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Prática pedagógica renovada ago 2013

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  • 1. Organizadores: Clitien Alice Meira Rios Gildette Soares Fonseca Tyellen Sany Cruz dos Reis PRÁTICA PEDAGÓGICA RENOVADA
  • 2. SUMÁRIO Copyright ©: Universidade Estadual de Montes Claros UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS - UNIMONTES REITOR Professor João dos Reis Canela VICE-REITORA Professora Maria Ivete Soares de Almeida PRÓ-REITORA DE ENSINO Professora Anete Maríllia Pereira PRÓ-REITOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Professor Hercílo Martelli Júnior DIRETOR DO CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Professor Jânio Marques Dias CORDENADORA GERAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL Professora Maria Ângela Lopes Dumont de Macedo COORDENADORA DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO UNIMONTES Professora Clitien Alice Meira Rios ORGANIZADORES Clitien Alice Meira Rios Gildette Soares Fonseca Tyellen Sany Cruz dos Reis CONSELHO EDITORIAL Prof. Silvio Guimarães – Medicina. Unimontes. Prof. Hercílio Mertelli – Odontologia. Unimontes. Prof. Humberto Guido – Filosofia. UFU. Profª Maria Geralda Almeida. UFG Prof. Luis Jobim – UERJ. Prof. Manuel Sarmento – Minho – Portugal. Prof. Fernando Verdú Pascual. Valencia – Espanha. Prof. Antônio Alvimar Souza Unimontes Prof. Fernando Lolas Stepke. – Univ. Chile. Prof. José Geraldo de Freitas Drumond – Unimontes. Profª Rita de Cássia Silva Dionísio. Letras – Unimontes. Profª Maisa Tavares de Souza Leite. Enfermagem – Unimontes. Profª Siomara A. Silva – Educação Física. UFOP. 5  O vídeo publicitário como prática didática para a inclusão de 15 um novo idioma 27 Ambiente virtual de aprendizagem: Instrumento para leitura de 39 textos em espanhol A internet na educação: A importância do trabalho com a história em quadrinhos no ensino fundamental 51 Leitura e interpretação de textos a partir da integração da ferramenta web no contexto escolar 63 A utilização da mídia impressa jornal na alfabetização e letramento PROJETO GRÁFICO Jéssica Luiza de Albuquerque 75 Operações fundamentais e estatística no âmbito das questões 85 ambientais: Intervenção na educação de jovens e adultos Mídias na Educação : Prática Pedagógica Renovada / organizadoras, Clitien Alice Meira Rios,Gildette Soares Fonseca ,Tyellen Sany Cruz dos Reis – Montes Claros : Unimontes, 2013. 178 p. : il. Rádio Web: Estação cidadania educativa na Escola Municipal Jason Caetano Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7739-448-7 1. Tecnologia educacional. 2. Inovações educacionais. 3. Ensino – Meios auxiliares. I. Rios, Clitien Alice Meira. II. Fonseca, Gildette Soares. III. Reis, Tyellen Cruz dos. I. Título:Mídias na Educação: prática pedagógica renovada. CDD 371.33 EDITORA UNIMONTES Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro, s/n Vila Mauricéia - Montes Claros (MG) - Caixa Postal: 126 - CEP: 39041-089 e-mail: editora@unimontes.br - Telefone: (38) 3229-8214 97 Interdisciplinaridade na leitura e escrita com a participação da família na vida escolar dos filhos 109 Novas possibilidades de organização das aulas de leitura e produção textual 121 Blog nas aulas de língua portuguesa: Uma estratégia para se estimular a leitura e a produção de gêneros textuais diversos 141 “Leitura, luz, câmera e ação”: O cinema como ferramenta para 153 a leitura do do mundo Educação na era do consumo: O despertar de uma nova conciência 165
  • 3. APRESENTAÇÃO Os pássaros, antes de saberem voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés”. (Rubem Alves) O fim do século XX e o desabrochar do século XXI trazem profundas transformações que acometem a estrutura social contemporânea. A acentuação do processo de globalização possibilita o surgimento e disseminação de novas formas de pensar e agir, bem como altera a dinâmica de conexão global. Outrossim, a educação também perpassa por um processo de céleres mudanças. Notadamente com a evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), emerge-se um ambiente propício ao desenvolvimento de diversificados instrumentos educacionais e de novas práticas pedagógicas. Nesse cenário, o Programa de Formação Continuada Mídias na Educação ocupa posição de destaque, na medida em que objetiva preparar o professor para a efetivação de um ensino de qualidade, crítico e reflexivo, através da utilização e inserção das mídias em sua atividade cotidiana. Com o explorar dos recursos midiáticos, a prática docente é aquilatada e o processo de ensino-aprendizagem ressignificado. As fronteiras espaço-temporais são ultrapassadas e o aprendizado oportunizado pela construção coletiva dos conhecimentos torna a sala de aula muito mais atraente. É esta conjuntura de transformação e preocupação com os saberes construídos que visualizamos nos cursistas do Programa ofertado em nossa Universidade. Cada um desses profissionais que aqui se qualificou demonstra competência técnica, humana e ética para continuar trilhando itinerários perenes no campo da educação. Os trabalhos apresentados neste livro atestam o desenvolvimento pessoal evidenciado ao longo do curso, assim como o eclodir de sujeitos, cidadãos, comprometidos com o trabalho e com a criação de um futuro melhor para todos. Assim, temos convicção de que apresentamos à sociedade, profissionais preparados para o complexo e essencial desafio que reside no ato de educar e, concomitantemente, de ser educado. Parabéns a todos que envidaram e envidam diuturnamente esforços para a realização deste curso e para a construção de um mundo melhor. Professora Maria Ivete Soares de Almeida Vice-Reitora/Unimontes MÍDIAS NA EDUCAÇÃO: PRÁTICA PEDAGÓGICA RENOVADA FONSECA, Gildette Soares1 REIS, Tyellen Sany Cruz dos2 RIOS, Clitien Alice Meira3 INTRODUÇÃO A educação escolar no Brasil tem se tornado assunto de várias discussões e ações com o intuito de melhorar a qualificação do professor, para que este desenvolva atividades que oportunize aprendizagem significativa para o cotidiano do estudante. Neste contexto, este artigo tem por objetivo refletir sobre a importância do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação para o processo de educação continuada de professores e, especialmente, para o ensino/aprendizagem de estudantes da educação básica. Para tanto, fizemos uma pesquisa bibliográfica 1 Professora do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. Doutoranda em Geografia – PUC/MG. Mestre em Geografia – PUC/SP. Especialista em Geografia e Meio Ambiente – UNIMONTES. Atuou como Coordenadora dos Ciclos Intermediário e Avançado – 3ª Edição – Complementação do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação. 2 Professora Formadora do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação – Unimontes. Especialista em Mídias na Educação. Atuou como Coordenadora de Tutoria do Programa Mídias na Educação de 2009 a 2012. 3 Professora do Departamento de Comunicação e Letras da Unimontes. Especialista em Linguística Aplicada ao Ensino do Português. Atuou como Coordenadora do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação de 2010 a 2012. 5
  • 4. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação e consideramos, ainda, a nossa experiência no referido Programa. O Programa Mídias na Educação funciona na modalidade a distância de ensino, contribuindo para o aperfeiçoamento tanto pedagógico quanto técnico do docente, no uso das tecnologias de informação e comunicação, tais como: TV/Vídeo, Informática, Rádio e Material Impresso, tendo como público-alvo prioritário os professores da Educação Básica da rede pública de ensino. O Programa foi desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância (SEED), em parceria com as Secretarias Municipais de Educação e Universidades Públicas. Em 2009 houve migração do Programa da SEED para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), passando a se beneficiar da estrutura da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Assim, em 2010, o programa passa a ser ofertado no âmbito do Plano Nacional de Formação de Professores das Redes Públicas de Ensino pela UAB/DED/CAPES, sendo reestruturado para se adequar aos níveis e parâmetros da UAB/DED/CAPES. Os autores reformularam os três cursos que constituíam ciclos de estudos: Básico (120h), Intermediário (60h) e Avançado (180h), em dois formatos independentes: o Curso de Extensão em Mídias na Educação (120h) e o Curso de Especialização em Mídias na Educação (360h). Ao ingressar em um curso de especialização entendemos que o profissional busca uma formação continuada, o que nos leva a concordar com Tomini (2011, p.23): “As dificuldades produzidas pela formação inicial dos professores têm sido supridas a partir da formação continuada, ocasião em que, já lecionando, são orientados a participarem de seminários, congressos, palestras, oficinas, atividades voltadas à educação etc”. Pensamos que a responsabilidade com a prática pedagógica, a boa experiência e os resultados adquiridos com os trabalhos realizados impulsionarão estes professores a continuarem inovando e ampliando as possibilidades de aprender e ensinar. Sabemos que o exercício da docência é repleto de desafios, mas, também, é o ofício onde se percebe o crescimento intelectual e emocional do estudante quando desenvolvemos um trabalho de qualidade. O docente da educação básica é o formador de todos os demais profissionais da sociedade, o que pode ser entendido com grande mérito, pois contribui com o processo de amadurecimento e engrandecimento do ser humano, Palavras-chave: Educação Básica. Mídias na Educação. Aprendizagem. Professores. Alunos. DESENVOLVIMENTO No transcorrer do Programa Mídias na Educação, pudemos observar que os professores-cursistas participantes, apesar das dificuldades enfrentadas, obtiveram ótimos resultados para a sua vida profissional e, consequentemente, para a aprendizagem dos alunos, pois o programa possibilita a ampliação do trabalho docente em sala de aula, transformando os saberes adquiridos em novas perspectivas de aprendizagem. Acompanhamos diversos trabalhos desenvolvidos pelos professores que podemos considerar inovadores dentro das escolas, construídos a partir do curso Mídias na Educação, como: elaboração de blog’s, escrita de livros, produção de vídeos, confecção de revistas, jornais, entre outros. Na contemporaneidade, a sociedade convive com grandes transformações em todos os âmbitos. As informações circulam com tamanha rapidez que temos a sensação que não vamos dar conta de processar, assimilar e compreender. Neste contexto, os profissionais da educação escolar no Brasil, responsáveis pela formação de cidadãos críticos, agentes ativos se veem temerosos, pois as gerações de estudantes já nascem dentro do “mundo da tecnologia”, enquanto alguns professores não têm domínio do mouse. 6 7 Destarte, é necessário que o docente tenha ótima formação acadêmica, ética, didática, criatividade, vontade de aprimorar seus conhecimentos e que o ambiente escolar disponibilize
  • 5. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação recursos didáticos para desenvolver seu trabalho com qualidade, ou seja, são muitos os fatores que devem estar atrelados. O livro didático, o quadro negro, o giz, cópias de exercícios e ou textos não são suficientes para atrair a atenção dos estudantes. Freire (2001, p. 20) afirma: Pensar na História como possibilidade é reconhecer a educação também como possibilidade. É reconhecer que se ela, a educação, não pode tudo, pode alguma coisa. Sua força, como costumo dizer, reside na sua fraqueza. Uma de nossas tarefas como educadores e educadoras, é descobrir o que historicamente pode ser feito no sentido de contribuir para a transformação do mundo, de que resulte um mundo mais “redondo”, menos arestoso, mais humano, e em que se prepare a materialização da grande utopia: Unidade na Diversidade. Promover uma educação escolar que respeite a diversidade cultural e ao mesmo tempo reduza as desigualdades sociais tornou-se desafio de governantes e da comunidade escolar. No Brasil, parte da sociedade entende a real necessidade de reverter o quadro caótico da educação escolar estabelecido, mas cabe ao educador o maior encargo. Cury (2008, p. 42) salienta: Se um professor não conseguir provocar a inteligência dos alunos durante sua exposição, ele não o educou. O que é mais importante na educação: a dúvida ou a resposta? Muitos pensam que é a resposta. Mas a resposta é uma das maiores armadilhas intelectuais. Quem determina o tamanho da resposta é o tamanho da dúvida. A dúvida nos provoca muito mais do que a resposta. O professor precisa, antes de tudo, estar capacitado para instigar o educando, nas palavras de Passini (1998, p.73): O professor é o parceiro mais importante no processo de aprendizagem, pois ele pode incitar o grupo de alunos ao aprendizado, desafiá-los a serem pesquisadores permanentes, como pode também ser o responsável pela amputação intelectual, desistência e desânimo de uma turma inteira. O processo de aprendizagem é constante, fato que faz do professor eterno aprendiz, ao planejar as aulas, faz leituras, pesquisa novas formas de ensinar, utiliza a criatividade para atender os estudantes. Libâneo (2002, p. 6) afirma que: O papel do professor, portanto é o de planejar, selecionar e organizar os conteúdos, programar tarefas, criar condições de estudo dentro da classe, incentivar os alunos, ou seja, o professor dirige as atividades de aprendizagem dos alunos a fim de que estes se tornem sujeitos ativos da própria aprendizagem. Não há ensino verdadeiro se os alunos não desenvolvem suas capacidades e habilidades mentais, se não assimilam pessoal e ativamente os conhecimentos ou se não dão conta de aplicá-los, seja nos exercícios e verificações feitos em classe, seja na prática da vida. As habilidades e competências desenvolvidas pelo estudante perpassam pelo trabalho do professor. Para White (2002, p.4) os professores que tornam, “[...] seu objetivo educar os alunos de maneira que estes vejam e sintam estar neles próprios o poder de formar homens e mulheres de sólidos princípios, habilitados para qualquer posição na vida, são os mestres mais úteis e de êxito permanente”. Marques (1992, p.163) afirma: Não se trata de formar um profissional fechado no seu casulo de um saber exclusivo e autossuficiente, mas de formar, no profissional, o homem da competência comunicativa, que construa seu saber no diálogo fecundo e provocador e no serviço à sociedade ampla e plural, no mundo da vida compartilhando entre os iguais. Nesta perspectiva, o docente da educação básica é formador diretamente de todos os demais profissionais da sociedade, o que pode ser entendido com o privilégio, pois contribui com o processo de amadurecimento e engrandecimento do ser humano. Especialmente aqueles professores que fazem questão de buscarem novos conhecimentos. Cury (2008, p. 93) comenta: “Os professores devem 8 9
  • 6. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação superar o vício de transmitir o conhecimento pronto como se fossem verdades absolutas.” Acreditamos que o docente pode sobrepujar todas as barreiras e promover a construção do saber com o estudante. [...] no processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existenciais concretas. Pelo contrário, aquele que é “enchido” por outros de conteúdos cuja inteligência não percebe, de conteúdos que contradizem a própria forma de estar em seu mundo, sem que seja desafiado, não aprende (FREIRE 1983, p.7). São muitas as alternativas para o aprimoramento do docente na contemporaneidade, mas os cursos voltados para o aprendizado das novas ferramentas tecnológicas são, sem dúvida, necessários e muito atraentes. Saber fazer uso adequadamente de jogos interativos; da televisão; do aparelho de DVD; do projetor de multimídia; do micro system; da mídia impressa (jornais, revistas, textos); da internet, que oferece site de pesquisa, blog, imagens de satélites [...], entre outros é uma ferramenta interessante para promover uma aprendizagem prazerosa. Nesta perspectiva, Moran (2000, p. 23) argumenta Que fatores podem nos levar a aprender melhor e de forma mais prazerosa? Aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos, sentimos. Aprendemos quando relacionamos, estabelecemos vínculos, laços entre o que estava solto, caótico, disperso, integrando-o em um novo contexto, dando-lhe significado, encontrando um novo sentido. Com o Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação obtivemos resultados extremamente significativos na Universidade Estadual de Montes Claros. Foi atendido um público aproximado de 1.502 cursistas, conforme nos apresenta o Quadro I. 10 QUADRO I - CURSISTAS MATRICULADOS POR ANO ANO 2007 2008 2009 2011 Nº. MATRICULADOS 193 343 484 482 Fonte: Sistema de Gestão Questionário de Avaliação - SGQA, 2012. No Quadro II, apresentamos dados dos Ciclos ofertados entre os anos de 2007 a 2012 e, ainda, o quantitativo de alunos concluintes em cada Ciclo do Curso Mídias na Educação. QUADRO II – CURSISTAS CONCLUÍNTES POR CICLO. ANO 2007 2008 2008 2009 2009 2009 2010 2010 2011 2012 CICLO 1ª oferta - Básico 2ª oferta - Básico 1ª oferta - Intermediário 3ª oferta - Básico 2ª oferta - Intermediário 1ª oferta - Avançado 3ª oferta – Intermediário 2ª oferta – Avançado 4ª oferta – Básico Avançado CONCLUINTES 93 240 84 288 189 80 220 108 333 169 Fonte: Sistema de Gestão Questionário de Avaliação - SGQA, 2012 Ainda de acordo com os dados do Quadro II, observamos que 954 cursitas concluíram o Ciclo Básico, 493 o Ciclo Intermediário e 341 o Ciclo Avançado, sendo este último o que certifica ao aluno o título de Especialização em Mídias na Educação. Se levarmos em consideração as dificuldades vividas pelos cursistas, como acesso a internet e baixo conhecimento em informática, obtivemos um quantitativo excelente de cursistas formados pelo programa. A Internet e demais tecnologias nos ajudam a realizar o que já fazemos ou que desejamos. Se somos pessoas abertas, nos ajuda a ampliar a nossa comunicação; se somos fechados, contribui para controlar mais. Se temos propostas inovadoras, facilita a mudança. Com ou sem tecnologias avançadas podemos vivenciar processos participativos de compartilhamento de ensinar e aprender (poder distribuído) através da comuni- 11
  • 7. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação cação mais aberta, confiante, de motivação constante, de integração de todas as possibilidades da aula-pesquisa/aula-comunicação, num processo dinâmico e amplo de informação inovadora, reelaborada pessoalmente e em grupo, de integração do objeto de estudo em todas as dimensões pessoais: cognitivas, emotivas, sociais, éticas e utilizando todas as habilidades disponíveis do professor e do aluno (MORAN, 2000, p.27). O Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação com o propósito de capacitar profissionais da educação, oportunizou a diversos professores a possibilidade de aprender e aperfeiçoar seus conhecimentos, introduzir novas formas de ensinar e de se relacionar, melhorando, consequentemente, o processo de aprendizagem dos seus alunos. Professores mais abertos, confiantes, bem resolvidos podem compreender melhor e implantar novas formas de relacionamento, de cooperação no processo de ensinar e aprender. Estão atentos para o novo, conseguem ouvir os outros e expressar-se de forma clara, não ficam ressentidos porque suas ideias não foram eventualmente aceitas. Cooperam em projetos que foram decididos democraticamente, mesmo que não coincidam com todos os seus pontos de vista (MORAN, 2000, p. 4). Consideramos que a formação do professor é simultânea à sua prática, não há dissociação. Portanto, ela deve ser um processo dinâmico, visando o conhecimento e o aperfeiçoamento deste conhecimento, o que propiciará a melhoria da prática educativa. 12 CONSIDERAÇÕES FINAIS A prática pedagógica do professor deve se apoiar sempre na renovação do conhecimento. Um professor comprometido com a educação reflete constantemente sobre o seu papel na dinâmica da sala de aula. Mais que isso, busca capacitação e alternativas inteligentes para que a aprendizagem ocorra de fato. E as tecnologias podem ser um instrumento importante nesse processo. Devido ao sucesso da realização do Mídias na Educação, na Unimontes, em atendimento a milhares de professores da educação básica, acreditamos na importância do oferecimento de cursos de formação continuada a professores da rede pública, visando, sobretudo, a capacitação para o uso pedagógico dos recursos tecnológicos em sala de aula. Sendo que, o resultado direto de uma boa formação de professores é, com certeza, o aprendizado dos alunos. Assim, consideramos que o Curso Mídias na Educação, com a sua proposta dinâmica do aprender/fazendo, oportuniza aos professores cursistas a ampliação e a aplicabilidade do saber, tendo em contrapartida um melhor aproveitamento do conteúdo escolar. 13
  • 8. Prática Pedagógica Renovada REFERÊNCIAS CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? 8ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. FREIRE, Paulo. Política e Educação. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2001. LIBÂNEO, José Carlos. Didática Velhos e Novos Temas. Edição do autor. Maio de 2002. O VÍDEO PUBLICITÁRIO COMO PRÁTICA DIDÁTICA PARA A INCLUSÃO DE UM NOVO IDIOMA BORGES, Cláudia Lúcia dos Santos1 QUEIROZ, Antônia Márcia Duarte2 MARQUES, M. O. A formação do profissional da educação. Ijuí (RS): UNIJUÍ, 1992. MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos T., BEHRENS, Marilda A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000. 133p. __________ A educação que desejamos novos desafios e como chegar lá. Campinas: Papirus, 2007. PASSINI, Elza Yasuko (Org.) - Prática de ensino e estágio supervisionado – Autonomia, São Paulo: Cooperativa técnicoeducacional, 1998. WHITE, Ellen Goldman. Conselhos sobre Educação. Tatuí (SP): Editora Casa Publicadora brasileira. 2002. TOMINI, I. M. et al. O ensino de Geografia e suas composições Curriculares. Porto Alegre, UFRGS, 2011. INTRODUÇÃO Esse trabalho busca apontar os resultados de uma pesquisa de intervenção aplicada em uma turma do 7º ano da Escola Municipal “Dalva Ferreira Diniz” e destacar o uso da televisão e do vídeo em sala de aula como recursos didáticos para a inclusão de um outro idioma e os desafios na incorporação desses recursos à prática do professor para motivação dos educandos. Para estudo e pesquisa utilizou-se da teoria inovadora e midiática de Moran (1995, 1998), os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Inglesa BRASIL (1998, 1999) e do material disponibilizado pelo Curso Mídias na Educação BRASIL (2010) que revelou a necessidade de uma redefinição do papel do 1 Cursista do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação através da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES); Graduada em letras e Especialista em Metodologia e Ensino da Língua Inglesa; Professora dos anos finais do Ensino Fundamental da Rede Municipal e Estadual de Sete Lagoas MG. 2 Graduada em Geografia e Mestre em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES); possui experiência docente como professora na educação básica; na Graduação no Departamento de Geociências – UNIMONTES; Professora Formadora da Universidade Aberta do Brasil- UAB e Professora Orientadora do Ciclo Avançado (Pós-Graduação Lato-Sensu) do Programa de Formação Continuada - Mídias na Educação. 14 15
  • 9. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação professor, para que este estabeleça uma interação com os meios de comunicação e uma atuação enquanto mediador do processo de ensino-aprendizagem, potencializando, com isso, a formação de um aluno mais crítico em relação ao veículo televisivo. Desta forma este trabalho cria possibilidades para novos olhares e novos diálogos para a construção da aprendizagem, apontando a televisão como um desafio para a escola, uma possibilidade de interação entre educador e educandos e um instrumento mediador do ensino-aprendizado. A educação contemporânea precisa estar voltada para a formação de cidadãos capazes de participar na construção de uma sociedade melhor, conscientes de seus direitos e deveres e preparados para acompanhar as transformações do mercado de trabalho e do mundo. Nesse sentido, o objetivo geral desse trabalho foi fazer com que o aluno conhecesse as vantagens e oportunidades que o domínio de um outro idioma traz. mídias contribuir para o ensino aprendizagem? Como despertar o interesse dos alunos para a aprendizagem da língua inglesa? Como motivá-los para a sua transformação na sociedade? O Uso da TV e vídeo como ferramenta educacional norteados por uma teoria Sociointeracionista, que é defendida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) proporcionará interatividade entre professor e aluno. Os processos cognitivos têm uma natureza social, sendo gerados por meio da interação entre um aluno e um parceiro mais competente. Em sala de aula, esta interação tem, em geral, caráter assimétrico, o que coloca dificuldades específicas para a construção do conhecimento. Daí a importância de o professor aprender a compartilhar seu poder e dar voz ao aluno de modo que este possa se constituir como sujeito do discurso e, portanto, da aprendizagem. O ENSINO DA LÍNGUA INGLESA SOB UM NOVO OLHAR A Escola Municipal “Dalva Ferreira Diniz”, na cidade de Sete Lagoas - MG, esta inserida em uma comunidade carente do ponto de vista social, econômico, educativo e cultural e a turma escolhida, do 7º ano, a qual trabalho como professora de língua inglesa desde 2010 tem um perfil de imatura quanto as reais necessidades de se estudar uma segunda língua, fez-se necessário, então uma intervenção pedagógica para nortear a concepção dos alunos em relação ao poder transformador da educação na sua vida social, entre elas o domínio da língua inglesa, como agente socializador na formação do indivíduo. Os alunos são todos muito diferentes, diferem-se em idade, sexo, naturalidade, nacionalidade e nível de conhecimento. Suas atitudes em sala de aula são afetadas por sua motivação, suas necessidades, sua formação cultural e educacional e seu contexto social. Ele não está só, logo, ele precisa se comunicar. E ao contrário do que muitos pensam, a comunicação não acontece somente quando falamos, estabelecemos um diálogo ou redigimos um texto, ela se faz presente em todos (ou quase todos) os momentos. Comunicamo-nos com nossos colegas de escola, com o livro que lemos, com a revista, com os documentos que manuseamos, através de nossos gestos e ações. É comum ouvir sempre as perguntas: Por que nós temos que estudar inglês? Eu não vou morar em outro país! Possivelmente, essa grande maioria (de alunos adolescentes) não sente nenhuma necessidade ou desejo de se comunicar em língua estrangeira e não percebe a necessidade futura de se falar um segundo idioma. Por que não usar o que os alunos mais gostam para mostrar que a língua inglesa é de suma importância? Poderia o uso de O objetivo de aprender uma língua é se comunicar nessa língua. Isso significa que a língua que se ensina deve ser significativa, natural e útil aos alunos. A educação em Língua Estrangeira na escola, particularmente o inglês, dá acesso à ciência e à tecnologia modernas, à comunicação intercultural, ao mundo dos negócios e a outros modos de se conceber a vida humana. 16 17
  • 10. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Com o advento da globalização econômica, vem aumentando cada vez mais o fascínio que os meios de comunicação exercem sobre as pessoas e, especialmente, sobre o adolescente. A aquisição do conhecimento através da televisão acontece principalmente pela via mais leve e mais fácil o da distração e do entretenimento. O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, próximo, que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele, toca-nos e “tocamos” os outros, estão ao nosso alcance através dos re-cortes visuais, do close, do som estéreo envolven-te. Pelo vídeo sentimos experienciamos sensorial-mente o outro, o mundo, nós mesmos (MORAN, 1995. p. 27). O avanço tecnológico acelerado urge que se mude a relação da escola com a tecnologia. Isso se deve a massificação de mídias e recursos tecnológicos como a televisão, o celular (cada vez mais sofisticado) e a Internet cada vez mais presentes na vida das novas gerações que já nasceram em um mundo digital. Dentre os muitos gêneros textuais e discursivos que se podem estudar utilizando a TV, a propaganda e a publicidade em vídeo são as que mais contribuem para a formação e construção do conhecimento, pois permitem apropriar-se de uma determinada linguagem com determinadas intenções ideológicas e comunicativas contribuindo para o desenvolvimento não só da linguagem em geral, inclusive da língua estrangeira, mas também para a formação de uma leitura crítica dos textos verbais e nãoverbais que são produzidos socialmente. Entretanto, é preciso saber aproveitar a liberdade e a criatividade do espaço televisivo (publicidade e propaganda), e, ao mesmo tempo, aprender a definir os limites, a consciência crítica, reabilitar os valores e fortalecer a identidade das pessoas e dos grupos – desafios de hoje a serem enfrentados por todos os profissionais do ensino. 18 Nesta concepção televisão e vídeo atuam como recurso para potencializar o processo de aprendizagem do aluno. Uma vez que esses meios têm grande participação na vida de estudantes e de professores. Segundo Moran (1995, s/p) [...] Os jovens lêem o que podem visualizar, ou seja, precisam ver para compreender; [...] A TV e o vídeo respondem às sensibilidades dos jovens como para a grande maioria da população; [...] A linguagem visual desenvolve múltiplas atitudes perceptivas. É um exercício muito motivador para o aluno a criação de seu próprio vídeo. Este é um trabalho que terá como resultado um produto informativo, divertido e significativo. Ao se trabalhar com temas, cria-se a possibilidade de interdisciplinaridade, de construção conjunta de um conhecimento contextualizado. Conceitos são criados, recriados ou aprofundados. A TV e o vídeo trazem informações que possibilitam ao professor ser um mediador e não mais aquele que informa, além de colocar-nos em contato com diversas linguagens (audiovisual, multimídia, coloquiais). Assim desenvolveram-se práticas pedagógicas com os alunos para a inclusão da língua inglesa. A pesquisa de intervenção foi realizada com uma turma do 7º ano da Escola Municipal “Dalva Ferreira Diniz”. Estes alunos apresentavam desde o início do ano uma grande apatia para os estudos. Muitos desses alunos eram repetentes, alguns até mais de dois anos na mesma série. Determinados alunos apresentavam grande dificuldade em interagir com certas atividades, outros apresentavam resistência total no sentido de adquirir conhecimentos, se isolando dos demais colegas, negando a participar das atividades propostas, bem como não apresentando interesse qualquer em realizar algo que se refere à aprendizagem. Nossa grande dificuldade era despertar o interesse desses alunos pelo estudo, principalmente pela língua inglesa que para eles não tem muita importância. Para diagnosticar o porquê desse desinteresse dos alunos foi aplicado um questionário obtendo o resultado apresentado 19
