Departamento de Ciências da Educação <br />Ano Lectivo: 2009/2010 <br />2º Ano / 2º Semestre <br />1º Ciclo em Ciências da...
Capítulo II <br />Escola como <br />Burocracia<br />
	Segundo Weber  “A razão decisiva para o progresso da organização burocrática foi sempre a superioridade puramente técnica...
regulamentação de todas as actividades devidamente pormenorizadas;
previsibilidade de funcionamento da organização escolar;</li></li></ul><li><ul><li>formalização, hierarquização e centrali...
obsessão pelos documentos escritos (arquivomania)
actuação rotineira com base no cumprimento de normas;
uniformidade e impessoalidade nas relações humanas;
pedagogia uniforme: organização pedagógica; os mesmos conteúdos disciplinares e metodologias para todas as situações;
concepção burocrática da função do docente.</li></ul>        							(Costa, 2003, p.39 )<br />
Fundamentação Teórica<br />	Max Weber foi pioneiro no que concerne à teorização burocrática enquanto modelo organizacional...
	Segundo Weber (1979) o estado moderno, capitalista e democrático, depende de um desenvolvimento incondicional da burocrac...
Assim sendo, Weber conclui que a burocracia constitui o modelo mais puro da autoridade legal e portanto de organização adm...
Weber(1979) propõe-nos seis grupos de características da organização burocrática, que são: <br />1. Existência de normas e...
	Segundo Beetham (1988), reduz esse grupo em quatro conceitos: <br /><ul><li>hierarquia;
continuidade;
impessoalidade;
competência. </li></ul>	Por outro lado, seguindo o quadro conceptual de Weber, Richard Hall (1971) utilizando onze caracte...
4. Normas de procedimento para a actuação no cargo;<br />5.Normas que controlam o comportamento dos empregados;<br />6.Aut...
2.  Sátiras à Burocracia<br />A Burocracia é cada vez mais alvo de críticas através da literatura.<br />Peter e Hull (1973...
-Lodifaz-nos uma crítica sobre alguns autores, que apontam nas suas obras apenas as falhas da organização, ao invés de pro...
 <br />A educação tornou-se uma das funções do Estado. A lógica burocrática tomou <br />conta das várias funções do Estado...
Pedagogia e Acto de Ensino- existência de um “fosso” entre o mestre e o aluno.<br />Reproduz a separação estratificada do ...
“ De facto, a vida escolar apresenta os mesmos grandes traços das carreiras nas grandes burocracias públicas e privadas pa...
Imagem Burocrática da Escola<br /> objecto de estudo de investigadores em Educação<br />É mais comum em países em que a a...
PortugalSegundo investigações realizadas sobre a administração do Sistema Educativo e organização da Escola, a Teoria da B...
João Formosinho descreve o sistema escolar português como uma administração burocrática centralizada (relação com o Estado...
Capítulo III<br />Escola como <br />Democracia<br />
Surgiu um conceito polissémico indicando a imagem organizacional como:<br />- Desenvolvimento de processos participativos ...
1.Fundamentação Teórica<br />É dada agora mais atenção ao comportamento das pessoas em grupo: “o homem não é uma máquina, ...
A Teoria das Relações Humanasde EltonMayo é a responsável pela fundamentação <br />teórica sobre esta imagem organizaciona...
 Segundo Etzioni (1984), citado por Costa (2003, p. 58), podemos sistematizar em cinco as conclusões da Experiência de Haw...
As Experiências de Hawthorne vieram demonstrar que os gestores não só necessitam de planificar, organizar, dirigir e contr...
 Imagem 2 – Fonte: http://historiadadministracao.blogspot.com/2009/05/elton-mayo-biografia.html<br />
	Com Hawthorne fica de parte a tradicional visão racionalista e mecanicista do indivíduo e dá luz a um novo entendimento d...
Teoria Comportamental<br /> “uma das mais democráticas teorias administrativas” (Costa, 2003, p. 60 citando Chiavenato, 19...
Perspectiva do Desenvolvimento Organizacional<br />É vista como…<br />- Uma aplicação e um prolongamento da teoria comport...
