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A usabilidade de tarefas típicas de seleção do destino em sistemas de navegação GPS automotivos por Manuela Quaresma e Anamaria de Moraes
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A usabilidade de tarefas típicas de seleção do destino em sistemas de navegação GPS automotivos por Manuela Quaresma e Anamaria de Moraes

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  • 1. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011doi: 10.1590/S0103-65132011005000020A usabilidade de tarefas típicas de seleção do destino em sistemas de navegação GPS automotivos Manuela Quaresmaa,*, Anamaria de Moraesb a, *info@manuelaquaresma.com, PUC-Rio, Brasil b moraergo@puc-rio.br, PUC-Rio, BrasilResumoO sistema de navegação GPS automotivo é um sistema veicular que auxilia o motorista, através de mapas e indicadoresde manobra, o caminho que ele deve percorrer até o seu destino. Este artigo apresenta um estudo sobre a usabilidadede tarefas típicas de seleção do destino em três sistemas vendidos no Brasil, com métodos de entrada de dadose interfaces distintos. A pesquisa teve como objetivo avaliar se problemas de usabilidade também ocorriam emnavegadores brasileiros. Para tanto, foram aplicados testes de usabilidade com usuários experientes e não experientes,com o intuito de medir a eficácia, a eficiência e a satisfação de uso (métricas de usabilidade) das três interfaces. Comos resultados dos testes, pôde-se observar diversos problemas de usabilidade no projeto das interfaces avaliadas.Também, com base neles, foi possível sugerir soluções adequadas para a organização e navegação de menus ecomandos.Palavras-chaveSistemas de navegação GPS. Usabilidade. Interação humano-computador. Ergodesign.1. Introdução O avanço da tecnologia da computação em (BRASIL, 2003), que proibia qualquer equipamentosistemas veiculares tem se mostrado bastante capaz de gerar imagens em movimento. Acredita-seintenso nos últimos anos. Hoje, existem três tipos que essa primeira resolução veio com o intuitode sistemas disponíveis em automóveis: os sistemas de proibir o uso de equipamentos como o DVD,avançados de assistência ao motorista, os sistemas mas acabou incluindo os sistemas de navegação,de informação e os sistemas de entretenimento. pois estes também geram imagem de mapas emDentre esses, os navegadores GPS são os mais movimento. No entanto, devido a fortes pressõesdifundidos no mercado brasileiro. do mercado, o Conselho Nacional de Trânsito Apesar de já existirem há algumas décadas, nos substituiu a Resolução nº 153/03 pela nº 190/06,últimos anos os GPSs automotivos evoluíram bastante, liberando o uso dos sistemas de navegação,principalmente devido ao constante mapeamento das contanto que este apresentasse apenas símboloscidades e à inserção de novas tecnologias, como os e/ou áudio para orientar. Essa resolução nãodisplays de LCD coloridos e as telas touch-screen. chegou a liberar, a princípio, os sistemas como elesEssa evolução pôde ser acompanhada em países da eram em países estrangeiros, mas foi suficiente paraAmérica do Norte e da Europa, onde a difusão desse que em menos de um ano surgissem pelo menostipo de sistema foi bem ampla. dez tipos de navegadores diferentes. Em 2007, No Brasil, até março de 2006, com a publicação o Contran finalmente libera os sistemas com asda Resolução nº 190/06 do Contran (BRASIL, 2006), imagens de mapas em movimento com a Resoluçãonão se ouvia falar desse sistema inserido em nossos nº 242/07 (BRASIL, 2007), revogando a resoluçãoveículos de passeio. Antes dessa data os sistemas de anterior. Até o final de 2009 já era possível ver maisnavegação tinham sido proibidos para o motorista de 50 navegadores diferentes sendo vendidos noem veículos brasileiros com a Resolução nº 153/03 mercado brasileiro. *PUC-Rio, Rio de Janeiro, RJ, Brasil Recebido 03/02/2009; Aceito 11/10/2010
  • 2. Quaresma, M. et al. 330 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011 Entretanto, a interação do usuário com esse também se quer a rota mais rápida – considerandosistema vem sendo alvo de muitas pesquisas nas as vias expressas – ou o percurso mais curto emáreas da ergonomia cognitiva e interação humano- quilometragem – considerando vias urbanas. Acomputador, pois o uso desses sistemas tem partir daí o sistema calcula a rota, apresenta oapresentado vários problemas de usabilidade. Esses itinerário e guia o motorista, passo a passo, até oproblemas na interação motorista-sistema podem seu destino.causar distrações ao motorista e, consequentemente, Nos sistemas disponíveis atualmente, a entradainfluenciar na tarefa de dirigir. de dados do destino pode ser feita através de De acordo com Nowakowski, Green e Tsimhoni controles no equipamento (tipo joystick) ou(2003), comandos na tela (touch-screen), assim como é [...] um sistema de navegação bem projetado pode possível entrar com os dados por fala, em aparelhos evitar manobras erradas, reduzir o tempo de viagem com reconhecimento de voz. Como saídas, o e, com esperança, aliviar alguma carga de trabalho do sistema apresenta as informações na tela e/ou motorista. Entretanto, má usabilidade pode colocar os através de gravações de voz, guiando o motorista motoristas na direção errada, aumentar sua carga de passo a passo falando, por exemplo, “vire à direita”, trabalho e levá-los a fazer manobras não seguras. “vire à esquerda” ou “entre na terceira rua à direita em 750 metros”. Em geral, os dados das vias e dos pontos de2. Os sistemas de navegação GPS interesse (POI) dos mapas ficam armazenados emautomotivos HDs (hard disks) do próprio equipamento e são referentes aos dados do país em que o equipamento O sistema de navegação GPS é um sistema de ou o veículo foi comprado. Porém, é possível inseririnformação veicular que tem o objetivo principal dados de outros países e fazer atualizações dosde guiar o motorista até um destino determinado. dados, através da internet ou de mídias como CDs,Através da antena GPS, o dispositivo localiza aposição do veículo num mapa inserido no banco DVDs (conectando o navegador a um computador)de dados do sistema. Para guiar até o destino e memórias flash removíveis.desejado, o motorista entra com os dados do Em alguns veículos, em situações