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  • 1. MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI INTEGRANDO A INDÚSTRIA PARA O FUTURO VOLUME VI
  • 2. MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI VOLUME VI INTEGRANDO A INDÚSTRIA PARA O FUTURO Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais
  • 3. BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Conselho de Administração José Augusto Trópia Reis - Presidente Murilo Paulino Badaró - Vice-Presidente Edgard Martins Maneira Elvira Fonseca Garcia Fábio Proença Doyle José Pedro Rodrigues de Oliveira Diretoria Murilo Paulino Badaró - Presidente Francisco José de Oliveira - Vice-Presidente José Lana Raposo Ignácio Gabriel Prata Neto Júlio Onofre Mendes de Oliveira Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães - Coordenação Geral Marco Antônio Rodrigues da Cunha - Coordenação Executiva Marilena Chaves - Coordenação Técnica Equipe Técnica do Departamento de Planejamento, Programas e Estudos Econômicos – D.PE Bernardo Tavares de Almeida Frederico Mário Marques Gislaine Ângela do Prado Juliana Rodrigues de Paula Chiari Marco Antônio Rodrigues da Cunha Marilena Chaves Tadeu Barreto Guimarães - Gerente Apoio Administrativo Cristiane de Lima Caputo Diully Soares Cândido Gonçalves Henrique Naves Pinheiro Hiram Silveira Assunção Marta Maria Campos
  • 4. As idéias expostas nos textos assinados são de responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião do BDMG. BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Rua da Bahia, 1600, Lourdes 30160.907 Caixa Postal 1.026 Belo Horizonte - Minas Gerais Tel : (031) 3219.8000 http://www.bdmg.mg.gov.br e-mail: contatos@bdmg.mg.gov.br Editoração de Textos IDM / Técnica Composição e Arte Criação da Capa Fernando Fiúza de Filgueiras Projeto e Produção Gráfica Fernando Fiúza de Filgueiras Otávio Bretas Rona Editora Ltda Avenida Mem de Sá, 801 Santa Efigênia 30260-270 Belo Horizonte/ MG Telefax: (31) 3283-2123 Revisão e Normalização Dila Bragança de Mendonça Elzira Divina Perpétua (Coordenação) Marlene de Paula Fraga Raquel Beatriz Junqueira Guimarães Vicente de Paula Assunção Virgínia Novais da Mata Machado Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais Minas Gerais do Século XXI / Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. B213m 2002 Belo Horizonte: Rona Editora, 2002. 10 v. : il. - Conteúdo: v.1 - O Ponto de Partida. v. 2 - Reinterpretando o Espaço Mineiro. v. 3 - Infra-Estrutura: sustentando o desenvolvimento. v. 4 - Transformando o Desenvolvimento na Agropecuária. v. 5 - Consolidando Posições na Mineração. v. 6 - Integrando a Indústria para o Futuro. v. 7 - Desenvolvimento Sustentável: apostando no futuro. v. 8 - Investindo em Políticas Sociais. v. 9 - Transformando o Poder Público: a busca da eficácia. v. Especial – Uma Visão do Novo Desenvolvimento 1. Condições econômicas – Minas Gerais. 2. Desenvolvimento econômico – Minas Gerais. I. Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. II. BDMG. III. Título CDU: 338.92(815.1) Catalogação na publicação: Biblioteca BDMG 4 Minas Gerais do Século XXI - Volume I - O ponto de partida
  • 5. VOLUME 6 INTEGRANDO A INDÚSTRIA PARA O FUTURO Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães - Coordenação Geral Marco Antônio Rodrigues da Cunha - Coordenação Executiva Marilena Chaves - Coordenação Técnica Coordenador Técnico do Volume Juliana Rodrigues de Paula Chiari (D. PE/BDMG)
  • 6. SUMÁRIO 1. ESTRUTURA E DINÂMICA ................................................................................................................................... 9 2. CADEIAS PRODUTIVAS RELEVANTES ......................................................................................................... 111 3. AGLOMERAÇÕES PRODUTIVAS LOCAIS ................................................................................................... 173 4. CONSIDERAÇÕES PARA UMA POLÍTICA INDUSTRIAL ................................................................... 255
  • 7. MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI VOLUME VI INTEGRANDO A INDÚSTRIA PARA O FUTURO CAPÍTULO 1 ESTRUTURA E DINÂMICA Mauro Borges Lemos (Ph.D e Professor do Cedplar/FACE/UFMG)
  • 8. SUMÁRIO 1.1. REFERÊNCIA TEÓRICA DO ESTUDO ........................................................................................................ 13 1.2. ESTRUTURA SETORIAL DA INDÚSTRIA MINEIRA COMPARADA AOS PRINCIPAIS ESTADOS FEDERATIVOS CONCORRENTES ............................................................ 16 1.3. DIFERENÇAS INTER-REGIONAIS DE DESEMPENHO INDUSTRIAL ..................................... 23 1.4. INTEGRAÇÃO E COMPLEMENTARIDADE INTERSETORIAL E INTER-REGIONAL .... 28 1.5. ESTRUTURA INDUSTRIAL E COMÉRCIO EXTERIOR ..................................................................... 42 1.6. SETORES-CHAVE DA INDÚSTRIA MINEIRA: EMPRESAS LÍDERES NO CONTEXTO NACIONAL ............................................................................................................................. 47 1.7. LIDERANÇA DE EMPRESAS DOS SETORES METAL-MECÂNICO .............................................. 49 1.8. LIDERANÇA DE EMPRESAS DOS SETORES AGROINDUSTRIAIS ............................................ 83 1.9. OS DESAFIOS DO COMPLEXO METAL-MECÂNICO: A FRAGILIDADE DO SETOR DE BENS DE CAPITAL ................................................................................................................ 91 1.10. A AGROINDUSTRIALIZAÇÃO RESTRITA ............................................................................................... 97 1.11. PROPOSIÇÕES PARA POLÍTICAS ................................................................................................................. 106 1.12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................ 109
  • 9. BDMG 40 anos 1.1. Referência teórica do estudo Este estudo possui duas referências teóricas, que são os pontos de sustentação da estrutura analítica desenvolvida. A primeira é relacionada ao papel da indústria no desenvolvimento econômico e a segunda ao processo espacialmente desigual do desenvolvimento, que é explicado pela própria natureza polarizadora da atividade industrial. A tese consagrada na literatura macroeconômica estruturalista estabelece a primazia da indústria como o motor do crescimento econômico de longo prazo. As origens desta concepção remonta aos trabalhos clássicos de Schumpeter (1934; 1943), que ao entronizar a inovação tecnológica como o fator de indução da mudança econômica elege a indústria como setor chave da economia capitalista. Este fundamento micro do processo de crescimento econômico de longo prazo propiciou uma fértil literatura dos fenômenos macroeconômicos baseados nas mudanças estruturais do aparato produtivo da economia, particularmente as mudanças oriundas da predominância na estrutura produtiva da indústria manufatureira ou de transformação. A contribuição decisiva neste campo é a de Kaldor (1966), que com suas leis do crescimento propõe uma inversão da causalidade na equação básica de crescimento, tornando endógena a variável produtividade. Desta forma, o crescimento do produto industrial surge como fator determinante e alimentador do próprio crescimento agregado da produtividade, em que o efeito escala de Verdoorn surge como parâmetro chave. Os estudos sobre a questão do desenvolvimento em economias retardatárias (Hirschman, 1958; Prebisch, 1973 [1952]; Furtado, 1961) vão utilizar este substrato teórico estruturalista como ponto de partida para a formulação do planejamento econômico, em que a industrialização será o centro das políticas de indução aos investimentos. Os programas de industrialização via substituição de importações na América Latina vão se inspirar neste paradigma, que teve influência decisiva nas políticas industriais do setor público brasileiro durante pelo menos 4 décadas. Os esforços de recuperação do hiato de desenvolvimento da economia mineira em relação aos seus dois vizinhos mais virtuosos, São Paulo e Rio de Janeiro, estiveram bem assentados neste paradigma, em que a industrialização foi concebida como a via catalisadora de um amplo elenco de políticas públicas direcionadas para a superação da defasagem tecnológica existente àquela época, condição imprescindível na busca do desenvolvimento de Minas Gerais. O amadurecimento da economia brasileira ao longo deste período e o sucesso inegável de Minas em seu esforço industrializante, não eliminaram a necessidade das políticas indutoras de investimentos. A principal diferença é que não seria possível, nestes novos tempos do terceiro milênio, nortear a política industrial pela via da substituição de importações como no modelo original. As trocas de bens via sistema de preços e a urbanização da grande maioria da população são os parâmetros decisivos que indicam que o país realizou a transição definitiva de uma economia rural, predominantemente de subsistência, para uma economia urbano-industrial, dominada pelas regras da regulação do mercado. Neste sentido, os mecanismos de financiamento dos investimentos e de incentivos fiscais e creditícios deverão estar fundados nas novas formas de poupança dos indivíduos e das empresas, como os fundos de pensão e as emissões de debêntures. No entanto, as vicissitudes e limitações da regulação econômica pelos mecanismos canônicos do mercado desautorizam ações públicas voluntariosas, de retirada do papel da intervenção estatal na regulação da atividade econômica. As políticas inspiradas no liberalismo minimalista são especialmente prejudiciais em economias que realizaram tardiamente sua industrialização e carregam como herança fragilidades estruturais e institucionais, como o pequeno porte das empresas 13 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 10. nacionais, a baixa capacitação tecnológica interna e de geração de inovações, insuficiência de BDMG 40 anos infra-estrutura física e educacional, fortes desequilíbrios econômicos inter-regionais e sociais, pobreza absoluta em grande escala territorial e sistema político-institucional incipiente. Estas fragilidades continuam a apontar para necessidade de políticas públicas ativas de promoção do desenvolvimento, que no caso da economia brasileira continuam a ter a indústria como o fator estruturante. Como um ente federativo de uma economia integrada nacionalmente, Minas Gerais está inserida na divisão inter-regional do trabalho, que é mais do que um resultado das forças de atração e repulsão do funcionamento natural do mercado. Como é bem conhecida entre os formuladores de políticas, a intervenção pública estatal, especialmente do governo estadual, continua a ter um papel decisivo nas decisões da distribuição territorial dos investimentos privados. Este ponto remete à segunda sustentação teórica de nossa estrutura analítica. Desde o trabalho clássico de Myrdal (1958), sabe-se que o desenvolvimento econômico é espacialmente desigual. Mesmo atuando como forças simultâneas em direções opostas, os efeitos de polarização e de dispersão do desenvolvimento não possuem temporalmente a mesma intensidade. Se isto ocorresse, o desenvolvimento seria espacialmente equilibrado e os próprios mecanismos de mercado dariam conta de evitar as disparidades regionais e, assim, poderíamos definir o território nacional como uma única região. As evidentes disparidades espaciais no território nacional são a prova definitiva de que as leis de mercado favorecem a atividade econômica em determinadas regiões em detrimento de outras. E a razão deste desenvolvimento desigual é que os efeitos líquidos de atração-repulsão favorecem inicialmente o processo de polarização, em função das possibilidades de ganhos de escala de aglomeração das atividades econômicas no espaço, especialmente das industriais. A lei de retornos crescentes estabelece um mecanismo de mercado baseado na retroalimentação, em que os efeitos de encadeamentos para frente (efeito-oferta) de ganhos de produtividade e redução de custos, provenientes da escala da aglomeração no espaço, favorecem a expansão da renda regional; por sua vez, esta expansão da renda deflagra um efeito de encadeamento para trás (efeito-demanda), que induz novos investimentos e ampliação de capacidade, reforçando ainda mais as economias de aglomeração na região inicialmente favorecida. É neste sentido que uma região pode crescer em detrimento de outra, tornando possível um padrão de crescimento polarizado centro-periferia1 . Mesmo que as próprias leis do sistema de preços relativos possam posteriormente conduzir à reversão da polarização, através da eventual prevalência dos efeitos líquidos de dispersão espacial das atividades econômicas, esta possibilidade não é inexorável e muito menos multidirecional. Considerando uma economia nacional multiregional, a velocidade e direção do processo de reversão dependem não apenas das forças de mercado mas de fatores extra mercado, decorrentes da ação pública estadual, favorecendo uma determinada trajetória da desconcentração. Neste sentido, a atuação das lideranças e governos locais e estaduais pode ser o fiel da balança da futura trajetória territorial do desenvolvimento. O papel central da indústria para potencializar os ganhos aglomerativos no espaço explica sua permanência como fator estruturante das políticas regionais ao longo do processo de desenvolvimento de uma região ou Estado federativo, mesmo tendo em mente que ao longo deste processo o efeito arraste das atividades industriais sobre o setor de serviços acaba por conduzi-lo à posição majoritária do produto regional. Com base no exposto acima, teremos ao longo da análise da indústria mineira dois pontos de referência: o primeiro refere-se ao tamanho e qualidade da estrutura industrial da economia A intuição seminal por trás desta idéia da dinâmica centro-periferia, formulada de forma original e mais acabada por Myrdal, vem 1 sendo objeto de formalização nos anos recentes com base em modelos espaciais de retornos crescentes, inicialmente através dos estudos pioneiros de Krugman (1991; 1999) e, posteriormente, pela publicação de trabalho mais elaborado em colaboração com M.Fujita e A.Venables (Fujita, et al., 1999). 14 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 11. do Estado, que inclui a evolução de sua especialização, a capacidade de internalizar os efeitos de BDMG 40 anos encadeamentos intersetoriais e de se constituir em uma base exportadora inter-regional e internacional; o segundo relaciona-se à comparação da estrutura e desempenho da economia mineira vis-à-vis as principais economias estaduais concorrentes, representadas pelas economias primazes de São Paulo e Rio de Janeiro, que historicamente cumpriram a função de centro no desenvolvimento regional brasileiro, e as economias gaúcha e paranaense que, ao lado da economia mineira, representam a “periferia próxima” que vem disputando os segmentos mais nobres dos elos industriais no processo de reversão da polarização do país. Ou seja, a formulação das diretrizes de política industrial para a economia mineira depende não apenas da dimensão, eficiência e superação dos gargalos da sua estrutura industrial, mas também da posição relativa frente aos demais estados federativos, especialmente dos estados em condições de disputar os novos investimentos produtivos nos setores dinâmicos da indústria de transformação brasileira. A natureza integrada e complementar das economias regionais da federação não implica uma divisão de trabalho inter-regional equilibrada, tendo em vista que a dinâmica centro-periferia é intrínseca ao movimento do capital no espaço. 15 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 12. 1.2. Estrutura setorial da indústria mineira BDMG 40 anos comparada aos principais estados federativos concorrentes Os dados consolidados para os últimos 40 anos (TAB. 1) confirmam que a indústria mineira apresentou o maior aumento de participação relativa na indústria nacional, de quase 60%, dentre as grandes economias estaduais, passando de uma posição de quarto lugar em 1960, com 6,06%, para o terceiro lugar em 1999, quando atinge de quase 10% do produto industrial brasileiro, ficando com uma participação de apenas 0,86% abaixo da indústria do Rio de Janeiro. A mudança estrutural mais significativa foi na indústria de transformação, em que Minas possuía grande atraso relativo, estando até os anos 60 abaixo do Rio Grande de Sul, àquela época o terceiro estado industrial. Chama também atenção que houve um hiato temporal entre o esforço de industrialização do Estado, do final dos anos 60 até a primeira metade dos anos 80, e o salto de participação relativa, que ocorreu de forma gradual ao longo destas 4 décadas, próximo de um ganho líquido de 1% a cada dez anos. Ou seja, o processo de maturação dos investimentos, contemplados com grande intensidade nos projetos das indústrias de base do II PND, foi de longo prazo, culminando com o esforço exportador da segunda metade dos anos 80 e o processo de abertura dos 90. Como será visto adiante, tudo indica que a indústria mineira foi das menos atingidas pelo impacto da abertura externa, já que sua especialização não competiu com as novas importações, ao mesmo tempo em que suas exportações se beneficiaram de setores industriais tecnologicamente atualizados e de vantagens comparativas estáticas e, neste sentido, estavam relativamente mais preparados para competição externa. A decomposição setorial do esforço de industrialização mostra seu direcionamento para a diversificação do complexo metal-mecânico, cuja participação passa de 37,5% do produto industrial estadual em 1960 para 51% em 1999 (TAB. 2). Até 1970 este complexo era fundamentalmente mínero-metalúrgico, haja vista que 92% do VTI intracomplexo pertencia aos setores extração de minerais metálicos, ferrosos e não-ferrosos (alumínio, zinco e titânio), e metalúrgicos (siderurgia integrada, fundidos, forjados e ferro-gusa). De fato, os anos 70 representam o período crítico para o adensamento a jusante do complexo, principalmente com a instalação da FIAT automóveis em 1976. A partir daí, a participação dos setores material de transporte, mecânica e material elétrico e de telecomunicações é crescente, atingindo em 1999 31% do VTI intracomplexo. Este esforço de diversificação da metal-mecânica resultou no aumento da participação do Estado nestes 3 setores na indústria nacional durante a década dos 70. Entretanto, a partir da década dos 80 o setor da mecânica estadual perde significativa participação relativa em nível nacional (de 7,04% para 5,12%), que indica, como será desenvolvido na seção 4, uma fragilização na estrutura industrial mineira, pelo fato deste setor se constituir em um pilar estratégico na integração intersetorial do complexo metal-mecânico. É notável também que Minas não perde participação relativa em nenhum setor relevante da indústria nacional, mesmo em setores tradicionais como alimentos, têxtil, vestuário/calçados e mobiliário (TAB. 3). No caso dos setores do complexo têxtil/vestuário, mesmo havendo uma efetiva regressão de especialização produtiva nos tradicionais pólos do Estado, como Juiz de Fora, surgiram novas localidades mais competitivas para os novos padrões tecnológicos da indústria, como Montes Claros, ocorrendo a partir dos anos 80 uma vigorosa recuperação destes setores. Em relação ao setor alimentício, a rápida expansão e diversificação do complexo agroindustrial brasileiro nos anos 70 e 80 resultou no surgimento de novas cadeias produtivas, como soja e aves, que apresentaram mais dinamismo em outras unidades da federação, como Paraná e Santa Catarina e, mais recentemente, nos estados do Centro-Oeste. No caso dos produtos tradicionais da agropecuária mineira, pecuária de corte, pecuária leiteira e café, mesmo havendo dificuldades 16 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 13. de desenvolvimento dos segmentos industriais destas cadeias na economia estadual, foi possível BDMG 40 anos manter a participação relativa do Estado em mais de 8% da indústria nacional de alimentos. Em relação aos estados concorrentes mais industrializados, a maior queda de participação relativa no produto industrial foi do Rio de Janeiro, que sofreu uma participação descendente e em grandes proporções no período 1960/90. Em 1992, a indústria de transformação fluminense fica, pela primeira vez, abaixo da participação das indústrias mineira e gaúcha. Só não perde a posição de segunda economia industrial do país graças à grande expansão do setor de extração de petróleo na Bacia de Campos. Esta contrapõe no início da última década a tendência declinante da indústria de transformação do Estado, que ao longo de 30 anos consecutivos perdeu 10% de participação no produto nacional manufatureiro. No período 1960/80, a indústria fluminense perdeu participação em todos os gêneros da indústria nacional, com exceção de material de transportes (TAB. 4). No período subseqüente, 1980/99, vai se repetir o mesmo para o conjunto dos setores relevantes da indústria de transformação, enquanto a extrativa mineral apresenta significativo ganho de participação graças à extração de petróleo. Especificamente, as evidências indicam que possivelmente foi a indústria estadual mais atingida pela abertura e liberalização dos mercados na década passada. Com exceção do setor petroquímico básico, a estrutura industrial fluminense é excessivamente especializada em setores tradicionais, defasados tecnologicamente. Como mostra a TAB. 11, ocorreram importantes perdas nos setores alimentícios, têxtil e vestuário que, até os anos 70, eram relevantes no produto manufatureiro estadual. Ao mesmo tempo, os setores da metal-mecânica reduziram ainda mais sua participação relativa, de tal forma que se acentuou a excessiva especialização da indústria fluminense no complexo petroquímico básico. Não obstante, este complexo não progrediu em sua verticalização nas etapas de produtos orgânicos finais, como produtos farmacêuticos, perfumaria e plásticos. Os dados de 1999 podem, no entanto, ser um prenúncio de uma virada rumo à recuperação, já que, em relação ao início da década, o Estado volta a ocupar o segundo lugar na indústria de transformação nacional. Isto porque o setor siderúrgico volta a crescer sua participação relativa nacional e, num menor ritmo, o setor de material de transportes, favorecidos pelas novas plantas da Volkswagen e Peugeot. O processo de reversão da polarização industrial explica, por sua vez, a perda relativa de participação da indústria paulista na indústria nacional. Entretanto, após 30 anos de desconcentração industrial, São Paulo ainda detém quase a metade do produto manufatureiro do país. A desagregação setorial das perdas indica que os setores que mais migraram foram os menos sofisticados tecnologicamente, especialmente têxtil, vestuário/calçados e madeira/mobiliário, ou mais poluentes, como cimento e outros segmentos de minerais não-metálicos, que experimentaram um efetivo processo de relocalização. As perdas na metal-mecânica são parciais, haja visto que a relativa dispersão dos investimentos foi muito mais um fenômeno de surgimento de novas localidades complementares do que de relocalização substitutiva. Ou seja, os novos sítios surgiram em áreas localizadas em estados da federação contíguos à metrópole paulista, especialmente Minas e Paraná, possibilitando uma ampliação da complementaridade produtiva inter-regional sob a hegemonia da metal-mecânica primaz, que vem estabelecendo uma estrutura produtiva integrada inter-regionalmente. No caso do complexo químico, o fenômeno da relativa desconcentração foi resultado da ação direta do Estado Nacional, que redirecionou parte dos novos investimentos petroquímicos do II PND para o Rio Grande do Sul e Bahia. Em suma, afora o fenômeno de saída de indústrias chamadas “leves” em busca de menores custos de fatores produtivos tradicionais, como força de trabalho e custo de vida urbano, o processo de desconcentração industrial restringiu- se ao polígono territorial descrito por Diniz (1993), significando em sua essência um fenômeno de ampliação territorial da metal-mecânica sob o comando da matriz produtiva da indústria paulista. Este processo só foi possível devido à drástica redução do custo de transportabilidade do fluxo de informações propiciado pela revolução nas telecomunicações e informática. 17 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 14. Ao lado de Minas, o Paraná foi o Estado que mais se beneficiou desta ampliação territorial da BDMG 40 anos metal-mecânica paulista, que explica parte de seu significativo aumento no produto manufatureiro nacional em sua industrialização tardia. Vale dizer, ela se tornou efetivamente vigorosa ao longo dos últimos 20 anos, quando apresenta ganhos líquidos de participação de forma generalizada para quase todos os gêneros industriais (TAB. 4). Isto porque além das vantagens de proximidade à Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), a base agropecuária do Estado foi decisiva para a industrialização paranaense. As vantagens comparativas do agronegócio propiciaram não apenas a forte expansão dos elos industriais à jusante, comandados pelo complexo exportador soja-aves, mas também a expansão à montante, especialmente de bens de capital especializados, caminhões e máquinas agrícolas, cujos efeitos de encadeamentos para trás possibilitaram certo desenvolvimento da indústria metalúrgica, enquanto seus efeitos de encadeamento para frente resultaram também em ganhos notáveis de participação nacional no segmento de material elétrico, eletrônico e de comunicações. Mais recentemente, o complexo metal-mecânico do Estado tem experimentado a continuidade do processo de diversificação em direção ao setor automobilístico, o que pode torná-lo mais competitivo frente seu concorrente mais direto, a indústria mineira. O caso da trajetória industrial do Rio Grande do Sul nestas quatro décadas é bem peculiar (TAB. 1), pois perde posição relativa no período 1960/70, mas que é revertida a partir daí. Possivelmente isto se deveu ao seu relativo isolamento do eixo Rio-São Paulo, que historicamente contribuiu para o desenvolvimento industrial gaúcho de forma relativamente autônoma da região central. Durante a década dos 60 sua perda de participação relativa concentra-se em setores tradicionais, como mobiliário, vestuário/calçados, bebidas e fumo, e na metal-mecânica, material de transporte e mecânica (TAB. 4). A indústria de transformação estadual inicia um processo mais vigoroso de recuperação a partir da década dos 70, culminando com os vultuosos investimentos do II PND na instalação do pólo petroquímico na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Certamente esta se constituiu numa iniciativa estatal importante para a diversificação industrial do Estado, num momento que as indústrias mais tradicionais (alimentos, calçados, vinicultura e vestuário) experimentaram uma perda de participação relativa no produto estadual, típico do fenômeno de relocalização em busca de redução de custos, particularmente da força de trabalho e benefícios fiscais. No entanto, o aspecto mais notável e promissor da indústria de transformação gaúcha é a continuidade dos avanços da indústria mecânica e de material de transportes, que durante estas quatro décadas tiveram ganhos líquidos significativos de suas participações nacionais de 8,6% e 4,7%, respectivamente, o que contribuiu para o maior adensamento do complexo metal- mecânico estadual. A recente instalação da planta automotiva da GM em Gravataí contribui, certamente, para reforçar esta trajetória ascendente deste complexo, haja vista as dificuldades de recuperação da posição relativa do Estado nas indústrias tradicionais, nas quais o Centro-Oeste e o Nordeste vêm adquirindo, crescentemente, vantagens comparativas. 18 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 15. TABELA 1 PARTICIPAÇÃO RELATIVA (%) DE MINAS GERAIS E UNIDADES FEDERATIVAS CONCORRENTES NA INDÚSTRIA NACIONAL SEGUNDO O VTI 1960 1970 1980 1992 1999 Transform. Extrativa Total Transform. Extrativa Total Transform. Extrativa Total Transform. Extrativa Total Transform. Extrativa Total Minas Gerais 5,78 18,26 6,06 6,45 27,44 7,05 7,74 29 8,21 8,56 12,22 8,73 8,84 21,82 9,58 São Paulo 55,55 8,61 54,51 58,11 6,31 56,64 53,41 6,96 52,38 53,42 0,64 50,95 48,74 2,83 46,16 Rio de Janeiro 17,58 5,32 17,30 15,46 3,25 15,11 10,6 2,31 10,41 7,96 41,58 9,53 9,18 31,54 10,44 Paraná 3,20 1,12 3,15 3,06 1,41 3,01 4,38 1,5 4,31 4,82 0,31 4,61 5,92 0,71 5,63 Rio G. do Sul 6,97 4,65 6,92 6,33 2,40 6,22 7,36 2,01 7,24 8,79 1,23 8,44 7,90 0,94 7,51 Demais Estados 10,92 62,04 12,06 10,59 59,19 11,97 16,51 58,23 17,43 16,45 44,02 17,74 19,40 42,16 20,69 BRASIL 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 FONTE: FIBGE: Censos Industriais 1960, 1970, 1980. Pesquisas Industriais Anuais 1992, 1999. Elaboração Própria. Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 19 40 anos BDMG
  • 16. BDMG 40 anos 20 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 2 EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA INDUSTRIAL DE MINAS GERAIS 1960 / 1999 1960 1970 1980 1992 1999 Valor Bruto Valor da Valor Bruto Valor da Valor Bruto Valor da Valor Bruto Valor da Valor Bruto Valor da da Transf. da Transf. da Transf. da Transf. da Transf. Gêneros da Indústria Produção Industrial Produção Industrial Produção Industrial Produção Industrial Produção Industrial 00 Extração de Minerais 3,40 6,70 6,08 11,08 4,31 7,81 5,94 6,54 8,60 12,84 10 Transf Prod Min Não-Metálicos 7,15 9,29 6,55 9,60 7,83 10,99 6,33 8,44 4,60 5,72 11 Metalúrgica 23,72 27,65 34,84 29,86 32,13 25,67 28,72 28,95 22,04 22,64 12 Mecânica 0,64 0,84 3,27 5,30 5,62 8,66 1,81 2,13 2,18 2,54 13 Mat Elét. Comunic. 0,86 1,05 1,11 1,16 1,91 2,52 2,06 2,52 3,72 3,73 14 Material de Transporte 1,02 1,26 0,94 1,40 5,49 6,22 10,93 7,47 15,04 9,51 15 Madeira 2,71 3,34 0,88 1,13 0,62 0,75 0,12 0,15 0,37 0,40 16 Mobiliario 1,28 1,49 1,37 1,59 0,95 1,09 0,46 0,50 1,80 1,61 17 Papel e Papelão 1,29 1,29 0,90 0,91 1,46 2,24 1,72 2,06 0,57 0,62 18 Borracha 0,37 0,56 0,31 0,31 0,33 0,40 0,41 0,42 0,38 0,45 19 Couros, Peles Prod. Similares 1,45 1,67 0,60 0,59 0,34 0,34 0,31 0,24 0,39 0,25 20 Quimica 1,45 1,53 5,94 4,72 11,46 8,30 13,44 12,97 9,55 10,40 21 Prod. Farmacêuticos Veterinários 0,31 0,42 0,19 0,30 0,19 0,30 0,41 0,58 0,43 0,59 22 Perfumaria, Sabões e Velas 0,48 0,30 0,16 0,16 0,11 0,11 0,21 0,27 1,48 1,54 23 Produtos de Materias Plásticas 0,01 0,01 0,12 0,13 0,41 0,49 1,15 1,42 1,18 1,05 24 Textil 14,23 14,81 7,28 8,39 5,69 6,28 4,47 4,70 4,34 4,57 25 Vest., Calçados, Artef Tec. 1,95 2,06 1,29 1,18 2,04 2,66 1,47 1,38 1,36 1,49 26 Produtos Alimentares 33,49 20,21 24,47 16,39 15,93 10,59 14,79 11,47 16,94 12,82 27 Bebidas 1,36 1,75 0,85 1,20 0,84 0,95 1,72 2,19 1,20 1,56 28 Fumo 1,00 1,32 0,89 1,54 0,97 1,47 2,98 4,82 1,03 1,31 29 Editorial e Grafica 1,45 1,97 1,28 1,98 0,80 1,36 0,29 0,45 1,04 1,57 30 Diversas 0,39 0,51 0,69 1,09 0,58 0,79 0,23 0,35 1,77 2,78 Total 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 FONTE: FIBGE Censos Industriais 1960, 1970, 1980. Pesquisas Industriais Anuais 1992, 1999. Elaboração Própria.
  • 17. TABELA 3 BDMG 40 anos PARTICIPAÇÃO RELATIVA (%) DE MINAS GERAIS NA INDÚSTRIA NACIONAL SEGUNDO O VTI Gêneros da Indústria 1960 1970 1980 1992 1999 Extração de Minerais 18,26 27,44 28,99 12,22 21,82 Transf. Prod. Min. Não-Metálicos 8,78 11,84 15,58 17,47 15,24 Metalúrgica 14,56 18,74 18,39 23,88 22,42 Mecânica 1,51 5,45 7,04 2,66 5,12 Material Elétrico/Comunicação 1,63 1,56 3,27 2,87 4,72 Material de Transporte 1,03 1,28 6,78 6,28 12,14 Madeira 6,40 3,24 2,30 1,62 2,70 Mobiliario 4,21 5,50 5,05 6,73 7,68 Papel e Papelão 2,71 2,58 6,11 5,62 1,48 Borracha 1,19 1,14 2,63 2,50 3,39 Couros, Peles e Prod. Similares 9,48 6,62 5,97 5,97 6,04 Química 1,10 3,42 4,66 7,84 6,65 Prod. Farmacêuticos/Veterinários 1,04 0,65 1,50 2,22 1,56 Perfumaria, Sabões e Velas 1,32 0,76 1,01 1,56 8,42 Produtos de Matérias Plásticas 0,07 0,51 1,65 6,11 3,75 Têxtil 7,66 6,52 8,10 9,55 13,57 Vestuário, Calçados e Artef. Tecidos 3,58 2,56 4,52 4,52 5,47 Produtos Alimentares 7,62 8,82 8,69 7,84 8,60 Bebidas 3,75 3,76 6,50 10,18 5,04 Fumo 6,26 8,53 17,74 35,49 12,31 Editorial e Gráfica 4,07 3,90 4,33 1,93 3,59 Diversas 1,81 3,73 2,93 1,51 ... Total Ind. Transformação 5,89 7,21 8,43 8,99 9,64 FONTE: FIBGE Censos Industriais 1960, 1970, 1980 e Pesquisas Industriais Anuais 1992, 1999. Elaboração Própria. 21 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 18. BDMG 40 anos 22 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 4 GANHOS E PERDAS LÍQUIDAS DE PARTICIPAÇÃO RELATIVA (%) DE MINAS GERAIS E UNIDADES FEDERATIVAS CONCORRENTES NA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NACIONAL (VTI) - 1960/1980 E 1980/1999 1960/1980 1980/1999 Gêneros da Indústria MG SP RJ PR RS Outros MG SP RJ PR RS Outros 00 Extração de Minerais 10,73 -1,65 -3,01 0,38 -2,64 -3,81 -7,17 -4,13 29,22 0,77 -1,07 -17,63 10 Transf Prod Min Não-Metálicos 6,80 -10,70 -8,98 2,41 -1,47 11,94 -0,34 -0,98 -2,16 0,65 0,05 2,79 11 Metalúrgica 3,83 10,67 -21,06 0,46 0,72 5,37 4,03 -15,84 -2,04 1,17 0,67 12,01 12 Mecânica 5,53 -12,07 -4,14 0,91 2,95 6,82 -1,92 -7,14 -4,23 4,23 5,61 3,45 13 Mat Elét. Comunic. 1,64 -15,55 -5,68 1,86 0,96 16,77 1,45 -3,50 -5,80 3,93 0,28 3,64 14 Material de Transporte 5,76 -18,15 4,88 0,75 2,64 4,13 5,36 -5,10 -8,68 5,19 2,10 1,13 15 Madeira -4,10 -0,99 -3,88 -1,72 -6,01 16,70 0,39 -1,51 -0,62 3,98 -1,90 -0,35 16 Mobiliario 0,84 -13,90 -8,57 5,18 7,30 9,16 2,63 -2,21 -3,58 -0,13 5,16 -1,88 17 Papel e Papelão 3,41 -7,35 -8,42 3,33 -0,18 9,21 -4,63 -2,32 -5,71 1,37 -1,09 12,38 18 Borracha 1,44 -11,78 -1,50 1,63 4,98 5,23 0,77 -4,49 5,33 -0,24 2,37 -3,74 19 Couros, Peles Prod. Similares -3,52 -2,10 -6,24 -0,22 17,93 -5,85 0,07 -6,98 1,17 3,92 -2,51 4,38 20 Quimica 3,56 -10,61 -0,86 5,62 0,05 2,24 1,99 -5,49 0,91 -1,21 2,62 1,18 21 Prod. Farmacêuticos Veterinários 0,45 14,60 -17,42 0,18 0,85 1,33 0,07 9,60 -10,83 0,22 -1,32 2,26 22 Perfumaria, Sabões e Velas -0,32 21,73 -17,77 -0,05 -0,42 -3,17 7,41 1,06 -6,53 1,29 -0,20 -3,02 23 Produtos de Materias Plásticas 1,58 8,31 -32,29 2,46 4,30 15,64 2,10 2,69 -8,62 2,27 0,61 0,96 24 Textil 0,43 -3,29 -6,15 2,15 1,28 5,57 5,48 -12,25 -4,27 -0,27 0,10 11,21 25 Vest., Calçados, Artef Tec. 0,94 -12,20 -6,28 0,32 2,81 14,41 0,95 -10,73 -10,83 8,01 5,31 9,17 26 Produtos Alimentares 1,07 -1,24 -4,72 -0,19 -2,40 7,47 -0,10 3,35 -3,63 1,35 -2,75 1,78 27 Bebidas 2,75 -13,25 -12,45 0,59 9,01 13,36 -1,46 0,79 0,42 1,32 -11,31 10,24 28 Fumo 11,47 -16,28 -15,49 2,99 14,22 3,10 -5,42 -21,13 -1,68 0,48 34,20 -6,44 29 Editorial e Grafica 0,26 -0,38 -2,22 0,28 -1,94 4,01 -0,74 9,26 -11,81 0,87 1,75 0,66 30 Diversas 1,12 -5,49 0,70 -0,07 -0,30 4,03 ... ... ... ... ... ... 1,96 -3,67 -7,28 1,18 0,39 5,59 1,16 -2,87 -1,11 1,55 1,53 3,95 FONTE: FIBGE: Censos Industriais 1960, 1970, 1980 e Pesquisas Industriais Anuais 1992, 1999. Elaboração Própria.
  • 19. 1.3. Diferenças inter-regionais de desempenho BDMG 40 anos industrial Existem importantes diferenças inter-regionais de desempenho industrial. O crescimento do produto industrial favorece em todo período o processo de desconcentração industrial do eixo São Paulo-Rio em direção aos dois estados sulinos e Minas Gerais e, em menor ritmo, os demais estados da federação (TAB. 5). Observa-se que para o último período, 1985-1999, esta tendência de mantém, muito embora na década de 90 ocorra uma redução generalizada do ritmo de crescimento, que também reduz o próprio diferencial das taxas de crescimento inter-estadual. A decomposição setorial do crescimento mostra que o carro-chefe da desconcentração são os setores da metal-mecânica e química para os três estados da “periferia próxima”, em que pese importantes diferenças de crescimento intersetorial entre os estados industriais emergentes. No caso de Minas a indústria de material de transportes lidera o crescimento, seguido por extração mineral, metalurgia e produtos alimentares, enquanto a mecânica perde o dinamismo dos anos 70. Para o Paraná, lideram as indústrias de material elétrico, eletrônico e de comunicações, material de transporte, mecânica e produtos alimentares. E no Rio Grande do Sul, lideram as indústrias química, material de transporte e mecânica, ao mesmo tempo em que apresentam taxas negativas de crescimento expressivas para a indústria de couros e calçados nos últimos 15 anos. O crescimento diferenciado dos estados da “periferia mais distante” é liderado pelos setores da chamada indústria leve, têxtil, vestuário e calçados e alimentos, que inclusive começam ao longo do tempo a perder participação relativa dos três estados maiores beneficiários da desconcentração. Deve ser salientado também o bom desempenho nos outros estados da federação das indústrias química, material elétrico, eletrônico e de comunicações e metalúrgica puxados, respectivamente, pelos estados do Bahia, Amazonas, Pará e Maranhão. É também digna de nota a parcial recuperação do Rio de Janeiro no período 1985-1999, que vai apresentar não apenas excepcional desempenho da indústria extrativo, puxado pelo setor petrolífero, mas taxas positivas de crescimento acima da média nacional da indústria de transformação, puxado pelos setores à jusante do complexo químico, ou seja, farmacêutico e veterinário, perfumaria e plásticos. Outra revelação também importante é que São Paulo parece ser a indústria estadual a mais sofrer com as profundas mudanças macroeconômicas a partir de 1985 e, posteriormente, com o processo de abertura da economia brasileira nos anos 90. A principal razão desta maior vulnerabilidade aparente é o fato da estrutura industrial paulista ser mais completa e, portanto, relativamente mais exposta às vicissitudes dos choques macroeconômicos e das importações, pelo menos no curto e médio prazos. Porém, como as demais economias estaduais são fortemente dependentes do desempenho da indústria paulista, via efeitos de encadeamentos inter-regionais, é de se esperar que no longo prazo se tornem as mais prejudicadas pelas instabilidades macroeconômicas e choques externos. No entanto, o crescimento diferenciado da produtividade agregada do trabalho não acompanha, em seus grandes contornos, aquele apresentado pelo VTI entre os principais estados analisados (TAB. 6). Minas Gerais apresenta crescimento na produtividade superior ao de São Paulo e Rio de Janeiro na década dos 70, perdendo fôlego relativo a partir dos anos 80. Apesar disso, mantém taxas positivas de crescimento, com exceção dos primeiros anos da década dos 80, quando se combinam os efeitos adversos da forte contração do produto industrial brasileiro e o nível relativamente alto já atingido pelo esforço da década anterior. No último período, 1985-99, o Estado volta a experimentar taxas de crescimento positivas da produtividade do trabalho mas 23 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 20. em um ritmo bem inferior ao de São Paulo e da média brasileira para a indústria de transformação, BDMG 40 anos com exceção indústrias de material de transportes, minerais não-metálicos e extrativa mineral, que continuam a crescer acima da média nacional. O diferencial de crescimento médio entre as indústrias paulista e mineira é de 1,55% ao ano durante 15 anos, ou seja, a produtividade da indústria paulista neste período cresce 58% acima da mineira, o que resulta na perda de todo esforço de apanhamento de produtividade industrial realizado nos 15 anos anteriores, período 1970-1985. Desta forma, a evolução do nível e hiato de produtividade do trabalho na indústria de transformação resulta na manutenção do hiato dos anos 70, ficando claro que as posição relativa de São Paulo se mantêm, principalmente em relação a Minas Gerais e Paraná, ao passo que Rio Grande do Sul apresenta alguma melhoria ao longo deste 30 anos. O hiato de produtividade na indústria de transformação é eliminado apenas no caso do Rio de Janeiro, que recupera no último período as perdas obtidas ao longo da década de 70 e primeira metade da década de 80 (GRAF. 1 e TAB. 7). As únicas indústrias que Minas suplanta São Paulo são as que o Estado já possuía vantagens comparativas nos anos 70, vale dizer extrativa mineral, metalurgia e minerais não- metálicos. O único apanhamento (catching up) significativo nestes 30 anos foi na indústria de material de transporte, em que a indústria mineira passa a ter uma produtividade do trabalho de 21% acima da paulista. No caso do Rio, chama atenção a perda de eficiência relativa das indústrias fluminense a jusante do complexo petroquímico, farmacêutica e plásticos, que passam de níveis de produtividade superiores a São Paulo em 1970 (40% e 20%) para um hiato significativo (14% e 49%) em 1999, enquanto que a indústria química de base sustenta neste período um crescimento da produtividade acima da média nacional e de São Paulo. A maioria das indústrias fluminenses do complexo metal-mecânico também apresenta um expressivo desempenho de crescimento da produtividade do trabalho nos últimos 15 anos. Este desempenho na química e nas indústrias de metal-mecânico da indústria de transformação fluminense possibilita, desta forma, a eliminação do seu hiato de produtividade em relação à indústria paulista. 24 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 21. TABELA 5 TAXA DE CRESCIMENTO MÉDIO ANUAL (%) DA INDÚSTRIA SEGUNDO OS GÊNEROS - MINAS GERAIS E UNIDADES FEDERATIVAS CONCORRENTES 1970/1980 1996/1999 GÊNERO MG SP RJ PR RS OUTROS BRASIL MG SP RJ PR RS OUTROS BRASIL Extração de Minerais 7,75 8,21 3,56 7,83 5,27 6,98 7,15 4,92 -10,42 176,92 -4,65 -7,76 -1,41 12,45 Transf. Prod. Min. Não-Metálicos 11,73 6,28 5,14 13,41 9,74 12,79 8,70 5,15 -0,13 2,19 5,52 2,25 3,35 2,19 Metalúrgica 13,06 13,55 9,34 17,12 13,52 20,62 13,27 2,45 -1,53 -10,33 3,09 1,29 10,34 0,47 Mecânica 20,44 17,04 11,77 20,80 19,43 26,31 17,41 11,64 -4,28 -0,66 6,39 1,66 0,54 -1,65 Material Elétrico/Comunicação 24,31 13,13 11,38 41,87 14,13 36,08 15,42 16,60 0,50 1,18 -6,34 -2,07 -6,88 -1,31 Material de Transporte 34,69 12,06 15,75 20,64 17,98 25,78 13,97 -5,65 -4,23 17,37 43,80 6,74 2,89 -1,04 Madeira -0,70 3,14 -7,47 1,49 -0,16 5,15 2,76 11,11 8,90 -5,24 17,04 8,25 7,63 10,24 Mobiliario 7,23 5,98 0,36 13,24 15,27 14,34 8,15 1,72 -0,09 -21,82 2,78 10,56 2,87 1,24 Papel e Papelão 24,28 11,77 9,21 17,69 18,14 21,72 14,03 -31,52 -9,69 -4,36 5,80 0,30 7,94 -4,23 Borracha 16,28 5,75 5,51 10,02 14,84 14,78 6,95 17,60 -3,72 2,48 -4,46 -9,84 -7,77 -3,53 Couros, Peles e Prod. Similares 5,29 6,26 -0,49 5,60 8,57 8,34 6,38 -10,98 -4,96 -3,83 -5,43 4,42 4,42 69,42 Química 12,32 8,92 0,35 21,61 8,46 14,41 8,90 6,42 1,73 12,20 9,97 -0,35 -0,93 2,68 Prod. Farmacêuticos/Veterinários 5,92 -2,69 -1,26 - 5,61 -11,81 -2,51 2,62 0,15 -9,30 22,09 -23,79 -0,03 -1,96 Perfumaria, Sabões e Velas 1,74 -0,90 -4,36 3,92 4,28 3,58 -1,08 23,25 0,47 -4,87 -7,90 11,79 -6,50 0,78 Produtos de Matérias Plásticas 28,90 13,15 12,28 17,28 24,79 21,01 14,71 6,49 -4,56 -17,74 -1,16 -2,79 -6,03 -5,10 Têxtil 12,26 8,34 5,43 10,53 12,60 15,40 9,85 17,51 -4,01 -3,70 -1,52 23,33 5,61 2,14 Vestuário, Calçados e Artef. Tecidos 28,64 18,04 18,64 31,80 22,99 33,66 21,52 -10,77 -14,80 -9,17 7,97 -57,38 -8,81 -19,36 Produtos Alimentares 6,05 5,07 2,10 8,93 7,25 8,87 6,21 -2,04 -2,00 1,41 -7,33 -2,13 0,75 -1,66 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica Bebidas 8,45 0,37 -2,67 1,68 6,61 7,25 2,67 -12,95 -5,31 -10,43 9,64 -0,99 -3,97 -5,16 Fumo 12,28 -0,82 -18,01 - 13,92 6,59 4,36 -31,84 -45,68 -11,82 -38,21 66,36 26,69 6,81 Editorial e Gráfica 7,78 6,15 6,27 4,58 5,85 11,69 6,66 -3,45 -5,04 -8,80 -10,66 20,46 -8,84 -5,35 Diversas 8,36 10,58 10,38 14,09 9,80 17,94 11,00 50,72 73,99 25,32 106,95 3,87 ... ... FONTE: FIBGE:Censos Industriais 1970, 1980 e Pesquisas Industriais Anuais 1996, 1999. Elaboração Própria. 25 40 anos BDMG
