Geotecnologias e prevenção de desastres naturais: o caso dos   mapeamentos de áreas de risco no Estado de São Paulo, elabo...
1- INTRODUÇÃO E OBJETIVOS         O Instituto Geológico, órgão dedicado à pesquisa em Geociências, vinculado à Secretariad...
2.1.2-Bases de dados        Quanto aos dados utilizados para o desenvolvimento dos projetos de mapeamento derisco, contou-...
e) Erosão, colapso e subsidência       As ocupações em encostas estão sujeitas aos movimentos gravitacionais de massa, que...
3- RESULTADOS E DISCUSSÕES3.1- Produtos gerados       Os Mapeamentos de Risco a Escorregamentos, Inundações e Erosão foram...
ambiente desktop instalado a partir de CD-ROM. O referido sistema proporcionou o atendimentodas necessidades da CEDEC-SP p...
3.3.2-Quanto à estruturação de Sistemas Gerenciadores de Informação        Esforços vêm sendo empregados no sentido da apr...
Figura 3- Componentes envolvidos nas aplicações em Geotecnologias. Org:.Galina. M. H. (2011)    São indiscutíveis as vanta...
Municípios do Vale do Paraíba (SP): características, condicionantes, dinâmica de evolução eriscos associados In: Congresso...
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Geotecnologias e desastres naturais

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Geotecnologias e desastres naturais

  1. 1. Geotecnologias e prevenção de desastres naturais: o caso dos mapeamentos de áreas de risco no Estado de São Paulo, elaborados pelo Instituto Geológico/SMAMárcia Helena Galina1Antonio Carlos Moretti Guedes2Márcia Maria Nogueira Pressinotti3Pedro Carignato Basílio Leal4Osvaldo Souza Coutinho5RESUMO Com um histórico de desenvolvimento de pesquisas e atividades operacionaisrelacionadas a desastres naturais desde a década de 80, o Instituto Geológico/SMA é uma dasinstituições de referência na realização de mapeamentos de áreas de risco no Estado de SãoPaulo. O presente trabalho teve como objetivo descrever como as geotecnologias auxiliaram nosprocessos de coleta, processamento, análise e geração de informações com referência espacial,envolvidas nos trabalhos sistemáticos de mapeamento de risco em diversos municípios doterritório paulista. Procurou-se ainda elencar os avanços metodológicos alcançados ao longo dasquatro versões do projeto e, de forma complementar, discutiu-se a questão dos entravesoperacionais, assim como as perspectivas futuras na área, as quais apontam para soluçõesgeotecnológicas com base na conectividade, compartilhamento de bases e em sistemasinterativos em substituição ao formato analógico e desintegrado, convergindo para o aumento daeficiência no processo de planejamento e gestão pública territorial, sobretudo no que diz respeitoao processo da reestruturação do espaço com vistas à prevenção de desastres naturais e seusdesdobramentos.ABSTRACT Geologic Institute of São Paulo has been performing research and operationalactivities related to natural disasters since the 80s. Because of this experience, in nowadays, thisinstitution is considered a reference in the mapping of risk areas in the State of São Paulo. Thisstudy aimed to describe how the geotecnologies helped in the process of collecting, processing,analysis and generation of information with spatial reference involved in the work of systematicmapping of risk, in various cities of Sao Paulo State. Methodological advances achieved over thefour versions of the project was discussed and, additionally, the issue of operational obstacles andfuture prospects in the area, which point to geotecnologies solutions based in connectivity, sharingof databases and interactive systems instead of the analog and disintegrated data format solutions.These solutions, when implemented, will provide the increase of the efficiency in the process ofterritorial planning and public management, particularly with regard to the restructuring of thespatial arrangement in order to prevent natural disasters and their consequences.Palavras-chave: Geotecnologias, Mapeamento de Risco, Instituto Geológico/SMA de São PauloNúcleo de Geoprocessamento, Instituto Geológico, Av. Miguel Stéfano, 3900, Água Funda, CEP 04301-301, São Paulo, SP¹marciagal@igeologico.sp.gov.br²acguedes@igeologico.sp.gov.br³mpressinotti@igeologico.sp.gov.br4 pedro.leal@igeologico.sp.gov.br5 ocoutinho@igeologico.sp.gov.br13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 1
