Inovações na gestão de bibliotecas públicas - William Okubo #bibliocamp

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William Okubo - Biblioteca Mario de Andrade - bibliocamp 2011

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  • 1. Inovações na gestão de Bibliotecas Públicas algumas experiências Biblioteca Mário de Andrade William Okubo
  • 2. A realidade na maioria das Bibliotecas Públicas no Brasil:
    • - Estão subordinadas a secretarias ou departamentos municipais/estaduais de cultura ou de educação;
    • Não possuem autonomia administrativa e muito menos financeira;
    • Maioria dependem principalmente de concurso público para ingresso de pessoal;
    • - Dos dirigentes 57% tem nível superior e 40% tem nível médio. 52% deles disseram não ter capacitação específica * ;
    • 83% do acervo é composto de doações * ;
    • Excesso de preocupação com atividades burocráticas ou técnicas.
    • Exceção
    • - Capitais e grandes cidades possuem redes de bibliotecas com alguma estrutura e autonomia.
    * Censo Nacional de Biblioteca Públicas Municipais 2009
  • 3. Penso que o último problema apresentado é grave, tanto que várias pesquisas apontam o mesmo em relação a burocracia e o “modus operandi” tradicional do serviço público dentro de Bibliotecas: "O ritmo da cultura é incompatível com o ritmo da administração, a inventividade da cultura é incompatível com a rotina da administração, e a infra-estrutura para que um projeto se realize é incompatível com os quesitos da administração". Marilena Chauí "As poucas bibliotecas públicas que vão muito além disso representam exceções no grande mar de acomodação que domina o ambiente dessas instituições, cercadas por práticas burocráticas e burocratizantes e afastadas das reais necessidades da população brasileira. Pode-se imaginar, assim, que o avanço das bibliotecas comunitárias ocorre em espaço não preenchido pelas bibliotecas públicas. Portanto, virgem às inovações". Elisa Machado e Waldomiro Vergueiro ALGUMAS MUDANÇAS NA GESTÃO A realidade na maioria das Bibliotecas Públicas no Brasil:
  • 4. Biblioteca de São Paulo
    • Instituição ligada a Secretaria de Estado da Cultura do Estado de São Paulo. Administrada pela Organização Social de Cultura "SP Leituras“.
    • Forma de administração foi implementada em 1998, durante a gestão Mário Covas. O relacionamento da Secretaria com a OS se dá por intermédio de um contrato de gestão onde estão expressas as metas a serem realizadas no ano, bem como os valores de repasse necessários a sua execução.
    • Permite maior agilidade de gestão, pois está livre das várias amarras e excesso de procedimentos de controle do serviço público:
    • Contratação de pessoal especializado sem concurso público (em regime CLT);
    • Contratação de serviços terceirizados sem necessidade de pregões: segurança, limpeza, tecnologia da informação;
    • Agilidade na aquisição de livros e assinatura de periódicos sem necessidade de cartas de exclusividade e processos individuais para cada fornecedor.
  • 5. Biblioteca de São Paulo
    • Exemplo de transparência da relação Governo x OS x Usuários:
    • http://bibliotecadesaopaulo.org.br/2011/08/30/as-verdadeiras-metas-de-gestao/
    • Outras experiências com Organizações Sociais de Cultura no Estado de SP:
    • Fábricas de Cultura x Catavento;
    • Casa das Rosas x Poeisis;
    • Oficinas Culturais
    • Sala São Paulo
    • Teatro São Pedro
    • Desafios
    • Transparência na escolha das Organizações Sociais;
    • Riscos inerentes a mudanças em possível troca de gestão partidária no Governo.
  • 6. Biblioteca Parque de Manguinhos
    • Instituição ligada a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.
    • Implantada com recursos oriundos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal, foi possível realizar contratações com recursos de forma mais ágil;
    • Contratação de pessoal da própria comunidade, após seleção e entrevista, via Edital público;
    • Possível passagem para gestão por Organização Social?
    • Informações anotadas em palestras sobre a Biblioteca.
    Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso - SP
    • Instituição ligada a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.
    • Gestão compartilhada com OSCIP contratada;
    • Na Biblioteca, a chefe é uma servidora pública e a equipe é contratada pela OSCIP.
  • 7. Reestruturação da Biblioteca Mário de Andrade - SP
    • Apesar de tratamento especial direcionado pela Secretaria Municipal de Cultura, a Mário no papel somente uma biblioteca ramal “grande”.
    • Em 2005 foi transformada em Departamento, mas somente em 2009 conquistou autonomia administrativa e financeira.
