Infografia: O Design visual da informação. Fetter&Scherer

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Infografia: O Design visual da informação. Fetter&Scherer

  1. 1. INFOGRAFIA: O DESIGN VISUAL DA INFORMAÇÃOINFOGRAPHIC: THE VISUAL DESIGN OF INFORMATIONFetter, Luiz Carlos; Mestrando; Universidade Federal do Rio Grande do Sul.lcfetter@gmail.comScherer, Fabiano de Vargas; Me; Universidade Federal do Rio Grande do Sul.fabiano.scherer@ufrgs.brResumo Este artigo se propõe a examinar o infográfico como subgênero jornalístico que ocupaum lugar cada vez mais destacado na imprensa. Para isso, discute o papel do infografistacomo coautor de uma reportagem narrada graficamente para a visualização de um fato ouevento. Como uma ferramenta, estrutura uma interação que pressupõe transmissão de idéias,conceitos, mensagens. Como mediador da transmissão da informação o infografista formulauma versão visual do mesmo, para outro sujeito: o leitor. Esta mediação não é neutra: asescolhas formais e a sua abordagem influenciam a comunicação, seu conteúdo e a valoraçãodos elementos em jogo.Palavras Chave: informação, comunicação, design, infográfico.Abstract This article aims to examine the infographic as journalistic subgenre that occupies anincreasingly prominent in the press. For this, discusses the role of the infographic as co-author of a story narrated to graphically display a fact or event. As a tool, an interactionstructure which requires transmission of ideas, concepts, messages. As mediator oftransmission of information the computer graphics experts formulates a visual version of thesame, to another subject: the reader. This mediation is not neutral: the formal choices andinfluence their approach to communication, content and valuation of the elements in play.Keywords: information, communication, design, infographic.
  2. 2. Infografia: o Design Visual da Informação1. Introdução No infográfico, a informação e a comunicação acontecem simultaneamente. Adiscussão sobre as fronteiras dessas duas áreas de conhecimento tem aqui um exemploperfeito da simbiose. Confirma-se o caráter intercambiável e complementar de ambas, por queintervêm diretamente na compreensão, registro e intervenção no mundo (STUMPF eWEBER, 2002). A leitura e interpretação de uma mensagem são influenciadas por diversos fatores,desde a sua produção até a sua recepção pelo leitor, o contexto no qual esta interação se dá, asreferências individuais de cada sujeito envolvido neste processo comunicacional, suafamiliaridade com códigos, etc. Assim, a atividade de conferir visualidade a um discursonormalmente feito apenas através de texto escrito não está isenta de interferência. E aindicação de que matéria será acompanhada deste recurso – tarefa que normalmente não cabeapenas ao departamento de infografia – já é, em si, uma escolha que confere importância emaior visualidade a determinada notícia. Assim, o recurso do infográfico pode ser usado paraampliar a visibilidade de determinados acontecimentos, pessoas ou idéias. Algumas questões antecedem a escolha do gênero mais adequado para abordardeterminada informação: o que informar? Para quem informar? Informar que circunstâncias?O que determina a noticiabilidade (seleção e hierarquização de acontecimentos em função deseu valor-notícia)? Charaudeau (2007) questiona a identidade das instâncias de informação -produção e recepção, e afirma haver um acordo tácito implícito entre ambas. O autor ainda écategórico ao afirmar que ambas as instâncias subscrevem, acima de qualquer estratégia eintenção particular, um contrato de reconhecimento mútuo das condições de troca em queestão envolvidos, e a isso denomina contrato de comunicação. A questão que envolve a escolha de que notícias serão infografadas, recebendo assimcerto destaque visual na página, está circunscrita as mesmas questões editorias quedeterminam outros destaques por parte da instância produtora, e deve estar sempre levandoem conta esse contrato com sua parte complementar, a instância de recepção. No jornalismocientífico costuma-se tratar de assuntos cujo entendimento pode não ficar claro apenas com adescrição textual. O caráter do infográfico nem sempre é complementar, podendo serautônomo, fundamental. A linguagem gráfica pode ser extremamente elucidativa quando setrata de evidenciar uma estrutura espacial, por exemplo. Inúmeras ciências, como a biologia, ageografia, a geometria, a astronomia e a medicina não teriam se desenvolvido até o estágioem que se encontram hoje se prescindissem dessa forma sofisticada de construção dopensamento que é a imagem, em suas mais variadas formas. Impossível pensar odesenvolvimento de profissões milenares, como a arquitetura, e recentes, como o design sema representação gráfica.9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  3. 