  2. 2. 1- INTRODUÇÃO E OBJETIVOS O Instituto Geológico, órgão dedicado à pesquisa em Geociências, vinculado à Secretariado Meio Ambiente de São Paulo, vem se dedicando ao desenvolvimento de pesquisas eatividades operacionais relacionadas a perigos geológicos e análise de risco desde a década de80. O episódio deflagrador se deu em 1988, quando houve a solicitação por parte do Governo doEstado de São Paulo de um estudo específico sobre as instabilidades na Serra do Mar, em virtudedo grande número de eventos de deslizamentos e acidentes com vítimas fatais, ocorrido no verãode 1987-1988 (SÃO PAULO, 1988). Nesse estudo, realizado em conjunto com outras instituiçõespúblicas do Estado de São Paulo (IPT, Instituto Florestal, Instituto de Botânica, CETESB) foramobtidos produtos na escala regional - 1:50.000 e 1:100.000, os quais apresentaram diretrizes emetas de curto e médio prazo, bem como linhas de ação com caráter preventivo e corretivo. Daí em diante, ações de planejamento passaram a ser implementadas por meio daelaboração das cartas geotécnicas (1989 - Guarujá, 90/92 – Ubatuba, 94/96 – São Sebastião, 95– Cubatão, 98/05 – SIIGAL) e de ações emergenciais, sendo que, estas últimas foram traduzidasna definição e operação do Plano Preventivo de Defesa Civil específico para escorregamentos naSerra do Mar – PPDC, a partir de 1989, por meio do qual o Instituto fornece assessoria técnico-científica à Defesa Civil Estadual. Mais recentemente, em 2004, firmou-se também um termo de cooperação técnica entre oInstituto Geológico e a Casa Militar do Governo do Estado de São Paulo, por meio daCoordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), que se traduziu em projetos de mapeamentode áreas de risco, em municípios de diferentes regiões do estado, com a finalidade de subsidiarações dos gestores públicos, no sentido de gerenciamento das situações de risco, com vistas àminimização e prevenção de desastres naturais (VEDOVELLO, 2009). Utilizando o apoio de diferentes geotecnologias, as áreas potencialmente suscetíveis foramobjeto de estudos geológico-geotécnicos visando a delimitação e hierarquização de setores derisco aos processos do meio físico. Muitas dessas ações de suporte foram concentradas nonúcleo de Geoprocessamento do Instituto, como forma de otimizar recursos, processar os dados euniformizar padrões espaciais. Nesse sentido, o presente trabalho objetivou descrever como as geotecnologias auxiliaramnos processos de coleta, processamento, análise e geração de informações com referênciaespacial, envolvidas nos trabalhos sistemáticos de mapeamento de risco. Procurou-se aindaelencar os avanços metodológicos alcançados ao longo das quatro versões do projeto e, de formacomplementar, discutiu-se a questão dos entraves operacionais assim como as perspectivasfuturas na área.2- MATERIAIS E METODOLOGIA Segue a descrição dos materiais (infraestrutura institucional e bases de dados) e dasmetodologias, quanto ao tratamento geoespacial dos dados, que foram ajustados e aperfeiçoadosao longo das quatro edições dos projetos de mapeamento de áreas risco no território paulista.2.1- Materiais2.1.1-Infraestrutura de equipamentos e softwares Além da infraestrutura de informática, composta por computadores desktop multiusuários,servidores de acervo de dados espaciais e de aplicações, e periféricos suplementares, o Núcleode