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d) as áreas com declividades acima de 45°, que são 18% do total dos setores de risco, alémde incidir em todas essas caract...
Fonte: Silva et al. 2004.Figura 3 – Tipos de perfis de vertentes e tendências de fluxo.    6.3 Posição dos setores de risc...
Figura 4 – Tipos de perfil das vertentes dos setores de risco analisadosFigura 5 – Setores de risco à escorregamentos em r...
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MACEDO, E.S. et al. Mapeamento de áreas de risco de escorregamento e solapamento de  margens no município de São Paulo – S...
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AMARAL et al - 13cbge

  1. 1. OS CONDICIONANTES GEOMORFOLÓGICOS AO RISCO DE ESCORREGAMENTOS – ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS DAS VERTENTES NO PLANALTO DE PARAITINGA/PARAIBUNA (SP) Rosangela do AMARAL; Jair SANTORO; Rogério Rodrigues RIBEIRO1RESUMOOs escorregamentos representam um dos principais processos que desencadeiam os desastresnaturais no Brasil. No Estado de São Paulo a ocorrência desses processos está relacionada àcombinação entre a forma de relevo e o tipo de ocupação antrópica, concentrando-seprincipalmente no Planalto Atlântico. Neste estudo foram analisadas estatisticamente as áreas derisco mapeadas em 2008 em quatro municípios do Planalto de Paraitinga/Paraibuna (sub-unidadedo Planalto Atlântico), e relacionadas com algumas características geomorfológicas de vertentes.Os principais condicionantes geomorfológicos que predispõem os escorregamentos identificadosnesta região são: declividade, perfil e posição na vertente.ABSTRACTLandslides represent one of the main processes that trigger natural disasters in Brazil. In SãoPaulo State the occurrence of these processes is related to the combination of relief form and typeof human occupation, concentrating mainly on the Atlantic Plateau. This paper statiscally analyzedthe hazard areas mapped in 2008 in four districts of Plateau Paraitinga / Paraibuna (sub-unit of theAtlantic Plateau), and connected to some geomorphological slope characteristics. The maingeomorphological conditions that predispose the landslides identified in this region are: incline,profile and slope position.PALAVRAS-CHAVEVertente – Escorregamento – Condicionantes Geomorfológicos1 Pesquisadores Científicos do Instituto Geológico – Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Av. Miguel Stéfano, 3.900 –Água Funda. São Paulo/SP. Tel 11 5073-5511. E-mail: rosangela.amaral@igeologico.sp.gov.br; jsantoro@igeologico.sp.gov.br;rrribeiro@igeologico.sp.gov.br13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 1
  2. 2. 1. INTRODUÇÃO Em áreas urbanas é comum a instalação de ocupações irregulares e inadequadas, o queproporciona o surgimento das áreas de risco a escorregamentos e inundações econseqüentemente os desastres naturais. Em 2008, o relatório anual de estatísticas de desastres da OFDA/CRED apontou o Brasil em10º lugar entre os países do mundo com maior número de vítimas relacionadas aos DesastresNaturais. Foram 1,8 milhões de pessoas afetadas por desastres hidrológicos, que englobaminundações, enchentes e escorregamentos. Em relação aos impactos econômicos causados pelosdesastres, o Brasil está em 7º lugar, com cerca de US$ 1 bilhão em prejuízos. (OFDA/CRED,2008) Os escorregamentos estão em segundo lugar entre os processos que desencadeiam osdesastres naturais no Brasil, superados apenas pelas inundações (Marcelino, 2007). No Estado de São Paulo, foram registrados pela CEDEC – Coordenadoria Estadual deDefesa Civil – 367 eventos relacionados aos escorregamentos no período entre 2000 e 2008.Cerca de 20% destes eventos ocorreram na UGRHI 02 - Unidade de Gerenciamento de RecursosHídricos Paraíba do Sul, onde se localiza o Planalto de Paraitinga/Paraibuna (CEDEC, 2009). Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de apresentar as características do meio físicoque predispõem a ocorrência de escorregamentos, tratando, particularmente, dos aspectosgeomorfológicos predominantes no Planalto de Paraitinga/Paraibuna. Embora se tenha a clareza de que os escorregamentos são a conseqüência de umacombinação de fatores relacionados às características lito-estruturais, tectônicas,geomorfológicas, climáticas e antrópicas, este trabalho se restringirá à análise dos condicionantesgeomorfológicos de vertente predominantes nas áreas de risco. A partir dos resultados obtidos nos “ Mapeamentos de áreas de risco associados aescorregamentos e inundações” realizados pelo Instituto Geológico da Secretaria do Meio ,Ambiente do Estado de São Paulo (IG-SMA) por meio do Termo de Cooperação Técnica IG-CEDEC, observou-se que determinadas características geomorfológicas relacionadasprincipalmente à declividade, perfil de vertente e posição na vertente foram constantes nas áreasde risco a escorregamentos identificadas nos municípios de Paraibuna, São Luís do Paraitinga,Natividade da Serra e Jambeiro. 2. OBJETIVO O objetivo deste trabalho é identificar quais são as principais característicasgeomorfológicas de vertente que condicionam os riscos de escorregamentos nos municípios deParaibuna, São Luís do Paraitinga, Natividade da Serra e Jambeiro (Planalto deParaitinga/Paraibuna), e correlacioná-las com as áreas de risco mapeadas pelo InstitutoGeológico - SMA em 2008. 3. DEFINIÇÕES Para a análise deste trabalho, adotaram-se as seguintes definições:13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 2
  3. 3. Declividade (inclinação) – Inclinação média do perfil da vertente, expressa em porcentagem(IPT, 1981). É expressa por um ângulo ou gradiente (Veloso, 2009). Perfil de vertente – É uma linha traçada sobre o terreno descrevendo sua inclinação. Asvertentes com ângulo constante são chamadas retilíneas. As vertentes curvas podem serconvexas ou côncavas de acordo com a direção da curvatura (Veloso, 2009). Posição na vertente – Refere-se a posição em que estão instaladas as ocupações emrelação à vertente: alta, média e baixa vertente. 4. DESCRIÇÃO REGIONAL DA ÁREA DE ESTUDO: O PLANALTO DE PARAITINGA/PARAIBUNA A Morfoestrutura Cinturão Orogênico do Atlântico tem como unidade morfoescultural oPlanalto Atlântico, que se constitui por formas de topos convexos, elevada densidade de canais dedrenagem e vales profundos. É um vasto planalto em que se pode identificar variaçõesfisionômicas regionais, que possibilitam delimitar unidades geomorfológicas distintas, por suascaracterísticas geotectônicas, litológicas e estruturais. A unidade geomorfológica analisada é o Planalto de Paraitinga/Paraibuna, localizado naporção oriental do Estado de São Paulo, entre o Médio Vale do Paraíba (ao norte), a Serra do Mar(ao sul) e o Planalto e Serra da Bocaina (a leste). São destacados dois níveis distintos de altitude:o nível alto, com altitudes acima de 900m e o nível médio, com altitudes entre 800 e 900m. De acordo com Ross e Moroz (1997), nessa unidade predominam formas de relevo muitodissecadas, com modelado constituído basicamente por morros altos e alongados com toposconvexos (Dc). As altimetrias predominantes estão entre 700 e 1.000m, com declividades entre 12e 17°. Em vários pontos a declividade supera os 22°. A litologia é basicamente constituída pormigmatitos e granitos e os solos são Argissolos, Cambissolos e Neossolos Litólicos. A drenagemapresenta padrão dendrítico à treliça, condicionada pela estrutura regional. Como a unidade apresenta dissecação média a alta, com vales entalhados e densidade dedrenagem média a alta, a área apresenta um potencial de fragilidade médio a alto, sujeita aerosão e escorregamentos (Ross e Moroz, 1997). A localização da unidade morfoestrutural Planalto de Paraitinga/Paraibuna e seus níveis dealtitude predominantes e dos quatro municípios analisados podem ser visualizadas na Figura 1. 