) nos fala desse impasse, posto pelo crescente acúmulo deconhecimentos na modernidade. Visto que é impossível fazer face a todas as informações, há que seoptar entre um ensino superficial e meramente informativo e a formação de atitudes para oaprender, para a busca de informações.Segundo Shamos (1995), a qualidade da ciência aprendida na escola tem pouca permanência alémda etapa escolar. O que passa por “alfabetização científica” é semântica, vocabulários semcorrespondência conceitual e, na pior das hipóteses, o sentimento de conhecer alguma coisa sem ocomprometimento de uma compreensão do que se trata.Cabe a nós, mestres, compreender que, ao optarmos por um projeto de pesquisa, estaremosfavorecendo o fazer ciência na prática, o que envolve a abordagem de conceitos fundamentais,presentes nos demais itens curriculares, como, por exemplo, as noções de ciclos e sistemas.Quanto aos demais argumentos, deixo a vocês, educadores, a tarefa de exercitarem, no seucotidiano, a busca de caminhos alternativos, tendo em mente que os resultados serão sempre novasaprendizagens para alunos, professores e escola.Para apoiar esta recomendação, apresento abaixo o depoimento de uma aluna, hoje universitária emBiologia, ex-participante da Feira Estadual de Ciências de Pernambuco, a Ciência Jovem : “ Quero dizer o quanto foi importante para mim ter participado das feiras. Hoje, ao entrar no site da universidade, vi uma nota de divulgação da Ciência Jovem PE e lembrei o quanto ganhei de conhecimento por participar da mesma... Tanto com o trabalho sobre locomoção, aos doze anos, quanto com o de saúde bucal, aos treze. Além também de poder ter visto os trabalhos dos colegas na época. Continuem com esse trabalho maravilhoso, que estimula os jovens a seguir com a ciência. Obrigada por tudo! Um grande abraço, Bruna”Os projetos de pesquisa dos alunosA escolha do tema deve ter a participação do aluno, buscando desde o início a motivação para o INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 25
    • levantamento de questões. Segundo o Professor Ronaldo Mancuso (2003), os trabalhos em geralpodem ser reunidos em três categorias: 1. T rabalhos de montagem (aparelhos/ artefatosdemonstrativos); 2. T rabalhos informativos (demonstração de conhecimentos acadêmi-cos/alertas/denúncias) e 3. Trabalhos investigatórios (projetos em que costuma ocorrer produção deconhecimentos). O informativo e o investigativo podem estar integrados, com o propósito de que asFeiras possam ser de fato uma oportunidade para os jovens fazerem ciên-cia "na prática",resolvendo problemas, identificando regularidades, criando meios de interpretar sua realidade.Muitos dos problemas ou questões geradoras surgem de situações presentes na realidade dos alunos,de sua rua, bairro, cidade. Se bem encaminhados, podem permitir análises mais amplas, partindo-sedo particular para o universal.Para isto, é fundamental ter clareza dos objetivos da pesquisa. E são as questões levantadas desde oinício que encaminharão o roteiro das investigações. Contrariamente ao que se afirma, um bomprofessor não é aquele capaz de dar boas respostas, mas aquele que sabe fazer boas perguntas.Juntamente com os alunos, o projeto vai se delineando: O que se quer saber? Qual o conhecimentoacumulado sobre o fenômeno?Com base nestas questões, o segundo passo é identificar os instrumentos para o levantamento dedados: entrevistas, questionários, roteiros de observação, experimentos, registro de informações.Para o encaminhamento de todas essas tarefas, é bom lembrar que a colaboração entre professores eo trabalho interdisciplinar é um forte elemento para a qualificação dos projetos.A partir daí, investem-se de poder os jovens pesquisadores, livres para ir ao mundo investigando,indagando, observando, consultando fontes vivas, memórias do bairro, mora-dores, organizações,universidades, bibliotecas, computadores, colocando lado a lado saberes formais e informais,produzindo esquemas e registros de dados, checando informações e interpretando a realidade paraconstruir novas versões.O papel do professor deve contemplar o desejo de conhecer junto com seus alunos, numa parceriaque reafirma uma competência interessada em instigar no jovem o desejo e os caminhos de buscar oconhecimento. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 26
