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Slide 1: MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI CONSOLIDANDO POSIÇÕES NA MINERAÇÃO VOLUME V
Slide 2: MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI VOLUME V CONSOLIDANDO POSIÇÕES NA MINERAÇÃO Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais
Slide 3: BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Conselho de Administração José Augusto Trópia Reis - Presidente Murilo Paulino Badaró - Vice-Presidente Edgard Martins Maneira Elvira Fonseca Garcia Fábio Proença Doyle José Pedro Rodrigues de Oliveira Diretoria Murilo Paulino Badaró - Presidente Francisco José de Oliveira - Vice-Presidente José Lana Raposo Ignácio Gabriel Prata Neto Júlio Onofre Mendes de Oliveira Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães - Coordenação Geral Marco Antônio Rodrigues da Cunha - Coordenação Executiva Marilena Chaves - Coordenação Técnica Equipe Técnica do Departamento de Planejamento, Programas e Estudos Econômicos D.PE Bernardo Tavares de Almeida Frederico Mário Marques Gislaine Ângela do Prado Juliana Rodrigues de Paula Chiari Marco Antônio Rodrigues da Cunha Marilena Chaves Tadeu Barreto Guimarães - Gerente Apoio Administrativo Cristiane de Lima Caputo Diully Soares Cândido Gonçalves Henrique Naves Pinheiro Hiram Silveira Assunção Marta Maria Campos
Slide 4: As idéias expostas nos textos assinados são de responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião do BDMG. BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Rua da Bahia, 1600, Lourdes 30160.907 Caixa Postal 1.026 Belo Horizonte - Minas Gerais Tel : (031) 3219.8000 http://www.bdmg.mg.gov.br e-mail: contatos@bdmg.mg.gov.br Editoração de Textos IDM / Técnica Composição e Arte Criação da Capa Fernando Fiúza de Filgueiras Projeto e Produção Gráfica Fernando Fiúza de Filgueiras Otávio Bretas Rona Editora Ltda Avenida Mem de Sá, 801 Santa Efigênia 30260-270 Belo Horizonte/ MG Telefax: (31) 3283-2123 Revisão e Normalização Dila Bragança de Mendonça Elzira Divina Perpétua (Coordenação) Marlene de Paula Fraga Raquel Beatriz Junqueira Guimarães Vicente de Paula Assunção Virgínia Novais da Mata Machado Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais Minas Gerais do Século XXI / Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. B213m 2002 Belo Horizonte: Rona Editora, 2002. 10 v. : il. - Conteúdo: v.1 - O Ponto de Partida. v. 2 - Reinterpretando o Espaço Mineiro. v. 3 - Infra-Estrutura: sustentando o desenvolvimento. v. 4 - Transformando o Desenvolvimento na Agropecuária. v. 5 - Consolidando Posições na Mineração. v. 6 - Integrando a Indústria para o Futuro. v. 7 - Desenvolvimento Sustentável: apostando no futuro. v. 8 - Investindo em Políticas Sociais. v. 9 - Transformando o Poder Público: a busca da eficácia. v. Especial – Uma Visão do Novo Desenvolvimento 1. Condições econômicas – Minas Gerais. 2. Desenvolvimento econômico – Minas Gerais. I. Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. II. BDMG. III. Título CDU: 338.92(815.1) Catalogação na publicação: Biblioteca BDMG 4 Minas Gerais do Século XXI - Volume I - O ponto de partida
Slide 5: VOLUME 5 CONSOLIDANDO POSIÇÕES NA MINERAÇÃO Autor do Volume Germano Mendes de Paula (Doutor e Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia - UFU) Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães Marco Antônio Rodrigues da Cunha Marilena Chaves Coordenadores Técnicos do Volume Juliana Rodrigues de Paula Chiari (D.PE/BDMG) Bernardo Tavares de Almeida (D.PE/BDMG)
Slide 7: SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................................ 13 1. CENÁRIO INTERNACIONAL .................................................................................................................................. 15 1.1. Mineração: um negócio heterogêneo .................................................................................................................... 15 1.2. A importância econômica da mineração .............................................................................................................. 16 1.3. Fusões e aquisições na mineração mundial ......................................................................................................... 18 1.4. Evolução dos gastos com exploração mineral no mundo ................................................................................ 21 2. CENÁRIO BRASILEIRO E DE MINAS GERAIS ................................................................................................ 27 2.1. Breve revisão histórica da mineração brasileira .................................................................................................. 27 2.2. Reservas minerais: Brasil e Minas Gerais ............................................................................................................. 29 2.3. Desempenho da produção mineral na década de 1990: Brasil e Minas Gerais ............................................................................................................................................... 32 3. INVESTIMENTOS NA MINERAÇÃO BRASILEIRA E DE MINAS GERAIS ....................................... 39 3.1. A questão do investimento na mineração ........................................................................................................... 39 3.2. Evolução dos investimentos na mineração brasileira ........................................................................................ 40 3.3. Distribuição geográfica dos investimentos na mineração brasileira ............................................................... 42 3.4. Investimentos na mineração em Minas Gerais ................................................................................................... 44 4. A DIMENSÃO SISTÊMICA DA COMPETITIVIDADE NA MINERAÇÃO ............................................ 47 4.1. Regimes de tributação na mineração latino-americana ..................................................................................... 47 4.2. Tributação da mineração no Estado de Minas Gerais ....................................................................................... 