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Slide 1: MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI TRANSFORMANDO O DESENVOLVIMENTO NA AGROPECUÁRIA VOLUME IV
Slide 2: MINAS GERAIS DO SÉCULO XXI VOLUME IV TRANSFORMANDO O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais
Slide 3: BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Conselho de Administração José Augusto Trópia Reis - Presidente Murilo Paulino Badaró - Vice-Presidente Edgard Martins Maneira Elvira Fonseca Garcia Fábio Proença Doyle José Pedro Rodrigues de Oliveira Diretoria Murilo Paulino Badaró - Presidente Francisco José de Oliveira - Vice-Presidente José Lana Raposo Ignácio Gabriel Prata Neto Júlio Onofre Mendes de Oliveira Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães - Coordenação Geral Marco Antônio Rodrigues da Cunha - Coordenação Executiva Marilena Chaves - Coordenação Técnica Equipe Técnica do Departamento de Planejamento, Programas e Estudos Econômicos D.PE Bernardo Tavares de Almeida Frederico Mário Marques Gislaine Ângela do Prado Juliana Rodrigues de Paula Chiari Marco Antônio Rodrigues da Cunha Marilena Chaves Tadeu Barreto Guimarães - Gerente Apoio Administrativo Cristiane de Lima Caputo Diully Soares Cândido Gonçalves Henrique Naves Pinheiro Hiram Silveira Assunção Marta Maria Campos 3 Introdução
Slide 4: As idéias expostas nos textos assinados são de responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião do BDMG. BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. - BDMG Rua da Bahia, 1600, Lourdes 30160.907 Caixa Postal 1.026 Belo Horizonte - Minas Gerais Tel : (031) 3219.8000 http://www.bdmg.mg.gov.br e-mail: contatos@bdmg.mg.gov.br Editoração de Textos IDM / Técnica Composição e Arte Criação da Capa Fernando Fiúza de Filgueiras Projeto e Produção Gráfica Fernando Fiúza de Filgueiras Otávio Bretas Rona Editora Ltda Avenida Mem de Sá, 801 Santa Efigênia 30260-270 Belo Horizonte/ MG Telefax: (31) 3283-2123 Revisão e Normalização Dila Bragança de Mendonça Elzira Divina Perpétua (Coordenação) Marlene de Paula Fraga Raquel Beatriz Junqueira Guimarães Vicente de Paula Assunção Virgínia Novais da Mata Machado Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais Minas Gerais do Século XXI / Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. B213m 2002 Belo Horizonte: Rona Editora, 2002. 10 v. : il. - Conteúdo: v.1 - O Ponto de Partida. v. 2 - Reinterpretando o Espaço Mineiro. v. 3 - Infra-Estrutura: sustentando o desenvolvimento. v. 4 - Transformando o Desenvolvimento na Agropecuária. v. 5 - Consolidando Posições na Mineração. v. 6 - Integrando a Indústria para o Futuro. v. 7 - Desenvolvimento Sustentável: apostando no futuro. v. 8 - Investindo em Políticas Sociais. v. 9 - Transformando o Poder Público: a busca da eficácia. v. Especial – Uma Visão do Novo Desenvolvimento 1. Condições econômicas – Minas Gerais. 2. Desenvolvimento econômico – Minas Gerais. I. Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. II. BDMG. III. Título CDU: 338.92(815.1) Catalogação na publicação: Biblioteca BDMG 4 Minas Gerais do Século XXI - Volume I - O ponto de partida
Slide 5: VOLUME 4 TRANSFORMANDO O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA Coordenação do Projeto Tadeu Barreto Guimarães - Coordenação Geral Marco Antônio Rodrigues da Cunha - Coordenação Executiva Marilena Chaves - Coordenação Técnica Coordenador Técnico do Volume Gislaine Angela do Prado
Slide 6: ECCON - Estudos, Sistemas e Consultorias em Negócios Ltda. Universidade Federal de Viçosa - UFV EQUIPE TÉCNICA Coordenação Rúbio de Andrade Eduardo A. P. Campelo Viviani Silva Lírio Elaboração Rúbio de Andrade Eduardo A. P. Campelo Viviani Silva Lírio Brício dos Santos Reis Marília Fernandes Maciel Gomes Wilson da Cruz Vieira Apoio Cleiton Ladeira Faustino Elaine Cristina Pinto Karine Ribeiro Raslan Michele Costa e Souza Patrícia Lopes Rosado