5. METODOLOGIA APLICADA NOS MAPEAMENTOS DE RISCO O mapeamento das áreas de risco realizado neste trabalho inclui procedimentosdesenvolvidos pelo Ministério das Cidades, pela UNESP-Rio Claro e pelo Instituto de PesquisasTecnológicas (IPT), e foi aplicado pelo Instituto Geológico em 31 municípios do Estado de SãoPaulo, no período entre 2004 e 2008. Nesses estudos, considerando a necessidade de obtenção de informações de forma rápidae concisa, os fatores que compõem a avaliação e análise de risco são simplificados, agrupados eavaliados de forma qualitativa a partir de observações diretas em campo. O diagnóstico de risco fornece informações sobre os indicadores ou evidências dosprocessos ambientais que podem causar danos à população, às edificações ou à infra-estrutura,13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 3
  4. 4. estabelecendo uma gradação ou hierarquização das situações identificadas e estimando onúmero de edificações potencialmente afetadas (Nogueira 2006, Brasil, 2004 e Varnes, 1978). O risco é graduado de 1 (baixo) a 4 (muito alto), de acordo com as evidências demovimentação identificadas e com a quantidade de registros de eventos na área nos últimos anos(Canil et al 2004, Cerri et al 2004, Macedo 2004). São delimitadas áreas de risco, e estas são subdivididas em setores, de acordo com grau derisco a que estão expostas, definido pelas características físicas e antrópicas.Figura 1 – Localização do Planalto de Paraibuna/Paraitinga no Estado de São Paulo e dos municípiosanalisados. 6. RESULTADOS E DISCUSSÕES Foram compilados os dados dos municípios de Paraibuna, São Luís do Paraitinga,Natividade da Serra e Jambeiro para a análise estatística quantitativa, relativos às característicasgeomorfológicas das áreas de risco mapeadas, particularmente definidas por declividade, perfil eposição na vertente, e posteriormente correlacionando-se aos aspectos intrínsecos da UnidadeMorfoescultural Planalto de Paraitinga/Paraibuna.13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 4
  5. 5. Em Paraibuna, foram identificadas 19 áreas subdivididas em 41 setores; em São Luís doParaitinga 6 áreas e 14 setores; em Natividade da Serra 5 áreas e 8 setores e em Jambeiro 4áreas e 5 setores, totalizando 34 áreas e 68 setores, delimitados de acordo com a metodologiadescrita. A análise é descrita pelos itens a seguir: 6.1 Declividade Diversos estudos apontam que o maior potencial de escorregamentos relacionados àdeclividade referem-se ao intervalo entre 20 e 30° (Cruz 1974 apud Vieira e Furtado 2004,Fernandes et al. 2001, Salter et. al. 1991 apud Selby 1993). Acima de 30° de declividade opotencial de ocorrência diminui devido à ausência do desenvolvimento de perfis de solo,predominando apenas afloramentos de rocha ou remoção em eventos anteriores (Fernandes et al.2001). Fernandes e Amaral (2003) citam que a atuação direta, dada pela tendência de correlaçãoentre a declividade da vertente e a freqüência de movimentos, é reconhecida e demonstrada pormeio da equação de Coulomb, que descreve que o aumento do ângulo da vertente implica emuma diminuição do fator de segurança. Tominaga et al (2005) definiram intervalos de declividade para classificação dasuscetibilidade natural no Litoral Norte do Estado de São Paulo: baixa - menor que 5°; média –entre 5 e 15°; alta – entre 15 e 30°; muito alta – maior que 30°. A análise dos dados dos municípios do Planalto de Paraitinga/Paraibuna demonstra que(Figura 2): a) apenas 4% dos setores estão localizados em declividades menores que 17° (total de 2setores); b) 28% estão localizados em vertentes com declividade entre 17 e 30°. c) a maior parte dos setores de risco (51%) está localizada entre 30 e 45º de declividade; d) 18% estão localizados em vertentes com declividade superior a 