Natália Lott da Costa
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e outras autoridades
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Compilado de textos, discursos, homilias e entrevistas proferidos pelo Papa Francisco e outras autoridades durante a 28º Jornada Mundial da Juventude, evento realizado entre os dias 22 e 28 de Julho de 2013, na cidade do Rio de Janeiro, e a visita do Santo Padre à Basílica de Aparecida, no dia 24 de Julho do mesmo ano.

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Textos do Papa Francisco e outros durante a JMJ 2013

  1. 1. Natália Lott da Costa Textos, Discursos e Homilias do Papa Francisco e outras autoridades Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 22 a 28 de Julho de 2013
  2. 2. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 1 APRESENTAÇÃO Este documento consiste em um compilado de textos, discursos, homilias e entrevistas pro- feridos pelo Papa Francisco e outras autoridades durante a 28º Jornada Mundial da Juventude, evento realizado entre os dias 22 e 28 de Julho de 2013, na cidade do Rio de Janeiro, e a visita do Santo Padre à Basílica de Aparecida, no dia 24 de Julho do mesmo ano. A finalidade desta compilação está em facilitar o estudo de Paróquias, Pastorais e Agentes de Pastoral sobre as palavras e orientações do Santo Padre sobre a postura e atitudes do fiel ca- tólico neste novo tempo, bem como reunir em um só documento tudo o que foi publicado oficial- mente durante este evento. Todos os textos foram publicados em veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros, via internet, e possuem identificação individual da fonte de onde foram retirados. Eventuais erros de ortografia, concordância e tradução são provenientes das fontes originais, uma vez que os tex- tos não foram corrigidos; apenas reunidos da forma em que foram publicados. Por este não ser um trabalho autoral próprio, não pode ser reproduzido comercialmente. Natália Lott da Costa* * Natália Lott da Costa é arquiteta e publicitária, Agente de Pastoral da PASCOM (Pastoral da Comunicação) da Paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora/ MG, e membro da Co- missão para os Bens Culturais da Arquidiocese de Juiz de Fora / MG.
  3. 3. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 2 ÍNDICE APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................1 ÍNDICE ..............................................................................................................................................2 ENCONTRO COM JORNALISTAS: Vôo Roma - Rio de Janeiro (22/07/2013) Palavras do Santo Padre aos Jornalistas a bordo ...................................................................4 CERIMÔNIA DE BOAS-VINDAS (22/07/2013) Discurso da Presidente Dilma Rousseff ...................................................................................7 Discurso do Santo Padre Francisco .........................................................................................9 CERIMÔNIA DE APRESENTAÇÃO DA MEDALHA COMEMORATIVA (23/07/2013) Discurso do Cardeal Tarcisio Bertone ....................................................................................11 MISSA DE ABERTURA DA JMJ RIO 2013 (23/07/2013) Saudação do Cardeal Dom Stanisław Ryłko ..........................................................................12 Homilia de Dom Orani João Tempesta ..................................................................................13 SANTA MISSA NA BASÍLICA DE NOSSA SENHORA APARECIDA (24/07/2013) Saudação do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis ....................................................16 Homilia do Santo Padre .........................................................................................................17 Palavras Improvisadas do Santo Padre na Sacada do Santuário .........................................19 VISITA AO HOSPITAL DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS DA PENITÊNCIA (24/07/2013) Saudação de Dom Orani João Tempesta ..............................................................................20 Saudação do Cônego Manuel de Oliveira Manangão ............................................................21 Discurso do Santo Padre .......................................................................................................23 Palavras do Santo Padre aos Jovens Italianos ......................................................................25 CERIMÔNIA DE BÊNÇÃO DAS BANDEIRAS OLÍMPICAS (25/07/2013) Palavras do Santo Padre .......................................................................................................26 VISITA À COMUNIDADE DE VARGINHA (25/07/2013) Discurso do Santo Padre .......................................................................................................27 Discurso de Moradores da Varginha ......................................................................................28 ENCONTRO COM OS JOVENS ARGENTINOS (25/07/2013) Palavras do Santo Padre .......................................................................................................30 ENTREVISTA DO PAPA - REDE GLOBO / GLOBONEWS (25/07/2013) Entrevista exclusiva concedida ao Repórter Gérson Camarotti .............................................32 FESTA DE ACOLHIDA DOS JOVENS (25/07/2013) Saudação de Dom Orani João Tempesta ..............................................................................37 Saudação do Santo Padre .....................................................................................................38 Boas Vindas dos Jovens ao Santo Padre ..............................................................................39 Homilia do Santo Padre .........................................................................................................40 HORA DA AVE MARIA/ANGELUS (26/07/2013) Palavras do Santo Padre e Oração do Ângelus .....................................................................42
  4. 4. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 3 VIA-SACRA COM OS JOVENS (26/07/2013) Texto da Via Sacra do Jovem Solidário .................................................................................43 Palavras do Santo Padre .......................................................................................................48 SANTA MISSA COM OS BISPOS, SACERDOTES E RELIGIOSOS (27/07/2013) Homilia do Santo Padre .........................................................................................................50 ENCONTRO COM A CLASSE DIRIGENTE DO BRASIL (27/07/2013) Discurso do Santo Padre .......................................................................................................52 ENCONTRO COM O EPISCOPADO BRASILEIRO (27/07/2013) Discurso do Santo Padre .......................................................................................................55 ENTREVISTA DO PAPA - RÁDIO DA ARQUIDIOCESE DO RIO DE JANEIRO (27/07/2013) Entrevista concedida durante visita aos estúdios da Rádio Catedral ....................................63 VIGÍLIA DE ORAÇÃO COM OS JOVENS (27/07/2013) Testemunhos de Jovens ........................................................................................................64 Discurso do Papa Francisco ..................................................................................................69 SANTA MISSA PELA 28ª JMJ - MISSA DO ENVIO (28/07/2013) Saudação de Dom Orani João Tempesta ..............................................................................73 Homilia do Papa Francisco ....................................................................................................75 Agradecimento do Cardeal Stanisław Ryłko ..........................................................................76 Anúncio da Próxima Sede da JMJ e Oração do Angelus Domini pelo Papa Francisco ........78 ENCONTRO COM A COMISSÃO DE COORDENAÇÃO DO CELAM (28/07/2013) Discurso do Santo Padre .......................................................................................................79 ENCONTRO COM OS VOLUNTÁRIOS DA 28ª JMJ (28/07/2013) Discurso do Santo Padre .......................................................................................................84 CERIMÔNIA DE DESPEDIDA (28/07/2013) Discurso do Santo Padre .......................................................................................................85 ENCONTRO COM OS JORNALISTAS: Vôo Rio de Janeiro - Roma (28/07/2013) Entrevista Coletiva com Jornalistas a bordo do vôo de regresso ..........................................86
  5. 5. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 4 Segunda-feira, 22 de Julho de 2013 ENCONTRO COM OS JORNALISTAS DURANTE O VÔO PAPAL Vôo entre Roma e Rio de Janeiro Palavras do Santo Padre aos Jornalistas a bordo http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130722_gmg-intervista-volo- rio_po.html Padre Lombardi: Santo Padre Francisco, bem-vindo ao meio desta comunidade voadora de jornalistas, operadores das comunicações. Sentimos grande emoção pela possibilidade de acompanhá-lo em sua primei- ra viagem intercontinental, internacional, depois da comovedora deslocação a Lampedusa! Além do mais, é a primeira viagem ao seu Continente, ao «fim do mundo». É uma viagem na compa- nhia dos jovens; por isso, suscita um grande interesse. Como pode ver, ocupamos todos os luga- res disponíveis para os jornalistas neste vôo. Somos mais de 70 pessoas, obedecendo a compo- sição do grupo a critérios de grande variedade, ou seja, temos representantes das televisões – tanto repórteres como operadores de câmara –, os representantes da imprensa escrita, das agên- cias de notícias, da rádio, operadores de internet... Praticamente estão representados, e de forma qualificada, todos os mass-media. E estão representadas também as culturas, as diferentes lín- guas. Temos, neste vôo, um bom grupo de italianos, em seguida aparecem naturalmente os brasi- leiros que vieram inclusive do Brasil para voar junto com o Santo Padre: há dez brasileiros que vieram de propósito para isso. Depois temos dez dos Estados Unidos da América, nove da Fran- ça, seis da Espanha; depois há ingleses, mexicanos, alemães; também o Japão, a Argentina – naturalmente –, a Polônia, Portugal e a Rússia estão representados. Trata-se, portanto, de uma comunidade muito diversificada. Muitos dos que aqui estão acompanham, freqüentemente, as viagens do Papa fora da Itália, ou seja, já não estão em sua primeira experiência, antes, alguns são muito navegados, conhecem essas viagens muito melhor do que o Santo Padre. Diversamen- te, outros estão aqui pela primeira vez, porque – como os brasileiros, por exemplo – acompanham especificamente esta viagem. Assim, decidimos dar-lhe as boas-vindas a este grupo pela voz também de um de nós, ou melhor, uma de nós, que foi escolhida – acho que sem problemas par- ticulares de concorrência – porque é, certamente, a pessoa que fez mais viagens ao estrangeiro com o Santo Padre: está em disputa com o Doutor Gasbarri inclusive pelo número das viagens realizadas. Além disso é uma pessoa que vem do seu Continente e, por conseguinte, pode falar- lhe em espanhol, na sua língua; e é – para além do mais – uma pessoa mulher, sendo justo que lhe demos a palavra. Então dou imediatamente a palavra a Valentina Alazraki, que é a correspon- dente de Televisa, há muitos anos – mas permanece sempre juvenil, como o Santo Padre vê –, sentindo-nos contentes por a termos conosco mais não fosse porque algumas semanas atrás par- tiu um pé e por isso temíamos que não pudesse vir. Mas não, ajustou-o a tempo, tirou o gesso há dois ou três dias e agora já está no avião. Portanto será ela que interpreta os sentimentos desta comunidade voadora para com o Santo Padre. Valentina Alazraki: Papa Francisco, bom dia! O único mérito que possuo para ter o privilégio de dar-lhe as boas- vindas é o elevado número de horas de vôo. Participei no primeiro vôo de João Paulo II ao Méxi- co, o meu país. Então era a mascote; agora, 34 anos e meio depois, sou a decana! Por isso tenho o privilégio de dar-lhe as boas-vindas. Sabemos, pelos seus amigos e colaboradores na Argenti- na, que os jornalistas não são propriamente “santos da sua devoção”. Talvez tenha pensado que o Padre Lombardi o trouxe à cova dos leões... A verdade, porém, é que não somos assim tão fe- rozes, e temos um grande prazer em poder ser seus companheiros de viagem. Gostaríamos que o Santo Padre nos visse assim, como companheiros de viagem, nesta e em muitas outras ainda.
