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Usabilidade nos trópicos. Desafios e perspectivas de um laboratório de usabilidade no Amazonas.
 

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2010 - Usabilidade nos trópicos. Desafios e perspectivas de um laboratório de usabilidade no Amazonas.

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    Usabilidade nos trópicos. Desafios e perspectivas de um laboratório de usabilidade no Amazonas. Usabilidade nos trópicos. Desafios e perspectivas de um laboratório de usabilidade no Amazonas. Document Transcript

    • 10º USIHC – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de Janeiro USABILIDADE NOS TRÓPICOS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DE UM LABORATÓRIO DE USABILIDADE NO AMAZONAS USABILITY IN THE TROPICS: CHALLENGES AND PERSPECTIVES FOR A USABILITY LABORATORY IN AMAZONAS STATE Robson Santos1, Francimar Maciel2 (1) Doutor em Design, Instituto Nokia de Tecnologia e-mail: robson.santos@indt.org.br (2) Especialista em Ergonomia, Instituto Nokia de Tecnologia e-mail: francimar.maciel@indt.org.br laboratório de usabilidade, relato de experiência, histórico usability laboratory, experience report, history1. Usabilidade: de onde vem Com a crescente complexidade atribuída aMeister (1999) destaca que a história formal e produtos - principalmente os produtos relacionadoscronológica da Ergonomia pode ser dividida, em com tecnologia da informação e de comunicação,linhas gerais, em antes e depois da Segunda Guerra como aparelhos celulares ou microcomputadores -Mundial. Por outro lado, uma história informal é a Ergonomia e a usabilidade passaram a ser peçasrelatada a partir de experiências dos que viveram a fundamentais no desenvolvimento de projetos maishistória e a registram em diários, cartas e relatórios adequados aos usuários. A evolução dos materiaispessoais. O autor esclarece, ainda, que se pode e a planificação tecnológica tornaram mais fácil a“considerar que a história da Ergonomia refletiu as geração de formas para produtos de modo a semudanças e anseios da sociedade e extrapolou o diferenciar dos concorrentes, ao se apresentaremseu campo de interesse comum, os idosos, as soluções inovadores para atender as necessidadescrianças e as pessoas portadoras de deficiência.” ou desejos do usuário consumidor.Soares (2004) apresenta uma caracterização da Turkka Keinonen, em seu trabalho One-evolução da Ergonomia como se segue: dimensional usability (Keinonen, 1998), disseca o conceito de usabilidade e o apresenta em diferentes• Os anos 1950: a década da Ergonomia militar; dimensões. A primeira dimensão é a da• Os anos 1960: a década da Ergonomia industrial; usabilidade como abordagem de projeto,• Os anos 1970: a década da Ergonomia do consistindo em um conjunto de métodos ou consumo; abordagens de projeto, aí compreendidos a• Os anos 1980: a década da Ergonomia de engenharia de usabilidade e o projeto centrado no software e da interação humano-computador; usuário.• Os anos 1990: a década da Ergonomia organizacional e cognitiva; De maneira crescente, a usabilidade tem sido• A primeira década do século XXI caracterizará a incorporada como parte do desenvolvimento de era da comunicação global e da eco-Ergonomia. produtos, em substituição ao modo de encará-la como uma atividade separada. Por meio de umReconhecer a necessidade de se dotar um produto processo de projeto participativo, os métodos decom boa usabilidade e utilizá-la como ferramenta usabilidade aproximam os usuários dos projetistas,que aumente a percepção de valor para o objeto o que garante a melhor adequação dos produtos àstem sido a mola propulsora para muitas empresas a reais necessidades de uso.atender melhor as expectativas dos usuários econsumidores. Uma segunda dimensão é a usabilidade como atributo do produto, levada em conta por meio da
