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Novas mídias, massas e agendamento
 

Novas mídias, massas e agendamento

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Paper apresentado à disciplina Estudos de Mídia: Pesquisa de Opinião. UnB, mestrado (aluno especial), 2009.

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    Novas mídias, massas e agendamento Novas mídias, massas e agendamento Document Transcript

    • MURILO LAUREANO PINTOUNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. FACULDADE DE COMUNICAÇÃO.ESTUDOS DE MÍDIA 1: PESQUISA DE OPINIÃO – PROF. DR. DARIO DE AZEVEDO   NOVAS MÍDIAS, MASSAS E AGENDAMENTOAs tecnologias de comunicação presentes tendem a sugerir uma nova ordenação social. No campoda comunicação social, o contexto não é diferente. Cabe questionar, no entanto, em que medida anova configuração das relações comunicativas constitui efetiva alternativa, promovida pelos indivíduos,à sociedade e à mídia de massas, ou se implica uma nova organização das mídias estabelecidas,operadas estrategicamente na manutenção de suas funções ideológicas típicas nas democraciasocidentais contemporâneas.Inicialmente, deve-se refutar a inexistência de efeitos sociais das tecnologias de informação ecomunicação. Ainda que não se possa deduzir uma sociedade a partir da introdução de uma técnica,é inegável que a abertura de novas possibilidades trazidas por elas podem definir a configuração deuma coletividade. A escrita, por exemplo, nasceu há cerca de 5-6 mil anos, mas ainda no século IVa.C. seu uso associado ao conhecimento era bastante criticado, entre outros, por Sócrates. Para ele, “odesenvolvimento da escrita acarretaria profundas mudanças nas condições de memorização do sabere das informações”, mudanças essas que classificava como deletérias, já que levaria aos discípulos apresunção de possuir a ciência, não a ciência em si mesma. (BRETON;PROULX, 2002, p. 25)Somente no Renascimento a escrita, associada ao livro impresso, atingiria o relevo social que aindamantém. E isso se deveu não apenas à tecnologia. A sociedade chinesa já dispunha do papel desde oséculo III, a impressão xilográfica era conhecida desde o século IX e a tipográfica desde o XI. A razãode não ter desenvolvido um sistema semelhante à prensa de Gutenberg – mais confiável e que produziaresultados mais uniformes – deveu-se, provavelmente, pela falta de demanda social por tais práticas. Aprimazia alcançada pela escrita, por meio do livro, deveu-se, portanto, a seu uso social, vinculado que foiao mercantilismo e ao universalismo. (BRETON; PROULX, 2002, p.39-50)Depois, com o Iluminismo e o nascimento das sociedades democráticas atuais, a imprensa teve seu usoampliado, passando a deter a centralidade não só do pensamento científico-filosófico, passando a serconsiderada o local de união entre os indivíduos e, portanto, devendo ser dotada da mesma liberdadegarantida a estes. (BRETON; PROULX, 2002, p.52) Isso porque a nova liberdade do indivíduo-cidadão supunha uma escolha, e essa escolha, a informação. O acesso à comunicação social tornou-se assim uma necessidade constitutiva da nova democracia. Informar-se não era mais simplesmente um direito pelo qual os povos haviam lutado, mas um dever revolucionário (...) Quase não houve inovação técnica em matéria de comunicação, mas os modos de expressão tradicionais transformaram-se em meios de comunicação a serviço do espírito republicano. (BRETON; PROULX, 2002, p.53)O vasto desenvolvimento de técnicas em diversas áreas observado na Revolução Industrial, da mesmaforma, permitiu a associação a novos modelos sociais para renovar os processos de comunicaçãosocial. O progresso técnico aliou-se perfeitamente ao liberalismo econômico e político, definindo aimprensa livre como garantidora da disseminação de informações necessária à democracia. E haviaa interdependência entre mercado e publicidade a lhe aproximar ainda mais da lógica mercantil.