    • A partir daí, vieram as mudanças:
    • Reforma: resultados após 1 ano de reabertura;
    • Umas das grandes alterações foi o desmembramento de chamada Divisão de Acervo em duas Supervisões, uma de Atendimento e outra de Acervo. Porém, o mais importante foi uma mudança de mentalidade: priorizar sempre questões ligadas ao atendimento, sem desprezar serviços-meio, também fundamentais para que as metas dos serviços-fim sejam alcançados;
    • O quadro de funcionários, composto majoritariamente por servidores públicos concursados, muitos sem qualificação adequada e desmotivados por não haver políticas de gratificação por mérito, passou a ser treinado em serviço ou participando de cursos fora da instituições e motivados pela concessão de gratificações, principalmente para pessoal operacional e com ensino médio;
  • 8. Reestruturação da Biblioteca Mário de Andrade - SP
    • Apesar de tratamento especial direcionado pela Secretaria Municipal de Cultura, a Mário no papel somente uma biblioteca ramal “grande”.
    • Em 2005 foi transformada em Departamento, mas somente em 2009 conquistou autonomia administrativa e financeira.
    • A partir daí, vieram as mudanças:
    • Umas das grandes alterações foi o desmembramento de chamada Divisão de Acervo em duas Supervisões, uma de Atendimento e outra de Acervo. Porém, o mais importante foi uma mudança de mentalidade: priorizar sempre questões ligadas ao atendimento, sem desprezar serviços-meio, também fundamentais para que as metas dos serviços-fim sejam alcançados;
    • O quadro de funcionários, composto majoritariamente por servidores públicos concursados, muitos sem qualificação adequada e desmotivados por não haver políticas de gratificação por mérito, passou a ser treinado em serviço ou participando de cursos fora da instituições e motivados pela concessão de gratificações, principalmente para pessoal operacional e com ensino médio;
  • 9. Reestruturação da Biblioteca Mário de Andrade - SP
    • - Contratação de profissionais em "cargos de confiança" com conhecimentos específicos para desenvolver atividades específicas. Foram contratados bibliotecários especializados em multimeios, planejamento, catalogação de obras raras e em atendimento e outros profissionais com arquiteta, assistente jurídico, jornalista, historiador, preservador de acervos em papel, especialista em gestão de projetos entre outros.
    • Todos foram selecionados após análise curricular, entrevista e avaliação escrita.
    • Ampliação do quadro de estagiários para 15 vagas e alocação da maioria deles para apoiarem as atividades de atendimento ao público e não nas áreas técnicas como tradicionalmente era feito. Apesar de salário baixo, o “nome” da instituição e notícias de mudanças estimulam o interesse; A juventude destes, deu novo ânimo aos servidores e vários foram contratados devido ao bom desempenho!
    • Antes da reforma da Biblioteca, a proporção de tempo que os bibliotecários ficavam no atendimento direto em relação aos auxiliares era bem menor. Na reabertura, a equipe de bibliotecários do atendimento permanecem mais tempo atendendo do que em serviços internos, logo, sua “expertise” trouxe melhor qualidade ao atendimento;
    • Comunicação melhorou: envio de e-mails no aniversário dos usuários, informe de data de devolução de empréstimos e posterior cobrança, etc;
  • 10. Reestruturação da Biblioteca Mário de Andrade - SP
    • - Ampliação e capacitação da equipe de Tratamento da Informação, bem como o deslocamento de profissional jovem e motivada para liderar a mudança permite o encaminhamento de ao menos 130 livros novos toda semana para as áreas de atendimento;
    • Implantação, dentro da Supervisão de Acervo, de área de Desenvolvimento de Coleções, que teve como objetivos iniciais elaborar os esboços de uma Política de Desenvolvimento de Coleções (DPC) de aquisições e doações para a área de empréstimo e depois para toda a Biblioteca.
    • Novos desafios
    • Os cargos de confiança acabaram e a demanda por novos serviços e a abertura do edifício Anexo demanda uma nova solução, que pode ser a abertura de concurso público, a contratação de uma Organização Social ou OSCIP ou a ampliação dos cargos de confiança. Qual será o caminho?!
    • Torre de Babel de formas de provimento de funcionário gera muitos atritos;
    • Risco de uso de cargos de confiança para nomear não-especialistas;
    • Avançar na desburocratização, agora na área de Tecnologia da Informação para permitir presença nas redes sociais e adesão aos e-books.
  • 11. Desenvolvimento de Coleções: desafios Desafio 1 Definir o que comprar para atualizar o acervo e depois mantê-lo atualizado, inclusive atendendo as demandas dos usuários após a reabertura da Biblioteca. Encaminhamentos - Após discussões internas foi criada lista de assuntos para aquisição: do total, apenas 10% poderiam ser obras de autoajuda e bestsellers. Aquisição de obras literárias foi priorizada; - Como a região central de SP possui muitos teatros e escolas de teatro a coleção de livros sobre teatro (técnica, textos, crítica) foi ampliada; - Livros sobre a cidade de SP existentes nas coleções foram reunidos e novos títulos foram adquiridos para atender comodamente turistas e pesquisadores; - Áreas para estudos voltadas para “concurseiros” foram organizadas, apesar do projeto arquitetônico de reforma não ter previsto tais áreas. Apostilas e obras utilizadas foram mantidas e novas foram adquiridas.
