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  • 1. SECRETARIA DE ESTADO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – SEMADSFUNDAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA ESTADUAL DE RIOS E LAGOAS - SERLAENCHENTES NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Aborda dag Geral Uma Abor dagem GeralProjeto PLANÁGUA SEMADS / GTZ de Cooperação Técnica Brasil – Alemanha Agosto de 2001
  • 2. SEMADS - Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Palácio Guanabara – Prédio Anexo – sala 210 Rua Pinheiro Machado s/no – Laranjeiras 22.238-900 – Rio de Janeiro – RJ Tel: 21-2299-5290 – Fax: 21-2299-5285 e-mail comunicacao@semads.rj.gov.brS E R L A - Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas Campo de São Cristóvão, 138/3º andar – S. Cristóvão 20921-440 – Rio de Janeiro – RJ Tel: 21-2580-7218/0998 e-mail serla@serla.rj.gov.br2
  • 3. APRESENTAÇÃO Águas pluviais, tão necessárias a sobrevivência humana e fundamental para oequilíbrio dos ecossistemas com os quais interagimos são, muitas vezes, entreguespela natureza com o rigor dos eventos naturais extremos, isto é, pela ocorrência deestiagens prolongadas, onde a escassez é o fator relevante, ou pelas enchentes,onde a abundância das águas concentradas no tempo e no espaço, geradesconfortos, preocupações, prejuízos e, eventualmente, perda de vidas humanas. Controlar as enchentes e diminuir seu poder muitas vezes devastador sobreos bens públicos e privados, assegurar a integridade física e garantir o bem estardo cidadão, é dever constitucional das autoridades estabelecidas, embora hajanecessidade de estreita colaboração e envolvimento da própria sociedade. O avanço da ocupação territorial sobre áreas historicamente sujeitas ainundação, a descaracterização da mata ciliar, o desmatamento desenfreado, odescarte irresponsável dos resíduos domiciliares sobre as encostas e nos cursosde água, a impermeabilização dos terrenos, as obras locais de caráter imediatista eoutras ações que por dezenas de anos foram praticadas pelo homem em nome dodesenvolvimento, hoje se tornam fatores agravantes na formação das enchentes. O presente relatório, fruto de um amplo trabalho de pesquisa no âmbito doprojeto PLANÁGUA SEMADS/GTZ, reúne uma série de esclarecimentos sobre esseseventos naturais, inclui uma abordagem especial para a situação no Estado do Riode Janeiro, ressalta a necessidade da adoção da área da bacia hidrográfica comounidade territorial de gestão, bem como, apresenta novos conceitos para o controledas enchentes e redução dos riscos de inundação e os conseqüentes prejuízos. O objetivo principal do trabalho é abrir discussões sobre o tema, de forma apermitir a reavaliação e reflexão sobre os procedimentos e critérios usualmenteempregados e análise de medidas alternativas e complementares no controle dasenchentes. Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável 3
  • 4. Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme decreto n o 1.825 de 20 de dezembro de1907. C 837 Costa, Helder Enchentes no Estado do Rio de Janeiro – Uma Abordagem Geral / Helder Costa, Wilfried Teuber. Rio de Janeiro: SEMADS 2001 160p.: il. ISBN 85-87206-08-7 Cooperação Técnica Brasil-Alemanha, Projeto PLANÁGUA- SEMADS/GTZ Inclui Bibliografia. 1. Recursos Hídricos. 2.Cheias. 3. Saneamento Ambiental. I. PLANÁGUA. II Título. III. Rio de Janeiro (Estado). IV. SERLA CDD 627.4CapaPublicidade 2001Foto da Capa: Enchente em Itaperuna / Rio Muriaé - Janeiro 1997Antônio CruzDiagramaçãoCláudio AlecrimEditoraçãoJackeline Motta dos SantosRaul Lardosa RebeloProjeto PLANÁGUA SEMADS / GTZO Projeto PLANÁGUA SEMADS/GTZ, de Cooperação TécnicaBrasil – Alemanha, vem apoiando o Estado do Rio de Janeiro nogerenciamento de recursos hídricos com enfoque na proteção deecossistemas aquáticos.Coordenadores: Antônio da Hora, Subsecretário Adjunto de Meio Ambiente SEMADS Wilfried Teuber, Planco Consulting / GTZCampo de São Cristóvão, 138/31520.921-440 Rio de Janeiro - BrasilTel/Fax [0055] (21) 2580-0198E-mail: serla@montreal.com.br4
  • 5. CoordenaçãoHelder Costa Consultor do Projeto PLANÁGUA SEMADS/GTZWilfried Teuber Projeto PLANÁGUA SEMADS/GTZColaboraçãoAlan Carlos Vieira Vargas SERLAAntonio Ferreira da Hora Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SemadsCapitão Ivan Vieira da Silva Secretaria de Defesa Civil Município do Rio de JaneiroCláudio Alecrim Consultor de diagramaçãoDavid Pacheco Faculdade de Cinema Universidade Federal Fluminense - UFFDurval Alves Mello Neto Rio-Águas, Município do Rio de JaneiroEliane Pinto Barbosa SERLAEny Gomes de Lannes SERLAEugenio Enrique Monteiro Rio-Águas, Município do Rio de JaneiroFernando Riker Branco SERLAIgnez Muchelin Selles SERLAJackeline Motta dos Santos Projeto PLANÁGUA SEMADS/GTZJoana Araújo Faculdade de Cinema Universidade Federal Fluminense - UFFJorge Paes Rios SERLALeila Heizer Santos SERLALígia Maria Nascimento de Araújo Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais CPRMLúcio Bandeira Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos HídricosMajor Djalma Antonio Filho Secretaria de Estado de Defesa CivilMarlene Leal de Almeida Souza Instituto Nacional de Meteorologia - INMETMônica da Hora SERLANelson Martins Paez Geo-Rio, Município do Rio de JaneiroPaulo Carneiro Laboratório de Hidrologia - COOPE / URFJPaulo Roberto Moreira Goulart Secretaria de Estado de Defesa CivilRachel Saldanha de Alencar Fundação Centro de informações do Estado do Rio de Janeiro - CIDERaul Lardosa Rebelo Projeto PLANÁGUA SEMADS/GTZRodrigo Raposo de Almeida Projeto Managé Universidade Federal Fluminense - UFFRogério Luiz Feijor Geo-Rio, Município do Rio de JaneiroRosana Fânzeres Caminha Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos HídricosSérgio Ayres Bloise SERLASilvio Torres SERLATenente Arruda Diretoria de Hidrografia e Navegação - DHNThiago Soares Rodrigues EstagiárioValdo da Silva Marques Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia SIMERJValdemar Guimarães Agência Nacional de Águas - ANA das Águas - ANAWalter Binder Departamento Estadual de Recursos Hídricos Baviera/AlemanhaVanderlei de Souza Napoleão SERLA 5
  • 6. RESUMO É secular o problema de enchentes no Estado do Rio de Janeiro, fenômeno naturalcondicionado a fatores climáticos, principalmente às chuvas intensas de verão, cujosefeitos são agravados pelas características do relevo: rios e córregos com forte declividadedrenando bruscamente das serras para as baixadas, quase ao nível do mar. A ocupaçãodessas baixadas, áreas naturais de retenção das águas, pântanos e brejos, só foi possívelmediante grandes obras de drenagem e de diques de proteção. O principal objetivo dessas intervenções, a exemplo das obras de retificação ecanalização, era, como em todo mundo, direcionar e conduzir as águas das enchentes omais rápido possível rio abaixo, esperando assim, dominar os desafios da natureza. Sabe-se hoje que essas obras, embora proporcionem grandes melhorias locais emépocas de enchentes mais freqüentes, muitas vezes transferem o problema para jusantee agravam significativamente a situação das enchentes excepcionais. Outros fatoresantrópicos, como o desmatamento em grande escala, a urbanização e as atividades quereduzem as áreas naturais de retenção, inclusive áreas de inundação, aumentaramconsideravelmente os volumes e os picos das cheias. Nas enchentes recentes podemos observar um crescimento dos prejuízos, resultadoda ocupação sempre mais progressiva de áreas naturais de inundação, e pela falta deconscientização da população relativa aos riscos envolvidos. Para tentar reverter esse quadro, é importante avaliar e adaptar novas estratégiasno controle de enchentes já em andamento em outros países. Nessas novas concepçõesos interesses locais de proteger a própria área devem ser harmonizados aos interessesde toda a bacia, incluindo a proteção de toda a população, considerando os aspectossociais e econômicos, o ecossistema e as necessidades do próprio rio. Somente medidasem harmonia com a natureza, e não contra ela, terão sucesso. Ou seja, em lugar de direcionar e acelerar as águas das enchentes rio abaixo, deve-se restabelecer o quanto possível a retenção natural já nas cabeceiras, nas matas, nasáreas ribeirinhas e conservar as áreas de inundação ainda existentes. É impossível evitaras enchentes excepcionais, porém, é possível conter o agravamento contínuo das mesmase reduzir os prejuízos. Precisamos aprender a conviver com o fenômeno. Precisamosdivulgar medidas preventivas e conscientizar a população sobre os riscos aos quais estáexposta. Não urbanizar áreas de inundação é o melhor e economicamente mais viável métodopara evitar e reduzir os riscos e prejuízos de enchentes.6
  • 7. Somente ações solidárias envolvendo a sociedade, os órgãos públicos do estado edos municípios, somados com a responsabilidade individual de cada cidadão por toda aunidade territorial da bacia hidrográfica, podem produzir resultados positivos concretos. A legislação federal e estadual sobre a gestão de recursos hídricos, estabelececondições para a integração das ações em todas as bacias hidrográficas do Estado do Riode Janeiro, com a participação da sociedade civil. O objetivo dessa publicação é informar e conscientizar a sociedade sobre o fenômenodas enchentes, especialmente na área de planejamento regional urbano e rural, e sobreos aspectos naturais e antrópicos das enchentes. Decisões sobre o uso do solo em áreasde risco, caso as necessidades do rio e da natureza forem negligenciadas, podem acarretarsérios problemas a proteção da população e aumentar os prejuízos decorrentes. 7
  • 8. ENCHENTES NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO UMA ABORDAGEM GERALEnchentes – Considerações Gerais................................................................................ 10Causas Naturais das Enchentes...................................................................................... 13Ciclo Hidrológico..................................................................................................................... 14Chuvas...................................................................................................................................... 19Características das Chuvas no Estado do Rio de Janeiro................................................ 22Escoamentos das Águas de Chuva...................................................................................... 29Formação das Enchentes.................................................................................................. 35Bacia Hidrográfica.................................................................................................................. 37Tempo de Concentração........................................................................................................ 37Geometria das Bacias............................................................................................................ 38Tipo de Solo e Cobertura Vegetal......................................................................................... 38Relevo e Declividades............................................................................................................ 40Densidade de Drenagem....................................................................................................... 41Superposição de Hidrogramas............................................................................................. 41Características Gerais das Bacias Hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro............. 43Fatores Agravantes das Enchentes................................................................................ 49Redução da Capacidade de Retenção Natural.................................................................. 50Obras de Macrodrenagem..................................................................................................... 56Obstáculos Artificiais aos Escoamentos Superficiais........................................................ 628
  • 9. Enchentes no Estado do Rio de Janeiro....................................................................... 71Início da Ocupação do Solo...................................................................................................... 72Enchentes Históricas na Cidade do Rio de Janeiro........................................................... 79Principais Obras de Controle de Enchentes........................................................................ 83Áreas Inundáveis no Estado do Rio de Janeiro................................................................... 94Sistemas de Alerta.................................................................................................................. 110Conseqüências das Inundações...................................................................................... 117Obras de Controle de Enchentes..................................................................................... 126Medidas Preventivas Complementares.......................................................................... 136Controle de Enchentes e Engenharia Ambiental – Um Novo Conceito................ 138Recomendações................................................................................................................... 145Bibliografia............................................................................................................................. 151Informações à População.................................................................................................. 153Projeto PLANÁGUA............................................................................................................. 157 9
  • 10. necessárias para garantir até um certo risco e não ENCHENTES: acessibilidade às novas áreas, atenderão sua finalidade para CONSIDERAÇÕES alteram drasticamente os enchentes decorrentes de GERAIS padrões de drenagem natural. chuvas além daquelas Essa dinâmica gera constantes estabelecidas no projeto. Além Enchente é o modificações na configuração disso, muitas vezes,escoamento superficial das das enchentes e nas simplesmente transferem eáguas decorrentes de chuvas dimensões das áreas sujeitas agravam o problema de umfortes. Após suprir a retenção às inundações. local para outro, águas abaixo.natural da cobertura vegetal, Quanto maior a Na dificuldade desaturar os vazios do solo e transformação e a modificação direcionar a dinâmica dopreencher as depressões do da superfície dos terrenos, crescimento urbano nasterreno, as águas pluviais tornando-os menos grandes cidades, que muitasbuscam os caminhos permeáveis à infiltração das vezes desconsidera asoferecidos pela drenagem águas e diminuindo a funções naturais dos rios enatural e / ou artificial, fluindo capacidade de retenção impermeabiliza e ocupa novasaté a capacidade máxima natural, maior será a parcela áreas, inclusive aquelasdisponível, no sentido do corpo contribuinte para os sujeitas a inundações, depara-de água receptor final. escoamentos superficiais e se freqüentemente com aDependendo de uma série de maior a probabilidade de necessidade de revisão dosfatores físicos e das inundações. critérios e dados de projetoproporções das chuvas, tais Em geral, não se para mais intervenções.limites podem ser superados e dispõe de programas de Obras anteriores já nãoos volumes excedentes investimentos direcionados atendem os objetivosinvadem áreas marginais. para intervenções de controle previstos. Surge o impasse daQuando essas áreas são e amenização dos efeitos das decisão sobre os limites dosocupadas pelo homem, as inundações, implementados, riscos possíveis e aceitáveis aáguas entram em conflito gradativamente, durante o serem cobertos por novosdireto com suas economias, crescimento urbano. Pelo investimentos.benfeitorias e atividades. contrário, quando as O confronto do homem A enchente é parte conseqüências das enchentes com a natureza será em vão,integrante do ciclo da água na ordinárias se agravam pois a dinâmica das mutaçõesnatureza e, portanto, trata-se irremediavelmente, permanece climatológicas a nível local,de um fenômeno natural cujas a prática de grandes regional e planetário, levam,conseqüências só trarão danos investimentos em obras locais, com relação aos eventose prejuízos, à medida em que conceitualmente superadas e pluviométricos, à expectativaseus efeitos interfiram no bem impactantes. do imprevisível.estar da sociedade. Convém ressaltar que Conclui-se que A expansão urbana e tais intervenções podem, a enchentes não podem seras intervenções mínimas princípio, garantir proteção local evitadas, mas por outro lado, é10
  • 11. bem possível reduzir os mais seguros, assim que os Solidário a essasprejuízos ou mesmo torná-los primeiros indícios de inundação iniciativas, deve estar o própriomínimos. Assim sendo, novos se manifestarem. cidadão, devidamenteconceitos e práticas devem ser Tanto maior será o esclarecido sobre as causasintroduzidas para melhor prejuízo quanto maior forem os das enchentes e induzido peloconvivência com o fenômeno. bens materiais que o homem Poder Público a participar Enchentes históricas, mantém nas áreas sujeitas às e realizar pequenasisto é, aquelas que acarretam inundações. É importante que modificações, apesar deprejuízos significativos à o cidadão esteja consciente do modestas, para propiciar maiorsociedade em conseqüência risco que corre durante chuvas retenção temporária e/oudas inundações, são intensas, e que lhe seja dada a infiltração das águas pluviaisestudadas estatisticamente e oportunidade de tomar dentro da sua propriedade ouenquadradas dentro de uma pequenas providências a partir do seu empreendimento.escala de probabilidade que as de sistemas de alerta O somatório dessascaracterizam segundo a eficientes, desenvolvidos e pequenas iniciativas,freqüência de ocorrência. implantados pelo Poder certamente representaria umApesar de uma enchente Público, com o mínimo da ganho global enorme para ahistórica estar associada a tecnologia hoje disponível. sociedade, diminuindo o riscouma pequena probabilidade de Medidas de simples e os transtornos dasocorrência a cada ano, a implementação para retenção inundações.sociedade deve estar superficial das águas de chuva Caberia ao Poderconsciente que o mesmo ou mesmo a manutenção de Público implementar as etapasevento pode se manifestar no áreas livres para infiltração, do planejamento dentro dedia seguinte e de novo nos ainda não fazem parte do uma ação setorial, integrada aanos subseqüentes. Portanto, planejamento da ocupação do uma política maior, compatível,medidas preventivas devem solo pelo homem e, sequer, por exemplo, com asser adotadas para que os são sugeridas, a nível de pretensões das novas leis, queimpactos e os prejuízos não projeto, pelos órgãos instituíram as Políticastenham as mesmas competentes. Nacional (Lei Federal no 9433)proporções. Idéias, sugestões e e Estadual (Lei Estadual n o É comum na cultura ações fundamentadas na 3239) de Recursos Hídricos.popular pensar que uma compreensão dos conceitos Dentre os objetivos degrande inundação levará muito básicos do ciclo hidrológico, ambas, está a prevenção e atempo para que ocorra devem ser incorporadas ao defesa contra eventosnovamente. O fato com o planejamento global, hidrológicos críticos de origemtempo é esquecido, simples fortalecendo os efeitos natural ou do uso inadequadoprovidências deixam de ser esperados por obras dos recursos naturais,tomadas como por exemplo, estrategicamente projetadas adotando a bacia hidrográficaplanejar o remanejamento de no âmbito da bacia como unidade territorial debens materiais para níveis hidrográfica. gestão. 11
  • 12. Sob essa nova superior àquelas pequenas mais econômicas e eficazes.perspectiva, pelo menos para sub-bacias que abrigam, Os diferentes temasas bacias ou sub-bacias muitas vezes, parte de grandes desenvolvidos a seguir tem ahidrográficas ainda menos centros urbanos, onde a pretensão de dotar o cidadãoocupadas, vislumbra-se a questão do controle das comum, autoridades públicas,oportunidade de introduzir enchentes requer soluções de lideranças comunitárias,práticas e conceitos responsabilidade do Poder estudantes, professores econtemporâneos para o Público local. Por outro lado, o políticos interessados, docontrole de enchentes através referido Plano pode e deve fixar conhecimento básicode ações a serem diretrizes gerais que necessário para melhorimplementadas pelos planos contemplem a adoção de compreensão dos principaisde recursos hídricos, novos conceitos e critérios, tais agentes formadores dasinstrumentos das referidas como, conservar ao máximo a enchentes, dos fatores físicospolíticas. retenção natural das águas de agravantes, das possíveis Iniciativa recente do chuva e a proibição de conseqüências envolvidas eMinistério do Meio Ambiente, urbanizar áreas sujeitas a das grandes mudançasatravés da Secretaria de inundações. conceituais que devem serRecursos Hídricos, na sua A recuperação de áreas introduzidas na gestão e namissão institucional de para infiltração, o aumento da prática das intervenções parapromover e divulgar os capacidade de retenção, controlar e amenizar os efeitosobjetivos da Política Nacional através de soluções pontuais das mesmas.de Recursos Hídricos, e regionais, a utilizaçãoconstituiu grupo de trabalho sustentável das águas depara discutir e elaborar o Plano chuva e a revitalização dosNacional de Prevenção e cursos de água, fazem parteDefesa Contra Eventos de um conjunto de medidasHidrológicos Críticos de postas em prática em paísesOrigem Natural ou como Alemanha, Japão eDecorrentes do Uso Estados Unidos.Inadequado dos Recursos O risco do colapso deNaturais. O Plano está inserido grandes obras como barragenscomo meta do Programa de laminação de enchentes eÁguas do Brasil (Avança diques de contenção, queBrasil). podem gerar conseqüências Plano de tamanha catastróficas, levaram estesproporção, certamente países a rever a política para ocontemplará as grandes setor, em busca de alternativasbacias hidrográficas de rios estruturais e não estruturais,federais e, portanto, comabrangência significativamente12
  • 13. 13
  • 14. CICLO HIDROLÓGICO As águas na naturezase movimentam, circulam e setransformam no interior dastrês unidades principais quecompõe o nosso Planeta, quesão a atmosfera (camadagasosa que circunda a Terra),a hidrosfera (águas oceânicase continentais) e litosfera(crosta terrestre). A dinâmica de suastransformações e a circulaçãonas referidas unidades,formam um grande, complexo combinação de outros fatores superfícies superiores dase intrínseco ciclo chamado físicos, o vapor d’água se construções por venturaciclo hidrológico. concentra nas camadas mais existentes (telhados, terraços, Por se tratar do ciclo altas, formando nuvens que se outros).representativo do caminho modelam e se movimentam O que excede à essadas águas nos seus diversos em função do deslocamento retenção, soma-se àquelaestados físicos (sólido, líquido das massas de ar (vento). parcela de chuva que atingiue gasoso) não permite, Em determinadas diretamente o solo, seclaramente, a identificação do condições físicas, surgem infiltrando através dos vaziosinício do mesmo. gotículas de água que se entre os grãos do solo. Pegando uma “carona” precipitam das nuvens e, sob A água infiltradano circuito, no momento em a ação da força da gravidade, percola (escoa através dosque a água evapora dos formam a precipitação vazios do solo) na direção dasoceanos e da superfície da pluviométrica, ou seja, a camadas mais profundas,terra, passa a integrar o chuva. As águas de chuva contribuindo para oconteúdo da atmosfera na podem ser interceptadas, abastecimento dosforma de umidade (vapor em parte, pela vegetação reservatórios subterrâneosd’água). Dependendo das (copa das árvores) que cobre rasos (lençol freático) econdições climáticas e da o terreno e/ou pelas profundos (aqüíferos).14
  • 15. Portanto, pode-se constatar que quanto maior for a retenção na cobertura vegetal e a infiltração das águas de chuva, menor será o volume excedente disponível para o escoamento superficial e, a princípio, pressupõe-se menor chance de ocorrência de enchentes e inundações. Deve ficar claro que tudo dependerá da Quando a capacidade de infiltração do quantidade de chuva, dos limites dassolo é superada, o excesso das águas de chuva capacidades de retenção superficial, das taxasvai avolumar os escoamentos superficiais já de infiltração características do solo existenteiniciados sobre as áreas impermeáveis e as de e das chuvas antecedentes.menor permeabilidade, na direção das regiões Assim, quanto maior as oportunidadesmais baixas, através das galerias de águas das águas de chuva se infiltrarem, maior serápluviais, quando houver, dos córregos, riachos a recarga dos reservatórios subterrâneos,e rios, chegando, por fim, ao oceano onde a fortalecendo a capacidade de abastecimentocontinuidade do ciclo se manifesta novamente dos corpos de água durante os períodos típicosatravés dos mecanismos de evaporação. de estiagem (sem chuva). Estes conceitos Convém lembrar que a água retida na serão melhor abordados adiante.vegetação, bem como, aquela que ficou Com o propósito de proporcionar melhorarmazenada nas pequenas depressões do entendimento das diferentes etapas queterreno, nos lagos, lagoas, lagunas e compõe o ciclo hidrológico, são apresentados,reservatórios construídos pelo homem, também a seguir, algumas definições e comentários úteispassam pelo processo de evaporação, para o acompanhamento dos assuntos tratados.aumentando a umidade da atmosfera. É importante esclarecer quedurante os períodos sem chuva, aságuas armazenadas nos reservatóriossubterrâneos fluem lentamente, pelaação da gravidade, para áreas maisbaixas, abastecendo os corpos deágua, (rios, lagos, lagunas,reservatórios). Essa contribuição échamada de descarga base ouescoamento base. 15
  • 16. Evaporação A evaporação é a transformação física do estado líquido para o estado gasoso, sob a forma Atmosfera de vapor d’água. A atmosfera é constituída Pode ocorrer emde diferentes camadas com situações diversascaracterísticas distintas. A sob diferentesprimeira chama-se condições físicas.troposfera e alcança De uma maneiraaltitudes médias de 6 km nos geral, pode-sepólos e 17km, no Equador, identificar oscom temperaturas variáveis e seguintes tipos deonde estão cerca de 90% do evaporação:vapor d’água total da • evaporação direta – ocorre • evaporação do solo –atmosfera, principalmente diretamente sobre a ocorre a partir da águanos 5km iniciais. precipitação, isto é, durante retida nas camadas Portanto, a troposfera é a sua queda e antes de superiores do solo, sejacamada da atmosfera que alcançar a superfície da por encharcamento,mais interesse desperta para os Terra; retidas nos interstícios, ouestudos de formação das • evaporação das por elevação através donuvens e chuvas. superfícies líquidas – efeito de capilaridade. A segunda camada ocorre em todas as • evaporação pordenomina-se estratosfera, superfícies líquidas transpiração – os vegetaiscom temperatura constante, disponíveis, isto é, nos depois de retirarematé cerca de 40km de lagos, lagoas, lagunas, através do seu sistemaaltitude. cursos de água, radicular, a água e as A terceira, é a reservatórios, oceanos, substâncias minerais nelamesosfera, até 80km e, nas águas acumuladas dissolvidas, devolvem aem seguida, a termosfera, nas depressões do terreno água para a atmosfera,acima desse limite. e naquelas retidas sobre a através das folhas, pelo Como citado vegetação em geral. processo de transpiração.anteriormente, a umidadeatmosférica é provenientebasicamente do resultado doprocesso de evaporação.16
  • 17. Condensação Atmosférica A condensação é aalteração do estado de vaporatmosférico para a forma Precipitaçãolíquida, proporcionando acriação de minúsculas gotas O processo de aglutinação e coagulação contribuemd’água, que, dado ao peso para o aumento do volume e peso das gotículas,insignificante, permanecem naatmosfera formando as alcançando diâmetros da ordem de 0.2 a 0.5 milímetros,nuvens. podendo então, ocorrer a precipitação. A capacidade máxima do As gotas assim formadas, caem sob o efeito daar de reter vapor, depende, gravidade, à qual se contrapõem o empuxo e o atrito do arentre outros fatores, datemperatura. Ar quente pode atmosférico, proporcionando, ainda mais, o aumento doreter muito mais vapor do que volume da gotícula, determinando e caracterizando oo ar frio. A umidade específica diâmetro e a velocidade de queda máximos.oscila de 25g por kg de ar A precipitação pode ocorrer sob diversas formas:tropical marítimo à 0,5g por kg • chuva – precipitação em forma líquida, comde ar polar continental. Por issoquando o ar úmido ascendente diâmetros variando entre 200 milésimos de milímetros ese esfria e o limite de saturação alguns milímetros;é atingido, acontece a A chuva formada por gotículas cujos diâmetros sãoc o n d e n s a ç ã o : inferiores a 0.5 milímetros é conhecida como garoa oua transformação do vapor emágua. chuvisco; As gotículas não se • neve – quando a condensação do vapor d’águaprecipitam de imediato, devido ocorre em temperaturas muito baixas (sublimação), formam-ao peso reduzido e a influência se cristais de gelo que coagulam e se precipitam em formadas correntes de arascensionais típicas da de flocos;turbulência atmosférica. • granizo – precipitação em forma de pedras de gelo. A nuvem tem o Tal precipitação pode ocorrer pelo congelamento da gotacomportamento de um meio d’água ao atravessar camadas atmosféricas mais frias ou pelacoloidal disperso onde as recirculação de cristais de gelo no interior das nuvens;gotículas se aglutinam ou secoagulam em torno de núcleos • nevoeiro – o nevoeiro é uma nuvem ao nível do solo,de condensação existentes em com gotículas de diâmetro médio em torno de 0.02condições naturais, podendo milímetros, conhecido também como cerração ou russo;ser cristais de cloreto de sódio • orvalho – deposição de água sobre superfícies frias,e de cloreto de cálcio, sais deenxofre ou óxidos de à noite, como resultado do esfriamento do solo e do arnitrogênio, cristais de quartzo atmosférico adjacente, por efeito de irradiação de calor;ou sílica, anidrido carbônico, • geada – deposição de uma finíssima camada decristais de gelo e poeiras. Tais gelo decorrente de processo de irradiação térmica,núcleos possuem diâmetroentre 1 a 5 vezes a milésima ocorrendo em temperaturas muito baixas (sublimação doparte do milímetro. vapor d’água). 17