  • 11. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação nos gráficos abaixo. Não 41% processo de ensino e aprendizagem. Os principais usos são: Para motivar, sensibilizar os alunos – É, do meu ponto de vista, o uso mais importante na escola. Um bom vídeo é interessantíssimo para introduzir um novo assunto, para despertar a curiosidade, a motivação para novos temas. Isso facilitará o desejo de pesquisa nos alunos para aprofundar o assunto do vídeo e da matéria (MORAN, 2009, s/p). Sim 47% Mais ou menos 12% O projeto teve início no mês de setembro e encerrou-se no mês de dezembro, perfazendo uma média de quinze módulos/aulas de cinqüenta minutos. GRÁFICO 01: Você gosta de estudar inglês? GRÁFICO 02: Em que aspectos o ensino da língua inglesa precisa melhorar? Fonte: resultados do questionário. Fonte: resultados do questionário No gráfico 01 percebeu-se que 47% dos alunos gostam de estudar inglês contra 41% que não gosta, os 12% que não souberam responder corresponde a parcela dos alunos que se encontram desmotivados e que demonstram grande apatia para o estudo independente de qualquer matéria. Já no gráfico 02 os alunos reconhecem que o ensino da língua inglesa como é ministrado nos dias atuais precisa melhor. Quando perguntado em que aspectos devem-se melhorar o ensino a grande maioria concorda que o uso da tecnologia durante as aulas e na resolução de problemas ajudaria muito mais na aquisição de um outro idioma. No sentido de ajudar os alunos desmotivados e também para a desconstrução de um modelo de escola autoritária e centrada no professor, propomos a criação de um vídeo publicitário para ser exibido em toda a escola, criando assim a oportunidade para que todos os alunos se envolvam no processo de ensino e aprendizagem, atendendo a solicitação da maioria que era o uso de tecnologias e filmes, mudando assim o ambiente de aprendizagem. Os vídeos podem ser utilizados em todas as etapas do 20 Em uma roda de conversas os alunos responderam que era através de trailers que ficavam sabendo o que estavam em cartaz. O vencedor foi “Planeta dos Macacos”3. Já na segunda aula aproveitamos a resenha do filme para trabalhar algumas palavras na língua inglesa, iniciando assim o processo de aquisição de conhecimento em uma língua estrangeira. O próximo passo antes de assistir o filme no cinema foi assistir em sala de aula os trailers dos filmes que estavam em cartaz. Para a terceira aula da pesquisa preparamos uma exibição de cada trailer em duas versões: primeiro em língua inglesa, onde questionamos os alunos sobre o que entenderam. Alguns de primeira responderam que não entenderam nada, mas após assistir várias vezes, puderam sim, falar sobre o que imaginavam que iria acontecer. Logo perguntamos quais foram as pistas que levaram os alunos a entender o trailer. Alguns responderam que foram as cenas e os letreiros em inglês que passaram. Assim mostramos para eles que é possível entender imagens e até textos sem precisar saber falar e compreender a língua fluentemente. Depois exibimos o trailer em português para que pudessem confirmar o que sabiam. 3 PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM (Rise of The Planet of The Apes, EUA, 2011) Duração: 105 min. Gênero: Ficção Científica. A arrogância do Homem deflagra uma cadeia de acontecimentos que leva os símios a ter um outro tipo de inteligência e a desafiar nosso posto de espécie dominante no planeta. César, o primeiro símio inteligente, é traído pelos humanos e se revolta passando a liderar a incrível corrida de sua espécie rumo à liberdade e ao inevitável confronto com o Homem.  http://www.cinepop.com.br/filmes/planeta-dos-macacos-2011.php 21
  • 12. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Com o objetivo de produzir um vídeo publicitário, provocou-se os alunos perguntando se agora já estavam preparados para dirigir, atuar e editar um filme promocional. Todos estavam empolgados. Como tema, escolhemos a divulgação dos cursos de inglês, assim eles poderiam entender e dissertar sobre a importância da língua inglesa nos dias atuais. Para a quinta aula do projeto escolhemos duas atividades do livro didático dos alunos. A primeira sobre a origem da língua inglesa, sua importância e sua história. E a segunda abordando os meios de comunicação de massa, suas características e usos. Quase todas as atividades foram desenvolvidas na língua estrangeira e resolvidas sem reclamações ou preguiça. E o melhor foi que eles compreenderam o objetivo dessas atividades. Já na sexta aula, escolhemos alguns vídeos publicitários de escolas de idiomas para levar para a classe. Nosso objetivo era estudar como um vídeo publicitário era organizado, reconhecer os elementos constitutivos e algumas estratégias de um anúncio publicitário. (Bilingual Cat, Ad on foreign languages, Comercial Cultura Inglesa, Comercial Wizard, Seatbelt). Em casa baixamos os vídeos e gravamos para assistir na TV da escola. Para usá-la os professores agendam com a bibliotecária o dia e quando fomos agendar as datas para os alunos assistirem não havia vaga para os próximos dias, logo adiamos por alguns dias os nossos planos de assistir aos anúncios e introduzimos a gramática que seria necessária para que os alunos pudessem criar seus anúncios , com tema como Present Continuous Tense para descrever as cenas de cada filmagem, tema de nossa sétima aula. Após conhecerem a estrutura de um vídeo publicitário, conhecer as vantagens e desvantagens do produto ou ideia anunciada os alunos em grupo de trabalho seguiram a seguintes etapas: Na nona aula criaram e planejaram o vídeo discutindo o que poderiam abordar, como fariam, o tipo de linguagem (verbal, não-verbal ou mista), o público alvo, o slogan e os efeitos visuais; Na décima aula fizeram o roteiro, escrevendo a história que seria 22 contada no vídeo. Descreveram em língua inglesa as cenas que deveriam ser gravadas, destacando o que, quando, onde e como; Na décima primeira e décima segunda aula foi realizadas algumas tomadas. Utilizando máquinas fotográficas e filmadoras os alunos se dividiram em atores, produtores e diretor e organizaram os dias de filmagens de cada cena. As filmagens não aconteceram todas no mesmo dia devido a cenários diferentes e também porque nossas aulas são módulos de cinqüenta minutos, tempo insuficiente para todas as gravações. Para que os alunos tivessem algumas noções sobre filmagem, exibiu-se um vídeo sobre técnicas de filmagem em sua aula; Da décima terceira à décima quinta aula os alunos editaram os vídeos: Durante as aulas após as gravações trabalhando sob a orientação da professora e de outros alunos que dominavam as técnicas de edição de vídeo utilizando o notebook da biblioteca, pois os computadores do laboratório de informática não possuem editores de vídeo, os alunos opinaram na criação do vídeo, escolhendo as imagens, cores, plano de fundo e letras. Foram produzidos quatro vídeos persuadindo o telespectador a estudar a Língua Inglesa. O primeiro vídeo o personagem é um garoto bom de bola e que foi contratado para jogar em um time porque além de jogar bem ele estuda e fala inglês. O segundo vídeo os alunos demonstram grandes manobras com a bicicleta e instiga o telespectador a praticar algo diferente como o estudo de um outro idioma. Já no terceiro vídeo a turma do Sítio do Picapau Amarelo dá uma aula de inglês para todos. E no quarto vídeo, um adolescente perde um encontro com uma garota porque não entendeu o bilhete que ela lhe deixou escrito em língua inglesa. O professor pode encontrar na utilização de tecnologias de informação e comunicação o suporte técnico instrumental que faltava para incentivar os alunos a se comunicar em outro idioma incrementando o processo de interação, despertando-lhes o sentimento de responsabilidade e parceria no processo de ensinoaprendizagem. 23
  • 13. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Prova disso foram os resultados das avaliações que os alunos apresentaram no decorrer do ano após iniciarmos a pesquisa intervenção com estes alunos. O rendimento da turma na qual foi aplicada a pesquisa de intervenção durante o ano de 2011 mostrou que no primeiro bimestre quase a metade dos alunos ficou com notas perdidas na disciplina de inglês, enquanto no quarto bimestre após encerramos a pesquisa de intervenção praticamente toda a turma conseguiu a média do bimestre, tendo assim um alto índice de aprovação. CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo era despertar o interesse do aluno para o estudo de um outro idioma, pois a grande maioria não sentia necessidade ou desejo de se comunicar em língua estrangeira, não compreendiam a importância do estudo da língua inglesa e por que o domínio deste idioma está se tornando cada vez mais necessário para o sucesso na vida adulta. Durante as atividades os alunos perceberam que a Língua Inglesa faz parte de um mundo plurilíngüe, seu papel hegemônico em determinado momento histórico e identificaram seu uso no universo dos sistemas de comunicação. Os alunos se sentiram motivados a participar das aulas de criação do vídeo publicitário, pois nossa proposta foi fazer com que os alunos além de estarem assistindo também produzissem seu próprio vídeo. A gravação de um vídeo publicitário despertou o interesse dos alunos para os estudos de modo geral. Dentre as dificuldades e problemas no desenvolvimento desta pesquisa, destaca-se a greve dos professores que atrasou o início da nossa intervenção, tivemos problemas técnicos no laboratório de informática que nos impossibilitou o acesso a internet, a falta dos programas de edição de vídeo nos computadores do laboratório de informática, porém não nos desanimamos, buscamos outras formas de usar o computador como por exemplo levando o notebook da biblioteca, de professores e de alunos para desenvolver o trabalho em sala de 24 aula, problemas na agenda da biblioteca para disponibilizar a TV e o vídeo, para assistirmos os vídeos utilizamos algumas vezes o data show e a carência de apoio humano que acreditassem na proposta, por isso buscou-se o apoio maior dos alunos o que fez com que aumentassem ainda mais o laço de amizade e a confiança deles em relação ao trabalho desenvolvido. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais, códigos e suas tecnologias. Língua estrangeira moderna. Brasília: MEC, 1999. BRASIL. SEED/ MEC. Programa de Formação Continuada Mídias na Educação. Módulo Básico TV e Vídeo. BRASIL, SEED/MEC. Mídias na Educação – TV E VIDEO http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/tv/tv_ intermediario/p_08.htm BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira. Brasília: MEC/SEF, 1998. MORAN, José Manuel. Desafios da televisão e do vídeo à escola. 1995. Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/desafio. htm. Acesso em: 09/2011. MORAN, José Manuel. Internet no Ensino Universitário: Pesquisa e Comunicação na sala de aula. 1998. MORAN, José Manuel. Vídeos são instrumentos de comunicação e de produção. Entrevista publicada no Portal do Professor do MEC em 06.03.2009 25
  • 14. A RELEVÂNCIA DAS IMAGENS MIDIÁTICAS NO PROCESSO DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DADOS HISTÓRICOS SIQUEIRA, Tânia Joaquina Pereira de1 ALVES, Cássia Regina Machado Alves2 INTRODUÇÃO A sociedade hoje é cada vez mais tecnológica, e, por esse motivo, é preciso que o sistema educacional se conscientize da necessidade de incluir nos currículos escolares as competências e habilidades para lidar com as novas tecnologias, além de proporcionar os meios para que isso aconteça. Este artigo tem como tema “A relevância das imagens midiáticas no processo de leitura e interpretação de dados históricos” e o objetivo geral da pesquisa/intervenção foi desenvolver, por meio da apreciação e análise de imagens, o hábito e as habilidades de leitura dos alunos, durante as aulas de História. Os objetivos específicos foram: Analisar imagens como recurso importante para o desenvolvimento de leitura; Despertar no aluno o gosto pela leitura através da apreciação de imagens; realizar momentos de leitura e interação através das 1 Graduada em Normal Superior pela Universidade Presidente Antonio Carlos – UNIPAC e em História pelo Instituto Superior de Educação Ibituruna – ISEIB. Professora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Cursista do Curso Mídias em Educação (Unimontes-MEC). 2 Pedagoga, Especialista em Tecnologias na Educação pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. Professora-orientadora do Curso Mídias em Educação (Unimontes-MEC). 27
  • 15. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação mídias disponíveis na escola; criar um espaço para publicação das produções discentes na internet; divulgar as informações coletadas. O caminho teórico metodológico utilizado para realizar o estudo foi descritivo/exploratório com base na revisão da literatura sobre o objeto de estudo. A escolha desse tipo de pesquisa deve-se ao fato de que a pesquisa bibliográfica é feita a partir de material já elaborado, constituído, principalmente, de livros e artigos científicos mas, foram também utilizados, documentos do meio eletrônico. Alguns dos autores estudados foram: Bittencourt (2005) (1998); Fonseca (2003); Furtado (1998); Macedo (2005); Moran (1998); Napolitano (2005; 1999); Seffener (2000); Freire (1985); Silva (2005) dentre outros, além das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). Concomitantemente, desenvolveu-se uma prática pedagógica de intervenção e análise utilizando a leitura de imagens e gravuras procurando responder ao seguinte problema: “o que fazer para que os alunos desenvolvam o gosto pela leitura e ao mesmo tempo consigam interpretar os diferentes textos históricos que circulam na sociedade utilizando o computador e o material impresso?”. Esta intervenção pedagógica foi desenvolvida na Escola Municipal Antonio de Souza Rosa, localizada no povoado de Morrinhos, município de Bocaiúva-MG, com 15 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental. Apesar do interesse pelos estudos, estes alunos apresentavam dificuldade para ler e interpretar textos. A escolha deste tema deveu-se ao fato de, no desenvolvimento do meu trabalho docente na escola com esses alunos, pude perceber que poderia despertar o interesse pelo estudo de História através da análise de imagens e do uso do computador e de material impresso, ajudando-os a desenvolverem as competências de leitura, escrita, argumentação, interpretação de dados, imagens e textos. 28 Sabe-se que além do quadro-negro e dos livros existem outras formas de desenvolver o processo de ensino/aprendizagem do conteúdo de História, quer seja dentro ou fora do espaço escolar. Inserir os meios de comunicação pode significar um passo decisivo na formação dos discentes e representar uma maior compreensão do mundo individual de cada aluno e da sociedade em que está inserido, o que o tornará um cidadão mais crítico, consciente e participativo, capaz de escrever a sua própria história. AS MÍDIAS NO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM DO CONTEÚDO DE HISTÓRIA No mundo atual dependemos cada vez mais da tecnologia e não podemos deixar de incorporá-la no meio educacional. A informática é um importante auxiliar para nós professores, na tarefa de transmitir o conhecimento. Com o uso da mesma em situações de aprendizagem, os alunos ampliam a maneira de ver o mundo numa perspectiva reflexiva, questionadora, pesquisadora e analítica de tudo o que estiver à sua volta, sem, contudo, deixar de lado o diálogo e a interação. Como afirma Freire(1985, p.13) “a leitura e a realidade se prendem dinamicamente”. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais: História (1998), “o professor tem de ensinar os alunos a fazer uma leitura histórica do mundo”. Nessa perspectiva, ele pode explorar com os alunos conceitos de metodologias de análise histórica, tais como, interpretar documentos e relacioná-los no tempo e no espaço em que foi feito e/ou escrito. Cabe a ele prover os meios pedagógicos para que os alunos desenvolvam competências e habilidades que os levem a contextualizar documentos através da capacidade de interação e interpretação, de forma a retirar informações destes, sejam eles: imagens, revistas, livros didáticos, músicas, dentre outros. [...] para a área de História procuram valorizar o intercâmbio de idéias, sugerindo a análise e interpretação 29
  • 16. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação de diferentes fontes e linguagens – imagens, texto, objeto, musica, etc. – a comparação entre informações e o debate acerca de explicações diferentes para um mesmo acontecimento (BRASIL, 1998, p.60). Infere-se, pois, que o ensino de História deve utilizar diferentes tipos de fontes, sempre com o objetivo de desenvolver o espírito crítico dos educandos. Para que isso aconteça é de fundamental importância que alunos e professores tenham claros seus objetivos sobre o processo de ensino/aprendizagem do conteúdo a ser estudado. As mídias escolhidas para esse trabalho foram utilizadas para despertar o interesse pelo conteúdo proposto nas aulas de História, pois estas atuam cada vez mais como complemento das atividades educativas, contribuindo para uma aula mais dinâmica e tornando a prática pedagógica diferenciada e mais significativa. No trabalho diário, observa-se que os alunos demonstram um maior interesse quando as aulas envolvem o computador e a internet. Com o uso das imagens pelo computador os educandos passaram a fazer uma leitura e uma interpretação mais crítica, o que muito contribuiu para a construção do conhecimento histórico. As imagens visualizadas através da internet e que foram utilizadas como recursos didáticos são constituídas de filmes, fotografias e imagens informáticas dos CD-ROMs e softwares. PROJETO DE INTERVENÇÃO NO CONTEÚDO DE HISTÓRIA A pesquisa de intervenção A Relevância das imagens midiáticas no processo de leitura e interpretação de dados Históricos foi realizada na Escola Municipal Antônio de Souza Rosa, situada no povoado de Morrinhos, zona rural do município de Bocaiuva, região norte do estado de Minas Gerais. Os sujeitos-alvo do trabalho desenvolvido foram os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, do turno matutino. A turma é formada por quinze alunos, sendo quatro meninas e onze meninos com idades compreendidas entre dez e catorze anos. A 30 intervenção foi motivada pelo desejo de melhorar o entendimento dos fatos históricos, pois os alunos tinham muita dificuldade para ler e interpretar os diferentes documentos históricos. O uso das imagens como temática para a intervenção, além de contribuir para a melhoria da qualidade da leitura e escrita tornou as aulas de História mais atraentes e diversificadas, porque os alunos tiveram a oportunidade de construir a sua própria história e conhecer a história da comunidade em que estão inseridos. O projeto foi desenvolvido durante os meses de setembro e outubro de 2011 e pôde-se perceber que o objetivo do trabalho foi atingido, pois os alunos desenvolveram o hábito e as habilidades de leitura, escrita e interpretação a partir da apreciação e leitura de imagens com a utilização das mídias disponíveis na escola. Todo o trabalho didático foi desenvolvido com o conhecimento da comunidade escolar e, como esse ia envolver algumas atividades novas, o primeiro passo foi realizar uma reunião com a direção da escola para levar ao seu conhecimento as estratégias contidas no projeto. Em setembro de 2011 o projeto foi apresentado aos alunos e organizou-se na sala de aula uma mesa redonda, com o objetivo de deixá-los à vontade para expressarem as suas opiniões. No inicio foi difícil, por causa da timidez, mas aos poucos, os alunos foram se soltando e falaram bastante da comunidade onde vivem e como podiam ajudar a entender a história a partir das fotos e documentos que tinham em casa. Posto isso, convocamos os pais e responsáveis para uma reunião na escola, para lhes ser apresentado o projeto. Todos compareceram no dia marcado e desta reunião participaram também, a direção, o corpo docente e os alunos. Durante a reunião os pais foram participativos e se comprometeram a ajudar os filhos nas atividades e a autorizar as atividades extraescolares. Começava, então, o trabalho de desenvolvimento do projeto. Na sala de aula foi utilizado o livro didático História, Sociedade Cidadania, de Alfredo Boulos Júnior, livro adotado na 31
  • 17. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação turma e que vinha ao encontro do que era preciso, pois é repleto de textos, figuras e fotografias que podem ser trabalhadas, para atingir o objetivo proposto: ler e interpretar a diversidade de textos históricos. Logo na unidade um, o livro trata da “História e fontes históricas”. Através de fotos modernas e antigas, o aluno é convidado a observar as diferenças existentes na maneira de se vestir, estudar, enfeitar e agir e, a partir daí, foram construindo o conhecimento sobre o que a História estuda: as mudanças e as permanências. Em seguida foi introduzida a ideia de “fontes históricas” e como elas se materializam através de documentos escritos, da arte, dos desenhos, das fotos, das musicas. Estas foram as conclusões tiradas pelos alunos ao verem o livro didático e ao discutirem o assunto com a professora. Então, foi-lhes pedido que procurassem em casa ou na comunidade fontes históricas para trazerem para a sala de aula. Para Schemidt (2001, p.57), O professor de História pode ensinar o aluno a adquirir as ferramentas de trabalho necessárias; o saber-fazer, o saber-fazer-bem, lançar os germes do histórico. Ele e responsável por ensinar o aluno a captar e a valorizar a diversidade dos pontos de vista. Ao professor cabe ensinar o aluno a levantar problemas e a reintegrá-los num conjunto mais vastos de outros problemas, procurando transformar, em cada aula de História, temas em problemáticas. Com o desenvolvimento deste projeto foi esse o papel do professor: orientar os alunos para o saber-fazer, preparandoos para a diversidade de pontos de vista. Com o material que os alunos trouxeram, fotos, recortes de jornal, documentos de identificação, certidões de nascimento e óbito, cada um escreveu a sua própria história, apresentou-a para os colegas e toda a produção foi exposta no mural da escola. Pré-História, dos primeiros habitantes da terra e de seus hábitos e costumes. A partir de gravuras e imagens, eles recriaram a vida no período Paleolítico e falaram também nas experiências que tiveram para conseguir fogo, quando estavam em pescarias com a família e amigos e conseguiram entender que esse método de rolar uma madeira em cima de outra ou de esfregar uma pedra na outra deu ao homem na antiguidade o domínio do fogo e, mudou para melhor a sua vida. Os alunos que já haviam passado por essa experiência fizeram a demonstração para os colegas, num passeio feito pela comunidade. Como os alunos já tinham noções sobre o período Neolítico foi-lhes pedido para pesquisarem sobre o período em livros e revistas e para trazerem gravuras de utensílios ou desenhos para a sala. O próximo passo foi levar os alunos para a sala de informática. A sala de informática é uma sala de aula que foi adaptada, com 10 computadores. Nas horas das atividades, às vezes alguns alunos têm que tem usar o mesmo computador para pesquisar. Muitas vezes, os trabalhos têm que ser interrompidos por falta de conexão, então o professor salva o que já está pronto ou no computador ou no pen drive para depois se concluir a tarefa. Primeiro foi ensinado como ligar e desligar o computador e apresentadas as peças mais importantes e sua utilidade, como CPU, monitor, teclado e mouse. Depois os alunos ficaram à vontade para descobrir em que o computador poderia ajudá-los, sempre orientados pelo professor. Foi-lhes ensinado como poderiam fazer o próprio desenho e colorir. Em seguida, foi-lhes pedido, então, que em casa pensassem o que queriam pesquisar para o trabalho que teriam que apresentar sobre a Pré-História. Ao construírem sua própria história, os alunos perceberam que tinham um passado que estavam vivenciando a partir de documentos históricos variados e a partir daí passamos a falar da Nesta atividade, os alunos pesquisaram sobre a PréHistória em vários sites. No site http://julirossi.blogspot. com/2008/02/pr-histria.html os alunos pesquisaram desenhos artísticos e sobre a história da arte. Em http://clickeaprenda. 32 33
  • 18. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação uol.com.br/cgi-local/lib-site/conteudo/mostra_conteudo eles puderam visualizar imagens da pré-história. Em http://www. colorirgratis.com/desenhos-de-pre-historia-para-colorir.html, os alunos puderam colorir vários desenhos sobre o assunto e se entusiasmaram muito. objetos que contam a história do município ela ia explicando e respondendo às perguntas dos alunos. Foi uma tarde maravilhosa de mergulho na nossa história e de reconhecimento do muito que os primeiros habitantes fizeram para se chegar ao estado atual de desenvolvimento. No desenrolar do projeto recorreu-se também ao manuseio de mapas, imagens de diferentes tipos (pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, etc.) e trabalhamos com eles esse variado tipo de fontes históricas através de diferentes suportes como: revistas, livros, jornais, internet. Tinha-se trabalhado até aqui com documentos históricos que se referiam à Pré-História mundial, os alunos também já tinham construído a história da sua comunidade e precisavam, portanto, ter contato com os documentos históricos relativos ao meio em que estão inseridos. Foi-lhes, então, proposta uma visita ao museu da cidade. Como despedida da visita, foi pedido a todos que se preparassem para os debates da próxima aula. O difícil foi conter os ânimos. Todos queriam falar ao mesmo tempo, mas conseguiuse organizar a sala de modo que cada um ouvisse a opinião do colega e expusesse a sua. Faltava organizar a exposição dos trabalhos e a criação do blog para conhecimento do trabalho desenvolvido nas aulas de história. A exposição dos trabalhos foi aberta à toda a comunidade escolar e os alunos apresentaram desenhos, fotografias, jornais e textos feitos por eles sobre o conteúdo e as atividades desenvolvidas. No dia da visita, que foi realizada extra-horário escolar, foram debatidos alguns pontos importantes, tais como: Só se pode conhecer o passado por meio de vestígios deixados pelos seres humanos na sua passagem pela Terra; É através da investigação que se chega à versão dos fatos. Parte-se de questões colocadas no presente, buscam-se as respostas no passado e retorna-se ao presente para reescrever a História; Os conceitos também têm uma história situada no tempo e no espaço; O conhecimento histórico é algo construído, portanto é algo que não se acaba nunca. Todo o trabalho desenvolvido foi embasado em imagens. Era preciso tornar as aulas mais dinâmicas e atraentes. Como postula Bittencourt (1998, p. 14): Portanto, mostrou-se aos alunos que a História é uma construção e que o conhecimento que se tem da realidade é sempre parcial e incompleto, por isso a História está sempre sendo reescrita à luz de novos fatos históricos que vão surgindo com a descoberta de novas fontes. No dia e hora marcada lá estavam os alunos prontos para a nossa visita que seria um retorno às origens. Fomos recebidos pela guia que iria nos orientar na visita. À medida que se percorria as salas e os stands com os manuscritos, fotos e Apesar de termos usado a oralidade e todo o material que cerca uma sala de aula usou-se também as imagens dos livros, dos museus e da internet e isso conseguiu atrair a atenção dos alunos. Estes puderam aprender que, para se entender uma imagem, é necessário contextualizá-la historicamente porque ela por si só não fala, ao tomá-la como fonte, deve-se perceber que “ela não reproduz o real, mas que ela congela um instante do real, ‘organizando-o’ de acordo com determinada estética e visão do mundo” (JUNIOR, 2009, p. 13). 34 35 A escola sofreu e continua sofrendo cada vez mais a concorrência da mídia, com gerações de alunos formados por uma gama de informações obtidas por intermédio de sistemas de comunicação audiovisuais, por um repertório de dados obtidos por imagens e sons, com formas de transmissão diferentes das que têm sido realizadas pelo professor, que se comunica pela oralidade, lousa, giz, cadernos e livros na sala de aula.