3. Infografia: o Design Visual da Informação A crescente velocidade com que consumimos informação reveste os infográficos deuma importância cada vez maior. Sucessivamente, desde sua criação, a imprensa e as artesgráficas submeteram o leitor a uma aquisição de repertório visual que resultou num domíniosofisticado de códigos. A facilidade de leitura e o potencial de sedução estética que o leitorespera e está apto a consumir é consideravelmente grande. Assim, o que antes era um recursopara compensar a má qualidade ou até mesmo a ausência do levantamento fotográficotambém é uma opção em outras ocasiões, devido a seu impacto e atração sobre o leitor. Nessecontexto o poder de síntese somado ao fator atração tornou o infográfico um recursopraticamente obrigatório.2. Objetivos O objetivo deste trabalho é discutir o papel da infografia como coautora de umareportagem narrada graficamente para a visualização de um fato ou evento. Também comouma ferramenta, que estrutura uma interação que pressupõe transmissão de idéias, conceitos,mensagens. Salienta-se o papel do infográfico como mediador da transmissão da informação,onde formula uma versão visual do mesmo para outro sujeito, o leitor. Esta mediação não éneutra: as escolhas formais e a sua abordagem influenciam a comunicação, seu conteúdo e avaloração dos elementos em jogo. É também objetivo deste trabalho trazer a tona à discussão do papel da infografia nocontexto da circulação atual da informação.3. O que é um Infográfico? Infográficos são quadros informativos que usam simultaneamente texto e elementosvisuais (fotos, gráficos, mapas ou ilustrações) para transmitir uma informação ao leitor. Oinfográfico pretende mostrar um acidente, por exemplo, como ele supostamente aconteceu,com detalhes relevantes e forte apelo visual. Ninguém previu o acidente e por isso não háfotografias, mas as evidencias e os depoimentos permitem entender como tudo ocorreu;investiga-se e monta-se uma espécie de storyboard para narrar, visualmente, o acontecido(figura 01). Localizações, funcionamento de mecanismos, gráficos, interiores de prédios,mapas e linhas de tempo tem nesta tipologia informativo-comunicacional sua forma ideal denarrativa. Considerados atraentes (podem ter essa propriedade realçada) para o leitor, facilitam eagilizam a compreensão do texto oferecendo uma noção mais rápida e clara dos sujeitos, dotempo e do espaço da notícia. Barnhurst (apud SOUZA, 2005) assinala que o infográfico éparticularmente útil ao apresentar uma grande quantidade de informação destinada àapreensão imediata. 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  4. 4. Infografia: o Design Visual da Informação Figura 01: Três versões do infográfico sobre o acidente do vôo TAM JJ 3054 (Rubens Paiva). Fonte: acervo dos autores. Constata-se, nestes novos tempos marcados por uma velocidade e consumo deinformação freneticamente crescente, que o infográfico é cada vez mais usado. A concisão e asíntese com que um infográfico aborda os assuntos são perfeitamente sincronizadas com operfil pós-moderno. Quem quer ou pode se envolver mais do que 5 minutos para se interarsobre o mais recente acidente aéreo? O caráter descartável da notícia é evidente nos dias dehoje, quando há mais consumo da informação como “novidade” do que propriamenteinteresse real nela. Isto não o invalida, muito pelo contrário. Um infográfico pode funcionarcomo uma porta de entrada: caso o leitor se interesse sobre o assunto, passa a ler a matéria emsi, mais extensa e aprofundada.3.1. Origem Segundo Machado (2001), a imagem foi historicamente desprezada em váriosmomentos e em várias culturas. O autor define quatro momentos distintos em que a imagemfoi denegrida como vilã e definida como uma ameaça à humanidade: o primeiro, nas culturasjudaico-cristã, islâmica e na tradição filosófica grega; o segundo, durante o Império9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  5. 