Em suma…<br />“A teoria das relações humanas, […] ao valorizar as pessoas e os grupos, a visão harmoniosa e consensual da ...
2. A Escola Democrática<br />Um dos autores marcantes no desenvolvimento da concepção democrática da escola, foi John Dewe...
	Este autor idealizava, “(…) transformar cada uma das nossas escolas numa comunidade embrionária de vida, repleta de ocupa...
As preocupações básicas de Sérgio não eram de tipo organizacional e administrativo, mas <br />predominantemente pedagógica...
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Grupo Wilson - Escola como Burocracia e Escola como Democracia

  1. 1. Departamento de Ciências da Educação <br />Ano Lectivo: 2009/2010 <br />2º Ano / 2º Semestre <br />1º Ciclo em Ciências da Educação <br />Unidade Curricular de Gestão de Projectos em Educação<br />IMAGENS ORGANIZACIONAIS<br />DA ESCOLA<br />Discentes:<br /> Fábio Sousa;<br />Isabel Ferraz;<br />Mónica Oliveira;<br />Petra Gaspar; <br />Sónia Freitas;<br />Wilson Barros. <br />Docente: Nuno Fraga<br />
  2. 2. Capítulo II <br />Escola como <br />Burocracia<br />
  3. 3. Segundo Weber “A razão decisiva para o progresso da organização burocrática foi sempre a superioridade puramente técnica sobre qualquer outra forma de organização.” (Costa, 2003, p. 39 citando Weber, 1979)<br />O modelo burocrático de organização desenvolveu um quadro conceptual e teórico que consiste na caracterização dos sistemas educativos e das escolas, que são os seguintes:<br /><ul><li>centralização das decisões dos órgãos dos ministérios da educação, devido a ausência de autonomia das escolas;
  4. 4. regulamentação de todas as actividades devidamente pormenorizadas;
  5. 5. previsibilidade de funcionamento da organização escolar;</li></li></ul><li><ul><li>formalização, hierarquização e centralização da estrutura organizacional dos estabelecimentos de ensino;
  6. 6. obsessão pelos documentos escritos (arquivomania)
  7. 7. actuação rotineira com base no cumprimento de normas;
  8. 8. uniformidade e impessoalidade nas relações humanas;
  9. 9. pedagogia uniforme: organização pedagógica; os mesmos conteúdos disciplinares e metodologias para todas as situações;
  10. 10. concepção burocrática da função do docente.</li></ul> (Costa, 2003, p.39 )<br />
  11. 11. Fundamentação Teórica<br /> Max Weber foi pioneiro no que concerne à teorização burocrática enquanto modelo organizacional. Segundo Weber (1979) e Giddens (1984), entendem dois conteúdos significativos da teoria weberiana.<br /> Por um lado o desenvolvimento do capitalismo, a tendência geral para a racionalização insere-se numa interacção de alguns factores, do qual o principal cinge-se na expansão do mercado capitalista. Por outro lado, o desenvolvimento das exigências da democracia, “O crescimento do estado burocrático relaciona-se com o progresso da democratização política (…)” (Costa, 2003, p. 41 citando Giddens, 1984)<br />
  12. 12. Segundo Weber (1979) o estado moderno, capitalista e democrático, depende de um desenvolvimento incondicional da burocracia. <br />“(…) Estado moderno é absolutamente dependente de uma base burocrática.” (Costa, 2003, p. 41 citando Weber, 1979)<br /> A burocracia desenvolvida por Weber como tipo ideal traduz-se na igualdade de tratamento perante a lei no carácter universal e abstracto. Ou seja, relaciona-se com a democracia em massa. “ (…) princípio característico da burocracia: a regularidade abstracta da execução da autoridade que por sua vez resulta da procura de «igualdade perante a lei» no sentido pessoal e funcional. ” (Costa, 2003, p. 42 citando Weber, 1979)<br />
  13. 13. Assim sendo, Weber conclui que a burocracia constitui o modelo mais puro da autoridade legal e portanto de organização administrativa. <br /> “ A experiência tende a mostrar universalmente que o tipo burocrático mais puro da organização administrativa (…) é capaz de atingir o mais alto grau de eficiência (…)” (Costa, 2003, p. 42 citando Weber, 1971)<br /> Enquanto tipo ideal, a burocracia surge como modelo organizacional caracterizada globalmente pela racionalidadeeeficiência(objectivos da administração cientifica de Taylor).<br />