Geoprocessamento dispõe de Plotters HP A3 e A0, scanner 4500 HP A0, receptor GPS XBTrimble (precisão centimétrica no pós-processamento) e Câmera Fotográfica RICOH Caplio 500SE com GPS embutido(precisão abaixo de 3 metros). Quanto aos softwares utilizados em geoprocessamento, a instituição conta com produtoscomerciais voltados para a análise de dados vetoriais e raster, dentre eles: MapInfo, ArcGis, Envi ,ERMapper, Global Mapper, Google Earth Professional, além de produtos Open Source, tais comoSpring, Quantum GIS e GvSIG, entre outros.13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 2
  3. 3. 2.1.2-Bases de dados Quanto aos dados utilizados para o desenvolvimento dos projetos de mapeamento derisco, contou-se com de dados primários – coletas GPS – e dados secundários, representados porbases nos formatos vetorial, raster e tabulares, os quais foram coletados, sobretudo nassecretarias municipais e nas instituições estaduais ou adquiridos com recursos do projeto. • Levantamento de bases vetoriais e matriciais Após a definição dos municípios alvos dos termos de cooperação, dá-se o início aolevantamento da existência de bases cartográficas, fotografias aéreas, imagens orbitais de altaresolução, cadastros e mapas das áreas de risco junto às Prefeituras Municipais de interesse,além de croquis e bibliografia específica relacionada. As secretarias de obras e as defesas civismunicipais exercem papel fundamental na identificação preliminar das áreas de risco existentes,que são caracterizadas e setorizadas durante os trabalhos de campo posteriores. • Aquisição de materiais Nos casos de inexistência de bases disponíveis com qualidade aceitável e característicasadequadas, há a necessidade de aquisição de produtos de sensoriamento remoto comparâmetros específicos. Fatores como resolução espacial e atualidade do levantamento sãocritérios prioritários na avaliação das possibilidades existentes no mercado, devido à necessidadede delimitação dos setores de risco a partir de observação de feições em regiões urbanizadas, deexpansão urbana, em distritos e bairros rurais.2.2- Metodologia As metodologias de análise estão diretamente ligadas ao conhecimento e à experiência daequipe componente do projeto, que englobou as áreas de geologia-geotecnia, geomorfologia,climatologia e geoprocessamento. A experiência do usuário é determinante para a qualidade dos resultados provindos de umSIG. Segue o detalhamento da metodologia sistemática comumente empregada nosmapeamentos, assim como os avanços metodológicos incorporados na última versão do projeto -Termo de Cooperação 2009-2011.2.2.1-Metodologia sistemáticaEtapa1- Preparação do material para a equipe de campo As áreas de risco, indicadas previamente pela Defesa Civil Municipal, são lançadas emlayouts impressos contendo como fundo, ortofotos digitais ou imagens orbitais de alta resolução,atendendo às necessidades dos trabalhos de campo quanto à delimitação precisa dos setores derisco, à caracterização do padrão de uso e ocupação do solo, bem como a quantificação demoradias existentes nos setores de risco. Tais bases são projetadas no sistema UTM, datumSAD69 e os arquivos originalmente em formato Geotiff são transformados num formatocomprimido – ECW. O ambiente GIS propicia a utilização do material acima descrito para aconfecção de layouts das áreas-alvo com escalas variando de 1:1.000 a 1:5.500 (em função daextensão e natureza do processo identificado em cada área), e com tamanho de pixel próximo de1 metro.Etapa 2- Investigações geológico-geotécnicas de campo Nas investigações geológico-geotécnicas de superfície para caracterização dos setoresdas áreas-alvo há a consideração dos seguintes processos: a) Escorregamentos em encostas; b) Queda/rolamento de blocos rochosos; c) Inundações/enchentes em planícies aluviais e cursos d água; d) Queda de taludes marginais por solapamento e erosão em margens de canal;13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 3
