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Steve Jobs A Biografia - Walter Isaacson.pt-br

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  • 1. CopyrightEsta obra foi postada pela equipe iOS Books em parceria com ogrupo LegiLibro para proporcionar, de maneira totalmente gratuita, obenefício de sua leitura àqueles que não podem comprá-la. Dessaforma, a venda desse eBook ou até mesmo a sua troca por qualquercontraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância.A generosidade e a humildade é a marca da distribuição, portanto dis-tribua este livro livremente. Após sua leitura considere seriamente apossibilidade de adquirir o original, pois assim você estará in-centivando o autor e à publicação de novas obras. Se gostou do nossotrabalho e quer encontrar outros títulos visite nossos sites:
  • 2. iOS BooksLegiLibro4/982
  • 3. As pessoas que são loucas o sufi-cientepara achar que podem mudar omundosão aquelas que o mudam.Comercial “Pense diferente” daApple, 1997
  • 4. SumárioIntrodução — Como nasceu este livroPersonagens1. Infância — Abandonado e escolhido2. Um estranho casal — Os dois Steves3. O abandono — Se ligue, sintonize4. Atari e a Índia — Zen e a arte do design de jogos5. O Apple i — Ligue, inicie, conecte6. O Apple ii — O alvorecer de uma nova era7. Chrisann e Lisa — Aquele que é abandonado8. Xerox e Lisa — Interfaces gráficas do usuário9. Abrindo a empresa — Um homem rico e famoso10. Nasce o Mac — Você diz que quer uma revolução11. O campo de distorção da realidade — Jogando com suas própriasregra12. O design — Os verdadeiros artistas simplificam13. Construindo o Mac — A viagem é a recompensa14. Entra Sculley — O Desafio Pepsi15. O lançamento — Uma marca no universo
  • 5. 16. Gates e Jobs — Quando as órbitas se cruzam17. Ícaro — O que sobe18. NeXT — Prometeu desacorrentado19. Pixar — A tecnologia encontra a arte20. Um sujeito comum — O amor é só uma palavra de quatro letras21. Toy Story — Buzz e Woody vêm resgatar22. A segunda vinda — Que besta feroz, sua hora enfim chegada23. A restauração — Para o perdedor, agora é tarde para ganhar24. Pense diferente — Jobs como iPresidente executivo25. Princípios de design — O estúdio de Jobs e Ive26. O iMac — Olá (de novo)27. Presidente executivo — Ainda maluco, depois de tantos anos28. Lojas da Apple — Genius Bar e arenito Siena29. O hub digital — Do iTunes ao iPod30. A iTunes Store — Eu sou o Flautista de Hamelin31. Homem musical — A trilha sonora da vida de Jobs32. Pixar — Amigos... e inimigos33. Os Macs do século xxi — Fazendo a Apple se destacar34. Primeiro round — Memento mori35. O iPhone — Três produtos revolucionários num só36. Segundo round — O câncer volta37. O iPad — Entrando na era pós-pc38. Novas batalhas — E ecos das antigas39. Ao infinito — A nuvem, a nave espacial e mais além40. Terceiro round — A luta crepuscular7/982
  • 6. 41. O legado — O mais brilhante paraíso de invençõesFontesNotasCréditos das imagensAgradecimentosSobre o autor8/982
  • 7. Um portfólio de fotos de Diana WalkerDurante quase trinta anos, a fotógrafa Diana Walkerteve acesso especial a seu amigo Steve Jobs.Eis uma seleção de seu portfólio1. Em sua casa, em Cupertino, em 1982. Era tão perfeccionista que tinha di-ficuldade para comprar móveis.
  • 8. 2. Em sua cozinha: “Quando voltei, depois de sete meses em aldeias indianas, via loucura do mundo ocidental, e também sua capacidade para o pensamentoracional”.11/982
  • 9. 3. Em Stanford, em 1982: “Quantos de vocês são virgens? Quantos já tomaramLSD?”.
  • 10. 4. Com o Lisa: “Picasso tinha um ditado: ‘artistas bons copiam, grandes artis-tas roubam’, e nós nunca sentimos vergonha de roubar grandes ideias”.
  • 11. 5. Com John Sculley, no Central Park, em 1984: “Você quer passar o resto davida vendendo água com açúcar ou quer ter uma chance de mudar o mundo?”.
  • 12. 6. Em seu escritório na Apple, em 1982. Perguntado se queria fazer pesquisa demercado, respondeu: “Não, porque os consumidores não sabem o que querematé que mostremos a eles”.16/982
  • 13. 7. Na NeXT, em 1988. Livre dos constrangimentos da Apple, entregou-se a seusmelhores e piores instintos.