  6. 6. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 5 Obviamente somos jornalistas, e se hoje, amanhã ou nos dias seguintes quiser responder a per- guntas, não vamos dizer que não, porque somos jornalistas. Vimos que confiou esta sua viagem a Maria, tendo ido a Santa Maria Maior e vai ir a Aparecida; pensei oferecer-lhe um pequeno pre- sente, uma pequeníssima Virgem peregrina para que O acompanhe nesta peregrinação e muitas mais. Por coincidência, trata-se da Virgem de Guadalupe; ofereço-a não pelo fato de ser a Rainha do México mas porque é a Padroeira da América, pelo que nenhum Virgem Maria se ressentirá: nem a da Argentina, nem a de Aparecida, nem qualquer outra. Eu lha ofereço com imenso carinho da parte de todos nós e com a esperança de que proteja o Santo Padre nesta viagem e em muitas outras ainda. Padre Lombardi: E agora demos a palavra ao Santo Padre, naturalmente para que nos diga pelo menos algumas palavras introdutórias a esta viagem. Papa Francisco: Bom dia! Bom dia a vocês todos! Disseram – eu ouvi –coisas um bocado estranhas: “Que vocês não são santos da minha devoção”, “que aqui eu estou no meio dos leões...”, ainda bem que não são muito ferozes! Obrigado! Verdadeiramente eu não dou entrevistas, mas é porque não sei, não consigo. Sou assim! Sinto um pouco de dificuldade em fazê-lo, mas agradeço a companhia. Esta primeira viagem tem em vista encontrar os jovens, mas não isolados da sua vida; eu quereria en- contrá-los precisamente no tecido social, em sociedade. Porque, quando isolamos os jovens, pra- ticamos uma injustiça: despojamo-los da sua pertença. Os jovens têm uma pertença: pertença a uma família, a uma pátria, a uma cultura, a uma fé… Eles têm uma pertença, e não devemos iso- lá-los! Sobretudo não devemos isolá-los inteiramente da sociedade! Eles são verdadeiramente o futuro de um povo! Isto é verdade; mas não o são somente eles: eles são o futuro, porque têm a força, são jovens, continuarão para diante. Mas também, no outro extremo da vida, os idosos são o futuro de um povo. Um povo tem futuro se vai em frente com ambos os pontos: com os jovens, com a força, porque o levam para diante; e com os idosos, porque são eles que oferecem a sabe- doria da vida. E muitas vezes penso que fazemos uma injustiça aos idosos, pondo-os de lado co- mo se eles não tivessem nada para nos dar; eles têm a sabedoria, a sabedoria da vida, a sabedo- ria da história, a sabedoria da pátria, a sabedoria da família. E nós precisamos disto! Por isso, digo que vou encontrar os jovens, mas no seu tecido social, principalmente com os idosos. É ver- dade que a crise mundial não gera coisas boas para os jovens. Li, na semana passada, a percen- tagem dos jovens desempregados; pensem que corremos o risco de ter uma geração que não encontrou trabalho, e é o trabalho que confere à pessoa a dignidade de ganhar o seu pão. Os jovens, neste momento, sofrem a crise. Aos poucos fomo-nos acostumando a esta cultura do des- carte: com os idosos, sucede demasiadas vezes; mas agora acontece também com inúmeros jo- vens sem trabalho. Também a eles chega a cultura do descarte. Temos de acabar com esse hábi- to de descartar. Ao contrário, cultura da inclusão, cultura do encontro, fazer um esforço para inte- grar a todos na sociedade. Isto é de certo modo o sentido que eu quero dar a esta visita aos jo- vens, aos jovens na sociedade. Agradeço-vos imenso, caríssimos, “santos de não devoção” e “leões não muito ferozes”. Muito obrigado, muito obrigado mesmo! E eu gostava de lhes saudar a cada um. Obrigado! Padre Lombardi: Muito obrigado, Santo Padre, por esta introdução tão expressiva. E agora vem todos saudá-lo: passam por aqui, desse modo podem vir e cada um pode conhecê-lo, Santidade, apresentar-se; cada um diga de que mídia é, de que televisão ou jornal vem. Assim o Papa o saúda e conhece…
  7. 7. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 6 Papa Francisco: Temos dez horas... [Um a um, os jornalistas encontram o Santo Padre] Padre Lombardi: Acabaram realmente de vir todos? Sim? Ótimo! Agradecemos verdadeiramente de coração ao Papa Francisco porque foi – julgo eu – para todos nós um momento inesquecível e penso que constituiu uma bela introdução a esta viagem. Acho que o Santo Padre conquistou pelo menos um pouco do coração destes “leões”, de modo que, durante a viagem, possam ser seus colaborado- res, isto é, compreendam a sua mensagem e a difundam com grande eficácia. Obrigado, Santida- de! Papa Francisco: Agradeço-lhes de verdade e peço-lhes para ajudar-me e colaborar, nesta viagem, para o bem, para o bem; o bem da sociedade: o bem dos jovens e o bem dos idosos; ambos juntos, não o es- queçam! E eu fico um pouco como o profeta Daniel: um pouco triste, porque vi que os leões não eram muito ferozes! Obrigado, muito obrigado! Um abraço a todos! Obrigado!
  8. 8. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 7 CERIMÔNIA DE BOAS-VINDAS Palácio da Guanabara, Rio de Janeiro Discurso da Presidente Dilma Rousseff http://oglobo.globo.com/rio/leia-integra-do-discurso-da-presidente-dilma-em-encontro-com-papa-no-palacio-guanabara-9185375l Sua Santidade Papa Francisco, Senhoras e senhores, Com grande alegria, Papa Francisco, dou-lhe as boas-vindas ao Rio de Janeiro e ao Brasil. É uma honra para o povo brasileiro recebê-lo. Honra redobrada, em se tratando do primeiro Papa latino-americano. Sua Santidade, o Brasil e seus mais de 50 milhões de jovens acolhem, de braços abertos, os peregrinos de dezenas de países que vieram para esta grande celebração que é a Jornada Mundial da Juventude. Saúdo, em particular, o governo do estado do Rio de Janeiro, a prefeitura do Rio de Janei- ro e a Arquidiocese do Rio de Janeiro, a quem agradeço os esforços dedicados que tornaram possível esse grande evento. A presença de Sua Santidade no Brasil nos oferece a oportunidade de renovar o diálogo com a Santa Sé em prol de valores que compartilhamos: a justiça social, a solidariedade, os direitos humanos e a paz entre as nações. Conhecemos o compromisso de Sua Santidade com esses valores. Por seu sacerdócio en- tre os mais pobres, que se reflete até mesmo no próprio nome escolhido como Papa, uma home- nagem a São Francisco de Assis, sabemos que temos, diante de nós, um líder religioso sensível aos anseios de nossos povos por justiça social, por oportunidade para todos e dignidade cidadã. Lutamos contra um inimigo comum: a desigualdade, em todas as suas formas. Essa con- vergência orienta o diálogo do Estado brasileiro com todas as religiões, um diálogo marcado pelo respeito à liberdade de crenças e de culto e convivência com a diferença. Não poderia ser distinto em um país que acolheu e acolhe todas as culturas e todas as religiões. Em seu discurso de 16 de maio, Vossa Santidade manifestou preocupação com as desigualdades agravadas pela crise financeira e o papel nocivo das ideologias que defendem o enfraquecimento do Estado,reduzindo sua capacidade de prover serviços públicos de qualidade para todos. Mani- festou sua preocupação com a globalização da indiferença, que deixa as pessoas insensíveis ao sofrimento do próximo. Compartilhamos e nos juntamos a essa posição. Estratégias de superação da crise eco- nômica, centradas só na austeridade, sem a devida atenção aos enormes custos sociais que ela acarreta, golpeiam os mais pobres e os jovens, que são pelo mundo afora as principais vítimas do desemprego. Geram xenofobia, violência e desrespeito pelo outro. O Brasil muito se orgulha de ter al- cançado extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população. Fizemos muito, e sabemos que ainda há muito o que ser feito. Nesse processo, temos con- tado com a profícua parceria com a Igreja. As pastorais católicas, por exemplo, tem sido importan- tes parceiras do governo brasileiro na atenção aos segmentos mais vulneráveis de nossa popula- ção, como também na promoção da defesa dos direitos das nossas crianças e adolescentes, na defesa dos direitos das pessoas que vivem nas ruas, na garantia da dignidade dos direitos nos presídios.