  4. 4. e) Erosão, colapso e subsidência As ocupações em encostas estão sujeitas aos movimentos gravitacionais de massa, quedependem de fatores como: declividade/inclinação do talude, tipo de material mobilizado (soloe/ou rocha), tipo de movimento predominante (planar ou rotacional), geometria da ruptura (planar,cunha, circular), tipo de talude (natural ou corte e aterro), posição da feição de instabilidade emrelação à encosta (topo, meio ou base) e agentes deflagradores. Além da caracterização das feições de instabilidade, a vulnerabilidade em relação àsformas de uso e ocupação também costuma ser avaliada no campo, o que é feito com base eminformações sobre o padrão de ocupação das áreas de uso residencial. Aspectos construtivosdas habitações (madeira, alvenaria, misto) e o estágio e densidade da ocupação, incluindoaspectos gerais sobre infraestrutura urbana implantada, tais como condições das vias(pavimentada, terra, escadarias), sistemas de drenagem e esgoto, pontes e outras melhorias,também são consideradas. (SÃO PAULO, 2005, 2006, 2007, 2011)Etapa 3- Vetorização dos setores de risco e preparação dos materiais impressos Após os levantamentos de campo, ocorre o processo de vetorização dos setores de risco eposterior associação desses polígonos ao banco de dados que contém as informações completasde cada setor de risco. Nesse processo, a setorização de risco passa a contar com todos osatributos levantados segundo a metodologia do mapeamento em campo, criando assim umambiente georreferenciado apto a fornecer análises temáticas, visualizações e consultasespaciais. Um produto final impresso é fornecido ao contratante contendo toda a setorização dasáreas de risco para cada município mapeado, assim como o banco de dados com atributosespaciais é alimentado. Pontos de controle de campo são coletados sistematicamente por meio de receptoresGPS, o que permite a avaliação da metodologia de registro, acuidade e precisão dosprocedimentos.2.2.2-Avanços metodológicos incorporados ao termo de cooperação ref. 2009-2011 • Modelagem e obtenção dos índices de perigo, vulnerabilidade, dano potencial e risco Houve a geração da cartografia de risco na escala regional de 1:50.000 (FERREIRA, C. J. eROSSINI-PENTEADO, D., 2011), que permitiu a caracterização inicial dos municípios mapeadosquanto à obtenção de mapas de Perigos, Vulnerabilidade, Dano Potencial e Risco. Empregaram-se várias ferramentas de análise geoespacial, tais como processamento deimagens orbitais, aplicação de álgebra de mapas e geoestatística, por conta das vantagens queas geotecnologias oferecem na referida escala de análise. • Mapeamento dos episódios de inundação e enchente No processo de identificação e delimitação espacial da distribuição e magnitude dosfenômenos de inundação e enchente, assim como dos impactos potenciais em termos de danos àpropriedade, interrupção das atividades econômicas e serviços urbanos, houve a implementaçãode uma metodologia mais específica, que passou a contar também com a contabilização dohistórico dos eventos na mídia de circulação impressa, com o emprego de ferramentasgeoespaciais disponíveis na WEB (Google Earth), além de operações geoestatísticas emambiente georreferenciado. Fernandes da Silva, P. C et al (2011). • Mapeamento de processos erosivos e riscos associados A metodologia para o referido mapeamento incluiu análise na escala regional (1:30.000) elocal (1:2.000), a partir da localização e seleção dos pontos erosivos obtidos por meio dainterpretação de fotografias aéreas digitais ortorretificadas e imagens orbitais de alta resolução(QuickBird). Também foram realizados trabalhos de campo para reconhecimento e caracterizaçãodos condicionantes geológico-geotécnicos dos processos erosivos, assim como setorização dasáreas de risco, acompanhada da atribuição do grau de risco e proposição de medidas de gestãode risco. Santoro, J. et al (2011)13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 4
