Etnografia sobre a participacao da juventude nas eleicoes municipais de iraucuda e itapage

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É uma pesquisa e campo realizado por estudantes do curso de ciências sociais da UVA, que trás como tema principal, a participação da juventude nas eleições municipais 2012 na cidade de Itapajé e …

É uma pesquisa e campo realizado por estudantes do curso de ciências sociais da UVA, que trás como tema principal, a participação da juventude nas eleições municipais 2012 na cidade de Itapajé e Iracuçuba. Tendo como foco, as diversificadas formas dos jovens se organizarem e expressarem sua maneira de ver a política.

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  • 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVAPROFESSOR: GLEIDSON VIERAEQUIPE:ANTÔNIA VERA MENDES PEREIRAMARIA JOSILÂNE DA COSTA MARTINSMIKAEL GOMES BRAGADISCIPLINA: ANTROPOLOGIA I ETNOGRAFIA: “PARTICIPAÇÃO DA JUVENTUDE NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012 NA CIDADE DE ITAPAJÉ E IRAUÇUBA” 12/12/2012 SOBRAL-CEARÁ
  • 2. Etnografia:“Um estudo etnográfico sobre a participação da juventude nas eleições municipais 2012na cidade de Itapajé e Irauçuba”RESUMONossas análises giraram em torno de descobrir o nível de consciência política dosjovens, seu engajamento nos comícios e reuniões dos candidatos e sua visão sobre essaseleições. Este estudo de campo visa conhecer o potencial da juventude itapajeense eirauçubeense no processo eleitoral dos respectivos municípios, assim como entender einterpretar as diferentes formas e manifestações que os mesmo utilizam nesse espaçoeleitoral.Nesse trabalho, foi a etnografia o meio para interpretar o significado do fenômenopolítico para os jovens. Esta se realizou durante o período eleitoral, correspondente àseleições municipais de 2012 na cidade de Itapajé e Irauçuba. Durante a mesmainterpretamos o significado que a campanha eleitoral adquire para os jovens e comoalgumas instituições, vale especificar, partidos políticos, igrejas, organizações de jovense atores envolvidos nesse processo se comportam nessas circunstâncias.Palavras chaves: eleições, juventude, consciência política, Irauçuba, Itapajé. 2
  • 3. SumárioContextualizando o espaço político e geográficodo Município de Irauçuba e Itapajé ......................................................................................... 4A grande força do potencial eleitoral jovemdas cidades de Irauçuba e Itapajé ............................................................................................ 6A participação do jovem na política ........................................................................................ 7A vivência da fé e o exercício da política ............................................................................... 9Do discurso para a prática: Juventude ativa ......................................................................... 10Considerações Finais ............................................................................................................... 13Anexos ....................................................................................................................................... 14 3
  • 4. Contextualizando o espaço político e geográfico do município de Irauçuba e ItapajéNossas observações e análises da pesquisa de campo ocorreram nas cidades de Itapajé eIrauçuba. No período que compreende 20 de Setembro (data que iniciamos estaetnografia) até no período pós- eleitoral na qual expomos uma visão geral do objeto denossas investigações, que foi a participação da juventude no processo eleitoral dosrespectivos municípios.Cabe-nos agora, expor o contexto político e geográfico dessas cidades, revelando quemsão os autores envolvidos no pleito eleitoral. Para não tornar um estudo cansativo,resolvemos apresentar somente a situação dos candidatos eleitos nesses municípios.A cidade de Irauçuba está localizada na Zona Norte do Estado do Ceará, principal via deacesso: BR 222 a 150 km de Fortaleza e a 70 km de Sobral.José Elisnaldo Mota Pinto, o Zé Mota (37 anos) foi eleito prefeito de Irauçuba naseleições ocorridas no dia Sete (7) de Outubro numa disputa bastante acirrada. Ele teveum total de 7.090 enquanto seu adversário Heleno Araújo obteve 6847 votos. Adiferença pro Zé Mota foi de 243 votos.Ocorreu uma grande comemoração nas ruas da cidade. Fogos de artifícios, gritos epasseatas os militantes da campanha fizeram a festa. O distrito de Missí e Juá foramfundamentais na