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Vigilância do câncer ocupacional e ambiental (inca) (1)

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    Vigilância do câncer ocupacional e ambiental   (inca) (1) Vigilância do câncer ocupacional e ambiental (inca) (1) Document Transcript

    • © 2005, Ministério da Saúde É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.Ministério da SaúdeJosé Saraiva FelipeSecretaria de Atenção à SaúdeJosé Gomes TemporãoInstituto Nacional de CâncerLuiz Antonio SantiniCoordenação de Prevenção e VigilânciaGulnar Azevedo e Silva MendonçaÁrea de Vigilância do Câncer Ocupacional e AmbientalSilvana Rubano B. TurciTiragem: 1.000 exemplaresCriação, Redação e DistribuiçãoInstituto Nacional de Câncer – INCACoordenação de Prevenção e Vigilância – ConprevRua dos Inválidos, 212 - 3º andar – Centro20231-020 - Rio de Janeiro – RJTel.: (0xx21) 3970-7400Fax.: (0xx21) 3970-7505e-mail: conprev@inca.gov.brProjeto Gráfico e Editoraçãog-désIlustraçãoÁlvaro VictorioImpressãoGráfica EsdevaFicha Catalográfica B823v Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Vigilância do câncer ocupacional e ambiental. Rio de Janeiro: INCA, 2005. 64p. il. color. Bibliografia ISBN 85-7318-110-9 1. Carcinógenos – Prevenção & controle. 2. Carcinógenos Ambientais. 3. Fatores de Risco. 4. Toxicologia. 5. Brasil. I. Título. CDD 616.994071
    • Ministério da Saúde Área de Vigilância de Câncer ocupacional e Ambiental Vigilância do CâncerOcupacional e Ambiental 2005
    • ElaboraçãoFátima Sueli Neto RibeiroGulnar de Azevedo e Silva MendonçaMarcelo Moreno do ReisPaula Fernandes BritoSilvana Rubano Barreto TurciUbirani Barros OteroApoioCláudia Gomes - Divisão de Comunicação SocialAgradecimentosMarco Perez – Coordenação de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde - COSAT/MSAndré Szklo - Divisão de Epidemiologia - Conprev/INCARonaldo Correa Ferreira da Silva - Divisão de Atenção Oncológica - Conprev/INCAFátima Regina Silva de Souza – Área de Vigilância do Câncer Ocupacional e Ambiental- Conprev/INCABruno dos Santos de Almeida Mariano - Área de Vigilância do Câncer Ocupacional eAmbiental - Conprev/INCAGisele Netto da Costa Guimarães Neves – Programa Nacional de Eliminação da Sili-cose Cosat - MS/Fundacentro - MTEMariana Correa Gonçalves – estagiária UERJSilvia Regina dos Santos Gonçalves - estagiária UERJ
    • SumárioApresentação ...................................................................... 7Agrotóxicos ........................................................................ 9I. Introdução ................................................................................................9 1. O que são agrotóxicos ...................................................................................... 9 2. Usos mais freqüentes ....................................................................................... 9 3. Principais grupos expostos ................................................................................. 10II. Classificação dos agrotóxicos ..................................................................... 10 1. Inseticidas ................................................................................................... 11 2. Herbicidas ................................................................................................... 13III. Toxicidade dos agrotóxicos ....................................................................... 14 1. Prevalência das intoxicações no país ................................................................. 15 2. Agrotóxicos e câncer ...................................................................................... 15IV. Recomendações para o uso de agrotóxicos .................................................... 16V. Legislação .............................................................................................. 16VI. Sites de interesse ................................................................................... 18VII. Bibliografia .......................................................................................... 19Amianto ........................................................................... 21I. Introdução .............................................................................................. 21 1. O que é ....................................................................................................... 21 2. Usos mais freqüentes ..................................................................................... 21 3. Exposição ocupacional .................................................................................... 22II. Efeitos sobre a saúde humana .................................................................... 22 1. Toxicologia .................................................................................................. 22 2. Agravos relacionados com a exposição ............................................................... 23 3. Carcinogênese .............................................................................................. 24III. Limites de tolerância ............................................................................... 25IV. Medidas de controle ................................................................................ 25V. Legislação .............................................................................................. 26VI. Bibliografia ........................................................................................... 27Sílica............................................................................... 29I. Introdução .............................................................................................. 29 1. O que é ....................................................................................................... 29 2. Usos mais freqüentes ..................................................................................... 29 3. Exposição ocupacional .................................................................................... 30II. Efeitos sobre a saúde humana .................................................................... 31 1. Toxicologia .................................................................................................. 31 2. Agravos relacionados com a exposição ............................................................... 32III. Limites de tolerância ............................................................................... 33IV. Medidas de controle ................................................................................ 33V. Legislação .............................................................................................. 34VI. Sites de interesse ................................................................................... 34VII. Bibliografia .......................................................................................... 35Radiação Ionizante ............................................................. 37I. Definição ................................................................................................ 37 1. Radiação particulada ..................................................................................... 37
    • 2. Radiação eletromagnética ............................................................................... 37 3. Radioatividade ............................................................................................. 38II. Fontes de radiação .................................................................................. 38III. Partículas e ondas ................................................................................... 38IV. Tipos de radiação ................................................................................... 38 1. Radiação não-ionizante .................................................................................. 39 2. Radiação Ionizante ........................................................................................ 39V. Percepção da radiação .............................................................................. 39VI. Efeitos sobre a saúde humana ................................................................... 39 1. Carcinogenicidade ......................................................................................... 40 2. Fatores a serem considerados na relação entre radiação e câncer ............................ 40 3. Raios X, gama............................................................................................... 40 4. Nêutrons ..................................................................................................... 41VII. Exposição Ocupacional ............................................................................ 41VIII. Medidas de controle .............................................................................. 41IX. Legislação ............................................................................................. 42X. Das definições......................................................................................... 42X. Bibliografia ............................................................................................ 44Radiação Solar .................................................................. 45I. Introdução .............................................................................................. 45 1. Definição ..................................................................................................... 45 2. Fatores ambientais que influenciam o nível de radiação UV..................................... 46II. Efeitos sobre a saúde humana .................................................................... 47 1. Melanócitos: as células que protegem a pele ........................................................ 47 2. Carcinogenicidade ......................................................................................... 47 3. Fatores de risco ............................................................................................ 49III. Prevenção Primária (Medidas de Controle) .................................................... 49IV. Conhecendo os Filtros Solares .................................................................... 50 1. O que significa o valor do FPS?.......................................................................... 50 2. Como usar ................................................................................................... 51V. Prevenção Secundária ............................................................................... 51VI. Referências ........................................................................................... 53Benzeno, Xileno e Tolueno .................................................... 55I. Introdução .............................................................................................. 55II. Benzeno................................................................................................. 55 1. O que é ....................................................................................................... 55 2. Exposição humana ......................................................................................... 55 3. Efeitos sobre a saúde humana .......................................................................... 56 4. Recomendações ............................................................................................. 58III. Xileno .................................................................................................. 58 1. O que é ....................................................................................................... 58 2. Efeitos sobre a saúde humana .......................................................................... 59 3. Medidas de segurança..................................................................................... 60IV. Tolueno ................................................................................................ 60 1. O que é ....................................................................................................... 60 2. Efeitos sobre a saúde humana .......................................................................... 60 3. Medidas de Segurança .................................................................................... 62 4. Limites de Tolerância ..................................................................................... 62V. Referências ............................................................................................ 63
    • Apresentação O Ministério da Saúde, por intermédio Nos ambientes de trabalho podem serdo Instituto Nacional de Câncer - INCA, encontrados agentes cancerígenos comovem desenvolvendo, desde 2004, o forta- o amianto, a sílica, solventes aromáticoslecimento da Área de Vigilância do Câncer como o benzeno, metais pesados como oOcupacional e Ambiental, através da ela- níquel e cromo, a radiação ionizante eboração e execução de projetos que visam alguns agrotóxicos, cujo efeito pode sera redução, a eliminação ou o controle de potencializado se for somada a exposi-agentes cancerígenos presentes no meio ção a outros fatores de risco para cân-ambiente e nos ambientes de trabalho. cer como a poluição ambiental, dieta rica em gorduras trans, consumo exagerado Dentre os objetivos desta área está o de álcool, os agentes biológicos e o taba-desenvolvimento de modelos para a imple- gismo. Os tipos mais freqüentes de cân-mentação de ações sistematizadas na pre- cer relacionados ao trabalho são o câncervenção de câncer ocupacional e ambiental, de pulmão, os mesoteliomas, o câncer decomo a elaboração de material educati- pele, o de bexiga e as leucemias.vo, manuais, capacitação de profissionaisde saúde e metodologias de treinamento; O tabagismo aumenta de 3 a 20 ve-apoio e subsídios técnicos às Secretarias zes o risco para os cânceres de boca, fa-Estaduais de Saúde; colaboração no desen- ringe, esôfago, laringe, pulmão, pâncre-volvimento de sistemas de informação para as, rim e bexiga. Nas áreas urbanas maisa efetiva vigilância da exposição a agentes poluídas encontram-se os mais altoscancerígenos, bem como a realização de coeficientes de mortalidade por câncerpesquisas sobre estes agentes. de pulmão. Existe uma relação entre po- luentes atmosféricos e mortalidade por No Brasil, as estimativas de câncer doença obstrutiva crônica e de vias res-para o ano de 2005 apontam a ocorrên- piratórias, mais recentemente com in-cia de 467.440 casos novos de câncer ternações hospitalares. O efeito sinérgi-(229.610 casos novos para o sexo masculi- co entre álcool e fumo, foi demonstradono e 237.830 para o sexo feminino). Os ti- para vários tipos de câncer, como boca,pos mais incidentes, à exceção de pele não faringe, esôfago e laringe. Em relaçãomelanoma, serão os de próstata e pulmão à radiação ultravioleta, existe uma as-no sexo masculino, e mama e colo do úte- sociação bem estabelecida com tumoresro, para o sexo feminino, acompanhando a de pele baso e espinocelulares. Os te-mesma magnitude observada no mundo. 7
    • cidos mais suscetíveis à carcinogênese Dado o peso do câncer entre as doenças relacionados a exposição à radiação io- que mais acometem a população brasilei- nizante são a medula óssea, a mama e ra, foi elaborado pelo grupo de trabalho da a tireóide. Os compostos organoclorados Área de Vigilância do Câncer Ocupacional (DDT e BHC) podem aumentar o risco de e Ambiental/Conprev/Inca esta publicação câncer de mama. Sobre os agentes bio- que apresentará informações sobre os prin- lógicos foram observadas as seguintes cipais fatores de risco de câncer relacio- associações: HPV e câncer de colo ute- nados ao trabalho e ao ambiente: Poeiras rino, vírus de Epstein-Barr e linfoma de (Sílica e Amianto), Agrotóxicos, Solventes Burkitt, vírus da hepatite B e C e hepa- (Benzeno, Tolueno e Xileno), Radiação Ioni- toma e HTLV1 e leucemia_T do adulto. zante e Radiação Solar. Luiz Antonio Santini Diretor Geral do Instituto nacional de Câncer8
    • AgrotóxicosI. Introdução no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988 (publicada em 1999), sendo esta modificação fruto de grande mobilização1. O que são agrotóxicos da sociedade civil organizada. Mais do que uma simples mudança de terminologia, este No Brasil, o Decreto Federal nº 4.074 termo coloca em evidência a toxicidade des-de 04 de janeiro de 2002, que regulamenta ses produtos para o meio ambiente e para aa Lei Federal nº 7.802, de 11 de julho de saúde humana (FUNASA, 1998).1989, em seu Artigo 1º, Inciso IV, define otermo “AGROTÓXICO” como: Os agrotóxicos possuem ainda diversas denominações genéricas, como “pestici- “Agrotóxicos e afins – produtos e das”, “praguicidas”, “remédios de planta” agentes de processos físicos, químicos e “veneno” (Peres et al, 2003). ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazena- mento e beneficiamento de produtos 2. Usos mais freqüentes agrícolas, nas pastagens, na proteção A maior utilização dos agrotóxicos é na de florestas, nativas ou plantadas, e de agricultura. São também utilizados na saú- outros ecossistemas e de ambientes ur- de pública (controle de vetores), no trata- banos, hídricos e industriais, cuja fi- mento de madeira, no armazenamento de nalidade seja alterar a composição da grãos e sementes, na produção de flores, flora ou da fauna, a fim de preservá- no combate a piolhos e outros parasitas no las da ação danosa de seres vivos con- homem e na pecuária (SVS, 1997). siderados nocivos, bem como as subs- tâncias e produtos empregados como O Brasil está entre os principais consumido- desfolhantes, dessecantes, estimulado- res mundiais de agrotóxicos. Segundo dados do res e inibidores de crescimento.” Sindicato Nacional da Indústria de Defensivos Agrícolas - SINDAG, em 2001 o país consumiu Ou seja: são substâncias utilizadas para 328.413 toneladas de produtos formulados, cor-combater as pragas (como insetos, larvas, respondendo a 151.523 toneladas de ingredien-fungos, carrapatos) e controlar o cresci- tes ativos. Desta forma, o Brasil aparece em 7ºmento de vegetação, entre outras funções. lugar no ranking dos dez principais países con- O termo AGROTÓXICO, ao invés de DE- sumidores, que representam 70% do mercadoFENSIVO AGRÍCOLA, passou a ser utilizado mundial de agrotóxicos (ANVISA, 2003). 9
    • 3. Principais grupos Assim, além da exposição ocupacional, outros grupos populacionais têm risco au- expostos mentado de intoxicação. Merecem destaque Uma das principais formas de exposi- os familiares dos agricultores e os vizinhos ção a estas substâncias ocorre no trabalho. de locais aonde o agrotóxico é aplicado. Entre os grupos de profissionais que têm Além disso, toda a população tem a pos- contato com os agrotóxicos, destacam-se sibilidade de sofrer intoxicação, através da (FUNASA, 1998): ingestão de água e alimentos contaminados, da utilização de domissanitários, etc. Trabalhadores da agricultura e pecuária; Ou seja: os efeitos nocivos dos agrotóxi- Trabalhadores de saúde pública; cos sobre a saúde não dizem respeito somente Trabalhadores de firmas desinsetizadoras; aos trabalhadores, mas à população em geral. Trabalhadores de transporte e comér- cio dos agrotóxicos; II. Classificação Trabalhadores de indústrias de for- mulação de agrotóxicos. dos agrotóxicos Vale aqui um destaque para os grupos Estes produtos podem ser agrupados de de agricultores. Nestes, a exposição aos diversas maneiras, e uma das mais utilizadas agrotóxicos pode ocorrer de diversas for- é a classificação segundo o grupo químico a mas, desde a manipulação direta (preparo que pertencem e o tipo de ação (natureza da das “caldas”, aplicação dos produtos) ou praga controlada). De acordo com a Funda- através de armazenamento inadequado, do ção Nacional de Saúde (FUNASA, 1998), esta reaproveitamento das embalagens, da con- forma de classificar os agrotóxicos é impor- taminação da água, do contato com rou- tante e pode ser útil para o diagnóstico das pas contaminadas, etc (Garcia & Almeida, intoxicações e para a adoção de tratamento 1991; Meyer et al, 2003). específico, como mostra o quadro abaixo: Quadro 1 – Principais categorias de agrotóxicos quanto à sua ação e ao grupo químico a que pertencem. Tipo de ação (Classe) Principais grupos químicos Exemplos (produtos/substâncias) Inseticidas Organofosforados Azodrin, Malathion, Parathion, Nuvacron, Tamaron, Hostation, Lorsban (controle de insetos, larvas e formigas) Carbamatos Carbaryl, Furadan, Lannate, Marshal Organoclorados1 Aldrin, Endrin, DDT, BHC, Lindane Piretróides (sintéticos) Decis, Piredam, Karate, Cipermetrina Fungicidas Ditiocarbamatos Maneb, Mancozeb, Dithane, Thiram, Manzate (combate aos fungos) Organoestânicos Brestan, Hokko Suzu Dicarboximidas Orthocide, Captan Herbicidas Bipiridílios Gramoxone, Paraquat, Reglone, Diquat (combate à ervas daninhas) Glicina substituída Roundup, Glifosato Derivados do ácido fenoxiacético Tordon, 2,4-D, 2,4,5-T 2 Dinitrofenóis Bromofenoxim, Dinoseb, DNOC Pentaclorofenol Clorofen, Dowcide-G 1 Seu uso tem sido progressivamente restringido ou mesmo proibido em vários países, inclusive no Brasil. 2 A mistura de 2,4-D com 2,4,5-T representa o principal componente do agente laranja, utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnan. Fonte: FUNASA, 1998; Peres, 1999; ANVISA, 2005.10