  14. 14. Weber(1979) propõe-nos seis grupos de características da organização burocrática, que são: <br />1. Existência de normas e regulamentos que fixam cada “área de jurisdição”;<br />2. Estruturação hierárquica da autoridade;<br />3. Administração com base em documentos escritos devidamente preservados;<br />4. Princípio da especialização e do “treinamento” específico do cargo;<br />5. Exigência ao funcionário de “plena capacidade” de dedicação ao trabalho;<br />6. Desempenho de cada cargo com base na universalidade, uniformidade e estabilidade das regras gerais.<br /> (Costa, 2003, p. 43)<br />
  15. 15. Segundo Beetham (1988), reduz esse grupo em quatro conceitos: <br /><ul><li>hierarquia;
  16. 16. continuidade;
  17. 17. impessoalidade;
  18. 18. competência. </li></ul> Por outro lado, seguindo o quadro conceptual de Weber, Richard Hall (1971) utilizando onze características da organização: <br />1. Hierarquia da autoridade;<br />2. Divisão do trabalho;<br />3. Competência técnica;<br />
  19. 19. 4. Normas de procedimento para a actuação no cargo;<br />5.Normas que controlam o comportamento dos empregados;<br />6.Autoridade limitada do cargo;<br />7.Gratificação diferencial do cargo;<br />8.Impessoalidade dos contactos pessoais;<br />9.Separação entre propriedade e administração;<br />10.Ênfase nas comunicações escritas;<br />11.Disciplina racional.<br />
  20. 20. 2. Sátiras à Burocracia<br />A Burocracia é cada vez mais alvo de críticas através da literatura.<br />Peter e Hull (1973) em “O Princípio de Peter” tentam investigar a competência dos<br />trabalhadores nas organizações bem como seu percurso de promoção hierárquica.<br />Princípio de Peter:<br />“Numa hierarquia todo o empregado tende a ser promovido, até o seu nível de <br />incompetência. (Costa,2003, p.46 citando Peter e Hull,1973)<br />
  21. 21. -Lodifaz-nos uma crítica sobre alguns autores, que apontam nas suas obras apenas as falhas da organização, ao invés de propor soluções.<br /> - Vemos então que a sátira e a crítica fazem com que as pessoas se questionem sobre os procedimentos, comportamentos e a verdadeira realidade de muitas organizações<br />
  22. 22.  <br />A educação tornou-se uma das funções do Estado. A lógica burocrática tomou <br />conta das várias funções do Estado e consequentemente do Sistema educativo.<br />Interpretação de vários autores na linha de Max Weber(associam a expansão <br />quantitativa e complexificação organizacional ao desenvolvimento <br />burocrático).<br />Crozier (1963), autor do livro LePhénomèreBureaucratiquedepois de caracterizar o <br />Sistema Social francês como burocrático, refere-se ao Sistema Educativo <br />igualmente burocrático, em que a centralização e a impessoalidade são <br />extremas.<br />3. Organização Burocrática da Escola<br />
  23. 23. Pedagogia e Acto de Ensino- existência de um “fosso” entre o mestre e o aluno.<br />Reproduz a separação estratificada do Sistema Burocrático<br />Conteúdos Abstractos<br />Inexistência de contacto com problemas do quotidiano e vida pessoal do alunoConfere demasiada importância à selecção de “pequenas elites” <br /> Burocracia - Modelo caracterizador da Administração Pública - Modelo caracterizador dos Sistemas Educativos<br />- Relação Pedagógica- Conteúdos leccionados - Selecção e preparação das elites<br />
  24. 24. “ De facto, a vida escolar apresenta os mesmos grandes traços das carreiras nas grandes burocracias públicas e privadas para onde se destinam os “frutos” da escola” (Costa, 2003, p. 49 citando Crozier 1963)<br />Hoy e Miskel (1986)<br />Conflito entre o comportamento profissional e o comportamento Burocrático.<br />As Instituições de Ensino são organizações Formais partilhando das mesmas características das organizações burocráticas.<br />Modelo Burocrático – adoptado pela maioria dos administradores escolares<br />“ (…) razão pela qual a utilização do modelo pode prever com correcção <br />certos tipos de comportamentos nas escolas” (Costa, 2003, p. 50 citando Muñoz e <br />Roman,1987)<br />
