O profissional da informação na sociedade do conhecimento mediadores e interagentes

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  • 1. O profissional da informação na sociedade do conhecimento: mediadores e interagentes? Regina Celia Baptista Belluzzo rbelluzzo@gmail.com
  • 2. Estamos em plena era digital...
  • 3. A mensagem é a mensagem.... (CASTELLS, 1997) • Redes digitais de comunicação, interligam o mundo e as pessoas e possibilitam o acesso simultâneo a diversas mensagens individualizadas, utilizando diferentes meios – a interatividade potencializa a audiência. • As práticas atuais de gestão vão ao encontro da multidisciplinaridade, da flexibilidade, da velocidade, da precisão e da pontualidade da informação. • Estamos em um “novo paradigma digital” fundamentado em uma “cultura digital”, termos emergentes que vêm sendo apropriados por diferentes setores e que incorpora perspectivas diversas sobre o impacto das TIC e da conexão em rede na sociedade.
  • 4. Informação na sociedade da informação • O fluxo de informação, presente na sociedade da informação, advém, em grande parte,da emergência e da centralidade das tecnologias de informação e comunicação – TIC - no processo de produção e desenvolvimento. • As práticas sociais e culturais sofreram mudanças em decorrência desse processo, fazendo surgir, portanto, novas exigências e desafios para a sociedade. • Tal realidade coloca em discussão as novas relações sociais e as experiências virtuais emergentes, fazendo com que a sociedade busque realizar uma prática interdisciplinar, capaz de ampliar o escopo de atuação. • Conseguimos identificar exigências e apontar problemas, porém, o trabalho de construção das soluções ideais ainda está por ser executado.
  • 5. Economia do conhecimento • Vivemos em uma economia onde a única certeza é a incerteza, sendo o conhecimento a única fonte mais confiável para a competitividade. • O conhecimento não deve ser interpretado como uma questão apenas de processamento da informação nas organizações. • Depende de insights, intuições e de ideais tácitos e da subjetividade das pessoas, onde o elemento crítico é o comprometimento pessoal e o senso de identidade com a sociedade contemporânea.
  • 6. Papel estratégico da informação... • A informação tem um papel estratégico que não ocorre pela informação em si mesma e sim pelo seu conteúdo estratégico. • O conteúdo estratégico não se manifesta espontaneamente porque é apenas o objeto de um processo. • A informação enquanto processo exige a mediação e da interação humanas, pressupondo recursos intelectuais (memória, imaginação, percepção e raciocínio) organizados em torno de metodologias que objetivam a identificação dos conteúdos estratégicos.
  • 7. Uma perspectiva diferente... • Migramos da função de “carregar informações em quantidade” para a “necessidade de técnicas de comunicação para filtrar, navegar no saber e pensar juntos, em lugar de carregar consigo grandes massas de informação” (LÉVY, 1999). • O que importa é que as informações transitem, cresçam e aperfeiçoem-se na interconexão humana e sejam colocadas à disposição no momento certo, às pessoas certas, na medida adequada para ajudá-las na compreensão da realidade e na solução de questões específicas.
  • 8. Concepções da informação Criadores Processadores MERCADORIA Valor RECURSO Econômico Usuários Cadeia de Produção Poder e FORÇA SOCIAL Fluxo Contexto PERCEPÇÃO DE e PADRÕES Uso Recebe Produz Efeitos Efeitos e e Impactos Impactos
  • 9. Informação e conhecimento INFORMAÇÃO CONHECIMENTO Conjunto de dados que Referências a atividades se transformam em cognitivas posteriores do conhecimento por meio sujeito histórico ativo da individualidade do individualmente, sendo sujeito histórico ativo e restrito a ele e diferente pode ser compartilhado para cada indivíduo. coletivamente Produto é Produto é processado Produtor situa-se em um Individual e e disseminado contexto histórico-social e é único. coletivamente afetado por diversos fatores e os afeta também
  • 10. A gestão da informação na era digital: um espectro... “A informação precisa ser considerada como sendo estruturas significantes com a competência de gerar conhecimento no indivíduo, em seu grupo, ou na sociedade [...] Fica estabelecida uma relação entre a informação e o conhecimento que só se realiza se a informação é percebida e aceita como tal, colocando o indivíduo em um estágio melhor”. (BARRETO, 2006).
  • 11. Algumas tendências... Existência de uma arquitetura de informação que tenha novas linguagens e categorizações para identificar e obter perfís e competências. Oferta de uma arquitetura tecnológica mais social, aberta, flexível e que atenda às necessidades individuais e coletivas. Criação de uma arquitetura de aplicações orientada para a solução de problemas e a representação do conhecimento.