    • Outras classes importantes de agro- Por serem altamente lipofílicos, são se-tóxicos compreendem: raticidas (com- qüestrados pelos tecidos corporais com altobate aos roedores), acaricidas (combate teor lipídico (fígado, rins, sistema nervoso,aos ácaros), nematicidas (combate aos tecido adiposo), onde ficam armazenados.nematóides) e molusquicidas (combate São eliminados principalmente atra-aos moluscos, basicamente contra o ca- vés das vias digestiva e urinária, e ou-ramujo da esquistossomose) (FUNASA, tras vias de excreção incluem a saliva,1998). Vale ressaltar que muitos agrotó- o suor e o leite materno. Por serem en-xicos possuem mais de um tipo de ação. contrados no leite materno, representamPor exemplo: o inseticida organofosfora- um risco às crianças em fase de ama-do “Parathion” é também utilizado como mentação (Forget, 1991).acaricida; o inseticida carbamato “Fura-dan” também possui ação de combate aos Efeitos sobre a saúde humana:nematóides (nematicida). Intoxicação aguda: sintomas no siste- ma nervoso central como irritabilida-1. Inseticidas de, sensação de dormência na língua, nos lábios e nos membros inferiores,1.1. Organoclorados desorientação, dor de cabeça persis- tente (que não cede aos analgésicos Estes inseticidas foram utilizados por comuns), fraqueza, vertigem, náuse-várias décadas na saúde pública para o as, vômitos, contrações muscularescontrole de vetores de doenças endêmi- involuntárias, tremores, convulsões,cas, como a malária (Matos et al, 2002), coma e morte. Em caso de inalação,assim como na agricultura. O DDT (in- podem ocorrer sintomas como tosse,seticida) foi banido em vários países, a rouquidão, edema pulmonar, bron-partir da década de 70. No Brasil, so- copneumonia e taquicardia (SVS,mente em 1992, após intensas pressões 1997; Matos et al, 2002).sociais, foram banidas (como BHC, Al-drin, Lindano, etc). As restrições à suautilização originam-se da grande capa-cidade residual dos mesmos e de umapossível ação carcinogênica (Nunes &Tajara, 1998).Principais características: São agrotóxicos de lenta degradação,com capacidade de acumulação nos se-res vivos e no meio ambiente, podendopersistir por até 30 anos no solo. Sãoaltamente lipossolúveis e o homem podeser contaminado não só por contato di-reto, mas também através da cadeia ali-mentar - ingestão de água e alimentoscontaminados (Verdes et al, 1990; Rei-gart & Roberts, 1999). 11
    • Intoxicação crônica: alterações no sis- Efeitos sobre a saúde humana: tema nervoso, alterações sanguíneas Diferentemente dos organofosfora- diversas, como aplasia medular, le- dos, os carbamatos são inibidores rever- sões no fígado, arritmias cardíacas e síveis das colinesterases, porém as into- lesões na pele (SVS, 1997). xicações podem ser igualmente graves. Carcinogênese: A IARC classifica al- Ambos atuam não só no sistema nervoso guns organoclorados como perten- central, mas também nos glóbulos ver- centes ao grupo “2B” (possivelmente melhos, no plasma e em outros órgãos cancerígeno para a espécie humana). (FUNASA, 1998). O DDT, por exemplo, pertence a este Intoxicação aguda: os sinais e sin- grupo por estar associado ao desen- tomas começam a surgir poucas volvimento de câncer de fígado, de horas após a absorção do tóxico e pulmão e linfomas em animais de podem alcançar seu máximo, in- laboratório. Outros organoclorados clusive levando a óbito dentro de pertencentes ao grupo 2B são Clor- algumas horas ou poucos dias (Al- dane, Heptacloro, Hexaclorobenze- meida, 1996). Os principais sinais no, Mirex (IARC, 2005). e sintomas são: suor abundante, salivação intensa, lacrimejamento, 1.2. Organofosforados fraqueza, tontura, dores e cólicas e Carbamatos abdominais, visão turva e emba- São agrotóxicos amplamente utiliza- çada, pupilas contraídas – miose, dos na agricultura e, dentre os inseticidas, vômitos, dificuldade respiratória, os organofosforados são responsáveis pelo colapso, tremores musculares, con- maior número de intoxicações e por um vulsões (FUNASA, 1998). grande número de mortes por agrotóxicos Intoxicação crônica: outros sinais e no Brasil (Trapé, 2005). sintomas podem persistir por meses Principais características: após a exposição como alterações neurológicas, comportamentais, cog- A absorção se dá através da pele, sen- nitivas e neuromusculares (Ecobi- do distribuídos nos tecidos do organismo chon, 1996). pela corrente sangüínea e sofrem bio- transformação, principalmente no fígado. Carcinogênese: Alguns organofosfo- A principal via de eliminação é renal (Ma- rados e carbamatos estão presentes na tos et al, 2002). revisão da IARC (2005): Os inseticidas organofosforados e car- • Diclorvós (organofosforado): gru- bamatos possuem ação semelhante no or- po 2B (possivelmente cancerígeno ganismo: a inibição de enzimas colineste- para o homem). rases, especialmente a acetilcolinesterase. • Malation, Paration (organofosfo- Estas enzimas estão presentes na transmis- rados); Aldicarb, Carbaril, Zec- são de impulsos nervosos em diversos ór- tran (carbamatos). Grupo 3: (não gãos e músculos, e assim uma contamina- classificado como carcinogênico ção por estes agrotóxicos pode desencadear para o homem): uma série de efeitos (Trapé, 2005).12
    • 1.3. Piretróides 2. Herbicidas Tiveram seu uso crescente nos últimos São usados no combate a ervas dani-20 anos e, além da agropecuária, são tam- nhas. Nas últimas duas décadas, esse grupobém muito utilizados em ambientes do- tem tido sua utilização crescente na agri-mésticos (Matos et al, 2002; Trapé, 2005), cultura (FUNASA, 1998). Seus principaisonde seu uso abusivo vem causando au- representantes são:mento nos casos de alergia em crianças eadultos (FUNASA, 1998). Paraquat: comercializado com o nome de Gramoxone®;Principais características: Glifosato: Round-up®; São facilmente absorvidos pelas viasdigestiva, respiratória e cutânea. Os sin- Pentaclorofenol;tomas de intoxicação aguda ocorrem Derivados do ácido fenoxiacético: 2,4principalmente quando sua absorção se diclorofenoxiacético (2,4 D) e 2,4,5dá por via respiratória. São compostos triclorofenoxiacético (2,4,5 T). A mis-estimulantes do sistema nervoso central tura de 2,4 D com 2,4,5 T representae, em doses altas, podem produzir lesões o principal componente do agente la-no sistema nervoso periférico (Matos et ranja, utilizado como desfolhante naal, 2002; SVS, 1997). Guerra do Vietnan. O nome comercialEfeitos sobre a saúde humana: dessa mistura é Tordon. Intoxicação aguda: os principais si- Dinitrofenóis: Dinoseb, DNOC. nais e sintomas incluem dormência nas pálpebras e nos lábios, irritação Principais características: das conjuntivas e mucosas, espirros, Existem várias suspeitas de mutageni- coceira intensa, manchas na pele, cidade, teratogenicidade e carcinogenici- edema nas conjuntivas e nas pálpe- dade relacionados a estes produtos. Dentre bras, excitação e convulsões. os herbicidas, alguns grupos químicos me- recem atenção especial pelos efeitos adver- Intoxicação crônica: Segundo Matos et sos à saúde, descritos a seguir. al (2002), não estão descritas evidên- cias de toxicidade crônica com o uso Efeitos de alguns herbicidas de piretróides. Outros autores, como sobre a saúde humana: Trapé (2005), citam alguns efeitos de 1. Bipiridilos (Paraquat): exposições de longo prazo: neurites Este produto é considerado como um periféricas e alterações hematológicas dos agentes de maior toxicidade especí- do tipo leucopenias. fica para os pulmões. Pode ser absorvido Carcinogênese: Os piretróides pare- por ingestão, inalação ou contato com a cem não apresentar potencial cancerí- pele. Provoca lesões hepáticas, renais e geno para humanos. Como exemplo, a fibrose pulmonar irreversível, podendo IARC classifica os agrotóxicos Delta- levar à morte por insuficiência respira- metrina e Permetrina no grupo 3 (não tória em até duas semanas após a expo- carcinogênicos para o homem). sição, em casos graves. 13
    • Além disso, são relatados casos de in- o TCDD é o mais potente carcinogênico gestão acidental por crianças (por possu- até hoje testado para roedores. Estudos írem coloração semelhante à dos refrige- em animais forneceram evidências con- rantes à base de cola) e casos de suicídio. clusivas que o TCDD é um carcinógeno (FUNASA, 1998; Matos et al, 2002). de múltiplos estágios, aumentando a incidência de tumores em locais distan- 2. Pentaclorofenol e Dinitrofenóis: tes dos locais de tratamento. Em feve- Os principais sintomas de intoxicação agu- reiro de 1997, a Agência Internacional da por estes produtos incluem dificuldade res- de Pesquisa do Câncer (IARC) reavaliou piratória, hipertermia, fraqueza, convulsões e as dibenzo-p-dioxinas policloradas, bem perda de consciência. O pentaclorofenol possui como os dibenzofuranos policlorados, em sua formulação impurezas chamadas dio- por representarem possíveis riscos carci- xinas, substâncias extremamente tóxicas, can- nogênicos para os seres humanos. “Com cerígenas e fetotóxicas (FUNASA, 1998). base nos mais recentes dados epidemio- lógicos, em populações humanas expos- 3. Derivados do ácido fenoxiacético: tas, através de bioensaios de carcinoge- Um dos principais produtos é o 2,4 D, nicidade experimental em animais de muito usado no país em pastagens e plan- laboratório e evidências de apoio sobre tações de cana de açúcar. O 2,4,5 T tem uso mecanismos relevantes de carcinogêne- semelhante ao 2,4 D, apresentando uma dio- se, a 2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxi- xina como impureza, responsável pelo surgi- na (TCDD) foi avaliada como sendo car- mento de cloroacnes, abortamentos, além de cinogênica para seres humanos - Grupo efeitos tetratogênicos e carcinogênicos. 1 da IARC (GREENPEACE, 2005). O quadro de intoxicação aguda inclui: cefaléia, tontura, fraqueza, náuseas, vômi- tos, dor abdominal, lesões hepáticas e renais. Casos graves podem apresentar convulsões, III. Toxicidade coma e podem evoluir para óbito em 24 ho- dos agrotóxicos ras. Os efeitos crônicos incluem neuropatia periférica, disfunção hepática e maior ris- Os agrotóxicos podem ser absorvidos co de desenvolver linfomas tipo Hodgkin e através das vias dérmica, gastrointestinal e não-Hodgkin (Matos et al, 2002). respiratória, podendo determinar quadros de intoxicação aguda, subaguda e crônica. • Carcinogênese dos Herbicidas: Estudos epidemiológicos demonstram Na intoxicação aguda, os sintomas sur- diversas associações entre o uso de gem rapidamente, algumas horas após a ex- agrotóxicos e câncer em humanos, in- posição excessiva e por curto período aos cluindo linfoma não-Hodgkin e cân- produtos tóxicos. Os sinais e sintomas clí- cer de tireóide (Solomon, 2000). nico-laboratoriais são mais facilmente re- conhecidos, o diagnóstico é mais simples de • Dioxinas: a presença de dioxinas como ser estabelecido e o tratamento melhor de- impurezas nos herbicidas está associada finido. Pode ocorrer de forma leve, modera- ao desenvolvimento de distúrbios repro- da ou grave, dependendo da quantidade do dutivos e alguns tipos de câncer, como os agrotóxico absorvido pelo organismo. linfomas (Trapé, 2005). Foi relatado que14
    • Na intoxicação crônica, o surgimento toxicações por produtos de uso agrícolados sintomas é tardio, podendo levar me- e 29% por produtos de uso domésticoses ou anos, e caracterizam-se por peque- (FIOCRUZ, 2005).nas ou moderadas exposições a um ou amúltiplos produtos, acarretando por vezesdanos irreversíveis, como paralisias e ne- Subnotificação: O Ministério daoplasias (FUNASA, 1998). Saúde estima que, para cada evento de intoxicação por agrotóxico notificado, há outros 50 não notificados, o que Importante: Muitos sinais e elevaria a contaminação para, aproxi- sintomas de intoxicação por agro- madamente, 400.000 casos em 2002. tóxicos podem ser confundidos com outros problemas de saúde. Assim, a melhor forma para que o profis- sional de saúde possa concluir um 2. Agrotóxicos e câncer diagnóstico correto de intoxicação por agrotóxico é estar atento para o O câncer é uma doença que, em geral, de- problema e fazer um histórico ocu- manda longo tempo entre a exposição ao agen- pacional e ambiental com todos os te cancerígeno e o início dos sintomas clínicos. pacientes que apresentarem sinais e Estabelecer o nexo causal entre a exposição sintomas sugestivos. aos agrotóxicos potencialmente cancerígenos e o desenvolvimento de câncer nem sempre é possível e, em muitos casos, a doença instala- da pode simplesmente não ser relacionada ao1. Prevalência das agente causador no momento do diagnóstico.intoxicações no país Além disso, o câncer caracteriza-se por ser de origem multifatorial, e os me- O número de intoxicações por uso canismos que interferem na carcinogênesede agrotóxicos pode ser observado a são muitos. Dentre estes fatores, a exposi-partir de dados do Sistema Nacional ção aos agrotóxicos pode ser consideradade Informações Tóxico-Farmacológi- como uma das condições potencialmentecas (SINITOX). Este é um sistema co- associadas ao desenvolvimento do câncer,ordenado pela Fundação Oswaldo Cruz, por sua possível atuação como iniciadoresque consolida os dados provenientes - substâncias capazes de alterar o DNA dedos Centros de Controle de Intoxicação. uma célula, podendo futuramente originarEm 2002, a Rede SINITOX contava com o tumor - e/ou como promotores tumorais33 Centros, localizados em 18 estados - substâncias que estimulam a célula alte-brasileiros. De acordo com dados deste rada a se dividir de forma desorganizadasistema, no ano de 2002, foram notifi- (Koifman & Hatagima, 2003).cados no Brasil 7.838 casos de intoxi-cação humana por agrotóxicos, respon- A Agência Nacional de Pesquisa emdendo por aproximadamente 10,4% de Câncer (IARC) vem revisando diversostodos os casos de intoxicação notifica- produtos, entre eles agrotóxicos, de acor-dos no país. Do total de intoxicações do com o potencial carcinogênico para apor agrotóxicos, 71% referiam-se a in- espécie humana. 15
    • IV. Recomendações contra o vento). Não aplicar os produ- tos na presença de ventos fortes. para o uso de Não aplicar os produtos nas horas agrotóxicos mais quentes do dia. Manter as embalagens de agrotóxicos Não comer, beber ou fumar durante o adequadamente fechadas, em local manuseio e aplicação do(s) produto(s). trancado, fora da casa e longe do al- cance de crianças e animais. Utilizar equipamentos de proteção in- dividual (EPI), conforme indicação do Não reutilizar as embalagens vazias. produto a ser utilizado. As embalagens vazias devem ser enca- i. Caso não possua EPI, o agricultor minhadas aos estabelecimentos comer- deve usar roupa destinada somente ciais em que foram adquiridas, obser- para aplicação ou manuseio. Indis- vando as instruções de rótulos e bulas. pensável o uso de luvas impermeá- veis e botas de borracha. ii. Trocar e lavar as roupas de proteção V. Legislação separadamente de outras roupas não contaminadas. A Constituição Federal Brasileira1 atribuiu ao Poder Público a obrigação de controlar as iii.Tomar banho imediatamente após o substâncias que comportem risco à vida, à qua- contato com os agrotóxicos. lidade de vida e ao meio ambiente, no que se Não manusear os agrotóxicos com as inclui o controle dos produtos fitossanitários. mãos desprotegidas. A Lei n° 7. 802, de 11 de julho de 1989, Não desentupir bicos, orifícios e vál- relativa a produtos fitossanitários e outros vulas dos equipamentos com a boca. produtos, instituiu a exigência de que os mes- mos sejam previamente registrados para fins Quando aplicar os agrotóxicos, obser- de produção, importação, exportação, comer- var a direção dos ventos (não aplicar cialização e utilização, atendidas as diretrizes e exigência dos órgãos federais responsáveis 1 Dentre estas previsões constitucionais encontra-se o Ar- tigo 225, § 1º, inciso V estabelecendo que: “Todos têm di- reito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o de- ver de defendê-lo e preservá-lo para a presente e futuras gerações. §1º incumbe ao Poder Público: [....] V- controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e meio ambiente”. e o Artigo 196, que determina: “A saúde é Direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.16
    • pelos setores da saúde, da agricultura e do do produto. Assim como pode elevar a to-meio ambiente. Por este instituto legal, os se- xicidade do agrotóxico, caso não haja umtores da saúde e do meio ambiente possuem controle das impurezas presentes.a prerrogativa legal de avaliarem se suas di- A Portaria Interministerial2 nº 17, deretrizes e exigências estão satisfatoriamente 16 de março de 2000, assinada pelos Mi-atendidas para a concessão de determinado nistros da Agricultura, Pecuária e Abas-registro, avaliando integralmente as possí- tecimento, da Saúde, do Meio Ambiente eveis repercussões que o produto agrotóxico pelo Chefe da Casa Civil da Presidência dapossa ter e assegurando à autoridade pública República, constituiu uma Comissão Inter-um nível adequado de informação sobre as ministerial com a incumbência de, entrecaracterísticas e nível tóxico de cada produto outros propósitos:comercializado no país, de modo a garantir asua qualidade e minimizar seus riscos para a I - harmonizar e racionalizar procedimentossaúde humana e para o meio ambiente. no sentido de tornar ágeis e eficientes os processos de registro, reavaliação e adapta- De acordo com os termos da Lei, es- ção de registro de produtos agrotóxicos;pecialmente no que se refere às situaçõesdentro das quais fica proibida a concessão II - apresentar proposta de procedimentosdo registro, e que dizem respeito a aspec- a adotar com relação ao registro de produ-tos relativos à periculosidade do produto tos agrotóxicos similares;à saúde humana e/ou ao meio ambiente, III - sugerir ajustes no Decreto nº 98.816,verifica-se que o registro constitui um pro- de 11 de janeiro de 1990, que regulamentacedimento básico de controle, destinado a a Lei dos Agrotóxicos - nº 7.802, de 11 deimpedir que produtos dotados de riscos julho de 1989.inaceitáveis sejam produzidos, importados,exportados, comercializados ou utilizados. O Decreto nº 4074, de 04 de janeiro de 2002, que regulamenta a Lei nº 7.802 de Para efeito de verificação e avaliação 2002, introduziu uma série de modifica-das características toxicológicas, ecotoxico- ções no atual sistema de registro vigentelógicas e agronômicas dos produtos, e dos no Brasil, com vistas a adequar a legislaçãopossíveis riscos ao ser humano e ao meio nacional à normativa MERCOSUL, consa-ambiente, as autoridades governamentais grando o princípio do registro por equi-competentes baseiam-se em dados e estu- valência, modificando substancialmente odos apresentados pelas empresas, de acor- próprio modelo de registro vigente até aqui,do com normas e procedimentos estabele- no que se refere à tramitação dos processoscidos, que foram fixados visando assegurar e à intervenção dos órgãos envolvidos.a qualidade e a confiabilidade dessas in-formações e, consequentemente, a própria No seu inciso VI, vê-se a criação doqualidade e confiabilidade da avaliação. Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos (CTA), composto por repre- O estabelecimento de determinados sentantes dos órgãos federais responsáveispadrões para os produtos é garantia de pelos setores de agricultura, saúde e meioproteção à saúde pública, ao consumidore ao meio ambiente. A adoção do métodode menor rendimento ou menor qualidade 2 Portaria Interministerial n. 17 de 16/03/00, publicadapode acarretar a perda de competitividade no D. O.U. de 17 de março de 2000. 17