  25. 25. Imagem Burocrática da Escola<br /> objecto de estudo de investigadores em Educação<br />É mais comum em países em que a administração é mais centralizada.<br /> As escolas usufruem de margens mínimas de autonomia e são sujeitas a uma regulamentação mais rigorosa e pormenorizada.<br />“Esta visão burocrática encontra-se facilmente no nosso país, porque o modelo centralizado de administração escolar tem levado, desde há muitos anos, a uma regulamentação minuciosa dos centros escolares públicos” (1989:122)<br />
  26. 26. PortugalSegundo investigações realizadas sobre a administração do Sistema Educativo e organização da Escola, a Teoria da Burocracia tem vindo a ocupar um lugar de destaque.<br />João Formosinho (1987) dá importância a seis características apontadas por Max Weber: <br />- legalismo; <br />- uniformidade; <br />- impessoalidade; <br />- formalismo; <br />- centralismo; <br />- hierarquia.<br />
  27. 27. João Formosinho descreve o sistema escolar português como uma administração burocrática centralizada (relação com o Estado Novo)<br />Educação para a passividade/ conformismo <br />Objectivos políticos (transmitir uma cultura geral e uniforme).<br />“O Estado Novo era um Estado Administrativo, ou seja, um estado onde todas as decisões, mesmo as decisões políticas são feitas por uma Administração Pública centralizada (…) nesta situação a participação dos cidadãos na vida pública é impossível e mesmo participação de muitas áreas da elite é desencorajada – a passividade é efectivamente perseguida. ” (Costa, 2003, p.51 citando Formosinho, 1987)<br />
  28. 28. Capítulo III<br />Escola como <br />Democracia<br />
  29. 29. Surgiu um conceito polissémico indicando a imagem organizacional como:<br />- Desenvolvimento de processos participativos na tomada de decisões;<br />- Utilização de estratégias de decisão colegial através da procura de consensos partilhados;<br />- Valorização dos comportamentos informais na organização relativamente à sua estrutura formal;<br />- Incremento do estudo do comportamento humano (necessidades, motivação, satisfação, liderança) e defesa da utilização de técnicos para a “correcção” dos desvios (psicólogos, assistentes sociais, terapeutas comportamentais);<br />- Visão harmoniosa e consensual da organização;<br />- Desenvolvimento de uma pedagogia personalizada;<br /> (Costa, 2003, p. 55-56)<br />
  30. 30. 1.Fundamentação Teórica<br />É dada agora mais atenção ao comportamento das pessoas em grupo: “o homem não é uma máquina, mas um ser social” (Costa, 2003, p. 57), invertendo o que anteriormente era vigente nas investigações. <br />O homem passa a ser visto como humano, de maneira a que o trabalho seja mais produtivo.<br />“É necessário […] procurar ter empregados psicologicamente satisfeitos, o rendimento seguir-se-á mais durável, caso contrário depressa conhecerá o declínio. Chega-se lá através dos sentimentos, da vida em grupo, do sistema informal, do afectivo” (Costa, 2003, p.57 citando Aktouf, 1989)<br />
  31. 31. A Teoria das Relações Humanasde EltonMayo é a responsável pela fundamentação <br />teórica sobre esta imagem organizacional e teve por base as Experiências de <br />Hawthorne .<br /> Imagem 1 - Fonte: teoria geral da ADM<br />
  32. 32. Segundo Etzioni (1984), citado por Costa (2003, p. 58), podemos sistematizar em cinco as conclusões da Experiência de Hawthorne:<br />- O nível de produção não depende da capacidade fisiológica do trabalhador, mas é estabelecido por normas sociais;<br />- As recompensas e sanções não - económicas (em particular as de tipo simbólico como, por exemplo, o respeito e a afeição dos colegas) influenciam significativamente o comportamento dos trabalhadores;<br />- Os trabalhadores não agem ou reagem como indivíduos (de forma isolada) mas como membros de grupos (por exemplo, é difícil que um indivíduo estabeleça por si mesmo a sua quota de produção);<br />- O reconhecimento do fenómeno de liderança, formal ou informal, é visto como pressuposto básico para o estabelecimento e imposição das normas do grupo;<br />- A comunicação entre as diversas posições hierárquicas, a participação nas decisões e a liderança democrática passaram a ser salientadas como processos essenciais na actuação no contexto organizacional.<br />