    • Muitas vezes, tem-se a impressão de que este movimento é possível apenas com os jovens, mas épreciso iniciar cedo, pois as bases do interesse em ciências têm origem na infância.Tem sido comum, durante o desenvolvimento das pesquisas, “as universidades e centros depesquisa serem ‘invadidos por estudantes. É uma oportunidade de exercitar a tão desejada enecessária integração da academia com a escola. Alguns pesquisadores, com variadas obrigações einteresses, às vezes não gostam desta invasão , pois é comum o aluno ir à univer-sidade sem umaboa orientação. Mas tais problemas são perfeitamente superáveis. Existem professores edepartamentos universitários, com uma visão mais clara da importância das feiras, que montamestruturas para atender esta demanda” (Pavão, A. C., 2004).A nova etapa será o momento de retorno para se debruçarem sobre os dados levantados,interpretando e sistematizando os resultados.Finalmente, resta identificar formas de comunicar, para um público real – e aí o conhecimento seredimensiona, investido de um sentido social – o outro. Alunos e professores crescem, semultiplicam, agora não é mais uma classe, uma sala de aula, é o mundo, a vida, a Feira, a praça queferve e quer saber, e pergunta, e provoca novos olhares e desejos de saber mais. As Feiras deCiências, se bem encaminhadas e devidamente inseridas no currículo escolar, podem favorecer umarevolução pedagógica com forte intervenção social nas comunidades.Queremos saber, o que vão fazer, com as novas invençõesQueremos notícia mais séria, sobre a descoberta da antimatériaE suas implicações, na emancipação do homemDas grandes populações. Homens pobres das cidades, das estepes, dos sertõesQueremos saber, quando vamos ter raio laser mais baratoQueremos de fato um relato, retrato mais sérioDo mistério da luz, luz no disco voadorPra iluminação do homem, tão carente e sofredor,Tão perdido na distância, da morada do SenhorQueremos saber, queremos viver, confiantes no futuro INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 27
    • Por isso se faz necessário, prever qual o itinerário da ilusão, a ilusão do poderPois se foi permitido ao homem tantas coisas conhecerÉ melhor que todos saibam o que pode acontecerQueremos saber...Gilberto GilReferências bibliográficasMANCUSO, Ronaldo. Feiras de Ciências: produção estudantil, avaliação, conseqüências . 2003.PAVÃO, Antonio Carlos. Prefácio Livro Resumo X Ciência Jovem de Pernambuco. 2004.PERRENOUD, Philipe. Formando professores profissionais: Quais estratégias? Quaiscompetências?. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.SHAMOS, M. H. The myth of scientific literacy . New Jersey, Rutgers University Press, 1995. Nota: 1 Professora e Coordenadora da Ação Educativa do Espaço Ciência de Pernambuco. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 28
    • PROGRAMA 4 MATERIAL DIDÁTICO DE CIÊNCIAS O material didático para o ensino de Ciências Carlos A. Arguello 1É possível encontrar hoje, no mercado brasileiro, um número significativo de empresasfornecedoras de material didático de boa qualidade para laboratórios de ensino de Ciências e para asala de aula.Quero aqui tecer algumas considerações sobre a possibilidade de utilizar elementos do dia-a-dia,sem custo, para enriquecer as atividades experimentadas na escola, introduzindo os jovens noprocesso científico, independentemente da existência de laboratórios bem equipados.As características que exigimos do material didático para utilizar na Educação em Ciênciasdependem, obviamente, do que entendemos por Educação em Ciências, e do que entendemos porCiência.Eu tenho uma visão das Ciências, compartilhada por alguns, ignorada pela maioria, mas que sempreguiou minhas atividades como um pressuposto útil, norteador.Acredito que a Ciência é essencialmente processo, com finalidade, características, procedimentos emetodologias próprios, ainda que variados. Não é para mim tão somente o acúmulo deconhecimentos socialmente construídos, caracterizados por uma metodologia particular, de acordocom uma das definições mais populares.Processo indica movimento, vida, ação.O processo de fazer Ciência é um processo criativo, portanto produz resultados, conhecimentos, queforam ou irão ser assimilados pela humanidade, mas que isolados do processo da sua construçãonão são Ciência, porque não são mais processo. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 29