vitória de Zé Mota. Só no Missí a maioria foi de mais de 350 votos.Aqui na sede o candidato Heleno Araújo ganhou com mais de 200 votos.Com a vitória de Zé Mota o grupo político liderado por Nonatinho entra para o terceiromandato á frente da prefeitura municipal de Irauçuba. Com o slogan de campanha“Fazer Ainda Mais Por Irauçuba” que proporcionou um reconhecimento de seugoverno.iPara vereador o TSE informa que tem 57 candidatos cadastrados, pelos diversospartidos que formam as duas coligações que disputarão as Eleições 2012.ii A relação dosvereadores eleitos em Irauçuba foram Valderina (43 anos), Prof. Elis Roberto (35 anos),Cleia Caetano (33 anos), Joao Mario (49 anos), Walmar Braga (58 anos) e Eufrasio (51anos). 4
  • 5. Itapajé encontra-se localizada no Norte do Estado do Ceará, na região serrana entre oVale do Curu e Serra de Uruburetama, a 119 km de Fortaleza e a uma altitude de 262metros.Ciro Braga (PTB) foi eleito com 52,82% (16.070 votos) o mais jovem prefeito deItapajé. Pra quem vê de fora se admira e pensa que realmente Ciro (30 anos) disputou aeleição para prefeito, mas não foi bem assim. Ciro estava disputando as eleições 2012 para o cargo de vereador e quem estavaconcorrendo à prefeitura era o seu pai, o ex-prefeito Batista Braga. As duas campanhasestavam indo muito bem, Batista e Ciro arrastavam multidões por onde passavam e paraalguns era dada como certa a dobradinha da família Braga. Mas um escândaloenvolvendo o seu pai por acusação de ficha suja fez com que no último comício paraevitar uma possível cassação, Batista Braga renunciasse a candidatura de prefeito e Cirorenunciasse a de vereador e ficasse no lugar do pai. iii Houve uma reviravolta na cidade, principalmente da oposição por “achar umato condenável e que isso não poderia de forma alguma acontecer”, mas a lei dá essabrecha na qual a usaram e pra todos os efeitos foi uma manobra limpa. Passada essapolêmica, que pelo resultado não abalou em nada a campanha, Ciro Braga acabou porvencer as eleições.Quanto aos candidatos eleitos para legislar nos próximos quatro (4) anos no Municípiode Itapajé foram DR. IDER (54 anos), JOÃO CAMARÁ (44 anos), ERNANDOMESQUITA (42 anos), DIMAS CRUZ (63 anos), LIRINHA (66 anos), RAIMUNDOPOLICIA (45 anos), JOSIFRAN ALVES (45 anos), BRUNO FRANCISCO (30 anos),ESTELINHA (46 anos), NONATO DA SANTA RITA (38 anos), CHICO CRUZ (54anos), HAROLDO MOTA (46 anos) e RICARDO GÓIS (42 anos). Vale ressaltar queestavam concorrendo 93 vereadores e alguns (uma parcela significativa) eram de jovensentre 19 á 29 anos.iv 5
  • 6. A grande força do potencial eleitoral jovem das cidades de Irauçuba e Itapajé O eleitorado jovem da cidade de Irauçuba correspondente á faixa etária que vaidos 16 (dezesseis) aos 34 (trinta e quatro anos) possui um montante de 8.315 jovens quepodem mudar o cenário político local. Já a juventude itapajeense, em termos absolutos, constitui um dos maioressegmentos da população. Há em torno de 15.858 de jovens entre 16 á 34 anos nomunicípio de Itapajé segundo o TRE-CE (2012), isto é, mais de um quarto dapopulação.v É grande a necessidade de reconhecer a juventude itapajeense e irauçubeensecomo uma peça fundamental para a construção de uma cidade mais democrática e justapara com seus próprios habitantes, sendo assim, faz-se de extrema importância osjovens se organizarem e cobrarem do poder público, de instituições privadas ou ONGsum (re)conhecimento sobre suas demandas e anseios. Visto que na última década oEstado brasileiro passou a ter um olhar diferenciado sobre este segmento por entenderque era necessário constituir políticas públicas que reconhecessem as especificidades desuas demandas. Em 2005 por meio da Lei n° 11.129 foi criada a Política Nacional deJuventude, a saber: Secretaria Nacional de Juventude, Conselho Nacional de Juventude;e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (PROJOVEM). Como presenciamos acima, os jovens de Irauçuba e Itapajé constituem umagrande camada de eleitores que podem decidir essa eleição. Segundo os dados doTribunal Superior Eleitoral – TSE (setembro de 2012) a população entre 16 e 17 anos,ou seja, a parcela dos jovens que tem a opção de votar constitui em termosproporcionais 9, 115% da população dos respectivos municípios. A primeira vistaaparenta um percentual baixo, no entanto se observarmos em termos absolutos onúmero corresponde a 2.425 jovens que tem a opção de votar. Se ampliarmos estaanálise para os jovens entre 18 a 24 anos, que tem, em tese, a obrigação do voto, estamargem amplia significativamente, atingindo 36.568% do eleitorado, representando emtermos absolutos 9.968 eleitores.vi Esta massa de jovens constitui um número decisivopara Irauçuba e Itapajé na qual pode influir no resultado dessas eleições. Diante deste quadro, marqueteiros políticos, agências de publicidade, núcleos deinteligência de partidos políticos formulam estratégias e planos para conseguir o votodeste contingente. Uma tarefa árdua e difícil, pois não existe uma juventude 6
