Diniz_et_all_13CBGE

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Diniz_et_all_13CBGE

  1. 1. MONITORAMENTO HIDROGEOLÓGICO DA QUALIDADE DA ÁGUAPROVENIENTE DA ÁREA DA VÁRZEA DO RIO PARAÍBA DO SULSUJEITA À EXTRAÇÃO DE AREIA, NO MUNICÍPIO DE TREMEMBÉ, SPHélio Nobile Diniz¹; Márcia Helena Galina¹; Mariuza Figueiredo Lindeberg² ; GetúlioTeixeira Batista²RESUMO A extração de areia no vale do rio Paraíba do Sul é praticada por meio de cavassubmersas, processo em que o solo, na maioria das vezes, proveniente do cultivo de arroz, depoisde retirado é lançado nas cavas abandonadas situadas nas suas imediações. Por meio deprocedimentos técnicos que englobaram obras e instalações de equipamentos - poços epiezômetros - análises laboratoriais da água e do solo, testes de vazão e trabalho de gabinete, opresente trabalho objetivou elaborar análises físico-químicas e bacteriológica de três locaisdistintos na área de várzea do Rio Paraíba do Sul: uma cava inativa, da foz do canal do rioPiracuama e de um poço construído, que possui um piezômetro acoplado e outro localizado a 1,5de distância.ABSTRACT The exploitation of sand in the Paraíba do Sul River Basin is is made by means ofunderwater caves, a process in which the soil, mostly, from the cultivation of rice, is removed andreleased in the abandoned pits located nearby. Through technical procedures, including equipmentinstallations - wells and piezometers - laboratory analysis of water, soil testing and office-work, theissue of this paper was present results from physico-chemical and bacteriological analysis of thewater from three separate locations in the area of floodplain of the Paraiba do Sul River: aninactive pit, the mouth of the river channel Piracuama and a well constructed, which has a coupledpiezometer and the other located 1.5 awayPalavras-chave: mineração, cavas, análises físico-químicas¹ Instituto Geologico, Av. Miguel Stéfano, 3900, Água Funda, São Paulo, SP, CEP 04301-300² UNITAU - Rua Quatro de Março, 432 - Centro - Taubaté - SP - Cep: 12020-27013o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 1
  2. 2. 1- INTRODUÇÃO E OBJETIVOS A mineração é considerada a principal atividade subsidiária dos processos de urbanizaçãoe crescimento econômico, no entanto, ela é acompanhada de profundos impactos no ambientenatural devido à falta de ações integradas para a minimização desses efeitos. Sausen (1988). A extração de areia no vale do rio Paraíba do Sul é praticada por meio de cavassubmersas, um processo que se dá por meio da retirada da capa de solo argiloso, com espessurade até 2 m, pouco permeável, com infiltração desprezível (camada de solo apropriado para asculturas de arroz). Reis (2005).Depois de retirado, o solo é lançado nas cavas abandonadassituadas nas suas imediações. Vários lagos artificiais abastecidos pelo nível d’água do aquíferosedimentar quaternário tem transformado a paisagem na área de várzea do rio Paraíba. Por meio de procedimentos técnicos que englobaram obras e instalações de equipamentos- poços e piezômetros - análises laboratoriais da água e do solo, testes de vazão e trabalho degabinete, procurou-se efetuar análises físico-químicas e bacteriológica das águas de uma cavainativa, da foz do canal do rio Piracuama e de um poço construído (identificado como poço 3 notrabalho geral, coordenadas UTM 443,768E e 7463,275N, Fuso 23, SAD 696), que possui umpiezômetro acoplado e outro localizado a 1,5 de distância. Figura 1. Localização da área de estudo. Bacia do Rio Paraíba do Sul, município de Tremembé e Mineração Paraíso na imagem de satélite Ikonos2.13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 2