  • 14. 8. Com John Lasseter, em agosto de 1997. O rosto e o comportamento angelicalde Lasseter escondiam um perfeccionismo artístico que rivalizava com o deJobs.19/982
  • 15. 9. Em casa, trabalhando em seu discurso do Macworld em Boston, depois de re-tomar o comando da Apple, em 1997: “Naquela loucura, vemos genialidade”.21/982
  • 16. 10. Fechando acordo com a Microsoft, por telefone, com Bill Gates: “Bill, muitoobrigado por seu apoio a esta companhia. Acho que o mundo é um lugar mel-hor por isso”.23/982
  • 17. 11. No Macworld de Boston, enquanto Gates discute o acordo entre eles:“Aquela foi a minha pior e mais estúpida montagem de um evento. Fiquei pare-cendo pequeno”.25/982
  • 18. 12. Com a esposa, Laurene Powell, no quintal da casa deles, em Palo Alto, emagosto de 1997. Ela foi uma âncora sensata na vida de Jobs.
  • 19. 13. No escritório de sua casa, em Palo Alto, em 2004: “Gosto de viver na inter-secção entre humanidades e tecnologia”.
  • 20. Do álbum da família JobsEm agosto de 2011, quando Jobs estava muito doente, sentamos em seuquarto erepassamos fotos do casamento e de férias para usar neste livro14. A cerimônia de casamento, em 1991. Kobun Chino, mestre de Soto Zen deSteve, sacudiu uma vara, bateu num gongo, acendeu incenso e cantou.
  • 21. 15. Com seu orgulhoso pai, Paul Jobs: depois que a irmã, Mona, localizou seupai biológico, Steve recusou-se a conhecê-lo.30/982
  • 22. 16. Cortando o bolo em forma de Meia Cúpula com Laurene e Lisa Brennan, suafilha de um relacionamento anterior.32/982
  • 23. 17. Laurene, Lisa e Steve. Lisa mudou-se pouco depois para a casa deles e lápermaneceu durante os anos em que cursou o ensino médio.34/982
  • 24. 18. Steve, Eve, Reed, Erin e Laurene em Ravello, Itália, em 2003. Mesmo emférias, ele frequentemente mergulhava no trabalho.36/982
  • 25. 19. Segurando Eve de cabeça para baixo no Foothill Park, Palo Alto: "Ela é umapistola, e mais cabeça -dura do que qualquer criança que eu tenha conhecido. Écomo se eu estives se recebendo o troco".38/982
  • 26. 20. Com Laurene, Eve, Erin e Lisa, no canal de Corinto, Grécia, em 2006: “Paraos jovens, todo este mundo é o mesmo agora”.
  • 27. 21. Com Erin, em Kyoto, em 2010. Assim como Reed e Lisa, ela ganhou umaviagem especial ao Japão com o pai.41/982
  • 28. 22. Com Reed, no Quênia, em 2007: “Quando fui diagnosticado com câncer, fizum acordo com Deus, ou seja lá quem for, que era que eu realmente queria verReed se formar”.43/982
  • 29. 23. E apenas mais uma de Diana Walker: um retrato de 2004 na casa de PaloAlto.
  • 30. IntroduçãoComo nasceu este livroNo início do verão de 2004, recebi um telefonema de Steve Jobs.Ao longo dos anos, se aproximou amistosamente de mim de maneiraintermitente, com arroubos ocasionais de intensidade, em especialquando lançava um novo produto que queria na capa da Time ou emprograma da cnn, lugares em que eu trabalhava. Mas, agora que eu jánão estava em nenhum desses lugares, não tinha notícias dele com fre-quência. Conversamos um pouco sobre o Aspen Institute, no qual euacabara de ingressar, e o convidei para falar no nosso campus de verão
  • 31. no Colorado. Ele disse que adoraria ir, mas não queria subir no palco.Na verdade, preferia caminhar comigo para conversar.Isso me pareceu um pouco estranho. Eu ainda não sabia que daruma longa caminhada era sua forma preferida de ter uma conversaséria. No fim das contas, ele queria que eu escrevesse sua biografia. Euhavia publicado recentemente uma biografia de Benjamin Franklin eestava escrevendo outra sobre Albert Einstein, e minha reação inicialfoi perguntar, meio de brincadeira, se ele se considerava o sucessornatural nessa sequência. Supondo que ele estava no meio de uma car-reira oscilante, que ainda tinha muitos altos e baixos pela frente, hes-itei. Não agora, eu disse. Talvez dentro de uma década ou duas,quando você se aposentar.Eu o conhecia desde 1984, quando ele foi ao edifício da Time-Life,em Manhattan, para almoçar com editores e exaltar seu novo Macin-tosh. Já então era petulante, e atacou um correspondente da Time portê-lo atingido com uma história que era muito reveladora. Mas, con-versando com ele depois, acabei cativado, como tantos outros o foramao longo dos anos, por sua intensidade envolvente. Ficamos em con-tato, mesmo depois que foi expulso da Apple. Quando ele tinha algonovo para vender, como um computador da NeXT ou filme da Pixar, oraio de seu charme voltava de repente a cair sobre mim, e ele melevava a um restaurante japonês do sul de Manhattan para me contarque o produto que estava divulgando era a melhor coisa que já haviaproduzido. Eu gostava dele.Quando Jobs foi restaurado no trono da Apple, nós o pusemos nacapa da Time, e logo depois ele começou a me oferecer suas ideias para46/982