  • 7. homogênea. A característica central deste segmento é sua múltipla identidade ediferentes recortes sejam de gênero, cultural, religioso, classe social, etc. O que osjovens das diferentes origens sociais, tribos culturais e de gênero compartilham é ummesmo momento histórico. Portanto formular discursos para este segmento demandaentender a complexidade da juventude. A proposição de políticas públicas capazes de efetivar direitos constitui a tônicapara este segmento ávido por novas ações do Poder Público que dialogue com suarealidade. Os candidatos terão que se desdobrar, pois além de comparar governos terãoque apresentar propostas que tenham relação com os anseios das diferentes juventudes. A participação do jovem na políticaDiante de nossa observação participante, pudemos perceber a grande diversidade que aprópria juventude entende por política e como ela se comporta de forma heterogêneanessas manifestações. Levando em consideração as eleições municipais que seaproxima, podemos conceber a perceptível participação dos jovens em diferentesformas de atuarem, de expressarem suas ideias e como também, está proporcionandouma nova perspectiva na organização política.Muitos jovens participam de uma maneira eufórica, defendendo seus candidatos, no quemuitas vezes resulta em conflitos, outros buscam ser parciais sem fazer nenhum tipo demanifestação.“Particularmente, adoro esse momento, vejo como uma grande oportunidade para serfeitas manifestações, pois alguns candidatos, que são fichas sujas, querem e tentambuscar de qualquer forma serem eleitos, e é aí, que nós podemos nos manifestar paraescolher pessoas capazes de alcançar objetivos benéficos para a própria comunidade” Rogério Sousa de 17 anos, Estudante.Porém, a política por questão cultural, é vista como sinônimo de corrupção e isso nosfazem associarmos política á algo negativo. As pessoas ainda não sabem da importânciada participação na política e principalmente, a juventude, que encara como um localonde só existem pessoas desonestas, fazendo coisas desonestas e com o nosso dinheiro! 7
  • 8. Muldiane Luz, Secretária de Educação de Irauçuba.“Como jovem procuro fazer a minha parte dentro de minha comunidade, participandopoliticamente e acreditando que é, através desse aspecto que podemos mudar a nossarealidade, e é por isso que devemos refletir e conhecer as propostas de cada candidatoque irá nos representar futuramente, defendendo os interesses da comunidade e estásempre contribuindo para construção de uma cidade melhor.” Rogério SousaAo analisar e tentar entender como a juventude vê e interpreta sobre a política e suaparticipação nesse processo que ocorre no país, em especial, nas eleições municipais,cujo governo está mais presente na vida desses jovens. Percebe-se o envolvimento, aempolgação, que em muita das vezes geram conflitos, mal entendidos, desavenças queultrapassam os limites levando especificamente, esses jovens, defenderem seuscandidatos como se fossem “deuses”, não admitindo que os opositores apontem seuserros e falhas. Diante disso, cria-se uma rivalidade fora do comum, proporcionandodiscussões verbais e até físicas por aglutinarem em grupos e provocarem aqueles quetêm opiniões contrárias as suas.Durante os comícios levam bandeiras, cantam suas musicas que tornam verdadeiroshinos, vestem blusas que representam as cores do partido de seus candidatos e, aoreconhecer outra pessoa que faz parte do mesmo movimento gritam o numero que fazapologia ao candidato como forma de cumprimento e socialização com o grupoenvolvido.Ao indagar uma jovem sobre o que a leva á defender e agir de determinada formademonstrando assim sua paixão pelo candidato, ela relatou:“... desde criancinha escuto minha mãe falar desse Batista Bragavii, e como ela fala tãobem dele, passei a gostar também. Gosto muito dele, pois ele sempre dá atenção, querseja em época eleitoral, quer seja fora do governo, pois quando qualquer um precisarde ajuda é só procurar ele (...) por isso, ele não perde essa eleição.”Rita de Cássia Miranda, 26 anos, Dona de Casa. 8