  • 18. Retenção Superficial Ocorrência noprocesso do ciclohidrológico que podeacumular água deduas formas: • interceptaçãovegetal – relativa àparcela daprecipitação que ficaretida sobre a Infiltraçãovegetação de uma É a parcela damaneira geral; precipitação que • acumulação infiltra no terrenonas depressões – através dos vazios dorelativa à parcela solo, contribuindo Escoamento Escoamentoretidas nas para as águas Subterrâneo Superficialdepressões do subterrâneas dos Ocorre através É a parcela dasterreno. lençóis superficiais e dos interstícios do águas de chuva que A água da para as camadas solo totalmente flui sobre os terrenos,retenção superficial mais profundas encharcado, com sob a ação daretorna à atmosfera impermeáveis que d i r e ç ã o gravidade, buscandopela evaporação cortam o fluxo vertical predominantemente as linhas dec o n f o r m e retendo grande horizontal, onde talvegue, alcançandoanteriormente quantidade de água prevalecem as os cursos de água,citado. no solo acima delas. forças de gravidade os lagos, os e pressão. Tal oceanos. escoamento se dá na direção dos pontos mais baixos ou de menor potencial e, desta forma, retornam suas águas aos corpos hídricos.18
  • 19. Tipos de Precipitação Pluviométrica As precipitações podem ser grupadas em três tipos fundamentais, em função dos agentes que lhes dão origem. • Precipitação Orográfica As massas de ar úmido e quente que se formam sobre os continentes ou sobre os oceanos, com grandes quantidades CHUVAS de vapor d’água decorrentes dos processos de evaporação, podem ser deslocadas pelos ventos contra barreiras orográficas Como visto antes, as (montanhas ou cordilheiras). O contato com essas barreirasnuvens nada mais são que defletem rapidamente essas massas para o alto, fazendo commassas concentradas de que se esfriem e sofram os processos de condensação egotículas de água suspensas. precipitação.Tais gotículas são formadasem conseqüência dacondensação do vapord’água ao redor de pequenaspartículas presentes naatmosfera. As condições físicaspara a condensação sãoestabelecidas pela expansãodas correntes de ar emascensão que se esfriam coma altitude e perdem acapacidade de reter vapord’água. Verifica-se que a Pela rapidez com que a massa de ar se eleva,ocorrência de chuvas tem dependendo da topografia e quantidade de umidade, pode gerarligação direta com a rapidez chuvas muito intensas.com que as massas de ar seesfriam, intensificando o • Precipitação Ciclônicacrescimento do tamanho da Existem grandes áreas da superfície terrestre quegotícula pela condensação e apresentam características térmicas e de umidade uniformesaglutinação, até a instabilidade que são transmitidas gradativamente às massas de ar acimada sustentação no ar e a estagnadas ou que sobre elas se deslocam lentamente. Essasconseqüente queda pela ação massas de ar, em grande volume e extensão, passam ada força da gravidade, apresentar também, características térmicas de umidade quecaracterizando a precipitação as caracterizam.pluviométrica. 19
  • 20. Em geral, essas massas de ar formam- • Precipitação Convectivase em regiões como o Ártico, a Antártica, a Resulta da ascensão do ar úmido ePatagônia, o Pantanal Mato-grossense, o quente, em regiões de clima quente, em funçãoDeserto do Saara, e outros, e podem se da densidade, criando um processo deencontrar umas com as outras, à medida que convecção térmica.se deslocam sobre o globo terrestre. Tal fenômeno cria uma célula de Quando duas massas de ar de convecção onde o ar quente sobe rapidamentediferentes temperaturas se encontram, a pelo centro da nuvem, esfriando-se, propiciandotendência será a formação de uma cunha da a condensação e a precipitação. Quando o armassa de ar mais fria sob a massa mais quente, mais seco chega ao topo da nuvem, após aempurrando-a para cima. perda de umidade, diverge para a atmosfera Forma-se uma grande superfície frontal retornando ao solo de forma convergente porcuja linha de contato com a crosta terrestre baixo da nuvem, realimentando-a de umidadechama-se frente. carreada do ar adjacente à célula de convecção. Em decorrência da oposição das duas Novamente, o ar úmido sobe, e o ciclo se repetemassas, a de maior energia empurrará a outra, até que a intensidade de realimentação diminua.e se chamará fria ou quente, conforme seja As chuvas convectivas são geradas amais fria ou quente com relação à outra massa partir de nuvens de grande desenvolvimentode ar. vertical (cumulu nimbus), ocorrendo com muita Quando houver equilíbrio energético, a intensidade em períodos curtos, promovendofrente criada chama-se “frente quase uma varredura na umidade atmosférica,estacionária”. deixando geralmente, ao seu término, o céu límpido e tempo bom. O Rio de Janeiro, pelo seu clima quente, é marcado pelas chuvas convectivas com “pancadas” de fim de tarde durante o verão. O ar quente é empurrado para o alto,configurando-se as condições favoráveis àcondensação e à precipitação. As chuvas ciclônicas são, em geral,pouco intensas e muito duráveis.20
  • 21. Entre os anos 1400 e Conceituação e 1600, grandes pesquisadores esclarecimentos adicionais deixam a especulação sobre essas grandezas: Distribuição Espacial filosófica sobre as questões Altura: hidrológicas para iniciar é a medida vertical, em efetivamente, observações do geral em milímetros, do A distribuição espacial ciclo das águas na natureza. volume da chuvada chuva não é uniforme, isto As chuvas mereciam ocorrido e acumuladoé, não cai a mesma quantidade atenção especial em função em um recipientede água igualmente sobre uma das diferentes variações no cilíndrico;região durante o mesmo tempo e no espaço. Duração:intervalo de tempo. Pode As águas vindas dos é o intervalo de tempoocorrer, inclusive, chuva numa céus eram muito bem considerado durante aárea e nenhuma sobre uma recebidas durante o plantio e o precipitação. Pode seroutra vizinha. É comum isto crescimento das lavouras. Ao do total ou de parte daocorrer e, certamente, o leitor mesmo tempo, que temida chuva. A duração dajá constatou esse fato ao ler os pela possibilidade de provocar chuva é expressa emjornais ou telefonar para um enchentes e inundações. minutos, horas ou dias;amigo que está se preparando Data do século XVII, na Intensidade:para passear enquanto você Europa, as primeiras iniciativas é a altura de chuva naliga para comentar a chuva que para medir as chuvas na unidade de tempo, istoestá caindo na sua área. tentativa de comparar e é, o quociente entre a Portanto, a ocorrência quantificar os volumes entre as altura e a duração.de chuvas está vinculada a águas precipitadas e aquelas Freqüência:uma série de fatores locais e escoadas superficialmente nos é uma característicaregionais como a circulação cursos d’água. estatística relativa adas massas de ar, As grandezas ocorrência das chuvas.temperatura, topografia, estabelecidas e adotadas aoumidade do ar, ventos, etc.. longo dos tempos para As chuvas são medição das chuvas são medidas nas estações Medição da Chuva altura, duração, intensidade e pluviométricas. As estações Desde a época do freqüência. Tais grandezas têm podem ser equipadas comImpério Romano e, mesmo em sido utilizadas no mundotempo anteriores, na Índia científico e tomadas como aparelhos totalizadores(século IV AC), o homem já se medidas de comparação (pluviômetros) e/ouinteressava e estudava a universal entre chuvas registradores (pluviógrafos).ocorrência e a circulação das ocorridas em diversas regiõeságuas na natureza. do planeta. 21
  • 22. Os pluviômetrosacumulam as águas de chuvacaptadas através de umapequena bacia de recepção. Ovolume precipitado é medidocom o auxílio de uma provetacalibrada que acompanha oequipamento. Em geral, no Brasil, ospluviômetros são empregadoscomo totalizadores dasprecipitações de 1 dia deduração. Cada estação éoperada por um observador,morador da região, treinado diretamente sobre gráficos pluviógrafos por serempara efetuar a leitura todo o dia, especiais ou, mais constituídos de mecanismosàs 7 horas da manhã, modernamente, detectada de relojoaria, baterias econforme convenção nacional. por sensores, transformada em pequenas peças móveis, estão Os pluviógrafos sinais elétricos e gravada como sujeitos a defeitos efuncionam sob os mesmos leituras digitais em meio interrupções dos registros.princípios que um pluviômetro, magnético a intervalos deinclusive com o mesmo tempo pré estabelecidos.tamanho da bacia de A grande vantagem do Características dasrecepção. A diferença está na pluviógrafo é permitir a Chuvas no Estado do Riovantagem de registrar, determinação da intensidade de Janeirocontinuamente, através de da chuva a intervalos de tempomecanismos específicos, a tão pequenos quanto se queira.variação da altura de chuva Além disso, os pluviógrafos As chuvas que ocorremdurante o período de tem uma autonomia maior, no Estado do Rio de Janeiroprecipitação. dependendo dos mecanismos apresentam, de um modo Os pluviógrafos são instalados e do comprimento geral, características sazonaisequipados com pequenos do papel do pluviograma, bem definidas. Sãoreservatórios cilíndricos que podendo cobrir períodos de até influenciadas a nível local, pelaacumulam as águas de chuva. 6 meses de observação. proximidade do OceanoA variação dos níveis no Embora se desfrute, a Atlântico e pela topografiareservatório é registrada princípio, dessa autonomia, os acidentada, a nível regional,22
  • 23. pelo padrão de circulação das o aquecimento do ar. iniciam-se geralmente namassas de ar na atmosfera e, Esses eventos são freqüentes, Região Serrana e caminhama nível planetário por eventos têm longa duração, cerca de no sentido do litoral. Sãode grande escala. três a quatro dias, abrangem precedidos por trovoadas, No outono e no inverno, todo o Estado e são relâmpagos e ventos deos dias são claros, tempo acompanhados de ventos e rajada.bom, com baixa umidade do ar, queda da temperatura. Nos Essas chuvas podemhavendo formação de nevoeiro dias de primavera e verão, a ocorrer simultaneamente comna madrugada, na Região situação típica é de períodos de maré alta,Serrana e, mais tarde, no início temperaturas elevadas, com bloqueando e dificultando osda manhã, no litoral. Os formação de nuvens tipo escoamentos das águas. É onevoeiros são freqüentes e cumulu nimbus no final da que se observa nos trechoscausam transtornos para tarde, dando origem a chuvas inferiores dos rios da baixadanavegação marítima e aérea. convectivas, pela simples que deságuam na Baía de As chuvas nessa ascensão e esfriamento das Guanabara. Essa coincidênciaépoca, são normalmente massas de ar. Estes eventos, leva, muitas vezes, as águasocasionadas por entradas de de pequena abrangência procurarem outros caminhos,frentes frias. No dia anterior ao espacial, curta duração e transbordando do seu cursoinício das chuvas, observa-se grandes intensidades, natural e causandoo aumento da nebulosidade e chamados de tempestades, inundações. 22/07/2000 3:00hs 22/07/2000 15:00hs 23/07/2000 9:00hs 23/07/2000 15:00hs 23/07/2000 18:00hs 24/07/2000 0:00hs 23
  • 24. Chuvas ciclônicas podem também se as áreas mais inclinadas são ocupadas eformar em ocasiões de aproximação de frentes desmatadas pelo homem. A inundação dosfrias, quando ventos de sudoeste, vindos do terrenos marginais é iminente.Oceano Atlântico, empurram as nuvens para Chuvas orográficas incidem nas áreascima, funcionando como uma cunha, dando dos contrafortes das Serras do Mar e dainício ao processo de condensação e Mantiqueira quando, por efeito da mudançaprecipitação. brusca do relevo provocam chuvas intensas de Eugênio Monteiro curta duração. Quando a frente fria incide sobre a áreacontinental no período do verão, as diferençasde temperatura das massas de ar são grandese podem provocar chuvas com maiorintensidade do que aquelas observadas no Estudo realizado pela Universidadeinverno. Federal do Rio de Janeiro, a partir de Em situações de bloqueio da frente fria, isto observações dos temporais que incidiram sobreé, quando uma massa de ar quente impede seu a Cidade do Rio de Janeiro no período de 1882caminho, ela pode ficar estacionária por vários dias a 1996, onde são grupadas as chuvas comem uma mesma região. Nessas ocasiões, o solo totais diários de 40 a 100mm e maiores quesaturado pelas chuvas antecedentes, pode deslizar 100mm, mostra que o número de eventos aodas encostas, carreando sólidos para os cursos longo do ano para esses dois grupos é muitode água, contribuindo para o gradual assoreamento maior no período do verão.e obstrução parcial dos caminhos das águas. Talfato preocupante, tendo em vista que, ao mesmotempo, ocorre o aumento da percentagem da chuvaque contribui para o escoamento superficial, écomum na região ao longo da Serra do Mar, onde24
  • 25. Para se ter uma idéia O fenômeno El Niño, climáticas adversas em váriasdo que realmente representa que em espanhol quer dizer regiões do planeta. No Brasil,uma chuva de 100mm de “Menino Jesus” pela sua podem provocar maiorduração definida, pode-se ocorrência próximo ao natal, é umidade no norte e ocasionarimaginar que, ao incidir sobre o resultado do aquecimento irregularidades no regimea área de um campo de futebol, das águas do Pacífico pluviométrico da Região Sul Equatorial. No Brasil, vemcom dimensões de 75m x (chuvas fortes seguidas de provocando fortes chuvas com110m, produz um volume de longo período seco). 3 conseqüentes inundações nas825m ou 825 caixas de água Regiões Sul, Sudeste e Quanto à distribuiçãode 1000 litros. No caso de uma Centro-Oeste. Por outro lado, espacial das chuvas nobacia hidrográfica de pequeno nas Regiões Norte e Nordeste, território do Estado do Rio deporte como é a do Rio os totais precipitados ficam Janeiro, tem sido observadoMaracanã, com área de abaixo do normal. nas estações pluviométricasdrenagem de cerca de que são operadas por mais de13.110.000m 2 , o volume O fenômeno La Niña, vinte anos, pelo Institutoproduzido seria de 1.311.000 que, em espanhol, quer dizer Nacional de Meteorologia –caixas de 1000 litros. Quase a “a menina”, diz respeito aototalidade desse volume dirigir- resfriamento das águas do INMET, eventos de chuva muitose-á à seção de fechamento Oceano Pacífico, trazendo mais intensas nas Regiões Sulda Bacia do Rio Maracanã. Se também modificações quanto e Metropolitana do que asessa chuva se distribuir ao a circulação das massas de ar Regiões Norte e Noroeste dolongo de 1 dia, provocará e das águas oceânicas. Estado. Esse comportamentosignificativa elevação do nível Durante a La Niña, as se repete para os totais anuais temperaturas mais frias dasd’água, podendo causar, de precipitação pluviométrica. águas do Oceano Pacíficoem alguns trecho, podem promover situaçõestransbordamento da calha,transtornos a população e aotrânsito. Se os 100mmconcentrarem-se em poucashoras, o resultado será bem maisgrave. Esse padrão sazonalpode ser alterado em funçãode fenômenos meteorológicosque influenciam o regime dechuvas, não somente naregião do Estado do Rio deJaneiro como em todo oplaneta, por meio da interaçãodo Oceano Pacífico e aatmosfera. 25
  • 26. 26
  • 27. No período de 18 a autoridades do Poder Público 21, a área mais afetada foi o voltaram-se para a região de Maciço da Tijuca, na Zona Jacarepaguá. Chuvas de Norte da Cidade do Rio de elevada intensidade, Eventos Marcantes no Janeiro, com mais de 430mm ocasionadas pela chegada deEstado do Rio de Janeiro precipitados durante 4 dias, uma frente fria, incidiram sobre com período de recorrência a Cidade do Rio de Janeiro, estimado em 50 anos. concentrando-se no Maciço daChuvas de fevereiro de 1988 Foi decretado estado Tijuca, vertente sul. Os totais de calamidade pública, com pluviométricos registrados Durante o mês de mais de 14.000 desabrigados. pelo INMET foram:fevereiro, as massas de ar Avaliando aspolar que chegavam ao Estadodo Rio de Janeiro, vindas do sul conseqüências dessesdo país, ficaram bloqueadas eventos, pode-se inferir que aspor outras massas de ar chuvas que contribuíram paraoriundas do norte, ocasionando as maiores inundações foramuma seqüência de eventos de as mais intensas comchuvas intensas em diferentes duração de menos de duaslocais. No dia 13, houve horas. O pequeno tempo de No início do mês, na elevação do nível dos rios da concentração das baciasZona Oeste da Cidade do Rio região, que apresentam hidrográficas da região e ade Janeiro foi registrado em um pequena capacidade de reduzida capacidade desó dia, o total de precipitação escoamento, afetando as escoamento dos rios,de 230mm, com recorrência residências construídas bastante prejudicada pelo impropriamente junto àsestimada de 100 anos, aporte de material sólido (solo margens.provocando grandes e lixo) agravaram No dia 14, do totalalagamentos. Na Cidade de consideravelmente a situação. precipitado, 200mmPetrópolis, Região Serrana do Já os deslizamentos das ocorreram em somente 8Estado, nos seis primeiros áreas de encostas tiveram horas, o cenário era dedias do mês, choveu cerca de como principal causa, as destruição. Grandes blocos de414mm, mais do que o total chuvas com maior duração pedra e elevado volume demédio mensal para o mês. As que encharcaram o solo e o terra desceram das encostas,chuvas continuaram e, até o lixo acumulado. mesmo dos trechosdia 24, alcançaram 776mm. protegidos com vegetaçãoOs incidentes mais graves natural, vindo obstruir asforam aqueles decorrentes de calhas dos rios. Nas áreas de Chuvas de Jacarepaguá –deslizamentos de encostas e baixada, os leitos dos rios Fevereiro de 1996extravasamentos das calhas deixaram de existir, nivelando-dos rios. Nos dias 13, 14 e 15 se aos terrenos marginais. O de fevereiro de 1996, a atenção saldo foi de 1500 da população e das desabrigados e 59 mortes. 27
  • 28. Equipes dos Italva e Cardoso Moreira). chuva do período foramGovernos do Estado e do Os Rios Pomba e observados no dia 3, emMunicípio uniram-se o esforço Muriaé, afluentes do Paraíba Resende (139mm) e Piraíde reconstruir o caminho das do Sul, com nascentes no (160mm). Nos Municípios daáguas, preocupados com a Região Serrana, durante os Estado de Minas Gerais,possibilidade da incidência de dias 1, 2 e 3 os totais drenaram, nessa ocasião,outras chuvas. pluviométricos foram de volume de água superior à sua É interessante 219mm em Nova Friburgo, capacidade de escoamento,salientar o caracter localizado 255mm em Resende,do evento. No dia 14, quando o tendo sido medido, no Rio 253mm em Piraí e 201mmtotal pluviométrico em Pomba em Cataguases, o em Petrópolis.Jacarepaguá era de 304mm, no nível de 5.56m, quando a As chuvas quecentro da Cidade do Rio de média para esta época é de incidiram sobre as baciasJaneiro, os pluviômetros 1.90m. O Rio Paraíba do Sul hidrográficas dos afluentesregistravam cerca de 20mm. alcançou o nível de 11.42m do Rio Paraíba do Sul no em Campos, transbordando trecho fluminense, em alguns trechos. provocaram elevação noChuvas de 1997 da Região Os totais de chuva nível do Rio Paraíba do SulNorte e Noroeste do Estado observados no período de 1 a acima da capacidade de sua Fortes chuvas 4 de janeiro foram de calha, causando inundaçõesconcentraram-se no sudeste 196.7mm em Itaperuna, nas áreas marginais. Emdo Estado de Minas Gerais e 193mm em Cordeiro e Volta Redonda, o nível d’águanorte e noroeste do Estado doRio de Janeiro, como 103mm em Campos. No subiu 3 metros acima doconseqüência do encontro de normal. Essa situação só Estado de Minas Gerais osuma frente fria com uma não foi mais grave porque a valores foram mais elevados.massa de ar quente e úmido contribuição da Bacia do Riovindo da Bacia Amazônica em Paraíba do Sul, do trecho dedireção ao Oceano Atlântico, Chuvas de Janeiro de 2000 montante (São Paulo) ficoupassando pela Região Nos primeiros dias de retida no reservatório deSudeste, no início de janeiro janeiro de 2000, devido a uma Funil, que suportou ode 1997. frente fria estacionária, acréscimo de volume Foram 6 dias de precipitações intensas d’água, mantendo fechadaschuvas fortes, na maior atingiram o nordeste de São as comportas do vertedouro.enchente dos últimos 20 anos Paulo, o sul de Minas Gerais As inundações em diversosna região, com grandes áreas e, no Estado do Rio de cursos de água causaramalagadas e registro de 30 mil Janeiro, as Regiões Serrana e problemas de trânsito epessoas desalojadas. Foi do Médio Paraíba do Sul e o deixaram as cidades de Piraídecretado estado de Município do Rio de Janeiro. e Nova Friburgo ilhadas. Nacalamidade pública em 8 Os totais de chuva observados Rodovia Dutra, omunicípios do Estado do Rio em Pindamonhangaba, São engarrafamento chegou ade Janeiro (Porciúncula, Paulo, foram de 152mm em 24 30km.Natividade, Varre-Sai, horas e 203mm em 48 horas.Itaperuna, Bom Jesus do No Estado do Rio de Janeiro,Itabapoana, Laje do Muriaé, os maiores totais diários de28
  • 29. Segundo a Defesa Civil, Barra Mansao número de desabrigados foicerca de 6 mil pessoas,havendo 12 óbitos, vítimas deafogamento, desabamentos equedas de barreiras. Nos municípios deBarra Mansa e Resende foidecretado estado decalamidade pública. Nos Estados de MinasGerais e São Paulo a situaçãotambém foi grave. Em Minas,14 prefeitos decretaramestado de emergência, com 15mil desabrigados e, em SãoPaulo, o estado de emergênciafoi decretado nas Cidades deQueluz e Cruzeiro. Antônio Cavalcante ESCOAMENTO DAS escoamento das águas de escoamento superficial. A ÁGUAS DE CHUVA chuva aqui descritos, podem infiltração é mais intensa no ocorrer com diferentes início da chuva, uma vez que o Para explicar os intensidades e configurações, solo está menos úmido.diferentes caminhos que as dependendo das A taxa de infiltração vaiáguas de chuva percorrem características espaciais da gradativamente crescendo atéantes de alcançar os cursos de chuva, cobertura vegetal,água (córregos, riachos, um quadro de equilíbrio, topografia do terreno, tipo eribeirões, rios e canais) será ocupação do solo, sistema de quando, a princípio,considerado para fins drenagem natural, chuva dependendo do tipo do solo,ilustrativos, um evento de antecedente, etc.. permanece praticamenteprecipitação pluviométrica de Nos itens anteriores, constante.longa duração. ficou esclarecido que após o Se a chuva continua Deve ficar claro que o início das chuvas, dá-se a com intensidade superior àcenário aqui exposto, gradativa interceptação das taxa de infiltração, o solo ficarepresenta um águas pela vegetação, saturado como uma esponjacomportamento genérico, não retenção nas depressões do cheia de água e reage quasedevendo ser considerado terreno, infiltração direta e acomo padrão para todas as conseqüente percolação para como uma área impermeável.bacias hidrográficas. Assim, reservatórios subterrâneos e Tod a a c h u v a a d i c i o n a las diversas fases e tipos de as primeiras manifestações do escoa na superfície 29
  • 30. proporcionando o pleno Forma-se uma zona de É importante salientarpreenchimento das saturação que, conforme que cada um dos tipos dedepressões e/ou áreas de comentado anteriormente, vai escoamento aqui abordados, também alimentar os cursos isto é, o superficial, o sub-acumulação natural e o de água, principalmente nas superficial e o deconseqüente transbordamento áreas mais baixas da bacia. base,atingem os cursos depara os terrenos adjacentes. Esse fluxo subterrâneo é água em tempos distintos. Desse momento em denominado de escoamento- O mais rápido ediante, fica melhor definido o base ou descarga-base. volumoso é o escoamentoescoamento superficial Em conseqüência das superficial, chegando emdireto, isto é, aquele formado baixas velocidades de seguida o sub-superficial epelas águas que não se infiltração e percolação das muito tempo depois o de base.infiltraram e não ficaram retidas águas até atingirem o lençol É interessantenas depressões e na freático e do próprio mencionar também, que sob escoamento subterrâneo novegetação. determinadas condições meio poroso, as contribuições Essas águas topográficas, em função da e as variações da descarga-percorrem, sob influência da capacidade de infiltração e base só serão percebidas nosforça de gravidade, os cursos de água, muito tempo ocupação do solo, podecaminhos de drenagem natural depois do início da chuva. acontecer uma elevação maise/ou artificial, até atingirem o Nos terrenos mais rápida do nível das águas noscurso de água principal, inclinados, dependendo da cursos de água em permeabilidade do solo logo comparação com oavolumando o escoamento no abaixo da superfície, pode crescimento do nível do lençolsentido das áreas mais baixas. ocorrer um fluxo de água subterrâneo. A infiltração das águas denominado de escoamento Nessa situação, passavai, gradativamente, a haver uma inversão do fluxo sub-superficial. Esseencharcando a camada escoamento se intensifica com de contribuição subterrânea,superior do solo, mais porosa o encharcamento das isto é, do cursos de água noem decorrência da ação das primeiras camadas do solo. sentido do lençol freático.raízes das plantas e dos Em um dado momento, Quando isso ocorre, o dependendo da intensidade da curso de água passa ahábitos da fauna residente, chuva, os três tipos de denominar-se influente, nãopassando a percolar para as escoamento estarão mais efluente, reforçando ocamadas inferiores mais contribuindo ao mesmo tempo suprimento dos reservatóriosdensas e menos permeáveis. para o curso de água. subterrâneos.30
  • 31. HIDROGRAMA vertical é a escala de vazões e interpretar que a vazão o horizontal, a escala de existente no curso de água, O hidrograma é uma tempo, o resultado obtido é o momentos antes do próximorepresentação gráfica que evento pluviométrico, é gráfico apresentado a seguir.relaciona vazão com o tempo. representativa das Portanto, o hidrograma contribuições da própria A vazão média é o é um registro da variação das nascente, somadas com aresultado da divisão de um vazões escoadas através de parcela afluente do lençoldeterminado volume de água uma determinada seção freático (escoamento-base).pelo intervalo de tempo que transversal de um curso de Iniciada a chuva, comoesse volume precisa para água durante um intervalo de esclarecido anteriormente, aspassar através de uma seção tempo. águas dos escoamentosde um curso de água. Portanto, Quando o período entre superficial e sub-superficial uma chuva e outra for juntam-se àquelas do mais longo, pode-se escoamento base. Q= V ÷ t Onde, Q = vazão; V =volume de água; t = intervalode tempo. A vazão é geralmenteexpressa em metros cúbicospor segundo (m3/s); litros porsegundo (l/s) ou litros por hora(l/h). A título de exemplo,considera-se um observadorsentado na margem de umcurso de água antes do iníciode um determinado evento dechuva. Iniciada a precipitação A figura abaixo apresenta um compõem um hidrogramapluviométrica, o observador exemplo teórico aproximado observado após um períodomede inicialmente a vazão das diferentes parcelas dos chuvoso isolado e de mesma(Qo) e registra o tempo (to). escoamentos existentes que intensidade sobre a bacia.Depois, passa a medir a vazãoa intervalos de tempoconstantes, obtendo uma sériede pares de valores de vazãoe tempo (Q1,t1); (Q2,t2); (Q3,t3);etc.. Após um longo períodoque englobou o início e o fimda chuva, é possível desenharo hidrograma. Se os pares de valoresQ e t, são marcados em umsistema de eixosperpendiculares, onde o 31
  • 32. Na realidade, os hidrogramas na engenharia (sistemas de abastecimento denatureza, têm formas muitas vezes complexas, água, sistemas de drenagem das águas deisto é, hidrogramas compostos, que vão chuva, vertedouros de grandes barragens,depender da distribuição da chuva no tempo e estruturas de controle de inundações, etc.).no espaço das características da bacia Para o conhecimento do hidrograma, é necessário a instalação de uma estaçãohidrográfica e da chuva antecedente. fluviométrica próxima ao trecho do curso de água Quando as alturas de chuva não são que se deseja estudar.uniformes sobre a bacia e se manifestam com Na estação fluviométrica, através dediferentes intensidades, produzem hidrogramas campanhas de medição de vazão, écom várias subidas e descidas. estabelecida uma relação entre as cotas da superfície da água referente a um nível conhecido, e as respectivas vazões medidas. Essa relação, é denominada de curva- chave ou curva de calibragem e deve abranger, a principio, a gama de variação da superfície da água naquela seção transversal. Muitas vezes, torna-se necessário, parafins de estudos e projetos de obras de controlede enchentes ou mesmo para outras finalidadesda engenharia, o conhecimento dohidrograma contínuo ao longo dos meses eanos, em seções do curso de água de interesseestratégico. Esses hidrogramas refletem o Em geral, é dificil a realização decomportamento das vazões naquela seção ao medições de vazão em cotas altas, o que levalongo do tempo e se constituem no registro à utilização de métodos de extrapolação paracontínuo do escoamento, englobando os estimar as vazões de maior volume,períodos de estiagem e chuvosos. decorrentes de chuvas muito intensas e As vazões críticas mínimas e/ou duradouras.máximas observadas a cada ano, fornecem Em complemento à curva-chave, éuma amostra histórica cujo tratamento necessário leituras diárias das cotas daestatístico permite a definição de parâmetros superfície da água em relação a uma referênciaimportantes para planejamento e projetos de arbitrária fixa no terreno (referência de nível).32