    • Para marcar esta diferença conceitual, chamo a este corpo de conhecimentos ou saberes, deCIÊNCIA MORTA . Ela pode ser acumulada em prateleiras de bibliotecas, em arquivos digitais,na memória do povo: são leis, princípios, teoremas, demonstrações, teorias. São os restos doprocesso, as cinzas de uma fogueira que pode tornar-se novamente chama, processo. Estas cinzaspodem também permanecer frias, mortas, estáticas, classificadas e arquivadas por longos períodos,talvez para sempre.Esta forte separação entre Ciência Viva, como processo, e Ciência Morta, como informação,confesso que tem algo de exagero, mas é muito útil para conceituar a Educação em Ciências, porqueali sim, sem exageros, é completamente diferente educar no processo de fazer, de construir aCiência e ensinar ciência mostrando, ensinando os resultados da Ciência feita por terceiros, aquiloque chamamos de Ciência morta, informação, conhecimentos, saberes.O processo de fazer ciência é um processo construtivo, e como tal, precisa de material deconstrução, de nutrientes, de combustíveis. Uma boa parte deste material é fornecida pelosarquivos, pelos depósitos onde descansa a Ciência Morta. Ciência Morta, mas útil, como as cinzasdo incêndio no cerrado.Na Ciência, o processo pode ser considerado em duas etapas, ou dois contextos, o contexto dadescoberta e o contexto da validação.No contexto da descoberta, a procura da resposta criativa, do insight , ou iluminação, muitas vezes éalcançada em forma não consciente, não linear, bem longe do que se chama “método cientifico”. Nocontexto da validação, a metodologia formal utilizada possui uma linguagem própria, em geralmatemática, a solução proposta é testada em forma controlada, laboratorial, e a sua divulgação,entre especialistas, colegas, mestres, cientistas, é uma necessidade importante e imprescindível queencerra este processo. Estas características podem ser vivenciadas tanto na escola por nossosalunos, em forma simples, ou pelos grandes especialistas, em laboratórios custosos, sofisticados, àbeira da ficção.No caso do cientista profissional, o resultado do processo criativo deve ser de originalidade“absoluta”, universal, isto é, jamais antes proposto. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 30
    • No caso do aluno, o resultado do processo criativo científico deve trazer novidade para ele, paraseus colegas e professores, para o meio que o rodeia, podendo ser, então, a sua originalidaderestrita, e este resultado ser uma re-descoberta.Pretendemos agora dar alguns exemplos de atividades que ilustram o que dizemos, respondendoainda a outra questão, que está sempre presente nas discussões sobre ensino de Ciências. É sobreuso, custo, construção, sofisticação do material didático experimental a ser utilizado nas escolas,centros de ciência, museus, etc.No processo de fazer ciência, devemos observar, medir, registrar, isolar os parâmetros relevantes,calcular, saber navegar pela informação redigir-expor, etc.Portanto, será necessário utilizar instrumentos de observação (lupas, microscópios, lunetas, etc.) demedição (multímetros, termômetros, osciloscópios, escalas, etc.) de registro (gráficos, registradores,loggers, etc.) de cálculo (calculadora, computadores, etc), de isolamento dos parâmetros relevantes(laboratórios, etc.), de informação (livros, bibliotecas, internet, revistas, etc.) de exposição(multimídia, etc.).Como simplificar estas exigências e, ainda assim, nossos resultados continuarem a ser precisos, dequalidade?Daremos dois exemplos que nos põem em contato com a natureza, que nos permitem realizarexperimentos quantitativos e são inexpensivos, tão somente precisamos de um ponto e um plano ousomente de um plano.A primeira atividade proposta se resume na utilização de uma folha de papel (um plano). Uma folhaA4 é recomendada.Vamos estudar a sua queda livre e comprovar o seu comportamento, em função da forma adotada,em situações diferentes.• Uma folha amassada, formando uma bolinha, cai da mesma forma que qualquer outro objeto – INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 31
    • uma pedra, uma batata, uma bola de pingue-pongue, etc. – no que se refere à sua velocidade eaceleração. EXPERIMENTE!• A folha A4, na sua forma natural (plana), cai lentamente, num movimento PECULIAR de vai-vem. EXPERIMENTE!• A partir de uma das bordas, podemos enrolar parcialmente a folha de A4 até chegar aaproximadamente 60% (sessenta por cento) do seu comprimento (ou largura). A queda da folha,dobrada desta forma, é lenta e se assimila a um vôo de planeio. Melhoramos este vôo planeado seformamos um leve diedro, levantando a borda da asa. EXPERIMENTE!• Procuramos na literatura, ou na internet (paper airplanes), ou com as mais velhas informaçõessobre centenas de diferentes tipos de “aviões de papel”. PROCURE SE INFORMAR!