    • ambiente, com o qual se visa a harmoni- didos de terceiros para cancelamento zação do inter-relacionamento desses ór- ou impugnação de registro e a reava- gãos no que se refere aos procedimentos liação de registro frente a novos dados técnico-científicos e administrativos con- indicativos de existência de riscos; cernentes a agrotóxicos, seus componentes O estabelecimento das diretrizes a e afins. São de sua competência: serem observadas no SIA, o acom- A sistemática proposição de incor- panhamento e a supervisão das suas poração de tecnologias de ponta nos atividades. processos de análise, controle e fisca- lização, bem como quando relaciona- das a outras atividades cometidas aos Ministérios da Agricultura, Pecuária VI. Sites de interesse e Abastecimento, da Saúde e do Meio Ambiente, pela Lei nº 7.802, de 1989; http://www.anvisa.gov.br/ - Agência Na- cional de Vigilância Sanitária. A análise de propostas de edição e de alteração de atos normativos e a su- http://www.cetesb.sp.gov.br/ - Companhia gestão de ajustes e adequações consi- de Tecnologia de Saneamento Ambiental deradas cabíveis; do Estado de São Paulo. A elaboração de critérios para a dife- http://www.epa.gov/ - U.S. Environmental renciação desses produtos em classes, Protection Agency. em função de sua toxicidade, pericu- http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/ losidade, utilização e modo de ação; - Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários. O assessoramento aos Ministérios da http://www.fiocruz.br/sinitox/ - Sistema Na- Agricultura, Pecuária e Abastecimen- cional de Informações Tóxico-Farmacológicas. to, da Saúde e do Meio Ambiente, in- cluída a manifestação sobre concessão http://www.iarc.fr/ - International Agency de registro para uso emergencial, pe- for Research on Cancer.18
    • VII. BibliografiaAgência Nacional de Vigilância Sanitária; International Agency for Research Cancer.Ministério da Saúde. Sistema de informa- Overall evaluations of carcinogenicity toções sobre agrotóxicos (SIA). [citado em 07 humans. Lyon: IARC; 1987. [citado em 22abr 2005]. Disponível em: http://www4. ago 2005]. Disponível em: http://www-cie.anvisa.gov.br/agrosia/asp/default.asp. iarc.fr/monoeval/crthall.html.Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Mi- Koifman S, Hatagima A. Exposição aosnistério da Saúde, Instituto Nacional de Con- agrotóxicos e câncer ambiental. In Peres F,trole da Qualidade em Saúde; Ministério da Moreira JC, organizadores. É veneno ou éSaúde. Programa de análise de resíduos de remédio? agrotóxicos, saúde e ambiente. Rioagrotóxicos em alimentos (PARA): relatório de Janeiro (RJ): FIOCRUZ; 2003. p.75-99.anual 04/06/2001-30/06/2002. Brasília, DF: Luscombe D. Dioxinas e furanos: efeitos so-Ministério da Saúde; 2003. [citado em 09 ago bre a saúde humana. São Paulo: Greenpe-2004]. Disponível em: http://www.anvisa.gov. ace Brasil; 1999. [citado em 14 out 2005].br/toxicologia/residuos/rel_anual_2002.pdf. Disponível em: http://www.greenpeace.Almeida WF. Trabalho agrícola e sua rela- org.br/toxicos/pdf/dioxina.doc.ção com saúde/doença. In: MENDES, R. Pa- Matos GB, Santana OAM, Nobre LCC. Into-tologia do trabalho. Rio de Janeiro: Athe- xicação por agrotóxico. In: Centro de Estu-neu; 1996. p.487-544. dos da Saúde do Trabalhador. Superinten-Centro Nacional de Epidemiologia. Funda- dência de Vigilância e Proteção da Saúde;ção Nacional de Saúde; Ministério da Saú- Secretaria da Saúde do Estado. Manual dede. Guia de vigilância epidemiológica. Bra- normas e procedimentos técnicos para a vi-sília (DF): FUNASA; 1998. cap. 5.15. gilância da saúde do trabalhador. Salvador (BA): CESAT/SESAB; 2002. p. 249-280.Ecobichon DJ. Toxic effects of pestici-des. In: Klaassen CD, editor. Casarett and Meyer A, Chrisman J, Moreira JC, Koif-Doull’s toxicology: the basic science of poi- man S. Cancer mortality among agricultu-sons. 5 ed. New York: McGraw-Hill; 1996. ral workers from Serrana Region, state ofp. 643-689 Rio de Janeiro, Brazil. Environ Res. 2003 Nov;93(3):264-71.Forget G. Pesticides and the third world.Pesticides and the Third World. J Toxicol Nunes MV, Tajara EH. Efeitos tardios dosEnviron Health. 1991 Jan;32(1):11-31. praguicidas organoclorados no homem. Rev Saude Publica. 1998 Aug;32(4):372-82.Fundação Oswaldo Cruz. Sistema nacional deinformações tóxico-farmacológicas (SINITOX). Peres F. É veneno ou é remédio? os desa-Rio de Janeiro: FIOCRUZ; 2002. [citado em 26 fios da comunicação rural sobre agrotóxicosago 2005]. Disponível em http://www.cict. [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola Na-fiocruz.br/intoxicacoeshumanas/index.htm. cional de Saúde Pública, FIOCRUZ; 1999.Garcia EG, Almeida WF. Exposição dos traba- Peres F, Moreira JC, Dubois GS. Agrotóxi-lhadores rurais aos agrotóxicos no Brasil. Rev cos, saúde e ambiente: uma introdução aoBras Saude Ocupacional. 1991; 19(72):7-11 tema. In Peres F, Moreira JC, organizado- 19
    • res. É veneno ou é remédio? agrotóxicos, saúde de populações expostas a agrotóxi- saúde e ambiente. Rio de Janeiro (RJ): FIO- cos. Brasília (DF): OPAS/MS; 1997. CRUZ; 2003. p. 21-41. Solomon G. Pesticides and human health: Reigart JR, Robert JR. Reconocimiento a resource for health care professionals. y manejo de los envenenamientos por California: Physicians for Social Responsa- pesticidas. 5. ed. Washington, DC: EPA; bility (PSR) and Californians for Pesticide 1999. [citado em: 05 set 2004]. Disponí- Reform (CPR); 2000. vel em: http://www.epa.gov/pesticides/ Verdes JAA, Companioni DR. Plaguicidas safety/healthcare. organoclorados. México: Centro Panameri- Secretaria de Vigilância Sanitária; Minis- cano de Ecología Humana Y Salud. Méxi- tério da Saúde. Manual de vigilância da co: Mepetec;1990.20
    • AmiantoI. Introdução mente carcinogênico para os humanos, [(Gru- po 1) (IARC, 1987)] em qualquer estágio de produção, transformação e uso. De acordo1. O que é com a Organização Mundial de Saúde (OMS), não há nenhum limite seguro de exposição O asbesto, também denominado amianto, para o risco carcinogênico, de acordo com oé uma forma fibrosa dos silicatos minerais. Critério 203, publicado pelo IPCS (Internatio-Compõe-se de silicatos hidratados de magné- nal Programme on Chemical Safety)/WHO (Or-sio, ferro, cálcio e sódio. Divide-se em 2 gran- ganização Mundial da Saúde) (WHO, 1998).des grupos: serpentinas, ou crisotila (asbestobranco) e anfibólios, ou actinolita, amosita Propriedades físico-químicas(asbesto marrom), antofilita, crocidolita (as- As fibras de asbesto são flexíveis, nãobesto azul), tremolita ou qualquer mistura que dissolvem em água e resistem a altas tempe-contenha um ou vários destes minerais. raturas, ao fogo e a degradação por produtos químicos e biológicos. Garantem isolamentoOrigem térmico, acústico, incombustibilidade, resistên- Fibra de origem mineral, derivada de cia mecânica e durabilidade (ASTDR, 2001).rochas metamórficas eruptivas, que, porprocesso natural de recristalização, transfor-ma-se em material fibroso (Castro, 2003). 2. Usos mais freqüentesCAS O amianto foi inicialmente empregado para[Registro 1332-21-4]. reforço de utensílios de cerâmica. Com a revolu- ção industrial, passou a ser utilizado como iso-Sinonímia lante térmico de máquinas e equipamentos. Serpentinas (crisotila ou amianto branco) Devido às suas propriedades físico-quími- cas, o amianto tem sido muito empregado em Anfibólios (tremolita, actinolita, an- diversos produtos, principalmente em materiais tofilita, amosita e crocidolita) de construção e em situações que exijam o usoClassificação de materiais termoresistentes (ASTDR, 2001). A Agência Internacional de Pesquisa em Na atualidade, é ainda muito utilizado comoCâncer (IARC), da Organização Mundial da matéria-prima na maioria das indústrias dosSaúde, classifica o amianto como definitiva- países de economia periférica (Castro, 2003). 21
    • Sua aplicabilidade mais intensa se dá em pulmonar e, conseqüentemente, as trocas ga- (Karjalainen, 1994; Castro, 2003): sosas, podendo levar à morte (OSHA,2005). Setor de fibrocimento: confecciona caixas Não há níveis seguros para a exposição, e d’água, telhas onduladas e planas, tubu- o intenso uso no Brasil exige que a recupera- lações e divisórias, tintas, revestimentos e ção do histórico de contato deva prever todas isolamentos térmicos e acústicos. as situações em que se fez necessário o isola- mento acústico, térmico e a impermeabiliza- Produtos de fricção: esta categoria inclui ção, pois o amianto pode estar presente em guarnições de freios (lonas e pastilhas), qualquer situação como isolante de caldeiras, juntas, gaxetas, revestimentos de discos de fornos, isolamento de salas, tetos ou cabines. embreagem usados em carros, caminhões, tratores, metrôs, trens e guindastes. O Brasil é o quinto maior produtor de amianto e é auto-suficiente; 30% do exceden- Produtos têxteis: tecidos especiais que te da produção é exportado. O amianto bra- oferecem resistência mecânica, quími- sileiro é do tipo crisotila, com dimensões que ca, isolantes térmicos elétricos e im- o qualificam, principalmente, para a indústria permeáveis. São utilizados em man- do cimento amianto. São produzidas cerca gueiras, forração de roupas e luvas de 237.000 toneladas por ano e exportadas especiais para as indústrias siderúrgi- 70.000 toneladas por ano (Giannasi, 1997). cas, metalúrgicas e petroquímicas. Filtros para líquidos de interesse co- mercial: o amianto possui grande capa- cidade filtrante, pois não é corrosível, II. Efeitos sobre e possui boa resistência bacteriana. a saúde humana Papéis e papelões: misturados a resinas especiais e depois prensadas, são produzi- A exposição ao amianto está relacionada à dos laminados de papéis e papelões usados ocorrência de asbestose, enfermidade que causa em painéis acústicos e para o transporte inflamação pulmonar seguida de fibrose, além de peças frágeis que necessitam proteção de estar associada ao aparecimento de câncer contra choques, calor, umidade. (pulmão e tratogastrointestinal) e mesotelioma Produtos de vedação: a partir de te- (tumor raro e de difícil diagnóstico). cidos e papelões de amianto são pro- duzidas juntas para revestimento e vedação, usados pela indústria auto- 1. Toxicologia motiva para obtenção de isolamento A ocorrência de placa pleural é consi- térmico, acústico e de calor. derada um marcador de exposição, estan- do mais relacionada ao tempo de latência 3. Exposição ocupacional do que à exposição. A exposição ocupacional é dada pela ina- As lesões mais precoces são encontradas lação das fibras de asbesto que causam lesões nos dutos alveolares e nas regiões peribrônqui- nos pulmões e em outros órgãos. Muitas vezes cas, onde as fibras de asbesto atraem macrófa- as doenças aparecem depois de muitos anos gos alveolares. Os pulmões dos trabalhadores de exposição. A asbestose causa acúmulo de expostos ao asbesto mostram lesão inflamató- tecido conjuntivo, diminuindo a complacência ria e fibrótica das pequenas vias áereas.22
    • À medida da progressão da doença o pro- Tempo de exposição: estudos demons-cesso fibrótico torna-se extenso e por fim en- tram que o câncer de pulmão ou o me-volver todo o pulmão, que perde, até mesmo, sotelioma se manifestam, em média,sua arquitetura normal. Nos casos avançados, após 15 anos de exposição, como ocor-os pulmões tornam-se pequenos e rígidos, re com a maioria dos tumores sólidos.com fibrose macroscopicamente visível. Biopersistência: significa que para pro- A primeira anormalidade patológica vocar dano pulmonar a fibra deve pe-da asbestose é um acúmulo de células in- netrar e permanecer nos alvéolos, o queflamatórias, principalmente macrófagos, ocorre com mais facilidade se a fibra forao redor das fibras; isso explica porque a do tipo anfibólio (rígidas e pontiagudas)exposição ao asbesto reduz o fluxo aéreo e com menos facilidade, se a fibra for doa baixos volumes pulmonares (Goldman tipo crisotila (maleáveis e curvas). Nos& Ausiello, 2005). processos de extração há proporções va- riáveis dos tipos das fibras. Estudos recentes mostram que o desen-volvimento da doença pode não estar direta- Susceptibilidade individual: está rela-mente relacionada com o tempo de exposição cionada com a atividade exercida noe a quantidade inalada. Doenças relacionadas momento da exposição e a caracterís-ao asbesto (Goldman & Ausiello, 2005): ticas individuais e genéticas. Lesões pleurais benignas – período de latência de 15 a 20 anos. 2. Agravos relacionados Asbestose – período de latência de com a exposição mais de 10 anos. Asbestose Câncer de pulmão – período de latên- cia de mais de 30 anos. Os trabalhadores que inalam repetida- mente fibras de asbesto podem desenvolver Mesoteliomas – período de latência de lesões que causarão cicatrizes no pulmão e 30 a 40 anos. na pleura. Esse tecido perde sua capacidade de contração e expansão (complacência) e, A absorção de asbesto pelo organismo por conseguinte, a respiração torna-se difícil.depende de alguns fatores: Pode haver diminuição do fluxo sanguíneo Tamanho da fibra: basta respirar a nos pulmões e isso causa hipertrofia cardía- poeira de amianto que contenha fi- ca. Essa enfermidade é denominada asbesto- bras de tamanho suficientemente pe- se: dificulta a respiração e tosse é um de seus quenas, que atinjam os alvéolos (3 sintomas. É considerada uma doença grave e micra de diâmetro e de 5 a 200 micra pode levar à morte. É uma doença majorita- de comprimento), para que se inicie o riamente laboral, porém, com a disseminação processo de adoecimento. ambiental, pode afetar pessoas que vivem ou transitam em áreas com altos níveis ambien- Concentração: quanto maior o nú- tais de asbesto (ASTDR, 2001). mero de fibras de amianto em pro- porções respiráveis presentes no am- Estudos epidemiológicos demonstram biente, maior será a probabilidade do o aumento do risco de asbestose em mine- indivíduo em reter estas partículas; se radores da fibra, fabricantes de barcos de a exposição for freqüente, deve-se le- fibra de amianto, e trabalhadores da in- var em conta o tipo de fibra. dústria de cimento amianto (IACR,1987). 23
    • 2.1. Prevalência da asbestose ses tardias. O espessamento pleural, na no Brasil forma de placas ou espessamento pleural difuso, é a doença relacionada ao asbesto Estima-se que a população brasileira ex- mais prevalente. posta diretamente seja de 500.000 pessoas (Algranti, 2001), sendo 20.000 ligados à ex- posição ocupacional em mineração e produção de cimento-amianto. Há uma porcentagem 3. Carcinogênese desconhecida de trabalhadores engajados na O amianto é considerado uma substân- produção civil, atividades não reguladas na cia de comprovado potencial cancerígeno exposição ao asbesto (Castro, 2003). em quaisquer das suas formas ou em qual- Entre os vários segmentos da indústria, na quer estágio de produção, transformação e mineração são cerca de 25.000 trabalhadores uso. De acordo com a Organização Mundial expostos. O setor de fibrocimento responde de Saúde (OMS), a crisotila está relaciona- por aproximadamente 85% do amianto utili- da a diversas formas de doença pulmonar zado em 30 fábricas, com aproximadamente 8 (asbestose, câncer pulmonar e mesotelioma mil trabalhadores expostos (Castro,1996). de pleura e peritônio) (Castro,2003). Estima-se que o pico do adoecimento no Há dois tipos de câncer produzidos pela Brasil se dará entre 2005-2015, como ocor- exposição a asbesto: câncer de pulmão e reu na Europa e nos Estados Unidos a partir mesotelioma. Este último é dado pelo de- do final dos anos 60. Na indústria cimento- senvolvimento de tumor na pleura ou no amianto, registrou-se uma prevalência de peritônio. Alguns estudos evidenciam que 8,9 % de asbestose (Castro, 2003). o asbesto pode aumentar as possibilidades Dados de prevalência de asbestose são es- de câncer em outras partes do corpo como cassos no Brasil. A revisão de Castro (1996) estômago, intestino, esôfago, pâncreas e identifica um estudo envolvendo 86 trabalha- rins (ASTDR, 2001). Todavia, não há tipo dores da indústria de fibrocimento com mais de histológico mais prevalente e observa-se 10 anos de exposição, por Costa em 1983, que maior prevalência nos casos de asbestose. detectou que 25% dos trabalhadores da região de Leme (SP) apresentavam asbestose. Outro A exposição ao asbesto e o tabagismo grupo de pesquisadores de São Paulo, que reu- agem sinergicamente no desenvolvimento niu profissionais do Ministério do Trabalho, de do câncer pulmonar (ASTDR, 2001). Universidades e Institutos de Pesquisa, reali- zou um estudo que verificou 5% de prevalên- As fibras de asbesto parecem causar cia de asbestose entre os trabalhadores ativos lesão tecidual através da estimulação dos de indústrias de fibrocimento. Rodel Speger, macrófagos alveolares a secretar materiais em 1995, estudando os efeitos do amianto do citotóxicos, quimiostáticos de células infla- tipo anfibólio observou que este tipo de asbesto matórias e ao menos um fator que estimu- oferece um risco 5 vezes maior para câncer de le a proliferação dos fibroblastos. Devido à pulmão do que outros tipos. sua durabilidade as fibras podem estimu- lar repetidamente os macrófagos por vários 2.2. Sinais clínicos da asbestose anos, sem que sejam degradadas. Isto ajuda O quadro clínico caracteriza-se por a explicar a contínua progressão da doença dispnéia de esforço, crepitações nas ba- induzida pelo asbesto após ser interrompida ses e baqueteamento digital, este em fa- a exposição (Goldman & Ausiello, 2005).24
    • III. Limites O controle da exposição ao amianto deve seguir o estabelecido na Convenção/OIT nºde tolerância 139/1974, que trata da Prevenção e Controle de Riscos Profissionais causados por Subs- A OSHA (Ocupational Safety & Heal- tâncias ou Agentes Cancerígenos, ratificadath Administration) estabelece o Limite de pelo Brasil em junho de 1990, e vigente des-Exposição Permitido (PEL) para todas as de junho de 1991 que determina:fibras de asbesto maiores de 5 micra em Substituir substâncias e agentes can-0,1 fibra/cm3, mesmo valor do Limite de cerígenos por outros não-canceríge-Exposição Recomendado (REL) estabeleci- nos ou menos nocivos.do pelo NIOSH (National Institute for Ocu-pational Safety and Health). Reduzir o número de trabalhadores ex- postos, a duração e os níveis de exposição O Limite de Exposição (TLV-TWA) para ao mínimo compatível com a segurança.todas as formas de asbesto, adotado pela AC-GIH (American Conference of Governamental Prescrever medidas de proteção.Industry Hygenists) em 1998, é de 0,1 fibra/ Estabelecer sistema apropriado decm3 (até 1997 era de 0,5 fibra/cm3), com a registro.observação de que o asbesto deve ser consi-derado carcinogênico humano. Informar aos trabalhadores sobre os riscos e as medidas a serem aplicadas. No Brasil, o limite de tolerância (LT) foiestabelecido pelo Ministério do Trabalho e Garantir a realização dos exames mé-Emprego na Portaria 3214, norma regula- dicos necessários para avaliar os efei-mentadora 15 anexo 12, em 1991. Nesta, tos da exposição.foi proibido o uso de fibras de anfibólios As medidas de controle ambiental visam(crocidolita, amosita, antofilita, tremolita). a eliminação ou a redução da exposição aPara as fibras respiráveis de crisotila, esta- níveis próximos de zero por meio de:belece o limite de tolerância de 2,0 fibras/cm3. Entende-se por “fibras respiráveis de enclausuramento de processos e iso-asbesto” aquelas com diâmetro inferior a lamento de setores de trabalho;3 micrômetros, comprimento maior que 5 umidificação dos processos onde hajamicrômetros e relação entre comprimento produção de poeira;e diâmetro superior a 3:1. normas de higiene e segurança rigo- rosas, colocação de sistemas de venti- lação exaustora local e de ventilaçãoIV. Medidas geral adequados e eficientes;de controle monitoramento sistemático das con- centrações de fibras no ambiente; A OMS e a OIT (Organização Interna- mudanças na organização do tra-cional do Trabalho) reconhecendo o poten- balho que permitam diminuir o nú-cial de risco do amianto, recomendam que mero de trabalhadores expostos e osejam utilizadas outras fibras, sempre que tempo de exposição;esta alternativa existir. 25