  • 22. TABELA 6 BDMG 40 anos TAXA DE CRESCIMENTO MÉDIO ANUAL (%) DA PRODUTIVIDADE DO TRABALHO* NA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO - MINAS GERAIS E UNIDADES FEDERATIVAS CONCORRENTES 1970-1980 1980-1985 1985-1999 Minas Gerais 4,55 -3,34 2,69 São Paulo 3,58 -4,37 4,24 Rio de Janeiro 3,35 -5,81 5,58 Paraná 6,28 -0,95 1,83 Rio G. do Sul 4,04 -3,69 5,22 Demais Estados 6,27 -1,94 1,92 BRASIL 3,81 -3,83 3,47 FONTE: FIBGE: Censos Industriais 1970, 1980 e Pesquisas Industriais Anuais 1996,1999. Elaboração Própria. * Produtividade do Trabalho = VTI / Pessoal Ocupado GRÁFICO 1 FONTE: FIBGE: Censos Industriais 1970, 1980 e Pesquisas Industriais Anuais 1996 e 1999. Elaboração Própria. * Produtividade do Trabalho = VTI / Pessoal Ocupado 26 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 23. TABELA 7 BDMG 40 anos HIATO DA PRODUTIVIDADE DO TRABALHO* DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO DE MINAS GERAIS E PRINCIPAIS CONCORRENTES EM RELAÇÃO A SÃO PAULO - 1970-1980 ANOS GÊNERO 1970 1980 1985 1999 MG 0,77 0,89 0,89 0,72 RJ 0,97 0,95 0,88 1,05 PR 0,61 0,79 0,94 0,68 RS 0,65 0,67 0,70 0,80 Outros 0,49 0,64 0,72 0,53 BRASIL 0,84 0,86 0,89 0,80 FONTE: FIBGE: Censos Industriais 1970, 1980, 1985 e Pesquisa Industrial Anual, 1999. Elaboração Própria. * Hiato de Produtividade = Produtividade da UF / Produtividade de São Paulo 27 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 24. 1.4. Integração e complementaridade BDMG 40 anos intersetorial e inter-regional 1.4.1. Integração produtiva do complexo metal-mecânico Tendo como referência as diferenças inter-regionais da estrutura produtiva e desempenho industrial das economias estaduais analisadas nas seções 1.2 e 1.3, respectivamente, será desenvolvida a seguir uma análise da integração e complementaridade intersetorial e inter-regional da indústria mineira. Em função da inexistência de uma matriz completa de insumo-produto inter-regional no Brasil, será utilizada a matriz brasileira de 1996 elaborada por Silva (2001), que decompõe as transações nacionais em três “regiões”, Minas Gerais, São Paulo e Resto do Brasil. Optou-se por utilizar a decomposição de Silva (2001) a despeito das vantagens metodológicas da Matriz Inter-Regional de Insumo-Produto Minas Gerais/Resto do Brasil, 1996 desenvolvida pelo BDMG (2001)2. Esta, entretanto, restringe a decomposição regional para Minas Gerais e Resto do Brasil, comprometendo uma análise da integração industrial entre São Paulo e Minas. Para efeito de facilidade de exposição, será empregado livremente o termo “complexo industrial” para analisar um conjunto específico de setores que, por suas características tecnológicas, possuem uma forte intensidade de trocas inter-setoriais relativamente aos demais setores da matriz industrial. Neste sentido, toma-se emprestado a identificação setorial dos complexos tradicionalmente aceita na literatura brasileira, tendo como referência os trabalhos de Haguenauer (1984) e Prochnik (1987). Será priorizada nesta análise a integração intersetorial e inter-regional da indústria de transformação dos setores do complexo metal-mecânico, considerando que aí se encontram os fluxos setoriais mais intensos dentro da indústria mineira e de sua integração com a indústria paulista. Além disso, o complexo metal-mecânico pode ser considerado como o núcleo estruturante da indústria de transformação, por ser o maior difusor intersetorial de tecnologia e mediador das trocas intermediárias de todo o sistema de indústrias. A classificação setorial da matriz desagrega os 4 gêneros da metal-mecânica em 8 setores industriais. No entanto, na análise dos índices de encadeamento e multiplicadores de produto e emprego incorporou-se o conjunto da indústria de transformação. As TAB. 8, 9 e 10 apresentam as matrizes de coeficientes técnicos ajustadas de Minas Gerais, São Paulo e Resto do Brasil. Foi realizada uma normalização dos elementos dos coeficientes de insumos para metal-mecânica, de tal forma que o somatório das contribuições da oferta de insumos das 3 “regiões” para cada setor nacional da indústria pertencente ao complexo é igual a 1. O principal resultado, no que concerne ao fluxo de transações do complexo metal-mecânico em nível inter-regional, confirma análise anterior referente às transações agregadas interestaduais por vias internas. A intensidade da integração produtiva entre a metal-mecânica paulista e mineira é bem superior à observada entre São Paulo e o Resto do Brasil. A compreensão da intensidade da integração envolve as duas direções do fluxo das trocas inter-regionais de insumos intermediários, excluindo as trocas relativas à A principal vantagem da metodologia do estudo do BDMG (2001) é a realização de um ajuste para os dados de fluxos regionais 2 estimados inicialmente pelo método dos quocientes locacionais, através de um procedimento ad hoc que incorpora as informações sobre o comércio interestadual de Minas Gerais do CONFAZ (1999). 28 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 25. demanda final. Ou seja, referem-se às compras e vendas inter-regionais de insumos para BDMG 40 anos atender às demandas intermediárias dos setores de cada região necessárias para entregar seus produtos à demanda final nacional. Neste sentido, os setores da metal-mecânica paulista compram dos setores da metal- mecânica mineira e vice-versa, de tal for ma a se confor mar uma ve rdadeira complementaridade produtiva interestadual neste “núcleo duro” da indústria de transformação. Surpreendentemente, esta relação não se verifica entre São Paulo e o Resto do Brasil, considerando que esta última “região” inclui os estados do Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. A metal-mecânica do Resto do Brasil compra intensamente insumos da metal-mecânica paulista mas a recíproca não se verifica. Existe uma relação unilateral de trocas entre estas duas “regiões”, pois as compras de São Paulo em relação ao resto do Brasil são inexistentes. Surgem, portanto, três importantes evidências das informações da matriz inter- regional de 1996 para o complexo metal-mecânico. A primeira refere-se à progressão qualitativa das relações de troca intersetoriais entre São Paulo e Minas no sentido da complementaridade e integração produtiva do “núcleo duro” da indústria de transformação. Entretanto, a desagregação setorial desta integração mostra que as vendas de insumos de Minas se restringem aos dois setores metalúrgicos, principalmente a siderurgia básica. Neste sentido, a qualidade da integração ainda não progrediu para os elos superiores da cadeia de valores, em particular para os setores que mais avançaram em Minas nos últimos 20 anos, o automotivo e de autopeças. Inversamente, as vendas de São Paulo para Minas se concentram nos elos superiores da cadeia, especialmente os setores equipamentos eletrônicos e de telecomunicações, material elétrico e máquinas e equipamentos. A segunda refere-se, de forma indireta, à completa desintegração produtiva entre São Paulo e Rio de Janeiro, confirmando as fragilidades da indústria de transformação fluminense. A terceira, também indireta, é que os avanços dos complexos metal-mecânico paranaense e gaúcho nos anos 90 ainda não se refletiram nas relações de trocas bilaterais com a indústria metal-mecânica paulista, que aparece como vendedora unilateral relevante em todos os setores superiores do complexo: equipamentos eletrônicos e de telecomunicações, material elétrico, máquinas e equipamentos, automotivo e autopeças. Do ponto de vista das transações intersetoriais dentro da metal-mecânica mineira, as fortalezas e fragilidades são evidentes. As fortalezas são: primeiro, as intensas transações de compra e venda dos setores localizados na base do complexo – siderurgia, produtos metalúrgicos e metálicos não-ferrosos – com os setores dos elos superiores do complexo; segundo, o significativo desenvolvimento da cadeia automotiva, que envolve fortes relações de compras entre os setores automotivo e de autopeças, compras e vendas inter-firmas dentro do setor de autopeças e algum nível de compras dos dois setores da cadeia em relação ao setor de máquinas e equipamentos, mesmo que em níveis inferiores às compras dos setores congêneres ao setor de máquinas e equipamentos paulista. As fragilidades, por sua vez, são: primeiro, a pequena participação nas trocas intersetoriais do complexo dos setores material elétrico e equipamentos eletrônicos e de telecomunicações, com relações menos intensas do que o obser vado na metal-mecânica paulista, inclusive intra- setorialmente; segundo, o setor de máquinas e equipamentos participa menos intensamente nas trocas intra e inter-setoriais do complexo do que o seu congênere paulista, indicando as dificuldades de desenvolvimento deste setor na indústria mineira além de sua integração com os setores de base mínero-metalúrgicos. 29 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 26. 1.4.2. Encadeamentos intersetoriais e inter-regionais da indústria de BDMG 40 anos transformação A análise dos encadeamentos leva em conta o conjunto dos setores da economia de cada região, mesmo que o foco analítico esteja voltado para a indústria de transformação. As TAB. 11 a 15 apresentam os principais resultados para 26 setores industriais desta indústria, com a exclusão dos setores borracha e diversos. A TAB. 11 apresenta os índices puros de ligação inter-regional (IPLI). A vantagem deste índice em relação ao índice tradicional de Rasmussen-Hirschman é a incorporação do valor absoluto da produção em seu cálculo, medindo tanto o nível de interação intersetorial de cada setor, via coeficientes técnicos, como sua influência pelo nível de produção setorial (Guilhoto et al., 1996). Além da normalização feita por Silva (2001) para a média igual a 1, todos os índices normalizados foram divididos pelo valor do maior índice dos 26 setores da indústria de transformação, de tal forma que os valores apresentados na tabela variassem entre 0 e 1. Vários aspectos interessantes emergem dos resultados apresentados. O primeiro é que a siderurgia básica aparece como o único setor da indústria mineira de transformação entre os 26 setores (de um total de 78) que possuem maior poder de encadeamento inter-setorial e inter-regional. Isto mostra o pequeno poder de propagação setorial da indústria mineira no contexto nacional, além de suas ligações mais estreitas com a indústria paulista. O segundo aspecto é a ampla presença dos setores do agronegócio entre os de maior poder de encadeamento, 7 em 26, sendo 5 entre os 10 maiores. Este resultado confirma os diversos estudos na literatura sobre a relevância deste complexo para a economia brasileira. O desenvolvimento da agroindustrialização, através de cadeias por produto ou grupos de produtos agrícolas, nos anos 70 e 80, se constituiu na última etapa do processo de modernização da agricultura brasileira, resultando em um complexo produtivo baseado em fortes ligações inter-setoriais (Lemos, 1992). Chama a atenção a ausência dos setores da agroindústria mineira dentre os 7 setores agro-industriais com maior poder de encadeamento na economia brasileira, na medida em que o Estado possui o maior rebanho bovino do país e é o maior produtor de leite e café. Em contraste, existe uma grande presença de setores agro-industriais do “Resto Brasil”, ratificando a relevância das cadeias agro-industriais nos estados da Região Sul e do Centro-Oeste. Finalmente, o terceiro aspecto relevante é a dominância dos setores paulistas nos dois complexos tecnologicamente mais dinâmicos da indústria de transformação, o metal-mecânico e o químico-farmacêutico, que possuem 14 dos 26 setores de maior poder de encadeamento, sendo que destes 14 setores 9 são de São Paulo. Este fato se constitui em mais uma forte evidência do papel estruturante da indústria de transformação paulista na economia brasileira, mantendo-se como o único centro urbano-industrial polarizador de todo macro espaço do território nacional. Os índices puros de ligação intra-regional (TAB. 12) confirmam a interpretação sobre a indústria mineira realizada nas seções anteriores. Em primeiro lugar, os elevados níveis de encadeamentos inter-setoriais dos setores automotivo e autopeças indicam a consolidação destes novos setores no complexo metal-mecânico mineiro ao longo dos últimos vinte anos. Da mesma forma, a fragilidade dos setores material elétrico e equipamentos eletrônicos e de telecomunicações no complexo estadual fica evidenciada, ocupando o setor de máquinas e equipamentos uma posição intermediária se comparado ao seu congênere paulista. 30 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 27. Em segundo lugar, a despeito do pequeno poder de encadeamento inter-regional do BDMG 40 anos complexo agro-industrial mineiro, seu efeito irradiador na economia mineira é bem significativo, particularmente em função de seus efeitos de encadeamento para trás na agropecuária. No entanto, os setores ligados aos dois produtos agrícolas mais importantes do Estado, leite e café, possuem um baixo poder de encadeamento, reforçando as preocupações anteriores. Em terceiro lugar, chama a atenção alguns aspectos dos setores dos demais complexos mineiros. O resultado mais surpreendente do poder de encadeamento da indústria mineira encontra-se nos setores do complexo químico, que não se constitui na área de especialização industrial do Estado. Em que pese esta observação, 3 dos 5 setores deste complexo apresentam um nível de encadeamento semelhante ao de seu congênere do complexo paulista, especialmente os setores de elementos químicos (inorgânicos) e químicos diversos (orgânicos). Como apresentado nas seções 2 e 3, de fato a indústria química mineira cresceu a taxas significativas nos anos 80 e 90, o que explica o aumento de sua participação em torno de 7% na indústria química nacional na última década. Este fato merece um estudo mais cuidadoso, mas existem fortes evidências de que os investimentos do II PND realizados no segmento de insumos químicos ligados a agropecuária (fertilizantes e defensivos) tiveram impactos relevantes na economia estadual. Mais recentemente têm também ocorrido uma rápida expansão da indústria plástica em virtude do maior adensamento da cadeia automotiva. Outro aspecto interessante, mesmo que não surpreendente, é a importância dos efeitos de encadeamentos para frente do setor de minerais não-metálicos na cadeia estadual da construção civil, o que reforça o entendimento da necessidade de manter a boa posição de Minas neste setor em nível nacional. Por fim, fica claro, pelos dados, a desagregação dos setores do complexo têxtil no Estado, que apresentam de forma generalizada um baixo poder de encadeamento na economia estadual. O último aspecto da análise integrada, inter-regional e intersetorial, refere-se aos multiplicadores de produção e emprego que, em grandes linhas confirmam o diagnóstico precedente. As TAB. 13 e 14 apresentam os multiplicadores de produção dos setores da indústria de transformação mineira e paulista, respectivamente. O multiplicador inter-regional de produção mede os efeitos diretos e indiretos da variação de 1 unidade monetária de demanda final de um setor i de uma região j sobre a produção (em unidades monetárias) de cada uma das n regiões da matriz inter-regional. Os efeitos dos multiplicadores em nível inter-regional evidenciam, por um lado, a existência de um elevado nível de integração produtiva entre os setores dos complexos metal-mecânico paulista e mineiro, pois as variações setoriais de um Estado geram um significativo efeito multiplicador sobre ambas economias estaduais. Os maiores efeitos do aumento de demanda dos setores mineiros sobre a economia paulista são daqueles setores localizados nos elos superiores do complexo, de maior agregação de valor: material elétrico, equipamentos eletrônicos, automotivo e autopeças. Os efeitos inversos, ou seja, da demanda dos setores paulistas sobre a economia mineira ocorre principalmente nos setores de base do complexo, a siderurgia básica e produtos metalúrgicos. E num grau menor ocorre nos setores automotivo e autopeças, que indica um relativo grau de complementaridade na cadeia de suprimentos interestaduais entre montadoras e fornecedores. Por outro lado, as evidências baseadas nos efeitos dos multiplicadores de produção indicam uma maior integração produtiva entre São Paulo e o “Resto do Brasil” para os setores dos demais complexos da indústria de transformação, muito embora a agregação de todos os demais estados da federação em uma única região pode superestimar os efetivos níveis de integração interestaduais. Os casos mais contundentes desta integração são os setores dos complexos químico-farmacêutico e agroindustrial, nos quais os aumentos das demandas setoriais de São Paulo geram impactos significativos sobre as economias do restante do país. Deve-se mencionar 31 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 28. que, neste caso, as trocas intra-setoriais do complexo químico paulista com os pólos BDMG 40 anos petroquímicos do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador, como também as compras das indústrias alimentícias e fumageira paulistas dos setores de processamento primário dos complexos agro-industriais do Centro-Oeste e Paraná. Por sua vez, os únicos setores industriais paulistas destes complexos geradores de impactos substanciais sobre a economia mineira são os setores de moagem e torrefação de café e de laticínios, que possuem fortes ligações para trás com a cafeicultura e pecuária leiteira do Triângulo Mineiro e Sul de Minas. Finalmente, as TAB. 15 e 16 mostram os efeitos multiplicadores sobre a geração de empregos, em números absolutos, nas economias regionais a partir da variação de demanda de um setor i da região j no valor de 1 milhão de reais. Em função do nível de integração produtiva nacional da indústria de transformação de São Paulo, os efeitos multiplicadores de emprego dos setores industriais paulista são significativos e bem superiores aos dos setores mineiros, que possuem um limitado nível de integração com outros estados da federação além de São Paulo. Neste sentido, os efeitos multiplicadores da indústria mineira possuem poucos vazamentos para fora da economia estadual, ficando autocontidos em nível intra-regional, enquanto os multiplicadores de emprego dos setores da indústria paulista possuem fortes vazamentos inter- regionais. Além destas diferenças inter-regionais, um aspecto comum que chama atenção, tanto na indústria paulista como mineira, são as fortes diferenças intersetoriais na geração de empregos, sendo que os setores dos complexos mais intensivos em trabalho, como o agroindustrial e têxtil, apresentam multiplicadores superiores aos dos setores dos complexos mais dinâmicos, porém intensivos em capital, especialmente o metal-mecânico e o químico-farmacêutico. 32 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 29. TABELA 8 MATRIZ DE COEFICIENTES TÉCNICOS AJUSTADA DO ESTADO DE SÃO PAULO - SETORES SELECIONADOS, 1996 SÃO PAULO 1 2 3 4 5 6 7 8 SIDERURGIA METALURGIA OUTROS MÁQUINAS E MATERIAL EQUIPAMENTOS AUTOM.,ÔNIBUS PEÇAS/OUTROS NÃO FERROSOS METALÚRGICOS TRATORES ELÉTRICO ELETRÔNICOS E CAMINHÕES VEÍCULOS SÃO PAULO 1 SIDERURGIA 0,2472 0,0070 0,3120 0,1289 0,0564 0,0379 0,0784 0,0596 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0172 0,8101 0,1051 0,0741 0,2655 0,1009 0,0167 0,0764 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0492 0,0631 0,2140 0,3955 0,1651 0,1992 0,0942 0,2744 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0740 0,0858 0,0752 0,1084 0,1762 0,1255 0,0864 0,1204 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0073 0,0090 0,0089 0,0995 0,2707 0,2615 0,0118 0,0203 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0027 0,0021 0,0017 0,0162 0,0153 0,2467 0,0018 0,0044 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0017 0,0030 0,0033 0,0084 0,0031 0,0035 0,0449 0,0179 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0018 0,0082 0,0051 0,0734 0,0092 0,0088 0,6298 0,3834 MINAS GERAIS 1 SIDERURGIA 0,5981 0,0112 0,2736 0,0952 0,0382 0,0157 0,0357 0,0429 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0004 0,0000 0,0009 0,0004 0,0002 0,0001 0,0002 0,0002 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0000 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 RESTO DO BRASIL 1 SIDERURGIA 0,0002 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0001 0,0002 0,0000 0,0000 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0001 0,0002 0,0000 0,0000 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 TOTAL (Produção Nacional) 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 FONTE: SILVA, 2001. Elaboração Própria. 33 40 anos BDMG
  • 30. BDMG 40 anos 34 TABELA 9 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro MATRIZ DE COEFICIENTES TÉCNICOS AJUSTADA DO ESTADO DE MINAS GERAIS - SETORES SELECIONADOS, 1996 MINAS GERAIS 1 2 3 4 5 6 7 8 SIDERURGIA METALURGIA OUTROS MÁQUINAS E MATERIAL EQUIPAMENTOS AUTOM.,ÔNIBUS PEÇAS/OUTROS NÃO FERROSOS METALÚRGICOS TRATORES ELÉTRICO ELETRÔNICOS E CAMINHÕES VEÍCULOS SÃO PAULO 1 SIDERURGIA 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 0,0001 0,0001 0,0000 0,0000 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0001 0,0001 0,0001 0,0002 0,0006 0,0006 0,0001 0,0002 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0040 0,0040 0,0035 0,0043 0,0122 0,0095 0,0044 0,0060 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0028 0,0024 0,0030 0,0577 0,1608 0,1564 0,0044 0,0083 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0013 0,0009 0,0006 0,0098 0,0086 0,1572 0,0002 0,0018 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0001 0,0001 0,0000 0,0000 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0001 0,0001 0,0001 0,0006 0,0013 0,0014 0,0006 0,0002 MINAS GERAIS 1 SIDERURGIA 0,8554 0,0287 0,6142 0,2561 0,1090 0,0693 0,1245 0,1232 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0173 0,8157 0,1055 0,0746 0,2667 0,1016 0,0168 0,0768 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0460 0,0616 0,1984 0,3805 0,1613 0,1943 0,0892 0,2656 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0652 0,0711 0,0623 0,0909 0,1608 0,1122 0,0740 0,1034 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0023 0,0024 0,0025 0,0344 0,0950 0,0912 0,0035 0,0061 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0010 0,0008 0,0007 0,0059 0,0059 0,0893 0,0006 0,0016 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0013 0,0021 0,0027 0,0071 0,0029 0,0031 0,0413 0,0153 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0029 0,0096 0,0063 0,0776 0,0146 0,0135 0,6403 0,3913 RESTO DO BRASIL 1 SIDERURGIA 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0001 0,0002 0,0000 0,0000 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0001 0,0002 0,0000 0,0000 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 TOTAL (Produção Nacional) 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 FONTE: SILVA, 2001. Elaboração Própria.
  • 31. TABELA 10 MATRIZ DE COEFICIENTES TÉCNICOS AJUSTADA DO RESTO DO BRASIL - SETORES SELECIONADOS, 1996 RESTO DO BRASIL 1 2 3 4 5 6 7 8 SIDERURGIA METALURGIA OUTROS MÁQUINAS E MATERIAL EQUIPAMENTOS AUTOM.,ÔNIBUS PEÇAS/OUTROS Ñ FERROSOS METALÚRGICICOS TRATORES ELÉTRICO ELETRÔNICOS E CAMINHÕES VEÍCULOS SÃO PAULO 1 SIDERURGIA 0,0000 0,0002 0,0001 0,0003 0,0001 0,0001 0,0001 0,0002 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0003 0,0124 0,0017 0,0014 0,0041 0,0017 0,0003 0,0013 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0052 0,0061 0,0208 0,0401 0,0182 0,0214 0,0105 0,0289 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0329 0,0337 0,0298 0,0434 0,0827 0,0565 0,0385 0,0516 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0047 0,0042 0,0048 0,0756 0,2111 0,2013 0,0073 0,0127 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0007 0,0006 0,0005 0,0035 0,0042 0,0483 0,0007 0,0012 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0003 0,0004 0,0004 0,0019 0,0006 0,0006 0,0267 0,0077 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0006 0,0021 0,0011 0,0236 0,0035 0,0032 0,2094 0,1267 MINAS GERAIS 1 SIDERURGIA 0,0703 0,0022 0,1418 0,0598 0,0265 0,0187 0,0395 0,0276 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0001 0,0034 0,0005 0,0003 0,0011 0,0004 0,0001 0,0003 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0007 0,0007 0,0034 0,0052 0,0021 0,0025 0,0016 0,0036 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0002 0,0003 0,0003 0,0003 0,0001 0,0002 0,0005 0,0004 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0000 0,0001 0,0001 0,0003 0,0000 0,0000 0,0041 0,0012 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0000 0,0005 0,0002 0,0067 0,0002 0,0003 0,0629 0,0379 RESTO DO BRASIL 1 SIDERURGIA 0,7811 0,0176 0,4522 0,1709 0,0709 0,0377 0,0780 0,0791 2 PROD. METALÚRGICOS NÃO FERROSOS 0,0172 0,8106 0,1046 0,0742 0,2643 0,1009 0,0168 0,0765 3 OUT. PROD. METALÚRGICOS 0,0460 0,0586 0,1981 0,3690 0,1557 0,1875 0,0894 0,2578 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 4 MÁQUINAS E TRATORES 0,0348 0,0385 0,0338 0,0493 0,0851 0,0596 0,0409 0,0560 5 MATERIAL ELÉTRICO 0,0012 0,0013 0,0013 0,0180 0,0496 0,0477 0,0019 0,0033 6 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 0,0024 0,0019 0,0015 0,0137 0,0136 0,2058 0,0017 0,0039 7 AUTOM.,CAMINHÕES E ÔNIBUS 0,0002 0,0003 0,0003 0,0010 0,0004 0,0004 0,0074 0,0025 8 OUTROS VEÍCULOS E PEÇAS 0,0010 0,0043 0,0026 0,0416 0,0056 0,0053 0,3617 0,2194 TOTAL (Produção Nacional) 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 1,0000 FONTE: SILVA, 2001. Elaboração Própria. 35 40 anos BDMG
  • 32. TABELA 11 BDMG 40 anos ÍNDICES PUROS DE LIGAÇÃO INTER-REGIONAL (IPLI) DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO BRASILEIRA SÃO PAULO (SP), MINAS GERAIS (MG) E RESTO DO BRASIL (RB), 1996 SETOR1 IPLI2 REGIÃO Beneficiamento de Vegetais RB 1,00 Automotivo SP 0,96 Papel e Celulose SP 0,89 Alimentos Processados SP 0,85 Abate de Animais RB 0,84 Alimentos Processados RB 0,71 Máquinas e Equipamentos SP 0,68 Material Elétrico SP 0,61 Óleos Vegetais RB 0,57 Produtos Metalúrgicos RB 0,57 Peças de Veículos SP 0,54 Siderurgia MG 0,49 Siderurgia RB 0,48 Químicas Diversos RB 0,48 Produtos Metalúrgicos SP 0,44 Mineral Não - Metálico RB 0,44 Têxtil RB 0,42 Madeira e Mobiliário RB 0,42 Farmacêutico SP 0,37 Químicos Diversos SP 0,37 Elementos Químicos SP 0,35 Peças de Veículos RB 0,34 Laticínios SP 0,33 Têxtil SP 0,33 Artigos Plásticos SP 0,32 Vestuário RB 0,30 Vestuário RB 0,30 BRASIL - - FONTE: Silva, 2001, p. 50. 1 Exclusive Refino de petróleo 2 Selecionados 27 do total de 81 índices, com valor máximo normalizado 2,61 igual a 1,00 36 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 33. TABELA 12 BDMG 40 anos ÍNDICES PUROS DE LIGAÇÃO INTRA-REGIONAL (IPLI) DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO DE SÃO PAULO E MINAS GERAIS COMPLEXO/SETOR1 IPLR2 SÃO PAULO IPLI2 MINAS GERAIS Metal - Mecânico Siderurgia 0,19 0,52 Metal Não - Ferroso 0,20 0,21 Produtos Metálicos 0,43 0,49 Máquinas e Equipamentos 0,54 0,44 Material Elétrico 0,50 0,13 Equipamentos Eletrônicos 0,27 0,08 Automotivo 1,00 1,00 Autopeças 0,53 0,71 Químico Elementos Químicos 0,27 0,25 Refino Petróleo 0,15 0,28 Químicos Diversos 0,31 0,30 Farmacêutico e Veterinário 0,31 0,12 Artigos Plásticos 0,23 0,05 Papel e Gráfica Madeira e Mobiliário 0,13 0,24 Papel, celulose e Gráfica 0,52 0,24 Construção Mineral Não - Metálicos 0,32 0,37 Têxtil Têxtil 0,32 0,05 Vestuário 0,32 0,19 Calçados 0,11 0,04 Agroindustrial Café 0,02 0,17 Benefiamento de Vegetais 0,10 0,68 Abate de Animais 0,12 0,60 laticínios 0,23 0,24 Açucar 0,18 0,18 Óleos Vegetais 0,08 0,38 Alimentos Processados 0,58 0,86 FONTE: Silva, 2001, p.52 1 Exclusive Borracha e Indústrias Diversas. 2 Valor Máximo Normalizado de São Paulo e Minas Gerais de 2,62 e 2,05 igual respectivamente a 1,00. 37 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 34. TABELA 13 BDMG 40 anos MULTIPLICADORES DE PRODUÇÃO: EFEITO DA VARIAÇÃO DA DEMANDA SETORIAL DE MINAS GERAIS SOBRE ECONOMIAS ESTADUAIS COMPLEXO/SETOR1 MG EFEITO SOBRE MG EFEITO SOBRE SP EFEITO SOBRE RB EFEITO SOBRE BR Metal - Mecânico Siderurgia 2,44 0,11 0,05 2,60 Metal Não - Ferroso 2,07 0,12 0,05 2,23 Produtos Metálicos 2,17 0,10 0,04 2,33 Máquinas e Equipamentos 1,66 0,11 0,03 1,81 Material Elétrico 1,93 0,29 0,03 2,27 Equipamentos Eletrônicos 1,44 0,19 0,04 1,67 Automotivo 1,96 0,18 0,05 2,19 Autopeças 2,16 0,14 0,04 2,34 Químico Elementos Químicos 1,89 0,10 0,05 2,64 Refino Petróleo 1,70 0,08 0,12 1,90 Químicos Diversos 1,79 0,19 0,10 2,08 Farmacêutico e Veterinário 1,64 0,15 0,05 1,84 Artigos Plásticos 1,64 0,23 0,10 1,94 Papel e Gráfica Madeira e Mobiliário 1,82 0,14 0,10 2,06 Papel, celulose e Gráfica 1,73 0,40 0,08 2,21 Construção Mineral Não - Metálicos 1,91 0,11 0,06 2,08 Têxtil Têxtil 1,73 0,21 0,29 2,23 Vestuário 1,64 0,42 0,16 2,22 Calçados 1,64 0,47 0,09 2,21 Agroindustrial Café 2,37 0,08 0,03 2,49 Benefiamento de Vegetais 2,10 0,10 0,04 2,24 Abate de Animais 2,24 0,10 0,04 2,37 laticínios 2,30 0,10 0,04 2,44 Açucar 2,23 0,15 0,06 2,53 Óleos Vegetais 2,45 0,10 0,06 2,61 Alimentos Processados 2,17 0,13 0,05 2,34 FONTE: Silva, 2001, p.62 - 63 1 Exclusive Borracha e Indústrias Diversas 38 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 35. TABELA 14 BDMG 40 anos MULTIPLICADORES DE PRODUÇÃO: EFEITO DA VARIAÇÃO DA DEMANDA SETORIAL DE SÃO PAULO SOBRE ECONOMIAS ESTADUAIS BRASILEIRAS COMPLEXO/SETOR1 SP EFEITO SOBRE SP EFEITO SOBRE MG EFEITO SOBRE RB EFEITO SOBRE BR Metal - Mecânico Siderurgia 1,60 0,82 0,18 2,60 Metal Não - Ferroso 1,99 0,09 0,15 2,23 Produtos Metálicos 1,77 0,45 0,10 2,33 Máquinas e Equipamentos 1,60 0,14 0,07 1,80 Material Elétrico 2,03 0,12 0,12 2,27 Equipamentos Eletrônicos 1,55 0,04 0,07 1,67 Automotivo 1,97 0,12 0,09 2,19 Autopeças 2,06 0,18 0,10 2,33 Químico Elementos Químicos 1,80 0,04 0,20 2,04 Refino Petróleo 1,30 0,10 0,50 1,90 Químicos Diversos 1,70 0,05 0,33 2,08 Farmacêutico e Veterinário 1,57 0,02 0,25 1,85 Artigos Plásticos 1,68 0,04 0,22 1,94 Papel e Gráfica Madeira e Mobiliário 1,63 0,04 0,38 2,06 Papel, celulose e Gráfica 2,03 0,03 0,18 2,24 Construção Mineral Não - Metálicos 1,77 0,09 0,22 2,08 Têxtil Têxtil 1,89 0,02 0,32 2,24 Vestuário 2,03 0,02 0,18 2,22 Calçados 1,92 0,03 0,26 2,21 Agroindustrial Café 1,63 0,33 0,52 2,49 Benefiamento de Vegetais 1,53 0,06 0,66 2,25 Abate de Animais 1,74 0,06 0,57 2,37 laticínios 1,96 0,35 0,14 2,45 Açucar 2,31 0,04 0,19 2,54 Óleos Vegetais 1,58 0,06 0,96 2,60 Alimentos Processados 0,73 0,04 0,57 2,35 FONTE: Silva, 2001, p. 62 - 63 1 Exclusive Borracha e Indústrias Diversas 39 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 36. TABELA 15 BDMG 40 anos MULTIPLICADORES DE EMPREGO: EFEITO DA VARIAÇÃO DA DEMANDA SETORIAL DE MINAS GERAIS NO VALOR 1 MILHÃO DE REAIS SOBRE A GERAÇÃO DE EMPREGOS NAS ECONOMIAS ESTADUAIS BRASILEIRAS, 1996 COMPLEXO/SETOR1 MG EFEITO SOBRE MG EFEITO SOBRE SP EFEITO SOBRE RB EFEITO SOBRE BR Metal - Mecânico Siderurgia 87,00 15,00 13,00 114,00 Metal Não - Ferroso 73,00 15,00 12,00 100,00 Produtos Metálicos 117,00 17,00 14,00 148,00 Máquinas e Equipamentos 95,00 17,00 13,00 125,00 Material Elétrico 83,00 23,00 15,00 121,00 Equipamentos Eletrônicos 62,00 16,00 11,00 90,00 Automotivo 71,00 17,00 12,00 100,00 Autopeças 96,00 18,00 14,00 128,00 Químico Elementos Químicos 117,00 17,00 14,00 148,00 Refino Petróleo 56,00 12,00 13,00 81,00 Químicos Diversos 75,00 18,00 14,00 107,00 Farmacêutico e Veterinário 89,00 17,00 13,00 119,00 Artigos Plásticos 79,00 19,00 15,00 113,00 Papel e Gráfica Madeira e Mobiliário 177,00 18,00 19,00 214,00 Papel, celulose e Gráfica 99,00 31,00 19,00 149,00 Construção Mineral Não - Metálicos 111,00 17,00 14,00 142,00 Têxtil Têxtil 180,00 18,00 23,00 122,00 Vestuário 225,00 28,00 21,00 273,00 Calçados 135,00 36,00 20,00 190,00 Agroindustrial Café 188,00 15,00 12,00 214,00 Benefiamento de Vegetais 174,00 16,00 12,00 202,00 Abate de Animais 188,00 16,00 12,00 216,00 laticínios 168,00 16,00 12,00 196,00 Açucar 168,00 18,00 14,00 200,00 Óleos Vegetais 168,00 15,00 13,00 196,00 Alimentos Processados 147,00 17,00 13,00 177,00 FONTE: Silva, 2001, p.75 1 Exclusive Borracha e Indústrias Diversas 40 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 37. TABELA 16 BDMG 40 anos MULTIPLICADORES DE EMPREGO: EFEITO DA VARIAÇÃO DA DEMANDA SETORIAL DE SÃO PAULO NO VALOR 1 MILHÃO DE REAIS SOBRE A GERAÇÃO DE EMPREGOS NAS ECONOMIAS ESTADUAIS BRASILEIRAS, 1996 COMPLEXO/SETOR1 MG EFEITO SOBRE SP EFEITO SOBRE MG EFEITO SOBRE RB EFEITO SOBRE BR Metal - Mecânico Siderurgia 50,00 33,00 32,00 114,00 Metal Não - Ferroso 63,00 7,00 30,00 100,00 Produtos Metálicos 96,00 20,00 33,00 148,00 Máquinas e Equipamentos 85,00 9,00 32,00 125,00 Material Elétrico 81,00 8,00 31,00 120,00 Equipamentos Eletrônicos 60,00 4,00 25,00 89,00 Automotivo 66,00 7,00 27,00 100,00 Autopeças 84,00 10,00 33,00 127,00 Químico Elementos Químicos 101,00 6,00 36,00 145,00 Refino Petróleo 38,00 7,00 35,00 81,00 Químicos Diversos 66,00 5,00 36,00 107,00 Farmacêutico e Veterinário 75,00 4,00 39,00 119,00 Artigos Plásticos 75,00 5,00 33,00 113,00 Papel e Gráfica Madeira e Mobiliário 139,00 7,00 68,00 213,00 Papel, celulose e Gráfica 101,00 5,00 41,00 147,00 Construção Mineral Não - Metálicos 96,00 8,00 141,00 141,00 Têxtil Têxtil 78,00 4,00 121,00 121,00 Vestuário 232,00 4,00 272,00 272,00 Calçados 138,00 5,00 190,00 190,00 Agroindustrial Café 103,00 53,00 214,00 214,00 Benefiamento de Vegetais 82,00 10,00 201,00 201,00 Abate de Animais 114,00 11,00 215,00 215,00 laticínios 107,00 55,00 195,00 195,00 Açucar 152,00 6,00 199,00 199,00 Óleos Vegetais 64,00 10,00 196,00 196,00 Alimentos Processados 95,00 7,00 177,00 177,00 FONTE: Silva, 2001, p.74 1 Exclusive Borracha e Indústrias Diversas 41 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 38. BDMG 40 anos 1.5. Estrutura industrial e comércio exterior Uma pergunta relevante na análise da indústria mineira é até que ponto sua estrutura foi afetada pela abertura comercial dos anos 90. E se foi, em qual intensidade relativamente à estrutura brasileira em seu conjunto e aos diferentes setores industriais. Também relevante neste ponto é como o comércio exterior pós-abertura afetou a composição do produto industrial mineiro e se esta eventual alteração seguiu a mesma direção das mudanças de composição de produto da indústria brasileira causada por este novo cenário externo. Um indicador simples e esclarecedor da primeira questão é o de coeficiente de comércio exterior, decomposto em coeficiente de importação (m) e de exportação (x). Tendo em vista os objetivos de verificar os efeitos estruturais causados pelo comércio exterior, o cálculo deste coeficiente teve como denominador comum o valor bruto da produção, tanto para as exportações como para as importações3 . As TAB. 17 e 18 apresentam os resultados para os gêneros da indústria para Minas Gerais e Brasil. O ponto esclarecedor é que as importações afetaram de forma significativa a produção industrial brasileira e mineira, pois ocorre uma drástica alteração do coeficiente de importação de 1989, último ano anterior à abertura, e os coeficiente calculados para os anos pós-abertura, o de 1994 que capta os efeitos do primeiro choque da abertura no início dos 90, o de 1997 que capta o segundo choque após o Plano Real e, finalmente, o de 2001, que capta o choque da desvalorização cambial de 1999. Observa-se que este coeficiente é ascendente e contínuo ao longo destes anos, mesmo após a desvalorização, pois as mudanças de preços relativos entre as importações e o valor da produção industrial doméstica causadas pela apreciação do dólar mais que compensaram a queda do quantum importado a partir de janeiro de 1999. Considerando que este aumento do coeficiente de importação foi bem mais do que proporcional ao crescimento do coeficiente de exportação, mesmo após a desvalorização, conclui-se que houve efetiva substituição relativa de produção industrial interna pela produção externa importada, sendo que a indústria brasileira foi relativamente menos afetada do que a mineira, tendo em vista o menor crescimento relativo do coeficiente de exportação estadual. Este coeficiente cresceu para a indústria de transformação no período 1989-2001 41%, enquanto o coeficiente de importação cresceu nada menos do que 396%, ficando pela primeira vez na história recente da economia estadual, 1960-2001, com o nível absoluto inferior ao de importação. No caso da indústria brasileira o crescimento do coeficiente de exportação foi superior ao da mineira, principalmente após a desvalorização, crescendo no período 102%, o que, no entanto esteve distante do crescimento de 372% do coeficiente dos bens importados. A segunda questão revelada pelos dados refere-se aos efeitos setoriais diferenciadas sobre a estrutura industrial. Os setores mais afetados foram evidentemente os menos competitivos, muitos deles protegidos, até então, por elevadas tarifas de importação, quais sejam, os de bens de capital mecânicos e de material elétrico, eletrônico e de comunicações, que são os de maior conteúdo tecnológico da estrutura industrial e, dessa forma, os maiores difusores inter-industriais de inovações tecnológicas. Em função das dificuldades inerentes à industrialização tardia brasileira e mais ainda da economia mineira, estas duas indústrias compõem uma gama de setores que o Usualmente o coeficiente de importação é calculado pela razão entre valor das importações sobre o consumo aparente, que 3 equivale ao valor bruto da produção adicionado pelas importações e subtraído pelas exportações. 42 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 39. Estado brasileiro, e o setor público estadual em particular, envidaram grandes esforços para sua BDMG 40 anos implantação sob um regime de forte proteção à competição externa. Observe-se que pela posição relativa menos desenvolvida da indústria estadual, o aumento do coeficiente de importação destas indústrias em Minas foram de proporções gigantescas, sem aumentos proporcionais do coeficiente de exportação setorial. Os coeficientes de importação destas duas indústrias passaram, respectivamente, de 0,09 e 0,36 em 1989 para 0,83 e 1,26 em 2001, ao mesmo tempo que o coeficiente de exportação passa, neste período, de 0,04 e 0,08 para 0,11 e 0,12. Ou seja, enquanto as importações saltaram, respectivamente, para 83% e 126% da produção mineira destes bens, as exportações não ultrapassaram o patamar de 11% e 12%. Outros dois setores de reconhecida fragilidade da indústria brasileira, e mais ainda mineira, são das indústrias química e farmacêutica, que tiverem seus coeficientes de importação aumentados em mais de 3 vezes nestes 12 anos, chegando a atingir os níveis de 30% e 62% da respectiva produção mineira. Por sua vez, o coeficiente de exportação da indústria farmacêutica estadual chegou até a decrescer do já reduzido percentual anterior, enquanto o da química não ultrapassou a casa dos 8%. A única indústria de peso em que a estrutura industrial interna não foi seriamente impactada pela abertura foi a de material de transportes, tanto no Brasil como em Minas, pois o aumento do coeficiente de importação foi relativamente proporcional à ampliação do coeficiente de exportação. Desta forma, a abertura reforçou até o início desta década os setores das chamadas commodities industriais, especialmente nos segmentos siderúrgico, papel e celulose e agroindustriais. A terceira questão colocada como relevante na relação estrutura industrial e comércio exterior é a referente à importância das fontes de demanda externa, importações e exportações para a mudança da composição setorial da indústria brasileira e, particularmente, mineira. Uma forma de captar esta importância é a equação de decomposição de crescimento de Chenery (Chenery et al., 1986)4 . A TAB. 19 mostra os resultados para o período 1997-2001, que cobre o último choque cambial da economia brasileira. Em geral, a fonte de variação da demanda doméstica teve o maior impacto sobre a mudança da composição setorial, tanto da indústria mineira como da indústria brasileira, já que o choque cambial veio combinado com uma significativa retração da economia. No entanto, a variação positiva das exportações e a variação negativa das importações decorrentes das desvalorização do Real são componentes importantes para explicar as mudanças de composição do produto industrial. No caso mais geral da economia nacional, os setores que perderam participação relativa no produto foram os bens de capital mecânicos, madeira e mobiliário, borracha, farmacêutico, alimentos e bebidas, enquanto os que mais aumentaram foram os setores da indústria extrativa mineral, química, plásticos e material elétrico, eletrônica e de comunicações, em que a variação negativa da demanda nos primeiros e positiva nos segundos explicam parte considerável destas mudanças de composição setorial. Em relação ao setor mecânico, observa-se que a retração das exportações e mais ainda das importações, foram fatores que contribuíram para a retração na estrutura industrial, ao passo que em alimentos a forte expansão das exportações atenuou os efeitos negativos de retração da demanda interna. De outro lado, a grande retração das importações contribuiu, no caso dos setores tradicionais, ou para atenuar os impactos negativos da contração da demanda interna, como em alimentos e bebidas, ou para favorecer a posição relativa dos setores na estrutura industrial, como em têxtil, vestuário e calçados. Adaptando aos objetivos aqui propostos, este exercício de decomposição seria dado pela fórmula: 4 ∆vbpi = ∆ddi + ∆xi - ∆mi onde a taxa de variação da participação valor da produção do setor i na estrutura industrial (∆vbpi) é igual aos três componentes da demanda: 1) taxa de variação da demanda doméstica em relação ao VBP do setor i (∆ddi); 2) a diferença entre a taxa de variação das exportações em relação ao VBP do setor i e a taxa de variação das exportações em relação ao VBP total (∆xi); 3) e a diferença entre a taxa de variação das importações em relação ao VBP do setor i e a taxa de variação das importações em relação ao VBP total (∆mi). 43 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 40. Em relação às mudanças de composição de produto da indústria mineira, a maior perda BDMG 40 anos de participação foi de material de transportes, causada tanto pela perda de demanda doméstica como de exportações, que não parecem ter sido favorecidas pela desvalorização cambial. O outro setor impactado negativamente foi o de madeira e mobiliário, cuja expansão das exportações e retração das importações não foram suficientes para contraporem à forte redução de demanda doméstica. Dos setores que mais aumentaram suas participações, o mais relevante para a economia estadual é o de extração mineral, favorecido pela expansão simultânea das demandas de exportações e interna. Os demais que apresentaram maiores taxas positivas de variação, químico, plásticos e eletro-eletrônico, tiveram a demanda doméstica como o componente determinante. É também revelador que a variação positiva da mecânica estadual se deu por uma conjunção de fatores negativos, com as fortes retrações simultâneas da demanda interna e das importações, sendo que esta última foi de tal magnitude que suplantou a primeira e acabou por favorecer os produtores locais. TABELA 17 COEFICIENTE DE IMPORTAÇÃO (m) - MINAS GERAIS E BRASIL 1989 1994 1997 2001 GÊNERO MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL Extrativa Mineral 0,3474 0,4135 0,2808 0,4302 0,2035 0,6257 0,2271 0,4825 Produtos de Minerais Não-Metálicos 0,0107 0,0107 0,0246 0,0246 0,0436 0,0436 0,0429 0,0421 Metalúrgica 0,0218 0,0225 0,0467 0,0467 0,0903 0,0903 0,1120 0,1150 Mecânica 0,0087 0,0678 0,6723 0,2388 0,7734 0,4323 0,8316 0,5171 Mat. Elétrico e de Comunicações 0,3586 0,0969 0,8635 0,2801 1,2547 0,3376 1,2595 0,4804 Material de Transporte 0,0592 0,0406 0,0872 0,1306 0,1234 0,2173 0,1901 0,2562 Madeira e Mobiliário 0,0123 0,0042 0,0495 0,0177 0,0375 0,0243 0,0329 0,0238 Papel, Papelão, Editorial e Gráfica 0,0247 0,0232 0,0365 0,0365 0,0755 0,0585 0,0462 0,0548 Borracha 0,0354 0,0557 0,1308 0,1308 0,1840 0,1840 0,3017 0,2824 Química 0,0569 0,0623 0,1304 0,1304 0,2383 0,2383 0,2991 0,2694 Produtos Farmacêuticos e Veterinários 0,2717 0,0603 0,2716 0,1037 0,3738 0,1520 0,6227 0,2691 Produtos de Matérias Plásticas 0,0074 0,0124 0,0483 0,0483 0,0699 0,0699 0,0786 0,0757 Têxtil 0,0234 0,0234 0,0996 0,0996 0,1789 0,1789 0,1799 0,1307 Vestuário, Calçados e Art. de Tecidos 0,0425 0,0180 0,0741 0,0248 0,0826 0,0469 0,0704 0,0389 Produtos Alimentares 0,0318 0,0260 0,0441 0,0409 0,0479 0,0436 0,0284 0,0307 Bebidas 0,0583 0,0379 0,0501 0,0400 0,1130 0,0455 0,1003 0,0497 Indústria de Transformação 0,0393 0,0408 0,0994 0,1017 0,1540 0,1545 0,1951 0,1926 FONTE: Elaboração dos autores através de SECEX/ALICE e IBGE - PIA 1989, 1994, 1997 e 2000 44 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 41. TABELA 18 BDMG 40 anos COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO (X) - MINAS GERAIS E BRASIL 1989 1994 1997 2001 GÊNERO MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL Extrativa Mineral 0,9897 0,2516 0,9830 0,3548 0,6214 0,4820 0,8510 0,4762 Produtos de Minerais Não-Metálicos 0,0150 0,0261 0,0409 0,0603 0,0686 0,0618 0,0722 0,0861 Metalúrgica 0,1696 0,1325 0,2627 0,2278 0,2178 0,2030 0,2525 0,2215 Mecânica 0,0379 0,0567 0,1402 0,1215 0,0894 0,1386 0,1087 0,1810 Mat. Elétrico e de Comunicações 0,0819 0,0679 0,1247 0,1140 0,1235 0,0832 0,1170 0,1631 Material de Transporte 0,3580 0,1346 0,1459 0,1606 0,1480 0,1858 0,1468 0,3426 Madeira e Mobiliário 0,0025 0,0622 0,0314 0,2953 0,0241 0,1350 0,0306 0,2888 Papel, Papelão, Editorial e Gráfica 0,6970 0,0813 0,2737 0,1307 0,4469 0,0885 0,6337 0,1291 Borracha 0,0068 0,0669 0,0959 0,1598 0,1633 0,1574 0,0941 0,2436 Química 0,0364 0,0585 0,0623 0,0658 0,1072 0,0843 0,0839 0,1007 Produtos Farmacêuticos e Veterinários 0,0229 0,0204 0,0174 0,0263 0,0121 0,0277 0,0150 0,0463 Produtos de Matérias Plásticas 0,0066 0,0143 0,0286 0,0411 0,0457 0,0253 0,0597 0,0373 Têxtil 0,0189 0,0699 0,0286 0,0980 0,0309 0,0997 0,0850 0,1413 Vestuário, Calçados e Art. de Tecidos 0,0240 0,0976 0,0546 0,1563 0,0625 0,1641 0,1314 0,2521 Produtos Alimentares 0,0195 0,1762 0,2251 0,2260 0,2742 0,1980 0,2249 0,2783 Bebidas 0,0003 0,0091 0,0001 0,0195 0,0068 0,0124 0,0007 0,0398 Indústria de Transformação 0,1251 0,0964 0,1666 0,1445 0,1721 0,1371 0,1761 0,1951 FONTE: Elaboração dos autores através de SECEX/ALICE e IBGE - PIA 1989, 1994, 1997 e 2000 TABELA 19 FONTES DE VARIAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL: 1997- 2001 Var. Part. Relativa Dem. Doméstica Exportações Importações GÊNEROS MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL Extrativa Mineral 0,9853 0,3533 0,8643 0,2588 0,0794 0,0920 -0,0417 -0,0025 Produtos de Minerais Não-Metálicos 0,1029 0,1566 0,1095 0,1301 0,0021 0,0395 0,0087 0,0130 Metalúrgica 0,0877 0,1431 0,1481 0,1442 -0,0491 0,0121 0,0113 0,0132 Mecânica -0,0716 0,0209 -0,1532 -0,2613 -0,0294 0,0347 -0,1110 -0,2475 Mat. Elétrico e de Comunicações 0,1493 0,6120 0,1411 0,5589 0,0395 0,0486 0,0313 -0,0045 Material de Transporte 0,0637 -0,1777 -0,0087 -0,1622 0,0481 -0,0201 -0,0244 -0,0045 Madeira e Mobiliário -0,1544 -0,0501 -0,1664 -0,0938 0,0237 0,0516 0,0116 0,0078 Papel, Papelão, Editorial e Gráfica 0,0877 0,2099 0,0856 0,1230 0,0039 0,0712 0,0019 -0,0158 Borracha -0,1087 0,4126 -0,0946 0,5410 -0,0170 -0,0270 -0,0030 0,1014 Química 0,5006 0,5070 0,5235 0,5415 0,0146 0,0267 0,0374 0,0612 Produtos Farmacêuticos e Veterinários -0,0344 0,0297 -0,0046 0,0100 0,0049 0,0556 0,0348 0,0359 (Continua...) 45 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 42. TABELA 19 (Continuação) BDMG 40 anos FONTES DE VARIAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL: 1997- 2001 Var. Part. Relativa Dem. Doméstica Exportações Importações GÊNEROS MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL MG BRASIL Produtos de Matérias Plásticas 0,2259 0,3741 0,2294 0,3340 0,0079 0,0623 0,0114 0,0222 Têxtil 0,0530 0,0379 -0,0165 -0,0852 -0,0021 0,0809 -0,0716 -0,0421 Vestuário, Calçados e Art. de Tecidos 0,0460 0,0216 0,0420 -0,0685 0,0056 0,0765 0,0017 -0,0135 Produtos Alimentares -0,0706 0,1065 -0,0413 0,1742 -0,0321 -0,0704 -0,0027 -0,0026 Bebidas -0,0158 0,2100 -0,0245 0,1438 0,0172 0,0521 0,0085 -0,0141 Total 0,0998 0,1107 0,0975 0,1046 0,0015 0,0059 -0,0008 -0,0002 FONTE: Elaboração dos autores a partir de SECEX/ALICE, IBGE - PIA 1997 e 2000 Nota: Resultados dos componentes da demanda ajustados pela taxa de variação da composição setorial. 46 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 43. 