49 4.3. Financiamento e fundos minerais ......................................................................................................................... 51 4.4. Conhecimento da geologia brasileira .................................................................................................................... 52 4.5. Mineração e meio ambiente ................................................................................................................................... 54 5. FERRO ................................................................................................................................................................................... 61 5.1. Mercados consumidores .......................................................................................................................................... 61 5.2. Tendências da demanda .......................................................................................................................................... 62 5.3. Reservas mundiais .................................................................................................................................................... 63 5.4. Reservas brasileiras .................................................................................................................................................. 64 5.5. Produção mundial .................................................................................................................................................... 64 5.6. Produção brasileira .................................................................................................................................................. 65 5.7. Balança comercial brasileira ................................................................................................................................... 66 5.8. Processo de consolidação ....................................................................................................................................... 67 5.9 O Caso MBR ............................................................................................................................................................. 70 5.10. A Situação das pequenas mineradoras ................................................................................................................. 70 5.11. Preços ......................................................................................................................................................................... 72 5.12. Perspectivas .............................................................................................................................................................. 72
Slide 8: 6. OURO ...................................................................................................................................................................................... 75 6.1. Mercados consumidores .......................................................................................................................................... 75 6.2. Tendências da demanda .......................................................................................................................................... 75 6.3. Reservas mundiais .................................................................................................................................................... 75 6.4. Reservas brasileiras .................................................................................................................................................. 76 6.5. Produção mundial .................................................................................................................................................... 76 6.6. Produção brasileira .................................................................................................................................................. 77 6.7. O caso Mineração Morro Velho ............................................................................................................................ 79 6.8. Balança comercial brasileira ................................................................................................................................... 80 6.9. Processo de consolidação ....................................................................................................................................... 80 6.10. Preços ......................................................................................................................................................................... 82 6.11. Perspectivas .............................................................................................................................................................. 83 7. ZINCO .................................................................................................................................................................................... 85 7.1. Mercados consumidores .......................................................................................................................................... 85 7.2. Tendências da demanda .......................................................................................................................................... 86 7.3. Reservas mundiais .................................................................................................................................................... 86 7.4. Reservas brasileiras .................................................................................................................................................. 87 7.5. Produção mundial .................................................................................................................................................... 87 7.6. Produção brasileira .................................................................................................................................................. 