    • limpeza a úmido ou lavagem com água As empresas (públicas ou privadas) que das superfícies do ambiente (banca- produzam, utilizam ou comercializam das, paredes, solo) ou por sucção, para fibras de asbesto e as responsáveis pela retirada de partículas antes do início remoção de sistemas que contêm ou po- das atividades; dem liberar fibras de asbesto para o am- biente deverão ter seus estabelecimentos medidas de limpeza geral dos am- cadastrados junto ao Ministério do Tra- bientes de trabalho e facilidades para balho e da Previdência Social/Instituto higiene pessoal, recursos para banhos, Nacional de Seguridade Social, através lavagem das mãos, braços, rosto e tro- de seu setor competente em matéria de ca de vestuário; segurança e saúde do trabalhador; devem ser fornecidos, pelo emprega- Antes de iniciar os trabalhos de remo- dor, equipamentos de proteção indi- ção e demolição, o empregador e/ou vidual adequado, em bom estado de contratado, em conjunto com a repre- conservação, como medida comple- sentação dos trabalhadores, deverão mentar à proteção coletiva. elaborar um plano de trabalho onde se- jam especificadas as medidas a serem tomadas, inclusive as destinadas a: V. Legislação 1. Proporcionar toda proteção necessá- ria aos trabalhadores; O amianto já foi proibido em 36 países em todas as suas formas químicas e estruturais e 2. Limitar o desprendimento da poeira teve sua utilização restrita em inúmeros ou- de asbesto no ar; tros. A Comissão das Comunidades Européias 3. Prever a eliminação dos resíduos que aprovou em 26/7/1999 a Diretiva 1999/77/ contenham asbesto. CE, que decidiu pela proibição total do uso do amianto em todos os países membros da Determina que as fibras de amian- União Européia, a partir de janeiro de 2005. to e seus produtos sejam rotulados e Argentina, Chile e El Salvador proibiram o acompanhados de “instruções de uso”, amianto na América Latina (Castro, 2003). com informações sobre os riscos para a saúde, doenças relacionadas e medi- No Brasil, a partir de 1991, o Ministério das de proteção e controle. do Trabalho Brasileiro publicou no anexo 12, da Norma regulamentadora nº 15, que: A asbestose, o mesotelioma e o câncer de pulmão que decorrem da exposição ao Proíbe o uso de amianto do tipo anfi- amianto, são objetos de notificação nacional bólio e de produtos que o contenham; ao ministério da Saúde, regulamentado pela Proíbe a pulverização (spray) de qual- portaria 777/GM de 28 de abril de 2004, que quer amianto; dispõe sobre os procedimentos técnicos para a notificação compulsória de agravos à saúde Proíbe o trabalho de menores de 18 do trabalhador em rede de serviços sentinela anos nas áreas de produção; específica, no Sistema Único de Saúde (SUS).26
    • VI. BibliografiaAgencia para Substancias Tóxicas y el Re- Giannasi F, Thebaud-Mony A. Occupationalgistro de Enfermidades. Resumen de salud exposure to asbestos in Brazil. Int J Occuppública asbesto (Asbestos). Atlanta: ATS- Environ Health. 1997 Apr;3(2):150-157.DR; 2001. [citado em 14 out 2005]. Dis-ponível em: http://www.atsdr.cdc.gov/es/ Goldman L, Ausiello DG. Tratado de me-phs/es_phs61.html#expos. dicina interna. 22 ed. Rio de Janeiro (RJ): Elsevier; 2005.Algranti E. Epidemiologia das doençasocupacionais respiratórias no Brasil. In: International Agency for Research on Can-Menezes AMB. Epidemiologia das doenças cer. Overall evaluations of carcinogenicity:respiratórias. Rio de Janeiro (RJ): Revinter; an updating of IARC monographs volumes2001. p.119-143. 1 to 42, supplement 7. Lyon: IARC; 1987.Castro H, Giannasi F, Novello C. A luta pelo International Agency for Research on Can-banimento do amianto nas Américas: uma cer. Asbestos. In: Overall evaluations ofquestão de saúde pública. Cienc. saúde co- carcinogenicity: an updating of IARC mo-letiva. 2003; 8(4):903-911. nographs volumes 1 to 42, supplement 7. Lyon: IARC; 1987. p.106-116.Castro HA. Pneumopatias profissionais In:Pneumologia – Bethlema. 4 ed. São Paulo Karjalainen A, Anttila S, Vanhala E, Vainio H.(SP): Atheneu; 1996. Asbestos exposure and the risk of lung cancer in a general urban population. Scand J WorkDepartment of Labor. Occupational Safe- Environ Health. 1994 Aug;20(4):243-50.ty & Health Administration. Washington,(DC): OSHA; 2005. [citado em 14 out 2005]. World Health Oganization. EnvironmentalDisponível em: http://www.osha.gov. health criteria 203: chrysotile asbesto. Ge- neva: WHO; 1998. 27
    • SílicaI. Introdução Nome comercial Sílica Cristalina: BRGM, D&D, DQ12, Min-U-Sil, Sil-Co-Snowit.1. O que é Sílica Amorfa: Aerosil, Celite, Ludox, Sílica refere-se aos compostos de dióxido silcron G-910 (Bon, 2003).de silício, representada pelo símbolo SiO2. Éum mineral duro e o mais abundante na cros- Classificaçãota terrestre, encontra-se em rochas e areias. Segundo a IARC (International AgencyAs três formas de sílica cristalina são: quart- for Research on Cancer/WHO) da Organi-zo, a trimidita e a cristobalita (NIOSH, 2002). zação Mundial de Saúde a sílica crista- lina está classificada como Grupo 1, re-Origem conhecidamente cancerígena para seresMineral, biogênica ou sintética. humanos (IARC,1997).CAS Propriedades físico-química[Registro 14808-60-7] Sua composição química é dada peloSinonímia dióxido de silício, é inerte, resistente a altas Sílica Cristalina: coesista, cristobalita, temperaturas e solúvel em ácido fluorídrico. jasper, sílica microcristalina, quartzo, quartzito, entre outros. 2. Usos mais freqüentes Sílica Amorfa: sílica coloidal, terra A sílica é largamente utilizada como diatomácia, diatomita, sílica “fumed” produto final, subproduto ou matéria-prima sílica fused, opala, sílica gel, sílica ví- em vários processos industriais. Os princi- trea, entre outros. pais estão descritos no quadro 1 a seguir. 29
    • Quadro 1 – Setor econômico e atividade com exposição típica à sílica cristalina livre. Setor Econômico Atividade Agricultura Aragem, colheita Beneficiamento de minério Marmoraria, lapidação e corte de pedra, moinho Indústria de Cerâmica (tijolo, telha, porcelana, Mistura, moldagem, cobertura vitrificada ou esmaltada, olaria, refratários e vitrificados) rebarbação, carga de fornos e acabamento Indústria de Cimento Processamento de matéria prima como argila, areia, pedras e terra diatomácea Construção civil Construção pesada (túnel e barragens). Corte, acabamento, escavação, alve- naria, jateamento, movimentação de terra, demolição Construção Naval Jateamento, manutenção e limpeza Extração mineral Mineração de subsolo, lavra por explosivo, pefuração, corte, britagem, moagem, peneiramento e ensacamento, pedreiras Fundição Fundição da peça, retirada do molde, limpeza, alisamento. Instalação e reparo de fornos Indústria de Mineral não metálico Cerâmica, vidros e fundições Limpeza com abrasivo Manutenção de materiais que utilizam jateamento com areia ou outro abrasivo contaminado com areia. Manipulação de jeans em indústria têxtil Matéria prima Indústria que utilizam material contendo sílica (quartzito, feldspato, filito, granito, agalmatolito, bentonita, dolomita, argila e caulim) tais como: cosmético, tintas, sabões, farmacêutica, inseticida, terra diatomácea. Serviços diversos protéticos, cavadores de poços, artistas plásticos, reparo e manutenção de refratários. Fonte: IARC, 1997. 3. Exposição ocupacional A exposição ocupacional ocorre por meio de metodologia confiável e comparáveis entre inalação de poeira contendo sílica livre crista- si. Os dados mais recentes são de Ribeiro lizada. O local de deposição das partículas no (2004), que estudou a freqüência da expo- sistema respiratório depende diretamente do sição à sílica estimada por especialistas em tamanho das mesmas (Fundacentro, 2001): higiene ocupacional através de uma ma- triz de exposição ocupacional para a po- As inaláveis - partículas menores que pulação brasileira formalmente registrada. 100micras; Os resultados identificam que em média, As torácicas - partículas menores que 5.447.828 trabalhadores (14,6%) estão ex- 25micras; postos à sílica por mais de 1% da jorna- da semanal de trabalho. Acima de 30% da As respiráveis - partículas menores jornada semanal de trabalho são 2.065.935 que 10micras. trabalhadores (5,6%) dividos entre homens O Brasil conta com poucos estudos de (prevalência média de 9,1%) e mulheres avaliação da exposição ocupacional com (0,6%) distribuídos conforme o quadro 2.30
    • Quadro 2. Prevalência de trabalhadores definitivamente expostos* à sílica porsexo e setor econômico. Brasil. 1985 a 2001. Setor Econômico Anos Homens % Expostos Mulheres % Expostas Ocupados Expostos Ocupadas Expostas Administração de Serviços 1985 1.732.757 101.468 5,9 560.728 505 0,1 técnicos e pessoal 2001 2.978.415 70.522 2,4 1.318.303 1.505 0,1 Agricultura 1985 485.570 20.051 4,1 93.549 343 0,4 2001 1.759.537 74.984 4,3 295.320 582 0,2 Construção Civil 1985 1.261.469 858.121 68,0 56.783 4.632 8,2 2001 2.103.613 1.432.309 68,1 124.246 15.589 12,6 Indústria de Borracha, Fumo e Couro 1985 327.320 11.463 3,5 146.736 5.283 3,6 2001 218.399 5.287 2,4 99.491 3.101 3,1 Indústria de Extração Mineral 1985 179.110 118.302 66,1 10.427 1.784 17,1 2001 135.103 85.526 63,3 12.251 1.469 12,0 Indústria de Mineral não Metálico 1985 343.456 179.001 52,1 48.588 26.041 53,6 2001 330.666 186.954 56,5 40.239 17.373 43,2 Metalurgia 1985 666.018 168.590 25,3 78.077 16.919 21,7 2001 583.703 143.553 24,6 70.296 13.324 19,0 Outros Setores 1985 11.982.403 12.022 0,1 6.992.765 657 0,0 2001 14.740.490 12.974 0,1 12.089.348 883 0,0 Total 1985 16.978.103 1.469.018 8,7 7.987.653 56.164 0,4 2001 22.849.926 2.012.109 8,8 14.049.494 53.826 0,7Fonte: Ribeiro (2004).* Freqüência de exposição acima de 30% da jornada semanal de trabalho A prevalência de 5,6% dos trabalhado- auxiliando a função ciliar na remoção dasres expostos no Brasil representa uma taxa partículas. As partículas que chegam aosmuito superior aos resultados de estudos alvéolos pulmonares estimulam a chegadasimilares realizados na Finlândia (3,8%), de macrófagos e outras células de defesaRepública Tcheca (3,4%), Áustria (3,1%), como os leucócitos, todos com alta capa-Estônia, Alemanha, Grécia e Irlanda (ao cidade fagocitária. Uma vez que as célulasredor de 3%) (Kauppinen, 1998) e na Costa imunes não possuem mecanismos de di-Rica (2,1%) (Partanen, 2003). gestão desta substância tóxica, esta come- ça a se acumular nos alvéolos. Ademais elas produzem quimiocinas como inter-II. Efeitos sobre leucinas, presentes em processos inflama- tórios. A sílica é muito reativa em meioa saúde humana aquoso, gerando radicais livres capazes de lesar as paredes bronquiolares. O organis- mo tenta reparar esses danos com a inte-1. Toxicologia gração de um tecido conjuntivo fibroso, Os efeitos tóxicos no organismo hu- caracterizando a fibrose. Esta é responsá-mano dependem do tipo de exposição e do vel pela diminuição da complacência pul-tipo de resposta orgânica. A poeira de sí- monar, prejudicando o processo de trocaslica cristalina quando inalada, estimula a gasosas. Os sintomas são: tosse e falta deregião traqueobranquial a produzir muco, ar progressiva (Fundacentro, 2002). 31
    • 2. Agravos relacionados O estudo da prevalência da silicose re- presenta uma aproximação da dimensão com a exposição do câncer associados a sílica, uma vez que Silicose não existem estudos nacionais capazes de permitir estimativas neste sentido. Silicose é uma fibrose pulmonar difusa, nodular, intersticial causada por uma reação 2.2. Carcinogênese dos tecidos à inalação do pó de sílica crista- A sílica possui poder genotóxico que lina. Poderá tomar uma forma aguda em si- pode afetar diretamente o DNA das cé- tuações de exposição intensa, mas normal- lulas. Há evidências de que a inflama- mente aparece sob forma crônica, levando ção constante, persistente e derivados anos para se revelar. O acometimento pela oxidantes de células podem resultar em silicose propicia o aumento do risco de cân- efeitos genotóxicos no parênquima pul- cer pulmonar e de outras doenças auto-imu- monar. A sílica é capaz de ativar a pro- nes. Classicamente são descritas três formas dução da inflamação e crescimento como clínicas distintas: silicose aguda, crônica e reativos de oxigênio e nitrogênio em cé- subaguda (Division of Environmental and lulas que podem ser imunes ou não. A Occupational Health,1998). combinação da primeira a uma hiperpla- 2.1. Prevalência da silicose sia epitelial resultante da exposição à sí- no Brasil lica, aumenta a semelhança de alterações genéticas associadas a neoplasias. Estu- A importância da silicose no Brasil vem dos demonstram que partículas de quart- sendo descrita desde 1939 e atualmente con- zo isoladas não são mutagênicas, porém figura-se a pneumoconiose mais prevalente em contato com substâncias oxidativas, no país (Algranti, 2001). A sua dimensão no elas assumem tal papel (IARC, 1997). Brasil não é totalmente conhecida, estudos recentes permitem apenas aproximações A mortalidade por câncer de pulmão pontuais em algumas atividades industriais. possui risco de 2 a 3 vezes maior nos tra- Prevalências de silicose definida pela Organi- balhadores expostos a sílica após o con- zação Internacional do Trabalho (OIT) como trole por outros fatores como fumo (Gol- categoria radiológica OIT 1/1 ou maior, fo- dsmith, 1995; Smith, 1995; Checkway, ram encontradas em mais de 20% dos tra- 1999; Martin, 2000). Goldsmith (1995) balhadores da indústria de construção naval em estudo de mortalidade americano en- (Comissão técnica estadual de pneumopatias controu risco 2 vezes maior de câncer em ocupacionais no Estado do Rio de Janeiro, expostos à sílica quando comparados com 1995), cavadores de poços artesianos (Ho- a população em geral. landa, 1995) e escultores de pedra (Antão, O risco varia segundo a exposição 2004); 16,3% em pedreiras (Araújo, 2001); em diferentes setores industriais. Martin entre 3 e 5% na indústria de cerâmica (Oli- (2000) em estudo de caso controle ani- veira, 1998) e nas fundições (Polity, 1995). nhado em coorte de trabalhadores da in- A partir dos registros da Previdência Social dústria de gás e eletricidade da França é possível estimar a prevalência de silicose descreveu risco 2,3 maior de câncer de em 2 para 10.000 trabalhadores no ano de pulmão entre os expostos a sílica. Huges 2003 (Ribeiro, 2005). (2001) encontrou uma razão de mortali-32
    • dade proporcional de 1,4 para trabalha-dores com areia industrial (Tsuda, 2002) IV. Medidasdescreve um risco de 2,1 para câncer de de controlepulmão entre trabalhadores expostos asílica da prefeitura de Okayanna, Japão. O controle da exposição ocupacionalBochmann (2001) discutiu uma revisão de deve priorizar, seguindo Neto (1995):165 estudos epidemiológicos, entre 1963e 2000, cuja relação entre câncer de pul- Eliminar a substânciamão e a exposição à sílica foi investigado. Mudança de processo ou operaçãoNo Brasil, Carneiro (2002) descreveu doiscasos de trabalhadores expostos a sílica Umidificaçãoque desenvolveram câncer de pulmão. Ventilação EnclausuramentoIII. Limites Isolamentode tolerância Limpeza ou manutenção geral Sinalização e rotulagem No Brasil o limite de tolerância (LT)para a sílica cristalina foi estabelecido Monitoramento ambientalpelo Ministério do Trabalho e Emprego Proteção respiratóriaem 1978 na Portaria 3214, norma regu-lamentadora 15, anexo 12. Consiste no Asseio pessoalcálculo da porcentagem de sílica na po- Exames médicoseira respirável do ambiente de trabalho,para jornada de até 48 horas semanais, Limitação do tempo de exposiçãoatravés da fórmula: Treinamento. 8 , expresso Estas medidas devem ser adotadas emPoeira respirável: LT = % quartzo + 2 em mg/m3 conjunto, segundo as condições da exposi- ção e do processo de trabalho. Em legislações internacionais o li-mite de exposição descrito pela a NIO-SH (National Institute for OccupationalSafety and Health) e a ACGIH (Ameri-can Conference of Governamental Indus-try Hygenists) é de 0,05 mg/m3 (quartzocomo poeira respirável) para 40 horasde trabalho semanais. Pela OSHA (Occu-pational Safety & Health Administration)o limite é de 30mg/m³/2 (% de quartzocomo poeira total + 3) para 8h de traba-lho diário (Pantnaik, 2003). 33
    • A natureza da poeira de sílica propicia, da silicose, com o Programa Nacional de além da exposição ocupacional, que o pro- Eliminação da Silicose desde o ano 2000 cesso de trabalho também contamina o am- (Goelzer & Handar, 2002). biente no entorno. Neste sentido, o seu ca- ráter cancerígeno amplia o risco e demanda novas formas de controle e prevenção. VI. Sites de V. Legislação interesse Emedice [Página de Internet]. Disponí- As doenças decorrentes da exposição à vel em: http://www.emedice.com/med/to- sílica, em especial a silicose e o câncer de pul- pic2127.htm. mão, são objetos de notificação nacional ao Fundação Jorge Duprat de Segurança e Ministério da Saúde, regulamentado pela Por- Medicina do Trabalho [Página de Inter- taria nº 777/GM de 28 de abril de 2004, que net]. Disponível em: http://www.funda- dispõe sobre os procedimentos técnicos para centro.gov.br. a notificação compulsória de agravos à saúde do trabalhador em rede de serviços sentinela NIOSH Hazards review: health effects of específica, no Sistema Único de Saúde – SUS. occupational exposure to respirable crys- talline sílica [Página de Internet]. Atlanta: A portaria 99 de 19 de julho de 2004 do CDC; 2002. Disponível em: http://www. Ministério do Trabalho e Emprego incluiu o cdc.gov/niosh/02-129A.html. item 7, no título “Sílica Livre Cristalizada”, Silica. National Institute for Occupatio- do Anexo nº 12, da Norma Regulamentado- nal Safety and Health; Centers for Disease ra nº 15 Atividades e operações insalubres, Control and Prevention [Página de Inter- com a seguinte redação: “7. Fica proibido o net]. Disponível em: http://www.cdc.gov/ processo de trabalho de jateamento que utilize niosh/topics/silica/default.html. areia seca ou úmida como abrasivo”. Williams Bailey L.L.P [Página de Internet]. O Brasil participa do Programa Interna- Disponível em: http://www.williamsbailey. cional da OIT/OMS para eliminação global com/practices/silica-toxic-34
    • VII. BibliografiaAlgranti E. Epidemiologia das doenças Goelzer B, Handar Z. Programa nacional deocupacionais respiratórias no Brasil. In: eliminação da silicose. In: Seminário Inter-Menezes AMB. Epidemiologia das doenças nacional Sobre Exposição à Silica “Preven-respiratórias. Rio de Janeiro (RJ): Revinter; ção e Controle”; 2000 nov 06-10; Curi-2001. p.119-143. tiba. Santa Catarina: Fundacentro; 2002. Disponível em <http://www.fundacentro.Antao VC, Pinheiro GA, Kavakama J, Ter- br/site%20silicose/default.html>ra-Filho M. High prevalence of silicosisamong stone carvers in Brazil. Am J Ind Goldsmith DF, Beaumont JJ, Morrin LA,Med. 2004 Feb;45(2):194-201. Schenker MB. Respiratory cancer and other chronic disease mortality among si-Bochmann F, Nold A, Arndt V, Möhring D. BIA licotics in California. Am J Ind Med. 1995report 2/2001 - silica and lung cancer: a sum- Oct;28(4):459-67.mary of epidemiological studies. HVBG; 2001. Holanda MA, Holanda MA, Martins MP,Bom AMT. Prevenção da silicose - cursos Fun- Felismino PH, Pinheiro VG. Silicosis indacentro à distância. MTE/Fundacentro. [ci- Brazilian pit diggers: relationship betwe-tado em 14 out 2005]. Disponível em <URL: en dust exposure and radiological findings.http://www.fundacentro.br/site%20silicose/ Am J Ind Med. 1995; 27(3):367-378.default.html> Hughes JM, Weill H, Rando RJ, Shi R,Carneiro APS, Santos MAM, Maia PV, Bar- McDonald AD, McDonald JC. Cohort mor-reto SM. Câncer de pulmão em trabalha- tality study of North American industrialdores expostos à sílica. J Pneumol. 2002; sand workers. II. Case-referent analysis of28(4):233-236. lung cancer and silicosis deaths. Ann Oc-Castro HA, Bethlem EP, coordenadores. Co- cup Hyg. 2001 Apr;45(3):201-7.missão Técnica Estadual de Pneumopatias International Agency for Research on Can-Ocupacionais do Estado do Rio de Janeiro: cer. Silica, some silicates, coal dust anda silicose na indústria naval do Estado do para-arami fibrils. Lyon: IARC; 1997.Rio de Janeiro: análise parcial. J Pneumol.1995; 21[1]:13-16. Kauppinen T, Toikkanen J, Pedersen D, Young R, Kogevinas M, Ahrens W.Checkoway H, Hughes JM, Weill H, Seixas Occupational exposure to carcinogensNS, Demers PA. Crystalline silica exposure, in the European Union in 1990-1993.radiological silicosis, and lung cancer morta- Helsinki: Finish Institute of Occupa-lity in diatomaceous earth industry workers. tional Health; 1998. [citado em 30 outThorax. 1999 Jan;54(1):56-9. 2003]. Disponível em: http://www.ttl.Division of Environmental and Occupa- fi/NR/rdonlyres/4444380F-B1FB-4D01-tional Health. What physicians need to A974-0B6A9E663CFA/0/1_description_know about occupational silicosis and sili- and0_ summary_ of_results.pdf.ca exposure sources. New Jersey: Depart- Kulcsar Neto F, Gronchi CC, Saad IFSD,ment of Health and Senior Service; 1998. Cunha IA, Possebon J, Teixeira MM et al.[citado em 14 out 2005]. Disponível em: Sílica - manual do trabalhador. São Paulo:http://www.cdc.gov/elcosh/docs/d0600/ FUNDACENTRO; 1995. [citado em 14 outd000600/d000600.pdf. 35