1.6. Setores-chave da indústria mineira: BDMG 40 anos empresas líderes no contexto nacional As principais características dos setores da indústria de transformação mineira foram analisadas nas seções precedentes, tendo como foco a forma de inserção do Estado na divisão inter-regional do trabalho na indústria brasileira de transformação. Foram contemplados a posição relativa da indústria mineira na estrutura industrial nacional, seu desempenho comparativo e os efeitos dos encadeamentos industriais intersetorial e inter-regional. O próximo passo do diagnóstico industrial é um estudo detalhado do que se considera como “setores-chave”, considerados como o agrupamento de setores com a maior capacidade de encadeamento simultâneo das trocas intersetoriais dentro da economia estadual e das trocas inter-regionais em nível da economia nacional e, especialmente, com a indústria de transformação paulista. Em geral as análises tradicionais de insumo-produto identificam setores-chave a partir do poder de encadeamento individual dos setores. Mesmo sendo um exercício acadêmico válido, este procedimento é insuficiente para a identificação dos fatores estruturantes da dinâmica industrial. O substrato essencial da concepção que confere à indústria de transformação o papel de motor do crescimento do conjunto da economia, discutida na seção 1, é a idéia schumpeteriana de que o processo de disseminação do progresso tecnológico no aparato produtivo ocorre a partir da ação articulada de um agrupamento de setores, estruturados a partir de um mesmo sistema ou paradigma tecnológico. Este denominador tecnológico básico comum possibilita um mecanismo virtuoso de retroalimentação intersetorial, de tal forma que os setores pertencentes ao mesmo agrupamento se reforçam mutuamente. A análise das trocas intersetoriais pela matriz de insumo-produto é uma ferramenta valiosa para captar esta concepção. No entanto, a dinâmica intersetorial é apenas parcialmente captada não apenas por se tratar de um modelo de equilíbrio estático, mas também por analisar o conjunto dos setores apenas em sua individualidade, sem captar sua ação integrada enquanto um grupo tecnologicamente articulado dentro do sistema produtivo. Muitas vezes o poder de encadeamento de um setor é individualmente pequeno, apesar de muitas vezes cumprir um papel decisivo de estruturação e capacitação tecnológica dentro do agrupamento. Este é o caso típico do setor de bens de capital, representado em sua maior parte na classificação industrial de dois dígitos como “mecânica”. Pelo fato de produzir capital fixo de investimento, suas vendas na matriz de insumo-produto são direcionadas para a demanda final, ao invés das vendas intermediárias intersetoriais. Neste sentido, boa parte de seu poder de irradiação sistêmica dos bens de capital não é captada pelos modelos de insumo-produto. Tendo em vista estas limitações metodológicas, o esforço desenvolvido neste estudo é o de buscar uma análise setorial mais integrada, em que a idéia genérica de “complexo” contribui no sentido de captar a concepção de agrupamento setorial enquanto um conjunto de setores tecnologicamente integrados. Os resultados obtidos indicam a existência de dois agrupamentos fundamentais, captados mesmo que parcialmente, pelos modelos de trocas intersetoriais da seção 4: o agrupamento dos setores do complexo metal-mecânico e o agrupamento dos setores do complexo agro-industrial. O fato dos setores-chave da economia mineira estarem contidos nestes dois complexos não causa surpresa, considerando que as melhores oportunidades da industrialização estadual surgiram das bases de recursos naturais do território mineiro, tanto das minas que estabeleceram a base exportadora inicial para a estruturação do complexo metal-mecânico, como dos campos das gerais, que propiciaram a expansão da lavoura comercial e da pecuária. A exploração destas oportunidades criou as atuais vantagens comparativas da indústria mineira. Neste sentido, consideramos ser o adensamento setorial destes dois complexos a estratégia decisiva no aprofundamento destas vantagens já construídas. A questão mais relevante para a formulação de políticas de aprofundamento da industrialização mineira via adensamento setorial de cadeias é analisar a liderança das empresas mineiras no contexto de 47 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 44. competição no mercado nacional, inclusive no plano da substituição competitiva das importações. Por BDMG 40 anos empresas mineiras, consideramos aquelas sediadas na esfera do território estadual, independente de operarem com unidades locais ou plantas industriais em outros estados da federação e da origem de seus capitais, quer sejam de origem local, nacional e multinacional. Como um fato consagrado na literatura da teoria da firma, sabe-se que a localização física da sede concentra não apenas os recursos tangíveis de uma planta de produção, mas principalmente os recursos intangíveis não transportáveis para unidades de produção de outras localidades, principalmente aqueles relacionados à capacitação da empresa, na forma de capacidade empresarial e de gestão, capacidade tecnológica e capacidade de governança corporativa. Estas capacitações resultam na concentração na sede dos recursos humanos mais qualificados (como o pessoal de P&D) e na centralização das decisões estratégicas e dos lucros do conjunto das unidade locais de produção sob sua jurisdição, o que explica porque a relocalização da sede é uma decisão bem mais complexa do que a relocalização de plantas. Se estas empresas forem subsidiárias de grupos econômicos nacionais ou multinacionais, estas vantagens aglomerativas intra-empresa na sede são evidentemente reduzidas, mas não eliminadas, dependendo da estrutura organizacional do grupo, que pode proporcionar maior ou menor autonomia de decisão das empresas filiadas. Por exemplo, o fato do grupo FIAT centralizar em Minas Gerais suas divisões operacionais da América Latina significa vantagens de concentração de recursos intangíveis de capacitação no Estado, mesmo que a sede multinacional do grupo seja Turim. Mesmo tendo consciência da complexidade da relação entre grupo e empresa, a escolha da empresa como unidade de análise é um avanço em relação à análise centrada no estabelecimento ou unidade de produção, como tem sido prática usual nos estudos sobre organização industrial no Brasil. Neste sentido, o estudo sobre liderança de empresas mineiras foi baseado na base de dados da PIA-Empresas do IBGE, que fornece um conjunto de informações consolidadas sobre as empresas, incluindo as informações das unidades locais de produção em outros estados da federação, afora o Estado que abriga a sede da empresa. O aspecto relevante é que as informações sobre as variáveis escolhidas são centralizadas na sede. Por exemplo, se a USIMINAS possuir unidades de produção em localidades fora do Estado de Minas Gerais, os dados de valor das vendas líquidas, custos operacionais, investimentos e outros são contabilizados na sede em Belo Horizonte. De outro lado, os dados da unidade de produção da Danone e da BSN do Brasil em Poços de Caldas são contabilizados na sua sede em São Paulo. Desta forma, a escolha da unidade de referência empresa possibilita o entendimento do poder de liderança empresarial das unidades da federação no mercado nacional de cada setor de atividade, refletindo a capacidade de centralização do capital industrial dos estados. As variáveis escolhidas foram aquelas consideradas mais relevantes para captar este poder de liderança nacional das empresas sediadas em diferentes estados do país. Para isto foram definidos 4 grupos de variáveis para indicar setorialmente o tamanho das empresas, o poder de concentração do mercado, o poder das empresas de administração dos preços e de definição de margens de lucro e, finalmente, o nível de eficiência e desempenho econômico das empresas. No grupo “tamanho das empresas” foram construídas as variáveis valor médio das vendas líquidas, número médio de pessoal ocupado e participação percentual das empresas da unidade da federação nas vendas nacionais. No grupo “concentração do mercado”, utilizou-se os tradicionais coeficientes de taxa de concentração das 4 e 8 maiores empresas estaduais nas vendas nacionais (CR-4 e CR-8). Estes coeficientes de poder de mercado são complementados pelas variáveis do grupo capacidade de fixação de preços e margens de lucro, representadas pelo mark-up (razão preço e custos correntes) e margem de valor agregado (razão valor da transformação industrial e valor bruto da produção). Finalmente, no grupo “desempenho econômico” foram construídos 3 coeficientes, produtividade média do trabalho (razão valor da transformação industrial e pessoal ocupado), salário médio do pessoal ocupado e taxa de investimento líquido (razão investimento líquido e valor da transformação industrial). A classificação setorial utilizada foi a CNAE 3 dígitos da industria de transformação, que possui 44 setores do complexo metal-mecânico e 9 setores agro-industriais5 . Para facilitar a análise, alguns setores metal- mecânico foram agregados, passando este complexo para 29 setores. O setor Produção de Álcool pertencente à divisão CNAE 23 foi agregado ao setor Fabricação e Refino de Açúcar. 5 48 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 45. 1.7. Liderança de empresas dos setores metal- BDMG 40 anos mecânico Para efeito da análise setorial do complexo metal-mecânico é realizada uma distribuição dos grupos setoriais (a 3 dígitos) de acordo com as divisões da CNAE (2 dígitos), de tal forma a adapta-la à classificação anterior do IBGE a 2 dígitos, gêneros da indústria, utilizada nas seções 1.4.1 e 1.9: 1. Metalurgia básica (Setores: Siderúrgicas Integradas, Metalurgia de Não-Ferrosos, Ferro- Gusa/Ferro-Ligas e Fundição); 2. Mecânica - Fabricação de Produtos de Metal (Setores: Estruturas Metálicas e Caldeiraria Pesada, Forjaria e Estamparia, Outros Produtos de Metal) e Mecânica – Fabricação de Máquinas e Equipamentos (Máquinas e Equipamentos Específicos; Máquinas e Equipamentos Gerais, Tratores e Máquinas Agrícolas, Máquinas-Ferramenta, Máquinas e Equipamentos para as Indústrias Extrativa Mineral e Construção); 3. Eletro-eletrônica – Fabricação de Máquinas e Equipamentos (Computadores e Periféricos, Geradores e Transformadores, Equipamentos para Distribuição e Controle de Energia Elétrica, Aparelhos e Equipamentos de Comunicações, Máquinas e Equipamentos de Automação Industrial, Material Eletrônico Básico); e Eletro- eletrônica - Aparelhos e Instrumentos (Eletrodomésticos, Produtos Elétricos Diversos, Aparelhos e Instrumentos Médico-Hospitalares, Odontológicos e de Laboratório, Aparelhos Ópticos, Fotográficos e Cinematográficos); 4. Material de Transporte (Automóveis e Utilitários, Caminhões, Ônibus e Cabines, Peças e Acessórios, Material Elétrico para Veículos Automotores, Embarcações e Outros Equipamentos de Transporte, Veículos Ferroviários e Aeronaves). 1.7.1. Indústria metalúrgica O setor dominante desta indústria é o de “Siderúrgicas Integradas”, dada a sua importância nas relações inter-industriais, fornecendo insumos de uso difundido para o conjunto do sistema de indústrias. Em função de sua elevada escala produtiva, detêm um grau expressivo de indivisibilidade técnica, além de vantagens de integração vertical relacionadas à redução de custos de transação. Por isto, possui um padrão de competição em que o tamanho médio das empresas é muito superior a da maioria das outras estruturas de mercado, ficando abaixo apenas da indústria química e farmacêutica, automotiva e alguns segmentos da eletro-eletrônica. No caso de países semi- industrializados, como o Brasil, as empresas deste setor são relativamente maiores, se comparadas às suas congêneres nas estruturas de mercado dos países industrializados, pois a estrutura industrial é desequilibrada em função do peso relativamente menor de outras indústrias de base, como a química e a de bens de capital, especialmente os segmentos de telecomunicações e eletrónica. Afora estas diferenças relativas aos problemas da industrialização tardia, esta indústria possui mundialmente um padrão competitivo que se enquadra bem na classificação tradicional de oligopólio concentrado, no sentido deste mercado operar com um reduzido número de grandes empresas, fortemente integradas verticalmente, que utilizam como principais armas de barreiras à entrada o nível de indivisibilidade técnica, que requer elevado investimento de instalação, e as vantagens de integração, já que essa é considerada uma indústria tecnologicamente madura. 49 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 46. Os dados dos 4 grupos de variáveis confirmam que estas características estruturais não BDMG 40 anos apenas continuam prevalecendo na indústria siderúrgica brasileira mas tenderam a se acentuar após o processo de privatização no inicio dos anos noventa, quando houve uma consolidação de mercado das empresas líderes via fusões e aquisições, resultando em maior mundialização das empresas, quer seja na forma de maior integração de capitais com líderes mundiais quer seja através da maior integração comercial na cadeia internacional de produtos siderúrgicos. No grupo de variáveis de tamanho (TAB. 20) observa-se que o tamanho médio das empresas é muito superior ao de outros setores do complexo metal-mecânico, apenas comparável às do setor automotivo, especialmente o coeficiente de valor médio de vendas, pela natureza capital- intensivo do setor. Este elevado tamanho das empresas indica o poder de mercado das líderes, como mostram os indicadores de taxa de concentração (CR-4 e CR-8) de forma que o espaço para a participação de empresas de menor porte neste mercado, as chamadas empresas marginais, parece inexistente. (TAB. 21) Por outro lado, o poder de fixação de preços via administração de margens de lucro e mark-up (TAB. 22) é significativo - 3,76 - mas bem inferior ao de outros setores que operam em mercados oligopolísticos, como o automotivo, e mesmo em mercados mais concorrenciais, bem como dos setores de segundo processamento da agroindústria. Na verdade, a dificuldade de elevação do mark-up decorre da natureza destes produtos, mais homogêneos e com um escopo estreito para a diferenciação entre os concorrentes, mesmo com uma diversificação de tipos de produto relativamente ampla, o que permite uma acomodação das líderes em segmentos de mercado, como o de aços planos, aços não-planos comuns e aços não-planos especiais. O indicador que melhor expressa esta baixa capacidade de diferenciação é a margem de valor agregado, bem inferior ao dos setores acima mencionados. Esta margem, relativamente menor, reflete também o alto grau de integração vertical do setor siderúrgico, que reduz a proporção relativa do valor agregado na esfera estritamente produtiva. Ao mesmo tempo o grau de verticalização é responsável pela elevada eficiência e desempenho do setor, (TAB. 23) que possui um dos mais altos níveis de salário médio e taxa de investimento do complexo metal-mecânico, uma evidência que o processo de consolidação do capital das empresas líderes, através de fusões, aquisições e associações, foi acompanhado por um amplo processo de reestruturação produtiva e elevação da produtividade. Atualmente 8 empresas de grande porte lideram o mercado nacional de produtos de aço, das quais 5 estão sediadas em Minas (USIMINAS, BELGO-MINEIRA, ACESITA, AÇOMINAS E MANNESMAN), 1 no Rio de Janeiro (CSN), 1 no Rio Grande do Sul (GERDAU), 1 em São Paulo (COSIPA) e 1 no Espirito Santo (CST). Em que pese que os dados da PIA contabilizam a Gerdau no Rio, o núcleo de decisão do grupo Gerdau continua localizado no Rio Grande do Sul6 . Quatro grupos destas empresas (USIMINAS-COSIPA, CSN, GERDAU-AÇOMINAS E CST) são controladas por capitais de origem nacional, a maioria deles com forte associação a capitais de siderúrgicas estrangeiras, enquanto os grupos das outras três (USINOR-ACESITA, BELGO MINEIRA e MANNESMAN) são de origem estrangeira, mas estabelecidas há anos no país, com exceção do grupo USINOR-ACESITA. Todas possuem significativa inserção no comercio exterior e estão na fronteira internacional de melhor prática tecnológica e organizacional. As 5 empresas sediadas em Minas dividem com as 2 sediadas no Rio e Rio Grande do Sul uma participação de mais de 70% no mercado nacional de produtos de aço. Considerando que a USIMINAS controla efetivamente a COSIPA, com 49% do capital votante, esta participação passa para nada menos do que 90%. Em termos de diversificação de produtos, as empresas mineiras possuem o mix mais diversificado, pois atuam com liderança em todos segmentos de mercado: a USIMINAS é especializada em laminados planos comuns, a BELGO em laminados não-planos comuns - concorrendo mais diretamente com a GERDAU, a ACESITA em laminados planos especiais, a Onde reside a maioria dos diretores, oriundos da família GERDAU. 6 50 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 47. MANNESMAN em laminados não-planos especiais e, finalmente, a AÇOMINAS em blocos semi- BDMG 40 anos acabados e acabados de aço. Entretanto, a recente aquisição da AÇOMINAS pelo GRUPO GERDAU lhe proporciona uma vantagem comparativa de integração horizontal significativa de diversificação de produto, sobretudo em relação à BELGO MINEIRA no segmento de produtos de aço não-planos mais elaborados. Mesmo considerando que o processo de reestruturação e consolidação do capital pós- privatização resultou no controle de capital da ACESITA por uma multinacional, o grupo francês USINOR, e o controle da AÇOMINAS por um grupo de origem gaúcha, o GERDAU, não parece que houve transferência de poder de decisão no setor siderúrgico de Minas Gerais para outras unidades e nem mesmo para estrangeiros. O fenômeno que parece em curso é muito mais um processo de mundialização de capitais do setor, onde os investimentos cruzados de capital entre os big players resultam em crescente centralização de capitais em nível mundial. As mais recentes associações com o capital estrangeiro de duas das líderes nacionais, CSN e CST, apontam também nesta direção. Os dois outros setores ligados à metalurgia de ferrosos são o setor de ferro-gusa e ferro- ligas, sub-dividido nos segmentos que produzem, respectivamente, ligas de ferro (gusa) e ligas metálicas (ferro e outros metais não-ferrosos) a serem incorporadas ao aço e ferros fundidos, e o setor de fundição, que produz produtos fundidos metálicos na forma de peças modeladas, de diversos tamanhos e finalidades. São setores que constituem, de forma independente, elos da cadeia produtiva das usinas siderúrgicas integradas, o que resulta na perda das vantagens já mencionadas de ganhos de escala da verticalização. São, portanto, estruturas de mercado que atuam nas franjas não atendidas pelas siderúrgicas integradas, o que resulta em baixos requerimentos de capital inicial e significativa mobilidade de entrada e saída de produtores no mercado. Os indicadores de tamanho das empresas, concentração, poder de mercado e eficiência-desempenho evidenciam estas características de uma estrutura de mercado competitiva, com grande número de empresas de pequeno porte, muitas vezes atomísticas, baixo mark-up, baixa produtividade do trabalho e salários menores do que a média do complexo metal-mecânico. A exceção são as ligas de ferro a base de outros metais, alguns nobres e raros, como o níquel, o manganês e o nióbio, pois não seria factível a integração destas ligas no fluxo continuo da siderurgia integrada. Assim, estas ligas com metais nobres constituem verdadeiros nichos de mercado, cujo principal instrumento de barreira à entrada é o controle das jazidas dos minerais que são as bases destes metais e a técnica de concentração e purificação do mineral. Os nichos de ferro-ligas são controlados por grandes empresas líderes internacionais e nacionais, como a ANGLO- AMERICAN E O GRUPO VOTORANTIN (ligas de níquel), CVRD (manganês) e a CBMM do grupo Moreira Salles (nióbio). Por sua vez, o nicho de ferro-ligas à base de silício possui barreiras à entrada bem menores, dado a relativa abundância do quartzo, mineral que fornece a base para a constituição deste material, sendo que 90% das reservas no Brasil estão em Minas Gerais. É esta heterogeneidade do segmento de ferro-ligas, com rebates no segmento de fundição, que explica que os indicadores médios do setor agregado gusa e ferro-ligas e de fundição não representam a segmentação de mercado, refletida na significativa taxa de concentração dos 8 maiores produtores (CR-8) destes dois setores (TAB. 21). O coeficiente de participação no mercado nacional mostra que as empresas mineiras possuem significativa presença no setor de gusa e ferro-ligas, enquanto que a participação no setor de fundição, que chegou a 25% em 1987 (BDMG, 1989: 137), caiu para 13,4% em 2000. Como já alertava o Diagnóstico BDMG de 89, as empresas mineiras de fundição estavam defasadas tecnologicamente em relação a outros estados da federação, que ganham significativa participação de mercado durante 51 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 48. os anos 90 e apresentam taxas de investimento bem mais elevadas (TAB. 21 e 23), “tendo em vista BDMG 40 anos as mudanças no perfil de consumo dos fundidos, com uma crescente substituição dos ferrosos pelos não-ferrosos e o uso mais intensivo de fundidos de menor peso e de maior qualidade” (Ibid.: 139). Por outro lado, o Diagnóstico alertava também para os problemas do segmento de gusa relativo à “dificuldade crescente de obtenção de carvão de florestas nativas e do alto custo do reflorestamento”, que poderia inviabilizar o pólo guseiro no Estado e favorecer sua transferência para Carajás. Apesar desta ameaça aparentemente não ter se concretizado, expresso na manutenção da participação de Minas no mercado nacional e na taxa de investimento relativamente elevada (TAB. 20, 21 e 23), a proposição do Diagnóstico, de integração para frente do segmento guseiro, através do estabelecimento à jusante de semi-acabados de lingotes de aço, continua uma estratégia válida para aumentar as vantagens locacionais deste segmento no Estado. No caso de ferro-ligas, as maiores dificuldades encontram-se nos nichos de mercado de ligas à base de metais cujas jazidas encontram-se em exaustão no Estado. Segundo o Diagnóstico, os casos mais graves são o do níquel, cuja extração tende crescentemente a se concentrar nas jazidas de Niquelândia em Goiás, com 74% das reservas brasileiras, e de Carajás no Pará (com 11,5%), e do manganês, com o deslocamento da extração para Urucum no Mato Grosso do Sul (com 53% das reservas), Carajás (com 28%) e Serra do Navio no Amazonas (com 10%) (Ibid: 134-143). Finalmente o setor de metalurgia de não-ferrosos possui a presença de empresas de porte considerável e ligadas a grandes grupos econômicos nacionais e internacionais com forte atuação na área de mineração e metalurgia de metais não-ferrosos, cabendo papel de destaque ao alumínio, produto derivado da bauxita e de uso difundido na estrutura industrial. Os indicadores de poder de mercado (concentração, mark-up e margem de valor agregado) e eficiência/desempenho (produtividade, salário) são semelhantes aos do setor de siderurgia integrada, exceto o de tamanho médio das empresas e taxa de investimento, pois se trata também de uma estrutura oligopolística com expressiva indivisibilidade técnica e vantagens de integração vertical para trás, neste caso ganhando especial relevância o controle das fontes dos minerais-base de cada segmento do setor, como as jazidas de bauxita, zinco, cobre e titânio. A participação das empresas sediadas em Minas nas vendas setoriais é significativa, de 23,5%, ficando abaixo apenas das empresas sediadas em São Paulo, com 40%, e em outros estados, 27,9%, correspondendo este último percentual aos projetos da fronteira mineral da Região Norte, como ALUMAR e ALBRÁS, o primeiro uma associação de capital entre a americana ALCOA, sediada em Minas, e a anglo-saxônica BILLITON, do grupo SHELL e sediada no Rio de Janeiro, e o segundo sob o controle da CVRD. Entre os big players que atuam na produção de não-ferrosos ainda estão o GRUPO VOTORANTIN, sediado em São Paulo, que possui presença nos segmentos de alumínio, através da subsidiaria Companhia Brasileira de Alumínio - CBA, e de zinco, através de duas subsidiárias com presença em Minas, a Companhia Mineira de Metais - CMM e a recém adquirida Paraibuna de Metais – CPM, comprada do grupo Paranapanema. Além destas, participam da liderança no segmento de alumínio a canadense ALCAN, sediada em São Paulo e com planta em Ouro Preto, e uma associação entre a BILLITON e a VALESUL do grupo CVRD, sediada no Rio. As vantagens locacionais da fronteira mineral do Norte parecem evidentes no caso do mercado externo, sendo que os projetos de associação de capitais entre os big players de não-ferrosos indicam esta nova direção geográfica dos investimentos. No entanto, a estagnação dos mercados de não-ferrosos dos países industrializados indica, por sua vez, a importância de se manter participação no mercado interno brasileiro, ainda considerado um mercado em expansão, mesmo com a crescente tendência de substituição destes metais, principalmente o alumínio, por novos materiais ou plásticos. Neste caso, a manutenção da presença destas empresas no Sudeste ainda traz importantes vantagens locacionais de acesso ao maior centro de consumo do mercado nacional. 52 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 49. TABELA 20 BDMG 40 anos TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) O MERCADO NACIONAL - INDÚSTRIA METALÚRGICA - 2000 Siderurg. Integ. Gusa e Ferro-ligas Metais Não-Ferr. Fundição UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. MG 1.133.144 3.984 35,04 57.071 267 44,74 138.142 550 23,49 1.896 76 13,40 SP 736.140 3.137 13,66 20.560 144 26,06 66.156 333 40,00 3.323 88 31,49 38,77 31.2271 2461 2,851 RJ 2.089.903 5.982 97.438 264 8,28 10.413 226 15,05 3.7182 562 0,242 PR - - - 705 52 0,05 2.534 80 3,66 RS - - - 43.547 181 6,26 6.639 58 0,31 7.753 184 14,94 Outras 2.026.6053 3.4123 12,53 37.821 240 19,27 184.292 259 27,86 5.343 124 21,45 Brasil 1.347.538 4.224 100,00 34.319 196 100,00 88.208 320 100,00 3.941 105 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. de Tubos de Açoquot; cujo os dados não estão diponíveis. 2 exclusive quot;Fabric. de Gusaquot; cujo os dados não estão disponíveis. 3 calculado através dos resíduos QUADRO 1 QUADRO DE LEGENDAS ABREVIATURA NOME DA VARIÁVEL DESCRIÇÃO DA VARIÁVEL UNIDADE Tam. Méd. Tamanho Médio VBP Setor j / Total de Empresas Setor j R$ mil Pess. Ocup. Pessoal Ocupado Pessoal Ocupado Setor j / Total de Empresas Setor j - Merc. Nac. Particip. no Mercado Nac. VBP Setor j no Estado / VBP Setor j Brasil % Produtiv. Produtividade VTI Setor j / Pessoal Ocupado Setor j R$ Salário Médio Salário Médio Massa Salarial Setor j / Pessoal Ocupado Setor j R$ Taxa Invest. Taxa de Investimento Investimento em Capital Setor j / VTI Setor j % Mark-up Mark-up VBP Setor j / Custos Operacionais + Gastos c/ Pessoal - Margem V.A. Margem de Valor Agregado VTI Setor j / VBP Setor j - CR-4 CR-4 VBP 4 maiores empresas Setor j / VBP Setor j Brasil % CR-8 CR-8 VBP 8 maiores empresas Setor j / VBP Setor j Brasil % 53 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 50. TABELA 21 BDMG 40 anos CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - INDÚSTRIA METALÚRGICA - 1996 Siderurg. Integ. Gusa e Ferro-ligas Metais Não-Ferr. Fundição UF CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 1 MG 32,36 37,55 21,43 25,13 6,69 9,14 2,81 3,88 2 SP 18,93 19,16 13,65 18,80 38,50 45,46 6,50 11,04 30,153 30,153 8,914 RJ 5,51 5,73 8,61 9,19 8,76 2,335 1,966 PR - - 2,26 ... ... 1,96 7 7 RS ... ... 5,44 5,66 0,22 0,22 4,29 5,56 Outras ... ... 7,96 10,97 23,05 24,25 50,36 52,11 Brasil 60,81 82,74 28,19 40,63 46,36 66,24 53,63 62,62 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 1 o estado possui apenas 7 empresas no setor. 2 o estado possui apenas 5 empresas no setor. 3 o estado possui apenas 3 empresas no setor. 4 o estado possui apenas 5 empresas no setor. 5 o estado possui apenas 6 empresas no setor. 6 o estado possui apenas 4 empresas no setor. 7 o estado possui apenas 3 empresas no setor. TABELA 22 PODER DE MERCADO - INDÚSTRIA METALÚRGICA - 2000 Siderurg. Integ. Gusa e Ferro-ligas Metais Não-Ferr. Fundição UF Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem V.A. V.A. V.A. V.A. MG 3,61 0,83 7,90 0,88 3,46 0,83 3,05 0,93 SP 3,12 0,87 4,43 0,93 3,62 0,87 2,26 0,89 3,511 0,901 RJ 4,22 0,75 2,91 0,75 2,16 0,83 4,392 0,982 PR - - 2,27 0,93 2,16 0,85 RS - - 7,77 0,97 4,26 0,90 2,35 0,87 Outras ... ... 4,49 0,88 4,96 0,85 2,37 0,89 Brasil 3,76 0,75 5,68 0,90 3,79 0,84 2,36 0,88 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. de Tubos de Açoquot; cujo os dados não estão diponíveis. 2 exclusive quot;Fabric. de Gusaquot; cujo os dados não estão disponíveis. 54 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 51. TABELA 23 BDMG 40 anos DESEMPENHO ECONÔMICO - INDÚSTRIA METALÚRGICA - 2000 Siderurg. Integ. Gusa e Ferro-ligas Metais Não-Ferr. Fundição UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. MG 240.205 22.898 2,50 188.859 13.237 6,18 208.619 18.398 2,49 23.218 4.938 2,26 SP 193.890 21.703 14,43 132.826 14.560 3,32 171.935 18.436 4,63 33.435 8.849 4,12 115.3751 16.5171 1,951 RJ 308.166 28.860 13,27 275.707 20.491 4,93 38.322 8.657 2,89 2 2 0,012 PR - - - 65.582 9.996 12.546 3.828 2,21 26.655 6.571 5,23 RS - - - 232.654 16.409 1,61 103.885 11.483 0,86 36.629 8.832 4,23 Outras n.d. n.d. n.d. 138.079 9.856 4,04 606.334 23.960 1,87 38.131 9.178 5,74 Brasil 256.781 24.923 9,20 158.109 13.188 4,55 537.220 18.937 3,37 32.979 7.996 4,09 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. de Tubos de Açoquot; cujo os dados não estão diponíveis. 2 exclusive quot;Fabric. de Gusaquot; cujo os dados não estão disponíveis. 1.7.2. Indústria mecânica A indústria mecânica representa o núcleo duro dos bens de capital, que são complementados pelos segmentos de máquinas e equipamentos da indústria eletro-eletrônica e veículos pesados da indústria de material de transportes. Sua organização baseia-se em setores fornecedores especializados de máquinas e equipamentos para a ampla gama de segmentos da estrutura produtiva, industrial e agrícola, se constituindo nos principais difusores e disseminadores de tecnologia do sistema de indústrias. Dentro da matriz tecnológica estes setores são usuários de setores intensivos em ciência, que são geradores por excelência de sistemas tecnológicos oriundos diretamente da fronteira do conhecimento científico. O sistema de tecnologias do paradigma da microeletrônica tem se constituído nos últimos 20 anos na principal fonte de capacitação tecnológica da indústria de bens de capital mecânicos, cujos principais fornecedores são os setores de informática e processamento de dados. Neste sentido, o principal indicador de capacitação tecnológica da indústria nacional de bens de capital é o nível de absorção da microeletrônica em seus processos produtivos e produtos. De acordo com o diagnóstico de capacitação tecnológica da indústria brasileira realizado pelo IPEA no inicio dos anos 90, “no setor de bens de capital mecânicos a difusão da tecnologia microeletrônica causou um aumento do gap tecnológico, o qual prejudicou a capacidade de competição das empresas brasileiras” (Furtado, 1994: 55-56). Contribuiu para o aprofundamento desta defasagem, no final dos anos 80 e início dos 90, a drástica redução das encomendas do setor público de bens de capital e, pelo menos num primeiro momento, a abertura externa, que expôs à competição internacional as fragilidades da indústria doméstica, especialmente o seu baixo nível de especialização. O sistema pregresso de proteção induziu a um excessiva integração vertical das empresas, dificultando a exploração de economias de especialização, forma típica de vantagens competitivas neste setor. Ocorreram, portanto, dois gargalos simultâneos que a indústria teve que se defrontar. Por um lado, a necessidade de atualização tecnológica dada pelo esforço de adoção das novas tecnologias da microeletrônica, como Controle Numérico Computadorizado (CNC), Controle Estatístico de Processo (CEP) e Requerimentos de Planejamento de Material (MRP). Por outro lado, o esforço de desverticalização das linhas de produção para se adequar aos padrões internacionais, dado que a trajetória da indústria nos anos 70 e 80 foi de excessiva verticalização e passividade tecnológica. O principal impacto negativo desta passividade dentro do conjunto da 55 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 52. estrutura industrial deve-se ao fato que o ritmo lento de inovação de produto no setor limita BDMG 40 anos significativamente seu papel de difusor inter-setorial de progresso técnico, eliminando em grande parte os benefícios que adviriam da interação produtor-usuário, que fica parcialmente truncada (Furtado, 1994: 49). Estes dois esforços do lado da oferta se deram sob dois choques de demanda. O primeiro foi a queda brusca das compras governamentais, que possuíam um forte efeito de encadeamento intra-setorial. O segundo foi o aumento repentino da competição das importações, que contribuiu para eliminar um amplo conjunto de empresas marginais da indústria nacional. Assim, este processo contribuiu para aprofundar ainda mais a heterogeneidade interna entre as empresas estabelecidas, que se manifesta pela discrepância de tamanho econômico e capacitação tecnológica das empresas, com importante rebate geográfico, considerando que as empresas líderes estão concentradas em São Paulo e, em menor medida, nos estados da região Sul. Para se ter uma idéia desta heterogeneidade, observa-se diferenças altamente expressivas entre as empresas líderes de cada setor da indústria e as chamadas empresas marginais, numericamente significativas, mas irrelevantes nas vendas totais. Dependendo do setor de atuação, o faturamento de uma empresa líder de bens de capital no Brasil varia entre 100 milhões e 500 milhões de reais. Se comparado aos setores industriais de base, como siderurgia e química, e de duráveis de consumo de massa, como automóveis, estas cifras podem ser consideradas modestas, haja vista que as líderes nacionais destes setores faturam anualmente não menos que 2 bilhões de reais. No entanto, se comparado com as empresas não líderes dentro da indústria observa-se que o faturamento da maioria delas não ultrapassa 1 milhão de reais, em geral com menos de 30 pessoas ocupadas. Sendo uma indústria com significativa presença de empresas com capital de origem nacional, o processo de capacitação passa, em geral, pela via do licenciamento junto a empresas líderes mundiais, pois parte substantiva das vantagens comparativas destas empresas da fronteira mundial está baseada em conhecimento tácito de aprendizado acumulado, tanto no desenvolvimento do desenho de engenharia básica e na manufatura dos bens (learning by doing), como na interação com as empresas clientes (learning by interaction). Os estudos sobre o setor evidenciam que, sob este novo ambiente competitivo, o acesso diferenciado à tecnologia internacional se ampliou entre as líderes nacionais e as chamadas empresas marginais, que ficaram mais enfraquecidas sob um ambiente de mercado interno deprimido e competição externa. Tudo leva a crer que a reestruturação defensiva das líderes nacionais iniciou-se na primeira metade dos anos 90, sendo que a pesquisa de campo do IPEA de empresas líderes revelou que “as empresas de bens de capital mecânico estudadas demonstraram uma notável capacidade de incorporar inovações de processo. A importância que essas novidades adquiriram decorre, em grande parte, da introdução nas linhas de produção de novas safras de equipamentos com partes eletrônicas” (Ibid.: 49). Os dois grupos de indicadores de concentração e poder de mercado, TAB. 25 e 26, são os que melhor evidenciam a forma de liderança setorial, que pode variar de acordo com as características estruturais dos setores. Os setores de Tratores e Máquinas Agrícolas e de Máquinas e Equipamentos para Extração Mineral e Construção se destacam por apresentarem um poder de mercado elevado das suas empresas líderes, combinando poder de concentração das vendas, com CR-4 e CR-8 acima, respectivamente, de 50% e 65%, e poder de administração dos preços, com mark-up em torno de 5,0 e margem de valor agregado acima de 95%. Este poder de administração dos preços reflete não apenas significativo controle sobre as vendas, mas capacidade de estabelecer barreiras à entrada via diferenciação de produtos. Estes setores produzem bens de capital seriados de grande porte, com processo produtivo capital-intensivos e com escopo para diferenciação de produtos, aproximando do que a literatura denomina de oligopólio concentrado-diferenciado, pois auferem simultaneamente economias de escala e de 56 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 53. escopo. Os grupos de indicadores de tamanho das firmas e desempenho, TAB. 24 e 27, também BDMG 40 anos corroboram nesta caracterização, apresentando tamanho médio bem acima dos demais setores da mecânica e níveis de produtividade elevados, evidenciando, respectivamente, estruturas de mercado com um pequeno número de empresas de grande porte e a natureza capital-intensivo dos setores. O maior contraste com este tipo de estrutura de mercado são os três setores pertencentes ao segmento de produtos metálicos da indústria mecânica, que estão fora núcleo duro desta indústria mecânica, constituídos pelos setores de máquinas e equipamentos. Estes setores tipificam uma estrutura de mercado que se assemelha a um oligopólio competitivo. De um lado, estes setores podem ser considerados como uma estrutura competitiva pelo fato das barreiras à entrada serem relativamente baixas, pois produzem produtos homogêneos com tecnologias de processo disponíveis no mercado e requerimentos de capital inicial bem abaixo da média indústria mecânica, características que são evidenciadas pelo pequeno poder de administração dos preços (TAB. 30), pequeno tamanho médio das firmas (TAB. 28) e nível de produtividade relativamente baixo (TAB. 31). Por outro lado, eles se caracterizam como um oligopólio pelo fato de possuírem internamente firmas de grande porte com capacidade de praticar uma política de mark-up diferenciado em relação a empresas de menor porte, consideradas marginais no sentido que podem ser eliminadas em caso de ajuste estrutural de oferta decorrente de restrição de demanda. Em geral, estas líderes setoriais auferem ganhos de integração vertical à montante com empresas siderúrgicas controladoras de seus capitais, o que lhes proporcionam acesso direto ao seu insumo básico, o aço, como ocorre, por exemplo, com subsidiária da Usiminas que atua neste segmento, a USIMEC. O de poder de concentração de mercado é um bom indicador deste tipo de liderança setorial. Como mostra a TAB. 29, as quatro maiores empresas controlam entre 20 a 30% do mercado, suficiente para controlarem as fatias ou nichos cuja demanda origina-se de clientes diferenciados e mais exigentes em termos de qualidade do produto, especialmente as grandes empresas montadoras do setor automotivo. Os três outros setores de máquinas e equipamentos podem ser caracterizados como uma estrutura de mercado intermediária, pois o poder de concentração de mercado das empresas líderes é inferior aos dois primeiros, mas superior aos dos setores do segmento de produtos metálicos (CR-8 entre 30 e 50% - TAB. 25), enquanto o tamanho médio deste setores também reflete esta posição (TAB. 24). Estas empresas possuem ao mesmo tempo significativa capacidade de diferenciação de produtos, oriunda principalmente de conhecimento tácito acumulado no processo produtivo e nas relações com os usuários, o que lhes possibilitam um relativo poder de administração dos preços (TAB. 26). O setor de Máquinas e Equipamentos Específicos é principalmente produtor de bens de capital sob encomenda, o que confere maior importância ao conhecimento tácito, sobrelevando assim a importância do papel da diferenciação de produto como principal instrumento competitivo e reduzindo o papel do nível absoluto de concentração, como mostram as taxas de CR-4 e CR- 8. O setor de Máquinas-Ferramenta se caracteriza, em contraste, pela produção seriada ao mesmo tempo que possui o maior conteúdo tecnológico da indústria mecânica, sendo considerado o maior difusor de tecnologia de toda a estrutura industrial. Neste sentido, sua capacitação tecnológica envolve significativo aprendizado cumulativo no desenvolvimento de projetos de engenharia de seus produtos e grande atualização tecnológica em seus processos de produção. Neste sentido, possui significativas barreiras à entrada, tanto em termos de requerimentos de capital para desenvolvimento de produtos como de capacitação tecnológica acumulada e, por isto, possui um nível absoluto de concentração relativamente alto, com um número relativamente reduzido de firmas, refletindo o pequeno espaço para as empresas marginais. 57 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 54. A distribuição geográfica da indústria mecânica, TAB 24 e 28, indica que as empresas BDMG 40 anos estão fortemente concentradas no Estado de São Paulo, principalmente nos setores do segmento duro desta indústria, o de máquinas e equipamentos. Nada menos do que 68% das vendas internas de máquinas-ferramenta no país são produzidas por empresas paulistas, sendo que o restante das vendas está nas mãos de empresas gaúchas (21,53%) e catarinenses (5,63%)7 . As oito maiores empresas paulistas detêm 51,36% deste mercado, sendo as maiores empresas de máquinas-ferramenta do país, enquanto as oito maiores gaúchas possuem 13,96%8 (TAB 25). Evidentemente que esta elevada concentração espacial do principal setor difusor de tecnologia na estrutura industrial fragiliza sobremaneira os efeitos inter-setoriais de disseminação tecnológica das demais economias regionais. Uma dimensão mais ampla desta fragilidade ocorre quando consideramos o elevado coeficiente de importação deste setor, acima de 50%, que opera como restrição externa aos encadeamentos tecnológicos do conjunto da estrutura industrial do país. Os rebates desta forte dependência externa são mais agudos nas estruturas industriais estaduais onde o setor de máquinas-ferramenta é praticamente inexistente, como ocorre com a economia mineira, fluminense e paranaense, onde nem mesmo é possível se pensar em complementaridade intra-setorial entre os bens de capital importados e a produção local. Neste caso, a dinâmica das inovações tecnológicas de processo passam ao largo dos encadeamentos intersetoriais da estrutura industrial regional. A hegemonia das empresas paulistas na produção doméstica de bens de capital se reproduz para os demais setores da indústria mecânica, vindo em segundo lugar as empresas do Rio Grande do Sul, em terceiro as de Santa Catarina e em quarto as do Paraná. Minas Gerais divide com o Rio de Janeiro o último lugar dentre as unidades da federação que possuem empresas com alguma produção minimamente relevante na mecânica. De fato, as empresas destes dois estados lideram apenas os setores do segmento de produtos metálicos, em função das sinergias de integração vertical à jusante das empresas siderúrgicas integradas, que dividem entre si o mercado nacional de produtos de aço, inclusive os metálicos acabados9 . As empresas fluminenses lideram os três mercados de metálicos, com 42,48% das vendas de Estruturas Metálicas e Caldeiraria Pesada, 57,69% das vendas de Forjaria e Estamparia e 57,56% das vendas de Produtos Metálicos Diversos. Em seguida, vem as empresas mineiras com presença significativa nos setores de Estruturas Metálicas e Caldeiraria, 18,22%, e Forjaria e Estamparia, 19,63%, onde as subsidiárias das empresas siderúrgicas são muito competitivas, especialmente a USIMEC-USIMINAS, A MANNESMAN-DEMAG e a BELGO-BEKAERT. A única participação significativa das empresas mineiras no segmento de Máquinas e Equipamentos é no setor de Extração Mineral e Construção, 14,66%, no entanto bem inferior à participação de mercado das empresas, 74,84%, o que indica na verdade uma presença bem menos significativa do que o peso da economia mineira nos complexos mínero-metalúrgico e da construção10 . A informação de Santa Catarina encontra-se em outros estados da federação. 7 A maior empresa é a Romi, uma associação de capital nacional da família Romi com o grupo Bradesco. Sua receita líquida em 2001 8 foi de R$128 milhões, o que indica um tamanho de empresa considerada média, se comparada a outros setores da indústria. Isto reflete os altos requerimentos de especialização desta estrutura de mercado, que foram intensificados nos anos 90 (Gazeta Mercantil, 2002). Os dados das empresas do Grupo Gerdau sediadas no Rio, especialmente a Metalúrgica Gerdau, são contabilizados neste estado. 9 Ver capítulo subsequente sobre cadeias produtivas neste volume. 10 58 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 55. Há que se destacar a significativa presença dos estados sulinos nos dois segmentos de BDMG 40 anos bens de capital, especialmente nos setores do segmento de máquinas e equipamentos. As empresas do Rio Grande do Sul estão bem posicionadas não apenas no estratégico setor de máquinas-ferramenta mas lideram o setor de Tratores e Máquinas Agrícolas, enquanto ocupam o segundo e terceiro lugar, respectivamente, dos setores de Máquinas de Uso Geral e Máquinas Específicas. As empresas de Santa Catarina, por sua vez, ocupam o segundo lugar em Máquinas Específicas, e o terceiro nos setores de Máquinas de Uso Geral e Máquinas-Ferramenta. O Paraná possui empresas com presença significativa apenas em Máquinas e Equipamentos Agrícolas e, secundariamente, em Máquinas de Uso Específico. TABELA 24 TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) NO MERCADO NACIONAL INDÚSTRIA MECÂNICA DE PRODUTOS METÁLICOS, 2000 Estrut. Metal. e Calderaria Forjaria e Estamparia Prod. Metal UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. MG 7.455 179 18,22 10.457 116 19,63 6.874 104 4,78 SP 4.597 191 7,67 5.080 88 5,60 11.994 125 7,09 RJ 6.039 105 42,48 6.432 98 57,69 13.656 120 57,56 4.5561 1021 2,501 PR 4.835 96 6,05 9.339 105 4,21 RS 8.297 111 11,87 5.155 101 8,03 11.301 154 11,18 Outras 4.183 89 13,71 3.471 70 6,52 16.318 118 15,18 Brasil 5.846 121 100,00 5.515 100 97 11.928 125 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. de Tanques, Caldeiras e Reserv. Metal,quot; cujo os dados não estão disponíveis TABELA 25 CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - INDÚSTRIA MECÂNICA DE PRODUTOS METÁLICOS, 1996 Estrut. Metal. e Calderaria Forjaria e Estamparia Prod. Metal UF CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 MG 14,41 17,06 2,72 3,80 1,84 2,31 SP 9,86 14,68 20,61 28,69 7,62 12,63 RJ 17,16 18,05 2,69 3,51 11,64 12,79 PR 2,86 3,80 0,88 1,15 1,80 2,43 RS 4,52 5,85 3,11 4,66 4,27 6,19 Outras 2,74 4,23 1,70 2,52 6,93 7,90 Brasil 32,12 38,92 20,61 28,69 17,05 23,84 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 59 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 56. TABELA 26 BDMG 40 anos PODER DE MERCADO - INDÚSTRIA MECÂNICA DE PRODUTOS METÁLICOS, 2000 Estrut. Metal. e Calderaria Forjaria e Estamparia Prod. Metal UF Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem V.A. V.A. V.A. MG 2,55 0,90 0,42 0,92 4,07 0,94 SP 2,93 0,94 0,24 0,88 3,83 0,94 RJ 1,51 0,88 3,06 0,89 3,81 0,90 3,621 0,921 PR 2,95 0,87 4,94 0,96 RS 3,25 0,89 2,77 0,90 3,41 0,92 Outras 3,93 0,94 3,45 0,92 5,65 0,96 Brasil 2,78 0,92 2,77 0,89 4,02 0,94 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive “Fabric. de Tanques, Caldeiras e Reserv. Metál.” cujo os dados não estão disponíveis. TABELA 27 DESEMPENHO ECONÔMICO: INDÚSTRIA MECÂNICA DE PRODUTOS METÁLICOS, 2000 Estrut. Metal. e Calderaria Forjaria e Estamparia Prod. Metal UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. MG 37.656 8.160 0,81 82.707 8.882 0,65 62.176 8.080 2,28 SP 54.041 11.056 1,84 50.732 11.725 2,75 90.517 12.983 2,54 RJ 21.283 8.381 2,04 58.657 9.032 2,43 102.714 12.420 0,55 41.2221 6.1431 5,281 PR 43.667 6.673 1,70 85.302 9.770 2,37 RS 66.644 9.832 1,40 45.931 9.118 3,84 67.632 10.784 4,32 Outras 44.231 6.382 5,03 45.852 7.279 8,61 133.282 13.046 0,98 Brasil 44.490 9.019 2,06 54.187 10.421 2,85 90.186 12.151 2,20 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive “Fabric. de Tanques, Caldeiras e Reserv. Metál.” cujo os dados não estão disponíveis 60 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 57. TABELA 28 TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) NO MERCADO NACIONAL - INDÚSTRIA MECÂNICA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, 2000 Máq./Equip. Específicos Máq./Equip. Gerais Tratores e Máqu. Agrícolas Máq. Ferramenta Máq./Equip. Ext. Mineral UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. nac. Méd. Ocup. Nac. 7.9831 2131 3,171 MG 9.935 186 6,32 8.983 80 2,30 2.102 62 0,92 20.196 134 14,66 SP 17.911 179 64,45 14.404 82 61,37 14.896 152 36,17 13.602 149 67,61 53.224 240 74,84 8.2601 1951 1,991 1.2962 512 0,042 2.8411 341 0,501 RJ 5.742 142 2,13 3.244 52 0,59 1 1 1 PR 15.913 141 5,99 11.842 120 5,23 54.053 54 15,54 3.649 63 3,82 7.001 73 0,95 RS 8.309 126 7,47 19.154 144 14,22 27.155 211 40,78 20.575 150 21,53 19.755 138 3,58 19.9741 2311 16,921 Outras 10.643 101 10,72 6.221 80 5,17 5.864 90 5,63 9.120 181 5,38 Brasil 15.724 179 100,00 13.405 136 100,00 18.741 154 100,00 11.583 125 100,00 31.051 182 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive “Fabric. Armas e Equip. Militares” que não possuem representatividade nestes estados. 2 calculado através dos resíduos Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 61 40 anos BDMG
  • 58. BDMG 40 anos 62 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 29 CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - INDÚSTRIA MECÂNICA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS , 1996 UF Máq./Equip. Específicos Máq./Equip. Gerais Tratores e Máq. Agrícolas Máq. Ferramenta Máq./Equip. Ext. Mineral CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 1 1 MG 1.97 2.59 1.44 1.99 0.63 0.78 0.45 0.45 13.63 14.73 SP 15.47 22.02 18.08 23.27 43.66 50.12 29.71 40.84 53.15 63.47 6.012 3.003 RJ 1.54 2.04 4.73 5.56 ... ... 6.01 3.00 11.484 1.005 1.005 PR 4.47 5.15 2.93 3.91 11.37 1.95 2.61 RS 2.85 4.07 11.25 12.71 9.99 11.95 12.58 13.96 ... ... Outras 9.82 11.55 5.17 5.71 4.21 4.81 2.90 3.68 4.45 5.24 Brasil 19.08 28.46 24.36 34.04 50.39 65.21 34.73 51.36 57.07 72.36 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 1 exclusive “Fabric. Armas e Equip. Militares” que não possui representatividade nestes estados. 2 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 3 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 4 o Estado possui apenas 7 empresas no setor. 5 o Estado possui apenas 3 empresas no setor. 6 o Estado possui apenas 3 empresas no setor.
  • 59. TABELA 30 PODER DE MERCADO - INDÚSTRIA MECÂNICA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, 2000 Máq./Equip. Específicos Máq./Equip. Gerais Tratores e Máq. Agrícolas Máq. Ferramenta Máq./Equip. Ext. Mineral Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem UF V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. 1,741 0,801 MG 2,07 0,88 7,33 0,98 2,65 0,90 4,43 0,95 SP 3,20 0,93 3,28 0,96 4,39 0,96 2,81 0,95 5,36 0,98 2,331 0,921 RJ 3,71 0,96 ... ... ... ... 2,39 0,86 1 1 PR 5,23 0,96 4,04 0,95 10,47 0,99 3,36 0,97 4,91 0,99 RS 3,05 0,93 5,83 0,97 6,33 0,98 4,08 0,96 4,22 0,92 2,931 0,911 Outras 7,11 0,98 5,62 0,96 4,15 0,97 2,67 0,89 Brasil 3,15 0,93 3,62 0,96 5,75 0,97 3,11 0,95 4,86 0,96 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. Armas e Equip. Militaresquot; que não possui representatividade nestes estados. Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 63 40 anos BDMG
  • 60. BDMG 40 anos 64 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 31 DESEMPENHO ECONÔMICO: INDÚSTRIA MECÂNICA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, 2000 Máq./Equip. Específicos Máq./Equip. Gerais Tratores e Máq. Agrícolas Máq. Ferramenta Máq./Equip. Ext. Mineral UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. 30.1921 8.0801 (1,48)1 MG 46.717 13.253 1,12 109.558 9.065 0,34 30.653 6.394 4,94 143.188 16.269 0,09 SP 93.683 16.406 2,29 97.204 17.666 1,47 93.964 12.394 1,16 86.483 19.609 1,87 216.255 22.128 2,48 39.1221 9.9911 0,871 RJ 67.135 9.826 2,90 ... ... ... ... ... ... 53.313 12.448 4,13 1 1 2,301 PR 108.032 15.622 93.984 13.596 1,91 305.894 17.486 0,93 56.021 10849 1,28 94.956 13.209 0,01 RS 62.051 12.003 2,61 129.113 11.472 (0,24) 126.012 11.727 5,79 131.734 18.083 4,03 131.240 18.110 7,07 79.3581 15.1361 5,511 Outras 103.277 7.853 2,79 75.060 8.035 1,78 63.016 9.710 2,24 45.149 9.260 1,55 Brasil 81.762 14.929 2,72 94.206 15.073 1,40 118.137 12.014 3,04 87.668 17.723 2,37 164.682 18.336 2,23 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. Armas e Equip. Militaresquot; que não possuem representatividade nestes estados.