  • 19. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação O último passo de desenvolvimento do projeto era a montagem do Blog. Como já possuía um blog, este foi aproveitado para postar o trabalho. Foram escolhidos quatro alunos que ficaram responsáveis por postar os artigos sobre o projeto e fotografias. Nele já se encontram alguns documentos escritos sobre a visita ao museu e fotos que serão atualizados à medida que o trabalho se desenvolva na escola com outras turmas. Durante todo o desenvolvimento do projeto foram utilizados textos de gêneros variados, diferentes tipos de imagens, procurando explorar ao máximo seu potencial pedagógico. Procurou-se, também desenvolver competências e habilidades necessárias à construção da cidadania e da capacidade crítica dos alunos. Todas essas estratégias contribuíram para que os objetivos propostos fossem alcançados e os resultados da intervenção fossem satisfatórios, promovendo uma aprendizagem eficiente e tornando as aulas mais atrativas. didáticos, oficina utilizando imagem e divulgação do material reproduzido durante o desenvolvimento do projeto mostraram que é importante que professor e aluno devem aprender a interagir e manusear materiais diferenciados, com múltiplas linguagens existentes nos meios de comunicação durante o processo de ensino/aprendizagem, pois ler criticamente o discurso da mídia propicia a inserção do sujeito na sociedade e na História de seu tempo. Os resultados foram tão positivos, e ficou tão evidente que o trabalho desenvolvido com o uso da tecnologia torna as aulas mais atraentes, que foi sugerido à direção que implementasse a prática de utilização de imagens, enfatizando o uso das mídias, com os professores de outros conteúdos, e que, nessa perspectiva, cada um (re)elabore a sua própria dinâmica. Conclui-se, pois, que a partir da introdução de novas estratégias para o ensino dos conteúdos como a utilização dos recursos midiáticos no trabalho com imagens pode ajudar no desenvolvimento da leitura e escrita, bem como estimular as habilidades de observar, descrever, sintetizar e relacionar, além de contribuir para conscientizar da importância do trabalho em grupo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Antigamente éramos “educados” pelos pais, pela escola, pelo cinema e pelos amigos; hoje, somos educados pela televisão, os jornais, as revistas e a Internet. É, portanto, cada vez mais importante o papel da mídia como instrumento de informação e formação. A educação atualmente não se restringe à escola, ela tem de estar articulada com toda a sociedade e os meios de comunicação devem ser vistos como auxiliares da educação e consequentemente da construção da cidadania. As atividades desenvolvidas nessa intervenção, como: visita a museu, pesquisa em sites, debates, o uso de livros 36 Pode-se afirmar que, através dos trabalhos realizados na execução dessa intervenção, o uso das imagens, da internet e do material impresso em sala de aula contribuiu de forma significativa no processo de aprendizagem. Muitos alunos que não conseguiam interpretar e nem fazer uma leitura critica, com o uso de imagens passaram a ter mais interesse pelas aulas e a entender a importância da História na formação da sociedade contemporânea. REFERÊNCIAS BITTENCOURT, C.M.F. Ensino de História fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2005. BOULOS JUNIOR, A. História Sociedade Cidadania. São Paulo: FTP, 2009. BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto 37
  • 20. Prática Pedagógica Renovada ciclos do ensino fundamental: introdução. Brasília: MEC/SEF, 1998. BRASIL. LDB - Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LEI No. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília D.O. U. 23 de dezembro de 1996. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo, Autores Associados. 10ª ed, 1985. FONSECA, S. G. Didática e prática de ensino de Historia: experiências, reflexões e aprendizados. São Paulo: Papirus, 2003. (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico). AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: INSTRUMENTO PARA LEITURA DE TEXTOS EM ESPANHOL NAPOLITANO, M. Pensando a estranha história sem fim. In. KARNAL, L. (Org.) História na Sala de Aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2005. ______. Como usar a televisão na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999. ROCHA, U. Reconstruindo a história a partir do imaginário do aluno. In: NIKITIUK, S. M. L. (org). Repensando o ensino de história. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2001. SCHMIDT, M. A. A formação do professor de História e o cotidiano da sala de aula. In: BITTENCOURT C. (org.) O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2001. SEFFENER, F. Indagações sobre a história ensinada. In: GUAZZELLI, C. A. B. et al. Questões da teoria e metodologia da história. Guazzelli et al. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2000, p. 257-288. RODRIGUES, Valéria Daiane Soares1 SANTOS, Dulce Pereira dos2 INTRODUÇÃO O Curso Espanhol Instrumental, ferramenta de intervenção para desenvolvimento do projeto “Utilização das mídias no desenvolvimento da habilidade de leitura de textos em espanhol”, foi realizado em parceria com a Diretoria de Desenvolvimento de Recursos Humanos- DDRH, bem como do Centro de Educação a Distância- CEAD, da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. A Diretoria foi responsável pela divulgação, pela seleção dos alunos e pela emissão dos certificados e o CEAD cedeu espaço para montagem da sala virtual, oferecendo o suporte humano necessário para manutenção do ambiente virtual de aprendizagem. O Projeto teve início após a realização de um diagnóstico, que evidenciou a necessidade de servidores e professores da Unimontes em estudar espanhol. O público-alvo apresentou diferentes motivos para aprender o idioma, principalmente, por reconhecerem a importância do Mercado Comum do Cone Sul e pela necessidade 1 Cursista do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação. Graduada em Letras Espanhol pela Universidade Estadual de Montes Claros- UNIMONTES. 2 Professora Orientadora do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação - Unimontes 38 39
  • 21. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação de participar de processos seletivos para mestrado e doutorado. Sobre a importância do ensino de língua espanhola e sobre o papel do MERCOSUL, os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Estrangeira (PCN – LE) estabelecem: de intervenção, como o próprio nome indica, serve como instrumento, permitindo ao professor lançar mão de estratégias pedagógicas capazes de intervir em problemas detectados na instituição. Quanto à ação de intervir, é importante mencionar: Sua crescente importância, devido ao Mercosul, tem determinado sua inclusão nos currículos escolares, principalmente nos estados limítrofes com países onde o espanhol é falado. A aprendizagem do espanhol no Brasil e do português nos países de língua espanhola na América é também um meio de fortalecimento da América Latina, pois seus habitantes passam a (re) conhecerem não só uma força cultural expressiva e múltipla, mas também política (um bloco de nações que podem influenciar a política internacional) (BRASIL, 1998, p. 50). [...] podemos afirmar, no plano da experiência, uma inseparabilidade entre análise das implicações e intervenção. Intervir, então, é fazer esse orgulho no plano implicacional em que as posições de quem conhece e do que é conhecido, do que analisa e do que é analisado se dissolvem na dinâmica de propagação de forças instituintes caracterizando os processos de institucionalização (PASSOS, 2009, p. 25). A partir do diagnóstico foi possível perceber que a maioria dos inscritos sentia necessidade de aprender a ler textos em espanhol. Nesse sentido, tomando como referência as afirmações dos PCNs sobre o ensino de língua estrangeira e a demanda apresentada pelos alunos optou-se por oferecer um Curso de Espanhol Instrumental, a fim de trabalhar estratégias que priorizaram o desenvolvimento da habilidade de leitura em língua estrangeira, trabalhando aspectos linguísticos e semânticos do idioma e abordando aspectos culturais dos países hispanoahablantes. 3 O Curso teve duração de, aproximadamente, três meses. Como espaço de aprendizagem foi utilizada a plataforma moodle (virtualmontes), contando com carga horária de 120 horas, divididas em 20 horas presenciais e 100 horas a distância. REFERENCIAL TEÓRICO Como assinalado na introdução, este texto relata uma pesquisa de intervenção pedagógica realizada no âmbito da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES. A pesquisa 3 Nativos de países que tem o espanhol como língua oficial. 40 Nesse contexto, e tendo em vista as palavras do autor no que se refere ao ato de intervir, é importante frisar que o diagnóstico inicial foi de primordial importância para detectar a demanda de professores e servidores da Instituição por Cursos de Espanhol e as reais necessidades desse público-alvo com relação à aprendizagem. De posse dos resultados, desse diagnóstico, foi possível traçar as estratégias de intervenção do projeto. Levando-se em conta a contribuição de Moço (2011) sobre o trabalho envolvendo projetos e buscando aplicar uma metodologia (uma intervenção) condizente com a necessidade dos alunos, o primeiro encontro presencial teve como objetivo esclarecer os objetos do Curso, a metodologia utilizada, os instrumentos de avaliação, a dinâmica das atividades, os conteúdos que seriam trabalhados, a carga horária, informar sobre as principais potencialidades da plataforma virtual, entre outros aspectos importantes. Para embasar o desenvolvimento das atividades foram utilizadas contribuições de diversos autores que tratam da importância da internet como instrumento de ensino aprendizagem, bem como de autores que tratam de questões subjacentes à leitura e produção textual. Com relação à principal mídia utilizada no Projeto, convém assinalar que a internet configura-se como: 41
  • 22. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação [...] espaço virtual de comunicação e de divulgação. Hoje é necessário que cada escola mostre sua cara para a sociedade, que diga o que está fazendo, os projetos que desenvolve, a filosofia pedagógica que segue, as atribuições e responsabilidades de cada um dentro da escola. É a divulgação para a sociedade toda. É uma informação aberta, com possibilidade de acesso para todos em torno de informações gerais4. Tomando como referência a citação acima e pensando na experiência do Curso, pode-se dizer que a internet, de forma geral, configura-se como um espaço de interação, representando um excelente instrumento pedagógico. Além disso, representa a oportunidade de construir conhecimento, independente de tempo, de espaço, de forma coletiva, interativa. Essa mídia possui informações diversificadas e disponíveis a qualquer usuário. Nesse caso específico, além de oferecer suporte para disponibilização da plataforma virtual, a internet constituiu-se como banco de dados para pesquisa de textos dos mais diversos gêneros. Tendo em vista o objetivo de trabalhar com estratégias de leitura de textos em língua espanhola, fez-se importante utilizar como ponto de partida a leitura orientada por gêneros textuais, como: história em quadrinhos, contos, jornais e revista on-line, mediados pela utilização da internet. A esse respeito convém apontar as palavras de Marcuschi (2003) que faz referência ao trabalho de leitura orientado pela utilização de gêneros textuais: O trabalho com gêneros textuais é uma extraordinária oportunidade de se lidar com a língua em seus mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. [...] E há muitos gêneros produzidos de maneira sistemática e com grande incidência na vida diária, merecedores de nossa atenção. Inclusive e talvez de maneira fundamental, os que aparecem nas diversas mídias hoje existentes, sem excluir a mídia virtual, tão bem conhecida dos internautas e navegadores da internet (MARCUSCHI, 2003, 35). 4 Programa de Formação Continuada Mídias na Educação- Módulo Gestão integradas de Mídias na Educação. Módulo Introdutório - Etapa 1. 42 As palavras do autor ratificam a importância de trabalhar leitura e produção de texto por meio da utilização de gêneros que traduzem as situações reais do cotidiano. É importante considerar ainda a contribuição de Izabel Solé que conceitua a leitura como “[...] processo de interação entre leitor e o texto; nesse processo tenta-se satisfazer [obter uma informação pertinente para] os objetivos que guiam sua leitura” (1998 p. 41). Levando-se em conta que a pesquisa intervenção se desenvolveu no campo do ensino aprendizagem de uma língua estrangeira, especificamente o idioma espanhol, convém dizer que o processo de aquisição e decodificação de uma segunda língua também passa por esse processo de inter-relação entre leitor e texto. Acredita-se que o sujeito, estudioso de uma segunda língua, tem seus objetivos bem definidos. O objetivo, em geral, direciona o processo de leitura e a decodificação das informações. Sobre os objetivos de aprendizagem, Izabel Solé afirma que: [...] a questão dos objetivos que o leitor se propõe a alcançar com a leitura são cruciais, porque determina tanto as estratégias responsáveis pela compreensão, quanto o controle que, de forma inconsciente, vai exercendo sobre ela, à medida que lê. Isso é um pouco difícil de explicar, mas acontece. Enquanto lemos e compreendemos, tudo está certo, e não percebemos que, além de estarmos lendo, estamos controlando o que vamos compreendendo (SOLÉ, 1998, p. 41). A autora afirma, ainda, que há diferenças significativas entre os sujeitos leitores, visto que a compreensão de um texto depende de questões próprias do leitor, como conhecimento prévio, motivação e outros. Com base na fala da autora supracitada e pensando no processo de ensino aprendizagem de uma língua estrangeira, é importante dizer que seu estudo difere da aprendizagem de língua materna, visto que: 43
  • 23. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação El camino que recorre un hablante no nativo hasta que consigue (sic) dominar la lengua objeto y comunicarse eficazmente con ella es bastante diferente del camino recorrido por el niño, ayudado por sus padres o por expertos que lo rodean. Varía en el contexto en el que se llevan a cabo los actos de habla, la actitud de los mayores hacia el niño, es el estilo de la lengua maternal. No es lo mismo aprender una lengua dentro de un aula, mediante la simulación de objetos, situaciones y personajes, que aprenderla como un miembro de un mundo real, con toda la información referencial necesaria para que se dé un acto de habla cooperativo y eficaz5 (BARALO, 1999, p. 29). Pressupõe-se, com base na afirmação acima, que fatores como motivação, idade, contexto no qual o sujeito está inserido interfere positiva ou negativamente na aprendizagem de uma segunda língua. Considerando a utilização da internet para fins educacionais e em Cursos a distância (oferecidos via plataforma virtual), além da compreensão textual, é exigida a questão da escrita, visto que a comunicação se estabelece, principalmente, por meio de textos verbais. Sobre o processo de escrita, é necessário apontar: [...] a prática da escrita vista na dimensão interacional leva o aluno a escrever estabelecendo relações entre ele (autor) e o leitor do texto. Assim, o produtor textual precisa pensar no outro desde o planejamento de sua escrita. Trata-se de autor-texto-leitor em interação. Para isso a escrita deve ser feita com planejamento, revisão e reescrita, etapas indispensáveis nesse trabalho (BARBOSA, 2011, p. 2). Apesar do processo de escrita não ter se constituído como objetivo principal do Curso, esse aspecto não pôde ser ignorado, visto que a comunicação se estabeleceu por meio da escrita. A tentativa dos alunos em escrever no idioma espanhol foi válida por denotar interesse e empenho, tendo sido relevante para a avaliação do Curso. Cumpre ressaltar que a plataforma virtual pode servir como um importante banco de dados para pesquisas linguísticas. RESULTADOS DA INTERVENÇÃO Estruturalmente, o Curso Español Instrumental foi dividido em quatro módulos, a saber: Nociones básicas de gramática y vocabulário de la lengua española, Estrategias de lectura y compresión de textos en español, Las expresiones idiomáticas del español y los “falsos amigos” e Contribuciones del conocimiento cultural hispánico para comprensión de textos en lengua española, respectivamente. O primeiro módulo ofereceu informações gerais sobre o Curso. Apesar de tratar-se do estudo de conteúdos gramaticais, foi importante enfatizar que a aprendizagem de uma língua não se reduz à gramática e nem à tradução. Já nesse primeiro módulo foram realizadas atividades utilizando, como instrumento pedagógico, tiras cômicas, mapas conceituais e notícias jornalísticas. Entre essas atividades e buscando estudar gramática de forma mais descontraída e interessante, os alunos foram direcionados a acessar um site da internet que apresentava conteúdos gramaticais (substantivos, adjetivos, pronomes, etc). Na continuação, teriam que escolher um dos conteúdos disponíveis no site e elaborar um mapa conceitual. se eficazmente com ela é muito diferente do caminho percorrido pela criança, ajudada pelos pais e por especialistas que o r odeiam. Varia em função do contexto em que ocorre o ato da fala, em função da atitude do adulto em relação à criança. É diferente aprender uma língua dentro de uma sala de aula, mediante a simulação de objetos, situações e personagens, que aprender-la como membro de um mundo real, com toda informação necessária para realização de um ato de fala cooperativo e eficaz. O segundo módulo tratou do estudo das estratégias de leitura que facilitam a compreensão de texto. Com relação às técnicas e recursos para compreensão leitora, Daniel Cassany (2011), professor do Departamento de Tradução y Filologia da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, afirma que quando o aprendiz antecipa aspectos da leitura considera os seguintes pontos: análise do título, imagens, última frase 44 45 5 O caminho que percorre um falante não nativo até dominar a língua objeto e comunicar-
  • 24. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação do texto, palavras conhecidas, outros dados (autor, gênero textual, destinatário, intenção do texto, ideia principal, etc) e outros estímulos (predições sobre o texto, a partir de outros elementos, como música, ruídos, objetos, etc). Utilizando como referência a contribuição do autor, essas questões nortearam o desenvolvimento das atividades no segundo módulo. Nesse módulo, é interessante destacar, também, a disponibilização de um jogo de perguntas e respostas sobre uma notícia veiculada em jornal. O objetivo da atividade foi promover uma leitura orientada que conduziu os alunos a entender a mensagem final do texto. O jogo teve, entre outros objetivos, a função de ativar o conhecimento prévio dos alunos, bem como partir de uma análise orientada pela concepção de gênero textual, nesse caso, notícia de jornal. Além dessa atividade, foram realizados três fóruns de discussão que objetivaram trabalhar as diversas estratégias de leitura estudadas durante o 2º encontro presencial do Curso, bem como um chat que permitiu, numa comunicação instantânea, sanar dúvidas com relação ao conteúdo. O terceiro módulo tratou das expressões idiomáticas do espanhol, bem como dos falsos cognatos ou “falsos amigos”. Priorizou-se a pesquisa na internet, por ser um extenso banco de dados capaz de oferecer subsídios para uma aprendizagem mais consistente. Nesse ponto, cumpre ressaltar que expressões idiomáticas são “secuencias de palabras cuyo significado no es compositivo, es decir, el significado de la expresión no se deriva del de sus componentes” (BUSTOS, 2011, s/p) 6, ou seja, são enunciados que não apresentam uma tradução literal, normalmente não podem ser encontrados em dicionários e devem ser entendidos por meio de uma análise contextual. Com relação aos falsos cognatos, o Diccionário de Falsos Amigos ou Falsos Cognatos define essas palavras como: “normalmente derivadas del latín que aparecen en diferentes idiomas con morfología semejante, y que tienen por lo tanto el mismo origen, pero que al largo de los tiempos acabaron adquiriendo significados parcial o totalmente diferentes”7. Esse módulo foi importante por desmitificar algumas crenças relacionadas a aprendizagem do espanhol. Alguns alunos acreditavam que a língua se reduzia a palavras com grafia igual ao português e sentido diferente. Nesse módulo, os alunos foram desafiados a apresentar o maior número de expressões existentes. Cada uma teria que descobrir uma expressão e o significado, com o cuidado de não postar a mesma dos colegas. Nesse ponto, e tendo em vista a internet como instrumento pedagógico, foi interessante direcionar o uso da pesquisa no vasto banco de dados disponíveis nesse suporte. No quarto e último módulo foi abordada a contribuição do conhecimento cultural hispânico para entendimento dos textos em espanhol. Neste contexto, optou-se por propor pesquisas na internet sobre aspectos culturais de reconhecida relevância. Sobre o conceito de cultura, é importante explicar que “[...] é todo comportamento humano-cultural, transmissão social [...] Cultura é um termo que dá realce aos costumes de um povo” (ULMANN, 1980, p.86). Buscando apreender a relevância do termo cultura, a primeira atividade consistiu em realizar uma pesquisa sobre danças típicas dos países de fala hispânica. Por meio dessa pesquisa, os alunos tiveram a oportunidade de descobrir a existência de inúmeros ritmos musicais, como: La cumbia, La cueca, El Merengue, El joropo, El Pasodoble, El flamenco e outros. A segunda atividade propunha uma pesquisa sobre as belezas naturais e pontos turísticos dos países de fala hispânica. 6 Sequências de palavras cujo significado não é compositivo, ou seja, o significado das 7 Palavras normalmente derivadas do latim que aparecem em diferentes idiomas com morfologia semelhante, e que tem, no entanto, a mesma origem, mas que ao longo do tempo acabam adquirindo significados parcial ou totalmente diferente. 46 47 expressões não deriva de seus componentes.
  • 25. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação A partir de uma discussão inicial sobre “El lago Titicaca”, considerado o lago navegável mais alto do mundo, foi possível discorrer sobre a natureza latino-americana. Procurando ratificar a importância dos aspectos culturais na aprendizagem de língua, foi proposta uma pesquisa sobre aspectos culturais do Chile. Para tanto, optou-se por partir de um estudo sobre Pablo Neruda, um dos nomes mais importantes da literatura mundial. Foram realizadas, ainda, duas outras atividades propondo uma discussão sobre a Educação em Cuba, bem como uma atividade sobre Miguel de Cervantes, objetivando tratar da cultura espanhola, concernente a autores e escritores de renome mundial. O processo avaliativo aconteceu durante todo o Curso, sendo considerada a disponibilidade e interesse dos alunos em participar das atividades propostas e, principalmente, pelos resultados das tarefas realizadas. Para nortear o processo de avaliação dessa pesquisa, predominou a concepção de que é um instrumento que faz parte do sistema de ensino, podendo, dessa forma, contribuir para a aprendizagem dos alunos. Luckesi (1996, p.33) define avaliação como “...um conjunto de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisões”. Logo os alunos são construtores do próprio conhecimento, sendo o professor um orientador da aprendizagem. Nesse contexto, a avaliação aconteceu mediante a observação da aprendizagem do aluno, que serviu como diagnóstico para essa “tomada de decisões”. CONSIDERAÇÕES FINAIS Acredita-se que o Curso Espanhol Instrumental cumpriu seus objetivos e, principalmente, os objetivos do Projeto “Desenvolvimento da habilidade de leitura de textos em espanhol”, na medida em que os alunos conseguiram acompanhar a evolução do Curso e, consequentemente, apresentar uma progressão com relação ao nível das atividades. Para muitos, aprender a ler em outro idioma já não era uma tarefa fácil, estudar via internet 48 então era outro desafio ainda maior. Entretanto, perceberam que realmente é possível aprender de forma dinâmica e interativa, por meio da internet. Esse Curso, além de introduzir os alunos no universo da cultura hispânica, permitiu que eles entendessem a dinâmica de um curso a distância, quebrando paradigmas e preconceitos com relação a essa modalidade de ensino. REFERÊNCIAS BARALO, Marta. La adquisición del español como lengua extranjera. Madrid: Arco/Libros, 1999. BARBOSA, Rosângela Góis. Leitura e escrita: Atividades interacionais e interligadas. Programa de Pós- Graduação em Letras e Lingüística da Universidade Federal da Bahia- UFBA. Disponível em http://alb.com.br, acessado em 21 de maio de 2011. BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclo do Ensino Fundamental: Língua Estrangeira. Brasília: MEC/SEF, 1998. BUSTOS, Alberto. Qué son las expresiones idiomáticas? Blog de Lengua española. Disponível em http://blog.lengua-e.com/2007/ que-son-las-expresiones-idiomaticas, acessado em 15 de outubro de 2011. CASSANY, Daniel. Técnicas y Recursos para la comprensión lectora. Disponible em http://www.plec.es/documentos.php?id_ seccion=5id_documento=140nivel=Secundaria, acessado em 20 de dezembro de 2011. DICIONÁRIO DE FALSOS AMIGOS, disponível em http:// victoriaygabyruffo.activeboard.com/t20558597/dicionrio-de-falsos49
  • 26. Prática Pedagógica Renovada amigos-ou-falsos-cognatos/, acessado em 30 de novembro de 2011. LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. 4. Ed. São Paulo: Cortez, 1996. MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. IN: Gêneros textuais ensino. Organizadoras: Ângela Paiva Dionísio, Anna Rachel Machado, Maria Auxiliadora Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2003. MOÇO, Anderson. Tudo o que você sempre quis saber sobre projetos. Revista Nova Escola, abril de 2011. PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da (Orgs). Pistas do Método da Cartografia-Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegra: Sulina, 2009. PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO. - Módulo Gestão integradas de Mídias na Educação. Módulo Introdutório - Etapa 1. SOLÉ, Izabel. Estratégias de Leitura. 6 ed. Porto Alegre: ArtMed, 1998. ULLMANN, Runholdo Aloysio. Antropologia Cultural. Escola Superior de Teologia. Porto Alegre. São Lourenço de Brindes, 1980. A INTERNET NA EDUCAÇÃO: A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO COM A HISTÓRIA EM QUADRINHOS NO ENSINO FUNDAMENTAL FREITAS, Eliana Soares de1 CASTRO, Gabriella Aparecida Santos2 INTRODUÇÃO Realizar pesquisa sobre o uso da internet na educação não é um tema novo. Fazendo um levantamento bibliográfico sobre o tema, percebemos que há várias concepções que podemos adotar em nossa prática usando a internet como um recurso metodológico. Mas tratamos de apresentar aqui a nossa experiência tendo a pesquisa de intervenção nos auxiliado a inserir a internet em nossas aulas de forma significativa no processo ensino-aprendizagem. Tivemos como objetivo geral compreender a utilização da internet no processo de ensino aprendizagem nas aulas de língua portuguesa e como objetivo específico produzir histórias em quadrinhos utilizando o site Máquinas de Quadrinhos observando as regras da língua oral e escrita para esse tipo de texto. 1 Mestre em Educação, Professora do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais da Unimontes, Tutora e Orientadora do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação – edfsoares.midias@gmail.com 2 Cursista do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação, através da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. Graduada em Pedagogia – UNIMONTES. Supervisora Pedagógica da Rede Municipal de Ensino do município de Montes Claros-MG - gabriellapolinario@yahoo.com.br 50 51
  • 27. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Percebemos como relevante este estudo por trazer algumas contribuições do uso do computador na escola e as suas formas de utilização como mediador do conhecimento. Buscamos introduzir na escola a prática pedagógica mediada pelos computadores dos laboratórios de informática que, no século XXI, já são realidade na maioria das escolas públicas. Esses laboratórios foram disponibilizados pelo governo federal recentemente através do Programa Educacional de Tecnologia Educacional (PROINFO), que visa, além da informatização das escolas, a capacitação continuada dos professores para a utilização dos computadores. Porém, nem todos os professores se encontram preparados para trabalhar com computador e a internet no processo de ensino aprendizagem, alguns, inclusive, são contra o uso desta tecnologia na escola, muitas vezes, por não saberem utilizá-las e por não conhecerem as possibilidades de uso desta tecnologia na educação. Na Escola Municipal Professora Simone Soares essa situação não é diferente. O laboratório de informática está à disposição de alunos e professores que o utilizam apenas como um simples complemento da aula, ora para digitar um texto, ora para uma pesquisa na internet. Portanto, como professora dessa instituição, percebemos que era necessário inserir o computador e a internet no processo de ensino aprendizagem como um instrumento de interação, capaz de mediar a construção do conhecimento, e não somente como um instrumento de transmissão de informações. Adotamos uma abordagem qualitativa, utilizando os seguintes autores na nossa fundamentação: Moran (1997), Franco (2000), Piconi e Tanaka (2003), entre outros. A UTILIZAÇÃO DA INTERNET NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM A inserção das tecnologias na educação já é realidade da sociedade atual. Atualmente, as escolas já convivem com esta realidade, as novas tecnologias estão inseridas em seu espaço, 52 assim como já estão totalmente inseridas em todos os aspectos da sociedade. A internet, rede mundial de computadores ligados entre si e que usam um protocolo de ligação comum (TCP/IP), partilhando dados da mais diversa ordem é um exemplo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) que hoje pode ser utilizada como dispositivo capaz de facilitar e mediar o processo de ensinoaprendizagem. (MOURA, 1998). A partir da utilização das TICs na educação é possível pensar e praticar uma educação em que a colaboração entre os envolvidos (professor x aluno) realmente exista, de forma que transforme o ensino numa troca de experiência, seguida de novas descobertas, que vão sendo compartilhadas e discutidas, gerando a construção do conhecimento. Ensinar na e com a Internet atinge resultados significativos quando se está integrado em um contexto estrutural de mudança do processo de ensino-aprendizagem, no qual professores e alunos vivenciam formas de comunicação abertas, de participação interpessoal e grupal efetivas (MORAN, 1997, s/p -destaque no original). professor precisa estar capacitado para dominar O os recursos tecnológicos, elaborar atividades de aplicação desses recursos escolhendo os mais adequados aos objetivos pedagógicos, analisar os fundamentos dessa prática e as respectivas conseqüências produzidas em seus alunos. (ALMEIDA; ALMEIDA, 1999) Ao inserir o trabalho com a internet no processo de ensino aprendizagem, as escolas precisam assumir uma nova postura perante a relação professor x aluno e promover mudanças nas práticas docentes, priorizando a interatividade e a troca de experiências e conhecimentos entre os sujeitos envolvidos no processo. A inserção das TICs na educação também não corresponde ao fim de todos os problemas educacionais, mas 53
  • 28. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação são fortes aliadas na luta em prol da qualidade do ensino nas instituições educacionais. O GÊNERO HISTÓRIA EM QUADRINHOS O trabalho com o gênero histórias em quadrinhos é aliado da prática docente, pois desperta o interesse pela leitura na maioria dos alunos, devido a sua característica principal, que é a junção da linguagem verbal e não verbal através de um só texto. A história em quadrinhos (HQ) é uma modalidade de literatura simultaneamente icônica e verbal. Seu público abrange tanto crianças, adolescentes e adultos de diferentes níveis sócio-econômicos e educacionais e é o campo iconográfico mais rico e mais vasto que a história conhece, sendo uma arte de narrativa em imagem acessível mesmo a pessoas que não sabem ler (PICONI; TANAKA, 2003, s/p). É certo que as HQs, por si só, já despertam o interesse dos alunos pela leitura, porém não basta apenas inseri-las nas salas de aulas. O professor precisa ter certo conhecimento sobre este gênero textual, suas características e com base nisso, planejar suas aulas, com criatividade, para que sejam explorados com os alunos todos os aspectos deste gênero, enfatizando seus principais elementos, e desta forma propiciar o desenvolvimento da leitura (através das apreciações) e da escrita (através da produção). AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E A INTERNET Com o avanço das TICs, as histórias em quadrinhos passaram a ser publicadas também no meio digital. O computador se transformou numa das ferramentas mais utilizadas atualmente 54 para produção dos quadrinhos e a internet é um dos meios pelo qual são divulgados e compartilhados. Os sites que têm como principal objetivo a veiculação de histórias em quadrinhos on-line buscam oferecer além de imagens diversas, algumas animações, sons e recursos de multimídia e interatividade, como fóruns, chats, hipertextos entre outros. (FRANCO, 2000). Com a criação de HQtrônicas3 a audição e o tato são sentidos que também serão estimulados (já que toda a navegação e interação é feita com o uso do mouse e teclado), mudando significativamente o paradigma criativo anterior e abrindo espaço para trabalhos de maior sinestesia, levando os webquadrinhistas4 a se envolverem com variáveis antes inexistentes em seu processo criativo como o som, exigindo em muitos dos casos que eles trabalhem em parceria com outros artistas como músicos e animadores. (FRANCO, 2004). Não há que se preocupar com a substituição total das histórias em quadrinhos impressas pelas HQtrônicas, pois, como afirma Franco (2004), as HQs veiculadas na rede Internet, ao contrário de significarem uma ameaça às tradicionais impressas, contribuem para o surgimento de novos títulos, fazendo o caminho inverso daquele que poderíamos prever, ou seja, muitos quadrinhos de sucesso criados para a Internet acabam migrando posteriormente para o suporte papel. CRIAÇÃO DA HISTÓRIA EM QUADRINHOS ONLINE: O PASSO A PASSO Dentro da perspectiva da pesquisa de intervenção, desenvolvemos um trabalho com o site “Máquina de Quadrinhos” com os alunos do 5º ano azul da Escola Municipal Professora Simone Soares, com o objetivo de trabalhar a produção de histórias em quadrinhos através da internet, bem como, reforçar 3 Termo criado por Edgar Franco para denominar a hipermídia. linguagem híbrida de quadrinhos e 4 Nome utilizado por Edgar Franco aos quadrinhistas que criam trabalhos hipermidiáticos. 55
  • 29. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação as regras gramaticais, ortográficas, de pontuação e acentuação necessárias para a produção textual. foram atendidas de forma individual, sendo necessário todo o período de quatro horas diárias para concluirmos esta atividade. A turma do 5º ano azul, em 2011, contava com vinte e seis alunos e todos participaram desse trabalho, pois a dificuldade em produzir textos se apresentava em graus variados. Foram necessárias doze aulas no laboratório de informática e quatro aulas em sala de aula para a conclusão de todo o trabalho. O trabalho foi desenvolvido no segundo semestre de 2011. Escolhemos trabalhar com as historinhas em quadrinhos por ser um gênero textual que atrai a todas as faixas etárias. partir do momento que cada dupla teve seu cadastro A aprovado, levamos os alunos novamente ao laboratório e fizemos o primeiro acesso ao site Máquina de Quadrinhos. Nesta oportunidade, os alunos puderam experimentar as ferramentas disponíveis, visualizar os objetos, os personagens, os cenários, os balões e se encantaram com o site. Mas se esbarraram na dificuldade de digitar corretamente o endereço do site, porque não tinham o hábito de digitar endereços eletrônicos, digitavam as palavras com espaçamentos, ora com erros de digitação, ora esquecendo algum caractere, mas com o nosso apoio e do monitor de informática venceram esta dificuldade. Utilizamos o portal www.maquinadequadrinhos.com.br, pois neste site é possível criar histórias em quadrinhos utilizando os personagens, os cenários, os balões e demais objetos da Turma da Mônica e publicá-las, ler produções já publicadas e interagir com os demais participantes cadastrados do site. Iniciamos o trabalho apresentando informações sobre o site para a turma. Para isso, acompanhamos os alunos ao laboratório da escola e lá apresentamos o site “Maquina de Quadrinhos”. Nesta ocasião, utilizamos o projetor de multimídia e os alunos apenas viram o site e suas ferramentas, pois para ter o acesso, era preciso ter o cadastro. Feito a apresentação, a próxima etapa foi à criação do cadastro no site. Dividimos os alunos em duplas e para cada dupla criamos um e-mail para confirmação do cadastro. Muitos alunos já tinham seus e-mails criados e estes foram aproveitados para o cadastro no site. Mas os alunos que ainda não o tinham, tiveram muita dificuldade na abertura das contas e necessitando de auxilio nesse processo. Em seguida, fizemos o cadastro no site Máquina de Quadrinhos, informando o nome da dupla, o e-mail e uma senha de acesso. A maior dificuldade dos alunos foi conseguir preencher todos os dados necessários para o cadastro em tampo hábil, antes que a página do cadastro de e-mail expirasse. Por isto, as duplas 56 FIGURA 1 – Alunos fazendo o primeiro acesso ao site Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora, 2011. O próximo passo foi a criação da história em quadrinhos em sala de aula. Nesta etapa, auxiliamos os alunos na criação do enredo da história e criação dos diálogos. Não foi necessário trabalhar sistematicamente com as características de cada personagem da Turma da Mônica, pois eram conhecidos pelos alunos desta turma, o que facilitou o desenvolvimento do trabalho. Definimos nesse momento, qual seria a história, quem 57