(BRETON; PROULX, 2002, p.53-60)O circunlóquio introdutório busca uma afirmação, enfim: a informática, como a escrita, surge deuma necessidade inicial de cálculo matemático e memória estanque, passando progressivamentepor apropriações sociais que resultam em usos essencialmente diversos dos para os quais foramoriginalmente pensados (BRETON;PROULX, 2002, p. 68-69). Assim, A emergência do ciberespaço acompanha, traduz e favorece uma evolução geral da civilização. Uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra- se condicionada por suas técnicas. (...) Dizer que a técnica condiciona significa dizer
    • que abre algumas possibilidades, que algumas opções culturais ou sociais não poderiam ser pensadas a sério sem a sua presença. Mas muitas possibilidades são abertas, e nem todas serão aproveitadas. (...) Aquilo que identificamos, de forma grosseira, como “novas tecnologias” recobre na verdade a atividade multiforme de grupos humanos, um devir coletivo complexo que se cristaliza sobretudo em volta de objetos materiais, de programas de computador e de dispositivos de comunicação. (LEVY, 1999, p. 25-28)Dessa forma, ao pensar as novas tecnologias de comunicação e informação e suas implicações, deve-seter presente que são resultado de processos coletivos e contextualizados e que, se não têm necessáriae apropriadamente um “impacto”, carregam implicações sociais intrínsecas e abrem possibilidades quepodem vir a extrapolar seu sentido e proposta iniciais.Antes de se avançar, é preciso especificar o objeto tratado. Quando se fala em novas tecnologiasde comunicação e informação, se passa por mais de meio século de transformações produtivas quedistanciam quase que infinitamente artefatos chamados indistintamente de “computadores”. Ummainframe dos anos 40 está muito mais distante de um smartphone atual do que um televisor a válvulade um HDTV, e não só nem especialmente em termos tecnológicos. Os dois são, não se pode negar,“computadores”, mas seus usos são tão essencialmente diversos que um observador alienígena poderianão ser capaz de associá-los. Talvez pudesse associar os computadores atuais aos televisores de ponta– e estaria correto. Mas, a unir coisas tão diferentes está um mesmo elemento: o digital. Digitalizar uma informação consiste em traduzi-la em números. (...) Em geral, não importa qual é o tipo de informação ou de mensagem: se pode ser explicitada ou medida, pode ser traduzida digitalmente. Ora, todos os números podem ser expressos em linguagem binária, sob forma de 0 e 1. Portanto, no limite, todas as informações podem ser representadas por esse sistema. (LEVY, 1999, p. 50)Assim, a informação digital tem três características fundamentais para o estudo da comunicação social:pode ser representada por diversos tipos de dispositivos – fios elétricos, fitas magnéticos, discos óticos,moléculas biológicas etc.; pode ser transmitida e copiada sem perda, sendo reconstituída integralmenteno momento do uso apesar da degradação decorrente do processo de transmissão ou cópia; e qualquermensagem, reduzida ao código binário, pode ser processada lógica e matematicamente por circuitoseletrônicos especializados (LEVY, 1999, p. 50).São essas características que permitem a emergência de uma transformação central na comunicação,comparável à invenção do alfabeto e que não pode ser subestimada. Pela primeira vez, uma hipermídiaintegra modalidades de escrita, oralidade e audiovisual em um sistema interativo (CASTELLS, 1999,p. 354). Essa interação, efetiva e não somente em termos de reação de mercado ou social, típica dasmídias de massa, constitui outra característica essencial das novas mídias. Foi introduzida no sistemapela necessidade de estudantes submetidos a rigorosos invernos de se comunicar sem deslocamento.O modem pessoal nasceu assim, construído fora da estrutura original da internet, militar, e baseadoem códigos livres, como era comum antes do advento da Microsoft, que criou o modelo de