APELO IMPORTANTEPara você que disponibiliza o fruto do nossotrabalho em seu site, blog, etc.:Seja uma pessoa honesta e NÃO...
Dr. Augusto Jorge CuryIINNTTEELLIIGGÊÊNNCCIIAA MMUULLTTIIFFOOCCAALLAnálise da Construção dos Pensamentos e da Formaçãode P...
Copyright © 1998 Dr. Augusto Jorge Cury.Dados Internacionais de Catalogação na Publicação(CIP) (Câmara Brasileira do Livro...
CONTRACAPA:"Espero que este livro possa tanto expandir o mundodas idéias na Ciência como estimular a formação depensadores...
pelo dr. Cury tem sobre essas duas teorias e sobre todas asoutras a vantagem de ser muito mais abrangente, poisenvolve tod...
procedimentos utilizados no seu processo de construção, taiscomo a arte da observação, a análise multifocal, a arte daperg...
Revela-nos que uma pessoa multifocamente inteligentedesenvolve a arte de ouvir, a arte da dúvida, a arte da crítica,a arte...
SUMÁRIOPrefácio..............................................................................................................
PREFÁCIOHá um mundo a ser descoberto nos bastidores da mentehumana; um mundo rico, sofisticado e interessante; ummundo alé...
Começamos a enxergar que todos os seres humanospossuem a mesma dignidade intelectual, pois mesmo umafricano, vivendo em dr...
acrescentadas. Alguns capítulos centrais do livro forammudados de posição, passando para o início, para que osleitores tom...
CAPÍTULO 1MINHA TRAJETÓRIA DE PESQUISA: PRINCÍPIOSDA FORMAÇÃO DE PENSADORESO HOMEM MODERNO E A CRISE DE INTERIORIZAÇÃOUma ...
íntimo do mundo em que está, o extrapsíquico, mas, aomesmo tempo, torna-se um estranho para si mesmo.O homem moderno, em d...
Mergulhado num processo socioeducacional que seancora na transmissibilidade e no construtivismo doconhecimento exterioriza...
seu próprio ser. Aliás, ao contrário do que dizem os livros deauto-ajuda, a dúvida é o primeiro degrau da sabedoria.Quem n...
síndrome da exteriorização existencial tem pouco espaço parauma compreensão psicossocial e filosófica da existênciahumana....
das frases; elas se tornaram freqüentemente longas, devido àcomplexidade das idéias nelas circunscritas, diferente dasfras...
"evolutividade psicossocial", estou-me referindo a evoluçõesque ocorrem continuamente no processo de construção dopensamen...
construção que se envolvem na sua própria construção, elese perturba diante das suas limitações.A psique (em grego = alma)...
visam ser uma autobiografia. Meu objetivo é fornecer algu-mas informações para evidenciar algumas causaspsicossociais que ...
de tensão e com mais possibilidade de se expor a doençaspsíquicas e psicossomáticas. Será um homem livre por fora,mas pris...
Este livro trata muito mais da construção da inteligênciado que das suas funções. Todo ser humano constrói umainteligência...
A SEDE DE CONHECIMENTO. RESPIRANDO A PESQUISAEMPÍRICATodo cientista que não seja estéril é um aventureiro nastrajetórias d...
tornavam um material precioso para observações einterpretações.Em qualquer ambiente, nos corredores da faculdade deMedicin...
época, como estava no começo de minhas pesquisas, eu nãoconseguia explicar a ela o conteúdo das minhas idéias, meusobjetiv...
tempo, possui um rico caldeirão de raças, de cultura e deafetividade e por ser filho de imigrantes de origemmultirracial, ...
iniciar uma pesquisa sobre o funcionamento da mente, anatureza dos pensamentos e os processos de construção dainteligência...
para os mecanismos subjacentes que a envolvem, ela setorna um monstro insuperável, mas se a enfrentarmos comcrítica e inte...
fenômenos intrapsíquicos que produziam seus comportamen-tos me fascinavam.A ousadia em querer investigar o funcionamento d...
Eu acreditava que eles iriam ler algo da minha produçãode conhecimento e, ainda que a criticassem, esperava que,pelo menos...
Seria mais digno e democrático se eles o lessem e, apóscriticá-lo, me dissessem que eu era um sonhador, queaquelas idéias ...
não tivesse vivido uma intensa paixão pelo mundo das idéias,aqueles membros da banca examinadora teriam destruídomeu inter...
envenenado, pelo incômodo que suas idéias causavam naépoca. Porém, ele considerou ser mais digno tomar a cicutado que ser ...
Ficava, como disse, observando, anotando,interpretando e produzindo conhecimento sobre ocomportamento de determinadas pess...
Pelo fato de começar a procurar, após os primeiros anosde pesquisa, as variáveis da interpretação que estão na basedos pro...
serem resolvidas, ainda que vivesse continuamente a "tríadede arte da pesquisa" e a busca do caos intelectual.Apesar de to...
existencial do eu, entenderemos que será impossível que umdia os computadores conquistem essa consciência, por isso,eles j...
reorganizar continuamente todo o conhecimento produzido.Esses procedimentos são fundamentais para romper osparadigmas cult...
construção e de compreensão do conhecimento, à produçãode novas teorias a partir da busca da desorganização dosconceitos e...
utilizei, tais como a arte da formulação de perguntas, dadúvida e da crítica, a busca do caos intelectual e os doisinstrum...
APLICAÇÃO DA TERAPIA MULTIFOCALAs experiências que passei por ser crítico doacademicismo me abateram temporariamente o âni...
outra corrente psicoterapêutica: psicanálise, psicoterapiacognitiva, logoterapia, psicodrama, psicoterapia analítica, etc....
causticante deserto emocional. Apesar de todas asdificuldades iniciais, da sua recusa de penetrar dentro de simesma, pouco...
memória e seu rendimento intelectual. Marido e esposamudaram tanto que passaram, mesmo diante das suaslimitações físicas, ...
pela psiquiatria e pela psicologia, é sempre possívelreescrever os capítulos fundamentais da personalidade.O homem, indepe...
CAPÍTULO 2A METODOLOGIA E OS PROCEDIMENTOS USADOSNA CONSTRUÇÃO DA TEORIA DA INTELIGÊNCIAMULTIFOCALO AUTORITARISMO DAS IDÉI...
presentes nos transtornos depressivos, mas essasenciclopédias serão apenas um corpo de conhecimento quedefinem, através da...
as ciências evoluem? Por que a cada dez anos grandesverdades científicas se tornam grandes enganos? Um dosgrandes motivos ...
autoritarismo das idéias vivenciam dentro de si mesmos o"auto-autoritarismo", punem a si mesmos, encerram-sedentro de um c...
conhecimento, como o próprio nome expressa, é uma teoriaabrangente, que inclui diversas teorias que se inter-relacionam no...
que participam da construção da inteligência humana; porisso ela é chamada de inteligência multifocal.Muitas perguntas imp...
pensadores em qualquer área da ciência e em qualquer áreada sociedade, incluindo a política e a economia. Essesassuntos ta...
O levantamento bibliográfico, contido rio final dostextos, foi feito depois que a teoria que eu desenvolvia estavaelaborad...
Mesclagem entre a liberdade da produção do conhecimentocom a reciclagem crítica e contínua da mesma. 5. Mesclagementre a a...
Os três grandes inimigos de um pensador são: asdificuldades de expandir a arte da pergunta e da crítica, adificuldade de c...
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal

1,393 views

Published on

0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
1,393
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Augusto jorge cury_-_inteligência_multifocal

  1. 1. APELO IMPORTANTEPara você que disponibiliza o fruto do nossotrabalho em seu site, blog, etc.:Seja uma pessoa honesta e NÃO RETIRE oscréditos de quem teve o trabalho de digitalizar edistribuir esta obra!Nós não vamos tomar nenhuma atitude contravocê, mas Deus está vendo!Digitalizado por SusanaCapwww.semeadores.netNossos e-books são disponibilizados gratuitamente, coma ú osnica finalidade de oferecer leitura edificante a todaqueles que não tem s econômicas paracondiçõecomprar.Se você é financeiramente privilegiado, então utilizenos oeso acervo apenas para avaliação, e, se gostar, abençautores, editoras e livrarias, adquirindo os livros.Semeadores da Palavra e-books evangélicos
  2. 2. Dr. Augusto Jorge CuryIINNTTEELLIIGGÊÊNNCCIIAA MMUULLTTIIFFOOCCAALLAnálise da Construção dos Pensamentos e da Formaçãode Pensadores(8aedição, revista e ampliada)EDITORA CULTRIXSão Paulo
  3. 3. Copyright © 1998 Dr. Augusto Jorge Cury.Dados Internacionais de Catalogação na Publicação(CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)Cury, Augusto Jorge, 1958- .Inteligência multifocal: análise da construção dos pensamentos e daformação de pensadores/ Augusto Jorge Cury. — 8. ed. rev. — SãoPaulo : Cultrix, 2006.Bibliografia.ISBN 85-316-0159-21. Conhecimento — Teoria 2. Inteligência 3. Memória 4. PensamentoI. Titulo.Índices para catálogo sistemático: 1. Inteligência multifocal:PsicologiaDireitos reservadosEDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA.Rua Dr. Mário Vicente, 368 – 04270-000 - São Paulo, SPFone: 6166-9000 - Fax: 6166-9008E-mail: pensamento@cultrix.com.brhttp://vww.pensamento-cultrix.com.brO livro impresso tem 335 páginas.
  4. 4. CONTRACAPA:"Espero que este livro possa tanto expandir o mundodas idéias na Ciência como estimular a formação depensadores, de engenheiros de idéias, de poetas daexistência, de pessoas que consideram a procura damaturidade da inteligência e a conquista da sabedoria comotesouros de inestimável valor."* * *Há livros que nos inspiram, que nos emocionam, masque não modificam a nossa história pessoal. Mas há algunsque revolucionam a ciência, estilhaçam os paradigmasintelectuais e modificam para sempre a nossa maneira depensar o mundo a nós mesmos.Inteligência Multifocal enquadra-se nesta últimacategoria. Seu autor, o dr. Augusto Jorge Cury, é umcientista teórico, pensador humanista da Psicologia e da -Filosofia, psiquiatra, psicoterapeuta e consultor deuniversidades para o desenvolvimento da inteligênciamultifocal. Suasx idéias são originais, profundas, eloqüentese críticas. Unindo a Psicologia com a Filosofia, ele abre asjanelas da nossa inteligência, estimula-nos a desenvolver aarte de pensar e desvenda-nos o complexo funcionamento damente humana.Atualmente, as teorias de maior impacto que enfatizama área do desenvolvimento da inteligência são a de DanielGoleman, com a Inteligência Emocional, e a teoria dasInteligências Múltiplas, de Howard Gardner.Levando em conta o fato de que todos os processos deconstrução da inteligência são multifocais, a teoria proposta
  5. 5. pelo dr. Cury tem sobre essas duas teorias e sobre todas asoutras a vantagem de ser muito mais abrangente, poisenvolve toda produção intelectual, histórica, cultural,emocional e social criada na trajetória da existência humana.Inteligência Multifocal traz uma nova, original erevolucionária teoria que, além de ampliar os horizontes daPsicologia, da Filosofia, da Psiquiatria e da Educação, mudanossos paradigmas e estimula a formação do homem comopensador e engenheiro de idéias.PRIMEIRA ABA:Algumas particularidades que fazem de InteligênciaMultifocal um livro instigante:- O livro traz a primeira teoria ampla sobre ofuncionamento da mente humana criada por um cientistabrasileiro e uma das poucas produzidas em termos mundiais.- A primeira teoria científica a afirmar que não apenas oeu faz a leitura da mémoria, mas que há três outrosfenômenos nos bastidores inconscientes da mente humanaque também lêem a memória e constroem cadeias depensamentos sem a autorização do eu.- A primeira teoria a estudar o fluxo vital da energiapsíquica, que é o princípio dos princípios que regem oprocesso de formação da personalidade. Esse princípioincorpora o princípio do prazer, de Freud, do self criador, deJung, da busca de proteção e segurança, de Erich Fromm, dabusca de sentido existencial, de Viktor Frankl, etc.- A primeira teoria a estudar e defender a tese de quepensar é mais do que uma opção do homo sapiens. Pensar éo seu destino inevitável, evidenciando que é impossívelinterromper o processo de construção de pensamentos.- Uma das poucas teorias que não apenas produzemconhecimento psicológico, mas também descrevem os
  6. 6. procedimentos utilizados no seu processo de construção, taiscomo a arte da observação, a análise multifocal, a arte dapergunta, a arte da dúvida, a arte da crítica, a busca doprocesso de descontaminação itnerpretativa, etc.- A primeira teoria a descrever duas graves doençaspsicossociais da modernidade: a síndrome da exteriorizaçãoexistencial, caracterizada pela incapacidade de seinteriorizar, repensar, reorganizar, etc., e o mal do logosestéril, caracterizado pela incorporação do conhecimento semdeleite, sem desafio, sem crítica, sem conhecer seu processode construção, sem compromisso social, etc.SEGUNDA ABA:Ao se ler o livro Inteligência Multifocal compreenderemosque, para explicar certas aberrações do comportamentohumano, como a violação dos direitos humanos, bem comotantas outras formas de autoritarismo que ocorrem emambientes que estão acima da auspeição de qualquer tipo deviolência — tais como nas universidades, no sistema político,nos consultórios de psicoterapia, nos sistemas de discipuladocientífico —, é necessário conhecer as origens da inteligênciahumana, o nascedouro das idéias, os limites e alcance dospensamentos. Este livro ampliará os horizontes da Psicologia,da Filosofia, da Neurociência e da Educação e faz críticassérias ao processo educacional, que tem gerado uma crise deformação de pensadores que estenderá por todoo século XXI.Seu autor, o dr. Augusto Jorge Cury, escreveupacientemente, durante 17 anos, milhares de páginas paradelas extrair o texto deste livro. Ele provoca a nossainteligência e leva-nos a fazer uma das mais ricas viagensintelectuais que alguém possa empreeender: uma viagempara dentro de nós mesmos, para os complexos bastidores damente humana.