  • 32. uma série que estávamos fazendo sobre as pessoas mais influentes doséculo. Ele havia lançado a campanha “Pense diferente”, com fotosicônicas de algumas das mesmas pessoas que estávamos examinando,e achou fascinante o trabalho de avaliar a influência histórica.Depois que me esquivei da sugestão de escrever sua biografia, tivenotícias esporádicas dele. A certa altura, enviei-lhe um e-mail paraperguntar se era verdade, como minha filha me havia dito, que o logo-tipo da Apple era uma homenagem a Alan Turing, o pioneiro britânicoda computação que decifrou os códigos alemães durante a guerra e de-pois se suicidou mordendo uma maçã envenenada com cianeto. Ele re-spondeu que gostaria de ter pensado nisso, mas não tinha. Isso deu in-ício a uma troca de mensagens sobre o começo da história da Apple, eme vi reunindo informações sobre o assunto, caso decidisse um diafazer o tal livro. Quando saiu minha biografia de Einstein, Jobs foi aum lançamento em Palo Alto e voltou a sugerir que ele seria um bomtema.Sua persistência me deixou perplexo. Jobs era conhecido por de-fender sua privacidade, e eu não tinha motivo para crer que ele leraqualquer um dos meus livros. Talvez um dia, continuei a dizer. Masem 2009 sua esposa, Laurene Powell, disse sem rodeios: “Se você pre-tende fazer um livro sobre Steve, é melhor fazer agora”. Ele haviaacabado de tirar uma segunda licença médica. Confessei-lhe que,quando Jobs aventara a ideia pela primeira vez, eu não sabia que eleestava doente. Quase ninguém sabia, ela disse. Ele havia me chamadopouco antes de ser operado de câncer, e ainda estava mantendo issoem segredo, explicou.47/982
  • 33. Decidi então escrever este livro. Jobs surpreendeu-me ao admitirprontamente que não teria controle sobre a obra, nem mesmo o direitode vê-la com antecedência. “O livro é seu”, disse. “Não vou nem lê-lo.”Porém, mais tarde, naquele outono, ele me pareceu ter reconsideradoa cooperação e, embora eu não soubesse, fora atingido por outrarodada de complicações do câncer. Parou de retornar minhas ligações,e eu deixei o projeto de lado por um tempo.Então, inesperadamente, ele me telefonou no fim da tarde davéspera do Ano-Novo de 2009. Estava em sua casa, em Palo Alto,apenas com a irmã, a escritora Mona Simpson. A esposa e os três fil-hos haviam saído numa rápida viagem para esquiar, mas sua saúdenão permitia que os acompanhasse. Estava reflexivo e falou por maisde uma hora. Começou por recordar como queria construir um conta-dor de frequência quando tinha doze anos e foi capaz de procurar nalista telefônica o nome de Bill Hewlett, o fundador da hp, e ligar paraele para obter peças. Jobs disse que seus últimos doze anos, desde oretorno para a Apple, haviam sido os mais produtivos na criação denovos produtos. Mas seu objetivo mais importante, disse, era fazer oque Hewlett e seu amigo David Packard haviam feito, a saber, criaruma companhia tão imbuída de criatividade inovadora que sobreviv-eria a eles.“Quando garoto, sempre pensei em mim como alguém ligado emhumanidades, mas eu gostava de eletrônica”, contou. “Então li algoque um dos meus heróis, Edwin Land, da Polaroid, disse sobre a im-portância de pessoas capazes de estar na interseção entre as humanid-ades e as ciências, e decidi que era isso o que eu queria fazer.” Era48/982
  • 34. como se ele estivesse sugerindo temas para a biografia (e, nesse caso,pelo menos, o tema acabou por se mostrar válido). A criatividade quepode surgir quando o talento para as humanidades se une ao talentopara as ciências em uma personalidade forte foi o tema que mais meinteressou em minhas biografias de Franklin e Einstein, e creio queserá fundamental para a criação de economias inovadoras no séculoxxi.Perguntei a Jobs por que queria que fosse eu o autor de sua bio-grafia. “Acho que você é bom em fazer as pessoas falarem”, ele ex-plicou. Foi uma resposta inesperada. Eu sabia que teria de entrevistardezenas de pessoas que ele havia demitido, maltratado, abandonadoou enfurecido, e temia que ele não se sentisse confortável com o fatode eu fazê-las falar. E, com efeito, ele ficava inquieto quando tinhanotícia de quem eu estava entrevistando. Mas, depois de alguns meses,começou a incentivar as pessoas a conversar comigo, até mesmo in-imigos e ex-namoradas. Também não tentou interditar nada. “Fiz ummonte de coisas de que não me orgulho, como engravidar minhanamorada quando tinha 23 anos e o jeito como lidei com isso. Mas nãotenho nenhum esqueleto no armário que não possa ser autorizado asair”, resumiu.Acabei fazendo cerca de quarenta entrevistas com Jobs: algumasformais em sua sala de estar em Palo Alto; outras durante longas cam-inhadas e viagens de automóvel, ou por telefone. Durante meusdezoito meses de visitas, ele se tornou cada vez mais íntimo e reve-lador, embora, às vezes, eu tenha testemunhado o que seus colegasveteranos da Apple costumavam chamar de seu campo de distorção da49/982