    • 2005]. Disponível em http://www.funda- Polity MP. Programa de proteção respi- centro.gov.br/ARQUIVOS/PUBLICACAO/l/ ratória em fundições. J. Pneumol. 1995; SÍLICA%20MANUAL%20DO%20TRABAL 21(1):43-47. HADOR%202.pdf. Programa nacional de eliminação da silico- Martin JC, Imbernon E, Goldberg M, Cheva- se. In: Seminário Internacional Sobre Expo- lier A, Bonenfant S. Occupational risk fac- sição à Silica “Prevenção e Controle”; 2000 tors for lung cancer in the French electrici- nov 06-10; Curitiba. Santa Catarina: Fun- ty and gas industry: a case-control survey dacentro; 2000. [citado em 14 out 2005]. nested in a cohort of active employees. Am Disponível em <URL:http://www.fundacen- J Epidemiol. 2000 May 1;151(9):902-12. tro.br/site%20silicose/default.html> National Institute for Occupational Safety Ribeiro FSN. Exposição ocupacional à sílica and Health. NIOSH Hazards review: health no Brasil: tendência temporal, 1985 a 2001 effects of occupational exposure to respi- [Tese]. São Paulo (SP): Faculdade de Saúde rable crystalline silica. Atlanta: CDC; 2002. Pública, Universidade de São Paulo; 2004 [citado em 14 out 2005]. Disponível em: Ribeiro FSN. Tendência da exposição ocu- http://www.cdc.gov/niosh/02-129Ahtml. pacional a sílica na indústria da construção Oliveira JI. Prevalence of silicosis among ce- brasileira. Anais do V Congresso Nacional ramic industry workers in the city of Pedrei- sobre Condições e Meio Ambiente de Tra- ra, Brazil [abstract]. In: Abstracts of the 7th balho na Indústria da Construção; 2005. International Pneumoconiosis Conference; Recife (PE): CMATIC; 2005. 1990. Atlanta: NIOSH, CDC, 1998. p.114. Smith AH, Lopipero PA, Barroga VR.. Partanen T, Chaves J, Wesseling C, Cha- Meta-analysis of studies of lung can- verri F, Monge P, Ruepert C et al. Work- cer among silicotics. Epidemiology. 1995 place carcinogen and pesticide exposures Nov;6(6):617-24. in Costa Rica. Int J Occup Environ Health. Tsuda T, Mino Y, Babazono A, Shigemi J, 2003 Apr-Jun;9(2):104-11. Otsu T, Yamamoto E et al. A case-control Patnaik P. Guia geral propriedades nocivas study of lung cancer in relation to silica ex- das substâncias químicas. Belo Horizonte: posure and silicosis in a rural area in Japan. Ergo; 2003. Ann Epidemiol. 2002 Jul;12(5):288-94.36
    • RadiaçãoIonizanteI. Definição a palavra radiação, geralmente pensamos em força nuclear, armas nucleares ou em É a emissão e propagação de energia tratamentos para câncer. Porém, podemosno espaço em forma de ondas e partículas também considerar microondas, radares,sub-atômicas, como α, β, γ ou raios-X (Eis- fios de alta tensão, telefones celulares e aler, 2000; Kiefer, 1990). Quando ouvimos radiação solar (U.S.EPA, 2004).(Adaptado de WHO, 2005)1. Radiação 2. Radiaçãoparticulada eletromagnética A radiação de natureza particulada A radiação eletromagnética é constitu-é caracterizada por sua carga, massa ída por campos elétricos e magnéticos quee velocidade: pode ser carregada ou variam no espaço e no tempo. É caracteri-neutra, leve ou pesada, lenta ou rápi- zada pela amplitude (tamanho), freqüênciada. Prótons, nêutrons e elétrons eje- de oscilação ou pelo comprimento de onda.tados de átomos ou núcleos atômicos São exemplos de radiação eletromagnéticasão exemplos de radiação particulada as ondas de rádio, a luz visível e os raios-X(Schaberle & Silva, 2000). (Schaberle & Silva, 2000). 37
    • 3. Radioatividade Partículas β - São elétrons emitidos pelo núcleo de um átomo instável. Tem massa 3.1. Definição pequena e pode ter carga positiva ou nega- tiva (IRD, 2003). São capazes de penetrar A radioatividade é a propriedade que alguns cerca de um centímetro nos tecidos, oca- átomos têm para emitir energia espontanea- sionando danos à pele, mas não aos órgãos mente como partículas ou raios. Os átomos que internos, a não ser que sejam ingeridas ou compõem os materiais radioativos são a fonte inaladas (NuBio/Fiocruz, 2005). de radiação. Existem três principais vias de ex- Raios-X e γ - São ondas eletromagnéticas e posição à radiação: por inalação, por ingestão não possuem massa nem carga. Enquanto o ou pela exposição direta (U.S.EPA, 2004). raio-X é originado por movimento de elétrons entre orbitais, os raios gama tem origem no núcleo do átomo. Assim como os raios-X, os II. Fontes de raios gama, por não terem carga ou massa, são extremamente penetrantes, sendo detido radiação somente por uma parede de concreto ou me- tal (IRD, 2003; NuBio/Fiocruz, 2005). As radiações podem ser emitidas por ele- Nêutrons – São obtidos a partir da fissão mentos químicos com núcleos atômicos ins- espontânea ou de reações nucleares especí- táveis ou por equipamentos construídos pelo ficas (Schaberle & Silva, 2000). homem. Os elementos químicos radioativos podem ser encontrados na natureza (como o urânio natural ou o tório das areias monazí- ticas) ou produzidos pelo homem através de reações específicas em aceleradores de partí- culas ou reatores nucleares Os aceleradores de partículas e tubos de raios-X são fontes de radiação sem a utilização de elementos quí- micos radioativos. Quando desligados, não emitem radiação (Schaberle & Silva, 2000). (Adaptado de NuBio/ Fiocruz, 2005) III. Partículas e ondas Partículas α - As partículas alfa, por terem IV. Tipos de massa e carga elétrica relativamente maior, podem ser facilmente detidas, até mesmo por radiação uma folha de papel. Em geral, não conse- A radiação possui uma gama de ener- guem ultrapassar as camadas externas de cé- lulas mortas da pele. Podem ocasionalmente, gia que forma um espectro eletromagné- penetrar no organismo através de um feri- tico. Esse espectro tem duas divisões: ra- mento ou por inalação, provocando lesões diação ionizante e não ionizante (U.S.EPA, graves (NuBio/Fiocruz, 2005; IRD, 2003). 2004, Schaberle & Silva, 2000).38
    • 1. Radiação não-ionizante V. Percepção Apresenta energia suficiente para mo-ver átomos em torno de uma molécula ou da radiaçãofazê-la vibrar, mas não suficiente para A radiação pode ser detectada com instru-remover elétrons. Este tipo de radiação mentos de medição bastante precisos. O homempode também ser capaz de provocar da- sempre esteve exposto à radiação natural. Essanos biológicos. Como exemplo podem ser exposição ocorre pelos elementos radioativoscitadas as ondas de rádio, a luz solar e contidos no solo e rochas; pelos raios cósmicosmicroondas (U.S.EPA, 2004). que chegam à atmosfera; pela incorporação de elementos radioativos provenientes da alimen-2. Radiação Ionizante tação e respiração (CNEN, 2005a), e ainda, pe- los elementos radioativos contidos no sangue É aquela que tem energia suficiente e nos ossos, como o potássio-40, carbono-14para remover dos átomos, elétrons firme- e rádio-226 e diferentes fontes de exposiçãomente dispostos, criando então os íons. a radiações distribuídas no ambiente em quePode ser encontrada na forma de par- vivemos. A figura abaixo mostra, em termostículas ou radiação eletromagnética. Os percentuais, a distribuição das diversas fontesíons produzidos neste processo permitem de exposição (WHO, 2005).a detecção da radiação. Como exemplospodem-se citar as partículas alfa, beta, Água/ Outras (todas as Radônio alimentos fontes produzidas) (exposiçãoraios gama, raios-X e nêutrons (EPA, Exposição 8% 1% natural médica interna)2004, NuBio/Fiocruz, 2005; IRD, 2003; 20% 43%Schaberle & Silva, 2000).Aplicações da radiação ionizante 13% Os efeitos da radiação não podem ser Raios 15% cósmicosconsiderados inócuos e a interação com os Radiação gama (exposição natural externa)seres vivos pode levar a alterações teratogê-nicas e até a morte. A radiação apresenta ris- (Adaptado de WHO, 2005)cos à saúde e deve ser usada de acordo comos seus benefícios (NuBio/Fiocruz, 2000). A recomendação adotada, portanto, é que se deve evitar toda e qualquer radiação adicio- Principais usos: Pode-se relatar como nal à existente no ambiente, exceto se os bene-benefício da radiação ionizante a geração fícios desse uso o justificarem (CNEN, 2005).de força elétrica utilizada para destruircélulas cancerosas e seu uso em muitosprocessos industriais. Pode ser útil notratamento de doenças através de radio- VI. Efeitos sobreterapia, braquiterapia e aplicadores; nodiagnóstico, através de radiografia, tomo- a saúde humanagrafia, mamografia e mapeamento comradiofármacos. Sua aplicação se dá desde O câncer é considerado por muitos,a área da medicina até as armas bélicas um efeito primário da exposição à ra-(U.S.EPA, 2004; NuBio/Fiocruz, 2000). diação. Geralmente, o processo natural 39
    • do organismo controla a taxa em que as 2. Fatores a serem células crescem e são substituídas, repa- rando o tecido danificado. O dano pode considerados na relação ocorrer no nível celular ou molecular, entre radiação e câncer quando o controle do crescimento é rom- O risco de câncer decorrente da expo- pido, permitindo o aumento descontro- sição a raios X ou gama depende da dose, lado de células cancerosas, uma vez que da duração da exposição, do sexo, da ida- a radiação ionizante tem a habilidade de de em que se deu a exposição e de outros quebrar os elos químicos dos átomos e fatores como, por exemplo, a sensibilidade moléculas, produzindo um potente carci- dos tecidos frente aos efeitos carcinogêni- nógeno (U.S. EPA, 2004). cos da radiação (IARC, 2000). A radiação pode também causar alte- Estes efeitos têm sido estudados inten- rações no DNA. O processo que assegura o sivamente em populações humanas. Em reparo da célula produz uma cópia perfeita epidemiologia, associações entre exposi- da célula original. As alterações no DNA são ção e doença são freqüentemente aceitas denominadas de mutações. Algumas vezes como causais quando há consistência com o corpo falha no reparo dessas mutações ou outros estudos, plausibilidade biológica, mesmo cria mutações durante este reparo. e quando a magnitude da associação é As mutações podem gerar efeitos teratogê- forte. Outra questão importante é a exis- nicos ou genéticos (U.S. EPA, 2004). tência de um gradiente dose-resposta, ou A exposição aguda se refere a altos ní- seja, quanto maior a dose (a exposição) veis de radiação em curto espaço de tem- maior é o desfecho (nº de casos, taxa, etc). po. Diferentemente do que ocorre com o Tais critérios são satisfeitos em relação à câncer, de modo geral, os efeitos agudos radiação ionizante e o câncer. Em sobre- à saúde decorrentes da exposição à radia- viventes de Hiroshima e Nagazaki, expos- ção aparecem rapidamente. Os sintomas tos à radiação gama e acompanhados ao incluem: náuseas, fraqueza, perda de ca- longo de 45 anos após a exposição, o efei- belo, queimaduras na pele, ou diminuição to dose-resposta tem sido observado para da função orgânica. Pacientes tratados com várias localizações primárias de câncer, radiação freqüentemente experimentam os como leucemia, câncer de mama e outros efeitos agudos, devido à exposição em al- tipos de câncer, uma vez que a dose in- tas doses. A radiação pode ainda causar dividual recebida pôde ser estimada com envelhecimento precoce ou mesmo a mor- acurácia significativa. (IARC, 2000). te. (U.S. EPA, 2004). 3. Raios X, gama 1. Carcinogenicidade Casos de leucemia e de outros tipos de A radiação X e Gama foram classifica- câncer tem sido observados em pacientes das no Grupo I pela Agência Internacional tratados com raios X e gama. Evidência de Pesquisa em Câncer (IARC), ou seja, com importante dessa relação foi relatada em evidência epidemiológica suficiente para estudo realizado em mulheres com câncer carcinogenicidade em humanos e em ani- cervical, de 15 países, submetidas a tra- mais (IARC, 2000, 1999). tamento com radioterapia. Foi observado40
    • também no Canadá e nos EUA um aumen- anual de dose efetiva de Raios X e gama pro-to de câncer de mama em pacientes sub- venientes de fontes naturais é de 0,5-5,0 mSv.metidas ao tratamento para tuberculose, Em países desenvolvidos, os procedimentoscom fluoroscopia e com raios X de tórax. médicos resultam em uma dose efetiva anualSegundo a Agência Internacional de Pes- de 1-2 mSv, dos quais 2/3 são devidos a diag-quisa em Câncer (IARC), existem mais de nósticos utilizando radiografias. A dose efetiva100 estudos que relacionam a exposição à anual para trabalhadores monitorados varia deradioterapia e excesso de casos de câncer. 1-10 mSv (IARC, 2000). Indivíduos expostos a altas doses deradiação apresentam um risco cinco vezesmaior para leucemia e câncer de tireóide em VIII. Medidasrelação aos não expostos e o dobro do riscopara câncer de mama quando a exposição de controleocorreu antes da menopausa (IARC, 2000). A minimização dos efeitos da radiação As outras localizações primárias de cân- nos trabalhadores deve ser iniciada pelacer relacionadas à exposição a raios X ou avaliação de risco, pelo correto planejamentogama, descritas pela IARC, são os de estôma- das atividades a serem desenvolvidas, pelago e cólon. Em altas doses, pode-se observar utilização de instalações e de práticas cor-ainda câncer ósseo, de tecidos moles, do reto, retas, de modo a diminuir a magnitude dascolo de útero e pele. A leucemia linfocítica doses individuais, o número de pessoas ex-crônica (LLC) não tem sido relacionada à ex- postas e a probabilidade de exposições aci-posição a raios X ou γ (IARC, 2000). dentais. Devem ser previstas a adoção da e Equipamentos de Proteção Coletiva (ECP) e4. Nêutrons de Proteção Individual (EPI), observando a otimização destas proteções pela elaboração Ainda não há dados epidemiológicos e execução correta de projeto de instalaçõesadequados para avaliar se os nêutrons são laboratoriais, na escolha adequada dos equi-carcinogênicos em humanos, embora a IARC pamentos e na execução correta dos procedi-os tenha classificado como carcinogênicos, mentos de trabalho (NuBio/Fiocruz, 2005).grupo 1, tendo por base, entre outras consi- Algumas medidas de controle que podemderações, evidências suficientes para carci- ser adotadas para reduzir a exposição ocupacio-nogenicidade em animais (IARC, 1999). nal, conforme descritas pela Organização Inter- nacional do Trabalho (OIT, 1974) e pela Funda- ção Oswaldo Cruz (NuBio/Fiocruz, 2000), são:VII. Exposição Reduzir do número de trabalhadoresOcupacional expostos, a duração e os níveis de exposição; Indivíduos que trabalham na indústria nu- Informar aos trabalhadores sobre osclear ou próximos a equipamentos que emitem riscos a que estão expostos;radiação (por exemplo: em instituições médicasou em laboratórios), estão expostas à radiação Monitorar o local de uso de radiação sis-ionizante (IARC, 2000, CNEN, 2005). A média tematicamente, bem como seu entorno; 41
    • As áreas de trabalho deverão ser deli- (Ci). A atividade é definida pela relação mitadas e monitoradas (vigilância); dN/dt, onde dN é o valor médio do número de transições nucleares de um estado de A selagem adequada dos equipamen- energia e dt é um intervalo de tempo. tos deve ser monitorada; Dose absorvida - A unidade de medida no siste- O acesso ao local de uso de radiação ma internacional (SI) é o gray (Gy); 1 Gy = 100 deve ser limitado; rad. É expressa pela relação dE/dm, onde dE é a energia média depositada pela radiação em um Os trabalhadores deverão utilizar equi- volume elementar de matéria de massa dm. pamentos de proteção individual (EPI); Dose equivalente (ou simplesmente dose) Recomendar e garantir a higienização - A unidade de medida de dose no sistema de mãos e antebraços antes e após o internacional (SI) é o sievert (Sv); 1 Sv = manuseio de materiais radioativos; 100 rem. É expressa pela relação H = D x Q, onde D é a dose absorvida num ponto de Os efluentes contaminados com ele- interesse e Q é um fator de qualidade que mentos radioativos devem ser trata- leva em conta o efeito biológico dos dife- dos conforme a legislação vigente; rentes tipos de radiação, estando tabelado Desestimular e coibir o uso de roupas em publicações técnicas do ramo. de proteção em locais públicos. Dose efetiva - A unidade de medida de dose no sistema internacional (SI) é o sievert (Sv); 1 Sv = 100 rem. É o somatório das IX. Legislação doses equivalentes causadas por irradiação externa e contaminação interna, levados em consideração os diferentes pesos atri- A Comissão Nacional de Energia Nucle- buídos aos diversos órgãos ou tecidos, ta- ar (CNEN), na Resolução de 17 de dezembro belados em publicações técnicas do ramo. de 2004, publicada em Diário Oficial da União (D.O.U. 06/01/2005), descreve as “Diretrizes Bá- Contaminação radioativa - presença inde- sejável de materiais radioativos em pesso- sicas de Radioproteção”. Nesta resolução pode- as, objetos, meios ou locais. se encontrar a limitação de dose individual (dose efetiva e dose equivalente) e monitoramento da Exposição médica - exposição à radiação avaliação da exposição ocupacional. ionizante decorrente de diagnóstico ou tra- tamento médico. Exposição ocupacional (ou de rotina) - X. Das Definições exposição à radiação ionizante decor- rente das atividades em condições nor- mais de trabalho. A Comissão Nacional de Energia Nucle- ar (CNEN, 2005) e o Instituto de Radiopro- Fonte de radiação - aparelho ou material que teção e Dosimetria (IRD, 2003) apresentam emite ou é capaz de emitir radiação ionizante. algumas definições importantes para uma Fonte radioativa selada - fonte radioativa melhor compreensão do tema. encerrada em cápsula selada, ou ligada to- Atividade – A unidade de medida no Sis- talmente o material inativo envolvente, de tema Internacional desta grandeza é o bec- tal forma que sua dispersão em condições querel (Bq), com valor de 1 / 3,7.1010 curie normais e severas de uso seja impedida.42
    • Monitoração radiológica - medições de homem e seu meio ambiente contra pos-grandezas relativas à radioproteção para síveis efeitos indesejáveis causados pelafins de avaliação e controle das condições radiação ionizante, baseado em princípiosradiológicas das áreas de um serviço médico básicos aceitos internacionalmente.ou do meio ambiente, de exposições ou de Radioterapia - especialidade médica emmateriais radioativos e materiais nucleares. que são feitos tratamentos empregandoRadioativo - qualidade do material, substân- radiação ionizante proveniente de fontescia ou fonte emissores de radiação ionizante. radioativas seladas, de equipamentos de raios X ou de aceleradores de partículas.Radiologia médica/odontológica - especia-lidade que emprega radiações ionizantes Rejeito radioativo - qualquer material re-para fazer diagnóstico através de imagens sultante de atividades humanas cuja reu-radiológicas e/ou radiografias. tilização seja imprópria ou não previsível e que contenha radionuclídeos em quan-Radionuclídeo - material radioativo. tidades superiores aos limites de isençãoRadioproteção (ou proteção radiológica) - estabelecidos na norma CNEN-NE-6.05, ouconjunto de medidas que visam proteger o em outra que venha a substituí-la. 43
    • X. BibliografiaComissão Nacional de Energia Nuclear. http://www.hc-sc.gc.ca/iyh-vsv/environ/Como sentir a radiação? Rio de Janeiro: expos_e.html.CNEN; 1999. [23 ago 2005]. Disponível International Agency for Research on Can-em: http://www.cnen.gov.br/cnen_99/faq/ cer. Ionizing Radiation, Part I: X- andradiacoes.htm. gamma (γ) Radiation and Neutrons. Lyon:Comissão Nacional de Energia Nuclear. IARC; 2000. Monographs on the Evalua-[Homepage de Internet]. Normas CNEN. [23 tion of Carcinogenic Risks to Humans, 75ago 2005]. Disponível em: http://www.nucle- [citado em 14 out 2005]. Disponível em:ar.radiologia.nom.br/normas/instalnucl.html. http://www-cie.iarc.fr/htdocs/indexes/ vol75index.html.Eisler R. Chemical risk assessment: healthhazards to humans, plants, and animals. International Agency for Research on Can-Maryland: Lewis Publishers; 2000. cer. Low doses of radiation linked to small increase in cancer risk. Lyon: Press Re-Environmental Protection Agency. Ionizing lease. 2005; 166.and non ionizing radiation. United States:EPA; 2004. [citado em 14 out 2005]. Dis- Kiefer J. Biological radiation effects. Ber-ponível em: http://www.epa.gov/radiation/ lin: Spinger-Verlag; 444 p.understand/ionize_nonionize.htm. Schaberle FA, Silva NC. Introdução à físicaFundação Oswaldo Cruz. Radiação. Rio de Ja- da radioterapia. Santa Catarina: Universi-neiro (RJ): Fiocruz; 2005. [citado em 23 ago dade Federal de Santa Catarina.2005]. Disponível em: http://www.fiocruz.br/ World Health Organization. Ultraviolet ra-biosseguranca/Bis/lab_virtual/radiacao.html. diation and health. Geneva: WHO; 2005.Health Canada. Occupational exposure to [citado em 14 out 2005]. Disponível em:radiation. Canada: Health Canada; 2003. http://www.who.int/uv/uv_and_health/[citado em 14 out 2005]. Disponível em: en/index.html.