Slide 7: SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 9 2. NOTAS METODOLÓGICAS 11 3. PANORAMA DA AGROPECUÁRIA NACIONAL E ESTADUAL 17 3.1. ASPECTOS RELEVANTES DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA 17 3.2. VISÃO GERAL DA AGROPECUÁRIA DE MINAS GERAIS 21 4. AS CADEIAS AGROINDUSTRIAIS EM MINAS GERAIS 51 4.1. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DO CAFÉ 51 4.2. AS CADEIAS AGROINDUSTRIAIS DE CARNES 59 4.3. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DO LEITE 86 4.4. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DAS FRUTAS 96 4.5. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DA CANA-DE-AÇÚCAR 115 4.6. A CADEIA AGROINDUSTRIAL DO ALGODÃO 126 5. AS CADEIAS AGRÍCOLAS EM MINAS GERAIS 134 5.1. AS CADEIAS AGRÍCOLAS DE GRÃOS 134 5.2. A CADEIA AGRÍCOLA DA BATATA 162 5.3. A CADEIA AGRÍCOLA DA MANDIOCA 167 6. PROPOSIÇÕES POLÍTICAS 173 6.1. O AMBIENTE INSTITUCIONAL RELATIVO ÀS CADEIAS AGROINDUSTRIAIS 174 6.2. O MARCO LEGAL DO SETOR AGROPECUÁRIO ESTADUAL 179 6.3. PROPOSTAS PARA A POLÍTICA AGRÍCOLA ESTADUAL 181 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 190 8. ANEXO - SUMÁRIO EXECUTIVO 199
Slide 9: BDMG 40 anos 1. Introdução Na última década, o setor agropecuário nacional - e também o mineiro - vêm passando por modificações estruturais em suas atividades mais relevantes. A par de um importante processo de modernização tecnológica e gerencial, que resultou na profissionalização de parcela relevante das atividades produtivas, observa-se um significativo rearranjo espacial no sentido da concentração na direção Oeste do País (e do Estado de Minas Gerais), paralelamente a uma integração crescente da produção primária à agroindústria, com aumento do porte e redução do número de unidades produtivas. Esses movimentos foram reflexo de um intenso processo de modernização, em boa parte induzido pela abertura da economia nacional à competição internacional e pela retirada do governo do estabelecimento e operacionalização das principais políticas públicas para o setor, que causavam distorções competitivas e desequilíbrios de alocação de recursos. A estrutura geral de preços agropecuários resultante desse processo tornou-se incompatível com as práticas produtivas que não fossem comercialmente competitivas. A sobrevivência econômica do setor rural passa a ser definida pela situação tecnológica dos produtores e sua capacidade de inserção empresarial nos mercados agropecuários, cujas estruturas são as mais competitivas da economia nacional. Como conseqüência, atividades localizadas em regiões com custos de produção - associados a condições naturais edafoclimáticas ou a dificuldades logísticas de acesso aos mercados - menos competitivos, estão sendo induzidas a se deslocar para regiões competitivas, como estratégia de sobrevivência econômica. Em Minas Gerais, a evolução desse cenário em transformação não se fez acompanhar por levantamentos sistemáticos e estudos que permitam o conhecimento objetivo de sua economia rural, suas tendências e o estabelecimento de diretrizes estratégicas para o seu fomento. Com efeito, os últimos estudos abrangentes sobre a agropecuária estadual foram realizados há muitos anos, sendo os mais relevantes aqueles constantes do diagnóstico da economia mineira realizado pelo BDMG em 19891, os estudos de cenários das principais cadeias produtivas desenvolvidos pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 19942 e o levantamento de dados sobre a agropecuária mineira feito pela Fundação João Pinheiro em 2001, com dados de 1995/ 963. Em função da dinâmica setorial, esses estudos, naturalmente, já estão defasados. Assim, o planejamento de políticas setoriais e implantação de ações de fomento à produção agropecuária estadual requerem uma nova avaliação da realidade desse setor. As cadeias produtivas sob análise neste trabalho foram selecionadas pela sua relevância econômica e social para o Estado e para o País. Atualmente, Minas Gerais é o primeiro produtor nacional de café, abacaxi, batata e leite; o segundo na produção de milho e gado bovino; o terceiro em feijão e suínos, o quarto em cana-de-açúcar e laranja; o sexto na produção de banana e aves, o sétimo na produção de soja, mandioca e algodão e o oitavo na produção de arroz. Em todas essas cadeias, existe grande potencial de expansão tanto na esfera produtiva quanto no processamento e comercialização de seus subprodutos. BDMG. Economia Mineira 1989: diagnóstico e perspectivas. Belo Horizonte, 1989. 1 SEAPA. Cenários e tendências da agropecuária mineira. Belo Horizonte, 1994. 2 FJP/Rocha, Patrícia A. M. (Coord.). Indicação e análise das transformações do setor agropecuário, 1995-96, com ênfase em 3 Minas Gerais. Belo Horizonte, julho de 2001. 9 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