  • 35. realidade. Às vezes, era a inadvertida falha de células da memória queacontece com todos nós; em outros momentos ele torcia sua versão darealidade, tanto para mim como para si mesmo. Para verificar e com-provar sua história, entrevistei mais de uma centena de amigos, par-entes, concorrentes, adversários e colegas.Sua esposa, Laurene, que ajudou a facilitar este projeto, tambémnão impôs nenhuma restrição ou controle, nem pediu para ver deantemão o que eu iria publicar. Na verdade, ela me estimulou muito aser honesto sobre as falhas de Jobs, bem como sobre seus pontos for-tes. Ela é uma das pessoas mais inteligentes e equilibradas que já con-heci. “Há partes da vida e da personalidade dele que são extrema-mente confusas, e essa é a verdade”, ela me disse logo no início. “Vocênão deve encobrir isso. Ele é bom em torcer os fatos, mas também temuma história notável, e eu gostaria que tudo fosse contadohonestamente.”Deixo para o leitor avaliar se obtive sucesso nessa missão. Tenhocerteza de que existem atores nesse drama que se lembrarão de algunsdos acontecimentos de forma diferente ou pensarão que fiquei às vezespreso no campo de distorção de Jobs. Tal como aconteceu quando es-crevi um livro sobre Henry Kissinger, que de certa forma foi uma boapreparação para este projeto, descobri que as pessoas tinham emoçõespositivas e negativas tão fortes em relação a Jobs que o efeitoRashomon* ficou muitas vezes evidente. Mas fiz o melhor que pudepara tentar equilibrar as narrativas conflitantes de forma justa e sertransparente sobre as fontes que utilizei.50/982
  • 36. Este é um livro sobre a vida de altos e baixos e a personalidade in-tensa e abrasadora de um empreendedor criativo, cuja paixão pelaperfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram seis indústrias: com-putadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets epublicação digital. Pode-se até acrescentar uma sétima: lojas devarejo, que Jobs não chegou bem a revolucionar, mas que repensou.Além disso, ele abriu o caminho para um novo mercado de conteúdodigital com base em aplicativos e não apenas em websites. Ao longo docaminho, não somente criou produtos transformadores, mas também,em sua segunda tentativa, uma empresa duradoura, dotada de seudna, que está cheia de designers criativos e engenheiros intrépidosque poderiam levar adiante sua visão.Espero que este seja também um livro sobre inovação. No mo-mento em que os Estados Unidos buscam maneiras para sustentar suavantagem inovadora, e quando as sociedades de todo o mundo tentamconstruir economias criativas da era digital, Jobs se destaca como oícone máximo da inventividade, imaginação e inovação sustentada.Ele sabia que a melhor maneira de criar valor no século xxi era con-ectar criatividade com tecnologia, então construiu uma empresa ondesaltos de imaginação foram combinados com notáveis façanhas de en-genharia. Ele e seus colegas da Apple foram capazes de pensar deforma diferente: não desenvolveram apenas avanços modestos deprodutos focados em certos grupos, mas toda uma série de aparelhos eserviços de que os consumidores ainda não sabiam que precisavam.Jobs não era um modelo de chefe ou ser humano, bem empaco-tado para emulação. Impulsionado por demônios, era capaz de levar51/982
  • 37. as pessoas próximas à fúria e ao desespero. Mas sua personalidade,suas paixões e seus produtos estavam todos inter-relacionados, assimcomo tendiam a ser os hardwares e os softwares da Apple, como sefizessem parte de um sistema integrado. Desse modo, sua história étanto instrutiva quanto admonitória, cheia de lições sobre inovação,caráter, liderança e valores.Henrique V, de Shakespeare — a história de um príncipe teimosoe imaturo que se torna um rei apaixonado mas sensível, cruel mas sen-timental, inspirador mas falho —, começa com uma exortação: “Queuma musa de fogo aqui pudesse/ ascender ao céu mais brilhante da in-venção!”. Para o príncipe Hal, as coisas eram mais simples: ele sótinha de lidar com o legado de um único pai. Para Steve Jobs, a as-censão ao céu mais brilhante de invenção começa com uma história dedois pares de pais e do crescimento num vale que estava começando aaprender a transformar silício em ouro.* Título de um filme de Akira Kurosawa, de 1950, em que o mesmo evento é narradode forma divergente por quatro testemunhas. (N. T.)52/982
  • 38. PersonagensAl Alcorn. Engenheiro-chefe da Atari, que projetou o jogo Pong econtratou Jobs.Gil Amelio. Tornou-se presidente executivo da Apple em 1996 e com-prou a NeXT, trazendo Jobs de volta.Bill Atkinson. Um dos primeiros funcionários da Apple, desenvolveugráficos para o Macintosh.Chrisann Brennan. Namorada de Jobs na Homestead High, mãe desua filha Lisa.Lisa Brennan-Jobs. Filha de Jobs e Chrisann Brennan, nascida em1978 e inicialmente abandonada por Jobs.Nolan Bushnell. Fundador da Atari e modelo empresarial paraJobs.
