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Largo Das Palmas   Cepra   3 V1
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Largo Das Palmas Cepra 3 V1

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Trabalho de Português - CEPRA - 3V1

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  • 1. Largo das Palmas (Filho, Adonias)
  • 2. Adonias Filho  Adonias Filho (A. Aguiar Fo), jornalista, crítico, ensaísta e romancista, nasceu na Fazenda São João, em Ilhéus, BA, em 27 de novembro de 1915 e faleceu na mesma cidade, em 2 de agosto de 1990. Eleito em 14 de janeiro de 1965 para a Cadeira nº 21, sucedendo a Álvaro Moreyra, foi recebido em 28 de abril de 1965 pelo acadêmico Jorge Amado.
  • 3. Características gerais  Espaços: Largo da Palma, Igreja e Ladeira da Palma (visão animista). Os encontros entre Gustavo e Célia são no Largo da Palma e no Jardim de Nazaré. A casa dos pãezinhos de queijo e a de Gustavo.  A narrativa é em terceira pessoa, com um narrador onisciente (na maioria das novelas menos em –um corpo sem nome). Apresenta aspectos psicológicos tão intensos que torna extremamente subjetiva a percepção do mundo exterior.  A narrativa é bastante lírica, embora aqui e ali se percebam aspectos críticos como quando fala de Largo “sempre mal- iluminado que parece em penumbra” ou quando fala da postura capitalista do pai de Gustavo em sua “decepção de ter um filho, quando não inválido, praticamente inútil” .
  • 4. Características gerais  A linguagem narrativa é intensamente lírica. O narrador explora os aspectos poéticos da linguagem. Presença constante de metáforas, símbolos, comparações.  Uso do Discurso Livre Indireto  A linguagem oferece sugestão de imagens, em vez de um retrato exato, especialmente na caracterização das personagens. Graças ao uso de imagens e metáforas constrói um mundo simbólico e mítico. Assim é o Largo da Palma, lugar mítico, metafórico da construção narrativa. A inspiração regional, a paisagem de Salvador, serve de fonte inspiradora da criação das personagens e da trama, mostrando muito mais o “por dentro” que o exterior das personagens na sua relação com o espaço.  O estilo de Adonias Filho mostra o predomínio da musicalidade e através da sinestesia traz densidade, tratamento sintético, marcado por um sopro de poesia.
  • 5. A moça dos pãezinhos de queijo Personagens Há nos dois personagens protagonistas uma intercomplementaridade (carência, desejo, complementação no outro).  Joana - viúva de Roberto Militão.  Célia - protagonista, moça de dezoito anos, cabelos de carvão que chegam aos ombros, olhos também negros que combinam com a pele amorenada. Há quem afirme ser mais bonita que o canto do pássaro.  Gustavo - protagonista, ele adora, com a música, os ruídos das ondas do mar, do vento nos coqueiros e os cantos dos pássaros. Falar, porém, não fala. Se expressa com as mãos e o rosto. Responde escrevendo ou gesticulando, porque é mudo. A avó, mãe do pai, é a sua verdadeira mãe. Sua mãe desaparecera e a avó corta, enérgica, qualquer pergunta a esse respeito dizendo: é uma doente da cabeça.
  • 6. Enredo O pão traz a idéia do divino, do maravilhoso. O milagre do pão, a multiplicação, o fazer o pão tem o efeito de sentido de recuperar, de salvação. O fermento simbolicamente representa transformação, com a noção de pureza e de sacrifício. O menino que ficou mudo pela perda da mãe, embora rico, acarinhado pela família, recupera a voz através do amor, isto é evidente pela primeira palavra que consegue pronunciar. A moça através de seu amor, de seu trabalho, devolve a fala do namorado, traz o mistério que os sentimentos podem operar. O Jardim de Nazaré embora seja um espaço físico, nesse episódio, ganha a conotação de Jardim do Éden, o lugar do milagre, a voz que nasce, pode ser relacionada com o Menino que nasceu em Belém, mas que viveu humildemente em Nazaré.