  • 30. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação seriam os personagens e a escrita dos diálogos nos balões, com o levantamento de quantos quadrinhos iriam utilizar. Para a conclusão desta etapa, utilizamos quatro aulas com duração de cinquenta minutos cada. Quando as duplas já estavam com os diálogos das histórias prontas, os alunos voltaram a utilizar o laboratório de informática para criarem seus quadrinhos. A primeira e maior dificuldade dos alunos, ao iniciarem o trabalho com a produção dos quadrinhos online, foi digitar corretamente o endereço para entrar no site e fazer o login (acesso). Com isso, foi necessário disponibilizarmos um tempo maior no laboratório de informática para que os alunos conseguissem finalizar as produções, chegando-se a um total de dezesseis aulas no laboratório de informática, com duração de uma hora cada aula. Os alunos tiveram facilidade na utilização das ferramentas para montagem dos cenários dos quadrinhos. Cada dupla poderia escolher seus personagens, que estavam disponíveis na Máquina de Quadrinhos de diversas formas e expressando várias emoções e sentimentos (correndo, chorando, gritando, comendo, andando, conversando, fazendo compras, brincando, brigando, caracterizados para festas, para dormir, entre outras formas).. Os alunos tiveram a opção de criar diversos tipos de ambientes e caracterizá-los nas mais diversas formas. Os balões de diálogos também estavam disponíveis em diversas formas, para que os alunos utilizassem o mais adequado para cada ocasião. Nesta fase, os alunos ficaram tão encantados com tantas possibilidades de criação que nas primeiras aulas ficaram experimentando vários cenários, objetos, personagens com as diversas expressões de sentimentos e emoções, e por mais que recebessem orientações para concluírem os quadrinhos, demoraram algum tempo para se acostumarem com as possibilidades. momento em que começaram a digitar os diálogos, No surgiram as dificuldades de digitação, principalmente com 58 relação à acentuação das palavras e pontuação do texto, sendo necessário nosso auxílio e do monitor de informática para que pudessem digitar o texto de forma correta. Quando os alunos finalizaram as produções das histórias, iniciamos o trabalho de revisão dos textos, tanto a correção ortográfica quanto a gramatical. Foi previsto que as duplas corrigissem os erros de ortografia com o auxílio do dicionário, porém alguns teclados do laboratório de informática não tinham configuração compatível com o site, desta forma, as duplas precisaram de um tempo maior para finalizar as correções, sendo necessárias duas aulas de uma hora cada, para que pudessem concluir a correção das suas produções. Auxiliamos cada dupla em sua correção, fazendo a leitura dos diálogos juntamente com os alunos e discutindo com eles a forma padrão da escrita. O site permitia a impressão das histórias produzidas pelas duplas e assim que todas as duplas terminaram os trabalhos, imprimimos as histórias e as divulgamos através de exposição, primeiramente em sala de aula no dia da reunião de pais, para que pudessem ver a produção dos seus filhos. Os pais demonstraram orgulho dos filhos quando viram impressas as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, comentando entre si o trabalho realizado. 59
  • 31. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação produção textual, os elementos de composição dos cenários dos quadrinhos, como os objetos, os personagens, os balões e as paisagens. Fizemos um trabalho de revisão textual com cada dupla o que oportunizou o desenvolvimento da aprendizagem sobre os aspectos referentes a escrita do português padrão de forma mais individual. FIGURA 2 – Divulgação das histórias em quadrinhos Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora, 2011. Em seguida, com as histórias produzidas organizamos a exposição no pátio da escola para que toda a comunidade escolar pudesse apreciá-las, tanto na forma impressa, como no meio eletrônico, através do site “Máquina de Quadrinhos”. Como avaliação, observamos pelos comentários dos alunos e nas atividades executadas em sala depois desse trabalho, que tiveram maior entusiasmo ao produzir os textos solicitados, mesmo em gêneros variados e também uma preocupação maior com o uso da língua padrão. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após o desenvolvimento desta pesquisa intervenção podemos afirmar que além de ser possível o trabalho com a internet no processo de ensino aprendizagem, este também contribui para despertar o interesse dos alunos pela leitura e pela escrita, pois se configurou como uma maneira de aproximar os processos didáticos escolares da realidade em que os alunos vivem fora da escola, mesmo não tendo vasta experiência com a internet. Ao utilizar o gênero história em quadrinhos online, foram explorados, além da coerência e coesão, necessárias em qualquer 60 Constatamos, através dessa experiência, para que o trabalho com a internet seja um grande aliado do professor em sala de aula é preciso conhecer as diversas possibilidades e limites do uso desta tecnologia. O que percebemos foi que o professor deixa de ser o transmissor do conhecimento e tornase o mediador da construção do conhecimento adquirido pelos alunos. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Fernando José de; ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini. Aprender construindo: a informática se transformando com os professores. Brasília. MEC/SEED/PROINFO, 1999. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 02 maio 2011. FRANCO, Edgar Silveira. Histórias em Quadrinhos e Hipermídia: Uma experiência de criação utilizando a hibridização de linguagens. IV ENCONTRO DOS NÚCLEOS DE PESQUISA DA INTERCOM. 2004. Disponível em http://galaxy.intercom.org. br:8180/dspace/bitstream/1904/ 18225/ 1/R0367-1.pdf. Acesso em: 05 nov. 2011. FRANCO, Edgar. HQtrônicas[1]: As Histórias em Quadrinhos na Rede Internet. Cadernos da Pós-Graduação, v. 4, n. 1, p. 148–155, 2000. Disponível em: http://www.cap.eca.usp.br/ wawrwt/version/textos/texto29.htm. Acesso em: 05 nov. 2011. MOURA, Rui Manuel. A Internet na Educação: um contributo 61
  • 32. Prática Pedagógica Renovada para a Aprendizagem Autodirigida. 1998. Disponível em: http:// rmoura.tripod.com/internetedu.htm. Acesso em: 05 nov. 2011. MORAN, José Manuel. Como utilizar a Internet na educação. 1997. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s010019651997000200006script=sci_arttext. Acesso em: 05 nov. 2011. PICONI, Andressa Cristiani; TANAKA Eduardo Hideki. A construção de histórias em quadrinhos eletrônicas por alunos autistas. XIV SIMPÓSIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO- NCE- IM/ UFRJ. 2003. Disponível em: http://www.nce.ufrj.br/sbie2003/ publicacoes /paper41.pdf. Acesso em: 05 nov. 2011. LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS A PARTIR DA INTEGRAÇÃO DA FERRAMENTA WEB NO CONTEXTO ESCOLAR VIANA, Neilane de Souza1 SENA, Geane Cássia Alves2 INTRODUÇÃO A leitura se constitui como processo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos compreender o mundo, ampliar nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o raciocínio e a interpretação. Através da leitura, a busca pela informação e pelo conhecimento tem sido um processo contínuo marcado pelo uso crescente das tecnologias de informação e de comunicação. Nesse ciclo de grande acesso a informações, a leitura pode ocupar um lugar de destaque, daí a importância da escola proporcionar aos seus alunos condições metodológicas para que estes tenham acesso às informações e conhecimentos que circulam dentro e fora da sala de aula. 1 Pós-graduada em Mídias na Educação e graduada em Letras pela Universidade Estadual de Montes Claros. Especialista em Ensino de Língua Portuguesa pela Faculdade do Noroeste de Minas. Servidora Técnica em Assuntos Educacionais da Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri. 2 Mestre em Linguística pela Universidade de Franca- UNIFRAN. Especialista em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Montes Claros- UNIMONTES.Professora Orientadora do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Mídias na Educação da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. Professora da Faculdade de Saúde Ibituruna- FASI. Mestre em Linguística pela Universidade de Franca- UNIFRAN. Especialista em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Montes Claros- UNIMONTES. 62 63
  • 33. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação O progressivo desenvolvimento dos meios de comunicação tem mudado as formas de viver em sociedade, incluindo-se a organização e a prática do processo educativo. Nesse contexto, observa-se que há facilidade de se ter acesso a diversas informações veiculadas em tempo real, tudo isso através da internet. As pessoas estão se tornando “usuários on line” cada vez mais na internet: acessando contas em banco, fazendo compras e se relacionando com outras pessoas através das redes sociais. questão-problema: “Quais as contribuições que a inserção da internet no contexto escolar pode trazer às práticas de leitura e interpretação? CONCEPÇÕES DE LEITURA A intervenção realizada buscou favorecer o desenvolvimento da prática de leitura e interpretação de textos dispostos na internet. Após a execução da intervenção, verificou-se a possibilidade de repensar a prática de leitura de textos virtuais escritos representativos das diversas modalidades e, em especial, textos produzidos em situações de interações decorrentes das redes sociais, Orkut, Facebook, Messengers, Twitter, que fazem parte do universo dos alunos da turma onde foi executada a intervenção. O significado de “Leitura” numa visão epistemológica vem do latim medieval – lectura e quer dizer ato ou efeito de ler; também podemos considerá-la como sendo arte de compreender textos. Para analisar essas contribuições da tecnologia para a leitura e interpretação de texto pelos alunos, propôs-se abordar os aplicativos da ferramenta web, buscando responder a seguinte 64 Responder esta questão implica considerar as relações entre o aspecto cognitivo de leitura e as informações veiculadas na rede virtual durante a intervenção realizada na escola. Além disso, considerou-se o contexto social fora da escola – rua, shoppings, dentre outros, onde existem inúmeras ferramentas tecnológicas à disposição dos alunos, como por exemplo, os caixas eletrônicos dos bancos; as informações diversas contidas em painéis digitais nas ruas; leitoras de preços nos corredores de supermercados; dentre outras. Então, viu-se que a escola não poderá ficar à margem dessa realidade tecnológica, a qual comporta inúmeras possibilidades de aprendizagem e aquisição de conhecimentos. Quando foram observadas as possibilidades de leituras diversas para além dos livros e demais mídias é que percebeu-se a importância de utilizar a internet para a leitura virtual; para que o aluno seja capaz de relacionar-se com as linguagens contidas nos textos da internet e com as ferramentas da web. Segundo Marisa Lajolo (2001, p.142) Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a esta leitura, ou rebelar-se contra ele, propondo outra não prevista. 65
  • 34. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Consoante às idéias de Lajolo, Martins (2005) afirma que esse conceito de leitura não está geralmente restrito à decifração da escrita durante sua aprendizagem. No entanto, liga-se por tradição ao processo de formação do indivíduo, à sua capacidade para o convívio e situação social, política, econômica e cultural, ou seja, liga-se ao conhecimento de mundo e suas experiências. Depreende-se das ideias Martins (2005) que a leitura como uma mera decodificação faz prevalecer o “aprender” sem saber o porquê ou “para quê”, impossibilitando o aluno compreender o verdadeiro significado do que é lido. A concepção do ato de ler de acordo com Piletti (2000) consiste em um processo dinâmico e ativo, em que ler um “texto” implica não só aprender o seu significado, mas também trazer para esse texto a experiência e a visão de mundo como leitor. AS CONTRIBUIÇÕES DA INTERNET PARA AS PRÁTICAS DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO A leitura constitui-se como um elemento que possibilita a compreensão de textos de diversas áreas de conhecimento, por isso pode ser considerada uma ferramenta importante para auxiliar os alunos em seu desenvolvimento escolar. A partir disso usamos a internet como uma rede comunicação, de leitura e busca de informações. Segundo Moura (1998, p.11) a internet é uma rede global de informação, mais conhecida por Internet, alterou a forma de comunicar e acessar à informação. À medida que caminhamos para o final do século, a Internet vai-se afirmando cada vez mais nos diversos espaços da nossa vida contemporânea: política, economia, publicidade, comunicação social, investigação, etc. A Internet assume-se como um novo lugar de lazer, de divertimento, de comércio e serviços, de educação, de investigação, de informação, de comunicação, etc. A Internet vai, cada vez mais, abrangendo as mais diversas áreas da nossa sociedade. A Internet é uma rede mundial de computadores ligados entre si e que usam 66 um protocolo de ligação comum (TCP/IP), partilhando dados da mais diversa ordem. Estar ligado a esta rede global significa ter acesso a um novo mundo de possibilidades, que eram impensáveis há uns anos atrás. A Internet veio revolucionar o nosso mundo de comunicação, possibilitando-nos aceder a bibliotecas, livrarias, universidades, grupos de investigação, professores, etc., dos mais variados cantos do mundo. A utilização da web nas aulas de Língua Portuguesa se evidencia como uma grande aliada à prática pedagógica de ensino, uma vez que o acesso a rede virtual possibilita a interação com a diversidade textual através de aplicativos comumente usados pelos alunos tais como jogos, messengers, blogs, flogs, facebook, orkut, twitter. Essa diversidade de ferramentas virtuais – aplicativos virtuais - favorece a prática metodológica de articular os textos com a realidade vivida por eles por meio da leitura. Através das redes sociais as interações proporcionam a produção de conhecimento em rede, pois há trocas de experiências, ideias, opiniões nas ferramentas de comunicação. A Figura 01 mostra a aparência atual das principais redes sociais que são ferramentas onde inúmeras pessoas se comunicam e se relacionam. Marteleto (2001, p.72) define redes sociais como “...um conjunto de participantes autônomos, unindo idéias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados”. No aspecto educacional podem ser usadas para análises textuais e gramaticais, por possuírem muito conteúdo linguístico propício as atividades de Língua Portuguesa. Figura 01: Redes sociais de entretenimento Fonte: www.google.com .br 67
  • 35. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Através da rede virtual da internet, a prática da leitura permite, [...]por exemplo, acessar títulos de obras raras de qual-quer parte do mundo. Antes, esse tipo de material só poderia ser encontrado nas grandes bibliotecas e era acessível apenas a pequenos grupos com condições de viajar para conhecê-las. Atualmente, ao simples co-mando do mouse, elas aparecem na tela do computa-dor. A internet pode ser valiosa na busca de livros. Cada estudante precisa descobrir qual é o tipo de leitura que mais o atrai. Ninguém pode dizer que não gosta de ler, se não leu gêneros diferentes. Dizer que prefere com-putador não é um impedimento para ser um bom leitor. A diferença é que, em vez de virar páginas, a pessoa só vai clicar no mouse (COSTA, 2007, p.8). Nessa perspectiva, o ensino de Língua Portuguesa através do uso dos aplicativos do meio virtual pode se tornar mais atrativo, pois além da leitura é possível aproveitar as imagens, animações, áudio e estudar conteúdos de Língua Portuguesa utilizando as diversas formas de entretenimento por meio de chats, messengers, web blogs bem como redes sociais. Isso se traduz na leitura contextualizada. Segundo Ugarte (2009) a internet potencializa o funcionamento da rede, funcionando como plataforma de auxílio. Sendo assim, as redes sociais virtuais podem utilizar recursos diversos, tais como, e-mails, fóruns, chats, listas de discussão e programas virtuais sociais (orkut, twitter, myspace) conforme Machado e Tijiboy (2005). Assim como nos livros, a leitura no meio virtual deve ser dotada de sentido para que o aluno consiga desenvolver tais habilidades. Fulgêncio e Liberato (2001 p.98) afirmam que “...a obtenção de informação através da linguagem não se faz pela compreensão de cada elemento; ou seja, a decodificação, mas utilizando-se das informações visuais e não-visuais em que se podem conectar as partes dos textos e enfim compreendê-las”. 68 Observa-se então, que por meio de elementos visuais e não visuais dispostos no âmbito midiático, o aluno deve reconhecer no texto o significado das informações contidas. De acordo com Levy (1994 p.74), Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das comunicações e da Informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação e aprendizagem são capturados por uma Informática cada vez mais avançada. O professor de Língua Portuguesa tem possibilidades através das novas tecnologias de despertar nos alunos a habilidade de interpretar diversas modalidades textuais para que eles sejam capazes de “colher” e “roubar” sentidos dos textos que lerem (Cf. PAULINO, 2001, p.34). Em outras palavras, devemos “olhar” as práticas de leitura para além da dimensão escolar, já que as práticas antes de serem escolares, são sociais. Na visão da autora, trata-se de uma leitura voltada para participação e interação social mais crítica e reflexiva. Machado e Tijiboy (2005) apontam que na educação o uso das comunidades virtuais é um campo ainda pouco explorado, porém promissor. Por isso é que se considera importante a utilização de recursos que favoreçam o desenvolvimento das habilidades necessárias do aluno para a aprendizagem. Conforme Costa (2007, p.8) trata-se da “...leitura na era tecnológica”. O aluno deve saber se relacionar com qualquer tipo de texto, abstrair, além das informações, o contexto implícito e o objetivo do autor ao veicular seu discurso, como por exemplo, no caso de propagandas apelativas que recheiam os sites a fim de chamar a atenção do consumidor virtual. Essa contribuição da internet para a prática de leitura e interpretação de textos pôde ser comprovada a partir da 69
  • 36. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação realização da intervenção pedagógica na escola municipal situada na cidade de Teófilo Otoni- MG, sobre a qual discorremos a seguir. A INTERVENÇÃO E SEUS RESULTADOS A prática da intervenção baseou-se no desenvolvimento de atividades de leitura e interpretação de textos dispostos na rede virtual da web – tais como sites de buscas de informações e de entretenimento, bem como aplicação das normas culta nas análises textuais. Inicialmente, foi aplicado um questionário aos trinta alunos da turma, com o objetivo de fazer uma identificação do perfil desses alunos quanto aos acessos à internet. No questionário aplicado foi perguntado que tipo de sites era mais acessado por eles, sendo que, da totalidade da turma, verificou-se que o teor dos sites acessados era de entretenimento. Diante disso, foi possível constatar que alunos e alunas acessavam os sites na mesma proporção; ou seja, 100% dos meninos e das meninas acessam a internet. Quanto à frequência, verificou-se que os acessos eram constantes, considerando as formas de acesso à rede pelos mobilles (celulares e computadores de mão). Assim, vinte e um alunos afirmaram acessar a internet todos os dias da semana, sendo que nove acessam de um a quatro dias semanais. Não foi surpresa verificar que a maioria dos alunos acessa as redes sociais, que somente seis têm frequência de acessar sites informativos; os vinte e quatro têm preferência pelas redes sociais de entretenimento. A partir dessas informações as atividades de intervenção se iniciaram. Nas duas primeiras aulas da intervenção os alunos foram orientados a aplicar as normas de netiqueta3. Nessa atividade 3 Netiqueta é a forma aportuguesada do termo inglês “netiquette”, que significa “etiqueta http://www.portaldoscantinhos.com/ portal/netiqueta.htm Acesso em 08/10/2011. (bons modos) e boa escrita na Internet”. In: 70 os alunos foram encaminhados ao Laboratório de Informática com acesso a rede de internet; em seguida foram orientados a acessarem o messenger (msn) do servidor da web chamado Windows Live para realizar um chat com usuários on line no momento do desenvolvimento da aula. A aplicação das normas de netiqueta priorizou a observação das mensagens recebidas durante a conversa via messenger em que se verificou que a interação não atendia as normas de netiqueta, pois havia palavras escritas predominantemente em maiúsculas (que expressam irritação), muitas abreviaturas que às vezes impossibilitavam o entendimento, bem como ausência de correção ortográfica. Ao final desta atividade eles adquiriam a capacidade de diferenciar os textos veiculados nas interações do meio virtual, dos textos dotados de adequação gramatical e que atendem à norma culta da língua, tais como os textos presentes nos sites dos jornais “Estado de Minas”, “Folha de São de Paulo”, dentre outros. Por fim, foram realizadas análises linguístico-discursivas dos textos presentes nas comunidades do orkut em que os alunos foram orientados a descreverem os aspectos presentes nos textos que apresentavam incoerência, falta de coesão, bem como as incorreções ortográficas. CONSIDERAÇÕES FINAIS A leitura no meio digital possui a função de criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias, segundo as dúvidas e exigências que a realidade lhe apresente. Diante da evolução tecnológica nos últimos tempos, a escola tem mais uma função importante, que é a de tornar seu alunado apto a ter contato com as tecnologias, como: aplicativos dos computadores e internet, investindo no conhecimento e levando-os a refletir sobre a importância destes recursos para o seu bem estar intelectual e social- que é saber fazer bom uso da linguagem com boa habilidade de leitura e interpretação aliada ao saber 71
  • 37. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação usar as ferramentas tecnológicas. Assim, foram desenvolvidas atividades de leitura crítica dos conteúdos dos sites de diversas categorias: entretenimento, informativos, relacionamentos e técnico-científicos. As atividades das análises linguísticodiscursivas dos textos pelos alunos consideraram todos os sites que eles comumente acessavam, tais como perfis do facebook, orkut e twitter. O que era considerado inútil pedagogicamente pelos professores da escola que nunca utilizaram esses sites nas atividades, segundo os alunos da turma, por serem sites desprovidos de conteúdos científicos, na disciplina de Português pode se tornar ferramenta de aplicabilidade de conteúdos como variação linguística, funções de linguagem e interpretação pela leitura cognitiva. As abordagens aqui propostas visaram verificar as contribuições que o uso das tecnologias – computador com internet - para a leitura e interpretação de textos, a fim de contribuir para a prática educativa do ensino da Língua Portuguesa contextualizada por meio da leitura crítica e reflexiva dotada de construção de sentidos. Diante do exposto, verifica- se que o importante ao utilizarmos internet na sala de aula não é transformar a ferramenta na principal figura educacional, pois os alunos devem assumir o papel de principais personagens e usar criatividade, raciocínio e atitudes ativas para a produção do conhecimento através da leitura. A utilização das ferramentas tecnológicas por si só não garantirá a aprendizagem dos estudantes e a utilização de instrumentos didáticos, na verdade poderá e deverá estar a serviço do processo de autonomia intelectual na produção de um novo conhecimento. REFERÊNCIAS COSTA. J. M. A leitura na era tecnológica. Jornal Estado de Minas – Caderno D + 06/02/2007. FULGÊNCIO, L.; LIBERATO, Y. Como facilitar a leitura. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2001. LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. Ed 6ª. São Paulo: Ática, 2001. LEVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994. MACHADO, J. R.; TIJIBOY, A.V. Redes Sociais Virtuais: um espaço para efetivação da aprendizagem cooperativa. Novas tecnologias na educação. CINTED-UFRGS, v. 3, nº 1, mai. 2005. MARTELETO, R. M. Análise de Redes Sociais – aplicação nos estudos de transferência da informação. Ci. Inf., Brasília, v. 30, n. 1, p. 71-81, jan./abr. 2001. MARTINS, M. H. O que é leitura. Coleção Primeiros Passos, nº 74. São Paulo: Brasiliense, 2005. MOURA, R. M. A internet na educação: um contributo para a aprendizagem Autodirigida. Inovação, 1998. p.11,177-129. Disponível em: http://rmoura.tripod.com/internetedu.htm. Acesso: 05/10/ 2011. PAULINO, G. Tipos de textos, modos de leitura. Belo Horizonte: Formato, 2001. PILETTI, C. (org). Didática especial. São Paulo: Ática, 2000. Durante a fase de intervenção, percebemos que a internet no campo didático-metodológico é mais do que uma rede comunicação. É uma ferramenta que possibilita a participação em eventos colaborativos, em listas de discussão através da trocas experiências, ou seja, trata-se de uma ferramenta de expressão política e social. TAJRA, S. F. Informática na educação: novas ferramentas pedagógicas para o professor da atualidade. 3. ed. São Paulo: Érica, 2001. 72 73 UGARTE, D. El poder de las redes. Manual ilustrado para personas, colectivos y empresas abocados al ciberactivismo.
  • 38. Prática Pedagógica Renovada Disponível em: http://www.deugarte.com/manual-ilustradopara-ciberactivistas. Acesso em: 01/11/2011. A UTILIZAÇÃO DA MÍDIA IMPRESSA JORNAL NA ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO GOMES, Cléia Aparecida1 SILVA, Luciano Pereira da2 A educação faz um povo fácil de ser liderado; mas difícil de ser dirigido; fácil de ser governado, mas impossível de ser escravizado. Henry Peter INTRODUÇÃO Este artigo apresenta o resultado de uma pesquisa de intervenção pedagógica realizada com uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Foi utilizado como recurso pedagógico a mídia impressa jornal, no intuito de contribuir para o processo de alfabetização e letramento. A partir desta mídia, trabalhou-se com diferentes gêneros textuais e também com desenhos, mapas e fotos, elementos presentes nos jornais. Muitos jovens e adultos têm enfrentado o desafio de começar ou continuar seus estudos, buscando na educação Cursista do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação, através da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Pedagoga da Rede Municipal de Olhos d´Água/MG e professora da Rede Municipal de Bocaiúva/MG. 2 Mestre em Desenvolvimento Social pela Unimontes. Doutorando em Educação pela UFMG. Orientador do Programa de Formação Continuada – Mídias na Educação. 1 74 75
  • 39. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação escolar o processo que lhes foi negado em idade adequada por diferentes razões. Assim, a Educação para Jovens e Adultos, principalmente na fase da alfabetização, deve garantir o acesso ao conhecimento produzido pela humanidade e possibilitar o crescimento do aluno tanto na sua vida escolar como na sua vida social, para que o mesmo exerça plenamente a cidadania. Como constatou o educador Paulo Freire (2000, p.67), “...não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, tornálo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. A alfabetização e o letramento vão além do processo de aquisição do código de leitura e escrita; estar letrado significa atribuir sentido e significado às práticas sociais, fazer o uso do conhecimento adquirido no dia a dia, intervindo e mudando a realidade social. Os alunos da Educação de Jovens e Adultos trazem para a sala de aula suas expectativas, experiências, conhecimentos e dificuldades vivenciados no cotidiano. O educador da EJA deve respeitar e considerar toda essa bagagem de conhecimentos e propor atividades que proporcionem a melhor exploração da capacidade de aprender dos alunos. A mídia impressa jornal pode oportunizar o contato e o estudo com diversos portadores de textos, entendidos como materiais que apresentam algo que possa ser lido. Ao mesmo tempo, pode proporcionar o diálogo, a interação, o contato com notícias da atualidade, da cidade, fatos que são do interesse dos alunos. Dessa forma, possibilitam que os alunos construam o conhecimento e se formam como leitores críticos, questionadores e reflexivos, capazes de intervir na realidade em que estão inseridos. Silva (2007, p.71) afirma que: O ensino com jornais deve almejar sempre as operações complexas do pensamento: analisar, comparar, 76 julgar, sintetizar, produzir pontos de vista, etc. Isto, lembrando que o significado maior da leitura nos dias de hoje, pensando na complexidade da sociedade, é o de melhor qualificar as nossas ações, reações e decisões nas diferentes dimensões da vida. A pesquisa de intervenção pedagógica insere-se no grupo das “pesquisas ativas”, entendida por Chizzotti (2010) como aquelas que, além de conhecer um determinado problema, buscam soluções para o mesmo, pela proposição de ações saneadoras. Assim, a pesquisa também assume uma abordagem qualitativa. Para Maanen (1979), as pesquisas qualitativas têm como prioridade traduzir e expressar o sentido dos fenômenos no mundo social. O projeto foi desenvolvido através da observação direta dos alunos, análise de suas atividades, debates e proposição de trabalhos em grupo e individual. As aulas destinadas à intervenção foram direcionadas para as seguintes tarefas: 1. Exposição de jornais e reflexão sobre as seguintes questões: Quais jornais os alunos conheciam? Por que é importante ler jornais? O que encontramos nos jornais? O que mais gostavam de ler nos jornais? Quais jornais eram produzidos na cidade? 2. Análise de um jornal (Nome, periodicidade, público alvo, dimensões, número de páginas, presença de fotos e charges, propagandas, seções, assuntos tratados, entre outros); 3. Escolha um texto pelos alunos para ser explorado (palavras, letra inicial, frases, rimas, gênero, entre outros); 4. Criação de um jornal mural redigido pelos alunos divididos em equipes. Textos produzidos (convites, receitas, notícias, contos, entrevistas, propagandas, anúncios e poemas). DESENVOLVIMENTO O local da intervenção, a escola Municipal Professora Zeca Calixto, situa-se na zona urbana do município de BocaiúvaMG e funciona em prédio próprio em um bairro da periferia do 77
  • 40. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação município. Atende 683 alunos, oriundos de famílias com pouca escolaridade, filhos de proletários, com situação econômica precária. Constituída em 1995, começou a funcionar no ano seguinte levando aos bairros Nossa Senhora Aparecida, São Geraldo, Novo Horizonte e adjacentes o conforto do ensino próximo. Em 28 de abril de 1998, através da portaria ME 689/98, foi autorizado o início do oferecimento pela escola do Ensino Fundamental. A instituição teve seu nome trocado de Escola Municipal Maria José Batista Calixto, para Escola Municipal Professora Zeca Calixto, homenagem póstuma à professora Zeca Calixto, mãe do ex- prefeito Fernando Calixto. Atualmente, a escola atende as seguintes modalidades de ensino: Ensino Fundamental do 1° ao 9° ano e (Educação de Jovens e Adultos) EJA e (Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica) PROEJA. O primeiro passo da intervenção pedagógica deu-se com a apresentação do projeto, seguida de discussão de seus objetivos com os alunos; simultaneamente, buscou-se averiguar o que os alunos já conheciam dessa mídia e o que eles mais gostavam nela. Através de uma exposição de vários jornais que circulam na cidade, foi feita a exploração dos diversos cadernos e assuntos apresentados em um jornal, visando a percepção e identificação pelos alunos dos diferentes gêneros textuais, características e finalidades de cada seção de um jornal. Os alunos dividiram-se em equipes para produzirem textos de acordo com os seus interesses. Foram elaborados convites, receitas, notícias locais, propagandas, anúncios e poemas. Ao trabalhar com o jornal, além da ação de ler e interpretar, os alunos foram estimulados e tomarem ciência de fatos importantes da comunidade e do país. traziam expressiva experiência de vida, puderam relacionar-se com o mundo escrito de forma profícuo, apesar das dificulddaes de aprendizagem que apresentavam. A cultura escrita diz respeito às ações, valores e procedimentos e instrumentos que constituem o mundo letrado. Esse processo possibilita aos alunos compreenderem os usos sociais da escrita e, pedagogicamente, pode gerar práticas e necessidades de leitura e escrita que darão significados as aprendizagens escolares e aos momentos de sistematização propostos em sala de aula (BRASIL, 2007, p.181). Os adultos semi-analfabetos enxergam a alfabetização como um meio de suprir suas necessidades como: conseguir um trabalho melhor, ler uma placa de rua, ler e assinar um documento, ir ao caixa eletrônico, entre outros. Com isso, direcionam as habilidades de ler e escrever para ações cotidianas que representam a inserção cidadã na sociedade. O aluno somente realizará a leitura efetiva de um texto no momento em que estabelecer relações além da apreensão do significado das letras e palavras. Por isso, o professor deve proporcionar momentos de reflexão que ultrapassem o simples reconhecimento das palavras e sua repetição mecânica. Silva (1997, p.80) afirma que: O leitor criativo procura sempre superar-se no momento da leitura, isto é, a leitura fornece ao sujeito uma nova capacidade de se compreender, oferecendo-lhe uma nova maneira de ser no mundo pelo qual ele se engrandece, ou seja, encontra novas formas de existir e conviver socialmente [...] utiliza imaginativamente as informações conseguidas pelo trabalho de sua consciência [...] ele especula sob vários ângulos, antecipa conseqüências, reembaralha os novos elementos dentro da sua estrutura cognitiva e de mundo. Foi muito prazeroso desenvolver a intervenção, pois podese presenciar ricos momentos de discussões, em que os alunos que As atividades de leitura podem ser realizadas por meio de debates, análises e reflexões sobre o significado mais amplo das palavras, sua expressão social, para que o aluno construa seu 78 79
  • 41. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação conhecimento de forma prática. Para isso, faz-se necessário o trabalho com a diversidade textual, característica presente nos jornais. Segundo Faria (2001), como rico instrumento, o jornal pode ser encarado como: • Fonte primária de informação, pois, com um aprofundamento e busca de novas informações, um conhecimento inovador pode ser gerado a partir do jornal; •Formador do cidadão, auxiliando a desvendar o que ocorre no dia a dia, revelando situações que ajudam a formação integral, com informações sobre os direitos e deveres dos cidadãos; •Auxiliar na formação geral do estudante, como um apoio de conteúdo, que pode estar mais atualizado do que no livro didático; •Um exercício de padrão de idioma, já que é utilizada uma linguagem coloquial, que pode ser aproveitada no cotidiano; •Texto autêntico: lê-se diretamente do escritor, sem haver outra pessoa traduzindo ou comentando o que foi publicado; •Registro da história corrente, pois os acontecimentos ficam perpetuados com a publicação no jornal. No seminário “O professor e a leitura de jornal”, Lozza (2002, p 1) afirma que: Se o jornal apresenta uma determinada interpretação da realidade, o leitor, ao lê-lo criticamente deverá interpretar a interpretação do jornal. Essa critica se constrói mediante o exercício da própria crítica. E não surge já na forma de uma avaliação já criteriosa, científica, fundamentada. À medida que os alunos analisam, comparam, dão sua opinião, escolhem (de acordo com seus próprios critérios)..., eles estão aprendendo a criticar. A partir dessas colocações, percebe-se que o jornal é um excelente recurso didático que proporciona muitas atividades, mediando de forma rica o acesso à cultura escrita. Ao referenciar80 se sempre em situações do cotidiano, o jornal estimula o letramento, estimulando o uso social da escrita. Sobre o significado amplo do ato de conhecer, informa Moran (2004, p.25): Conhecer é relacionar, integrar, contextualizar, fazer nosso o que vem de fora. Conhecer é saber, é desvendar, é ir além da superfície, do previsível, da exterioridade. Conhecer é aprofundar os níveis de descoberta, é penetrar mais fundo nas coisas, na realidade, no nosso interior. Conhecer é conseguir chegar ao nível da sabedoria, da integração total, da percepção da grande síntese, que se consegue ao comunicar-se com uma nova visão de mundo, das pessoas e com o mergulho profundo no nosso eu. O conhecimento se dá no processo rico de integração externo e interno. Pela comunicação aberta e confiante desenvolvemos contínuos e inesgotáveis processos de aprofundamento dos níveis de conhecimento pessoal, comunitário e social. Nesta abordagem, percebe-se que o jornal é mais do que uma fonte de informações; se bem trabalhado pedagogicamente, pode contribuir para que o aluno passe a ser um questionador crítico e, com isso, inserido em um processo de constante aprendizagem. O professor alfabetizador da Educação de Jovens e Adultos deve ser dinâmico, desenvolvendo metodologias que retratem a realidade social, que envolvam a interpretação das representações de mundo do alfabetizando e o conhecimento de suas expectativas. As atuais concepções de educação visam a formação integral do educando e pressupõem a alfabetização e o letramento como indissociáveis. No caso específico da EJA, trabalhar com tais concepções configura-se como um desafio, pois muitos jovens e adultos inseridos nesse segmento do ensino sabem decodificar os códigos, mas não interpretam o que lêem. O jornal possibilita e facilita a mediação entre alfabetizar e letrar, pois a mídia impressa jornal traz textos de diversos 81