  • 61. 1.7.3. Indústria eletroeletrônica BDMG 40 anos A indústria eletroeletrônica possui dois segmentos bem distintos. O primeiro é constituído pelo segmento de máquinas e equipamentos elétricos e eletrônicos que compõem junto com a indústria mecânica e o setor de veículos pesados de material de transportes a categoria de uso denominada de bens de capital. O segundo é constituído pelo segmento de aparelhos e instrumentos, que essencialmente compõem a categoria de uso de bens de consumo durável para consumo final. a) Segmento de máquinas e equipamentos Como descrito no início desta seção, este segmento está desagregado em 6 setores que essencialmente são fornecedores para uma gama variada de setores da matriz de produção, constituindo atualmente o seu sub-segmento eletrônico no núcleo duro de geração de inovações tecnológicas para o conjunto do sistema de indústrias. A introdução da microeletrônica, através do domínio e capacitação do ciclo completo de circuitos integrados, abrangendo as fases de projeto e fabricação de chip, mudou radicalmente a base técnica da produção de bens de capital, que mundialmente realizou a transição de máquinas eletromecânicas para máquinas microeletrônicas, controladas por chip dedicados. Assim, estas mudanças radicais da eletrônica impactaram diretamente os setores de máquinas e equipamentos da indústria mecânica, a qual é usuária dos componentes eletrônicos na matriz tecnológica de relações intersetoriais. Da mesma forma que este segmento da mecânica se constitui no principal difusor tecnológico da estrutura industrial, pode-se afirmar que as máquinas e componentes microeletrônicos se constituem nos principais geradores inter-industriais de tecnologia. Estudos recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC, indicam que aí reside a maior fragilidade da estrutura industrial do Brasil, que apresenta sérias deficiências nos setores de Eletrônicos Básicos, especialmente os componentes vitais de semicondutores e circuito integrado digital, e Automação Industrial, que ao lado destes componentes básicos é o setor menos desenvolvido da indústria eletro-eletrônica nacional. Esta debilidade explica os elevados volumes de importações destes bens, que também causaram crescentes índices de substituição de produção nacional nos anos 90, graças também a uma política errática de tarifas aduaneiras. Em decorrência da substituição de produção interna por importados eletrônicos a balança comercial da indústria eletro-eletrônica atingiu o maior déficit em valor absoluto neste período entre todos os tipos de bens importados, inclusive petróleo, sendo que em 1996 totalizou valores recordes de US$ 8 bilhões. Em tese, a estrutura de mercado destes setores seria do tipo oligopólio concentrado- diferenciado, pois são setores baseados na ciência com elevados requerimentos de capital inicial para capacitação tecnológica inicial como condição de entrada ao mesmo tempo em que exigem uma elevada taxa de investimentos correntes para permanecer como empresa estabelecida nestes mercados, haja vista que a taxa de obsolescência tecnológica é elevada e o esforço de capacitação permanente. Ao contrário de outras estruturas oligopólicas com tecnologias maduras, em que a diferenciação de produtos sede terreno para a concentração absoluta de mercado como estratégia de sobrevivência, como na indústria automotiva, nestes setores o esforço de diferenciação via capacitação tecnológica é que abre caminho para a concentração das vendas, que nos países industrializados tem atingido níveis elevados. Assim, este tipo de estrutura de mercado em ambientes competitivos desenvolvidos abriga um pequeno número de firmas de grande porte, que operam em cadeias produtivas internacionais. No caso de ambientes competitivos periféricos, como o brasileiro, a estrutura de mercado tende a ser menos concentrada pelo pouco 65 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 62. desenvolvimento ou ausência de setores e sub-setores estratégicos, como o de semicondutores. BDMG 40 anos Consequentemente, o tamanho médio das estabelecidas locais é menor, mesmo que pertençam a empresas multinacionais de grande porte. Ao contrário da indústria mecânica, os setores de máquinas e equipamentos eletro-eletrônicos são constituídos por empresas líderes cujo capital é em sua maior parte de origem estrangeira, que em sua maioria são world players, operando localmente com subsidiárias menores, compatíveis com o tamanho e nível de diversificação de produto do mercado doméstico. Os indicadores de tamanho, concentração, poder de mercado e desempenho para estes setores, TAB. 32 a 35, evidenciam as condições periféricas deste segmento industrial acima descritas. Mesmo, por exemplo, as empresas dos setores de maior tamanho médio, Computadores e de Telecomunicações, possuem um porte local muito inferior às suas congêneres que operam em mercados nacionais de economias industrializadas. No entanto, estes mercados em economias periféricas são muitos segmentados, em que as líderes atuam nos segmentos de produtos mais sofisticados, fornecendo para clientes de grande porte ou em nichos, com produtos específicos, semelhantes a bens sob encomenda. No caso de computadores existe uma clara liderança de uma subsidiária de empresa multinacional, Hewlett- Packart, e uma empresa nacional, a Itautec, com vendas líquidas em 2001 no valor de R$ 1,9 bilhões e R$ 1,0 bilhões, respectivamente. A terceira colocada, a empresa nacional TCE, apresenta vendas líquidas pelo menos 10 vezes menor, no valor de R$ 114,0 milhões11 . No caso de telecomunicações, esta situação se repete. As três líderes do mercado são multinacionais, NEC, Alcatel Telecoms e Nortel Networks, com vendas líquidas acima de R$ 1,1 bilhões. As empresas subsequentes no ranking apresentam um patamar substancialmente mais baixo de valor de vendas, todas abaixo de R$ 200 milhões. Esta segmentação se reflete na taxa de concentração, inferior ao esperado em estruturas de mercado como estas, com CR- 4 e CR-8 variando entre 33% e 59%. O mark-up e margem de valor agregado também estão aquém do esperado para a média da indústria, dado o número excessivo de empresas marginais, que em mercados desenvolvidos não teriam espaço competitivo para sobreviverem. Porém, a natureza capital-intensivo e requerimentos de qualificação destes setores explicam os elevados níveis de produtividade do trabalho e salário médio, semelhantes ao dos setores siderúrgico e automotivo. Este padrão competitivo marcado pela segmentação tende a se repetir nos dois setores de equipamentos elétricos, Geradores e Transformadores e Equipamentos de Energia Elétrica. Duas multinacionais, SIEMENS e ABB, dominam os segmentos de equipamentos de geração, transformação e transmissão, a primeira com vendas líquidas em 2001 acima de R$ 3 bilhões e a segunda acima de R$ 1 bilhão. No caso dos segmentos de condutores e componentes elétricos, uma líder é nacional, do GRUPO WEG, e duas são estrangeiras, Furukawa e Pirelli Energia Cabos, com vendas líquidas variando entre R$ 955 milhões e R$ 540 milhões. Em todos estes casos as empresas concorrentes subsequentes no ranking apresentam vendas bem inferiores, algumas delas podendo ser líderes de alguns nichos. Os indicadores de tamanho vão refletir este padrão competitivo de forma ainda mais intensa do que em computadores e telecomunicações, ao passo que as taxas de concentração, mark-up e margem de valor agregado são semelhantes, enquanto os níveis de produtividade são inferiores. As estratégias tecnológicas das empresas nacionais de computadores são essencialmente imitativas, em que o esforço de capacitação 11 está restrito ao desenvolvimento e engenharia de produto. Neste sentido, a dimensão do esforço tecnológico não se assemelha, nem termos relativos e muito menos absoluto, ao que é realizado pelas líderes mundiais (Furtado, 1994: 36). 66 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 63. A diferença dos setores de Automação Industrial e Eletrônicos Básicos em relação BDMG 40 anos aos anteriores é que seus segmentos mais nobres estão praticamente ausentes da estrutura intra-setorial doméstica, que tendeu a se concentrar em alguns nichos, aqueles em que a Lei de Informática foi mais efetiva. Em eletrônicos básicos, são muito frágeis os segmentos estratégicos de semicondutores, circuito integrado digital e circuitos eletrônicos, enquanto que em automação o único setor que os estudos consideram como consolidado é o de automação bancária. Os equipamentos de automação que fornecem estritamente para a indústria de transformação estão ausentes12 . Isto explica porque as duas empresas líderes do setor de automação são empresas nacionais especializadas na produção de equipamentos de automação bancária, PROCOMP e Banco 24 Horas, a primeira com vendas líquidas em 2001 no valor de R$ 650 milhões e a segunda no valor de R$ 180 milhões. As líderes de eletrônicos básicos, por sua vez, são empresas estrangeiras que se beneficiam da Zona Franca de Manaus para realizarem no Brasil atividade limitadas a montagem de componentes, como ocorre com a LG Philips e SANSUNG. Os 4 grupos de indicadores vão refletir estas limitações da indústria eletrônica nacional em seus dois setores tecnologicamente mais nobres e estratégicos na economia mundial. Os indicadores de tamanho médio e salário médio evidenciam esta fragilidade setorial, haja vista que seus níveis são comparáveis ao de ferro-gusa e ferro-ligas, mercado considerado marginal na indústria metalúrgica. A distribuição geográfica das empresas (TAB. 32) revela a forte concentração deste segmento no Estado de São Paulo, de forma ainda mais intensa do que o segmento de máquinas e equipamentos mecânicos. Aparentemente, na maioria setores as empresas paulistas compartilham as vendas com as empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, contabilizado nos indicadores como “outras” unidades da federação, especialmente em Computadores, Telecomunicações 13 , Eletrônicos Básicos e Geradores e Transformadores. No entanto, uma análise mais apurada da origem de capital das empresas líderes mostra que a maioria das firmas com origem de capital em São Paulo ou no exterior possuem subsidiárias na Zona Franca com identidade jurídica própria, condição fundamental para obterem isenção fiscal. Este é o caso, por exemplo, da Itautec em computadores, da PROCOMP em automação, da LG PHILIPS e SAMSUNG em componentes eletrônicos básicos, da Thomson Multimidia em equipamentos de telecomunicações. Como vários estudos já mostraram, as operações das empresas dos setores da eletrônica mais intensivos em conhecimento na Zona Franca se restringem em sua maior parte a atividades de montagem de peças e componentes, com baixa agregação de valor. Os indicadores de produtividade do trabalho e salário médio evidenciam o pequeno conteúdo do processo de manufatura na Zona Franca. A TAB. 35 mostra que à exceção de setor de computadores, que parece estar ocorrendo agregação efetiva de valor, nos demais setores a hipótese de simples montagem parece se confirmar. Em telecomunicações, a produtividade e salário médio das empresas da Zona Franca são, respectivamente, 13% e 51% das paulistas; em eletrônicos básicos, 68% e 47% e em geradores, 41% e 58%. O maior obstáculo para a atração de empresas multinacionais no setor de automação industrial é o pequeno tamanho do mercado 12 doméstico, de porte insuficiente para a obtenção de escala mínima eficiente em termos para a produção destes maquinários. Por outro lado, a difusão em larga escala da automação no processo produtivo da indústria brasileira requereria das empresas usuárias escalas de produção suficientes para compensar os elevados investimentos de adoção (Furtado, 1994). Neste setor a significativa participação da Zona Franca decorre de problema de agregação, já que o sub-setor de áudio e vídeo 13 encontra-se aí incluído. 67 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 64. A ausência de empresas destes setores eletro-eletrônicos nos quatro outros estados é BDMG 40 anos evidenciada pelo indicador de participação no mercado nacional. As empresas sulinas possuem alguma presença em geradores e transformadores e equipamentos elétricos, com empresas classificadas entre as quatro maiores de seus respectivos sub-setores: no Rio Grande do Sul destacam-se a STEMAC em geração e transmissão, e a EBERLE e INTRAL em motores e componentes elétricos; no Paraná localiza-se a FURUKAWA, líder nacional em condutores elétricos; e em Santa Catarina encontra-se a WEG, empresa de capital nacional líder em motores e componentes elétricos. As empresas mineiras só possuem alguma participação em equipamentos elétricos, 5,56%, automação industrial, 5,05% e eletrônicos básicos, 5,82%. Como esperado, esta pequena participação reflete a presença de empresas consideradas marginais nestes mercados, ressalvando-se o sub-setor de condutores elétricos, onde a ALCOA FIOS, de origem canadense, e a CABELTE, de origem lusitana, ocupam, respectivamente, a quinta e sete posições deste segmento de mercado. 68 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 65. TABELA 32 TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) NO MERCADO NACIONAL - INDÚSTRIA ELETRO-ELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 2000 Computadores e Geradores e Equip. Energia Elétrica Telecomunicações Automação Industrial Eletrônicos Básicos Periféricos Transformadores UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. 1.1951 42 1 0,051 6,03 28.7254 1094 1,154 18.5626 2286 5,056 MG 4.084 102 1,38 7.992 124 11.259 144 4,24 SP 80.873 220 40,01 20.406 160 47,66 13.281 138 77,61 184.233 465 63,66 18.936 183 81,21 40.402 247 71,85 1.7203 513 0,223 1,67 19.6694 2684 0,794 3.2237 657 1,327 4.3677 38 7 0,307 RJ - - - 6.632 129 1 1 1 5 5 5 6 6 6 PR 30.395 168 1,63 28.914 319 9,76 10.302 164 5,18 5.463 90 0,14 18.195 126 4,95 5.392 65 1,29 47.2192 251 2 2,532 3,96 34.7494 114 4 0,524 RS 25.260 252 13,11 6.993 97 4.318 82 4,70 34.060 263 5,82 Outras 166.925 316 55,79 32.432 357 27,78 8.846 84 5,56 196.433 444 33,45 5.784 114 2,76 21.931 201 16,50 Brasil 101.145 241 100,00 22.018 211 100,00 11.701 132 100,00 149.019 386 100,00 14.689 155 100,00 29.536 209 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. Máq. e Equip. p/ Escritorioquot; que não possuem representatividade nestes estados. 2 exclusive quot;Fabric.Computadoresquot; cujo os dados não estão disponíveis. 3 exclusive quot;Fabric.Eletrodos, Alarmes e afinsquot; cujo os dados não estão disponíveis. 4 exclusive quot;Fabric. Apar. Receptores de Rádio e TVquot; cujo os dados não estão disponíveis. 5 exclusive quot;Fabric. Apar. Telefonia e Transmissoresquot; cujo os dados não estão disponíveis. Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 6 exclusive quot;Fabric. de Equip. Eletrônicos de Controle da Produçãoquot; cujo os dados não estão disponíveis. 7 calculado através dos resíduos 69 40 anos BDMG
  • 66. BDMG 40 anos 70 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 33 CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - INDÚSTRIA ELETRO-ELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 1996 Computad. e Periféricos Gerad. e Transformad. Equip. Energia Elétrica Telecomunicações Automação Industrial Eletrônicos Básicos UF CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 1 2 15 16,1316 MG 1,47 1,50 0,68 0,72 3,22 4,31 0,50 0,57 5,19 5,19 15,60 SP 40,80 55,96 33,35 38,12 46,24 52,56 22,61 25,90 27,12 39,71 21,15 29,91 0,193 3,274 0,2210 0,2210 18,8411 RJ ... ... 0,19 2,58 0,70 0,89 15,68 2,005 2,005 9,9412 0,8813 PR 2,47 2,80 11,75 12,09 5,98 6,06 9,94 0,88 6 7 7 15 1,3015 RS 2,92 2,92 13,74 14,65 1,93 2,06 0,84 0,88 3,99 5,21 1,30 4,8416 Outras 14,93 21,12 19,27 23,91 2,33 2,88 29,20 48,87 4,83 7,12 7,79 Brasil 40,80 59,38 47,13 59,35 51,63 60,83 33,43 57,56 30,97 46,04 37,80 52,31 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 1 o Estado possui apenas 5 empresas no setor. 2 o Estado possui apenas 6 empresas no setor. 3 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 4 o Estado possui apenas 7 empresas no setor. 5 o Estado possui apenas 3 empresas no setor. 6 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 7 o Estado possui apenas 5 empresas no setor. 8 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 9 o Estado possui apenas 6 empresas no setor. 10 o Estado possui apenas 3 empresas no setor. 11 o Estado possui apenas 5 empresas no setor. 12 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 13 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 14 o Estado possui apenas 6 empresas no setor. 15 o Estado possui apenas 3 empresas no setor. 16 o Estado possui apenas 6 empresas no setor.
  • 67. TABELA 34 PODER DE MERCADO INDÚSTRIA ELETROELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 2000 Computad. e Periféricos Gerad. e Transformad. Equip. Energia Elétrica Telecomunicações Automação Industrial Eletrônicos Básicos UF Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. 2,191 0,971 11,974 0,984 4,666 0,966 MG 3,78 0,96 4,62 0,98 4,88 0,95 SP 8,18 0,97 3,49 0,96 3,92 0,97 5,78 0,93 3,58 0,95 4,63 0,95 0,883 2,544 0,854 RJ - - 2,133 3,07 0,94 ... ... ... ... 7,981 0,981 3,955 0,955 2,546 0,975 PR 5,44 0,98 4,79 0,98 3,88 0,90 5,442 0,982 7,454 0,994 RS 3,56 0,92 3,48 0,89 2,36 0,93 4,88 0,96 Outras 3,92 0,82 4,05 0,95 3,18 0,87 14,80 0,99 4,13 0,96 6,35 0,97 Brasil 5,05 0,89 3,78 0,96 3,91 0,96 7,25 0,87 3,13 0,94 4,88 0,95 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. Máq. e Equip. p/ Escritorioquot; que não possui representatividade nestes estados. 2 exclusive quot;Fabric.Computadoresquot; cujo os dados não estão disponíveis. 3 exclusive quot;Fabric.Eletrodos, Alarmes e afinsquot; cujo os dados não estão disponíveis. 4 exclusive quot;Fabric. Apar. Receptores de Rádio e TVquot; cujo os dados não estão disponíveis. Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 5 exclusive quot;Fabric. Apar. Telefonia e Transmissoresquot; cujo os dados não estão disponíveis. 6 exclusive quot;Fabric. de Equip. Eletrônicos de Controle da Produçãoquot; cujo os dados não estão disponíveis. 71 40 anos BDMG
  • 68. BDMG 40 anos 72 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 35 DESEMPENHO ECONÔMICO INDÚSTRIA ELETROELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 2000 Computadores e Geradores e Equip. Energia Elétrica Telecomunicações Automação Industrial Eletrônicos Básicos Periféricos Transformadores UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. 27.8321 8.4601 0,001 (0,21) 260.4984 16.1724 1,344 78.9246 8.8106 (2,33)6 MG 38.820 6.241 0,44 62.856 8.563 74.420 7.455 0,93 SP 356.961 23.556 1,70 123.301 22.000 0,77 92.986 14.447 1,20 371.297 29.907 0,88 118.274 15.656 2,93 155.621 17.347 3,64 29.9723 9.3053 0,363 62.7244 11.1384 1,474 RJ - - - 48.164 8.546 (1,42) ... ... ... ... ... ... 1 1 1 5 5 0,345 140.8336 23.0736 0,086 PR 177.631 14.711 0,13 89.066 11.603 1,37 61.283 7.763 0,06 48.701 7.055 74.746 11.388 1,36 185.2532 21.8412 2,882 3,65 302.6874 26.7524 0,174 RS 92.302 12.998 (0,20) 64.138 8.641 49.185 13.143 1,08 124.065 13.959 6,18 Outras 436.013 30.443 0,27 87.236 12.839 5,70 92.185 13.042 0,42 48.900 15.287 1,02 48.900 7.720 3,21 105.329 8.299 18,46 Brasil 373.182 26.065 0,97 100.080 16.030 2,07 85.412 12.947 1,06 340.780 24.309 1,03 91.653 14.336 2,43 134.791 14.246 6,14 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Fabric. Máq. e Equip. p/ Escritorioquot; que não possuem representatividade nestes estados. 2 exclusive quot;Fabric.Computadoresquot; cujo os dados não estão disponíveis. 3 exclusive quot;Fabric.Eletrodos, Alarmes e afinsquot; cujo os dados não estão disponíveis. 4 exclusive quot;Fabric. Apar. Receptores de Rádio e TVquot; cujo os dados não estão disponíveis. 5 exclusive quot;Fabric. Apar. Telefonia e Transmissoresquot; cujo os dados não estão disponíveis. 6 exclusive quot;Fabric. de Equip. Eletrônicos de Controle da Produçãoquot; cujo os dados não estão disponíveis.
  • 69. b) Segmento de aparelhos e instrumentos BDMG 40 anos Este é um segmento da eletroeletrônica há muito consolidado no Brasil, constituindo os bens de consumo duráveis chamados leves de consumo final, especialmente o setor de Eletrodomésticos e de Produtos Elétricos, parte destes direcionados para o setor de construção. No caso dos setores Aparelhos Médicos e Aparelhos Ópticos, estão divididos em bens duráveis de consumo final para as famílias, como lentes e óculos, e bens duráveis de consumo para os serviços de saúde, especialmente de uso hospitalar, e serviços industriais, como ocorre com o subsetor Instrumentos de Medição e Precisão. O setor de Eletrodomésticos é considerado maduro tecnologicamente, mas pelas características de bens duráveis possui algum esforço de diferenciação de produto, mesmo que o esgotamento de inovações tecnológicas de produto faça com que as empresas líderes utilizem de seu poderio econômico para a concentração absoluta desta estrutura de mercado, considerando que são world players de um setor bem internacionalizado. Tanto é assim que a taxa de concentração das 4 e 8 maiores empresas é das mais elevadas do conjunto do complexo metal-mecânico, atingindo, respectivamente à elevados níveis de 66% e 78% (TAB. 37). No entanto, sua característica de um oligopólio competitivo, com alguma diferenciação de produto, se mantém, haja vista que não existem elevadas barreiras à entrada de empresas marginais de menor porte, restritas a mercados regionais. Em geral o poder econômico das líderes é exercido via amplitude de suas redes de distribuição e comercialização em nível nacional. Observa-se que o tamanho médio das empresas, R$ 50 milhões, é pequeno relativamente à taxa de concentração das líderes, que reflete o grande porte destas empresas (TAB. 36). O valor médio das vendas líquidas das 4 maiores em 2001, todas de capital estrangeiro, foi de R$ 825 milhões, sendo a maior empresa líder, MULTIBRAS, teve vendas líquidas de R$ 1,6 bilhões. Os elevados mark-up e margem de valor agregado e nível de produtividade, TAB. 38 e 39, refletem este poderio de mercado. Considerando que os eletroportáteis estão contabilizados fora deste setor14 , a Zona Franca de Manaus possui uma participação menor do que esperado, de 10%. As empresas paulistas controlam nada menos do que 67% do mercado nacional, enquanto as empresas paranenses ocupam a segunda posição, com 17%, com a presença da ELETROLUX, não havendo mais espaço neste mercado para empresas de outras unidades da federação. No setor de Produtos Elétricos, a estrutura de mercado é relativamente menos concentrada, com o controle de 56% das vendas líquidas pelas 8 maiores empresas. Isto reflete um menor tamanho médio das empresas, de R$ 22,2 milhões, mas com mark-up próximo ao do setor de eletrodomésticos. A concentração geográfica é também semelhante, voltando as empresas paranaenses a ocuparem a segunda posição, enquanto as empresas fluminense possuem também alguma presença neste mercado. Por fim, as estruturas de mercado de Aparelhos Médicos e Aparelhos Ópticos são semelhantes, com taxas de concentração semelhantes ao setor de Produtos Elétricos, em que as 8 maiores empresas controlam mais 50% do mercado, mas com níveis inferiores de mark-up e tamanho médio das empresas. Neste caso, a predominância das empresas paulistas é relativamente menor, de 51% e 46%, respectivamente. Em Aparelhos Médicos as empresas fluminenses e mineiras aparecem com importante participação no mercado nacional, respectivamente com 22% e 18%, sendo que as empresas mineiras atuam efetivamente no sub- setor de Instrumentos de Medição e Precisão, onde a NANSEN ocupa o terceiro lugar neste Foram incluídos no setor de telecomunicações, no sub-setor de áudio e vídeo. 14 73 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 70. nicho de mercado no país. Este é um mercado em que a política de incentivos poderia fortalecer BDMG 40 anos a posição relativa das empresas de Minas Gerais, havendo escopo para diversificá-las para aparelhos médicos e odontológicos propriamente ditos, considerando que o complexo de serviços médicos e hospitalares em Belo Horizonte é bem desenvolvido nacionalmente, o que ofereceria aos estabelecidos e novos entrantes um mercado regional dinâmico e com escala extra-regional. As empresas estabelecidas no Estado possuem significativa liderança nacional, se tomarmos como referência o indicador de participação das 4 maiores no mercado nacional, de 15,6%, equivalente a das empresas fluminenses e não muito inferior às paulistas. TABELA 36 TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) NO MERCADO NACIONAL - INDÚSTRIA ELETRO-ELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 2000 Eletrodomésticos Prod. Elétricos Apar. Médicos Apar. Ópticos UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. 6591 881 3,081 1.2863 503 1,143 MG 30.863 241 4,41 40.253 430 18,03 SP 63.036 429 66,96 20.846 168 62,39 9.656 101 51,05 8.729 122 46,34 1.2182 3452 8,12 2 18.9734 2964 16,784 RJ 3.786 79 0,46 16.478 286 22,15 5.9175 845 1,055 PR 83.427 602 17,04 35.971 150 13,74 448 44 0,20 1 1 1 3 3 9,143 RS 7.619 201 1,09 11.107 144 2,83 3.167 74 0,85 8.608 87 Outras 35.067 320 10,03 23.609 181 9,52 9.569 161 7,72 18.228 151 25,56 Brasil 50.991 379 100,00 22.224 164 100,00 11.625 149 100,00 11.628 132 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive “Fabric. Pilhas, Baterias e afins” cujo os dados não estão disponíveis. 2 exclusive “Fabric. Pilhas, Baterias e afins” cujo os dados não estão disponíveis, e “Fabric. de Equip. de Iluminação” que não possui representatividade no estado. 3 exclusive “Fabric. de Relógios e Cronômetros” cujo os dados não estão disponíveis. 4 exclusive “Fabric. de Relógios e Cronômetros” que não possui representatividade no estado. 5 Esta UF não possui representatividade na “Fabric. de Relógios e Cronômetros” e os dados sobre “Fabric. de Materiais Ópticos” não estão disponíveis, mas foi possível estimar atrvés dos resíduos. TABELA 37 CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - INDÚSTRIA ELETRO-ELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 1996 UF Eletrodomésticos Prod. Elétricos Apar. Médicos Apar. Ópticos CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 1 4,952 MG 3,26 3,30 0,46 0,61 15,60 16,13 4,84 SP 55,64 61,20 35,43 44,89 21,15 29,91 13,53 18,82 3 4 RJ 1,14 1,16 8,36 8,44 15,68 18,84 7,45 8,14 17,625 0,886 0,886 PR 17,59 7,19 7,87 ... ... 1,307 1,307 6,988 6,988 RS 2,29 2,53 2,64 2,96 Outras 5,60 7,98 3,96 4,84 7,12 7,79 34,64 49,36 Brasil 66,14 78,15 38,88 56,32 37,80 52,31 35,09 55,12 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 1 o estado possui apenas 6 empresas no setor. 2 o estado possui apenas 6 empresas no setor. 3 o estado possui apenas 6 empresas no setor. 4 o estado possui apenas 7 empresas no setor. 5 o estado possui apenas 7 empresas no setor. 6 o estado possui apenas 3 empresas no setor. 7 o estado possui apenas 3 empresas no setor. 8 o estado possui apenas 3 empresas no setor. 74 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 71. TABELA 38 BDMG 40 anos PODER DE MERCADO - INDÚSTRIA ELETRO-ELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 2000 Eletrodomésticos Prod. Elétricos Apar. Médicos Apar. Ópticos UF Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem V.A. V.A. V.A. V.A. MG 6,101 0,951 3,313 0,973 7,41 0,98 3,00 0,97 SP 5,20 0,98 4,30 0,95 4,00 0,97 4,08 0,96 RJ 2 2 4 0,974 3,12 0,98 7,90 0,96 2,75 0,95 3,55 PR 5 5 5,66 0,98 7,55 0,96 1,64 0,96 RS 1 1 3 0,973 2,93 0,95 4,25 0,96 2,14 0,87 3,54 Outras 5,55 0,96 6,43 0,95 4,39 0,97 5,85 0,98 Brasil 5,31 0,98 5,00 0,95 3,44 0,96 4,69 0,97 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive “Fabric. Pilhas, Baterias e afins” cujo os dados não estão disponíveis. 2 exclusive “Fabric. Pilhas, Baterias e afins” cujo os dados não estão disponíveis, e “Fabric. de Equip. de Iluminação” que não possui representatividade no estado. 3 exclusive “Fabric. de Relógios e Cronômetros” cujo os dados não estão disponíveis. 4 exclusive “Fabric. de Relógios e Cronômetros” que não possui representatividade no estado. 5 Esta UF não possui representatividade na “Fabric. de Relógios e Cronômetros” e os dados sobre “Fabric. de Materiais Ópticos” não estão disponíveis. TABELA 39 DESEMPENHO ECONÔMICO - INDÚSTRIA ELETRO-ELETRÔNICA DE APARELHOS E INSTRUMENTOS, 2000 UF Eletrodomésticos Prod. Elétricos Apar. Médicos Apar. Ópticos Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. 105.0591 8.4271 3,371 24.7473 4.7903 2,293 MG 125.530 9.684 3,17 90.593 16.954 3,51 SP 144.064 15.847 5,02 118.274 15.182 2,64 92.646 14.199 4,73 68.990 9.960 5,16 268.8472 16.1432 4,882 22.2414 10.5284 0,104 RJ 47.009 9.588 0,07 54.717 11.821 2,06 ...5 ...5 ...5 PR 136.099 14.955 1,39 230.268 15.302 0,26 9.776 4.640 - 1 1 1 3 3 7,013 RS 35.749 8.174 0,96 74.633 10.889 1,14 37.237 9.724 0,14 97.320 18.317 Outras 104.782 11.237 1,47 125.329 9.885 1,79 57.921 7.996 1,22 119.272 11.985 2,05 Brasil 131.588 14.467 3,90 131.157 14.224 2,40 75.291 13.271 3,61 86.518 11.080 3,16 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive “Fabric. Pilhas, Baterias e afins” cujo os dados não estão disponíveis. 2 exclusive “Fabric. Pilhas, Baterias e afins” cujo os dados não estão disponíveis, e “Fabric. de Equip. de Iluminação” que não possui representatividade no estado. 3 exclusive “Fabric. de Relógios e Cronômetros” cujo os dados não estão disponíveis. 4 exclusive “Fabric. de Relógios e Cronômetros” que não possui representatividade no estado. 5 Esta UF não possui representatividade na “Fabric. de Relógios e Cronômetros” e os dados sobre “Fabric. de Materiais Ópticos” não estão disponíveis. 75 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 72. 1.7.4. Indústria de material de transportes BDMG 40 anos A indústria de Material de Transportes há muito tem a característica de uma indústria mundial, onde efetivamente ocorre a luta competitiva pelo mercado global. Sua organização industrial é bem delimitada, na forma centro-radial, em que as empresas âncora, montadoras do veículo final, se integram em uma cadeia vertical de fornecedores através de uma hierarquia bem definida, que progride verticalmente de produtores de partes e componentes específicos para produtores de produtos acabados compostos por módulos ou conjuntos sistêmicos, por isto mesmo denominados de sistemistas. Ou seja, existe uma estrutura de coordenação bem definida nas relações intersetoriais de insumo-produto, em que a empresa-âncora exerce efetivamente uma relação oligopsônica com seus fornecedores. As relações contratuais vão refletir este poder econômico da empresa-âncora, na definição do preço, especificação, qualidade e prazo de entrega do produto, o que resulta formas contratuais recorrente de duração variada, dependendo da especificidade do ativo tecnológico do produto. Esta forma de organização industrial explica porque a evolução das estruturas de mercado dos setores de cada cadeia vai ser ditado em grande medida pelo processo de competição que as empresas âncora estabelecem entre si, quer seja no segmento automotivo, de aeronaves, de embarcações ou locomotivas. Tendo em vista que o Brasil só possui vantagens comparativas no mercado mundial nos segmentos automotivo e de aeronaves, a análise a seguir estará restrita a estes segmentos, especialmente ao segmento automotivo, em que as empresas sediadas em Minas Gerais possuem presença competitiva no mercado nacional e internacional. A estrutura de mercado dos setores montadores de veículos deste dois segmentos é o caso clássico de oligopólio concentrado-diferenciado, que combina no processo competitivo o esforço de diferenciação de produto com o de redução de custos via exploração economias de larga escala. Estas duas armas competitivas definem no longo prazo os ganhadores e perdedores, tendo em vista que o poder econômico em si não é eficiente como instrumento de competição já todas os competidores são de grande porte e bem estruturados financeiramente. Uma forma de ampliação de participação no mercado via redução de preços resultaria em perdas generalizadas para todos os contendores, pois a reação seria em forma de guerra de preços, que comprometeria individualmente as margens de lucro de todas as firmas. Desta forma, este tipo de estrutura oligopólica opera através de uma estratégia de “maximização conjunta” dos lucros da indústria, na forma de acordos tácitos de colusão que permitem administrar as margens médias de mark-up de todas firmas. A evolução interna da concentração das vendas e centralização do capital resulta deste processo combinado de eficiência do esforço inovativo de produto e exploração de ganhos de escala técnica. É conhecido na literatura especializada que atualmente o segmento da indústria automotiva encontra-se maduro tecnologicamente e que a velocidade de introdução de novos produtos tem sido muito mais incremental do que radical, ao passo que, paradoxalmente, o escopo para exploração de economias técnicas de escala ampliou-se significativamente com a difusão no processo produtivo da indústria dos bens da capital da microeletrônica. Este duplo fenômeno explica porque a característica de mercado concentrado tem prevalecido sobre a característica de diferenciação de produto nesta estrutura industrial, o que tem levado, como última consequência, em forte centralização de capital de toda a cadeia produtiva, incluindo as empresas fornecedoras. A crescente automação dos processos de montagem tem possibilitado a chamada produção enxuta e, assim, a ampla difusão de sistemas organizacionais de interação estreita e contínua dentro da cadeia, facilitando o processo de cooperação produtor-usuário. Isto abriu 76 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 73. cominho para diversas formas de cruzamento de capitais entre as empresas, quer seja das BDMG 40 anos montadoras com seus fornecedores diretos, quer seja horizontalmente entre os fornecedores de grande porte, que passam a atuar em diversas linhas de peças e componentes. O resultado é que esta indústria tem vivido desde o início dos anos 90 um intenso processo de reestruturação, sendo atualmente muito mais concentrada e centralizada do que anteriormente. A indústria automotiva brasileira tem refletido este processo já que se constitui atualmente em uma importante plataforma de produção mundial. A maior particularidade no mercado nacional é que nem todos os world players estavam estabelecidos quando iniciou o processo de reestruturação. Aqueles estabelecidos há mais tempo possuem vantagens significativas sobre os novos entrantes, desde a inserção da marca até a rede de nacional de comercialização e assistência técnica, aspectos críticos para o sucesso do negócio nesta estrutura de mercado. Observa-se, TAB. 41, que a taxa de concentração dos 4 maiores fabricantes (CR-4) de automóveis em 1996 atingia a quase totalidade das vendas do setor, o que possivelmente tendeu a reduzir ao longo dos últimos anos com os novos entrantes mas não alterou o controle substantivo do mercado pelos estabelecidos. No caso de caminhões e ônibus, o CR-4 é relativamente mais baixo, mas ainda assim muito elevado principalmente quando consideramos a taxa de concentração pelos 8 maiores fabricantes (CR-8). Esta diferença deve-se em parte à segmentação no setor entre caminhões pesados e leves, sub-mercados dominados por empresas diferentes, que possuem em comum o fato do controle de seus capitais serem vinculados a empresas montadoras de automóveis. Além disso, os segmentos de ônibus e, especialmente, carrocerias são bem menos concentrados, que refletir no indicador médio de concentração. Por isto nota-se um forte contraste entre o tamanho médio e pessoal ocupado médio do setor automobilístico com o setor de caminhões e ônibus e os dois setores de peças e componentes, sendo que estas diferenças replicam nos indicadores de poder de mercado (mark-up) e desempenho (produtividade do trabalho e salário médio), como mostram as TAB. 40, 42 e 4315 . No caso do setor de Peças e Acessórios os CR-4 e CR-8 são baixos, mesmo levando em conta o conjunto dos setores do complexo metal-mecânico. Neste sentido, o processo articulado de concentração de mercado e centralização do capital dos anos 90 não está refletindo nestas taxas. A primeira razão para isto é o nível de agregação deste setor, que incluí uma gama variada e heterogênea de produtos e de produtores. Na base da cadeia existe na verdade um significativo número de produtores, chamados de segundo e terceiro níveis, fornecedores de peças e componentes para produtores, os de primeiro nível, que realizam a montagem de conjuntos e sub-conjuntos a serem entregues às montadoras. A segunda razão está relacionada à forma de organização jurídica das firmas de primeiro nível, que tendem a possuir razões sociais diferentes por tipo de produto ou conjunto e por localização geográfica, inclusive por razões de incentivos fiscais. O fato do setor de Material Elétrico para Autos ter um nível adequado de desagregação evidencia melhor o nível de concentração efetiva do mercado em autopeças, apresentando CR- 4 e CR-8 de 66% e 83%, respectivamente, que podem ser considerados muito elevados. A distribuição geográfica dos setores da cadeia automotiva, TAB. 40, evidencia também sua tendência a apresentar elevados níveis de concentração espacial, condição fundamental para ganhos de economias externas de aglomeração. O fato que mais chama atenção é que a guerra fiscal entre as unidades da federação na década de 90 para atração desta cadeia não teve um efeito significativo para a sua desconcentração do Estado de São Paulo, principalmente se Para o setor automobilístico disponíveis apenas para São Paulo. 15 77 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 74. levarmos em conta que mais de 20% da produção de automóveis já se encontrava em Minas BDMG 40 anos Gerais. O segundo fato relevante é a pequena participação das empresas sediadas em Minas no mercado nacional de autopeças, 7,07%, depois de todo esforço de mineirização de fornecedores realizado pela Fiat e o governo do Estado nos anos 90. As empresas mineiras possuem uma participação inferior a das empresas gaúchas, sendo desproporcional ao peso do Estado no setor automobilístico. Estão pouco presentes na cadeia local importantes segmentos de fornecedores, tais como fabricantes de peças e acessórios para os sistemas de marcha e transmissão, para o sistema de freios e para o sistema de direção e suspensão. O Paraná apresenta também dificuldades semelhantes relativas à intensidade de adensamento de sua cadeia local, enquanto que no caso do Rio Grande do Sul os sub-setores de especialização local estão diretamente relacionados ao setor de caminhões e ônibus, inclusive carrocerias, que possui 15% do mercado nacional. À luz de pesquisas anteriores tratadas na literatura16 , pode-se afirmar que as atividades relacionadas aos níveis mais altos da cadeia produtiva da indústria automobilística, sobretudo aquelas de maior valor agregado, associadas à engenharia mais complexa de fabricação ou montagem de veículos, estão localizadas nas proximidades da microrregião de São Paulo, se beneficiando da complexidade do tecido industrial do Estado, que se mostra altamente integrado. Portanto, a relevância do Estado paulista não se limita à quantidade de plantas e de elos da cadeia produtiva da indústria automobilística e, consequentemente, ao volume total de emprego gerado. Sua posição também de destaca em virtude da qualidade das atividades realizadas, tais como atividades de projeto de produto, o que demonstra um maior enraizamento espacial da cadeia produtiva. Isto se torna mais evidente quando se considera o fato de que, nos novos sítios de localização das plantas do setor automotivo, os componentes e autopeças de maior complexidade são gerados, na maioria das vezes, em suas matrizes localizadas no Estado de São Paulo. Uma explicação para esse fenômeno está no fato de que, com o sistema de produção modular, os novos sítios das unidades produtivas realizam poucas operações internamente, se constituindo algumas vezes mais em depósitos de peças e componentes para viabilizar o just-in-time com a montadora no local do que uma nova plataforma de produção. Assim, uma parte significativa dos componentes e das peças é processada em outras plantas fabris, as quais permanecem localizadas nos sítios originais. Ou, em alguns casos, verifica-se também a discrepância das atividades relacionadas a um único produto entre as plantas de uma mesma empresa, as quais estão distribuídas em espaços distintos. No caso do setor de aeronaves os dados confirmam a grande concentração desta atividade em São Paulo, onde se encontra a empresa âncora nacional do setor, a EMBRAER. No entanto, os dados fechados para Minas não revelam que o Estado possui atuação no nicho de helicópteros, através da HELIBRÁS, com vendas líquidas em 2001 da ordem de R$ 95 milhões, que pode se constituir em um foco particular de política seletiva de incentivos na indústria de material de transportes no Estado. Ver, por exemplo, Ferreira e Lemos (2002). 16 78 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 75. TABELA 40 TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) NO MERCADO NACIONAL INDÚSTRIA DE MATERIAL DE TRANSPORTES, 2000 Automóveis Caminh. e Ônibus Peças e Acessórios Mat. Elét.- Auto Embarcações e outros Veic. Ferroviários Aeronaves UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. 1 1 1 4 4 4 MG ... ... 11.102 162 0,73 17.374 190 7,07 16.884 282 4,26 2.040 65 0,26 2.747 130 2,71 ... ... ... SP 2.777.611 8.103 72,71 36.382 624 65,95 34.407 277 77,87 77.450 647 91,20 8.302 111 12,97 33.186 260 87,31 472.530 910 93,91 6.4711 1561 0,561 8.2562 1622 4,902 RJ ... ... ... 6.376 125 0,88 - - - ... ... ... 63.578 355 4,59 1 1 1 3 3 3 PR ... ... ... 8.683 150 1,42 17.223 114 4,52 ... ... ... 2.685 38 0,25 ... ... ... - - - 4.4174 484 0,694 RS ... ... ... 4.456 516 15,17 25.825 230 7,79 ... ... ... - - - ... ... ... 13.3621 1731 4,221 Outras ... ... ... 5.827 94 1,87 33.264 590 3,73 73.639 236 80,54 ... ... ... ... ... ... Brasil 2.056.929 5.401 100,00 73.990 377 100,00 27.076 230 100,00 61.495 561 100,00 26.890 150 100,00 20.272 251 100,00 307.496 657 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 inclui apenas “Fabric. de Carrocerias e Reboques”. Dados para “Fabric. de Caminhões e Ônibus” não estão disponíveis. 2 exclusive “Fabric. de Outros Equipamentos de Transporte” cujo os dados não estão disponíveis. 3 exclusive “Constr. de Embarcações” que não possui representatividade neste Estado. 4 exclusive “Constr. de Embarcações” cujo os dados não estão disponíveis. Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 79 40 anos BDMG
  • 76. BDMG 40 anos 80 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 41 CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - INDÚSTRIA DE MATERIAL DE TRANSPORTES, 1996 Automóveis Caminh. e Ônibus Peças e Acessórios Mat. Elét.-auto Embarcações e outros Veic. Ferroviários Aeronaves UF CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 0,318 2,969 2,969 MG ... ... 1,59 1,62 5,00 6,40 ... ... 0,31 ... ... 1 10 68,604 SP 77,22 77,30 60,53 66,29 14,01 24,20 64,44 77,53 13,79 15,94 64,39 64,39 67,62 2 5 23,785 RJ - - 1,63 1,71 0,74 0,95 ... ... 14,98 15,63 ... ... 23,78 2,906 PR - - 9,66 10,15 0,48 0,64 - - 2,83 - - - - 3 3 RS - - 11,76 13,62 6,27 7,33 0,12 0,12 ... ... - - ... ... 9,194 5,437 Outras ... ... 3,15 3,38 1,49 1,92 9,19 46,34 52,14 5,43 ... ... Brasil 99,12 100,00 67,94 81,75 14,01 24,51 66,27 82,63 55,00 70,84 87,58 97,84 94,30 98,44 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 1 o Estado possui apenas 6 empresas no setor. 2 o Estado possui apenas 7 empresas no setor. 3 o Estado possui apenas 3 empresas no setor. 4 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 4 o Estado possui apenas 7 empresas no setor. 5 o Estado possui apenas 3 empresas no setor. 6 o Estado possui apenas 6 empresas no setor. 7 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 8 o Estado possui apenas 6 empresas no setor. 9 o Estado possui apenas 3 empresas no setor. 10 o Estado possui apenas 4 empresas no setor.
  • 77. TABELA 42 PODER DE MERCADO INDÚSTRIA DE MATERIAL DE TRANSPORTES, 2000 Automóveis Caminh. e Ônibus Peças e Acessórios Mat. Elét.-auto Embarcações e outros Veic. Ferroviários Aeronaves UF Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem Mark-up Margem V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. 2,874 0,904 3,751 0,941 MG ... ... 2,85 0,86 4,19 0,94 1,68 0,87 ... ... SP 6,06 0,98 4,71 0,95 3,72 0,93 4,94 0,97 3,25 0,93 2,45 0,82 9,73 0,99 2,754 0,964 1,802 0,712 RJ ... ... 2,71 0,96 - - ... ... 3,80 0,94 3,264 0,954 6,343 0,943 PR ... ... 6,90 0,97 ... ... ... ... - - 5,911 0,951 RS ... ... 4,86 0,96 3,69 0,94 ... ... - - - ... 0,974 Outras ... ... 4,321 3,55 0,90 3,77 0,98 9,71 0,98 ... ... ... ... Brasil ... ... 5,27 0,84 3,70 0,93 4,89 0,96 6,56 0,96 2,69 0,82 9,20 0,99 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Constr. de Embarcaçõesquot; cujo os dados não estão disponíveis. 2 exclusive quot;Fabric. de Outros Equipamentos de Transportequot; cujo os dados não estão disponíveis. 3 exclusive quot;Constr. de Embarcaçõesquot; que não possui representatividade neste estado. 4 inclui apenas quot;Fabric. de Carrocerias e Reboquesquot;, dados para quot;Fabric. Caminhões e Ônibusquot; não estão disponíveis. Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 81 40 anos BDMG
  • 78. BDMG 40 anos 82 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 43 DESEMPENHO ECONÔMICO INDÚSTRIA DE MATERIAL DE TRANSPORTES, 2000 Automóveis Caminh. e Ônibus Peças e Acessórios Mat. Elét.- Auto Embarcações e outros Veic. Ferroviários Aeronaves UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. 61.6014 11.2544 0,054 29.7221 4.7451 2,811 MG ... ... ... 78.485 13.644 10,63 56.478 6.961 2,54 18.353 5.767 4,25 ... ... ... SP 336.773 34.491 3,38 242.696 28.467 2,76 115.767 16.677 3,47 115.878 13.234 4,71 69.047 11.928 2,12 104.293 20.227 4,03 515.060 33.585 0,55 40.0284 9.8364 0,834 35.9992 8.6402 0,512 RJ ... ... ... 48.825 11.545 10,85 - - - ... ... ... 168.872 22.669 1,55 55.2234 11.3134 (0,04)4 66.0413 6.0423 0,453 PR ... ... ... 146.412 11.293 2,06 ... ... ... ... ... ... - - - 1 1 1 RS ... ... ... 120.198 14.252 1,37 105.491 15.218 5,04 ... ... ... 88.451 7.496 0,46 - - - ... ... ... 75.2914 10.3054 1,934 Outras ... ... ... 56.073 7.928 10,69 55.220 8.561 5,21 305.650 15.470 3,00 ... ... ... ... ... ... Brasil ... ... ... 173.692 21.058 2,39 109.154 15.679 4,19 106.714 12.393 4,64 174.329 12.812 2,78 90.737 17.946 4,04 472.059 32.230 0,59 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Constr. de Embarcaçõesquot; cujo os dados não estão disponíveis. 2 exclusive quot;Fabric. de Outros Equipamentos de Transportequot; cujo os dados não estão disponíveis. 3 exclusive quot;Constr. de Embarcaçõesquot; que não possui representatividade neste estado. 4 inclui apenas quot;Fabric. de Carrocerias e Reboquesquot;. Dados para quot;Fabric. de Caminhões e Ônibusquot; não estão disponíveis.
  • 79. BDMG 40 anos 1.8. Liderança de empresas dos setores agroindustriais A análise da liderança de empresas do complexo agroindustrial será baseada na classificação a três dígitos da CNAE, constituída por nove setores à jusante da agricultura e 2 setores à montante: Carnes, Frutas e Legumes, Óleos e Gorduras, Laticínios, Moagem de Cereais, Açúcar e Álcool, Café, Alimentos Diversos e Bebidas (agroindústria); e químicos inorgânicos e defensivos agrícolas (insumos químicos)17 . 1.8.1. Agroindústria Como analisado em Lemos (1992), a agroindústria possui uma organização produtiva no formato de cadeias por produtos, em que pese que os avanços tecnológicos da década de 90, especialmente da biotecnologia, tenham flexibilizado em parte esta rigidez mono-produto das cadeias. Neste sentido, a análise das estruturas de mercado e liderança de empresas segue em grande parte esta característica organizacional, em que a estratégia de crescimento das empresas agroindustriais tende a seguir o controle vertical de uma ou mais cadeias. No entanto, nos segmentos finais de segundo processamento de produtos preparados e fabricados de alimentos com o uso de vários ingredientes, existe uma estratégia horizontal de crescimento das empresas, em que a rigidez da cadeia mono-produto é claramente quebrada. O nível de agregação a três dígitos não possibilita, porém, esta análise mais refinada das estruturas de mercado18 . Mesmo assim, ao longo da análise tomar-se-á o cuidado de salientar estas diferenças, quando se fizer necessário. Com exceção dos setores de Alimentos Preparados, Diversos e Bebidas, as firmas dos demais setores da agroindústria têm sua origem a partir de uma cadeia mono-produto, condição fundamental para sua acumulação de capital inicial para posterior diversificação em produtos finais de segundo processamento, que abre caminho para seu esforço de horizontalização. Assim, a estrutura de mercado original do segmento de primeiro processamento da agroindústria é de oligopólio competitivo, ou seja, são mercados que possuem uma liderança bem definida de grandes empresas que dominam uma parcela não desprezível destes mercados, ao mesmo tempo em que existe espaço nestas estruturas concorrenciais para a existência de empresas de pequeno e médio portes, que possuem alguma facilidade de entrada e saída sem incorrerem em custos irrecuperáveis elevados. Isto é possibilitado pela natureza de produtos homogêneos oriundos da agricultura, que exigem um nível de capacitação tecnológica relativamente baixo, pois os métodos de processamento são baseados em tecnologias tangíveis, na forma de máquinas e equipamentos, disponíveis no mercado. A heterogeneidade de tamanho das empresas é também significativa entre os setores, TAB. 44, em função das diferentes oportunidades de mercado de cada cadeia. O setor de Óleos e Gorduras é o que possui o maior tamanho médio, estando fortemente integrado à cadeia internacional de soja e derivados, sendo as exportações um espaço privilegiado de expansão setorial e atuação das empresas líderes. Por isto mesmo é o setor agroindustrial mais concentrado, com CR-4 e CR-8 próximos aos de “oligopólio concentrado” (TAB. 45), que tem possibilitado A CNAE não disponibiliza a informação desagregada de “adubos e fertilizantes” no setor de Químicos Inorgânicos. O setor de 17 Máquinas e Equipamentos Agrícolas foi analisado na Indústria Mecânica. O nível de desagregação mais adequado de análise é a 4 dígitos da classificação industrial, conforme Lemos (1992). 18 83 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 80. mark-ups muito elevados, 14,44, bem acima da média dos setores do complexo metal-mecânico BDMG 40 anos (TAB. 46). O aumento de ganhos de escala via significativa ampliação da escala técnica eficiente mínima significou nos últimos anos maiores requerimentos de capital e elevado nível de produtividade do trabalho (TAB. 47). Espacialmente, reflete o forte crescimento nesta cadeia das empresas sediadas nos estados do Centro-Oeste, contabilizados em “outros”, ao mesmo tempo em que as empresas sediadas em São Paulo ainda mantêm uma participação significativa. A elevada participação no mercado nacional das 4 maiores empresas paulistas e do Centro-Oeste, de 37% e 25%, respectivamente reflete esta liderança regional espacialmente concentrada. Por outro lado, as empresas do Paraná e, em maior medida do Rio Grande do Sul, perdem muita posição relativa e se tornam parceiros menores nesta cadeia. No caso de Minas Gerais, a participação estadual de 2% no mercado reflete a presença de apenas uma empresa de grande porte, a CARGILL. Em seguida vêm os setores de Carnes e de Açúcar e Álcool, que operam em suas cadeias com empresas de tamanho médio bem abaixo daquele das empresas da cadeia de óleos, mas mesmo assim de tamanho significativo para os parâmetros da agroindústria, em torno de R$ 45 milhões. Como se sabe, as empresas líderes do setor de carnes experimentaram nos anos 80 uma estratégia de verticalização à jusante em direção a produtos preparados de carne, com diversificação horizontal da carne de aves e suínos para a bovina. Nos anos 90 esta diversificação se completa para uma linha mais completa de produtos preparados. Mesmo assim os níveis de concentração são moderados, indicando que a maioria dos produtores de menor porte continuam restritos à primeira transformação, ou seja, o abate de animais. No caso do setor de Açúcar e Álcool os níveis de concentração também são moderados, mas neste caso a principal razão é o escopo limitado de diversificação e principalmente de diferenciação, ao passo que a heterogeneidade intra-setorial das empresas é menor. No caso de carnes, o domínio do mercado nacional é claramente das empresas catarinenses (“outros”), especialmente a SADIA, PERDIGÃO e SEARA, que atuam como pessoas jurídicas próprias no Estado de São Paulo. No caso de cadeia sucro- alcooleria, o domínio das usinas paulistas é muito consolidado, com presença marginal de empresas nordestinas (“outros”). A presença de empresas de menor porte ao lado das empresas líderes é ainda mais pronunciado nos setores de Laticínios, de Moagem e Frutas e Legumes, como mostra o indicador de tamanho médio. No entanto, as taxas de concentração, CR-4 e CR-8, são relativamente elevadas, indicando uma forte segmentação nestes mercados, especialmente o de laticínios, entre empresas líderes que dominam as vendas de produtos diferenciados de marca no mercado nacional, e empresas de pequeno porte, que atuam em mercado regionais com uma linha de produtos tradicional, com baixos requerimentos tecnológicos. Mesmo assim, os mark-up médio e níveis de produtividade do trabalho ainda são elevados, pelo significativo peso das líderes na produção setorial nacional. Estas características dos dois setores estão, neste caso, bem demarcadas setorialmente. Em laticínios, as empresas paulistas são líderes e dominam parte significativa do mercado nacional, como indicam as taxas de concentração das 4 e 8 maiores do Estado. As mineiras, por sua vez, apresentam um descompasso entre a significativa participação do conjunto na produção nacional, 26%, e a participação das líderes, de apenas 9%, e isto graças ao peso isolado da Itambé. O caso do setor de moagem, especialmente trigo, este quadro é parecido, mas agora entre as empresas paulistas e gaúchas. A situação mais gritante da fragilidade das empresas mineiras ocorre no setor de Café, pois a liderança do Estado na produção primária deste produto não corresponde à liderança no elo industrial de moagem, torrefação e produtos derivados, onde as empresas paranaenses e paulistas exercem clara liderança. As taxas de concentração das 4 e 8 maiores por Estado denunciam esta realidade, que surge como um gargalo importante da agroindústria estadual. Este gargalo é de 84 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 81. difícil superação haja vista a elevada concentração das líderes do mercado nacional, entre os BDMG 40 anos maiores níveis da agroindústria brasileira. Observa-se a grande heterogeneidade de mark-up e níveis de produtividade segundo a origem estadual de capital das empresas que revelam cabalmente as desvantagens das empresas mineiras do setor. Como era de se esperar, nos setores de produtos alimentares preparados, Alimentos Diversos, e Bebidas, existe uma ampla variedade de produtos que dificultam uma análise mais cuidadosa. De qualquer forma São Paulo possui significativa participação haja vista que este tipo de indústria tende a ter um comportamento weberiano de estar próximo ao mercado final de consumo, principalmente no caso de bebidas. A participação das empresas mineiras nestes dois setores no mercado nacional é claramente minoritária. TABELA 44 TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) NO MERCADO NACIONAL AGROINDÚSTRIA, 2000 Carnes Frutas e Legumes Óleos e Gorduras UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. 242.3691 1851 2,021 MG 13.061 235 3,23 13.573 206 3,79 SP 58.799 547 32,18 48.818 265 66,91 347.008 567 43,46 RJ 8.699 199 1,24 1.440 46 0,26 - - - PR 35.934 361 7,35 11.082 82 1,69 223.642 551 9,34 RS 42.968 419 13,49 10.708 204 5,71 58.166 207 3,89 Outras 60.757 583 42,50 16.727 353 21,65 137.346 355 41,29 Brasil 46.389 463 100,00 26.267 265 100,00 184.238 398 100,00 Laticínios Moagem Cereais Açúcar e Álcool UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. MG 26.075 161 26,27 18.991 129 7,37 18.685 364 1,72 SP 59.246 399 40,21 46.781 235 41,77 87.305 365 70,46 17.8842 2812 0,942 RJ 10.827 107 1,52 20.296 195 0,61 PR 41.093 231 7,84 21.148 143 9,31 35.551 451 4,90 RS 56.205 253 8,34 23.581 128 20,14 - - - Outras 12.814 102 14,81 15.176 107 20,62 31.883 890 21,97 Brasil 29.286 193 100,00 25.171 147 100,00 56.028 572 100,00 Café Alim. Diversos Bebidas UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. MG 10.464 112 9,95 2.572 85 2,38 16.230 197 3,09 SP 22.304 143 26,19 30.828 247 59,05 45.860 243 29,47 RJ 6.709 104 2,63 8.500 117 6,57 157.922 654 25,89 PR 52.466 286 29,33 6.852 117 3,12 21.059 177 3,45 1 1 1 RS 19.203 114 1,07 9.780 152 5,30 30.774 202 5,85 Outras 11.489 137 30,83 14.178 180 23,57 34.142 219 32,24 Brasil 17.198 146 100,00 15.938 172 100,00 43.567 251 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 calculado através dos resíduos 2 exclusive quot;Prod. de Álcoolquot; cujo os dados não estão disponíveis 85 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 82. BDMG 40 anos 86 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro TABELA 45 CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - AGROINDÚSTRIA, 1996 Carnes Frutas e Legumes Óleos e Gorduras Laticínios Moagem Cereais Açúcar e Álcool Café Alim. Diversos Bebidas UF CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 MG 1,05 1,59 2,38 2,77 ... ... 7,01 8,59 5,82 6,72 1,36 2,05 7,32 8,25 3,16 3,83 3,47 3,88 SP 6,46 10,00 40,01 52,00 37,30 41,91 39,63 49,14 24,16 31,56 8,32 14,23 34,36 39,11 12,78 19,66 30,28 39,27 RJ 2,85 4,47 0,91 0.951 - - 1,32 1,70 1,08 1.083 3,16 3,60 1,54 2,28 9,67 10,02 7,04 8,24 PR 10,06 10,86 1,66 1.712 13,08 16,23072988 4,86 5,37 2,96 4,26 3,10 4,70 21,29 23,72 2,35 3,26 3,97 4,12 RS 6,28 8,74 3,60 4,06 6,62 7,70 5,06 5,70 9,78 13,25 - - 1.004 1.004 2,13 3,33 2,51 3,14 Outras 26,28 30,80 6,57 10,52 24,44 28,65 3,11 4,55 4,24 7,05 4,58 7,40 8,42 13,54 16,18 19,26 9,97 13,59 Brasil 30,97 40,82 40,01 52,00 51,65 66,82 39,63 52,94 25,79 38,00 8,68 15,13 48,15 59,53 23,98 34,94 32,21 45,88 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 1 este Estado possui apenas 6 empresas no setor. 2 este Estado possui apenas 5 empresas no setor. 3 o Estado possui apenas 4 empresas no setor. 4 o Estado possui apenas 3 empresas no setor.