    • 10º USIHC – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de Janeirolistagem de qualidades ou características que, se Amazonas, Minas Gerais e outras universidades daadicionadas a determinado produto, cooperam para Amazônia. Este relacionamento facilita oa sua boa usabilidade. Como exemplo dessas listas intercâmbio do INdT com o ambiente acadêmico etem-se as diversas recomendações e as guias de promove o desenvolvimento científico.estilo para desenvolvimento de programas para Com foco na produção de artigos científicos e nacomputador presentes na literatura especializada. capacitação tecnológica dos profissionais locais, pesquisadores do INdT Manaus ministramHoje, a usabilidade no Brasil não é apenas uma disciplinas em universidades públicas e privadas,curiosidade acadêmica ou uma área somente para nos programas de graduação e mestrado, orientaminvestigação científica. Com o incremento de alunos de mestrado e também coordenam projetoscomplexidade dos produtos, os profissionais de relacionados.desenvolvimento de projetos já a encaram comoum conhecimento indispensável e, de certa forma, O INdT apóia o desenvolvimento profissional eindissociável da prática profissional. Entender as pessoal de seus colaboradores através da coberturadimensões da usabilidade e seu impacto no produto de programas de educação de longa duração (Pós-final colabora para o aumento da efetividade e da graduação, MBA, Mestrado e Doutorado) ou deeficiência dos artefatos gerados, seja para o curta duração (certificações, atualizações,mercado de bens de consumo, seja para workshops). O INdT estimula a publicações deferramentas, equipamentos ou postos de trabalho. artigos em revistas técnicas, livros, publicações profissionais, ou participações em conferências2. Instituto Nokia de Tecnologia custeando despesas referentes à deslocamento,O Instituto Nokia de Tecnologia - INdT é uma alimentação e transporte para colaboradores queinstituição sem fins lucrativos, criada em Outubro tiverem trabalhos aprovados em eventosde 2001 pela Nokia do Brasil Tecnologia Ltda. Seu relevantes.foco é a realização de projetos de pesquisa edesenvolvimento tecnológico, com recursos O sucesso dos projetos do INdT até 2008 járepassados através do benefício da Lei de garante que 30% de seus recursos sejam oriundosInformática e pelos royalties das soluções, de projetos para cliente próprios, e não somente doprodutos ou serviços que desenvolve. percentual repassado através do benefício da Lei de Informática. O objetivo do INdT é serO Instituto possui três centros em operação no reconhecido internacionalmente como um dosBrasil: em Brasília, onde funciona a sede, em maiores centros de Pesquisa e Desenvolvimento naRecife e em Manaus, onde concentra o maior área de Comunicação Móvel.número de pesquisadores. Um grupo depesquisadores também atua em São Paulo, na área 3. Laboratório de usabilidadede soluções móveis. O Instituto conta com mais de Criado para realizar testes de usabilidade e avaliar200 profissionais, com excelente formação experiência do usuário com softwares eacadêmica, entre graduados, mestres e doutores em dispositivos móveis, têm por objetivo principaláreas relacionadas a tecnologia e mobilidade. atender às demandas de testes de usabilidade e desenvolver projetos de pesquisa nas áreas afins,Suas principais áreas de pesquisa são: habilitando o Estado do Amazonas a executarTelecomunicações, Software Livre e Código testes de usabilidade com equipamentos, métodos eAberto, Desenvolvimento de Soluções Futuras em profissionais de nível internacional. Localizado nosoftware, Serviços de Internet para dispositivos INdT de Manaus, o laboratório está estruturado demóveis, Processos de Manufatura, Pesquisa de forma a poder executar testes de usabilidade tantopropriedades mecânicas e componentes eletrônicos de software como de hardware bem como estudosde dispositivos móveis. abordando aspectos emocionais e comportamentais dos usuários relacionados ao uso de produtosO Instituto mantém parcerias com as principais eletrônicos.universidades e centros de pesquisa do mundo, empaíses como Alemanha, Estados Unidos e Localizado a aproximadamente trinta minutos doFinlândia. No Brasil, mantém parcerias com as centro da cidade de Manaus no bairro Colôniauniversidades federais de São Paulo, Brasília, Terra Nova, o laboratório de usabilidade RosaureaCampina Grande, Ceará, Rio de Janeiro, Magalhães está sediado nas instalações do Instituto