  • 12. Desenvolvimento de Coleções: desafios Desafio 2 Processos de aquisição de livros e assinatura de revistas repletos de idas e vindas, em grande parte provocadas pelos ritos impostos pela Lei de Licitações e Contratos. Solução 1 Novas rotinas internas foram implementadas para evitar vai e vem sem fim dos processos. Apesar da ação acima, se comprovou que a "roda" é tão quadrada que era preciso criar uma forma nova de adquirir acervo com mais agilidade, pois vários livros selecionados pela equipe e solicitados pelos usuários demoravam meses para chegar ou nunca chegavam . Solução 2 Somente após ouvir experiências como a da BSP e pesquisar em editais de compras de livros de outras instituições, a Assessoria Jurídica foi convencida da possibilidade de comprar livros de forma rápida, bastando enviar a lista de livros que a Biblioteca precisa para recebê-los. Por enquanto, serão mantidas compras com carta de exclusividade, uma vez que os descontos obtidos nas compras diretas com editoras é maior (40 a 45%) que o obtido na nova forma de compra (30%).
  • 13. Desenvolvimento de Coleções: definições Um dos objetivos principais da PDC esboçada era trazer o público de volta à Biblioteca oferecendo acervo de qualidade, além de também atender suas solicitações. Para atingir esse objetivo foi criada Comissão Interna de Seleção - composta por membros permanentes e ocasionais, responsáveis por sugerir obras e analisar indicações de funcionários e usuários. Algumas definições polêmicas: - Não adquirir romances religiosos (espíritas, evangélicos, entre outros); - Não adquirir livros Infantojuvenis e quadrinhos , exceto de autores importantes e premiados; - Não adquirir livros de autoajuda; Doações e usuários que solicitam doações de obras das características acima são encaminhados para bibliotecas com acervos específicos da região centro de São Paulo: Federação Espírita Brasileira, Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato e projetos parceiros como Bookcrossing e Bicicloteca. O processo é um pouco diferente do adotado pela Biblioteca de São Paulo, onde o divulgado é disponibilizar tudo que está nas livrarias. Será que tudo que o mercado editorial publica deve ser disponibilizado nas Bibliotecas Públicas, que devem gastar com parcimônia com o dinheiro do povo?
  • 14. Desenvolvimento de Coleções: surpresas!
    • É grande a demanda por livros populares ( bestsellers , autoajuda , saúde, generalidades), e estes estão entre os mais emprestados, mas autores premiados e clássicos são surpresas surpreendentes:
    • Livros mais Emprestados e m dois períodos do ano de 2011:
    • - Alguns livros do filósofo Nietzsche não param nas estantes: dos 12 títulos disponíveis há 3 dias 6 estavam emprestados. “Além do bem e do mal” possui 2 exemplares que estão sempre emprestados;
    • - “Crime e Castigo”, de Fiodor Dostoievski, está com seus 3 exemplares emprestados. Tivemos que comprar mais 2 exemplares para diminuir a fila de espera para “O Idiota” do mesmo autor;
  • 15. Desenvolvimento de Coleções: para pensar........ Somente numa sociedade mais igualitária as obras literárias poderão transitar sem barreiras, enfraquecendo a divisão percebida entre popular e erudito. Em nossa sociedade há fruição segundo as classes na medida em que um homem do povo está praticamente privado da possibilidade de conhecer e aproveitar a leitura de Machado de Assis ou Mário de Andrade. Pare ele, ficam a literatura de massa, o folclore, a sabedoria espontânea, a canção popular, o provérbio. Estas modalidades são importantes e nobres, mas é grave considerá-las como suficientes para a grande maioria que, devido à pobreza e a ignorância, é impedida de chegar às obras eruditas. Para que a literatura chamada erudita deixe de ser privilégio de pequenos grupos, é preciso que a organização da sociedade seja feita de maneira a garantir uma distribuição eqüitativa dos bens. Em princípio, só numa sociedade igualitária os produtos literários poderão circular sem barreiras, e neste domínio a situação é praticamente dramática em países como o Brasil, onde a maioria da população é analfabeta, ou quase, e vive em condições que não permitem a margem de lazer indispensável à leitura. Por isso, numa sociedade estratificada deste tipo a fruição da literatura se estratifica de maneira abrupta e alienante. Antônio Candido
  • 16. Os perdedores lançam websites. Os vencedores lançam comunidades vibrantes. Os perdedores constroem jardins murados. Os vencedores constroem praças públicas. Os perdedores inovam internamente. Os vencedores inovam com os seus utilizadores. Tapscott & Williams – ‘How Mass Communication Changes Everything’ [email_address] @WillOk