  9. 9. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 8 Temos buscado apoiar a disseminação das experiências brasileiras em outros países. A- gora mesmo, estamos engajados no apoio à adoção de tecnologias sociais para melhorar a capa- cidade produtiva entre pequenos agricultores na África, e para criar canais de comercialização que lhes permitam obter resultados econômicos mais justos e adequados, inclusive por meio do forne- cimento de alimentação escolar. Apoiamos também a difusão de programas de transferência de renda, do tipo do Bolsa Família, em vários países da África e da América Latina. Acreditamos que o apoio da Igreja, apoiando esses processos, pode transformar iniciativas ainda pontuais em iniciativas globais, em iniciativas efetivas para garantir a segurança alimentar e combater a pobreza e a fome no mundo. Sabemos que a fome e a sede de justiça têm pressa. A crise econômica que desemprega e retira oportunidade de milhões pelo mundo afora nos obriga a um novo senso de urgência para combater a desigualdade. A participação de Vossa San- tidade, um homem que veio do povo latino-americano, que veio da nossa irmã vizinha Argentina, agregaria mais condições para criar uma ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade, uma aliança de cooperação e humanitarismo, disseminando as bo- as experiências, entre outras, aquelas obtidas aqui no Brasil. Santidade, Nós, brasileiros, somos mulheres e homens de fé. A fé é parte indelével do espírito brasi- leiro. Falo da fé religiosa e falo também da crença que cada um de nós, brasileiras e brasileiros, temos quanto a nossa capacidade de melhorar nossa vida, a crença que o amanhã pode ser me- lhor que hoje. Essa crença que nós mesmos e em nós mesmos e no outro é um dos traços mar- cantes do povo do meu país. Sabemos que podemos encarar novos desafios e tornar nossa realidade cada vez melhor. Esse foi o sentimento que moveu, por exemplo, nas últimas semanas, centenas de milhares de jovens a irem às ruas. Democracia, como sabe Vossa Santidade, gera desejo de mais democraci- a, e inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social, qualidade de vida desperta anseio por mais qualidade de vida. Para nós, todos os avanços que nós conquistamos são só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento sempre vai exigir mais, tal como queremtodos os brasileiros e todas as brasi- leiras. Exigem de nós aceleração e aprofundamento das mudanças que iniciamos há dez anos. A juventude brasileira tem sido protagonista nesse processo e clama por mais direitos so- ciais: mais educação, melhor saúde, mobilidade urbana,segurança, qualidade de vida na cidade e no campo, o respeito ao meio ambiente. Os jovens exigem respeito, ética e transparência. Que- rem que a política atenda aos seus interesses, aos interesses da população e não seja território dos privilégios e das regalias. Desejam participar da construção de soluções para os problemas que os afetam. Os jovens querem viver plenamente. Estão cansados da violência que muitas vezes os tor- nam as principais vítimas. Querem dar um basta a toda forma de discriminação e ver valorizadas sua diversidade, suas expressões culturais. Tal como em várias partes do mundo, a juventude brasileira está engajada na luta legítima por uma nova sociedade. E esse é um momento muito especial para realização dessa Jornada Mundial da Juventu- de. Potencializa o que os jovens têm de mais valioso e revigorante, e isso nós estamos vendo aqui nas ruas do Rio de Janeiro: a alegria, o otimismo, a fraternidade, a coragem e valores cris- tãos.
  10. 10. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 9 É oportunidade para discutir e buscar todos os novos valores para renovar as esperanças por um mundo melhor. Estou certa que essa celebração da juventude durará muito mais que os seis dias da programação oficial e perdurará no coração de todos os que dela participarem. Seja bem-vindo ao Brasil, Papa Francisco. Sejam bem-vindos jovens de todo o mundo. Sintam-se em casa nesta cidade maravilhosa que é o Rio de Janeiro e em todo o Brasil, e levem daqui como melhor lembrança o carinho do nosso povo. Muito obrigada! Discurso do Santo Padre Francisco http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130722_gmg-cerimonia-benvenuto- rio_po.html Senhora Presidenta, Ilustres Autoridades, Irmãos e amigos! Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu Ponti- ficado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus pela sua benigni- dade. Aprendi que para ter acesso ao Povo Brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imen- so coração; por isso permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta. Pe- ço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas tra- go o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a cha- ma de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a mi- nha saudação: “A paz de Cristo esteja com vocês!” Saúdo com deferência a Senhora Presidenta e os ilustres membros do seu Governo. Obri- gado pelo seu generoso acolhimento e por suas palavras que externaram a alegria dos brasileiros pela minha presença em sua Pátria. Cumprimento também o Senhor Governador deste Estado, que amavelmente nos recebe na Sede do Governo, e o Senhor Prefeito do Rio de Janeiro, bem como os Membros do Corpo Diplomático acreditado junto ao Governo Brasileiro, as demais Auto- ridades presentes e todos quantos se prodigalizaram para tornar realidade esta minha visita. Quero dirigir uma palavra de afeto aos meus irmãos no Episcopado, sobre quem pousa a tarefa de guiar o Rebanho de Deus neste imenso País, e às suas amadas Igrejas Particulares. Esta minha visita outra coisa não quer senão continuar a missão pastoral própria do Bispo de Ro- ma de confirmar os seus irmãos na Fé em Cristo, de animá-los a testemunhar as razões da Espe- rança que d’Ele vem e de incentivá-los a oferecer a todos as inesgotáveis riquezas do seu Amor. O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas frontei- ras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações».
  11. 11. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 10 Estes jovens provêm dos diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variegadas culturas e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade. Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que a- quela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade. Cristo “bota fé” nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: “Ide, fazei discí- pulos”. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de ir- mãos. Também os jovens “botam fé” em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos. Ao iniciar esta minha visita ao Brasil, tenho consciência de que, ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias, às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações. Os pais usam dizer por aqui: “os filhos são a menina dos nossos olhos”. Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz regalando-nos o milagre da visão! O que vai ser de nós, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente? O meu auspício é que, nesta semana, cada um de nós se deixe interpelar por esta desafiadora pergunta. E atenção! A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo. É a janela e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço. Isso significa: tutelar as condições materiais e imate- riais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais cons- truir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmi- tir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte trans- cendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; en- tregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos. Com essas atitudes precedemos hoje o futuro que entra pela janela dos jovens. Concluindo, peço a todos a delicadeza da atenção e, se possível, a necessária empatia para estabelecer um diálogo de amigos. Nesta hora, os braços do Papa se alargam para abraçar a in- teira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazônia até os pampas, dos sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta ex- cluído do afeto do Papa. Depois de amanhã, se Deus quiser, tenho em mente recordar-lhes todos a Nossa Senhora Aparecida, invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias. Desde já a todos abençôo. Obrigado pelo acolhimento!
  12. 12. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 11 Terça-feira, 23 de julho de 2013 CERIMÔNIA DE APRESENTAÇÃO DA MEDALHA COMEMORATIVA DA VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO RIO DE JANEIRO POR OCASIÃO DA 28ª JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE Residência do Sumaré, Rio de Janeiro Discurso do Cardeal Tarcisio Bertone Secretário de Estado do Santo Padre http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/card-bertone/2013/documents/rc_seg-st_20130723_medaglia-gmg-2013_po.html Excelentíssimo Dom Orani Tempesta, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, Eminentíssimo Cardeal Estanislau Ryłko, Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Ilustríssimo Senhor Marcone Leal, Vice-Presidente da Casa da Moeda do Brasil, Caros irmãos e irmãs, Sob os pés do Corcovado, a montanha onde está a estátua do Cristo Redentor, que com os seus braços abertos abençoa a cidade do Rio de Janeiro, que vista de cima realmente faz jus ao seu título de Cidade Maravilhosa, reunimo-nos hoje para participar da apresentação da medalha comemorativa pela primeira Visita Apostólica de Sua Santidade o Papa Francisco ao Brasil, por ocasião da XXVIII Jornada Mundial da Juventude. Primeiramente, em nome do Santo Padre, queria agradecer à Casa da Moeda do Brasil por esta bela iniciativa de cunhar estas medalhas que certamente têm por objetivo deixar registrado, de um modo poderíamos dizer "físico", a lembrança desta celebração de fé e alegria que reúne jovens vindos de todos os continentes. A medalha em questão apresenta no seu anverso a imagem do Papa Francisco, alegre e sorridente, manifestando a sua proximidade junto ao povo e a simplicidade dos seus gestos que, desde o primeiro momento em que foi anunciado como novo Bispo de Roma, conquistaram o mundo inteiro. Já o reverso da medalha apresenta as imagens da Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro e da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, representando as duas cidades brasi- leiras que compartilham a alegria de receber a primeira visita fora da Itália do primeiro Papa latino- americano. Se me permitem uma brevíssima reflexão, ao ver esta "memória cunhada em metal", penso que ela deve ser, para nós, um motivo a mais para vivenciar com agradecimento estes dias histó- ricos aqui no Brasil. Ontem, na celebração de boas-vindas no Palácio Guanabara, o Papa Fran- cisco nos lembrou que a razão que o trouxe ao Brasil não foi outra senão de "alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração", particularmente nos corações dos jovens, na certe- za de que a "juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo" (Discurso de Boas-Vindas, 22/07/2013). E, justamente porque todos queremos um mundo melhor é necessário apostar na juventude. Assim, vendo a medalha cunhada com a figura do Papa Francisco, somos chamados a deixar que as palavras que ele nos dirigirá durante estes dias, possam ficar cunhadas na nossa mente e no nosso coração. Caros amigos, uma vez mais agradeço a todos, pela louvável iniciativa que nos reúne hoje, para além da estupenda oportunidade que me dá de poder estar aqui, contemplando esta obra prima da natureza que é a floresta da Tijuca. E, dirigindo os meus olhos para a Estátua do Cristo Redentor, peço a Ele que lhes abençoe a todos, suas famílias e trabalhos. Muito obrigado.