    • 10º USIHC – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de JaneiroNokia de Tecnologia, ocupando uma área de, expectativas de clientes e pesquisadores. Poraproximadamente, 50m2. É composto por uma sala exemplo, ao invés de adquirir filmadorasde observação, uma sala de entrevista e um profissionais, pode-se optar por filmadorasambiente onde trabalham os pesquisadores. Pelo portáteis.fato de estar localizado dentro de um Instituto de e) Aquisição de mobiliário que permita umaPesquisa pode ainda utilizar recursos tecnológicos mudança de arranjo de forma rápida e semde outras áreas e laboratórios como serviços de muito esforço físico, para o caso de entrevistasoperadora de telefonia celular, rede elétrica em grupo ou até mesmo para em horas livres oprotegida com No-break para todos os ambiente de teste ser utilizado como espaçoequipamentos e acesso à Internet com e sem fio. para reuniões e workshops. f) Testes externos devem ser considerados como3.1 Planejamento uma prática, mesmo que eventual. Neste casoDe acordo com suas atribuições, técnicas e instituições parceiras são importantes poismétodos previstos para aplicação, um laboratório agilizam processos burocráticos e podemde usabilidade deve ser projetado utilizando contribuir para redução do tempo dedicado aequipamentos de alta qualidade e tecnologia. tais atividades. Por exemplo, ao definir localRubin (2008) comenta que para algumas para realização da atividades, Universidadesorganizações o laboratório de usabilidade é quase são sempre parceiros em potencial, poisou mais importante que o próprio processo de possuem ambientes, infra-estrutura e umteste, pois é parte do diferencial a ser apresentado público frequentador que podem ser recrutadospara clientes e competidores. para participar da avaliação. g) Criação de documentação padrão para facilitarOs equipamentos adquiridos devem atender às aplicações de testes e posterior análise:atividades de pesquisa, seja tanto pelo aspecto de formulários de cadastramento, protocolos deuso, praticidade e simplicidade de manuseio, registro de testes, tabelas de avaliação,quanto pela integração e facilidade de contrato de autorização de imagem, recibo,convergência tecnológica entre os equipamentos. termo de compromisso para uso deDespesas com assistência técnica, manutenção de equipamento etc.equipamento e compra de hardware ou software h) Deve ser feito um levantamento prévio sobrede extensão necessários para complementar algum possíveis formas de bonificação para osrecurso, devem ser previstas. participantes das avaliações, uma vez que os selecionados para participar da pesquisaA partir da experiência de implementação do dedicarão um tempo, entre suas atividadeslaboratório na cidade de Manaus conclui-se como diárias. Como prática corrente, os participantesprincipais pontos para o planejamento de um de atividades do Laboratório de Usabilidadelaboratório de usabilidade: recebem vale compra de lojas conhecidas, uma vez que não nos é permitido transferir dinheiroa) Localização do ambiente, pois deve ser de fácil diretamente para outras pessoas, a menos que acesso aos participantes. haja um contrato de prestação de serviçob) Importância do anonimato. Rubim (2008) validado pelo departamento jurídico do comenta sobre a importância das instalações instituto. do laboratório estarem desvinculadas de marcas e patrocinadores, pois isto pode 3.2 Equipamentos influenciar nas respostas dos participantes; O critério para seleção e aquisição dosc) Dimensão do ambiente, para instalação e equipamentos do laboratório foi baseado em arranjo dos equipamentos e mobiliário; tecnologias e equipamentos utilizados emd) Definição prévia das principais técnicas e laboratórios referências no Brasil e o no mundo, a métodos utilizados, isto poderá ajudar na partir de uma consultoria prestada pelo laboratório definição correta de equipamentos, diminuindo SERCO, sediado em Londres. Dentre os despesas com aquisição de itens de maior valor equipamentos que compõem o patrimônio do que seriam utilizados sazonalmente. Nestes laboratorio destacam-se: casos para atividades específicas, alguns itens • Câmeras de vídeo de alta definição instaladas podem ser substituídos ou adaptados e ainda de forma a cobrir toda a área da sala de assim possuir uma qualidade que atenda às entrevistas.