87 7.7. Balança comercial brasileira ................................................................................................................................... 88 7.8. Escala de produção .................................................................................................................................................. 89 7.9. Os casos CMM e Paraibuna de Metais ................................................................................................................. 89 7.10. Preços ......................................................................................................................................................................... 90 7.11. Perspectivas .............................................................................................................................................................. 91 8. NÍQUEL ................................................................................................................................................................................ 93 8.1. Mercados consumidores .......................................................................................................................................... 93 8.2. Tendências da demanda .......................................................................................................................................... 93 8.3. Reservas mundiais .................................................................................................................................................... 94 8.4. Reservas brasileiras .................................................................................................................................................. 94 8.5. Produção mundial .................................................................................................................................................... 94 8.6. Tecnologia HPAL ..................................................................................................................................................... 94 8.7. Produção brasileira .................................................................................................................................................. 95 8.8. Balança comercial brasileira ................................................................................................................................... 96 8.9. Escala de produção .................................................................................................................................................. 96 8.10. O caso Mineração Serra da Fortaleza ................................................................................................................... 97 8.11. Preços ......................................................................................................................................................................... 98 8.12. Perspectivas .............................................................................................................................................................. 99 9. NIÓBIO ................................................................................................................................................................................ 101 9.1. Mercados consumidores ........................................................................................................................................ 101 9.2. Tendência da demanda .......................................................................................................................................... 101 9.3. Reservas mundiais .................................................................................................................................................. 102 9.4. Reservas brasileiras ................................................................................................................................................ 102 9.5. Produção mundial .................................................................................................................................................. 103 9.6. Produção e exportação brasileira de ferronióbio ............................................................................................. 103 9.7. O segmento de óxido de nióbio .......................................................................................................................... 104 9.8. O caso CBMM ........................................................................................................................................................ 104 9.9. Novos entrantes na indústria mundial de nióbio ............................................................................................. 105 9.10 Preços ....................................................................................................................................................................... 106 9.11. Perspectivas ............................................................................................................................................................ 107
Slide 9: 10. FOSFATO ............................................................................................................................................................................. 109 10.1. Mercados consumidores ........................................................................................................................................ 109 10.2. Tendências da demanda ........................................................................................................................................ 109 10.3. Reservas mundiais .................................................................................................................................................. 109 10.4. Reservas brasileiras ................................................................................................................................................ 109 10.5. Produção mundial .................................................................................................................................................. 