  7. 7. Revela-nos que uma pessoa multifocamente inteligentedesenvolve a arte de ouvir, a arte da dúvida, a arte da crítica,a arte de pensar antes de reagir, a arte de expor, e não deimpor as idéias, e, além disso, trabalha com maturidade suasdores e perdas, transformando seus problemas em desafios,destilando sabedoria dos seus erros, aprendendo a se colocarno lugar do outro e a perceber suas dores e necessidadespsicossociais, além de valorizar a cidadania, o humanismo ea democracia das idéias.(final da aba)* * *Ofereço esta obra a todos aqueles que desejam sercaminhantes na trajetória do seu próprio ser, àqueles que,mais do que usar o pensamento, desejam investigar aconstrução do pensamento e se tornar pensadoreshumanistas.
  8. 8. SUMÁRIOPrefácio........................................................................................................... 10Minha Trajetória de Pesquisa: Princípios da Formação de Pensadores 13A Metodologia e os Procedimentos Usados na Construção da Teoria daInteligência Multifocal ................................................................................. 47A Memória e os Três Tipos de Pensamentos............................................ 93Os Três Mordomos da Mente Educando e Formando Silenciosamente o"Eu" ............................................................................................................... 132O Fenômeno da Autochecagem: O Gatilho da Memória...................... 142O Fenômeno do Autofluxo da Energia Psíquica e a Ansiedade Vital. 151A Âncora da Memória................................................................................ 178O Gerenciamento do Eu e a Práxis dos Pensamentos ........................... 189A Comunicação Social Mediada, as Etapas do Processo deInterpretação e o Fenômeno da Psicoadaptação .................................... 219A Crise da Psicologia e da Psiquiatria ..................................................... 247Há um Mundo a Ser Descoberto nos Bastidores da Mente .................. 275O Processo de Interpretação e a Evolução Psicossocial......................... 309O Conceito de Cidadania, Humanismo e Democracia das Idéias....... 343A Reorganização do Caos da Energia Psíquica...................................... 365As Possibilidades Infinitas da Construção dos Pensamentos: A CiênciaEmergindo do Caos.................................................................................... 387Algumas Aplicações da Teoria da Inteligência Multifocal................... 399A Inteligência Multifocal: Academia de Formação de Pensadores ..... 426Glossário ...................................................................................................... 445Notas Bibliográficas.................................................................................... 453
  9. 9. PREFÁCIOHá um mundo a ser descoberto nos bastidores da mentehumana; um mundo rico, sofisticado e interessante; ummundo além da massificação da cultura, do consumismo, dacotação do dólar, da tecnologia, da moda, do estereótipo daestética. Procurar conhecer este mundo é uma aventuraindescritível.A jornada mais interessante que um homem pode fazernão é a que ele faz quando viaja pelo espaço ou quandonavega pela Internet. Não! A viagem mais interessante é aque ele empreende quando se interioriza, caminha pelasavenidas do seu próprio ser e procura as origens da suainteligência e os fenômenos que realizam o espetáculo daconstrução de pensamentos e da "usina das emoções".A espécie humana está no topo da inteligência demilhões de espécies na natureza. Imagine como deve sercomplexa a atuação dos fenômenos psíquicos responsáveispela nossa capacidade de amar, de chorar, de sentir medo, deter esperança, de antecipar situações do futuro, de resgatarexperiências passadas. Investigar as origens e os limites dainteligência não é um dever, mas um direito fundamental dohomem.Este livro objetiva conduzir o leitor a caminhar paradentro de si mesmo e expandir o mundo das idéias sobre amente humana, a construção de pensamentos e a formaçãode pensadores. Quando realizamos essa jornada intelectual,nunca mais somos os mesmos, pois começamos a repensar ereciclar nossas posturas intelectuais, nossas verdades,nossos paradigmas socioculturais, nossos preconceitosexistenciais. Passamos a compreender o homem numaperspectiva humanística: psicológica, filosófica e sociológica.Nossa visão sobre os direitos humanos sofre uma revoluçãointelectual, pois começamos a compreender e a apreciar ateoria da igualdade a partir da construção da inteligência.
  10. 10. Começamos a enxergar que todos os seres humanospossuem a mesma dignidade intelectual, pois mesmo umafricano, vivendo em dramática miséria, possui a mesmacomplexidade nos processos de construção da inteligênciaque os intelectuais mais brilhantes das universidades.Somos diferentes? Sim, o material genético apresentadiferenças em cada ser humano; o ambiente social,econômico e cultural também apresenta inúmeras variáveisna história de cada um. Porém, todas essas diferenças estãona ponta do grande iceberg da inteligência. Na imensa basedesse iceberg somos mais iguais do que imaginamos. Todospenetramos com indescritível habilidade na memória eresgatamos com extremo acerto, em frações de segundos eem meio a bilhões de opções, as informações que constituirãoas cadeias dos pensamentos.Construir idéias, pensamentos, inferências, sínteses,resgates de experiências passadas, são atividadessofisticadíssimas da inteligência. Se não fôssemos serespensantes não teríamos a "consciência existencial": a cons-ciência de que existimos e de que o mundo existe. Nãopoderíamos amar, desconfiar, nos alegrar, conferir, ter medo,sonhar, pois tudo o que fizéssemos seria apenas reaçõesinstintivas e não frutos da vontade consciente. Ter umaconsciência nos faz, embora fisicamente pequenos, distintosde todo o universo. Sem a consciência, que é o fruto maisespetacular da construção de pensamentos, nós e o universointeiro seríamos a mesma coisa.Demorei muitos anos para redigir estes textos. Issoocorreu porque eles não abordam um assunto científicocomum, mas desenvolvem uma nova e original teoria sobre ofuncionamento da mente humana e o processo de construçãoda inteligência. Uma teoria é uma fonte de pesquisas. Umateoria bem elaborada abre as janelas da mente daqueles quea utilizam, expandindo, assim, os horizontes da ciência.Estamos, agora, numa nova edição. Os textos daprimeira edição foram reorganizados e novas idéias foram
  11. 11. acrescentadas. Alguns capítulos centrais do livro forammudados de posição, passando para o início, para que osleitores tomem, logo nos primeiros capítulos, contato com osfenômenos que constituem o cerne da teoria. Encorajo osleitores a utilizarem constantemente o glossário para sefamiliarizarem com os termos.Vivemos num mundo onde o pensamento estámassificado, o consumismo se tornou uma droga coletiva, aparanóia da estética controla o comportamento, as cotaçõesdo dólar e das ações nas bolsas de valores ocupamexcessivamente o palco de nossa mente. Um mundo onde aspessoas buscam o prazer imediato, têm pouco interesse emrepensar sua maneira de ver a vida e reagir ao mundo eprincipalmente em investigar os mistérios que norteiam a suacapacidade de pensar.Espero que este livro provoque uma pausa na vida dosleitores, que os estimule a se interiorizarem. Desejo que elecontribua não apenas para expandir o mundo das idéias napsicologia e na filosofia e se tornar fonte de pesquisa nasciências, mas também possa funcionar como estimulador daformação de pensadores humanistas, de engenheiros deidéias, de poetas existenciais, de pessoas que consideram aprocura da maturidade da inteligência e a conquista dasabedoria existencial tesouros intelectuais de inestimávelvalor.
  12. 12. CAPÍTULO 1MINHA TRAJETÓRIA DE PESQUISA: PRINCÍPIOSDA FORMAÇÃO DE PENSADORESO HOMEM MODERNO E A CRISE DE INTERIORIZAÇÃOUma das mais importantes explorações do homem, senão a maior delas, é a exploração de si mesmo, do seupróprio mundo intrapsíquico. Aprender a se interiorizar; acriar raízes mais profundas dentro de si mesmo; a explorar ahistória intrapsíquica arquivada na memória; a questionar osparadigmas socioculturais; a trabalhar com maturidade asdores, perdas e frustrações psicossociais; aprender adesenvolver consciência crítica, a conhecer os processosbásicos que constroem os pensamentos e que constituem aconsciência existencial são direitos fundamentais do homem.Porém, freqüentemente, esses direitos são exercidos comsuperficialidade na trajetória da vida humana. Um dosprincipais motivos do aborto desses direitos é que o homemmoderno tem vivido uma dramática crise de interiorização.O ser humano, como complexo ser pensante, é umexímio explorador. Ele explora, ainda>que sem a consciênciaexploratória, até mesmo o meio ambiente intra-uterino,através dos malabarismos fetais e da deglutição do líquidoamniótico. E, ao nascer, em toda a sua trajetória existencial,explora o mundo que o envolve, o rico pool de estímulossensoriais e interpreta-os.Pelo fato de experimentar, desde sua mais tenra históriaexistencial, os estímulos sensoriais que esquadrinham aarquitetura do mundo extra-psíquico, o homem tem atendência natural de desenvolver uma trajetória exploratóriaexteriorizante. Nessa trajetória, ele se torna cada vez mais
  13. 13. íntimo do mundo em que está, o extrapsíquico, mas, aomesmo tempo, torna-se um estranho para si mesmo.O homem moderno, em detrimento dos avanços daciência e da tecnicidade, vive a mais angustiante e paradoxalde todas as solidões psicossociais, expressa pelo abandonode si mesmo na trajetória existencial. A pior solidão é aquelaem que nós mesmos nos abandonamos, e não aquela em quenos sentimos abandonados pelo mundo. É possível nosabandonarmos na trajetória existencial? Veremos que sim.Quando o homem não se repensa, não se questiona, não serecicla, não se reorganiza, ele abandona a si mesmo, pois nãose interioriza, ainda que tenha cultura e múltiplas atividadessociais.Os livros de auto-ajuda, embora não tenham grandeprofundidade intelectual, são procurados com desespero nassociedades atuais, como tentativa de superar, ainda queineficientemente, a grave crise de interiorização que satura aspessoas. O homem que não se interioriza é algoz de si mes-mo, sofre de uma solidão intransponível e incurável, aindaque viva em multidões."O homem que não se interioriza dança a valsa da vidaengessado intelectualmente." Sua flexibilidade intelectual ficaprofundamente reduzida para solucionar seus conflitospsicossociais, superar suas contrariedades, frustrações eperdas.E mais fácil explorar os fenômenos do mundo que nosenvolve do que aprender a nos interiorizar e ser caminhantesna trajetória de nosso próprio ser e explorar os fenômenoscontidos em nosso mundo intrapsíquico. É mais fácil econfortável explorar os estímulos extrapsíquicos, quesensibilizam nosso sistema sensorial, do que explorar ossofisticados processos de construção dos pensamentos, onascedouro e desenvolvimento das idéias, a organização daconsciência existencial, as causas psicodinâmicas ehistórico-existenciais de nossas misérias, fragilidades,contradições emocionais, etc.