• Podemos guiar o aluno na descoberta de um novo tipo de força, a força aerodinâmica, quepercebemos facilmente, dependendo da velocidade, e que é aplicada na frente do centro degravidade do dispositivo. Teremos a oportunidade de trabalhar com o conceito de torque, e observaro aluno nos ajustes para obter um planeio melhor, mediante o método de tentativas, erros e acertos,estudar a queda dos corpos e a procura de conhecimentos, saberes e informações mediantepesquisas diferentes.• Esta atividade pode ser tratada utilizando formalismos de cálculo e de física muito sofisticados,auxiliando a compreender conceitos básicos de fenômenos aerodinâmicos complexos.• Não existe criança que, observando o vôo de seu avião de papel, não trate de modificá-lo, paraobter um vôo mais bonito, ou mais acrobático, ou com melhor planeio. Ao fazê-lo, estará ligandocausa e efeito, observará, e a sua criatividade será estimulada com uma finalidade determinada.Atividades deste tipo podem ser desenvolvidas tendo como base os brinquedos clássicos dascrianças, cujo fascínio se perpetuou no tempo, apesar da concorrência com novos e sofisticadosbrinquedos. Refiro-me ao pião, à bolinha de vidro, à pandorga ou ao papagaio, etc. Os jovens, todossabem, gostam de esportes de todo tipo, gostam de música... Por que, então, não utilizar estes temasde uma forma moderna e abrangente, a partir dos quais possam se construir atividades que INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 32
    • realmente interessem?Estas atividades não são contempladas nas grades curriculares, que, em geral, não valorizam aCiência como processo e, portanto não levam em consideração o encantamento e o interesse que omundo externo observado produz em cada sujeito, como ponto de partida para iniciar este processo.Outro exemplo que darei é um dispositivo que consiste basicamente num ponto e um plano.O gnomon como recurso didático para ensino básico da astronomiaO gnomon é um dos instrumentos científicos mais antigos que a humanidade já utilizou, também éo mais simples de construir e com o qual é possível fazer uma infinidade de observações de muitoboa precisão.Foi introduzido na Grécia, trazido da Babilônia por Anaximander, cerca de 600 anos antes deCristo.Consiste simplesmente de um ponto (a ponta de um estilete, haste, pau), e de uma superfície planahorizontal chamada de quadrante, na qual se recolhe e registra a sombra desse ponto gerada peloSol.Serve basicamente para estudar e registrar o movimento do Sol na esfera celeste, durante intervalosgrandes de tempo, um ano ou mais. Muitos livros didáticos erradamente o apresentam como umrelógio de Sol, mas é certo que, a partir da familiarização com a sua utilização, é possível projetarqualquer dos muitos tipos destes relógios.A história da ciência permite ao professor entrar em contato com dispositivos simples que ajudarama humanidade a transpor difíceis barreiras epistemológicas, muitas das quais a criança tambémexperimenta no seu avanço cognitivo individual.Como explicar a uma criança o Heliocentrismo, se todas as observações que ele faz são de caráterantropocêntrico? Como esquecer a luta de caráter filosófico, religioso e científico, que levou INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 33
    • cientistas à fogueira ou a uma dolorosa e vergonhosa retratação pública das suas idéias?Ainda hoje, a escola impõe as novas verdades, sem prova nenhuma, ou até utilizando argumentoserrados, da mesma forma como era feito antigamente com as velhas verdades.É comum escutar dizer, nas aulas de Ciências para alunos do Ensino Fundamental e Médio, frasescomo as seguintes:“Ao meio-dia o Sol está sobre nossas cabeças.”“O Sol nasce no ponto cardeal Leste e se põe no Oeste.”Também encontramos, nos livros didáticos, órbitas elípticas planetárias de extrema excentricidade,equívoco talvez gerado pelo desenho em perspectiva de órbitas quase circulares (a excentricidadeda órbita terrestre é, aproximadamente, de apenas 1/60).