45°. A característica de modelado do Planalto de Paraitinga/Paraibuna é de morros altos ealongados, com declividades predominantes entre 12 e 17°, mas que atingem mais de 22° emvários pontos, e, portanto, a ocupação dessas áreas exige infra-estrutura adequada das moradias,além de atender a critérios técnicos na intervenção para cortes e aterros de tal forma que estesobedeçam a critérios técnicos específicos, como aqueles relacionados à estabilidade de taludes,como coesão do material e ângulo de atrito interno. Como 51% dos setores de risco analisados apresentam declividade predominante entre 30e 45°, avaliam-se as seguintes implicações: a) estão em áreas onde, de acordo com a Lei Federal n° 6.766/79 (Lei Lehmann), não épermitido o parcelamento do solo para fins urbanos em zonas urbanas ou de expansão urbana emterrenos com declividade igual ou superior a 17°, salvo se atendidas exigências específicas dasautoridades competentes; b) estão acima do limite de declividade considerado crítico, de cerca de 20°; c) são áreas consideradas de suscetibilidade natural muito alta, que são agravadas pelopadrão das ocupações, que em geral não atendem aos critérios técnicos de infra-estruturanecessários;13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 5
  6. 6. d) as áreas com declividades acima de 45°, que são 18% do total dos setores de risco, alémde incidir em todas essas características listadas, ainda são protegidas pela Lei Federal n°4.771/65 (Código Florestal) como áreas de proteção permanentes (APPs), ou seja, não deveriamter ocupação urbana.Figura 2 – Setores de risco analisados quantitativamente de acordo com a declividade das vertentes 6.2 Perfil das Vertentes Os perfis de vertente retilíneos, que favorecem rápido escoamento e os perfis côncavos, queconvergem os fluxos de água, são reconhecidamente os de maior potencial à ocorrência deescorregamentos (Fernandes et al. 2001, Fernandes e Amaral 2003, Thomas 1994 e Bloom 1996apud Vieira e Furtado 2004) De acordo com Tominaga et al (2005) a classificação de suscetibilidade natural dos perfis édefinida por: baixa – perfis convexos (Figura 3 - esquema 4 e 5); média – perfis convexo-côncavos(esquema 6); alta – perfis côncavos (esquema 7, 8 e 9); muito alta – perfis retilíneos (esquema 1,2 e 3). Os tipos de perfis e suas tendências de fluxo podem ser visualizados na Figura 3. De acordo com a Figura 4, o perfil de vertente predominante em área de risco é o perfilretilíneo (47%) (Figura 3 – esquema 1), seguido pelo perfil convexo (23%) (esquema 5), retilíneo-convexo (19%) (esquemas 2 e 4), retilíneo-côncavo (8%) (esquemas 3 e 7) e côncavo-convexo(3%) (esquemas 6 e 8). Não foram verificadas ocorrências de áreas de risco em perfis côncavos. Os perfis retilíneos representam as características do Planalto de Paraitinga/Paraibuna,onde as vertentes predominantes são as retilíneas e convexas. A combinação entre os perfiis retilíneos e convexos com as declividades acentuadas tornaestas áreas mais críticas em relação à intervenção antrópica, pois exigem grande movimentaçãode terra na execução de cortes e aterros.13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 6
  7. 7. Fonte: Silva et al. 2004.Figura 3 – Tipos de perfis de vertentes e tendências de fluxo. 6.3 Posição dos setores de risco nas vertentes O gradiente e o fluxo de sedimentos tendem a se ajustar com mais facilidade a novosvalores de equilíbrio nas baixas vertentes do que nos demais segmentos. Portanto, estasconstituem a posição da vertente de maior estabilidade. As médias vertentes são naturalmenteáreas de transição, onde há incidência de processos derivados da dinâmica de base (baixasvertentes), como as escavações de leitos e assoreamentos, e da dinâmica de topo (altasvertentes), como os processos de intemperismo e gravitacionais, principalmente em função decortes e aterros realizados para a