  13. 13. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 12 MISSA DE ABERTURA DA JMJ RIO 2013 Praia de Copacabana Saudação do Cardeal Dom Stanisław Ryłko Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos http://www.rio2013.com/pt/imprensa/boletins/detalhes/160/saudacao-do-cardeal-stanislaw-rylko Caríssimos jovens! Chegou o dia tão esperado por todos vós: a inauguração da XXVIII Jornada Mundial da Juventude. Bem-vindos ao Rio de Janeiro, bem-vindos a esta metrópole brasileira de extraordiná- ria beleza, dominada pela estátua do Cristo Redentor do Santuário do Corcovado. Nos próximos dias esta cidade será a capital da juventude católica proveniente dos recôndi- tos mais distantes do planeta... Após um longo e árduo caminho de preparação nas vossas paró- quias e nas vossas comunidades, vos reunistes aqui – uma Igreja jovem, cheia de alegria da fé e de ímpeto missionário! As palavras do salmista nos encorajam: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!” (Sal 118,24). Caros jovens, em nome do Pontifício Conselho para os Leigos, o dicastério do Vaticano ao qual o Santo Padre confiou a organização das Jornadas Mundiais da Juventude, dou-vos as mais calorosas boas-vindas, e saúdo-vos com afeto. Uma palavra de gratidão queremos dirigir aos vos- sos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e às religiosas, assim como aos formadores leigos que vos acompanharam e guiaram no itinerário de preparação espiritual em vista desta grande aventu- ra da fé, que viveremos juntos aqui no Rio nestes dias. O Senhor reserva para cada um de vós tantas surpresas! Para todos vós serão dias inesquecíveis, dias de importantes descobertas, dias de escolhas decisivas para a vossa vida! Esta JMJ no Rio é bem particular: após 26 anos a Jornada Mundial da Juventude volta à América Latina, um continente jovem, um continente de esperança. Vale a pena lembrar as pala- vras que o Beato João Paulo II dirigiu aos jovens durante a JMJ de Buenos Aires no distante 1987: «Quero repetir-vos, mais uma vez – como vos disse no primeiro dia do meu pontificado - que “sois a esperança do Papa”, “sois a esperança da Igreja” /.../ Sim – dizia o Papa – eu também quero repetir convosco: “América Latina: sê tu mesma! Na tua fidelidade a Cristo, resiste àqueles que querem sufocar a tua vocação de esperança”».[1] A JMJ do Rio é particular também porque, querida e preparada pelo Papa Bento XVI, será presidida pelo Papa Francisco, o primeiro Papa latino-americano... Realmente as vias do Senhor são imperscrutáveis! Esta JMJ acontece aos pés da imponente estátua do Cristo Redentor do Corcovado. É Ele o verdadeiro protagonista deste evento! O seu coração bate, movido por um amor infinito por cada um de vós, e os seus braços abertos estão prontos a acolher todos vós! Durante esta JMJ, deixai- vos abraçar por Cristo! Confiai-Lhe todos os vossos anseios, os vossos projetos para o futuro, as vossas alegrias mais profundas, confiai-Lhe também as decisões mais difíceis que sois chamados a tomar, os vossos medos e as inquietações que habitam os vossos jovens corações! A juventude é em si mesma uma enorme riqueza: vós a possuís e deveis fazê-la frutificar! Confiai-a a Cristo! Quem escolhe a Cristo, não perde nada, absolutamente nada, mas - ao contrário – ganha tudo e encontra a felicidade verdadeira e a vida em plenitude! O tema que guia esta JMJ – como sabeis – é o mandato missionário que Cristo confiou à sua Igreja: “Ide e fazeis discípulos entre todas as nações!” (cf. Mt 28,19). A missão é a razão de ser da Igreja e de cada cristão! Todos somos convidados a ser o sal da terra e a luz do mundo! Durante esta JMJ, Cristo nos chama a sair de nós mesmos – como freqüentemente diz o Papa
  14. 14. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 13 Francisco – pede-nos para abandonar a nossa vida cômoda, derrubar os muros do nosso egoís- mo, para ir com coragem às “periferias” geográficas e existenciais do mundo, levando Cristo e o seu Evangelho. Nestes dias fazemos nossas as palavras de São Paulo: “Ai de mim se eu não e- vangelizar!” (1Cor9,16) e gritamos a todo o mundo – como nos pede o Santo Padre - «é bom se- guir Jesus /.../ é boa a mensagem de Jesus; é bom sair de nós mesmos, para levar Jesus às peri- ferias do mundo e da existência!».[2] Cristo precisa de vós, jovens! Precisa da vossa fé jovem, cheia de alegria e de entusiasmo missionário! Cristo conta com cada um de vós! Caríssimos jovens de todo o mundo! A JMJ do Rio começou! Digo mais uma vez a todos vós: bem-vindos ao Rio de Janeiro! [1] João Paulo II, L’incontro con i giovani convenuti a Buenos Aires per la Giornata Mondiale della Gioventù 1987, in “Insegnamenti” X, 1 (1987), pp. 1257; 1260. [2] Francisco, Homilia da celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, 24.03.2013. Homilia de Dom Orani João Tempesta Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro http://www.rio2013.com/pt/imprensa/boletins/detalhes/159/homilia-de-dom-orani-joao-tempesta-missa-de-abertura Queridos jovens! Distintas autoridades eclesiásticas, civis e militares! Todas nomeadas pelo protocolo inicial. Amado Povo de Deus! Estamos iniciando a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013! Sejam todos bem-vindos! Es- sa cidade maravilhosa tornou-se ainda mais bela com a presença de vocês! Uma grande alegria nos invade: vocês estão aqui! Vieram de todos os lugares da Terra! Durante estes dias, aqui será a casa de todos vocês! Vocês estão fazendo parte de nossa família nesse belo e importante mo- mento da história! A todos que chegam cansados pela demora da viagem ou de caminhada: este tempo é de estar com o Senhor Jesus Cristo para viver como seu discípulo. Essa nossa experiência terá co- mo consequência o entusiasmo missionário! Ir e fazer discípulos! Esta Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro acolheu com grande responsabilida- de a escolha feita pelo Papa Bento XVI, hoje emérito, anunciada ao final da Missa em Madri em Agosto de 2011. Agradecemos a ele pela escolha e pelas orientações, pelo tema da JMJ e incen- tivo. Sabemos que ele nos segue com a oração e acompanha-nos pelos meios de comunicação. A ele nossa saudação afetuosa. No entanto, providencialmente, esta Jornada estava destinada a ser uma Jornada que, pela segunda vez, ao retornar à América Latina depois de 26 anos, pudesse ser o lugar de acolhida da primeira viagem apostólica do primeiro Papa latino-americano da história, o Papa Francisco, que veio para presidir este belo e importante momento da vida da Igreja nessas terras de São Sebas- tião. Nós já o acolhemos na segunda-feira pelas ruas desta cidade e com muita alegria, oficial- mente, o acolheremos solenemente aqui, nesse mesmo local, na próxima quinta-feira. O primeiro Papa latino-americano da história pisou como Sumo Pontífice o solo da América Latina neste San- tuário Mundial da Juventude em que se transformou esta cidade nestes dias. Nesta semana, o Rio se torna o centro da Igreja, viva e jovem. Todos os caminhos para cá nos conduzem. Vocês vieram de diferentes partes do mundo para juntos partilharmos a fé e a ale-
  15. 15. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 14 gria do discipulado. Essa felicidade nos fortalece e nos convida a ir ao encontro dos demais jo- vens, a fazer-nos missionários em todas as nações. O melhor presente a darmos às outras pes- soas é a presença de Cristo, que nos preenche e nos impulsiona a amar e a nos doar, sempre no diálogo fraterno. Aqui chegamos, também, depois de quase dois anos de peregrinação dos símbolos da JMJ pelo nosso país: a cruz da juventude e o ícone de Nossa Senhora que agora estarão presentes em nossos atos centrais. Quando esses símbolos nos foram entregues em Madri, na Espanha, em Agosto de 2011, a comoção tomou conta da juventude do nosso país que, com entusiasmo, aco- lheu-os em suas comunidades durante esse tempo. Temos conosco, espalhadas pela cidade, muitas relíquias dos santos patronos e intercesso- res da JMJ, recordando que em todas as épocas e locais do mundo temos jovens que se santifica- ram. Estão conosco, também, parentes dessas pessoas que são exemplo de vida cristã e que rezam conosco pela juventude hodierna. O entusiasmo juvenil por todos os cantos demonstram o rosto do jovem cristão, que procura unir o testemunho de uma vida autenticamente cristã com as consequências sociais do Evange- lho. Somos chamados a ser protagonistas de um mundo novo. Tenho certeza de que vocês fa- rão isso em suas cidades e seus países. O mundo necessita de jovens como vocês! Acabamos de ouvir o Evangelho no qual Jesus chama Mateus para o discipulado. E, ao chamá-lo, anuncia que Ele veio justamente para que os pecadores experimentem a misericórdia. Veio para nós que estamos entre os povos chamados à obediência da fé, conforme nos fala Paulo na carta aos Romanos. “Recebemos a graça da vocação para o Apostolado, nós que fomos cha- mados a ser discípulos de Jesus Cristo, amados de Deus e santos por vocação. A primeira leitura, juntamente com o salmo, nos indica que a nossa resposta deve ser de prontidão, – dizendo: Eis-me aqui! Aqui estou! Fala que teu servo escuta! Pois viemos para fazer, com prazer, a vontade do Senhor (Sl 39/40). É esta expressão bíblica que gostaríamos que estivesse nos lábios e corações de vocês hoje e sempre: Eis-nos aqui, Senhor! A exemplo de Mateus, também estamos prontos para as conseqüências do SIM a Deus, cheias de desafios e alegrias. Foi a chamada d’Ele que nos uniu nesse cenário maravilhoso da praia que recebe este no- me por causa da inicial devoção a Nossa Senhora de Copacabana, sob o Cristo Redentor com Seu abraço acolhedor. Este mar, a areia, a praia e a multidão fazem lembrar a vocação dos outros discípulos, além de Mateus. Esse cenário nos remete aos barcos deixados na praia por aqueles que foram chamados por Jesus para segui-lo. Hoje, também nós somos chamados para seguir a Cristo Ressuscitado. O Mestre Jesus nos convida para um mergulho em águas profundas, as águas do nosso batismo. E este bonito encontro internacional está justamente no coração do Ano da fé, tempo propício para renovar nossos compromissos assumidos na comunidade cristã. Somos chamados a viver profundamente a fé nesse tempo plural e de tantos questionamentos, nessa mudança de época, mas com o entusiasmo e a coerência de quem se deixa conduzir pela ação do Espírito Santo. Refletindo sobre a resposta de Mateus a Jesus, ouvimos que, quando nos levantamos para responder positivamente ao Mestre, Ele vem cear em nossa casa e transforma nossa vida. Para Samuel, na primeira leitura, o chamado parecia um sonho, mas com a ajuda de um companheiro ele conseguiu discernir que a voz era de Deus, era real. O caminho missionário exige discerni-