  • 83. TABELA 46 PODER DE MERCADO - AGROINDÚSTRIA - 2000 Carnes Frutas e Legumes Óleos e Gorduras Laticínios Moagem Cereais Açúcar e Álcool Café Alim. Diversos Bebidas UF Mark - up Margem Mark - up Margem Mark - up Margem Mark - up Margem Mark - up Margem Mark - up Margem Mark - up Margem Mark - up Margem Mark - up Margem V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. V.A. MG 6,31 0,95 4,31 0,93 ... ... 9,74 0,97 8,67 0,96 3,20 0,90 6,23 0,97 4,09 0,96 4,72 0,98 SP 7,73 0,97 5,82 0,91 12,10 0,97 5,64 0,97 6,04 0,95 7,27 0,94 6,02 0,97 4,70 0,96 7,30 0,97 3,961 0,911 RJ 4,32 0,96 3,05 0,92 - - 8,61 0,97 5,44 0,91 5,77 0,98 4,73 0,95 5,91 0,97 PR 8,06 0,97 9,44 0,97 13,80 0,97 8,26 0,97 9,93 0,98 4,90 0,92 5,28 0,93 4,38 0,96 5,49 0,98 RS 7,40 0,97 6,38 0,96 9,55 0,96 11,28 0,97 8,95 0,96 - - ... ... 4,88 0,96 7,03 0,98 Outras 6,64 0,96 5,50 0,96 12,90 0,96 9,28 0,97 8,84 0,97 3,58 0,90 7,09 0,96 5,00 0,96 7,61 0,97 Brasil 7,09 0,96 5,72 0,93 12,44 0,94 7,46 0,97 7,44 0,96 5,68 0,96 11,92 0,94 4,77 0,96 6,72 0,97 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Prod. de Álcoolquot; cujo os dados não estão disponíveis. Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica 87 40 anos BDMG
  • 84. TABELA 47 BDMG 40 anos DESEMPENHO ECONÔMICO - AGROINDÚSTRIA, 2000 Carnes Frutas e Legumes Óleos e Gorduras UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. MG 52.844 4.233 0,34 61.320 6.251 2,49 ... ... ... SP 103.948 7.056 1,37 168.441 10.695 3,40 592.349 19.164 0,41 RJ 41.781 5.638 0,45 28.869 5.122 0,69 - - - PR 96.557 6.327 1,03 131.024 7.302 0,40 393.161 10.976 0,33 RS 98.964 7.106 1,30 50.516 4.234 1,95 270.042 12.105 (1,31) Outras 100.178 8.148 2,23 45.384 4.429 2,77 371.522 9.676 1,99 Brasil 96.460 7.249 1,66 92.165 6.813 3,08 440.387 13.111 0,83 Laticínios Moagem Cereais Açúcar e Álcool UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. MG 157.685 7.894 2,13 142.050 7.912 2,59 141.622 7.620 0,47 SP 144.124 13.727 1,91 189.764 15.445 1,79 224.375 11.781 1,62 1 1 0,951 RJ 97.775 5.438 1,32 94.999 6.725 3,15 58.043 7.263 PR 172.582 10.746 5,33 144.806 7.854 0,83 153.638 14.371 1,41 RS 215.009 8.153 6,62 176.844 9.181 1,66 - - - Outras 121.670 6.581 1,81 136.692 7.314 1,54 32.096 4.261 1,86 Brasil 147.638 10.173 2,60 163.998 10.677 1,69 97.342 6.971 1,59 Café Alim. Diversos Bebidas UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. Médio Invest. MG 90.302 7.967 0,57 28.861 4.257 1,61 80.863 10.199 0,90 SP 151.058 14.174 1,25 120.105 13.891 2,04 182.959 16.761 1,03 RJ 63.479 6.594 0,58 68.904 8.402 1,95 233.766 16.291 0,47 PR 169.745 13.427 0,42 56.083 7.752 1,70 116.588 13.086 1,98 RS ... ... ... 61.818 7.444 2,59 148.954 12.031 (0,42) Outras 80.966 5.780 1,73 75.298 8.405 1,65 151.652 10.611 4,11 Brasil 112.131 9.220 1,07 89.057 10.404 1,95 168.889 13.531 1,82 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 1 exclusive quot;Prod. de Álcoolquot; cujo os dados não estão disponíveis. 1.8.2. Insumos químicos Dois setores compõem os insumos químicos à montante do agronegócio, os defensivos agrícolas e os químicos inorgânicos, constituídos em grande parte pela fabricação de intermediários para fertilizantes e fabricação de fertilizantes fosfatados, nitrogenados e potássios. Os defensivos agrícolas compõem um dos segmentos dos produtos químicos orgânicos finais, dominados pelas grandes empresas multinacionais da indústria química. São 88 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 85. produzidos a partir de princípios ativos que requerem elevados investimentos para seu BDMG 40 anos desenvolvimento, sendo em geral protegidos por patentes. A introdução da biotecnologia no segmento de defensivos tem contribuído ainda para a elevação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, se constituindo, portanto em um setor com elevadas barreiras à entrada, altamente capital-intensivo. É um setor baseado na ciência com intensa diferenciação de produto, fator decisivo para a elevada concentração desta indústria, tipicamente com uma estrutura de mercado de world players. Os indicadores de tamanho médio, taxa de concentração, mark-up e produtividade refletem estas características estruturais do setor, que é parte de uma cadeia produtiva mundial (TAB. 48, 49, 50 e 51). A participação quase absoluta das empresas sediadas produtoras de defensivos no Estado de São Paulo é a faceta geográfica da natureza concentrada e verticalizada da indústria química de produtos orgânicos, em que a quase totalidade dos princípios ativos utilizados é de insumos importados. Este é um setor onde não haveria espaço para uma política industrial focalizada no Estado de Minas Gerais. Em contraste, o setor de inorgânicos possui significativa segmentação interna, havendo espaço para ampliar a participação das empresas sediadas no Estado. As empresas são de menor porte, mas as líderes ocupam um considerável espaço no mercado nacional. Os segmentos de fosfatados e potássios possuem localização weberiana determinada pela fonte de matéria-prima, o que explica as vantagens comparativas locacionais do estados nestes dois segmentos. No caso dos nitrogenados, dependem da cadeia petroquímica, onde o Estado não possui participação, estando a liderança deste mercado dividido entre as empresas sediadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Os indicadores de tamanho médio, taxa de concentração e poder de mercado vão refletir esta segmentação dentro do setor. TABELA 48 TAMANHO MÉDIO (R$ MIL E PESSOAL OCUPADO) E PARTICIPAÇÃO (%) NO MERCADO NACIONAL -INDÚSTRIA DE INSUMOS QUÍMICOS, 2000 Químicos Inorgânicos Defensivos Agrícolas UF Tam. Pess. Merc. Tam. Pess. Merc. Méd. Ocup. Nac. Méd. Ocup. Nac. MG 29.770 159 6,13 ... ... ... SP 85.850 198 54,58 274.498 401 83,15 RJ 80.138 460 10,76 ... ... ... PR 40.255 85 5,77 118.636 279 9,98 RS 55.910 133 5,01 12.084 85 0,61 Outras 50.833 151 17,75 ... ... ... Brasil 64.183 191 100,00 191.684 330 100,00 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 89 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 86. TABELA 49 BDMG 40 anos CONCENTRAÇÃO DE MERCADO - INDÚSTRIA DE INSUMOS QUÍMICOS UF Químicos Inorgânicos Defensivos Agrícolas CR-4 CR-8 CR-4 CR-8 MG 7,38 8,02 ... ... SP 22,36 34,18 55,78 71,69 RJ 13,81 16,27 ... ... PR 3,01 3,32 4,74 4,741 RS 3,78 4,53 3,43 3,512 Outras 8,76 11,39 0,94 0,943 Brasil 27,64 41,39 57,39 76,99 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 1996. Elaboração Própria. 1 o estado possui apenas 5 empresas no setor. 2 o estado possui apenas 5 empresas no setor. 3 o estado possui apenas 3 empresas no setor. TABELA 50 PODER DE MERCADO - INDÚSTRIA DE INSUMOS QUÍMICOS, 2000 Químicos Inorgânicos Defensivos Agrícolas UF Margem Margem Mark - up Mark - up V.A. V.A. MG 4,14 0,75 ... ... SP 5,83 0,95 9,52 0,98 RJ 2,27 0,92 ... ... PR 17,56 0,94 10,37 0,97 RS 9,37 0,97 5,29 0,98 Outras 7,52 0,93 ... ... Brasil 5,31 0,90 10,19 0,92 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. TABELA 51 DESEMPENHO ECONÔMICO: INDÚSTRIA DE INSUMOS QUÍMICOS, 2000 Químicos Inorgânicos Defensivos Agrícolas UF Produtiv. Salário Taxa Produtiv. Salário Taxa Médio Invest. Médio Invest. MG 158.892 11.554 6,88 ... ... ... SP 394.439 22.785 3,51 672.855 41.217 1,08 RJ 132.929 22.593 13,05 n.d. n.d. n.d. PR 467.038 13.455 (3,15) 411.377 18.325 1,82 RS 401.293 16.945 (0,61) 139.323 18.039 0,89 Outras 317.347 15.133 7,96 ... ... ... Brasil 303.567 19.533 4,76 616.290 36.942 1,16 FONTE: FIBGE - Pesquisas Industrial Anual 2000. Elaboração Própria. 90 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 87. 1.9. Os desafios do complexo metal-mecânico: a BDMG 40 anos fragilidade do setor de bens de capital O objetivo nesta seção é analisar o que se considera os gargalos cruciais para uma melhor inserção competitiva da indústria mineira no contexto nacional, para a qual os setores complexo metal-mecânico cumprem um papel decisivo. Dentre as dificuldades já detectadas, duas são particularmente graves: a primeira é a fragilidade do setor de bens de capital no Estado, ao passo que a segunda refere-se ao baixo desenvolvimento dos setores eletro-eletrônicos e de telecomunicações. Enquanto a segunda dificuldade estaria em grande parte fora do âmbito de uma política industrial focalizada na superação de gargalos do aparato produtivo19 , haja vista que não vislumbramos como razoável uma estrutura industrial completa em nível regional, a primeira dificuldade merece ser contemplada, pois acreditamos ser o cerne de uma progressão tecnológica das relações intersetoriais da economia mineira, de tal forma a aumentar o poder estruturante e dinâmico do complexo metal-mecânico mineiro em nível intra-estadual. Em tese, o setor de bens de capital local deveria ser o principal difusor interno de tecnologia para o conjunto da estrutura produtiva da economia mineira, mesmo que de forma subordinada e complementar ao setor de bens de capital nacional e, principalmente, internacional. Após ter atingido uma relativa importância na estrutura estadual nos fins dos anos setenta, chegando a participar com 8,7% do VTI estadual em 1980, foi fortemente impactado pela abertura externa nos anos 90, resultando em uma redução para 2,5% do VTI estadual em 1999. As informações da pesquisa realizada pelo SINDIMIC (2001) sobre o setor mecânico mineiro, baseadas nas tabulações especiais da PIA–IBGE de 1997, serão utilizadas para um diagnóstico mais detalhado, mesmo que preliminar, sobre as dificuldades do setor de bens de capital no Estado. A principal limitação das informações refere-se ao fato de contemplar apenas os bens de capital contidos na classificação do gênero mecânico, que inclui os bens de capital estritamente mecânicos para as indústrias de transformação e extrativa mineral, para a agropecuária e para a construção civil. São excluídos, dessa forma, as máquinas e equipamentos da indústria eletro-eletrônica, além dos bens de capital para transporte, sub-setor do gênero material de transportes. De qualquer forma todos estes setores excluídos foram contemplados na seção 1.7, cuja referência da base de dados foi a empresa e não a unidade local de produção, como ocorre na presente seção. 1.9.1. A reestruturação do setor de bens de capital no Brasil Conforme Resende e Anderson (1999), a consolidação do setor de bens de capital ocorreu, especialmente, durante o II PND, que priorizou os investimentos em bens de capital pesados, que pode se desenvolver via demanda induzida interna, especialmente dos vultuosos investimentos do setor público. Nos anos 80, segundo estes autores, a indústria de bens de capital brasileira já se encontrava bem diversificada e consolidada, inclusive no segmento de Máquinas-Ferramenta (MF) convencionais, sendo considerada à época a mais avançada dentre os países retardatários. Entretanto, existiam características que a distinguiam das indústrias de bens de capital dos principais países industrializados, começando pelo peso relativo que possuía na estrutura produtiva brasileira Nas recomendações finais serão apontados possíveis nichos de uma política focalizada na indústria eletro-letrônica. 19 91 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 88. bem inferior aos observados em estruturas industriais maduras (Resende, 1995, p. 15-17). Isto BDMG 40 anos se refletia, como esperado, na sua competitividade externa, restrita a categorias menos sofisticadas tecnologicamente (Erber, 1985). Como salientam Resende e Anderson (2001, p. 27), essas características da indústria brasileira de bens de capital decorrem do supracitado padrão de sua instalação e expansão. Esse padrão não viabilizou a gênese e o desenvolvimento de um setor de bens de capital que operasse no vértice de um sistema nacional de inovações - fonte geradora de um movimento endógeno de desenvolvimento e difusão do progresso técnico que apresentasse segmentos capazes de se manterem na fronteira em termos de capacitação tecnológica, custos de produção e qualidade de produtos, conforme se observa para os principais países industrializados. Assim, o próprio conteúdo inferior das importações brasileiras de bens de capital vis-à-vis as exportações apontam esta fragilidade estrutural, especialmente de máquinas-ferramenta20 . Estas deficiências estruturais da indústria de bens de capital nacional apontadas pelos autores estabeleceram um modus operandi baseado na complementaridade das importações em relação à produção doméstica, beneficiada pela proteção seletiva, tornando neste sentido viável sua expansão sustentada. Dessa forma, até fins da década dos 80, a expansão da indústria de bens de capital se caracterizava pela elevação conjunta do quantum importado. Desta forma, “até o final da década de 80, a complementaridade supracitada não permitia um descolamento muito grande das importações em relação à produção doméstica de bens de capital” (Resende e Anderson, 1999, p. 36). O fato que interessa destacar é que no novo contexto econômico dos anos 90, “a inserção e articulação da produção de bens de capital nas cadeias das relações interindustriais foram alteradas”. As principais mudanças, segundo estes autores são: as importações dessa categoria de bens perdem sua característica de complementaridade e de alavanca da produção doméstica; ao mesmo tempo, seu papel nos ganhos de produtividade da indústria nacional fica mais importante ainda; no entanto, as importações agora passam a ter um caráter competitivo com a produção doméstica, em função da eliminação proteção tarifária e não tarifária. O resultado mais relevante destas mudanças é o descasamento entre o aumento das importações e da produção doméstica, a qual começa a experimentar taxas negativas de crescimento concomitantes ao aumento do quantum importado, de tal forma que o coeficiente de importações de bens de capital começam a crescer a um ritmo superior ao coeficiente de importação do conjunto da economia. Assim: “essas diferenças sugerem a maior sensibilidade da indústria dessa categoria de bens em relação aos efeitos da abertura em toda a economia. A reestruturação recente da indústria de bens de capital caracteriza-se pela redução da linha de produtos e desverticalização da produção, além da adoção de novas técnicas organizacionais e de estratégias defensivas, que implicaram redução de pessoal.” (CRUZ E VERMULM, 1993, p. 607). As importações são principalmente de produtos tipo fresadoras a comando numérico, retificadoras, máquinas de cortar e retificar 20 engrenagens, alguns tipos de tornos com comando numérico e centros de usinagem. As exportações são de produtos tipo tornos paralelos tipo universal, tornos horizontais automáticos monofusos e máquinas (inclusive prensas) para forjar, prensar ou martelar, cujo valor médio é inferior ao dos produtos importados (Vermulm, 1995, p. 151). 92 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 89. Isto porque até o final dos anos 80, o sistema de proteção impunha elevados índices de BDMG 40 anos nacionalização e elevada verticalização das empresas dessa indústria, o que, segundo estes autores, reduzia as possibilidades de obtenção de economias de especialização e afetava sua competitividade. A mudança do padrão de articulação importação/produção doméstica – antes caracterizada pela complementaridade produtiva e comercial, hoje assume o caráter de competição substitutiva - aumenta os requerimentos do exterior para o fornecimento de máquinas, equipamentos, peças e componentes para a produção doméstica. O impacto em termos de pressão competitiva sobre indústria de bens de capital nacional é contraditório. No entanto existe relativo consenso que o resultado líquido é um de processo que tem mais de destruição de empresas nacionais do que de criação de competitividade entre as sobreviventes. Assim, os ganhos, no curto e médio prazos, de eficiência microeconômica decorrentes da racionalização, desverticalização e modernização da estrutura produtiva no setor de bens de capital devem ser suplantados pelas perdas, no longo prazo, pelo enfraquecimento e/ou desaparecimento de segmentos com elevado conteúdo tecnológico e alto grau de difusão de inovações (Laplane e Sarti, 1998, p. 47-53). Os ajustes e redirecionamentos resultam em aumento do conteúdo importado dos bens produzidos pela economia brasileira, com perda de participação da indústria doméstica de bens de capital nos anos 90 já que, segundo Resende e Anderson (1999), ocorreu aumento do coeficiente de importação (importações/consumo aparente) para todos cinco segmentos de bens de capital analisados. No caso dos bens de capital para transporte, por exemplo, essa relação cresceu 11,2 vezes neste período. Segundo os autores, as evidências são de relativa estabilização desta relação a partir de 1995/1996 para quatro dos cinco segmentos (bens de capital para construção civil, energia elétrica, transporte e agricultura). Concluem também que os segmentos de bens de capital para transporte e aqueles tipicamente industriais foram os que sofreram os maiores impactos na produção doméstica. Os bens de capital industriais apresentaram, em 1997, o maior coeficiente importado, em torno de 65,5%, “sendo o único segmento que não apresentava evidências de estabilização do coeficiente de importação após 1995” (Ibid., p. 39). Dois últimos aspectos salientados pelos autores merecem ser destacados: o primeiro é que um dos efeitos importantes da pressão competitiva externa levou a indústria brasileira de bens de capital à especialização em bens menos sofisticados, deslocando para o exterior a oferta de segmentos de bens de capital de maior conteúdo tecnológico e importantes na difusão de progresso técnico para as relações interindustriais do sistema produtivo doméstico; o segundo é que este rebaixamento da especialização veio junto com o encolhimento da indústria nacional de bens de capital, de tal forma que o conseqüente aumento da participação de máquinas e equipamentos importados na formação bruta de capital fixo leva a uma maior sensibilidade do investimento no Brasil às restrições externas. 1.9.2. A fragilidade do setor de bens de capital na economia mineira Como foi evidenciado na seção 1.7, Minas possui atualmente uma posição competitiva desfavorável na indústria brasileira de bens de capital. Os efeitos do ajuste na especialização e encolhimento da indústria nacional possivelmente afetaram de forma diferenciada a capacidade de produção de bens de capital das economias estaduais, pois este é um setor industrial em que as economias de especialização são particularmente relevantes, ao mesmo tempo em que existe uma significativa aderência locacional no desenvolvimento das especializações. Neste sentido, a 93 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 90. distribuição geográfica das empresas na seção 1.7 indicou que houve uma reconcentração BDMG 40 anos espacial do setor nas unidades da federação que possuíam, no período pré-ajuste, maiores ganhos aglomerativos, em termos de capacidade empresarial e tamanho das empresas líderes, nível de capacitação tecnológica, especialização em segmentos, grupos ou linhas de produto de maior elaboração tecnológica e integração para frente com indústrias usuárias mais competitivas. Os dados das unidades locais de produção sobre as participações estaduais no VTI da indústria mecânica nacional no período 1980/99 mostram que o Estado possivelmente começou a perder posição relativa ainda na década dos 80. Mas o grande impacto sobre a produção mineira de bens de capital parece ocorrer nos primeiros três anos da abertura, 1990/ 92, de tal forma que a participação do Estado na produção estadual decresce de 7,04% para 2,66% em 1992. Parece, no entanto, ocorrer um processo de acomodação ao choque das importações ao longo da década, pois a mecânica mineira experimenta uma relativa recuperação na produção nacional, mesmo que oscilante, crescendo de 2,66% em 1992 para 6,61% em 1997, mas decrescendo para 5,12 % em 1999. Por outro lado, os estados que apresentam maiores ganhos líquidos de participação na indústria setorial nacional, no período 1980/99, são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. À medida que o Rio continuou a perder posição relativa, ocorre de fato uma reconcentração espacial da indústria nacional de bens de capital mecânicos em São Paulo (59,21%), Rio Grande do Sul (11,38%), Santa Catarina (6,61%), Minas Gerais (6,61%) e Paraná (5,44%), que passam a concentrar, em 1997, mais de 90% do total da indústria. O processo de concentração espacial da indústria fica mais contundente, e a posição de Minas mais vulnerável, se os dados forem desagregados segundo as duas divisões e os 13 grupos ou setores da indústria mecânica. A industria é decomposta, como se sabe, em duas divisões bem distintas: fabricação de máquinas e equipamentos; e fabricação de produtos de metal (exclusive máquinas e equipamentos). A primeira contém o núcleo de geração tecnológica, pois compreende os grupos de máquinas-ferramenta, máquinas e equipamentos de uso geral, máquinas e equipamentos específicos (inclusive para extração mineral) e máquinas e equipamentos agrícolas. A segunda divisão industrial é composta de peças e componentes como capital fixo, dentre os quais se destacam fabricação de estruturas metálicas e caldeiraria pesada, fabricação de tanques, caldeiras e reservatórios metálicos, forjaria e estamparia. A mecânica mineira é especializada nesta segunda divisão industrial, que concentra 64,53% do VTI estadual e participa com 12,1 % do VTI nacional, ficando apenas abaixo de São Paulo, com 56,64%. A desagregação por setores mostra, na verdade, que o Estado é especializado na fabricação de estruturas metálicas e caldeiraria pesada, forjaria e estamparia, que atendem principalmente às demandas dos setores metalúrgico e automotivo. Na divisão de máquinas e equipamentos, a única especialização estadual é no grupo fabricação de máquinas e equipamentos para extração mineral e construção civil, ao passo que possui uma participação mínima no VTI nacional de máquinas e equipamentos agrícolas (1%), sendo inexistente a produção de máquinas-ferramenta na mecânica mineira. Com exceção de São Paulo, que participa de forma majoritária de todos os 13 grupos, os demais estados produtores são relativamente especializados, mesmo que em diferentes níveis. Como já observado na análise das empresas, a mecânica gaúcha é a mais diversificada dentre os estados do Sul, pois além de ser especializada nacionalmente nos grupos fornecedores de seus complexos produtivos – máquinas e equipamentos agrícolas (34,57%) e fabricação de artigos de cutelaria (22,34%) – possui uma expressiva participação em máquinas-ferramenta (16,15%), máquinas e 94 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 91. equipamentos de uso geral (16%) e armas, munições e equipamentos militares (29,57%). O BDMG 40 anos Paraná possui grande especialização no grupo de máquinas e equipamentos agrícolas (14,1%), fornecedor de seu principal complexo produtivo, o agro-industrial; enquanto Santa Catarina é especializada principalmente em máquinas e equipamentos de uso geral. Em suma, como era de se esperar, a divisão de máquinas e equipamentos é a mais concentrada espacialmente, haja vista que São Paulo e os estados sulinos concentram nada menos do que 88% do VTI nacional, cabendo à mecânica mineira um papel restrito de alta especialização em componentes e peças consumidas pelos segmentos de peso da metal- mecânica estadual, na divisão de produtos de metal. A quase ausência da divisão de máquinas e equipamentos na mecânica estadual, e de forma literal no segmento de máquinas- ferramenta, significa dizer que a indústria mineira não possui um núcleo endógeno de geração tecnológica, mesmo para cumprir uma função complementar às importações inter-regionais e internacionais de bens de capital. Do ponto de vista da capacitação tecnológica para o crescimento de longo prazo, isto significa construir um sistema estadual de inovação sem vértice difusor. Esta especialização da mecânica mineira restrita, em sua grande parte, à fabricação de peças e componentes de metal resulta na proliferação de empresas de pequeno porte, defasadas tecnologicamente (SINDIMIC, 2001), que compromete seu nível de eficiência e competitividade. Dois indicadores básicos evidenciam estes problemas na área de poder de mercado e capacitação tecnológica das firmas de bens de capital no Estado: tamanho médio das plantas (VTI/unidades locais) e produtividade do trabalho (VTI/pessoal ocupado). Minas Gerais possui as unidade produtivas de menor tamanho médio e a menor produtividade média do trabalho em comparação com seus concorrentes mais diretos. Os percentuais de superioridade da relação tamanho médio e produtividade dos estados concorrentes em relação aos indicadores mineiros são, respectivamente: São Paulo 59,1% e 38,9%; Santa Catarina 72,4% e 52,3%; Rio Grande do Sul 42,3% 27,3%; e Paraná 27% e 30,9%. Tomando-se um grupo da divisão de máquinas e equipamentos em que Minas possui alguma participação, comparado com outros concorrentes diretos, pode-se reforçar estas evidências das desvantagens competitivas da mecânica estadual. Para este objetivo, usou-se o grupo máquinas e equipamentos de uso geral, em que o tamanho médio das plantas mineiras é R$ 438 mil e a produtividade de 22,3 reais por pessoa ocupada, contra R$ 3,05 milhões e 53,3 das plantas gaúchas e R$ 2,75 milhões das catarinenses. Chama a atenção ainda o número extremamente elevado de micro e pequenas unidade de produção: ou seja, do total de 5.682 unidades de produção da mecânica estadual, 5.515 tinham menos de 50 pessoas ocupadas, 97,06%, enquanto 3.959 delas possuíam menos de 5 empregados, ou seja, 69,68% do total. As participações das unidades de produção dos estratos inferiores de tamanho concentram-se na divisão fabricação de produtos de metal, onde 4.706 são micro ou pequenas unidades, 97,70% do total, restando apenas 85 médias e 21 grandes unidades produtivas, ou 1,77% e 0,44% do total, respectivamente. Assim, a indústria mecânica estadual apresenta um nível elevado de especialização, pois apenas 16 das 45 classes de indústrias possuíam 88,68% das unidades de produção e 84,23% do pessoal ocupado. A maior concentração destas unidades se verifica na divisão fabricação de produtos de metal. 95 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 92. BDMG 40 anos Como afirma o relatório do SINDIMEC (2001, p.36): “a própria crise no setor contribuiu significativamente para esta proliferação de pequenas empresas, através da reestruturação produtiva e organizacional daquelas situadas nos patamares médio intermediário, superior e nas grandes empresas, em função dos ajustes estruturais que tiveram de realizar, para adequação aos novos padrões de demanda, de concorrência, especialmente externa. Esta reestruturação acarretou a dispensa de inúmeros engenheiros, técnicos e outros profissionais com experiência e competência no setor, que constituíram as suas próprias empresas, muitas delas inclusive competindo com aquelas de origem/aprendizado destas pessoas. Trata-se aparentemente de um “paradoxo” do desemprego no setor”. Este diagnóstico das unidades de produção dos setores da mecânica estadual é convergente com aquele realizado para as empresas acima de 30 pessoas ocupadas, ficando porém mais evidente o processo de fragilização e exclusão das micro e pequenas empresas presentes nas unidades de produção até 29 pessoas ocupadas. Assim, fica mais patente ainda o problema das empresas mineiras possuírem uma escala de produção extremamente baixa, fora dos padrões de competitividade de suas congêneres de São Paulo e estados sulinos, que já se encontram em desvantagens comparativas em relação às empresas exportadoras dos países industrializados, participantes majoritárias da oferta interna de bens de capital para o mercado doméstico. Na seção 1.11, de recomendações finais, serão indicadas algumas oportunidades visando melhorar nacionalmente a posição competitiva das empresas mineiras de bens de capital. 96 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 93. BDMG 40 anos 1.10. A agroindustrialização restrita O processo de industrialização induzido de Minas Gerais em direção ao complexo metal- mecânico caminhou no sentido de ampliar e diversificar a base industrial no Estado com uma suposição implícita: a de que o desenvolvimento agroindustrial ocorreria de forma quase automática pela expansão de sua base produtiva agropecuária. A criação do parque agroindustrial do Triângulo Mineiro, fruto da virtuosa combinação dos bons atributos locacionais e dos fortes estímulos creditícios das décadas de 70 e 80, amparados pela Política de Garantia de Preços Mínimos e pela equalização dos preços de combustíveis, propiciou que o Estado desenvolvesse um parque processador dinâmico, estruturado como um entreposto comercial e manufatureiro agroindustrial da base agropecuária do Centro-Oeste. O dinamismo do parque agroindustrial do Triângulo Mineiro, no entanto, não se reproduziu em outras regiões cujo desenvolvimento agrícola orientou-se pelas estratégias de diversificação da pauta agropecuária mineira em direção à fruticultura irrigada, baseada nos grandes projetos de irrigação, nem para as regiões de base produtiva de explorações tradicionais como café e carnes. No caso dos grandes projetos de irrigação do Norte de Minas (Projetos Gorutuba e Jaíba), a pressuposição de que estes gerariam condições economicamente suficientes para a estruturação de agroindústrias processadoras do produto local não se efetivou plenamente, sendo que a ausência das agroindústrias processadoras é um gargalo para o desenvolvimento destes pólos de agricultura irrigada.21 No caso das agroindústrias processadoras de café e de carnes, a expressividade da base agropecuária estadual não assegurou que os investimentos de transformação agroindustrial se sediassem preferencialmente no Estado de Minas Gerais. A consequência da suposição do “crescimento natural” da agroindústria mineira foi o fortalecimento de uma agricultura orientada para o mercado com uma estrutura agroindustrial estadual incapaz de absorver e realimentar adequadamente o crescimento da base agropecuária. Ou seja, a dimensão da agroindústria mineira está muito aquém do que permite sua base agropecuária. Esta percepção é respaldada pela avaliação da importância relativa da agroindústria vis-à-vis a base agropecuária mineira. O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária mineira ocupa o segundo posto no país (13,4% do VBP nacional), o VBP agropecuário de origem animal ocupa o primeiro lugar nacional (14,8%) e o VBP de origem vegetal (12,5%) o quarto lugar. (TAB. 52). Minas Gerais é o principal produtor de café, com 42% da produção nacional e de leite, 30% da produção brasileira, possui o segundo maior rebanho bovino para corte (12% do nacional) e posição de destaque em diversos produtos da agropecuária, como frutas e outros animais. (QUADRO 2) A despeito desta posição de destaque, o parque agroindustrial no Estado ocupa uma posição intermediária no cenário nacional e não têm sido capaz de utilizar a vantagem comparativa da produção estadual na consolidação de um segmento agroindustrial de liderança no país. A respeito, ver Rodrigues, 2001. 21 97 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 94. A mensuração deste gap agroindustrial pode ser inferida a partir da análise dos dados da BDMG 40 anos produção agropecuária e da estrutura agroindustrial de Minas Gerais.22 QUADRO 2 PRODUÇÃO AGRÍCOLA DE MINAS GERAIS E VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL DA CADEIA AGROINDUSTRIAL RELACIONADA: PARTICIPAÇÃO RELATIVA NO BRASIL, 1999 Produtos % Produção Setores % do VBP nacional da agropecuários Nacional -1999 agroindustriais agroindústria de MG -1999 Café em coco 47% Torrefação e moagem de café 10.5% Leite 30% Laticínios 28.1% Rebanho Bovino 12% Abate/Carne e pescado 5.3% Rebanho Suíno 11% Curtimento de couro 6.9% Frangos 8% Grãos 6% Óleos 13.2% Feijão 14% Massas, biscoitos e outros 9.1% Milho 13% Soja 4% Arroz 3% Cana-de-açúcar 5% Fabricação e refino de açúcar 2.5% Produção de álcool 5.5% Batata 35% Conservas e sucos 6.8% Abacaxi 31% Tomate (mesa) 20% Alho 15% Banana 9% FONTE: ANUALPEC 2001; AGRIANUAL 2001. IBGE/PIA 1999. Elaboração do autor TABELA 52 VALOR DA PRODUÇÃO ANIMAL E PRODUÇÃO VEGETAL BRASIL E UNIDADES DA FEDERAÇÃO CENSO AGROPECUÁRIO DE 1995-1996 - VALOR DA PRODUÇÃO (1.000 R$) UF Total Animal Vegetal Valor Part.relativa Valor Part.relativa Valor Part.relativa SP 8.412.369 17,6% 2.402.695 12,8% 6.009.674 20,8% MG 6.409.087 13,4% 2.793.248 14,8% 3.615.839 12,5% RS 6.169.907 12,9% 2.315.792 12,3% 3.854.115 13,3% PR 5.562.875 11,6% 1.838.207 9,8% 3.724.668 12,9% SC 3.270.470 6,8% 1.669.333 8,9% 1.601.137 5,5% GO 2.582.846 5,4% 1.334.232 7,1% 1.248.614 4,3% MS 2.181.819 4,6% 1.462.458 7,8% 719.361 2,5% BA 2.102.241 4,4% 704.627 3,7% 1.397.614 4,8% MT 1.984.847 4,2% 697.694 3,7% 1.287.153 4,4% PE 1.229.492 2,6% 516.567 2,7% 712.925 2,5% ES 1.082.501 2,3% 223.081 1,2% 859.420 3,0% PA 1.026.712 2,1% 437.215 2,3% 589.497 2,0% Demais Estados 5.763.078 12,1% 2.424.432 12,9% 3.338.646 11,5% Brasil 47.788.244 100,0% 18.829.581 100,0% 28.958.663 100,0% FONTE: IBGE. Censo Agropecuário 1995/96. Para a caracterização da estrutura agropecuária e agroindustrial mineira utilizou-se os dados do Censo Agropecuário de 1995/96 e 22 da Pesquisa Industrial Anual –PIA/ IBGE de 1996 a 1999. Foram utilizados também os dados dos rankings industriais e agroindustriais de publicações especializadas para identificação e classificação das empresas agroindustriais de Minas Gerais. 98 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 95. 1.10.1. Caracterização da base agroindustrial de Minas Gerais BDMG 40 anos A caracterização do setor agroindustrial pressupõe algumas mediações metodológicas. Uma forma de mensurá-lo é a partir os dados de unidade local de produção da Pesquisa Industrial Anual (PIA-IBGE). Foram tomados como referência os dados referentes à indústria alimentar abertos a três dígitos na CNAE (incluindo o grupo de fumo e da produção de álcool)23 . O recorte adotado caracteriza o setor agroindustrial mineiro pela concentração setorial, medida em termos de Valor Bruto da Produção Industrial (VBP). Os quatro principais sub-setores agroindustriais respondem por 74% do VBP agroindustrial do Estado. O setor de Laticínios (32,3% do VBP agroindustrial) é o maior, mais de duas vezes superior ao VBP do segundo setor em importância, o de Óleos (15,9%), seguido pelo setor de “Outros produtos alimentícios”, que abrange a produção de massas e biscoitos (14,6%) e na quarta posição o setor de Abate e Processamento de Carnes (11,1% - TAB. 53). TABELA 53 CARACTERIZAÇÃO SETORIAL DO SETOR AGROINDUSTRIAL EM MINAS GERAIS SEGUNDO NÚMERO DE UNIDADES LOCAIS DE PRODUÇÃO, PESSOAL OCUPADO, VBP E VTI, 1999 Grupos Agroindustriais No. de Pessoal VBP VTI Unidades Ocupado (R$1.000,00) (R$1.000,00) Abate/Carne e pescado 169 15.060 918.081 252.674 Conservas e sucos 51 2.424 310.283 120.385 Oleos 19 560 1.312.208 242.521 Laticínios 902 19.818 2.671.367 940.081 Fabricação e refino de açúcar 16 3.285 194.174 71.405 Torrefação e moagem de café 137 2.735 268.685 59.344 Outros prod.alimentícios (Massas e biscoitos) 2.069 35.398 1.206.240 570.195 Bebidas 154 6.404 552.032 314.120 Fumo 21 1.814 473.230 263.035 Curtimento de couro 65 2.655 145.562 33.812 Produção de álcool 14 3.354 206.979 97.408 Total 3.617 93.507 8.258.841 2.964.980 FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Anual. 1999. Elaboração do Autor É importante ressaltar que a identificação do gap agroindustrial mineiro em relação à sua base agropecuária só faz sentido se referenciado com a estrutura dos estados que possuem base agropecuária com porte comparável ao Estado, ou seja , São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A primeira referência analítica é a identificação da especialização estadual, dada pela importância relativa do grupo agroindustrial (laticínios, abate, café, etc.) no total do segmento agroindustrial, medida pelo Valor Bruto da Produção (VBP) ou pelo Número de Unidade Locais de produção (NUM) em relação aos estados referenciais. Um dos recursos metodológicos para Foram excluídos da análise setores de base agroindustrial pertencentes a outros complexos como madeira, celulose e papel e 23 indústria têxtil. Os dados referem-se às unidades locais de produção (podem pertencer às empresas com sede fiscal em outros estados). 99 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 96. avaliar o grau de especialização relativa dos estados em relação à estrutura nacional é o Quociente BDMG 40 anos de Localização (QL)24 . Os dados do QL-VBP, comparados aos estados de referência indicam que Minas Gerais é fortemente especializada em Laticínios e possui especialização expressiva no setor de Fumo e Óleos e um menor grau de especialização em café. (TAB. 54). É interessante notar que a especialização agroindustrial em Fumo e Óleos, concentrada no parque agroindustrial do Triângulo Mineiro, processa matéria-prima vinda de outras regiões, especialmente do Centro-Oeste, ou seja, são agroindústrias não vinculadas à proximidade da base agrícola. No caso da indústria de processamento de café, essa tem um QL-VBP acima da unidade, mas menor do que nos outros três setores em que o Estado é especializado. A questão que se coloca é que, dada a posição de liderança de Minas Gerais na produção nacional de café (respondendo por 47% da produção nacional em 1999), o peso de sua agroindústria cafeeira é muito menor do poderia supor sua base agrícola. A comparação entre o peso da agroindústria mineira no Brasil (medido pelo VBP agroindustrial) e a participação do Estado na produção agropecuária demonstra que os segmentos agroindustriais de carnes, couro, sucos e conservas, são proporcionalmente muito menores do que a relevância de sua base agropecuária. TABELA 54 QUOCIENTE DE LOCALIZAÇÃO AGROINDUSTRIAL, SEGUNDO O VBP - MINAS GERAIS, SÃO PAULO, PARANÁ E RIO GRANDE DO SUL, 1999 Grupos Agroindustriais MG SP PR RS Abate/Carne e pescado 0.55 0.55 1.08 1.41 Conservas e sucos 0.71 1.69 0.20 0.45 Oleos 1.37 0.49 2.97 0.84 Laticínios 2.93 0.72 0.80 0.85 Açúcar 0.26 1.88 0.61 0.00 Café 1.10 1.32 1.93 0.07 Massas, biscoitos e outros 0.95 1.42 0.53 0.49 Bebidas 0.49 1.08 0.55 0.74 Fumo 1.40 0.05 0.35 5.66 Couro 0.72 0.52 0.93 3.74 Alcool 0.57 1.67 0.76 0.00 Total Agroindústria 1.00 1.00 1.00 1.00 FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Anual. 1999. Elaboração do Autor Quando analisados o resultado do QL-NUM, observa-se que apenas o setor de laticínios é proporcionalmente maior, em termos de unidades de produção, em relação ao padrão nacional, estando sendo o setor de café um pouco acima da média nacional. A cadeia do leite guarda proporcionalidade entre a base de transformação agroindustrial (laticínios) e a base primária (produção de leite) no Estado, embora o peso do grupo de laticínios de Minas Gerais em relação ao Brasil tenha caído de 29,5% em 1996 para 28,1% em 1999 (TAB. 55). Quando a contribuição de cada setor industrial no total estadual (seja do VBP Agroindustrial, ou do número de Unidades Locais 24 de Produção- NUM) é comparada com a mesma razão nacional, obtêm-se um Quociente Locacional - QL. No Quociente Locacional, o valor igual à unidade indica similaridade ao padrão nacional. Valores superiores à unidade indicam que determinado setor tem um peso proporcionalmente maior do que a média nacional, indicando especialização. Alternativamente valores inferiores à unidade indicam que o estado não possui especialização no setor industrial relacionado. 100 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 97. TABELA 55 BDMG 40 anos QUOCIENTE DE LOCALIZAÇÃO AGROINDUSTRIAL, SEGUNDO O NÚMERO DE UNIDADES DE PRODUÇÃO MINAS GERAIS, SÃO PAULO, PARANÁ E RIO GRANDE DO SUL, 1999 Grupos Agroindustriais MG SP PR RS Abate/Carne e pescado 0,64 0,83 1,45 2,02 Conservas e sucos 0,42 1,28 0,52 0,94 Oleos 0,23 0,65 1,37 2,40 Laticínios 1,53 1,01 1,16 0,75 Açúcar 0,32 1,33 1,37 0,24 Café 1,05 0,86 1,41 0,48 Massas, biscoitos e outros 1,00 1,01 0,93 0,87 Bebidas 0,67 0,94 0,86 1,81 Fumo 0,42 0,59 0,70 1,64 Couro 0,80 0,81 1,48 3,74 Alcool 0,39 1,72 1,20 0,00 Total Agroindústria 1,00 1,00 1,00 1,00 FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Anual. 1999. Elaboração do Autor TABELA 56 PARTICIPAÇÃO RELATIVA DOS SETORES AGROINDUSTRIAIS DE MINAS GERAIS EM RELAÇÃO AO TOTAL NACIONAL, SEGUNDO O NÚMERO DE UNIDADES LOCAIS DE PRODUÇÃO E VBP - 1996-1999 1996 1999 Coef. Var 99/96 Grupos Agroindustriais NUM VBP NUM VBP NUM VBP Abate/Carne e pescado 10% 5.8% 11% 5.3% 11.3% -8.4% Conservas 7% 3.9% 7% 6.8% 3.7% 73.5% Oleos 2% 6.3% 4% 13.2% 62.7% 107.6% Laticínios 24% 29.5% 25% 28.1% 5.6% -4.9% Fabricação e refino de açúcar 5% 3.8% 5% 2.5% 8.3% -35.5% Torrefação e moagem de café 20% 9.1% 17% 10.5% -11.0% 15.1% Outros produtos alimentícios 17% 9.4% 17% 9.1% -1.3% -2.8% Bebidas 10% 6.1% 11% 4.7% 8.3% -21.9% Fumo 9% 35.2% 7% 13.4% -20.8% -61.8% Curtimento de couro 13% 8.4% 13% 6.9% 4.6% -17.9% Produção de álcool 4% 2.1% 7% 5.5% 47.2% 160.6% FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Anual. 1999. Elaboração do Autor Uma outra referência analítica relevante é a comparação do porte médio das unidades locais de produção (dada pela razão do VBP e o número de estabelecimentos). O parque agroindustrial mineiro tem um porte médio inferior à média nacional (bem como dos principais estados agroindustriais) para a maioria dos setores agroindustriais. A agroindústria mineira tem porte médio superior ao padrão nacional apenas para os setores agroindustriais de Óleos, Fumo e Laticínios, embora nestes dois últimos seja superado pelo Rio Grande do Sul. (TAB. 57) O porte médio da indústria de Café em São Paulo e Paraná é respectivamente 3,5 e 3 vezes superior ao porte médio dessa indústria em Minas Gerais. No entanto, quando se toma como referencia a unidade empresa ao invés de unidade produtiva, como na seção 1.8, o Estado possui o menor tamanho médio para todos os setores vis-à-vis os estados concorrentes. 101 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 98. Em suma, o gap agroindustrial mineiro pode ser caracterizado pelo número insuficiente de BDMG 40 anos agroindústrias processadoras, pela pequena escala industrial de suas unidades de processamento e pela pouca diversificação da base agroindustrial. TABELA 57 VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO MÉDIO PARA SETORES AGROINDUSTRIAIS, MINAS GERAIS, SÃO PAULO, PARANÁ, RIO GRANDE DO SUL E BRASIL - 1999 - EM R$ 1.000,00 Valor Bruto da Produção (VBP) médio por estados - 1999 Setores Agroindustriais MG SP PR RS Brasil Abate/Carne e pescado 5.432 9.927 11.848 10.832 10.981 Conservas e sucos 6.084 11.319 3.425 4.217 6.274 Oleos Vegetais/animais 69.064 20.317 61.673 9.728 19.710 Laticínios 2.962 2.632 2.687 4.292 2.684 Fabricação e refino de açúcar 12.136 50.933 16.959 120 26.398 Torrefação e moagem de café 1.961 6.853 6.472 688 3.265 Outros prod.alimentícios (Massas e biscoitos) 583 2.050 867 835 1.062 Bebidas 3.585 13.177 7.780 4.843 8.386 Fumo 22.535 1.330 8.497 56.950 11.702 Curtimento de couro 2.239 3.833 3.937 6.104 4.334 Produção de álcool 14.784 23.415 16.160 - 17.637 FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Anual. 1999. As tendências recentes da agroindústria mineira indicam que o crescimento da escala (medido pelo VBP) ocorre nas agroindústrias alimentares de padrão substitucionista (Goodman,D; Sorj,B.; Wilkinson, J. 1990), de transformação intensa da matéria-prima agrícola, tendo o grupo de Óleos obtido a extraordinária taxa de crescimento anual de 28% a.a. no período 1996-1999. Como se tratam de indústrias alimentares de intensa descaracterização do produto agrícola, respondem mais por dinâmicas de consumo urbano-industrial do que condições geradas em sua base agrícola (TAB. 58). TABELA 58 TAXA ANUAL DE CRESCIMENTO (1996/99) DO VBP DOS GRUPOS AGROINDUSTRIAIS - MINAS GERAIS E BRASIL Grupos Agroindustriais Brasil Minas Gerais Abate/Carne e pescado 12% 10% Conservas/Sucos 5% 20% Oleos Vegetais/animais 6% 28% Laticínios 2% 1% Fabricação e refino de açúcar 12% 0% Torrefação e moagem de café 4% 8% Massas, biscoitos e outros prod. Alim. 8% 7% Bebidas 3% -3% Fumo 5% -18% Curtimento de couro 8% 3% Produção de álcool -9% 16% FONTE: IBGE. Pesquisa Industrial Anual. 1999. 102 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 99. 1.10.2. A base empresarial da agroindústria mineira BDMG 40 anos Outra dimensão importante de análise do parque agroindustrial é a relevância de sua base empresarial, representada pelas sedes fiscais das agroindústrias e onde se localiza o centro decisório da empresa. A visão geral da análise de liderança de empresas foi realizada na seção 1.8, sendo que agora se fará uma análise dos grupos econômicos, que congregam empresas pessoa jurídica sob o mesmo controle de capital. A análise das estratégias dos grandes grupos agroindustriais nacionais do sul do país, com alcance de mercado internacional, como por exemplo, a SADIA, PERDIGÃO e CEVAL, demonstra que a expansão de sua base produtiva preserva as relações construídas em sua base geográfica de origem, em boa medida explicada pela manutenção da sua importância local legitimada pelas forças políticas regionais e pelos programas públicos de incentivo de que se beneficiaram, e que reforçam a manutenção de sua rede de relações sociais.25 Em suma, é relevante o grau de aderência regional de suas estratégias de investimento e localização. Um recurso metodológico usual para avaliação da base empresarial estadual é a análise dos rankings empresariais das publicações especializadas. O ranking de liderança empresarial respalda a hipótese do gap agroindustrial mineiro. A listagem das 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro (Agroanalysis/FGV) relaciona as maiores empresas nacionais envolvendo os três agregados primários da indústria à montante, agropecuária e os setores de transformação industrial e distribuição à jusante. Deste grupo, 44 empresas referem-se às indústrias de transformação agroindustrial. Das 100 maiores do agribusiness nacional, o Estado de Minas Gerais abriga sete empresas, quarta posição ao lado de Santa Catarina e Rio de Janeiro, em um ranking liderado pelo Estado de São Paulo com 43 empresas. Das sete empresas mineiras, duas podem ser classificadas como agroindústria alimentar, o que colocaria o Estado em sétimo lugar neste ranking, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Alagoas, uma colocação modesta dada a importância agropecuária mineira. GRÁFICO 2 NÚMERO DE EMPRESAS LISTADAS ENTRE AS 100 MAIORES DO AGRIBUSINESS E 44 MAIORES AGROINDÚSTRIAS ALIMENTARES POR UF BRASIL - 2001 FONTE: Agroanalysis, dez 2001 Sobre agroindústria sulina ver Carvalho Jr. (1997) e Nogueira (1998) 25 103 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 100. A base das 100 maiores do agribusiness, no entanto, é restrita pois não inclui o setor cooperativo BDMG 40 anos que possui, em Minas Gerais, evidente importância em termos de parque agroindustrial . No ranking das 50 maiores cooperativas agropecuárias do país, Minas Gerais tem 6 cooperativas, atingindo 12% do total em relação à receita operacional líquida, evidenciando que o porte das cooperativas centrais mineiras é elevado em relação ao tamanho médio nacional. No entanto, considerados os dados relativos a empresas e cooperativas agroindustriais, reforça-se a percepção de que Minas ocupa uma posição intermediária na liderança destes setores, posto inferior ao que sua base agropecuária permite. TABELA 59 RANKING DAS 50 MAIORES COOPERATIVAS BRASILEIRAS: NÚMERO POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO E SOMA TOTAL DA RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (EM R$ 1MILHÃO), 2001 UF Cooperativas Rec. Oper. Líquida Número Part. Relat. R$1,000,000 Part. Relat. SP 10 20% 4,243 33% PR 17 34% 4,070 32% MG 6 12% 1,586 12% RS 11 22% 1,477 11% SC 4 8% 1,128 9% GO 2 4% 345 3% Total 50 100% 12,849 100% FONTE: FGV. Agroanalysis. Out. 2001 1.10.3. Obstáculos e Oportunidades para a Agroindústria Mineira Pelo lado da oferta, o porte e a relevância da base agropecuária mineira, que tem ao seu dispor uma plataforma de pesquisa agrícola estadual altamente capacitada, sugere que existe uma margem expressiva para o crescimento da agroindústria processadora estadual. No lado da demanda, prospecções do INDI apontam a existência de um campo diversificado de oportunidades para um mercado demandante de produtos agroindustriais. (QUADRO 3) QUADRO 3 OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO AGROINDUSTRIAL EM MINAS GERAIS Subsetores Agroindustriais Mercado Investimento (R$1000) Laticínios Demandante 500 Queijaria Demandante 200 Processamento de Suínos Demandante 1.600 Cachaça (3000 l/d) Demandante 600 Banana Passa(2500 kg/d) Demandante 320 Processamento de Vegetais (800 kg/d) Demandante 250 (Continua...) 104 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 101. QUADRO 3 (Continuação) BDMG 40 anos OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO AGROINDUSTRIAL EM MINAS GERAIS Subsetores Agroindustriais Mercado Investimento (R$1000) Processamento de Frutas Demandante 300 Farinha de Mandioca (20 t/d) Demandante 300 Cervejas (5000 l/d) Local 250 Processamento de Vegetais Demandante 250 Polpa de Frutas Demandante Suco Pasteurizado (4 t/d) Demandante 700 Suco Integral (5 t/d) Demandante 1.500 Suco pronto para beber (5 t/d) Demandante 2.500 Concentrado de Frutas Demandante 10.000 Horticultura Disputado US$2.000 /ha Café (especiais) 4,75 /ha Frutas Demandante US$6.500 FONTE: INDI O potencial de realização das oportunidades de investimento e crescimento agroindustrial das diversas cadeias agroindustriais de base agropecuária mineira não garante, no entanto, que o investimento agroindustrial se localize nos limites estaduais. O diagnóstico das oportunidades de investimento em diversas cadeias realizado pelo INDI indica que parcela relevante dos segmentos à jusante de diversos sub-sistemas agroindustriais regionais está localizada fora do Estado 26 . Segundo o INDI, no setor de Laticínios, mesmo Minas sendo líder em número de laticínios no País, ainda exporta leite “in natura” para outros estados. No setor de Massas Alimentícias, Minas Gerais produz cerca de 10% e consome cerca de 15% da produção nacional. Em relação ao processamento de grãos, são grandes as oportunidades de investimento na Região Noroeste, pois mesmo a região concentrando a maior produção de soja em Minas Gerais, o processamento industrial ainda restrito. Em relação ao processamento de carnes observa-se que a industrialização de carnes é ainda insuficiente para suprir o mercado mineiro, abastecido em mais de 60% por indústrias de outros Estados. No caso do café, embora Minas Gerais lidere a produção de café e tenha receita anual de cerca de US$1,0 bilhão/ano, as maiores torrefações do País estão em outros estados. Evidencia-se, portanto, que a existência de uma base agropecuária estadual desenvolvida não é condição suficiente para garantir que o parque agroindustrial no Estado seja da mesma magnitude. O exemplo da indústria catarinense de aves e suínos oferece uma boa referência de instrumentos de desenvolvimento agroindustrial baseado em programas específicos de incentivo que permitiram a criação de uma estrutura agroindustrial dinâmica e de alcance de mercado internacional. O caso de Santa Catarina indica a existência de um aparato institucional focalizado para o crescimento das maiores agroindústrias de aves e suínos do país. Na primeira metade da década de 70, vigorou o FUNDESC, fundo de desenvolvimento estadual que, em associação com iniciativas de estímulos municipais, teve ampla utilização pelas principais empresas da indústria de carnes, como a SADIA, PERDIGÃO e CEVAL. Estas empresas ampliaram sua base operacional geográfica beneficiando-se de outros fundos como o Fundo de Investimentos da Amazônia (FINAM), o Programa de Desenvolvimento de Mato Grosso (PRODEI) e o Fundo do Centro-Oeste (FCO). No caso mineiro, existe um aparato legal, PROE-AGROINDÚSTRIA (Programa de Apoio de Apoio a Implantação de Agroindústrias Estratégicas), regulamentado em 1998, que deve pode ser peça fundamental para reduzir o hiato agroindustrial do Estado. Disponível em http:www.indi.mg.gov.br 26 105 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 102. BDMG 40 anos 1.11. Proposições para políticas O principal aspecto evidenciado pelo diagnóstico da indústria é o pequeno tamanho relativo das empresas mineiras comparativamente às empresas paulistas, mas também às empresas gaúchas e paranaenses. Situação similar à do Rio de Janeiro, com exceção das empresas estatais ou ex- estatais há anos estabelecidas, que carece também de liderança de empresas de grande porte para puxar o desenvolvimento industrial do Estado. As empresas mineiras com clara liderança nacional originam-se de setores da base exportadora tradicional do Estado, especialmente da indústria extrativa mineral e da indústria metalúrgica. No caso do setor automotivo, foram evidenciados os problemas de adensamento setorial da cadeia, em função da pouca presença de empresas de porte considerável nos segmentos de peças e componentes, já que esta cadeia possui uma empresa âncora à jusante capaz de liderar a inserção do Estado no mercado automotivo nacional e mundial. No âmbito do complexo metal-mecânico esta fragilidade da empresa mineira é ainda mais evidenciada nas indústrias mecânica e eletro-eletrônica. Mesmo assim, é no complexo agroindustrial que possivelmente o empreendedor schumpeteriano está mais ausente, sendo este fato paradoxal frente ao relativo dinamismo da agropecuária mineira. A política de fortalecimento do poder econômico das empresas sediadas no Estado não deve ter, entretanto, um recorte de origem regional ou de origem nacional dos capitais que controlam as empresas. Mais importante que a origem do capital são os efeitos multiplicadores da ação efetiva destas empresas no território econômico estadual. Neste sentido, o governo estadual deveria ter uma ação deliberada de incentivos à consolidação do capital na indústria estadual, através de fusões, aquisições, associações e investimentos cruzados de capitais, que possibilitassem o adensamento setorial de diversos segmentos industriais fragilizados da economia mineira. Consideramos que este adensamento setorial deveria ser de natureza focalizada, privilegiando os complexos metal-mecânico e agroindustrial, se constituindo, assim, em uma estratégia decisiva no aprofundamento das vantagens já construídas da indústria estadual. A questão mais relevante para a formulação de uma política de aprofundamento da industrialização estadual deveria, portanto, ser via adensamento setorial de cadeias e adensamento setorial horizontal das indústrias, que envolveriam, inclusive, a substituição competitiva das importações. Consequentemente, os atuais fundos setoriais do Estado deveriam ser reexaminados, visando o redirecionamento para uma política industrial focalizada. 