Slide 10: Ainda que o Estado seja importante produtor de outros produtos, em especial de produtos BDMG 40 anos da olericultura - a exemplo do alho, tomate e outros - as áreas ocupadas e a renda gerada por eles são, relativamente às cadeias consideradas, pouco relevantes, razão pela qual não são aqui abordados. Há de se mencionar, ainda, a ausência, neste trabalho, da produção florestal. Com efeito, Minas Gerais ocupa a primeiro lugar nacional em plantios de madeira (eucalipto e pinus), com cerca de 35% do total, em uma área reflorestada de 1,27 milhões de hectares, o que coloca essa cultura na primeira posição estadual em área ocupada. Não obstante, no caso de Minas Gerais, a madeira é uma matéria-prima eminentemente industrial, destinada à produção de carvão para a indústria siderúrgica. Os grandes maciços foram implantados por um reduzido número de grandes empresas de siderurgia para o auto-abastecimento de carvão siderúrgico. Assim, a vinculação principal desse segmento não é com o setor agropecuário, mas com a cadeia produtiva minero- metalúrgica, ainda que as florestas disputem os mesmos fatores de produção com os demais produtos agrícolas (terra, insumos, sol e água). Concluindo, o presente trabalho tem por objetivos: Apresentar um panorama agregado do setor agropecuário mineiro, destacando a realidade atual e tendências gerais dos principais indicadores rurais do Estado; Caracterizar a estrutura e o funcionamento das cadeias produtivas agroindustriais selecionadas em de Minas Gerais; Identificar os fatores que afetam o desempenho atual e futuro do sistema; e Quando oportuno, propor estratégias empresariais e políticas públicas para a melhoria do seu desempenho. 10 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
Slide 11: BDMG 40 anos 2. Notas Metodológicas A análise de cadeias produtivas agroindustriais tem sido realizada a partir de diferentes abordagens metodológicas, que contemplam desde simples estudos exploratórios até complexas análises quantitativas. Assim sendo, a opção metodológica é definida, a princípio, em função dos objetivos da análise pretendida e da base conceitual adotada. Neste estudo, a metodologia de análise utilizada toma por referência conceitual principal o enfoque sistêmico de produto (Commodity Systems Approach - CSA), complementado pelo enfoque mais recente de Supply Chain Management - SCM. Esse método de pesquisa tem sido bastante utilizado na construção de diversos diagnósticos de cadeias produtivas agroindustriais, tendo por característica central seu viés qualitativo, bastante útil na diagnose de entraves e na construção de perspectivas setoriais. Embora se considere de fundamental importância a construção de uma base sólida de dados acerca de cada segmento analisado possuindo, portanto, nuanças quantitativas, seu enfoque é essencialmente sistêmico. Nessa abordagem, segundo Silva et alii (1999) um sistema é compreendido por dois aspectos básicos: uma coleção de elementos e uma rede de relações funcionais, as quais atuam em conjunto para o alcance de algum propósito determinado. De forma geral, esses elementos interagem por meio de ligações dinâmicas, envolvendo o intercâmbio de estímulos, informações ou outros fatores não-específicos. As análises de cadeias agroindustriais; portanto, se beneficiam dessa visão conjunta, uma vez que sua eficiência e competitividade são fruto do bom desempenho de cada um de seus elos constitutivos. De maneira geral, define-se cadeia produtiva como o conjunto de atividades econômicas que se articulam progressivamente desde o início da elaboração de um produto. Isso inclui desde matérias-primas, insumos básicos, máquinas e equipamentos, componentes, produtos intermediários até o produto acabado, a distribuição, a comercialização e a colocação do produto final junto ao consumidor, constituindo elos de uma corrente. Segundo Davis e Goldberg (1957), citados por Batalha et alii (1997), a agricultura não poderia ser abordada de maneira indissociada dos outros agentes responsáveis por todas as atividades que garantiriam a produção, transformação, distribuição e consumo de alimentos. Eles consideravam as atividades agrícolas como parte de uma extensa rede de agentes econômicos que iam desde a produção de insumos, transformação industrial até armazenagem e distribuição de produtos agrícolas e derivados. De fato, Goldberg utilizou a noção de Commodity System Approach no estudo de matérias-primas de base, sendo estas as fornecedoras