  • 42. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação gêneros que focam os problemas cotidianos, informações atuais através de charges, receitas, entrevistas e outros tipos de textos que podem cativar o leitor. É uma fonte valorizada para pesquisa e obtenção de informações sobre o mundo atual, e deve estar presente em sala de aula desde o início do processo de alfabetização, despertando o interesse dos alunos pela leitura. jornal configura-se como uma importante ferramenta pedagógica. Durante a intervenção realizada com a turma da EJA, observou-se o relevante processo de ampliação do acesso dos alunos à cultura escrita, ou às “culturas escritas”. Tal termo, usado no plural, indica o fato de que a inserção dos indivíduos no mundo da leitura e da escrita não é homogênea e pode dar-se de diversas formas. Para Galvão (2007, p. 39), “...o uso de verbos tais como ‘apropriar-se da’, ‘relacionar-se com’ em lugar de ‘inserir-se na’, ‘entrar na’ ou ‘ter acesso à(s)’ cultura(s) escrita(s) está relacionado com a tentativa de explicitar o papel ativo dos sujeitos e dos grupos sociais nesse processo”. Neste ínterim, ressalta-se que o uso da mídia impressa jornal como ferramenta pedagógica pode desempenhar com sucesso a necessária mediação entre o educando e o mundo das palavras, para que o aluno estava apto para, de fato, usar socialmente a escrita e a leitura. Através da abordagem de diferentes gêneros textuais presentes nos jornais constatou-se a riqueza destas publicações para a ampliação da apropriação dos indivíduos das “culturas do escrito”, desafio que deve ser enfrentado por aqueles que acreditam que o acesso à educação escolarizada é direito de todos. CONSIDERAÇÕES FINAIS HIZZOTTI, Antonio. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2010. A Educação de Jovens e Adultos ocupa papel preponderante nas ações que visam a garantiam da cidadania pela via do incremento da participação social. Alfabetizar-se e letrar-se são, via de regra, requisitos essenciais para a efetiva integração do indivíduo na sociedade. Entretanto, tal modalidade de ensino (EJA) enfrenta diversos obstáculos, como a falta de investimentos governamentais, a insuficiente qualificação de muitos profissionais que nela atuam, a escassez de materiais específicos para este segmento da educação e a falta de estímulo dos alunos diante do processo educativo. O uso de materiais alternativos pode combater os dois últimos obstáculos apontados. Neste contexto, a mídia impressa 82 Na intervenção realizada, percebeu-se o incremento do interesse dos alunos pelo processo educativo pelo fato dos jornais trazerem o cotidiano para a sala de aula. Assim, foi estimulada uma postura crítica que respeitou a trajetória de vida dos alunos e valorizou a ampla experiência de cada um. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Pró Letramento. Secretaria de Educação Básica. Universidade Federal de Minas Gerais. Brasília, 2007. FARIA, Maria Alice. Como usar o jornal na sala de aula. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2001. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000. GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Oralidade, memória e narrativa: elementos para a construçãode uma história da cultura escrita. In: GALVÃO (et al.). História da cultura escrita: séculos XIX e XX. Edição. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. p. 9-46. LOZZA, Carmem. Jornal: um recurso didático portador de 83
  • 43. Prática Pedagógica Renovada permanências e Contrastes. 1º Seminário Nacional “O Professor e a Leitura do Jornal”. Campinas, julho 2002. MAANEN, John Van. Reclaiming qualitative methods for organizations research. A preface. Administrative Science Quaterly, v. 24, n. 4, p. 520-526, December, 1979. MORAN, José Manuel. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 8. Ed. Campinas: Papirus, 2004. SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura e Realidade Brasileira. 5.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997. ______________. O jornal na vida do professor e no trabalho docente. São Paulo: Global, Campinas, SP: ALB, 2007. OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS E ESTATÍSTICA NO ÂMBITO DAS QUESTÕES AMBIENTAIS: INTERVENÇÃO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS INÁCIO, Márcia Beatriz¹ BARBOSA, Janaina Maria Lima² INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta o desenvolvimento de uma intervenção feita com o uso das mídias computador e conta de água dentro do contexto escolar na área de Matemática com foco nas questões relativas ao meio ambiente na E. E. Dr. Odilon Loures, no 1º Período da Educação de Jovens e Adultos – EJA fundamental (6º ano), no intuito de desenvolver habilidades matemáticas em operações fundamentais e em estatística a partir de situações práticas e cotidianas. Nesse contexto foram trabalhadas as questões de resolução de problemas, análise e interpretação de dados estatísticos aliados à conscientização quanto ao consumo da água nas residências dos alunos. A mídia impressa conta de água foi escolhida por estar presente no dia-a-dia dos alunos envolvidos no projeto, como forma de unir o conteúdo a ser trabalhado com as situações práticas, despertando sensibilidade quanto ao consumo e uso adequado da água. Já o computador foi escolhido como forma de ampliar os conhecimentos, produzir resultados, permitir a inclusão tecnológica (digital), bem como incentivar e motivar na realização das atividades. 84 85
  • 44. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação O objetivo desse trabalho foi amenizar as dificuldades existentes em Matemática através do envolvimento da turma nas questões do dia-a-dia, procurando despertar o interesse e a aquisição dos conhecimentos vistos em sala de aula, tendo como metodologia adotada o trabalho em grupo, com resolução e formulação de problemas, análises e interpretações de gráficos construídos no computador. DESENVOLVIMENTO Atualmente, no sistema educacional, é grande a preocupação em oferecer um ensino de qualidade que tenha significado na vida daqueles que nele ingressam. E é na busca de novas práticas que a escola tenta aliar o que é visto em sala de aula com o que é vivido, cotidianamente, pelos alunos. Nesse sentido, o trabalho envolvendo os temas transversais, especificamente os ambientais, pode gerar bons resultados na área educacional, já que, “...com a educação ambiental, o papel de alunos e professores são redimensionados, envolvendo uma relação dialógica em que ambos aprendem” (TEIXEIRA, 2009,p.69). O trabalho envolvendo os temas ambientais pode ser associado a várias disciplinas do currículo escolar, dentre elas a Matemática, na tomada de decisões e também na interpretação de informações. Segundo Dante, [...]a oportunidade de usar os conceitos matemáticos no seu dia-a-dia favorece o desenvolvimento de uma ati-tude positiva do aluno em relação à Matemática. Não basta saber fazer mecanicamente as operações de adição, subtração, multiplicação e divisão. É preciso saber como e quando usá-las convenientemente na res-olução de situações-problema (1998, p.13). Desta forma, os conteúdos trabalhados não ficam resumidos de solucionar problemas concretos em que se faça necessária a utilização de conhecimentos específicos e elementares, próprios do conteúdo. Assim, de forma prática, os conteúdos vistos em sala de aula se aproximam mais do real, despertando no aprendiz a percepção de sua necessidade e aplicabilidade nas formas simples ou mais complexas. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, (1998, p. 42) de Matemática podemos encontrar a informação de que Resolver um problema não se resume em compreender o que foi proposto e em dar respostas aplicando procedimentos adequados. Aprender a dar uma resposta correta, que tenha sentido, pode ser suficiente para que ela seja aceita e até seja convincente, mas não é garantia de apropriação do conhecimento envolvido. Além disso, é necessário desenvolver habilidades que permitam pôr à prova os resultados, testar seus efeitos, comparar diferentes caminhos, para obter a solução. Nessa forma de trabalho, o valor da resposta correta cede lugar ao valor do processo de resolução. A Matemática deve visar a valorização de todo o processo de construção do conhecimento, seja no que se refere ao estudo das operações fundamentais até as formas mais complexas de seu uso. questão ambiental também fortalece o trabalho com A a escrita, a identificação e análise de informações presentes em diferentes tipos e gêneros textuais podendo levar o aluno à compreensão de diversos fatores que evidenciam uma tomada de decisões a respeito desse tema. A mídia impressa, nesse sentido, atua de forma relevante dentro do universo escolar fortalecendo a prática da leitura e da escrita. Na procura por um trabalho que empregue novas mídias no contexto escolar, algo que possibilite um novo olhar sobre aquilo que é desenvolvido, o computador se torna um recurso viável que com o devido planejamento se torna útil nas ações recorrentes. ao simples ato operacional, ao cálculo puro, mas sim, à forma 86 87
  • 45. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Nessa perspectiva, deve-se ter em mente que “o computador para ser efetivo no processo de desenvolvimento da capacidade de criar e pensar não pode ser inserido como uma simples máquina de ensinar” (VALENTE, 1998, p.35), pois é preciso um planejamento eficaz que possa fazer com que esse instrumento seja verdadeiramente útil na aquisição de novos saberes, buscando uma mudança de olhares pelos alunos que vão percebê-lo como objeto de estudo e mecanismo de aprendizagem, e pelos professores que buscarão, a partir da utilização da máquina, conduzir a novos saberes. De acordo com Zambalde, “a capacidade do professor para desenvolver, selecionar e expor programas adequados ao contexto específico é que dará a devida dimensão ao uso dos computadores na educação convencional e técnica” (2002, p.63). Cabe ao professor planejar com cuidado a forma como se dará o trabalho mediante o uso do computador de maneira que possa extrair dele todo o seu potencial, identificar qual a melhor metodologia a ser empregada e quais os objetivos que serão traçados a partir das atividades a serem propostas e que estas sejam dinâmicas, inovadoras e motivadoras. atividades desenvolvidas no decorrer da intervenção As seguiram as etapas apresentadas a seguir. 1ª etapa: Introdução do tema. Para introdução do tema foi trabalhado um pequeno texto para reflexão sobre o crescimento da população mundial e a possível ameaça da falta de água no mundo. Esse texto serviu de base para um debate rápido sobre a forma como esse recurso é utilizado, a importância do seu consumo e a necessidade de combate ao desperdício. Os alunos, após terem lido o texto e debatido sobre o mesmo, foram levados a responder algumas perguntas sobre o consumo de água em suas residências e as possíveis causas de desperdício. Na ocasião foi pedido aos 88 alunos que levassem para a sala de aula contas de água, de sua residência, dos últimos doze meses. 2ª etapa: Análise das contas de água e cálculo da média. Na aula seguinte com os alunos munidos de suas contas foi possível analisar os dados apresentados na conta do último mês, levantando as informações ali contidas. As informações foram anotadas em uma tabela e, após esse registro, os alunos foram conduzidos a identificar os dados mais importantes. Muitos alunos disseram não ter percebido antes a importância e significado de tantas informações e de que forma essas poderiam ser motivo de mudanças de postura em relação ao consumo de água em suas residências. Ainda nesse contexto os alunos foram levados a calcular a média de consumo gasto por pessoa em cada residência, trabalhando assim o cálculo da divisão com arredondamento e estimativa de gasto por pessoa durante um ano. 3ª etapa: M³, quantos litros são? percepção da real quantidade de água consumida por A cada aluno se tornou necessária e o trabalho com a transformação de metros cúbicos para litros e de litros para metros cúbicos foi realizado, permitindo assim o desenvolvimento das habilidades matemáticas em operações fundamentais, desta vez, com a multiplicação e a divisão. Nesse caminho foram trabalhados alguns problemas relacionados ao tema permitindo assim maior clareza e aproximação com situações reais. Nesta etapa os alunos tiveram que preencher uma tabela onde apresentaram uma estimativa de cálculo do consumo de água nas atividades do dia-a-dia estimando o tempo utilizado em cada atividade, identificando a necessidade do consumo e apresentando sugestões para a economia. Ainda nesta etapa foi pedida aos alunos a realização de uma pesquisa sobre dicas de economia no consumo da água. 89
  • 46. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação 4ª etapa: Resolução de problemas. Os alunos, em atividades individuais e em grupo, foram levados a resolver problemas relacionados ao tema estudado, desenvolvendo habilidades nas operações matemáticas fundamentais. Foi necessário calcular médias, estimar gastos, calcular o consumo em períodos determinados, realizar transformações de unidades de medida e fazer representação gráfica. Alguns problemas foram propostos e outros foram elaborados pelos próprios alunos em grupo a partir de situações reais e suposições. 5ª etapa: Produzindo material gráfico. A quinta etapa consistiu no estudo de gráficos, principais elementos e formas de apresentação, e na construção pelos alunos a partir dos dados contidos em suas contas de água. As atividades foram feitas em grupo e cada integrante da equipe pode trocar ideias e vencer dificuldades. 6ª etapa: Sala de Informática. Após todo o processo de reflexão sobre o tema, da resolução de problemas, dos cálculos matemáticos, da construção de tabelas e gráficos os alunos foram conduzidos à sala de informática. Nesse ambiente puderam ter contato com os computadores, tendo uma visão geral sobre seus componentes e funções. A partir desse contato puderam conhecer um pouco do programa Calc, software do sistema operacional Linux, específico para construção de tabelas e gráficos. Na sala de informática o ambiente era de contentamento e satisfação por permitir a aquisição de novos conhecimentos e a inclusão no meio digital (Figura 2). Os alunos perceberam a importância do computador no estudo realizado, sua praticidade e precisão com base nas informações que eram prestadas por eles. Esta etapa durou cerca de três aulas e todo o material produzido foi reservado para posterior exposição. Primeiramente, essa construção foi feita com uso de materiais como papel, régua, lápis de cor, dentre outros (Figura 1). Os gráficos produzidos proporcionaram maior visibilidade das informações contidas nas contas e a análise mais rápida do consumo, bem como a identificação dos meses em que houve maior e menor consumo. Os mesmos foram reservados para posterior exposição. FIGURA 2: Construção de gráficos no Calc, software do sistema operacional Linux. FONTE: Arquivo pessoal (2011) 7ª etapa: Produção de cartazes. FIGURA 1: Construindo gráficos FONTE: Arquivo pessoal (2011) 90 Utilizando os dados da pesquisa pedida anteriormente sobre dicas de economia no consumo da água (4ª etapa) os alunos, em grupo, produziram material para ser exposto em sala (figura 3). Juntos, com a utilização de papéis, tesoura, cola, lápis de cor, giz de cera, régua, canetinha e outros, confeccionaram cartazes 91
  • 47. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação contendo dicas e sugestões. O trabalho foi dividido de acordo com a habilidade de cada um. FIGURA 3: Dicas de economia FONTE: Arquivo pessoal (2011) 8ª etapa: Confecção de mural. Com todo o material produzido em mãos a turma foi incentivada à confecção de um mural, dentro da própria sala de aula. Juntos decidiram como seria feito esse mural e em que ordem deveriam ser apresentados. Neste mural foram expostos as contas de água, gráficos de cada residência feitos à mão, cartazes com dicas e sugestões contra o desperdício da água em diversas situações, fórmula para o cálculo da média e tabelas e gráficos produzidos no computador. 9ª etapa: Exposição. Com o mural pronto os alunos convidaram as outras turmas da escola, direção e funcionários para que pudessem apreciar o resultado do trabalho desenvolvido (Figura 4). Nesta fase os alunos revelaram satisfação ao serem parabenizados pelos visitantes e o interesse de desenvolver outros projetos. que tinham obtido sobre o tema tratado. FIGURA 4: Exposição dos trabalhos. FONTE: Arquivo pessoal (2011) CONSIDERAÇÕES FINAIS Os recursos didáticos escolhidos e o tema trabalhado abrangendo vários conteúdos se mostraram eficazes e fizeram com que o projeto alcançasse resultados positivos, possibilitando uma mudança de postura por parte dos alunos em relação às atividades que realizam cotidianamente, seja quanto ao consumo consciente da água, a interpretação de dados estatísticos ou até mesmo quanto à habilidade matemática em resolver problemas com o uso das operações fundamentais. Por isso, é preciso afirmar que é possível, de forma bem pensada e planejada, desenvolver ações que busquem colocar o aluno como foco do processo ensino-aprendizagem, levando-o a se tornar mais crítico, participativo e atuante na sociedade em que vive. A iniciativa em convidar alunos de outras turmas para apreciação dos trabalhos foi um fator muito positivo já que os alunos participantes do projeto demonstraram interesse e preocupação em passar aos demais estudantes as informações 92 93
  • 48. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação SADOVSKY, Patrícia. O ensino da Matemática hoje: enfoques, sentidos e desafios. São Paulo, Ática, 2010. REFERÊNCIAS BARROS, Maria de Lourdes Teixeira. Educação Ambiental no cotidiano da sala de aula: um percurso pelos anos iniciais. Rio de Janeiro, 2009. SOEK, Ana Maria; WEIGERS, Cristine; DACORSO, Jane Grazia; BARBOSA, Liane M. Vargas e HARACEMIV, Sônia. Mediação Pedagógica na Educação de Jovens e Adultos: Ciências da Natureza e Matemática. Curitiba, Ed. Positivo, 2009. CANEN, Ana. Avaliação diagnóstica: rumo à escola democrática, in Ensino fundamental. Série de estudos-Educação a Distância. MEC/Seed, 1999. ZAMBALDE, André Luiz ALVES, Rêmulo Maia. Introdução à Informática Educativa. Lavras:UFLA/FAEP, 2002. DANTE, Luiz Roberto. Formulação e resolução de problemas de Matemática: teoria e prática. São Paulo: Ática, 2010. ___________. Didática da resolução de problemas Matemática. São Paulo: Ática, 10ª edição, 1998. de DUARTE, Newton. O ensino de Matemática na educação de adultos. 11ª edição, São Paulo, Ed. Cortez, 2009. KRASILCHIK, Myriam MARANDINO, Martha. Ensino de Ciências e cidadania. São Paulo: Moderna, 2007. LOCH, Jussara Margareth de Paula, BINS, Katiuscha Lara Genro; CHRISTOFOLI, Maria Conceição Pillon; VITÓRIA, Maria Inês Corte; MORAES, Salete Campos e HUERGA, Susana. EJA: planejamento, metodologias e avaliação. Porto Alegre, Ed. Mediação, 2009. LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 5ª edição, 1997. MONTEIRO, Alexandrina e JUNIOR, Geraldo Pompeu. A Matemática e os temas transversais. São Paulo, Ed. Moderna, 2001. MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 4ª edição, São Paulo, Ed. Papirus, 2000. PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional: os pensadores. 12. ed., São Paulo: Ática,1985. 94 95
  • 49. RÁDIO WEB: ESTAÇÃO CIDADANIA EDUCATIVA NA ESCOLA MUNICIPAL JASON CAETANO Maria Levimar Viana Tupinambá1 Priscilla Caires Santana Afonso2 Introdução Na era da globalização das economias mundiais, onde estão disponíveis tecnologias cada vez mais modernas nos lares brasileiros e que aguçam nossos jovens a estarem conectados a aparelhos sofisticados, modificando hábitos e despertando novos interesses, faz-se necessário que a escola, busque novos recursos didáticos para despertar a curiosidade dos alunos que têm por conseqüência novas necessidades. As tecnologias midiáticas vêm possibilitar a construção de uma malha de conexão entre áreas do conhecimento distintas e ao mesmo tempo complementares, permitindo que a sociedade vivencie novas experiências para obter o conhecimento. A mídia sonora pode se tornar um importante recurso didático nesse “jogo”, principalmente se considerarmos a necessidade contemporânea de se desenvolver linguagens diferenciadas, arrojadas e diversificadas que devem ser utilizadas em momentos distintos da vida social do educando. A rádio 1Cursista do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação, através da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. 2 Professora Orientadora do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Mídias na Educação da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Mestre em Geografia pela UFU. Doutoranda. 97
  • 50. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação escolar pode contribuir para um trabalho eficaz e que envolva toda a comunidade. professora e atividades avaliativas que puderam balizar a análise sobre a melhoria da aprendizagem dos alunos. Uma prática pedagógica comprometida com a inclusão de todos os alunos, aflorando competências e habilidades relevantes para o processo de construção de uma educação de qualidade, potencializando assim, leituras plurais dos diversos saberes, praticando o exercício pleno da cidadania é o dever da escola. Quanto à implantação propriamente dita da Rádio Web, toda a programação radiofônica foi elaborada com a ajuda dos professores das diversas áreas do conhecimento e com a participação dos alunos. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, as escolas são responsáveis pela formação integral de crianças, adolescentes e jovens; e suas defasagens devem ser solucionadas por meio de diferentes ações. Entretanto, a Escola Municipal Jason Caetano não obteve um bom desempenho na Provinha Brasil no ano de 2011. Acreditamos que o motivo para isso, além dos já elencados, são os vários problemas vivenciados pela comunidade como a prostituição infantil, o uso de drogas e outros “atrativos” que acabam por comprometer o aprendizado desses alunos. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho é estudar como a rádio escolar implantada na Escola Municipal Jason Caetano viabilizou a melhoria da qualidade do ensino-aprendizagem dos alunos. Entendemos que a rádio é um recurso didático inovador onde os professores podem trabalhar os diversos aspectos do desenvolvimento cognitivo, intelectual, psicológico, afetivo e físico dos educandos, ou seja, as múltiplas inteligências. Nossa prática enquanto professora de Geografia da referida escola nos levou a coordenação de tal projeto e assim pudemos vivenciar de forma plena o processo, como coordenadora e em sala de aula. Implantar uma rádio na escola não é tarefa fácil, uma vez que requer não só habilidade, mas recursos financeiros, o que geralmente torna-se uma limitação. Mas implantar uma Rádio Web, pelo fato da escola já ter em mãos os principais equipamentos necessários para o seu bom funcionamento, tornou-se viável como discutiremos a seguir. A RÁDIO WEB COMO RECURSO MIDIÁTICO DE EDUCAÇÃO Em pleno século XXI, a educação não pode ficar presa entre muros, sem se integrar às novas tecnologias que vem alcançando cada vez mais o cotidiano dos educandos, transmitindo uma diversidade de informações, que permeiam todos os espaços no mundo inteiro. A escola tem um papel de fundamental importância, que vai muito além do “transmitir conhecimentos”, pois o grande desafio que lhe é proposto é a formação de cidadãos capazes de transformar e construir o conhecimento, em prol de sua cidadania e um sujeito apto a atuar no mercado de trabalho capitalista. A metodologia utilizada para atingir essa meta foi baseada em pesquisa diagnóstica, que buscou identificar o interesse dos alunos sobre a mídia rádio, e bibliográfica, que permeou toda a intervenção com o intuito de direcionar o trabalho prático e de análise dos dados. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com os alunos do 8º e 9º ano, turmas das quais atuamos como Desta forma, a escola não pode se eximir deste contexto e nem desconsiderar ou negar a presença das mídias no cotidiano dos alunos, porque todo esse aparato tecnológico, já está embutido em seu dia-a-dia e faz parte do mundo escolar. Todos vivem e convivem numa sociedade movida pela informação, essa é a sociedade do mundo globalizado. Segundo Santos (2001, p. 29). “Este período [Século XXI] dispõe de um sistema unificado de técnicas, instalando sobre um planeta informado e permitindo ações igualmente globais”. 98 99
  • 51. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Ao abordar o autor devemos citar as redes sociais, os recursos tecnológicos e as informações produzidas e dissipadas em grande escala e velocidade, porém essas são controladas por pequenos grupos de forma inteligente, degradando as políticas públicas e deixando a sociedade em segundo plano. Esse é o mundo onde o capitalista enfraquece a democracia social em prol de seus interesses. É exatamente por isso que é necessário discutir a sociedade moderna e suas novas formas de produção (inclusive de ideologias) e assim adotarmos caminhos que realmente possam fazer parte da construção de uma nova história, onde os alunos do ensino básico e público possam fazer realmente parte dela. Nesse sentido, as tecnologias estão ao nosso favor se pudermos, com seu auxílio, produzir sujeitos pensantes capazes de refletir criticamente através de um olhar holístico para nossa época. A escola é mediada por essa rapidez da informação e tecnologia que partem de nosso meio social (espaço imediato, lugar) para patamares globalizantes (espaço global). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, através da Lei n. 9.394/86 e os Novos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s incluem os meios de comunicação social no espaço escolar, propondo ao educador, trabalhá-los interdisciplinarmente. No processo de ensino-aprendizagem, o rádio tornase um elemento potencializador que contribui para adquirir conhecimentos através de novos formatos e linguagens, proporcionando possibilidades na construção de alternativas para os problemas vivenciados pelas escolas e ampliando sua capacidade de proporcionar uma educação de qualidade, pois, ao nosso ver comparado aos aparatos e a outras mídias eletrônicas, o rádio é um instrumento mais dinâmico, atraente, sedutor e rápido do que a dinâmica escolar. Segundo Freire (1988) a educação e a comunicação devem 100 ser trabalhadas através do diálogo. Sob esse aspecto estas não são vistas apenas como a transferência de saber, mas, como um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados. Entendemos que no ambiente escolar, a rádio pode agir como difusor da cultura local, se tornando um forte aliado no processo de formação dos educandos. Esse pode ter ainda, um papel importante no desenvolvimento das múltiplas inteligências do educando, uma vez que desenvolve a sua linguagem e a escrita, desinibi a fala, rompe as barreiras das limitações dos alunos, extrapola sua imaginação e criatividade e contribui para a socialização no ambiente escolar. Acreditamos que a Rádio Web pode abrir novas possibilidades de diálogo entre a comunidade escolar, ou seja, entre alunos, pais, professores e direção. Nesse contexto, todos têm o direito à voz ativa, sem um centro emissivo que dita uniformizações para uma recepção passiva. Esta é uma comunicação que envolve a cultura popular e regional, fundada na bi-direcionalidade, na intervenção da mensagem, com uma comunicação interativa. A partir do tópico seguinte, discutiremos a realidade da Escola Municipal Jason Caetano. A RÁDIO WEB DA ESCOLA MUNICIPAL JASON CAETANO A Escola Municipal Jason Caetano, situada na Avenida Lauro Dias De Sá 369 no Bairro Santo Antônio, foi fundada em 1973. É uma instituição mantida pela Prefeitura Municipal de Montes Claros com corpo docente composto por profissionais concursados e designados em áreas específicas, além de diretor e supervisores pedagógicos e outros funcionários do corpo administrativo. A instituição abrange dois níveis de ensino, Fundamental do 6° ao 9º ano (Educação de Jovens e Adultos – EJA) e Médio. A clientela atendida nessa escola é em sua maioria de baixa e média renda familiar, sendo oriundas do próprio bairro e adjacências. 101
  • 52. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação A população atendida pela escola enfrenta diversas dificuldades, sendo recorrentes os problemas com as drogas, a prostituição infantil, além da falta de alimentação adequada. Tudo isso, reflete no aprendizado dos alunos. De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB (índice que varia de 0 a 10), a escola apresentou um indicador de 3.7, quando a meta esperada era de 4.1. Esse é um número que reflete o nível insatisfatório de aprendizado entre os alunos. Por esse motivo, foi necessário que a comunidade escolar buscasse alternativas para sanar esse problema. Em contrapartida, foi proposto pelo Governo Federal e pela Rede Municipal de Ensino, a criação do Programa Mais Educação na escola como uma forma de intervenção pedagógica a fim de resgatar a educação de qualidade e prazerosa aos olhos dos alunos. O serviço pedagógico se reuniu então, com toda a comunidade escolar, para analisar e demonstrar os dados do IDEB e comparou resultados de toda rede municipal e do Estado de Minas Gerais. Ficou claro para todos que era necessário implantar a proposta do Governo, mas que sozinha essa não seria suficiente. Era necessário fosse criada uma intervenção pedagógica eficiente que chamasse a atenção dos alunos. Foi aliada então a necessidade do curso de Pós-Graduação em Mídias na Educação às necessidades da escola, e foi sugerida a criação de uma rádio escolar, mas nos deparamos com diversos questionamentos quanto a origem da verba para a compra do equipamento. Então, sugerimos a implantação de uma Rádio Web, solução menos dispendiosa. Embora a maioria dos colegas não conhecesse esse tipo de rádio, aplaudiram e aceitaram o desafio. A Supervisora, responsável pela parte pedagógica do projeto Mais Educação, solicitou-nos que ficássemos a frente do trabalho e articulasse então todo o processo. O próximo passo dado foi à aplicação da pesquisa 102 diagnóstica, para saber como a proposta seria recebida pelos alunos e apontar os principais pontos a serem trabalhados pela rádio. Foram distribuímos 200 questionários aos 800 alunos da escola (turnos vespertino e matutino). Entretanto, 40 destes não os responderam. Outros 20 acharam que a idéia era sem fundamento e 140 alunos gostaram e aprovaram-na. Nossa experiência enquanto professora de Geografia em sete turmas, sendo duas do 8º ano e cinco do 9º ano, nos ajudou na elaboração do projeto de intervenção que atendesse a essa realidade específica. Com o planejamento pronto (projeto), este foi levado para apreciação e aprovação dos professores, supervisores e direção e foi aprovado por unanimidade. O mesmo foi incluído no Projeto Político Pedagógico - PPP da escola em reunião colegiada. Só então foi criada a rádio, no mês de outubro de 2011, após dois meses de pesquisas, estudos e planejamento. Os professores de História sugeriram a realização de um concurso para escolha do nome da rádio e ficaram responsáveis por essa parte do trabalho. A rádio recebeu o nome de: “Rádio Web: estação cidadania educativa”. A direção da escola tratou de adquirir alguns equipamentos, como uma mesa de som de oito canais e um amplificador híbrido, com microfone que foi instalado na secretaria da escola para obter maior segurança em relação ao manuseio do equipamento. Foram compradas, ainda quatro caixas médias de som que foram instaladas no pátio da escola. Através de um fio o equipamento foi conectado aos computadores do laboratório e da secretaria. O recurso para compra desse material foi cedido pelo caixa escolar da escola, após aprovação em reunião do colegiado. A próxima etapa deste trabalho constou do desenvolvimento de pesquisas com os alunos, sempre supervisionados pelos professores de informática e de Inglês, onde foi feito um levantamento sobre as rádios web’s já existentes. Os alunos as ouviram-nas, avaliaram-nas e selecionaram as melhores experiências para servirem 103
  • 53. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação de inspiração na criação da programação dessa Rádio Web que nascia. Baixar na internet um programa de software livre, ou seja, que fosse gratuito foi o próximo passo. Então foi feita uma pesquisa no Google de forma a identificar como criar uma Radio Web gratuita. Foi escolhido um programa de fácil instalação, pois para criar o programa da radio, não é necessário a utilização de um aplicativo para realizar as gravações e edições. Finalmente, a rádio foi criada, e havia chegado à hora de gravar o programa propriamente dito. Então foram reunidos professores e alunos que juntos, desenvolveram a programação radiofônica para ser transmitida nas caixas acústicas através dos scripts. Alguns erros ocorreram, no inicio a rádio só falava no interior da escola, até descobrirmos que seria necessário ter um aplicativo de edição onde pudéssemos pausar e eliminar erros ou as partes desnecessárias. Foi importante utilizar canais diferentes e gravar o programa em camadas, forma muito similar a edição de imagens, pois os alunos não estariam ali o tempo todo para monitorar a rádio. Foi utilizado o serviço de transmissão de sons e vídeos através de Streaming de forma que nossa programação ficou disponível para outros computadores, o que promoveu grande entusiasmo entre os alunos. Para isso foi necessário nos cadastrar no site, através da confirmação do e-mail. Enquanto professora de Geografia, levamos os alunos diversas vezes ao laboratório, para realizarem pesquisas sobre temas geográficos como: a globalização da economia mundial, capitalismo x socialismo, a industrialização na contemporaneidade, o apartheid vivido pela África do Sul, as cotas nas universidades, os quilombolas, a miscigenação do povo brasileiro e a lei que instituiu o dia da consciência negra em nosso país, entre outros. Todas essas temáticas foram discutidas e debatidas em sala de aula, gerando a construção de textos, e 104 com a ajuda dos professores de Português esses eram corrigidos. Em seguida eram escolhidos os melhores para participarem do momento reflexivo na Radio Web. Os professores de Ciências trabalharam textos sobre temas como vegetação, meio ambiente e ecologia em geral, alem dos desastres ecológicos provocados pelo homem. Os de Português trabalharam poemas e parodias com os alunos relacionados com temas geográficos e ajudaram na elaboração da programação radiofônica utilizando uma diversidade de linguagens. Outro ponto interessante a ser abordado é a mudança no cotidiano dos alunos. No início das aulas, a cada dia, todos os alunos se dirigiam para o pátio da escola, para participarem de um momento cívico e de oração. Nesse momento, em dupla, esses ficavam responsáveis pela programação da rádio naquele dia, representando sua turma. Com o passar do tempo foi criado um jingle que dizia: “Essa é a minha, é a sua, é a nossa rádio web estação cidadania educativa do Jason Caetano que trás para você e sua família não só músicas, mas informações educativas e entretenimento”. Em seguida, o serviço pedagógico se encarregava de noticiar avisos importantes para toda a escola. Com o inicio das aulas era finalizada a programação. Já na hora do recreio, além de campeonatos de leituras de textos e paródias elaborados pelos alunos, eram feitas gincanas ou jogos educativos criados em sala de aula com ajuda dos professores de artes. Os alunos montaram ainda, peças teatrais para apresentarem com a ajuda da radio nesse momento do dia. O recreio terminava ao som do jingle da rádio, determinando que os alunos retornassem para a sala de aula. Tudo isso, foi estipulado pelos alunos com o direcionamento dos professores. A interconexão com as mídias pode conduzir o educando a produzir e adquirir um conhecimento mais elaborado, segundo depoimentos de professores, contribuiu para a desinibição daqueles que não eram sociabilizáveis. Contribuiu também, para ampliar o 105