negóciosde software proprietário. Ao tornar-se comercial, a internet adotou não só essa tecnologia, mas aprópria contracultura do movimento hippie e a cultura universitária, acadêmica, de compartihamentodo conhecimento. Decorre dessa origem que os padrões tecnológicos que permitiram e permitem suaamplidão sejam abertos e gratuitos. (CASTELLS, 1999, 362-382).Tais características trazem como conseqüência, que a propriedade intelectual e as informações podemser instantaneamente distribuídas por todo o planeta, reproduzidas infinitamente, praticamente semcusto, sem necessariamente o conhecimento do autor-proprietário e sem nem mesmo deixar de estar emsua posse (BARLOW, 2003 apud MASON, 2008, p. 4). E as próprias mensagens carregam os atributosda rede, de penetrabilidade, descentralidade multifacetada e flexibilidade (CASTELLS, 1999, p. 381).Mason (p.28) demonstra que essa cultura está a ponto de ser levada a outro nível: não só asinformações, mas a própria posse dos meios de produção está caindo nas mãos da massa. Ele registrao projeto RepRap, que busca desenvolver uma impressora caseira de objetos, levando ao extremo umatecnologia que custa atualmente milhares de dólares e serve apenas para criar protótipos de engenhariaindustrial e design. O objetivo do RepRap é construir uma máquina que custe US$ 400 e use comoinsumo materiais ao custo de US$ 0,02/cm³ consumido, criada tanto a máquina quanto os objetos sob
    • código livre; a máquina deve ser capaz de se reproduzir. O protótipo atual já gerou sandálias infantisem 2008, levando um dia – de trabalho autônomo, sem operador – para criar um par. Os arquivos comos projetos, que são lidos pela máquina, ficam disponíveis no site. Há iniciativas, não relacionadas, quepermitem a criação de celulares completamente independentes e compatíveis com as redes de telefoniaoficiais; software e hardware são livres (TuxPhone, 2008). Há ainda quem pretenda desenvolver atémesmo uma infra-estrutura de rede própria, independente de torres, baseada em redes “mesh” (nasquais um mesmo dispositivo é ao mesmo tempo receptor e retransmissor do canal, amplificando oalcance de nós-chave) (DOTPUBLIC,2006)Castells (1999,p. 397) afirma ainda que a sociedade em rede inclui a maioria de suas expressõesculturais no sistema de comunicação digital. Isso enfraqueceria o poder simbólico dos emissorestradicionais, posicionados fora do sistema (família, moral, autoridade, religião). “Não que desapareçam,mas são enfraquecidos a menos que se recodifiquem no novo sistema” (id.).Mason (p. 231-240) acredita que, no que tange o mercado, é o que acontecerá. Para ele, o modo “pirata”de produção – cultura de código aberto, compartilhamento, distribuição livre e reaproveitamento, legal ouilegal – abre novos espaços, fora do mercado, e força as empresas à readaptação, passando a ser maiseficientes e ganhar novos clientes; a sociedade, após o ajuste, ganha o máximo de valor adicionado. Oautor afirma que os piratas não irão subverter o capitalismo, mas se apresentam – desde as origens dapirataria, nos mares – como um excelente modelo de negócios, que irá levar, hoje, à uma nova linhagemde capitalismo, onde a produção em massa subsiste, mas de forma mais democrática, que ele chama de“capitalismo punk”.Com relação à cultura, observa-se movimentos semelhantes: enquanto religiões tradicionais perdemfieis, o bispo Macedo mantém uma conta “pessoal” no Twitter[1]. A mídia parece entender o contexto,como são exemplos algumas campanhas publicitárias globais – Sprite, “Imagem não é nada” – ou,como coloca o proprietário da NewsCorp, holding de editoras, jornais, rádios, gravadores, estúdios,emissoras, canais a cabo, por satélite, sites, agências de publicidade e de notícias, bares, times defutebol americano e de metade da liga de Rugbi da Austrália, Rupert Murdoch: O poder está se afastando da velha elite de nossa área, os editores, executivos e, encaremos, os proprietários. Uma nova geração de