  5. 5. 3- RESULTADOS E DISCUSSÕES3.1- Produtos gerados Os Mapeamentos de Risco a Escorregamentos, Inundações e Erosão foram elaboradosem 65 municípios do estado de São Paulo, com resultados importantes para as ações municipaise estaduais de gerenciamento e monitoramento de áreas de risco, previstos nos PlanosPreventivos de Defesa Civil. Destaca-se que, dos 65 municípios mapeados, 40 foram executadospelo Instituto Geológico em quatro edições, firmadas por meio de Termos de Cooperação Técnicaentre o Instituto Geológico e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. São eles: • Litoral do Estado: São Sebastião, Ubatuba, Ilhabela, Peruíbe, Itanhaém e Mongaguá • Região de Sorocaba: Alumínio, Mairinque, Sorocaba, Votorantim, Piedade e Tapiraí • Região Metropolitana de São Paulo: Diadema, Rio Grande da Serra, Franco da Rocha, Cotia e Poá, • Região do Vale do Paraíba: Paraibuna, S. Luiz de Paraitinga, Jambeiro e Natividade da Serra. • Região de Ribeirão Preto: Dumont, Jaboticabal, Sertãozinho, Monte Alto, Cândido Rodrigues, Fernando Prestes e São José do Rio Preto • Região de Araraquara: Araraquara, Bebedouro, Matão e Rincão. • Vale do Paraíba: Aparecida, Caçapava, Pindamonhangaba, Redenção da Serra, Roseira, Taubaté e Tremembé e Mirassol. Figura 1 – Municípios mapeados no Estado de São Paulo. Org. Guedes, A. C. M. (2011) Os relatórios finais do referidos mapeamento, incluindo as fichas detalhadas dos setores, ametodologia do processo, assim como os produtos cartográficos foram apresentados em todas assuas versões no formato impresso e gravado em mídia eletrônica (CD/DVD ROM). Houve também a concepção e estruturação de um sistema denominado Map-Risco quepossibilitou a organização e a sistematização dos dados da primeira versão do mapeamento dasáreas de risco num sistema desktop que, pelo fato de permitir o cruzamento das informaçõesdessas áreas com dados temáticos e imagens orbitais dos municípios mapeados por meio de um13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 5
  6. 6. ambiente desktop instalado a partir de CD-ROM. O referido sistema proporcionou o atendimentodas necessidades da CEDEC-SP pela usabilidade e rapidez na visualização e consulta, além dainstalação e distribuição serem isentas de licenciamento. (PRESSINOTTI et al, 2007). Figura 2 – Interface do Map-Risco. Fonte: Pressinotti et al, 20073.2- Entraves Operacionais • Dificuldade de compartilhamento de bases espaciais entre as esferas da administração pública, o setor privado e as universidades; • Quando ocorre o tal compartilhamento, enfrenta-se uma série de inconsistências nas bases, em virtude da falta de padronização de formatos, parâmetros de projeções cartográficas e qualidade dos dados, além da ausência de um banco de metadados geoespaciais; • Custo e demora na obtenção de produtos provindos de imageamentos: apesar da tendência de diminuição de custo na aquisição de imagens, aquelas de alta resolução ainda são onerosas e sua aquisição por meio do setor público necessita obedecer à legislação vigente, no que tange ao processo licitatório; • Dificuldades no processo de transição na mudança de paradigma, a partir de um passado caracterizado pela falta de integração entre os dados geoespaciais para um futuro que exige interoperabilidade e padronização, assim como readequação de toda uma infraestrutura que envolve custos elevados.3.3- Perspectivas futuras: aquisição de dados, geração de produtos e compartilhamentos3.3.1-Quanto à elaboração dos trabalhos de campo por meio de dispositivos móveis Dispositivos móveis dotados de sistemas GIS mobile são uma opção aos trabalhos decampo com delimitação manual dos setores de risco para os vários processos mapeados(escorregamento, inundação, enchente, colapso, subsidência e erosão). Uma vez que os atributosdo sistema estejam modelados, há a possibilidade da inserção tanto de dados vetoriais quantodos atributos concernentes a esse polígono, assim como sua atualização on line no Servidor deDados por meio de uma conexão remota.13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 6