que se perde oendereço no sistema para que ele calcule a rota. sinal do GPS, como o confinamento em construçõesA inserção desses dados é feita, normalmente, por urbanas e/ou túneis, existem sensores acopladosbotões físicos ou virtuais numa tela touch-screen. ao motor do veículo e um giroscópio capazes deCom a rota calculada, o sistema guia o motorista calcular as distâncias e o movimento do veículocom o veículo em movimento através de mapas, com confiabilidade, mantendo o guia da rota seminstruções de voz e indicadores (símbolos, gráficos atrasos e erros. Naqueles que não possuem essese mensagens), por todo o percurso até chegar ao sensores nem giroscópio, o navegador após a perdadestino. do sinal recalcula a rota a partir do ponto em que Os mapas geralmente são apresentados numa o veículo se encontra no momento da retomadavista de topo da região (em 2D) ou perspectiva do sinal. Ocorre da mesma maneira quando o(em 3D), em diversas escalas e com vários níveis de motorista erra ou muda o caminho apresentadoaproximação (zoom), podendo apresentar somente pelo navegador. Ao reconhecer a mudança da rotaa via em que o veículo se movimenta até um grupo o sistema recalcula o itinerário a ser percorrido parade vias. A apresentação do mapa pode ser fixada no o mesmo destino.sentido Norte ou pode acompanhar o movimento Além da função de guiar o motorista de umdo veículo, neste caso mostrando sempre o que ponto a outro, os navegadores mais modernosvem à frente na parte de cima da tela. Além do fornecem mais funções associadas a outrasmapa, na tela são apresentados indicadores, como tecnologias. Conectado a uma rede sem fio (tiposímbolos para guiar nas manobras de condução GSM – rede de telefonia móvel digital), o navegadordo automóvel, informações da rota requerida, identifica áreas onde o tráfego está congestionadodistâncias percorridas e remanescentes, tempo de e sugere outra rota, que pode ser alterada ou nãoviagem estimado, velocidade do veículo etc. pelo motorista. Para fazer funcionar o equipamento, o usuário Outra função bem interessante que pode serinsere o endereço do destino a que pretende encontrada nos bancos de dados dos navegadoreschegar, indicando a cidade, a rua e o número da são as localizações de serviços mais próximosedificação ou indicando um ponto de interesse ao itinerário e à posição do veículo – pontos de(conhecido como POI – Point of Interest ) existente interesse. Os serviços mais comuns disponíveis são osno banco de dados do sistema, sempre informando postos de gasolina, caixas eletrônicos, restaurantes
  • 3. Quaresma, M. et al. 331A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011e aeroportos. No mesmo tipo de identificação • Satisfação – A ausência do desconforto e presençaé possível avisar a proximidade de radares de de atitudes positivas em relação ao uso de umvelocidade, inclusive informando ao motorista qual produto.é a velocidade máxima da via. Para tentar satisfazer esses três requisitos no Outro recurso também associado à conexão projeto de um determinado produto, seja ele umsem fio, como a bluetooth, está na conexão com hardware ou um software ou a união dos dois – um produto eletrônico, alguns pesquisadorestelefones celulares. O equipamento reconhece criaram diversos princípios, critérios e heurísticaso telefone celular do usuário permitindo que se de usabilidade, como Bastien e Scapin (1993),façam chamadas ou envios de mensagens de texto Nielsen (1994), Shneiderman (1998), Jordan (1998)SMS através da tela e/ou controles do navegador. e Norman (2002).Dessa forma, o equipamento se torna uma central O objetivo maior de todos esses princípios éde informação e comunicação, fazendo com que o facilitar a interação do usuário com o produto.motorista não precise nem procurar nem operar seu Brangier e Barcenilla (2003) classificam essestelefone no momento da condução do veículo. princípios em quatro categorias de acordo com seus Muitas outras possibilidades de uso desses objetivos específicos:equipamentos vêm surgindo no campo da • Facilitar o aprendizado do sistema – Princípioscomunicação sem fio. Em serviços como centrais que lidam com questões relacionadas ao primeirode táxi, é possível fazer a localização mais rápida uso de um sistema, no momento em que o usuárioe eficiente dos táxis nas vias quando estes são faz deduções de como interagir, visando ajudarsolicitados pelos clientes. Com todas essas o usuário novato a começar a interação com opossibilidades apresentadas acima, e mais outras sistema. Essa categoria engloba o princípio deque podem surgir com as tecnologias já existentes, compatibilidade entre produtos e situações, e aé provável que esses equipamentos se tornem, num transparência das funcionalidades e procedimentosfuturo próximo, um dos principais relacionados à do sistema/produto;mobilidade humana. • Facilitar a procura, a percepção, o reconhecimento e a compreensão das informações no sistema Hoje em dia, o grande boom em sistemas – Princípios relacionados à apresentaçãode navegação GPS têm sido os aplicativos para das informações no sistema. Essa categoriasmartphones (como o Apple iPhone) criados engloba os princípios de agrupamento, clarezapelos principais desenvolvedores desses sistemas, visual, legibilidade, carga cognitiva do usuário,como a Garmin, a TomTom e a Nav n Go. Essas memorização, consistência e padronização dasempresas desenvolveram versões simplificadas de informações;seus softwares para uso nesses telefones celulares, • Facilitar o controle da interação com o sistema –que se conectam aos satélites GPS através do Princípios que tratam de questões relacionadassistema A-GPS (GPS assistido). Esse sistema utiliza, ao desenrolar das atividades, sejam questõesbasicamente, o suporte das conexões de dados normais da interação do usuário com o sistemados celulares, como a GPRS e a 3G, para calcular ou situações de incidência de erros. Os princípiosas coordenadas de posição do aparelho com mais dessa categoria são o feedback, o controle do usuário e o gerenciamento de erros (prevenção,eficiência. ajuda e recuperação de erros); • Considerar o contexto de uso do sistema e o tipo3. A usabilidade de usuário – Princípios relacionados às questões de uso avançado do sistema, como a adaptabilidade e A usabilidade é definida pela ISO 9241-11 a flexibilidade que o sistema fornece ao usuário.