  3. 3. 2- MATERIAIS E METODOLOGIA A metodologia do trabalho englobou procedimentos técnicos relacionados a obras einstalações de equipamentos, análises laboratoriais e trabalho de gabinete. Durante o ano de 2009, foram perfurados quatro poços tubulares revestidos com tubos dePVC geomecânicos de 4” de diâmetro, os quais possuem a finalidade específica de definir ascaracterísticas hidrodinâmicas, hidroquímicas e bacteriológica do aqüífero sedimentar quaternáriona área da Mineração Paraíso, no município de Tremembé. Nas proximidades dos poços, foramperfurados conjuntos de piezômetros, dois para cada poço, sendo revestidos com tubosgeomecânicos de 2” de diâmetro. Os poços e piezômetros atravessam toda a sequência de solo edepósitos aluvionares quaternários até a camada de argila verde de alteração dos sedimentosterciários (folhelhos e argilitos betuminosos) da Formação Tremembé, do Grupo Taubaté. Nasprofundidades dos poços e piezômetros que atravessam os depósitos arenosos foram instaladostubos de filtro, em PVC, formando uma seção filtrante. Parâmetros hidroquímicos e bacteriológicos foram avaliados durante a amostragem, sendoalguns no campo, por meio do equipamento multiparamétrico marca Horiba, modelo W-22XD (pH,temperatura, condutividade, turbidez, oxigênio dissolvido, profundidade, sólidos totais dissolvidose potencial de oxirredução) e outros no Laboratório de Pesquisas Biológicas Aplicadas ao MeioAmbiente, do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais (Coliformes Totais, ColiformesTermotolerantes e Bactérias Heterotróficas). Os demais parâmetros foram analisados noLaboratório de Águas do Departamento de Engenharia Civil (DQO, DBO 5, Fósforo Total, Cloretos,Nitrato, Nitrito, Nitrogênio Amoniacal, Sulfato e Ferro Total). Algumas análises mais completas eque atendem aos parâmetros da Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, foram efetuadas noLaboratório de Controle Sanitário (RVOC) da SABESP de São José dos Campos.3- RESULTADOS E CONCLUSÕES Durante os meses de março e abril de 2010, ainda é grande a quantidade de chuva naárea da várzea do rio Paraíba do Sul, conforme demonstram dados de uma estaçãometeorológica lá instalada, portanto trata-se de um período em que a cava inativa mantém umequilíbrio entre as quantidades de entrada e saída de água, cujo aporte principal é provenientedas precipitações e as descargas ocorrem devido à evapotranspiração. Nessas condições há umatendência a um pH e Eh mais neutro devido ao aporte das águas precipitadas (o pH da água daschuvas é igual a 7). A partir do final de abril, os níveis d´água do aquífero sedimentar no local dopoço instalado começam a cair, acompanhando os níveis d´água da cava inativa. As águas provenientes do aquífero sedimentar quaternário tem um potencial óxido-redutormais negativo, mostrando um ambiente bastante redutor, provocado pela ausência de oxigêniodissolvido, pois o aquífero é confinado por uma camada de solo argiloso, orgânico, impermeável,com espessura média de 0,7 m. A água da cava inativa também acompanha o ambiente redutordo aqüífero, com atenuação devido ao ambiente pantanoso, onde há muitas raízes e vegetaismortos consumindo o oxigênio disponível. Um ambiente redutor propicia o aumento da dissoluçãodos