110 10.6. Produção brasileira ................................................................................................................................................ 111 10.7. Balança comercial brasileira ................................................................................................................................. 112 10.8. Processo de consolidação ..................................................................................................................................... 112 10.9. O caso Fosfértil ...................................................................................................................................................... 113 10.10. Preços ....................................................................................................................................................................... 114 10.11. Perspectivas ............................................................................................................................................................ 114 11. CALCÁRIO (CIMENTO) .............................................................................................................................................. 115 11.1. Mercados consumidores ........................................................................................................................................ 115 11.2. Tendências da demanda ........................................................................................................................................ 115 11.3. Reservas mundiais e brasileiras ............................................................................................................................ 116 11.4. Produção mundial .................................................................................................................................................. 116 11.5. Produção brasileira ................................................................................................................................................ 117 11.6. Balança comercial brasileira ................................................................................................................................. 117 11.7. Processo de consolidação ..................................................................................................................................... 117 11.8. O caso Camargo Corrêa ........................................................................................................................................ 119 11.9. Preços ....................................................................................................................................................................... 119 11.10. Perspectivas ............................................................................................................................................................ 120 12. PEQUENAS E MÉDIAS MINERADORAS .......................................................................................................... 123 12.1. A importância das pequenas e médias mineradoras ......................................................................................... 123 12.2. Geração de empregos formais na mineração em Minas Gerais ..................................................................... 126 12.3. Taxonomia das estratégias de inserção competitiva das pequenas e médias mineradoras em Minas Gerais ............................................................................................................. 130 12.4. Minerais industriais ................................................................................................................................................ 134 12.5. Agregados para construção civil .......................................................................................................................... 137 12.6. Rochas ornamentais e de revestimento ............................................................................................................. 138 12.7 Diamantes e gemas ................................................................................................................................................ 140 12.8. Água mineral ........................................................................................................................................................... 142 13. VISÃO DE FUTURO E PROPOSIÇÕES DE POLÍTICA ................................................................................. 147 13.1. Grandes mineradoras ............................................................................................................................................. 147 13.2. Micro, pequenas e médias mineradoras .............................................................................................................. 149 14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................................... 152
Slide 11: MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI VOLUME V CONSOLIDANDO POSIÇÕES NA MINERAÇÃO CAPÍTULO 1 O CENÁRIO INTERNACIONAL
Slide 13: BDMG 40 anos Introdução A história da atividade mineradora em Minas Gerais se confunde com a própria trajetória da atividade no País. Sendo o maior produtor mineral do Brasil, o Estado respondeu, em 1999, por 34% da produção mineral nacional. É bem verdade que a participação de Minas na atividade mineradora do País regrediu em relação ao ano de 1975, quando o Estado alcançou 59% do valor da produção mineral brasileira. Mas durante toda a década de 90, Minas manteve sua participação média no valor da produção mineral nacional em patamar superior a 30%. Do ponto de vista econômico, a extração de ferro é a atividade mineral mais representativa para a economia estadual, atingindo, no ano de 2000, 69,8% do valor da produção mineral. Minas Gerais desempenha papel proeminente nas reservas medidas nacionais de metais ferrosos, com destaque para o lítio (100%), o berílio (98%), o zinco (89%), o titânio (87%), o nióbio (73%), o