(INTERNATIONAL..., 1998) como a “medida na qualum produto pode ser usado por usuários específicos 4. A interação usuário-sistema GPSpara alcançar objetivos específicos com eficácia,eficiência e satisfação em um contexto específico Basicamente, existem dois momentos no uso dede uso”. Sendo: um sistema de navegação. No primeiro, o usuário • Eficácia – A acurácia e completude com as quais interage com o sistema para inserir os dados do usuários alcançam objetivos específicos, ou seja, o destino, onde ele determina como o sistema deve grau com que uma tarefa é realizada, se é possível calcular a sua rota, seja por um endereço específico, completá-la ou não; por um cruzamento ou por um ponto de interesse. • Eficiência – Os recursos gastos em relação à É nessa interação que ocorre a maior parte dos acurácia e abrangência com as quais usuários problemas relacionados à navegabilidade da atingem objetivos, isto é, o nível de esforço interface, à compreensibilidade e à consistência das despendido pelo usuário para concluir uma tarefa; informações, pois existem muitos dados distribuídos
  • 4. Quaresma, M. et al. 332 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011em vários níveis na hierarquia do sistema, em uma • Por algum erro do usuário, os sistemas perdiamtela razoavelmente pequena. Em média, o tamanho dados do endereço já inseridos, fazendo com adas telas de um navegador é de 4 polegadas. mesma tarefa fosse realizada múltiplas vezes; Já no segundo momento, o usuário interage • Usuários ficaram confusos em relação àcom o sistema através do chamado “guia de nomenclatura do tipo de via (rua, avenida, alamedarota”, que é o conjunto de mensagens de voz etc.), muitos não sabiam se era necessário inserire informações gráficas (mapas, setas, tempo, essas palavras antes do nome da via. Em algunsquilometragem etc.) apresentado pelo sistema para sistemas o nome do tipo de via era abreviado.que o motorista siga até o destino. Nessa interação, Já em relação ao guia de rota, os problemasa maioria dos problemas está relacionada à precisão mais apontados foram:das informações, ao tempo de resposta do sistema • A apresentação da rota de maneira confusa ee à leiturabilidade e poluição visual das informações em alguns casos nem foi apresentada. Confusãoapresentadas na tela. devido ao zoom e vias da rota sem identificação; Nowakowski, Green e Tsimhoni (2003) apontam • O alerta do sistema de que o motorista tinhaque, apesar de os sistemas de navegação já existirem chegado ao destino antes mesmo de chegar – àshá muito tempo e mesmo que diversas guidelines vezes em uma via paralela ou numa esquina;(ALLIANCE..., 2003; SOCIETY..., 2004; JAPAN..., • Ao chegar no destino o motorista não sabia se2000) já tenham sido publicadas, os problemas o número da edificação era do lado direito oude usabilidade desses sistemas ainda continuam esquerdo da via;ocorrendo. Os autores fizeram várias avaliações do • Os textos e símbolos dos sistemas eram muitouso de alguns sistemas por usuários, levantando pequenos – problemas de legibilidade;uma série de problemas de usabilidade, relativos • Em áreas urbanas, os mapas ficavam com muitas informações (como os ícones dos POIs) enchendotanto à entrada de dados do destino quanto ao uso muito os mapas e causando poluição visual.do guia de rota. Noel, Nonnecke e Trick (2005a,b) No modo noite (tela com cores mais escuras) atambém realizaram seus estudos com navegadores impressão foi de mapas mais cheios, mais confusos.e levantaram problemas de usabilidade muito Na visão 3D, os mapas também se tornavam bemsemelhantes, principalmente no que se refere ao poluídos;aprendizado e memorização do sistema. Esses • Algumas vias importantes não foram identificadasproblemas são apresentados a seguir. no mapa, como a via em que se estava entrando; Em relação à entrada de dados do destino, os • Quando a via para entrar não estava claramenteprincipais problemas encontrados foram: visível, muitos motoristas ficaram com os olhos • Controles e menus com abreviações ou termos fixados na barra de contagem regressiva, ao invés vagos (ex. POI – point of interest – ponto de de focarem na via; interesse); • Uso de terminologias vagas (como, “numa curta • Agrupamento inconsistente dos comandos nas distância” e “adiante”) levou a várias manobras telas, desconsiderando conceito de agrupamento erradas e situações de pânico. Os motoristas lógico de subgrupos; interpretam, em geral, mensagens ambíguas como • Controles críticos, para o uso com o veículo em “vire imediatamente”; movimento, fora do alcance do motorista; • Uso de termos incorretos para descrever a • Organização e hierarquia confusa dos menus e geometria da via, como “agulha” ou “rótula”. comandos – usuários não sabiam onde achar Nessas situações os motoristas costumam ficar determinadas funções; agitados, confusos e irritados com o navegador; • Quanto ao feedback sonoro, muitos equipamentos • Como as mensagens de manobra indicavam a só emitiam um único tipo de som, causando confusão aos usuários quanto à compreensão da distância em metros remanescentes, como “vire resposta do sistema; à direita daqui a 300 metros”, muitos motoristas • Muitos erros relacionados à ordem de entrada dos ficaram confusos e aflitos por não saberem estimar dados do endereço – a maioria dos usuários iniciou em tempo essas distâncias; a entrada dos dados com o nome da via ao invés • Demora dos sistemas para recalcular a rota, de iniciar com a seleção da cidade em primeiro fazendo com que o motorista ficasse sem saber lugar, como é requisitado pelos sistemas; que atitude tomar; • Usuários ficaram perdidos na navegação da • Alguns navegadores calcularam rotas longas entrada dos dados – os sistemas não apresentaram quando os próprios motoristas perceberam que a as informações já inseridas anteriormente pelos rota poderia ter sido mais curta; usuários nas telas posteriores; • Os navegadores no momento em que estavam • Usuários apontaram que existiam muito passos a recalculando a rota emitiam uma série de avisos, serem percorridos para inserir os dados e que isso fazendo com que o motorista ficasse confuso e era cansativo; irritado por não entender as instruções.