metais, por ionização, e sendo assim, as águas do poço analisado, por apresentar Eh maisnegativo que as águas da cava, apresentam proporcionalmente uma quantidade maior de íonferro, como pode ser observado no gráfico de Ferro Total da Figura 1. Os resultados das análises químicas e bacteriológicas, obtidos a partir da análise daságuas coletadas do poço, da cava inativa e da foz do canal do rio Piracuama, encontram-se naTabela 1 e são discutidos a seguir.13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 3
  4. 4. Tabela 1. Resultados das análises químicas realizadas com amostras de água do Poço, Cava Inativae Foz do Canal do rio Piracuama. Poço 3, Cava Inativa e Foz do Canal do rio Piracuama (datas das coletas em 2010-2011)Legenda Poço Cava Foz do Rio PiracuamaPARÂMETROS 25/mar 13/abr 11/mai 15/jun 27/jul 10/ago 10/set 19/out 24/nov 7/dez 1/fev 15/mar 5,67 6,02 5,95 6,06 6,11 5,76 5,83 5,82 5,86 5,9 5,9 5,25 pH 6 6,15 5,73 6 5,82 5,6 6,28 6,03 5,45 5,85 5,9 5,78 6,29 6,05 5,91 21 26 17,42 16,18 19 21 22 21 9 9 11 8 Condutiv. (mS /m) 12 14 19,18 28,8 15 10 12 7 3 2 4 3 2 5 3 170 53 26 180 220 170 210 160 230 89 50 78 Turbidez (NTU) 260 100 61 91 650 330 250 120 62 26 65 93 23 83 250 2,5 8,1 0,7 5,5 2,9 2,4 2,2 1,5 9,3 9,4 6,3 5,5 O.D (mg/L) 5,6 5,2 1,7 3,3 1,5 0,9 3,2 1,5 7,4 6,7 6,4 5,4 7,7 6,6 8 21,6 22 21,4 20,2 20,8 20,8 20,8 20,7 21,1 20,8 22,1 23,1 Temp. (°C) 29 23,7 21,3 17 18,8 18,1 20,1 20,2 24,3 27,8 27,9 26,3 26,8 26,6 27 0,13 0,17 0,13 0,12 0,14 0,15 0,14 0,06 0,06 0,08 0,06 S TD (g/L) 0,07 0,09 0,12 0,07 0,06 0,08 0,05 0,02 0,01 0,04 0,02 0,01 0,03 0,02 -79 16 -42 -59 -102 -83 -152 -151 -82 -98 -205 -146 Eh 71 -61 -180 -195 -199 -54 -124 -120 -42 19 -247 -65 36 41 68 19,14 32,44 26,5 56,26 55,29 208,3 232,1 237,5 - Cl 23,05 35,02 35,51 44,17 22,79 21,25 29,58 28,03 24,22 23,21 24,7 13,67 6,1 12,51 22,53 27,81 29,23 28,42 19,5 27,2 19,14 31,74 20,61 DQO mg/L 21,5 17,66 17,25 60,19 44,35 40,7 39,74 16,8 23,92 17,92 20,83 13,98 34,56 46,59 0 0 0 0 2 0 0 0 DBO mg/L 0 0 0 0 0 0 0 0 1,8 1 0 0 0 0 0 0 0 0,06 0,07 0 0 - NO 3 (mg/L) 0,09 0,12 0,06 0,17 0 0,22 0 0,02 0,08 0 0 0,05 0 1,21 0,02 0,04 0 0 0 0 0 0 0 0 0 - NO 2 (mg/L) 0 0,03 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3,04 0,3 0 0,21 0,15 3,26 2,25 3,25 8,5 3,55 3,85 - NH4 (mg/L) 0,03 0,08 0,26 0 0 0,69 o 0,1 0,19 0,13 0,07 0,2 0,15 0,1 0 0 0 5,05 1,03 0,23 0 13,5 0,47 - S O 4 (mg/L) 0 0 0 0 1,06 0,98 0 0,38 0,54 0,09 0 0,49 1,2 1,2 2,4 2,5 1,33 1,11 0,49 7,2 Fe Total (mg/L) 0,25 0,24 0,23 0,23 2,3 0,4 0,36 0,27 0,13 0,41 0,52 0,12 0,44 0,3 0,72 0,54 0,38 0,54 0,47 0,68 0,14 0,14 0,59 Fósforo T (mg/L) 0,13 0,09 0,13 0,2 0,25 0,34 0,08 0 0,11 0,08 0,23 0,02 0,32 0,21 0 13 13 23 13 40 14 14 68 Coli Ttais (NMP) 13000 540000 540000 22000 49000 5400 1700 1600 790 1400 240 260 2 0 0 0 0 0 7,8 13 0 11 45 Coli Te r. (NMP) 4,5 33 4000 220 14000 9200 11000 1400 2 23 610 110 100 130 370 140 260 1200 170 120 640 170 120 160 340 Bac.Het.(UFC/mL) >5700 >5700 >5700 >5700 >5700 >5700 >5700 >5700 1900 >5700 >5700 >5700 4200 >570013o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 4