    • RadiaçãoSolarI. Introdução 1. Definição Radiação não-ionizante. Energia emitida A luz solar é energia eletromagnética pelo sol na forma de radiação eletromagnéticapropagada por ondas. As partes mais im- (IARC, 1996). Os raios UV possuem compri-portantes do espectro eletromagnético da mento de onda que variam de 100 a 400nm eluz solar são (WHO, 1999): podem ser divididos em três bandas: UVA (315 Radiação ultravioleta (UV), invisível a 400nm), UVB (280 a 315nm) e UVC (100 aos olhos; a 280nm). A radiação solar UV que alcança a superfície terrestre é composta por 95% de ra- Luz visível; diação UVA e 5% de UVB. A radiação UVC é Radiação infravermelha, que é a principal completamente filtrada pela atmosfera, e 90% fonte de calor, mas também não é visível. da UVB é absorvida pela camada de ozônio, vapor de água, oxigênio e dióxido de carbono. Cerca de 5% da radiação solar terrestre é A radiação UVA é a menos afetada pela at-radiação ultravioleta (UV). A radiação solar mosfera, conseqüentemente, a radiação pro-é a maior fonte de exposição à radiação UV, veniente da superfície terrestre é amplamen-porém com o surgimento de fontes artificiais te composta de radiação UVA e um pequenode radiação ocorreu um aumento na chance componente de UVB (IARC, 1996; NHMRC,de exposição adicional (IARC, 1997). 1996; WHO, 2005; ARPANSA, 2004).(Adaptado de WHO, 2005) 45
    • A radiação solar é a única fonte mais Há também muitos tipos de fontes artifi- significativa de radiação UV e pode atingir ciais de radiação UV, como as lâmpadas fluo- o ser humano de três maneiras: diretamente, rescentes, vapor de mercúrio e outros materiais dispersas em céu aberto e refletida no am- utilizados na indústria, escritórios e em casa. biente. Desta forma, mesmo que uma pessoa Durante o trabalho, os soldadores são capazes esteja na sombra, ainda pode estar signifi- de produzir e de se exporem a uma intensa cativamente exposta a radiação UV através emissão de radiação UV. Estes trabalhadores da claridade natural. Também alguns pisos e poderão ter efeitos danosos à saúde semelhan- superfícies são bastante refletoras a radiação tes aos trabalhadores expostos diretamente ao UV inclusive pintura branca, de cores claras e sol (ARPANSA, 2004a). Semelhantemente, os superfícies metálicas. Estas superfícies podem funcionários que trabalham com superfícies refletir a radiação UV na pele e nos olhos. As refletoras como o concreto, a água, o aço não superfícies refletoras podem reduzir o efeito pintado e o alumínio podem receber radiação de medidas protetoras (ARPANSA, 2004a). ultravioleta adicional (ELCOSH, 2001). 2. Fatores ambientais que influenciam o nível de radiação UV Mais de 90% dos raios UV podem A Organização Mundial de Saúde (WHO, atravessar nuvens leves 2005) descreve alguns fatores ambientais capazes de influenciar no nível de radiação ultravioleta. São eles: Altura do sol - Quanto mais elevado o sol está no céu, mais elevado o nível de radiação UV. A neve reflete Esta varia com a hora do dia e o período do ano, mais de 80% da radiação UV atingindo níveis máximos quando o sol está em 60% da radiação sua elevação máxima, por volta do meio-dia UV é recebida entre 10h e 14h (lua solar) durante os meses de verão. Latitude – quanto mais próximo à linha A radiação UV aumenta do equador, mais elevados são os níveis de 4% para cada 300m de aumento na altitude radiação UV. Céu encoberto por nuvens – Os níveis de radiação estão mais elevados sob as nuvens, Pessoas que porém mesmo com tempo encoberto, os ní- trabalham em ambientes veis de radiação podem ser elevados devi- internos recebem do a dispersão da radiação pelas moléculas de 10 a 20% da radiação A sombra pode d´água e partículas presentes na atmosfera. ultravioleta reduzir a radia- que pessoas que ção UV em 50% trabalham ao ar ou mais Altitude – Em altitudes mais elevadas, há menor livre recebem filtração da radiação UV através da atmosfera. A cada aumento de 1000 metros de altitude, os A areia da Até 1m de praia reflete níveis de UV aumentam em 10% a 12%. profundidade mais de 15% da a radiação UV ainda é 40% tão radiação UV Ozônio – O ozônio absorve alguma radia- intensa quanto na superfície ção UV capaz de alcançar a superfície ter- (Adaptado de WHO, 2005)46
    • restre. Os níveis de ozônio variam durante pode causar queimaduras, doenças e câncer deo ano e até mesmo durante o dia. pele. Uma pessoa com exposição cumulativa a radiação UV com um número de queimadu-Reflexão – A radiação UV é refletida oudispersada amplamente em diferentes su- ras graves recebidas especialmente, durante aperfícies. A neve pode refletir até 80% da infância, tem o risco aumentado de desenvol-radiação UV, a areia da praia reflete cerca ver câncer de pele. A exposição ao sol faz comde 15% e a espuma do mar cerca de 25%. que as camadas exteriores da pele engrossem e a longo prazo podem causar enrugamento e A depleção da camada de ozônio prova- enrijecimento. Nos olhos podem causar foto-velmente agrava os efeitos à saúde causados queratites, foto-conjuntivites e cataratas (AR-pela exposição a radiação UV. A camada de PANSA, 2004 a). Os indivíduos longamenteozônio funciona como filtro protetor. Com expostos podem também ter o sistema imunea depleção ela fica mais fina e progressi- debilitado (IARC, 1997; ELCOSH, 2001).vamente reduzida em sua capacidade. Emconseqüência disto, os seres humanos e oambiente ficam expostos a radiação UV em 1. Melanócitos: as célulasníveis mais elevados, especialmente os níveis que protegem a pelede UVB que apresentam maior impacto nasaúde humana, na saúde dos animais, de or- São células responsáveis pela proteção da peleganismos marinhos e plantas (WHO, 2005). à radiação solar. Quanto mais melanócitos na superfície da pele, maior proteção aos raios Radiação UVB UV. As mudanças na distribuição dos mela- nócitos podem ocasionar o desenvolvimento de lesões precursoras do câncer de pele, como Estratosfera o nevo melanocítico benigno, nevo displásico, ozônio Estratosfera melanoma de crescimento radial, melanoma de crescimento vertical e melanoma metas- Troposfera tático. Tanto o nevo melanocítico benigno Monte Everest quanto o displásico são considerados marca- dores para o melanoma, e sua presença au- menta o risco de desenvolvê-lo. Considera-se (Adaptado de WHO, 2005) o nevo displásico como uma lesão precursora do melanoma (Souza et al, 2004).II. Efeitos sobre 2. Carcinogenicidadea saúde humana A Agência Internacional de Pesquisa em Cân- cer classificou a radiação solar no Grupo I, com A pele e os olhos são as principais áreas de evidência suficiente de carcinogenicidade emrisco à saúde, decorrentes da exposição à ra- seres humanos. As radiações UVA, UVB e UVC,diação UV, dado que a penetração da radiação bem como as câmaras de bronzeamento (lâm-UV é muito curta. Em trabalhadores expostos padas e camas) foram classificadas no Gruposem proteção adequada ou medidas de con- 2A, provavelmente carcinogênicos em serestrole dos níveis de radiação solar UV, os limi- humanos. A exposição a lâmpadas fluorescen-tes de exposição geralmente aceitáveis podem tes no Grupo 3, não classificada como carcino-ser excedidos. Super exposição à radiação UV gênica para seres humanos (IARC, 1997). 47
    • Há três tipos de câncer de pele: não-me- solares surgiram como o mais importante lanoma, que incluem o carcinoma baso-celu- fator de risco associado com melanoma ma- lar e espino-celular e o melanoma maligno. ligno na amostra da população branca do Sul do Brasil (Bakos et al, 2002). 2.1. Câncer de Pele do tipo melanoma 2.2. Câncer de pele tipo não-melanoma (baso celular e O melanoma é o menos comum, mas é o espino-celular) mais perigoso tipo de câncer de pele. A in- cidência de melanoma em homens está cres- O carcinoma baso-celular é originário da cendo rápido, particularmente em homens epiderme e dos apêndices cutâneos acima da de meia-idade. Surgem com mais freqüência camada basal, como os pêlos, por exemplo. Já na parte superior das costas, cabeça e pesco- o carcinoma epidermóide tem origem no que- ço. Há geralmente um período entre 10 e 30 ratinócio da epiderme, podendo também surgir anos para que a manifestação clínica do cân- no epitélio escamoso das mucosas (INCA, 2005 cer ocorra (ELCOSH, 2001). O pior prognós- a). Estes tumores ocorrem predominantemente tico para melanomas está associado à idade na face e no pescoço, e estão relacionados à superior a 60 anos, sexo masculino, lesões exposição solar, embora a distribuição de car- localizadas no tronco, tumores de maior es- cinomas baso-celulares não estão estritamente pessura e padrão sócio-econômico mais bai- relacionados a exposição ao sol como os carci- xo (Souza et al, 2004; Balzi et al, 1998). nomas espino-celulares. Existe uma forte re- lação inversa entre a latitude e incidência ou A Austrália tem as mais altas taxas de mortalidade para estes tipos de câncer de pele câncer de pele. Mais de 200.000 novos casos e, há uma relação positiva entre incidência ou de câncer de pele são relatados a cada ano, mortalidade e radiação ultravioleta estimada sendo que mais de 6.000 são potencialmen- ou medida no ambiente (IARC, 1997). te melanomas fatais (ARPANSA, 2004 b). Cerca de 2 a 3 milhões de cânceres não- Um estudo caso-controle realizado no melanomas são diagnosticados a cada ano, Brasil, para avaliar a etiologia do melanoma mas raramente são fatais e podem ser remo- maligno entre 1995 e 1998, no Hospital das vidos cirurgicamente. De 12 a 15 milhões Clínicas, Porto Alegre, revelou como fatores de pessoas por ano tornam-se cegas devido de risco com força moderada, para mela- à catarata, dos quais 20% podem ser causa- noma maligno naquela população, pessoas das ou agravadas pela exposição ao sol, de com os fototipos de pele I (sempre se quei- acordo com as estimativas da Organização mam e nunca se bronzeiam) e II (sempre se Mundial de Saúde (WHO, 2005 b). queimam e, às vezes, se bronzeiam); com sardas; com um grande número de nevos Estima-se que no Brasil ocorrerão cerca adquiridos, com nevos displásicos e com de mais de 113.000 novos casos de câncer de proteção inadequada ao sol. A cor dos olhos pele não melanoma no ano de 2005. Obser- e cabelo apresentaram uma fraca significân- va-se que o câncer de pele não-melanoma é cia estatística como fatores de risco. O uso o mais incidente em nosso país, em homens e de protetor solar apresentou significância em mulheres. Embora de baixa letalidade, em progressiva correspondendo ao aumento do alguns casos pode levar a deformidades físi- FPS. O melhor escore ocorreu em usuários de cas e ulcerações graves, porém é uma neopla- FPS-15 ou mais. Episódios de queimaduras sia de excelente prognóstico, com taxas altas48
    • de cura completa, se tratada de forma ade- Segue abaixo um quadro comparati-quada e oportuna. O câncer de pele melanoma vo entre câncer de pele melanoma e não-é menos incidente, mas sua letalidade é mais melanoma em alguns países. Incidênciaelevada. Quando tratados em estádios iniciais, (homens/mulheres), estratégias de pre-são curáveis (INCA, 2005 b; CDC, 2003). venção e tratamento.Quadro comparativo entre câncer de pele não melanoma e melanoma Não Melanoma H M Melanoma H M Incidência Brasil 62 60 Brasil 3 3 (p/100.000 hab.) EUA 480 240 EUA 18 12 Canadá 150 100 Canadá 11 12 Austrália 2300 1900 Austrália 50 40 Estratégias de Prevenção Limitar a exposição solar Limitar a exposição solar Detecção precoce Detecção precoce Tratamento Cirurgia/Radioterapia/Quimioterapia Cirurgia/Radioterapia/Quimioterapia/Imunoterapia(Adaptado de International Journal of Dermatology 2004, 43:243-251)3. Fatores de risco Deve-se considerar que um mesmo indi- De maneira geral, os fatores de risco víduo pode estar exposto a vários fatores debem estabelecidos para câncer de pele me- risco que interagem entre si, dado a multi-lanoma e não-melanoma incluem (IARC, causalidade da doença. Dentre os fatores não1997; CDC, 2003): mencionados que devem ser considerados estão os relacionados à ocupação como, porMelanoma maligno e baso-celular exemplo, os que desenvolvem atividades ao História familiar de câncer de pele ar livre: agricultores, pescadores, guardas, etc. Também devem ser considerados como fato- Pessoas de pele clara, com cabelos res de risco, residir em áreas rurais e o desco- ruivos ou loiros nhecimento de que a exposição excessiva ao sol pode causar câncer de pele (SBCD, 2005). Propensão à queimaduras e inabilida- de para bronzear Exposição à radiação UV intermitente III. PrevençãoEspino-celular Exposição à radiação UV cumulativa Primária (Medidas de Controle) Medidas de Proteção contra a ra- diação ultravioleta Para proteção coletiva (Maia et al, 1995): Uso de tecidos que impedem ou blo- queiam os raios UV 49
    • Uso de barracas/toldo, ção varia com a espessura da camada de creme aplicada, a freqüência da aplicação, a perspira- Uso de guarda-sol ção e a exposição à água. É recomendado que Uso de coberturas e janelas de vidro, durante a exposição ao sol sejam usados filtros que funcionam como barreiras físicas com FPS-15 ou mais. Os filtros solares devem ser aplicados antes da exposição ao sol e rea- Para proteção individual (ARPANSA, 2004 c; plicados sempre de 20 a 30 minutos antes da CDC, 2003 b) exposição ao sol e após nadar, suar e se secar Evitar horários de pico solar (entre 10 com toalhas (Maia et al, 1995; WHO, 2005c). da manhã e 15h da tarde) Os trabalhadores expostos ao ar livre de- Manter-se na sombra a qualquer hora vem usá-lo durante o dia e em conjunto com do dia; chapeis e roupas protetoras. Utilize o protetor em todas as partes expostas ao sol, incluindo Evitar bronzeamento artificial; orelhas, costas, ombros, e a parte de trás dos Usar chapéu com abas largas; joelhos e pernas (WHO, 2005c). Usar blusas de mangas longas; 1. O que significa Usar calças compridas; o valor do FPS? Usar óculos; FPS significa Fator de Proteção Solar. Usar cremes e/ou loções com filtros Todo filtro solar tem um número que pode solar superior a 15 FPS. variar de 2 a 60 (até agora, nos produtos comercializados no Brasil). O FPS mede a proteção contra os raios UVB responsáveis IV. Conhecendo os pela queimadura solar, mas não medem a proteção contra os raios UVA. Filtros Solares A linguagem utilizada nos rótulos dos filtros solares muitas vezes deixa o consu- Os filtros solares são preparações para midor confuso na hora da compra. Abaixo, uso tópico que reduzem os efeitos deletérios o significado dos termos mais freqüente- da radiação ultravioleta. Porém, deve-se to- mente utilizados (CDC, 2003a): mar cuidado porque nem todos os filtros so- lares oferecem proteção completa para os raios Anti UVA e UVB: filtros que protegem UV-B e raios UV-A. Além disso, podem ter contra os raios ultravioleta A e ultra- um efeito enganoso, pois, por suprimirem os violeta B. sinais de excesso de exposição ao sol, como as Hipoalergênico: utiliza substâncias que queimaduras, fazem com que as pessoas se ex- geralmente não provocam alergias. ponham excessivamente às radiações que eles não bloqueiam, como a infravermelha. Criam, Livre de PABA ou “PABA Free”: filtros portanto, uma falsa sensação de segurança e que não contém a substância PABA, encorajam as pessoas a se exporem ao sol por que tem alto poder de causar alergias. mais tempo (ARPANSA, 2004 c). É importante Livre de óleo ou “oil free”: filtros cujos lembrar, também, que o real fator de prote- veículos não contém substâncias ole-50
    • osas. São os mais indicados para pes- soas de pele oleosa ou com tendência V. Prevenção à formação de cravos e espinhas. Secundária Não comedogênico: filtros que não obs- truem os poros, evitando assim a for- Auto exame da pele mação de cravos. São também indicados O auto-exame da pele é um méto- para pessoas de pele oleosa e com ten- do simples para detectar precocemente o dência à formação de cravos e espinhas. câncer de pele, incluindo o melanoma. Se diagnosticado e tratado enquanto o tumor ainda não invadiu profundamente a pele,2. Como usar o câncer de pele pode ser curado. Ao fazer Tem sido apresentado o uso de pro- o auto-exame regularmente, você se fami-tetor solar para a prevenção de câncer liarizará com a superfície normal da suade pele não-melanoma do tipo espino- pele. É útil anotar as datas e a aparênciacelular. Contudo a evidência do efeito da pele em cada exame (Garbe & Buettner,do protetor solar na prevenção do me- 2000; INCA, 2005c).lanoma maligno ainda é inconclusiva. O O que procurar?protetor solar que bloqueia a radiaçãoultravioleta-A (UVA) e ultravioleta-B Sinais ou pintas que mudam de tama-(UVB) pode ser mais efetivo na preven- nho, forma ou cor;ção do câncer espino-celular e seus pre- Manchas pruriginosas (que coçam),cursores do que aqueles que bloqueiam descamativas ou que sangram;somente a radiação UVB. Porém, as pes-soas que usam somente o protetor solar Feridas que não cicatrizam em 4poderiam ter o risco de melanoma au- semanas;mentado caso prolongassem o tempo de Mudança na textura da pele ou dor.permanência ao sol por estarem usandoo protetor solar (ARPANSA, 2004 c). Deve-se ter em mente o ABCD da transformação de uma pinta em melano- Um estudo caso-controle realizado para ma, como descrito abaixo:investigar os fatores preditores do uso do pro-tetor solar em pacientes da Europa Central, re-velou que os mais velhos e do sexo masculinotendem a não usar protetor solar. Os jovens, asmulheres e os que permaneciam mais tempoexpostos ao sol, tenderam a usar protetor solarcom mais freqüência, acreditando que com isso,eles poderiam estar protegidos adequadamen-te, o que é uma falsa impressão (CDC, 2002). Segue abaixo as recomendações dasprincipais organizações internacionais compesquisas desenvolvidas na área do cân-cer para prevenção primária e secundáriado câncer de pele: 51