consumidores de mídia se levantou, demandando conteúdos distribuídos quando eles querem, como eles querem e na medida em que eles querem. (apud MASON, p. 49)A situação do jornais atualmente nos Estados Unidos sugere novo reforço à perspectiva de Mason.Incapazes de responder às questões colocadas pela internet em seu campo comercial, os jornaistendem a sucumbir, principalmente no momento de crise atual (LERER, 2009). Mas, como Mason,Castells (1999, p.499) também acredita que “essa evolução para as formas de gerenciamento eprodução em rede não implica o fim do capitalismo. (...) Mas esse tipo de capitalismo é profundamentediferente de seus predecessores históricos.”No campo da comunicação, podemos afirmar que a mudança principal está no domínio sobre osconteúdos. Os magnatas da mídia perceberam que a geração de conteúdos e de sua distribuição nãobasta mais à manutenção do poder simbólico de que dispõem. Castells e outros (2004, p. 238-249),mais recentemente, também observam uma mudança essencial, advinda com os novos aparelhoscelulares, principalmente: os indivíduos estão constantemente submetidos a contextos diversos,simultâneos (assistem televisão em família e mantêm contatos com membros de outras redes, porexemplo); produzem o conteúdo e fornecem serviços alternativos aos oficiais ou do mercado; maisque consumismo ou estilo, os aparelhos são expressão de identidade orientada pela apropriação datecnologia embarcada; a linguagem passa por mudanças; e termos nascidos das limitações da digitaçãopassam a ser usados em ambientes formais, com implicações culturais. Estamos convencidos que contemplamos a emergência de uma nova paisagem social na qual pessoas individualmente se esforçam para arcar com a responsabilidade de construir redes de comunicação com base em quem são e o que querem. A liberdade é uma aventura perigosa. A alternativa, no entanto, é a exclusão das redes de comunicação que movem nossas vidas em nossa era. (CASTELLS et al., 2004, p. 249)
    • As novas gerações não pretendem se excluir. Dadas as condições de acesso – economia, infra-estruturaetc. – tendem a se adaptar muito bem aos novos recursos. Começam a se tornar comuns casos decontas de telefonia celular de dezenas de páginas, com cobranças pela troca de até 20 mil mensagensde texto em um mês, por adolescentes de menos de 15 anos. (MATYSZCZYK, 2009; FARRELL, 2009).Mas, a questão está no acesso. E não só em termos de inclusão digital. O papel antes exercido pelosveículos de massa está hoje em parte sendo transferido para os provedores de infra-estrutura deacesso. São eles que detém a capacidade de manipular as informações de modo a privilegiar ou banirdeterminadas comunicações – em um mundo onde todos podem produzir conteúdos com os mesmosatributos de qualidade que as empresas de mídia típicas, os provedores colocam-se como novosgatekeepers em potencial. Não se fala de manipulação das mensagens em si. Mas, sim, dos dadospelos quais elas são transmitidas. Tecnologias como filtros de correio eletrônico e de conteúdo oumodelagem de tráfego são buscadas pelos provedores de internet e o modelo de negócios limitandocertos serviços e favorecendo o tráfego originado de geradores e distribuidores de conteúdo parceiros –que paguem pelo privilégio – tem sido limitado em maior ou menor extensão por legislações em todo omundo.A proteção à neutralidade da rede existe desde o telégrafo (ESTADOS, 2003) e permitiu odesenvolvimento da internet como se conhece (BERNERS-LEE, 2006). Mas hoje provedores temadotado a prática, sem que seja decisivamente proibido, e alguns países estudam leis que efetivamentepermitam algum grau de modelagem de tráfego para certos aplicativos, serviços e conteúdos. NosEstados Unidos, a neutralidade foi removida em 2005, quando se afastou a aplicação do princípiorelacionado a telefones (OPEN, 2008). Hoje, com a concentração da propriedade não só no espaço dosconteúdos, mas também na infra-estrutura, a