  16. 16. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 15 mento, utopia, sonho, mas também do auxílio de alguém ao nosso lado que nos ajude a reconhe- cer a voz de Deus. Como Paulo, somos servos de Cristo, apóstolos por vocação e escolhidos para o evangelho de Deus! Queridos jovens, nossa Arquidiocese sentiu-se chamada por Deus para acolher vocês. To- dos nós respondemos assim como Samuel, Paulo e Mateus: Eis-nos aqui! Aqui estamos! Nossas paróquias, famílias, escolas, pastorais, associações, movimentos, grupos de serviços. As nossas casas são as casas de vocês! Existe uma revolução de amor neste momento: o outro é Cristo para nós! O outro é nosso irmão! Que isso ressoe pelo mundo! Somos chamados a viver constru- indo um mundo de irmãos! Queremos que todos e cada um se sintam acolhidos no abraço de Cristo, que chama a todos para estarem com Ele na construção do Reino de Deus. Vamos juntos? Cristo nos convida: venham, meus amigos! Vamos com Ele nas pegadas do sucessor de Pedro, do Vigário do Redentor peregrinar por este Rio, semeando fraternidade por onde passarmos. Que possamos ser arautos da paz e da concórdia, conclamando o mundo a viver a santidade que brota do Redentor do Homem. E, ao redor do Mestre, junto com outros jovens discípulos vindos de todos os recantos dessa Terra, diremos “Senhor, como é bom estarmos aqui” (Mt 17,4). Andem por esta cidade, testemunhem Jesus Cristo, comprometam-se com o mundo novo, conta- giem a todos com a alegria e a paz de Cristo, como sentinelas da manhá, trabalhando na renova- ção do mundo à luz do plano de Deus. Vivemos este tempo forte de peregrinação porque Jesus Cristo está vivo no meio de nós, nos dá o seu Espírito Santo, e nós somos chamados a viver esta realidade e transmiti-la aos ou- tros de modo acessível e compreensível. Jesus Cristo é sempre atual, sobretudo para os jovens que buscam a verdade, a justiça e a paz – e só podem encontrá-las em Jesus Cristo. Vocês, queridos jovens, são o presente esperançoso de uma sociedade que espera que sua crise de valores tenha uma solução. São chamados a formar uma nova geração que vive a fé e a transmite para a geração seguinte. Somos convidados a uma experiência de fé e dela sair revigo- rados! A participação na comunidade com entusiasmo será a oportunidade de, convivendo com os demais irmãos e irmãs, testemunharem que outro mundo é possível! O primeiro peregrino, que já está entre nós, o Santo Padre, o Papa Francisco, se colocou conosco nesta caminhada e nos in- dicará caminhos durante estes dias. Queridos jovens: não tenham medo de abrir os seus cora- ções para Cristo! Temos muitas barreiras e injustiças para superar. Vamos construir pontes ao invés de muros e obstáculos. O mundo todo, através de vocês, presente nessa cidade precisa testemunhar a soli- dariedade, a partilha e a acolhida do amor de Cristo Redentor. É tempo é de despertar confiança e esperança que se transformem em atitudes para um amanhã de luz. Maria, de tantos nomes e invocações, e aqui no Brasil invocada com o título de Nossa Se- nhora Aparecida como padroeira principal, mas também Nossa Senhora da Penha, Nossa Senho- ra de Nazaré, foi e continua sendo a companheira e mãe de todos os jovens. A ela confiamos ca- da um de vocês para que, acolhendo o Cristo que ela nos apresenta, caminhem pelo mundo como discípulos missonários da nova evangelização, sendo protagonistas de um mundo novo, como sentinelas da manhã despertando a esperança de um novo amanhecer: Cristo Ressuscitou e vai à nossa frente! O Espírito Santo nos iluminará em nossa vida e nos dará as luzes para que compre- endamos a nossa missão de como conduzir as pessoas ao Pai. Hoje, ao iniciarmos a Jornada, o Cristo Redentor nos diz “Venham, meus amigos!” Durante a Jornada, aprenderemos a dizer “Fala, Senhor, que teu servo escuta”! E ouviremos cada vez mais o Senhor a nos dizer: “Sejam missionários”. “Ide e fazei discípulos entre as nações”! E todos nós responderemos: “Eis-nos aqui, Senhor, envia-nos!”
  17. 17. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 16 Quarta-feira, 24 de Julho de 2013 SANTA MISSA NA BASÍLICA DO SANTUÁRIO NACIONAL DE NOSSA SENHORA APARECIDA Aparecida do Norte, SP Saudação do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis Arcebispo de Aparecida e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. http://www.rio2013.com/pt/imprensa/boletins/detalhes/165/saudacao-do-arcebispo-de-aparecida-aparecida-24-07-2013-basilica-de- aparecida Santo Padre, Com grande satisfação, acolho Vossa Santidade neste Santuário Nacional de Nossa Senho- ra da Conceição Aparecida. Esta Vossa visita pastoral ao Santuário da Padroeira do Brasil se ca- racteriza como um ato de devoção a Nossa Senhora. São milhares de romeiros, Santidade, que peregrinam para este lugar que foi abençoado pela imagem milagrosa, encontrada no rio Paraíba, em 1717, e aqui venerada. Peregrinando, eles manifestam seu afeto filial à Virgem Maria, trazendo-lhe suas necessidades, angústias e gratidão. Mas, guiados sobretudo pela esperança, vêm fortalecer a fé e alimentar a caridade. Quando o Bispo de Roma se faz também um romeiro de Nossa Senhora, todos eles se sentem “confirmados na verdade da fé” por aquele que “preside na caridade todas as Igrejas”, “guiando a todos, com firme doçura, nos caminhos da santidade” (cf. Insediamento sulla Cathedra Romana, p. 7). Este Santuário é um importante “ícone” religioso nacional. Ao visitá-lo, podemos dizer que, simbolicamente Vossa Santidade está visitando todo o Brasil. É uma visita de peregrino, com a qual Vossa Santidade quis confiar a Nossa Senhora o grande acontecimento dos próximos dias, que é a 27a Jornada Mundial da Juventude. Todos nós nos unimos a esta oração, para que o encontro da juventude com o Sucessor de Pedro fortaleça a fé e o amor de nossos jovens a Jesus Cristo e suscite em todos eles aquele ardor missionário que se traduz no lema da Jornada: “ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Este santuário que O recebe com imenso júbilo, conta, a partir de hoje, a graça de ter rece- bido três Papas. Ele foi dedicado pelo Beato Papa João Paulo II, dia 04 de julho de 1980, e aco- lheu o Papa Emérito, Bento XVI, nos dias 12 e 13 de maio de 2007, por ocasião da abertura da 5a Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe. No início da celebração desta Missa Solene, em nome dos devotos de Nossa Senhora Apa- recida, desta Arquidiocese e de todo o Brasil, entregarei a Vossa Santidade uma réplica da Ima- gem de Nossa Senhora Aparecida, esculpida em madeira por um artista da região. A cor negra desta imagem, Santo Padre, segundo estudiosos, foi causada, provavelmente, pelo lodo do rio e da fumaça das velas. Ela tem sido interpretada como uma referência aos sofrimentos dos pobres e excluídos, especialmente do povo negro, ao longo da história do Brasil. Vê-la no rosto da Imacu- lada Mãe de Nosso Senhor desperta continuamente nossa Igreja para que seja comprometida com os pobres, e seja pobre também ela, para evangelizar. Assim, livre, pode servir a Nosso Se- nhor e a seu Evangelho.
  18. 18. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 17 Por meio da imagem que será dada a Vossa Santidade, peço a Nossa Senhora, em nome do povo brasileiro, que acompanhe e abençoe o Vosso ministério. Mas desejamos também que o pensamento, o afeto, e, sobretudo, as orações do Papa, acompanhem a grande nação brasileira, para que, justa e fraterna, se desenvolva na paz. E acompanhe ma Igreja no Brasil, para que ela, fiel à sua missão de anunciar o Evangelho e testemunhá-lo no dia a dia, honre sempre sua história de fé, e avance, em meio aos desafios presentes, confiante na presença e na proteção divina e na maternal intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. Santo Padre, seja muito bem-vindo a este Santuário que o acolhe com afeto e reverência filial, como sucessor de Pedro, Bispo de Roma e Pastor de toda a Igreja. Homilia do Santo Padre http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130724_gmg-omelia-aparecida_po.html Eminentíssimo Senhor Cardeal, Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio, Queridos irmãos e irmãs! Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano. Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os Bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Se- nhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro dis- cipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria. Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu ve- nho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valo- res que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas, três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria. 1. Conservar a esperança: A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher – figura de Maria e da Igreja – sendo perseguida por um Dragão – o diabo - que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangeli-
  19. 19. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 18 zação ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desampa- rados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e tam- bém os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo me- lhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiri- tual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fra- ternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã. 2. A segunda postura: Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de espe- rança – a grande esperança que a fé nos dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Parnaíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aqui- lo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele. 3. A terceira postura: Viver na alegria. Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5, 3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI, aqui neste Santuário: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida [13 de maio de 2007]:Insegnamenti III/1 [2007], 861). Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas sur- presas de Deus e cheios de alegria. Assim seja.
  20. 20. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 19 Palavras Improvisadas do Santo Padre depois da Santa Missa na Basílica do Santuário de Nossa Senhora Aparecida Sacada do Santuário http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130724_gmg-balcone- aparecida_po.html Irmãos e irmãs… Irmãos e irmãs, eu não falo brasileiro. Perdoem-me! Vou falar em espa- nhol. Desculpem! Muito obrigado! Obrigado por estarem aqui. De coração, muito obrigado. E, com todo o meu coração, peço à Virgem Nossa Senhora Aparecida que lhes abençoe, abençoe suas famílias, abençoe seus filhos, abençoe seu pais, abençoe a Pátria inteira. Vejamos – agora vou certificar-me – se me entendem. Faço-lhes uma pergunta: Uma mãe se esquece de seus filhos? [Não…] Ela não se esquece de nós, Ela nos ama e cuida de nós. Ago- ra vamos lhe pedir a Bênção. A Bênção de Deus Todo-Poderoso Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre vocês e permaneça para sempre. Quero pedir-lhes um favor, um jeitinho… Rezem por mim; rezem por mim, preciso! Que Deus lhes abençoe. Que Nossa Senhora Aparecida lhes proteja. Adeus até quando eu voltar, em 2017!