de um ponto de partida para análise. Ou seja, nessa metodologia, são realizados cortes verticais no sistema econômico a partir de uma matéria-prima de base, para só depois se estudar o comportamento de seu funcionamento como um todo. De fato, a noção de CSA está mais ligada ao consumo final, destacando o importante papel do consumidor. Durante a aplicação dessa abordagem, Goldberg abandona o referencial teórico da matriz insumo-produto para aplicar conceitos oriundos da economia industrial. Assim, o paradigma clássico da economia industrial: Estrutura - Conduta - Desempenho, passa a fornecer os principais critérios de análise (Batalha et alii, 1997). Em síntese, a principal característica da abordagem CSA é sua fundamentação na área de sistemas. Para que essa análise seja mais bem-entendida, a agricultura deve ser vista dentro de um sistema mais amplo composto principalmente, pelos produtores de insumos, pelas agroindústrias 11 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
Slide 12: e pela distribuição/comercialização. É necessária uma sucessão de etapas produtivas, desde a BDMG 40 anos produção de insumos até o produto acabado, como forma de orientar a construção de suas análises (SEBRAE, 2000). Os principais aspectos assumidos pelo modelo CSA são a análise mesoanalítica e sistêmica dos estudos em termos de cadeia agroindustrial. Para Batalha et alii (1997), a mesoanálise pode ser definida como \"a análise estrutural e funcional dos subsistemas e de sua interdependência dentro de um sistema integrado\". Essa definição remete diretamente a um enfoque sistêmico, segunda característica importante de uma cadeia agroprodutiva. Dessa maneira, um sistema pode ser definido como um conjunto formado de elementos ou subelementos em interação. A interação desses fatores forma as chamadas cadeias de produção que, quando analisadas, devem, necessariamente, levar em consideração as seguintes características: Estar localizadas em um dado meio ambiente; Cumprir uma função ou exercer uma atividade; Estar dotadas de uma estrutura e evoluir no tempo; Ter objetivos definidos. De acordo com Silva et alii (1999), uma análise sistêmica tem como pré-requisito a definição de vários aspectos que caracterizam o problema a ser estudado. Isto é, a definição do sistema e de seu meio ambiente passa, necessariamente, pela definição do objetivo a ser alcançado pela análise. Assim, uma análise em termos de cadeia de produção deve definir também várias condições que são conseqüência do objetivo a ser atingido. A partir do final dos anos 60, diversas análises de cadeias agroindustriais foram realizadas nos Estados Unidos, tomando o enfoque sistêmico de produto como referencial de pesquisa. Estudos foram realizados por universidades, para os setores de suinocultura, avicultura, carne bovina, laticínios e grãos, entre outros. De acordo com SEBRAE (2000), a motivação para essa série de estudos foi a necessidade de melhor compreender as formas de organização das cadeias agroindustriais norte-americanas, que, à época, passavam por transformações significativas nos padrões de controle e coordenação vertical. A predominância até então típica dos mercados locais como principais coordenadores das relações entre produtores, processadores e outros atores nas cadeias agroindustriais, estava sendo mudada para a de sistemas mais complexos de coordenação, envolvendo contratos, integração vertical ou parcerias. Os padrões de controle nas cadeias produtivas moviam- se cada vez mais para empresas de fora do setor de produção agrícola. A avaliação dos efeitos dessas mudanças sobre o desempenho do setor seria, portanto, relevante elemento na formulação de políticas para o setor agroindustrial. Outra característica fundamental do enfoque sistêmico é a noção de sinergia, que reconhece o fato de que um sistema não constitui a mera soma das partes de um todo. Assume-se que o sistema expresse uma totalidade composta dos seus elementos constituintes, tais como produtores, cooperativas, empresas agroindustriais, sindicatos, etc... Entretanto, a noção de sistema é maior do que a soma das partes, ou seja, deve-se demonstrar que o sistema se caracteriza pelos padrões de interações das partes e não apenas pela agregação destas (FIG. 1). 12 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