    • 10º USIHC – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de Janeiro• Um laboratório móvel com capacidade para Hoje, o INdT é parte do organograma oficial do mixar imagens Picture-in-Picture, provenientes projeto como responsável pela pesquisa em de duas câmeras. experiência do usuário no Brasil.• Tobii Eyetracker, aparelho para monitoramento de movimentos oculares por Durante o primeiro ano de funcionamento do meio de sensores infravermelhos. laboratório, foram vivenciadas diversas situações• Visualizador Wolfvision, equipamento para desafiadoras, que ao serem solucionadas, gravação em vídeo com auto-foco de alta colaboraram para aumentar o conhecimento da velocidade e resolução, que permite o uso livre equipe. Ainda assim, nos nove primeiros meses de do objeto. funcionamento, o laboratório apresentava resultados como:3.3 Dificuldades na Implantação • 6 artigos publicados em congressosDurante a implantação do laboratório algumas • 6 workshops ministradosdificuldades foram observadas: • mais de 35 aparelhos e softwares avaliadosa) Com relação ao local de instalação: Foi • mais de 250 horas de registro em vídeo observado o atraso para o início de algumas • mais de 400 pessoas em banco de dados sessões pelo fato dos participantes não • mais de 1.300 horas de testes possuírem transporte próprio, relataram • mais de 2.300 expressões faciais gravadas problemas com o tempo de espera da linha de ônibus que trafega no perímetro. 4.1 Indo onde o usuário estáb) Com relação à Infra-estrutura: A sala de Possuir excelentes instalações nem sempre é entrevista e sala de observação devem ter suficiente para obter dados relevantes em estudos revestimento acústico para isolar o ambiente de usabilidade. A fim de minimizar um dos de ruídos externos que interfiram no registro principais fatores de impacto, dificuldade de de áudio durante as avaliações. deslocamento dos participantes, a realização dec) Acesso à Internet com e sem fio, locais para atividades fora do laboratório tem sido cada vez instalação de câmeras e microfones (parede mais freqüente. Rubim (2008) destaca que isto é e/ou teto). muito mais confortável e prático para osd) A janela de visualização, que permite aos participantes. Esta abordagem possibilita observar clientes e pesquisadores acompanhar as a experiência de uso do produto onde as pessoas sessões a partir da sala de observação, sem normalmente realizam suas tarefas. interferir nas atividades, deve estar no tamanho e altura adequados. Quem serão os Lindholm et al (2003) destacam que estas práticas observadores? Quantos serão? Porque estarão de pesquisas de campo, estudos culturais e observando? São perguntas que, de acordo sociológicos associados com pesquisas de com Rubim (2008), devem ser consideradas usabilidade têm sido adotadas por grandes durante a projetação do laboratório. empresas, pois estudam o alcance dos aspectose) No que se refere à aquisição de equipamento dinâmicos da ação humana, observando todo o do exterior, os processos de logística e contexto social de uso, suas formas, significados e desembaraço podem demorar além do previsto, simbolismos. Permitem ver as atividades sendo necessário o acompanhamento diário individuais de quem influencia ações e de quem é para verificar o status de envio dos influenciado por elas. Os autores afirmam que equipamentos importados. observar e entrevistar pessoas em seus reais ambientes de uso permite um aprendizado sobre a4. Atividades realizadas comunicação no cotidiano.Iniciado no ano de 2008 o projeto Out of BoxExperience (OoBE) foi o primeiro a requisitar as Para tal, é utilizado um equipamento denominadoatividades do Laboratório de Usabilidade. laboratório móvel, composto por uma mala comO projeto OoBE, em parceria com a Nokia da uma mini mesa de edição, que mixa imagensFinlândia, tem por objetivo principal mapear os oriundas de duas câmeras de vídeo no formatomomentos de felicidade ou infelicidade do usuário picture in Picture e exibe em um monitor, além decom determinados aparelhos e entender como e gravar em uma fita de vídeo. As imagens sãoporque ele fica feliz ou infeliz, de forma que se capturadas por meio de duas filmadoras,possa propor melhorias em produtos e serviços.