  21. 21. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 20 VISITA AO HOSPITAL DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS DA PENITÊNCIA Tijuca, Rio de Janeiro Saudação de Dom Orani João Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro http://www.rio2013.com/pt/imprensa/boletins/detalhes/182/discurso-de-dom-orani-bencao-do-legado-social Vossa Santidade, querido Papa Francisco, Amados Irmãos no Episcopado, Estimados membros do Hospital São Francisco e profissionais que aqui atuam, Caríssimos membros da família franciscana aqui presentes, Autoridades civis e militares, Santo Povo de Deus! “Iluminados pelo Cristo, o sofrimento, a injustiça e a cruz nos desafiam a viver como Igreja samaritana (cf. Lc 10,25-37), recordando que ‘a evangelização vai unida sempre à promoção hu- mana e à autêntica libertação cristã’” (DA 26). Estas palavras do Documento de Aparecida tornam-se realidade no dia-a-dia das atividades deste hospital, sem dúvida uma obra de misericórdia e de promoção da dignidade de cada mulher e cada homem. Quis a providência de Deus que seu primeiro compromisso com o povo da JMJ aqui no Rio de Janeiro fosse para abençoar um trabalho de acolhimento e recuperação de jovens adictos, que permanecerá como sinal das consequências da evangelização e no amor aos irmãos e irmãs que sofrem. Aqui se concentram vários trabalhos de prevenção, recuperação e inserção para pessoas adictas. São muitas iniciativas que se concentram, recordando o compromisso da mãe Igreja com seus filhos que sofrem. O nosso Vicariato para a Caridade Social e a Comunidade Religiosa deste hospital se reuniram com todos os grupos que trabalham na recuperação para organizar um traba- lho em rede, em que se aproveitem todos os dons de cada um. Neste local de constante testemunho do Evangelho pela transformação da fé em obras, te- nho imensa alegria em receber Vossa Santidade para a inauguração do Pólo de Atenção Integral à Saúde Mental – PAI – como chamamos. Este centro tem capacidade para atender 70 dependen- tes químicos no período de crise. Deverá se tornar um centro de referência e aprendizado. É um braço a mais nesse campo de recuperação. Como nosso Pai misericordioso, este espaço quer acolher os que necessitam atenção e cui- dados especiais após terem gastado sua juventude em alegrias transformadas em desilusões. Quer ser um apoio para tantas iniciativas existentes. A realidade das drogas vitima milhares de jovens, e sabemos que este trabalho é apenas uma gota no oceano. Às comunidades religiosas e a todos os profissionais que aqui se encontram, que aqui traba- lham, aos representantes das diversas casas de recuperação, da pastoral da sobriedade e de tantas iniciativas: obrigado por acolher o Cristo sofredor em cada um desses jovens. Obrigado por ser, para eles, o reflexo do amor paterno e materno de Deus por cada um de nós. Possa São Francisco renovar sua dedicação e sua entrega para encontrar a perfeita alegria no serviço diário. Todos sabemos como é importante oferecer aos jovens um legado social da Jornada Mundi- al da Juventude. Este é um fruto que já existia e que agora, com o trabalho em rede, será ainda
  22. 22. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 21 mais eficiente. Esse legado, que contou com a colaboração da Conferência Episcopal Italiana e que contará com parcerias governamentais para o seu funcionamento, permanecerá como um sinal para o futuro. E mais claro ainda que os principais frutos da Jornada são aqueles plantados no coração de cada jovem, tocado pelo encontro pessoal com Cristo, que revoluciona seu modo de encarar a vida, de se relacionar com Deus, consigo mesmo e com os demais. Rezemos por todos aqueles milhares de jovens aqui presentes nestes dias, para que esse encontro pessoal com Cristo juntamente com Vossa Santidade possa gerar um reflexo para o bem de toda a socie- dade. Papa Francisco, sei de seu coração voltado para os necessitados e aqui estão grupos, pas- torais, entidades, pessoas, casas de recuperação, hospital que se uniram para trabalhar em rede para ajudar na recuperação de pessoas adictas, com um diferencial cristão que tudo faz por causa de sua fé em Cristo Jesus. Contemplando os diversos rostos de sofredores,o discípulo missionário enxerga, em cada um, o rosto de seu Senhor (DA 32, 65 e 402). É um belo sinal que a JMJ do Rio de Janeiro deixa para a posteridade. Peço sua bênção para esta obra, para estes irmãos que aqui trabalham e pelos que irão se recuperar com essa rede. Ao Senhor, nosso Deus, toda a glória que nos permitiu chegar até aqui e nos sustente para o futuro! Saudação do Cônego Manuel de Oliveira Manangão Coordenador do Projeto http://www.rio2013.com/pt/imprensa/boletins/detalhes/183/saudacao-do-conego-manuel-de-oliveira-manangao Vossa Santidade, querido Papa Francisco, Eminências Reverendissimas, Excelências Reverendissimas Prezados membros do Hospital São Francisco e profissionais que aqui atuam, Prezada família franciscana aqui presente, Coordenadores das Instituições membros da Rede do Legado Social da Jornada Autoridades civis e militares, Meus Irmãos e Minhas Irmãs! Quando, há quase dois anos, o Vicariato Episcopal para a Caridade Social foi convidado a pensar num legado para a jornada Mundial da Juventude, a acontecer no Rio de Janeiro, na área de atuação da Igreja no social, tínhamos por pano de fundo o pensamento de seu predecessor, o Papa emérito Bento XVI. Em sua Encíclica Deus Caritas est, ele recorda que a Caridade na Igreja é um modo pelo qual a ação de Deus se revela aos corações mais sofridos de nossa sociedade [1]. Pois, como dizia Sto. Agostinho, “se vês a caridade, vês a Trindade” [2] . Além disso, tínhamos os dados de que um terço de nossa juventude é vitima do flagelo das drogas em suas várias modalidades. Gerações inteiras perdidas, sem futuro. A experiência secular da Igreja em sua atuação como Mãe e Mestra em humanidade apon- tava uma saída: colocarmo-nos com o que temos e sabemos ao lado de todos os sofredores deste flagelo, pois temos algo a contribuir para que a sociedade possa redescobrir o rumo da beleza com que Deus chamou o homem a ser sua imagem e semelhança na obra da Criação.
  23. 23. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 22 Assim, a Arquidiocese do Rio de Janeiro iniciou o processo para criar uma Rede de Trata- mento da Dependência Química. Com isso ela quer contribuir diante do grande desafio de implan- tar ações que possam trazer resultados efetivos no tratamento e na reinserção social dos depen- dentes do uso de drogas. Para execução das ações da Rede, a Arquidiocese começou por discutir e elaborar um Termo de Adesão que permitisse às entidades e organismos da sociedade se unir em rede, pois temos a consciência de que toda a sociedade deve estar envolvida neste processo. O segundo passo foi articular as entidades católicas a unirem suas forças nesta rede, aju- dando a compreender que, como diz o ditado popular, a união faz a força. A Rede tem como obje- tivo a promoção de estruturação, integração, articulação e ampliação das ações voltadas ao tra- tamento e reinserção social das pessoas dependentes. A execução das ações da Rede envolverá as instituições da Arquidiocese, da sociedade civil, e das políticas públicas de saúde, assistência, educação e trabalho. Constitui o público da Rede: as pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade ou risco social; os que estão em desvantagem pessoal resultantes de exclusão pela pobreza ou inserção precária nas demais políticas públicas. Outra ação prevista é a de prevenção por meio da capacitação de profissionais de diferen- tes áreas sobre a questão do crack e de outras drogas. E ainda, a Cooperação técnica com insti- tuições de referência no campo de estudos e pesquisas que possam acompanhar o trabalho de- senvolvido, prestar consultoria e avaliar resultados. Tudo isto vai contribuir para o aprimoramento da metodologia e para ajudar no aperfeiçoamento na execução de políticas públicas de assistên- cia aos dependentes químicos. Assim, a Missão da Rede é Contribuir para o desenvolvimento de ação transformadora das condições de vida de pessoas em situação de dependência química. Isso acontecerá por meio de trabalho articulado e complementar das instituições da Arquidiocese e parceiros, oferecendo opor- tunidade de acolhimento, abrigamento, tratamento de dependência química, acesso a direitos, fortalecimento e preservação de vínculos familiares e comunitários, educação, capacitação para o trabalho, renda, e, exercício da cidadania, assim como promovendo capacitação de agentes de prevenção e, integração com as políticas públicas. Toda essa preocupação nos levou à construção de um sistema informatizado de gestão das informações da ação da Rede, com o objetivo de contribuir para gerar informações que aju- dem a aumentar o número de pessoas com oportunidade de tratamento continuado e desenvolvi- mento humano. Sistema esse já sendo usado e interligando as instituições que no momento fa- zem parte da Rede. O Plano de Ação é constituído por 4 eixos que dão sustentação ao processo definido na missão da rede. Eixo 1: Abordagem: tem como foco aumentar as oportunidades das pessoas para iniciarem e permanecerem no tratamento e recuperação da dependência química Eixo 2: Tratamento da Dependência Química e Saúde: seu Foco é diagnosticar as situa- ções de co-morbidade e de dependência química; estabelecer plano de tratamento médico (via internação ou ambulatorial); emitir laudos e pareceres sobre a saúde das pessoas encaminhadas aos serviços de saúde pela Rede. Eixo 3: Desenvolvimento da Autonomia: oFoco é Contribuir para a inclusão social das famí- lias e indivíduos, que sofrem as conseqüências da dependência química. E o Eixo 4: Apoio: tem como Foco: Oferecer oportunidade de acesso e/ ou de complemen- tação ao processo de autonomia.