  • 9. Num sábado observando o movimento político na cidade de Itapajé, na qual aconteciamcomícios dos dois maiores candidatos á prefeito, mesmo sendo em bairros opostos,havia um ponto central, onde devido ao trânsito ocorria um encontro dos eleitores,encontro esse que mesmo sendo por alguns segundos, percebia-se a rivalidade expressaspor esses jovens com provocações, pegavam bandeiras, rasgava-as e em algunsmomentos chegava á arremessar suas próprias bandeiras contra seus adversários, delonge podia ver o barulho que pegava no carro onde estavam.Ainda havia aqueles que em grupo saiam pelas ruas em motos e carros de somprovocando os adversários. Essas manifestações provocam diversas reações naqueleseleitores que ainda não tomaram uma posição, em alguns casos chega á se contagiarcom a alegria desses jovens que transmitem paixão através de suas diversificadasformas de se expressarem. Em outros casos, desperta raiva e repúdio pela maneira quesão feitas essas demonstrações de apoio. A vivência da fé e o exercício da políticaQuando estávamos á campo, nos comícios dos candidatos á pleitearem um cargo naprefeitura e câmara municipal, percebemos a presença nítida de vários jovenspertencentes á grupos religiosos, como católicos, evangélicos, adventistas, enfim, oenvolvimento desse segmento nos fez questionar a vivência da fé e o exercício dapolítica para o mesmo. Pois a discussão sobre fé e política sempre foi marcada poraparentes dicotomias. Isso pode ser verificado numa conversa informal quepresenciamos de um ‘crente convicto’, afirmando que fé e política não se misturam eque religião – entendida como uma das formas de vivência da fé – seria um dos temasnão questionáveis em circuitos públicos de análise da vida social.No entanto, apesar de ser bastante difundida em vários segmentos, tal leitura não sesustenta quando confrontada com a realidade. Pois nos mais variados tempos históricos,fé e política sempre estiveram bastante relacionadas, demonstrando que na intersecçãoentre estes dois campos ainda há muito que se debater, refletir e propor!Partindo de uma rápida olhada para a história, vemos que importantes movimentos eatores políticos estiveram inspirados e movidos pela fé. Também diagnosticamos acrença no transcendente como elemento inspirados de ações individuais e coletivas no 9
  • 10. campo da luta política, da construção da cidadania e da emancipação dos sujeitoshistóricos, como por exemplo, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Mãe Stella deOxossi, Madre Tereza de Calcutá, e tantas outras, associando sua forte crença religiosa eas lutas por elas representadas.viiiPara os cristãos, essa dimensão do engajamento político baseia-se na forte participaçãodo próprio Jesus nos temas relativos á luta por justiça para seu povo. Sem confundirpolítica com religião, mas sem negar a dimensão política da fé, Jesus pregou que erapapel de seus (suas) seguidores (as) comprometerem-se com a vida de seus (suas)irmãos (ãs), assumindo seus dilemas e articulando-se -politicamente- na construção deoutro sistema de organização social baseado na solidariedade, na fraternidade e nacomunhão.ixDe modo bastante contundente, Jesus Cristo defendeu os oprimidos, contrapondo-se aosistema econômico e religioso vigente. E foi perseguido por sua posição - política – deafirmar a vida como valor central de sua pregação. Enfrentou as conseqüências ultimasdesta sua opção radical, inspirando seus (suas) seguidores (as) ao mesmo tipo deengajamento e opção em defesa da vida.A vivência da fé e o exercício da política é relatado na fala abaixo, por um militantecristão: “ (...) Sem dúvida, que a fé e a política podem ( e devem) dialogar e queesses diálogos é possível emergir direitos, conquistas e novos espaços para toda asociedade.” Do discurso para a prática: Juventude ativaNesta eleição, centenas de jovens devem comparecer ás urnas. Mas o que os candidatosreservam de propostas e projetos para esse grupo?Na cidade de Irauçuba, o candidato Zé Mota numa entrevista realizada para conosco,quando foi indagado sobre as possíveis políticas públicas voltadas para os jovens destacidade, ele relatou de forma espontânea a preocupação em fazer política COM a própriajuventude, pois ela deve está consciente de seu papel na sociedade, cobrando, dandoideias e formulando ações para serem executadas, mas infelizmente, segundo o relato doZé Mota, a juventude não ‘sabe o que quer’, sendo assim, deve haver uma contrapartidado gestor municipal em proporcionar uma nova maneira dos jovens se mobilizarem eparticiparem da vida política do município, como também, está colaborando para 10