5. Infografia: o Design Visual da InformaçãoBizantino; o terceiro, a reforma protestante. Todos esses ciclos se baseiam na superioridadeda palavra, sobretudo da palavra escrita (que não deixa de ser uma imagem) como a únicafonte da verdade, e numa errônea marginalização da imagem, sempre associada à idolatria. Oquarto momento, por incrível que pareça, é o atual, baseado numa retomada da críticaplatônica dos simulacros. Não deixa de ser sintomático que a repulsa às imagens retorne com furor e intolerância em nosso tempo. (...) Felizmente, ao menos por enquanto, tal como na sociedade grega antiga, apenas no plano do pensamento filosófico, ou seja, nesse terreno que poderíamos definir como sendo o do neoplatonismo. Hoje, a visão das massas reunidas ao redor dos aparelhos de televisão é considerada, por um número bastante expressivo de nossos intelectuais, tal qual aquela atribuída por Moisés ao povo judeu reunido em torno do bezerro de ouro: uma insuportável manifestação da iconofilia e da idolatria, um culto ao demônio, que se deve a qualquer preço combater. (MACHADO, 2001, p.15). Para Machado (2001), os pensadores franceses Guy Debord, com a sua “Sociedade doEspetáculo”, e Jean Baudrillard são os que representantes do atual iconoclasmo. ParaBaudrilard, a mídia eletrônica e digital produz uma hiper-realidade, uma ficção de realidadealucinatória e alienante, uma “desrealização fatal”. A isso Debord chama “a civilização dasimagens”. Ainda segundo o autor, esse delírio interpretativo já foi devidamente questionado esuperado, pois o papel da mídia não está definido a priori, nem é uma fatalidade históricaintransponível, mas sim um processo negociado de sentido entre signos (mensagensculturais), as realidades de que eles tratam e seus intérpretes (que lhes dão sentido). Machado (2001) cita Fançois Dagognet, cuja obra considera a pintura e a imagem emgeral como necessários à ciência, como alicerce do pensamento rigoroso e complexo. Odesenho, segundo Dagognet, encontra-se de forma plenamente constituída no trabalhoiconográfico dos cientistas ”semióticos”, para os quais o registro gráfico desempenha papelheurístico e metodológico (quando não ontológico) na investigação científica. Também Costa(1998) evidencia a importância da visualização tecnocientífica. Para ele, o meio determina amensagem e seus modos de relação com os indivíduos. Segundo De Pablos (1999), sempre houve infografia. Quando apareceu a imprensainformativa a infografia se somou, porque o binômio imagem/texto é facilmente entendidopor qualquer leitor, e o jornalista de ontem e de hoje sempre teve claro que seu impresso devechegar ao maior número possível de leitores. Entretanto, as origens da visualização estão nosdiagramas geométricos, nas tabelas de posição das estrelas e nos mapas.3.2. Evolução Histórica 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  6. 6. Infografia: o Design Visual da Informação À medida que o conhecimento humano percorre sua rota de evolução a necessidade deregistro se faz evidente, e em muitos casos o diagrama, ou seja, uma representação visualestruturada e simplificada de um determinado conceito ou idéia é o modo mais conciso,prático e exato de fixá-lo. As informações mapeadas (geologia, economia, demografia esaúde, por exemplo) são impulsionadas por novas tecnologias de impressão, que abremcaminho para a sofisticação deste tipo de informação. Figura 02: Infográficos históricos de William Playfair, Charles Joseph Minard e Florence Nightingale. Fonte: The Economist. Entre 1800 e 1849 temos o início da infografia moderna. William Playfair usou umgráfico de barras e de linhas com dados econômicos na Inglaterra. O mesmo Playfair criariatambém um gráfico em forma de pizza, comparando proporções de um todo, fórmula visual9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  7. 