Transtornos de ansiedade

18,086 views
17,524 views

Published on

TOC, somatizações, hipocondria, dissociativo-conversivos, TAG

Published in: Health & Medicine
0 Comments
9 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
18,086
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
14
Actions
Shares
0
Downloads
428
Comments
0
Likes
9
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transtornos de ansiedade

  1. 1. Transtornos de Ansiedade Aspectos diagnósticos Universidade Federal da Bahia Faculdade de Medicina
  2. 2. Ansiedade Resposta normal do organismo a situações de perigo? Ansiedade e medo Quando é desproporcional às possíveis causas aparentes, persistente e interfere de maneira significativa no funcionamento global do indivíduo, deve ser considerada patológica
  3. 3. “Estado emocional vivenciado com a qualidade subjetiva do medo ou da emoção a ele relacionada, desagradável, dirigida ao futuro, desproporcional a uma ameaça reconhecível, com desconforto somático subjetivo e alterações somáticas manifestas” Aubrey Lewis
  4. 4. Manifestações somáticas da Ansiedade  Boca seca  Cefaléia  Dor ou desconforto torácico  Fraqueza  Hiperreflexia  Insônia  Midríase  Parestesias  Reação de sobressalto exagerada  Sensação de sufocamento e instabilidade  Sinais de Tensão Motora  Sintomas cerdiovasculares (tremores, fatigabilidade, inquietação)  Sintomas gastrointestinais (palpitações, extrassistolias)  Sintomas genitourinários (náuseas, vômitos, diarréia, “bola na garganta  Sintomas respiratórios (“falta de ar”  Sintomas vasomotores (extremidades, ondas de calor e frio,..)  Tonturas e Vertigem  Visão borrada e Zumbido no ouvido
  5. 5. Manifestações psíquicas da Ansiedade  Agressividade  Apreensão  Desejo de escapar de certas situações  Despersonalização e desrrealização  Ideação suicida  Irritabilidade, impulsivideda, Nervosismo  Pânico  Medo de ficar louco ou fora de si  Medo de perder o controle  Medo de morrer  Prejuízo da atenção/concentração  Preocupações desnecessárias e exageradas  Sensação de desassossego, mal estar  Sensação de “estar sempre ligado”. “estimulado”  Sensação de perigo iminente  Tensão
  6. 6. Caraterísticas dos transtornos de ansiedade primária Foco da Ansiedade Tipo de Ataque Evitação Ansiedade intercorrente Transtorno do Pânico Possibilidade de Ter ataque de pânico Espontâneos/def lagrados - + Agorafobia Possibilidade de passar mal em locais específicos Deflagrados +++ + Fobias específicas Locais ou situações Relacionados com estímulos + + Fobia Social Desempenho em situações de evidência Deflagrados ++ + Transtorno de Ansiedade generalizada Preocupações exageradas sobre questões diárias - - +++ Transtorno Manifestação clínica TP Crises de pânico inesperados e recorrentes, medo de futuras crises de pânico e/ou das consequências dessas crises Agorafobia Medo e evitação de certos lugares onde pode ser difícil conseguir ajuda ou sair (p. ex., pontes, túneis, restaurantes, supermercados, transporte público) em caso de necessidade, tipicamente associados ao medo de sofrer crises de pânico nessas situações Transtorno de estresse pós- traumático Exposição a um evento que ameace a vida ou cause danos físicos, seguida de: (1) imagens perturbadoras, recordações, pesadelos; (2) evitação de tudo que evoque lembranças associadas a traumas passados; (3) hiperexcitação (p. ex., assustar-se facilmente, irritabilidade, dificuldade para se concentrar, insônia) TAG Preocupações excessivas e descontroladas sobre fatos/eventos do dia a dia; fadiga, tensão muscular, insônia; agitação, irritabilidade, dificuldade para se concentrar TAS Medo e evitação de situações sociais específicas (p. ex., medo de urinar em banheiros públicos, medo de comer em restaurantes, medo de falar em público) ou de situações sociais em geral TOC Pensamentos inoportunos repetidos, impulsos ou imagens reconhecidas como irracionais; comportamentos ritualísticos compulsivos, como o de limpeza ou checagem Fobias específicas Medo e evitação de local, atividade ou situação específicos (p. ex., medo de sangue ou de agulhas, de procedimentos odontológicos, cachorro, altura), que comprometem o funcionamento ou a vida cotidiana Tabela 1. Manifestações clínicas dos transtornos de ansiedade TAG = transtorno de ansiedade generalizado. TAS = transtorno de ansiedade social. TOC = transtorno obsessivo-compulsivo.