  14. 14. Mergulhado num processo socioeducacional que seancora na transmissibilidade e no construtivismo doconhecimento exteriorizante, o homem se torna umprofissional que aprende a usar, com determinados níveis deeficiência, o conhecimento como ferramenta ou instrumentode trabalho. Porém, tem grandes dificuldades para usar oconhecimento para desenvolver a inteligência: aprender apercorrer as avenidas da sua própria mente, conhecer oslimites e alcance básicos da construção de pensamentos,regular seu processo de interpretação através da democraciadas idéias e tornar-se um pensador humanista, que trabalhacom dignidade seus erros, dores, perdas e frustrações, eaprende a se colocar no lugar do "outro" e a perceber suasdores e necessidades psicossociais.A SÍNDROME DA EXTERIORIZAÇÃO EXISTENCIALInfelizmente, como veremos, a tendência intelectualnatural do Homo sapiens, desde a aurora da vida fetal até oseu último suspiro existencial, é seguir uma trajetória deconstrução intelectual superficial. Uma trajetóriasocioeducacional em que ele pouco se interioriza, poucoprocura por si mesmo e pouco conhece a si mesmo.Procurar a si mesmo é explorar e produzir conhecimentosobre os processos de construção da inteligência, ou seja,sobre os processos de construção dos pensamentos, suanatureza, cadeias psicodinâmicas, limites, alcance, lógica,práxis, bem como sobre a formação da consciênciaexistencial, da história intrapsíquica arquivada na memória,as bases que sustentam o processo de interpretação e asvariáveis que participam do processo de transformação daenergia emocional.Quem sai do discurso intelectual superficial e procura"velejar" para dentro de si mesmo, e vive a aventura ímpar deexplorar sua própria mente, nunca mais será o mesmo, aindaque fique perturbado num emaranhado de dúvidas sobre o
  15. 15. seu próprio ser. Aliás, ao contrário do que dizem os livros deauto-ajuda, a dúvida é o primeiro degrau da sabedoria.Quem não duvida e critica a si mesmo nunca seposiciona como aprendiz diante da vida e, conseqüentemente,nunca explora com profundidade seu próprio mundointrapsíquico. Quem aprendeu a vivenciar a arte da dúvida eda crítica na sua trajetória existencial se posiciona comoaprendiz diante da vida e, por isso, tem condiçõesintelectuais de repensar seus paradigmas socioculturais eexpandir continuamente suas idéias e maturidadepsicossocial. Todos os pensadores, filósofos, teóricos ecientistas que, de alguma forma, promoveram a ciência, asartes e as idéias humanistas foram, ainda que minimamente,caminhantes nas trajetórias do seu próprio ser e amantes daarte da dúvida e da crítica, enquanto produziam conheci-mento sobre os fenômenos que contemplavam.O homem que aprende a se interiorizar e a criticar suas"verdades", seus dogmas e seus paradigmas socioculturaisestimula a revolução da construção das idéias nos bastidoresclandestinos de sua mente. Assim, sai do superficialismointelectual e, no mínimo, aprende a concluir que os proces-sos de construção da inteligência, dos quais se destacam aprodução das cadeias psicodinâmicas dos pensamentos e aformação da consciência existencial do "eu", sãointrinsecamente mais complexos que uma explicaçãopsicológica e filosófica meramente especulativa e superficial,que chamo de explicacionismo, psicologismo, filosofismo.O homem moderno tem vivenciado, com freqüência, umaimportante síndrome psicossocial doentia, a qual chamo de"síndrome da exteriorização O ser humano, nos dias atuais,freqüentemente só tem coragem de falar de si mesmo quandovai a um psicólogo ou a um psiquiatra. Tem uma necessidadevital de que o mundo gravite em torno de si mesmo. Para ele,doar-se para o outro sem esperar a contrapartida do retornoé um absurdo existencial, um jargão intelectual, um delíriohumanístico. O mundo das idéias dos portadores da
  16. 16. síndrome da exteriorização existencial tem pouco espaço parauma compreensão psicossocial e filosófica da existênciahumana.Aprender a interiorizar-se é uma arte complexa e difícilde ser conseguida no terreno da existência. O homemmoderno tem sido um ávido consumidor de idéias positivistasmisticistas, psicologistas, como se tal consumo cumprisse,por ele, o papel inalienável e intransferível de caminhar nastrajetórias sinuosas do seu próprio ser e de aprender aexpandir sua consciência crítica e maturidade intelecto-emocional.PESQUISANDO E ESCREVENDO COMO UM ENGENHEIRO DEIDÉIASA complexidade da mente, associada às deficiências dodiscurso literário para esquadrinhar os fenômenos eprocessos envolvidos na construtividade de pensamentos, naformação da consciência existencial e na transformação daenergia psíquica, fizeram-me rever, criticar e reescrevercontinuamente os textos deste livro. Por isso, passei mais dedezessete anos de intensa dedicação a escrevê-los, bem comoaos demais textos que compõem o arcabouço teórico daminha produção de conhecimento e que ainda não forampublicados, objetivando que esses textos não sejam efêmerosna ciência, mas que criem raízes e sejam úteis em diversasáreas psicossociais.A maioria das idéias contidas nas frases que escreviforam, dentro das minhas limitações, cuidadosamenteelaboradas para que expressem com um pouco mais dejustiça intelectual alguns fenômenos sofisticados que atuamnos bastidores inconscientes e nos palcos conscientes dainteligência. Por trás de diversas frases se escondemmecanismos psicodinâmicos sofisticados. Seria possívelescrever um estudo à parte sobre algumas delas, o queescapa aos objetivos deste livro. Além disso, um problemaaconteceu inevitavelmente com a fraseologia ou construção
  17. 17. das frases; elas se tornaram freqüentemente longas, devido àcomplexidade das idéias nelas circunscritas, diferente dasfrases jornalísticas, que são curtas, de fácil entendimento,porque encerram normalmente assuntos sem muitacomplexidade.Escrevi este livro não apenas como um escritor, mascomo um engenheiro de idéias... Cada idéia nele contidasofreu uma engenharia dialética. Por isso, até aquelas queestão nos labirintos dos textos e que, às vezes, passamdespercebidas à compreensão, são importantes.Na construção das idéias, tive de me tornarinevitavelmente um "neologista", ou seja, um construtor eempregador de diversas palavras ou expressões novas — nãoexistentes na linguagem científica e coloquial — tais comopsicoadaptação, Homo interpres, fenômeno do "autofluxo", oude palavras antigas com um sentido novo, tais como"autochecagem da memória" e "âncora da memória", pois alinguagem científica e coloquial se mostraram insuficientespara definir, conceituar e discursar teoricamente aconstrução dos fundamentos da inteligência. Além disso, usofreqüentemente o sufixo latino "dade", tais comocircunstancialidade, construtividade, evolutividade, com oobjetivo de romper a condição estática das palavras.Ao usar esse sufixo, quero resgatar o conteúdo filosóficoda palavra, quero que ela expresse a dimensão, a qualidade ea continuidade de um fenômeno ou de um processo (conjuntode fenômenos). Por exemplo, ao escrever "construtividade depensamentos", quero dizer mais do que uma simplesconstrução de pensamentos, mas a essência dessaconstrução, ou seja, um processo de construçãopsicodinamicamente ativo, evolutivo, que experimenta o caospara, em seguida, se reorganizar em novas construções.Quando falo era "circunstancialidades psicossociais" querodizer não apenas algumas circunstâncias particulares, mas aessência e o movimento das circunstâncias psicossociaisvivenciadas no processo existencial. Quando comento a
  18. 18. "evolutividade psicossocial", estou-me referindo a evoluçõesque ocorrem continuamente no processo de construção dopensamento de cada ser humano e que contribuem para aevolução da cultura. Porém, apesar desse zelo teórico, asdeficiências do discurso literário para expressar o processode construção do pensamento e o universo psicossocial comoum todo do homem ainda são grandes.As letras deveriam servir às idéias e não as idéias àsletras e às regras gramaticais, como não poucas vezesacontece. As letras e a gramática deveriam libertar opensamento; ser um canal de veiculação das idéias. Porém,nem sempre as frases e os textos mais compreensíveis sãomais justos para expressar as idéias de um autor, emborafacilitem a vida do leitor. As letras reduzem inevitavelmenteas idéias; os labirintos gramaticais, às vezes, aprisionam ospensamentos. A linguagem tem um grande débito com opensamento, principalmente com o pensamento psicológico efilosófico.Para termos uma idéia da deficiência do discursoliterário para expressar a ciência, basta dizer que os pontosfinais das frases, embora úteis para a compreensão dalinguagem, são uma mentira científica. Na ciência, não hápontos finais. Tudo é uma seqüência interminável de eventosque mutuamente co-interferem. Por isso, não há respostacompleta em ciência e, muito menos, há resposta completana aplicação dos pensamentos procurando examinar suaspróprias origens, seus próprios processos de construção,limites, alcance, práxis, enfim, compreender a própria fonteque os gera. Na ciência, cada resposta é o começo de novasperguntas...O pensamento, quando é aplicado para discursar sobreo mundo extrapsíquico, facilmente ganha altivez; mas, usadopara discursar dialeticamente sobre a própria fonte que oconcebe, ele se abate. Quando o pensamento é utilizado paraesquadrinhar o pré-pensamento e os processos de
  19. 19. construção que se envolvem na sua própria construção, elese perturba diante das suas limitações.A psique (em grego = alma) é constituída de umcomplexo campo de energia psíquica. Nela ocorrem todos osprocessos que constroem as cadeias de pensamentos,transformam a energia psíquica e escrevem os segredos damemória. Investigar os fenômenos que estão na base dainteligência é uma grande empreitada a que todos os quepensam não devem se furtar.MINHA TRAJETÓRIA DE PESQUISAO homem vive um dramático paradoxo exploratório. Elepensa, explora e conhece cada vez mais o mundo que oenvolve, mas pouco pensa sobre seu próprio ser, sobre ariquíssima construção de pensamentos que explode numespetáculo indescritível a cada momento da existência. Ohomem moderno, com as devidas exceções, perdeu o apreçopelo mundo das idéias.Apesar de ter escrito este livro principalmente parapesquisadores, profissionais e estudantes da Psicologia, daPsiquiatria, da Filosofia, da Educação e das demais áreascuja ferramenta fundamental seja o trabalho intelectual, eugostaria que ele também atingisse o leitor que não seconsidera um intelectual nessas áreas. O direito de pensarcom liberdade e consciência crítica é um direito fundamentalde todo ser humano; e este livro objetiva contribuir para essedireito.Aprender a apreciar o mundo das idéias, percorrendo asavenidas da arte da dúvida e da crítica, estimula o processode interiorização, expande a inteligência e contribui para aprevenção da síndrome da exteriorização existencial e dasdoenças psíquicas.Nestes textos, comentarei alguns elementospsicossociais que contribuíram para promover minhatrajetória de pesquisa. Esses dados são bem sintéticos e não
  20. 20. visam ser uma autobiografia. Meu objetivo é fornecer algu-mas informações para evidenciar algumas causaspsicossociais que me fizeram, desde minha época deestudante de Medicina, me apaixonar pelo mundo das idéiase, ao mesmo tempo, criticar diversas convenções existentesna Psicologia e na Psiquiatria e evidenciar a crise deformação de pensadores.Este texto objetiva também dar um "rosto histórico" àminha produção de conhecimento, pois creio que o processode produção é tão ou mais importante do que o próprioconhecimento produzido. Um dos maiores erros da educaçãoclássica, que bloqueia a formação de pensadores, foi e temsido o de transmitir o conhecimento pronto, acabado, semevidenciar o seu processo de produção, o seu rosto histórico.No VII Congresso Internacional de Educação * ministreiuma conferência sobre "O funcionamento da mente e aformação de pensadores no terceiro milênio". Na ocasião,comentei que no mundo atual, apesar de termos multiplicadocomo nunca na história as informações, não multiplicamos aformação dos homens que pensam. Estamos na era dainformação e da informatização, mas as funções maisimportantes da inteligência não estão sendo desenvolvidas.Ao que tudo indica, o homem do século XXI será menoscriativo do que o homem do século XX. Há um clima no arque denuncia que os homens do futuro serão mais cultos,mas, ao mesmo tempo, mais frágeis emocionalmente, terãomais informação, contudo serão menos íntimos da sabedoria.A cultura acadêmica não os libertará do cárcereintelectual. Será um homem com mais capacidade derespostas lógicas, mas com menos capacidade de darrespostas para a vida, com menos capacidade de superarseus desafios, de lidar com suas dores e enfrentar ascontradições dá existência. Infelizmente, será um homemcom menos capacidade de proteger a sua emoção nos focos* Realizado no Anhembi, São Paulo, em maio de 2000.