7. Infografia: o Design Visual da Informaçãopresente hoje em softwares de edição de texto e de apresentações. Em 1861, Charles JosephMinard representou graficamente a campanha russa na guerra de 1812 ilustrando a relaçãonúmero de soldados x queda das temperaturas. Outro nome importante é o de FlorenceNightingale, que além de ser considerada pioneira na área da enfermagem moderna, eramembro da Sociedade Real de Estatística da Inglaterra. Ela elaborou um gráfico que ilustra ascausas principais de mortalidade durante a guerra, o que contribuiu para a melhoria doatendimento nos hospitais militares, ao mostrar que muitos soldados morreram de causasevitáveis (figura 02). A primeira metade do século XIX foi responsável por uma explosão no crescimento degráficos estatísticos e de mapeamento temático, graças às inovações obtidas no séculoanterior. Grande parte das formas dos gráficos estatísticos conhecidos hoje foi desenvolvidanesta época. Ao longo dos tempos, desde Gutenberg, o hábito da leitura cresceu continuamente atétransformar-se em uma habilidade indispensável ao homem. Um sem-número de atividadespassou a depender da leitura. A necessidade crescente de informação aumentou suavelocidade. Com seu advento e sua evolução técnica, a fotografia é incorporada aos diários –à medida que a tecnologia de impressão assim o permite – o que aumentou seu caráter tantoinformativo como documental. A experiência visual com um fato antes apenas narrado sobforma de texto era um avanço inquestionável. O surgimento das mídias audiovisuais e suapopularização afetaram a maneira como os jornais diários noticiam, buscando uma linguagemcada vez mais rápida, telegráfica, e acessível às novas massas de leitores. Mas foi com o surgimento do computador pessoal, mais especificamente do Macintoshda Apple, em 1985, que a infografia se assenta como um dos pilares dos periódicoscontemporâneos. Começava uma pequena revolução visual, sacudindo e renovando a letargiareinante no meio editorial através de uma quebra generalizada de regras, que, se não foram detodo institucionalizadas, resultaram em reformas cujo centro pode ser expresso numa grandevalorização da expressão visual. Tendo percorrido uma trajetória evolutiva que o dotou de grande agilidade de leituraao mesmo tempo em que o municiou de um arsenal de códigos visuais mais abrangentes, oleitor médio estava pronto para um salto em temos de narrativas informacionais. Hollywood,as histórias em quadrinhos e a televisão, além da imprensa, criaram um público não apenasávido por todo e qualquer tipo de informação, mas muito mais preparado para o consumodesta através das imagens. O modernismo, com sua profusão de escolas e estilos nunca vistosaté então, inaugura uma era caleidoscópica onde a informação visual ganha espaço e disputa aprimazia com o texto. O pós-moderno consagra este aspecto multifacetado. A narrativa visualatinge seu auge, com um público leitor possuidor de um grande repertório de códigos visuaise dotado de alta velocidade de leitura. Conforme De Pablos, 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  8. 8. Infografia: o Design Visual da Informação O jornalismo impresso do final do século XX encontra a sua necessária e refrescante demótica na informação gráfica não analógica. Isto acontece em alguns momentos evidentemente históricos, durante os quais a comunicação somente escrita atua como modo de informação impermeável para uma proporção de leitores jovens. (DE PABLOS, 1999, p.28, tradução nossa). Com a explosão da internet surge o jornalismo online, onde as informações sãodisponibilizadas gratuitamente e que apresenta atualização ainda mais ágil do que a TV, alémde oferecer a interatividade e/ou animação. Isso leva os impressos a investirem no que poderiaser seu diferencial: a informação com certo nível de profundidade e a riqueza de detalhesvisuais elaboradas num prazo que a instantaneidade não contempla. Ao final, cada tipo demídia tem suas especificidades asseguradas, mas houve o inegável estabelecimento de umnovo padrão no qual a infografia conquistou um espaço considerável e prestígio. Hoje praticamente todos os grandes veículos de jornalismo disponibilizam sua versãona internet, onde o infográfico desempenha papel ainda mais relevante e completo. A novamídia torna possível a navegação do leitor/usuário pelo infográfico, que pode, assim, tervárias camadas e níveis de informação, links para edições anteriores ou listas de eventossimilares etc, o que eleva significativamente seu potencial de informação sobre determinadoassunto. Segundo Valero Sancho, a infografia digital: (...) é um aporte informativo elaborado em produtos comunicativos visuais ou audiovisuais realizada mediante elementos icônicos, tipográficos e auditivos normalmente verbais, que permite ou facilita