  • 39. Bill Campbell. Chefe de marketing da Apple durante o primeiro per-íodo de Jobs na empresa e membro do conselho e confidente de-pois do retorno de Jobs em 1997.Edwin Catmull. Cofundador da Pixar e, depois, executivo da Disney.Kobun Chino. Mestre de Soto Zen na Califórnia, que se tornou ment-or espiritual de Jobs.Lee Clow. Mago endiabrado da publicidade que criou o anúncio“1984” da Apple e trabalhou com Jobs durante três décadas.Deborah “Debi” Coleman. Ousada gerente de equipe que assumiu aárea de produção da Apple.Tim Cook. Diretor-chefe de operações calmo e firme contratado porJobs em 1998.Eddy Cue. Chefe dos serviços de internet da Apple, principal auxiliarde Jobs ao lidar com empresas de conteúdo.Andrea “Andy” Cunningham. Publicitária da firma de RegisMcKenna que assessorou Jobs nos primeiros anos do Macintosh.Michael Eisner. O dinâmico presidente executivo da Disney que fezo acordo da Pixar e depois entrou em choque com Jobs.Larry Ellison. Presidente executivo da Oracle e amigo pessoal deJobs.Tony Fadell. Engenheiro punk trazido para a Apple em 2001 paradesenvolver o iPod.Scott Forstall. Chefe de software para dispositivo móvel da Apple.54/982
  • 40. Robert Friedland. Estudante do Reed College que influenciou Jobs.Proprietário de uma fazenda comunitária de maçãs e interessadoem espiritualismo oriental, depois passou a administrar umaempresa de mineração.Jean-Louis Gassée. Gerente da Apple na França, assumiu a divisãoMacintosh quando Jobs foi demitido, em 1985.Bill Gates. O outro garoto-prodígio da computação nascido em 1955.Andy Hertzfeld. Engenheiro de software amigável e brincalhão,companheiro de Jobs na equipe original do Mac.Joanna Hoffman. Membro da equipe original do Mac com ânimopara enfrentar Jobs.Elizabeth Holmes. Namorada de Daniel Kottke no Reed College euma das primeiras funcionárias da Apple.Rod Holt. Marxista e fumante inveterado contratado por Jobs em1976 para ser o engenheiro elétrico do Apple ii.Robert Iger. Sucedeu Eisner como presidente executivo da Disney,em 2005.Jonathan “Jony” Ive. Designer-chefe da Apple, tornou-se parceiro econfidente de Jobs.Abdulfattah “John” Jandali. Estudante sírio de pós-graduação emWisconsin, pai biológico de Jobs e Mona Simpson; mais tarde,tornou-se gerente de alimentos e bebidas do cassino Boomtown,perto de Reno.55/982
  • 41. Clara Hagopian Jobs. Filha de imigrantes armênios, casou-se comPaul Jobs em 1946; o casal adotou Steve Jobs logo após seu nasci-mento, em 1955.Erin Jobs. A calma e séria filha do meio de Steve Jobs e LaurenePowell.Eve Jobs. A dinâmica e elétrica filha mais nova de Steve Jobs eLaurene Powell.Patty Jobs. Adotada por Paul e Clara Jobs dois anos depois da adoçãode Steve.Paul Reinhold Jobs. Marinheiro da guarda costeira nascido em Wis-consin que com sua esposa, Clara, adotou Steve em 1955.Reed Jobs. Filho mais velho de Steve Jobs e Laurene Powell, fisica-mente parecido com o pai e simpático como a mãe.Ron Johnson. Contratado por Jobs em 2000 para desenvolver as lo-jas da Apple.Jeffrey Katzenberg. Chefe da Disney Studios, entrou em choquecom Eisner e pediu demissão em 1994 para cofundar aDreamWorks skg.Daniel Kottke. Amigo mais próximo de Jobs no Reed College, com-panheiro de peregrinação à Índia, empregado antigo da Apple.John Lasseter. Cofundador e força criativa da Pixar.Dan’l Lewin. Executivo de marketing, trabalhou com Jobs na Apple edepois na NeXT.56/982
  • 42. Mike Markkula. Primeiro grande investidor e presidente do con-selho da Apple, uma figura paterna para Jobs.Regis McKenna. Mago da publicidade que orientou Jobs no início epermaneceu seu guru.Mike Murray. Diretor de marketing do Macintosh.Paul Otellini. Presidente executivo da Intel que ajudou a convertero Macintosh para uso com chips Intel, mas não conseguiu entrarno negócio do iPhone.Laurene Powell. Experiente e bem-humorada pós-graduada de PennState, foi para o Goldman Sachs, depois para Stanford; casou-secom Jobs em 1991.Arthur Rock. Lendário investidor em tecnologia, membro do con-selho da Apple, figura paterna para Jobs.Jonathan “Ruby” Rubinstein. Trabalhou com Jobs na NeXT,tornou-se engenheiro-chefe de hardware da Apple em 1997.Mike Scott. Trazido por Markkula em 1977 para ser presidente daApple e tentar controlar Jobs.John Sculley. Executivo da Pepsi recrutado por Jobs em 1983 paraser presidente executivo da Apple; Jobs entrou em choque comele e o demitiu em 1985.Joanne Schieble Jandali Simpson. Nascida em Wisconsin, mãe bio-lógica de Steve Jobs, que ela entregou para adoção, e MonaSimpson, a quem criou.57/982