    • 10º USIHC – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de Janeiroposicionadas em tripés, usualmente uma com foco teste tradicional. Com tais técnicas deseja-seno rosto do participante. conhecer a relação do usuário com o produto no atendimento de suas reais necessidades. De acordoAlém dos preparativos tradicionalmente feitos para com Mariampolsky (2006) estudos de usabilidaderealização de testes de usabilidade, realizar devem ser direcionados para observar a interaçãoatividade externa exige esforços adicionais: dos participantes com a tecnologia em seu próprio ambiente ou contexto. As abordagens etnográficas• Reservar local de fácil acesso aos estão particularmente atendendo de forma participantes: sala de aula em faculdade ou sala satisfatória a descoberta e desenvolvimento de comercial em perímetro urbano. novos produtos, pois estas inquirições no contexto• Providenciar documento interno para (ambientes domésticos, trabalho e lazer) movimentação de material possibilitam um melhor entendimento das• Providenciar transporte necessidades reais e processos envolvidos.A fim de mitigar as possibilidades de incidentes, se Utilizar métodos etnográficos em pesquisas defez necessário desenvolver algumas estratégias, usabilidade permite contextualizar e compreendercomo atuar em parceria com uma escola de Design melhor as situações de uso do produto. Com estae uma empresa de desenvolvimento na cidade de visão diversas atividades do laboratório tem sidoManaus, para que seja possível agendar a reserva desenvolvidas com aplicação de técnicas tais comode sala em tempo hábil para a realização das Day in the Life, técnica de observação participativasessões. realizada durante cerca de 13 horas do dia. Também aplicam-se técnicas como as “visitasUma outra providência se refere ao meio de domésticas”, em que a entrevista é realizadas natransporte adotado. Inicialmente foi utilizado casa da família, a fim de coletar dados sobreserviço de transporte com van. Com o tempo, comportamento de uso e consumo de pessoas compercebeu-se que havia uma subutilização do diferentes perfis.veiculo, e que um taxi comum possui espaçosuficiente para o transporte dos pesquisadores e do Para compreender a variedade de posturas culturaisequipamento. tomadas pelos usuários é necessário separar os participantes de acordo com suas atitudes eEm relação ao pessoal, tem sido prática o comportamentos com relação ao uso dasdeslocamento de três pessoas, sendo dois tecnologias. Estas segmentações são constantespesquisadores e um assistente, geralmente objetos de estudo de pesquisas de marketing.dedicado à operação do equipamento de áudio evídeo. A fim de reduzir custos tanto com despesas Estas pesquisas apresentam dados sobre o perfil,de viagens quanto de mão de obra, optou-se por características, motivações e interesses dosutilizar filmadoras portáteis de mão. participantes e todo tipo de influência recebida diariamente. Samara e Morsch (2005) destacamPelo fato de tais atividades serem realizadas em que desde aspectos sociais, demográficos,local diferente do laboratório, faz-se necessário culturais, psicológicos e situacionais até estímulossempre chegar ao local com algumas horas de de marketing (produto, preço, praça e promoção)antecedência a fim de organizar os móveis e afetam e impulsionam atitudes e as ações dosadequá-los à dinâmica da atividade. Realizar indivíduos em suas decisões de consumo e uso dosatividades externas oferece oportunidade de avaliar produtos.mais claramente o impacto dos testes internos emlaboratório, uma vez que começa a ser construído Estes estudos sobre segmentações de mercadoum conjunto de resultados onde, futuramente enfatizam diferenças de atitudes e conhecimentos,poderão ser feitas comparações. mas não estudam usuários em seu contexto de uso ou como membros de uma cultura (Lindholm et al,Atenção especial tem sido dada a técnicas de 2003).cunho etnográfico, em que as observações eentrevistas são realizadas no ambiente real do 5. Terras a conquistarusuário, com tempo para uso ou experimentação do O atual estágio da Ergonomia e Usabilidadeproduto maior do que o temo de uma sessão de apontam para uma maior penetração em projetos