  7. 7. 3.3.2-Quanto à estruturação de Sistemas Gerenciadores de Informação Esforços vêm sendo empregados no sentido da apresentação dos produtos do Projeto deMapeamento de Risco sob a forma de num Sistema Gerenciador de Informações que apresenteusabilidade e interatividade com o usuário final, como alternativa ao método tradicional deapresentação em relatórios e mapas impressos. Prevê-se a inserção dados temáticos, produtosde sensoriamento remoto, planos de informação cartográfica, registros fotográficos e documentaisem um produto que permita visualização, consulta e análises espaciais. Sistema que também deverá contemplar um módulo sobre os níveis de alerta de risco dePlanos Preventivos de Defesa Civil gerenciados pela CEDEC, voltado a informações gerenciais(níveis operacionais de Planos Preventivos ou de Contingência) referentes às unidades de divisãopolítica do Estado, com destaque para os municípios que operam PPDC. Neste módulo serãodefinidas funcionalidades que considerem: índices pluviométricos diários (fornecidos pelaCEDEC); atualização automatizada dos níveis operacionais (alerta, alerta máximo, atenção,observação e outros), a partir dos dados pluviométricos, atribuindo cores semafóricas aosmunicípios; atendimentos emergenciais realizados, com visualização dos laudos de vistoria decampo e fotos e histórico de ocorrências de desastres (localização, tipo de processo, índicespluviométricos); dentre outras.3.3.3-Quanto à Consolidação da Infraestrutura de Dados Espaciais (IDE) e do Geoportal Brasileiro Infraestruturas de Dados Espaciais (IDE) se apoiam no tripé tecnologia, política erecursos humanos, com a missão de promover o compartilhamento de bases de dadosespaciais, gerados tanto na esfera pública quanto privada. Representado pelo componentetecnologia (conectividade) tem-se os geoportais que representam uma confluência dos diversosprovedores de dados geográficos, por meio de repositório de metadados. Essa é uma tendênciaglobal na atualidade, iniciada desde os anos 90 nos EUA e países europeus.(DAVIS JR,C. A. eALVES,L.L.,2011). No Brasil, tal infraestrutura é representada pela INDE – Infraestrutura Nacionalde Dados Espaciais, regulamentada pelo Decreto nº 6.666 de 27/11/2008 - e pelo Portal Brasileirode Dados Geoespaciais – SIG Brasil, ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.Sua consolidação efetiva será de muita valia para o processo de gestão e planejamento doterritório, pois permitirá a redução da contraproducência (multiplicação de esforços) e a diminuiçãode custos na aquisição de informações espaciais.4- CONSIDERAÇÕES FINAIS Fatores determinantes para geração de produtos de qualidade, obtidos a partir deaplicações geotecnológicas, estão diretamente relacionados a pelo menos seis componentes:infraestrutura de informática dimensionada para as necessidades dos projetos(microcomputadores, periféricos e dispositivos de entrada e saída, redes), equipamentos detopografia adequados coma a escala de análise, programas computacionais, bases de dadosconfiáveis (possibilidade de retroalimentação - IDE), metodologias de análise apropriadas eexperiência das equipes envolvidas.13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 7