  • 5. Quaresma, M. et al. 333A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011 Boa parte dos problemas de usabilidade dos equilibrados entre as conduções de até uma horasistemas de navegação GPS está relacionada ao semanal a até 4 horas semanais.tamanho pequeno da tela, onde são apresentadasas informações. Esses problemas ocorrem, em geral, 5.2. Sistemas avaliadosdevido à quantidade de informações que devemser lidas na tela, ao modo de inserção de dados Os três sistemas/softwares avaliados foram:nos sistemas, em várias etapas, e a quantidade de sistema A – Nav N Go iGO 8; sistema B – Route 66funcionalidades que devem ser acomodadas em Navigate 7; sistema C – TomTom Navigator 7. Osdiversos menus na interface. três softwares foram instalados no mesmo hardware Esse tipo de tecnologia é muito recente no Brasil e com tela touch-screen – Pocket PC Airis T620o mercado ainda está se adaptando, comercializando com antena GPS embutida. Optou-se pelo uso doprodutos estrangeiros com traduções do conteúdo mesmo hardware nos testes para que o foco fossedos sistemas vendidos em outros países. Como as apenas nos problemas e soluções da interfaceculturas são diferentes, acredita-se que se deve computadorizada.haver uma adaptação desses sistemas ao público Esses três sistemas possuem métodos de entradabrasileiro e que testes de usabilidade devem ser de dados de endereço bem diferentes. No primeiro,aplicados com esse público, apesar da globalização a entrada de dados é feita por um teclado que reduzdos sistemas computacionais. as possibilidades de entrada (de teclas) conforme é feita a digitação do nomes das ruas, das cidades e dos números da edificação (Figura 1). No segundo,5. Métodos, técnicas e procedimentos o usuário digita completamente ou parcialmente Com o objetivo de investigar se problemas de o endereço e depois o procura em uma lista de possibilidades, numa tela seguinte (Figura 2). Nousabilidade relacionados à entrada de dados do terceiro, conforme o usuário digita os nomes, odestino também ocorrem em sistemas de navegação sistema os filtra no banco de dados e apresenta asGPS vendidos no Brasil, foram aplicados testes de possibilidades numa lista de duas linhas (Figura 3).usabilidade em três sistemas com ampla difusão Quanto ao menu principal das interfaces, o primeirono mercado brasileiro e com projetos de interface tem arranjos de menus (subgrupos) bem diferentesbastante diferenciados. O intuito do teste foi verificar dos outros dois, que são semelhantes em termosa conformidade das interfaces com os princípios de disposição dos comandos/itens de menu nade usabilidade apresentados anteriormente. De interface (Figura 4).acordo com Dumas e Loring (2008, p. 2), o testede usabilidade 5.3. Tarefas e procedimentos [...] é uma forma sistemática de observar os usuários de um produto trabalhando com ele sob condições Para avaliar os diferentes métodos de entrada controladas. Ele difere de outros métodos de avaliação de dados do destino e a organização/navegação (tais como teste de qualidade ou demonstrações do de comandos, solicitou-se que cada um dos produto) em que os usuários tentam completar tarefas participantes definisse um destino por endereço por conta própria, com pouca ajuda. (tarefa 1) e selecionasse como destino o posto de Sendo assim, o projeto e a estrutura do teste gasolina (POI) mais próximo do sinal GPS – maisde usabilidade desta pesquisa foram organizados de perto da localização do veículo (tarefa 2).acordo com as etapas de planejamento definidas As instruções das tarefas foram dadas para ospor Rubin e Chisnell (2008) – pesquisadores participantes através de cartões, com os cenáriosrenomados da área de ergonomia e interação demonstrados no Quadro 1.humano-computador. Os testes foram realizados dentro de um veículo (sempre o mesmo veículo), parado em5.1. Participantes um estacionamento ao ar livre, durante a manhã e a tarde, para que a incidência de luz pudesse Participaram dos testes 18 motoristas habilitados, ser semelhante. O equipamento GPS, onde foramsendo 9 experientes com sistemas de navegação instalados os sistemas, esteve sempre no mesmoGPS e 9 não experientes. Doze do sexo masculino local – preso na parte mais baixa do para-brisase 6 do sexo feminino. As idades dos participantes próximo à parte central do painel de instrumentosvariaram da faixa etária de 21 a 30 anos à faixa (Figura 5). Esse local é o recomendado para ade 51 a 60 anos. Mais da metade respondeu que realização de tarefas secundárias em veículos comdirigia em média mais de quatro horas por semana, displays, que precisam ser vistos e acionados sem aenquanto os outros participantes estiveram obstrução da visão com a via e sem interferir nos
  • 6. Quaresma, M. et al. 334 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011Figura 1. Modo de entrada de dados do sistema A – Nav N Go iGO 8.Figura 2. Modo de entrada de dados do sistema B – Route 66 Navigate 7.Figura 3. Modo de entrada de dados do sistema C – TomTom Navigator 7.controles do veículo, conforme as recomendações Quadro 1. Cenários das tarefas do teste de usabilidade.das diretrizes europeias (EUROPEAN..., 2008) e “Você mandou imprimir uns convites numaamericanas (ALLIANCE..., 2003). Todas as etapas do gráfica em São Cristóvão e precisa buscá-los.teste foram gravadas em vídeo digital através de Como você não sabe chegar lá, vai utilizar o Tarefa 1 seu sistema GPS para guiá-lo. Para isso, vocêuma câmera instalada em um tripé no banco de precisa colocar o endereço (abaixo) no sistematrás do veículo. para que ele calcule a sua rota e o guie. Como Os três sistemas foram avaliados por todos os você faria isso? ENDEREÇO”participantes separadamente, porém a ordem de “Você está dirigindo numa região que nãoapresentação dos sistemas foi contrabalançada conhece direito e, de repente, verifica queentre eles, para evitar que os resultados fossem precisa abastecer o carro. Sabendo que seutendenciosos para um ou outro sistema. Também, as sistema GPS pode informar qual é o posto Tarefa 2 de gasolina mais próximo da posição em quetarefas foram entregues de maneira aleatória, sendo você está e guiá‑lo até lá, como você faria paraque na tarefa 1 foram utilizados três endereços selecionar como destino o posto de gasolinadiferentes com o mesmo número de letras e número mais próximo?”de edificação, um para cada sistema. Antes de realizar as tarefas em cada sistema,o participante fazia um ensaio para conhecer uma de cada vez e, então, as executava. Após oso sistema que seria testado. Após o ensaio, o testes de todos os sistemas, foram feitos debriefingsparticipante recebia os cartões com as tarefas, (entrevistas de revisão) com os participantes, para