É crença popular e antiga que os relógios de sol são imprecisos, e até que sua leitura pode serinfluenciada por agentes climáticos.Todas estas afirmações não resistem à simples observação que o estudante pode realizar, se bemorientado, num projeto sistemático e coletivo utilizando o gnomon na escola.Ele perceberá que o Sol passa exatamente sobre sua cabeça, tão-somente duas vezes por ano, se aobservação for feita de dentro da faixa intertropical, e jamais se estiver fora desta; poderá observarque o nascer e o pôr-do-sol sucessivos se deslocam sobre o horizonte em torno das direções Leste eOeste, com uma amplitude de vários graus ao longo do ano (44 graus para o observador no trópico e72 graus para o observador na latitude de 50 graus); observará que nos dias de inverno o Solpercorrerá um caminho no céu muito mais "baixo" que na época de verão.O aluno poderá realizar o registro, a qualquer momento, das coordenadas locais do Sol, altura eazimute, por uma simples marca no extremo da sombra do gnomon sobre a face do quadrante, istoé, mesmo um analfabeto pode realizar este registro com a precisão aproximada de 1/360, menor que INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 34
    • 0,3%, difícil de obter em qualquer outro tipo de experimento científico escolar. Há contribuiçõesimportantes que podemos esperar na utilização didática do gnomon; ao construir este,automaticamente, em forma implícita, estamos definindo o vertical do lugar, plano que, orientadona direção Norte-Sul, contém o zênite do local e o Eixo Polar, coincidente este com o eixo da esferaceleste. Também fica definido o plano perpendicular ao eixo polar que, orientado na direção Leste eOeste, coincide com o plano equatorial terrestre e com o Equador celeste.É fácil perceber, por simples construção geométrica, que o ângulo que o Eixo Polar faz com o planohorizontal é igual à latitude do local (altura do pólo celeste elevado). Então, o gnomon contém em sios elementos principais da esfera terrestre e da sua orientação correta para cada observador.Deve-se entender cada gnomon, cada relógio de Sol, como representações do globo terrestre, sendo,portanto, fundamentais na apreensão dos conhecimentos básicos para o estudo da geografia física eda astronomia.Movimento diário do SolA relação matemática entre o movimento aparente do Sol e o movimento da sombra produzida pelaponta do gnomon não e simples. Para isto, Apolônio de Pérga teve que desenvolver a sua famosa esofisticada teoria das cônicas, 260 a.C.O trajeto diário da sombra da ponta do gnomon, que passaremos a chamar, simplesmente, sombrado gnomon, resulta da intercessão do cone de sombras deste com o plano horizontal ou quadrante, éuma cônica que pertence à família de curvas chamadas hipérbolas.Outras cônicas são a parábola, a elipse e a circunferência, muito importantes na astronomia paradescrever a órbita de planetas, cometas, etc.A cada dia do ano, o gnomon projeta uma hipérbola diferente, devido ao fato de que o ângulo que ageratriz do cone de luz do Sol faz com o eixo polar varia com o período de um ano. Este ângulo échamado de co-declinação, sendo o seu complemento a declinação solar, isto é, o ângulo entre ageratriz do cone de luz e o plano do Equador. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 35
    • Do estudo detalhado destas curvas podemos obter os seguintes resultados:1) Constatação de que o cone de sombras e, portanto, o cone de luz, tem sua abertura variada aolongo do ano, indicando declinações máximas de 23.15°, N ou S.2) Iguais valores de declinação solar se repetem no período de 365.25 dias, consistindo nisto aduração do ano solar.3) Os dias em que as hipérbolas de sombra estão ocupando posições extremas, mais ao Norte e maisao Sul, são os dias de entrada de duas estações, e se chama a esse evento solstício de inverno, 22 dejunho no Hemisfério Sul, e ao outro solstício de verão, correspondente ao dia 22 de dezembro, parao Hemisfério Sul.Solstício significa Sol preguiçoso, e indica a lenta variação da declinação nesses períodos.4) Quando as hipérbolas se transformam em retas, e isto acontece para todo lugar da Terra nosmesmos dias, 23 de setembro e 21 de março, os dias e períodos noturnos têm igual duração (12horas), e por isto se chamam dias dos equinócios (aqui significa igual).As datas destes equinócios correspondem à entrada da primavera e do outono, respectivamente, noHemisfério Sul.5) Verifica-se que é o Sol nasce e se põe exatamente no Leste e no Oeste somente no dia dosequinócios, sendo que em todos os outros dias o Sol se afasta e aproximadamente três meses depoisse aproxima destas direções.6) É fácil comprovar os dias (se existirem) em que o Sol passa pelo zênite local. Naquelas datas oSol não faz sombra ao meio-dia.7) Da sombra do gnomon ao meio-dia, no dia dos equinócios, é possível tirar o valor da latitude dolocal, ou conhecendo a declinação do Sol por meio de uma tabela de decli-nações, o valor dalatitude do local pode ser calculado para qualquer dia do ano. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 36