  5. 5. A figura 1 apresenta os gráficos contendo as análises dos parâmetros físicos dessas águas(pH, Eh e metais dissolvidos) em função do período de coleta (tempo, em horas) com os gráficosdos níveis d´água monitorados no poço em função do tempo de monitoramento (horas, desde oinício das medidas) e das precipitações atmosféricas (em dias), sendo que todos os gráficosrepresentam no eixo das abscissas períodos de tempo correlatos. 0 Inundações p/ arroz desvio Nível d´água (m) 1 água do Piracuama Oscilações devido à influência das águas do rio Paraíba do Sul 2 tempo (h) 3 2000 4000 6000 8000 7 Poço 3 Cava Inativa Foz Canal Piracuama 6 pH tempo (h) 5 2000 4000 6000 8000 -300 Poço 3 -200 Cava Inativa Foz Canal Piracuama Eh (mV) -100 0 tempo (h) 100 2000 4000 6000 8000 8 Poço 3 Ferro Total (mg/L) 6 Cava Inativa Foz Canal Piracuama 4 2 tempo (h) 0 2000 4000 6000 8000 120 110 100 90 Precipitação (mm) 80 70 60 50 40 30 20 10 Data 0 0 0 7/ 010 4/ 010 7/ 0 0 0 0 0 0 0 10 0 1/ 0 0 10 2/ 0 0 /1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 01 01 30 201 13 201 27 201 10 201 24 201 8/ 201 5/ 201 1 3/ 201 1 14 201 11 201 25 201 11 201 01 23 201 21 201 18 201 2/ 01 16 201 22 /20 19 /20 17 /20 28 20 3 1 /2 0 /2 /2 /2 /2 /2 /2 / / / / / / 0/ / / / / 4/ 5/ 6/ /3 /3 /4 /5 /7 /8 /8 /9 /9 10 11 12 2 /6 /7 /1 /2 /2 /3 9/ /1 /1 /1 /1 12 26 Figura 1. Gráficos do pH, Eh e Ferro Total em função do tempo em comparação com os gráficos de níveis d´água do Poço e das precipitações. No dia 14 de julho de 2010 ocorreram fortes chuvas na área, e a partir daí os níveis d´águado poço começaram a subir. No entanto, o principal fator desta mudança foi o aumento dadescarga do rio Paraíba do Sul, originado nas barragens de montante (Paraibuna e Santa Branca)e que afetou os níveis d´água dos poços situados próximos, pois o canal intercepta lateralmente o13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 5
  6. 6. aquífero sedimentar quaternário que passa a receber água do rio. As oscilações da descarga dorio são visíveis no gráfico dos níveis d´água do poço, na figura 1. O pH e Eh das águas da cava inativa e do poço acompanharam as oscilações de entradade água proveniente do rio Paraíba do Sul, mas não apresentaram muitas variações, comexceção do teor de Ferro iônico que cresce no período seco, pois a ausência de águasatmosféricas na cava e no poço torna-se cada vez mais redutor. Em novembro de 2010 houve aumento nas precipitações, as quais se intensificaram apartir de dezembro. Assim, o pH e Eh sofreram inversão de tendência, já que o aumento da águaatmosférica torna o ambiente menos redutor devido ao maior equilíbrio do potencialhidrogeniônico e do potencial de óxido-redução nas águas das chuvas. Acompanhando essatendência, o teor de Ferro iônico também decresce, no aquífero e na cava inativa. Na coleta realizada em 01 de fevereiro de 2011 houve um acréscimo inesperado dascondições redutoras da cava inativa e do poço, com Eh bem mais redutor. Na referida coleta, acava inativa apresentou-se interligada com outras cavas também inativas, técnica utilizada pelominerador para aumentar o escoamento da água superficial, da cava inativa para outras cavas edessas para o rio Paraíba do Sul. Esse aumento do escoamento provavelmente diminuiu ooxigênio dissolvido na cava inativa por aumento do consumo devido à remobilização da matériaorgânica vegetal existente no fundo da cava o que provocou um Eh ainda mais negativo. Assim sendo, o mês de fevereiro de 2011 foi o que apresentou maior ambiente redutor,tanto para a cava inativa quanto para o aqüífero sedimentar quaternário no local do poço. Deforma coerente, no mês seguinte (março de 2011) o Ferro Total apresentou significativo aumentono teor, em ambos os locais. O pH médio das águas subterrâneas do Poço foi de 5,84 