  24. 24. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 23 Todo este processo é atravessado por uma Ação Estratégica de Prevenção que tem a prio- ridade da sua atuação nos espaços comunitários através da Capacitação de Agentes Comunitá- rios Especializados no apoio ao dependente químico. Fazem parte de todo este processo e da nossa Rede: As pastorais da família, da Juventude e do Menor atuando na PREVENÇÃO. O Ônibus que se encontra agora estacionado na rampa de acesso a este hospital é instrumento de visibilidade no acolhimento de crianças, adolescentes e jovens nas rua e comunidades através do uso das mídias sociais. A unidade deste hospital que está sendo inaugurada juntamente com a Rede, graças à do- ação providencial da CEI e que terá a sua ação continuada graças ao convênio com o SUS, tem como nome a sugestiva sigla PAI (Polo de Atendimento Integral). Ela terá como finalidade todo o processo de atendimento, diagnóstico e tratamento nos momentos da crise dos usuários, e ainda, será um polo de capacitação para os agentes que atuarão no tratamento e atendimento em geral para os adictos. Além desta unidade, ainda contaremos com o Ambulatório da Providência já atuando no atendimento dos mais pobres marcados tanto pela Aids como agora pelas drogas. As queridas e eficientes Comunidades Terapêuticas, que são muitas, terão como papel o acolhimento das pessoas que, para além do tratamento oferecido pelas duas unidades de saúde da Rede, necessitam de maior tempo e de uma estrutura humana que lhes permitam redescobrir sua dignidade humana, fortalecer sua auto-estima e se verem como filhos e filhas de Deus. Rumo a reintegração no processo produtivo de nossa sociedade contamos com o Banco da Providência através de suas muitas agencias e de modo especial a Agencia Emaús que lida diretamente com homens e situação de risco social (população de rua, egressos do sistema penal e usuários de drogas), e com o CEAT(Centro de Atendimento ao Trabalhador) que tem como fina- lidade capacitar e inserir pessoas no chamado mercado de trabalho. Santo Padre, esta Rede, Legado Social que a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 deixa para a cidade do Rio de Janeiro, está interligada a entidades e organizações de cidades que fazem parte das Dioceses do Estado do Rio de Janeiro. Esta comunhão ajuda a já visualizar o sonho de se ter no Regional Leste I um Centro de Referencia para a ação contra as Drogas. Con- tamos com suas orações e bênção apostólica. [1] cf Bento XVI, Deus Caritas est 19 [2]. cf. Agostinho, De Trinitate, VIII, 8, 12 CCL 50,287 Discurso do Santo Padre http://www.rio2013.com/pt/imprensa/boletins/detalhes/175/discurso-papa-francisco-bencao-do-legado-social Senhor Arcebispo do Rio de Janeiro, Amados Irmãos no Episcopado Distintas Autoridades, Queridos membros da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, Prezados médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde, Amados jovens e familiares, boa noite!
  25. 25. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 24 Quis Deus que meus passos, depois do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, se dirigis- sem para um particular santuário do sofrimento humano, que é o Hospital São Francisco de Assis. É bem conhecida a conversão do Santo Patrono de vocês: o jovem Francisco abandona riquezas e comodidades para fazer-se pobre no meio dos pobres, entende que não são as coisas, o ter, os ídolos do mundo a verdadeira riqueza e que estes não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir aos demais; mas talvez seja menos conhecido o momento em que tudo isto se tor- nou concreto na sua vida: foi quando abraçou um leproso. Aquele irmão sofredor foi «mediador de luz (…) para São Francisco de Assis» (Carta Enc. Lumen fidei, 57), porque, em cada irmão e irmã em dificuldade, nós abraçamos a carne sofredora de Cristo. Hoje, neste lugar de luta contra a de- pendência química, quero abraçar a cada um e cada uma de vocês - vocês que são a carne de Cristo – e pedir a Deus que encha de sentido e de esperança segura o caminho de vocês e tam- bém o meu. Abraçar, abraçar. Precisamos todos de aprender a abraçar quem passa necessidade, como fez São Francisco. Há tantas situações no Brasil e no mundo que reclamam atenção, cuidado, amor, como a luta contra a dependência química. Frequentemente, porém, nas nossas socieda- des, o que prevalece é o egoísmo. São tantos os “mercadores de morte” que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo o custo! A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem. Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro. Precisamos todos de olhar o outro com os olhos de amor de Cristo, aprender a abraçar quem passa necessidade, para expressar solidariedade, afeto e amor. Mas abraçar não é suficiente. Estendamos a mão a quem vive em dificuldade, a quem caiu na escuridão da dependência, talvez sem saber como, e digamos-lhe: Você pode se levantar, po- de subir; é exigente, mas é possível se você o quiser. Queridos amigos, queria dizer a cada um de vocês, mas sobretudo a tantas outras pessoas que ainda não tiveram a coragem de empreender o mesmo caminho de vocês: Você é o protagonista da subida; esta é a condição imprescindível! Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar, mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar. Mas vocês nunca estão sozinhos! A Igreja e muitas pessoas estão solidárias com vo- cês. Olhem para frente com confiança; a travessia é longa e cansativa, mas olhem para frente, existe «um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilu- sórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias» (Car- ta Encícl. Lumen fidei, 57). A vocês todos quero repetir: Não deixem que lhes roubem a esperan- ça! Não deixem que lhes roubem a esperança! Mas digo também: Não roubemos a esperança, pelo contrário, tornemo-nos todos portadores de esperança! No Evangelho, lemos a parábola do Bom Samaritano, que fala de um homem atacado por assaltantes e deixado quase morto ao lado da estrada. As pessoas passam, olham, mas não pa- ram; indiferentes seguem o seu caminho: não é problema delas! Quantas vezes nós dizemos: não é um meu problema! Quantas vezes olhamos para o outro lado e fingimos que não vemos. So- mente um samaritano, um desconhecido, olha, para, levanta-o, estende-lhe a mão e cuida dele (cf. Lc 10, 29-35). Queridos amigos, penso que aqui, neste Hospital, se concretiza a parábola do Bom Samaritano. Aqui não há indiferença, mas solicitude. Não há desinteresse, mas amor. A As- sociação São Francisco e a Rede de Tratamento da Dependência Química ensinam a se debruçar sobre quem passa por dificuldades porque veem nestas pessoas a face de Cristo, porque nelas está a carne de Cristo que sofre. Obrigado a todo pessoal do serviço médico e auxiliar aqui empe- nhado! O serviço de vocês é precioso! Realizem-no sempre com amor; é um serviço feito a Cristo presente nos irmãos: «Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes» (Mt 25, 40), diz-nos Jesus.
  26. 26. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 25 E quero repetir a todos vocês que lutam contra a dependência química, a vocês familiares que têm uma tarefa que nem sempre é fácil: a Igreja não está longe dos esforços que vocês fa- zem, Ela lhes acompanha com carinho. O Senhor está ao lado de vocês e lhes conduz pela mão. Olhem para Ele nos momentos mais duros e Ele lhes dará consolação e esperança. E confiem também no amor materno de Maria, sua Mãe. Esta manhã, no Santuário da Aparecida, confiei cada um de vocês ao seu coração. Onde tivermos uma cruz para carregar, ao nosso lado sempre está Ela, nossa Mãe. Deixo-lhes em suas mãos, enquanto, afetuosamente, a todos abençôo. Obrigado! Palavras do Santo Padre aos Jovens Italianos no final da Visita ao Hospital São Francisco http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130724_gmg-giovani-italiani_po.html A minha saudação para vocês, jovens italianos, que estão nos acompanhando em direto do Maracanãzinho. Sei que se reuniram juntamente com muitos brasileiros de origem italiana e com seus Bispos para celebrar a pessoa de Jesus e refletir sobre as respostas que somente Ele sabe dar às suas questões de fé e de vida. Confiem em Cristo, ouçam-no, sigam os seus passos. Ele nunca nos abandona, nem mesmo nos momentos mais escuros da vida. Ele é a nossa esperança. Amanhã, em Copacabana, teremos oportunidade para aprofundar esta verdade, para tornar lumi- nosa a vida. Até amanhã!
  27. 27. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 26 Quinta-feira, 25 de Julho de 2013 CERIMÔNIA DE BÊNÇÃO DAS BANDEIRAS OLÍMPICAS Palácio da Cidade Palavras do Santo Padre http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130725_gmg-bandiere- olimpiche_po.html Acabamos de benzer as bandeiras e as imagens religiosas. Bom dia a todos! Muito obrigado por estarem aqui neste momento e agora, de coração, vou lhes dar a Bênção a vocês todos, às suas famílias, aos seus amigos, ao bairro, a todos. [dá a Bênção] E rezem por mim!
  28. 28. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 27 VISITA À COMUNIDADE DE VARGINHA Varginha - Manguinhos Discurso do Santo Padre http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130725_gmg-comunita- varginha_po.html Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Que bom poder estar com vocês aqui! Que bom! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um "cafezinho" - não um copo de ca- chaça! - falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos a- vós... Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês; esta comunidade, que hoje representa todos os bairros do Brasil. Como é bom ser bem acolhido, com amor, generosidade, alegria! Basta ver como vocês decora- ram as ruas da Comunidade; isso é também um sinal do carinho que nasce do coração de vocês, do coração dos brasileiros, que está em festa! Muito obrigado a cada um de vocês pela linda aco- lhida! Agradeço ao casal Rangler e Joanapelas suas belas palavras. 1. Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vo- cês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo - não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! Se pode colocar mais água no feijão? … Sempre? ... E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração! E o povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra – esta palavra solidariedade – é uma palavra frequen- temente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Quase parece um palavrão… solidariedade! Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilida- des, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é, não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que cons- trói e conduz a um mundo mais habitável; não é ela, mas sim a cultura da solidariedade; a cultura da solidariedade é ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão. E todos nós somos irmãos! Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as par- tes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à misé- ria. Nenhum esforço de “pacificação” será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma. Não deixemos, não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável! Não dei- xemos entrar no nosso coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos. Ninguém é descartável! Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enri- quece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica! Pensemos na multiplicação dos pães de Jesus! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!