    • A - Assimetria - uma metade diferente da outra. 3) Examine as partes da frente, detrás e dos lados das pernas além da região genital; B - Bordas irregulares - contorno mal definido. 4) Sentado, examine atentamente a C - Cor variável - várias cores numa mes- ma lesão: preta, castanho, branca, averme- planta e o peito dos pés, assim como lhada ou azul. os espaços entre os dedos; D - Diâmetro - maior que 6 mm. 5) Com o auxílio de um espelho de mão e de uma escova ou secador, examine Como fazer? o couro cabeludo, pescoço e orelhas; 1) Em frente a um espelho, com os braços 6) Finalmente, ainda com auxílio do espelho levantados, examine seu corpo de frente, de mão, examine as costas e as nádegas. de costas e os lados direito e esquerdo; 2) Dobre os cotovelos e observe cuida- Atenção: caso encontre qualquer dosamente as mãos, antebraços, bra- diferença ou alteração, procure orien- ços e axilas; tação médica. Recomendações de Organizações Internacionais ACS[1] CDC/MMWR [2] CCA[3] Prevenção Primária Limitar a exposição ao sol Evidências insuficientes Evitar a exposição ao sol (10-16h) para recomendar ou não o nos períodos de maior aconselhamento rotineiro intensidade Evitar a exposição ao sol pelo clínico para prevenção do câncer de pele Adotar medidas de proteção Adotar medidas de proteção da da pele à exposição solar pele (óculos, chapéu, roupas) Permanecer na sombra e Utilizar protetor solar sempre que possível utilizar (FPS 15 ou +) protetor solar (FPS 30 ou +) Prevenção Secundária Rastreamento individual ou Sem evidência de redução da Auto-exame para detecção populacional para indivíduos incidência de melanoma ou precoce de alto risco de melhores resultados com o auto-exame Rastreamento oportunístico Não definido a periodicidade do rastreamento [1] American Cancer Society - ACS: CA CANCER J CLIN 1998:48: 229-231 e 232-235 [2] Center of Disease Control (CDC)/ Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR). October 17, 2003/Vol.52/No. RR-15 [3] The Cancer Council Australia - CCA. Position Statement: Screening and early detection of skin cancer (Dezembro de 2004)52
    • VI. Referências1. American Cancer Society. Skin can- 8. Instituto Nacional de Câncer; Ministé- cer prevention and early detection. rio da Saúde. Auto exame da pele. Rio Atlanta: ACS; 2003. [citado em 14 out de Janeiro: INCA; 2005. [citado 14 set 2005]. Disponível em: http://cancer. 2005]. Disponível em: http://www.inca. org/docroot/PED/content/ped_7_1_ gov.br/conteudo_view.asp?id=136. Skin_Cancer_Detection_What_You_ 9. Instituto Nacional de Câncer; Ministé- Can_Do.asp?sitearea=PED. rio da Saúde. Estimativa 2005: inci-2. Australian Radiation Protection and dência de câncer no Brasil. Rio de Ja- Nuclear Safety Agency. Materials and neiro: INCA; 2004. protection against ultraviolet radiation. 10. International Agency for Research on Ultraviolet Radiation.Australia: ARPAN- Cancer. Solar and ultraviolet radiation. SA; 2004. [citado em: 24 ago 2005]. Lyon: IARC; 1997. [citado em 24 ago Disponível em: http://www.arpansa. 2005]. Disponível em: http://www-cie. gov.au/pubs/factsheets/010.pdf. iarc.fr/htdocs/indexes/vol55index.html.3. Australian Radiation Protection and 11. Maia M, Proença NG, Moraes JC. Risk Nuclear Safety Agency. Solar UVR factors for basal cell-carcinoma: a and the UV Index. Autralia: ARPAN- case-control study. Rev Saúde pública. SA; 2004. [25 ago 2005]. Disponível 1995; 29(1):27-37. em: http://www.arpansa.gov.au/is_ uvindex.htm. 12. Morbidity and Mortality Weekly Re- port. Counseling to prevent skin can-4. Australian Radiation Protection and Nu- cer. MMWR Recommendations and clear Safety Agency. Ultraviolet radia- Reports. 2003; 52(RR-15):13-17. [ci- tion. Austrália: ARPANSA; 2004. [citado tado em 14 out 2005]. Disponível em: em 24 ago 2005]. Disponível em: http:// http://www.cdc.gov/mmwr/preview/ www.arpansa.gov.au/basics/index.htm. mmwrhtml/rr5215a2.htm.5. Bakos L, Wagner M, Bakos RM, Leite 13. Morbidity and Mortality Weekly Re- CS, Sperhacke CL, Dzekaniak KS et al. port. Preventing skin cancer. MMWR Sunburn, sunscreens, and phenotypes: Recommendations and Reports. 2003; some risk factors for cutaneous mela- 52(RR15):1-12. [citado em 14 out noma in southern Brazil. Int J Derma- 2005]. Disponível em: http://www. tol. 2002 Sep;41(9):557-62. cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/6. Balzi D, Carli P, Giannotti B, Buiat- rr5215a1.htm. ti E. Skin melanoma in Italy: a po- 14. Morbidity and Mortality Weekly Report. pulation-based study on survival Sunscreen: how to select, apply, and use and prognostic factors. Eur J Cancer. it correctly. MMWR Recommendations 1998; 34:699-704. and Reports. 2002; 51(RR04):17. [ci-7. Garbe C, Buettner PG. Predictors of tado em 14 out 2005]. Disponível em: the use of sunscreen in dermatological http://www.cdc.gov/mmwr/preview/ patients in Central Europe. Prev Med. mmwrhtml/rr5104a3.htm. 2000 Aug;31(2 Pt 1):134-9. 53
    • 15. National Health and Medical Research ponível em: http://www.cdc.gov/elcosh/ Council. Primary prevention of skin docs/d0600/d000665/d000665.html. cancer in Australia: report of the sun 20. World Health Organization. Health protection programs working party. effects of UV radiation. Geneva: WHO; Australia: NHMRC; 1996. 2005. [citado em 14 out 2005]. Dispo- 16. Rodenas JM, Delgado-Rodriguez M, nível em: http://www.who.int/uv/he- Farinas-Alvarez C, Herranz MT, Ser- alth/en/index.html. rano S. Melanocytic nevi and risk of 21. World Health Organization. Sun pro- cutaneous malignant melanoma in tection: simple precautions in the sun. southern Spain. Am j Epidemiol. 1997; Geneva: WHO; 2005. [citado em 14 145 (11):1020-1029. out 2005]. Disponível em: http://www. 17. Sociedade Brasileira de Cirurgia Der- who.int/uv/sun_protection/en/. matológica. Câncer de pele. São Paulo 22. World Health Organization. Ultraviolet ra- (SP): SBCD; [citado em: 29 ago 2005]. diation: solar radiation and human health. Disponível em: http://www.sbcd.org. Geneva: WHO; 1999. [citado em 14 out br/pagina.php?id=16&dir=1. 2005]. Disponível em: http://www.who. 18. Souza SRP, Fischer FM, Souza JMP. int/mediacentre/factsheets/fs227/en/. Bronzeamento e risco de melanoma 23. World Health Organization. Ultraviolet cutâneo: revisão da literatura. Rev radiation and health. Geneva: WHO; Saúde Pública. 2004; 38(4):588-98. 2005. [citado em 14 out 2005]. Dis- 19. Ultraviolet Radiation. Construction Safety. ponível em: http://www.who.int/uv/ 2001;12(2). [citado em 26 ago 2005]. Dis- uv_and_health/en/index.html.54
    • Benzeno, Xilenoe ToluenoI. Introdução 2. Exposição humana No ambiente, o benzeno pode ser encon- Comumente os hidrocarbonetos benze- trado no ar, água e solo. Uma das caracte-no, tolueno e xileno são chamados de BTX. rísticas mais importantes desta substância,São considerados os principais componen- com grande repercussão na contaminaçãotes da gasolina, usados amplamente como atmosférica, é seu alto poder de volatiliza-solventes pela indústria química. ção, devido à alta pressão de vapor, da or- dem de 95,2 mmHg, a 25 ºC (IPCS, 1993). A liberação do benzeno para o ambienteII. Benzeno pode ser feita através de fontes naturais e/ou antropogênicas. O fato de ser um componente[Registro CAS n.º 71-43-2] do petróleo faz com que seja naturalmente en- contrado nas proximidades de depósitos natu- rais de petróleo e gás natural, na concentração1. O que é aproximada de 0,8 µg/L. A ocorrência de quei- madas em florestas também contribui para sua O benzeno, cuja fórmula molecular é C6H6, presença no ambiente (IPCS, 1993; IIA, 1998).é um hidrocarboneto aromático que, nas Condi- Já a contribuição das fontes antropogênicas,ções Normais de Temperatura e Pressão (CNTP), estimada em mais de 90%, é proveniente dase apresenta sob a forma líquida e incolor (FUN- exaustão e do abastecimento de veículos, dasDACENTRO, 1995). É um composto orgânico emissões industriais e da fumaça do cigarro.volátil (COV) altamente inflamável, possui odor (IPCS, 1993; ATSDR, 1997a; IIA, 1998).característico possível de ser identificado no arem concentrações da ordem de 1,5 - 4,7 ppm e A exposição humana ao benzeno se dána água a 2,0 ppm (ATSDR, 1997a). O gosto de principalmente através do ar, sendo a viabenzeno na água pode ser sentido por muitas respiratória a responsável por mais de 99%pessoas em concentrações que podem variar en- da quantidade de benzeno presente no corpotre 0,5 a 4,5 ppm (ATSDR, 1997a). humano. A população, de uma forma geral, se expõe ao benzeno, principalmente, pela fumaça de cigarro e pela inalação de ar con- taminado, em áreas com intenso tráfego de veículo e ao redor de postos de combustíveis Número de Registro CAS (Chemical Abstracts Service): (Wallace, 1996; IIA, 1998). Na atmosfera, onumeração única atribuída pela Sociedade Americana deQuímica (American Chemical Society) a uma substância nível de benzeno varia de 0,2 µg/m3, em áre-ou composto químico, utilizada internacionalmente. as rurais, a 349 µg/m3, em centros industriais 55
    • (CETESB, 2001). O uso de água contamina- O quadro clínico de toxicidade ao benze- da para cozinhar, para o banho etc., também no pode se caracterizar pelo comprometimen- pode configurar uma fonte de exposição pela to do sistema hematopoiético, sendo a causa via respiratória em função da capacidade de básica de diversas alterações hematológicas. volatilização do benzeno na água (Giardino Vários estudos têm demonstrado a associação & Wireman, 1998; IIA, 1998). A exposição entre a exposição ao benzeno e a ocorrência ao benzeno pode resultar também da inges- de vários tipos de leucemia (IARC, 1987). tão de alimentos ou água contaminados. Os sinais e sintomas mais freqüentes Além da exposição ambiental, que aco- (em aproximadamente 60% dos casos) de mete a população geral, a exposição pode intoxicação por benzeno e derivados são: se dar também ocupacionalmente, em am- astenia, mialgia, sonolência, tontura, in- bientes industriais que utilizam a substân- fecções repetidas. Os dados hematológicos cia em seus processos produtivos. mais relevantes são: neutropenia, leucope- nia, eosinofilia, linfocitopenia, monocitope- Várias indústrias utilizam benzeno como nia, macrocitose, pontilhado basófilo, pseu- intermediário da síntese de outras substâncias do Pelger e plaquetopenia (MS, 2005). Nos químicas, como estireno, cumeno, ciclohexano. estágios iniciais de tais alterações hemato- O benzeno também é usado nas indústrias de lógicas estes efeitos parecem ser reversíveis. detergentes, de explosivos, farmacêuticas, de in- As exposições a altas doses por longos perí- seticidas, de fotogravura, de borracha, de couro, odos podem levar a pancitopenia, resultante de adesivos e colas, de plástico, de solventes e da aplasia da medula óssea, sendo conside- removedores de tintas, siderúrgicas, metalúrgi- rado um estágio irreversível da doença. cas, etc. (ATSDR, 1997a; ATSDR, 1997b; Michel, 2000; CETESB, 2001). Na indústria do petróleo O diagnóstico da intoxicação pelo benze- é usado em forma pura nos laboratórios, para no, de natureza ocupacional, é eminentemen- análise, e está presente como contaminante em te clínico e epidemiológico, fundamentando- diversos derivados, como gasolina, hexano, que- se na história de exposição ocupacional e na rosene, tolueno, entre outros. Encontra-se pre- observação de sinais e sintomas clínicos e sente em diversos outros produtos, como tintas, laboratoriais. Em pessoas expostas a alguma colas e vernizes (Michel, 2000). concentração de benzeno, todas as alterações hematológicas devem ser valorizadas, inves- A população exposta ocupacionalmen- tigadas e justificadas (MS, 2005). te experimenta uma exposição ao benzeno bem superior, em magnitude, àquela ob- Inúmeros estudos foram desenvolvidos servada para a população geral. para a determinação dos efeitos deletérios do benzeno sobre a saúde humana. A grande maioria foi realizada, considerando a exposi- 3. Efeitos sobre ção ocupacional, invariavelmente maior que a exposição ambiental. Esses estudos encon- a saúde humana tram-se referenciados em diversas publica- 3.1. Intoxicação aguda e crônica ções que tratam sobre a substância, como To- xicological Profile for Benzene (ATSDR, 1997a), A exposição ao benzeno pode causar into- Carcinogenic Effects of Benzene: An Update (US xicação aguda e crônica. É um agente mielo- EPA, 1998), Environmental Health Criteria n.º tóxico regular, leucemogênico e cancerígeno, 150 - Benzene (IPCS, 1993), Paper Position mesmo em baixas doses. Não existem sinais e Benzene (IIA, 1998), Air Quality Guidelines for sintomas característicos ou típicos da intoxi- Europe (WHO, 2000), que, além de estudos cação pelo benzeno, que permitam diagnosti- epidemiológicos, apresentam também estu- cá-la e distingui-la de outras moléstias. dos toxicológicos. Estes estudos evidenciam56
    • os efeitos tóxicos do benzeno, relacionados contenha mais de 0,01%, em volume, deà sua carcinogenicidade, hematotoxicidade, benzeno, indique a presença e a concen-mielotoxicidade, neurotoxicidade, imunotoxi- tração máxima deste aromático.cidade, bem como os efeitos agudos devido às Portaria do Ministério da Saúde nº 518/exposições a altas concentrações (Reis, 2003). GM, de 25/03/2004: dispõe sobre os pro-3.2. Carcinogenicidade cedimentos e responsabilidades relativos ao controle e à vigilância da qualidade da A Agência Internacional de Pesquisa em água para consumo humano. Esta Porta-Câncer (International Agency for Research on ria preconiza o valor máximo permitidoCancer – IARC/OMS) classifica o benzeno no de benzeno na água igual a 5 µg/L, a fimGrupo 1, ou seja, como uma substância quí- de garantir o seu padrão de potabilidade.mica com evidências suficientes de sua carci- Portaria do Ministério do Trabalho enogenicidade em seres humanos (IARC, 1987). Emprego nº 14, de 20/12/1995: a le-Dispositivos legais relacionados à exposi- gislação brasileira para a exposiçãoção humana ao benzeno ocupacional ao benzeno, instituída pela Secretaria de Segurança e Saúde A seguir, encontram-se relacionados os dis- no Trabalho, do Ministério do Trabalhopositivos legais nacionais, em vigência, que dis- e Emprego, considerando a inexistên-põem sobre a exposição humana ao Benzeno. cia de limite seguro para a exposição Portaria do Ministério da Saúde nº 776/ à substância, dada sua comprovada GM, de 28/04/2004: instituiu a Norma carcinogenicidade, instituiu o Valor de de Vigilância à Saúde dos Trabalhado- Referência Tecnológico (VRT) como: res expostos ao benzeno nos processos “... a concentração de benzeno no de trabalho que produzem, utilizam, ar considerada exeqüível do ponto de transportam, armazenam ou manipulam vista técnico, definido em processo de benzeno e, ou suas misturas líquidas. negociação tripartite. O VRT deve ser Portaria do Ministério da Saúde nº 777/ considerado como referência para os GM, de 28/04/2004: regulamentou a no- programas de melhoria contínua das tificação compulsória de agravos à saúde condições dos ambientes de trabalho. do trabalhador, contemplando a notifica- O cumprimento do VRT é obrigatório e ção dos casos de intoxicação exógenas, não exclui risco à saúde.”(Segurança por substâncias químicas, e de casos de e Medicina do Trabalho, 2002:211). câncer relacionados ao trabalho. Os valores a serem adotados pelas em- Portaria Interministerial (Ministérios da presas correspondem a 2,5 ppm, para as Saúde e do Trabalho e Emprego) nº 775/ indústrias siderúrgicas, e 1,0 ppm, para GM, assinada em 28/04/2004: contribuiu as químicas e petroquímicas (Segurança e também para a redução da exposição Medicina do Trabalho, 2002). humana ao benzeno, proibindo, em todo Instruções Normativas do Ministério do o Território Nacional, a comercialização Trabalho e Emprego nº 01 e nº 02, de de produtos acabados que contenham 20/12/1995: definem, respectivamen- “benzeno” em sua composição, admitin- te, critérios para Avaliação das Con- do, porém, a presença desta substância, centrações de Benzeno em Ambientes como agente contaminante, em percen- de Trabalho e de Vigilância da Saúde tuais determinados. Esta Portaria esta- dos Trabalhadores na Prevenção da beleceu ainda a obrigatoriedade de que o Exposição Ocupacional ao Benzeno. rótulo de qualquer produto acabado que 57