chumbo (67%), o ferro (59%) e o ouro (48%). Em relação aos minerais não- metálicos, merecem destaque as reservas de enxofre e ocre (100% do total brasileiro), agalmatolito, ardósia, bário, grafita e quartzo/cristal (acima de 90%), além de rocha fosfática (61%) e de calcário (18%), e pedras britadas (15%). No âmbito das gemas e diamantes, em 2000, Minas representava 96% das reservas medidas brasileiras de diamantes e 91% das de gemas. Uma característica marcante da mineração é sua natureza eminentemente heterogênea, não apenas em termos dos diferentes segmentos da atividade, mas também pela grande diversidade das empresas que exploram as reservas minerais, coexistindo desde um global player até um microempreendimento. Assim, generalizações são extremamente difíceis, e qualquer análise deve ser individualizada, levando em consideração as características dos diversos segmentos de atividade. De fato, este documento elabora dois tipos de abordagem. A primeira dedica-se ao exame de sete substâncias minerais (ferro, ouro, zinco, níquel, nióbio, fosfato e calcário), responsáveis por 88% da produção mineral estadual no ano de 2000, e cuja exploração concentra-se em empresas de grande porte. A segunda abordagem dedica-se às demais substâncias minerais, para as quais existem dificuldades para obtenção de dados fidedignos, pois são exploradas em sua maioria por empresas de pequeno e médio porte. Este volume está organizado em treze capítulos. O primeiro dedica-se a vários assuntos relevantes à mineração no mundo, tais como: o caráter heterogêneo e a importância econômica da atividade; o intenso processo de fusões e aquisições; a evolução recente dos investimentos em exploração mineral. O segundo capítulo resgata um breve histórico da mineração brasileira, para depois discutir a posição brasileira nas reservas mundiais, bem como a de Minas Gerais no contexto brasileiro. Este capítulo é finalizado com a análise do desempenho da produção mineral ao longo da década de 1990, em Minas Gerais, tendo o País como padrão de referência. O capítulo 3 aborda a questão dos investimentos na atividade mineradora. Procura-se, por exemplo, escrutinar a evolução das inversões na mineração brasileira, sua distribuição geográfica e também a trajetória dos investimentos na mineração em Minas Gerais. O capítulo seguinte é dedicado à chamada dimensão sistêmica da competitividade, passando por temas relativos a tributação, financiamento, conhecimento da geologia brasileira e meio ambiente. Os capítulos 5 a 11 discutem a situação atual e prospectiva das principais substâncias minerais do Estado, a saber: ferro, ouro, zinco, níquel, nióbio, fosfato e calcário (cimento). No ano 2000, o valor da produção conjunta desses sete minerais foi equivalente a 88% do total de Minas 13 Capítulo 1 - O cenário internacional
Slide 14: Gerais, ratificando sua importância econômica. Para cada mineral, foram abordados os seguintes BDMG 40 anos aspectos: a) os principais mercados consumidores; b) as tendências de demanda; c) as reservas mundiais; d) as reservas brasileiras; e) a produção mundial; f) a produção brasileira; g) a balança comercial brasileira; h) a escala de produção e/ou o processo de consolidação; i) os investimentos de uma empresa importante no Estado; j) a trajetória recente de preços. Por fim, a última seção relativa a cada substância mineral sumaria as perspectivas mundiais, brasileiras e de Minas Gerais. O capítulo 12 focaliza a questão das pequenas e médias mineradoras. Busca-se ressaltar sua importância como instrumento de política regional e de inclusão social. Uma análise agregada e qualitativa evidencia as perspectivas de crescimento, as principais estratégias de inserção competitiva e o nível do impacto ambiental verificado em relação às substâncias minerais nas quais as mineradoras de menor porte se fazem mais presentes. Nesse capítulo, destacam-se os agregados para a construção civil, as rochas ornamentais e de revestimento, os diamantes e gemas, e a água mineral. O último capítulo retoma as principais conclusões do estudo e formula propostas de política, para grandes mineradoras, de um lado, e para micro, pequenas e médias mineradoras, de outro. Para a elaboração de volume, além das referências bibliográficas citadas ao final do documento, foram realizadas entrevistas com vários especialistas e junto a empresas e instituições, a quem o autor agradece a valiosa contribuição. Porém os conceitos formulados, opiniões e críticas encontradas no presente texto, salvo as manifestadas pelos autores citados nominalmente, são de inteira responsabilidade do autor. Este agradece a Kelly Silva Mascarenhas e Angélica Álvares Ferreira, pelo competente trabalho de assistência de pesquisa. O autor também se beneficiou do suporte fornecido pelos centros de informações da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). 14 Minas Gerais do Século XXI - Volume V - Consolidando posições na mineração
Slide 15: BDMG 40 anos 1. Cenário internacional 1.1. Mineração: um negócio heterogêneo1 A mineração apresenta enorme diversidade, dificultando sobremaneira generalizações. Quaisquer análises e propostas de política para o setor devem, assim, levar em consideração as características dos diversos segmentos da atividade. Existem pelo menos 80 commodities minerais. A maioria desses são minerais metálicos, embora existam importantes minerais não-metálicos. Um grupo especial dos não-metálicos é conhecido como metalóide (por exemplo, silício e selênio), por possuir algumas propriedades metálicas. Alguns minerais vêm sendo utilizados há alguns milhares de anos, sendo que o registro do uso do cobre remonta a 7000 a.C. Em compensação, alguns metais, como titânio, tântalo, nióbio, molibdênio e zircônio, começaram a ser utilizados comercialmente há apenas 50 anos. As principais classes de minerais são: minerais metálicos (ferrosos, não-ferrosos e preciosos); minerais energéticos; minerais industriais e para construção; diamantes e gemas preciosas. Os minerais podem ser também divididos de acordo como sua forma prioritária de comercialização: minerais com valor unitário suficientemente elevado, para