e o desvio padrão de 0,23 (12amostras). Para as águas da cava inativa o pH médio foi de 5,88 e o desvio padrão de 0,23 (12amostras). Para as águas da foz do canal do rio Piracuama, o resultado foi de 6,08 e o desviopadrão de 0,19 (3 amostras). A condutividade média das águas subterrâneas do Poço foi de 16,71 mS/m e o desviopadrão de 6,05 (12 amostras). Para as águas da cava inativa, a condutividade média foi de 10,83mS/m e o desvio padrão de 7,89 (12 amostras). Para as águas da foz do canal do rio Piracuamafoi de 3,33 mS/m e o desvio padrão de 1,52 (3 amostras). Os sólidos totais dissolvidos das águas subterrâneas do Poço foi de 112 mg/L e o desviopadrão de 40 (11 amostras). Para as águas da cava inativa, os sólidos totais dissolvidos foram de57 mg/L e o desvio padrão de 33 (11 amostras). Para as águas da foz do canal do rio Piracuamafoi de 20 mg/L e o desvio padrão de 10 (3 amostras). A condutividade é um parâmetro que indica a quantidade de sólidos totais dissolvidos emuma solução. Por correlação, pode-se estabelecer a relação entre estes dois parâmetros em umasolução quando se tem sua média. Assim, para as águas subterrâneas do Poço a relação entre acondutividade (em mS/m) e os sólidos totais dissolvidos (em mg/L) foi de 0,15, para as águas dacava inativa de 0,19 e para as águas da foz do canal do rio Piracuama, de 0,17. O oxigênio dissolvido nas águas subterrâneas apresentam normalmente valores inferioresa 3 mg/L, mas aumentam para valores acima de 8 mg/L quando as águas são bombeadas eamostradas na superfície do terreno. Para a cava inativa os valores também são baixos (média de4,07 mg/L e desvio padrão de 2,31 para 12 amostras) indicando que há problemas para a vidaanimal (peixes), enquanto que para as águas da foz do canal do rio Piracuama, a média foi de7,43 mg/L com desvio padrão de 0,73 para 3 amostras e, nessas águas a existência de peixes ébastante evidenciada pela quantidade de predadores (garças brancas) que nelas se alimentam. A temperatura média das águas subterrâneas do poço é de 21,3 oC (12 amostras) e odesvio padrão é de 0,8 , indicando que há pouca variação anual. As águas da cava inativa, porestarem em contato direto com a atmosfera apresentam uma temperatura média ligeiramentemaior (22,9 oC) e o desvio padrão também é maior (4,2), indicando maior variação anual. Acorrelação desse parâmetro com as águas da foz do canal do rio Piracuama não é consistente enão foi considerada, pois o período de amostragem destas águas é pequeno (apenas 3 meses). Outra comparação que se faz necessária é entre os parâmetros químicos (Cloretos,Nitrogênio Amoniacal e Fosfatos) analisados nos três ambientes, com os gráficos dos níveis d´água do Poço e com os gráficos das precipitações (Figura 2).13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 6
  7. 7. 0 Inundações p/ cultivo do arroz c/ desvio das águas Nível d´água (m) 1 Oscilações devido à influência do canal do rio Piracuama das águas do rio Paraíba do Sul 2 tempo (h) 3 2000 4000 6000 8000 300 Poço 3 Cloretos (mg/L) 200 Cava Inativa Foz Canal Piracuama 100 tempo (h) 0 2000 4000 6000 8000 Nitrogênio Amonia (mg/L) 10 Poço 3 8 Cava Inativa 6 Foz Canal Piracuama 4 2 tempo (h) 0 2000 4000 6000 8000 1,0 Poço 3 Fósforo Total (mg/L) Cava Inativa Foz Canal Piracuama 0,5 tempo (h) 0,0 2000 4000 6000 8000 120 110 100 90 Precipitação (mm) 80 70 60 50 40 30 20 10 Data 0 0 0 10 1 0 0 10 0 10 7/ 0 0 0 0 0 0 0/ 0 0 1/ 0 0 2/ 0 0 11 1 1 1 0 0 