  • 7. Quaresma, M. et al. 335A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011Figura 4. Menu principal dos sistemas testados (sistema A – Nav N iGO 8; sistema B – Route 66 Navigate 7; sistema C –TomTom Navigator 7, respectivamente).Figura 5. Ambiente e equipamentos dos teste de usabilidade.esclarecer algumas questões que foram observadas através das gravações de vídeo dos testes. Parae saber mais sobre sua opinião, sua satisfação e confirmar se a tarefa foi completada, mesmo quepreferências. os participantes tenham dito que a concluíram, utilizou-se como critério de completude os fluxogramas das atividades das tarefas gerados no6. Resultados plano de teste. Se o participante tivesse passado6.1. Completude da tarefa (eficácia) por todas as atividades da tarefa do início ao fim, esta foi considerada como completada. Porém, se Para a medição da completude das tarefas, o participante não chegou ao fim, falhando emforam observados e tabulados todos os cliques uma ou várias atividades, esta foi classificada comoefetuados durante a execução das tarefas, não completada. Para as que foram finalizadas
  • 8. Quaresma, M. et al. 336 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011com problemas, foi constatado que o participante No sistema A, ocorreu um problemapassou por todas as atividades do início ao fim, mas relacionado à percepção e reconhecimento daque além, das tarefas, ele realizou outras atividades informação, devido ao formato do comando paradesnecessárias. a seleção do POI específico (o posto de gasolina A Figura 6 apresenta os níveis de completude mais próximo) e seu rótulo. Como pode ser vistoda tarefa 1 nos sistemas. É possível observar que nas figuras seguintes, a seleção do posto deo sistema A se mostrou o mais eficaz dos sistemas, gasolina nesse sistema pode ser feita tanto porcom 39% de completude sem problemas. O bandeira de posto, selecionando-se o botão dasistema C também apresentou resultados razoáveis bandeira desejada (Figura 8), quanto por qualquerquanto à eficácia, mas o nível de completude sem posto independente da bandeira, selecionando-seproblemas foi muito baixo (11%), o que mostra o botão “Tudo na categoria atual” (Figura 9). Naque há problemas quanto à eficiência. Já o sistema tarefa solicitada, o participante deveria escolherB apresentou resultados insatisfatórios, pois não o posto de gasolina mais próximo da posição emhouve a conclusão da tarefa sem problemas. que ele se encontrava independente da bandeira, e O motivo que levou à incidência de 17% de não para tanto ele deveria selecionar o comando “Tudocompletude da tarefa, no sistema B, foi o fato de na categoria atual” (Figura 9). Porém, como essealguns participantes não terem inserido o número comando tem um destaque e ícone diferentesda edificação do endereço no sistema, para o cálculo dos da bandeira, alguns participantes ignoraramda rota para o destino. Normalmente, a inserção o comando, considerando que ele seria um títulode um endereço é feita em etapas, colocando-se da tela, não o selecionando e optando por umaprimeiro a cidade, depois o nome da rua e no bandeira de posto. Outros chegaram a questionarfinal o número da edificação, em telas diferentes. por que não havia uma opção “Todos” ao invés deNesse sistema, a inserção do endereço é feita de mostrar por bandeira. Isso deixa claro que o rótulomodo diferente, tanto dos outros sistemas testadosquanto de outros existentes no mercado. Para ainserção do endereço no sistema B, o usuário insereo endereço completo (com nome da rua, númeroe cidade) para depois procurá-lo e selecioná-lonuma lista de opções de endereços. Dessa forma, osparticipantes não souberam como inserir o númeroou nem perceberam que não o fizeram, colocandoapenas o nome da rua e concluindo que a tarefaestava terminada. Isso mostra um problema decompatibilidade entre sistemas, assim como umproblema de feedback, pois o sistema não mostrapara onde o usuário está indo, apesar de, na prática,levá-lo ao centro da rua selecionada. Para escolher um ponto de interesse como Figura 6. Níveis de completude da tarefa 1 – definir o destinodestino o usuário seleciona, em geral, um comando por endereço.inicial “navegar até/para” ou “procurar”, depoisseleciona o subgrupo de POIs, especifica qualreferência de proximidade do POI (ou mais próximoda posição GPS, ou do destino, ou mais perto deum endereço, entre outros), seleciona a categoriade POI específica (como posto de gasolina,restaurante, shopping etc.) e, no final, determina oPOI específico para onde pretende ir. Esse processoé bem semelhante entre os três sistemas, mas comalgumas variações. Na Figura 7 apresentam-se os níveis decompletude da tarefa 2 nos três sistemas. Pode-seobservar que os dois primeiros sistemas (A e B)foram os que tiveram mais problemas quanto àeficácia, enquanto o sistema C teve uma incidência Figura 7. Níveis de completude da tarefa 2 – selecionar comomuito baixa. destino o posto de gasolina (POI) mais próximo do sinal GPS.
  • 9. Quaresma, M. et al. 337 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011 “Tudo na categoria atual” não é o mais adequado 6.2. Eficiência da tarefa para o comando, onde a palavra “Todos” talvez pudesse ter um significado melhor, conforme o Para avaliar quão custosa a tarefa pode ser comentário de um dos participantes: “Ele não tem para o usuário, ou seja, o quão eficiente é a tarefa, a opção ‘Todos’?”. foram contados os números de cliques (seleção de comandos/itens ou teclas) que cada participante No sistema B, o motivo que levou à não executou, em cada tarefa e em cada sistema. completude da tarefa 2 foi a seleção errada da Paralelamente, foram contados os cliques mínimos referência de proximidade de POI. Nesse sistema que seriam necessários para a conclusão da tarefa. só existem duas referências de proximidade: “POI Comparando esses dois valores, foi possível mensurar perto da posição GPS” e “POI perto do destino”. a média do nível de esforço que os participantes Acredita-se que os participantes selecionaram a tiveram para concluir as tarefas. Nessa medição referência errada (POI perto do destino) devido à só foram contabilizadas, portanto, as tarefas que legibilidade e clareza visual de seu rótulo, pois, além foram concluídas – sem e com problemas. de as letras serem finas e pequenas, o texto está Com essas comparações entre cliques mínimos compactado para ficar ajustado abaixo do ícone, e cliques executados, pôde-se observar duas apesar de os outros dois sistemas terem rótulos questões: 1ª) somente pelos cliques mínimos, qual semelhantes na extensão dos textos. dos três sistemas tem a solução de execução da Figura 8. Sistema A – seleção de posto de gasolina por bandeira (exemplo da sequência de telas na seleção do botão da bandeira BR).ão. Figura 9. Sistema A – seleção de posto de gasolina independente da bandeira (exemplo da sequência de telas na seleção do botão “Tudo na categoria atual”).