    • 8) É possível conhecer a diferença de longitudes entre dois locais distantes pela diferença em tempodas passagens meridianas do Sol, tarefa que hoje pode ser simplificada para os estudantes pelasfacilidades nas comunicações telefônicas.9) Da mesma forma, pela observação simultânea do comprimento da sombra de dois gnomonscolocados em diferentes lugares e cuja distância é conhecida, é possível calcular o diâmetro daTerra (experiência de Eratóstenes).10) Uma das aplicações mais diretas do gnomon é a determinação precisa da linha Norte-Sul apartir de qualquer curva de declinação. Basta traçar, para isto, a perpendicular à hipérbola que passapelo pê do gnomon, que é a linha de menor distância entre este e a hipérbola.Métodos astronômicos sempre foram utilizados para encontrar a direção dos pontos cardeais,(encontrar norte, se nortear). No Hemisfério Norte era utilizada a estrela polar, e no hemisfério Sul aconstelação do Cruzeiro do Sul. A introdução do uso da bússola é especialmente útil em diasnublados, mas não aumenta a precisão nesta determinação. A bússola indica o Norte magnético quenão coincide com o Norte astronômico, sendo, portanto necessária uma correção (declinaçãomagnética) que não é muito fácil de fazer, pois esta depende das coordenadas locais e muda notempo.11) Parece existirem provas, fracas, de que os Vikings utilizavam nas suas grandes navegações umavariante do gnomon para obter e seguir seu rumo no mar. Em todo caso, a idéia de uma bússolasolar é perfeitamente possível, e nós já a utilizamos durante longas viagens na região Amazônica, ea introduzimos com êxito na prática escolar de comunidades indígenas.Mostrando as curvas de igual declinação solar pequena variação num intervalo de poucos dias,podemos considerar estas como constantes nesse intervalo de tempo, e girando o quadrante até fazercoincidir a sombra do Gnomon com a hipérbola determinada no início da viagem, obteremos adireção Norte-Sul para qualquer hora do dia.12) Da diferente duração das estações, efetivamente medida pelos alunos segundo os itens 3 e 4, épossível introduzir a idéia de variação da velocidade angular na órbita aparente da Terra compatívelcom o modelo de órbitas elípticas. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 37
    • 13) A professora Dulce Helena Alves Barbosa e seus alunos do Ensino Fundamental, no interior doestado de Mato Grosso, observaram na sua escola, e registraram, de forma sistemática, durante operíodo de um ano, o movimento do Sol utilizando o gnomon, realizando suas medições sempre nosmesmos horários.Surgiu então uma pergunta muito interessante e motivadora:Por que as marcas que correspondem ao mesmo horário, mas em diferentes dias, se distribuem noquadrante do gnomon sobre uma curva em forma de 8? A resposta, que deve ser construída juntocom os alunos, envolve conceitos sofisticados sobre o que é o Analema, e o que é o Tempo. Sãodetectados avanços e atrasos sistemáticos no movimento do Sol que podem chegar aaproximadamente 15 minutos. Será o gnomon um instrumento impreciso e errático? Será entãonecessário discutir o conceito de Sol Médio que é um Sol fictício inventado pelo homem, quepercorre com velocidade angular constante o Equador celeste. O Sol verdadeiro, pela sua vez,percorre a Eclíptica com velocidade variável dada pelas leis de Kepler. Qual o Sol que faz sombra?O que é equação do tempo?14) As considerações anteriores nos levarão à discussão sobre o que é hora local, hora oficial, fusoshorários, hora de Greenwich, etc., e ao reforço do conceito de longitude.As perguntas acima levantadas geram a necessidade da construção da explicação que, forçosamente,requer diferentes níveis de conhecimento e desenvolvimento do aluno.Este não é um fator negativo e, sim, indica que o projeto pode se tornar um projeto coletivo, paratodos os alunos e professores da escola. Nota 1 Professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 38