01 01 10 201 24 201 8/ 201 1 14 201 11 201 01 01 18 201 2/ 01 30 201 13 201 27 201 1 5/ 201 1 3/ 201 25 01 11 201 01 16 201 20 1 9 /2 0 1 7 /2 0 3 1 /2 0 28 20 20 22 /20 /2 /2 /2 /2 /2 /2 /2 / / / / / / 4/ 5/ 6/ / / / /3 /3 /4 /5 /6 /7 /7 /8 /8 /9 /9 10 11 12 2 /1 /1 /2 /2 /3 9/ 7/ 4/ /1 /1 /1 /1 12 26 23 21 Figura 2. Gráficos dos teores de Cloretos, Nitrogênio Amoniacal e Fósforo Total em função do tempo, em comparação com os gráficos de níveis d´água do Poço e das precipitações. Os cloretos, no caso das águas subterrâneas e superficiais da várzea do rio Paraíba doSul, são provenientes tanto de águas servidas (consumo de sal de cozinha pela população e quechegam ao rio por lançamento de esgotos não tratados) como de derivados de organocloradosutilizados nos defensivos agrícolas dispersos na área da rizicultura. Na cava, os teores de cloreto pouco variam, pois originam-se das águas do canal do rioPiracuama, onde a carga de esgotos domésticos dos bairros rurais do município dePindamonhangaba e Tremembé que chega até a cava não foram tratados. No aqüífero junto àcava, os teores que vinham sendo próximos aos encontrados na cava inativa, sobem bruscamenteapós períodos de chuvas mais intensas, e o mesmo não ocorre na cava inativa, levantando asuspeita que seu aumento é devido à infiltração das águas pluviais com carga de pesticidasorganoclorados que foram lançados no solo durante o período de germinação do arroz, emoutubro e novembro de 2010. A concentração média de cloretos nas águas subterrâneas do Poço (108,44 mg/L) é bem13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 7
  8. 8. maior que nas águas da cava inativa (29,93 mg/L) e da foz do canal do rio Piracuama (24,04mg/L). Mas, o maior contraste corresponde ao desvio padrão encontrado, de 98,51 para o Poço,7,90 para a cava inativa e 0,76 para a foz do canal do rio Piracuama. A discrepância entre osvalores encontrados para o Poço indica que algum evento mudou bruscamente a concentração decloretos nas águas subterrâneas e, o aumento ocorrido a partir de outubro e outro maior, a partirde dezembro de 2010, parecem estar associados ao lançamento dos pesticidas organocloradosdurante a fase de crescimento do arroz que ocorre durante os processos de inundações dacultura, com a consequente infiltração destes produtos nas águas subterrâneas. O nitrogênio amoniacal tem sua origem no uso de fertilizantes durante a calagem do solo,feita imediatamente antes do plantio do arroz irrigado, nos meses de agosto e setembro. Duranteo período seco, a partir de abril, sua quantidade é insignificante, tanto no Poço quanto na cavainativa, como é mostrado no gráfico na Figura 2. À medida que a água do canal do rio Piracuamaé desviada para irrigação do arroz, a partir do mês de outubro, há um aumento do teor denitrogênio amoniacal no aquífero sedimentar (Poço) enquanto na cava inativa e foz do canal esseaumento não ocorre, o que mostra que a uréia (nitrato de amônia) utilizada na fertilização,dissolve-se na água de irrigação e infiltra no aquífero sedimentar quaternário nas áreas dostabuleiros de plantio de arroz. Em análises efetuadas para determinação da dureza, conteúdo de cálcio e de magnésio,verificou-se, em coleta realizada em março de 2011, que as águas subterrâneas da área davárzea do rio Paraíba do Sul possuem uma expressiva quantidade de dureza que varia entre 50 e70 mg/L no aquífero sedimentar quaternário, enquanto que nas águas superficiais sua