  • 10. Quaresma, M. et al. 338 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011tarefa mais eficiente, ou seja, a que tiver menor usuário e à condução do sistema para a inserçãonúmero de cliques é, teoricamente, a mais rápida dos dados.e mais eficiente; e 2ª) com os valores de cliques No sistema B, que apresentou a maiorexecutados, qual tarefa apresentou o maior ou quantidade de problemas, um dos motivos quemenor custo para ser concluída. levou ao excesso de cliques foi o mesmo problema Na tarefa 1 – definir um destino por endereço, que ocorreu com a não completude da tarefa, ondeobserva-se na Figura 10 que os sistemas A e C muitos participantes não inseriram o número dapossuem a quantidade menor de cliques mínimos edificação junto com o nome da via. Portanto, os(14 cliques) para a sua conclusão. Isso significa que as participantes que perceberam esse problema desoluções para a execução da tarefa nesses sistemas, compatibilidade do sistema refizeram a tarefa e,em princípio, são mais eficientes do que no sistema consequentemente, excederam o número de cliquesB. Ao observar a média de cliques excedentes e/ou mínimos necessários.errados realizados pelos participantes na Figura 11, Já no sistema C, um dos motivos que levou aopode-se dizer que o projeto do sistema A é o mais excesso de cliques foi uma falta de informação/eficiente dentre os três sistemas, com média de 70% confirmação, pois em nenhum momento o sistemade cliques a mais que o necessário para completar a apresenta para o usuário o bairro onde estátarefa. Para a obtenção deste resultado, apresentado localizado o endereço. Apesar de não ser umana Figura 11, foi computada a quantidade de cliques informação solicitada no processo de entrada deexcedentes/errados realizados pelos participantes dados, os outros dois sistemas (A e B) apresentamque concluíram a tarefa com problemas. Sendo o bairro no momento de seleção do endereço.assim, dos 61% dos participantes que concluíram a De acordo com o que foi discutido com algunstarefa com problemas no sistema A, estes realizaram participantes, esse feedback é importante porque,em média 70% de cliques a mais que o necessário. numa mesma cidade, podem existir ruas com oNo sistema B, 83% dos participantes clicaram em mesmo nome ou partes de nomes iguais. Para algunsmédia 165% de cliques a mais, e no sistema C, participantes isso foi visto como um problema, pois89% dos participantes excederam a quantidade não confiaram no sistema de que a rua que elesde cliques em 121%. Dessa forma, concluiu-se selecionaram era a desejada e, portanto, refizeramque o sistema A é o mais eficiente, ainda mais se a tarefa inserindo o CEP para ter certeza de que afor considerado o seu nível de completude sem rua seria a correta.problemas (39%), comparado com o mesmo nível Na tarefa 2 – selecionar como destino o postodos outros dos sistemas. de gasolina mais próximo do sinal GPS, ao observar Apesar de o sistema A, nessa tarefa, ter se gráfico de cliques mínimos necessários (Figura 12),apresentado como o mais eficiente, nele também pode-se concluir que o sistema C apresenta umocorreram problemas de usabilidade. Os principais projeto de execução da tarefa mais rápido, comforam relacionados à compatibilidade do sistema 7 cliques mínimos para completar. Porém, aocom outros sistemas, com o modo de pensar do verificar na Figura 13, chega-se à conclusão queFigura 10. Número de cliques mínimos necessários para completar a tarefa 1 – definir um destino por endereço.
  • 11. Quaresma, M. et al. 339A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011o sistema A apresenta melhores resultados quantoà eficiência, pois 67% dos participantes quecompletaram a tarefa com problemas excederamem cliques 65% a mais que o necessário e, também,esse sistema teve mais pessoas completando a tarefasem problemas (17%). No sistema B, o principal problema que levouao excesso de cliques desnecessários foi a longalista de categorias de pontos de interesse contidanesse sistema. As categorias são apresentadasem 12 telas em ordem alfabética, sendo quea categoria de posto de gasolina fica na 9ª tela, Figura 11. Média de cliques errados/excedentes realizados pelos participantes na tarefa 1.o que fez com que os participantes clicassemfreneticamente nas setas da barra de rolagem parabuscar a categoria desejada mais rápido, excedendoassim a quantidade de clique mínimos necessários.Nos outros dois sistemas (A e C), a exposição dascategorias é feita de maneira mais eficiente. Nosistema A, existe um número menor, ou seja, umagrupamento melhor de categorias, enquanto nosistema C, são priorizadas, isto é, as mais utilizadassão apresentadas na primeira tela. No sistema C, o grande problema que ocorreucom o excesso de cliques não esteve diretamenterelacionado à tarefa específica, e sim com aquantidade de opções oferecidas em três telas Figura 12. Número de cliques mínimos necessários parade menu principal. Como nesse sistema existem completar a tarefa 2 – selecionar como destino o posto deessas três telas de menu principal, metade dos gasolina (POI) mais próximo do sinal GPS.participantes acabou percorrendo todas as telasantes de selecionar o comando correto e continuara tarefa. O fato de existir mais de uma tela de menuprincipal distrai o usuário quanto à seleção doprimeiro comando da tarefa.6.3. Satisfação do usuário Uma das questões mais comentadas pelosparticipantes nos debriefings foi o longo processonecessário para entrada dos dados do endereço.Em geral, é preciso inserir em um sistema GPS Figura 13. Média de cliques errados/excedentes realizadosos três principais itens de um endereço – o pelos participantes na tarefa 2.nome cidade, o nome da via e o número daedificação, geralmente, em telas separadas. Muitosparticipantes questionaram a necessidade de inserir dos dados em telas separadas, como é nos sistemaso nome da cidade, uma vez que o sinal do GPS já A e C. O sistema B foi muito criticado pelo fato dereconhece a cidade onde o usuário se encontra. se ter que