  • 12. Eis o nosso tempo...
  • 13. E a atuação dos bibliotecários... • Desempenho de atividades em unidades de informação, desde as denominadas bibliotecas, centros de documentação / informação, redes de bibliotecas, sistemas de informação e bases de dados, até as bibliotecas digitais e virtuais, entre outras, bem como no gerenciamento de meios eletrônicos de comunicação: correio eletrônico (“e-mail”), listas de discussão, salas virtuais (”chats”), Bibliotecários passam a ser “newsgroups”, blogs, facebook, mediadores e interagentes twitter, teleconferências e outros nesse cenário. recursos.
  • 14. Mediadores e interagentes? • Assumir o papel de mediador e interagente na sociedade da informação significa : • Investir na criação de competências suficientemente amplas que lhes permitam aplicar criativamente as novas mídias, seja em usos simples e rotineiros, sejam em aplicações mais sofisticadas. • Trata-se também de “aprender a aprender”, de modo a serem capazes de lidar positivamente com a contínua e acelerada transformação da base tecnológica, acessar a informação de forma inteligente e contribuir com a construção do conhecimento.
  • 15. Mediação nas bibliotecas: primórdios... • Paul Otlet (1934) já indicava que a função do bibliotecário era “organizar e administrar uma biblioteca”, sendo ele uma mistura de educador, de trabalhador intelectual e manual, de gestor e de organizador. •Seu objetivo central deveria ser de “dar a conhecer as possibilidades do livro” mediante motivação: • Intelectual – considerando-se que o livro e a biblioteca pertencem ao mundo da ciência, da estética, da moral e do espiritual. • Técnica – conseguir que qualquer operação ocorra com os melhores procedimentos, os melhores materiais, os melhores instrumentos e as melhores pessoas. • Social – demonstrar preocupação em ser útil ao maior número de pessoas e trabalhar sempre para o progresso da sociedade. • Ser um “servidor dos servidores da ciência”, atuando na mediação do movimento universal em prol das bibliotecas para o alcance do progresso geral da humanidade, por assumir sua missão de “assistência ao leitor e ao pesquisador”.
  • 16. Mediação: um processo... • A mediação é considerada como um processo de interlocução ou interação entre os membros de uma comunidade, pelo qual se estabelecem laços de sociabilidade. • A linguagem e a ação comum são os fatores privilegiados de mediação em informação. • Apresenta uma tipologia própria: Distribuída ou Partilhada Cumulativa Institucional Ocorre em serviços em Novas soluções e produtos Corresponde às instituições mídia digital que que se inovam e expandem com culturais como as bibliotecas, pertencem a entidades as TIC traz consigo a figura do sendo exercida por coletivas ou indivíduos usuário-produtor e isso requer bibliotecários e partilhada com em que os mediadores mediação de um interagente outros profissionais. localizam, selecionam idêntico ou similar. e disponibilizam conteúdos interativos.
  • 17. Desagregação e colaboração: um novo espectro • Redução de conteúdo e instituições para unidades pequenas de uso e interação. • Usuários desejam o acesso a micro-conteúdos. • Ferramentas de comunicação síncrona, blogs, software open source são utilizados em larga escala como manifestações de colaboração. • Mais do que conectar-se o conectar- importante é contextualizar-se contextualizar-se.
  • 18. Mediação: processo colaborativo... • O bibliotecário mediador e interagente caracteriza-se pela escolha direta de repertórios e conteúdos, uma marca própria deixada na elaboração de metadados, com a preocupação com o excesso de informação e que o usuário não consiga acessar e utilizar a informação de forma inteligente. • É importante a colaboração do bibliotecário em cenário de information overload que vivenciamos ser principalmente um educador no sentido de propiciar o desenvolvimento da competência em informação, entendida como o conjunto de competências críticas (cognitivas) dos usuários na busca, na avaliação e no uso da informação disponível. Esse processo requer profissionais dotados de múltiplos perfis, apostando em praticar uma mediação da informação de acordo com uma lógica relacional onde tempo, espaço e transações devem permitir ter a informação ao alcance dos dedos, porém, abrangendo o coletivo de uma sociedade.
  • 19. Algumas tendências que afetam o futuro dos bibliotecários... • Reorientação dos serviços para just-for-you • Novos setores e usuários da informação – nativos digitais • Expansão de trabalho e aprendizagem colaborativa • Expansão da procura pelo desenvolvimento da competência em informação • Necessidade de serviços para usuários/produtores de informação remotos e à distância • Entre outras...