    • PROGRAMA 5 DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA O papel da escola na divulgação científica Antonio Carlos Pavão 1I. Importância política e social do conhecimento cientificoA história tem mostrado a importância política e social do conhecimento cientifico. Quem detém oconhecimento detém o poder. Uma análise do passado já deixa isso muito claro. Embora com certoreducionismo, podemos citar alguns exemplos marcantes: os egípcios, lutando com espadas de aço(liga de ferro e carbono), um material que já haviam descoberto, venceram os hebreus, que aindausavam o bronze (liga de cobre e estanho); Diocleciano, o imperador romano no século 3, baixouum decreto mandando “destruir os manuscritos dos egípcios para que eles não dominem a arte e serebelem contra nós...”; a conquista do Novo Mundo pelos portugueses foi resultado de suasuperioridade nas técnicas de navegação; nossos índios foram vencidos pela força das armas maisdestruidoras do invasor, e assim por diante... E uma simples análise da estrutura de poder que temoshoje no mundo mostra claramente a relação entre ciência e poder.É indiscutível a importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento social e econômicode um país. Elas permeiam a vida de todos e são alicerces sobre os quais se assentam a soberania deuma nação e a qualidade de vida de seus cidadãos. Além disso, o pleno exercício da cidadania exigeum certo domínio dos conceitos de ciência e tecnologia. Portanto, condicionantes claros para odesenvolvimento científico e tecnológico do país são: uma educação científica de qualidade nasescolas, a formação de profissionais qualificados, a existência de universidades e instituições depesquisa consolidadas, a integração da produção científica e tecnológica com a produção industrialna busca de resolução dos graves problemas sociais e na superação das desigualdades que afetamnosso país. Nesse contexto, a popularização da ciência se coloca como importante campo deintegração e desenvolvimento científico e social, contribuindo para a melhoria de qualidade daformação educacional e para a cidadania. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 39
    • II. Superando a dicotomia educação formal / não-formalClaro, não é só na escola (educação formal) que aprendemos e ensinamos conceitos de ciência etecnologia (C & T). Jornais, revistas, livros, teatro, TV e vídeo, internet, palestras, cursos,congressos, museus e centros de Ciência, exposições, etc., são fontes riquíssimas para se conhecer eensinar questões sobre C & T. Esta educação não-formal, através de seus processos livres e lúdicos,pode despertar os professores para novas possibilidades pedagógicas, assim como estimular alunospara a atividade científica. Também contribui para que cada brasileiro tenha a oportunidade deadquirir as informações básicas sobre a ciência e seu funcionamento, de forma a lhe dar condiçõesde entender o seu entorno e de se situar politicamente. Além disso, proporciona aos próprioscientistas um ambiente multidisciplinar, com novas possibilidades de enfoques, diálogos e trocas.As iniciativas de aproximação dos brasileiros com o saber cientifico estão longe de permitir oacesso ao nível de informação minimamente compatível com as necessidades sociais. Tendo emvista esse diagnóstico, devemos incorporar à missão da escola o papel de preservar e divulgar oconhecimento científico e de sensibilizar o público para a aquisição desse conhecimento. Nessaperspectiva, aliada aos diversos atores sociais, a escola pode propiciar oportunidades de intervençãoe articulação para mobilizar a sociedade nesse grande esforço pela melhoria da educação emciência.III. Desprivatizar a escolaA escola é “privada” no sentido de que ela pertence apenas a professores e estudantes. Ela precisa seabrir para famílias, comunidade e para a sociedade de um modo geral. Para isso a escola devedesenvolver programas e atividades de popularização e educação em ciência. São alternativas parapromover a exploração ativa, o envolvimento pessoal, a curiosidade, o uso dos sentidos e o esforçointelectual na formulação de questões e na busca de soluções de problemas do cotidiano ou dasociedade. Oferecer respostas sim, mas, sobretudo gerar a indagação e o interesse pela ciência.Promover a formação de cidadãos capazes de perceber a ciência em todas as suas dimensões: comofonte de prazer, de transformação da qualidade de vida e das relações entre os homens, mas,também, enquanto um processo histórico e social que, ao lado dos benefícios, pode gerarcontrovérsias e oferecer riscos à sua vida, à vida da comunidade e ao meio ambiente e que deve, porisso, estar submetida à constante avaliação ética e política. E existem muitos caminhos para fazer INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 40