quantidadevaria entre 6 e 17 mg/L indicando um acúmulo proveniente da fertilização com calcário dolomitícodo solo antes do plantio, o que geralmente ocorre nos meses de agosto e setembro. Da mesmaforma, a quantidade de cálcio varia entre 2 e 58 mg/L nas águas subterrâneas e entre 5 e 10 mg/Lnas águas superficiais. O conteúdo de magnésio corrobora estes resultados, variando entre 8 e 68mg/L nas águas subterrâneas e, entre 1 e 7 mg/L nas águas superficiais. O fósforo total é composto principalmente por fosfatos cuja origem está no uso defertilizantes agrícolas para o plantio do arroz. O teor no Poço é sempre maior que na cava inativa,pois há consumo de fósforo pelas macrófitas que se desenvolvem nesta cava, enquanto éacumulativo nas águas subterrâneas, pois nelas não há organismos que consomem o fósforo(ocorre principalmente na forma de fosfatos). Nos meses chuvosos há diluição e o teor de fósforototal diminui, tanto na cava inativa quanto no aquífero sedimentar quaternário (Poço). Quanto aos teores de sulfatos observados e discriminados na Tabela 1, pode-se mencionarque, através da ação da bactéria Desulfovibrio (que reduz o sulfato nas águas), o transforma emácido sulfídrico (volátil) que causa mal odor ao ambiente paludal. Nas águas onde ocorreprodução de H2S, os sedimentos tornam-se escuros devido à formação de FeS, como ocorre nasargilas orgânicas da várzea do rio Paraíba do Sul. Observou-se também diluição dos sólidos totaiscom diminuição dos teores, devido ao aporte de água atmosférica durante o período chuvoso quevai de novembro de 2010 a março de 2011.13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 8
  9. 9. 0 Inundações p/ cultivo do arroz c/ desvio das águas do rio Piracuama Nível d´água (m) 1 Oscilações provenientes da entrada das águas do rio Paraíba do Sul 2 tempo (h) 3 2000 4000 6000 8000 100 Poço 3 80 DBO (mg/L) Cava Inativa 60 Foz Canal Piracuama 40 20 tempo (h) 0 2000 4000 6000 8000 Coliformes Totais (NMP) 1000000 100000 10000 Poço 3 Cava Inativa 1000 Foz Canal Piracuama 100 10 tempo (h) 1 2000 4000 6000 8000 100000 Poço 3 10000 Col.Termo. (NMP) Cava Inativa 1000 Foz Canal Piracuama 100 10 tempo (h) 1 2000 4000 6000 8000 120 110 100 90 Precipitação (mm) 80 70 60 50 40 30 20 10 Data 0 0 0 0 0 0 2/ 0 0 0 9/ 010 7 / 0 10 4/ 0 1 0 0 7/ 0 0 0 0 0 0 0 0/ 0 10 2/ 0 /1 11 1 1 1 1 26 2 0 1 2 3 20 1 21 20 1 1 6 20 1 27 2 0 1 8/ 201 5/ 201 3 / 20 1 1 1 1 4 20 1 25 201 11 201 18 2 0 1 2/ 01 30 2 01 13 201 10 2 0 1 2 4 2 01 1 11 201 01 22 /2 0 1 9 /2 0 1 7 /2 0 3 1 20 28 2 0 /2 /2 /2 /2 /2 1/ / 4/ 5/ 6/ / / / / / / / / / / /3 /3 /4 /5 /6 /7 /7 /8 /8 /9 /9 10 11 12 /1 /2 /2 /3 /1 /1 /1 /1 12 Figura 3. Gráficos dos teores de DBO, quantidades de Coliformes Totais e de ColiformesTermotolerantes, em função do tempo, comparados com os gráficos de níveis d´água do Poço e das precipitações. Verifica-se que a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) apresenta pouca variação anualpara o poço, neste caso está relacionada com a provável existência microbacteriana nas águassubterrâneas do aqüífero sedimentar quaternário. Contudo, para a cava é maior sua variação eapresenta um pico após as intensas chuvas do dia 14 de julho de 2010, decrescendopaulatinamente no restante do ano de 2010 até o início de 2011. Outra relação que pode ser feita de forma consistente é, entre a Demanda Química deOxigênio, o conteúdo de Coliformes Totais e o de Coliformes Termotolerantes (Figura 3). Aquantidade de coliformes totais sofre pouca variação no Poço. Na cava inativa, cujos níveis d´água acompanham os níveis do Poço, há um aumento no número de coliformes totais à medida13o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 9