Slide 13: BDMG 40 anos Macroeconômicos Político-institucionais Internacionais Mercado Inovação Recursos humanos Produção Gestão Configuração da Regime de incentivo Indústria Legais e regulatórios Sociais Infra-estruturais FIGURA 1: Representação dos elementos que compõem o ambiente no qual se insere uma CPA FONTE: MDIC, 2001. A identificação dos elementos, juntamente com as suas propriedades isoladas, não é suficiente para expressar um sistema. Nessa estrutura conceitual, as propriedades relacionais não são redutíveis a propriedades atomísticas. O sistema agroindustrial provém de padrões sistemáticos de interação dos agentes da cadeia produtiva: produtores, cooperativas, sindicatos, agroindústrias, supermercados, consumidores, etc., e não da agregação de propriedades desses componentes (SEBRAE, 2000). Em síntese, o enfoque sistêmico de produto oferece o suporte teórico necessário à compreensão da forma como a cadeia funciona e sugere as variáveis que afetam o desempenho do sistema. É importante destacar, em adição, que, segundo esses autores, a principal característica dessa definição é que a interdependência dos componentes é reconhecida e enfatizada na abordagem sistêmica. Assim, a generalidade dessa perspectiva permite o estudo de questões diversas sob esse ângulo, possibilitando, em princípio, o melhor entendimento de fatores que afetam critérios de desempenho global, fatores esses que podem estar presentes em quaisquer dos elementos constituintes do sistema. Por exemplo, em análises do desempenho de sistemas é freqüente a identificação de problemas que, embora aparentes apenas em determinado componente, têm sua origem em outros elementos remotamente localizados no espaço ou no tempo. Com efeito, as inter-relações dos elementos de um sistema envolvem geralmente mecanismos de propagação e realimentação, os quais dificultam a identificação de ciclos de causa-efeito ou de estímulo-resposta, a partir de análises tradicionais segmentadas por elementos. A realização de diagnósticos de sistemas agroalimentares pode ser fundamentada em um conjunto variado de opções conceituais e metodológicas. Dependendo dos objetivos específicos estabelecidos, da disponibilidade de recursos físicos e financeiros e da flexibilidade dos cronogramas de execução, essas opções contemplam desde estudos baseados em grandes amostras de integrantes do sistema a análises simplificadas, fundamentadas essencialmente em informações de caráter secundário. O presente trabalho elegeu uma abordagem bastante pragmática, que combina o uso 13 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
Slide 14: intensivo de informações de fontes secundárias com a realização de entrevistas com especialistas BDMG 40 anos em cada uma das cadeias produtivas selecionadas, a fim de que seja possível promover a validação das informações obtidas durante o processo de revisão de literatura. Para a avaliação dos padrões de eficiência da cadeia produtiva, o estudo tomará por base, além das medidas tradicionais de produtividade, custos de produção e preços, a metodologia originalmente proposta por Van Duren et alii (1993), adaptada por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade Federal de Santa Catarina (Silva e Batalha, 1999). Esse enfoque, já utilizado em diagnósticos de cadeias produtivas agroindustriais, considera que a eficiência em um sistema produtivo é determinada por fatores diversos sobre os quais é possível ou não o exercício de controle pelas empresas ou pelo governo. De fato, essa primeira caracterização é importante para que se possa verificar quais fatores se prestam mais facilmente a alterações direcionadas pelos próprios empresários e pelas instituições governamentais, o que é essencial no delineamento de sugestões para a superação dos eventuais entraves detectados4. Essa descrição está ilustrada na FIG. 2. Em seguida esses fatores, aqui denominados direcionadores, são agrupados em seis grandes blocos: tecnologia, gestão, relações de mercado, insumos, estrutura de mercado e ambiente institucional, sendo importante destacar que cada um desses direcionadores encontra-se presente em cada elo da cadeia produtiva analisada. Competividade em Sistemas Agroindustriais Indicada por Parcela de Mercado Lucratividade Avaliada por direcionadores Gestão Estrutura de Mercado Ambiente Institucional Insumos Tecnologia Relações de Mercado P&D, Processos, Equipamentos, etc. FIGURA 2: Competitividade de Sistemas Agroindustriais FONTE: Van Duren, 1993. Adaptado por Silva e Batalha, 1999. No âmbito dessas notas, abordamos o termo cadeia produtiva foi usado de forma abrangente. Não obstante, tomando-se por base as informações teóricas e empíricas até aqui delineadas, percebe-se a existência de significativas diferenças de constituição entre as cadeias selecionadas. A descrição detalhada dessa metodologia pode ser encontrada em AGUIAR e LAGO (2002). 4 14 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