  • 33. As leituras são efetuadas geralmente por As flutuações dos níveis da água podemmorador local (observador), através de um ser registradas diretamente sobre um papelconjunto de réguas com lances de 1 e/ou 2 apropriado ou gravadas em meio magnético,metros ao longo da margem. Muitas vezes sãoutilizados lances únicos de vários metrosfixados em pilares de travessias ou pontes. Podem ser também empregados,simultaneamente, dispositivos automáticos quepromovem o registro contínuo dos níveis deágua. Esses aparelhos são chamados delinígrafos. Os linígrafos podem funcionar comdiferentes mecanismos, como bóias,flutuadores e sensores de pressão, sensíveis àvariação dos níveis de água. Através das curvas-chave e as leituras de cota é possível obter as respectivas vazões. Na prática, quando a estação fluviométrica não é registradora, são efetuadas duas leituras diárias, uma às 7 horas e outra às 17 horas. Essas leituras são utilizadas para a estimativa da vazão média diária, com base na curva-chave considerada. Com esse procedimento, é possível desenhar o hidrograma de longo período, fundamental para a análise do comportamento do escoamento superficial do trecho em estudo. Linígrafo Réguas Linimétricas 33
  • 34. SEÇÕES DOS ESCOAMENTOS O leito menor comporta a maior parte SUPERFICIAIS do escoamento proveniente das chuvas de Todo o curso de água se desenvolve intensidades mais freqüentes sobre a bacianaturalmente, percorrendo gradativamente, sob hidrográfica.o efeito da gravidade, os pontos mais baixos de Para chuvas intensas, acima da médiauma região. ou de longa duração, dependendo da Ao longo dos anos, forma-se uma calha conformação do curso de água, dasde escoamento cuja geometria depende do resistências naturais e/ou artificiais ao fluxo eregime de vazões em conseqüência da das chuvas antecedentes, pode ocorrer ovariabilidade das chuvas, da declividade do extravasamento para o leito maior.terreno, do tipo de solo, das taxas de erosão ede assoreamento, densidade da mata ciliar A persistência da chuva somada a(vegetação junto às margens), da geologia da outros fatores agravantes da natureza oubacia, etc. criados pelo próprio homem, pode acarretar a Existem inúmeras configurações inundação de áreas periféricas.geométricas com diferentes características de A estimativa dessas vazões muitoconformação das calhas ou leitos de altas, causadoras de inundações, requer aescoamento, conforme figura abaixo. aplicação de tecnologias mais avançadas, a Em geral, a seção transversal pode ser partir das marcas de enchentes e odividida em três segmentos distintos que são: levantamento topográfico de toda a seçãocalha ou leito menor, leito maior e planície transversal atingida.de inundação.34
  • 35. 35
  • 36. FORMAÇÃO DAS A enchente cria um Conviver com este ENCHENTES hidrograma que, ao se formar, fenômeno natural é por exemplo, na seção de fundamental. Nas áreas A enchente pode ser fechamento de uma dada agrícolas, por exemplo,considerada como a variação bacia, pode apresentar vazões podem ser benéficas emdo nível da água e das superiores à capacidade do função do tipo de cultura,respectivas vazões junto a uma leito menor, obrigando que o requerendo o preparo dasdeterminada seção, em escoamento das águas seja áreas a serem plantadas e odecorrência dos escoamentos compartilhado com o leito manejo do solo nas épocasgerados por chuvas intensas. maior e, até mesmo, em Nos estudos para os adequadas. função dos obstáculosquais é necessário relacionar À medida em que o existentes e da resistência aoa chuva e o hidrograma próprio homem modifica o fluxo, invadir áreas marginais.produzido, é comum dividir o equilíbrio natural dos As enchentes tambémtotal precipitado em subtotais caminhos de drenagem, são benéficas, por se tratar dea intervalos regulares de desmata e ocupa o solo um fenômeno cíclico datempo, de forma a possibilitar indevidamente, as natureza, onde a águamelhor compreensão das conseqüências são voltadas desempenha um importanteoscilações do hidrograma. A contra seu próprio bem estar papel na vida da fauna, da florarepresentação gráfica da e suas economias. e do próprio homem.discretização da altura total dechuva no tempo, é conhecidacomo hietograma. Quando ohidrograma é posicionado namesma escala de tempo queo hietograma, pode-se, a partirdo valor da área de drenagemna seção considerada e ovolume do hidrograma, estimaras perdas, isto é, os subtotaisde chuva que não contribuírampara o escoamento superficial.36
  • 37. Bacia Hidrográfica hidrograma de enchente vegetação e depressões do simples ou complexo que terreno. A bacia hidrográfica de continuará seu caminho para Em outras palavras, éum curso de água em uma jusante recebendo novas o tempo necessário para quedada seção, é representada contribuições e mudando uma partícula com aspela área limitada pela linha de constantemente seu formato. características de um pingo decumeada (linha dos pontos O desenho do chuva se desloque do pontomais altos) que a separa das hidrograma vai depender de um mais longínquo da bacia, conjunto de fatoresbacias vizinhas e fechada na percorrendo os caminhos de climatológicos e dasseção considerada. drenagem e alcance a seção peculiaridades físicas da bacia A área da bacia é limite. hidrográfica.chamada área de drenagem Atingindo o tempo de Sob o ponto de vistaou de contribuição, geralmente físico da bacia, os fatores mais concentração, supõe-se que amedida em quilômetros relevantes são: área de contribuição das águas dequadrados (km2) ou hectares drenagem, tipo de solo, chuva seja máxima junto à(ha). cobertura vegetal, geometria, seção considerada, para A bacia hidrográfica, de declividades, disposição aquela chuva homogênea e deacordo com sua definição, predominante dos cursos de longa duração.pode estar limitada à qualquer água e densidade de Essa contribuiçãoseção de um curso de água, drenagem. máxima, como já mencionado,podendo ser a confluência com pode ultrapassar a capacidadeoutro curso ou sua do leito menor, extravasar paradesembocadura em um Tempo de Concentração o leito maior, ou mesmo,reservatório, baía, lago ou dependendo da intensidade eoceano. O tempo de duração e outros fatores Os escoamentos concentração é definido como físicos, ocupar a planície deatravés de uma seção o intervalo de tempo inundação.qualquer, são provenientes das necessário para que as águas A contribuição máximacontribuições naturais precipitadas, com a mesma será tanto maior quanto maiorsubterrâneas, em épocas de intensidade sobre toda a bacia, estejam contribuindo para a for a área da bacia hidrográficaestiagem, somadas às águas seção limite da bacia, (área de drenagem) para ade chuva, nas épocaschuvosas, consideradas as atendidas as necessidades de mesma intensidade e duraçãoperdas por evaporação, infiltração, de retenção da da chuva.transpiração, etc.. Observa-se durante e/ou após um evento deprecipitação, que as vazõescomeçam a crescer até umdeterminado valor máximo,podendo decrescergradativamente, durante umperíodo e dependendo dascaracterísticas da chuva, voltara crescer. Forma-se um 37
  • 38. Geometria das Bacias A geometria dabacia é uma característicaimportante dentre osfatores que influenciam noformato do hidrograma deenchente. Considerando, atítulo de exemplo, trêsbacias com a mesma áreade drenagem, sendo umacom configuraçãoarredondada, outraalongada e a terceira, comformato intermediário, Tipo de Solo e Cobertura Vegetalverifica-se, que para chuvas de igual tempo de Chuvas de pouca intensidade, após umduração e intensidade, os hidrogramas gerados período de estiagem, podem ser interceptadasna seção principal, terão desenhos distintos, e/ou absorvidas, integralmente ou em grandecom vazões máximas e tempos de escoamento parte, pela cobertura vegetal, retenção naturaldiferentes. ou artificial e pela infiltração no solo para suprir Emílio Teixeira as necessidades de umidade. A vegetação impede e retarda a chegada das águas de chuva sobre o terreno. Além disso, no seu ciclo de vida, deixam depositar no solo, resíduos de seu próprio organismo, galhos, folhas, frutos, que se decompõem, entram em reação com substâncias do próprio terreno e formam uma camada superficial rica em matéria orgânica, conhecida como húmus ou terra vegetal. Ao mesmo tempo, as raízes, ao se desenvolverem, penetram e abrem novos caminhos e fissuras, que desagregam o solo. Essa desagregação é intensificada pela presença da vida animal que abre caminhos subterrâneos em busca de alimentação e espaços seguros para reprodução.38
  • 39. A camada superficial do solo, composta volume dos escoamentos superficiais, quepelo húmus e ocupada pelas ramificações das atuarão diretamente no formato dosraízes, oferece grande capacidade de hidrogramas de enchente.infiltração, absorvendo com facilidade as águas O crescimento urbano desordenado, aode chuva e reduzindo o percentual dos longo dos anos, sem o respeito a essesescoamentos superficiais. princípios básicos da natureza, aumenta o risco O desmatamento e aimpermeabilização do solo da bacia hidrográfica de extravasamentos e inundações para ascorta o ciclo de reabastecimento do húmus, mesmas chuvas intensas que, no passado, sepotencializa os processos erosivos, diminui a moldavam às condições naturais das calhas doscapacidade de infiltração e aumenta o cursos de água, fluindo sem problemas. 39
  • 40. Relevo e Declividades acidentes naturais, como O trecho intermediário corredeiras e quedas de água, ou médio, apresenta O relevo depende das regime turbulento e irregular, declividades menores e ummutações geológicas e instabilidade de margens,morfológicas ao longo dos certo equilíbrio morfológico e grande capacidade erosiva eanos e define o caminho natural de transporte de sedimentos sedimentológico. No extremodo escoamento das águas de de maior granulometria. Em superior desse trecho, forma-chuva. É um agente geral, as águas são se uma região de deposiçãofundamental na concentração transparentes e despoluídas. dos sedimentos oriundos doe na velocidade de propagação Os hidrogramas, ao final dodos hidrogramas parciais de trecho superior, como trecho, apresentam rápidaenchente que se formam em ascensão até o pico da vazão conseqüência da redução dacada curso de água. Quanto máxima e da mesma forma, declividade e da velocidade domaior as diferenças de altitude retornam às contribuições escoamento. No trecho médio,entre as cabeceiras e a seção naturais após as chuvas. as vazões são mais uniformesde desembocadura de um Muitas vezes essascurso de água, mais intenso no tempo e as calhas mais precipitações ocorrem deserá o regime dos forma concentrada nas estáveis e permanentes. Asescoamentos das águas de cabeceiras do curso de água águas são turvas pelochuva e maior o risco da onde as declividades são muito transporte de sedimentos finos.formação rápida de acentuadas. O hidrograma No trecho inferior, ashidrogramas de enchente de gerado se forma muitocurta duração. rapidamente provocando o declividades são ainda Um curso de água aumento repentino das vazões menores e as águas aindacompleto apresenta, em geral, e um grande susto, as vezes mais turvas. Diante das baixastrês trechos distintos ao longo fatal, para aqueles que declividades, as velocidadesdo seu desenvolvimento até os inadvertidamente encontram-oceanos. se no caminho das águas são mais reduzidas, O trecho superior (tromba d’água ou cabeça promovendo a sedimentaçãocaracteriza-se por fortes d’água). dos sólidos em suspensão,declividades longitudinais, elevando ao longo dos anos, o nível inferior da calha de escoamento. Dependendo do tipo do solo e vegetação, o curso de água procura alongar seu percurso para dissipar a energia remanescente, formando curvas bastante sinuosas, conhecidas como meandros, que evoluem e se modificam com o tempo. Durante a passagem de hidrogramas gerados por chuvas intensas, pode ocorrer40
  • 41. o corte dos meandros, drenagem natural, tendem, em intensidade é maior ao fim dopermanecendo alças que geral, defasar as contribuições período chuvoso, ocasião emcriam lagos ou braços mortos. parciais e atenuar os que as taxas de infiltração sãoEsse segmento do curso de hidrogramas de enchentes. menores.água, por se desenvolver em Por outro lado, bacias onde a A chuva é umáreas muito baixas com densidade de drenagem é fenômeno aleatório e nãorelação ao nível dos oceanos, comparativamente menor, o apresenta comportamentosofre direta ou indiretamente, a escoamento ao longo dos uniforme no tempo e noinfluência das marés altas, cursos de água é mais rápido espaço. Sua ocorrência édificultando e criando barreiras e acelera a concentração das resultado da coincidência denaturais para os escoamentos águas nas seções de fatores meteorológicos esuperficiais, inclusive, sob fechamento. fisiográficos que criam odeterminadas condições, ambiente propício para ainvertendo o sentido do fluxo. Superposição de precipitação. A qualidade das águas Hidrogramas O momento de inícioe a estética do curso de água Como citado de um evento pluviométriconesse trecho vão depender anteriormente, dentre os não é o mesmo para toda ados diferentes usos do solo na fatores climáticos que podem área da bacia. Começando aárea da bacia, podendo influenciar na forma dos chover sobre um local, podeapresentar elevados índices de hidrogramas de enchente, avançar gradativamente compoluição. predominam as características diferentes intensidades. Os cursos de água da precipitação, como A distribuição espacialpodem ter os três trechos bem intensidade, duração e da chuva é um fator importantecaracterizados, como também distribuição no tempo e no para a definição das vazõesapresentarem somente dois, espaço, além das condições máximas dos hidrogramas.ou mesmo um único, com antecedentes da umidade do A frente de umaqualquer uma das solo. tempestade pode coincidir comconfigurações descritas. A distribuição das o centro de precipitações chuvas ao longo do período máximas, que ao se deslocarDensidade de Drenagem de fortes precipitações de das cabeceiras de uma dada Densidade de uma tempestade, tem grande bacia no sentido da seção dedrenagem de uma bacia é o influência sobre a forma do fechamento, ao longo do curso hidrograma da enchente. Seresultado da divisão entre o de água principal, promove a intensidade das chuvas forvalor da soma das extensões maior concentração de maior no início de umade todos os cursos de água da hidrogramas parciais, gerando tempestade, produzirábacia pela área de vazões máximas mais hidrogramas com vazõescontribuição. mais amenas se significativas se comparadas Bacias com densidade comparados com aqueles com aquelas que seriamde drenagem mais elevada, gerados durante as produzidas pelo deslocamentoisto é, mais ramificações na tempestades onde a no sentido inverso. 41
  • 42. Se o caminho da O grau de saturação de outros, ganhando volume, atétempestade é transversal à umidade do solo em que, dependendo do tempo dedireção dominante dos cursos conseqüência de chuvas concentração das sub-bacias,de água, a vazão máxima antecedentes tem também atingem o curso principal emassume valor intermediário grande influência sobre as seções diferentes e emdentre aquelas produzidas características das enchentes. tempos, a princípio, diferentes.pelos deslocamentos ao longo Esses hidrogramas, As águas das chuvasdo curso principal. Em geral, formados de acordo com a subseqüentes a umaos volumes das enchentes são precipitação intensa vão variabilidade dos fatorespouco influenciados pela encontrar o solo mais úmido, climatológicos no tempo e nodireção dos deslocamentos havendo menores perdas por espaço, e sob a influencia dasdas tempestades. infiltração e maior características físicas e Essa variação no disponibilidade para os geométricas de cada sub-tempo e no espaço gera escoamentos superficiais. bacia, podem se encontrar,diferentes possibilidades para Os hidrogramas de com o conseqüentea configuração doshidrogramas junto a uma enchente vão se formando em crescimento do volume dadeterminada seção transversal cada um dos afluentes, uns enchente e do pico de vazãodo curso de água principal. mais rapidamente que os máxima.42
  • 43. Características Gerais das Bacias Hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro A configuração da redehidrográfica fluminense refletea história das mutaçõesgeológicas e a influência dosfatores meteorológicosdominantes no Estado do Riode Janeiro. A principalcaracterística do relevo é aSerra do Mar, que sedesenvolve ao longo doEstado, dividindo as águas emduas grandes vertentes. Emílio TeixeiraVertente Norte da Serra do Mar A vertente norte da Rio Paraíba do Sul drena área Janeiro. A área da BaciaSerra do Mar contribui para o de cerca 55.400km 2, sendo ocupa quase que 50% doRio Paraíba do Sul que nasce que 13.500km2 encontram-se território fluminense.em São Paulo, recebe em São Paulo, 20.900km2 em Seus afluentesafluentes nesse Estado, Minas Gerais e 21.000km2 no apresentam comportamentoatravessa o Estado do Rio de Estado do Rio de Janeiro. A típico de rios de planalto, comJaneiro, a partir de Resende, forma de sua bacia é alongada, declividades menores do querecebendo contribuições no alargando-se no trecho inferior, aqueles da vertente sul daEstado de Minas Gerais até quando recebe os afluentes Serra do Mar. Os tempos dealcançar o Município de São Pomba e Muriaé, que nascem concentração dessas baciasJoão da Barra, à noroeste, em Minas Gerais. Seu curso variam, entre 1 hora até váriasonde deságua no Oceano principal percorre cerca de horas, como é o caso dasAtlântico. Limitado ao norte pela 1145km, sendo 540km no Bacias dos Rios Paraibuna,Serra da Mantiqueira, o Estado do Rio de Pomba e Muriaé. 43
  • 44. No curso principal do Rio Paraíba do Sul máximos e mínimos das vazões. As mínimasforam criados alguns reservatórios, a partir da são maiores e as máximas menores do queconstrução de barragens para fins de geração aquelas historicamente naturais.de energia elétrica. Esses reservatórios É importante citar o desvio para aacumulam águas das enchentes, que são Vertente Atlântica da Serra do Mar, de atéliberadas gradativamente para jusante, ao longo 160m3/s, através da Estação Elevatória dedo ano, promovendo regularização das vazões Santa Cecília, na localidade de Piraí. Essano curso d’água. Como resultado da operação transposição tem o propósito de reforçar osdos reservatórios, realizada para atender às volumes dos reservatórios que compõe odemandas de energia elétrica, tendo comolimites, sua capacidade de acumulação e a Complexo LIGHT de geração de energiasituação dos níveis do leito do rio a jusante, há elétrica e aumentar as contribuições do Riouma compensação entre os valores Guandu.44
  • 45. Vertente Atlântica da Serra do Mar que 100 km2, sendo que a do Rio Mambucaba atinge cerca de 610km2. O relevo acidentado, Nas escarpas da Vertente Atlântica da as fortes declividades e a elevada pluviosidade,Serra do Mar, onde as declividades são bastante são fatores determinantes para o regimeacentuadas, nascem os rios que drenam para torrencial dos rios, que apresentam respostasas Baías da Ilha Grande, de Sepetiba e quase imediatas à incidência das chuvas.Guanabara, bem como aqueles, na região leste Na Região de Sepetiba, no sentido oestedo Estado, que deságuam diretamente no - leste, até a Ilha da Madeira, os rios têmOceano Atlântico, a exemplo dos Rios São João características semelhantes aos da Região dae Macaé. Ilha Grande. É o caso dos Rios Saí, Prata e Na Região da Ilha Grande, como Mazomba, com extensões de 10,5km, 5km econseqüência da proximidade da Serra do Mar 23km, nessa ordem. A partir desse ponto,do litoral, os cursos de água apresentam observa-se extensa planície sedimentar drenadapequenas extensões, média de 20km, à exceção por cursos de água de pequenas declividades,do Rio Mambucaba, com comprimento de sendo os principais, os Canais de São92km. As áreas de drenagem são menores Francisco, São Fernando e Guandu. 45
  • 46. O Canal de São e rápida concentração dos João de Meriti e Sarapuí eFrancisco, chamado volumes das enchentes junto Iguaçu, com áreas deinicialmente de Ribeirão das as cidades litorâneas. drenagem de cerca de 160Lajes e depois, Rio Guandu, Os demais rios km 2 , 165km 2 e 730km 2 ,é o curso de água mais contribuintes à Baía de respectivamente, eimportante da região, não só Sepetiba, fazem parte do declividades muito pequenas.pelo volume, como também, território do Município do Rio de A nordeste, desenvolvem-sepor ser o principal manancial Janeiro, Zona Oeste. Nascem os Rios Alcântara, Guaxindibade abastecimento público da nas colinas e maciços e o Caceribu, com nascentesCidade do Rio de Janeiro. A costeiros em altitudes que nos Municípios de São Gonçaloárea da bacia, é de variam de 100m a 900m e e Itaboraí, e áreas de contribuição total deaproximadamente 1350km2. atravessam, em seu trecho aproximadamente, 110km 2 , O Canal de São inferior, áreas de planícies 140km 2 e 850km 2 ,Francisco recebe as vazões costeiras. respectivamente. Esses riosregularizadas da Usina As bacias hidrográficas que nascem nos maciçosHidrelétrica de Ponte Coberta contribuintes à Baía de costeiros, em altitudes médiasque faz parte do Complexo Guanabara apresentam que variam de 60m a 760m,LIGHT. As águas que chegam diferentes características percorrem, em seu trechoà Usina, têm, em grande parte, físicas regionais. Os rios que inferior, extensas áreas deorigem no Rio Paraíba do Sul, desembocam próximo à baixada que originalmentede onde são bombeados até entrada sudoeste da Baía, eram sistematicamente160m3/s, através da Elevatória nascem nos maciços costeiros alagadas.de Santa Cecília. do Município do Rio de Janeiro No recôncavo da Baía Esses cursos de água em altitudes variando entre encontram-se os cursos quesofreram, no passado, obras 30m e 600m, apresentam nascem nas escarpas dade retificação de calha, percursos pequenos e áreas Serra do Mar em altitudeseliminando os percursos mais de drenagem da ordem de médias de 1000m.sinuosos para melhor 50km2 (Canal do Cunha, Canal Apresentam declividadesaproveitamento das terras do Mangue e Rio Irajá). A bastante acentuadas no trechoanteriormente inundadas sudeste, no outro lado da Baía, superior, trecho médio depelas enchentes. Por outro já nos Municípios de Niterói e pouca representatividade e um longo trecho inferior, comlado, essas intervenções São Gonçalo, estão o Canal do altitudes e declividades muitoprovocaram alguns efeitos Canto do Rio, Rio Bomba e Rio pequenas. Nessa regiãoindesejáveis, como por Imboassu com áreas de destaca-se o Rio Macacu, comexemplo, menor resistência à contribuição inferiores a 35km2. área de drenagem em torno depenetração das águas Seguindo na direção 1260km2 e os Rios Roncador,salgadas da Baía de Sepetiba noroeste, encontram-se Iriri, Suruí e Estrela, com áreaspela ação das forças da maré, cursos de água de maior porte de 110, 30, 70 e 340km 2 ,aceleração dos hidrogramas como os Rios São respectivamente.46
  • 47. Portanto, constata-se As intervenções, realizadas enchentes na referida área.que a maioria dos rios pela antiga Companhia de Dentre as principaisafluentes à Baía de Saneamento da Baixada bacias hidrográficas queGuanabara possuem trechos Fluminense, posterior desembocam diretamente noinferiores bem caracterizados, Departamento Nacional de Oceano Atlântico, estão as doslongos e com baixa Obras de Saneamento - Rios São João e Macaé, comdeclividade. A partir dos anos DNOS, foram necessárias, a nascentes na Serra do Mar, em30, esses trechos foram alvo princípio, para conter a altitudes próximas a 1100m ede uma série de serviços de proliferação do mosquito áreas de drenagem delimpeza e desobstrução, que transmissor da malária. A 2200km 2 e 1760km 2 ,culminaram com a eliminação região que abriga os cursos respectivamente. Apresentamdos meandros naturais através inferiores dos Rios São João de declividades acentuadas nasde obras de retificação, Meriti, Pavuna, Sarapuí e pequenas extensões de seusdrenando áreas alagadiças, Iguaçu, conhecida como formadores, atravessando, apermitindo, por outro lado, a Baixada Fluminense, é um seguir, longo trecho de baixada.ocupação desordenada, sem exemplo dessa situação. Da mesma forma que osos devidos investimentos Mais adiante serão cursos inferiores dos rios dapúblicos em infra-estrutura comentadas as iniciativas do Baixada Fluminense, o Sãourbana (esgotamento poder público para amenizar os João e Macaé, tiveram váriossanitário, coleta de lixo, etc.). impactos e controlar as trechos e afluentes retificados,REGIÃO HIDROGRÁFICA DA BAÍA DE GUANABARA 47
  • 48. causando significativos regime torrencial. Entre os O alto curso do Rioimpactos ambientais. Essas mais significativos em termos Itabapoana com forteobras promoveram aumento de história de inundações, declividade, tem porda velocidade de propagação estão aqueles afluentes ao característica diversas quedasdos hidrogramas de enchente, Sistema Lagunar de d’água. O médio cursomenor amortecimento dos Jacarepaguá, onde, além das percorre vales bempicos de vazão e o características físicas encaixados em região ondeagravamento das inundações desfavoráveis da bacia, predominam colinas. Essesjunto às cidades litorâneas de ocorrem precipitações dois trechos não apresentamMacaé (Rio Macaé) e Barra de pluviométricas muito mais historicamente inundaçõesSão João (Rio São João), intensas do que nas áreas da significativas.principalmente, durante Região dos Lagos. O curso inferior, porperíodos de maré alta. Na região noroeste do outro lado, percorre extensas Os sistemas lagunares Estado, desenvolve-se o Rio planícies e as inundações sãodo Estado do Rio de Janeiro Itabapoana, limitando ossituam-se ao longo da linha de freqüentes nos períodos territórios dos Estados do Riocosta, desde a Restinga de chuvosos. Para drenar essas de Janeiro e Espírito Santo.Marambaia até a divisa com o áreas, da mesma forma que Nasce em Minas Gerais, naEstado do Espírito Santo. Os nas demais áreas inundáveis Serra do Caparaó, receberios que afluem às lagunas, afluentes nos três Estados e do Estado do Rio de Janeiro,com pequena área de deságua no Oceano Atlântico. foram construídos canais edrenagem, nascem nos A bacia é alongada, com área retificados trechos de rios,maciços costeiros, percorremcurtas distâncias até de drenagem da ordem de alterando o regime dosuas desembocaduras, 4800 km 2 e curso principal escoamento e do transporte deapresentando, em geral, com extensão de 20 km. sedimentos. Base Fundação CIDE48
  • 49. 49
  • 50. Pode ser definitiva, à A tendência do homem medida em que uma parcela do é ocupar a bacia hidrográfica volume da chuva armazenada a partir das áreas planas, no nas depressões do terreno e sentido daquelas mais altas,FATORES AGRAVANTES sobre a vegetação, retorna à não só para ficar mais próximo DAS ENCHENTES atmosfera pelos mecanismos dos corpos de água principais de evaporação. (rios navegáveis, oceanos, A retenção temporária etc.), como também devido ao gera um efeito regulador, em relevo mais favorável e solos função das característicasRedução da Capacidade mais férteis. de Retenção Natural topográficas da superfície, a À medida que a área exemplo de bacias de urbana se expande para a A retenção natural acumulação formadas por parte superior da bacia, adesempenha importante papel lagos, lagoas, lagunas,no resultado da relação chuva capacidade de retenção natural pântanos e áreas alagadiças.x volume superficial. Atua vai sendo, gradativamente, Apesar de também perderemfacilitando a infiltração e descaracterizada e diminuída. água para a atmosfera, retémpromove o retardamento da grandes volumes de chuva Essa descaracterização se dáelevação do nível das águas liberando-os, gradativamente pelo desmatamento, pelanas calhas dos rios e a para os cursos de água, mudança dos padrões naturaisredução dos volumes segundo as taxas impostas de drenagem e peladisponíveis para os conforme as características impermeabilização do solo eescoamentos superficiais. da drenagem local. aterro de áreas alagadiças.50
  • 51. 51
  • 52. 52
  • 53. As modificações aumentarão a largos e sinuosos suportam maiores volumesdisponibilidade dos volumes das águas de de chuva dentro do seu próprio leito. Essechuva oferecidos ao escoamento superficial. armazenamento temporário será tanto maiorCertamente, criarão novos cenários para o fluxo quanto maior for seu caminho dentro da mesmadas águas na parte inferior da bacia, onde o área de drenagem. O potencial de retenção naestágio de urbanização mais avançado, talvez calha do rio sofre também a influência danão comporte novas contribuições, criando rugosidade do leito e da presença da vegetaçãosobrecargas no sistema de drenagem e ciliar (ribeirinha), que atuam como mecanismospossíveis transbordamentos, no caso de chuvas naturais de resistência à energia do escoamento.mais intensas e duradouras. O aumento da resistência promove a diminuição O desenho do percurso, a geometria e da velocidade média com a conseqüentea declividade dos cursos de água, definem o elevação do nível das águas, maiormovimento dos escoamentos e estabelecem a armazenamento na calha e retardamento ecapacidade de armazenamento da calha. Rios diminuição do pico do hidrograma de enchente. Andre Alves 53