  • 43. Mona Simpson. Irmã biológica de Jobs; eles descobriram o par-entesco em 1986 e tornaram-se próximos. Ela escreveu romancesvagamente baseados em sua mãe, Joanne (Anywhere but here),Jobs e sua filha Lisa (A regular guy) e seu pai, Abdulfattah Jan-dali (The lost father).Alvy Ray Smith. Cofundador da Pixar que entrou em confronto comJobs.Burrell Smith. Angelical, brilhante e perturbado programador daequipe original do Mac, foi diagnosticado com esquizofrenia nosanos 1990.Avadis “Avie” Tevanian. Trabalhou com Jobs e Rubinstein naNeXT, tornou-se engenheiro-chefe de software da Apple em 1997.James Vincent. Britânico amante da música e sócio mais novo de LeeClow e Duncan Milner na agência de publicidade da Apple.Ron Wayne. Conheceu Jobs na Atari, tornou-se o primeiro sócio deJobs e Wozniak na incipiente Apple, mas insensatamente abriumão de continuar na sociedade.Stephen Wozniak. O astro nerd da eletrônica na Homestead High;Jobs descobriu como embalar e comercializar suas notáveisplacas de circuito.58/982
  • 44. Paul Jobs com Steve, em 1956.A casa de Sunnyvale, com aApple nasceu
  • 45. No livro do ano da Homestead Hight,em 1972.Ao lado do SWAB JOB, umde escola.60/982
  • 46. 1. InfânciaAbandonado e escolhidoa adoçãoQuando deu baixa da guarda costeira, após a Segunda GuerraMundial, Paul Jobs fez uma aposta com seus colegas de tripulação.Eles haviam chegado a San Francisco, onde seu navio foi retirado doserviço, e Paul apostou que encontraria uma esposa em duas semanas.Ele era um mecânico de motores teso e tatuado, com mais de 1,80metro de altura e uma leve semelhança com James Dean. Mas não foisua aparência que lhe valeu uma saída com Clara Hagopian, uma
  • 47. meiga filha de imigrantes armênios. Foi o fato de que ele e seus amigostinham acesso a um carro, ao contrário do grupo com quem ela haviaoriginalmente planejado sair naquela noite. Dez dias depois, em marçode 1946, Paul ficou noivo de Clara e ganhou a aposta. Viria a ser umcasamento feliz, que durou até que a morte os separou, mais de quar-enta anos depois.Paul Reinhold Jobs fora criado em uma fazenda de Germantown,Wisconsin. Embora seu pai fosse alcoólatra e, por vezes, violento, eleacabou com uma disposição gentil e calma sob uma aparência dura.Depois de abandonar o ensino médio, vagueou pelo Meio-Oeste,pegando trabalhos de mecânico, até que, aos dezenove anos, entroupara a guarda costeira, ainda que não soubesse nadar. Foi incorporadoao uss M. C. Meigs e passou grande parte da guerra transportandotropas para a Itália, destinadas ao general Patton. Seu talento comomaquinista e bombeiro lhe rendeu elogios, mas ele se envolveu empequenas confusões e nunca saiu do posto de marinheiro.Clara nascera em Nova Jersey, onde seus pais haviam desembar-cado depois de fugir dos turcos na Armênia, porém eles se mudarampara o Mission District, em San Francisco, quando ela era criança.Clara tinha um segredo que raramente mencionava a alguém: haviasido casada, mas seu marido morrera na guerra. Assim, quando con-heceu Paul Jobs naquele primeiro encontro, ela estava preparada paracomeçar uma nova vida.Como muitos que viveram na época da guerra, eles haviam exper-imentado emoção o suficiente para que, quando ela acabou, quisessemsimplesmente se estabelecer, criar uma família e levar uma vida62/982
  • 48. menos agitada. Tinham pouco dinheiro, então se mudaram para Wis-consin e moraram com os pais de Paul por alguns anos, depois forampara Indiana, onde ele conseguiu um emprego de mecânico na Inter-national Harvester. Sua paixão era mexer com carros antigos, que elecomprava, restaurava e vendia, fazendo um bom dinheiro em seutempo livre. Por fim, largou o emprego para se tornar vendedor de car-ros usados em tempo integral.Clara, no entanto, amava San Francisco e, em 1952, convenceu omarido a voltar para lá. Conseguiram um apartamento no Sunset Dis-trict, de frente para o Pacífico, logo ao sul do Golden Gate Park, e elearranjou um emprego de “recuperador” numa companhia de finan-ciamentos: forçava as fechaduras dos carros cujos donos não haviampago seus empréstimos e os retomava. Também comprava, consertavae vendia alguns dos carros, ganhando uma vida suficientemente de-cente no processo.Havia, no entanto, algo que faltava em suas vidas. Eles queriamfilhos, mas Clara tivera uma gravidez ectópica — aquela em que oóvulo fecundado se implanta na trompa de Falópio em vez de no útero— e não podia mais tê-los. Assim, em 1955, após nove anos decasamento, eles estavam querendo adotar uma criança.* * *Tal como Paul Jobs, Joanne Schieble vinha de uma família dazona rural de Wisconsin, de ascendência alemã. Seu pai, ArthurSchieble, havia imigrado para os arredores de Green Bay, onde ele e a63/982