  • 7. O largo de branco Novamente o espaço do Largo da Palma é testemunha de uma história humana. O largo fica de branco, festivo para dar alegria e alívio a uma velha mulher desiludida e triste. Uma história de amor transparece nas entrelinhas, feita de fidelidade, persistência, resistindo ao tempo e ao abandono. O “branco” é uma cor simbólica, representando uma mudança de condição. Recebe todas as cores, por isso tem um valor limite de cor de passagem, da qual se esperam mutações do ser. É a cor da revelação e da graça; desperta o entendimento, a consciência desabrochada. O texto é construído lentamente, despertando o interesse em relação ao desfecho, e lá está o Largo da Palma, antigo, firme, fiel ao seu destino, iluminado pelo sol, com o céu muito azul, veste-se de branco, trazendo para Eliane a certeza de que haverá uma transformação em sua vida, sua consciência desperta para valores que, quando jovem, não soube avaliar devidamente.
  • 8. Enredo Eliane, “cabelos brancos”, sozinha, morando num quarto muito pobre e pequeno na rua Bângala, vai a um encontro. Ela foi abandonada por seu companheiro, Geraldo, depois de 30 anos, ficando sem recursos. Ela vai encontrar-se com Odilon, seu primeiro marido de quem ela tinha se separado há trinta anos. Ele estava voltando a Salvador e queria um encontro, “naquele dia mesmo, ao meio dia, no Largo da Palma. Em frente, bem em frente da igreja” Na carta ele lhe dizia que soubera de sua situação e queria vê-la. Eliane tendo como sua infância, o nascimento da irmãzinha, Joanita, a alegria da mãe, sempre a sorrir, o pai calado, cada vez mais calado. Depois, o tempo em que o pai chega bêbado, até o dia em que cai, deitado de bruços, como um morto. A ambulância chega, vem o médico e um estudante, que Eliane ouve o médico chamar de Odilon. O pai é levado, e Odilon vai todo dia dar notícias, até o dia em que o pai volta, e finalmente morre. Conclui que Odilon não é um homem comum. A casa fica triste, a mãe perde o riso, a família está na miséria. A morte do pai foi um alívio.
  • 9. Enredo Todos viam que Odilon estava apaixonado por Eliane. Eles ficam noivos, casam. Ela entende, então que para o marido o que interessava a ele eram os doentes, o hospital, o ambulatório, chegando ao ponto de comprar remédios para os doentes, mesmo sabendo que a mãe e a irmã precisavam muito de dinheiro. Algumas vezes, irritada, zangada, dirigia-se a ele ofendendo-o, dizendo palavrões. Ele era incapaz de zangar-se. No último dia o agrediu aos gritos, saiu batendo a porta. Foi para um hotelzinho, à beira da praia, e foi lá que viu Geraldo, o homem mais bonito que tinha conhecido. Quando ele se aproximou, olhou-a, não teve coragem de se afastar. Agora, depois de trinta anos, Odilon voltava, sabendo do abandono, queria vê-la. Ela sentiu fome e lembrou que, talvez “A Casa dos Pãezinhos de Queijo” estivesse aberta. Mas ela se aproxima da igreja, e vê Odilon.
  • 10. Um avô muito velho Nesse episódio, a eutanásia é o tema em torno do qual se desenvolve a narrativa. Embora ela só apareça no final, durante todo o conto há signos de morte e de tragédia. A delicadeza com que o narrador descreve a forte ligação entre o avô e a neta, a dedicação extrema que há entre eles é tecida ao longo da narrativa. Com uma síntese brilhante tomamos conhecimento da vida desse velho avô, que só procurou a paz, o amor e que por amor no fim da vida realiza o ato anunciado nas primeiras linhas “O velho, quando aquilo aconteceu, trancou-se em si mesmo”.
  • 11. Enredo A narrativa inicia-se anunciando que algo aconteceu ao avô Loio, muito velho. Morava no Gravatá a poucos passos do Largo da Palma aonde chegava sem pressa, sentindo o cheiro do incenso que vinha da igreja se misturando com o aroma dos pãezinhos de queijo. A neta Pintinha é a alegria do avô. Desde os primeiros passos ela anda com ele; ele a leva à escola, depois ela vai com as amigas e, finalmente, chega o dia em que Pintinha recebe o diploma de professora. O velho Loio era tocador de sanfona. Numa ocasião, Aparecida põe as cartas e lhe diz que viu que há uma morte nas mãos dele. Um dia a polícia chegou e ele foi reconhecer Aparecida no chão, morta, numa poça do próprio sangue Continuou a tocar a sanfona, mas nunca aceitou convites para tocar nas festas Vem a recordação do dia em que Pintinha é professora nomeada, e vai ensinar na Amaralina. Encanta-se com a dedicação da neta com os alunos, filhos de pescadores. Mas naquela noite, Pintinha não voltou das aulas.