  • 54. Notamos nas bacias Nas áreas urbanas dotadas de sistemas de esgotamentohidrográficas ainda não de águas pluviais, a redução da retenção natural é bastanteocupadas pelo homem, que a significativa. As águas de chuva são rapidamente direcionadasnatureza cria condições para as caixas coletoras internas das edificações que, por suafavoráveis para uma vez, deságuam nas galerias implantadas sob as vias públicas.convivência harmoniosa entre As águas juntam-se àquelas coletadas sobre as referidas vias eas águas de chuva, a fauna e rapidamente levadas para coletores – tronco ou diretamente paraa flora. Determina o curso de água mais próximo.naturalmente o zoneamento,elegendo áreas que deterãomaior ou menor umidade eoutras sujeitas à inundaçõestemporárias, em função daschuvas. Surge uma seleçãonatural do tipo de vegetação edas espécies da fauna quemelhor se adaptarão às áreassujeitas à inundação. Esteequilíbrio é mantido até achegada do homem pelanecessidade de ocupar a terra. Novos domínios dentrodos limites da baciahidrográfica, poderão ter Nas áreas rurais onde a vegetação nativa foi substituídadiferentes usos, isto é, por outra de interesse econômico, o manejo do solo também éestabelecimento de áreas um agente modificador das características da retenção. Oresidenciais, industriais, desmatamento e o uso de máquinas pesadas no revolvimentodesenvolvimento agrícola, do solo e na aplicação de fertilizantes, alteram a estrutura originalcorredores de tráfego do solo, compactando o subsolo e interferindo nas taxas derodoviário ou ferroviário, etc.. infiltração. Qualquer que seja o Dependendo da declividade do terreno, da intensidadeuso do solo, a retenção natural das chuvas e do tipo predominante do material do solo (areiasserá modificada. Mesmo emsub-bacias mais a montante, de diversas granulometrias, argila, etc.), a agricultura praticadaa descaracterização da irracionalmente com manuseio impróprio, pode intensificar osretenção terá sua parcela de processos erosivos. Ao longo do tempo o material erodido éinfluência na formação do transportado gradativamente pelas forças do escoamentohidrograma, no trecho inferior superficial para os corpos de água mais próximos, obstruindo odo curso de água principal. caminho das águas.54
  • 55. 55
  • 56. A diminuição da adotadas pelos próprios gerar a consolidação de novosretenção natural nas áreas cidadãos e do planejamento de vetores de ocupação do solo,rurais também se deve a outras intervenções estruturais e não invadindo áreas originalmenteagressões causadas pelo estruturais previamente sujeitas a inundações naturais.homem. O plantio morro discutidas. Conter esseabaixo, a formação de pastos crescimento é tarefa difícil semcom alta densidade de animais, Obras de o prévio planejamento eacarretando o excessivo Macrodrenagem investimentos necessários, de As obras depisoteio em determinadas forma a controlar e direcionar engenharia para controle dedireções, formando trilhas que a ocupação das terras. enchentes serão melhorservirão para acelerar a Quando o quadro se enfocadas adiante. Por hora,drenagem das águas de chuva, torna irreversível sob o ponto de cabem alguns comentáriose a abertura de valetas vista sócio-econômico, resta gerais e a introdução deperpendicularmente às curvas ao Poder Público, conceitos que tratam dosde nível, com a finalidade de compromissar recursos fatores agravantes dasdividir e separar áreas, são financeiros no propósito de enchentes gerados por taisalguns dos exemplos. amenizar os prejuízos e os obras. Nesse ponto, cabe riscos envolvidos, de modo a O crescimento urbanorelembrar a importância dos salvaguardar os bens e das cidades, dependendo daobjetivos das novas políticas benfeitorias existentes. sua localização geográfica edirecionadas para a Nas áreas onde os do contexto ambiental na qual cursos de água naturalmenteorganização do setor de esteja inserida, se dá, a transbordavam, realizam-serecursos hídricos, tendo a princípio, para as áreas intervenções físicas, comobacia hidrográfica como sujeitas a menores retificações de trechos,unidade de gestão. interferências dos fenômenos alargamentos de calha, À medida que os naturais, onde a ocupação é construção de diques lateraisprincípios da nova política de menor risco. A de contenção e canalizações,forem melhor absorvidos pela intensificação da expansão com o objetivo de melhorar osociedade e o Poder Público, urbana, principalmente em fluxo das águas e permitir acriados os comitês de bacia e torno dos centros econômicos ocupação do solo.estabelecida a gestão em desenvolvimento, podedemocrática e participativa dosrecursos hídricos, vislumbra-sea possibilidade de pensar abacia como um todo, onde aocupação do solo e os efeitosdas chuvas intensas poderãoser melhor controlados, atravésde ações preventivas Foto: Fundação Rio Águas56
  • 57. Essas obras deveriam, respectivo cronograma de o volume de uma enchentea princípio, fazer parte do intervenções planejado, ordinária, acomoda-se noplanejamento global da bacia, ordenadamente, de jusante trecho retificado, fluindo comcom relação ao controle das para montante. mais rapidez e encontrandoenchentes, e estar inseridas no A não adoção desses menos resistência, sem invadirplano de ação previsto. Essa princípios leva, muitas vezes, as áreas anteriormenteperspectiva não condiz com a à diminuição dos efeitos das inundadas.realidade, pois, em geral, as enchentes ao longo de umintervenções são realizadas trecho de rio e sua área deisoladamente e voltadas influência em detrimento doexclusivamente para os agravamento em outras áreas,problemas locais. rio abaixo. As soluções de Um exemplo típico é aengenharia para o controle das retificação de um trecho queenchentes devem estar apresenta meandros naturais.vinculadas umas às outras, Nesse caso, a princípio, desdede forma integrada e que os parâmetros e critérioscomplementar, com o de projeto estejam adequados,Eduardo Sengés 57
  • 58. 58
  • 59. 59
  • 60. Assim, o problema é simplesmente contribuições laterais.transferido para os trechos subseqüentes, com Efeito semelhante é produzido pelao aumento do risco de extravasamento, uma vez construção de diques em ambas as margens eque o amortecimento natural que o hidrograma ao longo de um trecho cujo extravasamento dosofria a montante foi menor. leito menor ocorre com freqüência. Novamente O quadro pode ficar mais crítico, o problema é transferido rio abaixo,dependendo da conformação da calha de concentrando rapidamente os volumes dasjusante, da resistência oferecida ao águas de chuva, agravando a situação nosescoamento e da influência de novas trechos de jusante. Eduardo Sengès Eduardo Sengès60
  • 61. 61
  • 62. Obstáculos Artificiais aos Amortecimento do amortecimento também éEscoamentos Superficiais Hidrograma de Enchente - O muito influenciado pela hidrograma de enchente na existência de percursos seção de montante de um sinuosos onde a energia do Definições Usuais determinado trecho de um escoamento é parcialmente Álveo - É a superfície curso de água não tem o consumida.que as águas cobrem, semtransbordar para o solo natural mesmo desenho ao deixá-lo. Ocupação das Margensadjacente, ordinariamente Sofre uma deformação O homem, ao usar asseco (enxuto). Portanto, o representada pela diminuição margens de um curso de águaálveo, na sua característica da vazão máxima e para alguma finalidade, querplena, configura, de uma certa achatamento do seu formato. seja uma atividade agrícola,forma, o leito menor do curso A deformação do hidrograma, uma construção qualquer,de água. denominada amortecimento da Margem - É o como os apoios de uma ponte onda de enchente, se deve,prolongamento natural e lateral ou travessia e mesmoascendente do álveo. Portanto, não só ao próprio tornando-as áreasas margens de um curso de armazenamento dos volumes residenciais, estará criandoágua também podem servir dentro da calha, como obstáculos aos escoamentospara conter os escoamentos. também, pela resistência àSe um observador se possíveis de ocorrência para passagem das águas, impostaposiciona de costas para a chuvas freqüentes. pela rugosidade do leito, aonascente de um curso de água, Nas grandes cidades, longo do trecho considerado.o seu lado direito indica a em virtude da procura pormargem direita e o seu lado As rugosidades são residências próximo aos locaisesquerdo, a margem esquerda. caracterizadas pelo tipo do Montante e Jusante - de trabalho, infelizmente, é material do fundo e dasConsiderando a mesma margens (areia, pedras, dificil controlar, principalmenteposição do observador nas regiões menos valorizadas saliências ou revestimentoanterior, o trecho do curso de artificial), da vegetação e menos atendidas peloságua à sua frente é o de existente, e outras investimentos públicos, ojusante e aquele às suas perturbações físicas naturais avanço de moradias sobre ascostas é o de montante. ou artificias. O grau de margens dos cursos de água.62
  • 63. A população menos À medida que aumenta a concentração das unidadesfavorecida sob o ponto de vista domiciliares nessas áreas, a população avança no sentido doeconômico, procura, próprio álveo, construindo pilares ou apoios diretamente no leitogeralmente, essas áreas, menor para sustentar as casas ou barracos.consideradas de risco, para Os escoamentos gerados por chuvas intensas, além deestabelecer suas moradias, transportar o lixo descartado ao longo do percurso, encontraonde os loteamentos são nesse tipo de construção, uma resistência enorme, provocandoimprovisados e ilegais e as a elevação do nível da água para montante, a diminuição daresidências, construídas de capacidade de fluxo e o possível extravasamento comforma compatível com os conseqüente inundação de áreas vizinhas. Dependendo dasrecursos financeiros velocidades do escoamento, a pressão exercida sobre taisdisponíveis, resultam em construções poderá causar o colapso das frágeis estruturas.domicílios, muitas vezesprecários, ao longo dasmargens, interferindodiretamente nos álveos doscursos de água. As residências, umavez estabelecidas, passam aser, não só uma restrição àcapacidade de escoamento dacalha, mas também, fontes depoluição, através dos esgotossanitários e o lixo geradospelos moradores. Foto: Fundação Rio Águas Foto: Defesa Civil ERJEduardo Sengès 63
  • 64. Essa situação muito Quando existe vegetação natural junto às margens (matacomum nas áreas de baixada ciliar), outro diploma legal é tomado como referencia: o Códigoe antigos alagadiços, agrava- Florestal. Segundo ele, a faixa de terra coberta pela vegetaçãose quando o curso de água nativa junto ao corpo de água deve ser preservada até a largurasofre influência das marés. de 100 m. As áreas marginais, a No Estado do Rio de Janeiro, o órgão responsável pelapartir do limite da seção capaz demarcação da faixa marginal de proteção - FMP é a Fundaçãode escoar as enchentes Superintendência Estadual de Rios e Lagoas – SERLA.ordinárias, até uma certa Se o rio é navegável ou flutuável, a SERLA adota a faixadistância que depende da conforme estabelecido pelo Código de Águas e o terreno é devegetação natural a ser domínio do poder público. Caso contrário, o terreno é depreservada, são protegidas propriedade privada que, contudo, não pode ali construir nenhumapor leis e outros diplomas benfeitoria, a não ser, obras precárias que necessitam delegais. autorização da SERLA, através de um Termo de Permissão Essas áreas são de Uso.denominadas de faixas A proibição de construções justifica-se, não só pelamarginais de proteção necessidade de preservação das margens, como caminho(FMPs), sobre as quais, não é natural das águas, mas também em situações que requeirampermitido qualquer tipo de limpeza ou dragagem para retirada do excesso de materialconstrução. sedimentado, recuperando a capacidade de escoamento do O Código de Águas curso de água.(Decreto no 24643, de 10/07/ Portanto, a faixa marginal de proteção deve ser34) reserva uma faixa de 10 respeitada para o bem estar do próprio cidadão e suasmetros para os cursos de água economias.não navegáveis e não Eugênio Monteiroflutuáveis, onde ficaestabelecida uma servidão detrânsito para os agentes daadministração pública emserviço. Para os rios que sãonavegáveis e não sofreminfluência das marés, o Códigofixa um terreno reservado atéuma distância de 15 metros,em ambas as margens,contada desde o ponto médiodas enchentes ordinárias.64
  • 65. Convém salientar que ser considerados como um tipo as medidas corretivas e asa ocupação, ao longo dos de perturbação, cujas técnicas adequadasanos, da área da bacia conseqüências se refletirão necessárias, acarretamhidrográfica e a conseqüente nos padrões dos escoamentos alterações que podem seimpermeabilização do solo, naturalmente estabelecidos. refletir na margem oposta; noconcorrerá como fator A maioria dos aterros trecho de montante poragravante para o crescimento dos álveos dos cursos de água influência de remansos,do volume das enchentes, são ilegais, invadem a faixa provocando inundações; nosaumentando, ainda mais, os marginal de proteção e são trechos de jusante, porperigos que envolvem a realizados exclusivamente rompimento repentino doconstrução de moradias nas para aumentar os terrenos próprio aterro; na alteração damargens dos cursos de água. ribeirinhos, com fins muitas qualidade da água, pelo vezes especulativos. aumento de sólidos em Aterros Os aterros efetuados suspensão e a destruição da Anteriormente, foi isoladamente, sem contemplar mata ciliar.mencionado que a calha de Foto: PLANÁGUAescoamento de um curso deágua forma-se e modela-se, aolongo dos anos, em função deuma série de condicionantes,tais como, a declividade doterreno, o tipo do solo, o regimedas chuvas sobre a bacia, ageologia, etc.. Portanto,configura-se uma situação deequilíbrio natural, envolvendoaqueles condicionantes epromovendo um desenho daseção transversal compatívelcom os escoamentos mínimose os gerados pelas chuvasmais freqüentes. Qualquerperturbação exercida sobreesse quadro de equilíbrio,provocará um novo cenário,muitas vezes, imprevisível. Os aterros sobre osálveos dos cursos de águapela ação do homem, podem 65
  • 66. Lixo É importante ressaltar encostas ou mesmo sobre algum impedimento físico oque os cursos de água são logradouros públicos. mantenha retido, formandosimplesmente o caminho Muitos cidadãos, barreiras e aumentando anatural das águas de chuva e cômoda e irresponsavelmente, resistência ao escoamento.das contribuições do lençol utilizam-se dessa prática, com Tais obstruções geralmentesubterrâneo, devendo, o objetivo de se livrarem dos promovem a elevação do nívelportanto, permanecer limpos e resíduos domésticos e, muitas das águas para montante,desimpedidos. Dado que este vezes, de objetos de maior configurando gradativoprincípio é claro e que dele porte e pesados que não lhes remanso, com possíveldepende a segurança da são mais úteis. Esquecem que, extravasamento para as áreaspopulação ribeirinha nas durante as enchentes marginais, podendo atingir asocasiões de chuvas fortes, a subseqüentes, o lixo residências dos própriospresença de lixo nos cursos de acumulado pode ser responsáveis, e o surgimentoágua pode ser considerada um transportado para jusante, ao de novos caminhos deindicador da distorção de sabor das correntes, até que drenagem.hábitos entre os habitantes deuma mesma baciahidrográfica. O problema é agravadopela carência de infra-estruturade coleta pública de resíduossólidos urbanos, em áreas dedifícil acesso, junto aos corposhídricos e encostas. O lixo descartadodiretamente sobre as margensou o álveo dos cursos de água,diminui a capacidade doescoamento, gera poluição,mau cheiro, disseminação dedoenças de veiculação hídrica,e é fator acelerador daproliferação de vetores (ratos,mosquitos, moscas, etc.).Efeito semelhante ocorrequando as chuvas transportampara dentro dos cursos d’água,o lixo lançado sobre as Eliane Barbosa66
  • 67. A situação se agrava nas regiões de flutuante (garrafas plásticas, embalagens, etc.),baixada, onde as declividades menores acaba atingindo outros corpos de água, comocausam a redução das velocidades do lagos e baías, trazendo um cenário indesejávelescoamento, a conseqüente sedimentação do para quem em nada contribuiu para tal. Damaterial sólido em suspensão e a deposição mesma forma, tomam áreas de preservaçãodo lixo lançado ao longo dos trechos de ambiental, como manguezais, prendendo-se namontante. vegetação, ameaçando a fauna e a flora, Nas enchentes mais críticas, pelos modificando significativamente a paisagem e amotivos expostos, o lixo, principalmente o qualidade das águas. Eliane Barbosa 67
  • 68. Pontes e Travessias As pontes ou travessias sobre os cursos de água desempenham importante função naeconomia de uma região, na integração dos bairros e das cidades. Apesar de grandes aliadaspara encurtar caminhos e promover o desenvolvimento, podem representar uma ameaça duranteas enchentes. Muitas vezes não são utilizados critérios de projeto e de construção compatíveis com anecessidade de escoamento das enchentes mais freqüentes. As obras são realizadas com oúnico e exclusivo objetivo de transpor o leito menor, implantando os pilares de sustentação deforma a estrangular a área da seção disponível para o fluxo das águas. Soma-se a esse tipo de resistência, aquela decorrente do acúmulo de lixo, de sedimentose vegetação junto aos pilares, exigindo manutenção periódica, através de limpeza e desobstrução.68
  • 69. Muitas vezes, as estruturas das pontes são utilizadas para sustentar tubulações (água,esgoto, gás, etc.), criando mais um obstáculo ao fluxo das águas. Nas áreas urbanas é comum o aterro de pequenos trechos de rios, mantendo a passagemdas águas através de tubulões assentados diretamente sobre o leito, como soluções paliativaspara travessia de pedestres e até mesmo veículos, leves e pesados. Essas obras, muitas vezes, improvisadas por questões imediatistas, para atender àpopulação, criam sérias barreiras ao fluxo, tornando-se causas potenciais para elevação dosníveis das águas e conseqüentes inundações, principalmente quando houver obstrução por lixoou sedimentos. 69
  • 70. PLANÁGUA Pontes inadequadas, ocupação das margens e do leito do rio, lixo nos cursos da água criam obstáculos ao escoamento, provocando elevação do nível d’água, inundação de áreas vizinhas e o colapso das frágeis estruturas, causando grandes prejuízos. PLANÁGUA70
  • 71. 71
  • 72. esporádicas que casa forte e um estaleiro ENCHENTES NO salvaguardassem o seu anexo. Explorou por quase 2 ESTADO DO RIO DE domínio territorial. meses, o recôncavo da Baía, JANEIRO Primeiras expedições abrindo os primeiros caminhos ao território do Estado do Rio para Minas Gerais. Esta INÍCIO DA OCUPAÇÃO de Janeiro logo após o primeira incursão ao interior foi DO SOLO descobrimento e fatos decisiva para Martin Afonso, na O conquistador importantes: escolha preferencial da área deeuropeu, ao chegar ao Rio de 1501 – Comandada por sua capitania. André Gonçalves, tendo No 1o quartel do séculoJaneiro, encontrou a terra já Américo Vespúcio como XVI, o Rio de Janeiro era obastante ocupada por diversas ponto de apoio de todas astribos indígenas, que desde navegador - chegou à Cabo viagens que se dirigiam para otempos imemoriais, haviam Frio e adentrou à Baía de sul, reconhecendo a terraaqui se instalado. Viviam perto Guanabara, que tomou descoberta. Era também, umda costa marítima, farta de pela foz de um grande rio, ponto de embarque de pau-pescado e onde chegavam daí o nome com que brasil (pau de tinta) batizou o acidente: Rio deáguas puras de rios perenes. contrabandeado por corsários Janeiro; Plantações de franceses, holandeses e 1502 – Comandada pormandioca para subsistência da ingleses que, com muito boas André Gonçalves -tribo existiam nas proximidades relações com os indígenas descobriu a Baía de Angradas tabas, sendo a colheita locais, intensificavam suas dos Reis;propriedade comum a todos. O incursões. 1503 – 1504 –índio se integrava perfeitamente As invasões se Comandada por Gonçaloà floresta e ao habitat, intensificaram até 1553, Coelho - lançou âncoras narespeitando-os porque deles quando Tomé de Souza, já atual Praia do Flamengo e Governador Geral do Brasil,dependia o seu sustento. fez construir uma feitoria de comunicou a situação ao rei Como a Corte pedra – a Carioca (casa de português, solicitandoPortuguesa, logo após o branco, no dialeto providências para ocupaçãodescobrimento em 1500, indígena). Deixou as permanente da área, com aencontrava-se totalmente primeiras mudas de cana fundação de uma cidade, sobvoltada para o domínio e a de açúcar; pena de perder-se a terra.exploração das Índias e da 1515 – Comandada por A ameaçaCosta da África, que lhes rendia João de Sollis – mapeou, concretizou-se em 1555, comvultosos lucros em ouro e em parte, a Baía de a chegada da armadaespeciarias usadas na Guanabara; francesa, comandada porconservação de alimentos 1531 – Liderada por Martin Nicolau Durand de(carne principalmente), nada Afonso de Souza – sentou Villegaignon, que veio sepodia propiciar à terra recém praça na região da Praia refugiar do braço da Inquisiçãodescoberta, além de visitas Vermelha. Construiu uma Católica.72
  • 73. Diversos foram os pertencesse à Capitania escolhida por Martin Afonso de Souzaavisos à corte portuguesa e as e as terras contíguas fossem objeto de concessão de seustentativas de retirar os descendentes, depois da fundação da Cidade pelo Governadorfranceses das terras Geral do Brasil, as terras passaram a pertencer à Coroabrasileiras. Portuguesa, o que explica as muitas doações de terras O ataque aos redutos e (sesmarias).a expulsão definitiva dosfranceses, em 1567, só foipossível com a vinda de Memde Sá, com poderosaesquadra, homens earmamentos e com reforço de200 índios, chefiados porAraribóia, que haviamembarcado no Espírito Santo. Livre dos franceses esem a ameaça dos índios,Mem de Sá escolheu, parafundar a futura Cidade do Riode Janeiro, um morro bem acavaleiro, com ampla e planalombada e cuja praia em frenteoferecia calado para as Contam-se, dentre as maiores sesmarias, a Sesmariaembarcações (calabouço) dos Jesuítas, que abrangia toda a atual zona da Leopoldinaonde providenciou a (integral) e parte da zona Central, estendendo-se até Campoconstrução de um baluarte e de Grande e a Sesmaria de Araribóia, que abrangia a Região decontrafortes passando a se Niterói, Alcântara, São Gonçalo até Pendotiba (Aldeia de Sãochamar o local de Morro do Lourenço).Castelo. Se a ocupação das sesmarias urbanas foi lenta, devido Tal como numa cidade ao solo ser baixo e pantanoso, exigindo grandes aterros quemedieval, as muralhas da eram feitos com lixo e demais detritos, a ocupação daquelascidade eram dotadas de portas sesmarias mais afastadas do centro urbano não foi realizada deque impediam a entrada de pronto.invasores e se abriam para as O solo de toda a região costeira do Estado do Rio deladeiras bastante íngremes Janeiro era constituído ou por manguezais que dificultavam oque, galgando o morro, davam acesso às áreas interiores, ou por praias que formavam cordõesacesso e saída à cidade. litorâneos de lagunas circundadas por brejos, ou por rochedos. Embora parte da costa Além desses obstáculos naturais, existiam, nos locais favoráveisonde está compreendida a à penetração do conquistador, inúmeras aldeotas indígenas, nemBaía de Guanabara sempre amigas. 73
  • 74. Assim, no século XVI, São Gonçalo – oriunda da águas descia a produção emvamos encontrar as seguintes Sesmaria de Gonçalo direção à Cidade do Rio depovoações, todas junto ao Coelho, doada por Mem de Janeiro.desenvolvimento das Sá, em 1565; Os pontos desesmarias: Iterói (Niterói) – oriunda embarque do açúcar na da Sesmaria doada por Baixada dariam lugar a Mirtir (Meriti) – originária Mem de Sá à Antônio de movimentadíssimos portos da Sesmaria de Braz Martins Coutinho, ia de São como os de Pilar, Estrela, Cubas (fundador de Lourenço à Icaraí. Por Porto das Caixas e Suruí, que Santos), recebido em desistência deste, foi só perderiam sua importância 1568, que deu início a uma doada à Araribóia; no final do século XIX, com a povoação junto ao Rio construção das estradas de Meriti; No final do século XVI, ferro já escoando então, o café Siripuí (Sarapuí) – origem inicia-se a ocupação do produzido no interior. recôncavo da Guanabara, que O crescimento das do atual Município de se daria, fundamentalmente, exportações com a entrada do Duque de Caxias. A partir em torno da cultura da cana de ciclo do açúcar, faz a Cidade de 1566, várias sesmarias açúcar. Esta se expandiria por expandir-se do Morro do foram concedidas na sobre os terrenos baixos, Castelo para a parte plana com Região, dando origem a salpicados por colinas, o gradual aparecimento da diversos núcleos seguindo do litoral em direção malha urbana. habitados; aos contrafortes da Serra do O porto exportador do Aguassu (Iguaçu) – Mar. Foi responsável pelo açúcar para a Europa era o Rio origem do atual Município desmatamento da Região da de Janeiro. de Magé. Em 1567, Simão Baixada e da ocupação da O primeiro engenho de da Mota recebe a sesmaria Planície de Campos e da açúcar do Estado surgiu no e cria a povoação de Magé, século XVII, em 1650. No Região de Parati. no Morro da Piedade; entanto, a cultura da cana de O único acesso ao Macacu – origem do atual interior do recôncavo da açúcar no interior somente Município de Cachoeiras de Guanabara e a Planície atingiu seu clímax no século Macacu. Sesmaria Campista era feito por mar. Os XVIII, sendo que, em Campos, recebida de Mem de Sá, barcos subiam os rios que o auge se deu no século XIX. em 1571, por Miguel de tiveram papel preponderante Anteriormente, ali se Moura; na ocupação da Região e no desenvolvia a criação de gado. Guaxindiba – origem do escoamento da produção do Com a decadência do atual Município de Itaboraí, açúcar, produzido nos ciclo do açúcar e o início do redundou de um engenhos do interior. Pelos rios ciclo do ouro (séculos XVII e desmembramento da subiam os colonizadores, às XIX), o Rio de Janeiro passou Sesmaria de Miguel de suas margens localizavam-se a ser o centro importador de Moura; os engenhos e por suas bens vindos de Portugal e74
  • 75. exportador de ouro e pedras para o interior e a situação de entreposto para as exportaçõespreciosas, trazidas de Minas que passam a se diversificar, trazendo, em conseqüência, aGerais. As cidades do interior expansão urbana. Esta última foi, em todas as épocas,continuaram a produzir açúcar conseguida através de aterros de pantanais e manguezais dae gado. Passando à Capital do zona continental.Vice-Reinado do Brasil, o Com a expansão da cultura da cana de açúcar, a regiãocentro urbano do Rio de Janeiro da Bacia do Rio Carioca e aquelas áreas contribuintes à Baciaexpandiu-se de tal forma que do Saco de São Diogo (Rios Maracanã, Joana, Trapicheiro e Comprido) passaram a ser ocupadas por este cultivo.D. João VI aqui chegando, Posteriormente, já no século XIX, o plantio da cana deexpulso de Portugal por açúcar foi, paulatinamente, substituído pelo café, que dominou,Napoleão, encontrou uma principalmente, o Vale de Laranjeiras e as encostas da Tijuca,cidade já capaz de bem até o Alto da Boa Vista, já então, divididos em grandes chácaras,representar a capital do Reino onde viviam, principalmente, os ingleses e franceses de algumaUnido de Portugal e Algarves. nobreza, no Rio de Janeiro.Com a vinda da corte, há uma O início do ciclo do café no Império (século XIX) produznova expansão urbana, inicialmente o desmatamento das encostas da Cidade do Riopassando a Cidade a não mais de Janeiro, onde foi plantado. Transferindo-se para o interior dose restringir à região entre os Estado até as fronteiras de São Paulo e Minas, as plantações deMorros do Castelo e de São café foram os grandes expansores da ocupação do soloBento, mas ocupando a zona fluminense e os reativadores de sua economia.da Glória e do Flamengo, além A Cidade o Rio de Janeiro passa a ser a grandede São Cristóvão. exportadora da produção de café plantado no interior e A Abertura dos Portos, transportado pelas estradas de ferro já existentes, que levam aem 1808, produz um produção às cidades marginais aos rios da Baía de Guanabaraincremento acentuado nas (Estrela e Suruí), onde é embarcada em pequenas embarcaçõesatividades comerciais. A vinda à vela, que a trazem para o Porto do Rio de Janeiro, de onde éda nobreza portuguesa à exportada. Esta produção, juntamente com a de São Paulo eprocura de moradias, faz Minas, sustenta economicamente o Império Brasileiro até o seucrescer a construção e a fim, no final do século XIX.expansão da Cidade para a A mata que recobria os morros e colinas, já derrubadaperiferia como a Glória, Catete, para a plantação da cana de açúcar, não mais protegia o solo daFlamengo, Laranjeiras, erosão, agravada pelo sistema usado no plantio. Por outro lado,Engenho Velho e Tijuca, além o incêndio da mata, usado pela Polícia da Corte, para destruiçãode São Cristóvão. dos primeiros Quilombos (o Quilombo do Corcovado, dirigido A independência do por Sabancará, foi o pioneiro), em janeiro de 1829, aumentouBrasil, em 1822, e a ainda mais a erosão, de tal forma, que fez diminuir atransformação da Cidade em quantidade de água captada na Região e que abastecia acapital do Império do Brasil, faz Cidade, através do aqueduto da Carioca, jorrando as águascrescer ainda mais o comércio pelo Chafariz da Carioca, com suas 16 bicas, pela Fonte 75
  • 76. das Marrecas e pelo Chafariz do Carmo, pelas Bicas da Glória e do Largo do Moura, auxiliado pelaFonte do Convento da Ajuda. Acreditando que as freqüentes faltas de água que assolavam a Cidade eram feito dodesmatamento dos mananciais, na Serra do Corcovado, o Imperador D. Pedro II ordenou, em1861, o reflorestamento da Floresta da Tijuca, criando assim o hoje denominado Parque Nacionalda Floresta da Tijuca. Esta empreitada ecológica pioneira, foi levada a cabo pelo Major Acher que,auxiliado por escravos, especialmente designados para esta tarefa, recuperou a floresta, usando,para tanto, mudas de várias árvores que foram plantadas. Estas mudas, tais como cedro, canela,peroba, jacarandá, pau-ferro, jequitibá, jaqueira, aroeira e muitas outras, haviam sido aclimatadase produzidas no Jardim Botânico. O reflorestamento durou por 13 anos de plantio e foi mantido eprosseguido pelos moradores da Região, destacando-se o Barão d’Escragnole e o Visconde deTaemay, que embelezaram locais dentro da florestas e abriram os atuais caminhos internos. Na primeira década do século XX, já sob o regime da República, as necessidades deexpansão comercial e de exportação do café impuseram a criação de um porto dotado de novosequipamentos em substituição à grande quantidade de trapiches que existiam na orla marítima,desde a Gamboa até o Caju. A construção do porto e sua operação implicou em grandes aterros na Baía de Guanabara,desaparecimento de ilhas e estreitamento da foz dos Rios Maracanã, Comprido, Joana eTrapicheiros, fazendo surgir o Canal do Mangue e, ainda, o aterro da vasta zona de manguezaisda Cidade Nova. Conseguiu-se desta forma, além do ganho territorial para ampliação da zonaurbana, o saneamento da Cidade, então assolada por endemias, como a febre amarela. Posteriormente, os melhoramentos urbanísticos introduzidos na Cidade, com a aberturada Avenida Central (Av. Rio Branco), com o desmonte do Morro do Castelo e o conseqüente aterroda zona marítima do Calabouço até Botafogo e, pouco mais tarde, a criação, por aterro da Baía deGuanabara, do Bairro da Urca, expandiram a Cidade para o mar, transformando-a de um amontoadode casas acanhadas e cortiços, na cidade internacionalmente conhecida.76