implantação das ocupações (Roering et. al 2004, Vieira eFurtado 2004, Wolle e Carvalho 1989). Conforme a Figura 5, a análise dos dados revela que em todos os graus de riscoidentificados, a maior parte dos setores de risco está localizada em média vertente (59%). Ossetores de risco localizados na baixa vertente ocupam 23% do total e 19% estão localizados emalta vertente. Na região, as médias vertentes se constituem como área preferencial para aexpansão urbana, uma vez que as áreas planas da baixa vertente já estão consolidadas. Oprocesso de expansão urbana favorece o solo exposto e áreas de movimentação de terra paraimplantação das moradias (cortes e aterros), alterando a dinâmica da vertente.13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 7
  8. 8. Figura 4 – Tipos de perfil das vertentes dos setores de risco analisadosFigura 5 – Setores de risco à escorregamentos em relação à sua posição nas vertentes 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pelas estatísticas de registros de desastres naturais que ocorreram nos últimos anos noEstado de São Paulo, é relevante a preocupação em minimizar os seus efeitos, como os danosmateriais, humanos e ambientais. A Unidade Morfoestrutural Planalto de Paraitinga/Paraibuna tem significativa suscetibilidadenatural aos processos de escorregamentos.13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 8
  9. 9. Os aspectos antrópicos, associados às ocupações em áreas de risco modificamsubstancialmente os condicionantes naturais. Assim, os cortes e aterros executados de formaprecária, o lançamento das águas servidas de forma caótica, presença de fossas, ausência deobras de disciplinamento e drenagem superficial, a presença de lixo e entulho nas vertentesdessas áreas potencializam a ocorrência de processos de instabilização. Desta forma, os estudos das características do meio físico devem ser considerados paraorientar, controlar ou limitar a ocupação antrópica, essencialmente nas definições doszoneamentos e no planejamento territorial. Assim, torna-se essencial a correta aplicação dasnormas ambientais e de uso e ocupação nas ações de planejamento, licenciamento e fiscalizaçãopara se evitar os desastres naturais. Neste sentido, o mapeamento das áreas de risco é umimportante instrumento para a Gestão Pública. Pelo exposto, verificou-se a necessidade de que as decisões sobre oplanejamento/zoneamento (determinação de áreas para expansão urbana) sejam baseadas emestudos prévios de estabilidade das vertentes e inventário das ocorrências, para evitar osdesastres naturais e as perdas econômicas e de vidas.REFERÊNCIASBRASIL. Treinamento de técnicos municipais para o mapeamento e gerenciamento de áreas urbanas com risco de escorregamentos, enchentes e inundações. Ministério das Cidades/Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Apostila de Treinamento, 73p. Disponível em http://www.cidades.gov.br. Acesso em 20 jan. 2007.BRASIL. Lei Federal nº. 6.766, de 19 de dezembro de 1979. Dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 20 dez. 1979.BRASIL. Lei Federal nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965. Institui o novo Código Florestal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 15 set. 1965.CANIL, K. et al. Mapeamento de risco em assentamentos precários nas zonas sul e parte da oeste no município de São Paulo (SP). In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA E GEOAMBIENTAL, 5., 2004, São Carlos-SP. Anais... São Carlos: ABGE, 2004, p.193-204.CEDEC (Coordenadoria Estadual de Defesa Civil) – Casa Militar – Governo do Estado de São Paulo – Banco de Dados de Atendimentos – Período 2000 a 2008. Não Publicado.CERRI, L.E.S. et al. Mapeamento de risco em áreas de ocupação precária nas zonas norte, leste e oeste do município de São Paulo (SP). In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA E GEOAMBIENTAL, 5., 2004, São Carlos. Anais... São Carlos: ABGE, 2004, p.115-122.FERNANDES, N.F.; AMARAL, C.P. – Movimentos de massa: uma abordagem geológico- geomorfológica. In: Geomorfologia e Meio Ambiente. GUERRA, A.J.T.; CUNHA, S.B. (org.) – 4ª ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. 