  • 12. O desespero e a loucura tomam conta de Maria Eponina e de Chico Timóteo. A polícia veio dizer que Pintinha foi agredida, bateram, violentaram e atiraram nela e agora está entre a vida e a morte. Três meses de dor, de sofrimento. Duas operações depois voltou para casa. Tão doente, com tantas dores, não reconhecia ninguém. O velho negro Loio buscava paz no Largo da Palma. Um dia vai falar com o médico, Dr. Eulálio Sá, e soube que as operações só prolongaram um pouco a vida, mas que as dores seriam insuportáveis. Quando foi ver a neta, doeu muito seu coração de velho e saiu de cabeça baixa para o Largo da Palma. Procurou o farmacêutico, pediu um veneno para matar um cachorro que estava velho e doente. Ao chegar em casa, dissolve o veneno na água e dá para Pintinha. Lavou o copo muito bem, depois e ficou na sala. Agora ele tem uma morte nas mãos. A filha veio do quarto, “indiferente, sem lágrimas e quase sem voz: Traga uma vela, pai, Pintinha acaba de morrer.”
  • 13. Um corpo sem nome Há um narrador que não se identifica, trata-se de um “eu” que se diz, se fala, fala dos fatos em torno da morte, mas não se nomeia. A rememoração que faz da época que tem dezoito anos, faz lembrar Marcel Proust em “La recherche du temps perdue” (A procura do tempo perdido), quando uma realidade do presente evoca uma imagem do passado, caracterizando o impressionismo tanto na linguagem quanto nos signos. Enredo O narrador vê uma mulher que chega cambaleando e morre nos degraus da escadaria da igreja no Largo da Palma. Como testemunha, tendo a mulher morrido em seus braços vai até à delegacia, curioso para saber de quem se trata. A morta tem o rosto magro, “as órbitas fundas, os cabelos grisalhos, a boca murcha com três cacos de dentes. Os braços tão secos quanto os seios e as pernas. O vestido imundo, frouxo na cintura e descosido nas mangas”, sintomas de fome e cansaço.Essa imagem faz com que ele rememore um fato com uma mulher assim quando fez dezoito anos.Nos pertences da mulher estão um pente, um lenço de linho. Um maço de cigarros e uma nota de dez cruzeiros, uma caixa de fósforo com um pó branco, que
  • 14. Logo se verifica ser cocaína, uma saboneteira com mais de dez dentes da criatura humana. O laudo médico é conclusivo; a morte foi por tóxico. Dois meses depois, o narrador volta ao Largo da Palma. A visão humanizada do largo cuja memória não abarca todos os acontecimentos, talvez tenha esquecido a mulher sem nome. O narrador se aproxima de “A Casa dos Pãezinhos de Queijo”, o ar tem o perfume de trigo, misturado com o incenso que vem da igreja. Ao falar com o inspetor fica sabendo que não identificaram a mulher, o corpo com tóxico em todos os poros, o mistério dos dentes guardados nunca foi desvendado, só há conhecimento de que eles pertenciam a ela mesma. Agora, à noite, o narrador vê os gatos, que na madrugada se tornam os donos do largo porque os homens e os pombos estão dormindo. E sobre a mulher: “A morte não a matou, porque morreu fora do corpo. E, por isso, não morreu no Largo da Palma”. A presença dos gatos, simbolicamente, relacionado com o mistério da vida e da morte, segundo a tradição oriental, está encarregado de transportar as almas para o outro mundo.