  • 54. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação vocabulário dos alunos que antes falavam apenas gírias melhorando consideravelmente a leitura e escrita, além de trabalhar a disciplina dos mesmos. Entendemos que esse meio de comunicação social constituiu uma segunda escola, uma escola paralela à convencional, com sua linguagem subliminar que encantou, atraiu e prendeu a atenção do alunado, produzindo e reproduzindo linguagem e cultura, possibilitando ao professor o conhecimento de outras linguagens e motivando o educando a ler, a produzir textos sonoros, imagéticos e hipertextos. A leitura e a produção desses textos conduziram-nos à compreensão das linguagens jornalística, radiofônica, televisiva e do computador (radiojornal, telejornal, jornal impresso e jornal on line), o que por sua vez, contribuiu para a compreensão do discurso simbólico. Essa é uma outra forma de ver, compreender e interpretar a sociedade globalizada (MCLUHAN, 1974). conhecimentos”, e propiciar ao aluno à possibilidade de acesso as diversas informações existentes e ainda proporcionar que esses não sejam meros sujeitos passivos no processo, mas capazes de interferir em seu espaço imediato e, portanto, capaz de produzir conhecimento. É importante fazer a análise de que a criança, ao chegar à escola, já sabe ler histórias complexas, como uma telenovela, com mais de 30 personagens e dezenas de cenários diferentes. Essas habilidades são praticamente ignoradas pelas linhas mais tradicionais de ensino. A utilização da rádio no espaço escolar da Escola Municipal Jason Caetano, além de tornar as aulas mais atrativas e dinâmicas para alunos e professores, possibilitou uma interação ampla entre esses, bem como uma maior capacidade de compreensão dos conteúdos abordados nas diversas disciplinas. Através de depoimentos de professores, pais e alunos, além de uma bateria de avaliações realizadas pelo serviço pedagógico e em sala de aula pelos professores, pudemos constatar que a rádio de fato ajudou a melhorar a linguagem e escrita dos alunos, desenvolveu a sociabilização dos mesmos, melhorando também a compreensão dos diversos conteúdos das disciplinas, além de prover a aproximação das turmas independente da série que cursavam. Esse meio de comunicação possibilitou ao educando compartilhar democraticamente com outros colegas o saber elaborado e novos conhecimentos produzidos. Portanto, ao trabalhar com essa mídia, a escola promoveu democratização, pois os alunos tornam-se sujeitos ativos de sua própria linguagem, familiarizaram-se com um veículo de comunicação social que é a rádio, e elaboraram mensagens através da edição da programação radiofônica. A intervenção realizada na escola, por meio de ações conjuntas, propiciou aos alunos sua re/inserção não só na dinâmica escolar, mas também em seu meio social, resgatando a cultural da comunidade local, trazendo pessoas para dar entrevistas sobre assuntos populares relevantes para a construção da cidadania e de seus múltiplos saberes. Constatamos através das avaliações que os alunos melhoraram sua oralidade, disciplina e seu desempenho em conteúdos específicos. Esse foi o relatado dos pais e professores, além das várias falas dos alunos que demonstravam sua satisfação em fazer parte desse novo ambiente. CONSIDERAÇÕES FINAIS A escola contemporânea deve deixar de ser o local exclusivo da reprodução do conhecimento. Na atualidade, as instituições de ensino devem se preocupar com os diversos “saberes e 106 107
  • 55. Prática Pedagógica Renovada REFERÊNCIAS FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. 4º ed. São Paulo: Cultrix, 1974. INTERDISCIPLINARIDADE NA LEITURA E ESCRITA COM A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA VIDA ESCOLAR DOS FILHOS MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/CEF, 1998. SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização: do pensamento único à consciência universal - 6 ed. – Rio de Janeiro: Record, 2001. RIBEIRO, Rejane Aparecida dos Santos1 SILVA, Santilha de Fátima2 INTRODUÇÃO Diante do pressuposto de que escola e família devem caminhar juntas e de um índice considerável de alunos que apresentam dificuldades na aprendizagem, faz-se necessário identificar fatores causadores do insucesso escolar dos alunos do 4º ano vespertino da Escola Municipal Professora Gabriela de Castro e buscar meios norteadores através da interdisciplinaridade para superar tais dificuldades. Pois se sabe que o fracasso escolar nesse período exerce influência negativa não somente na vida estudantil dos alunos, como também em seu desenvolvimento psíquico e social. Este trabalho teve como tema: Interdisciplinaridade na Leitura e Escrita com a Participação da Família na Vida Escolar dos Filhos. Seu objetivo fundamental foi Conhecer a realidade e os fatores causadores Professora Orientadora do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Mídias na Educação da Universidade Estadual de Montes Claros UNIMONTES. 2 Cursista do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação, através da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES. Graduada em Normal Superior pela Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC. 109 1 108
  • 56. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação da dificuldade na aprendizagem, para melhorar a leitura através da mídia impressa, contos infantis e diversos gêneros textuais para garantir-lhes o sucesso escolar. E os específicos, foram: I identificar, descrever cenários, personagens dos textos e histórias estudadas; reconhecer os diversos tipos de textos no meio midiático impresso e/ou digital. A realização deste trabalho pretendeu resgatar esses alunos, que apresentam dificuldades na aprendizagem, integrando-os ao nível desejado, uma vez que a escola busca melhorar a cada dia em caráter inclusivo, para uma formação de qualidade à sua clientela. No desenvolvimento do presente trabalho, utilizei principalmente a mídia impressa – livros literários de contos in- fanto-juvenis, onde ao final, os alunos dramatizaram um conto trabalhado e fizeram ainda uma coletânea de textos, visando à interdisciplinaridade. Utilizei adequadamente outras mídias de acordo às necessidades, pois, acredito ser relevante e prazerosa a aprendizagem utilizando os recursos midiáticos que estão presentes em nossa vida transformando-a significativamente. 1 A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA APRENDIZAGEM No processo de ensinar e aprender, o professor deverá utilizar todos os recursos que julgar necessários e disponíveis, deve se jogar por inteiro sem medo, deixar que os alunos manuseiem livros, jornais, revistas e todos os diversos gêneros textuais em busca de uma leitura com significados, onde seja construído conhecimento, inclusive de mundo. Às vezes o aluno fala que não tem livros em casa, mas pode ter uma revista, um jornal, receitas culinárias e outros que também oferecem ao aluno um conhecimento necessário para a sua vida e o professor sendo facilitador e incentivador da aprendizagem deverá orientar os alunos e a família desses recursos que devem ser utilizados. Para aprender a ler, para gostar de ler, para ler bem, é preciso que os alunos sejam expostos a situações de 110 leitura. É preciso que ouçam e entendam a leitura que fazem. É preciso que comentem o que ouviram e o que leram: o comentário força a leitura a ter sentido e não se mera sucessão de sons provocados pela correta decodificação dos sinais sobre a página (...) (MEC, 200125apud BUOSI,2003, p.2). O ensino e aprendizagem requerem do professor muita dedicação, preparação e estratégias para que ele seja de fato um facilitador da aprendizagem. No processo de ler e interpretar, por exemplo, o aluno deve ter o hábito de antes de ler, ouvir uma boa leitura, com fluência e entonação para depois a fazer. A família também precisa ser orientada nesse sentido, onde os pais desde muito cedo, possa ter o hábito de contar histórias para os filhos e ainda pedi-los para recontar oralmente, assim estará desenvolvendo também a oralidade. Bossa (2000, p. 21, 22 apud HUPENTHAL 2007) nos fala que: O trabalho clínico se dá na relação entre um sujeito com a sua história pessoal e sua modalidade de aprendizagem, buscando compreender a mensagem de outro sujeito, implícita no não-aprender. Nesse processo, onde investigador e objeto-sujeito de estudo interagem constantemente, a própria alteração torna-se alvo de estudo da Psicopedagogia. Isto significa que, nesta modalidade de trabalho, deve o profissional compreender o que o sujeito aprende, como aprende e por que, além de perceber a dimensão da relação psicopedagogo e sujeito de forma a favorecer a aprendizagem. Em nossa atualidade, ouvimos dizer que a escola recebe o aluno como um todo, ou seja, as responsabilidades da família estão sendo transferidas para a escola e isso é bem verdade. E assim, o professor deve aproveitar todas as situações para conhecer o seu aluno, sua história de vida, seus costumes, suas angústias. Deverá aproveitar essa situação como ponto de partida para desenvolver bem o seu trabalho: tirar um tempo da aula para ouvir as histórias “desabafos” dos alunos sem pensar que está perdendo tempo e sim ganhando, uma vez que o ato de 111
  • 57. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação contar e recontar um fato, ele estará desenvolvendo a oralidade, seqüência dos fatos, e tudo isso é positivo para o ensino e a aprendizagem. Para isso, Bossa (2000, p. 23 apud HUPENTHAL 2007) afirma que: No exercício clínico, o psicopedagogo deve reconhecer a sua própria subjetividade na relação, pois trata-se de um sujeito estudando outros sujeitos, em que um procura conhecer no outro aquilo que o impede de aprender, implica uma temática muito complexa. Ao psicopedagogo cabe saber como se constitui o sujeito, como este se transforma em suas diversas etapas de vida, quais os recursos de conhecimento de que ele dispõe e a forma pela qual produz conhecimento e aprende. A partir do momento que o professor conhece o seu aluno, sua realidade, ele faz um diagnóstico da necessidade do mesmo, tornando assim mais fácil o seu próprio trabalho, pois o aluno ganha confiança, passa a ver o professor como um amigo, como alguém mais próximo que poderá estar orientando-o melhor nas diversas situações da sua vida, uma vez que há uma lacuna que talvez não esteja sendo preenchida pela família. E se o aluno vê o professor dessa forma, conquistá-lo para melhorar inclusive o interesse pelo conteúdo de sala de aula, pode acontecer com mais facilidade e entusiasmo, uma vez que melhorará também a relação aluno/ aluno e aluno/professor e se há harmonia na sala de aula com certeza o trabalho fluirá melhor. E a partir do exemplo e incentivo do professor, o aluno terá mais chances e capacidade para resolver situações diversas de sua vida de forma madura e mais confiante. Conforme, Andrade (2002, p.17 apud HUPENTHAL 2007): apenas o desejo coloca em funcionamento o aparelho mental. Desejo de conhecer instala-se, então, a partir da mãe. Esse movimento de desacomodar implica muitas vezes mexer em questões difíceis de suportar. Fernández (1991, p.100 apud HUPENTHAL 2007) diz que atribuir a uma pessoa um lugar dentro de um grupo 112 familiar, a induz a desempenhar este papel. No seio da família, o sujeito deve se sentir “em casa”, se ele é privado disso, se a ele não é oferecido carinho, apoio e incentivo ele ficará alheio à sua própria realidade. E a proposta é oferecê-lo a partir do desejo de afirmação de sua independência, a construção de sua própria autonomia e capacidade para desempenhar bem suas ações. A família deve oferecer aos filhos o mínimo de conforto, carinho, apoio e incentivo, para que seja um sujeito preparado para a vida, seja alguém que saiba discernir o certo do errado em situações diversas do mundo em que vive. E não adianta a família tentar oferecer aos filhos essa condição depois de um determinado tempo, como na adolescência, por exemplo, que ele já não terá mais o mesmo efeito do que se esses direitos forem cedidos a ele desde ainda criança. A estrutura familiar deve fazer efeito na vida do indivíduo desde ainda criança, para que ela possa construir seus conhecimentos e capacidades de defesa com segurança, estando assim preparada para a vida. 2 RESULTADOS DA INTERVENÇÃO Diante das grandes transformações que vivenciamos em nosso dia a dia, nós educadores temos necessidade de adequarmos nossas atividades de sala de aula, tornando-as mais atrativas a fim de que obtenhamos sucesso na formação de cidadãos críticos. Assim sendo, este trabalho foi desenvolvido de maneira interdisciplinar e foram trabalhadas atividades dinâmicas e interativas. As atividades do projeto foram desenvolvidas com sucesso, como o uso do “carrinho da leitura”, atividade realizada em sala de aula, onde os alunos tiveram contato com diversos livros literários, nos quais alguns foram escolhidos por eles para fazerem o reconto oral e a escrita das histórias neles contidas. Foram criadas fábulas com exposição das mesmas na sala de aula, foi trabalhada história protocolada: cada aluno criou um final para a mesma. Trabalhamos com diversos tipos de textos dentro das disciplinas de Português e Ciências. Contos, poesias, lendas, 113
  • 58. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação músicas/paródias. Em Ciências: textos informativos e trabalho: a fotossíntese. O projeto abrange outras disciplinas: Artes: teatro e dramatização, Educação Religiosa observando a moral de algumas histórias/fábulas. Figura 01 - Projeto Ciranda Cultural: contação de história em sala de aula Fonte: SILVA,Santilha de Fátima Figura 02 - Momento com Carrinho da leitura na sala de aula Fonte: SILVA, Santilha de Fátima Figura 03 - Dramatização da História do Lápis por minha turma em evento da escola Fonte: SILVA, Santilha de Fátima 114 2.1 DADOS POR PROFESSORAS DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Segundo as professoras, para que não haja fracasso escolar, a família deve acompanhar a aprendizagem dos filhos, e interessar-se pelos mesmos, participar da vida escolar e cobrar educação de qualidade. Segundo Fernandez (2001), conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família, qual a modalidade de aprendizagem da criança, não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado, tentando engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade, modificando seu modo de pensar e de agir com relação a criança. Todas as professoras entrevistadas afirmam que não há um único culpado pelo fracasso escolar, e sim um conjunto de fatores sociais que contribuem para que o mesmo aconteça. O resultado confirma a opinião de SOARES (1991), que afirma que o fracasso escolar não se explica, apenas, pela complexidade de natureza do processo, mas também pelos seus condicionantes que são os fatores sociais, econômicos, culturais e políticos. Contudo, os problemas de ordem física ou mental, a desnutrição, a desestruturação familiar, continuam sendo apontadas pelos professores como causas do fracasso escolar. SOARES (1991), afirma ainda, que muitas vezes, a criança com baixo padrão de desempenho escolar era estereotipada sem que as causas deste seu desempenho, considerado não satisfatório, fossem também atribuídas á escola ou aos métodos por ela utilizados. Neste contexto, uma das finalidades da alfabetização com sucesso, seria favorecer a obtenção de uma série de competências em um processo que começa, mas que nunca termina que nos levam a formas mais elaboradas e relações de conhecimento da realidade e de nós mesmos. 115
  • 59. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação 2.2 DADOS DOS ALUNOS ENTREVISTADOS Na questão 1, foi perguntado se há acompanhamento dos pais na realização de tarefas; apenas oito dos vinte e três alunos entrevistados responderam que sim e quinze disseram que não. Esse resultado é condizente com a literatura que afirma que o acompanhamento da família é de fundamental importância para que haja o sucesso escolar. Na questão 2, sobre o acompanhamento dos pais na realização de pesquisas, apenas oito responderam que sim, sete responderam que as vezes e oito disseram que os pais não ajudam nas pesquisas escolares. A literatura diz que a participação da família na realização de pesquisas contribui plenamente para o desenvolvimento das habilidades de aprender e serve até mesmo de incentivo para as crianças. Na questão 3 foi perguntado, se os pais participam de reuniões e eventos escolares. Nove disseram que sim, seis responderam que às vezes e oito afirmaram que não. Segundo a literatura, a família deve participar não só das reuniões e eventos escolares, da vida diária do filho na escola, o que contribui significativamente para a aprendizagem do mesmo. Na questão 4, se os alunos têm materiais para auxiliarem na realização de tarefas e pesquisas. Quatorze alunos disseram que sim e nove responderam que não. Conclui-se com esse resultado que os que possuem material não o utilizam por não ter a educação a esse fim. Pois a literatura afirma que o aluno que tem material didático à sua disposição para realização de tarefas, tem condições de alcançar êxito na aprendizagem. 2.3 RESULTADO DE ENTREVISTAS COM PAIS Foram entrevistados os vinte e três pais dos alunos que apresentam dificuldades na aprendizagem. Na questão 1, foi perguntado, se eles participam de reuniões e eventos da escola de seus filhos. Nove disseram que 116 sim, seis responderam que às vezes e oito afirmaram que não. Esse resultado é condizente com a literatura que afirma que a participação dos pais em reuniões e eventos muito contribui para o desempenho dos alunos, que neste caso, participam pouco ou quase nada. Na questão 2, se eles auxiliam os filhos na execução de tarefas e pesquisas. Apenas oito responderam que sim e quinze afirmaram que não são preparados, não têm conhecimento que os possibilite a ajudá-los, pois as mesmas são difíceis. Segundo a literatura, o auxílio dos pais é de fundamental importância para o desenvolvimento e aprendizagem dos filhos. Na última questão, foi perguntado se os pais relacionamse bem com a professora do filho. Todos os entrevistados disseram que sim. E este fato é de grande valia para o sucesso do aluno, uma vez que através desse bom relacionamento, os pais ficam inteirados de todos os acontecimentos com o mesmo na escola. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O problema que esta pesquisa se propôs a investigar foi: o fato dos alunos não saberem ler e interpretar influencia negativamente na aprendizagem dos alunos . A falta de interesse e de participação da família na vida escolar dos filhos são fatores que influenciam no insucesso escolar desses alunos, os recursos utilizados nas aulas não são atrativos e o objetivo fundamental deste trabalho foi conhecer a realidade e os fatores causadores da dificuldade na aprendizagem, buscando possibilidades de melhorar a leitura através da mídia impressa, contos infantis e diversos gêneros textuais para garantir-lhes o sucesso escolar. A partir da análise dos dados apresentados neste trabalho à luz do referencial teórico, podemos afirmar que os fatores que interferem no desenvolvimento de habilidades para o sucesso escolar dos alunos acima citados, são: •Falta de incentivo e acompanhamento dos pais; 117
  • 60. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação •Falta de interesse dos alunos; •Pouco contato com material de escrita nas tarefas; •Metodologia de ensino não adequada; •Problemas sociais, culturais e políticos; •Atividades desinteressantes e pouco atrativas. Vivemos em um mundo de mudanças e inovações tecnológicas, e nesse mundo globalizado não basta ser bom, é necessário buscar a excelência em tudo que se faça. Este trabalho não teve pretensão de dar uma resposta para a questão, mas de sinalizar alguns pontos que possibilitem uma maior reflexão sobre como resolver a problemática que tanto incomoda educadores dos anos iniciais. A partir desta reflexão acreditamos que se torna necessário a realização de estudo que tenha como objetivo propor alternativas que levem ao desenvolvimento das habilidades para o sucesso escolar dos alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. REFERÊNCIAS BOSSA, Nádia. Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre: Artimed, 2000 BUOSI, Rosângela Bressaan, et al, A Leitura de Fruição na Formação de Alunos Leitores e Produtores de Textos. Disponível em: http://revistas.unipar.br/akropolis/article/viewFile/1984/1732 publicado em dez/ 2003 acesso em: 28/09/2011 FERNANDEZ, Alícia. O Saber em Jogo. Porto Alegre: Artmed, 2001. HUPENTHAL, Muriel THEISE, Quero crescer? quero ler e escrever? Reflexões psicopedagógicas. Disponível em: http:// www.abpp.com.br/artigos/78.htm publicado em março de 2007. Acesso em: 28/09/2011 SOARES, Mágda. Linguagem e Escola: uma perspectiva social, 8ª ed. São Paulo: Ática, 1991. O mérito deste trabalho está além das condições para ampliar as discussões sobre o tema, na oportunidade de investigar um assunto que incomoda e interessa muitos alfabetizadores que buscam sistematizar os conhecimentos construídos em seu cotidiano. 118 119
  • 61. NOVAS POSSIBILIDADES DE ORGANIZAÇÃO DAS AULAS DE LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL ANTUNES, Joeli Teixeira1 MAGALHÃES, Sandra Célia Muniz2 INTRODUÇÃO O presente artigo é resultado de um projeto de intervenção pedagógica, elaborado sobre a integração das mídias no processo educacional, para ser apresentado como trabalho de conclusão do Curso de complementação – 3ª oferta – Especialização em Mídias na Educação. Elaborou-se o referido projeto de intervenção a partir do diagnóstico feito em uma turma do Projovem / Urbano em Montes Claros – MG, cidade situada no Norte de Minas Gerais, com população de cerca de 350 mil habitantes, que se destaca como pólo de desenvolvimento regional. 1 Possui graduação em Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de Montes Claros. É especialista em Linguística:Leitura e Produção Textual. Especialista em LIBRAS com Ênfase em Interpretação. Especialista em Mídias na Educação. Mestranda em Letras Estudos Literários Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, sob a orientação da Professora Drª. Telma Borges. 2 Possui graduação em GEOGRAFIA pela Universidade Estadual de Montes Claros. É especialista em Docência do Ensino Superior - Faculdades Santo Agostinho. Especialista em Gerenciamento de Recursos Hídricos - UFBA. Mestre em Geografia - PUCSP. Doutoranda em Geografia - UFU. Atualmente é professora efetivada da Universidade Estadual de Montes Claros. Tem experiência na área de Geografia, atuando principalmente nos seguintes temas: Geografia médica, saneamento e recursos hídricos. 121
  • 62. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Em junho de 2010, iniciou-se nessa escola o Programa Nacional de Inclusão dos Jovens - Projovem Urbano, destinado a promover a inclusão social dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos que, apesar de alfabetizados, não concluíram o ensino fundamental, buscando sua re-inserção na escola e no mundo do trabalho, de modo a propiciar-lhes oportunidades de desenvolvimento humano e exercício efetivo da cidadania. Cada Núcleo do Projovem Urbano tem cinco turmas e cada turma tem um professor orientador, educador responsável por dinamizar as atividades de sua turma no sentido de ensinarlhes “como aprender”. Este profissional além de ministrar uma disciplina específica (Matemática, Português, Inglês...) em todas as turmas é responsável pela orientação de uma turma. Cabe a ele detectar os problemas enfrentados pelos alunos e articular junto com os outros professores e coordenadores medidas de intervenções. A turma selecionada para aplicação do Projeto de Intervenção é composta por 24 jovens, sendo 19 mulheres e 5 homens, na faixa etária de 19 a 29 anos, oriundos de famílias marginalizadas tanto no campo social, como no campo econômico e educacional. São pessoas com um grande desejo de vencer e que muitas vezes tem vergonha de expor suas dificuldades. O presente projeto objetivou estimular novos hábitos de escrita, por meio da construção de um caderno de receitas com alimentos aproveitados integralmente; despertar o interesse dos alunos pela leitura, mediante a aplicação de oficinas; incentivar e promover o trabalho coletivo e a cooperação entre os alunos e os professores, através de dinâmicas. Como procedimento de avaliação foi adotada a investigação por meio da manutenção de registro aberto de fatos, acontecimentos, conversas, comentários e anotações estruturadas com pautas de observação de aspectos predeterminados. Também as atividades de linguagem escrita e oral e para culminância do projeto de intervenção a exposição dos trabalhos produzidos pelos alunos. Para a realização desse projeto foi indispensável a colaboração dos educadores, dos gestores e dos alunos que muito contribuíram para o desenvolvimento das atividades. O professor foi responsável pela elaboração das atividades respeitando os diferentes estilos e ritmos de trabalho dos alunos, incentivou o trabalho colaborativo em sala de aula no que se refere ao planejamento, preparou a aula expositiva sobre os gêneros textuais, planejou e executou as oficinas para construção do caderno de receitas, orientou os alunos em relação ao desenvolvimento das atividades propostas. Os educadores auxiliaram na filmagem, nas fotografias, colaboraram na organização da palestra, na disponibilização dos materiais para as oficinas e na montagem da feira cultural, na qual foram expostos, junto com os trabalhos de outras turmas, os cadernos de receitas confeccionados pelos alunos da turma “E”. Os alunos envolveram-se nas discussões referentes aos gêneros textuais, participaram das atividades propostas em sala de aula, no laboratório de informática e nas oficinas, escolheram as receitas, produziram um caderno dessas receitas. Os Gestores forneceram subsídios para a realização dos trabalhos, como acesso à internet, acesso às fitas de vídeo, material impresso (livros, revistas, jornais, etc), incentivando a produção artística e proporcionando uma efetiva aprendizagem. Utilizou-se como recursos materiais: computadores, internet, vídeo, câmera, material impresso, lápis, borracha, caneta, cola, blocos, data show, papel pardo, filmadora DVD, arroz, anilina... Que auxiliaram no desenvolvimento das metas pedagógicas/estratégias aplicadas. 122 123 Essa unidade está situada na região leste de Montes Claros onde se localizam os bairros Village do Lago I e II (Grande Village) e os circunvizinhos: Clarice Ataíde, Novo Horizonte e Nova Morada. Na região do Grande Village encontra-se a Escola Municipal Du Narciso, fundada em dezembro de 1992 que oferece educação de ensino fundamental para crianças e adolescentes.
  • 63. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação 1 NOVAS POSSIBILIDADES DE ORGANIZAÇÃO DAS AULAS DE LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL No processo de ensino-aprendizagem, a aquisição da escrita é de suma importância. Haja vista que, construir um texto é uma forma particular de atuação social que inclui o conhecimento de elementos lingüísticos, textualização e elementos de situação em que o texto ocorre. É preciso, também, ter definido as intenções pretendidas, o gênero textual, o domínio discursivo, o conhecimento prévio e o interlocutor previsto. Em relação a difícil tarefa de se escrever um texto Irandé Antunes faz as seguintes considerações: Antes de tudo, vale a pena considerar que a escrita de um texto, sobretudo a escrita de um texto formal, não é um evento isolado nem um evento pontual que começa com o ato de se tomar o papel e se debruçar sobre ele. A escrita é uma atividade processual, isto é, uma atividade durativa, um percurso que se vai fazendo pouco a pouco, ao longo de nossas leituras, de nossas reflexões, de nosso acesso a diferentes fontes de informação (ANTUNES, 2006, p. 167). Esse discurso de Irandé Antunes nos mostra que para a escrita de um texto é necessário haver a mobilização do repertório de conhecimento que o aluno possua, por isso a escrita não pode ser improvisada, não pode nascer inteiramente na hora em que o aluno começa propriamente a escrever. No texto “Práticas de Leitura/Escrita em Sala de Aula” os autores Honoralice de Araújo Mattos Paolinelli e Sérgio Roberto Costa enfatizam que: No ambiente escolar, o texto é abordado como um produto, ignorando-se, assim, a dinamicidade de seu processo de significação, que inclui a consideração de estruturas, de conhecimentos prévios partilhados, de múltiplos recursos semióticos, como a imagem e, ainda, as condições de produção: o contexto, os sujeitos envolvidos nessa ação de linguagem, as intenções co- 124 municativas, o meio de circulação do texto.3 Neste contexto, entende-se que a leitura e a escrita devem ser trabalhadas em conjunto. É papel do professor oferecer aos seus alunos uma variedade de textos, tais como: notícias, crônicas, piadas, poemas, artigos científicos, ensaios, reportagens, propagandas, informações, charges, romances, contos, receitas etc, percebendo em cada texto a presença de um sujeito, de um interesse. Pois “os textos, enquanto unidades comunicativas, manifestam diferentes intenções do emissor: procuram informar, convencer, seduzir, entreter, sugerir estados de ânimo, etc.” (KAUFMAN e RODRIGUES, 1995, p.13). De acordo com Ângela Paiva Dionísio, “o trabalho com gêneros textuais é uma excelente oportunidade de se lidar com a língua em seus mais diversos usos no dia-a-dia, pois nada do que se faz lingüisticamente está fora de ser um gênero” (DIONISIO, 2002, p. 81). O conhecimento sobre os gêneros textuais e suas funcionalidades facilita o processo de aquisição da leitura e a produção de textos, pois os alunos só podem “ler e se expressar por meio de uma linguagem com a qual tenham maior afinidade, o que só podem fazer se conhecerem as diferentes linguagens postas no mundo hoje” (MOREIRA, 2003, p.19). Pensando nesses conceitos, elaborou-se a aula expositiva sobre os gêneros textuais, utilizando materiais concretos, cartas, receitas, bilhetes, músicas, piadas, que fazem parte do cotidiano dos alunos do Projovem Urbano. O que trouxe um resultado satisfatório, pois a maioria dos alunos se interessaram e participaram das atividades propostas. O papel do professor nesse processo é muito importante, pois cabe a ele compartilhar suas experiências de leitura com os 3 Citação retirada do material do Curso Mídias na Educação ciclo Intermediário Módulo 3 – Gêneros Textuais Impressos 1º Etapa: Contexto de Produção e Gênero. Disponibilizado em:http://webeduc. mec.gov.br/midiaseducacao/material/impresso/imp_intermediario/Apostilas/Primeira_Etapa_ Leitura_e_Prod_Textos_na_Escola.pdf 125
  • 64. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação alunos, mostrando a interação entre a obra e o leitor, emitindo juízo, ampliando o horizonte de expectativas, dos alunos, em relação ao texto lido. Haja vista que, quanto maior o número de experiências significativas com o texto escrito, mais desenvoltura o aluno vai adquirir para dialogar com ele. Para que a produção textual não aconteça da forma que Mikhail Bakhtin postula abaixo: Muitas mudanças vêm ocorrendo na metodologia da produção textual, mas para muitos, o texto é ainda a elaboração de formas gramaticais isoladas do contexto ou como material indiferenciado a ser trabalhado de forma homogênea nas pretensas atividades de leitura (BAKHTIN, 1993, p. 25). Para não se trabalhar o texto dessa forma mecânica, postulada por Bakhtin, é importante pensar na fala de Moran (2000) que diz sobre a necessidade de se reaprender a ensinar e aprender a construir um modelo diferente de conhecimento, devido as mudanças rápidas e profundas da sociedade. Para que aconteça essa nova forma de ensinar é indiscutível a importância da internet e outras mídias, pois não há como contestar a influência desses veículos na comunicação das pessoas bem como nos hábitos e costumes da sociedade atual de forma globalizada. Essas interferências dizem respeito a questões econômicas, políticas e, principalmente, sociais. Se antes, as pessoas dispunham, por exemplo, de cartas manuscritas ou telegramas que demoravam dias para chegar à localidade de destino, agora contam com a possibilidade de enviar um email que chega em tempo real, de utilizar o MSN ou Orkut que permitem a comunicação interativa, além da disponibilidade e comodidade que eles oferecem e também de outros instrumentos de comunicação. As mídias e os recursos tecnológicos interferem no cotidiano escolar de forma inovadora, proporcionando tanto ao professor quanto ao aluno novas formas de aprendizagem (MORAN, 2000). 126 Os conteúdos são trabalhados de forma reflexiva e interativa, o que é muito importante, pois a experiência dissociada da prática e da análise dessa prática não é suficiente para a aprendizagem. Nesse sentido, é primordial que os alunos reflitam sobre suas próprias experiências e a escola deve exigir desses alunos, por meio da aprendizagem baseada na tecnologia, a articulação do que estão fazendo, a tomada de decisões, as estratégias utilizadas e as respostas encontradas. É importante ressaltar que quando os alunos articulam o que aprenderam e refletem sobre os processos e as decisões que foram adotadas ao longo do processo de ensino-aprendizagem, eles entendem mais e têm mais capacidade de transferir aquele conhecimento que construíram, conforme afirma Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida Cabe ao professor promover o desenvolvimento de atividades que provoquem o envolvimento e a livre participação do aluno, assim como a interação que gera a co-autoria e a articulação entre informações e conhecimentos, com vistas a construir novos conhecimentos que levem à compreensão do mundo e à atuação crítica no contexto (ALMEIDA, 2003, p.6). Nesse contexto, surgem novas possibilidades de organização das aulas, que tendem a valorizar o conhecimento prévio do aluno, agregando novas ideias ao conhecimento anterior e proporcionando entendimento e construção do significado das experiências vividas. Para o desenvolvimento de atividades que envolvam a aprendizagem, a escola e seus integrantes devem organizar de forma crítica, equilibrada e integradora, usando “as tecnologias para aliciar e apoiar o pensamento reflexivo, conversacional, contextual, complexo, intencional, colaborativo, construtivo e ativo dos estudantes” (JONASSEN, 1996, p.73). A partir desses princípios, elaboraram-se atividades, no laboratório de informática, objetivando uma aproximação dos 127
  • 65. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação alunos com o computador e uma maior afinidade com a internet, para que os mesmos pudessem desenvolver as atividades de forma reflexiva, compartilhando suas dúvidas com os outros alunos, professore e monitor de informática. A fim de envolver os alunos no processo de ensino, para que a aprendizagem acontecesse de forma natural e tranquila. No ambiente escolar o material impresso ocupa um lugar muito importante, pois os livros, as enciclopédias, as apostilas, os jornais, as revistas, os cadernos de receita representam a tecnologia dominante da maioria das aulas, ainda hoje. Muitas vezes, eles são os únicos recursos disponíveis nas mãos dos alunos para que eles e seus professores possam buscar, rever ou aprofundar os conteúdos trabalhados. Ricardo da Silva (2008, p. 19-20) citando Misanchuk (1994) e García Aretio (1997) fala sobre as vantagens do material impresso, ao afirmar que o material impresso é familiar, compreensível e aceito pelos alunos, professores e especialistas. E que esse material é adaptável ao ritmo dos alunos, permitindo a releitura, a leitura seletiva, o maior ou menor aprofundamento do que se lê. Além de poder ser navegado com facilidade sem a necessidade de um horário específico de distribuição, não requer equipamento específico para ser utilizado e é facilmente transportável, e tem um custo unitário baixo em relação às alternativas, tanto para preparação quanto para duplicação. A partir dessas reflexões sobre o material impresso percebese que mesmo com os avanços tecnológicos ele continua sendo um aliado muito importante no processo de ensino-aprendizagem. Pensando em mostrar o quanto o material impresso, ainda faz parte, do dia-a-dia escolar, foi disponibilizado para os alunos, livros, jornais, revistas, bem como, o desenvolvimento de uma oficina para que os mesmos construíssem um caderno de receitas, gênero textual presente em suas vidas. A parceria internet, professor e aluno esta mudando o cotidiano escolar e a relação do aluno com a leitura e a escrita, na medida em que ela oferece novas formas de ler, escrever, pensar e aprender, substituindo sistemas conceituais fundados nas ideias de margem, hierarquia, linearidade, por outros de multilinearidade, por meio, dos links e redes. Essa conexão simultânea dos atores da comunicação a uma mesma rede traz uma relação totalmente nova com os conceitos de contexto, espaço e temporalidade. 128 129 Os autores Felipe, Bacaro e Altoé (2011. p.3), citam Valente (2009) ao destacarem a importância do computador para o armazenamento e transmissão de informações, as quais podem auxiliar os alunos na construção do conhecimento. Pois ao utilizar o computador o aluno pode analisar e questionar as informações disponibilizadas pela rede de computadores desenvolvendo assim, a reflexão, um dos quisitos importantes no processo de aquisição da leitura e da escrita. Ao trabalhar com o computador o professor desperta o interesse dos alunos, uma vez que, eles já estão cansados das aulas tradicionais, nas quais as atividades de leitura e escrita acontecem de forma repetitiva e sem atrativos. Eles falam também que quanto mais o aluno interage com o computador, mais informações ele recebe e que as atividades realizadas no computador podem explorar mais o intelecto do aluno uma vez que, essas atividades realizadas no computador são novas. As vantagens da utilização do computador associado à internet como recurso facilitador no desenvolvimento do educando são muitas, tanto na escrita quanto na leitura. Bem como a importância de se trabalhar a leitura e a escrita por meio do material impresso e dos gêneros textuais, que são encontrados em nossa vida diária e que representam características sóciocomunicativas definidas por seus conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição próprios.