a compreensão dos acontecimentos, ações ou coisas da atualidade ou alguns de seus aspectos mais significativos e acompanha ou substitui o texto informativo falado ou escrito. (SANCHO, 2001, p.201, tradução nossa). A confluência da televisão com o computador potencializou o gênerovertiginosamente numa direção que não tem retorno e na qual poderão se desenvolveravanços espetaculares (Sancho, 2001). O leitor é solicitado a interagir, pois o infográfico podeagora ser lido na ordem que se desejar indo e voltando ao bel prazer do usuário, e podendo serexpandido e remeter a outros infográficos, agregando hipertextualidade. As possibilidades sãoimensas e os veículos podem acumular uma verdadeira biblioteca de infográficos interligados,onde cada assunto pode remeter a um momento anterior ou de algum modo estar conectado aum banco de dados onde o assunto possa estar expandido ou desenvolvido.4. Tipologias dos Infográficos9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  9. 9. Infografia: o Design Visual da Informação Dentro do universo da necessária transferência visual encontramos quatro tipologiasde gráficos não analógicos: diagramas, mapas, gráficos e tabelas (Leturia, 1998). Os mapas podem constituir um infográfico por si próprio ou ser parte de um diagramaque nos mostre onde ocorreu determinado evento. Ao elaborar um mapa há que se ter ocuidado de não adicionar informações dispensáveis ao leitor e ao mesmo tempo elegerelementos facilmente reconhecíveis. Os gráficos são a forma mais fácil de explicar notícias com dados abundantes, cifras,números e estatísticas. Subdividem-se em três tipos: de barras (para referir quantidades), defatias (que indicam proporções), de linha (expressam evolução de determinado elemento aolongo do tempo). Todo infográfico contém título, informação visual, texto sucinto e a fonte deonde foram obtidos os dados. As tabelas servem para representar simples dados quantitativos. É uma das formasmais antigas de infográficos. Por sua vez, os diagramas, segundo Leturia (1998), são as infografias mais complexasque existem, e também as que requerem maiores habilidades artísticas. Servem para mostrarcomo algo aconteceu, como algo é por dentro ou como funciona determinado mecanismo.Todos os diagramas necessitam de legendas e textos para complementação da informaçãográfica. Bounford (2000) classifica os diagramas em ilustrativos, estatísticos, relacionais,organizacionais e temporais (figura 03). Os diagramas ilustrativos utilizam a imagem,pictórica ou simbólica, para descrever a situação ou os eventos que mostram e geralmente sãoutilizados para retratar conceitos físicos mais abstratos e quase sempre em contextoslocalizados. Os estatísticos trabalham com tabelas e gráficos, sendo que estes últimos aindapodem ser desdobrados em gráficos de linha e dispersão e em gráficos de barra, área evolume. Os relacionais procuram demonstrar as posições relativas dos dados em relação assuas localizações, existentes ou previstas, no mundo físico (exemplo de aplicação é o de umalinha de trem com suas estações). Os organizacionais, ao contrário dos relacionais, mostram ainter-relação entre entidades físicas sem levar em consideração sua localização geográfica,sendo assim, mais abstratos (exemplos são as árvores genealógicas). E os temporais que,como o nome já diz, representam o tempo, e apesar de percebermos o tempo de forma linear,podem ser elaborados de outras formas como ciclos ou tabelas (exemplo é o de umacronologia do desenvolvimento de um estilo artístico). 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  10. 10. Infografia: o Design Visual da Informação Figura 03: Exemplos de diagramas, em sentido horário, a partir do canto superior esquerdo: ilustrativos (Nigel Holmes), estatísticos (Trevor Bounford), relacionais (John Grimwade), organizacionais (Nigel Holmes) e temporais (Trevor Bounford). Fonte: Bounford (2000). Existe ainda mais uma tipologia, o “sumário infográfico”: é o mais simples eprovavelmente influenciado pela informática, onde se estabelece uma imagem ou ícone juntoao título, ao invés de um título meramente textual. Nestes, a presença da imagem é meramenteilustrativa, não participando do processo de compreensão da informação.5. Elementos e Características dos Infográficos Seus elementos costumam ser: um título, um pequeno parágrafo introdutório e um oumais elementos diagramáticos. Já quanto às características de um infográfico, elas dizemrespeito à informação, à significação, à funcionalidade, à estética, à compreensão, àiconicidade, à tipografia e à concordância. Em relação à informação, seis perguntas devem ser respondidas: o quê, quem, quando,onde, como e por quê. Já a significação se refere a um conceito que associado a determinadasconotações, se une ao significante para constituir um signo lingüístico. Pretende explicar o9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  11. 