    • 10º USIHC – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de Janeirode produtos eletrônicos de consumo e produtos conhecimentos, métodos e aplicações. São Paulo:inteligentes. Grande parte destes produtos são Novatec editora, 2007.utilizados enquanto seu portador se desloca peloentorno. Métodos e técnicas tradicionais devem ser EASON, K. D. User-centred design: for users oradaptadas o para realizar observações e inquirições by users? Ergonomics, Taylor and Francis. V. 38,de maneira dinâmica e não limitadas ao ambiente n.8, 1995, pp. 1667-1673.controlado de testes. THE INTERNATIONAL ERGONOMICSEste relato de experiência busca estimular outras ORGANIZATION. The discipline of ergonomics.iniciativas em termos de coleta de dados. Hoje, o Disponível em http://www.iea.cc/ergonomics/fato de o laboratório de usabilidade estar acesso em 30/01/2005.localizado em Manaus não é impeditivo para atuaroutras localidades no Brasil ou em outros países. JORDAN, Patrick. Designing pleasurableAlgo que se faz necessário ter em mente sãos os products: An Introduction to the New Humanfatores culturais específicos de cada região. Assim, Factors. London: Taylor and Francis, 2000.sempre que necessário, o facilitador deverá seralguém local, para minimizar o impacto durante as JORDAN, Patrick W. An introduction toatividades. usability. London: Taylor and Francis, 1998.Laboratórios de usabilidade são recursos que a KEINONEM, Turkka. One dimensionalpartir de um conjunto de expertises e tecnologias usability: influence of consumers productdesenvolvem pesquisas para prover produtos preference. Helsinki : University of Art andinovadores, que contemplem necessidades e Design Helsinki, 1998.capacidades cognitivas de acordo com o usuário.Utilizam para este objetivo equipamentos LINDHOLM, C.; KEINONEN, T. KILJANDER,avançados que alinhados com métricas facilitam a H. Mobile Usability: how Nokia Changed the faceavaliação e análise de tarefas, produtos, serviços of the mobile phone. USA; McGraw-Hill, 2003.bem como o lado emocional dos usuáriosenvolvidos com tais atividades. MARIAMPOLSKY, H. Ethnography for marketers: A guide to consumer immersion.Pelo fato de ser um laboratório dedicado ao estudo London; Sage Publication, 2006.de produtos eletrônicos de consumo, faz-se mistera frequente atualização sobre os movimentos demercado, baseados em pesquisas de marketing, e MAYHEW, Deborah J. The usability engineeringdas novidades tecnológicas e tendências e lifecycle: a practitioners handbook for userprevisões de especialistas. Devido a atual dinâmica interface desing. San Francisco, CA: Morgandeste setor, nem sempre os métodos e as técnicas Kaufmann,tradicionalmente utilizadas serão eficientes para 1999.obter dados relevantes. Dispositivos móveis, emparticular, são utilizados nos mais variados MEISTER, David. The history of human factorsambientes e circunstâncias o que muitas vezes and ergonomics. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaumtorna as instalações físicas de um laboratório Associates, 1999.tradicional insuficientes para investigar aexperiência de uso. Assim, laboratórios e MONTMOLLIN, Maurice de. L’intelligence de lapesquisadores tem de tornar-se também móveis e táche: éléments X ergonomie cognitive. Berne:itinerantes. Peter Lang, 1986.6. Bibliografia MORAES, Anamaria de. Ergonomia, ergodesign eCHAPANIS, Alphonse. The Chapanis usabilidade: algumas histórias, precursosres,chronicles: 50 years of human factors, research, divergências e convergências. In: MORAES,and design. Santa Barbara: Aegean, 1999. Anamaria de; AMADO, Giuseppe. Ergodesign/USICH Coletânea de palestras deCYBIS, Walter; BETIOL, Adriana H; FAUST convidados internacionais e nacionais. Rio deRichard. Ergonomia e usabilidade: Janeiro: iUser, 2004.
    • 10º USIHC – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de JaneiroMORAES, Anamaria de. Quando a primeira conduct effective tests. Indianapolis: Wileysociedade de ergonomia faz 50 anos, a IEA Publishing Inc. Segunda edição, 2008.chega aos 40, a Associação Brasileira deErgonomia debuta com 16. Disponível em SAMARA, B. S.; MORSCH, M. A.<http://wwwusers.rdc.puc- Comportamento do consumidor: conceitos erio.br/leui/Fhistorico.html>. Acesso em 12 out.2004. casos. São Paulo: Prentice Hall, 2005.MORAES, Anamaria de; MONTALVÃO, SANDERS, M.S. e McCORMICK, E.J. HumanClaudia. Ergonomia: conceitos e aplicações. 3 ed. factors in engineering and design. 7a. ed. NewRio de Janeiro: iUser, 2003. York : McGraw-Hill, 1993.MORAES, Anamaria de; SOARES, Marcelo M. SOARES, M. M. 21 anos da ABERGO: aErgonomia no Brasil e no mundo: um quadro, Ergonomia brasileira atinge a sua maioridade.uma fotografia. Rio de Janeiro: Abergo/Uerj- Anais do ABERGO 2004. XIII CongressoEsdi/Univerta, 1989. Brasileiro de Ergonomia, II Fórum Brasileiro de Ergonomia e I Congresso de Iniciação CientíficaRUBIM, Jefrey; CHISNELL, Dana. Handbook of em Ergonomia. Fortaleza, 29 de agosto a 2 deusability testing. How to plan, design and setembro de 2004.