questão da neutralidade da rede se aproxima do direito àliberdade de comunicação.Na essência, ainda não resolvido, resta o colocado pelo pesquisador do Media Lab do MIT StewartBrand na primeira Hacker’s Conference, em 1984: A informação quer ser gratuita – porque agora é tão simples copiar e distribuir casualmente – e a informação quer ser cara – porque na Era da Informação, nada é tão valioso como a informação correta no momento certo. (BRAND apud CLARKE, 2000)No entanto, toda técnica traz embutida em si projetos e esquemas imaginários, mesmo que não sepossa concluir já em sua origem os usos sociais que estão por ela condicionados (LEVY, 1999, p. 23).No caso da internet, ela traz como valores intrínsecos a universalidade, a alteridade e a autonomia (id.,p. 130-133). Na comparação com as mídias de massa, o que esses valores implicam é o afastamentoda descontextualização das mensagens. Ao invés de ampliar a lógica da redução da mensagem aoseu mínimo denominador comum, capaz de ser absorvido de forma uniforme independentementedo contexto ou repertório do receptor, diante da incapacidade de interação e retroalimentação, asnovas mídias universalizam o contexto, permitem a interação e favorecem a participação autônomados indivíduos em um ambiente compartilhado qualquer que seja a aplicação específica que se trate:comunidades, jornais, blogs, comunicadores instantâneos, email... todos estão unidos pelo link,formando um único inter e hipertexto (LEVY, 1999, p. 111-121).Observadas as inovações tecnológicas das últimas décadas – Microsoft e Apple, ambiente enavegadores web, Google – e furos “jornalísticos” – de Monica Lewinski pelo Drudge Report aosbilhetes aéreos no parlamento pelo Congresso em Foco – todos têm em comum terem sido articuladosinicialmente por indivíduos ou pequenos grupos, dispondo de recursos parcos, não diferentes da maioriados cidadãos de classe média e infinitamente inferiores aos das grandes empresas de suas respectivasáreas. Ao contrário, a fusão AOL-Time Warner em 2000 – a maior até então, englobando marcas comoCNN, Forbes e HBO – não trouxe nenhuma inovação significativa, tendo registrado dois anos após perdade US$ 100 bilhões do total de US$ 350 bilhões em que era cotada, em decorrência de reavaliação deativos intangíveis – como a criatividade e inovação. (HU;JUNNARKAR, 2000; WILLENS, 2003).Esses indícios reforçam a idéia de que há efetivamente espaço para uma superação da lógica midiática.Certamente, em sua configuração atual, a internet desfavorece a sociedade do espetáculo e propõe umestilo de comunicação não midiático, “mas comunitário, transversal e recíproco” (LEVY, 1999, p. 224).
    • Ao mesmo tempo em que estabelecem uma percepção comum, as mídias não permitem a comunicação entre aqueles que percebem a mesma “realidade”. (...) Em contrapartida, no ciberespaço, não se trata mais de uma difusão a partir dos centros, e sim de uma interação no centro de uma situação, de um universo de informações, onde cada um contribui explorando de forma própria, modificando ou estabilizando (...) O ciberespaço abriga negociações sobre significados, processos de reconhecimento mútuo dos indivíduos e dos grupos por meio da atividade de comunicação (harmonização e debate entre os participantes). (...) Acrescentemos que é muito mais difícil executar manipulações em espaço onde todos podem emitir mensagens e onde informações contraditórias podem confrontar-se do que em um sistema onde os centros emissores são controlados por uma minoria. (LEVY, 1999, p. 224-225).Reitere-se que refluxos e retrocessos são possíveis, e ameaças – como a quebra da neutralidadeda rede, mas também outras – estão constantemente presentes e também sujeitas à criatividade e àinovação de indivíduos e da sociedade. São diversos os ciclos de obscurantismo e renascimento nahistória da civilização, e a tensão persiste.Mas a realidade atual é que há notícias circulando sem nunca terem sido editadas