11. Infografia: o Design Visual da Informaçãomais essencial de um acontecimento cujo significado deve ser importante e pertinente aomomento. Neste contexto, quando a infografia tem grande capacidade de substituição de umtexto significa que tem grande funcionalidade. Pode, inclusive, ter vida própria, prescindindode um texto principal que a torne secundária, coadjuvante. Para isso basta que tenha totalfuncionalidade e autonomia enquanto notícia, sustentando-se sozinha. A originalidade e a beleza harmônica contam esteticamente e permitem um valorsuperior de conotações. A boa estética não faz, por si, boa infografia, – mas ajuda. A compreensão, por sua vez, é a capacidade de entendimento. O leitor devedecodificar as mensagens, cujos elementos tenham boa legibilidade e se diferenciem entre si.Uma informação que se pretende rápida deve apresentar facilidade de leitura e simplicidadede entendimento. Já a iconicidade se refere ao grau de contribuição de mensagens figurativasou visuais não codificadas, que tendem a representar com signos os diversos objetos. A tipografia deve ser clara e legível para efetivar um texto sintético e preciso. Corpospequenos costumam solicitar um espaço proporcionalmente maior entreletras e entrelinhas.Existem tipos projetados para apresentar boa legibilidade em corpos pequenos, como, porexemplo, Myriad, Bell Gothic, FFInfo e Meta. Conhecer o propósito da criação do tipo é umindicativo de suas qualidades. A concordância, por sua vez, refere-se à unicidade com uma matéria ou notícia do qualo infográfico faz parte, entre os elementos que a compõe (idioma, sintaxe, e ortografia) bemcomo com o próprio acontecimento ao qual se refere, para que não lhe falte veracidade. Para Lupton (1996), o processo de criação do design gráfico forja relações entreimagens e textos no copia-cola, reduz-amplia, enquadra-isola. Para o infografista, o maisimportante é conseguir simplificar e esquematizar uma situação, estabelecer a infografia comouma linguagem específica, com características e propriedades únicas e exclusivas.6. Como e Quando usar Infográficos A escolha da matéria para ser acompanhada de infográfico não é neutra. A avaliaçãode importância sempre será influenciada, em maior ou menor grau, por uma série de fatores,sejam eles pessoais, ideológicos ou corporativos. Não é diferente em todo o jornalismo: aneutralidade não existe, e negar isto é antiético, pois a mediação profissional tem seuspressupostos. Segundo Barnhurst (apud SOUZA, 2005), apesar da aparência, um infográfico não éneutro nem apenas expõe dados de maneira precisa. Eles podem reforçar modelos de poder edominância pela ênfase dos interesses de certos grupos em detrimento de outros. Sua aparenteneutralidade reforça sua autoridade e confere mais relevância para a questão. 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  12. 12. Infografia: o Design Visual da Informação Para Souza (2005) a suposta neutralidade propalada pelo design modernista é umailusão: ao apresentar, descrever, desvelar o mundo (e não apenas seu conteúdo) participa dosprocessos de interpretar e representar o mundo, de consentimento social e pessoal. Obedecerapenas aos princípios do utilitarismo ou servir apenas para chamar a atenção é umreducionismo não só do papel do design como do jornalismo: sua missão e vocação éinterpretar ativamente o cotidiano e esclarecer o leitor. O caráter “vivo” e pouco abstrato do imbricamento entre texto e imagem seriaresponsável pela facilidade de aquisição, retenção e recordação da informação. Porém, ainfografia, como de resto toda informação editorial, não é dispositivo neutro queinvariavelmente expõe dados de forma inequívoca e precisa. Pode reforçar modelos de podere dominância pela ênfase em determinados assuntos ou classes sociais