1.11.1. Adensamento setorial das cadeias Em função do diagnóstico realizado, o adensamento setorial das cadeias deveria privilegiar a cadeia automotiva e as cadeias de carnes, laticínios e café em que a agropecuária estadual possui significativas vantagens comparativas. Poderia ser acrescida a cadeia de frutas, dado os pólos de irrigação já implantados no norte e noroeste do Estado. O maior gargalo na cadeia automotiva é nos setores de peças e componentes, pois os dados indicam que os esforços de seleção dos fornecedores realizados pela Fiat, com o apoio dos fundos estaduais, não foram suficientes para eliminar alguns elos frágeis da cadeia, principalmente se o foco de análise for a empresa e não as unidades de produção estabelecidas no território estadual. 106 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 103. Viu-se na análise setorial desta cadeia, que as empresas encontram-se fortemente concentradas BDMG 40 anos em São Paulo, o que se torna um gargalo para a consolidação da cadeia local. Nas cadeias de laticínios e café uma estratégia que parece premente é de consolidação de capital das cooperativas locais, que devem ser incentivadas a realização de fusões, incorporações e associações de capital no âmbito geográfico de suas bases agropecuárias regionais, de tal forma a se capacitarem a tornarem players do mercado nacional e internacional, neste último caso em relação à cadeia cafeeira. Na cadeia de carnes a situação é bem mais complexa, haja visto a ausência no Estado de empresas especializadas de grande porte, hoje condição considerada necessária para atuação no mercado nacional. De qualquer forma é um setor que merece atenção especial da política industrial do Estado, que envolveria inclusive medidas voltadas para a redução do mercado informal de carnes, reforço da rastreabilidade da carne e capacitação do setor frigorífico para o atendimento de demandas mais sofisticadas do consumo urbano. Possivelmente, o seu devido equacionamento, envolveria a política regional de desenvolvimento de aglomerações produtivas ou clusters, especialmente na região do Triângulo Mineiro. Outra situação não menos complexa é da cadeia de frutas, que deve ser equacionada também como uma questão de política regional de aglomerações produtivas, mas que envolveria também a atração de empresas de grande porte para as proximidades dos pólos de irrigação. 1.11.2. Adensamento setorial horizontal Trata-se aqui de uma política de adensamento setorial pela expansão horizontal de algumas indústrias em que o Estado pode explorar oportunidades de consolidação de vantagens ou oportunidades de desenvolvimento de nichos de mercado. Duas indústrias merecem aqui um tratamento privilegiado em termos de formulação de uma política de fortalecimento de capital das empresas: a indústria mecânica e a indústria eletro-eletrônica. Um setor a ser privilegiado é o de Máquinas e Equipamentos para Extração Mineral e Construção, pelo peso na economia estadual das cadeias de extração de minerais metálicos, ferrosos e não-ferrosos, e de construção. As empresas sediadas no Estado possuem em torno de 15% do mercado nacional, estando esta participação sob o controle de 4 empresas de porte médio. Seguindo esta mesma linha de consolidação de posições estão os setores de Estruturas Metálicas e Caldeiraria Pesada e Forjaria e Estamparia, onde as empresas mineiras possuem presença significativa no mercado nacional, de 18,22% e 19,63%, respectivamente. Neste caso, as subsidiárias das empresas siderúrgicas são muito competitivas27 , o que facilita uma política de expansão de participação nas vendas, inclusive que envolvam as compras governamentais do governo estadual e governos municipais. Na linha de exploração de nichos de mercado, as empresas mineiras estabelecidas possuem condições de crescimento de participação em equipamentos elétricos automação industrial, e eletrônicos básicos, particularmente no sub-setor de condutores elétricos, onde a Alcoa Fios, de origem canadense, e a CABELTE, de origem lusitana, ocupam, respectivamente, a quinta e sete posições deste nicho de mercado. Em Aparelhos Médicos e Instrumentos de Medição as empresas mineiras aparecem com importante participação no mercado nacional, de 18%, sendo que as empresas mineiras atuam efetivamente no sub-setor de Instrumentos de Medição e Precisão, onde a NANSEN ocupa o terceiro lugar neste nicho de mercado no país. Este é um mercado em que a política de incentivos poderia fortalecer a posição relativa das empresas de Minas Gerais, havendo escopo para diversificá-las para aparelhos médicos e odontológicos propriamente ditos, considerando Especialmente a USIMEC-USIMINAS, a MANNESMAN-DEMAG e a BELGO-BEKAERT. 27 107 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 104. que o complexo de serviços médicos e hospitalares em Belo Horizonte é bem desenvolvido BDMG 40 anos nacionalmente, o que ofereceria aos estabelecidos e novos entrantes um mercado regional dinâmico e com escala extra-regional. As empresas estabelecidas no Estado possuem significativa liderança nacional, se tomarmos como referência o indicador de participação das 4 maiores no mercado nacional, de 15,6%, equivalente a das empresas fluminenses e não muito inferior às paulistas. Por fim, uma terceira linha poderia ser seguida no esforço de adensamento horizontal das indústrias mecânica e eletro-eletrônica. Seria a estratégia de atrair empresas que ocupassem buracos reconhecidos da estrutura industrial brasileira, como, por exemplo, em componentes eletrônicos básicos e automação industrial. São setores em que a Zona Franca de Manaus teria pouca capacidade de competir em função das sinergias necessárias de proximidade a localidades que possuem elevada aglomeração científica e tecnológica em áreas específicas, que a cidade de Belo Horizonte poderia eventualmente oferecer. Este tipo de operação envolveria evidentemente a atração de world players ainda ausentes do mercado brasileiro. 1.11.3. Capacitação em indústrias limpas de novos sistemas tecnológicos Uma complementação da política industrial mineira, mas de fundamental importância pelos seus efeitos de transbordamentos tecnológicos, deveria ser direcionada para as chamadas indústrias limpas de novos sistemas tecnológicos, não claramente identificadas em um nível de agregação de dados da indústria como o utilizado neste diagnóstico. As indústrias de informática e biotecnologia já existentes com alguma força no Estado se enquadram nesta categoria. São atividades em que a esfera propriamente industrial e de serviços de confundem, sendo que o requisito fundamental para sua competitividade é a densidade urbana, especialmente de capacitação científica. Neste caso, as ações estaduais deveriam estar em sintonia fina tanto com as políticas de incentivos e atração municipais, especialmente da capital do Estado, como de políticas no âmbito estadual de ciência e tecnologia, na direção sugerida no volume 7 deste estudo. O potencial científico e tecnológico da Universidade Federal de Minas Gerais e de importantes instituições do aparato de pesquisa estadual e federal sediadas na capital mineira (CETEC, EPAMIG) evidencia a oportunidade estratégica de estimular a implantação de arranjos institucionais que sejam capazes de promover a articulação entre universidade e empresa para as indústrias de base tecnológica, como a biotecnologia e os setores da indústria de tecnologia da informação, favorecendo o surgimento de inovações organizacionais como parques tecnológicos e científicos. As condições propicias para implementação de um parque tecnológico na capital mineira, em função de sua base científica, estrutura industrial e da oferta de serviços urbanos podem ser aproveitadas. É uma janela de oportunidade existente no cenário nacional e cujo tempo de tomada de decisão estratégica é crítico, em função da competição com outros centros metropolitanos do país, sugerindo uma ação determinada do Estado neste sentido, seja através de uma política de incentivos ou de construção de mecanismos de financiamento e atração de capital de risco. 108 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 105. BDMG 40 anos 1.12. Referências Bibliográficas BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS. Economia mineira – 1989: diagnóstico e perspectivas. Belo Horizonte, v.5, 1989. CARVALHO JÚNIOR, Luiz C. As estratégias de crescimento das empresas líderes e o padrão de concorrência das indústrias avícola e suinícola brasileiras. 1997. 253 f. Tese (Doutorado em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. CHENERY, H.; ROBINSON, S.; SYRQUIN, M. Industrialization and growth. Washington, D.C.: Oxford University Press, 1986. CRUZ, C.; VERMULM, R. A competitividade da indústria de máquinas-ferramenta. In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA, XXI, 1993, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: ANPEC, 1993. p.23-45. ERBER, F. A política cientifica e tecnológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. LEMOS, M. The agrofood system in semi-industrialized countries: the Brazilian case. 1992. 398 f.. Thesis (PhD in Economics) - University of London, England. FERREIRA, F.; LEMOS, M. A nova configuração geográfica da indústria automotiva no Brasil. ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA, XXX, 2002, Nova Friburgo. Anais... Nova Friburgo: ANPEC, 2002. 1-20. FNP CONSULTORIA. Agrianual. São Paulo: FNP, 2001. ______. Anualpec. São Paulo: FNP, 2001. FURTADO, A. (Coord.). Capacitação tecnológica, competitividade e política industrial: uma abordagem setorial e por empresas líderes. Brasília: IPEA, 1994. (Texto para discussão, n. 348). GAZETA MERCANTIL. Balanço anual. São Paulo, n. 26, Jun. 2002. GOODMAN, D.; SORJ, B.; WILKINSON, J. Da lavoura às biotecnologias. São Paulo: Campus, 1990. INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA; FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Revista Agroanalysis. Rio de Janeiro, v. 21, n. 10, out. 2001. ______. Revista Agroanalysis. Rio de Janeiro, v. 21, n. 12, dez. 2001. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo agropecuário de 1995/96. Rio de Janeiro: IBGE, 1996. ______. Pesquisa industrial anual. 1996,1997,1998,1999. Rio de Janeiro: IBGE, 2000. LAPLANE, M.; SARTI, M. Investimento direto estrangeiro e o impacto na balança comercial dos anos 90. Campinas, 1998. Mimeografado. MOREIRA, M. A indústria brasileira nos anos 90: o que já se pode dizer. São Paulo: IPE / USP, 2000. (Seminário interno, n. 10). 109 Capítulo 1 - Estrutura e dinâmica
  • 106. NOGUEIRA, ALEXANDRE S. Padrão de concorrência e estrutura competitiva da indústria suinícola BDMG 40 anos catarinense. 1998. 139 f. Dissertação (Mestrado em Economia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. RESENDE, M. F. Industrialização periférica e dinâmica da industria de bens de capital: um estudo econométrico do caso brasileiro. 1995. 158 f. Dissertação (Mestrado em Economia) – CEDEPLAR-UFMG, Belo Horizonte. RESENDE, M. F.; ANDERSON, P. Mudanças estruturais na indústria de bens de capital. Brasília: IPEA, 1999. (Texto para discussão, n. 658). RODRIGUES, L. Potencial da agricultura irrigada como indutora do desenvolvimento regional: o caso do Projeto Jaíba no Norte de Minas Gerais. Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 32, n. 2, abr./jun. 2001. SINDIMEC. Estudo do segmento de bens mecânicos sob encomenda da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Belo Horizonte, 2001. (Relatório de Pesquisa). VERMULM, R. O setor de bens de capital no Brasil. In: SCHWARTZMAN, S. Ciência e tecnologia no Brasil: política industrial, mercado de trabalho e instituições de apoio. Rio de Janeiro: FGV, 1995. 110 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 107. MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI VOLUME VI INTEGRANDO A INDÚSTRIA PARA O FUTURO CAPÍTULO 2 CADEIAS PRODUTIVAS RELEVANTES Victor Prochnik (Professor do Instituto de Economia e do Mestrado em Ciências Contábeis da UFRJ, e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Cadeias Produtivas) Bruno Ottoni Vaz (Aluno do Instituto de Economia da UFRJ e bolsista do Programa PIBIC/CNPq)
  • 108. Este trabalho é dedicado à memória de Lia Haguenauer; que tanto nos ensinou. Os autores também agradecem a Paulo Gonzaga M. de Carvalho, todos os entrevistados e o apoio do BDMG. Colaboraram os membros do grupo de pesquisa em Cadeias Produtivas - www.ie.ufrj.br/cadeiasprodutivas, bolsistas da FAPERJ Marcélle Gonçalves de Valença e Bruno Folly Guimarães e Silva e a assistente de pesquisa Renata Celeste Guberfain.
  • 109. SUMÁRIO 2.1. DIREÇÕES PARA O CRESCIMENTO INDUSTRIAL DE MINAS GERAIS ......................................... 117 2.1.1. Ciclos de investimento e a oportunidade de definições para os rumos do crescimento econômico ................................................................................................................................... 117 2.1.2. Oportunidades de investimento na economia brasileira e prioridades para Minas Gerais ....................... 118 2.2. OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO E CADEIAS PRODUTIVAS ................................................ 122 2.2.1. Cadeias produtivas ................................................................................................................................................. 122 2.2.2. Estudo das oportunidades de investimento através da metodologia das cadeias produtivas ........................................................................................................................................... 123 2.3. A PARTICIPAÇÃO DE MINAS GERAIS NA ECONOMIA BRASILEIRA .............................................. 125 2.3.1. Estrutura comparada da produção do Brasil e dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo ................................................................................................................................... 125 2.3.2. Origem comparada da produção do Brasil e dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo ................................................................................................................................... 126 2.3.3. Destino comparado da produção do Brasil e dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo ................................................................................................................................... 130 2.4. A EVOLUÇÃO RECENTE DAS CADEIAS PRODUTIVAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS ..... 135 2.4.1. Evolução do produto industrial .......................................................................................................................... 135 2.4.2. Evolução recente do comércio internacional ................................................................................................... 137 2.5. AS CADEIAS PRODUTIVAS DE MINAS GERAIS E OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO ................................................................................................................................................... 139 2.5.1. A cadeia produtiva da construção civil ............................................................................................................. 139 2.5.2. A cadeia produtiva metal-mecânica ................................................................................................................... 142 2.5.3. A cadeia produtiva química ................................................................................................................................. 148 2.5.4. A cadeia produtiva de têxtil e calçados ............................................................................................................. 151 2.5.5. A cadeia produtiva agroindustrial ....................................................................................................................... 152 2.6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES DE POLÍTICAS .............................................................................. 155 2.6.1. Uma hierarquia de programas de incentivo ao investimento e ao aprimoramento tecnológico .............................................................................................................................................................. 155 2.6.2. As jornadas do desenvolvimento ........................................................................................................................ 159 2.7. APÊNDICE: A DELIMITAÇÃO DE CADEIAS PRODUTIVAS PARA O BRASIL E ESTADOS DE MINAS GERAIS, SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO ............................................................................... 161 2.7.1. O método de delimitação de cadeias produtivas ............................................................................................. 161 2.7.2. Características técnicas das matrizes utilizadas e do emprego do método Haguenauer ............................ 162 2.8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................................... 169
  • 110. 2.1. Direções para o crescimento industrial de BDMG 40 anos Minas Gerais 2.1.1. Ciclos de investimento e a oportunidade de definições para os rumos do crescimento econômico Este capítulo apresenta a estrutura e a evolução recente da indústria de Minas Gerais, segundo suas cadeias produtivas. Ele compara as cadeias produtivas deste Estado, tanto com as cadeias produtivas de São Paulo e do Rio de Janeiro, como com as cadeias produtivas da economia brasileira. Ele também destaca, no Estado de Minas Gerais, as oportunidades de investimento na indústria, procurando mostrar algumas das frentes abertas para o seu crescimento futuro. As oportunidades de investimento e as políticas para o desenvolvimento industrial são muito variadas, por causa da diversidade da economia mineira. Neste estudo são propostas, por exemplo, políticas para a sociedade da informação em Minas Gerais e habitação popular. Por esta razão, nas conclusões, as propostas feitas no decorrer do texto são agregadas segundo uma taxonomia de cadeias produtivas. Uma das características da taxonomia proposta é a incorporação de uma classe de ações de governo voltada exclusivamente para as cadeias cujas atividades são exercidas principalmente pelos segmentos mais pobres da população. Mas as ações de Governo sugeridas no texto só serão eficientes se contarem com efetivo apoio político para sua execução. Assim, a última conclusão é a de uma ação explícita neste sentido, a retomada das Jornadas do Desenvolvimento. Essa discussão sobre ações de governo e das direções que tomou a evolução recente da indústria do Estado e das alternativas de desenvolvimento futuro é relevante no atual contexto econômico. Primeiramente, porque Minas Gerais atravessa um período de baixa cíclica de investimentos, momento propício para a definição das novas direções que o desenvolvimento futuro tende a tomar. Em contraste, durante um ciclo de crescimento, os projetos de investimento tendem a ser interligados. Eles aproveitam as mesmas oportunidades tecnológicas e comerciais, muitas vezes ampliadas por externalidades abertas pelos projetos de investimentos já em andamento e/ou por estratégias de concorrência empresarial. Assim, durante o ciclo de crescimento, costumam ser menores as possibilidades de mudanças de rumo nas direções de crescimento, devido ao entrelaçamento das atividades em que estão sendo realizados os investimentos. De fato, a TAB. 1 mostra que Minas Gerais atravessa um período marcado pela pouca intensidade de investimentos, após ter sido beneficiada pelo miniciclo de crescimento entre os anos de 1995 a 1998. Uma segunda razão para a importância das discussões sobre o próximo ciclo de investimentos é a expectativa de que, na economia nacional, um bom número de grandes projetos poderão vir a ser implantados. Nesse contexto, a possibilidade de atrair uma parcela significativa do gasto em investimento deve despertar o interesse de Minas Gerais2 . Para Giambiagi (2002), entretanto, existe suficiente capacidade ociosa, na economia nacional, para que o início do ciclo de crescimento não necessite de aportes significativos à capacidade produtiva. Mas outras indicações apontam em direções diferentes. Por exemplo, para diversos 2 Os dados de investimento apresentados na TAB. 1 devem ser vistos mais como uma tendência geral do investimento no Estado, pois incorporam apenas projetos industriais apoiados pelo INDI – Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais. 117 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 111. autores, como Alem et al (2002) e Frishtak & Cavalcanti (2001), a superação da restrição externa BDMG 40 anos requer importantes investimentos, tanto para incentivar as exportações, como para apoiar a substituição competitiva de importações. Especificamente, no caso da cadeia eletrônica, Alem et al (2002) sugerem que a política industrial se volte para atrair grandes fabricantes internacionais. Eles também afirmam que, entre outros, alguns requisitos a serem considerados para essa política são: “(...) 1. grandes investimentos em infra-estrutura (água e energia); (...) 3. necessidade de grandes investimentos em bens de capital (quase todos sem produção doméstica).” – Alem et al (2002, p. 22). TABELA 1 INVESTIMENTOS GERADOS POR PROJETOS INDUSTRIAIS DECIDIDOS E APOIADOS PELO INDI, MINAS GERAIS - 1990/2001 INVESTIMENTOS INDUSTRIAIS APOIADOS PELO INDI 1 ANO (US$ MILHÕES) 1990 656,4 1991 489,1 1992 851,6 1993 566,8 1994 388,8 1995 982,7 1996 1264,4 1997 1768,9 1998 1407,0 1999 442,4 2000 385,7 2001 n.d. FONTES: 1 Anuário Estatístico de Minas Gerais 2000/01 - Fundação João Pinheiro, Governo de Minas Gerais, pág. 256 Portanto, dada a possibilidade de um novo ciclo de investimentos para o País e havendo indicações sobre sua potencial relevância, cabe perguntar que direções deveriam ser privilegiadas e quais são as possibilidades de desenvolvimento que se abrem para o Estado de Minas Gerais. A próxima seção apresenta um quadro geral sobre as direções que podem ser seguidas. As demais seções discutem as possibilidades concretas de desenvolvimento industrial para Minas Gerais. 2.1.2. Oportunidades de investimento na economia brasileira e prioridades para Minas Gerais Na discussão sobre as perspectivas de crescimento para a indústria brasileira, são destacadas outras duas questões estreitamente relacionadas, que Minas Gerais precisa levar em consideração: a inserção internacional do seu parque fabril e a desejada continuação do aumento da produtividade, que vem ocorrendo desde o início da década de noventa. Por exemplo, Moreira (1999) mostra que a distância das empresas, em relação à fronteira da best practice, ainda é muito grande. Para realizar esses ganhos de produtividade, é necessário formar empresas de porte internacional, capazes de competir no mercado global. 118 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 112. Para Castro (2002), entre vários outros3 , agora é necessário um impulso exportador para BDMG 40 anos retirar o País (e as empresas também) do grupo de risco internacional. Nesse esforço, as empresas devem deixar os mercados de produtos maduros que, internacionalmente, já estão saturados, e procurar os mercados mais dinâmicos. Para isto, é necessário aumentar o conteúdo tecnológico dos seus produtos. A proposta de Castro (2002) traz um desafio para a política industrial do Estado de Minas Gerais. Isto porque, segundo Medeiros (2002, p. 5), “... a matriz [de insumo-produto] deixa clara a fragilidade da estrutura produtiva de Minas Gerais: exporta commodities intensivas em produtos primários, minerais e intermediários de baixo-valor agregado e altamente vulneráveis à oscilação de preços internacionais, e adquire, fora do estado, bens e serviços de maior conteúdo tecnológico.” Frischtak & Cavalcanti (2001) e Alem et al (2002) discutem a substituição competitiva de importações. A substituição é dita competitiva porque se espera que as empresas venham a produzir, no Brasil, tanto para o mercado nacional como para o mercado externo. Os dois trabalhos destacam a cadeia química e a cadeia de insumos do setor de produtos eletrônicos como prioritárias para a substituição competitiva. Mas a participação de Minas Gerais, na produção dessas cadeias, é particularmente pequena. Como os estabelecimentos industriais, em muitos setores, dessas cadeias costumam se localizar em pólos de produção, o número de empresas já instaladas (path dependence) e a infra-estrutura técnica disponível são fatores de atração relevantes de novos investimentos. Nesses setores, potencialmente dinâmicos, Minas Gerais está em relativa desvantagem. Outra via de desenvolvimento, freqüentemente indicada para o Brasil, e, conseqüentemente, para Minas Gerais, é o crescimento econômico voltado para atender ao mercado interno. Essa formulação é, em geral, associada a propostas para diminuir as desigualdades econômicas. Para os diversos proponentes desse modelo de desenvolvimento econômico, existem várias alternativas, muito diferentes entre si, para reativar o mercado interno, em nível nacional, entre as quais, modificações institucionais, como o aumento do salário mínimo e outras medidas legais; incentivos ao investimento; reorganização do sistema financeiro; programas de obras governamentais e reforma agrária. Essas modificações dependem de decisões ainda não tomadas. Por essa razão, a curto prazo, as duas outras estratégias são mais pragmáticas. Note-se que a preocupação de Medeiros (2002) com o baixo valor agregado da produção de Minas Gerais e o pequeno conteúdo tecnológico das suas exportações pode ser estendida para as três estratégias mencionadas, exportação, substituição competitiva de importações e crescimento voltado para o mercado interno. Em qualquer um desses casos, a política do governo para o investimento deve privilegiar, concomitantemente, o aumento do valor agregado e o aprimoramento técnico de produtos e processos. Mais ainda, o aprimoramento produtivo e tecnológico amplia a competitividade das empresas e, conseqüentemente, sua capacidade de conquistar novos mercados. Há, portanto, um círculo virtuoso entre aumento dos investimentos e desenvolvimento tecnológico. Por essa razão, a taxonomia proposta no final deste trabalho leva essas duas variáveis em consideração. Entretanto, como a capacidade de busca e captação de projetos por parte do governo é um recurso escasso, é importante ponderar a prioridade das alternativas acima apresentadas. A primeira prioridade, a ser levada a cabo imediatamente, deve ser a busca de oportunidades de investimento associadas à substituição competitiva de importações. Isto também devido Frischtak & Cavalcanti (2002), por exemplo, propõem um “sistema nacional de exportações”. 3 119 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 113. ao agravamento das contas externas, que ocorre na atual conjuntura. De fato, a crise externa BDMG 40 anos bloqueia importações e abre novos mercados para a produção interna de muitos produtos anteriormente importados. Seria útil, para aumentar o nível de investimentos no Estado, que o governo participasse, ativamente, da atração de projetos desse tipo. Aparentemente, uma onda de substituição de importações já está ocorrendo no País em 2002. Notícias do jornal Valor Econômico (3 de junho de 2002) informam que o volume de importações vem caindo bem mais rápido do que a produção interna. Como essas duas variáveis costumam estar relacionadas, a queda relativa das importações parece indicar a substituição crescente de produtos anteriormente importados. Outro indicador relevante é que a diminuição mais significativa das importações foi observada em setores onde já se esperava que ocorresse um processo de substituição. Segundo o mesmo jornal, a queda das importações se concentra nos setores de equipamentos eletrônicos, peças e outros veículos, material elétrico e elementos químicos. No caso do setor eletroeletrônico, as importações, no primeiro semestre de 2002, diminuíram 35% em relação ao primeiro semestre de 2001. Elas passaram de US$ 7,2 bilhões, no primeiro semestre de 2001, para US$ 4,7 bilhões, em 2002 (www.abinee.org.br). A segunda alternativa, exportações, também é favorecida pela situação atual. Mas, em uma situação de recessão, parte do crescimento das exportações pode ser conseguido pela ocupação de capacidade ociosa. Assim, embora sem o caráter de premência que envolve a primeira alternativa, a busca por projetos exportadores também deve ser considerada prioritária. A terceira alternativa é a de mais longo prazo. À medida que se configura uma situação de recessão econômica, o interesse em investir para atender o mercado interno é bem menor. Novamente, essa regra geral pode não ser válida quando são analisados projetos específicos. Novos projetos podem ser viáveis se visarem substituir empreendimentos tidos como mais ineficientes. Também se pode argumentar que a terceira alternativa, buscar projetos que visam, prioritariamente, atender ao mercado interno, é a mais importante. Primeiramente, porque o comércio exterior brasileiro representa uma parte relativamente pequena do movimento econômico, não tendo se mostrado, até agora, capaz de sustentar o crescimento do produto nacional. Em segundo lugar, porque é no desenvolvimento do mercado interno que se criam as capacitações para a ampliação da competitividade. Por fim, cabe sugerir que, nas três estratégias, um papel de destaque deve ser dado para as cadeias produtivas intensivas em tecnologia. Segundo Lall (2002), a estrutura econômica se move na direção dos setores intensivos em tecnologia, porque esses setores crescem mais rapidamente do que a média da indústria. Além disso, segundo o mesmo autor, nas cadeias de produtos intensivos em tecnologia estão as maiores oportunidades de aprendizado e as maiores taxas de crescimento da produtividade. Elas são mais flexíveis do que as demais cadeias. Nelas, também, são gerados os spillovers mais intensos. O aspecto a ser destacado é de que os fluxos tecnológicos entre cadeias tendem a ser mais intensos nos sentidos das cadeias intensivas em tecnologia para as maduras e tradicionais e, também, das maduras para as tradicionais. A existência desses vetores de conhecimento e tecnologia e o fato de essas variáveis estarem na base da vantagem competitiva moderna valorizam o papel dos setores intensivos em tecnologia. Outra característica relevante das atividades intensivas em tecnologia é a dificuldade de iniciar o seu desenvolvimento, de forma sustentada, em uma dada região. Segundo Lall (2002), a operação dessas cadeias é intensiva na acumulação de conhecimento, predominantemente tácito. O processo é path dependent, isto é, o sucesso é fruto de esforço cumulativo. 120 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 114. O caso do complexo eletrônico, em geral, e da eletrônica, em particular, é interessante BDMG 40 anos porque há uma movimentação, em Minas, para promover o uso das tecnologias da informação e telecomunicações através do Plano de Desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicações em Minas Gerais (PDTIC MG). Sugere-se a ampliação do escopo deste Plano, no sentido de transformá- lo, também, em uma política industrial de atração de novos investimentos. Essas e outras propostas são discutidas no restante deste trabalho. De fato, neste estudo, busca-se apontar as oportunidades de investimento associadas às trajetórias acima descritas. Assim, este capítulo analisa as cadeias produtivas de Minas Gerais, examinando sua evolução recente e aspectos do seu potencial de crescimento, tendo em vista as questões acima assinaladas. 121 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 115. 2.2. Oportunidades de investimento e cadeias BDMG 40 anos produtivas Esta seção apresenta o conceito de cadeia produtiva e algumas das suas aplicações, relacionadas ao estudo das oportunidades de investimento, a discussão continua trabalho anterior – Prochnik & Haguenauer (2002). 2.2.1. Cadeias produtivas Uma cadeia produtiva é uma seqüência de setores econômicos, unidos entre si por relações significativas de compra e venda, na qual os produtos são crescentemente elaborados. As cadeias produtivas resultam da crescente divisão do trabalho e da maior interdependência entre os agentes econômicos. Por um lado, as cadeias são criadas pelo processo de desintegração vertical e especialização técnica e social. Por outro lado, as pressões competitivas por maior integração e coordenação entre as atividades, ao longo das cadeias, ampliam as articulações entre os agentes. A rigor, o termo cadeia produtiva se refere mais a situações em que há apenas uma seqüência aproximadamente linear de setores, como é o caso de muitas cadeias de agronegócios. Mas o entrelaçamento de cadeias é comum. Muitas cadeias se repartem e outras se juntam. Não há por que presumir que a teia de cadeias produtivas se espalhe, de maneira uniforme, sobre a estrutura econômica. Ao contrário, as cadeias de uma economia regional podem ser agregadas em conjuntos, ou blocos, de forma que o valor médio das compras e vendas entre os setores constituintes de um bloco seja maior do que o valor médio das compras e vendas desses mesmos setores com os setores de outros blocos. Esses blocos são as macro cadeias, ou complexos industriais. Neste estudo, usa-se, simplesmente, o termo cadeia produtiva, para designar tanto as macro estruturas como as cadeias mais localizadas. O termo complexo industrial é usado como sinônimo de cadeia. Para estudar cadeias produtivas, a tarefa inicial é o esforço de delimitação das cadeias produtivas, que segue metodologia proposta por Lia Haguenauer em Haguenauer, Prochnik, Guimarães e Araújo Jr. (1986) e revista, pela mesma autora, em Haguenauer e Prochnik (2000). Por isto, o método empregado é denominado de Método Haguenauer. A delimitação de macro cadeias é um exercício de identificação de clusters, em uma matriz de trocas entre setores, desenvolvida a partir da matriz de insumo-produto. O processo de delimitação gera uma base de dados sobre as cadeias e seus inter-relacionamentos. A interpretação dessa informação permite discutir as características estruturais da economia em análise. Posteriormente, busca-se agregar, à base de dados, informação sobre o crescimento dos setores considerados, para analisar tanto a dinâmica do crescimento das cadeias como as mudanças na composição intra e intercadeias. Em Haguenauer et al (1986), foram encontradas cinco grandes cadeias, então denominadas de macrocomplexos (construção civil, metal-mecânico, químico, têxtil/ calçados e agroindustrial) e uma cadeia mais isolada (papel e gráfica). Os macrocomplexos foram segmentados, por sua vez, em 22 microcomplexos. Cada microcomplexo estava completamente inserido dentro de um macrocomplexo. 122 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 116. Neste trabalho, por exemplo, chegou-se às mesmas estruturas, mas com composições setoriais BDMG 40 anos um pouco diferentes das anteriormente encontradas (as diferenças são explicadas na seção 2.7.2). Como também explicado nesta seção, optou-se por incluir a cadeia papel e gráfica na cadeia agroindustrial. Por último, note-se que há uma tendência de conjugar os termos cadeias produtivas e clusters (aglomerações) em definições complementares. Nessa ótica, os clusters estariam nos nós das cadeias. No entanto, essa visão nos parece equivocada. As estruturas de produção local também se apóiam em cadeias produtivas, como mostram os próprios estudos sobre agrupamentos produtivos. Assim, os estudos sobre aglomerações locais também são, na maior parte das vezes, trabalhos sobre cadeias produtivas. Neste capítulo, as cadeias produtivas referidas são cadeias localizadas e/ou mais restritas, em termos de composição setorial e alcance geográfico. 2.2.2. Estudo das oportunidades de investimento através da metodologia das cadeias produtivas A análise de cadeias produtivas procura articular conjuntos de setores econômicos, estabelecendo padrões de comportamento e linhas de causalidade. O objetivo da utilização das cadeias produtivas e dos complexos industriais é exatamente este, o de pesquisar padrões de interdependência, afastando-se, nesse sentido, da tradição de análise setorial. Em particular, nota-se que cresce a interdependência entre os setores, reforçando a importância do conceito de cadeia produtiva. Por exemplo, segundo Hammond (2001), os determinantes da competitividade, agora, podem ser encontrados nas formas de relacionamento entre empresas, ao longo das cadeias e, não, ao nível das empresas consideradas individualmente. O autor se refere à cadeia têxtil, mas suas proposições também se aplicam às demais cadeias industriais: “Proposição 1: os setores de varejo, confecções e têxteis são crescentemente ligados como um canal através de relações de informação e distribuição. Então, o canal, em vez da firma, se torna a base para a competição. Proposição 2: para os fabricantes de têxteis e confecções, a chave para o sucesso é a habilidade de introduzir elos de informação sofisticados, capacidades de previsão e sistemas de administração — isto é, gestão da cadeia de fornecimento. Proposição 3: a fábrica pode gerar benefícios competitivos só se outras mudanças mais fundamentais na gestão da cadeia de fornecimento tiverem sido previamente introduzidas.” — Hammond (2001, 4/8). Muitas questões têm sido estudadas no nível de análise das macrocadeias. Entre estas, pode ser citado o padrão de especialização da economia regional, as formas de articulação interindustriais, a composição do crescimento conjunto das várias indústrias e cadeias, as decisões de investimento em bloco e, em particular, de diversificação, identificação de indústrias motrizes e de setores estratégicos, etc. Por exemplo, estudo recente sobre oportunidades de investimento na Região Nordeste — Haguenauer e Prochnik (2000) — observou que as cadeias nordestinas são mais atrasadas do que as brasileiras em três sentidos diferentes: 1) no Nordeste, é maior a participação relativa de cadeias de produtos tradicionais; 2) as cadeias da Região Nordeste são mais esgarçadas, havendo diversas brechas dentro delas e 3) dentro de cada cadeia nordestina, em comparação com a mesma cadeia para a economia brasileira, é maior a participação das atividades mais tradicionais da cadeia. 123 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 117. A análise de processos regionais de investimento é uma das aplicações mais úteis do conceito BDMG 40 anos de cadeia produtiva. De fato, entre os principais determinantes das decisões de investimento estão o crescimento recente e as perspectivas de crescimento da demanda, nos setores clientes, e a disponibilidade de oferta local de insumos, nos setores fornecedores. No estudo sobre a Região Nordeste, a análise das oportunidades de investimento chegou a resultados muito variados, indicando que essas são muito diversificadas. O mesmo ocorre em Minas Gerais. A rica base mineral e o grande potencial para agricultura, no Estado, assim como a existência de uma indústria bastante diversificada fazem com que as oportunidades de investimento sejam várias. Por essa razão, em vez de apontar oportunidades de investimento pontuais, este trabalho procura agregar as oportunidades de investimento segundo alvo de política pública, em uma tipologia. A tipologia proposta, apresentada na seção de conclusões (seção 2.6), também leva em consideração, além das oportunidades de investimento, a inserção internacional da cadeia produtiva e as possibilidades de aprimoramento tecnológico e de aumento da produtividade. A tipologia foi criada para orientar a política de Governo. Para cada tipo de cadeia, propõe-se uma política diferente. Essa tipologia orienta a análise realizada neste trabalho. Na seção final, que apresenta as conclusões, são apresentadas propostas de programas diferenciados por tipo de cadeia. Por último, note-se que, entre os fatores que impulsionam o desenvolvimento econômico, especial atenção tem sido dada à introdução e difusão de progresso técnico e do conhecimento, globalização e ao papel das instituições. A globalização e a difusão de tecnologia se articulam à análise de cadeias na tipologia proposta na seção 2.6. Finalmente, pode-se tecer alguns comentários sobre como a análise de cadeias produtivas considera o papel das instituições. Esse aspecto é visível quando se tem em conta a diferença entre o conceito de cadeia e o alcance dos estudos sobre cadeias produtivas. Enquanto o conceito de cadeia produtiva é bastante restrito, incluindo apenas a seqüência de atividades de transformação, os estudos sobre cadeias produtivas abordam todo o entorno das cadeias, incluindo serviços especializados, organizações e programas governamentais, consumo, trabalho e instituições. Em particular, reconhece- se tanto a relevância das organizações locais e das regras formais como a das regras informais. Por exemplo, quanto às atividades de serviços, o conceito de cadeia produtiva, em seu sentido estrito, não as abrange porque as atividades de serviço consomem relativamente poucos produtos industriais. Assim, não se caracterizam, propriamente, cadeias de transformação. Mas o estudo das cadeias produtivas abrange a dinâmica das demais atividades e instituições estreitamente relacionadas com essa transformação. Assim, em muitos casos, se observa a criação de instituições bilaterais ou coletivas que potencializam os efeitos para frente ou para trás. As parcerias entre empresas e a organização de supply chain management são formas de buscar ampliar os resultados da operação conjunta de empresas postadas ao longo das cadeias. Centros de pesquisa regionais, organizações de feiras de vendas de produtos e/ou de aquisição de insumos especializados e máquinas têm o mesmo efeito, aumentando a eficiência dos processos ou as vendas dos produtos finais. Enfim, há uma ampla variedade de iniciativas conjuntas que busca explorar as vantagens do esforço coletivo. Nos ambientes em que essas estratégias são mais bem-sucedidas, o crescimento da produção é maior e as oportunidades de investimento mais numerosas. Observe-se que, ao lado dos fatores citados, que operam ao nível mesoeconômico, a análise de novas oportunidades de investimento, neste estudo, também leva em consideração os condicionantes macroestruturais (disponibilidade de financiamento, custo da mão-de-obra, etc.) e o comportamento dos agentes (empresas locais, empresas de outras regiões, etc.). 124 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 118. 2.3. A participação de Minas Gerais na economia BDMG 40 anos brasileira Neste estudo, foram delimitadas cadeias produtivas para os estados de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo. A estas, foram agregados os resultados obtidos por Haguenauer et al (2001), para o Brasil. Nos quatro casos, chegou-se à delimitação de cinco grandes cadeias, construção civil, metal-mecânica, química, têxtil e calçados e agroindústria. A metodologia está apresentada na seção 2.7. 2.3.1. Estrutura comparada da produção do Brasil e dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo A TAB. 2 apresenta a participação relativa das cadeias produtivas estaduais no valor agregado da economia brasileira. Em geral, elas mostram que cerca de um décimo da atividade das cadeias produtivas brasileiras ocorre no Estado de Minas Gerais e, também, no Estado do Rio de Janeiro. Aproximadamente um terço dessa atividade econômica é realizada em São Paulo — note-se que a atividade das cadeias produtivas abrange praticamente toda atividade industrial (com exceção das indústrias diversas), agropecuária e construção civil. TABELA 2 PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DO VALOR AGREGADO DAS CADEIAS PRODUTIVAS REGIONAIS NA RESPECTIVA CADEIA BRASILEIRA CADEIAS PRODUTIVAS MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Construção civil 13,1 9,9 17,3 100,0 Metal-mecânica 16,0 7,5 56,9 100,0 Química 4,0 17,2 32,7 100,0 Têxtil 5,6 9,0 54,6 100,0 Agroindústria 11,5 4,9 28,0 100,0 Total cadeias 11,5 8,9 32,3 100,0 Serviços 8,8 14,3 29,1 100,0 TOTAL 9,8 12,3 30,3 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) A TAB. 3 mostra a distribuição do valor agregado das cadeias produtivas nos três Estados e no País. Em Minas Gerais, as cadeias cuja participação do valor agregado no total da economia é maior do que a brasileira são: a metal-mecânica, construção civil e agroindústria. São Paulo também é mais especializado na metal-mecânica, mas, dentro dessa cadeia, as especializações de São Paulo e Minas Gerais são bastante diferenciadas, como visto adiante, neste trabalho. A economia fluminense, por sua vez, é mais especializada na cadeia química e nos setores de serviços. 125 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 119. Outra cadeia que merece destaque é a química, por ter reduzida expressão no Estado. Mais BDMG 40 anos ainda, parte significativa da química de Minas Gerais é especializada no atendimento à atividade agropecuária. Por isto, como explicado na seção sobre metodologia de delimitação de cadeias produtivas, a indústria farmacêutica mineira foi incluída na cadeia agropecuária e, não, na cadeia química, como em outros estados. A dimensão relativamente reduzida dos setores de serviços, em Minas Gerais, decorre, em parte, da especialização do Estado em setores produtores de commodities. Estratégias de crescimento que visem adicionar maior valor agregado a esses setores também levarão a um crescimento mais que proporcional dos setores de serviços mais intensivos em conhecimento, como propaganda, serviços de logística, serviços ligados à moda, etc. São Paulo, além da proeminente participação na cadeia metal-mecânica, também detém grande parte da atividade brasileira da cadeia têxtil e de confecções. Como esta cadeia costuma procurar áreas de salários mais baixos, fases de desconcentração geográfica da industria de São Paulo, beneficiam investimentos produtivos em várias regiões de Minas Gerais. Outra atividade da economia paulista que foge ao padrão do Estado é a construção civil, que tem participação, em São Paulo, menos intensa do que no Brasil. TABELA 3 PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DO VALOR AGREGADO DAS CADEIAS PRODUTIVAS NO VALOR AGREGADO DO RESPECTIVO ESTADO, REGIÃO OU VALOR AGREGADO DA ECONOMIA BRASILEIRA CADEIAS PRODUTIVAS MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Construção civil 33,5 32,6 15,7 29,3 Metal-mecânica 27,1 16,3 34,3 19,4 Química 5,3 29,3 15,4 15,1 Têxtil 2,0 4,1 6,8 4,0 Agroindústria 32,2 17,7 27,9 32,1 Total cadeias 100,0 100,0 100,0 100,0 Cadeias produtivas 44,3 27,4 40,2 37,8 Serviços 55,7 72,6 59,8 62,2 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) As cadeias de maior dimensão, na economia brasileira, são as cadeias agroindustrial e construção civil. Minas Gerais diferencia-se da especialização brasileira, pois concentra 27% do seu valor adicionado na metal-mecânica, enquanto no Brasil este valor é de 19,4%. 2.3.2. Origem comparada da produção do Brasil e dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo A TAB. 4 mostra a origem dos insumos consumidos na produção. Para cada cadeia e estado, os insumos são classificados segundo sua origem: se na própria região, em outro estado ou no exterior. Minas Gerais segue um padrão intermediário ao do Rio de Janeiro, em geral mais aberto a compras de outros estados e países, e de São Paulo, mais fechado. Nota-se, também, que há um 126 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 120. padrão consistente, em todas cadeias de Minas Gerais e, também, no setor de serviços, os insumos BDMG 40 anos do próprio Estado compõem entre 60% (química) e 75% (construção civil) do consumo para produção, os de outros Estados 21 e 32% respectivamente e, os importados, 3% e 14%. O padrão do Rio de Janeiro é bastante diferenciado. Na construção civil e no setor de serviços, as compras são mais internalizadas do que em outros estados. Já na metal-mecânica e na agroindústria, as compras interestaduais são maiores do que as compras intra-estaduais. São Paulo, por sua vez, tem um terceiro padrão. As cadeias são ainda mais autônomas do que as cadeias de Minas Gerais. Apenas na cadeia química as compras internas são inferiores a 70% das compras totais. TABELA 4 ORIGEM DOS INSUMOS DE PRODUÇÃO DAS CADEIAS DE MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO – 1996 MG RJ SP Construção Civil Estadual 74,8 91,7 82,8 Outros estados 21,3 7,7 15,4 Internacional 3,9 0,6 1,8 Total 100,0 100,0 100,0 Metal-Mecânico Estadual 62,3 38,5 76,0 Outros estados 26,9 49,7 15,7 Internacional 10,8 11,8 8,3 Total 100,0 100,0 100,0 Química Estadual 59,6 72,7 66,8 Outros estados 26,1 9,3 24,5 Internacional 14,3 18,0 8,7 Total 100,0 100,0 100,0 Têxtil Estadual 61,5 63,4 72,8 Outros estados 27,4 33,8 19,3 Internacional 11,1 2,8 7,8 Total 100,0 100,0 100,0 Agroindústria Estadual 64,7 51,6 72,1 Outros estados 32,2 41,1 25,0 Internacional 3,2 7,3 2,9 Total 100,0 100,0 100,0 Cadeias Produtivas Estadual 65,2 60,5 74,5 Outros estados 27,3 29,5 19,8 Internacional 7,4 10,0 5,7 Total 100,0 100,0 100,0 Serviços Estadual 65,0 95,4 78,2 Outros estados 28,8 1,5 19,2 Internacional 6,1 3,1 2,6 Total 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 2.3.2.1. Importações de outros estados A TAB. 5 aborda a mesma questão, origem das compras de insumos, por outro ângulo. Ela mostra a dimensão relativa das compras interestaduais nos três Estados. Nota-se que tanto o 127 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 121. Estado de Minas Gerais como o do Rio de Janeiro são o destino de cerca de um sétimo das vendas BDMG 40 anos interestaduais de insumos para produção. São Paulo, realizando um pouco mais de dois terços das compras, é o grande mercado intersetorial. TABELA 5 PARTICIPAÇÃO DAS IMPORTAÇÕES INTERESTADUAIS NO TOTAL DAS IMPORTAÇÕES INTERESTADUAIS DOS TRÊS ESTADOS CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP TRÊS ESTADOS Construção civil 21,1 7,9 71,0 100,0 Metal-mecânica 17,8 29,1 53,4 100,0 Química 8,4 12,0 78,6 100,0 Têxtil 7,7 28,1 64,2 100,0 Agroindústria 14,9 18,4 66,7 100,0 Cadeias produtivas 15,4 20,5 64,1 100,0 Serviços 13,8 1,7 84,5 100,0 TOTAL 14,9 14,7 70,4 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) A TAB.6 mostra que, em todos os estados analisados, as compras de insumos são concentradas nas cadeias metal-mecânica e agroindustrial. Estas são exatamente as cadeias produtivas nas quais a economia de Minas Gerais é relativamente mais especializada. O grande volume de importações indica existência de oportunidades de investimento para o adensamento dessas cadeias. Na maior das cadeias produtivas, na construção civil a participação das compras é bem menor, indicando que a cadeia, no Estado, é bem integrada. Novas oportunidades de investimento, neste caso, estão mais correlacionadas com o aumento da competitividade da cadeia e conseqüente ampliação do mercado inter-regional. Na seção 2.5, é discutida uma proposta para o aumento da sua eficiência técnica. Entretanto, ainda existe, na construção civil, oportunidades de investimento no adensamento da cadeia. Um indicador dessa possibilidade é a maior abertura, para outros estados, das compras interestaduais, quando comparadas com abertura dos outros dois estados (TAB. 6). Por exemplo, parte do granito extraído em Minas Gerais é beneficiado no Espírito Santo e retorna cortado e polido para consumidores mineiros. Finalmente, a TAB. 6 informa que as compras interestaduais de insumos têxteis e químicos são relativamente menos importantes. No caso da cadeia têxtil, isto se deve à sua pequena participação no valor agregado da economia de Minas Gerais. A cadeia têxtil, relativamente às demais cadeias, é bastante aberta para compras em outros estados e há, presentemente, por exemplo, uma discussão sobre a viabilidade de se implantar um programa de cultivo do algodão. A fronteira agrícola do Centro-Oeste vem se expandindo e se apresenta como um novo concorrente para a agricultura mineira. Os baixos custos apresentados, nessas áreas, no desenvolvimento de determinadas culturas, devem ser levados em consideração no momento de se investir nesse setor em Minas. Atividades em que Minas é naturalmente mais competitiva requerem investimentos de menor porte, como o café. Investimentos no plantio de algodão e soja, culturas nas quais a região é muito competitiva, requerem novos investimentos em pesquisa, para tornarem-se mais atraentes. 