inserir o número da edificação junto comNesse caso, boa parte dos participantes preferiu o nome da rua e depois selecionar o endereço numao modo de entrada de dados do sistema A, que lista extensa de todo o Brasil, por não existir umpossui uma tela onde são inseridos em etapas os filtro por cidade.dados do endereço, e nessa tela é possível deixar O modo de digitação do nome da rua nocomo padrão o nome da cidade, assim como o sistema A foi visto, também, como um item positivonome do país. Isso agiliza o processo, porque do sistema. O fato de as letras do teclado irem sedessa maneira só é preciso entrar com o nome da apagando, conforme é digitado o nome da rua, foirua e o número. muito comentado, porque dessa maneira conduz Apesar de criticarem o longo processo, foi melhor a digitação de letras muito pequenas. Um dospraticamente unânime a preferência pela inserção participantes inclusive atentou para o fato de quando
  • 12. Quaresma, M. et al. 340 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011Figura 14. Sequência de telas recomendada para definir um destino por endereço. Os retângulos com preenchimento em cinzaindicam o único ou o último comando clicado na tela.o veículo está em movimento uma tecla errada pode então, o usuário poderá selecioná-la. No sistema Aser digitada devido à sua trepidação. Entretanto, isso não será possível, porque ele não reconheceráalguns participantes duvidaram da eficiência desse tal nome no banco de dados.tipo de entrada, pois se uma pessoa tenta entrar Outra questão bastante discutida foi o formatocom um endereço com a rua digitada errada (com do teclado. O sistema A apresenta o teclado nouma das letras errada), o sistema bloqueia o processo formato QWERTY, enquanto que os outros doisde inserção. Neste caso, preferiram o sistema C, sistemas apresentam em ordem alfabética (ABCDE).que vai dando opções de ruas conforme o nome é Um pouco mais da metade dos participantes preferiuinserido, mesmo que a palavra contenha uma das o teclado no formato QWERTY, mas houve outrosletras errada. Por exemplo, quando se tenta entrar participantes que disseram que o ABCDE é melhor,com a rua “Paissandu”, escrevendo-se com um “s” comparando com o teclado de um telefone celular,só ou “ç”, no sistema C, chegará um momento que e outros responderam que eram indiferentes. Sendoo sistema apresentará a rua correta (“Paissandu”) e, assim, acredita-se que esse tipo de sistema deva ter
  • 13. Quaresma, M. et al. 341A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011Figura 15. Sequência de telas recomendada para selecionar com destino um ponto de interesse (POI). Os retângulos compreenchimento em cinza indicam o único ou o último comando clicado na tela.
  • 14. Quaresma, M. et al. 342 A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011a opção de escolha de formato de teclados, o que essa lista deveria ser apresentada por prioridade doacontece no sistema C. Esse sistema possui esse tipo usuário ou frequência de uso, como faz o sistema C,de configuração, mas como isso não fazia parte de ao invés de em ordem alfabética.nenhuma das tarefas do teste, os participantes nãoperceberam. 7. Conclusão Em relação à organização dos menus ecomandos dos três navegadores, o que foi mais Pode-se concluir, portanto, que problemasdiscutido foi o excesso de páginas de menu nos de usabilidade ainda ocorrem em sistemas desistemas B e, principalmente, no sistema C. Este navegação GPS. Com o que foi observado e analisadoúltimo apresenta três telas de menu principal e seis na aplicação do teste, pôde-se constatar que váriostelas de preferências, com 30 comandos em um princípios de usabilidade (BASTIEN; SCAPIN, 1993;mesmo nível hierárquico. O sistema A foi visto como NIELSEN, 1994; SHNEIDERMAN, 1998; JORDAN,o melhor em termos de organização, com uma tela 1998; NORMAN, 2002) não foram atendidosde menu principal e quatro grupos de menu básicos nos projetos das interfaces dos três navegadoresapresentados nesta tela. Alguns participantes avaliados. Observa-se que a maioria dos problemaschegaram a achar que o sistema C, por ter tantas encontrados está relacionada à apresentação dasopções em cada nível, tinha mais funcionalidades informações do sistema e à interação do usuáriodo que os outros dois, mas de fato ele é equivalente nas várias etapas para a execução de tarefas típicasao sistema A. Quanto ao sistema B, realmente ele de entrada de dados. Em uma visão geral, com aspossui menos funcionalidades. tarefas que foram analisadas, pode-se dizer que Porém, o sistema A teve uma crítica em relação os problemas de projeto encontrados ora estãoa sua navegação na tela. Foi mencionada por vários associados à entrada de dados de endereço, no casoparticipantes a falta de um atalho rápido à tela do da tarefa 1 – definir destino por endereço, ora estãomenu principal. Quando os participantes chegavam associados à navegabilidade dos sistemas, como éem um nível profundo na hierarquia do sistema, o caso dos problemas encontrados na tarefa 2 –tinham que clicar na seta de voltar diversas vezes selecionar como destino o posto de gasolina (POI)para retornar ao menu principal e conseguir chegar mais próximo do sinal GPS.no mapa do guia de rota. Quanto à entrada de dados do endereço, foi Os participantes comentaram, também, sobre verificado que essa atividade deve ser feita ema priorização dos comandos dentro dos menus. etapas e com filtros dos nomes das vias. Pode-seApesar de o sistema C ter recebido muitas críticas concluir que inserir um endereço é mais eficaz,sobre seu excesso de opções em um mesmo menu, eficiente e rápido quando a tarefa é executadamuitos consideraram que as primeiras opções em etapas curtas e sequenciais, com o auxílio doapresentadas são as mais importantes, ou seja, navegador (os filtros) e com informações constanteseles acreditam que o sistema até prioriza bem seus (default) que possam ser estabelecidas de antemão,comandos, mas acham que eles deveriam ser mais como determinar a cidade do endereço. Dessaagrupados para