    • Com relação à legislação internacional, além das medidas de proteção individual e a Organização Mundial da Saúde (OMS), em coletiva (Rego, 2002). Uma outra medida suas diretrizes para a qualidade do ar na Euro- importante é a informação detalhada para pa, reconhece que o benzeno é uma substância os trabalhadores acerca dos efeitos deletérios carcinogênica para os humanos e que nenhum que possam advir da exposição ao benzeno. limite seguro de exposição pode ser recomen- dado. Preconiza, então, o cálculo de risco es- timado por Crump, em 1994, cuja média ge- ométrica das estimativas do excesso de risco III. Xileno de leucemia em populações expostas, durante toda a vida, a uma concentração atmosférica [Registro CAS 1330-20-7] de 1µg/m3 de benzeno, é de 6,0 x 10–6. O que equivale a seis casos de leucemia para cada um milhão de pessoas expostas à referida concen- 1. O que é tração de benzeno durante toda a sua vida. As Existem três tipos de xilenos que são os concentrações de benzeno no ar, associadas a isômeros orto, para e meta, parte do grupo um caso de leucemia para 10.000, 100.000 e dos hidrocarbonetos aromáticos, também 1.000.000 de expostos são, respectivamente, chamados de alquilbenzenos. São mono- 17, 1,7 e 0,17 µg/m3 (WHO, 2000). nucleares, ou seja, compostos por um úni- A Agência Americana de Proteção Am- co anel aromático (Klaassen, 1996; Patnaik, biental (U.S.EPA) adota o mesmo conceito 2002; CETESB, 2005). O xileno comercializa- da OMS e estima o risco de adoecimento do consiste tipicamente de 20% de o-xileno, por leucemia da ordem de 2.5 x 10-6 a 7.1 44% de m-xileno e 20% de p-xileno e cerca x 10-6, para a exposição humana continu- de 15% de etilbenzeno (Klaassen, 1996). ada ao benzeno à concentração de 1µg/m3 O xileno é um líquido incolor, de odor (U.S.EPA, 1998; IIA, 1998). doce, facilmente inflamável. Encontra-se na- No Brasil, os padrões de qualidade do turalmente no petróleo, no carvão e é também ar, estabelecidos pelo Conselho Nacional produzido durante as queimadas. É possível do Meio Ambiente (CONAMA), através da sentir o xileno no ar a 0,08-3,7 ppm e o seu Resolução nº 003, de 28 de junho de 1990, gosto na água a 0,53-1,8 ppm (ATSDR, 1996). definem as concentrações de poluentes at- As indústrias químicas produzem o xileno mosféricos que, quando ultrapassadas, po- a partir do petróleo. É um dos 30 principais derão afetar a saúde, a segurança e o bem- elementos químicos produzidos nos EUA, em estar da população, bem como ocasionar volume. É utilizado como solvente na indús- danos à flora e à fauna, aos materiais e tria de tintas, vernizes, revestimentos, borra- ao meio ambiente em geral. Esta Resolução cha e couro. É também utilizado como produto não define qualquer valor para a exposição de limpeza. Pode-se ser encontrado em pe- não ocupacional ao benzeno. quena quantidade nos combustíveis utilizados em aviões e na gasolina (ATSDR, 1996). Os isômeros do xileno são usados na fabricação 4. Recomendações de corantes, drogas, pesticidas e muitos inter- Ações efetivas devem ser desenvolvidas mediários orgânicos, como o ácido tereftálico para que haja eliminação da exposição. Mas e andidrido ftálico (Patnaik, 2002). é sabido que a eliminação de alguns com- O xileno evapora rapidamente para o ar postos dos ambientes de trabalho nem sem- quando descartado no solo ou na superfície pre é possível. Nestes casos, o importante é a da água. As pessoas podem ser expostas ao adoção de medidas de redução da exposição,58
    • xileno através do ar no local onde trabalham 2.1. Carcinogenicidadeou através do exaustor do carro inspirando o A Agência Internacional de Pesquisaar contaminado; manipulando produtos que em Câncer – IARC, classifica o xileno nocontém xileno em sua composição, como ga- grupo 3, ou seja, não carcinogênico parasolina, tintas, removedores, vernizes e líqui- seres humanos (IARC, 1999a).dos que previnem a ferrugem; tomando águacontaminada ou inspirando o ar próximo a 2.2. Avaliação laboratoriallocais de descarte ou solo contaminado comxileno. A quantidade de xileno nos alimentos Testes de laboratório podem detectar oé pequena (ATSDR, 1996). xileno ou produtos resultantes de sua que- bra no ar exalado, sangue ou urina. A amos- A principal via de absorção do xileno tra de urina deve ser analisada rapidamenteé a inalação. Uma outra via importante é após o contato com xileno e a exposição es-a absorção do líquido através da pele. Po- timada pela análise dos metabólitos, ácidosrém, apenas pequenas quantidades de xile- metilhipúricos na urina, usando-se Croma-nos não são excretadas ou metabolizadas, tografia Líquida de alta resolução (HPLC),podendo permanecer no tecido adiposo. As colorimetria, ou Cromatografia Gasosa (GC)exposições repetidas podem causar acúmu- (Patnaik, 2002; ATSDR, 1996).lo no sangue (Patnaik, 2002). 2.3. Tratamento2. Efeitos sobre Recomendações pertinentes no caso de conta-a saúde humana minação humana por xileno (Rumack, 2000) As propriedades tóxicas dos isômeros do Não é recomendada a realização dexileno são semelhantes às do tolueno e do emesis – para pequenas quantidades deetilbenzeno. Os órgãos alvo são o sistema ner- xileno ingerido, pois pode aumentar ovoso central, olhos, trato gastrintestinal, rins, risco de depressão do Sistema Nervosofígado, sangue e pele (Patnaik, 2002). Níveis Central e aspiração pulmonar.elevados de exposição por curtos períodos (14 Lavagem gástrica pode ser indicadadias ou menos) ou longos períodos (mais de para pacientes que ingeriram mais do12 meses) podem causar dores de cabeça, falta que 5ml de xileno, ou foram expostosde coordenação motora, tonteira, confusão e a uma grande concentração de benze-mudanças no senso de equilíbrio. A exposição no. O potencial tóxico aumenta e podea elevados níveis de xileno em períodos curtos haver risco de aspiração pulmonar.pode, também, causar irritação na pele, olhos, Deve ser considerado, também, se estánariz e garganta; dificuldade de respirar; pro- havendo risco de vida por envenena-blemas pulmonares; retardamento; dificulda- mento por ingestão de xileno nas pri-des de memória; desconforto estomacal e pos- meiras horas. O paciente deve ficar emsibilidade de alterações no funcionamento do posição decúbito lateral para, se for ofígado e rins. Em níveis elevados pode causar caso, fazer intubação endotraqueal.perda da consciência e até mesmo a morte(ATSDR, 1996; ATSDR, 2004). No caso de haver perda dos reflexos, ou diminuição da consciência, o pa- Existem ainda estudos que relatam ciente não deve ser intubado.que solventes como o benzeno, tolueno,xileno dentre outros, podem afetar a ca- Pacientes com risco de hemorragia oupacidade reprodutiva feminina e mascu- de perfusão gastrintestinal não deve-lina (Klaassen, 1996). rão ser intubados. 59
    • O carvão ativado pode ser usado para indução de vômito, mas aumenta o ris- IV. Tolueno co de aspiração pulmonar. Geralmente, [Registro CAS 108-88-3] esta manobra não é recomendada. Exposição por inalação 1. O que é Descontaminação: remover o pacien- te para um lugar arejado. Monitorar O tolueno é um líquido incolor, com a respiração. Caso esteja tossindo ou um odor aromático característico, não cor- com dificuldades respiratórias, avaliar rosivo, inflamável, insolúvel em água, mas se há obstrução no trato respiratório, solúvel em muitos solventes orgânicos (Pa- irritação, bronquite ou pneumonia. tnaik, 2002; ATSDR, 2004). Administrar 100% de oxigênio umi- É derivado do alcatrão, do carvão e do dificado como suplementação. petróleo. Ocorre na gasolina e em muitos ou- Os eletrólitos e os fluidos devem ser tros solventes de petróleo. É utilizado para monitorados. Em caso de intoxicação produzir trinitrotolueno (TNT), tolueno dis- por xileno inalado pode haver hipo- socianato e benzeno. É usado também como calemia e acidose. um ingrediente para corantes, drogas e de- tergentes e como um solvente industrial para CUIDADO: A hipocalemia pode influir borrachas, tintas, revestimentos e óleos (Pat- no fluxo corpóreo e na manutenção naik, 2002; ATSDR, 2004; CCOHS, 1999). O do equilíbrio eletrolítico. maior uso do tolueno é como uma mistura adicionada à gasolina (U.S. EPA, 2000). 3. Medidas de segurança Sinônimos: metilbenzeno, fenilmetano, to- luol, metilbenzol. A Companhia de Tecnologia de Sanea- mento Ambiental (CETESB) considera como O tolueno é utilizado ainda, na produção de medidas de segurança para a saúde dos tra- polímeros de uso comum como o nylon, plás- balhadores que se expõem ocupacionalmen- ticos e garrafas, poliuretanos, produtos farma- te ao xileno, o uso de luvas, botas e roupas cêuticos, tinturas, esmaltes de unhas e sínteses de polietileno clorado, neoprene, poliureta- de químicos orgânicos. Está presente também no e máscara facial panorama, com filtro na fumaça do cigarro (U.S. EPA, 2000). contra vapores orgânicos. Como medidas As pessoas são expostas ao tolueno preventivas, evitar contato com o líquido e quando inspiram o ar contaminado em seu o vapor, manter as pessoas afastadas, cha- local de trabalho ou através de emissão vei- mar os bombeiros em caso de vazamento no cular; trabalham com gasolina, querosene, meio ambiente (CETESB, 2005). óleo aquecido e tintas; consomem água con- taminada ou residem próximo a locais con- 3.1. Limites de Tolerância taminados contendo tolueno (ATSDR, 2004). 100 ppm (~434 mg/m3) – American Confe- rence of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), MSHA e Occupation Safety Health 2. Efeitos sobre Administration (OSHA) a saúde humana máximo 200 ppm/10min – National Institute A toxicidade aguda do tolueno é seme- for Occupational Safety and Health (NIOSH) lhante à do benzeno. As vias de exposição IDLH 1000 ppm – NIOSH são inalação, ingestão e absorção através da60
    • pele. Os órgãos afetados por esta exposição formações sobre os riscos relacionados aosão o sistema nervoso central, fígado, rins e trabalho, detecção precoce dos efeitos adver-pele. É narcótico em altas concentrações (Pa- sos à saúde e sobre os locais de referênciatnaik, 2002; ATSDR, 2001; OSHA, 1996). capacitados para o diagnóstico e tratamento. As avaliações médicas devem ser realizadas A exposição aguda ao tolueno decorrente antes da contratação, periodicamente duran-da inalação pode causar fadiga, sonolência, do- te o exercício da função (identificar efeitosres de cabeça, náusea, confusão, falta de apetite. adversos do tolueno no sistema nervoso cen-Estes sintomas geralmente desaparecem quando tral ou pele), e no momento da transferênciaa exposição é interrompida. A inalação em ní- ou término da função. Deve-se comparar aveis elevados em períodos curtos pode causar última avaliação do estado de saúde com otonteira ou sonolência. Pode igualmente, causar do primeiro exame realizado (OSHA, 1996).perda da consciência e mesmo a morte. Níveiselevados podem afetar os rins (Patnaik, 2002; OlhosU.S. EPA, 2000; ATSDR, 2001; OSHA, 1996). Se o tolueno ou uma solução contendo to- lueno cair nos olhos, eles devem ser lava- Tem sido relatada a ocorrência de depres- dos com uma quantidade grande de água,são do sistema nervoso central em decorrên- no mínimo por 15 minutos. Se a irritaçãocia da exposição crônica. Os sintomas incluem persistir, procurar assistência médica osonolência, tremores, atrofia cerebral, movi- mais rápido possível (OSHA, 1996).mentos involuntários dos olhos, distúrbios dafala, da audição e da visão. Distúrbios com- Peleportamentais têm sido observados em traba- Se houver contato com a pele, deve-selhadores ocupacionalmente expostos. Foram lavar a pele com água corrente por peloobservados casos de irritação do trato respi- menos 15 minutos, seguindo uma lavagemratório superior, olhos, garganta, tonteira, dor com água e sabão. Se a irritação persistir, ode cabeça e insônia (U.S. EPA, 2000). médico deve ser consultado (OSHA, 1996).2.1. Carcinogenicidade Inalação Se vapores de tolueno forem inalados, re- A Agência Internacional de Pesquisa mover a vítima para o ar fresco e chamarem Câncer – IARC (1999), classificou o to- um médico tão logo for possível. Se a ví-lueno no Grupo 3, ou seja, não carcinogê- tima não estiver respirando, promover anico para seres humanos. ressuscitação cardiopulmonar; se a respi- ração estiver difícil, dar oxigênio. Manter2.2. Avaliação laboratorial a vítima aquecida e quieta até o auxílio O tolueno é metabolizado em ácido médico chegar (OSHA, 1996).benzóico e em ácido hiúrico e benzoila-gli- Ingestãocurônido. Estes dois últimos são excretados Não induzir o vômito. Se o tolueno ou a solu-na urina junto com pequenas quantidades ção contendo tolueno for ingerido, dar à víti-de cresol, formados pela hidroxilação di- ma vários copos de água. Procurar um médicoreta do tolueno. A exposição crônica pode imediatamente. Manter a vítima aquecida ecausar algum acúmulo de tolueno em te- quieta até a ajuda chegar (OSHA, 1996).cidos gordurosos, podendo ser eliminadoapós algum tempo (Patnaik, 2002). Socorro Afaste o trabalhador incapacitado para2.3. Tratamento fora do local da exposição e implemente procedimentos de emergência apropriados Os trabalhadores expostos a riscos quí- (OSHA, 1996).micos devem ser monitorados e receber in- 61
    • Métodos efetivos no controle da exposição Borrifos de água podem ser utilizados ao tolueno no local de trabalho (dependen- para reduzir o vapor, mas não previnem do da viabilidade) (OSHA, 1996). o risco de fogo em locais fechados. O processo deve ser enclausurado. Para pequenos derramamentos, cubra com areia ou outro material O local deve ser provido de exaustores. absorvente não combustível e colo- O processo de ventilação geral deve que em containeres fechados, para ser forçada. posterior descarte. Garantir a utilização do equipamento Para grandes derramamentos, cons- de proteção individual (EPI). trua diques distantes e à frente do derramamento para conter o líquido de/com tolueno e posterior reclama- 3. Medidas de Segurança ção ou descarte. As roupas contaminadas com tolue- 3.2. Equipamento de proteção no devem ser removidas imediatamente. individual As pessoas que lavarão as roupas devem ser informadas sobre os riscos do tolueno, Os trabalhadores que têm contato com o particularmente sobre seu potencial em ca- tolueno devem utilizar roupas específicas de sar danos à pele (OSHA, 1996). proteção, para evitar o contato com a pele. As roupas devem ser feitas com polivinil álcool, Um trabalhador que manipula o tolue- teflon e viton, que fornecem proteção por pe- no deve lavar com intensidade as mãos e ríodos superiores a 8h. Para proteção entre 4 e o antebraço. Deve lavar, também, o rosto 8 horas, podem-se usar roupas com mistura de com água e sabão antes de se alimentar, polietileno/etileno vinil álcool (OSHA, 1996). fumar ou usar o banheiro (OSHA, 1996). Óculos e protetores faciais devem ser Os trabalhadores não devem comer, be- utilizados durante as operações em que o ber ou fumar em áreas onde o tolueno ou tolueno pode ter contato com os olhos (ex. solução com tolueno está sendo manipula- através dos esguichos da solução). Lentes do, processado ou estocado (OSHA, 1996). de contato não devem ser utilizadas. 3.1. Procedimentos relacionados a acidentes: Vazamentos e 4. Limites de Tolerância derramamentos 100 ppm (~ 375 mg/m3) – American Confe- Como proceder (OSHA, 1996) rence of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), MSHA e Occupation Safety Health Não toque no material derramado; in- Administration (OSHA) terrompa o vazamento se for possível fazê-lo sem riscos. 200 ppm/10min (~750 mg/m) – OSHA Notifique a equipe de segurança. Segundo manual publicado pela CE- TESB (2005), valores de 300 ppm causam Remova as fontes de inflamáveis e irritação nos olhos e sintomas de mal es- de calor. tar; a 1000 ppm = 3830 mg/m3, 60 min, Ventile a área. causa efeitos tóxicos severos.62
    • V. Referências1. Agency for Toxic Substances and Dise- www.ccohs.ca/oshanswers/chemicals/ ase Registry. Interaction profile for ben- chem_profiles/toluene/basic_tol.html. zene, toluene, ethylbenzene, and xylenes 8. Companhia de Tecnologia de Saneamento (BTEX) - Appendix D: background in- Ambiental. Manual de produtos químicos formation for toluene. Atlanta: ATSDR; perigosos. São Paulo (SP): CETESB; 2005. 2004. p.95-110. [citado em 14 out 2005]. [citado em 20 set 2005]. Disponível em: Disponível em: http://www.atsdr.cdc.gov/ http://www.cetesb.sp.gov.br/Emergencia/ interactionprofiles/IP-btex/ip05-a.pdf. produtos/produto_consulta.asp.2. Agency for Toxic Substances and Disease 9. Companhia de Tecnologia de Sanea- Registry. Interaction profile for benzene, mento Ambiental. Relatório de estabe- toluene, ethylbenzene, and xylenes (BTEX) lecimento de valores orientadores para - Appendix D: background information solos e águas subterrâneas no estado for xylenes. Atlanta: ATSDR; 2004. p.123- de São Paulo. São Paulo (SP): CETESB; 136. [citado em 14 out 2005]. Disponível 2001. [Citado em 13 out 2005]. Dis- em: http://www.atsdr.cdc.gov/interaction- ponível em: http://www.cetesb.sp.gov. profiles/IP-btex/ip05-a.pdf. br/Solo/solo_geral.asp.3. Agency for Toxic Substances and Disease 10. Council Directive on Ambient Air Quality Registry. Public health statement for ben- Assessment and Management, working zene. Atlanta: ATSDR; 1997. [citado em Group on Benzene; Istituo Inquinamento 27 set 2005]. Disponível em: http://www. Atmosférico. Position paper. 1998. atsdr.cdc.gov/toxprofiles/phs3.html. 11. Environmental Protection Agency. Car-4. Agency for Toxic Substances and Di- cinogenic effects of benzene: an update sease Registry. ToxFAQs for toluene. (final). Washington (DC): EPA; 1998. Atlanta: ATSDR; 2001. [citado em 14 out 2005]. Disponível em: http://www. 12. Environmental Protection Agency. To- atsdr.cdc.gov/tfacts56.html. luene. In: Technology transfer network air toxics website. United States: EPA;5. Agency for Toxic Substances and Di- 2000. [citado em 14 out 2005]. Dis- sease Registry. ToxFAQs for xylene. ponível em: http://www.epa.gov/ttna- Atlanta: ATSDR; 1996. [citado em 14 tw01/hlthef/toluene.html. out 2005]. Disponível em: http://www. atsdr.cdc.gov/tfacts71.html. 13. Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Se- gurança e Medicina do Trabalho. Benze-6. Agency for Toxic Substances and Disease no: subsídios técnicos à Secretaria de Se- Registry. Toxicological Profile for Benze- gurança e Saúde do Trabalho 1993. 2 ed. ne. Atlanta: ATSDR; 1997. [citado em 27 São Paulo (SP): FUNDACENTRO; 1995. set 2005]. Disponível em: http://www. atsdr.cdc.gov/toxprofiles/tp3.html. 14. Giardino NJ, Wireman JR. Total body burden from inhalation during showe-7. Canada’s Center for Occupational He- ring with benzene-contamined drinking alth and Safety. Basic information on water: implications for cancer risk. J toluene. Canada: CCOHS; 1999. [citado Hazard Mater. 1998; 62(1):35-40. em 14 out 2005]. Disponível em: http:// 63
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