  21. 21. de tensão e com mais possibilidade de se expor a doençaspsíquicas e psicossomáticas. Será um homem livre por fora,mas prisioneiro no território da emoção.O sistema educacional que se arrasta por séculos,embora possua professores com elevada dignidade, possuiteorias que não compreendem muito nem o funcionamentomultifocal da mente humana nem o processo de construçãodos pensamentos. Por isso, enfileira os alunos nas salas deaula e os transforma em espectadores passivos doconhecimento e não em agentes do processo educacional.Nos primeiros dois capítulos, fornecerei algunsprincípios psicológicos e filosóficos relevantes para odesenvolvimento da arte de pensar. Posteriormente, docapítulo terceiro ao nono, entrarei no cerne da teoria daconstrução da inteligência. A partir do décimo capítuloretomo o processo.de formação de pensadores e aplico alguns elementos dateoria neste processo.ALGUMAS CONVENÇÕES: A MENTE HUMANA, AINTELIGÊNCIA E A PERSONALIDADEUsarei o termo "mente" como o ambiente onde seprocessam as faculdades intelectuais, onde se desenvolve ainteligência. A mente humana possui, nestes textos, algunstermos equivalentes: a psique, a alma ou campo de energiapsíquica.A inteligência é um conjunto de estruturaspsicodinâmicas derivadas do amplo funcionamento da mente.E a capacidade de pensar, se emocionar, ter consciência. Elaé constituída de quatro grandes processos, tais comoconstrução de pensamentos, transformação da energiaemocional, formação da consciência existencial (quem sou,como estou, onde estou) e formação da história existencialarquivada na memória.
  22. 22. Este livro trata muito mais da construção da inteligênciado que das suas funções. Todo ser humano constrói umainteligência, mas nem todos desenvolvem qualitativamente asfunções mais importantes, tais como pensar antes de reagir,expor e não impor as idéias, gerenciar os pensamentos,resgatar a liderança do eu nos focos de tensão, filtrarestímulos estressantes.A inteligência e a personalidade representam, aqui,termos equivalentes. Todos os dias esses processos deconstrução da inteligência estão em atividade. Portanto, ainteligência ou a personalidade não pára de evoluir, emboraseu ritmo de evolução possa diminuir na vida adulta.Quando as pessoas dizem que alguém é pouco ou muitointeligente ou que possui uma boa ou má característica depersonalidade, elas estão na realidade apenas se referindo amanifestação exterior das funções da inteligência ou dapersonalidade e não sobre sua construção. Elas não têmconsciência dos surpreendentes dos fenômenos e dosprocessos que produzem o homem como ser inteligente.Outra convenção importante está relacionada ao "eu".Aqui, o "eu" ou o "self" não é um termo vago conceitualmente.Ele se refere a "consciência de si mesmo", a consciência deque existimos e que possuímos uma "identidade" única eexclusiva, a consciência de que pensamos e que podemosadministrar os pensamentos e as emoções. O adequado seriachamarmos o "eu" de a "consciência do eu" ou "a vontadeconsciente do eu", porque ele está relacionado aos amplosaspectos da consciência e da vontade humana, mas porquestões literárias o chamarei apenas de "eu".O grande desafio do "eu" é gerenciar os processos deconstrução da inteligência, expandindo as suas funções maisimportantes. Contudo, estudaremos que o homem tem umgrande problema universal. Ele tem facilidade de ser líder nomundo que o cerca, mas tem enorme dificuldade de ser líderno mundo psíquico, de controlar o funcionamento da suaprópria mente.
  23. 23. A SEDE DE CONHECIMENTO. RESPIRANDO A PESQUISAEMPÍRICATodo cientista que não seja estéril é um aventureiro nastrajetórias do desconhecido, um aprendiz contumaz noprocesso existencial, um rebelde das convenções doconhecimento.Na minha trajetória de pesquisa, o fascínio pelaexploração dos processos de construção da inteligência e aopção por produzir uma teoria totalmente original meestimularam a desenvolver e utilizar procedimentos depesquisa que expandiram meu processo de observação,interpretação e produção de conhecimento.Os procedimentos que usei na pesquisa, tais como a"tríade de arte da pesquisa"(arte da pergunta, arte da dúvidae arte da crítica), a análise multifocal das variáveis queparticipam da construção dos pensamentos, levaram meuprocesso de observação, seleção e interpretação dos dados anão ser unidirecional, visando um tipo específico decomportamento produzido por um tipo específico de pessoa,proveniente da mesma faixa etária e condiçõessocioeconômicas semelhantes, mas multidirecional. Eleslevaram a explorar o máximo possível das variáveis presentesem cada comportamento observado. Procurava descobrir atéas variáveis que estavam presentes nas entrelinhas dospensamentos e no tom e na velocidade de voz das pessoasque me rodeavam.Devido à abrangência e complexidade do projeto depesquisa sobre os quatro grandes processos de construçãoda inteligência, todas as pessoas que me eram próximas setornavam alvos das minhas observações e interpretações,pois eu precisava de dados com as mesmas dimensões deabrangência. Mesmo as mínimas reações da minha mente se
  24. 24. tornavam um material precioso para observações einterpretações.Em qualquer ambiente, nos corredores da faculdade deMedicina, nas salas de aula, no leito dos pacientes, nosambientes sociais, nas ruas e, posteriormente, nos anos emque exercia a Psicoterapia e a Psiquiatria, nos cursos queministrava etc, eu observava contínua e prazerosamente ocomportamento das pessoas. Tinha sede de conhecimento,vivia como se respirasse a investigação da personalidade, dainteligência, da mente humana.Uma revolução intelectual foi provocada no cerne daminha alma. Não podia contê-la. Quando começamos a nosinteriorizar e a rever nossa maneira de pensar e nossosparadigmas socioculturais nunca mais somos os mesmos...Por isso, procurava ser não apenas um profissional quetrabalhava com a personalidade, mas um engenheiro deidéias, alguém que valorizava e construía idéias mesmodiante dos pequenos e desprezíveis detalhes docomportamento. Percebi paulatinamente que na mente ocorreum conjunto de processos de construção da inteligência, taiscomo o processo de construção dos pensamentos, daformação da consciência existencial, da formação da históriaintrapsíquica e da transformação da energia emocional emotivacional.Comecei a desejar produzir não apenas umconhecimento psicológico qualquer, mas uma teoria sobre osprocessos de construção presentes no campo de energiapsíquica, embora esse desejo fosse uma empreitada ousada ecrítica das convenções do conhecimento.Lembro-me de que o desejo de produzir uma teoriaoriginal sobre os processos de construção da inteligênciaestava me dominando tanto, que, antes de me casar, há maisde 16 anos, chamei minha futura esposa de lado, quetambém era estudante de Medicina, e lhe disse que se elaquisesse se casar comigo, teria que saber que grande partedo meu tempo seria dedicada à pesquisa e à escrita. Na
  25. 25. época, como estava no começo de minhas pesquisas, eu nãoconseguia explicar a ela o conteúdo das minhas idéias, meusobjetivos e os resultados que poderia alcançar. Nem a mimmesmo eu conseguia dar essas explicações. Parecia que euestava numa sinuosa e estimulante aventura. Só sabia quenão conseguia conter a revolução das idéias que se operavadentro de mim. Por isso, quanto mais falava a ela, mais adeixava confusa.Ela considerava tudo aquilo estranho, pois ia se casarcom um médico e sabia que um médico deveria estudardoenças neurológicas, psiquiátricas, psicossomáticas etc,mas nunca tinha ouvido falar que um médico tivessepreocupação em pesquisar os mistérios do funcionamento damente humana. Não entendia que o meu objetivo principalnão era exercer a Psiquiatria e a Psicoterapia, mas ser um"filósofo da Psicologia", um teórico, um produtor de ciência.Ela entendia menos ainda e se sentia insegura quando eu lhedizia que estava sendo um crítico de diversas convenções doconhecimento na Psicologia, que minha produção deconhecimento era original e que demoraria muito tempo paraque ela fosse absorvida nos centros de pesquisas.Ela pensava que eu estava vivendo uma "febre" científicae acreditava que essa febre seria passageira. Por fim,felizmente, ela se casou comigo. Passados mais de 17 anos,desde quando iniciei minha trajetória de pesquisaESTIMULANDO A PESQUISA: OS FATORES PSICOSSOCIAIS EA DOR DA DEPRESSÃOA sede de conhecimento e o desejo de "respirar" apesquisa científica não foram estimulados pelos meusprofessores de Psicologia, Psiquiatria e Sociologia nafaculdade de Medicina, nem por qualquer pessoa com quemconvivi.O embrião dessa sede surgiu, talvez, por viver num paíscom imensas desigualdades sociais, mas que, ao mesmo
  26. 26. tempo, possui um rico caldeirão de raças, de cultura e deafetividade e por ser filho de imigrantes de origemmultirracial, árabe, espanhol e ítalo-judia. Há dúvida quantoà minha origem ítalo-judia, pois há possibilidade de quemeus antepassados tenham sido judeus que fugiram para aItália e da Itália migraram para o Brasil.Meu desejo ardente de pesquisar e de conhecer a mentehumana também surgiu por ter vivido uma infância ricaafetivamente e próxima interpessoalmente, pois dormíamosem oito pessoas, meus pais e seis filhos, num pequenoquarto de não mais do que 15 metros quadrados. Apesar deesses fatores psicossociais terem sido o embrião do meuprocesso de interiorização, creio que o fator mais importanteque impulsionou minha trajetória de pesquisa foi uma crisede depressão por que passei. Há mais de dezessete anos, vivisilenciosamente, por cerca de dois meses, um intenso invernoemocional, a dor indescritível da depressão. A tentativadesesperadora de superar esse intenso inverno emocional meestimulou a me interiorizar.O humor deprimido, a ansiedade, a perda de energiabiopsíquica, a insônia, a perda do sentido existencial, ospensamentos de conteúdo negativo, os pensamentosantecipatórios, associados a outros sintomas tornaram-se ocenário da minha depressão. Não vou entrar em detalhessobre este período existencial nem sobre as causas da minhadepressão, pois não é esse o objetivo deste livro. Porém,quero dizer que minha crise depressiva se tornou uma dasmais belas e importantes ferramentas para me interiorizar eme estimular a procurar as origens dos meus pensamentosde conteúdo negativo e as origens da transformação daminha energia emocional depressiva.Em síntese, a dor da depressão, que considero o últimoestágio da dor humana, me conduziu a ser um pensador daPsicologia e da Filosofia. Ela me levou não apenas a repensarminha trajetória existencial e expandir a minha maneira dever a vida e reagir ao mundo, mas também me estimulou a
  27. 27. iniciar uma pesquisa sobre o funcionamento da mente, anatureza dos pensamentos e os processos de construção dainteligência. O processo de interiorização foi uma tentativadesesperadora de tentar me explicar e de superar minhamiséria emocional.Para muitos, a dor é um fator de destruição; paraoutros, ela destila sabedoria, é um fator de crescimento.Ninguém que deseja conquistar maturidade em suainteligência, adquirir sabedoria intelectual e tornar-se umpensador e um poeta da existência pode se furtar de usarsuas dores, perdas e frustrações que, às vezes, sãoimprevisíveis e inevitáveis, como alicerces de crescimentohumano.Procurei, apesar de todas as minhas limitações,investigar, analisar e criticar empiricamente os fundamentosdos postulados biológicos da depressão, a psicodinâmica daconstrução dos pensamentos de conteúdo negativo, osprocessos da transformação da energia emocional depressivaetc. Esse caminho, no começo, foi um salto no escuro daminha mente, um mergulho no caos intelectual, quedesmoronou os conceitos e paradigmas de vida. Essemergulho interior me ajudou a reorganizar o caos emocional,a dor da minha alma. Contudo, no início, me envolvi maisnum caldeirão de dúvidas do que de soluções. Porém, foi umbom começo.O caos emocional da depressão, se bem trabalhado, nãoé um fim em si mesmo, mas um precioso estágio em que seexpandem os horizontes da vida. Eu nunca havia percebidoque, embora produzisse muitas idéias, conhecia muito poucoo mundo das idéias, a construção dos pensamentos e oprocesso de transformação da energia emocional.Muitos psiquiatras não têm idéia da dramaticidade dador da depressão e das dificuldades de gerenciamento dospensamentos negativos que a promovem. Entretanto, o eupode administrá-los e, conseqüentemente, resolvê-la.Costumo dizer que se o eu der as costas para a depressão e
  28. 28. para os mecanismos subjacentes que a envolvem, ela setorna um monstro insuperável, mas se a enfrentarmos comcrítica e inteligência, ela se torna uma doença fácil de sersuperada. No capítulo sobre o gerenciamento do eu esteassunto ficará claro.Meu inverno emocional gerou uma bela primavera devida, pois estimulou-me a sair da superfície intelectual, dacondição de ser um passante existencial, de alguém quepassa pela vida e não cria raízes dentro de si mesmo, paraalguém que conseguiu se encantar com o espetáculo da cons-trução de pensamentos.Não há gigantes no território da emoção. Todospassamos por períodos dolorosos. Ninguém conseguecontrolar todas as variáveis dentro e fora de si. Por isso, avida humana é sinuosa, turbulenta e bela. A sabedoria deum homem não está em não errar, chorar, se angustiar e sefragilizar, mas em usar seu sofrimento como alicerce de suamaturidade.PESQUISANDO COM CRITÉRIO PARA EXPANDIR O MUNDODAS IDÉIASCada ser humano é um mundo complexo e sofisticado aser descoberto. Apesar da frustração que possamos ter com odeclínio do humanismo, com a epidemia psicossocial dasíndrome da exteriorização existencial, com as multiformespráticas discriminatórias e com a baixa capacidade detrabalhar dores, perdas e frustrações que acometem muitosconsócios das sociedades modernas, quando procuramoscontemplar e compreender o espetáculo da construção dospensamentos, não podemos deixar de nos encantar com aobra-prima da mente humana.A medida que eu procurava investigar os processos deconstrução que ocorriam na minha mente, comecei também,pouco a pouco, a me transportar para investigar o universosocial. Observar o homem, procurar indagar sobre os
  29. 29. fenômenos intrapsíquicos que produziam seus comportamen-tos me fascinavam.A ousadia em querer investigar o funcionamento damente e a descoberta da arte da pergunta, da arte da dúvidae da arte da crítica me faziam tão crítico, que, ainda nostempos de faculdade, por diversas vezes, eu formulava demaneira diferente o conhecimento de Psicologia, dePsiquiatria e de Sociologia que me ensinavam. Esseprocedimento não derivava da falta de cultura dos meusprofessores; pelo contrário, eu os considerava cultos. Oproblema era que a "tríade de arte da pesquisa" que eu usavapara analisar o que me ensinavam me impedia de ser umespectador passivo do conhecimento.Durante meu curso de Medicina, comeceisilenciosamente minha trajetória de pesquisa e a apreciar ofuncionamento da mente; por isso no final desse curso euhavia escrito diversos cadernos sobre minhas observações eanálises. Nesse período eu já começava a ter algumas críticascontra a rigidez do sistema acadêmico.Essas críticas aumentaram, ao longo dos anos, à medidaque fui produzindo conhecimento sobre a construção dospensamentos, os limites e a lógica do conhecimento, oslimites das teorias, as relações entre a verdade científica e averdade essencial, o autoritarismo das idéias.Comentarei, sucintamente, uma experiência que passeipor me contrapor às regras do sistema acadêmico e que,apesar de ter me angustiado, me estimulou a arte de pensar.Lembro-me de que, há cerca de 16 anos, após ter-meformado em Medicina, procurei ingressar em umaconceituada universidade para fazer pós-graduação. Ao meapresentar, peguei um texto que havia escrito e o acrescenteiem meu curriculum para mostrá-lo à banca examinadoraformada por ilustres professores doutores em Psiquiatria ePsicologia.