128 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 122. TABELA 6 BDMG 40 anos ESTRUTURA DAS IMPORTAÇÕES INTERESTADUAIS CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP TRÊS ESTADOS Construção Civil 15,5 4,4 12,6 11,3 Metal-Mecânica 39,8 49,2 28,6 34,4 Química 7,6 8,0 17,0 13,9 Têxtil 2,2 6,2 4,5 4,5 Agroindústria 34,8 32,3 37,3 35,9 Cadeias Produtivas 100,0 100,0 100,0 100,0 Cadeias Produtivas 71,4 96,4 62,9 69,1 Serviços 28,6 3,6 37,1 30,9 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 2.3.2.2. Importações de outros países A TAB. 7 mostra a participação das importações das cadeias produtivas estaduais na respectiva cadeia brasileira. Sendo adquiridas como insumos de processos produtivos, são, portanto, importações de matérias-primas e produtos intermediários. Novamente, em todos os casos, São Paulo é o principal destino das importações. Minas Gerais está no extremo oposto, sendo o estado que menos importa insumos e matérias-primas do exterior. O valor das importações mineiras e fluminenses do complexo metal-mecânico foram semelhantes em 1996. A base da indústria metal-mecânica é bastante desenvolvida em Minas e esse nível de importações está relacionado com a concentração do final da cadeia em torno a uma única indústria, a automobilística. A concentração em torno a essa atividade possibilita a existência de elos frágeis, que são complementados com importações. TABELA 7 PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS IMPORTAÇÕES DAS CADEIAS PRODUTIVAS REGIONAIS NA RESPECTIVA CADEIA BRASILEIRA CADEIAS PRODUTIVAS MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Construção civil 11,3 1,8 24,3 100,0 Metal-mecânica 12,7 12,4 49,9 100,0 Química 3,6 17,9 22,0 100,0 Têxtil 3,6 2,8 30,7 100,0 Agroindústria 6,5 14,4 33,8 100,0 Cadeias produtivas 8,0 13,1 34,8 100,0 Serviços 7,7 9,1 29,5 100,0 TOTAL 7,9 12,1 33,5 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) A TAB. 8 apresenta a estrutura das importações para produção. O padrão dos três estados, nesse aspecto, é semelhante. As maiores importações ocorrem na cadeia metal-mecânica, onde são classificadas as máquinas e os componentes eletroeletrônicos. Estes dois setores, juntamente 129 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 123. com os insumos químicos, são precisamente os que estão na fronteira atual da substituição BDMG 40 anos competitiva de importações, como comentado anteriormente, e merecem atenção especial. A menor participação desses setores na economia de mineira coloca um desafio para este Estado. Isto porque o crescimento acelerado da substituição de importações tende a desfavorecer o desenvolvimento industrial de Minas, em relação aos estados mais propícios à localização desses setores com grande potencial de investimento. A estrutura das importações revela que 58% das importações de Minas Gerais têm como destino o complexo metal-mecânico. Apesar de São Paulo e do Rio de Janeiro também apresentarem grande especialização de importações para esse complexo, o maior percentual é o mineiro. Este dado enfatiza o esgarçamento do complexo metal-mecânico em Minas e no Brasil. TABELA 8 ESTRUTURA DAS IMPORTAÇÕES CADEIAS PRODUTIVAS MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Construção civil 10,6 1,0 5,2 7,4 Metal-mecânica 58,4 34,6 52,3 36,5 Química 15,2 46,0 21,2 33,5 Têxtil 3,3 1,5 6,4 7,2 Agroindústria 12,5 16,9 15,0 15,4 Total cadeias 100,0 100,0 100,0 100,0 Cadeias produtivas 76,2 81,7 78,5 75,6 Serviços 23,8 18,3 21,5 24,4 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 2.3.3. Destino comparado da produção do Brasil e dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo 2.3.3.1. Destino dentro do País e respectivo Estado A TAB. 9 mostra a estrutura da produção vendida para demanda final. Em Minas Gerais, destacam-se as baixas participações das cadeias química e têxtil. A cadeia química vende pouco para a demanda final porque está muito relacionada com a cadeia agroindustrial. As baixas vendas da cadeia têxtil, por sua vez, indicam o porte relativamente pequeno do setor de confecções. Note-se que, na construção das matrizes de insumo-produto, é usual a estimativa da produção informal de alguns setores, entre os quais o de confecções. Por isto, o baixo valor das vendas da cadeia têxtil não é uma conseqüência de uma possível subestimativa do setor de confecções. A demanda final do complexo metal-mecânico em Minas Gerais concentra-se em apenas três setores: fabricação de automóveis, caminhões e ônibus, siderurgia e extrativa mineral. Esses setores concentram 92% da demanda final do complexo. O primeiro setor participa com aproximadamente 51% de demanda final, enquanto o segundo, 32%, e o terceiro, 9%. Dentre os demais setores, encontram-se fabricação de máquinas, eletroeletrônicos e material elétrico. O fato da demanda final desses setores em Minas ser tão baixo, sendo que estes são bens de consumo final, indica que o complexo metal-mecânico em Minas Gerais apresenta falhas. 130 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 124. A falta de complementaridade dos setores de um complexo gera ganhos em pesquisa & BDMG 40 anos desenvolvimento, na aquisição de insumos e nas inovações. Assim, a possibilidade de substituição competitiva de importações se apresenta como uma saída para o adensamento dessa cadeia, ampliando a competitividade da indústria mineira. Os três setores da agroindústria que têm maior valor de vendas para demanda final em Minas Gerais são agropecuária, abate e preparação de carnes e indústria do café. As participações desses setores são 37%, 20% e 14%, respectivamente. Somando-se à demanda final desses três setores obtém-se 71% da demanda final para a agroindústria de Minas. TABELA 9 ORIGEM DA DEMANDA FINAL SEGUNDO COMPLEXOS (PERCENTAGEM) CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP BRASIL Construção Civil 37,7 22,7 28,0 32,9 Metal-Mecânica 34,4 27,7 31,9 21,8 Química 3,3 20,5 9,2 6,8 Têxtil 1,2 6,3 5,9 5,8 Agroindústria 23,4 22,8 25,0 32,7 Cadeias Produtivas 100,0 100,0 100,0 100,0 Cadeias Produtivas 48,1 45,9 46,6 40,9 Serviços 51,9 54,1 53,4 59,1 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002). Os dados acima discutidos, tanto para a agroindústria, quanto para a metal-mecânica, apontam para uma concentração excessiva das cadeias mineiras nos setores da base do complexo. Na agroindústria, o terceiro setor em vendas para demanda final é a indústria do café que, apesar de não se constituir num setor de base da cadeia, é um produto no qual Minas é especializado. No caso da metal-mecânica, os setores que mais vendem para demanda final também são de base, com exceção do setor automobilístico. Na agroindústria de São Paulo e do Rio de Janeiro, o setor que mais vende para demanda final é outras indústrias alimentares e de bebidas, com respectivamente 30% e 32%. Este setor localiza-se no topo da cadeia e por isso concentra um grande volume de vendas para demanda final. Também é importante notar que a agropecuária aparece em segundo lugar em ambos os estados. A TAB. 10 mostra que São Paulo é o maior exportador para outros estados, seguido de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. As vendas interestaduais de Minas decorrem da sua posição privilegiada nas indústrias de base, com exceção da cadeia química e, também, da competitividade de algumas indústrias (como, por exemplo, automóveis e fertilizantes). São Paulo é o maior exportador interestadual e, simultaneamente, o maior importador dentre os três estados analisados, o que evidencia sua característica de centro dinâmico da economia brasileira, apresentando competências inexistentes em outras regiões e servindo como elo de algumas cadeias nacionais. 131 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 125. Minas Gerais é o segundo maior exportador interestadual, dentre os três estados, e suas BDMG 40 anos vendas concentram-se em duas cadeias, construção civil e agroindústria. É importante lembrar que o complexo metal-mecânico também é uma atividade na qual o Estado é muito competitivo. Entretanto, a concentração de suas vendas em um único setor, o automobilístico, faz com que o segmento mineiro apresente valores pequenos, comparativamente ao paulista. TABELA 10 PARTICIPAÇÃO DAS VENDAS INTERESTADUAIS NO TOTAL DE VENDAS INTERESTADUAIS DOS ESTADOS DE MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO CADEIAS PRODUTIVAS MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO TOTAL Construção Civil 43,6 1,4 55,3 100,0 Metal-Mecânica 23,3 6,4 64,1 100,0 Química 17,1 32,2 65,4 100,0 Têxtil 20,5 2,7 77,8 100,0 Agroindústria 29,3 6,6 65,4 100,0 Cadeias Produtivas 25,5 11,1 64,8 100,0 Serviços 14,0 7,1 78,0 100,0 TOTAL 21,2 9,6 69,8 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) No perfil das vendas interestaduais, apresentado na TAB. 11, observa-se que as cadeias que mais vendem produtos para outros estados são a metal-mecânica e a agroindústria. No nível das cadeias produtivas, o perfil de exportações interestaduais de Minas Gerais é relativamente semelhante ao de São Paulo, com maior participação nas cadeias metal-mecânica e agroindústria. As vendas do Rio de Janeiro, por sua vez, são concentradas nas cadeias metal- mecânica e química. TABELA 11 ESTRUTURA DAS EXPORTAÇÕES INTERESTADUAIS CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP Construção Civil 11,7 0,9 5,9 Metal-Mecânica 34,5 20,0 37,4 Química 11,2 57,9 16,8 Têxtil 3,9 1,2 5,9 Agroindústria 38,6 20,1 34,0 Cadeias Produtivas 100,0 100,0 100,0 Cadeias Produtivas 74,9 72,6 57,6 Serviços 25,1 27,4 42,4 TOTAL 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 132 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 126. A TAB. 12 confirma a maior desconcentração das vendas de Minas Gerais e São Paulo, em BDMG 40 anos relação às vendas do Rio de Janeiro, e acrescenta outro fato relevante. Tanto Minas Gerais como São Paulo são economias mais abertas para o comércio interestadual do que o Rio de Janeiro. TABELA 12 COEFICIENTE DE PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES INTERESTADUAIS NA PRODUÇÃO DO ESTADO DE ORIGEM CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP Construção Civil 18,2 0,7 14,7 Metal-Mecânica 37,2 15,9 34,0 Química 50,1 28,5 37,5 Têxtil 51,8 3,9 30,0 Agroindústria 40,7 14,2 36,2 Cadeias Produtivas 35,5 16,1 32,4 Serviços 17,3 5,6 23,3 TOTAL 28,1 10,6 27,8 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 2.3.3.2. Exportações internacionais As exportações de Minas Gerais são concentradas nas cadeias metal-mecânica e agroindustrial (TAB. 13). A TAB. 4, por sua vez, mostra que as exportações, como destino da produção, são mais importantes para Minas Gerais do que São Paulo e Rio de Janeiro. A cadeia metal-mecânica é particularmente intensiva em exportações. A competitividade internacional de diversos segmentos da cadeia deve ser vista como alavanca para o seu adensamento, pelas oportunidades de investimento que ela pode abrir. TABELA 13 ESTRUTURA DAS EXPORTAÇÕES ESTADUAIS E BRASILEIRA CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP BRASIL Construção Civil 1,8 1,8 0,9 10,3 Metal-Mecânica 69,9 57,1 55,2 38,0 Química 4,5 31,5 10,2 10,0 Têxtil 1,6 2,7 5,5 8,0 Agroindústria 22,2 6,9 28,3 33,6 Outros 0,0 0,0 0,0 0,1 Cadeias Produtivas 100,0 100,0 100,0 100,0 Cadeias Produtivas 99,9 84,0 80,4 86,3 Serviços 0,1 16,0 19,6 13,7 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 133 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 127. TABELA 14 BDMG 40 anos COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO1 CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP BRASIL Construção Civil 0,7 0,2 0,5 3,4 Metal-Mecânica 25,3 7,3 15,4 11,6 Química 8,5 2,9 7,4 4,2 Têxtil 9,4 1,2 8,1 10,7 Agroindústria 8,3 0,8 9,6 7,0 Cadeias Produtivas 11,6 2,6 9,7 7,0 Serviços 0,0 0,4 2,0 1,1 TOTAL 6,1 1,4 5,6 4,1 Nota: 1 o coeficiente de exportações é a participação percentual das exportações no valor bruto da produção. FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 134 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 128. 2.4. A evolução recente das cadeias produtivas BDMG 40 anos do Estado de Minas Gerais 2.4.1. Evolução do produto industrial A economia brasileira cresceu lentamente, no final da década de noventa. Na indústria, o crescimento foi quase nulo, como mostra a TAB. 15 — note-se que as tabelas desta seção não contém dados sobre o setor agropecuário. No período 1996/2000, o pior resultado foi o de São Paulo, cujo produto industrial declinou mais de 7%. O maior declínio deste Estado é mais uma evidência do processo de desconcentração da indústria paulista. Esse processo avançou mais nos setores tradicionais. Parcela significativa da indústria de calçados, por exemplo, migrou para o Nordeste, beneficiada pelos baixos salários, incentivos fiscais e boas condições de produção encontrados naquela região — Une & Prochnik (2000). Os investimentos em fiação e tecelagem, no Nordeste, também cresceram muito, no mesmo período — Prochnik (2002). O Rio de Janeiro, por sua vez, se beneficiou do avanço na base da cadeia química, através do aumento da extração de petróleo e de seu refino, mas sem conseguir integrar essa produção para os setores mais à frente na cadeia. Em Minas Gerais, como mostram as TAB. 16 e TAB. 17, cresceu o produto das cadeias da construção civil, metal-mecânica e química. A evolução favorável da cadeia da construção civil é explicada pelo crescimento da produção de minerais não-metálicos (produtos de vidro, cimento e cal), que contrabalançou o declínio da fabricação de móveis. A cadeia agroindustrial de Minas Gerais declinou no período de 1996-2000. A taxa para o Estado é menor do que a observada no Brasil, durante o mesmo período. Esse fato deve-se à rápida expansão da agroindústria do Centro-Oeste no período. Essa nova fronteira agrícola aparece como uma forte concorrente às agroindústrias de Minas e São Paulo. Na cadeia metal-mecânica, a evolução entre os microcomplexos é variada4 . Mas o quadro geral é de maior esgarçamento, principalmente nos setores após a base da cadeia. Em uma ponta, cresce a produção siderúrgica e, na outra, apesar da queda da produção automobilística, aumenta a produção de peças e componentes. Entretanto, cai a produção dos setores intermediários mais próximos à base da cadeia, isto é, a indústria mecânica e a fabricação de outros produtos metalúrgicos, como estruturas metálicas e produtos forjados. Examinando os microcomplexos, nota-se que, na produção de bens de capital, aumenta a fabricação de máquinas de uso geral e diminui a fabricação de motores, bombas, tanques e caldeiras. Também cai a produção de estruturas metálicas, possivelmente devido à retração da construção pesada, principalmente obras industriais, no final da década. No microcomplexo automobilístico, aumenta a integração da cadeia produtiva. Apesar da queda da produção de automóveis (entre 1996 e 2000, a taxa foi de -2,8% ao ano), cresce a produção de peças e componentes (5,9% ao ano) e de material elétrico para veículos. A cadeia química, por sua vez, se expande no final dos anos 90. O aumento da produção da cadeia química é derivado do crescimento dos seguintes setores: refino de petróleo, plásticos e fertilizantes. Os dados mencionados nos próximos parágrafos são oriundos da Pesquisa Industrial Anual - PIA/IBGE. 4 135 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 129. As cadeias cuja produção declina são a têxtil e a agroindustrial. Na têxtil, a produção cai em BDMG 40 anos todos os elos, com destaque para o setor de calçados. Na agroindustrial, por um lado, diminuem a produção de bebidas (-11,7% ao ano, entre 1996/2000), produtos alimentícios (9,9%), produtos de fumo (-31,3%), abate e preparação de carnes (-14,7%) e indústria do café (-15,2%) e leite e laticínios (-6,1%). Por outro lado, aumenta a fabricação de produtos farmacêuticos (9,2%), sabões e limpeza (10,8%), celulose, papel e produtos de papel (20,7% ao ano) e açúcar (9,1%). TABELA 15 TAXA MÉDIA ANUAL DE CRESCIMENTO DO VALOR DA TRANSFORMAÇÃO INDUSTRIAL - 1996/2000 CADEIAS PRODUTIVAS MG RJ SP BR Construção Civil 4,5 -2,9 0,1 2,4 Metal-Mecânica 2,4 -0,8 -2,7 -0,6 Químico 11,3 15,1 3,2 6,6 Têxtil -3,9 -10,5 -7,8 -3,7 Agroindustrial -6,6 -7,7 -5,2 -3,7 TOTAL 0,9 3,2 -1,8 0,4 FONTE: IBGE - PIA 1999 e PIA 2000 TABELA 16 DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DO VALOR DA TRANSFORMAÇÃO INDUSTRIAL POR CADEIA PRODUTIVA PARA O BRASIL E O ESTADO DE MINAS GERAIS - 1996/2000 CADEIAS PRODUTIVAS MG BR Construção Civil 7,0 8,0 8,2 8,9 Metal-Mecânico 51,3 54,5 32,9 31,7 Químico 8,1 12,0 22,4 28,4 Têxtil 6,0 5,0 8,0 6,8 Agroindustrial 27,0 19,9 27,6 23,4 Serviços Industriais 0,5 0,6 0,9 0,8 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTE: IBGE - PIA 1999 e PIA 2000 TABELA 17 DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DO VALOR DA TRANSFORMAÇÃO INDUSTRIAL POR CADEIA PRODUTIVA PARA O ESTADO DO RIO DE JANEIRO E DE SÃO PAULO - 1996/2000 CADEIAS PRODUTIVAS RJ SP Construção Civil 4,6 3,6 4,8 5,2 Metal-Mecânico 29,6 25,3 37,9 36,6 Químico 33,1 51,1 25,2 30,8 Têxtil 5,3 3,0 6,2 4,9 Agroindustrial 25,9 16,6 24,9 21,7 Serviços Industriais 1,5 0,4 1,0 0,9 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTE: IBGE - PIA 1999 e PIA 2000 136 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 130. 2.4.2. Evolução recente do comércio internacional BDMG 40 anos As tabelas seguintes mostram a evolução recente das exportações e importações das cadeias produtivas do Brasil e dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O período foi segmentado em duas fases, até 1999 e 1999/2001. Nas duas cadeias mais importantes para Minas Gerais, o comportamento das exportações é inverso ao comportamento das exportações brasileiras. Enquanto, no Brasil, após 1999, as exportações nas cadeias metal-mecânica e agroindustrial crescem mais rapidamente, em Minas, as exportações dessas duas cadeias diminui. No caso da cadeia metal-mecânica, a queda das exportações se deve à diminuição das vendas externas do setor automotivo e à perda de participação das exportações minerais para as exportações oriundas da área mineral de Carajás. No caso da agroindústria, a queda se deve ao fraco dinamismo da cultura do café, frutas, entre outros produtos. Nas demais cadeias, as exportações de Minas Gerais acompanham, em geral, os movimentos das exportações da economia brasileira. O mesmo acontece, em todas cadeias, no caso das importações. As exportações da agroindústria mineira apresentaram um crescimento médio de 5,6% no período de 1994-1999. Mas a tendência se reverte para o período posterior, 1999-2001. Neste período, há uma desvalorização cambial que deveria resultar em um aumento das exportações. Um fator que contribuiu para a queda nas exportações mineiras de produtos agrícolas é a ascensão do Centro-Oeste. As exportações mineiras de têxteis, no período de 1994-1999, cresceram 4,6% ao ano. No período de 1999-2001, essa taxa passa para 41,3%. O grande aumento das exportações têm como um de seus principais fatores a desvalorização cambial, ocorrida no ano de 1999. Além disso, o dado evidencia a competitividade da indústria têxtil mineira. TABELA 18 CRESCIMENTO MÉDIO ANUAL DAS EXPORTAÇÕES DO BRASIL E DE MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS CADEIAS PRODUTIVAS 1994-1999 1999-2001 1994-1999 1999-2001 Construção civil 4,3 10,1 4,2 4,1 Metal-mecânica 1,7 11,5 -1,3 -6,7 Química 1,9 12,4 6,8 3,0 Têxtil -3,3 14,7 4,6 41,3 Agroindústria 2,0 6,9 5,6 -7,6 Outros 9,3 12,2 19,4 18,4 Total 2,0 10,1 2,3 -2,7 FONTE: Secex, estimado pelo CEDEPLAR TABELA 19 ESTRUTURA DAS EXPORTAÇÕES DO BRASIL E DO ESTADO DE MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS CADEIAS PRODUTIVAS 1994 1999 2001 1994 1999 2001 Construção civil 10,4 11,6 11,7 23,0 25,2 28,8 Metal-mecânica 36,0 35,5 36,4 48,6 40,7 37,4 Química 9,3 9,2 9,6 3,0 3,7 4,1 (Continua...) 137 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 131. TABELA 19 (Continuação) BDMG 40 anos ESTRUTURA DAS EXPORTAÇÕES DO BRASIL E DO ESTADO DE MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS CADEIAS PRODUTIVAS 1994 1999 2001 1994 1999 2001 Têxtil 8,0 6,1 6,6 1,0 1,2 2,4 Agroindústria 33,6 33,6 31,7 23,7 27,8 25,0 Outros 2,7 3,9 4,0 0,7 1,5 2,3 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Total (US$ Milhões) 43.545 48.011 58.223 5.693 6.382 6.048 FONTE: Secex, estimado pelo CEDEPLAR TABELA 20 CRESCIMENTO MÉDIO ANUAL DAS IMPORTAÇÕES DO BRASIL E DE MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS CADEIAS PRODUTIVAS 1994-1999 1999-2001 1994-1999 1999-2001 Construção civil 0,3 14,2 -0,6 13,8 Metal-mecânica 10,7 7,3 10,7 5,8 Química 11,0 8,1 16,0 7,3 Têxtil 1,0 -5,0 7,4 -5,6 Agroindústria 1,7 -6,7 -0,9 -8,4 Outros 9,1 5,9 8,1 5,9 Total 8,3 6,3 8,9 5,2 FONTE: Secex, estimado pelo CEDEPLAR TABELA 21 ESTRUTURA DAS IMPORTAÇÕES DO BRASIL E DO ESTADO DE MINAS GERAIS BRASIL MINAS GERAIS CADEIAS PRODUTIVAS 1994 1999 2001 1994 1999 2001 Construção civil 10,7 7,3 8,4 12,4 7,9 9,3 Metal-mecânica 43,5 48,6 49,5 51,5 56,0 56,6 Química 23,3 26,5 27,4 14,1 19,4 20,2 Têxtil 4,7 3,3 2,7 4,4 4,1 3,3 Agroindústria 13,5 9,9 7,6 12,8 8,0 6,1 Outros 4,2 4,3 4,3 4,7 4,5 4,6 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Total (US$ Milhões) 33.079 49.210 55.576 3.223 4.926 5.456 FONTE: Secex, estimado pelo CEDEPLAR 138 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 132. 2.5. As cadeias produtivas de Minas Gerais e BDMG 40 anos oportunidades de investimento 2.5.1. A cadeia produtiva da construção civil A cadeia da construção civil é formada pelo setor da construção e de materiais de construção, que rumam para este grande setor. No Brasil, o setor da construção civil responde por 81% do valor agregado da cadeia. Entre as cadeias, é possível distinguir os segmentos da madeira, cimento, cerâmica e vidro. Muitos minerais não-metálicos também são vendidos diretamente à construção civil, passando, apenas, por uma fase de beneficiamento, após a extração. Também existem cadeias de materiais de construção que têm origem em outras cadeias. Em um nível bastante agregado, destacam-se os setores de materiais de construção metálicos (produtos em aço, alumínio, cobre, etc.) e de insumos químicos. As características econômicas do setor da construção são bem conhecidas. O setor é intensivo na geração de emprego e no uso de matérias-primas nacionais. Tradicional, no recurso à tecnologia, se constitui no maior mercado intersetorial da indústria. TABELA 22 DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DO VALOR AGREGADO DA CADEIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL NOS ESTADOS DE MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO E NO BRASIL MINAS GERAIS1 RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Construção civil 84,0 89,1 73,7 81,6 Serrarias e fabricação de artigos de madeira e mobiliário 1,2 3,8 7,2 6,9 Fabricação de minerais não-metálicos 14,8 5,6 16,4 8,4 Extrativa mineral (exceto combustíveis) 0,0 1,5 2,7 3,2 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 Nota: 1 Os dados não discriminam entre minerais metálicos e não-metálicos. A indústria extrativa mineral, em Minas Gerais, está na cadeia metal-mecânica. FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 2.5.1.1. O setor da construção civil A discussão sobre o setor da construção deve se centrar na discussão sobre como ampliar sua eficiência e baixar os custos das obras. Por um lado, porque, em geral, as empresas de construção crescem incrementalmente, sendo mais raros, em comparação com outros setores onde há um patamar mínimo de operação, grandes projetos de investimento. Por outro lado, o gasto em construção civil é uma parcela significativa de qualquer projeto de investimentos, público ou privado. Como a construção civil, no Brasil, é muito ineficiente, existem amplas oportunidades para a diminuição dos custos das obras, o que ofereceria vantagens significativas para potenciais investidores. 139 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 133. O Brasil, em geral, e Minas Gerais, em particular, estão em uma posição privilegiada para BDMG 40 anos desenvolver novos produtos e técnicas para aprimorar a construção civil. Isto porque há, no País e, especialmente, em Minas, ampla disponibilidade de insumos de excelente qualidade, cujo aproveitamento ainda pode ser aprimorado. Mas o setor da construção civil é um setor tradicional, no qual várias características estruturais cooperam para tornar menor sua produtividade. Entre elas, por exemplo, estão: as obras são feitas ao ar livre, em regime de produção unitária e, cada uma, em local diferente; as empresas enfrentam ciclos de demanda muito acentuados, o que dificulta a retenção de conhecimento e a sua replicação. É conhecido o caso da construção de edificações, que tem problemas de baixa qualidade e precária eficiência técnica. Os ganhos do segmento de edificações construídas para o mercado imobiliário, em oposição aos conjuntos de habitação popular, são originários, principalmente, dos processos especulativos que envolvem a valorização dos terrenos e a diferenciação artificial do produto, isto é, dos apartamentos. Assim, a eficiência na construção de edificações não é um elemento competitivo relevante, embora, com as altas taxas de juros, a diminuição do tempo de construção tenha se tornado um objetivo comum. Mas o custo do financiamento da aquisição de máquinas também é maior, e, com os baixos salários vigentes, a mecanização e automação, no setor, se dá a passos lentos. Devido a essas características, o setor da construção é, predominantemente, pouco inovador e, prioritariamente, importador de tecnologia de outros setores ou dos segmentos de obras tecnicamente mais especializadas. Os fluxos de progresso técnico para a construção civil se derivam do emprego de máquinas mais modernas, uso de novos insumos e mudanças nos processos construtivos. A questão de como aumentar a eficiência na construção civil requer, portanto, soluções integradoras. São bastante conhecidos os efeitos do emprego de novas máquinas e insumos sobre o progresso técnico na construção civil. Mas os fluxos de conhecimento dentro do setor da construção requerem algumas observações. A introdução e difusão de processos construtivos com maior qualidade e mais eficazes se derivam de programas de habitação popular, onde são menores as possibilidades de ganho oriundos da especulação imobiliária e do embelezamento da planta de construção e maiores as vantagens da adoção da padronização, economias de escala e introdução de novos métodos, em geral. Assim, o investimento na construção popular pode ser não apenas uma forma de atender a uma necessidade da população como, também, um meio através do qual se pressione, por maior qualidade e eficiência, um setor tradicionalmente avesso à adoção de novas técnicas. O mesmo ocorre em relação às obras públicas. As novas técnicas, ferramentas e máquinas são, usualmente, introduzidas e testadas nas obras maiores, pelas empresas líderes, sendo, posteriormente, difundidas para obras menores, realizadas por firmas sem o mesmo know-how técnico. Desse modo, também há um importante fluxo de progresso técnico entre os diferentes segmentos da construção. Novos produtos são introduzidos, primeiro, na construção pesada e, depois, são difundidos para a construção popular e para o setor de edificações privadas. Outro aspecto que pode impulsionar a adoção de novas técnicas e melhorar o padrão da construção civil no País é um eventual crescimento do custo da mão-de-obra. Por último, cabe mencionar, como origem de inovações dentro do setor da construção, as obras especializadas, como construção metálica, construção submarina, etc. No caso de Minas Gerais, recomenda-se um programa de apoio à pesquisa em métodos construtivos com vistas à 140 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 134. melhoria da produtividade e qualidade da indústria de materiais de construção e edificações, com BDMG 40 anos destaque para a construção especializada, como a construção metálica e componentes pré- moldados de concreto, onde se identificam vantagens, e com ênfase na difusão de inovações. É útil que o programa se articule ao Fórum da Competitividade da Indústria da Construção Civil do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Mas, dada sua relevância para Minas Gerais, cabe sugerir que o programa tenha um forte apoio na esfera estadual. Uma possibilidade é um programa de apoio, através da FAPEMIG, a centros de estudo da construção civil popular e construção pesada, em faculdades de engenharia e arquitetura de Minas Gerais. Em São Paulo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado tem uma tradicional atuação nesta área. Mas o vínculo dos institutos de pesquisa a universidades pode ser mais útil, uma vez que essas instituições costumam ter maior capacidade financeira para dar suporte à pesquisa continuada. Outra possibilidade é a vinculação dos institutos a consórcios de empresas, que viriam a cooperar na manutenção dos centros, em troca de suporte na recepção de tecnologia transferida. O gasto em pesquisa, em um programa dessa natureza, tem custos relativamente baixos, seus resultados demoram a aparecer e podem gerar inúmeros benefícios. Todas essas características operam no sentido de interessar, ao Estado, dar partida a um programa de pesquisas nesta área, mesmo que as condições macroeconômicas não indiquem a viabilidade de um aumento significativo da construção popular ou dos gastos públicos em obras a curto prazo. De fato, atualmente, a construção popular é praticamente inviável, devido à inexistência de linhas de crédito compatíveis com baixo poder aquisitivo da população e com alto patamar das taxas de juro. Entretanto, uma possível fase de crescimento da economia conjugada a uma política de redistribuição de renda e de financiamento habitacional pode alterar, com rapidez, o quadro atual. 2.5.1.2. Materiais de construção Atrás do setor da construção civil, na cadeia produtiva, estão os segmentos que produzem materiais de construção e, ainda mais atrás, a extração de minerais para a construção civil. A tendência geral da cadeia produtiva é a de aumento do valor agregado da produção de insumos da construção relativamente ao valor agregado pela construção civil propriamente dita. Nesses segmentos, existe um amplo leque de oportunidades de investimento, incluindo muitas possibilidades para micro e pequenas empresas. Os mesmos institutos de pesquisa universitários, encarregados de estudar a construção civil, podem apoiar esses segmentos através de muitas práticas participativas, como seminários, redes de tecnologia, exibição de resultados de pesquisa, transferência de tecnologia, etc. Estudos apontam ainda, como obstáculo ao desenvolvimento dos setores produtores de materiais de construção e de mineração das matérias-primas não-metálicas, do setor de materiais de construção. Devido ao grande número de micro e pequenas empresas, a participação do SEBRAE/MG pode ser útil no apoio à resolução desse problema. Entre os materiais de construção, foi visto, por executivos da cadeia, como promissor, o segmento de artefatos de concreto. Entre os minerais, por sua vez, houve menção a pedras decorativas, como a ardósia, cujas exportações são significativas, e o granito. Quanto a este último, foi informado que a agregação de valor, em Minas Gerais, é muito baixa. Existem casos em que os blocos são transportados para o Espírito Santo em bruto, para lá serem cortados em placas e enviados de volta, para clientes em Minas Gerais. 141 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 135. Os materiais elétricos também apresentam boas oportunidades de investimento. Eles são BDMG 40 anos mencionados na seção sobre a cadeia metal-mecânica. Outro setor relevante da cadeia da construção é o setor de cerâmica. O Brasil é um grande produtor e consumidor mundial de cerâmicas de revestimento. Em 1999, o Brasil foi o maior consumidor mundial desses produtos (10,2% do consumo mundial). Seguem-se China, Espanha, EUA e Itália. Os mercados mais dinâmicos, ou seja, com maiores taxas de crescimento da demanda, no período de 95/99, foram México (100%), China (70,3%), EUA (65,1%), Brasil (48,9%), Espanha (38,4%) e Formosa (37,5%). Mas, entre os maiores mercados, apenas os EUA são um grande importador. Cerca de 67% do consumo aparente é coberto por importações. As importações brasileiras são reduzidas. Por isto, não há chance de investimentos para substituição de importações. Parte do parque industrial do setor se situa em São Paulo, relativamente próximo ao Estado de Minas Gerais. Essa localização também dificulta a implantação de novos investimentos, que teriam que concorrer com os produtores paulistas. Os novos investimentos da indústria estão se dirigindo para o Nordeste, devido aos custos de transporte entre os locais de produção atual e esse mercado. Também cabe observar que Minas Gerais tem duas fábricas de grande porte de cerâmicas e azulejos que abastecem adequadamente o mercado local. Assim, não há espaço para novos investimentos, com exceção da produção de pisos, que Minas Gerais importa, pagando altos custos de frete. Por último, note-se que pode haver investimento para exportação, preferencialmente voltados para o mercado dos Estados Unidos, maior importador mundial. Mas os produtores de Santa Catarina e de São Paulo estão organizados em pólos de produção e as vantagens desse tipo de organização não são facilmente superáveis. Assim, à exceção da produção de pisos, o setor de cerâmica não deve se constituir em prioridade para a política de investimentos de Minas Gerais. 2.5.2. A cadeia produtiva metal-mecânica A cadeia metal-mecânica é a mais importante cadeia industrial do Estado. O capítulo 1 deste trabalho aponta o sucesso de Minas Gerais no desenvolvimento de longo prazo da cadeia metal-mecânica. Entre 1960 e 1999, a participação da cadeia, no produto estadual, aumenta de 37,5% para 51%. Mais ainda, o crescimento dessa cadeia se dá em meio à forte transformação estrutural, com o progressivo aumento da participação dos setores a jusante, entre os quais se destaca a fabricação de automóveis e outros veículos. O desenvolvimento da metal-mecânica, no Estado, é fruto do processo de reversão da polarização de São Paulo. Esse movimento beneficiou, principalmente, Minas Gerais e o Paraná, alcançando, também, outros estados, como a recente implantação da indústria automobilística na Bahia e no Rio de Janeiro. A TAB. 23 evidencia, como o principal problema da cadeia metal-mecânica de Minas Gerais, o porte relativamente pequeno dos setores intermediários. Essa fragilidade está associada à existência de uma forte complementaridade entre os estados de Minas Gerais e São Paulo. Minas Gerais vende, para São Paulo, insumos primários ou pouco elaborados, e compra da indústria paulista produtos mais elaborados, peças, componentes e máquinas. Um dos setores mais problemáticos é a indústria mecânica. Por um lado, afetado pela liberalização das importações e, por outro lado, pela queda da demanda do mercado sob encomenda, principalmente estatal. As maiores empresas do setor se voltaram para novos segmentos e adaptaram seu processo produtivo, principalmente para fornecer para a Petrobrás e para exportação. 142 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 136. Ainda de acordo com os entrevistados, as oportunidades de investimento, na cadeia metal- BDMG 40 anos mecânica, são muito pontuais. Foram citadas oportunidades em produtos de aço inoxidável, bens de capital para mineração, fundidos de ferro e aço e na construção metálica. TABELA 23 DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DO VALOR AGREGADO DA CADEIA METAL-MECÂNICA NOS ESTADOS DE MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO E NO BRASIL RIO DE JANEIRO1 SÃO PAULO1,2 BRASIL1 MINAS GERAIS Fabricação de automóveis, caminhões e ônibus 30,0 1,4 15,2 13,0 Fabricação e manutenção de máquinas e tratores 12,4 14,5 20,5 29,2 Fabricação de outros veículos, peças e acessórios nd 4,0 16,8 nd Fabricação de aparelhos e equipamentos de material eletrônico 0,1 4,3 12,5 13,9 Fabricação de aparelhos e equipamentos de material elétrico 1,8 5,4 13,2 8,8 Fabricação de outros produtos metalúrgicos 9,7 21,3 13,8 17,3 Metalurgia dos não-ferrosos 3,3 5,6 2,3 6,1 Siderurgia 30,2 43,5 5,8 11,8 Extrativa mineral (exceto combustíveis) 12,6 0,0 Extração de petróleo e gás natural, carvão e outros combustíveis nd 0,0 0,1 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 1 Notas: a indústria extrativa mineral foi alocada à cadeia da construção civil. Os dados não discriminam entre minerais metálicos e não-metálicos. 2 A extração de petróleo e gás foi alocada à cadeia metal-mecânica — ver nota metodológica. FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) Uma discussão pormenorizada do esgarçamento da cadeia metal-mecânica de Minas Gerais é encontrada no Capítulo 1 deste volume, de autoria do Prof. Mauro Borges Lemos. Já para os setores da base da cadeia metal-mecânica, uma análise detalhada é apresentada no volume V deste trabalho, assinado pelo Prof. Germano de Paula. Dada a contribuição destes autores, a próxima seção enfoca dois aspectos específicos da cadeia metal-mecânica de Minas Gerais: o setor de componentes eletrônicos e a possibilidade de desenvolvimento de um segmento de instrumentos para apoio à proteção ao meio ambiente. Quanto ao primeiro, embora seu porte, no Estado, seja muito pequeno, este setor é, não apenas um importante difusor de novas tecnologias, como, também, apresenta a maior oportunidade de substituição competitiva de importações. Quanto ao segmento de instrumentos para apoiar a proteção ao meio ambiente, note-se que existem outras possibilidades semelhantes, em que há potencial de mercado para desenvolver um setor de instrumentos, associado a uma atividade de serviços. Dois exemplos são os instrumentos médicos e odontológicos. Por isto, a proposta feita é, também, um exemplo de um conjunto mais amplo de possibilidades relativamente semelhantes. 143 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 137. 2.5.2.1. Perspectivas para o complexo eletrônico no Estado de Minas BDMG 40 anos Gerais5 O complexo eletrônico abrange os setores que produzem bens de consumo eletrônicos (rádio, TV, videocassetes, etc.), equipamentos de telecomunicações, produtos de informática (computadores e seus componentes), software e serviços de telecomunicações e processamento de dados. Observando apenas os segmentos industriais, a TAB. 23 mostra que o setor de fabricação de aparelhos e equipamentos de material eletrônico tem dimensão muito reduzida, em Minas Gerais, respondendo apenas por 0,1% do valor agregado pelo conjunto de cadeias produtivas. Em comparação, o mesmo setor, no Rio de Janeiro, detém 6,3% de participação no valor agregado das cadeias produtivas no Estado e, em São Paulo, 12,5%. A TAB. 24, por sua vez, apresenta a distribuição das 200 maiores empresas de tecnologia da informação por unidades selecionadas da Federação. Empresas de bens de consumo eletrônico não foram consideradas. A participação do Estado de Minas Gerais, em termos de número de empresas, é pequena. Entre as 200 maiores, apenas onze são de Minas Gerais (relação completa na TAB. 25). Em termos de faturamento e número de empregados, a participação de Minas Gerais é ainda menor. TABELA 24 DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE EMPRESAS, FATURAMENTO E NÚMERO DE EMPREGADOS DAS 200 MAIORES EMPRESAS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO PELO ESTADO DE ORIGEM - 2001 Nº EMPRESAS FATURAMENTO Nº EMPREGADOS Minas Gerais 5,5% 2,5% 2,6% Rio de Janeiro 12,0% 33,0% 27,0% São Paulo 62,5% 55,9% 54,6% Outros Estados 20,0% 8,6% 15,8% Total (%) 100,0% 100,0% 100,0% Total 200 US $ 51,8 bilhões 240.224 FONTE: Info Exame (2002) O pequeno porte do setor dificulta a geração de externalidades e o acúmulo de conhecimento e, conseqüentemente, diminui a atratividade de novos investimentos. TABELA 25 MAIORES EMPRESAS PRIVADAS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E DAS COMUNICAÇÕES DO ESTADO DE MINAS GERAIS NOME POSIÇÃO ENTRE AS VENDAS Nº EMPREGADOS 200 MAIORES (US$ MILHÕES) TELEMIG CELULAR 25 478,6 2.014 MAXITEL 36 292,5 nd CTBC TELECOM 38 275,6 925 ENGESET 74 82,6 2.026 (Continua...) 144 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 138. TABELA 25 (Continuação) BDMG 40 anos MAIORES EMPRESAS PRIVADAS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E DAS COMUNICAÇÕES DO ESTADO DE MINAS GERAIS NOME POSIÇÃO ENTRE AS VENDAS Nº EMPREGADOS 200 MAIORES (US$ MILHÕES) CTBC CELULAR 76 81,1 208 RM SISTEMAS 128 23,9 435 DELTATRONIC 160 11,2 130 MICROCITY 164 10,3 61 ATT/PS 169 9,2 124 MSA-INFOR 174 8,7 79 GRUPO A&C 188 6,9 245 FONTE: Info Exame (2002) Em Minas Gerais, existem dois pólos de fabricação de produtos eletrônicos, um em Santa Rita do Sapucaí e municípios vizinhos, outro no entorno da capital. Segundo os entrevistados, o pólo de Santa Rita do Sapucaí tem duas desvantagens. A primeira se refere ao porte das empresas, em geral pequenas e médias, com estrutura administrativa deficiente. A outra é a concorrência com o pólo de Campinas, que oferece infra-estrutura científica e tecnológica superior. Mas há, também, algumas vantagens. O pólo é muito próximo da cidade de São Paulo (cerca de 120 km) e a gestão do cluster é eficiente. Note-se, também, que o pólo de Santa Rita do Sapucaí é um dos cinco clusters selecionados pelo programa Cresce Minas, elaborado pela FIEMG, para receber apoio do Estado. Embora não se compare à infra-estrutura de Campinas, o pólo de Santa Rita do Sapucaí também se apóia em um conjunto de instituições locais de ensino e pesquisa. Essas são fortemente comprometidas com o desenvolvimento econômico local. Por exemplo, o gestor do pólo é o Pró- Reitor da Faculdade de Engenharia de Itajubá. Entre as empresas maiores, atualmente, a empresa francesa ALSTON está em Itajubá e, segundo entrevistados, a empresa ERICSON está estudando uma parceria na região. De fato, técnicos entrevistados para este trabalho acreditam que a entrada de uma grande empresa, possivelmente estrangeira, poderia alavancar o desenvolvimento do pólo. Esta exerceria o papel de estruturante. Mas enfatizaram a necessidade de forte participação do Governo no processo de atração de empresas desse porte. Citaram, como exemplo dessa dificuldade, o fracasso na atração para Minas do fabricante norte-americano de computadores DELL e da segunda fábrica da EMBRAER. No primeiro, o Estado perdeu a concorrência para o Rio Grande do Sul e, no segundo, para São Paulo. Os entrevistados também ressaltaram que algumas empresas do pólo de Santa Rita do Sapucaí estão sendo atraídas para a Bahia, devido aos incentivos fiscais oferecidos, o que pode prejudicar a consolidação dessa aglomeração industrial. Outras formas de desenvolvimento possível é a cooperação tecnológica. A cooperação tecnológica abrange desde acordos técnicos até a formação de joint ventures. A maior empresa do pólo de Santa Rita do Sapucaí, atualmente, é uma joint venture entre uma empresa de Taiwan (PHIHONG) e outra brasileira (PWM), para a produção de carregadores de celulares. 145 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 139. O pólo da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) tem empresas com porte BDMG 40 anos maior, como a JABIL (hardware) e a ENGETRON (produção de no breaks). Com a vantagem de ser um grande centro urbano, com maior infra-estrutura técnica e científica do que Santa Rita do Sapucaí, a RMBH tem maiores chances de atrair investimentos em uma empresa estruturante do que a Região do Sul de Minas Gerais. Uma das vantagens do pólo da RMBH é a maior disponibilidade de empresas de software e de serviços de processamento de dados. Isto porque, no complexo eletrônico, há uma forte inter- relação entre os setores de serviços e os setores industriais. Isto porque, devido à convergência tecnológica, os produtos eletrônicos são intensivos no uso de software e outros serviços de teleinformática. O agrupamento de empresas de software, serviços, produção de hardware, órgãos do Governo do Estado e universidades produziu uma comunidade com interesse em promover o desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação em Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, no seu Programa de Tecnologias da Informação e Comunicação, congregou essa comunidade, que formulou o Plano de Desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicações em Minas Gerais (PDTIC-MG). O PDTIC-MG tem três grandes objetivos até 2004: “1) colocar Minas Gerais em posição de destaque no cenário das Tecnologias da Informação e Comunicações, em sintonia com a posição ocupada no ranking econômico nacional; 2) fortalecer o sistema de Pesquisa e Desenvolvimento e 3) impulsionar a universalização do acesso”. PDTIC (2001, p.1). O PDTIC, entretanto, não se constitui numa política industrial. Seu foco são ações na infra-estrutura, suporte institucional e consumo. Mas essas ações são complementares. Portanto, seria útil ampliar a articulação entre a promoção de novos empreendimentos e o apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico. Em particular, no caso da eletrônica, é necessário, como disse um entrevistado, formar um grupo tarefa, para fazer o trabalho de prospecção. A proposta deste trabalho é a de ampliação do PDTIC-MG, para incorporar a dimensão de política industrial, e a sua implantação como um programa estadual semelhante ao programa federal Sociedade da Informação (www.socinfo.gov.br). Cabe, portanto, fazer algumas observações sobre o SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO. Este programa foi instituído pela Presidência da República, em 1999, e é coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Sua proposta é enfatizar a inovação tecnológica. Para isto, ele pretende implantar uma infra-estrutura de telecomunicações avançada (uma rede de alta velocidade para pesquisa), que sirva de apoio à criação de novas aplicações e de subsídio para testes. Com as aplicações, espera-se promover o desenvolvimento de sistemas para ampliar a competitividade das empresas instaladas no Brasil, prover políticas sociais (educação, saúde, etc.), diminuir a exclusão digital e aumentar a eficiência do governo (através do governo eletrônico). Alguns participantes do trabalho de criação do PDTIC foram entrevistados sobre a pertinência de criação, em nível estadual, de um programa semelhante ao Sociedade da Informação, como desdobramento do PDTIC. Eles foram, sem exceção, favoráveis à iniciativa e, entre as diversas informações úteis, destacaram pontos importantes, que expomos a seguir: • Existe a necessidade de se fazer um grande diagnóstico do nível de uso do capital intelectual por parte do parque industrial mineiro. Acredita-se que o grau de difusão das tecnologias 146 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 140. da informação e comunicação, em Minas Gerais, é baixo. O empresariado mineiro, além BDMG 40 anos de conservador, não está a par nem do potencial dessas tecnologias nem das oportunidades de financiamento existentes. O emprego atual das tecnologias da informação e comunicação é, principalmente, para substituir ‘força muscular’ por operação automatizada e, não, para usar os dados e a informação que essas tecnologias geram. • A educação à distância foi apontada como oportunidade de grande importância para um esforço conjunto das instituições e governo do Estado de Minas Gerais. • Alguns entrevistados lamentaram que o PDTIC não chegou a ser colocado em prática. Para isto, é necessário que seja feita alocação de verbas, orçamento, cronograma de aplicações e, principalmente, que haja um forte compromisso do governo com o Plano. • Diversas iniciativas isoladas poderiam ser beneficiadas e participar de um programa estadual para a sociedade da informação, ampliando o alcance do PDTIC. Entre essas, destacam-se os núcleos do SOFTEX, programa de Parques Tecnológicos e a Rede Metropolitana de Alta Velocidade, além do Programa de Reciclagem para Professores, da UFMG. A essas iniciativas, certamente deve-se agregar a participação dos órgãos públicos encarregados da promoção do investimento produtivo, para fomentar o desenvolvimento do complexo eletrônico, em geral, e a atração de empresas estruturantes, em particular. Note-se que a conjuntura econômica é bastante propícia para essa última iniciativa. Como visto anteriormente, aparentemente há, na economia brasileira, um processo de substituição competitiva de importações em curso. As importações de produtos eletroeletrônicos caíram 35%, no primeiro semestre de 2002, em relação a igual período de 2001. A TAB. 26 detalha, por segmento, a queda das importações. TABELA 26 IMPORTAÇÕES DO SETOR ELETROELETRÔNICO - JANEIRO/ JUNHO DE 2002 US$ MILHÕES ÁREAS VAR.% 2001 2002 Automação Industrial 468,2 372,9 -20,4% Componentes 3.506,5 2.391,4 -31,8% Equipamentos Industriais 611,5 695,0 13,7% GTD 107,6 104,2 -3,1% Informática 551,3 390,2 -29,2% Material de Instalação 297,8 212,6 -28,6% Telecomunicações 1.502,1 397,8 -73,5% Utilidades Domésticas 209,8 142,8 -31,9% TOTAL 7.254,7 4.707,0 -35,1% FONTE: Disponível em http:www.abinee.org.br 147 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 141. 2.5.2.2. Demanda por melhor qualidade ambiental como BDMG 40 anos oportunidade de investimento A crescente demanda por uma melhor qualidade do meio ambiente também tem a capacidade de gerar oportunidades de investimento diversificadas. Segundo o especialista Carlos Eduardo Frickmann Young, é difícil delimitar a indústria de equipamentos e produtos para controle e aprimoramento do meio ambiente porque muitos itens são de uso variado, como tubos, usados em saneamento, válvulas, equipamento de decantação, etc. Mas o controle ambiental se dá em vários níveis e, nos níveis mais sofisticados, os equipamentos são mais especializados. Por exemplo, se, no tratamento primário e secundário da água, são usadas técnicas simples como grades, para separar resíduos do líquido, e fossas, no chamado tratamento terciário a complexidade e sofisticação dos equipamentos (tratar contaminação por metais pesados, por exemplo) é muito maior. No setor ambiental, a tendência é de rápida evolução da tecnologia e crescente especialização das técnicas e dos profissionais. Assim, na prática, na área ambiental, há uma conjunção entre a sofisticação dos equipamentos, complexidade da tecnologia e graduação profissional. O setor ambiental, portanto, forma uma área de progresso técnico. Mas, segundo o Prof. Young, em muitos casos, há uma distância entre a estrutura técnico- científica e os organismos de proteção ao meio ambiente. Ele sugere uma política do governo não apenas de incentivo a investimentos na produção de equipamentos e produtos para o meio ambiente, mas uma política integrada, envolvendo um tratamento conjunto das questões de formação profissional, oferta de produtos e serviços, regulamentação, etc. Na formulação e condução dessa política, deveriam participar universidades, instituições de apoio à pesquisa e os órgãos estaduais e municipais de proteção ao meio ambiente. A dimensão de fomento à produção deveria incluir atividades como incentivo à formação de incubadoras de empresas (prestadoras de serviços e montadoras de equipamento pró-meio ambiente), certificação de produtos, suporte à transferência de tecnologia, apoio ao patenteamento, disseminação de informação técnica a empresas para permitir adaptação de produtos tradicionais para o uso na proteção do meio ambiente, etc. 2.5.3. A cadeia produtiva química A cadeia produtiva da química é relativamente reduzida, em Minas Gerais. Um dos poucos segmentos relevantes é o de fertilizantes, localizado no Triângulo Mineiro e Região Sul de Minas Gerais. Segundo Fernando Lage, no momento, não há novas oportunidades de investimento no setor. Do ponto de vista da atração de novos investimentos, o segmento de cosméticos e perfumes é, atualmente, atrativo. Segundo os entrevistados, ‘Minas Gerais já tem longa história em cosméticos’. Existe abundância de mão-de-obra especializada e empresas conhecidas, como a Skala, em Uberaba, Água de Cheiro e L’aqua de Fiori, na RMBH. Além de concordarem que o setor pode crescer, os entrevistados afirmaram que o setor é intensivo em emprego e suas compras são multiplicadoras de atividade, ao envolverem insumos como plásticos e embalagem. Outros segmentos interessantes para novos investimentos são os de biotecnologia e de plásticos. As duas seções seguintes detalham as oportunidades de investimento para esses segmentos. 