  • 49. esposa tinham uma criação de visons e se aventuravam com sucessoem vários outros negócios, de imóveis a fotogravura. Ele era muito rig-oroso, sobretudo no que dizia respeito aos relacionamentos da filha, edesaprovara fortemente seu primeiro amor, um artista que não eracatólico. Assim, não surpreende que tenha ameaçado deserdar Joannecompletamente quando ela se apaixonou pelo muçulmano sírio Ab-dulfattah “John” Jandali, assistente de ensino na Universidade deWisconsin, onde ela fazia pós-graduação.Jandali era o caçula de nove filhos de uma família proeminenteda Síria. Seu pai possuía refinarias de petróleo e muitas outras empre-sas, com grandes propriedades em Damasco e Homs, e a certa alturachegou a controlar o preço do trigo na região. Tal como a famíliaSchieble, os Jandali valorizavam a educação; durante gerações, osmembros da família foram mandados a Istambul ou à Sorbonne paraestudar. Abdulfattah Jandali, embora muçulmano, foi enviado paraum internato jesuíta e fez a graduação na Universidade Americana, emBeirute, antes de ir para a Universidade de Wisconsin como estudantede pós-graduação e assistente de ensino de ciência política.No verão de 1954, Joanne foi com Abdulfattah para a Síria. Pas-saram dois meses em Homs, onde ela aprendeu com a família dele afazer pratos sírios. Quando voltaram para Wisconsin, ela descobriuque estava grávida. Tinham ambos 23 anos, mas decidiram não se cas-ar. O pai dela estava morrendo na época, e havia ameaçado deserdá-lase ela se casasse com Abdulfattah. Tampouco o aborto era uma opçãofácil em uma pequena comunidade católica. Assim, no início de 1955,Joanne viajou para San Francisco, onde ficou sob a proteção de um64/982
  • 50. médico bondoso que abrigava mães solteiras, fazia o parto de seus be-bês e cuidava discretamente de adoções sigilosas.Joanne fez uma exigência: seu filho deveria ser adotado por pess-oas com pós-graduação universitária. Então o médico providencioupara que o bebê fosse adotado por um advogado e sua esposa. Masquando o menino nasceu — em 24 de fevereiro de 1955 — o casal des-ignado decidiu que queria uma menina e recuou. Assim foi que omenino tornou-se filho não de um advogado, mas de um evadido daescola secundária com paixão por mecânica e sua humilde esposa, quetrabalhava então como guarda-livros. Paul e Clara deram a seu recém-chegado bebê o nome de Steven Paul Jobs.No entanto, ainda havia a questão da exigência de Joanne de queos novos pais de seu filho tivessem pós-graduação. Quando descobriuque ele fora adotado por um casal que não tinha sequer completado oensino médio, ela se recusou a assinar os papéis da adoção. O impassedurou semanas, mesmo depois que o bebê Steve já estava instalado nacasa dos Jobs. Por fim, Joanne cedeu com a estipulação de que o casalprometesse — na verdade, eles assinaram um compromisso — que iriacriar um fundo e enviar o menino para a faculdade.Havia outra razão para que Joanne fosse recalcitrante quanto aassinar os papéis da adoção. Seu pai estava prestes a morrer e elaplanejava se casar com Jandali logo depois de sua morte. Elamantinha a esperança — como contaria mais tarde a membros dafamília, às vezes com lágrimas nos olhos ao lembrar — de que, depoisque estivessem casados, ela poderia recuperar seu bebê.65/982
  • 51. Com efeito, Arthur Schieble morreu em agosto de 1955, poucassemanas após a adoção ter sido oficializada. Logo depois do Nataldaquele ano, Joanne e Abdulfattah Jandali se casaram na igrejacatólica de São Filipe, o Apóstolo, em Green Bay. Ele obteve seudoutorado em política internacional no ano seguinte, e mais tardetiveram outra criança, uma menina chamada Mona. Depois que ela eJandali se divorciaram, em 1962, Joanne deu início a uma vida fantas-iosa e peripatética, que sua filha — que se tornaria a grande roman-cista Mona Simpson — captaria em seu pungente romance Anywherebut here [Em qualquer lugar, menos aqui]. Mas, tendo em vista que aadoção de Steve havia sido particular e sigilosa, demoraria vinte anospara que eles todos se encontrassem.Steve Jobs soube desde cedo que havia sido adotado: “Meus paiseram muito abertos comigo em relação a isso”. Ele tinha uma memóriavívida de estar sentado no gramado de sua casa, quando tinha seis ousete anos, e contar esse fato para a menina que morava do outro ladoda rua. “Então isso significa que seus pais verdadeiros não queriamvocê?”, a menina perguntou. “Ooooh! Relâmpagos explodiram emminha cabeça”, segundo Jobs. “Lembro-me de correr para casa, chor-ando. E meus pais disseram: ‘Não, você tem de entender’. Estavammuito sérios e me olharam diretamente nos olhos. Eles disseram: ‘Nósescolhemos especificamente você’. Ambos disseram isso e repetiramdevagar para mim. E puseram ênfase em cada palavra daquela frase.”66/982