  30. 30. Eu acreditava que eles iriam ler algo da minha produçãode conhecimento e, ainda que a criticassem, esperava que,pelo menos, valorizassem minha capacidade de pensar.Pensava até que os examinadores fariam algumas perguntassobre o conhecimento que havia produzido, apesar de estarconsciente de que, na época, ele carecia de profundidade.Porém, mesmo assim, acreditava que eles valorizariam eincentivariam o ímpeto de pesquisar fenômenos tãocomplexos, por isso estava animado com a possibilidade dediscutir algumas das minhas idéias. Porém, para minhafrustração, os membros da banca examinadora pegaramaqueles textos e, com uma postura intelectual autoritária, meperguntaram o que significava aquilo. Respondi em poucaspalavras que se referia a uma pesquisa que eu estavarealizando.Perguntaram-me quem era o orientador e qual era ateoria e a bibliografia usada. Respondi, educadamente, queera uma pesquisa original; por isso não tinha nem orientadornem bibliografia. Senti, pelo semblante dos examinadores,que os incomodei muito, que minhas palavras soaram comoum insulto à inteligência deles. Por isso se negaram aanalisar minha produção de conhecimento. Eles estavam tãoenclausurados dentro dos muros da sua universidade, queparecia uma heresia alguém produzir uma pesquisatotalmente nova sobre o funcionamento da mente.Eles usavam a ciência, mas desconheciam a história e alógica da ciência. Pareciam ser os senhores da verdade,embora provavelmente não conhecessem a Filosofia daverdade, as complexas relações entre a verdade científica e averdade essencial, que serão expostas no capítulo seguinte.Percebi que, no momento em que disse que minha pesquisaera original, eles passaram a me ver como um rebelde aosistema de pesquisa que conheciam. Assim, exercendo oautoritarismo das idéias, pegaram meu texto e, com a maiorindiferença, me devolveram sem sequer manuseá-lo.
  31. 31. Seria mais digno e democrático se eles o lessem e, apóscriticá-lo, me dissessem que eu era um sonhador, queaquelas idéias eram tolas. A dor da crítica acusa a existênciade alguém e abre caminhos para amadurecê-lo, enquanto ador da discriminação anula sua existência. As universidadesestão pouco preparadas para financiar pesquisas abertas queobjetivem a produção de teorias amplas, por isso grandeparte delas foram produzidas fora dos seus muros. Tal é oexemplo da teoria psicanalítica de Freud e da relatividade deEinstein.Após devolverem meu texto, aqueles ilustres professoresme pediram que eu retornasse à minha faculdade deMedicina e procurasse meus professores de Psicologia ePsiquiatria, para que produzisse pesquisa sob a orientaçãodeles. Eles não imaginavam que, embora respeitasse acultura e a inteligência dos meus professores, estava-metornando íntimo da arte da dúvida e da crítica e, por isso,diversas vezes escrevia o conteúdo das aulas de maneiradiferente de como eles me ensinavam.Não imaginavam que eu não conseguia conter meuímpeto independente de pesquisar. Catalogava cadacomportamento das pessoas ao meu redor e cadapensamento que transitava pela minha mente e gastavatempo analisando-os. Meus bolsos viviam cheios deanotações sobre minhas observações e interpretações e eu jáhavia perdido algumas noites de sono pelas inúmerasdúvidas que tinha sobre os fenômenos que atuam nacomplexa construção das cadeias de pensamentos.Hoje, passados tantos anos, os tempos mudaram.Minhas idéias têm sido cada vez mais conhecidas,respeitadas e utilizadas por pesquisadores e profissionais nãoapenas no Brasil, mas em outros países. Tenho proferidodiversas conferências, inclusive em congressosinternacionais. A teoria da inteligência multifocal não apenastem sido aplicada na Psiquiatria e na Psicologia, mas tambémna Educação. Todavia, se no começo de minhas pesquisas
  32. 32. não tivesse vivido uma intensa paixão pelo mundo das idéias,aqueles membros da banca examinadora teriam destruídomeu interesse pela investigação do funcionamento da mente.Ao olhar para o passado, tenho a consciência de que os"invernos" que passei no início das pesquisas produziramminhas raízes intelectuais mais profundas. O fato de teraprendido a ser fiel a minha consciência fez com que osobstáculos temporários que enfrentei se transformassem emalguns dos principais pilares da minha capacidade de pensare de pesquisar. Como estudaremos, esses obstáculos meestimularam a produzir não apenas uma teoria, mastambém, diferente da grande maioria dos cientistas teóricos,criteriosos procedimentos de pesquisas na produção dessateoria.Fico imaginando quantos pensadores ilustres nãotiveram sua produção de conhecimento abortada pelapostura autoritária do sistema acadêmico se impondo como ocentro da produção e da validação do conhecimento e como ocentro exclusivo da produção de intelectuais, de cientistas,de pensadores, de teóricos.Parece paradoxal, mas o sistema acadêmico não apenasforma intelectuais, mas também sufoca pensadores, mesmodentro da sua esfera. Muitos cientistas que estão dentro dasuniversidades sabem disso, pois de alguma forma sofremrestrição na sua liberdade de pensar e de pesquisar.A dor da depressão me estimulou a conhecer o mundodas idéias e a dor da rejeição me incentivou a expandir essemundo com consciência crítica.Se eu não tivesse passado por tais dificuldades nãoteria, provavelmente, produzido uma nova e ampla teoriasobre o processo de construção dos pensamentos comdiversas implicações na ciência.Muitos pensadores foram discriminados, consideradosrebeldes e perturbadores da ordem ao longo da história.Sócrates foi condenado a beber a cicuta, a morrer
  33. 33. envenenado, pelo incômodo que suas idéias causavam naépoca. Porém, ele considerou ser mais digno tomar a cicutado que ser infiel às suas idéias e ter uma dívida impagávelcom sua própria consciência. Giordano Bruno, filósofoitaliano, errou por muitos países, procurando umauniversidade para expor suas idéias, e por isso experimentoudiversos tipos de perseguição e sofrimento, culminando nasua morte. Baruch Spinoza, um dos pais da Filosofiamoderna, foi banido dramaticamente pelos membros de suasinagoga por causa das suas idéias, que chegaram, inclusive,a amaldiçoá-lo, dizendo: "Que ele sej,a maldito durante o dia,e maldito durante a noite; que seja maldito deitado, e malditoao se levantar; maldito ao sair, e maldito ao entrar...".Immanuel Kant foi tratado como um cão pelo incômodo quesuas idéias causavam no clero da época. Voltaire, devido àssuas idéias humanistas, passou por perseguições na suaépoca. A lista de pensadores que foram discriminados ousofreram perseguições é enorme.As universidades, com as devidas exceções,monopolizaram o conhecimento, se fecharam numa redoma,como o clero nos séculos passados. Elas têm uma funçãohumanística, sociopolítica e socioeducacional importantís-sima na sociedade, porém essas funções não têm sidoexercidas adequadamente. Embora possam não conhecer ateoria da democracia das idéias, exposta nos capítulos finais,elas deveriam ser, ao menos, albergues dos seus princípiosuniversais.Hoje é raro encontrar pensadores fora da instituiçãoacadêmica, como ocorreu nos séculos passados.A ARTE DA OBSERVAÇÃO E DA ANÁLISE MULTIFOCALEu vivia a arte da observação e da análise multifocal.Observar a expressão de cada idéia, mesmo das mais débeis,era uma aventura estimulante, pois provocava a minhaambição de conhecer as variáveis que participavam doespetáculo da construção dos pensamentos.
  34. 34. Ficava, como disse, observando, anotando,interpretando e produzindo conhecimento sobre ocomportamento de determinadas pessoas. Ficavaassombrado ao contemplar atenta e embevecidamentepequenos detalhes do comportamento humano. Procuravacompreender os fenômenos que os produziam. Essa atitudeme proporcionava um prazer indescritível, mesmo quando euficava confuso diante de tanta complexidade. Perguntava-mecontinuamente: quais fenômenos estão por detrás dessecomportamento? Como se processou a leitura da memóriapara que se produzisse essa cadeia de pensamento? Por queos pensamentos fluem no palco da mente num processoespontâneo e inevitável?Até um mendigo era para mim uma pessoa complexa,rica intelectualmente e interessante de ser observada eanalisada. Conversei com vários deles. Muitos deles, quandose aproximam uns dos outros, logo estabelecem uma relaçãointerpessoal e trocam diálogos, pois não têm preconceitossocioculturais, não precisam ostentar status ou provarqualquer coisa para estabelecer confiabilidade. A mercadoriade troca interpessoal entre os mendigos é o que eles são enão o que eles têm, diferentemente de grande parte dasrelações nas sociedades modernas. Assim, aprendi que atéentre as pessoas que vivem em condições miseráveis e quesão totalmente desprotegidas socialmente é possível apreciaro espetáculo da construção de pensamentos e contemplarlições existenciais.Uma pessoa psicótica também é uma pessoa que possuium admirável funcionamento da mente, ainda quedesorganizado. Como veremos, na esquizofrenia, o "eu" perdeo controle da leitura da memória e da utilização dosparâmetros psicossociais na construtividade das cadeias dospensamentos, o que gera a produção de delírios ealucinações. Apesar disso, as pessoas portadoras de psicosessão seres humanos altamente complexos e que deveriam servalorizadas, ajudadas e acolhidas.