melhor navegação. Quanto ao forma, a tarefa se torna mais segura de ser realizadasistema B, foi dito que sua priorização é terrível, com o automóvel em movimento.principalmente no caso mencionado antes sobre o Para a execução da tarefa de selecionar umexcesso de categorias de POIs. No sistema A, como ponto de interesse como destino, fica evidenteseu sistema de organização foi muito bem-visto, os que a seleção da categoria de pontos de interesseparticipantes mencionaram que a priorização dos é a questão mais problemática para uma execuçãocomandos é, também, muito boa. rápida e segura quando são consideradas longas Muitos participantes sugeriram que o menu listas de opções. Nesse caso, o sistema C mostrou-seprincipal (primeira tela) deva ter no máximo quatro o melhor projeto para a seleção das categorias, queou cinco opções e que tudo que o navegador contém são apresentadas por prioridade, ou seja, as maisdeva ser acessado por ali. Além disso, acreditam usadas pelo usuário são as que aparecem primeiroque o comando “Navegar até” deva ser o primeiro no momento da seleção.comando apresentado em um sistema desses, já que Em navegadores GPS deve-se evitar o uso deaponta para a tarefa principal do sistema. listas, principalmente por causa do tamanho dos Por último, em relação à organização dos displays, ainda mais para esse tipo de tarefa quecomandos de pontos de interesse, definitivamente é realizada com frequência nesse tipo de sistema.o sistema B foi o mais criticado, devido aos seus Obviamente, existirão momentos em que o usocomandos espalhados em níveis diferentes e, mais de uma lista deverá acontecer, tanto porque oainda, devido à longa lista de categorias de POI usuário pode querer uma outra categoria quantoapresentada. Alguns participantes sugeriram que por causa do vasto banco de dados que esses
  • 15. Quaresma, M. et al. 343A usabilidade de tarefas típicas ... navegação GPS automotivos. Produção, v. 21, n. 2, p. 329-343, abr./jun. 2011sistemas possuem. Porém, deve-se minimizar ao EUROPEAN COMMUNITIES. Recommendations on safe and efficient in-vehicle information and communication systems:máximo o uso dessas listas e, caso seja necessário update of european statement of principles on humanapresentá-las, estas devem ser pequenas, com as machine interface. Brussels: European Union, 2008. Officialopções mais agrupadas. Journal 2008/653/EC. Os esquemas (wireframes) demostrados nas INTERNATIONAL ORGANIZATION STANDARDIZATION. Ergonomic requirements for office work with visual display terminalsFiguras 14 e 15 apresentam sequências de telas (VDTs) -- Part 11: Guidance on usability. Génève: ISO, 1998.ideais e recomendadas tanto para a inserção de JAPAN AUTOMOBILE MANUFECTURERS ASSOCIANTION -dados do endereço (tarefa 1 - Figura 14) quanto JAMA. Guidelines for in-vehicle display systems. Tokyo: JAMA, 2000.para a seleção de um ponto de interesse como JORDAN, P. W. An introduction to usability. London: Taylor &destino (tarefa 2 - Figura 15) em sistemas de Francis, 1998.navegação GPS. NIELSEN, J.; MACK, R. L. Usability inspection methods. New Este artigo apresenta apenas alguns resultados da York: John Wiley & Sons, 1994.pesquisa. Outras tarefas foram testadas, assim como NOEL, E.; NONNECKE, B.; TRICK, L. A comprehensive learnability evaluation method for in-car navigation devices. In: SAEoutras técnicas foram aplicadas em Quaresma (2010). WORLD CONGRESS, 2005. Proceedings... Detroit: SAE International, 2005a. NOEL, E.; NONNECKE, B.; TRICK, L. Evaluating first-timeReferências and infrequent use of in-car navigation devices. In: INTERNATIONAL DRIVING SYMPOSIUM ON HUMANALLIANCE OF AUTOMOBILE MANUFACTURERS. Statement FACTORS IN DRIVER ASSESSMENT, TRAINING AND VEHICLE of principles, criteria and verification procedures on driver DESIGN, 3., 2005. Proceedings... Rockport: University of interactions with advanced in-vehicle information and Iowa/PPC, 2005b. communication systems. Washington, D.C.: Alliance of NORMAN, D. The design of everyday things. New York: Basic Automobile Manufacturers, 2003. Books, 2002.BASTIEN, J. M. C.; SCAPIN, D. Ergonomic criteria for the NOWAKOWSKI, C.; GREEN, P.; TSIMHONI, O. Common evaluation of human computer interfaces. Le Chesnay: automotive navigation system usability problems and a INRIA, 1993. standard test protocol to identify them. In: ITS-AMERICA 2003 ANNUAL MEETING, 2003. Proceedings… WashingtonBRANGIER, É.; BARCENILLA, J. Concevoir un produit facile à DC: Intelligent Transportation Society of America, 2003. utiliser. Paris: Éditions d’Organisation, 2003. QUARESMA, M. Avaliação da usabilidade de sistemas deBRASIL. 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Moderation usability tests – principles SOCIETY OF AUTOMOTIVE ENGINEERS. Navigation and route & practices for interaction. Burlington: Morgan Kaufmann guidance function accessibility while driving. Warrendale: Publishers, 2008. SAE International, 2004. SAE Recommended Practice J2364. The usability of typical tasks of destination selection in automotive GPS navigation systemsAbstractThe automotive GPS navigation system is an in-vehicle system that helps drivers find their way to their destinationthrough maps and maneuvering indicators. This article presents a study on the usability of typical tasks of destinationselection in three navigation systems sold in Brazil, with different data entry methods and interfaces. The researchaimed to calculate the occurrence of usability problems in navigators in Brazil. Usability tests were applied to bothexperienced and non-experienced users in order to measure the effectiveness, efficiency and use satisfaction (usabilitymetrics) of the three interfaces. With the tests results, several usability issues were observed in the design of theinterfaces evaluated and appropriate solutions were suggested to the organization and navigation of menus andcommands.KeywordsGps navigation systems. Usability. Human-computer interaction. Ergodesign.

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