  7. 7. Dados Epidemiológicos São mais comuns nas mulheres que nos homens Usualmente começam no inicio da idade adulta. A prevalência para o período de vida é em torno de 29% Nos Hospitais Gerais 30% das consultas solicitadas à Psiquiatria, são avaliadas como sendo decorrentes de um transtorno de somatização.
  8. 8. Transtorno de Ansiedade Generalizada Transtorno crônico de ansiedade, caracterizadoTranstorno crônico de ansiedade, caracterizado por preocupações irreais ou excessivas,por preocupações irreais ou excessivas, acompanhada de diversos sintomas somáticos.acompanhada de diversos sintomas somáticos. Fenômeno Central Preocupação constante, concomitante a sintomas somáticos e psíquicos persistentes. Diretrizes diagnósticas Tensão motora, hiperatividade autonômica, apreensão, na maioria dos dias por pelo menos várias semanas e geralmente pôr vários meses.
  9. 9. TOC Shakespeare - 1606: Macbeth
  10. 10. EPIDEMIOLOGIA Pensava-se há 15 anos como quadro raro Hoje: até 2,5% da população geral: “epidemia oculta” Homens = mulheres 4ª doença psiquiátrica mais freqüente grande incapacidade (10 mais)
  11. 11. Semelhança do quadro clínico em todo o mundo Alta taxa de comorbidade: TAG e Depressão Maior 2/3 não se tratam Intervalo de 17 anos entre o início dos sintomas e a procura de tratamento Doença “secreta”
  12. 12. QUADRO CLÍNICO Obsessões Compulsões Relação de e/ou Anancástico: ananké - necessidade
  13. 13. OBSESSÕES Do latim obsidere: assédios, invasões Idéias, imagens, impulsos repetitivos que assediam a consciência Dúvida, ruminação, medo de perder o controle, impulsos contrários à vontade Caráter coercitivo - incontroláveis Conteúdo absurdo ou desproporcional Vivência angustiante
  14. 14. COMPULSÕES Do latim compellere: forçar contra a vontade Comportamento intencional, repetido, mesmo sabendo que é irracional Rituais: verificação, contagem, toque, cruzar limiares, ordenação (just right), colecionismo, simetria Alívio da ansiedade
  15. 15. CID 10 Sintomas presentes por pelo menos 2 semanas consecutivas e causando ansiedade, prejuízo Reconhecidos como próprios Oposição do indivíduo O pensamento ou ato não é prazeroso
  16. 16. GÊNESE: TEORIAS Neurobiológica: núcleo caudado, gânglios de base, relação com doenças neurológicas (Tourette, Sydenham) Cognitiva:padrões e crenças Psicodinâmica: conflito psíquico
  17. 17. TRATAMENTO Farmacológico: clomipramina, ISRS, outros (associação com antipsicóticos nos tics e tricotilomania) Terapia cognitivo-comportamental Terapia psicodinâmica e psicanalítica Melhor resultado esperado: ± 60% melhora
  18. 18. PSICOCIRURGIA: Cingulectomia no córtex do giro anterior do cíngulo
  19. 19. Transtornos de somatização ∗ Ansiedade. Depressão (sofrimento, risco de suicídio), ∗Risco de Iatrogenia (exames complementares e fármacos desnecessários) ∗Peregrinação por diversos médicos (Ausência no trabalho, Repercussão econômica, Cronicidade dos sintomas), ∗Εnfermidade física importante pode passar despercebida (o médico não costuma levar a sério as queixas destes pacientes que o consultam de vez em quando) a) Impacto sócio- econômico ∗Altos custos para a Saúde Pública, ∗Sobrecarga nos sistemas do atendimento sanitário, ∗Falta ao trabalho (absenteísmo),   b) Repercussão e riscos para o paciente ∗Τratados desnecessariamente de “falsas doenças” ou distúrbios sem importância clínica; ∗Não são tratados