  35. 35. Pelo fato de começar a procurar, após os primeiros anosde pesquisa, as variáveis da interpretação que estão na basedos processos de construção da inteligência, e de começar aperceber que elas contaminam inevitavelmente o processo deinterpretação, eu adquiria, pouco a pouco, a consciênciacrítica sobre a necessidade de revisão e reorganizaçãocontínua do meu processo de observação, interpretação eprodução de conhecimento. Ficava preocupado com ascontaminações da interpretação ligadas aos referenciaiscontidos na minha história intrapsíquica que poderiampromover uma produção de conhecimento sem fundamento.Nos primeiros anos, eu não tinha uma compreensão tãoclara do processo de interpretação como a descrita na fraseanterior, mas, pouco a pouco, à medida que produziaconhecimento sobre a mente, sobre os procedimentosutilizados na sua investigação e sobre os limites e alcancedos pensamentos, começava a entendê-lo. A arte daformulação de perguntas, da dúvida e da crítica inauguravampouco a pouco minha aurora intelectual.À medida que eu observava cada pessoa, cadapensamento verbalizado e cada expressão facial, formulavasistematicamente inúmeras perguntas sobre cada fenômenoobservado e, ao mesmo tempo, criticava continuamente aprodução de conhecimento que realizava sobre elas,considerando-as, freqüentemente, reducionistas einsuficientes. Por isso, procurava novamente o caosintelectual, agora, não apenas para filtrar algumas conta-minações da interpretação, mas também para expandir aspossibilidades de compreensão e de construção doconhecimento sobre os fenômenos psíquicos. Assim, euexpandia o mundo das idéias e reorganizava minha produçãode conhecimento.Esse processo me custou muitas noites maldormidas oude plena insônia, por causa do turbilhão de dúvidas quevivia. Algumas dúvidas demoravam meses ou anos para
  36. 36. serem resolvidas, ainda que vivesse continuamente a "tríadede arte da pesquisa" e a busca do caos intelectual.Apesar de toda ousadia que desenvolvi, apesar de viver apesquisa psicológica como um grande e contínuo desafiointelectual, como uma aventura indecifrável, eu hesitavaalgumas vezes em continuar a pesquisar e produzirconhecimento, quando percebia que minhas idéias seencontravam num labirinto intelectual sem progressão.Cada fenômeno que estudava, cada variável dainterpretação, cada texto que produzia passava por umprocesso contínuo de montagem e desmontagem intelectual.Assim, eu expandia as possibilidades de construção doconhecimento.OS COMPUTADORES JAMAIS CONSEGUIRÃO TER ACONSCIÊNCIA EXISTENCIALA maioria dos seres humanos elogia as maravilhas datecnologia, mas não conseguem se encantar com oespetáculo da construção de pensamentos que corre napsique humana. Não conseguem compreender que a cons-ciência existencial expressa, por exemplo, pela consciência dasolidão e das dores emocionais, os tornam mais sofisticadosdo que milhões de computadores interligados.Os computadores jamais passarão de escravos deestímulos programados, ainda que incorporem um processode auto-aprendizagem e levem em consideração a "lógicaparaconsistente", ou seja, que admitam contradições dasinformações.1 É cientificamente ingênuo dizer que oscomputadores produzem uma realidade virtual, pois eles nãotêm consciência existencial de si mesmos, eles não existempara si mesmos e, portanto, não têm consciência daorganização das informações que expressam nas telas devídeo.Quando estudarmos a leitura da memória, a construçãodas cadeias de pensamentos e a formação da consciência
  37. 37. existencial do eu, entenderemos que será impossível que umdia os computadores conquistem essa consciência, por isso,eles jamais existirão para si mesmos, jamais conquistarãoconscientemente uma identidade psicossocial, jamaisexperimentarão conflitos, insegurança, ansiedade,tranqüilidade, dor, prazer. Para os computadores, o tudo e onada, o ter e o ser, um segundo e a eternidade, serãoinevitavelmente sempre a mesma coisa.A NECESSIDADE DE NOVOS CIENTISTAS TEÓRICOSA falta do conhecimento sobre os processos deconstrução dos pensamentos, sobre o processo deinterpretação e sobre os limites e o alcance de uma teoriapode conduzir os pesquisadores que procuram defender tesesacadêmicas a fechar as janelas do pensamento.Seria importante que os usuários de uma teoria não autilizassem como se ela incorporasse a verdade essencial,mas como um suporte limitado do processo de observação einterpretação. Seria importante, também, que na ortodoxiada pesquisa acadêmica os pesquisadores fossem estimuladosa fazer uma intentona teórica, um motim intelectual, ou seja,fazer uma revolução contra as convenções do conhecimento eo sistema rígido de pesquisa, capaz de torná-los ousados naprodução de um corpo teórico próprio, uma teoria inovadora,e nem sempre se submeterem às idéias de Freud, Jung,Roger, Moreno, Erich Fromm, Viktor Frankl, Piaget ou defilósofos tais como Kant, Hegel, Marx, Husserl, Heidegger etc.Sem se adotar essa postura... contra as convenções doconhecimento vigente não se produzirão pensadores ecientistas teóricos, não haverá a produção de teoriasoriginais, inovadoras. Uma intentona teórica, alicerçada nosprincípios da democracia das idéias, deveria ser feita comousadia, criatividade, arte da observação, arte da formulaçãode perguntas, arte da dúvida, arte da crítica, análisemultifocal, entre outros procedimentos, uma posturaintelectual que não oferece resistência para reciclar e
  38. 38. reorganizar continuamente todo o conhecimento produzido.Esses procedimentos são fundamentais para romper osparadigmas culturais, o continuísmo das idéias, a mesmicedo conhecimento e, conseqüentemente, para produzircientistas teóricos e pensadores.Esses procedimentos também podem ser aplicados nasartes, nas ciências naturais, na educação, na economia, nodesenvolvimento empresarial, no exercício da profissão liberalpara produzirem pensadores que expandam comoriginalidade o mundo das idéias.Todos os teóricos e pensadores são revolucionários.Aliás, todo cientista é um revolucionário, pois recicla ocontinuísmo das idéias. É claro que grande parte doscientistas, embora não sejam teóricos, utilizam as teorias eprestam um grande serviço à ciência. Porém, a ciênciaprecisa avançar não apenas na utilização das teoriasvigentes, mas também na produção de novas teorias. Asteorias funcionam como fonte de pesquisa e suporte doprocesso de observação, interpretação analítica e produçãode conhecimento.Uma grande teoria pode catalisar a produção de idéias,desde que os que a abraçam não gravitem em torno dela, nãosejam meros retransmissores do conhecimento que elaencerra e não sejam rígidos defensores, incapazes de criticá-la, reciclá-la ou expandi-la. Por isso, prejudicam odesenvolvimento da ciência os que aderem rigidamente a ela.Qualquer usuário de uma teoria que é incapaz de criticá-laserá um mero reprodutor das suas idéias, traindo-ainterpretativamente sem o saber e praticando uma ditaduraintelectual no exercício da sua profissão ou na sua produçãode conhecimento científico. Esse processo é passível deocorrer não apenas nas ciências da cultura, mas também nasciências físicas, biológicas e correlatas.Penso que é raro uma universidade incentivar a"intentona teórica", o "motim intelectual" entre seusestudantes, levando-os à procura de novas possibilidades de
  39. 39. construção e de compreensão do conhecimento, à produçãode novas teorias a partir da busca da desorganização dosconceitos e da arte da formulação de perguntas, da dúvida eda crítica, bem como de outros instrumentos empíricos.O sistema acadêmico é excessivamente organizado,institucionalizado e preocupado com a transmissibilidadeunifocal do conhecimento. Tais atitudes limitam a formaçãode pensadores. As grandes idéias surgiram a partir do caosintelectual. Todos os que contribuíram com a expansão daciência e com as idéias humanistas romperam com osparadigmas intelectuais, vivenciaram micro ou macro motinsintelectuais. Não estou estimulando o caos das idéias, aruptura pela ruptura dos paradigmas intelectuais. Não! Asidéias vigentes devem ser valorizadas, mas também filtradase revisadas. As idéias, mesmo as que são consideradasverdades científicas, não são fins em si mesmas, pois não sãocoincidentes com a verdade essencial, que é inatingível.Produzir ciência não é uma tarefa simples. A falta deconhecimento dos processos de construção dospensamentos, dos limites e do alcance de uma teoria, bemcomo dos sistemas de encadeamentos distorcidos, passíveisde ocorrer no processo de interpretação, faz com que muitostenham o conceito errado de que, para produzir ciência ou setornar um cientista, basta defender uma tese acadêmica.Muitos orientadores das teses sabem que isso é totalmenteinsuficiente. Ao longo dos anos, estudei mais de vintepossibilidades que podem comprometer a produção deconhecimento de uma tese acadêmica e a formação depensadores. Infelizmente, por não ser esse o objetivo destelivro, não as comentarei. Todavia, quando abordar osprocedimentos de pesquisas multifocais, algumas dessaspossibilidades serão evidenciadas.Devemos repensar o processo de formação depensadores antes de pensar na produção da própria ciência.Devemos nos preocupar com a qualidade da inteligência dospensadores. Os procedimentos de pesquisa multifocais que
  40. 40. utilizei, tais como a arte da formulação de perguntas, dadúvida e da crítica, a busca do caos intelectual e os doisinstrumentos empíricos ligados à análise dos processos deconstrução dos pensamentos e das variáveis que atuam naconstrução das cadeias de pensamentos, podem contribuircom essa tarefa intelectual.Nas ciências da cultura, na qual se inclui a Psicologia, aFilosofia, a Educação, a Sociologia etc, não há muitosrecursos financeiros para incentivar a formação depensadores e a expansão das idéias psicossociais, como otêm as ciências naturais, que incluem a Computação, aBiologia, a Química, cujas pesquisas resultam em produtosindustriais. Se o capital é pequeno nas ciências da cultura,deveria haver, então, um processo de compensação, atravésda expansão da qualidade dos pensadores pelo uso de pro-cedimentos que estimulam a plasticidade construtiva e aliberdade criativa do conhecimento. Caso contrário, ocontraste do desenvolvimento entre as ciências naturais e asciências da cultura continuará e aumentará. A Física sabecomo penetrar nas entranhas do átomo e distinguir aspartículas atômicas, tão ocultas aos olhos, e a Psicologiaeducacional não sabe como prevenir eficientemente adiscriminação racial dos negros, tão visível aos olhos, nemcomo prevenir o uso de drogas que acomete milhões dejovens. Se esse contraste se perpetuar, seremos cada vezmais gigantes na tecnologia e anões na prevenção dasdoenças psíquicas, psicossomáticas, psicossociais, bem comona expansão do humanismo, da cidadania e da democraciadas idéias. Nessa situação, o homem do século XXI, quenavegará cada vez mais pelo espaço e pela Internet, teráinfelizmente cada vez mais dificuldade de navegar paradentro de si mesmo, de se interiorizar e de se repensar, desuperar seus estímulos estressantes e de falar de si mesmo.Talvez ele só consiga se interiorizar e falar de si mesmo, comojá tem acontecido, quando estiver diante de um psiquiatra oude um psicoterapeuta.