  • 52. Abandonado. Escolhido. Especial. Esses conceitos se tornaramparte de quem Jobs era e como ele se via. Seus amigos mais próximosacham que o fato de saber que foi abandonado ao nascer deixou algu-mas cicatrizes. Diz Del Yocam, seu colega de longa data: “Acho que seudesejo de ter controle completo de tudo o que faz deriva diretamentede sua personalidade e do fato de que foi abandonado ao nascer. Elequer controlar seu ambiente, e vê o produto como uma extensão de simesmo”. Greg Calhoun, que se tornou amigo de Jobs logo após a fac-uldade, viu outro efeito: “Steve me falou muito sobre o abandono e ador que isso causou. Isso o fez independente. Ele seguiu a batida deum baterista diferente, e isso veio de estar em um mundo diferentedaquele em que nasceu”.Mais tarde, quando tinha exatamente a mesma idade (23 anos) deseu pai biológico quando o abandonou, Jobs seria pai e também aban-donaria a criança. (Ele acabou por assumir a responsabilidade porela.) Chrisann Brennan, a mãe dessa criança, diz que ter sido entreguepara adoção deixou Jobs “cheio de vidros quebrados”, e isso ajuda aexplicar um pouco de seu comportamento. “Aquele que é abandonadoé um abandonador”, diz ela. Andy Hertzfeld, que trabalhou em estreitacolaboração com Jobs na Apple no início da década de 1980, está entreos poucos que permaneceram próximos tanto de Jobs como de Bren-nan. “A questão-chave em relação a Steve é por que ele não consegueevitar, às vezes, de ser tão reflexivamente cruel e danoso para algumaspessoas”, diz. “Isso remonta a ter sido abandonado ao nascer. O ver-dadeiro problema subjacente era o tema do abandono na vida deSteve.”67/982
  • 53. Jobs descartou essa ideia. “As pessoas acham que, porque fuiabandonado, trabalhei muito duro para que pudesse vencer na vida efazer com que meus pais me quisessem de volta, ou algum absurdodesse tipo, mas isso é ridículo”, insistiu ele. “Saber que fui adotadopode ter feito eu me sentir mais independente, mas nunca me sentiabandonado. Sempre me senti especial. Meus pais me fizeram sentirespecial.” Mais tarde, ele se encresparia sempre que alguém sereferisse a Paul e Clara Jobs como seus pais “adotivos”, ou deixasseimplícito que eles não eram seus pais “verdadeiros”. “Eles foram meuspais 1000%”, diz. Por outro lado, ao falar sobre seus pais biológicos,ele foi lacônico: “Eles foram meu banco de esperma e óvulo — isso nãoé grosseria, é apenas o modo como as coisas aconteceram, um bancode esperma, nada mais”.vale do silícioA infância que Paul e Clara Jobs criaram para seu filho foi, sobmuitos aspectos, um estereótipo do final dos anos 1950. Quando Steveestava com dois anos, eles adotaram uma menina chamada Patty, etrês anos depois se mudaram para um conjunto residencial nos subúr-bios. A companhia de financiamento em que Paul trabalhava, a cit, ohavia transferido para sua filial em Palo Alto, mas ele não tinha con-dições financeiras de morar lá, então a família foi parar num68/982
  • 54. loteamento em Mountain View, uma cidade menos cara, logo ao sul dePalo Alto.Lá, Paul Jobs tentou transmitir seu amor pela mecânica e por car-ros. “Steve, esta é sua bancada de trabalho agora”, disse enquanto de-marcava uma parte da mesa na garagem da casa. Jobs lembrou ter fic-ado impressionado com o foco do pai no ofício artesanal: “Eu achavaque o senso de design de meu pai era bastante bom, porque ele sabiacomo fazer qualquer coisa. Se precisávamos de um armário, ele o fazia.Quando construiu nossa cerca, me deu um martelo para que eupudesse trabalhar com ele”.Cinquenta anos depois, a cerca ainda rodeia os fundos e o pátiolateral da casa em Mountain View. Enquanto a mostrava para mim,Jobs acariciou as estacas de sustentação e relembrou uma lição de seupai que o marcou profundamente: era importante fazer bem os fundosde armários e cercas, ainda que ficassem escondidos. “Ele adoravafazer as coisas direito. Preocupava-se até mesmo com as partes quenão ficavam à vista.”Seu pai continuava a reformar e revender carros usados, e enfeit-ou a garagem com fotos de seus favoritos. Ele mostrava os detalhes dodesign para o filho — as linhas, as aberturas, o cromo, o acabamentodos assentos. Todos os dias, depois do trabalho, vestia seu macacão ese enfurnava