  33. 33. As Experiências de Hawthorne vieram demonstrar que os gestores não só necessitam de planificar, organizar, dirigir e controlar o trabalho, mas também de construir constantemente uma organização social humana. (Costa, 2003, p. 58 citando Hampton, 1986)<br />A perspectiva taylorista é substituída pelo estudo do homem socialem constante interacção com os outros. A administração passou, então, a olhar para os fenómenos grupais que acabou por cair num culto do grupo:<br />“ Esta abordagem teve um forte impacto na teoria e prática da gestão, especialmente porque era tão contrária aos pressupostos da administração científica. O impacto foi de tal ordem que o culto do grupo começou a dominar o pensamento da gestão” (Handy, 1985: 441).<br />
  34. 34. Imagem 2 – Fonte: http://historiadadministracao.blogspot.com/2009/05/elton-mayo-biografia.html<br />
  35. 35. Com Hawthorne fica de parte a tradicional visão racionalista e mecanicista do indivíduo e dá luz a um novo entendimento do trabalhador, que deixa de ser visto como mais um elemento para trabalhar, para aparecer como pessoa pertencente a uma sociedade com interesses pessoais, com emoções, sentimentos e desejos.<br /> “Hawthorne é onde o «trabalhador sentimental» se constitui como objecto da ciência social […] foi nesta altura que o trabalhador foi formalmente descoberto como detentor de sentimentos […] e de necessidades interpessoais” (Costa, 2003, p. 59 citando Hollway, 1991).<br />
  36. 36. Teoria Comportamental<br /> “uma das mais democráticas teorias administrativas” (Costa, 2003, p. 60 citando Chiavenato, 1983)<br />O interesse pelas pessoas assume uma dimensão mais profunda.<br />Porquê?? <br />Porque os objectivos prioritários desta perspectiva são a completa utilização das habilidades e capacidades dos indivíduos em ordem à sua satisfação e crescimento pessoal, e à sua realização e desenvolvimento interior (Bowditch & Buono, 1992: 12)<br />
  37. 37. Perspectiva do Desenvolvimento Organizacional<br />É vista como…<br />- Uma aplicação e um prolongamento da teoria comportamental ao desenvolvimento da organização, traduzindo-se numa maior e mais sistemática atenção prestada ao desenvolvimento da competência e eficácia no funcionamento geral da organização (Costa, 2003, p. 60-61 citando Bowditch & Buono, 1992)<br />- Uma perspectiva que resulta da necessidade de adaptação, flexibilidade e mudança com que as organizações, que pretendem o sucesso se deparam, tendo em conta os ambientes cada vez mais instáveis e turbulentos.<br />- Diferentes estratégias de mudança que deixam de ser efectuadas somente a partir das pessoas e dos grupos e passam a decorrer com base num modelo mais amplo situado ao nível da alteração de toda a organização.<br />
  38. 38. Em suma…<br />“A teoria das relações humanas, […] ao valorizar as pessoas e os grupos, a visão harmoniosa e consensual da organização, os fenómenos de cooperação e participação, a satisfação e realização dos trabalhadores – constitui a fundamentação teórica, em termos organizacionais, da imagem democrática da escola” (Costa, 2003: 61) .<br />
  39. 39. 2. A Escola Democrática<br />Um dos autores marcantes no desenvolvimento da concepção democrática da escola, foi John Dewey.<br />Este concebe a educação como preparação para a vida em sociedade e a escola como cadinhoonde essa preparação se processa. <br />“ (…) deveremos criar nas escolas uma projecção do tipo de sociedade que desejaríamos realizar; e formando os espíritos de acordo com esse tipo, modificar gradualmente os principais e mais recalcitrantes aspectos da sociedade adulta”. ( Costa, 2003, p.62 citando Dewey, 1959)<br />As escolas devem estar ao serviço da sociedade e da mudança social, onde Dewey defende um modelo de estabelecimento de ensino (…), de acordo com um processo educativo activo (learningbydoing). – Baseado na experiência e no trabalho manual, moldando o indivíduo para a vida social.<br />