148 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 142. TABELA 27 BDMG 40 anos DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DO VALOR AGREGADO DA CADEIA DA QUÍMICA NOS ESTADOS DE MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO E NO BRASIL MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Fabricação de produtos farmacêuticos e de perfumaria 0,0 16,9 22,3 13,8 Indústria de transformação de material plástico 2,4 5,8 22,5 11,4 IIndústria da borracha 0,0 3,6 15,4 6,2 Fabricação de produtos químicos diversos 25,3 11,2 34,8 15,3 Fabricação de elementos químicos não-petroquímicos 36,7 4,0 26,3 14,1 Refino de petróleo e indústria petroquímica 35,6 14,6 1,0 42,1 Extração de petróleo e gás natural, carvão e outros combustíveis 0,0 43,9 0,0 10,9 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTE: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 2.5.3.1. O aglomerado de biotecnologia Há consenso, entre todos entrevistados e, também, na literatura técnica, sobre a vocação de Minas Gerais para o desenvolvimento da biotecnologia. Por exemplo, o aglomerado de biotecnologia na Região Metropolitana de Belo Horizonte foi escolhido, pelo programa Cresce Minas (www.cresceminas.org.br), como um dos cinco aglomerados a serem privilegiados pela política de desenvolvimento industrial do Estado6 . O fator locacional relevante, no caso da biotecnologia, é a infra-estrutura científica e tecnológica. Segundo uma pesquisa do CEDEPLAR-UFMG, existe uma grande concentração de professores-doutores — cerca de 160 — em áreas correlacionadas com a biotecnologia, na mesma universidade. O agrupamento tem forte efeito multiplicador. Em decorrência da sua atividade, outros centros de estudos em biotecnologia estão emergindo em universidades espalhadas por Minas Gerais. Essa é uma vantagem de Belo Horizonte, onde está o principal pólo de biotecnologia da América Latina. Em Belo Horizonte, também está localizada a Fundação Biominas, única incubadora privada do Brasil, voltada para o desenvolvimento de empresas emergentes de biotecnologia. Até maio de 2002, dezesseis empresas passaram pela incubadora, tendo seis delas se graduado. A Fundação Biominas completou, recentemente, um levantamento das empresas que mantêm atividades relacionadas com biotecnologia no Brasil. Ela concluiu que “(...) existem, no País, pelo menos 354 empresas identificadas como elos de produção biotecnológica (...)”. (Lobato, P. — Os Resultados da Pesquisa Tecnológica — Relatório Biotecnologia, Gazeta Mercantil, 13 de maio de 2002, p. C-3). A receita conjunta dessas empresas corresponde a uma participação, no PIB, entre 0,9% e 1,5%. Analisando as empresas por estado de localização, a pesquisa concluiu que “(...) depois de São Paulo, que concentra 42% dos negócios, Minas Gerais já vem em segundo lugar, com 29%, uma participação muito distante da do Rio de Janeiro, terceiro colocado com apenas 9% das empresas.” (Lobato, P. op. Cit.) 149 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 143. Entre as empresas do pólo de biotecnologia, a Biobrás, que produz insulina e recentemente BDMG 40 anos foi adquirida por uma empresa dinamarquesa, e a Vallée, produtora de vacinas para gado em maior porte, implantaram fábricas em Montes Claros, atraídas por incentivos fiscais. 2.5.3.2. O setor de plásticos Embora não tenha sido mencionada, tanto nas entrevistas realizadas, como na literatura consultada, a vocação, em Minas Gerais, para a instalação de um pólo petroquímico, pode indicar a possibilidade de investimentos na produção de alguns tipos de plásticos. Esse potencial não advém do nível atual de demanda, cujas perspectivas de crescimento não são boas, como afirmou um entrevistado. De fato, segundo ele, o investimento mínimo, hoje, para fazer uma nova fábrica, é muito alto, requerendo um mercado substancial. Esse seria apenas o caso da instalação de uma indústria estruturante, estratégica. Por exemplo, o investimento da Polo, empresa que faz o plástico BOPE e concorre com a Votorantim, é de cerca de 40 milhões de dólares. A empresa importa, de outros estados, a sua principal matéria-prima, o polipropileno. TABELA 28 PRINCIPAIS SEGMENTOS IMPORTADORES NO SETOR DE PLÁSTICOS (US $ MILHÕES, 2000) SEGMENTO DA INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS IMPORTAÇÕES Chapas de Plásticos Não-Alveolados (sem suporte ou não reforçado) 173 Artefatos Divs.Plástico (Escritório, Escolares, Vestuário e Acessórios, Guarnições p/móveis e Objetos de Ornamentação, Arruelas/Correias, Art Laboratório, Farmácia e Bolsas p/Colostomia, Ileostomia, etc.) 145 Embalagens de Plástico (caixas, caixotes, sacos, engradados, bolsas, etc.) 97 Chapas de Plásticos Auto-Adesivas 71 Manilhas, Canos,Tubos e Conexões de plásticos (rígido, flexível e outros) 63 Chapas Plásticos Alveolares, Plásticos Estratificados (com suporte ou reforçados ) 56 Artigos de uso Domésticos (mesa, copa cozinha) e Pessoal (de higiene) 15 Produtos para a Ind. de Material Elétrico 14 Revestimento de Pavimentos de Plásticos 10 Calçados Material Plástico p/Segurança Industrial e Pessoal, Inclusive para Esporte 10 Total 653 FONTE: SECEX, calculado por Souza (2002) Mas com o progressivo encarecimento das importações, há espaço para a ampliação do processo de substituição competitiva de importações, como mostra o trabalho de Souza (2002), que relaciona seis segmentos cujas importações são significativas. Para a autora, as principais chances de substituição competitiva de importações ocorrem nesses segmentos. Note-se, também, que a estrutura da indústria de plásticos é caracterizada pela presença de poucas grandes empresas e um grande número de pequenas e médias. Assim, mesmo que não seja visível, atualmente, o mercado para investimentos de grandes empresas, é útil buscar atrair empresas menores, principalmente se essas operarem processos mais intensivos em tecnologia ou fornecerem insumos sofisticados capazes de contribuir para a competitividade ou mesmo atração de outras, situadas mais abaixo sobre as cadeias produtivas. 150 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 144. 2.5.4. A cadeia produtiva de têxtil e calçados BDMG 40 anos Segundo os dados disponíveis e as entrevistas realizadas, existem quatro questões centrais na inserção competitiva da cadeia têxtil mineira. A primeira diz respeito à distância em relação à origem da principal matéria-prima, o algodão. Atualmente, o principal pólo produtor de algodão, no Brasil, está na Região Centro-Oeste, distante das fábricas, implicando num custo de transporte significativo. A segunda questão relevante é sobre as fibras sintéticas. A evolução dos produtos têxteis tem sido na direção da crescente participação de matéria-prima sintética e artificial. Mas a indústria de Minas Gerais é especializada em produtos a base de algodão. As fibras sintéticas são, em grande parte, importadas de outros estados. A terceira questão é o baixo peso relativo do setor de confecções. Como mostra a TAB. 29, a participação do setor de confecções, no valor agregado da cadeia têxtil, em comparação com São Paulo e Brasil, é muito pequena. TABELA 29 DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DO VALOR AGREGADO DA CADEIA TÊXTIL NOS ESTADOS DE MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO E NO BRASIL MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Fabricação de artigos do vestuário e acessórios 12,0 61,7 31,1 34,8 Fabricação de calçados e de artigos de couro e peles 32,0 8,1 15,0 19,2 Indústria têxtil 56,0 30,2 53,9 46,0 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) A resultante das três questões mencionadas, importação de algodão e de fibras sintéticas e pequeno desenvolvimento do setor de confecções, é o nível baixo de autonomia média da cadeia têxtil em Minas Gerais (40%). A diferença, em relação a São Paulo e Brasil, é maior pelo lado das compras, pois a cadeia têxtil mineira compra, na própria cadeia, apenas 27% das suas compras totais, enquanto a cadeia têxtil de São Paulo realiza, na cadeia, 80% das suas compras. A quarta e última questão é a modernização do setor têxtil de Minas Gerais. Trabalho do BDMG (1999) informa que as pequenas e médias empresas do setor têxtil estão mais defasadas do que as empresas maiores. Assim, ao lado de financiar os projetos das grandes empresas têxteis, é útil examinar, mais detidamente, os problemas das empresas menores. Principalmente sua inserção em nichos específicos de mercado. É discutível, entretanto, se os quatro problemas apontados deveriam ter a mesma prioridade de política industrial. Iniciando-se pela questão das fibras sintéticas e artificiais, note-se que esses setores são intensivos em escala e a instalação de novos empreendimentos, em Minas Gerais, pode não ser factível, por provocar excesso de capacidade. 151 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 145. Sobre um maior apoio à plantação de algodão, observe-se, a esse respeito, que os incentivos BDMG 40 anos fiscais dados à Região Centro-Oeste não atingem o Estado de Minas Gerais, tornando-se difícil a equiparação de vantagens competitivas. Quanto aos setores de fiação e tecelagem, a pesquisa do BDMG refere-se a pequenas e médias empresas. Como há um processo de concentração em curso, nesses segmentos, a viabilidade do investimento em empresas de menor porte deve ser analisado caso a caso. Entre as quatro questões assinaladas, diversas razões contribuem para um interesse em formular uma política de apoio e incentivo ao setor de confecções. O comércio internacional de confecções vem aumentando mais rapidamente do que o comércio internacional global, enquanto este último, por sua vez, vem crescendo mais do que o comércio internacional de produtos têxteis (fiação e tecelagem). De fato, entre 1995 e 2000, o comércio internacional de confecções cresceu 5,9 % ao ano; o comércio internacional, para todos os produtos, cresceu a uma taxa anual de 4,6%, e o de produtos têxteis aumentou apenas 2,6 % ao ano. Há interesse, entre as empresas de Minas Gerais, em seguir essa tendência e trabalhar no sentido de aprimorar seus produtos. Pesquisa do BDMG (1999) sobre o setor têxtil do Estado de Minas Gerais aponta que “A expectativa do setor para o curto prazo é de ampliação das vendas de produtos de maior valor agregado, como vestuário e produtos para o lar, principalmente as pequenas e médias empresas, que estão se organizando em consórcios ou associações para viabilizar o acesso ao mercado externo”. (BDMG, 1999) Minas Gerais apresenta diversas vantagens competitivas no setor de confecções, como disponibilidade de mão-de-obra relativamente barata, capacitação técnica e matéria-prima (significando, portanto, o adensamento da cadeia). Some-se a isso o fato do segmento de confecções ser uma das poucas atividades industriais na qual a produtividade, na década de 90, não se expandiu significativamente. Dado que sugere a existência de muitas oportunidades para investimentos competitivos. Finalmente, os entrevistados apresentaram-se céticos quanto às perspectivas de um maior desenvolvimento do setor de calçados. A migração da indústria de calçados para a Região Nordeste, comentada anteriormente, também atingiu empresas de Minas Gerais. 2.5.5. A cadeia produtiva agroindustrial Na comparação com as cadeias dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, nota-se que a mais relevante cadeia de Minas Gerais é a agroindustrial. Seu valor agregado é um pouco menor do que a metade do valor agregado pela cadeia agroindustrial paulista e um pouco menor do que o dobro da cadeia agroindustrial do Rio de Janeiro. Os entrevistados demonstraram preocupação com a cadeia agroindustrial que, segundo eles, “(...) vive grande decadência”. Essa questão, entretanto, é abordada no primeiro capítulo deste volume. Cabe, entretanto, um comentário sobre o setor de papel, cujas perspectivas são promissoras, de acordo com os entrevistados. Eles apontam que o Estado possui uma fábrica de celulose, localizada próxima ao Estado de São Paulo, grande consumidor de papel. Por essa razão, a seção 2.5.5.1 apresenta mais dados sobre o setor de produção de papel. 152 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 146. TABELA 30 BDMG 40 anos DISTRIBUIÇÃO SETORIAL DO VALOR AGREGADO DA CADEIA AGROINDUSTRIAL NOS ESTADOS DE MINAS GERAIS, RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO E NO BRASIL MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO SÃO PAULO BRASIL Outras indústrias alimentares e de bebidas 5,4 39,0 21,2 9,6 Fabricação de produtos farmacêuticos e de perfumaria 2,2 0,0 0,0 0,0 Indústria de papel e gráfica 3,8 32,6 17,2 7,9 Indústria da borracha 0,9 0,0 0,0 0,0 Beneficiamento de produtos de origem vegetal, inclusive fumo 6,7 3,4 4,0 5,9 Fabricação e refino de óleos vegetais e de gorduras para alimentação 5,2 0,0 2,6 2,3 Abate e preparação de carnes 5,7 4,0 2,3 4,7 Resfriamento e preparação do leite e laticínios n.d. 6,2 6,1 0,0 Indústria do açúcar 2,6 3,8 3,8 1,2 Indústria do café 4,2 0,9 0,5 1,7 Agropecuária 63,4 10,0 42,3 66,7 TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0 FONTES: IBGE (2000); FIPE (2001); Haddad, & Domingues (2001) e CIDE (2002) 2.5.5.1. Papel O setor de papel é favorável a novos investimentos. Por um lado, há uma tendência, no mundo e no Brasil, de aumento do consumo do produto. Por outro, as firmas brasileiras são competitivas e tem condições de melhorar sua participação, tanto no mercado interno como nas exportações globais. O mercado mundial cresceu, nos anos 90, a uma taxa anual média de 3,1%. As regiões de maior crescimento foram Ásia/Oceania (5,3%) e América Latina (3,4%). Apenas na China o consumo de papel cresceu 11% a.a. A produção mundial está concentrada em quatro países (Estados Unidos, Japão, Canadá e China), que fabricaram mais de 53% do papel consumido no mundo, em 1999. Note-se, entretanto, que há uma tendência à desconcentração da produção. Na década de 90, a produção, na Coréia do Sul, cresceu 8% ao ano e, na Indonésia, 19% a.a. A produção brasileira cresceu, no mesmo período, apenas 4,4% a.a., taxa inferior, portanto, à observada na produção mundial. Mas há grandes diferenças entre os segmentos. O principal obstáculo à ampliação da produção nacional ocorre no segmento de papel para imprensa, no qual, como mencionado adiante, a produção brasileira está em ampla desvantagem. Nos demais segmentos, a produção nacional vem crescendo rapidamente e é internacionalmente competitiva em muitos segmentos. As exportações brasileiras são concentradas nos segmentos de papéis especiais e papéis para imprimir/escrever. O aumento das exportações, principalmente nesses dois segmentos, fez com que, entre 1990 e 1999, a participação das exportações na produção nacional tenha aumentado de 20% para 29%. 153 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 147. O comércio mundial de papel vem crescendo mais rapidamente que a produção. No início BDMG 40 anos da década de 90, o comércio mundial de papel equivalia a 23% da produção mundial e, em 1999, chegou a 29% da produção. Os cinco maiores exportadores (Canadá, Finlândia, Estados Unidos, Suécia e Alemanha) vêm perdendo participação no comércio mundial, abrindo espaço para novos países, com destaque para a Indonésia e a Coréia do Sul. No Brasil, o consumo per capita ainda é muito baixo. Enquanto o brasileiro consumia 37 kilos de papel por ano, em 1997, o consumo per capita, nos países desenvolvidos, superava os 200 kilos por ano. Mais importante ainda é observar que o consumo de papel é bastante elástico em relação à renda. Assim, com o País retomando o crescimento econômico, o consumo de papel aumentará rapidamente. Para ampliar a competitividade e a produção nacional, existem, pelo menos, dois gargalos relevantes. O primeiro ocorre no segmento de papel de imprensa, que é importado sem pagar nenhum imposto, enquanto o sucedâneo nacional paga impostos e taxas diversas como o PIS e a COFINS. Espera-se que esse obstáculo termine com a aprovação de uma lei específica, que está tramitando no Congresso Nacional. Outro problema é o porte relativamente pequeno das empresas nacionais. No setor, em nível internacional, por contraste, crescem as escalas mínimas necessárias para novos empreendimentos. Nesse aspecto, para ganhar escala, o setor deveria passar por um processo de fusões, com a formação de grupos empresariais mais robustos. Os segmentos mais viáveis para novos investimentos são os de papel para imprensa, papel para imprimir e escrever e papéis especiais. Tanto em papel para imprensa como no segmento de papel para imprimir e escrever, as importações são significativas. No primeiro caso, há um problema legal, acima mencionado, a ser superado. Mas no caso do papel para imprimir e escrever, novos investimentos já são viáveis. Principalmente se realizados através da aquisição de máquinas que fazem o beneficiamento de papéis já processados, sem revestimento. Nesse caso, o gasto em um novo projeto é menor, aumentando sua viabilidade econômica. Outras oportunidades de investimento estão associadas a potenciais mudanças nas preferências dos consumidores e na tecnologia. De fato, no mercado do papel, observa-se uma freqüente mudança no perfil de demanda. Por exemplo, no Brasil, por um lado, acabou o consumo de sacolas de supermercado e papel mata-borrão. Por outro lado, são cada vez mais usados os filtros de papel e as fraldas descartáveis. As modificações de produtos revelam mudanças tecnológicas e nas preferências dos consumidores. A continuidade desse movimento, principalmente no segmento de papéis especiais, assegura que, freqüentemente, estão se abrindo novas oportunidades de investimento. 154 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 148. BDMG 40 anos 2.6. Conclusões e recomendações de políticas Este capítulo tem duas propostas, gerais, que se aplicam a todas cadeias produtivas. A primeira é sobre a organização de programas governamentais para apoiar o investimento e o aprimoramento técnico. Sugere-se que os programas devem variar segundo o tipo de cadeia produtiva. A taxonomia de cadeias produtivas, apresentada na seção 2.7, é usada para mostrar características dos programas que podem ser seguidos. A segunda conclusão diz respeito à dimensão política dos programas propostos. Na prática, observa-se que esses programas, muitas vezes, fracassam devido à sua baixa prioridade política. Por isso, propõe-se retomar uma iniciativa antiga do BDMG e do Governo de Minas Gerais, as Jornadas do DesenvolvimentO. O ponto alto das Jornadas do Desenvolvimento, como visto a seguir, está em um encontro das autoridades estaduais, incluindo o Governador, com as lideranças locais, pactuando o programa de desenvolvimento para as cadeias produtivas relevantes para a região. 2.6.1. Uma hierarquia de programas de incentivo ao investimento e ao aprimoramento tecnológico Foi argumentado, no início do trabalho, que é importante aliar a política de incentivo ao investimento com a política de aprimoramento técnico/produtivo das cadeias produtivas. Por um lado, esse aprimoramento amplia a competitividade de empresas, setores e cadeias, leva à conquista de mercados e abre novas oportunidades de investimento. Por outro lado, certos investimentos são decisivos para alavancar a capacidade da cadeia em ampliar sua competitividade. Por exemplo, a cadeia eletrônica seria beneficiada pela entrada de uma empresa estruturante, e a cooperação técnica, entre as empresas do pólo de calçados de Nova Serrana, poderia ser maior se houvesse mais empresas produtoras de insumos, ferramentas ou mesmo bens de capital para esse segmento industrial. Assim, existe um círculo virtuoso entre ampliação da competitividade e a realização de novos investimentos. Também foi visto que existe uma ampla variedade de oportunidades de investimento no Estado de Minas Gerais. Para entender esse quadro rico e variado, é útil recorrer-se à taxonomia de cadeias produtivas proposta a seguir, que procura indicar tanto a extensão da cooperação técnica como o grau de desenvolvimento econômico da cadeia. 2.6.1.1. Tipologia para discutir o investimento e o aprimoramento técnico e organizacional nas cadeias produtivas Para discutir, de forma associada, as oportunidades de investimento e o aprimoramento tecnológico e organizacional dentro das cadeias produtivas, é preciso levar em consideração a diversidade dos agentes e a intensidade das formas de cooperação. Nesse caso, propõe-se uma tipologia de cadeias produtivas, segundo o grau de desenvolvimento econômico de suas atividades. Essa tipologia é usada, na próxima seção, para classificar e analisar as políticas públicas de apoio ao aumento da competitividade e investimento. 155 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 149. • Trabalhadores por conta própria ou micro empresas informais: caracterizam as cadeias BDMG 40 anos muito atrasadas, como, por exemplo, agricultura em minifúndios ou aglomerações de grupos de costureiras, em favelas ou bairros pobres. A produtividade e qualidade, nesses casos, são muito baixas. A produção é artesanal. Sua vantagem advém, predominantemente, do baixíssimo custo da mão-de-obra ou de habilidades artísticas ou culturais (por exemplo, artesanato). Usualmente, os trabalhadores ou suas pequenas organizações são inteiramente dominados pelo circuito comercial ou pelos clientes, através do financiamento das suas atividades. • Empresas pequenas, informais ou formais: caracterizam as aglomerações industriais tradicionais, como pólos de confecções, calçados e de produção de materiais de construção. Um exemplo significativo é o pólo de calçados, em Nova Serrana. O trabalho é realizado em organizações formalmente estruturadas, embora, muitas vezes, sem sequer registro legal. Apesar do baixo nível de produtividade e qualidade e do desconhecimento de métodos de gestão, já há uma preocupação inicial com essas questões (por exemplo, interesse em se saber como melhor calcular custos e preços, como medir a qualidade dos insumos adquiridos e a rapidez da produção; neste último caso, para informar, aos clientes, os prazos de entrega). Há um grau mínimo de automação, por exemplo, um microcomputador e acesso à Internet, para utilização de serviços bancários e envio de mails. As empresas da ponta da cadeia produtiva recorrem a estruturas de comercialização informal, como o comércio de sacoleiros, ou vendem para pequenas lojas. • Empresas médias: estão, nesta classe, tanto agrupamentos de empresas maiores, de setores tradicionais, como agrupamentos de empresas menores, de setores intensivos em tecnologia. São agrupamentos de empresas cujo porte e capacitação lhes permitem a adoção de ações coletivas. Portanto, formam clusters, isto é, agrupamentos de empresas que exibem estruturas de interação e produção mais sofisticadas. Por exemplo, organizam feiras, elegem e pressionam políticos, desenvolvem ações de atração, para o local, sobre vendedores de bens de capital e insumos, etc. Muitas já recorrem à organização em células de produção, serviços de consultoria de gestão, etc. Seus serviços administrativos são automatizados e parte da produção também. Suas vendas podem alcançar qualquer ponto do mercado nacional, mas as exportações, em geral, são esporádicas. Em Minas Gerais, um exemplo é o do pólo de Santa Rita do Sapucaí, discutido neste trabalho. • Empresas grandes: compostos por grandes firmas, estes agrupamentos são definidos muito mais por relações de compra do que pelo compartilhamento de espaço geográfico determinado. A relação entre as empresas busca seguir as regras do just-in-time externo, isto é, com adoção de regras e controles de qualidade e eficiência. Parte das operações de compra e venda é automatizada. Atingem o mercado nacional e, muitas vezes, são costumeiramente exportadores e/ou importadoras. Possivelmente, o exemplo mais conhecido, em Minas Gerais, é o da FIAT Automóveis. Note-se, também, que, em muitas cadeias, empresas maiores se relacionam, diretamente, com grande número de empresas menores, formando aglomerações com empresas de tamanho misto. Por exemplo, empresas dos pólos de confecção compram suas matérias-primas de grandes empresas têxteis e, algumas vezes, vendem para grandes cadeias varejistas. Às vezes, existe grande dependência das empresas pequenas em relação às grandes. Por exemplo, quando as grandes fornecem os insumos e know-how, organizam a produção (por exemplo, ditam padrões de produto e de qualidade) e, também, compram o produto final das pequenas. Quanto maior a dependência, mais importante é realizar a análise integrada. 156 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 150. 2.6.1.2. Aplicação da tipologia a uma hierarquia de programas de BDMG 40 anos política industrial Antes de apresentar a tipologia, cabe enfatizar que o foco da proposta são as cadeias produtivas e, não, agrupamentos de indústria. Por exemplo, quando se propõe um programa para a Sociedade da Informação ou para a cadeia da construção civil, está-se propondo uma política que, embora enfatizando os agrupamentos existentes, atravessa todo Estado. Trabalhadores por conta própria ou micro empresas informais: este caso é relevante porque nele a política industrial é, na prática, uma política de rendas. Do ponto de vista estrito da contribuição para a produção para o mercado interno e externo, essa é a classe de cadeias quantitativamente menos relevante. Um caso particular e potencialmente exportador é o do artesanato, muitas vezes realizado nesse nível de organização. Outro caso, mais comum, é da facção, em que cooperativas de trabalhadores realizam as atividades mais intensivas em mão-de-obra, por encomenda de empresas exportadoras maiores. Muitas vezes, essas cooperativas são, predominantemente, de mulheres, que realizam o trabalho perto de suas residências, onde podem cuidar dos filhos menores. Também estão nessa classe trabalhadores da construção civil (obras de reforma, pequenas construções) e a agricultura familiar. Nessa classe da tipologia, o custo do investimento por oportunidade de negócio é muito pequeno e os principais obstáculos costumam ser de natureza organizacional. Por exemplo, muitas vezes, a produção é dominada pelo circuito financeiro. Nesse contexto, o microcrédito é uma política eficiente de incentivo ao desenvolvimento das atividades. O aprimoramento técnico, no caso dessas cadeias, é, substancialmente, relacionado a mudanças no processo de trabalho, com adoção de novas ferramentas ou, no máximo, máquinas de pequeno porte. Assim, o ensino profissional e outras formas de aprendizado direto são muito relevantes para o aumento da produtividade. Por exemplo, junto à cultura do algodão orgânico, em Tauá, Estado do Ceará, atua a ESPLAR, uma ONG conhecida por seu trabalho junto a culturas orgânicas. A ESPLAR tem um escritório na região, que organiza visitas de apoio técnico, onde agentes treinados (outros agricultores), por exemplo, ensinam aos agricultores como fazer as curvas de nível no terreno de cultura. Mas, muitas vezes, existem necessidades sistêmicas cuja superação requer um apoio mais consistente. Em Tauá, a ESPLAR implantou e gerencia um laboratório de controle da praga do Bicudo. Na prática, observa-se que existe, no Brasil, uma grande diversidade de organizações oferecendo programas de apoio a comunidades mais pobres. Entre essas, encontram-se grandes empresas, em programas de gestão social, agências de todos os níveis do governo, ONGs e outras instituições privadas como o SEBRAE. A principal característica dessa oferta é a falta de coordenação entre os agentes. Na verdade, essas organizações, muitas vezes, competem entre si. Uma proposta é a de organização de agências locais, que reúnam toda a diversidade de organizações que se interessam por executar programas junto às comunidades mais carentes, que formam esse tipo de cadeia produtiva. Nessas agências, seria realizada a coordenação entre os ofertantes e o planejamento do atendimento à cadeia produtiva e à comunidade — Prochnik (2002). A) Empresas pequenas, informais ou formais: neste grupo estão as cadeias de empresas pequenas de setores tradicionais, como calçados, confecções, materiais de construção (telhas, por exemplo) e pequenas minerações. Nesse nível de organização, as vendas 157 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 151. podem alcançar outros estados. Quando os produtos são mais simples e a produção BDMG 40 anos informal, a distribuição comercial também segue canais menos sofisticados, como as redes de sacoleiras. Mas já há possibilidade concreta de produção para exportação, através de cooperativas, ou, mais comumente, para exportadores. No último caso, as empresas colaboram para as exportações, terceirizando a produção de firmas maiores, que têm os contratos com os clientes finais. Portanto, elas fazem, predominantemente, atividades de montagem de peças. Nessa classe da tipologia, em geral, os investimentos são incrementais, requerendo uma oferta de crédito com alta capilaridade. As vantagens competitivas essenciais são espúrias, como pagamento de baixos salários, informalidade da produção e recurso a matérias-primas mais baratas e acabamento menos sofisticado. A política do governo, para o aprimoramento da cadeia produtiva, nesse nível de organização, assume o caráter de extensionismo industrial. Outro exemplo seria o pólo de calçados de Nova Serrana (Crocco, 2002). O tipo de organização que gerencia ou lidera esse processo é diferente do anterior, porque essa aglomeração industrial já tem capacitação técnica para organizar o processo de aprimoramento tecnológico. No caso de Nova Serrana, “... o CENTRO DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL — o sindicato patronal local — tem uma ação destacada no sentido de integração entre as empresas. Dentre as suas atividades, se destacam o aluguel de um equipamento de CAD para as empresas; a construção de um laboratório de testes para aferir a qualidade dos calçados produzidos pelos filiados; a oferta de cursos de treinamento de mão-de-obra e a criação, em conjunto com o CEFET, de um curso de técnicos em calçados.” — Crocco (2002, p. 5) As estratégias de intervenção bem-sucedidas procuram aliar programas de governo às instituições locais. Em particular, é útil formar um conselho local, do qual participem as principais lideranças empresariais e dos trabalhadores, para funcionar como elo entre o programa de governo e a economia local. B) Empresas médias: este grupo é composto por cadeias de empresas pequenas, de setores mais intensivos em tecnologia, ou empresas médias e grandes, de setores maduros ou tradicionais, fabricando produtos mais sofisticados. Os produtos podem atingir o mercado nacional ou até mesmo serem exportados. Na exportação, elas costumam se encaixar na categoria que vende para produtores em Original Equipment Manufacturing(OEM)7 . Seu nível de autonomia, frente aos exportadores, é, portanto, muito baixo. A política industrial e comercial deve procurar formas de conseguir o up-grade para a categoria seguinte, ODM, Original Design Manufacturing, que são empresas em que o fornecedor realiza não apenas as atividades do fornecedor para firmas OEM, como, também, fornece o desenho e especificações e gerencia a logística da produção. O fornecedor, entretanto, segue os requisitos do comprador quanto à embalagem e seus rótulos, incluindo o uso da marca do importador. Produtor em Original Equipment Manufacturing (OEM) é a empresa cliente, que contrata a produção, fornece o desenho, 7 especificações do produto e sua qualidade, incluindo as da embalagem e do empacotamento, e coloca sua marca. O fornecedor controla a produção e o cliente controla a distribuição. Em relação à montagem, o produtor é mais autônomo e o seu aprendizado é mais favorecido. O aprendizado incide tanto sobre operação de produção, como, também, sobre características das operações dos elos para trás e para frente na cadeia produtiva. 158 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 152. Quanto ao apoio ao investimento, esse grupo está no extrato inferior das empresas que têm BDMG 40 anos acesso ao crédito dos órgãos oficiais. Para elas, a simplificação de rotinas, diminuição de prazos de atendimento e descentralização da oferta de crédito democratizam a difusão do crédito. Em Minas Gerais, como mencionado anteriormente, um exemplo é o do pólo de Santa Rita do Sapucaí. O pólo já conta com um sistema de planejamento próprio. As instituições de ensino locais mantêm intensa troca de experiências com as empresas, na maioria das vezes formadas por ex-alunos — Lemos & Diniz (1998). O que difere esse grupo do anterior é o maior comprometimento com atividades coletivas e um nível técnico mais sofisticado. Na prática, essas variáveis são difíceis de medir. Algumas diferenças, entretanto, são significativas. Por exemplo, nesse grupo há maior recurso ao conhecimento científico. A Universidade, portanto, assume um papel de maior relevância, em comparação com centros técnicos que costumam apoiar a classe anterior. Empresas grandes: são essas empresas as que devem implantar o supply chain management, isto é, o lean retailing (Hammond, 2001). Nesse caso, a política do governo abrange apoio ao financiamento do investimento e da atividade tecnológica, infra-estrutura tecnológica, defesa da concorrência e apoio à comercialização externa e à participação em algumas iniciativas, como consórcios de empresas e universidades. Esses consórcios são particularmente interessantes no caso do desenvolvimento ou adaptação de novas tecnologias, como é, na cadeia têxtil, o caso do HARVARD CENTER FOR TEXTILE AND APPAREL RESEARCH, em pesquisas sobre comércio eletrônico, logística empresarial, etc. Nas perspectivas de exportação, também se aplica, nesse caso, a discussão sobre upgrade das empresas, realizada no item anterior. A categoria seguinte ao ODM é o OBM, Original brandname manufacturing, onde o fornecedor vende o produto com embalagem e rótulo, seguindo suas próprias especificações e marcas de comércio. Algumas empresas já conseguiram esse aprimoramento e estão investindo no exterior. Esses casos devem ser melhor estudados, pois essa é a direção que se preconiza. 2.6.2. As jornadas do desenvolvimento A segunda proposta é uma retomada das Jornadas do Desenvolvimento. As Jornadas do Desenvolvimento foram idealizadas pelo então Presidente do BDMG, Dr. Hindenburgo Pereira Diniz. Elas começaram em 1967, após a consecução, pelo Banco, do primeiro Diagnóstico da Economia Mineira, e duraram aproximadamente até 1975. As Jornadas do Desenvolvimento foram eventos que marcaram o apoio do Estado de Minas Gerais a programas de desenvolvimento econômico para suas principais regiões. Elas se constituíram, principalmente, em uma mobilização do Governo para respaldar o planejamento realizado para uma dada região e buscavam assegurar condições políticas para sua efetiva implantação. Uma Jornada do Desenvolvimento é precedida pelo planejamento participativo para a região. Nessa fase, são discutidas as principais linhas de ação para o desenvolvimento regional e acordadas as participações das diversas instâncias do Governo. O evento central é uma visita programada, do Governador, políticos mineiros e técnicos do governo federal e estadual a uma cidade-pólo, por alguns dias. Nessa visita, são debatidas questões pertinentes à economia nacional, estadual e local, enfatizando esta última. Muitas vezes, o grupo também vai conhecer algumas das maiores empresas da região. 159 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 153. Mas o principal significado de uma Jornada do Desenvolvimento é político. Seu evento BDMG 40 anos confirma o apoio do Estado ao plano de desenvolvimento previamente alinhavado, para todos os agentes participantes. Esse apoio é fundamental, porque a implantação de um plano de desenvolvimento econômico local ou regional pode encontrar muitos obstáculos e resistências não relacionados com a disponibilidade de financiamento das atividades previstas. Mas se o plano tem o suporte direto e claro do Governo do Estado, essas resistências são muito mais facilmente enfrentadas. Assim, fica claro que, para o desenvolvimento econômico estadual, não basta a proposição de planos de governo para o desenvolvimento, como as propostas da seção precedente. É necessário divisar também um mecanismo de apoio político e de sinalização, para os agentes envolvidos, da intensidade desse apoio. A reedição das Jornadas do Desenvolvimento é um instrumento poderoso nesse sentido. 160 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 154. 2.7. Apêndice: a delimitação de cadeias BDMG 40 anos produtivas para o Brasil e estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro O método de delimitação de cadeias produtivas. Este trabalho apresenta a delimitação de cadeias produtivas para o Brasil e os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os exercícios de delimitação são feitos a partir das matrizes de insumo-produto para as respectivas regiões. Foram usadas matrizes de insumo-produto indicadas pela TAB. 31. TABELA 31 FONTE DE DADOS UTILIZADA PARA DELIMITAÇÃO DAS CADEIAS PRODUTIVAS REGIÃO MATRIZ INSUMO-PRODUTO Brasil IBGE (2000) Minas Gerais FIPE (2001) São Paulo Haddad, E. & Domingues, E. (2001) Rio de Janeiro CIDE (2002) FONTE: Elaboração do autor Nos quatro casos, a delimitação das cadeias produtivas foi feita com base em dados para 1996. Mas as classificações por setor, adotadas nas diferentes matrizes, não são iguais. A compatibilização entre as classificações é discutida na próxima seção. 2.7.1. O método de delimitação de cadeias produtivas Para delimitar cadeias produtivas, foi utilizada a metodologia proposta em Haguenauer, Prochnik, Guimarães e Araújo Jr. (1986) e aperfeiçoada em Haguenauer e Prochnik (2000). É preciso esclarecer que o método foi proposto e aperfeiçoado pela primeira autora, Lia Haguenauer. Por essa razão, ele é denominado, aqui, de método Haguenauer. Como visto a seguir, a delimitação de macrocadeias se assemelha a um exercício de identificação de clusters (agrupamentos). A delimitação das cadeias produtivas é realizada em dois passos consecutivos. O primeiro consiste em estimar uma matriz de transações entre setores, diferente, em vários aspectos abaixo relacionados, da matriz de compras e vendas intersetoriais (D x B) x P, onde (D x B) é a matriz de coeficientes técnicos diretos e P é o vetor de produção por setor. Na matriz estimada, procura-se manter apenas as transações que denotam o processo de transformação das matérias-primas, pelas sucessivas etapas de produção. Deseja-se representar a especificidade dos diferentes processos industriais, enfatizando a coesão entre os setores componentes das cadeias. As atividades e setores eliminados são os seguintes: • Vendas de materiais auxiliares (combustíveis, energia, etc.). 161 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 155. • Vendas de embalagens (sacaria, vidro, etc.). BDMG 40 anos • Compra e venda de serviços. • Vendas de bens de capital. Isto porque as compras de bens de capital não são proporcionais ao nível de atividade do processo de transformação. • Produtos para escritório (alguns tipos de vendas de materiais elétricos, etc.). Diversas razões explicam os passos de identificação da matriz de transações usada para delimitar cadeias produtivas. Eles são apresentados e discutidos em Haguenauer et al (1986); Haguenauer & Prochnik (2000) e Haguenauer et al (2001) e, por essa razão, não são aqui discutidos. O segundo passo é classificar, na matriz de transações assim obtida, os setores em cadeias produtivas. A técnica empregada é bastante direta: a cada setor, são considerados relacionados os setores que são seus maiores clientes e fornecedores. Para isto, tanto pelo lado das compras como pelo lado das vendas, é escolhido um limite de compras (ou vendas) acumulado, para considerar os setores selecionados. Nos exercícios de delimitação realizados, foi sempre considerado o limite de 50%. Assim, a cada setor, foram associados, pelo lado das suas vendas (compras), seus clientes (fornecedores), em ordem de importância decrescente de compras (vendas). A associação de novos setores para quando o volume de compras (vendas) conjuntas dos setores escolhidos iguala ou ultrapassa o limite de 50% das vendas do setor em consideração. Desta forma, as cadeias produtivas são constituídas por conjuntos de setores que realizam, entre si, grande parte de suas transações de compra e venda. Foi necessário escolher um limite para as compras e vendas porque observa-se, na estrutura econômica representada pela matriz de transações, que cada setor transaciona, em maior ou menor grau, com todos os demais. Assim, a decisão de qual é o ponto de corte entre as cadeias é, necessariamente, arbitrária. Mas o método empregado não garante, em diversos casos relevantes, a total separação entre as cadeias. Assim, é necessário efetuar cortes arbitrários entre setores, para se chegar a cadeias produtivas constituídas de sentido analítico. Nos gráficos, as relações que estão dentro do limite de 50%, mas associam setores de cadeias produtivas diferentes (portanto, que sofreram cortes arbitrários) são apresentadas por linhas tracejadas. Por essa razão, uma das características centrais do algoritmo Haguenauer é a sua clareza. À medida que os critérios são mais explícitos (em relação a métodos alternativos, como a análise fatorial, por exemplo), o trabalho do analista de dados é mais simples. A clareza no método facilita a interpretação e debate dos resultados. Por último, note-se a semelhança entre os resultados alcançados nos diferentes exercícios de delimitação. Como visto na próxima seção, as diferenças, de caso para caso, na composição setorial de cada cadeia, são pequenas. O método Haguenauer, portanto, parece ser bastante robusto, o que é outra característica positiva que recomenda o seu emprego. 2.7.2. Características técnicas das matrizes utilizadas e do emprego do método Haguenauer Nesta seção, são explicadas as peculiaridades do processo de delimitação de cadeias produtivas em cada caso. Para a economia brasileira, a delimitação dos complexos foi realizada por Haguenauer et al (2001). Neste caso, o único procedimento adicional adotado foi o de agregar algumas cadeias 162 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 156. encontradas por esta autora, para melhor comparar a estrutura da economia brasileira com as dos BDMG 40 anos estados selecionados. A decisão da cadeia maior, na qual se insere a cadeia mais restrita, foi tomada tendo em vista as relações de compra e venda estabelecidas pela cadeia mais restrita. Assim, enquanto Haguenauer et al (2001) separam um “complexo eletrônico”, neste trabalho o complexo eletrônico foi agregado ao complexo metal-mecânico. No mesmo sentido, o setor “indústria papel e gráfica” foi incluído no complexo agroindustrial, diferentemente da delimitação feita por Haguenauer (texto para discussão 786), que considerou este setor como um complexo em si, ou uma cadeia colapsada. As matrizes de insumo-produto para Minas Gerais e para São Paulo resultaram de estimativas realizadas pela FIPE/USP, a partir da matriz brasileira e dados regionais. A mesma metodologia foi empregada em ambos os casos. Por isto, tanto os problemas encontrados, no emprego do método de delimitação, como as soluções divisadas, foram as mesmas. O principal problema adveio do fato de ambas matrizes terem sido calculadas a partir de uma matriz de transações intersetoriais para o Brasil. Não existem, portanto, as matrizes setor- produto e produto-setor. Isso dificulta o emprego do método Haguenauer, pois os produtos a serem eliminados têm que ser estimados. Este é o caso das vendas de anúncios e serviços gráficos, que devem ser zeradas. Mas, como essa atividade tem uma participação muito reduzida, dentro do setor “indústria de papel e gráfica”, optou-se por não modificar os valores das vendas do setor “indústria de papel e gráfica”. As vendas de óleos combustíveis também devem ser zeradas (matéria-prima auxiliar). Mas a participação deste produto, nas vendas do setor refino do petróleo e indústria petroquímica, é significativa. Por isto, suas vendas foram estimadas e o valor resultante subtraído das vendas do setor refino de petróleo e indústria petroquímica. Algumas vendas de produtos não podem ser caracterizadas como fazendo parte de uma cadeia produtiva. As vendas de vidro, para a indústria de bebidas, são para embalar o produto. Mas o produto embalado não é constituído de vidro. Logo, essas vendas não devem ser levadas em consideração dentro de uma análise de complexos. De forma semelhante, os produtos que tipicamente devem ter algumas de suas vendas desconsideradas são: produtos de material elétrico, artigos de plástico, papel, celulose, papelão e artefatos, álcool de cana e cereais, outros produtos têxteis, outros produtos metalúrgicos e artigos de vidro. Os setores fabricação de aparelhos de material elétrico, indústria de transformação de material plástico e outros metalúrgicos são constituídos por um único produto. Logo, nesses casos, só foi preciso anular normalmente os valores das vendas desses setores, como se fossem os produtos. Nos setores de elementos químicos e de indústria têxtil, que são compostos por mais de um produto, foi utilizado o mesmo método do setor refino do petróleo e indústria petroquímica (com relação ao produto óleos combustíveis). Mas, ao invés de desconsiderar todas as vendas dos produtos, como feito com o produto óleos combustíveis, só não foram levadas em consideração as vendas que não fazem parte de uma cadeia produtiva, como a venda de outros produtos têxteis para a agropecuária, que é a venda de sacos apenas para embalar os grãos. No caso dos minerais não-metálicos, que não é constituído apenas pelo produto artigos de vidro, o objetivo inicial era encontrar quanto das vendas de fabricação de minerais não-metálicos de São Paulo para cada setor era na verdade venda de artigos de vidro. 163 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 157. A necessidade de se encontrar essa proporção deve-se ao fato de que, na elaboração de BDMG 40 anos complexos, nem todas as vendas de artigos de vidro devem ser levadas em consideração. Vidros são amplamente consumidos, mas, do ponto de vista dos complexos, as compras devem ser levadas em consideração quando os produtos consumidos são utilizados como insumos (tornando-se parte integral do produto), pois desta maneira caracteriza-se a existência de uma cadeia produtiva. Os valores de vendas deveriam então ser anulados, quando não fizessem parte de uma cadeia. O processo utilizado para se encontrar quanto das vendas de minerais não-metálicos era, na realidade, venda de artigos de vidro (os dados não constavam da matriz insumo produto SP 1996), foi de utilização da mesma proporção encontrada na pesquisa industrial anual (PIA), de 1996. É feita, portanto, a hipótese de que a relação produção de vidro/produção de minerais não-metálicos, nos dados da PIA, é igual à relação em São Paulo e que essa proporção é igual para todos os setores. Note-se, também, que as versões disponíveis da matriz de São Paulo e de Minas Gerais são ainda preliminares. Por essa razão, na matriz de transações referente a Minas Gerais, os setores fabricação de outros veículos, peças e acessórios e leite e laticínios, que ainda apresentam algumas inconsistências, não foram incluídos nos complexos. Esses setores foram agregados em um setor à parte, denominado de “outros”. De forma semelhante, na Matriz de São Paulo, ainda existem alguns resíduos que impedem a igualdade do valor bruto da produção calculado na linha e na coluna. Esses resíduos foram alocados a uma linha, junto da linha de valor agregado, denominada de “outros”. Por último, existe a questão de como alocar o setor “indústrias diversas”. Este setor foi agregado ao setor serviços, tanto por sua pequena participação no produto dos setores de serviços (na matriz para o Brasil, a participação do setor “indústrias diversas”, no setor “serviços”, é de apenas 0,66%), como pela composição do setor de serviços. Este setor, por exemplo, já inclui algumas atividades com características bastante próximas às industriais, como a oferta de serviços de utilidade pública. 2.7.2.1. Classificação dos setores por cadeia produtiva Com a aplicação do método Haguenauer, são encontradas as cadeias produtivas e delimitadas suas composições em termos de setores. O método tem se mostrado bastante robusto, pois os diversos exercícios de delimitação têm chegado às mesmas cadeias, com composição setorial bastante semelhante. As cadeias produtivas e suas respectivas composições setoriais estão na TAB. 32. Nesse sentido, este trabalho não foi exceção. Na delimitação de cadeias produtivas, nas matrizes insumo-produto de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, foram encontradas as mesmas cinco grandes cadeias, construção civil, metal-mecânica, química, têxtil e agroindústria. Nos três exercícios, assim como no referente à matriz para o Brasil, cuja delimitação em cadeias foi feita por Haguenauer (2001), a cadeia papel e gráfica foi colocada na cadeia agroindustrial. Esse procedimento é justificado pelos dados existentes (o setor agroindústria é seu principal fornecedor) e, também, porque não há uma preocupação com o número relativamente pequeno de setores das matrizes de insumo-produtos. Isto porque, como o trabalho compara quatro matrizes diferentes, a diversidade de situações encontradas é bem ampla, mesmo com o elevado grau de agregação das matrizes. Desde o primeiro estudo — Haguenauer et al (1986) —, procurou-se delimitar cadeias mais ou menos abrangentes, de forma que as do segundo tipo, os microcomplexos, são parte das do 164 Minas Gerais do Século XXI - Volume VI - Integrando a Indústria para o Futuro
  • 158. primeiro tipo, os macrocomplexos. Nesse contexto, a cadeia papel e gráfica sempre foi considerada BDMG 40 anos um objeto à parte, pois não tinha dimensões suficientes para se constituir num macrocomplexo, nem seus setores são muito inter-relacionados com outros setores, de forma a constituir um microcomplexo. Mas as diferentes cadeias da cadeia agroindustrial, como café, óleos vegetais e carnes, também têm essa propriedade, são relativamente independentes das demais cadeias agroindustriais. Por essa razão também, e dado o interesse em se trabalhar com reduzido número de cadeias, a cadeia papel e gráfica foi considerada dentro da cadeia agroindustrial. Assim, os quatro exercícios de delimitação considerados levam às mesmas cinco cadeias produtivas. Quanto à composição setorial das cadeias, houve um pequeno número de diferenças entre os quatro exercícios. Embora em baixo número, algumas dessas diferenças têm significado econômico relevante e são, a seguir, apresentadas. A TAB. 32 apresenta as composições setoriais resultantes de todos exercícios de delimitação. Na matriz de Minas Gerais, o setor de farmacêutica e perfumaria foi localizado na cadeia agroindustrial e, não, na cadeia química, como nos outros casos. Isso se deve ao tipo de atividade predominante neste setor mineiro, mais voltado para a saúde animal. Também em Minas Gerais, a extração de minerais, que nos demais estados e no Brasil está na cadeia da construção civil, foi alocada à cadeia metal-mecânica. Ao contrário dos demais estados e do Brasil como um todo, em Minas Gerais a extração de minerais metálicos é mais importante do que a extração de minerais não-metálicos. Por último, o setor indústria da borracha que, nos demais estados e no Brasil, está na cadeia química, foi considerado na cadeia agroindustrial em Minas Gerais, porque suas compras são oriundas principalmente desta cadeia. Em São Paulo, o setor de extração de petróleo e gás está na cadeia metal-mecânica, enquanto, nos demais estados e no Brasil, o setor é a base da cadeia química. O motivo é a inexistência de extração de petróleo e gás no Estado de São Paulo, em 1996. Há, entretanto, produção de carvão, que também pertence ao mesmo setor, mas tem seus principais clientes na cadeia metal-mecânica. A matriz do Rio de Janeiro segue uma metodologia um pouco diferente quanto à sua composição em setores. Foram considerados três setores adicionais, não encontrados nos demais estados e no Brasil: indústria fonográfica, ourivesaria e equipamentos hospitalares. Indústria fonográfica está na cadeia química, ourivesaria e equipamentos hospitalares estão na cadeia metal- mecânica. 165 Capítulo 2 - Cadeias produtivas relevantes
  • 159. TABELA 32 BDMG 40 anos CADEIAS PRODUTIVAS E RESPECTIVAS COMPOSIÇÕES SETORIAIS CADEIAS CADEIAS CADEIAS CADEIAS PRODUTIVAS PRODUTIVAS PRODUTIVAS PRODUTIVAS BRASIL MINAS GERAIS SÃO PAULO RIO DE JANEIRO CONSTRUÇÃO CONSTRUÇÃO CONSTRUÇÃO CONSTRUÇÃO CIVIL CIVIL CIVIL CIVIL 33 Construção civil 33 Construção civil 33 Construção civil 2.1 Construção civil 13 Serrarias e 13 Serrarias e 13 Serrarias e 2.2 Serrarias e fabricação de artigos fabricação de artigos fabricação de artigos fabricação de artigos de madeira e de madeira e de madeira e de madeira e mobiliário mobiliário mobiliário mobiliário 4 Fabricação de 4 Fabricação de 4 Fabricação de 2.3 Cimento minerais minerais minerais não-metálicos não-metálicos não-metálicos 2 Extrativa mineral 2 Extrativa mineral 2.4 Vidro (exceto combustíveis) (exceto combustíveis) 2.5 Outros minerais não-metálicos 2.6 Extrativa mineral METAL-MECÂNICA METAL-MECÂNICA METAL-MECÂNICA METAL-MECÂNICA 11 Fabricação de 11 Fabricação de 11 Fabricação de 3.1 Automóveis, automóveis, automóveis, automóveis, caminhões e caminhões e ônib