  • 77. Aterros marítimos semelhantes só foram realizados na década de 1950, com o desmontedo Morro de Santo Antônio e a criação do Parque do Flamengo e imediatamente após, com aampliação da Praia de Copacabana. Portanto, de uma maneira geral, tanto na Cidade do Riode Janeiro como ao longo do recôncavo da Baía de Guanabara,a conquista do espaço para a expansão urbana ocorreuexatamente sobre áreas sujeitas à inundações freqüentes, comobrejos, várzeas, pântanos e manguezais. A impermeabilizaçãodo solo se deu ao longo dos trechos inferiores dos rios onde, nopassado, as águas de chuva juntavam-se em pequenos braçose se espraiavam por extensas áreas marginais antes de atingiremo mar propriamente dito. O desmatamento marcou a conquista e ocupação denovas áreas e, infelizmente, embora em menor intensidade,ocorre até os dias de hoje. 77
  • 78. 78
  • 79. ENCHENTES HISTÓRICAS da Baía de Guanabara, invasão francesa, capitaneada NA CIDADE DO RIO DE descritas por viajantes que se por Duguay-Trouin. Na noite de JANEIRO dirigiam à Minas Gerais. 21, os franceses após terem A primeira inundação capturado a Ilha das Cobras, Se uma enchente gerada por uma enchente iniciaram o célebre bombardeioprovoca o extravasamento do histórica que se tem notícia, da Cidade sob intensoleito maior de um corpo hídrico, ocorreu no século XVI e não temporal que alagou o Rio deem função de uma tem registro escrito. É, Janeiro e facilitou a invasãodeterminada chuva, e se torna entretanto, mencionada por francesa, tornando-a vitoriosa.conhecida pelos prejuízos cronistas posteriores do Um registro deeconômicos que acarreta, é Século XVII que contam sobre Balthazar da Silva Lisboa narraconsiderada histórica. Por uma ressaca, em data não que, em 14 de abril de 1756,outro lado se a área inundada precisa, em período de maré aconteceu uma enchentefor desabitada ou sem alta, e uma chuva muito histórica na Cidade queimportância econômica, será intensa de tal forma que, perdurou por 3 diasapenas uma enchente vencido pelo mar, o cômoro da ininterruptos.notável. Rua Direita (atual Rua Primeiro O terror se apoderou Enchentes históricas de Março) e com alagamento dos habitantes, fazendo comsão sempre associadas às dos charcos da Cidade veio a que todos procurassem abrigograndes chuvas quer por sua atingir e transbordar as lagoas nas igrejas. Segundo oduração ou por sua intensidade de Santo Antônio (Largo da cronista, as águas crescerame acontecem nas regiões Carioca), do Boqueirão de tal maneira que inundaramhabitadas. (Passeio Público) e do Outeiro a Rua do Ouvidor (Miguel Na Cidade do Rio de (Rua do Lavradio), interligando- Couto) e entravam casas aJaneiro só dispomos de as e formando um lagomar de dentro. A região entre oregistros pluviométricos a partir toda a zona baixa da Cidade. Valongo (Praça Mauá) até ade 1851. Anteriormente a essa Estendeu-se até a Prainha Igreja do Rosário (Rosário,data, temos notícias de (Praça Mauá) e à Lagoa da esquina da Avenida Rioenchentes históricas na Sentinela (Frei Caneca), de Branco) ficou totalmenteCidade, através somente da forma que, os morros então inundada.narrativa de cronistas daépoca ou de viajantes habitados, do Castelo (Rua No século XIXestrangeiros que as Graça Aranha e México), de aconteceram várias enchentesregistravam em seus diários São Bento (São Bento) e de na Cidade. A principal delas foide viagem. Registros antigos Pedro Dias (Rua do Senado) a de 10 a 17 de fevereiro dede inundações fora da Cidade se transformaram em ilhas. 1811, conhecida como “Águasdo Rio de Janeiro não são No século XVIII foram do Monte”, pela destruição noconhecidos, à exceção de notáveis as enchentes de 21 Morro do Castelo, quandofenômenos tipo “cabeça para 22 de setembro de 1711, desabaram várias casas,d’água” em rios do recôncavo quando a Cidade sofreu a muralhas e barracos com 79
  • 80. grande perda de vidas. • Em 1916 (de 7 a 9 de março e 17 de junho) com transbordamento doInquérito aberto por ordem de Canal do Mangue em ambos os eventos;D. João VI apurou como • Em 3 de abril de 1924, além do já costumeiro transbordamento docausas da enchente, a falta de Canal do Mangue, desabamentos de barracos com vítimas no Morro de Sãoconservação das valas e Carlos;drenos “pelos entulhos e lixos • Em 26 de fevereiro de 1928, com desabamentos e mortes nos morrose demais imundícies lançados de São Carlos, Salgueiro, Mangueira e Santo Antônio, além da cheia danelas”. Praça da Bandeira; Outras enchentes • Em 9 de fevereiro de 1938, com chuva de 136mm/24 horas, comhistóricas ocorreram no Rio de alagamento da Praça da Bandeira e desabamentos de prédios com mortes;Janeiro no século XIX em 1833, • Em 29 de janeiro de 1940, com chuva de 112mm/24 horas, provocou1862 e 1864. Esta última, por alagamento em toda a Cidade e desabamentos com mortes no Santoser originária de uma chuva de Cristo;granizo que destelhou toda aCidade, ficou conhecida como“chuva de pedra”. Com o crescimento dazona urbana e ocupação dezona suburbana no século XX,as enchentes históricastornaram-se mais freqüentes,devido também, à maiorimpermeabilização do solo.Registram-se as seguintesenchentes:• Em 17 de março de 1906, quando165mm de chuva precipitaram-seem 24 horas, ocorrendo otransbordamento do Canal doMangue e desmoronamentos commortes nos Morros de Santa Teresa,Santo Antônio e Gamboa;• Em 23 de março de 1911, 150mmem 24 horas, provocou novainundação na Praça da Bandeira;80
  • 81. • Em 6 e 7 de janeiro de 1942, com 132mm de chuva provocandodesabamentos no Morro do Salgueiro; 81
  • 82. • Em 17 de janeiro de 1944, com • Em 20 de março de 1983 e em Em 14 de fevereiro de 1996, chuva172mm/24 horas, ocasionando 24 de outubro de 1983 ocorreram com 200mm/8horas, comparáveltransbordamento do Canal do Man- temporais em Santa Teresa e em àquela das “Águas do Monte” (1811)gue, Praça da Bandeira, além do Jacarepaguá com desabamentos de castigou as Zonas Oeste e Sul,Catete e Botafogo; casas; provocando o caos urbano.• Em 6 de dezembro de 1950 e • Em 18 de março de 1985, asmarço de 1959, com habitual enchentes provocaram 23 mortes ealagamento da Praça da Bandeira; 200 desabrigados e em 12 de abril, caíram 144mm/24 horas, alagando Em diversos desses• Em 15 e 16 de janeiro de 1962,com um total de 242mm, com os Jacarepaguá; eventos, houve coincidênciaalagamentos habituais e quedas de • Em 6 e 7 de março de 1986, com com maré de sizígia, ou seja,barracos; 121mm de chuva, provocou período em que a maré alta• Em 11 de janeiro de 1966 deslizamentos de encostas e, no diaocorreu uma das maiores 29 de dezembro do mesmo ano, atinge níveis máximos.enchentes da história da Cidade, temporal de 64 mm/3horas, fez Em quase todas ascom uma chuva de 237mm/24 transbordar o Rio Maracanã; grandes enchentes do séculohoras. Nos dias subsequentes, a • De 18 a 21 de fevereiro de 1988,chuva continuou muito forte, com total ocorreu a maior enchente histórica XX, a Praça da Bandeira foicolapso do sistema de transporte e deste século, com mais de 430mm atingida, o que é bastantena distribuição de energia elétrica; de chuva; compreensível a partir da• Em janeiro e fevereiro de 1967, • Em 18 de abril de 1990,com efeito idêntico à chuva de 1966, enchente no Parque do Flamengo observação dos mapas do Rioatingiu os bairros da Zona Norte, com 165mm/24 horas e, em 7 de de Janeiro, no início daprincipalmente a Tijuca; maio, outra chuva com 103mm/24 colonização e compararmos• Em 26 de fevereiro de 1971, 17 horas, provocaram mortes no Glória e no Maracanã; com a época atual. Ode janeiro de 1973, 4 de janeiro de1975 e 1 de maio de 1976, enchentes • Em 5 de janeiro de 1992, estreitamento sofrido pela fozcom chuvas variando de 125 a temporal com 132mm/24 horas do Canal do Mangue com os150mm/24 horas provocaram afetou o Maracanã e toda a Zona aterros para construção dodesmoronamentos e impediram a Norte da Cidade;circulação na Cidade; • Em 27 de fevereiro, 6 de março, Cais do Porto, fizeram com• Em 8 de dezembro de 1981, 12 de março e 19 de março de 1993, que o escoamento pelochoveu quase 15% do total médio chuvas de grande intensidade, com mesmo ficasse mais lento. Aanual, com deslizamentos em toda duração média de 6 horas,a Cidade e transbordamento de rios provocaram paralisações do boca do canal que, segundo ose canais em Jacarepaguá; transporte da Cidade; cronistas, possuía mais ou• Em 3 de dezembro de 1982, • Em 9 de junho de 1994, menos 500m de largura,apesar da pouca intensidade da enchente no J. Botânico, com chuva de cerca de 100mm, interrompeu o passou a ter menos de 30chuva, ocorreram transbordamentosno Rio Faria Timbó; acesso à Zona Sul da Cidade; metros.82
  • 83. Principais Obras de Controle de Enchentes Região Hidrográfica da Desse período até 1931, novas comissões se sucederam Baía de Sepetiba na execução de obras semelhantes que perdiam eficácia em curto prazo. A Baixada de Sepetiba Em 1933, a recém criada Comissão de Saneamentoé drenada por uma série de da Baixada Fluminense elaborou planos de saneamento paracursos de água, sendo o mais a Baixada de Sepetiba, com a finalidade de drenar as áreasimportante, o Rio Guandu – alagadiças e promover a ocupação, através da agricultura.Canal de São Francisco. O DNOS executou, entre 1935 e 1941, os serviços e O baixo curso do obras previstas no referido plano. Esse conjunto de intervençõesGuandu e de outros rios é considerado, desde então, o maior na região, para controlemenores que deságuam na das enchentes.Baia de Sepetiba, área As ações contemplaram os trechos fluviais da baixadacompreendida entre Itacuruçá do Canal de São Francisco e Rios Guandu, da Guarda, rios dae Guaratiba (Município do Rio atual Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro e outros emde Janeiro), foram alvo de pequenas bacias, em Mangaratiba.diversas obras de drenagem e No período, foram construídos diques longitudinais deendicamentos, desde o tempo terra, ao longo do Canal de São Francisco e do Rio Guandu-açu,da Sesmaria dos Jesuítas. desde a antiga Estrada Rio - São Paulo até as respectivas Já naquela época desembocaduras.(1729 – 1759), as águas do Rio Foram concluídas dragagens em cerca de 270km deGuandu foram desviadas para cursos de água, abertos 620km de valetas e erguidos 50km deo Rio Itaguaí e abertas as Valas diques de proteção.do Itá e São Francisco, A ocupação e impermeabilização de novas áreasparalelas ao Guandu, além de somadas à falta de manutenção das calhas, levaram a SERLA,diversos canais transversais de em 1979, a contratar a elaboração do Plano Diretor deirrigação e drenagem. Macrodrenagem da Baía de Sepetiba, que, no entanto, não foi Por se tratar de uma executado.região muito baixa, com Atualmente, tanto a SERLA como a Prefeitura da Cidaderelação ao nível das águas da do Rio de Janeiro, atuam na área, com pequenas obras deBaía de Sepetiba, sua limpeza e canalização.ocupação só foi possível Apesar de todo o investimento ao longo dos anos,depois de inúmeras obras que transformando a região numa verdadeira teia de canais e valetas,tiveram início em 1920, sob a a um custo ambiental elevado, dada a eliminação de extensasresponsabilidade da Comissão áreas de brejo, desfiguração da mata ciliar e de parte dosFederal de Estudos para manguezais, a área ainda oferece ameaça de inundaçãoDesobstrução do Rio significativa, principalmente na coincidência de períodosGuandu e seus Afluentes. chuvosos e maré alta. 83
  • 84. Região Hidrográfica da Baía de Guanabara A necessidade de expansão da malha urbana da Cidade do Rio de Janeiro, no final do século passado, foi o principal motivo para o início das grandes intervenções que alteraram o padrão natural de drenagem das terras baixas no entorno da Baía de Guanabara. A extensa área, rica em manguezais, brejos e várzeas, situada entre Meriti e Guaxindiba, foi ocupada, gradativamente, à medida que as obras de drenagem e dragagem avançavam, acompanhando a abertura de novas vias de acesso. As primeiras obras tiveram início em 1894, sob o comando e orientação da Comissão de Estudos e Saneamento da Baixada e se Cabe ressaltar a existência do Sistema Light de Geração estenderam até 1900.de Energia Elétrica, que altera o regime de vazões naturais do Rio Na realidade, essasGuandu. É responsável pela injeção na Bacia do Guandu, de até iniciativas beneficiaram terras189 m3/s, desviados da Bacia do Rio Paraíba do Sul, pelas de grandes proprietários, para 3Estações Elevatórias de Santa Cecília (160m /s), no Rio Paraíba fins agrícolas e navegação dosdo Sul, e Vigário, no Rio Piraí, afluente do Paraíba pela margem rios. Na época, foramdireita, que teve o curso desviado. alargados, aprofundados e O Sistema é composto pelos Reservatórios de Santa retificados, trechos do CanalCecília, Santana, Vigário e Tocos, na vertente do Paraíba do Sul da Piedade e dos Rios Estrelae Ribeirão das Lajes e Ponte Coberta, na Bacia do Rio Guandu. e Imbariê.A operação integrada desses reservatórios é voltada para Posteriormente, nogeração de energia nas Usinas Hidrelétricas de Nilo Peçanha e período 1910 – 1916, a ComissãoFontes Nova, situadas logo a jusante da Represa de Ribeirão Federal de Saneamento edas Lajes e, posteriormente, na Usina de Pereira Passos, no Desobstrução dos RiosRio Guandu.84
  • 85. que Deságuam na Baía de aberto numa extensão de sob as condições geométricasGuanabara atuou de forma 2,1km; impostas às calhas dos rios,ampla na região, alterando, em Rio Suruí – retificação, intensificaram o processo dedefinitivo, a configuração física alargamento e dragagem erosão e sedimentação. Asdos trechos inferiores dos de 1,5km do trecho inferior, obras tornaram-se inúteis emprincipais rios afluentes à Baía. junto à desembocadura na pouco tempo e mais Contratada pela Baía; investimentos foramreferida Comissão Federal, a Rio Guapi – retificação, necessários.empresa de Melhoramentos da alargamento e dragagem, No início dos anos 30,Baixada Fluminense efetuou as numa extensão de 5,8km; a drenagem deficitária e asseguintes obras (Amador, Rio Macacu – retificação, inundações crônicas das áreas1997): dragagem, alargamento e baixas, levaram o Governo Rio Meriti – retificação, aprofundamento de 3,8km, Federal a criar, em 1933, a alargamento e dragagem passando a 60m de Comissão de Saneamento de 2,2km junto à largura e 2,5m de da Baixada Fluminense. desembocadura; profundidade média. Novas dragagens, Rio Sarapuí – retificação Posteriormente, esse retificações e alargamentos até a Estrada de Ferro trecho foi interligado ao Rio seriam realizados com o único Leopoldina e interligação Guaxindiba, através do propósito de, a princípio, com o Rio Iguaçu, através Canal do Furado, aberto melhorar as condições de da abertura de um canal artificialmente. drenagem, permitir a ocupação artificial; Na realidade, essas ações de novas terras e combater o Rio Iguaçu – retificação, não devem ser consideradas mosquito transmissor da alargamento e dragagem como obras de controle de malária. de 2,7km; enchentes, pois tinham por A referida Comissão Rio Estrela – retificação, único objetivo: tornar secos os ampliou suas atividades e foi a alargamento e terrenos úmidos marginais, justificativa para que, em 1934, aprofundamento de 2,8km. ainda não ocupados. o Governo criasse o Em 1913, o trecho sofreu A transformação do Departamento Nacional de nova intervenção com o cenário natural trouxe graves Obras de Saneamento - aumento da extensão conseqüências à natureza dos DNOS. retificada. A largura passou ecossistemas, pela alteração O DNOS prosseguiu na para 50m; da circulação das águas adoção das mesmas soluções Canal Inhomirim – canal estuarinas, da salinidade, da de engenharia para o controle artificial aberto numa erosão e da sedimentação. das enchentes e inundações. extensão de 3,24km, com A continuidade do Em 1947, foram iniciadas 40m de largura; desmatamento e o avanço da as intervenções que iriam Canal Saracuruna – urbanização, geraram novas descaracterizar a drenagem afluente pela margem características dos natural da parte baixa da Bacia direita do Rio Estrela, foi hidrogramas de enchente que, do Rio Caceribu e Macacu. 85
  • 86. Até então, o Macacu era afluente do Caceribu pela Em 1979, o Programamargem direita. A região do baixo Caceribu sofria inundações de Erradição da Sub-naturais sobre extensas áreas de manguezal e de várzeas. habitação – PROMORAR, As elevadas declividades dos cursos de água, na região criado e conduzido pelo entãoalta da Bacia do Macacu, criavam condições propícias para a Ministério do Interior, visava arápida formação das enchentes, fato que intensificava o potencial atender os moradoresde inundação das áreas marginais do baixo Caceribu. assentados sobre palafitas, em áreas alagadas ou alagáveis. Coube ao DNOS, mais uma vez, sanear e recuperar tais áreas e, ao extinto Banco Nacional de Habitação – BNH, financiar as obras. O PROMORAR tinha como linha mestra de ação, criar grandes aterros sobre terrenos sujeitos a inundação ou alagados, mantendo os moradores no mesmo local. Extensas áreas do espelho de água da Baía de Guanabara foram aterradas, permitindo o avanço da urbanização sobre terrenos frágeis, praticamente ao nível Para evitar tal cenário e permitir a ocupação das terras, o das águas da Baía e sujeitosDNOS abriu, artificialmente, o Canal de Imunana, interligando o aos trasbordamentos doscurso do Rio Macacu, logo a jusante da confluência com o Guapi- trechos inferiores dos rios queaçu, com o Rio Guapimirim. tiveram seus cursos Outras intervenções estavam programadas pelo DNOS prolongados.no âmbito do Projeto Fundo da Baía de Guanabara, visando, Foram 11 milhões deexclusivamente, a drenagem das terras, sem uma preocupação m 3 de aterro hidráulico e 7maior com a componente ambiental. milhões de m 3 de aterro Depois de árdua luta travada por ambientalistas, mecânico, com a criação definalmente, em 1984, foi criada a Área de Proteção Ambiental de 2,7km 2 de área para novasGuapimirim. habitações, junto aos Ainda no período entre 1947 e 1957, a Bacia do Caceribu segmentos de jusante dossofreu intervenções semelhantes. O curso principal teve cerca trechos inferiores,de 36km retificados, bem como vários trechos de seus principais principalmente dos Rios Irajá,afluentes. São João de Meriti e Iguaçu.86
  • 87. Ao longo do baixo cursodo Rio Sarapuí foramconstruídos diques laterais e,pela margem direita,estendendo-se por 1,5km, umcanal auxiliar interceptandopequenos afluentes e valões,com área de contribuição totalcerca de 15km2. Atualmente,parte desses diquesapresentam cotas decoroamento insuficientesdecorrentes de recalqueslocalizados ou da retirada deterra por terceiros. Pela margem esquerdado Sarapuí, no trecho hojecompreendido entre asAvenidas Presidente Kennedye a Automóvel Club, foramconstruídos diversos pôlderespara confinar parte das águaspluviais em reservatóriospulmão, reduzindo os riscosde ocorrência deextravasamento do RioSarapuí, principalmente nosperíodos de maré alta na Baíade Guanabara. No início de 1982, apósas inundações que causaramgrandes danos às populaçõesda Região Serrana e BaixadaFluminense, o então Ministériodo Interior encarregou aoDNOS, a execução doPrograma de Controle deEnchentes e Combate àErosão da Região Serrana eBaixada Fluminense – RSBF. 87
  • 88. O DNOS passou a atuar, novamente, executando obras de defesa contra erosão econstruindo pontes no Município de Magé (Rios Suruí, Caioaba, Conceição, Branco, Roncador eseus afluentes). O cenário de calamidade pública que se configurou na Cidade do Rio de Janeiro e BaixadaFluminense, logo após as chuvas intensas e duradouras do verão de 1988, foi o suficiente paraque, em condições emergenciais, o Governo do Estado tomasse empréstimos da ordem de US$150 milhões, junto à Caixa Econômica Federal – CAIXA e ao banco Mundial – BIRD. Surge o Programa Reconstrução-Rio, constituído de várias componentes setoriais, comênfase na drenagem. No âmbito deste componente, obras de micro e macro drenagem foramrealizadas nas Bacias dos Rios Sarapuí, Pavuna, Meriti, Iguaçu, Botas, Inhomirim, Estrela, Canaldo Cunha e outros (dragagem, canalizações, proteção de margens, remanejamento de populaçãoe substituição de pontes e equipamentos públicos). A mais importante obra do Programa Reconstrução-Rio foi a barragem de laminação decheias do Rio Sarapuí, em Gericinó (Município de Nilópolis), tendo sido incluída no elenco deintervenções do Projeto de Macro e Mesodrenagem das Bacias dos Rios Sarapuí e Pavuna-Meriti,sob responsabilidade da Serla. A barragem, composta de dois trechos laterais em terra e uma estrutura central de concreto,tem por finalidade, o amortecimento dos picos dos hidrogramas de enchente afluentes à regiãourbana da Bacia do Rio Sarapuí.88
  • 89. A bacia de acumulação criada pela barragem, situa-se No caso de chuvasdentro dos limites do Campo de Gericinó, área de treinamento excepcionais e possíveldo Exército. falha operacional dos As contribuições ordinárias a montante da obra fluem descarregadores, as águasnormalmente no leito do Sarapuí, passando pela barragem serão liberadas para jusanteatravés dos orifícios de descarregadores de fundo, situados na pelo vertedouro existente noparte inferior da estrutura de concreto. Comportas permitem topo da estrutura de concreto.controlar a vazão máxima liberada para a área urbana de Nilópolis, Aproveitando asa jusante, compatível com a capacidade de escoamento da calha mesmas idéias que permitiramdo Rio Sarapuí. Acima da vazão mantida pelos mecanismos de a concepção da solução decontrole, as águas das enchentes são armazenadas dentro da engenharia para o controle dasbacia de acumulação, inundando, temporariamente, o Campo inundações na área urbana dede Gericinó. Nilópolis, a SERLA projetou e construiu uma barragem semelhante, no Rio Pavuna, utilizando também o Campo de Gericinó como bacia temporária de acumulação dos volumes excedentes. As duas bacias foram interligadas por um canal de 720m de comprimento, com o propósito de permitir o aumento da capacidade de armazenamento do conjunto das duas bacias de acumulação. Acima de uma determinada cota, as águas retidas pela Barragem do Rio Sarapuí são compartilhadas com a bacia de retenção formada pela Barragem do Pavuna. 89
  • 90. Bacia do Rio São João IBGE e é dotado, na parte central, de um vertedouro-barragem de concreto armado. O vertedouro é do tipo labirinto com 4 Com a justificativa de elementos, totalizando 710m de extensão.controlar as enchentes, limitar Em ambos os lados, foram construídas, em cotas maisa extensão das áreas baixas, duas tomadas de água, controladas por stop-logs, ainundáveis e proporcionar a montante e comportas a jusante.ocupação das terras marginais A obra de represamento ampliou a área do antigo espelhodo baixo curso do Rio São d’água da Lagoa de Juturnaíba, de 5,56km2 para 30,96km2, istoJoão, o DNOS entregou à é, aproximadamente 5 vezes mais que a configuração natural.sociedade, no início dos anos A antiga lagoa acumulava, em média, cerca de 10 milhões80, o Dique-barragem e oconseqüente Reservatório de de m3 e possuía geometria superficial retangular, com 1.6km deJuturnaíba. largura, por 3.7km de comprimento, apresentando profundidade Localizado entre os média de 4m.Municípios de Araruama e Silva O atual reservatório possui forma irregular, comJardim, tinha o propósito de comprimento máximo de 17km e é capaz de armazenar em tornolaminar os hidrogramas de de 100 milhões de m3 de água.enchente para o curso inferior Paralelamente à construção da barragem, vários cursosdo Rio São João e possibilitar de água sofreram retificação, alargamento e aprofundamento.a regularização dos volumes Ao longo da região do baixo São João, o DNOS construiu umafluentes, garantindo vazões “canal de saneamento” cuja extensão é 52% menor que a dapara a irrigação de áreas calha natural, com aproximadamente 24km, interligando a saídaselecionadas pelo Programa da bacia de dissipação da Barragem de Juturnaíba com o trechoNacional do Álcool e outras de inicial do curso inferior. O canal de saneamento cortou osdiferentes cultivos e, ainda, meandros naturais do Rio São João que hoje se constituem emsustentar as demandas paraabastecimento público calhas abandonadas.domiciliar e industrial. Da mesma forma, os afluentes que desenhavam O projeto foi incluído, meandros pela planície aluvionar de inundação, foram retificadosem 1975, no Programa durante e após a construção da barragem.Especial de Controle de As obras do DNOS, da mesma forma que na BaixadaEnchentes e Recuperação Fluminense, causaram grandes impactos ambientais em trocade Vales, entregue ao DNOS, da recuperação de extensas áreas improdutivas, alagadiças eem 1976, que concluiu a obra sujeitas a inundação.em 1984. O início do Atualmente, o corpo da barragem, estruturas auxiliares eenchimento do reservatório se equipamentos do Dique-barragem, bem como os cursos de águadeu em 1982. retificados encontram-se em estado de conservação precário. O Dique-barragem tem3.46km de extensão, sua Em decorrência da falta de manutenção, a obra apresentacrista está na cota 11, em problemas de ordem estrutural, isto é: infiltrações;relação ao zero do deslocamentos superficiais da camada de concreto, em vários90
  • 91. pontos da crista do vertedouro; problemas graves nos canais laterais de fuga, como fissuras,trincas e colapso de parte dos muros terminais; lasca nos pilares de sustentação das comportase constatação de erosão retroprogressiva a jusante da bacia de dissipação de energia. Atualmente, o dique-barragem não cumpre a função de laminação dos hidrogramas deenchentes críticos, uma vez que há necessidade de investimentos para recuperar os mecanismose estruturas de regularização e controle. As comportas, mesmo emperradas, são operadas pela Prefeitura de Silva Jardim, cujocritério é desconhecido e não atende à bacia hidrográfica a jusante. Dentro do contrato de concessão das águas do reservatório para abastecimento domiciliarda Região dos Lagos, a concessionária Águas de Juturnaíba ficou responsável pela realização deserviços de manutenção do dique-barragem. Tais serviços não são claramente discriminados nocontrato e não tem o propósito de estabelecer regras operacionais para as estruturas eequipamentos visando o armazenamento e regularização dos volumes afluentes. 91
  • 92. Bacia do Rio Macaé Haviam estudos à época para implantação de uma barragem Ao final da década de 60 e durante o início dos anos 70, próximo da localidade de Ponteo DNOS efetuou obras de dragagem, retificação e alargamento Baião, na altura do trecho finalde vários cursos d’água na região do Baixo Macaé. do curso médio do Rio Macaé. Na época, foi aberto um canal retilíneo, de A obra tinha poraproximadamente 26km, ao longo da margem esquerda do Rio objetivo laminar as enchentesMacaé, desabilitando os meandros da calha natural e drenando críticas e regularizar as vazõesáreas alagadiças da planície aluvionar. durante períodos de estiagem. A pretensão do DNOS e do INCRA, detentor das áreas,estava voltada para a recuperação de áreas alagadiças e várzeas, Baixo Curso do Paraíbapermitindo o aumento do cultivo do arroz, cana de açúcar e do Sulcítricos, reduzindo a pecuária. Desenvolvia-se a idéia de um planoagropecuário a ser integrado com a Bacia do Rio São João. As muitas inundações As intervenções do DNOS, à semelhança daquelas que atingiam a Baixada dosexecutadas no baixo São João e tributários, trouxeram impactos Goitacazes, decorriam dosambientais irreversíveis, como a diminuição de pescado, em periódicos extravasamentosdecorrência da redução das áreas de postura e o da calha do Rio Paraíba do Sul.desaparecimento parcial de extensas várzeas dotadas de Em 1966, se deu a maiorvegetação natural. inundação observada na região, com uma vazão máxima estimada em 6000m3/s, tendo as águas do Paraíba ultrapassado e destruído vários trechos dos antigos diques existentes. As conseqüências para a economia foram sérias, arruinando toda a safra de cana de açúcar, paralisando as usinas e atingindo duramente a Cidade de Campos e periferia. Os efeitos catastróficos da enchente, motivaram a liberação de verbas e o inicio da maior obra de controle de inundações da Baixada dos Goitacazes.92