  41. 41. APLICAÇÃO DA TERAPIA MULTIFOCALAs experiências que passei por ser crítico doacademicismo me abateram temporariamente o ânimo.Naquela época, eu estava nos meus primeiros anos depesquisa; por isso, apesar de ser crítico, rebelde edeterminado, também era frágil e, às vezes, inseguro. Minhasinseguranças não derivavam apenas dos fatores externos,mas também dos fatores internos, ligados ao exercício da arteda dúvida e da crítica, bem como da iniciação doprocedimento da busca do caos intelectual no processo depesquisa, que será comentado posteriormente.Os fatores internos me deixavam freqüentementeconfuso diante da complexidade da mente humana. Produzirconhecimento sem utilizar uma teoria preexistente comosuporte da interpretação e, ainda por cima, exercitando aarte da pergunta, da dúvida e da crítica e a busca do caosintelectual para descontaminar meu processo deinterpretação, me deixava não apenas confuso, masperturbado nos primeiros anos. Por isso, naquela época,apesar de produzir conhecimento sobre muitos assuntosrelativos à mente humana, eu vivia continuamente criticandominhas próprias idéias. Assim, quando os fatores internos seassociaram aos fatores externos, realmente meu ânimo foiabatido temporariamente, afetando minha paixão pelomundo das idéias. Entretanto essa paixão flutua, mas nãomorre.Parte do meu tempo exerço a Psiquiatria e a Psicoterapiamultifocal. O uso da teoria dos processos de construção dainteligência no tratamento das doenças psíquicas faz comque a Psicoterapia multifocal seja realizada dentro dosprincípios da democracia das idéias e da arte de pensar. Osresultados são. animadores. Muitos casos de doençaspsíquicas de difícil tratamento, inclusive de pacientesautistas, têm sido resolvidos. A teoria multifocal, devido assuas variáveis universais, pode ser aplicada em qualquer
  42. 42. outra corrente psicoterapêutica: psicanálise, psicoterapiacognitiva, logoterapia, psicodrama, psicoterapia analítica, etc.EXEMPLO DE UM CASO INSOLÚVEL NA PSIQUIATRIACLÁSSICALembro-me de uma cliente de 82 anos de idade quetinha transtornos graves da personalidade e sofria de umadepressão crônica e resistente que já durava mais de trêsdécadas. Ela era inteligente, mas também mal-humorada,negativista, agressiva e insociável. Queria a todo custoseparar-se do marido, pois me dizia que tinha aversãodramática por ele. Essa aversão era tão intensa, que, quandoo marido passava por ela e encostava a mão no seu braço, elasentia tanta repulsa por ele que ia correndo lavar essa partedo corpo. Quando o marido tomava banho, ela só conseguiatomar banho se mandasse desinfetar o banheiro. Viveu porcinqüenta anos um casamento falido, transformou a relaçãocom seu marido numa praça de guerra. Falava dele com ódioe dizia que não podia olhar para seu rosto e, não apenas isso,raramente conseguia expressar qualquer palavra de elogio aqualquer pessoa. Mesmo com os filhos ela era crítica eagressiva.O que pode a psiquiatria fazer para uma pessoa quejamais admitiu que estivesse doente, que sempre quis que omundo gravitasse em torno de si mesma? O que pode apsicologia, com todas as suas técnicas psicoterapêuticas,fazer para uma pessoa que sempre se recusou a seinteriorizar e revisar os pilares fundamentais de suapersonalidade?Muitos membros de sua família não acreditavam queuma pessoa nessa idade, com uma depressão tão grave eresistente e que tinha diversos transtornos de personalidade,pudesse ter alguma melhoria. Porém, o processopsicoterapêutico é ura canteiro onde florescem as funçõesmais importantes da inteligência, um ambiente que pode, sebem conduzido, estimular a produção de um oásis no mais
  43. 43. causticante deserto emocional. Apesar de todas asdificuldades iniciais, da sua recusa de penetrar dentro de simesma, pouco a pouco aquela rocha humana foi sendodemolida. Olhava para sua postura rígida e para seu olharfadigado pelo tempo e pensava comigo mesmo: "Deve haveralgo belo por detrás dessa rigidez que nunca foi explorado,deve haver algumas funções nobres da personalidade queestão embotadas".Levei-a a ser uma caminhante nas trajetórias do seupróprio ser, a repensar sua rigidez intelectual, a analisar asorigens de suas angústias e de suas reações insociáveis.Procurei provocar sua inteligência e estimular suacompreensão sobre alguns fundamentos do processo deconstrução dos pensamentos e da transformação da energiaemocional. Acreditava, mesmo com sua idade avançada, nassuas possibilidades intelectuais e procurava fazer doprocesso psicoterapêutico um debate de idéias, criando umclima que promovia o desenvolvimento da arte da dúvida e dacrítica contra seus próprios paradigmas intelectuais. Meuobjetivo não era de que ela apenas resolvesse sua doençapsíquica e superasse a sua dor, mas que se tornasse umapensadora, uma poeta existencial, alguém capaz de expandirtanto a arte de pensar como a arte da contemplação do belo.Depois do tratamento, que durou cerca de quatro meses,ninguém acreditava no que havia acontecido com ela.Tornara-se uma pessoa dócil, amável, sociável, tolerante.Começou a tratar o marido com ternura, inclusive passou achamá-lo de "meu bem" e constantemente lhe pedia que abeijasse e lhe fizesse carinho.Ela me dizia que passou a amar seu marido como nuncaocorreu em toda a sua história conjugal. Seu marido,também com 82 anos, um ex-professor universitário, estava,antes da sua melhora, abatido fisicamente, com dificuldadesde se locomover e de organizar seu raciocínio. Porém, com ogrande salto da qualidade de vida da sua esposa, ele passoua se alimentar mais, ganhou peso, melhorou a deficiência da
  44. 44. memória e seu rendimento intelectual. Marido e esposamudaram tanto que passaram, mesmo diante das suaslimitações físicas, a cantar e a dançar juntos na sala de seuapartamento.Algumas vezes eles choravam por ter a consciência deque atravessaram um imenso deserto existencial, saturadode angústias e discórdias. Contudo, queriam recuperar otempo perdido, queriam viver intensamente cada minuto quelhes restava de vida, por isso, algumas vezes, eles acordavamum ao outro de madrugada para conversar e ficar maistempo juntos. A afetividade entre os dois floresceu como naprimavera mais rica da adolescência.Minha paciente me dizia que havia encontrado umsentido para sua vida e que, no final de sua existência,começou a trabalhar suas contrariedades e a aprender a terprazer nos pequenos estímulos. Por isso, até os sons dospássaros que eram imperceptíveis aos seus ouvidos, setornaram músicas para eles. Comovido com essa melhoraacentuada e estável, escrevi um bilhete para ela e para omarido, dizendo: "Parabéns; vocês se tornaram poetas daexistência, souberam encontrar ternura e dignidade no finalde suas vidas; descobriram que a sabedoria se conquistaquando aprendemos a superar nossos invernosexistenciais..." Eles ampliaram os dizeres deste bilhete e ocolocaram na sala do apartamento deles.Ela deu um salto qualitativo na sua saúde emocional eintelectual. Resolveu sua depressão crônica, suainsociabilidade, agressividade e tornou-se uma pessoaencantadora aos 82 anos de idade. Viveu uma rica históriade amor com seu marido por mais dois anos, até que elemorreu. O último pedido dele, no leito de sua morte, é queela o acariciasse até que ele morresse. Foi assim que findoueste romance.A história dessa paciente é um exemplo vivo queevidencia que, mesmo nos casos aparentemente insolúveis
  45. 45. pela psiquiatria e pela psicologia, é sempre possívelreescrever os capítulos fundamentais da personalidade.O homem, independentemente de sua idade,personalidade e transtornos psíquicos, pode e tem o direitode se tornar um engenheiro de idéias que constrói ereconstrói a sua história psicossocial. Ao aplicar os princípiospsicoterapêuticos derivados do processo de construção dainteligência, estimulamos o resgate da liderança do eu efazemos com que os pacientes deixem de ser espectadorespassivos de misérias psíquicas e passem a ser agentesmodificadores de sua personalidade. Onde a psiquiatria clás-sica não consegue pisar os procedimentos psicoterapêuticosmultifocais pode, em diversos casos, alcançar.
  46. 46. CAPÍTULO 2A METODOLOGIA E OS PROCEDIMENTOS USADOSNA CONSTRUÇÃO DA TEORIA DA INTELIGÊNCIAMULTIFOCALO AUTORITARISMO DAS IDÉIAS E A DITADURA DODISCURSO TEÓRICOAs idéias, como um "conjunto organizado depensamentos", servem para definir, conceituar e caracterizaros fenômenos que observamos. Por sua vez, o discursoteórico, como um "conjunto organizado de idéias", serve comoinstrumento intelectual para teorizar, discorrer, descreverum conhecimento mais complexo e abrangente dessesfenômenos, bem como das micro e macro-relações que elesmantêm com outros fenômenos. As idéias, expressas porconceitos, hipóteses e postulados (convenções), são os tijolosde uma teoria. Uma teoria se expressa através de umdiscurso, que chamo de discurso teórico.As idéias e os discursos teóricos são instrumentosfundamentais da ciência. Através das idéias podemosdesenvolver relações interpessoais, nos comunicar,desenvolver atividades de trabalho. Por sua vez, através dosdiscursos teóricos, ou seja, pela manipulação de uma teoria,podemos produzir conhecimento, construir argumentaçõescientíficas, organizar postulados, derivar hipóteses, predizerfenômenos. Porém, apesar de as idéias e discursos teóricosdefinirem, conceituarem e descreverem os estímulos psí-quicos, sociais, biológicos, físicos, químicos, enfim, todos osfenômenos e objetos de estudo etc, elas são e serão sempredevedoras de suas realidades essenciais.Por exemplo, podemos produzir enciclopédias inteirassobre as causas, sintomas e mecanismos psicológicos
  47. 47. presentes nos transtornos depressivos, mas essasenciclopédias serão apenas um corpo de conhecimento quedefinem, através das idéias, e discursam, através das teorias,sobre os transtornos depressivos. Entretanto, o processo deleitura da memória, a construção de pensamentos etransformação da energia emocional, presentes nostranstornos depressivos, são maiores do que todo oconhecimento que possamos produzir sobre eles. Além dessalimitação, temos um outro grande problema. Todo oconhecimento que produzimos sobre as depressões nunca éem si mesmo a essência da energia do humor deprimido, masapenas um sistema teórico que tentará defini-lo, conceituá-lo. Portanto, temos duas grandes limitações científicas quenão poucos cientistas desconhecem.Primeira, o conhecimento sobre os transtornosdepressivos, por mais avançado que seja, terá sempre umadívida com os mistérios que envolvem essas doenças e queainda não foram descobertos. Segundo, o conhecimento,mesmo se a civilização humana vivesse milhões de anos, terásempre uma dívida com a realidade intrínseca da energiacontida nos transtornos depressivos ou de qualquer outrofenômeno estudado pela ciência. Por isso, podemos falar damiséria dos outros sem nenhuma emoção, sem conseguir noscolocar no lugar deles nem enxergar minimamente o mundocom os seus olhos. Por inferência, podemos dizer que aciência é sempre menor do que o universo dos fenômenosque estuda e sempre solitária em relação à realidadeessencial destes fenômenos.Um milhão de idéias e discursos teóricos sobre umdeterminado fenômeno não resgata a essência intrínseca dopróprio fenômeno, pois o fenômeno continua sendoessencialmente ele mesmo, e as idéias e os discursoscontinuam sendo sistemas de intenções conscientes (virtuais)do observador que tentam descrevê-lo na sua mente. Há umadistância infinita entre a consciência da essência e a essênciaem si mesma. Há uma distância infinita entre o pensamentode um químico sobre os átomos e os átomos em si. Por que
  48. 48. as ciências evoluem? Por que a cada dez anos grandesverdades científicas se tornam grandes enganos? Um dosgrandes motivos se deve ao fato de que o conhecimento,composto de idéias e de teorias não expressa a realidadeessencial dos fenômenos que estuda, mas a realidade virtual,intencional, sobre eles.As idéias e os discursos teóricos não podem ser fechadosdentro de si mesmos. Veremos que "trancar" uma teorianuma redoma intelectual, como Freud fez, é um grandeperigo contra a evolução da ciência, pois podemos confinar osfenômenos apenas dentro dos limites de nossas idéias e denossas teorias. As idéias e os discursos teóricos geramparadigmas e estereótipos socioculturais que, se não foremrevisados criticamente, podem levar a uma grave distorção naprodução científica.A utilização autoritária das idéias e a manipulaçãoditatorial dos discursos teóricos são ferramentas quedesfiguram a produção de conhecimento de um fenômeno emrelação à sua realidade essencial. Os que assim procedemnão percebem que, além das idéias e dos conceitos seremsempre uma expressão reducionista da verdade essencial, averdade essencial é inatingível em si mesma, pois todoconhecimento, ainda que tenha sido produzido com os maisrigorosos métodos e procedimentos científicos, e que possuaas mais importantes conseqüências científicas é um sistemade intenções dialéticas antiessenciais. Estudaremos estesassuntos.Quem tem uma postura intelectual autoritária nãoapenas fere a democracia das idéias, mas fere a si mesmo,porque é usado, manipulado, controlado intelectualmentepela rigidez das próprias idéias e do discurso teóricoproduzidos pela leitura da sua memória.Uma pessoa autoritária agride e fere os direitos do"outro", mas, antes disso, fere seu próprio direito de ser livre,de pensar com liberdade. Por isso toda pessoa agressiva éauto-agressiva. Os profissionais liberais que exercem o