  40. 40. Este autor idealizava, “(…) transformar cada uma das nossas escolas numa comunidade embrionária de vida, repleta de ocupações que sejam o reflexo da vida da sociedade no seu todo e permeada por um espírito de arte, de história e ciência (…)” (Costa, 2003, p.63 citantando Dewey,1959)<br />Deweyapresenta-nos uma concepção de educação como experiência democrática e uma escola para a cidadania que, supõe uma organização baseada nos princípios e nas práticas da sociedade democrática (escola-comunidade democrática),<br />Metodologias activas, participativas (self-governement).<br />Em Portugal, um dos seguidores das propostas Deweyianas, foi António Sérgio, filósofo e pedagogo que criou o projecto de municípios escolares caracterizado como “(…) a boa vida municipal, o bom cidadão, o bom munícipe , não valerá a consegui-lo nenhum processo de instrução, menos ainda o dos discursos, mas o de habituar as crianças à acção municipal, à própria vida da cidade (…)” ( Costa, 2003, p.63 citando Dewey, 1959)<br />
  41. 41. As preocupações básicas de Sérgio não eram de tipo organizacional e administrativo, mas <br />predominantemente pedagógica (prendiam-se com a educação dos alunos e a formação dos <br />cidadãos).<br />O pensamento pedagógico de Dewey influenciou profundamente o quadro de análise <br />organizacional da escola (1)<br />O movimento da educação personalizada situa todo o processo educativo no <br />indivíduo, ou melhor na pessoa humana. (2)<br />A transposição dos três princípios inerentes à pessoa humana: a singularidade, <br />autonomia, e a abertura. <br />
  42. 42. Os pressupostos fundacionais do Código da Educação personalizada, que se traduzem <br />num conjunto de princípios metodológicos de organização da escola e das <br />Actividades educativas, que Martínezresume em doze:<br /> 1. “Organização participada.<br /> 2.Participação da família e da comunidade<br /> 3. Definição e classificação de objectivos.<br /> 4. Planificação dos núcleos de experiência e cultura sistemática.<br /> 5. Instrumentos técnicos ao serviço da educação.<br /> 6. Prioridade a actividade do aluno sobre a do professor.<br /> 7. Agrupamento flexível de alunos. <br /> 8. Actuação de equipas docentes. <br /> 9. Planificação das actividades de orientação.<br />10.Diagonóstico e prognóstico escolar.<br />11. Avaliação e promoção continuas.<br />12.Auto-avaliação por parte dos estudantes.”<br />
  43. 43. Moreno propõe como resposta à situação de crise da escola e à consequente necessidade de <br />renovação e reforma, uma noção de escola como comunidade educativa democrática<br />assente nos princípios de interdependência e de solidariedade, cujas vantagens são <br />sintetizadas nos seguintes pontos:<br />- Reconhecimento da dignidade e igualdade da pessoa humana como pontos de partida condicionantes de toda a acção;<br />- Aceitação de um projecto educativo comum polarizador dos esforços pessoais de todos os elementos da comunidade;<br />- Participação dedicada dos quatro cogestores da escola (professores, alunos, pais e sociedade) na elaboração e realização do projecto educativo comum;<br />- Desenvolvimento e manutenção de um clima de relações humanas afectivas através da participação efectiva na tomada de decisões, da responsabilização e da consecução de uma verdadeira e autêntica comunidade organizacional.<br />