  • 20. Bibliotecários como mediadores... • Devem continuar a cumprir sua missão – encontrar a informação para uso profissional e social, tratá-la para aumentar a sua qualidade, geri-la, torná-la facilmente acessível e transmiti-la aos usuários/cidadãos. • Os meios para o cumprimento dessa missão é que evoluem muito rapidamente, obrigando os bibliotecários a assumir novas atividades e a desenvolver competências, cujas fronteiras não estão muito bem definidas e suas terminologias nem sempre estão bem determinadas.
  • 21. Desenvolvimento de competências dos bibliotecários... • Por um longo período prevaleceu o saber-fazer sobre o saber-ser. • O processo de desenvolvimento de competências baseia- se em habilidades e aptidões que envolvem todas as dimensões das pessoas. • A ênfase é oferecida à capacidade crítica e de autonomia, no espírito de iniciativa com audácia, na responsabilidade e na flexibilidade em face da mudança e do inusitado, além de uma visão empreendedora. • Isso implica em rupturas tanto na dinâmica interna dos espaços institucionais como também na própria dinâmica dos espaços sociais.
  • 22. Domínios de competências dos bibliotecários... (INCITE, 2005) • Grupo I – Informação • Considerado o “coração da profissão”, agrupa domínios de competências que qualquer bibliotecário deve possuir, em maior ou menor nível e em condições de trabalho diversas. • Grupo T – Tecnologias • Compreende domínios de competências que não têm em comum apenas assegurar uma função essencial, mas utilizar os mesmos instrumentos materiais e intelectuais mediados pelas tecnologias emergentes. • Grupo C – Comunicação • Considera que as noções de informação e comunicação são interdependentes e os meios utilizados são complementares. • Grupo M – Gestão (Management) • Entendido como sendo a necessidade da informação ser gerida e que as exigências dessa gestão têm repercussões sobre a qualidade da informação que se quer transmitir e sobre os meios de transmissão. • Grupo S – Outros Saberes • São as competências complementares que permitem ao bibliotecário ser conhecedor e versado sobre outros temas/áreas.
  • 23. Níveis dos domínios de competências... • Sensibilização • Conhecimento de práticas • Domínio de ferramentas • Domínio da metodologia
  • 24. Algumas competências pessoais... • Procurar desafios e capitalizar novas oportunidades. • Ter visão sistêmica. • Comunicar efetivamente. • Apresentar idéias de forma clara e negociar de forma ética e convincente. • Estabelecer parcerias e alianças. • Construir ambiente de respeito mútuo e de valorização da diversidade. • Aplicar uma abordagem de equipe, reconhecendo o equilíbrio da colaboração e liderança. • Assumir desafios e riscos calculados. • Planejar, estabelecendo prioridades e focando-se no que for considerado como sendo crítico. • Planejar a carreira profissional. • Pensar de forma criativa e inovadora. • Reconhecer o valor das redes profissionais. • Equilibrar o trabalho, a família e as obrigações comunitárias. • Permanecer flexível e positivo em tempos de mudanças permanentes e ágeis.
  • 25. Como desenvolver esse perfil? “ [...] Em meio ao mundo fascinante que se vislumbra no horizonte, no qual os indivíduos terão acesso a todas as informações que necessitem realmente [...] é também um mundo de características algo assustadoras, na medida em que dele ainda não se conhecem nitidamente os contornos ou o quanto o novo ambiente representará em termos de ampliação da liberdade de opções[...]” (VERGUEIRO, 1997).
  • 26. REFERÊNCIAS BARRETO, A. de A. Os destinos da ciência da informação. Ciência da Informação, Brasília, v.35, n.1, p.45-56, jan./abr. 2006. DRABENSTOTT, K. M.; BURMAN, C. M.; MACEDO, N. D. de. Revisão analítica da biblioteca do futuro. Ciência da Informação, Brasília, v.26 ,n.2 , 1997 Disponível em: http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/401/360 Acesso em: 2 out. 2009. EUROPEAN COUNCIL OF INFORMATION ASSOCIATION (ECIA). Euro- referencial I-D: competências e aptidões dos profissionais europeus de informação-documentação. Lisboa: INCITE, 2005. v.1. ZAVAZONI, R. ; COHN, S. Cultura digital.br. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2009. VERGUEIRO, W. de C. S. O futuro das bibliotecas e o desenvolvimento de coleções : perspectivas de atuação para uma realidade em efervescência. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.2, n.1, p.93-107, jul./dez. 1997.
  • 27. Mensagem final... “Onde quer que você veja um negócio de sucesso, pode acreditar que ali houve, um dia, uma decisão corajosa”. (Peter Drucker) Muito Obrigada.