e pela reprodução deestereótipos para representar sinteticamente determinados elementos ou situações denotadorasde status. Um empresário, por exemplo, tende a ser sempre representado por um homembranco de terno e valise. Sua origem na informação militar é sintomática. Quando lheatribuem um caráter documental eles podem se tornar particularmente persuasivos. De acordo com Peltzer (1992) podemos considerar a existência de vários gênerosdentro do jornalismo infográfico, que corresponderiam a subsistemas formais e artificiais deimposição de alguma ordem à realidade ou de antecipação das experiências dessa realidade.Porém, esses gêneros, além de se combinarem nos infográficos mistos (que constituem, aliás,a maioria dos infográficos) não têm fronteiras rígidas. Ainda segundo o autor, são quatro os fatores decisivos para a adoção do infográfico terse dado de maneira definitiva: transmissibilidade, editabilidade, difusão e armazenamento. Ainformação gráfica tem seus limites, como qualquer outra. Fora os limites naturais da merainformação, a principal delas é que a mensagem da qual dispomos possa ser transferidaatravés da linguagem visual. A transferência visual é a capacidade que uma notícia tem de, como todas, ser comunicada de forma exclusivamente literária, mas que também poderá ser apresentada, total ou parcialmente, de forma gráfica, não analógica, mas sim desenhada, criada pelo artista, para evidenciar seu conteúdo e facilitar sua comunicação. (DE PABLOS, 1999, p.30) Tufte (1990) coloca a questão da pertinência ou não de elementos acessórios aoinfográfico. O autor condena o uso indiscriminado de ilustrações, barras e outros elementosgráficos e incentiva o uso de diagramas com riqueza de informações, pois quando examinadosde perto, cada dado tem um valor, quando visto em geral, as tendências e padrões podem serobservados.9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  13. 13. Infografia: o Design Visual da Informação7. Considerações Finais Constata-se que a infografia é mais um híbrido do design e da comunicação, firmando-se como um gênero jornalístico e como mais uma especialização do design gráficoinformacional. Transmitindo informação de maneira visual, tornando-se coautora e, aomesmo tempo, ajudando a estruturar a idéia e/ou o conteúdo da mensagem, alterando eampliando os conceitos, redefinindo o papel dos profissionais e do público. Deste ponto de vista, não é difícil vislumbrar um futuro cada vez mais promissor paraa infografia. Tudo indica que ganhará cada vez espaço mais generoso e nobre tanto nosperiódicos quanto nos demais meios de comunicação, produzido por equipe especializada equalificada, onde múltiplas habilidades e as tecnologias disponíveis se somam para elaborarregistros visuais com impacto e agilidade de leitura características.8. Referencias BibliográficasBOUNFORD, Trevor. Digital Diagrams. New York: Waston-Guptill, 2000.CHARANDEAU, Patrik. Discurso das mídias. São Paulo, Contexto, 2007.COSTA, Joan. La Esquemática. Visualizar la información. Barcelona, Paidós Iberica,1998.DE PABLOS, José Manuel. Infoperiodismo. El periodista como creador de infografia.Madrid, Editorial Sintesis, 1999.LETURIA, Elio. ¿Qué es infografía? In: Revista Latina de Comunicación Social. La Laguna.Tenerife, N. 4, abril 1998. Disponível em: <http://www.ull.es/publicaciones/latina/z8/r4el.htm>Acesso em: 23.04.2010.LUPTON, Ellen. Mixing messages: graphic design in contemporary culture. New York:Princeton Architectural Press, 1996.MACHADO, Arlindo: O quarto iconoclasmo e outros ensaios hereges. Rio de Janeiro, RiosAmbiciosos, 2001.PELTZER, G: Jornalismo iconográfico. Lisboa, Planeta Editora, 1992.SANCHO, Jose Luis Valero. La infografia. Tecnicas, analisis y usos periodisticos.Barcelona, Universitat Auntònoma de Barcelona, 2001.SOUZA, Jorge Pedro. Elementos de jornalismo impresso. Florianópolis, LetrasContemporâneas, 2005.STUMPF, Ida Regina e WEBER, Maria Helena. Comunicação e informação: conflitos econvergências. II Seminário Interprogramas de pós-graudação em Comunicação ECA/USP,São Paulo 2002.Three of the best graphics from history. The Economist. London, pág. 74-76, 22 dez 2007.TUFTE. Edward. Envisioning Information. Cheshire: Graphics Press, 1990. 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design

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