  • 66. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação 2 ENRIQUECIMENTO DA LEITURA E DA ESCRITA POR MEIO DE OFICINAS Tendo como ponto de partida a proposta do Curso Mídias na Educação, que propunha a elaboração e execução de um projeto de intervenção, atrelou-se a essa proposta a experiência de trabalho no Projovem, junto a esses alunos, o que possibilitou observar suas dificuldades em relação à leitura e a escrita e elaborar o projeto, numa tentativa de amenizar essas dificuldades. O presente trabalho objetivou estimular novos hábitos de escrita, por meio da construção de um caderno de receitas com alimentos aproveitados integralmente; despertar o interesse dos alunos pela leitura, mediante a aplicação de oficinas; incentivar e promover o trabalho coletivo e a cooperação entre os alunos e os professores, através de dinâmicas. Nesse sentido, para a concretização do objetivo, foram desenvolvidas atividades, utilizando-se a metodologia de exposição dialogada, dinâmicas de grupo, debates orientados, palestra e oficinas. Na dinâmica de sala de aula foi identificada, de início, certa resistência por parte de alguns alunos, sobretudo ao que se refere à utilização do computador como ferramenta nesse processo de ensino aprendizagem. Entende-se como resistência o fato dos alunos não quererem se manifestar sobre o assunto, bem como, o abandono de alguns da sala de aula no momento das atividades práticas. À medida que as exposições foram se desenvolvendo, nas aulas subseqüentes, houve uma maior participação do grupo. Utilizamos vídeos, depoimentos, pequenos textos, dados estatísticos, slides como recursos. Os espaços de discussões oportunizaram os questionamentos, as inferências e conclusões de forma aberta e democrática. Apesar da resistência inicial por parte de alguns alunos, houve um sensível avanço desse projeto durante o tempo previsto para a aplicação que foi entre os meses de agosto e outubro de 2011. Para o desenvolvimento do projeto 130 de intervenção pautamos nas ações descritas abaixo. Na primeira aula (2h/aula) promoveu-se um debate sobre os gêneros textuais. Por meio de uma aula expositiva. Nessa aula foram utilizados materiais concretos (revistas, cartas, bilhetes, receitas) para exemplificação dos gêneros dando ênfase a suas funções. Com o intuito de levar os alunos a falarem livremente sobre o assunto e se sentirem confiantes em manifestarem suas dificuldades. O resultado desse primeiro momento foi satisfatório, haja vista que, os alunos envolveram nas atividades propostas, expondo suas dificuldades e levantando questionamentos. A aula subsequente (2h/aula) foi direcionada pelo Nutricionista Jonatas, na qual ele ministrou uma palestra sobre a importância de se aproveitar integralmente os alimentos (FIGURA 1), discorreu também sobre o reaproveitamento dos alimentos abordando as formas de se evitar o desperdício de alimento e de dinheiro. Para exposição do tema, o palestrante Jonatas utilizou o computador e o data show. A sala foi organizada de modo que os alunos puderam assistir ao vídeo do Instituto Akatu, disponível em fonte: http://www.akatu.org.br/sites/desperdicio acessado em 19/06/2011. Figura 1: Palestra Fonte: SILVEIRA, 2011 131
  • 67. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Nessa aula obtivemos respostas positivas por que os alunosdemonstraram bastante interesse pelo tema e participaram de forma expressiva expondo seus pontos de vista e respondendo aos questionamentos do professor, mostrando assim, que adquiriram um melhor esclarecimento a respeito do Aproveitamento e Reaproveitamento dos alimentos. Quanto à terceira aula (2h/aula) que aconteceu no laboratório de informática, onde os alunos com a orientação do professor e do monitor de informática investigaram o gênero textual receita para desenvolverem uma atividade coletiva posteriormente. Propôs-se que cada aluno pesquisasse na internet algumas receitas que utilizam os alimentos integralmente e outras receitas que fazem o reaproveitamento dos alimentos. Figura 2: Cadernos disponibilizados Fonte: SILVEIRA, 2011 Após a escolha da receita por cada aluno, retornamos à sala de aula. Na qual escreveu-se o nome de cada receita no quadro-negro e realizou-se uma votação entre os alunos, foram escolhidas cinco receitas que utilizam os alimentos integralmente e cinco receitas que utilizam alimentos reaproveitados. Logo após a escolha, decidiu-se que no próximo encontro os alunos iriam começar a escrita do caderno de receitas. Ressalta-se que antecedendo ao momento da escrita do caderno de receitas fez-se necessário a montagem do caderno, realizada com o auxílio da internet, busca de figuras para ilustrar as capas dos cadernos e do editor de textos Word, utilizado para editar as figuras retiradas da internet e inserir linhas nas folhas a fim de ordenar a escrita dessas receitas. No decorrer da pesquisa os alunos escolheram as receitas cujos ingredientes eram de fácil acesso, tendo em vista que eles teriam que preparar algumas das receitas para exporem na feira o cultural. O resultado dessa aula também foi satisfatório, porém professor e o monitor de informática tiveram muito trabalho porque a maioria dos alunos não tinha conhecimento dessa mídia. Na aula posterior (4h/aula) foi disponibilizado um caderno para cada aluno (FIGURA 2), para que os mesmos iniciassem a escrita do caderno de receitas. 132 Nesse momento de escrita houve reclamações, por parte de cinco alunos que protestaram contra e não quiseram escrever esse caderno. Porém, a maioria envolveu-se com as atividades e a desenvolveu com dedicação e entusiasmo expondo um sensível avanço em seus conhecimentos demonstrado nas argumentações em relação à escrita do trabalho de cada um. Destaca-se que para a realização dessa atividade a ajuda dos outros educadores do núcleo foi muito importante, pois eles se dispuseram a custear a impressão dos cadernos. Sem mencionar a ajuda oferecida em outros momentos (FIGURA 3). 133
  • 68. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação preparada para realização da dinâmica. Ao chegarem à sala de aula os alunos viram que sobre a mesa da professora tinha uma caixa bem bonita enfeitada para presente, contendo dentro um espelho. Foi dito para os alunos que dentro havia várias fotos de pessoas muito importantes e especiais. Todos demonstravam-se curiosos. Cada um dos alunos deveria abrir a caixa e falar sobre a pessoa da foto, sem deixar claro quem era a pessoa comentada. Figura 3: Oficina para colorir grãos de arroz Fonte: SILVEIRA, 2011 Na aula seguinte propôs-se aos alunos que fizessem a ilustração da capa do caderno utilizando grãos de arroz coloridos com anilina. Esse trabalho promoveu a interação entre os colegas, proporcionando um momento de descontração no qual os alunos puderam, a partir da ilustração dos cadernos, comentarem o que entenderam e até mesmo compartilharem experiências. Depois que os alunos terminaram a atividade proposta fez-se um círculo para socialização dos trabalhos que posteriormente seriam expostos na feira cultural. Esta atividade, fez com que os alunos expressassem com propriedade e segurança sobre todas as etapas do projeto de intervenção possibilitando, assim, um resultado positivo. Na sexta aula (4h/aula) realizou-se a dinâmica do espelho, com o objetivo de despertar os alunos para a valorização de si mesmos encontrar-se consigo e com seus valores e se autoavaliarem diante do atual contexto em que vivem. Para essa dinâmica, a sala foi arrumada em círculo, onde todos pudessem ver a reação uns dos outros ao abrirem a caixa de presentes, 134 À medida que eles foram abrindo a caixa e vendo sua imagem refletida no espelho, cada um tinha uma reação diferente: riam, colocavam as mãos sobre o rosto e até se assustavam. Após a caixa passar pelas mãos de todos os alunos da sala, finalmente foi aberto o debate para que todos partilhassem seus sentimentos, suas reflexões e conclusões sobre esta pessoa tão especial, vista dentro da caixa, que eram eles mesmos. A culminância do projeto aconteceu na feira cultural, na qual reuniu-se todas as demais turmas do Projovem Urbano da escola, sendo um total de 5 turmas. Nessa feira foram expostos os trabalhos dos alunos da turma “E” (FIGURA 4), bem como os trabalhos das outras quatro turmas do Núcleo Dú Narciso. Figura 4: Cadernos disponibilizados Fonte: SILVEIRA, 2011 135
  • 69. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação oportunidade abriu-se um diálogo no qual os alunos Na falaram de si mesmos, revelando diversos sentimentos, entre eles, o de mudança de atitude, de autoconfiança e de busca. Disseram ainda que, o fato de estarem hoje estudando no Projovem / Urbano era uma prova do desejo que eles tinham de mudança de vida, que podiam sonhar, e mesmo com as dificuldades do dia a dia eram capazes de conseguir pela persistência alcançar os planos e projetos traçados. CONSIDERAÇÕES FINAIS Salienta-se que esse projeto de intervenção trouxe colaborações para a nossa formação profissional permitindo o aprimoramento de nossa prática, mostrando que a escola e seus professores devem trabalhar com atitudes, com a formação de valores, e também com habilidades e procedimentos. Isso se revelou porque o nosso trabalho contemplou além dos objetivos conceituais, objetivos procedimentais (como fazer?) e objetivos atitudinais (quais atitudes tomar?). Ressalta-se que esse projeto de intervenção amenizou algumas das dificuldades dos alunos, da turma “É”, em relação à leitura, haja vista que, antes da aplicação do mesmo, uma grande parte deles, não participava das leituras circulares, por vergonha e medo de errarem, porém após as oficinas eles começaram a pedir para fazerem a leitura. Outro avanço importante está relacionado à escrita, que melhorou bastante, tanto na grafia como nos erros ortográficos. Pois eles passaram a prestar mais atenção ao escreverem. oportunidade de se perceberem como agentes de transformação social, além de prepará-los para enfrentar desafios. Pois à medida que os alunos tiveram contato com as atividades que a oficina lhe proporciona ela começa assimilar tudo aquilo que tem aprendido e até mesmo aquilo que ainda vai aprender teoricamente. Sabemos que, pedagogicamente, o aprendizado é muito mais eficaz quando é adquirido por meio da experiência. E o aprendizado proporcionado pela realização da oficina foi instigante, provocador, enriquecedor e gratificante. Os aspectos mais relevantes que pudemos perceber foi o envolvimento de todos, mudança de comportamentos dos alunos, a comunhão de idéias e execução de todas as atividades, fazendo, refazendo e aprendendo, demonstrando que os alunos estão interessados e consideram o seu processo de aprendizado importante, o que, para o educador, é importante na continuidade do processo de ensino. Não podemos deixar de ressaltar que nos deparamos com algumas dificuldades, erros e acertos. Alguns contratempos percebidos no decorrer da execução do projeto se manifestaram, principalmente no que se refere ao custeio de materiais para oficina, custeio das despesas com impressão, recolhimento de material junto aos alunos e comunidade necessários para confecção de produtos, disponibilidade de recursos audiovisuais, locomoção de pessoal e materiais e disponibilidade de espaço. Sem desconsiderar o apoio ao processo de ensinoaprendizagem inerente à vida escolar, essa interferência educativa reforçou o compromisso social, tendo em vista que ajudou na preparação dos alunos para o exercício da cidadania, para a autonomia e responsabilidade de atitudes. Mas, apesar das dificuldades, erros e acertos, a culminância de todo trabalho, por meio de uma exposição, levou a perceber que o proposto e realizado por professores e alunos, foi um trabalho de qualidade e inovador. Também sob o olhar de professores, dificuldades, erros e acertos devem ser percebidos como algo que pode ser superado, tornando-se uma forma de reflexão sobre a própria prática docente de forma a reconstruí-la e melhorá-la cada vez. A realização das oficinas proporcionou aos alunos da turma “E” do Projovem/Urbano –Montes Claros – Núcleo Dú Narciso a A execução do projeto, desde sua elaboração até a culminância com a exposição dos trabalhos realizados, oportunizou 136 137
  • 70. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação muitas reflexões. O ânimo, motivação e interesse dos alunos em participar, realizar e fazer acontecer todo o processo demonstra o crescimento e maturidade escolar que alcançaram até essa etapa do Projovem/Urbano, necessárias para dar continuidade aos estudos e também perceber as transformações que a educação pode realizar em suas vidas. O desenvolvimento desse trabalho pode ser caracterizado como estratégia de aprendizagem tanto para os alunos, quanto para professores. Projetos como este devem ser contínuos, pois além do conhecimento teórico e prático possibilita aos alunos e professores uma dinâmica de trabalho motivadora que demonstra a capacidade criativa do ser humano. Esta experiência proporcionada por este projeto de intervenção amplia o significado da constituição do papel de educadores enquanto profissionais que analisam e refletem sobre sua prática pedagógica e do papel enquanto educador e agente da transformação social. DIONISIO, Ângela Paiva. Gêneros Textuais Definição e Funcionalidade. In: Gêneros Textuais Ensino. Rio de Janeiro: ed. Lucema, 2002. FELIPE, Delton Aparecido; BACARO, Paula Edicléia França; ALTOÉ, Anair. Educação Especial: O Apoio do Computador para Alunos em Processo de Desenvolvimento da Leitura e da Escrita. Disponivel em http://saci.org.br/index.php?modulo=akemiparametro acesso em 26/05/2011. JONASSEN, David. O Uso das Novas Tecnologias na Educação a Distância e a Aprendizagem Construtivista. Revista Em Aberto, Brasília, ano 16, n.70, abr./jun, 1996. KAUFMAN, Ana Maria; RODRIGUEZ, Maria Helena. Escola, Leitura e Produção de Textos. Trad. Inajara Rodrigues, Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. Mídias na Educação - Ciclo Intermediário Módulo 3 – Gêneros Textuais Impressos 1º Etapa: Contexto de Produção e Gênero. Disponibilizado em: http:// webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/impresso/ impintermediario/Apostilas/ PrimeiraEtapaLeituraeProdTextosnaEscola.pdf REFERÊNCIAS ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Pedagogia de projetos e integração de mídia. Disponível em: http://www.tvebrasil.com. br/salto/boletins2003/ppm/tetxt5.htm. Acesso em 26/09/2005. ANTUNES, Irandé. Avaliação da produção textual no ensino médio. In: BUNZEN, Clécio; MENDONÇA, Márcia [orgs]. Português no Ensino Médio e Formação do Professor. São Paulo: Parábola Editorial, 2006. MORAN, José Manuel. Ensino e Aprendizagem Inovadoras com Tecnologias. In: MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos; BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. São Paulo, Papirus Editora, 2000. MOREIRA, Walter. Produção e Leitura de Hiperdocumentos: novos modos de interação leitor-texto. Informação Sociedade, v. 13, n. 1, 2003. SILVA, Ricardo da. A Educação na Sociedade da Informação: BAKHTIN, Mikhail M. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Tradução do russo por Aurora F. Bernadini, José P. Junior, Augusto G. Júnior et al. 3ª ed. São Paulo. UNESP/ HUCITEC, 1993. as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação a Serviço da Educação à Distância, 2008. Disponibilizado em: http://www. 138 139 slideshare.net/oricardosilva/a-educao-na-sociedade-da-informaoricardo-da-silva. Acesso em: 20/09/2011.
  • 71. BLOG NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ESTRATÉGIA PARA SE ESTIMULAR A LEITURA E A PRODUÇÃO DE GÊNEROS TEXTUAIS DIVERSOS SILVA, Leila Tupinambá 1 MAGALHÃES, Sandra Célia Muniz 2 INTRODUÇÃO Este artigo objetiva contribuir para a reflexão acerca do uso da mídia internet, mais especificamente dos blogs, como recurso educacional. Ao priorizar o trabalho com gêneros textuais, tanto na leitura quanto na produção de textos, analisou-se o quanto essa ferramenta pode colaborar nas aulas de Língua Portuguesa. O projeto de intervenção aqui descrito é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Mídias na Educação da Universidade Estadual de Montes Claros. A intervenção foi realizada com os alunos do 6º ano 04 da Escola Municipal Geraldo Pereira de Souza, em Montes Claros – MG. Trata-se de uma classe bastante agitada, com alguns casos mais graves de indisciplina. Os estudantes têm entre 10 e 13 anos de idade e a situação-problema diagnosticada foi a imaturidade nos atos de leitura e escrita. Muitos liam com dificuldade e não se sentiam motivados a produzir textos. O objetivo primordial, dessa forma, foi proporcionar momentos de leitura e produção de textos, de gêneros diversos, através da criação do blog da turma, Cursista do Pós-Graduação Lato Sensu em Mídias na Educação. Possui graduação em Geografia pela Unimontes. Mestre em Geografia – PUCSP. Doutoranda em Geografia UFU. Professora efetiva do Departamento de Geociências - Unimontes 1 2 141
  • 72. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação a fim de minimizar as dificuldades então detectadas. Por meio das ações desenvolvidas, foi possível garantir uma forma diferente e inovadora de trabalhar a diversidade textual, instigando os alunos a desenvolverem gosto pela leitura e produção de textos. Muitas foram as dificuldades encontradas (a indisciplina e o tempo insuficiente certamente foram as maiores). Todavia, elas não impediram que a intervenção fosse desenvolvida e que resultados satisfatórios fossem alcançados. 1 BLOG NA EDUCAÇÃO: UMA ESTRATÉGIA DE ENSINO QUE CONTEMPLA A DIVERSIDADE TEXTUAL O trabalho com gêneros textuais vem ganhando maior relevância nos últimos tempos. Diante da dificuldade dos alunos, de uma forma geral, na leitura, interpretação e produção de textos, constata-se a necessidade de propiciar o acesso a uma quantidade diversificada de textos, mostrando o contexto de produção, a situação comunicativa em que o texto é produzido, o público-alvo e os objetivos a serem alcançados. Priorizar os gêneros textuais e suas especificidades,então, é uma urgência não somente nas aulas de Língua Portuguesa, mas em todos os conteúdos, em conformidade com as peculiaridades de cada disciplina. Perceber as diferenças e semelhanças entre os textos, de acordo com o que cada um se propõe, facilita o entendimento e, conseguintemente, a interpretação dos dados nele presentes. Segundo Scheuwly e Dolz (2004, p. 97), Quando nos comunicamos, adaptamo-nos à situação de comunicação. [...] os textos escritos ou orais que produzimos diferenciam-se uns dos outros e isso porque são produzidos em condições diferentes. Apesar dessa diversidade, podemos constatar regularidades. Em situações semelhantes, escrevemos textos com características semelhantes, que podemos chamar gêneros de textos, conhecidos e reconhecidos por todos, e que, por isso mesmo, facilitam a comunicação: a conversa 142 em família, a negociação no mercado ou o discurso amoroso. Dessa forma, a criação de um blog vem atender essa urgência básica, tão discutida nos dias atuais. Em ambiente virtual, os alunos têm a oportunidade não somente de ler textos de gêneros diversos, como comentar, analisar e, sobretudo, publicar seus próprios textos. Nessa perspectiva, o que a princípio trazia características bem próximas de um diário de adolescente, por ser utilizado como um registro diário pessoal, hoje tem atingido grandes proporções e tem chegado ao meio profissional com êxito. Os blogs estão se profissionalizando e deixando de ser apenas “diário virtual adolescente” para virar palco de discussões e fonte de informações para muitos setores. [...] e esta febre começa a contagiar professores e educadores, que já vêem nos blogs uma alternativa para comunicação na educação e um excelente meio para oferecer uma formação descentralizada (UNI-VERSO EAD, 2008 p. 1). Assim, o blog é uma oportunidade de levar ao aluno o conhecimento de textos variados, verbais e não verbais, com um diferencial: a interatividade. Em ambiente virtual é possível atrair o interesse dos alunos, o que possivelmente gerará uma participação efetiva. Quanto à produção textual, o blog assume um papel de suma importância, pois os textos produzidos durante as aulas não ficarão somente nas páginas do caderno do aluno, onde correm o risco de, depois de prontos, jamais serem lidos, nem por ele próprio. Por outro lado, ao saber que seu texto poderá ser exposto em ambiente virtual e que será conhecido em escala muito ampla, o estudante certamente terá mais empenho em produzir e, principalmente, terá o zelo de revisá-lo, reescrevêlo, apurar as ideias e corrigir seus erros. Com esses benefícios, entre outros, verifica-se que, paulatinamente, o blog tem alcançado reconhecimento no meio educacional e já é possível verificar que uma quantidade 143
  • 73. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação considerável de educadores tem utilizado tal recurso em suas metodologias de ensino e aprendizagem. Frota (2008, p.1), entretanto, ao ressaltar a importância do blog como recurso pedagógico para enriquecer o dia a dia escolar, acrescenta que “o professor não pode deixar de estabelecer objetivos e critérios ao utilizar um blog como recurso, pois a utilização pelo simples modismo, não enriquece as aulas e não promove conhecimento”. Dessa forma, igual aos demais recursos pedagógicos, vale salientar que o uso do blog deve obedecer a critérios que venham nortear o trabalho do educador. Para que se consiga, de fato, envolver os alunos e obter os resultados almejados, é necessário planejamento prévio e metas estabelecidas com clareza. 2 CRIAÇÃO DO BLOG DA TURMA: ELABORAÇÃO, DESAFIOS E AVANÇOS A intervenção aqui apresentada teve suas ações iniciadas no mês de setembro de 2011, período em que o projeto “Blog nas aulas de Língua Portuguesa: uma estratégia para se estimular a leitura e produção de gêneros textuais diversos” foi apresentado aos alunos do 6º ano 04, bem como à direção e ao serviço pedagógico da escola. A princípio, foi aplicado um pequeno questionário que visava verificar o acesso dos estudantes da turma a computadores e à internet e o conhecimento que tinham sobre blogs. Dos vinte e cinco alunos que responderam ao questionário, verificou-se que 48% não têm computador em casa; 40% têm computador em sua residência, mas sem acesso à internet e apenas três alunos (12%) têm acesso à internet em casa. Apesar disso, 72% dos alunos afirmam acessar a internet mais de duas vezes por semana. A maioria desses acessos (60%) acontece em lan houses e 20% acessam na casa de parentes ou amigos. Apenas 8% dos alunos afirmam ter acesso à internet apenas na escola (GRÁFICO 1). 144 Em lan house 60 50 40 Em casa de parentes ou amigos 30 Em casa 20 Somente na escola 10 0 Gráfico 1: Local de acesso Fonte: Pesquisa direta, 2011 Questionados sobre o maior atrativo na rede, a maioria (52%) responde que são os sites de relacionamento. A preferência por jogos também é grande: 32%, restando 16% (4 alunos) para pesquisas/ aquisição de conhecimentos gerais (GRÁFICO 2). 60 Sites de relacionamento 50 40 Jogos 30 Pesquisas/ aquisição de conhecimentos gerais 20 10 0 Gráfico 2: Maior atrativo na internet Fonte: Pesquisa direta, 2011 Para finalizar, revelaram se já possuíam algum conhecimento sobre blogs. Uma parcela considerável (40%) disse que não sabia, ao certo, de que se tratava, embora já tivesse ouvido falar; 48% já haviam acessado muitos blogs e 3 alunos (12%) já criaram seus próprios blogs (GRÁFICO 3). 50 Apenas tinham ouvido falar 40 30 Já acessaram alguns blogs 20 Já criaram seus próprios blogs 10 0 Gráfico 3: Conhecimento sobre blogs Fonte: Pesquisa direta, 2011 145
  • 74. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Após a aplicação e análise do questionário, foi o momento de expor para os alunos os objetivos da criação do blog, bem como de debater sobre o que seria exposto nele. Além de fotos e vídeos da turma e de eventos promovidos pela escola, foi acordado que seriam divulgados textos interessantes de que eles gostassem e, principalmente, as produções da turma. Seriam publicados, inclusive, alguns textos já produzidos no mês anterior, por ocasião da Feira Literária. É necessário lembrar que nem tudo corria conforme planejado. Havia situações em que, movidos pela euforia (e pela indisciplina), os alunos ficavam excessivamente agitados, o que, muitas vezes, dificultava o trabalho e sua organização. Mas, apesar das dificuldades, as ações propostas foram mantidas, levando em consideração as dificuldades do grupo com relação à leitura e produção de textos e os objetivos a serem alcançados. Para desenvolvimento e execução do trabalho de intervenção, foram adotadas as seguintes estratégias: O primeiro passo foi a apresentação do projeto à direção e ao serviço pedagógico da escola e, posteriormente, aos alunos. Em seguida, foram trabalhadas as características de um blog, suas especificidades, objetivos, linguagem e contexto de produção. Dando prosseguimento, foi realizada a escolha do nome do blog, pois como se tratava de uma produção da turma, era necessário que eles mesmos fizessem a opção. Após a sugestão de três nomes, foi feita a eleição. Para isso, cada um produziu um pequeno texto, justificando a escolha. Depois da leitura pelos alunos de suas produções, foi eleito o nome Talentos em GPS (uma referência ao nome escola). Passou-se, então, para a fase da criação do blog. Assessorados pela monitora do laboratório de informática, que apresentou em projetor de multimídia o passo a passo para se criar um blog, os alunos puderam entender com clareza esse processo. E o endereço do blog foi então definido: http://:talentosemgps.blogspot.com/. 146 Realizou-se, então, a criação coletiva do blog e escolhida a personalização da página, seguindo a orientação do grupo. Em sala, produziram o primeiro texto a ser exposto: o perfil da turma. Como o principal objetivo do projeto era desenvolver atividades relacionadas à leitura e produção de gêneros textuais, os alunos foram orientados a produzir o perfil, de acordo com as características de um texto descritivo, já trabalhadas anteriormente. E assim o fizeram. Ressaltou-se que seriam escolhidos dois textos e eles se sentiram motivados a escrever. Em seguida, começaram a realizar os primeiros trabalhos para postagem. Na internet, em sites previamente selecionados, acessaram alguns contos fantásticos, para posterior postagem dos mais interessantes. Após a discussão sobre as características desse tipo de texto, ressaltando seu caráter narrativo, os alunos foram motivados a produzir contos modernos. A atividade foi realizada em dupla, seguindo as especificidades do tipo narrativo e do gênero trabalhado. Poderiam mesclar histórias e personagens de vários contos ou dar um tom mais moderno para a narrativa. Ficaram eufóricos (e ainda mais agitados!). Após a etapa da produção, veio outra bastante trabalhosa: a revisão, pois eles não tinham paciência para corrigir o texto, reler, verificar os erros ortográficos, as repetições, as incoerências. E, como uma das finalidades do projeto de intervenção é exatamente motivar a revisão do texto, esta foi uma atividade que demandou tempo e persistência. Na verdade, os alunos queriam adiantar o processo: fazer a votação para escolher os melhores textos, para que fossem logo divulgados, mas não queriam “perder tempo” com a revisão e, sobretudo, com a reescrita do texto. Além disso, um problema ainda maior se configurava: alunos que se recusaram a participar dessa atividade, pois conheciam suas dificuldades na produção de textos e acreditavam que seus textos não seriam escolhidos. Após um trabalho de elevação da auto-estima, uma conquista foi alcançada: quase 147
  • 75. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação todos realizaram a atividade. Apenas dois alunos não fizeram. E as produções ficaram bastante interessantes, pois usaram a imaginação e, em alguns casos, misturaram o real e o fictício, o que garantiu aos contos uma atração especial. Posteriormente, os quatro melhores contos foram postados e comentados no blog. Um aspecto positivo desse trabalho foi o fato de poder desenvolvê-lo paralelamente aos eventos promovidos pela escola. Os Jogos Internos e a visita à COPASA – Companhia de Saneamento de Minas Gerais, por exemplo, foram tema de produções realizadas na sala, como relatórios, notícias e entrevistas. Assim, pequenos avanços iam sendo alcançados. Gradativamente, os estudantes perceberam a importância de reler, corrigir e reescrever os textos Deve-se confessar que as ações, embora trabalhosas, foram bastante gratificantes, pois era notável o interesse de grande parte da turma em realizar produções bem feitas para que o blog ficasse interessante e atrativo. E para isso, faziam questão também de que fossem divulgadas fotografias da turma, em circunstâncias diversas: apresentação de trabalhos, desfiles promovidos pela escola, bem como em situações corriqueiras, como a fila da merenda ou o futebol. Uma atividade realizada pela turma que também se revelou bem interessante foi a produção de slides, em equipes. Utilizando a câmera do celular ou máquinas digitais, os estudantes fotografaram o dia a dia escolar, dando um enfoque especial à realidade dos alunos e funcionários da escola. Após orientação, a turma produziu quatro vídeos e, cada um a sua maneira, valorizou as atividades cotidianas e desenvolveu a criatividade dos alunos. Deve-se confessar que, infelizmente, ainda há uma porcentagem de alunos que, mesmo diante das propostas de um trabalho diferenciado, não conseguiu interagir com a turma e acabou ficando aquém das expectativas. Embora não tenha faltado incentivo e motivação, é lamentável perceber que, em alguns casos, não houve interesse em superar as dificuldades na 148 aprendizagem, pois o objetivo desse trabalho não era somente levar aos alunos o conhecimento sobre blogs, mas, também (e sobretudo), estimulá-los a desenvolver o hábito da leitura e da escrita. E esse avanço não foi possível notar em todos. Em suma, mesmo não tendo alcançado a totalidade da turma, nem, tampouco, a perfeição nos hábitos de leitura e escrita, já que é impossível obter tudo isso em um curto espaço de tempo, deve-se ressaltar que a utilização do recurso blog deu um novo rumo às aulas de Língua Portuguesa. O trabalho com os diversos tipos de textos, tão necessário nos dias atuais, tornou-se, sem dúvidas, mais dinâmico e atraente. É evidente que, tudo que é novo gera preocupações e afazeres extras: pesquisas teóricas, seleção prévia do material virtual a ser trabalhado, correção e revisão de textos (que chegam a ser enfadonhas!), postagem do material produzido, atualização constante do blog, acompanhamento do teor dos comentários realizados, entre outras tarefas que exigem ainda mais do professor, que já tem tantas atribuições. Mas se há o real interesse por parte do professor em ver a participação e a aprendizagem efetiva dos alunos, a realização de trabalhos de intervenção se torna indispensável, pois renova a vontade e a determinação para seguir em frente, na tentativa de minimizar os inúmeros problemas enfrentados no dia a dia escolar. CONSIDERAÇÕES FINAIS A internet e as demais TIC’s têm significante caráter educativo e podem auxiliar os educadores no processo ensinoaprendizagem, mesmo porque o seu uso agrada e desperta a curiosidade dos alunos. Nessa perspectiva, o projeto de intervenção aqui apresentado vem ratificar a necessidade de inovação das aulas, no objetivo de estimular os discentes na busca pelo conhecimento. 149
  • 76. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Realizar um projeto como este, o qual utiliza a internet como principal mídia, foi realmente desafiador. Diagnosticados os problemas da turma, relacionados à leitura e escrita, foi percebida a necessidade de intervir, de forma diferente e inovadora. E o avanço da turma foi considerável. É indubitável que, durante o processo de intervenção, surgiram muitos entraves. A indisciplina da turma talvez tenha sido o maior deles. Muitas vezes, causava desmotivação, pois a conversa e a agitação tornavam o trabalho cansativo, repetitivo e lento. Não é possível esquecer, também, das novas atribuições inerentes ao desenvolvimento de um blog: renovação do conhecimento teórico, atualização do material a ser exposto, análise e correção dos textos produzidos, entre outras. Essas ações geram um novo ritmo às atividades do professor, pois requerem ainda mais planejamento e reorganização do tempo e das metodologias. Todavia, mesmo em meio às dificuldades encontradas, o projeto de intervenção ocorreu de forma satisfatória. O trabalho com internet foi muito valorizado pelos estudantes, por exercer grande atração sobre eles. Esse foi um fator essencial, pois ter o interesse dos alunos já é um grande avanço. Ademais, deve-se acrescentar que, como um dos principais objetivos da intervenção era desenvolver aptidões relacionadas à leitura e produção de textos, a criação do blog favoreceu, em peso, a realização desse trabalho, pois, em rede, foi possível fazer variadas leituras, bem como incentivar a produção textual, visto que havia uma motivação especial: ver os próprios textos expostos no blog da turma. Assim, este projeto de intervenção deixou ainda mais evidente que os profissionais da Educação devem buscar formas de aprimoramento da vivência pedagógica. E ainda mais: que os recursos midiáticos são, de fato, ferramentas indispensáveis ao educador que pretende, de forma efetiva, atrair a atenção dos discentes, no processo de aquisição do conhecimento. REFERÊNCIAS FROTA, Márcia Teixeira. Blog: Ferramenta de Comunicação e Publicação, Como Recurso Didático em Sala de Aula. 2008 Disponível em http://www.webartigos.com/articles/11842/1. Acesso em: 20/05/2011. SCHEUWLY, B. e DOLZ, J e colaboradores. Gêneros textuais orais e escritos na escola. Campinas, São Paulo. Editora Mercado das Letras, 2004. Universo EAD, SENAC. Blogs como ferramentas pedagógicas. 2005. Disponível em http://www.ead.sp.senac.br/newsletter/ agosto05/destaque/destaque.htm Acesso: 12/09/2011). Com relação aos gêneros textuais, foi possível enfocar uma boa quantidade deles, tanto na leitura, quanto na escrita: contos fantásticos, contos modernos, poesias, perfil, notícia, reportagem, relatório, parábola, classificados, receita, entre outros. 150 151