  • 93. O DNOS, responsável pela execução dos serviços, As mais importantes,apresentou um plano de obras que visava, principalmente, pela margem direita, são asconcluir os diques da margem direita do Paraíba, inverter o fluxo tomadas para o Canalde todos os canais afluentes, no sentido da Lagoa Feia, e esgotar Campos – Macaé, com oa Lagoa, por meio de um único canal (Canal da Flecha) propósito de possibilitar adiretamente ao mar, pela Barra do Furado. manutenção do nível da Lagoa O projeto foi concebido de modo a confinar as águas do Feia e irrigação das áreasParaíba em sua calha, por meio de diques, e drenar toda as marginais e, as dos Canaiscontribuições da margem direita para a Lagoa Feia, que Itereré e Coqueiros, tambémfuncionaria como reservatório de compensação, ligado ao mar direcionadas para irrigação.por um canal de descarga. Ao longo da margem Em 1975, essas obras estavam praticamente concluídas. esquerda, destaca-se aPosteriormente, no âmbito do Programa Especial de Controle tomada do Canal Vigário, comde Enchentes e Recuperação de Vales, o DNOS implantou o objetivo de regularização doum sistema de comportas no Canal da Flecha, permitindo a nível da Lagoa do Campelo eregularização dos níveis da Lagoa Feia e limitando a penetração irrigação.da água do mar, nas marés altas. As tomadas d’água Também foram construídas 6 tomadas d’água reforçam as contribuiçõescontroladas por comportas no Rio Paraíba do Sul, que passaram nesses canais principais que,a utilizar, nos períodos de estiagem, as calhas de seus antigos por sua vez, sofrem inúmerastributários, agora com o sentido do fluxo invertido, como canais derivações para canaisde irrigação de extensas áreas de plantio de cana de açúcar. secundários, perfazendo, no total, cerca de 1300km de extensão. Atualmente, a maior parte está sem manutenção e em estado de abandono. Algumas tomadas ainda são mantidas e operadas em função dos interesses de alguns usineiros e agricultores, não havendo regras pré- estabelecidas. Os 65km de diques construídos pelo DNOS permitem uma sobre- elevação do nível d’água do Rio Paraíba, em até 5m acima da situação média, sem transbordamento. A obra 93
  • 94. da margem esquerda, está suprir parte das necessidades associar vazões máximas aabandonada e a da direita, por operacionais do Sistema Light uma dada probabilidade deser um dique-estrada, está em de geração de energia elétrica. ocorrência e, emmelhores condições. conseqüência, à localização e Em janeiro de 1997, Áreas Inundáveis no ao tamanho da área inundada. Estado do Rio de Janeirodurante longo período chuvoso, Usualmente, as vazõesa população de Campos foi máximas, a cada ano, são A divulgação daameaçada com o rompimento selecionadas a partir das localização e delimitação dasdo dique da margem esquerda observações realizadas áreas sujeitas a inundação e osem dois pontos. através das estações riscos associados, é uma A Cidade de Campos já fluviométricas. O tratamento prática adotada pelo Podernão sofre as inundações do estatístico desses valores Público em muitos países.passado, com a mesma extremos determina a Nas bacias aindaintensidade. A implantação da probabilidade de que um dado pouco ocupadas é uma valor de vazão seja igualado, ouUsina Hidrelétrica de Funil, em ferramenta importante no excedido, durante um certo1969, junto à fronteira dos planejamento do uso do solo, intervalo de tempo. Essa vazãoEstados de São Paulo e Rio de permitindo estabelecer poderá ocorrer a cada ano,Janeiro, tornou-se uma aliadana laminação dos hidrogramas critérios para o zoneamento com a mesma probabilidade e,de enchente gerados no das terras e a seleção dos pelo menos uma vez, ao longoterritório paulista. Apesar de futuros usos e obras de do intervalo de tempoestar voltada para geração de controle. considerado. Esse intervalo deenergia elétrica, a operação do As áreas de inundação tempo é chamado de temporeservatório permite, em dependem da capacidade de de recorrência ou períodosituações críticas, a exemplo escoamento do leito do rio em de retorno.das enchentes de janeiro de função das vazões geradas No Estado do Rio de2000, armazenar grandes pelas chuvas. Essas áreas Janeiro ainda não se adota avolumes de água, naturais de inundação prática de identificação eregularizando as vazões cumprem importante papel no divulgação da localização ecompatíveis com a capacidade amortecimento e na retenção magnitude dessas áreas e osda calha do Rio Paraíba do Sul, das águas das enchentes. respectivos riscos associados.a jusante. Vazões e volumes A dinâmica que envolve Outro fator positivo, sob máximos observados na esses processo requer ao ponto de vista de redução mesma unidade de tempo, sistemática observação dosdas vazões em tempos durante longos períodos, são eventos pluviométricos, doschuvosos é o bombeamento relacionados com as estudos dos hidrogramas de 3de 160m /s, na Estação dimensões e localização das enchentes gerados e oElevatória de Santa respectivas áreas inundadas. mapeamento das áreasCecília, em Piraí, para Estudos estatísticos permitem naturais de inundação.94
  • 95. Por outro lado, pode-se obter informações sobre a questão, nos resultados de estudos epesquisas fruto de iniciativas isolados do Poder Público e do setor acadêmico. De uma maneira geral, é possível afirmar que, no Estado do Rio de Janeiro, essas áreasdistribuem-se ao longo dos trechos inferiores dos rios que nascem na Vertente Atlântica da Serrado Mar, percorrendo extensas planícies flúvio-marinhas, sujeitas a elevado índice pluviométrico,onde o processo de ocupação do solo foi inadequado às condições naturais do ambiente. Região Contribuinte à Baía de Guanabara Em 1989, por iniciativa da Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas– SERLA, foi desenvolvido o estudo “Detecção de Áreas de Riscos de Inundações da Regiãoda Baía de Guanabara”. O trabalho, que apresenta resultados a nível macro-regional, baseou-seno cruzamento de informações sobre uso do solo, obtidas a partir de interpretação de imagens desatélite, com informações sobre áreas potencialmente inundáveis. Essas áreas foram classificadassegundo as seguintes características físicas: forma, relevo e permeabilidade do solo da baciahidrográfica e declividade, mudança brusca de direção, cotas altimétricas e pontos deestrangulamento das calhas dos rios. Para definir o grau de criticidade de uma área em função do seu potencial de inundação,propôs-se 5 níveis: 95
  • 96. A densidade de ocupação baseou-se na comparação da situação existente com padrõespreestabelecidos pelos autores do trabalho para cada caso:96
  • 97. As bacias hidrográficas estudadas As cabeceiras situam-se logo a montante doforam as mesmas objeto do Programa Campo de Gericinó. Nessa parte da Bacia,Reconstrução Rio, realizado pela SERLA, encontram-se pequenos núcleos de ocupaçãoapós as chuvas intensas de fevereiro de urbana de baixa densidade. A jusante do1988. O resumo das principais observações Campo, o Rio drena região densamenteapontadas à época (antes das intervenções urbanizada, onde se concentram as áreasdo Programa) foram: críticas. Principais causas das freqüentes inundações:1. Bacia do Cunha – Localizada no Município do alta impermeabilização, diversos pontos de Rio de Janeiro, tem como principais estrangulamento e a influência das marés, formadores, os Rios Jacaré, Faria e Timbó. principalmente no trecho após a confluência A área crítica desenvolve-se ao longo das com o Rio Acari, quando passa a se chamar margens do Rio Faria, no trecho a montante da São João de Meriti. confluência com o Timbó, até a seção logo a jusante da confluência com o Jacaré, onde se 4. Bacia do Sarapuí – Abrange parte dos Municípi- observou média densidade de ocupação os do Rio de Janeiro, onde tem suas nascen- urbana. Possíveis causas das inundações: tes, Nova Iguaçu, Nilópolis, São João de Meriti alguns pontos de estrangulamento de seção e e Duque de Caxias. Os principais afluentes são uma inflexão de 90o próximo à ferrovia. os Rios das Tintas, Sardinha, do Prata e Dona Eugênia.2. Bacia do Acari – Localiza-se no Município do O curso superior apresenta rede de drenagem Rio de Janeiro. O Rio Acari, afluente do São bem ramificada e encaixada, percorrendo área João de Meriti pela margem direita, tem como com vegetação arbustiva. O trecho médio atra- principais contribuintes, os Rios das Pedras, vessa bairros populosos como Vila Kennedy, Sapopemba, Marangá, Piraraquara, Catarina, Senador Camará, Vila Aliança, Bangu e Mes- Merim e dos Afonsos. quita. A rede de drenagem, no curso superior, é densa Após a confluência com o Rio Sardinha, o e bem encaixada. As áreas críticas localizadas Sarapuí atravessa o Campo de Gericinó, onde nos cursos médio e inferior, prolongam-se predomina vegetação herbácea/arbustiva. desde próximo à confluência dos seus As áreas críticas surgem logo após os limites formadores, Afonsos e Marangá, até sua do Campo, até a sua desembocadura no desembocadura no São João de Meriti. As Iguaçu. A ocupação urbana tem densidades inundações estão associadas, segundo a média e alta. SERLA, a estrangulamentos de seção, curvas e confluências. As áreas encontram-se 5 Bacia do Iguaçu – Abrange parte dos Municípios altamente ocupadas. de Nova Iguaçu e Duque de Caxias. Tem como principais afluentes os Rios das Botas, das3. Bacia do Pavuna / Meriti – A Bacia tem forma Velhas, Capivari, Pilar e Calombé. alongada e engloba parte dos Municípios do As áreas junto às nascentes apresentam Rio de Janeiro, São João de Meriti e Duque de declividades bastante acentuadas, com solo Caxias. pouco permeável, o que resulta em elevada 97
  • 98. percentagem de escoamento superficial e rápida concentração das vazões no período de chuvas intensas. As áreas críticas iniciam-se próximo à confluência dos Rios Iguaçu e Botas, onde o gradiente de declividade é menor. A ocupação urbana da Bacia é heterogênea, apresentando áreas densamente urbanizadas e campos com vegetação herbácea, inseridos no vetor de crescimento da mancha urbana. As principais causas das inundações se devem ao regime torrencial dos cursos de água junto às cabeceiras, pontos de estrangulamento e ângulos de confluência alterados pela ocupação inadequada.6 Bacia do Saracuruna – Abrange parte dos Municípios de Duque de Caxias e Petrópolis. A partir da confluência com o Inhomirim, passa a se chamar Rio Estrela. Os formadores do Rio Saracuruna têm suas cabeceiras nas escarpas da Serra do Mar, com acentuada declividade e alta densidade de drenagem. O início da área de planície coincide com os primeiros núcleos urbanizados, onde as inundações são decorrentes, principalmente, da baixa declividade e de estrangulamentos.7 Bacia do Inhomirim – Abrange parte dos Municípios de Duque de Caxias, Petrópolis e Magé. O principal afluente é o Caioaba-Mirim que, como o Saracuruna, tem as nascentes nas escarpas da Serra do Mar, com elevadas declividades. As áreas críticas somam-se àquelas do Saracuruna na planície fluvio-aluvionar, formando praticamente uma única mancha. Estrangulamentos gerados por travessias inadequadas e as baixas declividades são os principais responsáveis pelos extravasamentos. A densidade de ocupação foi classificada entre baixa e média.98
  • 99. O quadro, fornece detalhes da localização das áreas: 99
  • 100. Com a conclusão do Programa Reconstrução-Rio, grande parte das áreas apontadas no estudo, passaram aapresentar nova configuração espacial, diminuindo suas dimensões.As barragens construídas nos Rios Sarapuí e Pavuna, por exemplo, amortecem os hidrogramas de enchente pelareservação temporária das águas excedentes no Campo de Gericinó protegendo as áreas a jusante contra enchentesfreqüentes (até eventos de uma recorrência de 50 anos).Vale mencionar que enchentes superiores podem ocorrer a qualquer momento e por isso a população ribeirinhadeve estar consciente do risco ainda existente.100
  • 101. Paralelamente à execução das ultimas intervenções previstas no Programa Reconstrução-Rio, desenvolveu-se, em acordo com o BIRD, o “Projeto Iguaçu”, coordenado pela SERLA. OProjeto abrangeu o diagnóstico detalhado da bacia e proposição de ações não estruturaiscomplementares às já realizadas. Com base nas manchas de inundação remanescentes, já considerados os benefícios dasobras realizadas no Reconstrução-Rio, os responsáveis pelo Projeto, com o apoio do Comitê deAcompanhamento do Projeto Iguaçu, identificaram trechos de rios que poderiam ser priorizadoscom dragagens complementares e outras ações tais como, modificação de traçado,reassentamento de moradores das áreas marginais e construção de barragens de controle deenchentes e outros. O mencionado Comitê, integrado por representantes das áreas afetadas e dos PoderesPúblicos Estadual e Municipais da Bacia, ainda permanece ativo, no acompanhamento das açõesgovernamentais na região e na busca de financiamento para as intervenções previstas no PlanoDiretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Iguaçu - Sarapuí, Ênfase: Controle deInundações (agosto de 1996). Em 1999, a SERLA elaborou o Mapeamento dos Principais Pontos Críticos e Locaisde Inundação da Rede Hidrográfica da Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.O trabalho se baseou em reclamações da população, relatórios de vistorias encontrados emprocessos administrativos e em constatações durante visitas de inspeção. O mapa identifica cerca de 700 pontos relativos, não só aos locais sujeitos a inundação,como também, as possíveis causas: pontes ou travessias subdimensionadas, seçõesestranguladas, traçado inadequado ou curva acentuada, travessias de adutoras, muralhas caídas,sistema de comporta em más condições de funcionamento, ausência ou insuficiência de rede demicrodrenagem e áreas para construção ou recuperação de pôlderes. 101
  • 102. Região Contribuinte ao Sistema Lagunar de Jacarepaguá Segundo informação da Agência Regional da SERLA, diversos são os corpos hídricos quemerecem atenção do Poder Público devido aos freqüentes transbordamentos e inundações nasáreas de risco com elevada densidade populacional, tendo como causas, principalmente, asconstruções marginais irregulares e o descarte de lixo diretamente nos corpos de água. Os maiscríticos são: O Canal de Sernambetiba, ligado ao Sistema Lagunar de Jacarepaguá, através do RioMorto, drena extensa planície fluvio-aluvionar, no Recreio dos Bandeirantes. Os alagamentosfreqüentes, decorrem da dificuldade de escoamento, não só pela baixa declividade, como também,pela constante obstrução da embocadura junto ao mar. Na tentativa de estabilizar a ligação do canal com o mar, foi construído um guia correntes.Essa estabilidade, no entanto, não foi conseguida. As correntes marinhas transportam areia parajunto da saída do canal, havendo necessidade de manter uma draga constantemente no local. A população atingida é da ordem de 5000 habitantes. Região Contribuinte à Baía de Sepetiba No período de 1997 a 1998, foi realizado, pela então Secretaria de Estado de Meio Ambiente- SEMAM, em convênio com o Ministério do Meio Ambiente - MMA, no âmbito do Plano Nacional doMeio Ambiente - PNMA, o “Macroplano de Gestão e Saneamento Ambiental da Bacia deSepetiba”. O Macroplano apresenta, por município, diagnóstico da drenagem e aponta áreas críticas,definidas como aquelas cuja freqüência de inundação é anual. As causas dos extravasamentos e dos conseqüentes prejuízos, estão relacionadas àocupação indevida das margens e desordenada do leito maior dos cursos de água, obstrução daseção de escoamento e de talvegues, lixo descartado e/ou carreado das margens para a calha eassoreamento dos cursos principais, pelo acúmulo de material proveniente das encostas, apósfortes enxurradas.102
  • 103. 103
  • 104. Áreas Críticas: longo do Rio Macacos a montante do CIEP até a foz do Rio do Liro, numa extensão de cerca1. Rio de Janeiro - A área do Município do Rio de de 3km. Janeiro contribuinte á Baía de Sepetiba, era ori- ginalmente alagadiça. Sua ocupação só foi pos 5. Japeri - O Município reúne a maioria dos agentes sível depois da abertura de muitos canais e valas, responsáveis pelos extravasamentos, ou seja, iniciada ainda, no tempo da Sesmaria dos Jesuítas. desmatamento, ocupação desordenada das Atualmente, após as obras do Programa de encostas, acúmulo de lixo nos cursos de água, Saneamento para Núcleos Urbanos - PRONURB, travessias inadequadas, bueiros insuficientes, do Ministério da Ação Social, conduzido pela etc. Prefeitura, as inundações são menos freqüentes. As principais áreas críticas são: Bairro Virgem de Fátima; bairros situados entre a antiga Via Férrea2. Paracambi - A área crítica de maior preocupação e a RJ-125; Bairros do Chacrinha - trechos leste e se estende para montante, pelo Rio Macacos, oeste, do Alecrim, Parque Guandu e Jardim desde a confluência com o Ribeirão das Lajes, até Marajoara. os Bairros BNH e Nova Era. Destacam-se também A área inundável no núcleo urbano do Município os trechos referentes aos Canais da Guarajuba e foi estimada em 3,7km2. A população ameaçada Dr. Eiras e o Rio Sabugo, junto á travessia. A pelas inundações freqüentes é da ordem de população na área é da ordem de 11.000 10.000 habitantes. habitantes, referida a 1996.3. Queimados - As áreas mais criticas do Município 6. Mangaratiba- Os rios mais problemáticos são: da estendem-se ao longo dos Rios dos Poços, Abel Draga, Catumbi ou Muriqui, da Prata e do Saco. e Camorim. No Rio Queimados, vários trechos A área inundável é estimada em 2km2 e a estão assoreados, em decorrência da população atingível, de aproximadamente 5200 modificação do leito do rio pela extração habitantes. desordenada de areia para a construção civil. Os Distritos mais prejudicados são: Itacuruçá (Rio Esse fato vem reduzindo a capacidade de da Draga); Muriqui (Rio Catumbi e da Prata); escoamento, potencializando os extravasamentos Sede do Município (Rio do Saco). Os Bairros da de calha. Praia do Saco e Ranchito são os que oferecem maior preocupação.4. Paulo de Frontin - A área do Município localizase em região de serra, com significativa 7. Itaguaí – O Município está localizado às margens da percentagem de remanescentes da Mata Baía de Sepetiba, com grande percentagem de seu Atlântica. Dada a topografia, a drenagem no território em área de baixada, drenada por diversos trecho urbano é satisfatória, apesar dos pontos canais, em zona de influência de marés. Diversos de est r angul am ent o nas t r avessi as. trechos da rede de macro drenagem encontram-se Um a úni ca ár ea é consi der ada crítica. assoreados. Abrange os Bairros de Santa Inês, São As inundações ocorrem, principalmente, nos Lourenço e Ramalho, ao seguintes locais: entre a BR-101 e a Via Férrea104
  • 105. (Rio Mazomba); Loteamento Brisamar e A área crítica concentra-se em torno da margem direita, junto à Via Férrea (Canal Santo confluência do Rio Ipiranga com o Rio Guandu, Inácio); Bairro do Engenho (Valão da Rua 18); para montante, até a confluência com o Rio Bairro Vila Margarida (Canal do Viana, Vala do Cabuçu, num total de cerca 5km2, em área de Sangue e Valão da Rua 18); todo trecho expansão urbana do Bairro de Cabuçu. marginal do Canal do Trapiche; Bairro Jardim América (Rio Itaguaí) e Ponte Preta, no trecho 9. Seropédica - As áreas críticas localizam-se ao entre as travessias com a BR-101 (Rio Itaguaí). longo do Valão dos Bois. A primeira está As áreas mais críticas estão situadas entre a localizada entre o Valão dos Bois e a Estrada BR-101 e a Baía de Sepetiba. para Itaguaí, até a confluência com o Rio da A população nessas áreas é estimada em Guarda. Nesta área, a extração de areia em 8200 habitantes. cavas é intensa. A segunda, abrange parte dos Bairros Parque Jacimar e Campo Lindo. A8. Nova Iguaçu - Na área do Município de Nova terceira e última, localiza-se nos Bairros Jardim Iguaçu que drena para a Baía de Sepetiba pre- Central, Jardim das Acácias, São Jorge e parte dominam as pastagens e atividades agrícolas. de Campo Lindo.Observação: Pelo já mencionado, Mapeamento dos Principais Pontos Críticos e Locais deInundação da Rede Hidrográfica da Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro,realizado pela SERLA, em 1999, as principais áreas inundáveis são: 105
  • 106. Região da Baía da Ilha Grande dos afluentes e, portanto, sobrecarregam os escoamentos dos trechos de jusante, onde a Segundo levantamento realizado pela pequena declividade é o fator natural.Secretaria de Estado de Saneamento e A Barragem de Juturnaíba, construídaRecursos Hídricos, junto às Prefeituras com o propósito de laminar as enchentes, oMunicipais, por ocasião do 1 Inquérito de geradas no Rio São João até a confluência comSaneamento Ambiental do Estado do Rio de seus principais afluentes, Capivari e Bacaxá,Janeiro, realizado no primeiro semestre de 2000, não está sendo operada como tal, o queconstatou-se problemas de inundação nas preocupa a população dos núcleos urbanos deseguintes áreas urbanas: jusante do Reservatório, a exemplo de Barra de Angra dos Reis – Rios Mambucaba, Jacuecanga e São João, onde a influência da maré oceânica Perequê; está presente. Toda região de planície abaixo da Parati – Perequê-Açu, Mateus Nunes e Gruná. Em Barragem, onde o São João e afluentes tiveram Parati, na área do Centro Histórico, junto ao parte dos cursos retificados e alargados pelo litoral, são freqüentes as inundações pelo efeito das extinto DNOS, são áreas naturais de inundação. marés. Deve-se ressaltar que as obras do DNOS, então voltadas para eliminar áreas Bacia Hidrográfica do São João alagadiças e inundações do Baixo São João, foram concebidas para atuar de forma A Bacia do São João abriga uma série integrada, isto é, amortecimento de enchentesde núcleos urbanos importantes, tais como, as em Juturnaíba e regularização de vazõessedes dos Municípios de Rio Bonito, Silva Jardim compatíveis com os limites de escoamento dae Casimiro de Abreu. calha retificada de jusante. O Rio São João apresenta fortesdeclividades nos primeiros 5km, a partir das Bacias Hidrográficas danascentes, onde a diferença de altitudes está Região dos Lagosna ordem de 600m. Desse ponto até a suadesembocadura, percorre, aproximadamente, Segundo informações da Agência145km com desnível de, somente, 100m. O Regional da SERLA, da mesma forma que emtrecho médio se desenvolve por 35km, todo o Estado, os cursos de água da Regiãodescendo à altitude de 20m, antes de alcançar sofrem com o avanço da ocupaçãoa larga planície aluvial. desordenada junto às margens e o descarte O curso inferior se prolonga por mais indiscriminado de lixo que chega aos rios,85km até o Oceano, com baixa declividade, que diretamente ou carreados pelas chuvas. Osé fator limitante para o escoamento. mais críticos, por município, são: As características físicas da região do Araruama - Rio Salgado, na área do Parquecurso superior, contribuem para uma rápida Novo Horizonte, podendo atingir cerca de 600concentração das águas das enchentes habitantes;106
  • 107. Iguaba Grande - Rio Salgado, numa extensão com aquelas liberadas pela válvula difusora de de 850m, ameaçando próximo de 1500 descarga de fundo. pessoas, o Canal Ibá - 1400m, 300 pessoas; Em 1992, o Grupo de Trabalho de Canal lguaba - 1500m, 2200 pessoas; Canal Hidrologia Operacional – GTHO, ligado ao Tamari - 1800m, 3500 pessoas; então Grupo de Controle de Operação In- tegrada – GCOI, antecessor da ONS, elabo- Saquarema - Rio Bacaxá, envolvendo rou o Levantamento das Restrições Hidráu- aproximadamente, 2000 pessoas; licas da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Bus- cou-se o estabelecimento de novos critérios de São Pedro da Aldeia - Canal Mossoró que operação, compatíveis com a demanda para atravessa o centro da cidade sede, atinge outros usos das águas e a adequação à capa- cerca de 25000 pessoas com inundações ao cidade de escoamento da calha ao longo do tre- longo de 3km de percurso. cho fluminense. De acordo com o estudo, junto às Cida- Bacia do Rio Paraíba do Sul des de Resende, Barra Mansa e Volta Redon- da, vazões do Paraíba acima de 850, 800 e As informações foram obtidas do Pro- 850m3/s, respectivamente, provocam inunda-grama Estadual de Investimentos da Bacia ções nas áreas ribeirinhas. Em Barra do Piraí,do Rio Paraíba do Sul – Rio de Janeiro, a situação se configura a partir de1997, que teve por objetivo, orientar o Comitê 1100m3/s, a jusante de Santa Cecília.para Integração da Bacia Hidrográfica do Um conjunto de regras operativas foi en-Rio Paraíba do Sul – CEIVAP, na seleção e tão definido para diferentes cenários. Manten-priorização de ações estruturais e não estru- do, por exemplo, no máximo, 700m3/s paraturais em diversos setores, inclusive no de dre- jusante, o Reservatório de Funil é capaz denagem. absorver uma cheia de 25 anos de recorrência, O Rio Paraíba do Sul, que nasce no Es- gerada no trecho paulista da Bacia, se o volu-tado de São Paulo, recebe afluentes de Minas me de espera for da ordem de 33% do seu vo-Gerais e do Rio de Janeiro, tem suas vazões lume útil.regularizadas por um sistema de reservatóri- Quando ocorrem chuvas intensas no tre-os, direcionados para geração de energia elé- cho fluminense, é possível diminuir, as descar-trica. A operação integrada, obedece regras gas regularizadas por determinado período,definidas pela Operação Nacional do Siste- desde que o reservatório esteja capacitado parama - ONS. receber os volumes afluentes. O trecho fluminense sofre influência di- Além das áreas marginais ao Rioreta do Reservatório de Funil, situado na divisa Paraíba do Sul, o Programa Estadual deentre os Estados de São Paulo e Rio de Janei- Investimentos constatou problemas dero. As vazões regularizadas, em condições inundação em quase todos os municípiosnormais de operação, resultam das vazões fluminenses, decorrentes tanto deturbinadas, somadas, eventualmente, transbordamentos de tributários de médio e 107
  • 108. grande porte do Paraíba, como da insuficiência canais e substituição de obras de arte na áreada rede de micro drenagem. As causas que se urbana.repetem na maioria dos casos são: No entanto, dada a falta de manutenção das processo contínuo e acelerado de erosão obras, e a crescente impermeabilização do do solo e conseqüente assoreamento do solo na bacia contribuinte, os canais já curso d’água; mostram pouca eficiência nos períodos ocupação generalizada das áreas marginais chuvosos em vários trechos. É o caso dos ao longo dos rios (faixa marginal de proteção Canais Periféricos e Canal Central e o Ribeirão Preto. – FMP), nas zonas urbanas; Os Bairros mais afetados são: Alegria, Baixada estreitamento da seção de escoamento de Olaria, Itapuca, Liberdade e Nova Liberdade. pelas fundações de construções ilegais e travessias; Barra Mansa – Os dois principais rios que atra- crescente ocupação da bacia e a decorrente vessam o Município são o Bananal e o Barra impermeabilização do solo; e Mansa. Em períodos de chuvas intensas, as carreamento do lixo descartado sobre vias águas extravasam de seus leitos, inundando públicas ou diretamente no álveo dos cursos tanto áreas rurais, como urbanas, gerando ele- d’água. vados prejuízos. A extração descontrolada de areia no Rio Barra A seguir, apresenta-se pequeno resumo Mansa, em diversos pontos, é responsável pelorelativo à drenagem de alguns municípios da elevado assoreamento ao longo da calha.Bacia: O Rio Bananal, no trecho que margeia a Companhia Siderúrgica de Barra Mansa, Itatiaia – O principal rio do Município é o Santo provoca grandes inundações em várias ruas Antônio, cujo curso superior percorre área do do Bairro Vila Maria. Parque Nacional de Itatiaia, com velocidade acentuada, não apresentando dificuldades na Volta Redonda – A drenagem da Cidade é evolução do escoamento. Nesse trecho, as efetuada pelo Ribeirão Brandão e o Córrego Secadis, pela margem direita do Paraíba e o chamadas “cabeças d’água”, isto é, Córrego Retiro, pela margem esquerda. hidrogramas de enchente originados de chuvas A rede de drenagem na zona urbana é intensas, de curta duração, incidentes nas insuficiente para esgotar os volumes cabeceiras, chegam repentinamente, produzidos na ocasião de chuvas intensas. O carregando o que encontram no caminho, Bairro de Vila Santa Cecília é o mais atingido. pegando, de surpresa, os banhistas. A situação vem se agravando ao longo dos anos: Ao alcançar a zona mais densamente os alagamentos que aconteciam, em média, urbanizada, a partir da Rodovia Presidente uma vez a cada 5 anos, hoje ocorrem Dutra, inicia o trecho crítico de inundação, que anualmente. se estende até a Rua dos Expedicionários. Três Rios – A Cidade é freqüentemente invadi- Resende – A Prefeitura Municipal realizou da pelas águas que transbordam dos Córregos diversas obras de revestimento de trechos de Puris, Vila Isabel e São Sebastião, afluente do108
  • 109. Paraíba do Sul, com elevados prejuízos à po- As áreas inundáveis pelo transbordamento dopulação urbana. Rio Quitandinha, que ocorrem, em média, 2No Córrego Puris, diversos são os pontos de vezes ao ano, situam-se ao longo da Ruaestrangulamento existentes, acarretando o Coronel Veiga, principal via de acesso ao centroextravasamento ao longo de seu traçado na da Cidade, até a confluência com o Riozona urbana. Piabanha. As inundações causam sériosO Córrego Vila Isabel, que também apresenta transtornos ao trânsito e ao comércio.obstáculos ao escoamento, cruza região depopulação de baixa renda. Os problemas são Campos dos Goytacazes – O Município estáatenuados temporariamente, pelo alagamento localizado na extensa Baixada Campista. Ade algumas áreas inabitadas, a montante Cidade que se desenvolve ao longo das(campo de futebol e áreas adjacentes) que margens do Rio Paraíba do Sul, em cota inferioratuam como reservatórios de acumulação. aos níveis d’água do Rio em períodos de cheia, é protegida por diques construídos em ambasBarra do Piraí – A situação do Município ao as margens e se prolongam até o Município demesmo tempo é séria e peculiar: São João da Barra.Com o objetivo de armazenar as águas do Rio A drenagem da Cidade é realizada através dePiraí, para geração de energia elétrica nas canais que tiveram o sentido do escoamentoUsinas de Nilo Peçanha, Fontes Nova e Pereira invertido para as Lagoas Feia e JacaréPassos, foi construída a Barragem de Santana. (margem direita) e Vigário, do Parque Prazeres,O trecho a jusante da Barragem mantém-se, do Brejo Grande e do Campelo (margemdesde então, praticamente seco até a esquerda).confluência com o Sacra Família, o que A falta de manutenção dos canais e valas sãopermitiu a invasão das áreas marginais. responsáveis pela suscetibilidade aEntretanto, em condições emergenciais, a inundações, uma vez que os escoamentosLight, responsável pela operação do críticos (até enchentes de 100 anos deReservatório de Santana, não tem outra recorrência) do Rio Paraíba do Sul são contidosalternativa a não ser liberar os volumes pelos referidos diques.excedentes para jusante, estabelecendo Na margem direita, os Bairros Parque Sãoconflito direto com a população ribeirinha. Clemente e Vila Hípica, são os mais atingidos pelas chuvas locais.Petrópolis – o Município, localizado na Região Na margem esquerda, a freqüência dasSerrana do Estado, apresenta graves inundações tem aumentado devido àproblemas decorrentes do crescimento intenso diminuição da capacidade de escoamento dose desordenado, caracterizado pela ocupação canais e à ocupação das áreas ribeirinhas.irregular das encostas das BaciasHidrográficas dos Rios Piabanha e Quitandinha. 109