  10. 10. em que o nível d´água desce, entre abril e julho de 2010. A partir de novembro de 2010, quandohá contribuição das águas provenientes do desvio das águas do canal do rio Piracuama e daságuas pluviais, o seu número decresce paulatinamente, apresentando uma associação com oaumento da quantidade de água advindas das fontes externas, nas águas superficiais da cavainativa. Os coliformes termotolerantes também são pouco significativos no poço. Contudo, na cavainativa, seu número aumenta com o período seco (inverno) e diminui no verão, no períodochuvoso.4- CONSIDERAÇÕES FINAIS Contaminações advindas das águas superficiais, em contato com as águas subterrâneasnas cavas abertas, abandonadas ou em operação, espalham-se pelos depósitos arenosos econtaminam suas águas rapidamente, devido ao alto valor de Transmissividade e deCondutividade Hidráulica. (DINIZ, et al, 2010, DINIZ e MICHALUATE, 2002) A agricultura é reconhecidamente uma fonte potencial de contaminação das águassubterrâneas. A oxidação da amônia, derivada de fertilizantes com uréia, em um processobiológico aeróbico, a transforma em nitrito, sob ação do grupo de bactérias Nitrosomonas e, aofinal, em nitrato, pelo grupo Nitrobacter (CHAPELLE, 2001). Como a circulação das águassuperficiais e subterrâneas, na área da várzea do rio Paraíba do Sul é muito rápida, em grandeparte a amônia não sofre oxidação, com um conseqüente baixo teor de nitrito e nitrato. Por fim, vale destacar que as características químicas das águas do aquífero sedimentarquaternário são influenciadas pela exposição das cavas ao ar atmosférico, resultando emaumento do pH, turbidez, cor, nitrogênio amoniacal e oxigênio dissolvido.5. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem o apoio financeiro recebido da FAPESP - Fundação de Amparo àPesquisa do Estado de São, por meio do Processo no 2008/05400-9.6. REFERÊNCIASCHAPELLE, F.H. Ground-water microbiology and geochemistry. 2ª Ed., John Wiley & Sons,New York, 468 p., 2000DINIZ, H. ; GALINA, M. H. ; BASTISTA, G. T. ; TARGA, M. S. . Hydrogeological characteristics ofthe Paraíba do Sul river flood plains: a case study of a mining area in the Tremembé municipality,SP, Brazil (doi:10.4136/ambi-agua.155) (Portuguese). Revista Ambiente & Água, v. 5, p. 76-107,2010.DINIZ, H.N.; MICHALUATE, W.J. Interpretação de testes de vazão em poços tubularesprofundos - dimensionamento e especificações de bombas submersas. 1ª Ed., InstitutoGeológico do Estado de São Paulo, São Paulo, v.1, 78 p., 2002GALINA, M. H., DINIZ, H., QUINTANILHA, J. A., BASTISTA, G. T. The increase of artificial lakes asa result of sand mining activities, in the Paraíba do Sul Rivers Basin, São Paulo State, Brazil. In:GEOgraphic Object-Based Image Analysis, 2010, Gent. GEOBIA. Gent, Belgiun, 2010.REIS, B.J. Avaliação da expansão da atividade de extração de areia na planície aluvial dabacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul no trecho entre Jacareí e Pindamonhangaba noperíodo de 1993 a 2003. Dissertação de Mestrado em Ciências Ambientais, Universidade deTaubaté, Taubaté, 112 p, 200513o Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental Página 10

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