    • isso.IV. Educar, divulgar, envolver: muitos caminhos, uma soluçãoExistem muitos caminhos para promover a divulgação científica associada com os propósitos daescola:• É fundamental a articulação com outros atores engajados em programas de popularização daciência. Se possível, organize visitas ou pelo menos procure interagir com os centros e museus deciência que hoje se proliferam em vários pontos do país. Há mais de uma centena deles, de todos ostamanhos, com objetivos e públicos distintos, com mil histórias a contar... Mas sempre querendodespertar o interesse e a curiosidade sobre temas de ciência e tecnologia. A Associação Brasileirade Centros e Museus de Ciência (ABCMC, www.abcmc.org.br) surgiu, em 2000, com a intenção decompartilhar essas experiências, consolidar idéias e possibilitar um intercâmbio entre os diferentesprojetos. A ABCMC publicou recentemente um catálogo descrevendo a maioria destes centros dedivulgação científica no país;• Promova feiras de ciências, seminários, oficinas, exposições itinerantes, peças teatrais e outrasatividades para popularizar conceitos de C & T. Utilize os espaços públicos existentes, comoestações de ônibus, metrô, trem, praças, parques, shoppings, etc. para divulgar os trabalhos de seusalunos através de informações e atividades lúdicas;• Envolva comunidades, associações, sindicatos, consumidores etc., para se manifestarem emrelação à ética na ciência e a temas polêmicos relacionados com a vida das pessoas. Dê informaçõese crie oportunidades para a população desenvolver a avaliação dos riscos e benefícios associados aoimpacto e uso das aplicações da C & T;• Procure as universidades e faculdades para se integrarem a esse grande esforço de divulgaçãocientífica de qualidade. Em alguns destes centros de ensino já existem projetos de extensão e cursosinterdisciplinares voltados para a popularização da ciência, com estímulo à participação dosestudantes;• Comemore datas importantes relativas à C & T, a fim de despertar o interesse para o processo INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 41
    • histórico de construção da ciência;• Participe da Semana Nacional de C & T , instituída pelo Governo Federal em 2004 e que nesteano acontecerá entre os dias 3 e 9 de outubro com ampla participação popular. Contribua para aviabilização de oficinas, encontros de ciência, arte e cultura em todos os municípios do país;• Incentive a participação da escola em programas de C & T em rádios, jornais e televisões (TVseducativas e universitárias), através de programas regulares, entrevistas, divulgação de agendas,encartes etc.;• Dê atenção especial às possibilidades e potencialidades da mídia digital. Incentive a produção desites temáticos sobre C & T e a divulgação científica nos meios digitais;• Fomente a premiação de obras de divulgação e popularização da C & T.Referências bibliográficas“Programa Nacional de Popularização da Ciência” da Associação Brasileira de Centros e Museus deCiência, www.abcmc.org.brConfira muitas boas dicas e os artigos educativos em www.scidev.net“Educação para a Ciência: Curso para Treinamento em Centros e Museus de Ciência”.Organizadores: Silvério Crestana, Ernst W. Hamburger, Dilma M. Silva, Sérgio Mascarenhas. SãoPaulo, Editora Livraria da Física, 2001.“A Comunicação Pública da Ciência”, vários autores. Taubaté, SP, Cabral Editora e LivrariaUniversitária, 2003.“Educação em Museus e Centros de Ciência”, vários autores. São Paulo, Ed. Cassiana Rangel,2003.“Ciência e inclusão social”, Organizador: Caue Matos. São Paulo, Ed. Terceira Margem, 2002.“Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil”, Organizadores: Luisa Massarani,Ildeu de Castro Moreira e Fátima Brito. Rio de Janeiro, Casa da Ciência, Fórum de Ciência eCultura, 2002.“O desafio de Ensinar Ciências no Século XXI”, Organizadores: Ernst W. Hamburger e CaueMatos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2000.“Terra Incógnita – a interface entre ciência e público”, Organizadores: Luisa Massarani, Jon Turney,Ildeu de Castro Moreira. Rio de Janeiro, Ed. Vieira & Lent, 2005. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 42
    • NotaProfessor do Departamento de Química Fundamental (CCEN), da UniversidadeFederal de Pernambuco (UFPE) desde 1979, tendo como principal linha de pesquisaQuímica Quântica Computacional. Graduou-se em Química pela Universidade deSão Paulo (USP), instituição onde fez Mestrado e Doutorado. Pesquisador nível 1 doCNPq e membro efetivo da Academia Pernambucana de Ciências. Diretor doEspaço Ciência, em Olinda, Pernambuco. Autor de mais de 40 artigos publicados emperiódicos. Consultor desta série. INICIAÇÃO CIENTÍFICA: UM SALTO PARA A CIÊNCIA. 43