  44. 44. LorenzoDelgado (1985) definiu a escola como empresada escola comunidade educativa, através da descentralização entre associação e comunidade.<br />Este autor apologista da educação personalizada, defendia que a comunidade educativa deveria basear-se nestes pressupostos: <br />“Falar de comunidade educativa é conceber a escola como lugar de encontro de professores, pais e alunos com o objectivo de realizar uma educação que se caracterize pela comunicação, pela participação e pelo respeito da singularidade de cada pessoa e de cada grupo” (Costa, 2003,p.66 citando Delgado, 1985)<br /> Nos dias de hoje, muito se tem dito sobre a imagem da escola como democracia, no que respeita á organização e administração das escolas, destacam-se duas temáticas:<br />a escola comunidade educativa e a gestão democrática das escola.<br />
  45. 45. A criação da escola como comunidade educativa chega-nos através da LBSE (Lei nº 46/86, de 14 de Outubro), baseando-se no desenvolvimento de princípios organizacionais e administrativos da descentralização, participação e integração comunitária. Tem sido notório o esforço e empenho nesta área, através dos muitos trabalhos de investigação e da sistematização do conceito de comunidade educativa, após o processo de reforma do sistema educativo, no que concerne á reforma da administração e gestão das escolas, destaca-se a proposta de Formosinho. Costa,2003, p.68 citando Formosinho etal, 1988)<br /> Para este autor, a escola-comunidade educativa surge como alternativa ao modelo escolar vigente, defendendo que a escola não pode ser vista como serviço local do estado mas sim operar com outros princípios, entre os quais a autonomia, a participação e a responsabilização democrática para com os seus membros.<br />A expressão gestão democrática é bastante ambígua numa perspectiva teórico-organizacional, visto estar interligada por diversos sectores e forças organizacionais.<br />
  46. 46. Licínio Lima (1992) constatou que a gestão democrática não resulta num modelo único de organização da escola, mas sim em duas fases: o ensaio autogestionário (período revolucionário 74-76, marcado pela descentralização do poder para as escolas e posteriormente a normalização caracteriza-se pelo regresso do poder e pela reconstrução da descentralização administrativa.<br /> Dos aspectos mais significativos do modelo português na gestão democrática das escolas, alguns permitem-nos manter uma ligação de proximidade com a imagem da escola como democracia pois, trata-se de um modelo de gestão suportado por uma imagem fortemente normativa; defende-se a autoridade profissional da classe docente traduzida no seu predomínio progressivo na tomada de decisões escolares e posteriormente qualificada como gestão neocorporativa dos professores. (Costa, 2003, p.68 citando Lima, 1992 e Formosinho, 1992)<br />
  47. 47. Para uma melhor compreensão sobre a imagem da escola como democracia, podemos utilizar os indicadores cujo Tony Bush (1986) caracterizou o modelo democrático:<br /><ul><li>modelo de organização fortemente normativo (os valores e crenças servem de base)
  48. 48. reclama a autoridade profissional com base na competência dos professores. Segundo Glater “ a imagem colegial realça a competência profissional e a especialização do corpo docente e da sua colaboração em ir ao encontro das necessidades dos alunos” (1987: 67)
  49. 49. a existência de um conjunto de valores, enquanto linhas orientadoras da acção pedagógica, devem guiar o funcionamento da organização escolar
  50. 50. os vários órgãos de gestão e coordenação devem ser constituídos por processos de representação formal baseada em procedimentos eleitorais, precedida da consulta aos colegas</li></ul>- no modelo democrático, as decisões são tidas como um processo de consenso e não decorrentes de procedimentos conflituais <br />
  51. 51. i<br />Conclusão<br />
  52. 52.
  53. 53. Costa, Jorge Adelino. (2003). Imagens Organizacionais da Escola. (3.ª edição). Porto: Edições ASA.<br /> Imagem 1. Teoria geral da ADM (2009) Teoria geral da administração. Consultado a 2010-04-19 em:<br />http://teoriageraldaadm.blogspot.com/<br /> Imagem 2. Curso de administração geral é aplicada (2009) História do pensamento em administração. Consultado a 2010-04-19 em: <br />http://historiadadministracao.blogspot.com/2009/05/elton-mayo-biografia.html<br />Referências Bibliográficas <br />
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