  20. 20. Transtorno de somatizaçãoTranstorno de somatização • Sintomas físicos múltiplos recorrentes e freqüentemente mutáveis: náuseas, vômitos, deglutição difícil, dispnéia, flatulência, dores, vertigem, amnésia, menstruação dolorosa etc., assim como sintomas depressivos e ansiosos. • Em geral, presentes por vários anos antes que o paciente seja avaliado por um psiquiatra. • A base psicológica é demonstrável • Evolução crônica e raramente os pacientes ficam inteiramente assintomáticos. • O principal diagnóstico diferencial são as causas orgânicas para os sintomas do paciente.
  21. 21. Temos que observar 1) a ocorrência dos sintomas por pelo menos dois meses, sem evidência demonstrada de transtorno clínico que justifique a sintomatologia; 2) um certo grau de comprometimento do funcionamento social, atribuível aos sintomas 3) a recusa em aceitar a informação de que não há base clínica para os sintomas
  22. 22. Transtorno hipocondríacoTranstorno hipocondríaco Convicção e o medo de doenças, preocupação com o corpo. Geralmente se iniciam na idade de adulto jovem. A depressão, a esquizofrenia e os transtornos de ansiedade devem fazer parte do diagnostico diferencial Evidência de distribuição familiar nestes transtornos. Sintomas hipocondríacos podem compor o quadro de Transtornos de ansiedade generalizada e depressões, levando a uma piora de prognóstico destes doentes
  23. 23. Transtorno Somatoforme dolorosoTranstorno Somatoforme doloroso persistentepersistente Presença de dor grave e prolongada, para a qual não há nenhuma explicação médica. A avaliação criteriosa não revela qualquer patologia orgânica ou mecanismo fisiopatológico que justifiquem a dor. Em geral, não obedece à distribuição anatômica do sistema nervoso. As queixas mais comuns são a lombalgia, a cefaléia, a dor facial atípica e a dor pélvica crônica. As causas deste transtorno presumivelmente são psicológicas, embora as evidencias possam não estar aparentes. Os pacientes tem longa historia de atendimento medico e cirúrgico. A depressão moderada ou grave e o abuso de drogas e álcool também estão freqüentemente associados. A dor orgânica, por vezes, é difícil de ser diferenciada do transtorno doloroso somatomorfo persistente, até porque não são mutuamente excludentes. A dor orgânica tem intensidade flutuante e é sensível a influencias situacionais, emocionais, cognitivas, de atenção e de situação.
  24. 24. TRANSTORNOS DISSOCIATIVOSTRANSTORNOS DISSOCIATIVOS Nestes Transtornos, existe uma perda do controle da consciência sobre a memória, sensações e movimentos, em intensidade variável. A ansiedade gerada pela dificuldade ou impossibilidade de enfrentar ou resolver conflitos e problemas, de alguma forma é transformada em sintomas. São quadros desencadeados sobre uma personalidade pré-mórbida predisposta e tem como sintomas mais comuns: amnésia estupor, transe, possessão, disturbio de movimento e sensação (conversivo). O diagnóstico de transtorno dissociativo deve ser feito na ausência comprovada de doença física que possam causar os sintomas apresentados pelo paciente. O fator desencadeante psicológico deve estar presente, ainda que o indivíduo possa negá-lo, e existe uma clara associação temporal entre os referidos fatores causais e o aparecimento da sintomatologia. A gravidade dos sintomas oscila de dia para dia, e mesmo dentro de um mesmo dia, e também de entre os diversos examinadores.
  25. 25. TratamentoTratamento O tratamento para estes transtornos se baseia numa eficiente relação médico paciente, que evite manipulações e intervenções desnecessárias. Os fatores psicológicos devem ser bem esclarecidos ao paciente. Psicoterapia é de grande importância, tornando o prognóstico mais favorável. No caso de ocorrência de sintomas depressivos ou ansiosos, um antidepressivo ou ansiolítico estão indicados, mas devemos escolher os que tenham menos efeitos colaterais, pois estes pacientes não têm muita tolerância e aderem pouco ao tratamento. Os hipocondríacos são os mais resistentes ao tratamento e os que têm pior prognóstico. O tratamento das condições dissociativas pode incluir Neurolépticos de alta potência para acelerar a remissão dos sintomas

×