372 p.FERNANDES, N.F.; GUIMARÃES, R.F.; GOMES, R.A.T.; VIEIRA, B.C.; MONTGOMERY, D.R.; GREENBERG, H. – Condicionantes geomorfológicos dos deslizamentos nas encostas: avaliação de metodologias e aplicação de modelo de previsão de áreas susceptíveis. Revista Brasileira de Geomorfologia, Vol. 2, nº 1, 2001, p. 51-71.13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 9
  10. 10. MACEDO, E.S. et al. Mapeamento de áreas de risco de escorregamento e solapamento de margens no município de São Paulo – SP: o exemplo da Favela Serra Pelada, Subprefeitura Butantã In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS, 1., 2004, Florianópolis-SC. Anais... Florianópolis: GEDN/UFSC, 2004, p. 59-72 (CD-ROM).MARCELINO, E.V. – Desastres Naturais e Geotecnologias: Conceitos básicos. Santa Maria: CRS/INPE, 2007. 20p. (publicação interna). Disponível em: http://www.inpe.br/crs/geodesastres/publicacoes.phpNOGUEIRA, F. R. Gestão dos Riscos nos Municípios In: CARVALHO, C.S.; GALVÃO, T. (Orgs). Prevenção de riscos de deslizamentos em encostas: guia para elaboração de políticas municipais. Brasília: Ministério das Cidades; Cities Alliance, 2006, p. 26-45.OFDA/CRED – The Office of US Foreign Disaster Assistance/Centre for Research on the Epidemiology of Disasters – Université Catholique de Louvain – Annual Disaster Statistical Review 2008 – The numbers and trends, Brussels, Belgium, 2009. Disponível em www.emdat.be/Documents/Publications/ADSR_2008.pdfROERING, J.J.; KIRCHNER, J.W.; DIETRICH, W.E. – Hillslope evolution by nonlinear, slope dependent transport. In: KIRKBY, M. – |Geomorphology: Critical Concepts in Geography. MPG Books, 1ª ed., 2004.ROSS, J.L.S.; MOROZ, I.C. - Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo, São Paulo: Laboratório de Geomorfologia, DG, FFLCH, USP / Laboratório de Cartografia Geotécnica- Geologia Aplicada - IPT / FAPESP, 1997. Mapa color, v.1 e 2. Escala: 1:500.000.SELBY, M.J. – Hillslope materials and processes. 2nd ed. Oxford University Press, Oxford, 1993, 451 pp.SILVA, A.M.; SCHULZ, H.E.; CAMARGO, P.B. – Erosão e Hidrossedimentologia em Bacias Hidrográficas. São Carlos: RiMa, 2003, 2004.THOMAS, M.F. – Geomorphology in the tropics: a study of weathering and denudation in low latitudes. John Wiley and Sons, 1994TOMINAGA, L.K.; FERREIRA, C.J.; VEDOVELLO, R.; TAVARES, R.; SANTORO, J. – Ocupação humana e risco a processos de movimentos de massa no Litoral Norte de São Paulo: Avaliação dos fatores geoambientais. In: Anais do XI Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, São Paulo, 2005, p.1143-1159.VARNES, D.J. Slope Movement Types and Processes. In: SCHUSTER, R., LAND, R. J., KRIZEK (eds.), Landslides-Analysis and Control, Special Report 176. Transportation Research Board, Washington, D.C., p. 12-33, 1978.VELOSO, A.J.G. – Importância do estudo das vertentes. In: Revista Geographia, Vol. 4, nº 8. Rio de Janeiro: UFF, 2002. Disponível em: http://www.uff.br/geographia/ojs/index.php/geographia/article/view/89/87 Acesso em fev. 2011.VIEIRA, R.; FURTADO, S.M.A. – Caracterização dos aspectos físicos-naturais intrínsecos da encosta na identificação das áreas susceptíveis a deslizamentos na sub-bacia do Ribeirão Araranguá – Blumenau/SC. In: I Simpósio Brasileiro de Desastres Naturais, 2004, Florianópolis. Anais... Florianópolis: GEDN/UFSC, 2004, p. 337-351. (CD-ROM).WOLLE, C.M.; CARVALHO, C.S – Deslizamentos em encostas na Serra do Mar – Brasil. In: Solos e Rochas, Vol. 12, nº único, 27-36. 1989.13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 10

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