  • 15. Os enforcados O cego da narrativa pode ser a representação do poeta itinerante, uma visão de renúncia às coisas externas fugidias. Para explicar o que o cego não vê é preciso falar: a narrativa se faz necessária. É a justificativa para uma história ser contada, no caso, “costurando a revolução”, tecendo os fatos. O cego sem poder ver os fatos exteriores, tem a capacidade de ver a verdade interior. A Revolta dos Alfaiates ou Inconfidência baiana ocorreu em 1798, cujos participantes pertenciam às camadas pobres Os intelectuais e os ricos da Loja Maçônica Cavaleiros da Luz foram perdoados. O castigo aos pobres deveu-se ao medo de que houvesse uma rebelião dos negros como havia acontecido nas Antilhas
  • 16. Enredo Esta narrativa está localizada temporalmente. Através de um cego, a história da revolução dos alfaiates é contada numa perspectiva de pessoas que assistiram ao enforcamento dos revolucionários acusados. O ceguinho do Largo da Palma, como era chamado, sentiu que o largo estava vazio, que a igreja tinha poucos fiéis e todos saíram apressados. Ficou sabendo que era o dia dos enforcados. Como não recebe nenhuma esmola, vai para a Piedade, mas antes pára na birosca do Valentim. É o Valentim que vai narrar o enforcamento para o ceguinho, ele que tinha uma voz de sermão, hoje fala baixo, tem medo fruto das prisões e das torturas. A cidade traz a marca da tragédia: — A cidade parece triste. — A Bahia nunca foi alegre — Valentim, abaixando a voz disse por sua vez. — Uma cidade com escravos é sempre triste. É muito triste mesmo. Quando os quatro condenados estão chegando, a multidão se agita. O cego tudo tomava conhecimento pela voz de Valentim, voz emocionada, afinal era ele quem via.
  • 17. Quando a morte do último condenado aconteceu Valentim sumiu, deixando o ceguinho só, tão só, apenas com o porrete na mão. Andou até reconhecer o Largo da Palma. Tudo o que queria era seu canto do pátio da igreja. “E ao aproximar-se, ao sentir o cheiro de incenso, pensou que naquele momento já cortavam as cabeças e as mãos dos enforcados. Colocadas em exposição, no Cruzeiro de São Francisco ou na Rua Direita do Palácio, até que ficassem os ossos. O Largo da Palma, porque sem povo e movimento, seria poupado. Ajoelhou-se, então, pondo as mãos na porta da Igreja.” E, única vez em toda a vida, agradeceu à Santa Palma ter ficado cego.
  • 18. A pedra Depois de passada a peste é que Cícero Amaro chega à cidade. Para poder habitar o Largo da Palma, ele precisou encontrar um brilhante. Essa pedra traz uma simbologia especial: o brilhante precisa passar por uma transmutação, precisa ser lapidado, trabalhado. Em relação ao homem, a pedra simboliza a aprendizagem. Foi isso que Cícero veio aprender: como a vida oferece benefícios, mas exige que se mudem comportamentos. Ao voltar ao ponto de partida, a lição que sobra para a personagem é recomeçar, mais velho, mais experiente, esperando ter a sorte lhe sorrindo novamente.
  • 19. Enredo Esta narrativa faz referência ao período da peste bubônica na Bahia. Nesse período era proibido terreno baldio. As casas e os sobradinhos foram se erguendo ao redor da igreja, tão antiga. “O sino da igreja, aqui na Palma, anuncia finados dia e noite. Maior que a peste, de verdade, só o medo”. Se o terreno estava barato, a construção era cara porque naqueles dias o rei acabou com a escravidão. Um negociante português construiu uma casa no terreno baldio próximo à igreja: uma casa comum, pequena, baixa. Quem a comprou foi Cícero Amaro, um garimpeiro de Jacobina. A narrativa descreve o temperamento folgado de Cícero, a vida dura de sua mulher Zefa, até o dia em que ele achou um brilhante do tamanho do caroço de uma azeitona. Vendeu e veio com a Zefa para a capital. Aqui comprou a casa do português, comprou uma quitanda para a Zefa e foi para a ladeira de Montanha, todo caprichado em busca de uma aventura. Lá encontra Flor que tira dele tudo que pode e lhe dá o fora. Quando está empobrecido, volta para Zefa que não o quer mais. Acha que é uma grande ingratidão, mas pensa em arrumar algum dinheiro para voltar a Jacobina e retornar à sua vida de garimpeiro.
  • 20. Realização 3°V1 Vinicius oliveira Samuel Marcelo lima Bruno Luis Erivaldo