  8. 8. Figura 3- Componentes envolvidos nas aplicações em Geotecnologias. Org:.Galina. M. H. (2011) São indiscutíveis as vantagens advindas dos produtos gerados a partir das geotecnologias.Além de permitirem a investigação e o monitoramento de áreas extensas da cobertura terrestre,as geotecnologias possibilitam a execução de mapeamentos em várias escalas (zonal, regional elocal) graças à evolução tecnológica dos sensores multiespectrais e das câmarasaerofotográficas. No processo de geração de informações, as geotecnologias também auxiliamno processo de análise (operações algébricas e geoestatísticas) e organização de grandesvolumes de dados. Tendências futuras apontam para soluções geotecnológicas com conectividade na forma desistemas interativos e compartilhamento de bases, em detrimento do formato analógico edesintegrado. Soluções estas que tendem a aumentar a eficiência do planejamento e da gestãodo território, sobretudo no que diz respeito ao processo de reestruturação do espaço com vistas àprevenção de desastres naturais e seus desdobramentos.5- REFERÊNCIASDAVIS JÚNIOR, C. A., ALVES, L.L. Infraestruturas de Dados Espaciais: Potencial para Uso Local,Revista: iP Informática Pública, Ano 8, n. 2, p. 65-80, 2006, Disponível em:<http://www.ip.pbh.gov.br/edicoes.html>. Acesso em: maio de 2011FERNANDES DA SILVA, P. C., ANDRADE, E. DANNA, L. C. Mapeamento de risco à inundaçãoem municípios do Vale do Paraíba (SP): abordagem metodológica para delimitação ecaracterização de setores de perigo. In: Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia eAmbiental, 13, São Paulo, SP, Anais ..., São Paulo, nov. 2011. No preloFERREIRA, C. J., ROSSINI-PENTEADO, D. Mapeamento de risco a escorregamento e inundaçãopor meio da abordagem quantitativa da paisagem em escala regional. In: Congresso Brasileiro deGeologia de Engenharia e Ambiental, 13, São Paulo, SP, Anais ..., São Paulo, nov. 2011. NopreloSANTORO, J. , MENDES, R. M., GUERRA, A. L. R. A ocorrência de processos erosivos em13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 8
  9. 9. Municípios do Vale do Paraíba (SP): características, condicionantes, dinâmica de evolução eriscos associados In: Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental, 13, SãoPaulo, SP, Anais ..., São Paulo, nov. 2011. No preloSÃO PAULO (Estado). SMA/SCT. Instabilidade da Serra do Mar no Estado de São Paulo:situações de risco. SMA/SCT, São Paulo, 4v., 1988SÃO PAULO (Estado). SMA/CEDEC. Relatório Técnico do Mapeamento de Áreas de RiscosAssociados a Escorregamentos e Inundações. São Paulo:Instituto Geológico, SMA/CEDEC,2005.SÃO PAULO (Estado). SMA/CEDEC. Relatório Técnico do Mapeamento de Áreas de RiscosAssociados a Escorregamentos e Inundações. São Paulo:Instituto Geológico, SMA/CEDEC,2006.SÃO PAULO (Estado). SMA/CEDEC. Relatório Técnico do Mapeamento de Áreas de RiscosAssociados a Escorregamentos e Inundações. São Paulo:Instituto Geológico, SMA/CEDEC,2007.SÃO PAULO (Estado). SMA/CEDEC. Relatório Técnico do Mapeamento de Áreas de RiscosAssociados a Escorregamentos e Inundações. São Paulo:Instituto Geológico, SMA/CEDEC,2011.PRESSINOTTI, M.M.N.; GUEDES, A.C.M.; FERNANDES DA SILVA, P.C.; SULTANUM, H.H.J.;GUIMARÃES, R.G. 2007. Sistema visualizador de mapeamentos de áreas de risco (a movimentosde massa e inundações) do Estado de São Paulo. Uberlândia, MG. In: Simpósio Brasileiro deCartografia Geotécnica e Geoambiental, 6, Uberlândia, MG, j ABGE. Anais..., jun. 2007, CD-ROMTOMINAGA, Lídia K. Avaliação de Metodologias de Análise de Risco a Escorregamentos:aplicação de um ensaio em Ubatuba, SP. 2007. 220f. Tese (Doutorado em Ciências – GeografiaFísica) – Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas,Universidade de São Paulo (USP), São Paulo. 2007VEDOVELLO, Ricardo. Resgate Histórico da Atuação do Instituto Geológico na Prevenção deDesastres Naturais. In: BROLLO, Maria J. (org.) – O instituto Geológico na prevenção dedesastres naturais. São Paulo: Instituto Geológico, 2009, p.1-7.13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 9

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