serem vendidos no mercado global (por exemplo, ouro, diamante, cobre e alumínio); minerais com valor unitário suficientemente elevado, para serem comercializados em mercados regionais; ou seja, embora sejam verificados fluxos de exportação e importação, sua comercialização não é verdadeiramente global (calcário); minerais com baixo valor unitário, o que limita sua comercialização, principalmente ao âmbito doméstico (areia e brita). Na TAB. 1, observa-se a grande diversidade em termos do volume produzido e do preço médio de venda entre alguns minerais. Os agregados ou materiais para construção (como areia e brita) constituem-se, de longe, nos minerais com os maiores volumes de produção, ultrapassando 15 bilhões de toneladas por ano. No contexto dos minerais metálicos ferrosos, destaca-se o minério de ferro (com produção de aproximadamente 1 bilhão de toneladas), o mesmo acontecendo com o alumínio no que tange aos minerais metálicos não-ferrosos. Por outro lado, apenas 162 toneladas de platina e outros metais raros são produzidos anualmente no mundo. As duas primeiras seções deste capítulo baseiam-se no estudo intitulado Breaking New Ground: Mining, Minerals, and Sustainable 1 Development, elaborado no âmbito do projeto The Mining, Minerals and Sustainable Development, ou simplesmente MMSD. Ele foi desenvolvido pelo International Institute for Environment and Development (IIED), sob encomenda do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), tendo sido divulgado em abril de 2002. 15 Capítulo 1 - O cenário internacional
Slide 16: Os preços dos minerais e metais são também bastante variados. Os preços médios da platina, BDMG 40 anos no ano 2000, aproximaram-se de US$ 17 milhões por tonelada, enquanto os do carvão e rocha fosfática atingiram US$ 40 por tonelada. Numa visão mais abrangente, os produtos siderúrgicos podem ser considerados as commodities minerais mais importantes em termos do volume de vendas anuais, seguidos pelo carvão. Esses foram os dois únicos minerais ou metais cujas vendas ultrapassaram US$ 100 bilhões no ano 2000. Cobre, alumínio, zinco, ouro e ferro, por exemplo, estavam no patamar de 10 a 100 bilhões de dólares de vendas anuais, ao passo que as da fluorita foram de US$ 565 milhões. TABELA 1 PRODUÇÃO E PREÇOS DE COMMODITIES MINERAIS SELECIONADAS, 2000 PRODUÇÃO EM 2000 PREÇO VALOR ANUAL DE VENDAS COMMODITIES MINERAIS (mil de toneladas) (US$ / tonelada) (US$ milhões) Produtos Siderúrgicos 762.612,0 300 228.784 Carvão 3.400.000,0 40 136.000 Alumínio Primário 24.461,0 1.458 35.664 Cobre Refinado 14.676,0 1.813 26.608 Ferro* 950.290,0 25 23.757 Ouro 2,6 8.677.877 22.337 Zinco Refinado 8.922.0 1.155 10.305 Níquel Primário 1.107,0 8.642 9.566 Rocha Fosfática 141.589,0 40 5.664 Molibdênio 543,0 5.732 3.114 Platina 0,2 16.920.304 2.734 Chumbo Primário 3.038,0 454 1.379 Titânio 6.580,0 222 1.461 Fluorita 4.520,0 125 565 FONTE: IIED / WBCSD, 2002, p. 36, a partir de dados da CRU International. NOTA: * estimado pelo autor, utilizando informações da UNCTAD. 1.2. A importância econômica da mineração Apesar da ressalva anterior quanto à dificuldade de tecer comentários genéricos sobre a mineração mundial, constata-se uma gradual migração da produção mineral para os chamados países em desenvolvimento. Isto decorre, em grande medida, da existência de depósitos que podem ser explorados com baixos custos. As maiores dificuldades (mesmo que seja apenas em relação ao tempo) enfrentadas para a obtenção de licenças ambientais para desenvolver projetos minerais em países mais industrializados, combinado com custos salariais maiores, também favorecem essa tendência. A extensão dessa migração varia consideravelmente entre os diferentes minerais. Ela já avançou mais rápido para alguns metais do que para minerais industriais e materiais de construção. Reitera-se, dessa forma, o padrão de que metais são mais transacionáveis em escala internacional do que os minerais industriais e os agregados para a construção civil. Naturalmente, a importância econômica da mineração, em termos de geração de empregos e renda, bem como nas exportações totais de uma nação, numa comparação internacional é variada. Alguns países são extremamente dependentes da mineração no que tange às exportações. Por exemplo, em 1999, 71% das exportações da Guiné foram decorrentes de minerais (considerando 16 Minas Gerais do Século XXI - Volume V - Consolidando posições na mineração
Slide 17: apenas os não-energéticos). Valores significativos também são encontrados em outros países BDMG 40 anos africanos, asiáticos e sul-americanos. Neste continente, a representatividade das exportações minerais (não-energéticos) alcançou 43% no Chile, 40% no Peru e 23% na Bolívia. Algumas experiências merecem ser destacadas. Na África do Sul, por exemplo, as exportações de produtos minerais (incluindo os energéticos) correspondem a 31% do total das vendas externas do país e geram cerca de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, esses valores são estimados, respectivamente, em 32% e 8,5% (TAB. 2)2. Ainda na América do Sul, a mineração representa 3,6% do PIB na Bolívia, 10,3% no Chile e 5,5% no Peru. Embora os Estados Unidos possuam o maior setor mineral do mundo, menos de 0,5% do PIB provém diretamente da extração mineral. É essencial destacar que essas estimativas são apenas indicativas, pois não necessariamente compartilham dos mesmos critérios para sua elaboração. A bem da verdade, nem sempre os critérios utilizados são explicitados, inviabilizando eventuais ajustes. Acredita-se que, para os vários países que constam da TAB. 2, inclusive o Brasil, estão sendo considerados não apenas a produção mineral propriamente dita, mas também o primeiro estágio da transformação industrial, como produtos siderúrgicos, por exemplo. TABELA 2 IMPORTÂNCIA RELATIVA DA MINERAÇÃO EM PAÍSES SELECIONADOS, 1999* PARTICIPAÇÃO RELATIVA PARTICIPAÇÃO RELATIVA PAÍSES NAS EXPORTAÇÕES TOTAIS (%) NO PRODUTO INTERNO BRUTO (%) África do Sul 31 6,5 Austrália 45 9,0 Bolívia 32 3,6 Brasil 32 8,5 Canadá 14 3,7 Chile 44 10,3 Estados Unidos ... < 0,5 Peru 45


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