profissionalmente;filmes sem atores; teorias sem revisão de pares; patentes sem royalties; campanhas sem partidos... Maisque isso, os indivíduos podem não só acessar às mensagens – em sentido amplo –, mas àqueles outrosindivíduos que as conceberam, como antecipava Levy (1999, p. 231).A persistir e aprofundar-se a lógica presente, verifica-se que há espaço crescente para a participaçãode diversos atores no processo de agendamento. E com a crescente dependência da mídia de massade fontes e autoridades tradicionais e mensagens de impacto (PAYNE, MATSAGANIS, 2006), ganhamforça sujeitos alternativos, reforçados pelas possibilidades das novas mídias. Vive-se um momentode transição, mas as características das tecnologias que sustentam a nova organização do ambientede comunicação social sugerem uma expansão da lógica que hoje apenas insinua uma consolidaçãofutura – e quando ocorra poderá estar estabilizada em uma configuração bastante diversa da verificadaatualmente. REFERÊNCIASBERNERS-LEE, Tim. Net Neutrality: This is serious. DIG. Cambridge, MA. 21 Jun. 2006. Disponível em<http://dig.csail.mit.edu/breadcrumbs/node/144>. Acesso em 24 mar. 2009.BRETON, Philippe; PROULX, Serge. A sociologia da comunicação. São Paulo: Loyola, 2002. 287p.CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Vol. 1. São Paulo: Paz e Terra, 1999. 617p.______ et al. The Mobile Communication Society. In: International Workshop on WirelessCommunication Policies and Prospects, 2004, Los Angeles. Research report.CLARKE, Roger. "Information Wants to be Free ...". Roger Clarke’s Web Site. Austrália. 24 Feb. 2000.Disponível em <http://www.rogerclarke.com/II/IWtbF.html> Acesso em 24 mar. 2009.DOTPUBLIC: The Universal Network. Disponível em < http://dotpublic.istumbler.net/ >. Acesso em 24mar. 2009.ESTADOS UNIDOS. Pacific Telegraph Act of 1860. 16 Jun. 1860. Central Pacific RailroadPhotographic History Museum. San Diego, 2003. Disponível em <http://cprr.org/Museum/Pacific_Telegraph_Act_1860.html>.Acesso em 24 mar. 2009.FARREL, Nick. Texting teen sent 14,528 text messages in a month. The Enquirer. 13 Jan. 2009.Disponível em <http://www.theinquirer.net/inquirer/news/353/1050353/texting-teen-sent-14-528-text-messages-in-a-month> Acesso em 24 mar. 2009.JUNNARKAR, Sandeep; HU, Jim. AOL to buy Time Warner in historic merger. CNet. 10 Jan. 2000.Disponível em <http://news.cnet.com/2100-1023-235400.html>.Acesso em 24 mar. 2009.LERER, Kenneth. How We Got Here and How We Get Out of Here. The Huffington Post. Nova Iorque,NY. 24 Apr. 2004. Disponível em <http://www.huffingtonpost.com/kenneth-lerer/how-we-got-here-and-how-w_b_191137.html> Acesso em 24 mar. 2009.LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999. 264p.MASON, Matt. The Pirate’s Dilemma. New York: Free Press, 2008. 276p.MATSAGANIS, Matthew; PAYNE, J. Agenda-Setting in a Culture of Fear. International CommunicationAssociation. Annual Meeting. Dresden, Germany, 16 Jun. 2006. Disponível em<http://www.allacademic.com/meta/p_mla_apa_research_citation/0/9/0/3/5/p90352_index.html>. Acesso em 24
    • mar. 2009.MATYSZCZYK, Chris. Dad takes hammer to kids cell for 10,000 texts. CNet News. 10 Apr. 2009.Disponível em <http://news.cnet.com/dad-takes-hammer-to-kids-cell-for-10000-texts>. Acesso em 24mar. 2009.OPEN Internet Coalision. Common Questions. Disponível em <http://www.openinternetcoalition.com/index.cfm?objectid= 00175D28-F1F6-6035- BF6EA329CD5BD3F4> Acesso em 24 mar. 2009.REPRAP. Disponível em <http://www.reprap.org/bin/view/Main/ItemsMade> Acesso em: 24 mar. 2009.TUXPHONE. Disponível em <http://www.opencellphone.org>. Acesso em 24 mar. 2009.WILLENS, Robert. No Tax Break for AOLs $100b in Goodwill . CFO. 10 Mar 2003. Disponível em <http://www.cfo.com/article.cfm/3008674>. Acesso em 24 mar. 2009.[1] http://twitter.com/bispomacedo. O Twitter é a mas recente “next big thing” a ser adotada pelo mainstream,passando a ser destaque em emissoras, revistas e jornais tradicionais.