Slide 15: Tais diferenças expressam-se tanto em termos dos padrões de eficiência analisados quanto do BDMG 40 anos grau de controle e coordenação vertical a que a atividade específica está submetida. Respeitando- se o enfoque sistêmico, pode-se, para efeito de ordenação lógica, convencionar a classificação das cadeias em duas categorias: as cadeias agrícolas e as cadeias agroindustriais, conforme definição abaixo: Cadeia agrícola: conjunto de atividades que, embora articule os elementos básicos que sistematizam uma cadeia (localização determinada, cumprimento de uma função, dotação de estrutura / evolução no tempo e objetivos definidos), apresenta grau de coordenação vertical e padrões de eficiência relativamente menores. Quanto ao grau de coordenação vertical, cabe destacar que, nesse caso, agrega as etapas produtivas que vão da matéria-prima ao produto em bruto, estabelecendo um padrão de controle que pouco ultrapassa os limites do setor agropecuário. Cadeia agroindustrial: conjunto de atividades que transcende a articulação dos elementos básicos de sistematização da cadeia produtiva, avançando para uma rede de relações funcionais mais complexas. Dessa forma, apresenta um grau mais consistente de coordenação vertical, que se revela na extensão das etapas produtivas às atividades de transformação industrial, distribuição, comercialização e logística. Além disso, os padrões de eficiência produtiva (gestão, tecnologia, estrutura e relações de mercado, ambiente institucional) são mais avançados, e a interdependência entre as partes constitutivas do sistema é mais profunda. As etapas da metodologia seguida são resumidas a seguir: a) Definição das Cadeias A escolha das nove cadeias, em alguns casos subdivididas em mais de um produto, como é o caso das frutas, dos grãos e das carnes, norteou-se pela representatividade delas no PIB agropecuário do Estado e no potencial de desenvolvimento que apresentam. a1) Cadeias Agroindustriais: • Cadeia Agroindustrial do Café; • Cadeia Agroindustrial das Carnes (bovinos, suínos e aves); • Cadeia Agroindustrial do Leite; • Cadeia Agroindustrial das Frutas; • Cadeia Agroindustrial da Cana-de-açúcar; • Cadeia Agroindustrial do Algodão. a2) Definição das Cadeias Produtivas • Cadeia Produtiva dos Grãos (arroz, feijão, milho e soja); • Cadeia Produtiva da Batata; • Cadeia Produtiva da Mandioca. 15 Transformando o Desenvolvimento da Agropecuária
Slide 16: b) Levantamento de antecedentes BDMG 40 anos Os trabalhos foram iniciados por um abrangente processo de identificação e análise de informações de fontes secundárias. Foram pesquisados estudos prévios e informações estatísticas sobre cada uma das cadeias produtivas agroindustriais analisadas. As informações foram buscadas junto a instituições de pesquisa, empresas, associações de classe, órgãos de governo e outras fontes tradicionalmente detentoras de dados e análises sobre o tema. c) Construção do relatório preliminar O levantamento bibliográfico realizado na primeira etapa da pesquisa resultou na construção de um relatório preliminar, já nos moldes previstos para a formatação final. Esse documento, de circulação restrita, foi encaminhado, no formato de um sumário executivo, a especialistas em cada uma das cadeias produtivas analisadas. d) Entrevistas com especialistas A partir das informações sistematizadas preliminarmente, foram realizados contatos com diferentes especialistas em cada uma das cadeias produtivas analisadas. As entrevistas/leitura do documento preliminar permitiram a validação do conhecimento obtido durante a revisão de literatura e a sua complementação, quando necessário. Serviram ainda para dar maior sustentação ao processo de identificação dos fatores que influenciam o desempenho atual e futuro do sistema. e) Elaboração do relatório final. 16 Minas Gerais do Século XXI - Volume IV - T


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