  • 110. Sistemas de Alerta Atuação do Governo Federal O Governo Federal, baseado nos estudos que indicam o crescimento, ao longo dos anos,dos danos decorrentes de desastres naturais ou de atividades antrópicas, como aqueles causadospor inundações, criou e organizou, em agosto de 1993, o Sistema Nacional de Defesa Civil –SINDEC, cujo objetivo é integrar órgãos dos três níveis do poder público e a sociedade civil, comos seguintes propósitos:• planejar e promover a defesa permanente contra desastres naturais ou provocados pelo homem;• atuar na iminência e em situações de desastres;• prevenir ou minimizar danos, socorrer e assistir populações atingidas;• recuperar áreas deterioradas por desastres. No âmbito da estrutura do SINDEC, o Conselho Nacional de Defesa Civil aprovou a PolíticaNacional de Defesa Civil, que define diretrizes, metas e a elaboração de planos diretores,programas e projetos no cumprimento dos objetivos definidos no Sistema. Para a Política Nacional de Defesa Civil, as Inundações são classificadas em função da magnitude ou da evolução. Sob o aspecto da magnitude, a classificassão baseou-se nos dados históricos de eventos anteriores e é assim especificada: • inundações excepcionais; • inundações de grande magnitude; • inundações normais ou regulares; • inundações de pequena magnitude. Em função da evolução, é adotada a seguinte classificação: • enchentes ou inundações graduais; • enxurradas ou inundações bruscas; • alagamentos; • inundações litorâneas provocadas pela brusca invasão do mar.110
  • 111. Uma das metas para o ano de 2000, num esforço para descentralizar as ações, é aimplementação de 2400 Comissões Municipais de Defesa Civil. Os planos diretores são direcionados para prevenção de desastres, preparação paraemergências em situações de desastres, resposta aos desastres e reconstrução. Como as açõesde resposta aos desastres precisam ser imediatas, o Sistema conta com o Fundo Especialpara Calamidades Públicas – FUNCAP, regulamentado em março de 1994. Dentre os projetos, cabe ressaltar os de Mudança Cultural que tem os seguintesfundamentos:• todos têm direitos e deveres relacionados com a segurança da comunidade contra desastres;• todos fazem parte do SINDEC;• o Núcleo Comunitário de Defesa Civil é o elo mais importante do SINDEC;• todos devem se perguntar: o que podemos fazer para prevenir desastres? Atuação do Governo Estadual No Estado do Rio de Janeiro, o órgão que representa o SINDEC é a Secretaria de Estadode Defesa Civil, tendo como espinha dorsal o Corpo de Bombeiros, com núcleos operacionais emquase todos os municípios. A Secretaria de Estado de Defesa Civil, quando solicitada, atua deforma complementar, tendo em vista que a coordenação dos trabalhos é municipal. 111
  • 112. Conscientes que a ordem das ações de Atuação do Governo Municipal dodefesa civil, de acordo com a “doutrina” Rio de Janeiroestabelecida é: cidadão; comunidade; município Dependendo da vulnerabilidade doe estado, cabe à Secretaria, a capacitação de território face a determinados fenômenosvoluntários para atendimento em casos de naturais, as administrações municipaisemergência. estabelecem planos específicos para Como apoio às ações da Defesa Civil, o salvaguardar o bem estar da população eGoverno mantém o Sistema de Meteorologia proteger o patrimônio público.do Estado do Rio de Janeiro - SIMERJ. Criado a Um exemplo, é o “Plano Verão”,partir de 1998, tem como um dos objetivos, elaborado e aperfeiçoado a cada ano, pelaelaborar previsão do tempo a nível local, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Durantecobrindo, com detalhe, o território do Estado do os meses de verão, a Cidade ficaRio de Janeiro. A previsão é realizada mediante historicamente suscetível às condiçõesa aplicação de modelos matemáticos, utilizando climatológicas propícias à ocorrência de chuvasinformações de imagens dos satélites intensas. Inundações, deslizamentos demeteorológicos GOES e NOA, enviadas pelo encosta, rolamento de pedras, entre outrosInstituto de Pesquisas Espaciais – INPE, e incidentes, apresentam maior probabilidade debaseada na previsão de grande escala, a nível acontecer durante esse período.regional, elaborada por esse Instituto. O trabalho O Plano Verão reúne uma série dedo SIMERJ, divulgando a previsão do tempo medidas e linhas de ação envolvendo órgãoscom elevado grau de acerto, é fundamental para públicos e privados, no âmbito do Sistemao planejamento das atividades da Secretaria de Municipal de Defesa Civil. A coordenação éEstado de Defesa Civil. descentralizada e participativa, buscando, A Fundação Superintendência Estadual inclusive, envolvimento das comunidades locais.de Rios e Lagoas – SERLA, órgão vinculado à O desenvolvimento e aperfeiçoamentoSecretaria de Estado de Meio Ambiente e do Plano baseia-se nas informações coletadasDesenvolvimento Sustentável – SEMADS, durante períodos de chuvas intensas eopera rede de 25 estações telemétricas na registradas nos relatórios de atividades daRegião Hidrográfica da Baía de Guanabara. As Coordenação Geral do Sistema de Defesa Civilestações enviam, a cada 30 minutos para uma – COSIDEC. Tais informações são obtidascentral, dados de altura de chuva, nível dos rios durante vistorias, monitoramentos,e de qualidade das águas. mobilizações e visitas às comunidades Durante períodos chuvosos, residentes em áreas de risco.principalmente no verão, a variação dos níveis A direção do Sistema é exercida pelode água é acompanhada pela SERLA que, em Prefeito da Cidade que, pela análise e avaliaçãosituações consideradas críticas sob o ponto de das conseqüências do evento, realizada pelavista da expectativa de possíveis COSIDEC, pode decretar “Situação detransbordamentos, comunica o fato à Defesa Emergência” ou “Estado de CalamidadeCivil. Pública”.112
  • 113. 113
  • 114. Situação de Emergência Reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal, provocada por desastre, causando danos superáveis pela comunidade afetada. Estado de Calamidade Pública Reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal, provocada por desastre, causando sérios danos à comunidade afetada, inclusive à incolumidade e à vida de seus integrantes. A última situação de calamidade pública no Município do Rio de Janeiro foi em 1996, emdecorrência das conseqüências das inundações e deslizamentos de encostas em Jacarepaguá. O referido Plano pode ser ativado total ou parcialmente, dependendo da gravidade dosdanos gerados pelos seguintes eventos: • Deslizamentos de terra; • Rolamento de pedras; • Ventos fortes; • Desabamentos; • Quedas de raios; • Inundações. • Colapso nos serviços essenciais (transporte, energia elétrica, águas, esgotos, outros). Quando a situação emergencial requer um alerta máximo, o Sistema de Defesa Civil étotalmente mobilizado, envolvendo órgãos das administrações municipal, estadual e federal eentidades não governamentais. Nesse caso todas as ações previstas no Plano Verão são acionadas.114
  • 115. A organização da coordenação do Sistema, sob essas condições, pode ser assimesquematizada: Os órgãos, através de seus áreas sujeitas à deslizamentos de encostas.representantes, são acionados de acordo com Embora seja esse o principal objetivo, forneceas áreas de abrangência e atribuições também subsídios para a previsão do tempo nainstitucionais, disponibilizando equipamento, Região Metropolitana do Estado do Rio deviaturas e pessoal. No verão de 1999/2000, o Janeiro.Plano Verão foi acionado duas vezes para Os alertas baseiam-se noatender situações de inundações. monitoramento das precipitações Cabe ressaltar, ainda no Município do pluviométricas em 30 estações telemétricas,Rio de Janeiro, o sub-sistema “Alerta Rio”, estrategicamente localizadas no território dovinculado ao referido Plano e coordenado pela Município, nas imagens do SatéliteFundação Geo-Rio. Meteorológico GOES, obtidas através do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e nas Trata-se de sistema de alerta, imagens captadas pelo Radar Meteorológico doimplantado em dezembro de 1996, direcionado Pico do Couto, operado pelo Ministério dapara salvaguardar a população residente em Aeronáutica. 115
  • 116. Fonte: Geo-Rio Cabe à Fundação Geo-Rio, a análise dos dados, emissão de relatórios e recomendaçãoao Prefeito do anúncio do Alerta Rio. O Radar Meteorológico do Pico do Couto faz uma ampla varredura da situação das nuvens,retratando as condições do tempo sobre parte do território do Estado do Rio. As imagens sãotransmitidas em tempo real para os computadores da Geo-Rio, passam por análises específicase as informações são cruzadas com as alturas de chuva obtidas nas estações pluviométricas. Seos solos já estiverem encharcados e a previsão indicar chuvas fortes contínuas, pode-se configurara situação de alerta. O sistema permite anunciar o alerta com até cinco horas de antecedência, através dosprincipais meios de comunicação. A Fundação Rio-Águas, paralelamente aos trabalhos da Geo-Rio, mantém plantões de 24horas no período de verão. Durante vigência do alerta, equipes da Rio-Águas acompanham asvariações dos níveis dos cursos de água em trechos críticos. No caso de extravasamentos,equipamentos são mobilizados emergencialmente para socorrer a população e realizar trabalhosde limpeza e desobstrução.116
  • 117. 117
  • 118. CONSEQÜÊNCIAS DAS INUNDAÇÕES Chuvas intensas e duradouras podem gerar um conjunto de incidentes que vão, desde umsimples extravasamento, com alagamento temporário de pequenas proporções, passando pelocolapso dos serviços de infra-estrutura urbana, até a perda de vidas humanas pela fatalidade deum acidente ou por doenças infecciosas que se seguem às inundações. Os estragos das inundações dependem não só da fragilidade da área atingida, em funçãodo tipo de ocupação e uso do solo, da drenagem em geral, das condições sanitárias dascomunidades socialmente menos favorecidas e da infra-estrutura de saneamento básico, comotambém, da vulnerabilidade física dos investimentos públicos, privados, àqueles do setor produtivoe da importância da área como acesso a outras regiões economicamente ativas. Nas áreas rurais os impactos são menores e, muitas vezes, a chuva é benéfica para repora umidade do solo e permitir o armazenamento das águas pluviais em pequenos açudes, parauso na irrigação, durante períodos de estiagem. Por outro lado, o acúmulo excessivo das águassobre o solo pode provocar grandes prejuízos pelas perdas de safra e do rebanho, como tambéma erosão pode provocar perda do solo fértil. Nas grandes bacias hidrográficas, tipicamente rurais, onde os tempos de concentraçãosão da ordem de alguns dias, é comum, a exemplo do Pantanal Matogrossense, o emprego desistemas de alerta baseados em dados pluviométricos observados junto as cabeceiras da bacia,e a montante da área inundável. O aviso da ocorrência de chuvas torrenciais é repassado pelasrádios locais, o que permite, aos fazendeiros, remanejar os rebanhos para áreas seguras esalvaguardar bens materiais.118
  • 119. Nas áreas urbanas, as conseqüências são as mais diversas. O homem exerce noprocesso, papel central primário, talvez mais importante que a própria intensidade do eventopluviométrico, a medida que a ação humana, é responsável pela edificação e ocupação do ambienteantes natural. A magnitude das possíveisocorrências está diretamente ligada afragilidade dos cenários construídos pelasociedade, à medida que avança sobreextensos sítios inadequados egeomorfologicamente desconhecidos.Além disso, muitas vezes, esse processodinâmico não é precedido pelo mínimo deinvestimentos em infra-estrutura urbana. Conseqüências decorrentes de chuvas intensas, não seriam muitas vezes calamitosas,se houvesse maior conhecimento do espaço físico e geográfico antes de ser ocupado e se fossemrespeitadas as necessidades naturais dos rios. Nas áreas de encosta desprovidas de vegetação, a infiltração das águas de chuva é reduzidae o escoamento superficial aumentado. A ausência de raízes que fixam o solo intensifica a erosãoo que pode conduzir a instabilidade e ao deslizamento. Nessa situação, as construções existentesficariam instáveis e poderiam escorregar juntamente com o terreno. O lixo descartado e acumuladosobre as encostas poderá descer morro abaixo com o aumento do seu peso pela água de chuva. Nas regiões de menor declividade a incidência de inundações e o tipo de conseqüência,variam no tempo e no espaço e estão associadas ao crescimento urbano. O aumento das áreasimpermeabilizadas, novas vias de tráfego e aterro de baixios, são exemplos de alterações físicasdo terreno, que contribuem para a mudança dos padrões de drenagem e a diminuição da retençãonatural. Portanto, devem ser acompanhadas de soluções de engenharia para retenção,estrategicamente planejadas, para a compensação da perda de retenção natural. É compreensível que a população atingida pelas inundações exija, das autoridades, obraspara melhoria da situação das enchentes, evitando inundações e seus prejuízos. Mas isso nemsempre é possível quando áreas naturais de inundação forem ocupadas pela urbanização, querseja planejada ou por força das invasões ilegais. 119
  • 120. Vale mencionar que todas as obras que reduzem as áreas naturais de inundação, comoos diques e aterros, e que aceleram o escoamento das enchentes localmente, como retificaçãoe canalização, transferem e agravam o problema a jusante. Carlos Moraes O fato mais comum durante e apósa inundação, em áreas urbanas, é ainterrupção temporária do tráfego econseqüentemente, a redução dasatividades comerciais. O esgotamento das áreas atingidasvai obedecer às taxas da drenagem naturale/ou artificial, certamente agravadas peloassoreamento e o acúmulo de materialsólido já depositado com àquele carreadopela enxurrada. O retorno à normalidadepode demorar de alguns minutos a horas.Nas áreas mais baixas, quase ao nível domar, esse período pode ser ainda maior,pela coincidência do evento chuvoso commarés altas, quando as forças das águasoceânicas rio acima, impedem o fluxonormal das águas interiores.120
  • 121. Nas áreas urbanas de maior declividade, a drenagem insuficiente compartilha as águas dechuva com as vias públicas e áreas marginais. Dependendo da intensidade das chuvas e dadeclividade dos terrenos, a força das águas aumentam os prejuízos materiais, arrastando veículose equipamentos públicos que encontram no percurso. Léo Corrêa Léo Corrêa 121
  • 122. Nas bacias hidrográficas de maiores dimensões, onde o leito maior do curso principal seestende por áreas de baixa declividade, ao longo do trecho médio e inferior, as áreas urbanasedificadas nas grandes depressões dos terrenos estão sujeitas a séria inundação durante períodoschuvosos críticos. Após a passagem da enchente, com o retorno ao nível normal das águas, essas depressõespermanecem alagadas durante certo tempo. É comum o total isolamento de áreas contíguasmenos atingidas, em cotas mais altas. Antonio Cruz Léo Corrêa122
  • 123. As perdas materiais são relevantes, o número de desabrigados é significativo e pode haveróbitos por afogamento ou desabamento. A agravação do fato está associada à qualidade das habitações, às condições sanitáriasexistentes e às doenças endêmicas locais. Nesses cenários, a maior parte da população atingida provém das classes socialmentemenos favorecidas, sem alternativas de assentamento, dada a valorização econômica de outrasáreas de menor risco. José Soares Revela-se um quadro deprimente com o desânimo daqueles que perderam os poucosbens materiais, a aflição de não ter para onde ir e a preocupação de ceder o espaço a terceiros. Alexandre Vieira 123
  • 124. Soma-se a esse quadro crítico, os efeitos indiretos das inundações decorrentes dasdoenças infecciosas que se seguem após o evento. As águas de chuva promovem a lavagem dos logradouros e vias públicas, terrenos baldioscontaminados pelo descarte de toda sorte de lixo, pátios de áreas industriais e outras áreas ondeas condições do saneamento básico são precárias. A qualidade das águas pluviais é alterada radicalmente, carregando em suspensão e, emforma diluída, matéria orgânica em decomposição, fruto das fezes animais e do lixo, produtostóxicos de origem industrial, outras substâncias orgânicas e inorgânicas, típicas das áreas urbanas,e um elenco de bactérias, vírus e protozoários, disponíveis nesses conjuntos de focos poluidores. As águas invadem os mais diversos espaços, provocando o extravasamento dos sistemasde fossas e sumidouros, invadindo tubulações de esgotos sanitários, enfim, criando um líquidoaltamente perigoso para a saúde do ser humano, principalmente quando infiltra e atinge caixasd’água ou cisternas. A mistura da água contaminada com aquelas reservadas ao abastecimento domiciliar, éresponsável por doenças, conhecidas como de veiculação hídrica. O homem ao ingerir a água contaminada, está sujeito a distúrbios gastrointestinais, comodiarréias infecciosas causadas por micro organismos do grupo coliforme fecal, presentes nasfezes humanas e de animais. Além disso, fica-se vulnerável a outros organismos patogênicoscomo o vírus da hepatite e mononucleose e as bactérias responsáveis pela disenteria, tuberculose,febre tifóide, cólera e outras. Nas áreas afetadas, é possível a ocorrência de surtos de agravação de uma determinadadoença endêmica, podendo levar a epidemias difíceis de serem controladas. O contato direto com essas águas, pode acometer de sérias doenças, os habitantes dasáreas atingidas.124
  • 125. Margareth Lipel Uma das principais enfermidades é a leptospirose, infecção bacteriana, que embora nãoconduza à morte, com grande freqüência, produz graves seqüelas ao organismo humano,principalmente aos rins. A bactéria está presente na urina dos ratos e penetram no homem pelapele. Nas áreas rurais, o uso inadequado de agrotóxicos por exploração agropecuária, é prejudicialao homem, à fauna e à flora. Muitos agrotóxicos são agentes cancerígenos e cumulativos noorganismo humano. As aplicações de inseticidas, fungicidas, herbicidas e acaricidas, geramresíduos sobre o solo, plantas e animais, que, lavados pelas águas de chuva, podem contaminaro lençol freático e outros corpos hídricos receptores. Nas inundações, misturam-se às águas dosmananciais utilizadas para consumo humano (poços do freático, artesianos, etc.). 125
  • 126. OBRAS DE CONTROLE DE ENCHENTES Prejuízos e fatalidades decorrentes de Portanto, enquanto o controle dechuvas intensas são diretamente proporcionais enchentes não contemplar a bacia como umaos períodos de retorno das vazões de pico e todo, permanecerá o antagonismo entre osdos volumes gerados, do nível de proteção, do interesses daqueles, que a montante, desejamuso do solo, da conscientização e preparação empurrar as águas para as áreas mais baixas,da população para enfrentar o risco. o mais rápido possível, e daqueles, que a Obras de controle de enchentes podem jusante, vem como solução a retenção dasamenizar os efeitos negativos de um evento, até águas nas áreas superiores da bacia.uma determinada probabilidade de ocorrência. Problemas de inundação em diferentesSe as enchentes superarem as vazões áreas de uma bacia hidrográfica devem sermáximas ou volumes estabelecidos nos equacionados por soluções que compatibilizemcritérios de projeto, certamente a área de os objetivos locais, segundo as diretrizes deinteresse sofrerá prejuízos, na maioria das uma proposta regional. O certo seria avezes agravado pela despreocupação, pelo elaboração de um plano diretor, resultado dodespreparo da população e pela acumulação de planejamento integrado das intervenções locaisbens materiais dispostos na área supostamente e regionais, tendo a bacia hidrográfica comoprotegida. unidade de gestão e o consenso entre os As intervenções estruturais para diferentes níveis do Poder Público e dacontrole de enchentes tem sido geralmente sociedade organizada, envolvidos no processoprojetadas para equacionar problemas locais. decisório.Essa prática, além de não cobrir riscos acima O plano, fruto de amplo diagnóstico dede um determinado evento de chuva, pode gerar desempenho da drenagem natural e/ou artificial,impactos ambientais significativos pelas obras mapeamento das áreas sujeitas a inundação,realizadas e o agravamento das conseqüências estudos hidrológicos e da expansão urbana ea jusante. estabelecimento do zoneamento do uso do solo, Muitos cursos de água banham mais de passaria a ser o guia dos sucessivosuma cidade no mesmo município e ou administradores públicos, na implantação dasmunicípios e estados diferentes. Geralmente, diferentes etapas das obras locais e regionais.dentro desse cenário surgem conflitos entre Na realidade, depara-se com cenáriosinteresses da população local e aqueles da dinâmicos, onde a ocupação ordenada epopulação de jusante. desordenada do solo e a invasão de áreas Enquanto os problemas locais são sujeitas a inundação, é mais rápida que o tempoequacionados até um certo risco por obras necessário para o desenvolvimento do plano ou,como canalização , retificação e ou dragagem, por falta de presença do Poder Público,que aceleram a passagem das enchentes inviabiliza aquele já estabelecido.águas abaixo, a população de jusante se vêprejudicada pelo repentino acúmulo das águas,piorando a situação já estabelecida.126
  • 127. Na falta do planejamento integrado, Trechos de difícil acesso, somados àsoluções estruturais convencionais a nível local, ocupação das margens, oneram o orçamentovisam salvaguardar de extravasamentos um da intervenção. A dificuldade de remanejamentotrecho específico do curso de água, em da população ribeirinha leva, muitas vezes, àdetrimento do agravamento das condições a adoção de ações emergências e temporárias,jusante. A situação fica mais crítica ao longo das como limpeza manual ou dragagem.áreas ribeirinhas rio abaixo e próximo a foz, Dependendo dos recursos, é possívelprincipalmente quando houver influência das retirar os moradores ribeirinhos, remanejá-losmarés oceânicas que provocam sobrelevações para áreas de menor risco, desimpedindo a faixado nível da água. marginal de proteção, recuperando a seção de Uma vez conhecido o problema e escoamento, segundo os parâmetrosidentificadas as causas, a escolha do tipo de estabelecidos no projeto e, por fim, de algumaintervenção local, vai depender dos recursos forma, evitar novas invasões a partir, porfinanceiros disponíveis, e da viabilidade de exemplo, da implantação de vias públicasexecução da obra. marginais (avenida-canal). dragagem Intervenção emergencial para recuperar a capacidade de escoamento. A necessidade de serviços regulares de dragagem demonstra que o sistema fluvial está desequilibrado pela influência do próprio homem (desmatamento, aumento de erosão e sedimentação, diminuição da retenção natural, lixo, descaracterização da mata ciliar, etc.). Além de serem obras que consomem grandes somas de verbas públicas e produzem impactos ambientais significativos, não resolvem o problema por longo prazo, tratando-se de medida paliativa local e temporária. Muitas vezes é preferível combater as causas desse desequilíbrio, reflorestando as encostas e as áreas de cabeceira, recuperando a mata ciliar, equacionando o problema do lixo, etc.. 127
  • 128. A perda de retenção gerada pela prazo, medidas saneadoras para os possíveissolução de engenharia de efeito local impactos causados águas abaixo.deverá ser compensada pela realização de Diques oferecem segurança às áreasoutros dispositivos de retenção na região, marginais, até a vazão definida no projeto, tantocom o propósito de evitar o agravamento das urbanas como rurais, mas, por outro lado, estãoinundações nas áreas a jusante. vinculados a rotinas de inspeção e manutenção Intervenções locais como dragagem, para assegurar a integridade física da estrutura.canalização e ou retificação são obras de O colapso por erosão e desestabilização doelevado custo, tanto de construção como de dique pode levar a sérios prejuízos, inclusive,manutenção que, certamente, exigirão a curto perda de vidas humanas.128
  • 129. Em áreas muito baixas com relação à interesse, após a passagem da enchente.drenagem principal de uma região, configura- Dentro da área do pôlder, as águasse, como alternativa, a implantação de pôlderes. podem ser esgotadas por sistema de microEsse tipo de solução, reúne a combinação da drenagem convencional, isto é, bocas de lobo,construção de diques, eliminando a influência coletores secundários e principal ou por meiodos extravasamentos do curso de água principal de valetas a céu aberto que direcionam assobre a área alvo e a implantação de sistema águas de chuva para um canal de cintura.de drenagem local. O sistema de drenagem, Dependendo das característicasnesse caso, será projetado em cotas mais topográficas do terreno, os volumesbaixas que os níveis d’água críticos do rio armazenados serão posteriormente entreguesprincipal. Essa solução deverá ser acoplada a à drenagem principal, por meio da operação demecanismos que possibilitem esgotar as comportas e/ou bombeamento, através deáguas mantidas temporariamente na área de estações elevatórias. 129
  • 130. Em função do tamanho da área a ser beneficiada com o pôlder, há necessidade de sealocar, dentro dos limites considerados, espaço que funcionará como bacia de acumulaçãotemporária, também conhecida como reservatório pulmão. Outras soluções locais, como desvios, pequenas bacias de acumulação pela implantaçãode barragens com ou sem mecanismos regularizadores e reservatórios subterrâneos ousuperficiais em logradouros públicos, também se apresentam como alternativas.130
  • 131. 131
  • 132. Obras de influência regional como a barragem do Rio Sarapuí na Baixada Fluminense, sãogeralmente projetadas a partir do princípio de retenção temporária de parte dos volumes dasenchentes, liberando vazões compatíveis com o sistema de drenagem a jusante.132
  • 133. Podem ser planejadas para trabalhar em fauna e da flora, manutenção da navegação,conjunto com outras obras regionais e/ou locais prevenção à penetração das águas oceânicas,otimizando o efeito laminador dos picos de recreação, etc..enchente. Reservatórios exclusivos para laminação Reservatórios de grandes dimensões de enchentes devem funcionar de forma ainseridos no contexto da gestão dos recursos regularizar, para jusante, tão rápido quantohídricos da bacia hidrográfica podem ter possível, o volume acumulado durante o eventodiferentes finalidades. A regularização das águas pluviométrico, permitindo a liberação do espaçoarmazenadas durante períodos chuvosos para novos armazenamentos.dependerá dos múltiplos usos definidos para a Tais reservatórios, podem ser formadosobra, isto é, laminação de enchentes, geração por barragens dotadas ou não de mecanismosde energia elétrica, irrigação, abastecimento de controle das vazões efluentes.domiciliar e/ou industrial, preservação da 133
  • 134. Em geral, esses mecanismos são de liberação dessas comportas, o nível de águaconstituídos de comportas manobráveis no reservatório crescerá até atingir a soleira dolocalizadas na parte inferior da estrutura de vertedouro, quando, então, as contribuições pararepresamento, operadas de acordo com ascondições de escoamento de jusante. No caso jusante serão acrescidas daquelas vertidas ede grandes afluências de água de chuva limitadas às características hidráulicas doe atingida a capacidade máxima vertedouro. Nos reservatórios de múltiplos usos, pode ser importante armazenar o máximo de afluênciadas águas de chuva. Nesse caso, o vertedouro é equipado com sistema de comportas, operadode acordo com as necessidades de retenção de volumes adicionais, garantindo disponibilidadehídrica durante períodos de estiagem ou mesmo para reforçar medidas para evitar inundações ajusante. Os grandes reservatórios de regularização, a exemplo daqueles voltados para geração deenergia elétrica, são dimensionados de forma a manter grandes volumes de espera. Podemabsorver contribuições de enchentes de períodos de retorno, entre 5.000 a 10.000 anos,constituindo-se em importantes aliados durante períodos de chuvas intensas na bacia hidrográfica.São operados normalmente para atender as demandas de energia elétrica. Em situações críticasde enchente a montante, podem controlar as vazões efluentes de modo que, somadas àscontribuições laterais de jusante, se limitem a capacidade da calha principal ou, pelo menos, nãoproduzam inundações calamitosas.134
  • 135. Nas bacias hidrográficas de regime Uma das alternativas para o problema,torrencial, a formação e concentração dos é a construção de pequenos barramentoshidrogramas de enchente se dá em curtos localizados nas áreas íngremes, onde asperíodos. Em geral, são áreas de drenagem de características físicas da calha de escoamentopequenos tempos de concentração, onde o de alguns afluentes, permitem acumular,curso superior do rio principal e de seus temporariamente, parte dos volumes das águasafluentes apresentam declividades acentuadas, das enchentes.curso médio de pouca representatividade e o Nas estruturas de barramento podemcurso inferior, se desenvolve com baixas ser instalados mecanismos regularizadores,declividades. como comportas ou adufas, que necessitem de Durante eventos pluviométricos de operação controlada para garantir eficiênciagrande intensidade e duração na região máxima da capacidade de reservaçãomontanhosa, a população, geralmente temporária.assentada nas áreas de baixada é surpreendida Nesse caso, exigiria mão de obracom a rápida elevação do nível das águas, exclusiva e comprometida com a operaçãoquando não pela própria inundação. integrada do conjunto de barramentos durante períodos chuvosos. Por outro lado, estando Essas circunstâncias, somadas à desprovidas de tais mecanismos de controle,importância sócio-econômica da área, as vazões efluentes, dependerão dasrequerem soluções que podem oferecer características hidráulicas do orifício utilizadoproteção até um determinado risco. para regularização. 135