  49. 49. autoritarismo das idéias vivenciam dentro de si mesmos o"auto-autoritarismo", punem a si mesmos, encerram-sedentro de um cárcere intelectual. Do mesmo modo, ospesquisadores que exercem a ditadura do discurso teórico,que se fecham exclusivamente dentro da teoria que abraçam,aprisionam sua capacidade de pensar dentro dos limites dasua teoria. Para entender o "autoritarismo" das idéias, bemcomo da "ditadura" do discurso teórico, precisamos estudaros fenômenos que promovem o funcionamento da mente e aconstrução dos pensamentos.A TEORIA MULTIFOCAL DO CONHECIMENTOMuitas pessoas consideram raríssimo, nos dias atuais,alguém produzir uma teoria científica sem a influência geralou parcial de outra teoria preexistente e que, além disso, sejaconsistente e fundamentada em argumentos criteriosos. Poisé uma realidade; é muito difícil reunir num mesmo trabalhointelectual a originalidade e a coerência.O conhecimento se tornou muito vasto em todos oscampos da ciência, o que dificulta pesquisas originais. Napsicologia, quase não há mais espaço para a produção deuma teoria totalmente nova sobre o funcionamento da mentee o desenvolvimento da personalidade, pois as teoriasexistentes se entrelaçam em diversas áreas e os milhares depesquisas, realizadas anualmente, por cientistas de todo omundo se apóiam freqüentemente em uma dessas teorias.Por isto, este livro representa um grande desafio. Sob osalicerces da metodologia e dos procedimentos que utilizei,que serão comentados neste capítulo, apresentarei nãoapenas uma teoria psicológica, mas uma teoriacompletamente nova, original. Ela é tão original como foi ateoria da psicanálise na época que Freud a lançou.Entretanto, a qualidade desta teoria e de seus fundamentosdeve ser julgada pelos leitores.Ao longo de mais de dezessete anos desenvolvi a teoriamultifocal do conhecimento (TMC). A teoria multifocal do
  50. 50. conhecimento, como o próprio nome expressa, é uma teoriaabrangente, que inclui diversas teorias que se inter-relacionam no campo da Psicologia, Filosofia, Educação, taiscomo a teoria do funcionamento psicodinâmico da mente, ateoria da inteligência multifocal, a teoria da interpretação, ateoria do caos intelectual, a teoria do fluxo vital da energiapsíquica, a teoria da evolução psicossocial do homem, ateoria da personalidade, a teoria da lógica do conhecimento,a teoria da interpretação.Neste capítulo desenvolverei alguns pilares da teoria dalógica do conhecimento e da teoria da interpretação. Noscapítulos seguintes abordarei a teoria da inteligênciamultifocal e do funcionamento da mente e no décimo terceirocapítulo retomarei a teoria da interpretação e continuareidesenvolvendo-a. Por que a teoria da interpretação seráretomada depois da exposição da teoria da inteligênciamultifocal? Porque ela foi desenvolvida paralelamente àdescoberta dos fenômenos que estão inseridos no processo deconstrução de pensamentos. Portanto, a teoria da inteligênciame ajudou a construir a teoria da interpretação e, à medidaque esta ia sendo expandida, me ajudava a reciclar a teoriada inteligência e do funcionamento da mente.A teoria multifocal do conhecimento não é uma teoriaque procura anular as demais teorias, tais como apsicanalítica, cognitiva, comportamental; pelo contrário,procura contribuir para explicá-las, criticá-las, reciclá-las eabrir novas avenidas de pesquisas para elas. As teoriaspsicológicas, filosóficas, psicopedagógicas, sociológicas etc,foram produzidas usando o pensamento como alicerces,enquanto a teoria multifocal do conhecimento estuda asvariáveis universais que estão presentes nos própriosalicerces, ou seja, estuda os fenômenos que promovem aprópria construção dos pensamentos.A teoria da inteligência multifocal ultrapassa aabordagem da "teoria da Inteligência Emocionar, pois, além davariável emocional, ela estuda mais de trinta outras variáveis
  51. 51. que participam da construção da inteligência humana; porisso ela é chamada de inteligência multifocal.Muitas perguntas importantes procurarão serrespondidas, tais como: Os fetos pensam? Como sedesenvolve o eu? Por que o homem é um grande líder domundo extrapsíquico, mas não é um grande líder dos seuspensamentos e das suas emoções? Todos os pensamentosque produzimos são determinados pelo eu ou existemfenômenos psíquicos que constroem pensamentos sem aautorização do eu? Como penetramos na memória econstruímos as cadeias de pensamentos? Quantos tipos depensamentos são produzidos na mente humana e quais sãoas suas funções? Como se organiza, desorganiza e reorganizaa energia psíquica? Qual a relação entre as cadeias depensamentos e as emoções? Como construímos as relaçõeshumanas?Após ter desenvolvido a estrutura básica da teoria queestou produzindo, a Teoria Multifocal do Conhecimento(TMC), comecei a ler, a apreciar e a criticar, dentro dasminhas limitações intelectuais e de tempo, as idéiasfilosóficas, psicológicas, sociológicas e psiquiátricas de outrospensadores. Por isso, embora a teoria desenvolvida nestelivro seja totalmente original, ele contém uma pequenabibliografia, pois faço alguns pequenos comentários sobrealgumas teorias. A utilização de uma teoria no processo deexpansão de conhecimento científico é legítima e pode sermuito útil se usada com critério. Uma teoria bem produzida éuma fonte de pesquisa, tem mais valor do que milhares delivros. O papel principal das teorias é abrir as avenidas doconhecimento na ciência.Os assuntos aqui tratados serão importantes aos quequerem algumas pistas para desenvolver a arte de pensar ese tornar um pensador original, um engenheiro de idéias quese coloca em contínuo processo de aprendizagem. A "tríadede arte da pesquisa" e a busca do caos intelectual, comoveremos, serão os ingredientes básicos para se formarem
  52. 52. pensadores em qualquer área da ciência e em qualquer áreada sociedade, incluindo a política e a economia. Essesassuntos também interessam àqueles que querem entender oque é a "verdade" e se é possível atingi-la na ciência, bemcomo o que é uma teoria, qual a melhor maneira de aplicá-lae quais as suas relações com a inesgotabilidade da ciência.Faremos uma viagem intelectual interessante.Navegaremos pelos mares da ciência, romperemos algunstabus. Compreenderemos os motivos pelos quais a ciência,tão bela e importante para a civilização humana, tem grandeslimites para encontrar aquilo que mais ama: a verdade.OS SETE PROCEDIMENTOS MULTIFOCAL E AS CINCOMESCLAGENS DE CONTRAPONTOS INTELECTUAISPara que possamos gerenciar uma construção criteriosade pensamentos, capaz de conquistar o status de"conhecimento científico", não basta processarmos a leiturada memória e produzir cadeias de pensamentos dialéticos,pois essa produção de pensamentos poderá ser meramenteespeculativa, o que resultará numa ciência sem fundamento.Para fugir dessa situação, procurei desenvolver pelo menossete procedimentos multifocais, alguns dos quais complexose difíceis de ser aplicados. Estes procedimentos não sãoutilizados, em sua maioria, na pesquisa acadêmica, mesmonas teses de doutorado. Os grandes teóricos da psicologiatambém não os utilizaram na produção de suas teorias, oque gerou um grande prejuízo para esta ciência.Os procedimentos utilizados na pesquisa acadêmicanormalmente são bem conhecidos no mundo todo, tais como:seletividade de dados, análise de dados, levantamentobibliográfico, uso de uma teoria como suporte dainterpretação. Além dos procedimentos que desenvolvi,também utilizei esses procedimentos clássicos. Somente nãousei os levantamentos bibliográficos nem uma teoria préviacomo suporte da interpretação, pois a teoria que desenvolvoé, como disse, totalmente original.
  53. 53. O levantamento bibliográfico, contido rio final dostextos, foi feito depois que a teoria que eu desenvolvia estavaelaborada. Ele foi feito com o objetivo de evidenciar algunspensamentos de outros teóricos em relação à teoria aquiexposta.Os setes procedimentos que utilizei são: a arte daformulação de perguntas; a arte da dúvida; a arte da crítica;a busca do caos intelectual para se processar adescontaminação da interpretação; a busca do caos intelec-tual para expandir as possibilidades de construção doconhecimento; a análise das causalidades históricas e dascircunstancialidades biopsicossociais; e a análise dosprocessos de construção das variáveis de interpretação namente.Além desses setes procedimentos, também utilizei naminha trajetória de pesquisa cinco "mesclagens decontrapontos intelectuais" (MCI), que me estimularam arevisar criticamente e reorganizar continuamente a produçãode conhecimento sobre os processos de construção dopensamento. Essas mesclagens referem-se a uma misturaentre pontos intelectuais opostos ou eqüidistantes, tais como:a liberdade em observar e a disciplina na observação, a livreprodução de pensamento e a revisão crítica dessa produção.Algumas dessas mesclagens resultaram do processo de co-interferência dos sete procedimentos de pesquisa que utilizei.As cinco "mesclagens de contrapontos intelectuais" (MCI) queutilizei foram: 1. Mesclagem entre a liberdade contemplativade observar os fenômenos com a disciplina empírica noprocesso de observação e seleção dos mesmos. 2. Mesclagementre a liberdade de interpretar os fenômenos com areorganização e reorientação contínua do processo deinterpretação. 3. Mesclagem entre a utilização do caosintelectual para esvaziar, tanto quanto possível, as distorçõespreconceituosas e os referenciais históricos contidos noprocesso de formação da personalidade com a utilizaçãodesse caos para expandir as possibilidades de compreensãodos fenômenos e de construção do conhecimento. 4.
  54. 54. Mesclagem entre a liberdade da produção do conhecimentocom a reciclagem crítica e contínua da mesma. 5. Mesclagementre a análise das variáveis da interpretação (fenômenos)com a análise dos sistemas de cointerferências que elasorganizam para gerar o funcionamento da mente e aconstrução das cadeias de pensamentos.A ARTE DA PERGUNTA, DA DÚVIDA E DA CRÍTICANão é objetivo deste livro dar ênfase aos seteprocedimentos e às cinco "mesclagens de contrapontosintelectuais" que utilizei em minha trajetória de pesquisa,embora toda a minha produção de conhecimento resulte de-les. Vou dar ênfase apenas ao quarto e quinto procedimento,ou seja, aos procedimentos que se referem à busca do caosintelectual. Porém, quero também fazer uma síntese dos trêsprimeiros procedimentos: a arte da formulação de perguntas,a arte da dúvida e a arte da crítica, pois eles foramfundamentais na minha produção intelectual.Aprendi que a arte de perguntar é mais importante doque a arte de responder. Aliás, a maneira como se perguntapode produzir um autoritarismo das idéias, pois estabeleceas diretrizes das respostas. Antes da busca das respostas,antes da produção de conhecimento, é necessário fazer nãoapenas algumas perguntas, mas múltiplas perguntas sobreos fenômenos que estamos observando e interpretando.Devemos ainda não apenas formular perguntas multifocaissobre os fenômenos e suas micro e macrorrelações, masperguntas sobre as próprias perguntas, suas dimensões,seus limites e alcance. A função da arte da formulação dasperguntas não é, inicialmente, fornecer respostas, pois asrespostas são ditadoras das perguntas, mas expandir adúvida. Quanto mais dúvida e confusão intelectual, maisprofunda poderá ser a resposta, mais rica será a produção deconhecimento; quanto menos dúvida, mais pobre será aprodução de conhecimento.
  55. 55. Os três grandes inimigos de um pensador são: asdificuldades de expandir a arte da pergunta e da crítica, adificuldade de conviver com a dúvida e a ansiedade porproduzir respostas. A fertilidade das idéias de um pensadornão está na sua capacidade de produzir respostas, mas nasua intimidade com a arte da formulação das perguntas, aarte da dúvida, arte da crítica e do quanto procura e suportaa experiência do caos intelectual.A palavra arte associada à palavra "dúvida" ou "crítica"não quer dizer uma simples dúvida ou crítica esporádica,mas um processo contínuo de duvidar e criticar, um sistemacontínuo de aprimoramento da observação, interpretação equestionamento do conhecimento. A arte da formulação deperguntas me levou a fazer centenas e, em alguns casos,milhares de perguntas sobre cada fenômeno intrapsíquicoque observava. Mesmo diante da mais simples idéia que euproduzia na minha mente, eu questionava intensamentesuas origens, construtividade, natureza, alcance etc. Euobservava atentamente não apenas o comportamento daspessoas, mas era um contínuo viajante na trajetória do meupróprio ser. Assim, durante o processo de observação dosfenômenos psíquicos, eu expandia, através da arte daformulação de perguntas, a arte da dúvida. Esta estimulavameu processo de interpretação e, conseqüentemente, minhaprodução de conhecimento. Através da expansão daprodução de conhecimento, aprimorava a arte da crítica.Com isso, aprendi pouco a pouco a usar a arte da crítica, nãoapenas para criticar todo conhecimento que previamente eutinha sobre os fenômenos psíquicos que observava, mastambém para criticar toda interpretação e produção deconhecimento que extraía deles.Vivi intensamente a arte da formulação de perguntas, aarte da dúvida e da crítica, que chamo de "tríade de arte dapesquisa". Elas são fundamentais na produção da pesquisacientífica e até na convivência social. Elas foram para mim afonte motivadora do processo de produção de conhecimento

×