  29. 29. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 28 2. Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres di- ante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. Fome de dignidade. Não existe ver- dadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se igno- ram os pilares fundamentais que sustentam uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da con- vivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; asaúde, que deve buscar o bem- estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano. 3. Queria dizer uma última coisa, uma última coisa. Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Hein, jovens! Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injus- tiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a es- perança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a pra- ticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo com o bem. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10). Hoje a todos vocês, especialmente aos moradores dessa Comunidade de Varginha, quero dizer: Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o Papa está com vocês. Levo a cada um no meu coração e faço minhas as intenções que vocês carregam no seu íntimo: os agradeci- mentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de consolação nos momen- tos de tristeza e sofrimento. Tudo isso confio à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com grande carinho lhes concedo a minha Bênção. Obrigado! Discurso de Moradores da Varginha: Rangler dos Santos Irineu & Joana Alves de Souza Carvalho http://imagens.rio2013.com/app/webroot/files/press/2507_Visita_favela_Saluto_coppia_coniugi_PT_26072013130712.pdf Santidade e demais autoridades, senhoras e senhores, Bom dia! Em nome de toda a comunidade da Varginha, queremos dar as boas vindas e afirmar que este dia é muito especial por estarmos recebendo, neste lugar tão simples, Vossa Santidade, nos- so querido e amado Papa Francisco. Este dia histórico marcará as nossas vidas para sempre. Hoje, não é só a comunidade que está acolhendo Vossa Santidade, mas temos a certeza que é Vossa Santidade que está nos aco- lhendo de coração aberto, como um pai. Portanto, gostaríamos de pedir a vossa permissão para quebrarmos um pouco o protocolo, assim como Vossa Santidade faz em alguns momentos, e
  30. 30. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 29 chamá-lo de Pai, Pai Francisco, aquele que acolhe a todos e, especialmente, os mais pobres. É assim que ouvimos falar e agora constatar. A sua história de vida é marcada por este ir ao encon- tro dos marginalizados, dos desfavorecidos, dos esquecidos pela sociedade e pelo poder público. Obrigado por estar aqui! Pai Francisco, muitos nos perguntaram porque esta comunidade foi escolhida para receber a sua visita, e esta é a pergunta que nós também nos fazemos. A final esta comunidade da Vargi- nha tem uma história comum a maioria das comunidades do Rio de Janeiro, que também se sen- tem visitadas no dia de hoje. Esta comunidade iniciou sua história no ano de 1940. Este lugar foi um lixão aterrado que fora ocupado, em sua grande maioria, por pessoas vindas de vários esta- dos do Nordeste brasileiro - região mais pobre do País e do estado de Minas Gerais movidas pelo sonho de dias melhores. Pessoas que juntamente com seus familiares e amigos, construíram su- as casas com muito suor, dedicação, esforço, lágrimas, união e bênçãos de Deus, como nossos pais e avós. Estes nunca desistiram de seguir em frente, mesmo com todos os confrontos arma- dos que muitos moradores já presenciaram e, por muitas vezes, com o descaso do poder público no momento das enchentes e outras situações que ainda nos impedem de viver com dignidade. Tal descaso, nosso amado Pai, ficou para trás a partir do momento do anúncio da sua visita a nossa comunidade. Deparamo-nos, todos os dias, com pessoas que iam e vinham asfaltando e iluminando ruas, limpando as calçadas regularmente e as caçambas de lixo sendo melhores dis- tribuídas. Tudo aquilo que não fazia parte do cotidiano dos moradores passou a acontecer e – esperamos - que possa continuar desta forma. A sua visita, Pai Francisco, nos levou a mídia nacional e internacional. Nós não fazíamos parte das reportagens dos jornais, ou melhor, não das colunas sociais, mas sim, das colunas poli- ciais e de tragédias, seja pelos confrontos armados que ocorriam ou pelas enchentes dos rios que ocorrem em dias de chuva muito forte. Tal problema de enchente até hoje nem sequer foi discuti- do com os moradores para encontrar uma solução. Mas na vida, Deus sempre se faz presente e fortalece o seu povo com a esperança do novo amanhecer! Pela graça deste mesmo Deus, em 1971 fomos abençoados com uma capela, dedi- cada a São Jerônimo Emiliani que, mesmo sendo de uma família rica, dedicou sua vida a cuidar dos doentes, dos órfãos. O Papa Pio XI o proclamou “Patrono Universal dos órfãos e da juventude abandonada”. Minha esposa e eu sempre fomos engajados em pastorais das paróquias que participamos. E ao longo de nossos oito anos de relacionamento, namoramos, noivamos, nos formamos na fa- culdade, nos casamos, sempre tendo Jesus Cristo como centro de nosso relacionamento em to- dos os momentos, sejam eles de dificuldades e/ou de alegria. Agora unidos por Deus em uma só carne fazemos juntos parte da juventude desta comunidade, uma juventude que busca em Deus sua força, seu caminho, que nunca desiste de seus sonhos, que luta por uma vida melhor por meio dos estudos e do trabalho digno. Talvez somente agora, Pai, é possível encontrar a resposta porque esta comunidade está recebendo a sua visita. Porque somos pequenos, pobres, esquecidos, e mesmo diante dos aplau- sos e holofotes, permanecemos fiéis a Deus, simples, humildes e unidos. Esta comunidade, como todas as demais comunidades do Rio de Janeiro e, ousamos dizer, do mundo, hoje se sente visi- tada e recordada por aquele que é o “Doce Cristo na Terra”. Todas as periferias olham e se identi- ficam com o ministério que o senhor, Pai Francisco, continua a exercer indo ao encontro daqueles que são “invisíveis” a sociedade. Obrigado, pelo testemunho e amor! Por fim, queremos agradecer a sua visita e que se possível não seja a única. Que o senhor leve em sua memória e em seu coração, esta comunidade tão pequena, tão simples e o amor que ela sente pelo senhor. E tenha a certeza que é o nosso atual e maior exemplo de cristão. Deseja- mos continuar aprendendo ainda mais a sermos humildes e servos de Deus, como o senhor é.
  31. 31. Jornada Mundial da Juventude – Rio de Janeiro 2013 Textos Compilado por Natália Lott da Costa 01/ Agosto/ 2013 30 ENCONTRO COM OS JOVENS ARGENTINOS Catedral de São Sebastião Palavras do Santo Padre http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130725_gmg-argentini-rio_po.html Obrigado! Obrigado pela presença! Obrigado por terem vindo! Obrigado àqueles que estão cá dentro! E muito obrigado àqueles que ficaram lá fora, aos trinta mil – dizem-me – que estão lá fora. Lhes saúdo daqui. Estão à chuva… Obrigado pelo gesto de virem ter comigo, obrigado por terem vindo à Jornada da Juventude. Eu tinha sugerido ao Doutor Gasbarri – que é a pessoa que gere, que organiza a viagem – que encontrasse um lugarzinho para um encontro com vocês e, em metade de um dia, arranjou tudo. Quero agradecer publicamente ao Doutor Gasbarri também por isso que ele conseguiu fazer hoje. Desejo dizer-lhes qual é a conseqüência que eu espero da Jornada da Juventude: espero que façam barulho. Aqui farão barulho, sem dúvida. Aqui, no Rio, farão barulho, farão certamente. Mas eu quero que se façam ouvir também nas dioceses, quero que saiam, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defen- damos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos. As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam- se uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG. Que me perdoem os Bispos e os sacerdotes, se alguns depois lhes criarem confusão. Mas este é o meu conselho. Obrigado pelo que vocês pude- rem fazer. Olhem! Eu penso que, neste momento, a civilização mundial ultrapassou os limites, ultrapas- sou os limites porque criou um tal culto do deus dinheiro, que estamos na presença de uma filoso- fia e uma prática de exclusão dos dois pólos da vida que constituem as promessas dos povos. A exclusão dos idosos, obviamente: alguém poderia ser levado a pensar que nisso exista, oculta, uma espécie de eutanásia, isto é, não se cuida dos idosos; mas há também uma eutanásia cultu- ral, porque não se lhes deixa falar, não se lhes deixa agir. E a exclusão dos jovens: a percenta- gem que temos de jovens sem trabalho, sem emprego, é muito alta e temos uma geração que não tem experiência da dignidade ganha com o trabalho. Assim, esta civilização nos levou a excluir os dois vértices que são o nosso futuro. Por isso os jovens devem irromper, devem fazer-se valer; os jovens devem sair para lutar pelos valores, lutar por estes valores; e os idosos devem tomar a palavra, os idosos devem tomar a palavra e ensinar-nos! Que eles nos transmitam a sabedoria dos povos! Pensando ao povo argentino, de coração sincero peço aos idosos: não esmoreçam na mis- são de ser a reserva cultura do nosso povo; reserva que transmite a justiça, que transmite a histó- ria, que transmite os valores, que transmite a memória do povo. E vocês, por favor, não se po- nham contra os idosos: deixem-nos falar, ouçam-nos e sigam em frente. Mas saibam, saibam que neste momento vocês, jovens, e os idosos estão condenados ao mesmo destino: a exclusão. Não se deixem descartar. Claro, para isso acho que vocês devem trabalhar. A fé em Jesus Cristo não é uma brincadeira; é uma coisa muito séria. É um escândalo que Deus tenha vindo fazer-se um de nós. É um escândalo que Ele tenha morrido numa cruz. É um escândalo: o escândalo da Cruz. A Cruz continua a escandalizar; mas é o único caminho seguro: o da Cruz, o de Jesus, o da Encar- nação de Jesus. Por favor, não “espremam” a fé em Jesus Cristo. Há a espremedura de laranja, há a espremedura de maçã, há a espremedura de banana, mas, por favor, não bebam “espreme- dura” de fé. A fé é integral, não se espreme. É a fé em Jesus. É a fé no Filho de Deus feito ho- mem, que me amou e morreu por mim. Resumindo: primeiro, façam-se ouvir, cuidem dos extre- mos da população que são os idosos e os jovens. Não se deixem excluir e não deixem que se excluam os idosos. Segundo, não “espremam” a fé em Jesus Cristo. Com as Bem-aventuranças…

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