  • 136. MEDIDAS PREVENTIVAS COMPLEMENTARES Somente em poucas regiões é viável a A retenção temporária é um agenteimplantação de grandes obras de retenção para regulador dos volumes das águas de chuva e,a redução das enchentes. Também obras locais portanto, a ampliação das áreas que possampara redução de inundações somente garantem contribuir de forma natural ou artificial para esseproteção limitada. O problema persiste para mecanismo é um fator positivo no controle daenchentes excepcionais, isto é, acima daquelas formação das enchentes.consideradas no projeto. Quando não mais ocorrem inundações Nesse sentido, o reflorestamento deregulares, o homem se sente mais seguro, a encostas, áreas públicas e privadas, trará, aurbanização cresce na direção das áreas médio e longo prazos, um conjunto demarginais dos cursos de água, concentrando benefícios. Além de potencializar a infiltração,cada vez mais os bens materiais. reter temporariamente parcela das águas de Tais áreas ainda apresentam riscos paraocupação, uma vez que permanecem chuva, e diminuir a erosão, fatores essesvulneráveis para enchentes excepcionais. fundamentais no processo, a recuperação daQuando a enchente superar àquela adotada no biota, criação de áreas de lazer e a valorizaçãoprojeto, os prejuízos podem ser consideráveis. da paisagem, são benefícios indiretos. Existem muitas ações preventivas quepodem contribuir para a redução dos volumes A conservação e recuperação dadas enchentes e ou prejuízos envolvidos. vegetação ciliar aumenta a resistência ao Medidas preventivas complementares escoamento, diminuindo a velocidade média edevem ser implementadas através da união de o processo erosivo das margens, produzindoesforços do Estado e da população atingida. maior armazenamento dos volumes das águas Essas medidas exigiriam a adoção, e reduzindo os picos das enchentes nas calhasincentivo e divulgação de uma política dos afluentes e do rio principal.esclarecedora onde, as assistências jurídica etécnica, deveriam estar sempre presentes. O aumento das áreas que permitem a infiltração das águas de chuva contribui para Medidas para redução dos volumes redução do escoamento superficial, possibilita das enchentes a recarga das águas do lençol freático e aqüíferos subterrâneos e promove o Podem ser adotadas de forma isoladaou para acrescentar maior segurança oferecida retardamento de parte do volume precipitadopor obras convencionais. com relação ao escoamento superficial direto.136
  • 137. O reaproveitamento das águas de chuva é outra medida que pode ser empregada comosolução não estrutural. Nos condomínios, fábricas, postos de serviços, escolas, hospitais, unidadesda defesa civil e mesmo por iniciativa isolada de alguns cidadãos, a captação e reservação daságuas pluviais para fins específicos, trazem vantagens econômicas para o usuário e redução dosvolumes disponíveis para o escoamento superficial. 137
  • 138. Medidas para diminuição dos prejuízos É evidente que a medida efetiva e mais Prevenção no comportamento - Nos eficaz para a diminuição de prejuízos domicílios com mais de um andar deve-se decorrentes das enchentes é não ocupar e destinar os andares mais baixos a usos não urbanizar áreas que correm o risco de menos nobres e criar meios para o rápido serem inundadas. deslocamento dos bens para andares superiores. De uma maneira geral pode-se agrupar as medidas preventivas para redução dos Prevenção do risco - O cidadão deve prejuízos da seguinte forma: estar bem informado quanto ao risco de - prevenção na área; inundações na área que pretende ocupar. - prevenção na construção; Procurar a autoridade local é uma opção. - prevenção no comportamento; Caso a informação não esteja disponível, - prevenção do risco. indagar sobre a questão aos moradores mais antigos, antes de qualquer iniciativa. Prevenção de área - As áreas sujeitas a inundação e os respectivos riscos CONTROLE DE ENCHENTES E devem estar claramente definidos nos planos ENGENHARIA AMBIENTAL UM NOVO CONCEITO diretores e consideradas como áreas livres. Os planos regionais devem respeitar os limites estabelecidos. Mudanças conceituais das práticas de Essas áreas são delimitadas com base engenharia fazem parte da história da em estudos hidrológicos especializados adaptação do homem ao meio natural. cujos resultados devem ser amplamente Ao longo dos séculos, a ocupação do divulgados pelo estado. espaço é marcada pela adoção de soluções de engenharia que permitem o assentamento do Prevenção na construção - Nas áreas homem, com a devida infra-estrutura sujeitas a inundação onde a urbanização já necessária para seu bem estar (água, esgoto, existe e avança mesmo com o conhecimento energia elétrica, vias de transporte, etc.) e do risco, o cidadão deve tomar algumas protegida até um certo risco, de eventos naturais precauções simples que, certamente, como as inundações. reduzirão os prejuízos quando as águas O crescimento populacional contribuiu subirem ao seu redor. para a descaracterização parcial dos ciclos Na construção, devem ser escolhidos naturais, potencializando os efeitos dos materiais que tenham boa resistência a fenômenos da natureza, com sérios impactos umidade, procurando sempre que possível e prejuízos ao conteúdo ambiental e elevar o primeiro piso da obra. conseqüentemente, ao próprio homem.138
  • 139. Obras relacionadas à engenharia de A regularização de vazões naturais,recursos hídricos modificam os processos através de estruturas que permitem onaturais envolvidos com o ciclo hidrológico, tais armazenamento das águas de chuva e posteriorcomo, erosão e sedimentação, balanço hídrico liberação de vazões que não comprometam(capacidade de retenção, infiltração e áreas urbanas ao longo dos rios, é outro fatorevaporação), padrão de drenagem (modificação negativo para a fauna e flora que, muitas vezes,das áreas sujeitas a inundação), etc.. Somam- necessitam da dinâmica da flutuação de níveisse a essas questões, os impactos sobre os d’água para sua adaptação e sobrevivência.ecossistemas, decorrentes das alterações do Problemas ambientais tem sidoespaço físico e da disponibilidade hídrica, minimizados a partir do fortalecimento e adoçãofundamental na adaptação e desenvolvimento de ações direcionadas para a conservação eda fauna e flora. recuperação gradual do escoamento natural das Retificação em áreas de baixada águas e a regeneração da biota local.promove redução do comprimento do curso de Trata-se de um novo conceito aplicávelágua, uniformização da seção transversal de às intervenções já existentes, e àquelas aindaescoamento e aumento da velocidade das por realizar.águas e das taxas de erosão. Fundamenta-se na implantação de obras Diminui-se a freqüência de hidráulicas adaptadas à natureza e àextravasamento do rio para a baixada, levando conservação e/ou recuperação das áreas deao empobrecimento dos ecossistemas e à inundação, onde for possível.redução da diversidade biótica. Os principais objetivos são: Nesse caso, a morfologia natural, que preservar e recuperar áreas naturais dedepende do regime de vazões e do equilíbrio inundação;entre erosão, transporte e sedimentação de recuperar os cursos de água de modo amaterial sólido constituinte do leito menor e permitir a revitalização da biota natural.maior, é totalmente alterada. A dinâmica natural de um curso de água Após longo período de convencimentosem intervenção do homem leva à formação de dos quadros técnicos das instituições públicasgrande variedade de núcleos biológicos, e conscientização da população, alguns paísesestruturas e condições específicas que, em europeus incorporaram essa prática aoconjunto, determinam o ecossistema das planejamento de recursos hídricos.baixadas inundáveis e da própria calha do rio. Em cenários apropriados, sob o ponto A construção de barragens ou de de vista sócio – econômico, cria-se ou recupera-degraus ao longo do eixo de escoamento, cria se, sob condições morfológicas controláveis,obstáculos ao processo natural de reprodução por meio da engenharia ambiental, espaço parade várias espécies de peixe que, em armazenamento temporário de parcela dosdeterminadas épocas, nadam para montante volumes pluviais durante passagem deem busca de bolsões naturais para desova. enchentes. 139
  • 140. Na realidade, o que se pretende é o retorno da convivência pacífica entre o rio, a fauna,flora e o bem estar do homem, inclusive nas épocas de cheias.140
  • 141. Fonte: Bayerisches Landesamt für WasserwirtschaftRio Vils na Baviera (Alemanha).Preservação das condições naturais do leito maior em harmonia coma agricultura intensiva.Rio Isar, zona urbana de Munique (Alemanha).Preservação do leito maior, criando harmonia entre atividades de recreaçãoe lazer, fauna e flora e controle de enchentes. 141
  • 142. Na engenharia de recursos hídricos ainda não se estabeleceu termo técnico que possaser adotado para caracterizar esse tipo de intervenção. Revitalização é, por enquanto, a palavramais empregada. Atualmente em muitos países na Europa as áreas marginais de inundação tem uso restritoe, as vezes, são transformadas em parques de lazer, com quadras de esporte, jardins, permitindo,inclusive, a balneabilidade fluvial, à medida que a questão da poluição hídrica está sendo resolvida. O processo de recuperação natural exige conhecimentos da dinâmica morfológica, doecossistema aquático e, principalmente, a compreensão e a aceitação da população ribeirinha.142
  • 143. Tradicionalmente, nas áreas urbanas, os rios são canalizados e, muitas vezes, retificados,com o leito e margens dispostos como se fossem compartimentos isolados, comprometendo asinterações biológicas com as áreas marginais. A recuperação de rios e córregos em áreas urbanas só é possível onde há espaço paraampliação do leito do rio melhorando o problema do escoamento das enchentes. Em casos de limitação de áreas disponíveis, deve-se buscar soluções possíveis adaptadasàs necessidades de evolução natural, como por exemplo, ampliação do leito em somente umadas margens. A questão do custo–benefício deve ser bem estudada. Há que se considerar que os custospara manter a evolução natural a longo prazo, não são maiores que aqueles relativos a construçãoe manutenção de obras hidráulicas convencionais. Uma vez decidida a recuperação de um rio urbano ou rural, pode-se, com o auxílio de umaequipe multidisciplinar, agregar idéias e planejar cenários onde o controle de enchentes e avalorização ecológica caminhem juntos. 143
  • 144. O planejamento para a recuperação do curso de água deve estar vinculadoaos seguintes objetivos: revitalização do curso de água; ampliação do leito do rio e melhores condições para o escoamento das enchentes; reconstituição da continuidade do ecossistema do curso de água; restabelecimento de faixas marginais de proteção e da mata ciliar; criação de atrativos para o lazer – acesso a água; melhorias na paisagem. As principais atividades para alcançar esses objetivos são: aplicação, onde for possível, de técnicas de engenharia ambiental (quebra- correntes de gabiões, pedras e/ou troncos de árvore; plantio em áreas sujeitas a erosão, etc.), no lugar de obras hidráulicas de engenharia; remoção de obstáculos. Esse conceito é novo na engenharia e já começa a despertar interesse em vários estadosbrasileiros. No entanto, certamente, será absorvido a médio e longo prazos, a exemplo daexperiência estrangeira.144
  • 145. RECOMENDAÇÕES Considerando que os prejuízos das inundações estão intimamente ligados a fatores einterferências atribuídos ao próprio homem, é necessário reavaliar práticas e conceitos até entãoadotados, de forma que novas medidas não convencionais venham compor o elenco de açõespara a amenização das enchentes e seus prejuízos e conviver com elas. 145
  • 146. O nível de urbanização e concentração populacional e de bens materiais nas áreas derisco de inundações, isto é, ao longo das margens dos rios e nas regiões de baixada, vãodiferenciar o número e tipo de ações e práticas recomendáveis. Em qualquer situação, é fundamental a visão global da bacia hidrográfica, elegendo-acomo unidade de gestão participativa, envolvendo o poder público, a sociedade organizada e ossetores produtivo e acadêmico especializado. As ações devem estar integradas ao planejamento municipal, estadual e nacional, sefor o caso, e contemplar os seguintes aspectos: gestão dos recursos hídricos; uso e ocupação racional do solo; manejo adequado na agricultura; e preservação ambiental. Ações Relativas à Gestão dos Recursos Hídricos: redução das vazões máximas das enchentes, através do aumento e recuperação de áreas de retenção natural e/ou artificial e daquelas que permitam maior capacidade de infiltração das águas de chuva; manutenção da capacidade de escoamento dos cursos de água, através de conservação sistemática, política de fiscalização severa quanto à ocupação das margens e ao descarte de lixo e aprovação de critérios rigorosos, com relação a projetos de travessias e à interligação do curso de água com a drenagem urbana; redução das taxas de erosão e sedimentação através de campanhas de recuperação e replantio da vegetação ciliar e reflorestamento da área da bacia; redução das velocidades médias das águas pela recuperação das condições naturais da calha de escoamento; estabelecimento de política permanente para despoluição gradual das águas; aprimoramento dos sistemas de previsão de chuvas e de alerta de enchentes. Ações Relativas ao Planejamento do Uso e Ocupação Racional do Solo: evitar urbanização de áreas sujeitas a inundação como opção mais econômica para reduzir os riscos e prejuizos das enchentes; recuperação ou prevenção de áreas de retenção e de infiltração de águas de chuva; localização e delimitação de áreas inundáveis, promovendo a devida divulgação, informando os riscos envolvidos e, se for o caso, incentivar apólices de seguro; limitação dos investimentos públicos na área e influência para a redução daqueles da iniciativa privada;146
  • 147. inclusão dos cursos de água nos projetos de paisagismo, tornando fatores estéticos positivos do ambiente, permitindo maior integração com a sociedade; zoneamento, preservação e manejo de áreas verdes (maior retenção); implantação de sistemas de coleta e tratamento de esgotos sanitários, disposição ambientalmente sustentável do lodo de ETEs. Ações de Manejo Adequado na Agricultura: manutenção de áreas inundáveis e desenvolvimento de culturas adaptáveis; plantio e cultivo de espécimes que contribuam para diminuir as taxas de erosão em áreas suscetíveis; busca de alternativas para evitar o desmatamento de encostas a favor da agricultura e pecuária; reflorestamento em grande escala, especialmente em áreas rurais de pouco uso; criação de áreas de armazenamento temporário das águas de chuva. Ações de Prevenção Ambiental: ampliação de áreas verdes; intensificação do controle da poluição hídrica; recuperação, onde for possível, de trechos dos cursos de água canalizados e/ou retificados, ampliando a calha do rio, criando condições para revitalização de ecossistemas adaptáveis; educação ambiental. Ações Complementares para Obras Indispensáveis: Todas as obras como canalização, retificação, aterros, diques, muros, etc., que visamreduzir inundações locais, sempre acarretam o aumento das enchentes rio abaixo. Mesmo consciente dessas conseqüências, muitas vezes, é necessário realizar obrasde controle de enchentes para proteção da população já estabelecida nas áreas inundáveis. Para conter o agravamento contínuo das enchentes é indispensável, nestes casos,compensar as perdas de retenção natural ocasionadas pelas obras, complementando-as comoutras medidas de retenção na própria bacia. 147
  • 148. Conceitos Fundamentais para Prevenção e Redução dos Riscos e Prejuízos de Enchentes148
  • 149. Linhas básicas para controle de enchentes e prevenção das inundações 1- Água faz parte da vida A água e os rios, em qualquer região, fazem parte da natureza e sendo essencial à vida e, portanto devem ser considerados em todos os campos da sociedade. 2- Retenção da água A água deve ser retida em toda a área da bacia no maior tempo possível, isto é, pelas matas naturais e reflorestadas, nas áreas cultivadas e nos leitos dos cursos d’água, tanto nos afluentes como no rio principal, inclusive em reservatórios. 3- Espaço para o rio O espaço natural do rio deve ser respeitado de modo a permitir o seu escoamento natural sem aceleração da vazão para jusante. 4- Conhecimento dos riscos Mesmo com obras de controle de enchentes sempre permanece o risco de ocorrer enchentes maiores do que aquelas consideradas no projeto. Deve- se aprender a conviver com tais riscos. 5- Ações solidárias e integradas Ações integradas e solidárias em toda a bacia devem ser concretizadas, considerando inclusive os problemas dos vizinhos a jusante, como pré- condição para o sucesso de todas as ações de controle de enchentes e prevenção de inundações. 149
  • 150. 150
  • 151. Bibliografia:AMADOR, Elmo da Silva. Baia de Guanabara e Ecossistemas Periféricos: Homem e Natureza. Brasil. Rio de Janeiro. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geociências. 1997.BAIXADAS Campistas. Saneamento das várzeas nas margens do Rio Paraíba do Sul a jusante de São Fidélis. Estudos e planejamento das obras complementares . Relatório geral. Brasil: Rio de Janeiro. DNOS Engenharia Galiolli LTDA- RJ. 1969.BINDER, Walter. Rios e Córregos- Preservar, Conservar e Renaturalizar. Brasil: Rio de Janeiro. Projeto Planágua, SEMADS/ GTZ. 1998.CHOW, Ven te. Handbook of Applied Hidrology. EUA: Mcgraw – Hill Book Company. 1964.COSTA, Helder. Subsídios para Gestão dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas dos Rios Macacu, São João, Macaé e Macabu. Brasil. Rio de Janeiro. Projeto Planágua SEMADS/GTZ. 1999.CUNHA, Sandra Baptista da. Impactos das Obras de Engenharia sobre o Ambiente Biofísico da Bacia do Rio São João. Brasil: Rio de Janeiro. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geoquímica. 1995.DIAGNÓSTICO de Drenagem Urbana. Brasil: Rio de Janeiro. Programa Estadual de Investimentos da Bacia do Rio Paraíba do Sul. 1998.ESPECIFICAÇÕES técnicas das obras de meso e macrodrenagem nas Bacias dos Rios Sarapuí e Pavuna Meriti. Brasil: Rio de Janeiro. SERLA. 1989.ESTADO do Rio de Janeiro – Território. Brasil: Rio de Janeiro. Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro. Secretaria do Estado de Planejamento e Controle. Governo do Estado do Rio de Janeiro. 1997.FENDREICH, Roberto. Drenagem e Controle da Erosão Urbana. Champagnat. Editora Universitária. 1997.GUIDELINES for Forward-Looking Flood Protection: Floods – Causes and Consequences - Environment Ministry, Baden - Württemberg. Stuttgart/Alemanha. 1995.INTERFACES da Gestão de Recursos Hídricos – Desafios da Lei de Águas de 1997. Coordenador: Héctor Raúl Muñoz. Brasília. Governo Federal; Ministério do Meio Ambiente; Secretaria de Recursos Hídricos; UNESCO; BIRD. 2000. 2ª edição.INTERNATIONALE KOMMISSION ZUM SCHUTZE DER RHEINS, Aktionsprogramm Hochwasser, Koblenz / Alemanha. 1998.LAWA, Leitlinien für einen zukunftsweisenden Hochwasserschutz – Hochwasser: Ursachen und Konsequenzen, Länderarbeitsgemeinschaft Wasser (LAWA). Stuttgart / Alemanha. 1995.MACIEL Jr, Paulo. Zoneamento das Águas. Um Instrumento de Gestão de Recursos Hídricos. Brasil: Belo Horizonte. 2000.MACROPLANO de Gestão e Saneamento Ambiental da Bacia da Baía de Sepetiba. Brasil. Plano Diretor de Drenagem. 1998. 151
  • 152. MANUAL de Saneamento. Brasil: Brasília. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde, Departamento de Saneamento. 1999.MASCARENHAS, Flávio; NASCIMENTO, Elson; ALMEIDA, Rodrigo: Bacia do Rio Itabapoana- Relatório Final. Brasil: Rio de Janeiro. Projeto Manajé, Grupo de Hidrologia. 1998.MENDEL, Hermann. Elemente des Wasserkreislaufs: Eine kommentierte Bibliographie zur Abflussbildung,Berlim/Alemanha: Analytica. 2000.PFAFSTETTER, Otto. Deflúvio Superficial. Brasil: Departamento Nacional de Obras de Saneamento. 1976.PINTO, Nelson Luiz de Souza; HOLTZ, Antônio Carlos Tatit; MARTINS, José Augusto. Hidrologia de Superfície. Brasil. Edgard Buncher LTDA. 1973.PLANO de saneamento geral e aproveitamento hidroagrícola de projetos prioritários no Estado do Rio de Janeiro. Brasil: Rio de Janeiro. DNOS, Ministério do Interior. 1974.PLANO Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Iguaçu-Sarapuí. Brasil: Rio de Janeiro. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas. 1996.PLANO Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Iguaçu-Sarapuí. Brasil: Rio de Janeiro. Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Fundação de Superintendência Estadual de Rios e Lagoas. 1996.SPEKTRUM WASSER 1, Hochwasser: Bayerisches Landesamt fur Wasserwirtschaft. Munique/Alemanha. 1998.RELATÓRIO de Avaliação das Precipitações Pluviométricas de Fevereiro de 1988 nos Bairros do Município do Rio de Janeiro e Petrópolis. Brasil: Rio de Janeiro. Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA). 1988.RELATÓRIO final de interpretação de imagens satelitárias visando detecção de áreas de risco de enchentes: Brasil. Rio de Janeiro. SERLA, Aerofoto Cruzeiro SA. 1989.REVISTA MUNICIPAL DE ENGENHARIA. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, V. 41. 1990.REVISTA RIO-ÁGUAS. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, V. 1. 1999.RIO DE JANEIRO em seus 400 anos, formação e desenvolvimento da cidade. Brasil: Rio de Janeiro. RECORD. 1965.TORMENTAS Cariocas. Coordenação Luiz Pinguelli. Brasil: Rio de Janeiro. COPPE- UFRJ e COEP. 1997.152
  • 153. INFORMAÇÕES À POPULAÇÃO (ANTES, DURANTE E APÓS INUNDAÇÕES) A PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO, DE FORMA ORGANIZADA E CONSCIENTE, É FUNDAMENTAL PARA O ÊXITO DE UMA OPERAÇÃO DE DEFESA CIVIL, EM CASOS DE EMERGÊNCIA EVITE, AO MÁXIMO, A NÃO JOGUE LIXO NOS IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO. LOGRADOUROS PÚBLICOS E/OU NOS RIOS. CONSTRUA JARDINS NO LUGAR DE CALÇAMENTOS. NÃO DEIXE O SOLO NU. NÃO OBSTRUA O CAMINHO DAS ÁGUAS COM PROCURE PLANTAR NO CONSTRUÇÕES OU ATERROS. SEU TERRENO.ANTES DE CONSTRUIR EM ÁREA DE BAIXADA OU PRÓXIMO A UM RIO,VERIFIQUE JUNTO À PREFEITURA, AOS ÓRGÃOS ESTADUAIS OU AINDA AOSVIZINHOS, SE A ÁREA ESTÁ SUJEITA A INUNDAÇÕES. 153
  • 154. PROCURE CONHECER, ATRAVÉS DA DEFESA CIVIL DO SEU MUNICÍPIO, OS ABRIGOS E OS MEIOS DE DESOCUPAÇÃO QUE SERÃO UTILIZADOS EM CASOS DE CALAMIDADE FORME GRUPOS DE FAÇA CONTATOS COM PESSOAS COOPERAÇÃO ENTRE RESIDENTES NAS PROXIMIDADES, FORA OS MORADORES DA ÁREA DE RISCO. ESSAS PESSOAS PODEM AJUDAR, GUARDANDO SEUS MÓVEIS OU ABRIGANDO SUA FAMÍLIA, EM CASO DE NECESSIDADE EM SITUAÇÕES DE ALERTA OBSERVE O NÍVEL DAS ÁGUAS DOS RIOS TRANSMITA O ALARME AOS PRÓXIMOS À SUA CASA, VIZINHOS EM CASO DE CUIDANDO PARA NÃO ELEVAÇÃO DO NÍVEL DAS FICAR ISOLADO ÁGUAS NO RIO DE JANEIRO, SÃO COMUNS, NO VERÃO, OS TEMPORAIS DE FINAL DE TARDE, DE CURTA DURAÇÃO O CIDADÃO DEVE TER CONHECIMENTO DAS ÁREAS SUJEITAS A INUNDAÇÕES NA SUA REGIÃO. DURANTE CHUVAS INTENSAS, OPTAR POR CAMINHOS ALTERNATIVOS OU AGUARDAR EM LUGAR SEGURO ATÉ QUE AS ÁGUAS BAIXEM154
  • 155. ONDE ESTIVER, LIGUE PARA ... HAVENDO NECESSIDADE DA FAMÍLIA DEIXAR A CASA:Prepare uma bolsa com seus documentos e, se houver alguma pessoadoente, não esqueça os remédios;Procure identificar as crianças, com nome, endereço e tipo sangüíneo;Coloque os móveis e objetos em pontos altos da casa;Desligue a chave geral de luz e do gás;Solte os animais;Utilize lanterna para orientação em locais de difícil visibilidade;Ande sempre calçado, evitando acidentes com objetos cortantes;Evite transitar com veículos em áreas inundadas. Entretanto, se fornecessário, deve-se evitar áreas onde o nível das águas esteja acima dametade dos pneus. Se notar que seu carro possa ser arrastado pelas águas,pare, amarre-o a um poste ou a uma árvore e procure um lugar seguro. 155
  • 156. Antes de entrar em casa, procure identificar a existência de possíveis danos estruturais. Esteja certo de que não haja risco de desabamento; Evite contato com águas das inundações, pois podem estar poluidas e/ou contaminadas por esgotos ou lixo, contendo, certamente, microorganismos transmissores de doenças; Não consuma alimentos que tenham sido atingidos pelas águas da inundação; Não beba água de poços localizados na área inundada, antes que tenha sido examinada; Não permita brincadeiras nem banhos em água acumulada pelas inundações, principalmente quando houver ferimentos; Após o escoamento das águas, procure varrer e recolher o lixo acumulado no seu terreno.156
  • 157. PROJETO PLANÁGUA SEMADS/GTZO Projeto PLANÁGUA SEMADS/GTZ, de Cooperação Técnica Brasil – Alemanha, vemapoiando o Estado do Rio de Janeiro no gerenciamento de recursos hídricos com enfoquena proteção de ecossistemas aquáticos. A coordenação brasileira compete à Secretariade Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMADS, enquanto acontrapartida alemã está a cargo da Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit(GTZ). 1ª fase 1997 - 1999 2ª fase 2000 - 2001Principais Atividades Elaboração de linhas básicas e de diretrizes estaduais para a gestão de recursos hídricos Capacitação, treinamento (workshops, seminários, estágios) Consultoria na reestruturação do sistema estadual de recursos hídricos e na regulamentação da lei estadual de recursos hídricos no. 3239 de 2/8/99 Consultoria na implantação de entidades regionais de gestão ambiental (comitês de bacias, consórcios de usuários) Conscientização sobre as interligações ambientais da gestão de recursos hídricos Estudos específicos sobre problemas atuais de recursos hídricosSeminários e Workshops• Seminário Internacional (13 - 14.10.1997) Gestão de Recursos Hídricos e de Saneamento - A Experiência Alemã• Workshop (05.12.1997) Estratégias para o Controle de Enchentes• Mesa Redonda (27.05.1998) Critérios de Abertura de Barra de Lagoas Costeiras em Regime de Cheia no Estado do Rio de Janeiro• Mesa Redonda (06.07.1998) Utilização de Critérios Econômicos para a Valorização da Água no Brasil• Série de palestras em Municípios do Estado do Rio de Janeiro (agosto/set.1998) Recuperação de Rios - Possibilidades e Limites da Engenharia Ambiental• Visita Técnica sobre Meio Ambiente e Recursos Hídricos à Alemanha, 12-26.09.1998 (Grupo de Coordenação do Projeto PLANÁGUA)• Estágio Gestão de Recursos Hídricos – Renaturalização de Rios 14.6-17.7.1999, na Baviera/Alemanha (6 técnicos da SERLA)• Visita Técnica Gestão Ambiental/Recursos Hídricos à Alemanha 24-31.10.1999 (SEMADS, SECPLAN) 157
  • 158. • Seminário (25-26.11.1999) Planos Diretores de Bacias Hidrográficas• Oficina de Trabalho (3-5.5.2000) Regulamentação da Lei Estadual de Recursos Hídricos• Curso (4-6.9.2000) em cooperação com CIDE Uso de Geoprocessamento na Gestão de Recursos Hídricos• Curso (21.8-11.9.2000) em cooperação com a SEAAPI Uso de Geoprocessamento na Gestão Sustentável de Microbacias• Encontro de Perfuradores de Poços e Usuários de Água Subterrânea no Estado do Rio de Janeiro (27.10.2000) em cooperação com o DRM• Série de Palestras em Municípios e Universidades do Estado do Rio de Janeiro (outubro/novembro 2000) Conservação e Revitalização de Rios e Córregos• Oficina de Trabalho (8-9.11.2000) Resíduos Sólidos – Proteção dos Recursos Hídricos• Oficina de Trabalho (5-6.4.2001) em cooperação com o Consórcio Ambiental Lagos São João Planejamento Estratégico dos Recursos Hídricos nas Bacias dos Rios São João, Una e das Ostras• Oficina de Planejamento (10-11.5.2001) em cooperação com o Consórcio Ambiental Lagos São João Programa de Ação para o Plano de Bacia Hidrográfica da Lagoa de Araruama• Oficina de Planejamento (21-22.6.2001) em cooperação com o Consórcio Ambiental Lagos São João Plano de Bacia Hidrográfica da Bacia das Lagoas de Saquarema e Jaconé• Seminário em cooperação com SEMADS, SERLA, IEF (30.07.2001) Reflorestamento da Mata CiliarPublicações da 1a fase (1997 - 1999) Impactos da Extração de Areia em Rios do Estado do Rio de Janeiro (07/1997, 11/1997, 12/1998) Gestão de Recursos Hídricos na Alemanha (08/1997) Relatório do Seminário Internacional – Gestão de Recursos Hídricos e Saneamento (02/1998) Utilização de Critérios Econômicos para a Valorização da Água no Brasil (05/1998, 12/1998) Rios e Córregos – Preservar, Conservar, Renaturalizar – A Recuperação de Rios. Possibilidades e Limites da Engenharia Ambiental (08/1998, 05/1999, 04/2001) O Litoral do Estado do Rio de Janeiro – Uma Caracterização Físico Ambiental (11/1998) Uma Avaliação da Qualidade das Águas Costeiras do Estado do Rio de Janeiro (12/1998) Uma Avaliação da Gestão de Recursos Hídricos do Estado do Rio de Janeiro (02/1999)158
  • 159. Subsídios para Gestão dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas dos Rios Macacu, São João, Macaé e Macabu (03/1999)Publicações da 2a fase (2000 - 2001) Bases para Discussão da Regulamentação dos Instrumentos da Política de Recursos Hídricos do Estado do Rio de Janeiro (03/2001) Bacias Hidrográficas e Rios Fluminenses – Síntese Informativa por Macrorregião Ambiental (05/2001) Bacias Hidrográficas e Recursos Hídricos da Macrorregião 2 – Bacia da Baía de Sepetiba (05/2001) Reformulação da Gestão Ambiental do Estado do Rio de Janeiro (05/2001) Diretrizes para Implementação de Agências de Gestão Ambiental (05/2001) Peixes de Águas Interiores do Estado do Rio de Janeiro (05/2001) Poços Tubulares e outras Captações de Águas Subterrâneas - Orientação aos Usuários (06/2001) Peixes Marinhos do Estado do Rio de Janeiro (07/2001) 159