  • 77. “LEITURA, LUZ, CÂMERA E AÇÃO”: O CINEMA COMO FERRAMENTA PARA A LEITURA DO DO MUNDO ASSIS, Vanilda Barbosa Brito de1 LÉLIS, Úrsula Adelaide de2 O desafio de utilizar as mídias e tecnologias como ferramentas didático-pedagógicas na escola, superando formas cristalizadas do seu uso, muitas vezes, amadoras e improvisadas, foi um dos pontos de partida para este trabalho. Tínhamos, em uma Pesquisa de Intervenção Pedagógica (PIP), como aprimoramento da nossa formação, no Curso Mídias em Educação (Unimontes-MEC), alunos do 7º Ano do Ensino Fundamental, de uma escola pública de Sete Lagoas/MG, desinteressados e com defasagem em leitura e escrita. Esse quadro gerava indisciplina e baixa autoestima na Turma. Escolhidos como ferramentas didático-pedagógicas, o material impresso e o cinema, esta Pesquisa tinha como objetivo desenvolver habilidades de leitura e escrita de textos; criar um contexto para que os alunos utilizassem as mídias e tecnologias como recursos de aprendizagem; estimular a 1 Graduada em Letras pela Faculdade Monsenhor Messias (Sete Lagoas), Professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental. Cursista do Curso Mídias em Educação (Unimontes-MEC). 2 Pedagoga, mestre e doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia. Professora da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Professora-orientadora do Curso Mídias em Educação. 153
  • 78. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação criticidade pela dialogicidade entre leitor e texto; e estimular a capacidade criativa, a produção coletiva e os sentidos simbólicos na transformação de espaços convencionais em “cenários de cinema”. A intervenção pedagógica fundamentou-se na adaptação de um clássico literário para o cinema, produzindo-o em um curta-metragem. A base teórica constitui-se, principalmente, a partir das obras de Bakhtin (2000), Freire (1996), Miranda et al (2006), e Pietri (2009), e do material disponibilizado pelo Curso Mídias em Educação, principalmente os módulos de TV e vídeo e Multimídia. O MATERIAL IMPRESSO E O CINEMA COMO FERRAMENTAS DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM NA ESCOLA “Leitura, luz, câmera, ação!”: assim iniciamos o relato desta experiência, tendo o material impresso – espaço de criação e recriação – e o cinema – com  todo seu  encanto, movimento, sedução das cores e acordes  musicais – como ferramentas basilares para esta Pesquisa de Intervenção Pedagógica. Realizada junto aos alunos do 7º Ano “B”, da Escola Municipal “DDF”3, na zona urbana de Sete Lagoas/MG, esta Pesquisa foi uma tarefa árdua, porém prazerosa. Árdua pelos entrepostos comuns a uma turma cujos 40% dos alunos eram repetentes por mais de três anos consecutivos, desinteressados pelos estudos e com dificuldades para ler e escrever, situação refletida também na indisciplina e na baixa autoestima, em todas as disciplinas escolares. Prazerosa, pelos resultados alcançados e que serão relatados aqui. A turma era formada por 25 alunos com idade entre 12 e 15 anos. Muitos tinham alguma prática no uso de mídias e tecnologias, como computador/informática/internet, celular, livros literários, rádio, televisão, DVD, jogos eletrônicos e virtuais. Gostavam de música e participavam de comunidades virtuais (principalmente o Orkut). Muitos moravam apenas com a mãe ou avó, em casas cedidas pela Prefeitura ou invadidas por suas famílias. Era uma Turma agitada. Quando demonstrava algum interesse em aprender, esbarrava-se nas dificuldades não sanadas nos anos anteriores. A grande maioria já namorava e prestava pequenos serviços. A turma era carinhosa, mas necessitava de atenção para melhorar a autoestima. Para realizar o diagnóstico inicial, necessário à PIP, aplicamos um questionário, cujas perguntas foram direcionadas para o ato de ler em sites, jornais e livros não didáticos e para mensagens eletrônicas. Detectamos, nos alunos, suas reais potencialidades e fragilidades de leitura e escrita, além de um total desconhecimento de como preencher um questionário. Revelou-se também gostarem de filmes, principalmente aqueles baseados em livros impressos, que compravam através de revistas ou pediam emprestados aos amigos. O livro mais citado foi a saga Crepúsculo, da norte-americana Stephanie Meyer. Realizamos uma sondagem oral sobre filmes e idas ao cinema: 80% gostavam de assistir a filmes e 10% nunca tinham frequentado uma sala de cinema. A maioria comprava filmes piratas na feira local, que acontece aos domingos, na cidade. Partindo desses resultados, planejamos a nossa PIP, que denominamos “Leitura, luz, câmera e ação”, e o apresentamos à turma, motivando-os. Inicialmente, como esperado pela característica da turma, o projeto não obteve credibilidade junto aos alunos, que diziam não serem capazes de ler um livro e produzir um curtametragem: “esse trem não vai dar certo”, “não sabemos nem ler e escrever direito”, afirmavam categoricamente. Trabalhar com as mídias cinema e material impresso de uma maneira diferenciada das propostas em livros didáticos, sites e orientações pedagógicas, ou das nossas experiências 3 Nome fictício. 154 155
  • 79. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação anteriores, que se resumiam em assistir a filmes, comentá-los e/ou resumi-los, exigiu de todos, alunos e professores, muito empenho, estudo, disciplina, colaboração e, principalmente, capacidade de acreditar no novo. Exibir filmes baseados em obras literárias lidas para comparação das diferentes linguagens, realizar debates sobre o tema do filme e aprender a produzir e a trabalhar com roteiros trouxeram novas possibilidades para ensinar e aprender com aqueles alunos, pois, “fazendo a mesma coisa dia após dia, não há de se esperar resultados diferentes” (EINSTEIN, 20114). Nesta proposta, utilizamos diversas linguagens audiovisuais, proporcionando aos alunos o desenvolvimento da leitura e da escrita. O trabalho com as imagens potencializou o trabalho com a leitura, resultando em uma forma diferente de ler o mundo. Transformar uma cena em objeto de estudo para a construção de uma narrativa foi uma atividade prazerosa e educativa. Para incentivar a turma e retirar da Pesquisa a característica de trabalho escolar, propusemos uma visita ao cinema da cidade, um passeio descontraído e sem compromisso. Ao lançar a ideia, a Turma ficou eufórica. Neste momento, percebemos que a PIP poderia deslanchar, e vimos a possibilidade de uma atividade diferente, envolvendo o recurso audiovisual fora do ambiente escolar, quebrando a rotina dos alunos, que sempre solicitam atividades diferenciadas. O cinema local, Cine Fox, através do projeto “A escola vai ao cinema”, cuja finalidade é proporcionar aos alunos de escolas públicas a oportunidade de frequentar uma sala de cinema cobrando meia entrada, envia periodicamente para a escola cartazes com a programação semanal contendo a sinopse dos filmes em cartaz. Assim levamos para sala de aula sinopses de Disponível em: http://pensador.uol.com.br/autor/albert_einstein/8/ . Acessado em dezembro de 2011. 4 156 três filmes: Os Smurfs, Lanterna Verde e O Planeta dos Macacos: a origem. Precisávamos escolher um filme ao qual assistir. Explicamos aos alunos a função daqueles textos que é de informar e divulgar o produto a ser vendido. A seguir, após muita discussão, debates e argumentos os alunos votaram e escolheram O Planeta dos Macacos: a origem. Foi interessante perceber como alunos são ávidos por assuntos relacionados à atualidade e tecnologia, pois o filme escolhido é rico em efeitos especiais e tecnológicos. Tendo como um dos objetivos desenvolver a habilidade de escrita funcional, solicitamos aos alunos que, coletivamente, elaborassem um bilhete direcionado aos pais, convidando-os para uma reunião a fim de esclarecer sobre as atividades que seriam realizadas no decorrer da Pesquisa. Durante a reunião, os pais e responsáveis demonstraram interesse e ofereceram ajuda no que fosse necessário, colocando à disposição suas habilidades manuais e auxílio pessoal. Para a ida ao cinema, a Prefeitura de Sete Lagoas -o MGforneceu transporte e os pais pagaram as entradas. Inicialmente,a expectativa da ida ao cinema gerou certo nervosismo e apreensão. Alguns alunos nunca tinham frequentado uma sala de cinema, outros nunca haviam saído sozinhos à noite. A dificuldade financeira motivou a solidariedade entre eles, pois havia colegas que não tinham o dinheiro para a entrada no cinema. A pipoca, o refrigerante, balas e chicletes foram partilhados e sorrisos não saíam dos rostos. Os funcionários, que nos acompanharam ao cinema, elogiaram o comportamento dos alunos, evidenciando a confiança que se estabeleceu entre todos. O que foi previamente combinado, cumpriu-se, e os alunos que tinham uma liderança negativa passaram a ter responsabilidade e apresentaram um comportamento diferente. No dia seguinte, em uma roda de conversa, comentamos sobre o filme e a ida ao cinema, e como o assunto não se esgotou, solicitamos à Turma que formasse grupos e escrevesse relatos 157
  • 80. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação sobre o filme, exercitando assim a escrita e a interpretação. Com o interesse da Turma sobre o cinema, aproveitamos a oportunidade para contar a historia do cinema através de um texto impresso5 e da exibição do vídeo “A invenção do Cinema”6. Objetivando avaliar a intervenção até aquele momento, realizamos uma atividade de leitura e interpretação baseada em um trecho da obra Crepúsculo, através de um quiz impresso, muito presente em revistas juvenis, e solicitamos um resumo do enredo do filme. Foi um sucesso, o interesse foi outro. Quem ainda não havia lido o livro, teve que ler a obra e todos gostaram muito da narrativa, pois se identificavam com os protagonistas. Mas o cinema não vive só de filmes internacionais e de suas ideologias e mensagens americanizadas. Assistimos, na biblioteca da escola, usando o Projetor Multimídia, ao filme Os Narradores de Javé, da diretora Eliana Caffé. Discutimos a abordagem do filme através de atividades escritas. Os alunos perceberam, ao assistir a este filme, a importância de se dominar a escrita formal para registro de memórias na construção de uma narrativa. Na preparação do roteiro cinematográfico apresentamos aos alunos os gêneros textuais roteiro e reportagem, que contemplam um vocabulário diferenciado, o que exigiu o uso do dicionário (hábito que não haviam cultivado) para conhecer o significado de alguns verbetes relacionados aos gêneros. Também assistimos a vídeos sobre algumas técnicas de filmagem: “Técnicas de filmagem handycam”, que se encontra no YouTube, e o curtametragem presente no site Tela Brasil. A proposta era que todos os alunos participassem das oficinas oferecidas por esse site, porém não foi possível disponibilizar o acesso a todos, pois o laboratório da Escola estava inoperante. Alguns alunos realizaram as oficinas em seus computadores pessoais e em LAN house. Infelizmente, esta dificuldade de 5 Disponível em: http://www.mnemocine.art.br.. Acesso em: Set de 2011. 6 Disponível em: http://youtu.be/tkkl7_oDxXU. Acesso em: Set de 2011. 158 acesso ao laboratório de informática ainda faz parte do cenário educacional em nossa Escola. Após esse processo, os alunos estavam motivados e preparados para a escolha da obra literária que iriam adaptar para o curta-metragem. Foram colocadas três obras em votação: Poderosa de Sérgio Klein, o mais procurado na biblioteca da escola; O Menino Maluquinho de Ziraldo; e Romeu e Julieta de William Shakespeare, cujo resumo apresentamos, por ser um clássico que inspirou vários escritores a retratarem o tema “amor proibido”. Esta foi a obra mais votada. Em seguida solicitamos uma pesquisa sobre a biografia de William Shakespeare. Como na biblioteca da Escola não havia exemplares de Romeu e Julieta recorremos à biblioteca pública, que nos emprestou alguns exemplares. Os alunos fizeram a leitura e a comentaram durante as aulas. Para fazer cinema sabíamos que a organização de equipes era necessária. Pesquisamos sobre o assunto: composição, responsabilidade, papéis e funções das equipes na produção do curta. Organizamos os grupos de trabalho conforme o perfil de cada aluno. Este foi um momento crucial para o desenvolvimento da PIP, pois os alunos deveriam escolher a equipe conforme as suas habilidades. O grupo de roteiro foi muito exigido, porque o roteiro é a alma do filme, e é sobre ele que todas as ações se desenvolvem. Foram realizadas reuniões de pauta com cada equipe, nos horários de aulas e extraclasse, devido à exigência das atividades, à dinamicidade de se produzir um curta. A ideia era produzir um romance shakesperiano do século XXI, com seus sonhos, cotidianos e desafios. Para que os alunos se familiarizassem com a linguagem cinematográfica, foi solicitada a eles uma pesquisa sobre os seguintes temas: “O que é um roteiro de cinema”, “Os nomes de cinco filmes baseados em obra literária”, “A ficha técnica de 159
  • 81. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação um filme” e “As dez maiores bilheterias dos três últimos anos do cinema”. As pesquisas foram discutidas em sala de aula e sintetizadas. O roteiro foi lido pela Turma que sugeriu modificações nas falas, no encaminhamento do enredo, nas características das personagens, etc. O nome escolhido, aprovado por todos, foi: Conectados pelo Amor . O Curta ficou pronto e apresentava-se como concretização de todas as potencialidades e habilidades daqueles alunos, tantas vezes negligenciadas pela Escola. Na avaliação da PIP ficou evidenciada pelos alunos a compreensão do que é um trabalho coletivo, o interesse, o empenho, o exercício da tolerância e a capacidade de superação da Turma. “O trabalho foi legal, por que aprendemos a história do cinema, aprendemos a manusear uma filmadora, computador, lemos livros e assistimos o filme: Planeta dos macacos, a origem.” (Aluno) “A introdução das mídias (computador, televisão, câmaras, etc...) nas aulas foi muito divertido, pois foi bom variar das aulas escritas”. (Aluno) “A gente teve muito o que aprender e a compartilhar na escola e nos estudos”. (Aluno) “Eu entendi que para escrever um roteiro requer muita paciência e atenção. O projeto serviu para juntar os colegas de classe e melhorar o desempenho da turma. Cada equipe tinha uma função, e cada uma conseguiu preencher essas funções” (Aluno.) O roteiro retratava a história de dois jovens que se conheceram pela internet, apaixonaram-se e descobriram, ambos, que ela era rica e bonita e ele, pobre e paraplégico, só no dia do primeiro encontro, o que não abafou o amor que sentiam. Contudo, os pais da moça não aceitaram o romance. O jovem casal resolveu fugir de casa, quando, durante a fuga, em um acidente, morre. Após poucos ensaios, pela dificuldade de encontrarmos espaços e tempo, iniciamos a gravação do curta com muitas tomadas externas e internas organizadas pelas equipes, e a utilização de câmaras com poucos recursos além de celulares. Ficou evidenciada a confiança que os pais depositaram em nós, liberando os filhos para que fossem conosco em pontos diferentes da cidade, em horários extraturnos, inclusive à noite, para realização das gravações. E a cobrança dos pais para assistirem à produção dos filhos foi uma constante no desenvolver da pesquisa. Depois das cenas gravadas, a equipe de produção e edição começou a trabalhar. Fizeram várias descobertas e aprenderam muito sobre sistemas operacionais. Usamos os programas de edição de vídeo MovieMaker7e o Nero,8 disponíveis no notebook da escola e nos computadores particulares dos alunos, uma vez que no laboratório de informática da escola não há editores de vídeo e não havia computadores funcionando corretamente. 7 O Windows Movie Maker é um software de edição de vídeos da Microsoft. 8 O Nero é um site de aplicativos de mídia. computador para gravar CDs e DVDs e manipulação de 160 Reafirmamos que o aluno aprende quando está inserido no contexto e é agente participativo na construção do conhecimento. O GRÁFICO 1 apresenta alguns desses resultados apresentando, comparativamente, o 1º e o 4º bimestres. 25 20 15 alunos com média 10 5 0 GRÁFICO 01 - Comparativo de resultados Língua Portuguesa - 1º e 4º bimestres/2011 Alunos do 7º “B”- Escola Municipal “DDF” Fonte: Documento da Pesquisa – Intervenção / 2011 161
  • 82. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação Os resultados melhoraram consideravelmente. Além disso, a autoestima dos alunos aumentou, a turma desenvolveu laços de amizade e companheirismo. A autoconfiança, a vontade de aprender, a capacidade de produzir e criticar o que se produziu, de se dedicar e acreditar no seu potencial inventivo e empreendedor, tudo isso superou o que, inicialmente a PIP se propôs. O trabalho em equipe, imprescindível nas produções cinematográficas, ficou em evidência no desenvolvimento de todo o processo, permitindo que cada aluno se identificasse como sujeito ativo no processo de ensinar e aprender. CONSIDERAÇÕES FINAIS A tarefa de ensinar vai muito além do livro didático, contrapõe-se à organização de planos anuais que nada têm a ver com a realidade dos alunos, e de avaliar através de provas escritas e padronizadas pelo contexto escolar. Ensinar e aprender ultrapassa os limites geográficos da escola, como um sonho ultrapassa os limites da realidade para se tornarem objetivos concretos e alcançáveis. o As dificuldades foram muitas e com elas aprendemos que ato de ensinar é um ato de coragem e ousadia, perseverança e responsabilidade, é ter sensibilidade para sentir o que os alunos pensam, aspiram, sonham e vivenciam, fundamental para o sucesso na aprendizagem tanto na escola quanto na vida. REFERÊNCIAS BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: ______. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2000. BRASIL. SEED/ MEC. Programa de Formação Continuada Mídias na Educação. Módulo Básico TV e Vídeo. Disponível em: http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/tv/tv_ intermediario/p_08.htm. Brasília, 2010. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. MIRANDA, Carlos Eduardo Albuquerque. COPPOLA, Gabriela Domingues. RIGOTTI, Gabriela Fiorin. A Educação pelo cinema. Campinas: UNICAMP, 2006. NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto. 2005. PIETRI, Émerson de. Práticas de leitura e elementos para a atuação docente. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009. RICARDO, Stella Maris Bortoni. Educação em língua materna: a sociolingüística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editoral, 2004. SOLÉ, Isabel. 1998. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998. Os resultados alcançados pela PIP devem-se aos conhecimentos apreendidos no Curso de Mídias em Educação, que propicia  uma formação para que as mídias e tecnologias sejam utilizadas nas escolas efetivamente como ferramentas didáticopedagógicas. O Curso retira-nos da zona de conforto, com ele aprendemos, sobretudo, que essas ferramentas estão inseridas em nosso meio e não podemos mais manter as velhas práticas educacionais diante do leque de oportunidades que se põe ao nosso dispor, junto aos nossos alunos. 162 163
  • 83. EDUCAÇÃO NA ERA DO CONSUMO: O DESPERTAR DE UMA NOVA CONCIÊNCIA CARDOSO,Walison Wanderley Soares1 QUEIROZ, Wilton Fábio de2 INTRODUÇÃO Vivemos em uma sociedade complexa. Estamos na era da informação. As relações interpessoais estão cada vez mais marcadas pelos contrastes e antagonismos, pelas disputas e pelo individualismo, pelo imediatismo e busca de poder, isso sem falar na forte tendência da valorização do “ter” em detrimento do “ser”. O ritmo atual de fazer as coisas não é o mesmo de outrora; tudo é muito rápido e não se consegue acompanhá-lo; as idéias já nascem envelhecidas, ultrapassadas e mortas... Diante deste cenário, uma pergunta simples, mas que demanda complexa(s) resposta(s) pode ser formulada: qual é o papel da educação face à formação e promoção de valores que impeçam a “coisificação” do ser humano ou a sua transformação em mero consumidor involuntário? Tal questionamento se justifica pelo fato de parecer existir, no meio da nossa sociedade dita globalizada, o agravante problema da reprodução do modus vivendi, do modus pensandi e 1 Cursista do Ciclo Básico – 3ª Edição do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação. 2 Tutor do Ciclo Básico – 3ª Edição do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação. 165
  • 84. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação até de comportamentos que reforçam as ideologias dominantes e alienantes, formando uma espécie de círculo vicioso. Situado neste contexto, o fenômeno da globalização pode ser entendido, segundo Chiavenato (1998, p.57) como “um processo que utiliza e aumenta a massificação, multiplicando a alienação política e diminuindo a capacidade crítica das pessoas”. Avaliando os efeitos deste fenômeno, subordinados ao juízo de valor de cada um, deduzimos que, para alguns indivíduos, estar mergulhado na realidade globalizante parece soar como algo positivo, pois é possível ter acesso a outras formas de cultura e de mundividência; a outros, porém, pode parecer como algo ameaçador que nos desloca de nossos pontos de apoio sobre o qual se assenta a nossa maneira de conceber e de viver no cosmos. De qualquer forma, alguns investigadores sustentam a idéia de que a globalização não é um legado de nossos dias, como afirma Hall (2002, p. 68): “lembremos que a globalização não é um fenômeno recente”. Um outro aspecto a considerar é que ela está sujeita às diferentes definições ocasionadas pela impossibilidade de consenso entre os estudos. Outra pista para o entendimento nos é dado por Canclini (2005, p. 11), que traz a seguinte argumentação em nota de abertura para o seu trabalho: Um modo de apresentar este livro é dizer que ele estuda a globalização como um processo de fracionamento articulado do mundo e de recomposição de suas partes. Com isto quero afirmar que a globalização não é um simples processo de homogeneização, mas de reordenamento das diferenças e desigualdades, sem suprimilas: por isso, a multiculturalidade é um tema indissociável dos movimentos globalizadores. O entendimento a respeito deste assunto e o fato de situar a nossa problematização dentro desta esfera possibilitamnos aproximar das respostas. Então, a reflexão sobre o papel da educação se faz necessária. O professor de hoje precisa repensar a sua prática adequando-a aos novos tempos. É preciso que a escola esteja mais receptiva ao diálogo e a inclusão. Quando dizemos isto, 166 é porque reconhecemos que no diálogo está uma estrada de mão dupla, onde há espaço para dúvidas e certezas tanto de mestres quanto de aprendizes. Esta realidade dialógica também favorece a inclusão, pois o outro tem de estar próximo para poder dialogar, tem de estar incluído no grupo para poder participar e dar a sua contribuição. E tudo isso gera um conhecimento mais profundo dos nossos pares; gera uma verdadeira formação de valores. O educador que fomenta o diálogo e que promove a inclusão em todos os níveis entre seus alunos tem grande chance de entendêlos melhor; ele passa a compreender quais aspirações, sonhos, fantasias e ideais os movem. Podemos dizer, neste sentido, que a escola tem o desafio de formar pessoa e de conhecer o que é ser pessoa e não “coisa”; formar alguém com subjetividade, antes mesmo de formar o cidadão; além, é claro, de propiciar a construção de conhecimento, advindo da educação formal. E Costa (2007, p.7) ainda acrescenta: “mais do que uma difícil tarefa, eis um novo e imenso desafio que se apresenta às professoras e aos professores destes tempos - enfrentar o consumismo e educar o consumidorcidadão”. Todavia, são muitas as correntes do pensamento e investigação que buscam uma compreensão maior sobre o significado do termo consumidor a partir de vários ângulos. E ao educador cabe compreender tais conceitos, pois esta atitude lhe permite lidar criticamente com as estratégias de marketing e publicidade, uma vez que a cada dia elas se tornam mais presentes e estão mais fortalecidas, agressivas e ousadas; além de poderem oferecer sérios riscos ou comprometimentos para o que concebemos como cidadão autônomo e consciente. Um destes conceitos é apresentado pela abordagem sociológica, presente na obra de Lisboa (2006, p. 157) e aqui parafraseado: a idéia de que a classe social tem um papel importante para o sujeito, pois é em razão desta que ele goza ou desfruta de algum bem. 167
  • 85. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação E na mesma página desta obra, nos é apresentado, ainda descrito aqui em paráfrase, que a Psicologia se posiciona a esse respeito, enfocando o consumidor como aquele a quem os bens finalmente são destinados, daí a necessidade de observar e conhecer suas reações, para que se permita a “individualização dos critérios de produção”. Filomeno3 (citado por Lisboa, 2006, p.157) comenta que “para a Filosofia, consumidor é o indivíduo que adquire bens sob a influência daquilo que a sociedade estabelece como necessidade, ainda que, na realidade, a coisa não seja imprescindível”, enquanto que Alpa4 (citado por Lisboa, 2006, p.158) diz que “na publicidade, consumir é ceder às sugestões do anúncio, ainda que subliminarmente formuladas”. DESENVOLVIMENTO As mudanças de hábitos e costumes podem ser sentidas em todos os lugares. Os adultos se vêem impelidos a consumir e logo descartar. Muitos consomem por compulsão e/ou gratificação. Com os jovens e adolescentes pode acontecer o mesmo. Um adolescente, a título de exemplificação, movido pelo desejo de pertença a um determinado grupo, que não o seu, acaba se tornando um forte candidato a cair nas garras desenfreadas do consumismo, toda vez que não se posicionar criticamente frente aos apelos publicitários. Esta pessoa pode querer comprar um celular caríssimo, mesmo sem poder, e pagá-lo em muitas prestações, para depois de pouco tempo querer descartá-lo, só porque os membros do seu grupo passaram a usar um modelo novo. Além disso, o mercado viu nas minorias ótimas oportunidades de lucratividade e investimento. Grandes bancos e financeiras facilitam empréstimos para aposentados; há revistas e produtos 3 FILOMENO, José Geraldo Brito. Manual de direitos do consumidor. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1999. 4 ALPA, Guido. Diritto privato dei consumi. Bolonha: Il Mulino, 1986. 168 voltados somente para determinados gêneros e profissões; foram criados roteiros turísticos e tipos de entretenimento somente para um grupo seleto de pessoas, por exemplo. Incontestavelmente somos vítimas do consumo. Estudos de diversas correntes consideram o consumo como um momento do ciclo de produção e reprodução social: é o lugar em que se completa o processo iniciado com a geração de produtos, em que se realiza a expansão do capital e se reproduz a força de trabalho. (...) Ao se organizar para prover alimento, habitação, transporte e diversão aos membros de uma sociedade, o sistema econômico “pensa” como reproduzir a força de trabalho e aumentar a lucratividade dos produtos. Podemos não estar de acordo com a estratégia, com a seleção de quem consumirá mais ou menos, mas é inegável que as ofertas de bens e a indução publicitária de sua compra não são atos arbitrários (CANCLINI, op. cit., p.61). A publicidade e o marketing, então, não conhecem mais barreiras. Estão espalhados geograficamente por todo o globo terrestre, inovando sempre mais as suas formas de persuasão e sedução, na tentativa de conquistar e “pescar” mais clientes, ou seja, o consumidor. O seu poder de influência foi e é maximizado pelo advento dos potentes meios de comunicação e novas mídias. Há verdadeiros exércitos que realizam o trabalho publicitário e comercial, bem como muitos interesses escusos, pois há muito dinheiro em jogo por trás de uma simples propaganda. Ruíram não somente as barreiras étnicas e culturais, como também as da faixa etária. Hoje, é sabido que uma significativa parte das campanhas publicitárias e mercadológicas é projetada para atrair um público muito jovem: as crianças. Em sua obra, Linn (2006, p. 21-22) traz um relato que, além de triste é preocupante: O fato de as crianças influenciarem mais de US$ 600 bilhões em gastos anuais não passou despercebido às empresas americanas que buscam estabelecer um vínculo de lealdade às marcas de seus produtos e serviços 169
  • 86. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação que vá do “berço ao túmulo”. Cada aspecto da vida de uma criança – saúde física e mental, educação, criatividade e valores – é afetado negativamente por seu status involuntário como consumidor no mercado. A expressão do “berço ao túmulo” está longe de ser uma inverdade. Quem não se lembra do programa televisivo infantil Teletubbies que fora criado para um público ainda usuário de fraldas? E o que podemos dizer da coleção Barbie, em sua versão Barbie vai às compras ou Barbie vai ao shopping? Hoje, todos nós vivemos cercados pelo universo eletrônico e telemático: televisão, vídeo games, computadores, internet; e as crianças, principalmente as mais novas, são as mais frágeis vítimas das conseqüências geradas pela falta de uma educação para o consumo, seja a recebida no seio da família, seja a recebida no âmbito da escola. “Crianças, incluindo as bem novas, frequentemente assistem à televisão sozinhas, o que significa que nenhum adulto está presente para ajudá-las a compreender as mensagens de marketing” (LINN, op. cit. p. 25). Outro agravante é justamente o proveniente deste não acompanhamento por parte de alguns pais em relação aos seus filhos. Pais que trabalham fora o dia inteiro e chegam em casa cansados, por exemplo, podem se sentir culpados pela falta de carinho e diálogo aberto entre eles e seus rebentos. Além disso, muitos genitores tentam suprir esta lacuna, matriculando as crianças em cursos de idiomas, escolinhas de futebol, natação, balé... Não que isso não lhes traga benefícios; mas a realidade se torna mais cruel quando os papéis são invertidos, ficando a televisão e outras mídias da comunicação responsáveis pela transmissão das informações que a criança precisa para sua formação integral. De acordo com Filho (2008), a Revista do Consumidor, que é uma publicação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – IDEC - apresenta os seguintes dados: 30 mil mensagens publicitárias veiculadas pelos meios de comunicação, inclusive a televisão. O que dá mais de oitenta mensagens por dia. As crianças brasileiras ficam, em média, de 3 a 4 horas por dia na frente da TV. Quando se observa apenas as crianças que moram em periferias, essa quantidade sobe para 8 horas diárias. Antes mesmo de serem alfabetizados, esses jovens espectadores já foram expostos a 5 ou 6 mil horas de programação televisiva. A exposição excessiva das crianças aos conteúdos apelativos veiculados pelos meios de comunicação de massa, acrescida pela ausência de acompanhamento e supervisionamento de pais ou responsáveis, ou a simples transferência de papéis e funções entre família e escola, compromete o desenvolvimento do senso crítico e acarreta outros malefícios de ordem fisiológica (obesidade infantil), psicológica (erotização precoce, baixa auto-estima, compulsão) e comportamental (consumo de cigarro e álcool, estresse, banalização da violência e da agressividade). Através das estratégias publicitárias, são reforçados o materialismo, a competitividade desmedida, a impulsividade e a ganância. O resultado de toda esta artimanha é a degradação dos reais valores tão necessários à cidadania e a diminuição do nosso valor próprio. Passamos a acreditar que a felicidade é decorrente da aquisição ávida de bens materiais. E sabemos que pais extremamente materialistas estão mais sujeitos à infelicidade e a uma qualidade de vida mais baixa, sem contar que facilmente podem reproduzir este modelo de vida para os seus filhos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nestes tempos em que as crianças e os adolescentes são mais resistentes aos limites e às frustrações, a publicidade aposta na geração do caos e do estresse entre pais e filhos (conhecido pelo fator amolação), pois sabe que, na maioria das vezes, os pais acabarão cedendo aos apelos dos filhos, na expectativa de diminuir a tensão. As crianças ficam expostas, em média, anualmente, a 170 171
  • 87. Prática Pedagógica Renovada Mídias na Educação A educação para o consumo deve alertar para esta realidade. A saída não deve ser o impedimento de as crianças e adolescentes verem televisão ou terem contato com outras mídias, para se livrarem dos efeitos nocivos da publicidade e propaganda, pois isso seria quase impossível. Os educadores, então, devem dialogar mais com os alunos, conscientizando-os quanto aos riscos do consumismo. A aproximação escola/família também é imprescindível para fortalecer este diálogo. Projetos que visem o despertar do senso crítico nos adolescentes, para que estes tenham condições de perceber a presença e as intenções de mensagens subliminares são igualmente importantes. Os pais podem combinar horários para ver TV junto com as crianças e, ao saírem para as compras com elas, decidirem com antecedência o que vão comprar; o que de fato é essencial. Podem retirar do quarto de seus filhos os aparelhos de televisão ou computador e colocá-los em lugares de maior circulação para facilitar a supervisão. Outra possibilidade é o cultivo de hábitos saudáveis em família como brincadeiras e práticas de esporte ao ar livre, leitura de livros, etc. REFERÊNCIAS É através de iniciativas como estas que conseguiremos proteger as crianças e adolescentes do risco de não tornarem alienados ou meros consumidores involuntários. CANCLINI, Néstor García. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. Tradução Maurício Santana Dias. 5 ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005. 228 p. ISBN 85.7108-159-X CHIAVENATO, Júlio José. Ética globalizada sociedade de consumo. São Paulo: Moderna, 1998 – (coleção polêmica) 3ª im-pressão. 80 p. ISBN 85-16-02195-5. COSTA, Marisa Vorraber. Escola e Consumo. In Jornal “a Página”, ano 16, nº 173, dez. 2007, p.7. Disponível em: http:// www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=6108 Acesso em: 29 de jul de 2009 FILHO, Ivan Moraes. Crianças, propaganda e consumo: tou te confundindo para te esclarecer. Disponível em: www.bodega.blog.br/miscelanea/criancas-propaganda-econsumo-tou-te-confundindo-pra-te-esclarecer/ Acesso em: 25 de jul de 2009 HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 7. ed. Rio de Janeiro. DPA, 2002. LINN, Susan. Crianças do consumo: a infância roubada. tradução Cristina Tognelli. São Paulo: Instituto Alana, 2006. ISBN 85- 99848-01-1 LISBOA, Roberto Senise. Responsabilidade civil nas relações de consumo. 2. ed. rev. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. ISBN 85-203-2951- 172 173 Tanto os pais quanto os educadores poderão, ainda, apoiar campanhas e leis que lutam para combater o marketing e a publicidade infantil.

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