  • 11. reverter esse quadro. Quanto às propostas anunciadas em seu governo, enfatizou acriação da praça da juventude, um cursinho pré-vestibular na cidade e articulação paraviabilizar novos empregos.Em Itapajé, a bandeira defendida por Ciro Braga é a juventude, tanto a urbana como arural. O candidato compreende a juventude como um período precioso na formação docidadão, por isso irá trabalhar em três grandes eixos: Esporte, Cultura e Qualificação xprofissional. No esporte irá resgatar o futebol amador incentivando á reestruturaçãodos times nos bairros; fortalecimento das escolinhas de esporte com foco nas categoriasde base; Apoio a liga de futebol de Itapajé. Na cultura apoiará os movimentos dejuventude organizados como teatro de rua, grupos de quadrilhas do município, gruposde danças, musicais, capoeira. Além de incentivar e organizar os festivais Culturais nacidade. E por fim na qualificação profissional, que realizará parcerias com instituiçõesde formação profissional buscando cursos rápidos para capacitar os jovens em seuprimeiro emprego, como também buscar parcerias com empresas para incentivar aabsorção do jovem no mercado de trabalho.A questão, entretanto, é como fazer para que essa preocupação com a juventude não seconverta em pura estratégia eleitoreira? Ou então, que as promessas destes períodostornem-se ações e programas que incidem de maneira superficial na vida dos/das jovensitapajeense e irauçubense.Visto que nos últimos dez (10) anos a juventude tem ganhado visibilidade pública, emdecorrência de uma serie de processos que explicitaram a necessidade de ações,programas e projetos que incidam especificamente sobre suas vidas.E foram notórias, de forma estratégica, nos discursos pronunciados pelos candidatos deambas as cidades, a incorporação em seus planos de governo proposta especifica paraesse segmento da população.A internet é, em ano de eleição, principalmente, um meio estratégico para atingir jovenscom informações políticas. Isso pode ser verificado de forma abundante nas cidades deItapajé e Irauçuba, na qual foi nosso campo de estudo e observações. Pois a internet éconsiderada fundamental para disponibilizar informações para adolescentes/jovensitapajeense e irauçubense. 11
  • 12. A web mostra uma força bastante expressiva, superando canais tradicionais (comorádios, por exemplo) e se consolidando como um espaço real de busca por notícias.Diante de tudo que foi mostrado, catalogado e questionado, vale ressaltar que éimportante que os jovens estejam organizados na direção política do processo eleitoral eque possa colaborar programaticamente para o debate sobre os direitos da juventude esobre o ponto de vista dos jovens, sobre todas as questões do desenvolvimento dascidades. Não basta ter jovens participando da mobilização durante o processo eleitoral.O fundamental é que a juventude atue tanto na mobilização, quanto na formulação daspolíticas e na definição dos rumos das campanhas, mais do que uma tática para aconquista de votos o tema juventude é fundamental para o efetivo debate sobre aspolíticas publicas e para a construção de novos olhares sobre o desenvolvimento local.Novas institucionalidades – há hoje, no Brasil, duas novas institucionalidadesresponsáveis por pensar, formular e dar coordenadas para implementação de políticaspúblicas voltadas para a juventude no âmbito federal. Desde 2005, começou a funcionara Secretaria Nacional de Juventude (SJN) e o Conselho Nacional de Juventude (CNJ). Oprimeiro organismo tem como responsabilidade integrar programas e ações do governofederal, sendo referência na formulação de políticas e ações do governo. Já o CNJ atuacomo interlocutor entre o governo e a sociedade civil, no debate de políticas públicas dajuventude. Sua missão, entre outras, é acompanhar e avaliar as ações governamentaisdirigidas aos jovens e assessorar a SNJ na formulação de diretrizes.xiPara isso é fundamental que os jovens se organizem, participem diretamente da políticae pratiquem a democracia participativa, não só nos períodos eleitorais, mas cobrar,fiscalizar os representantes políticos escolhidos para governar nossa cidade, afim de setornarem atores do desenvolvimento sobre a construção e o destino da sociedade em quevivem, entendendo que quem faz política não é só quem está no poder, mas cada um denós, sujeitos sociais.xii 12
  • 13. CONSIDERAÇÕES FINAISConsideramos que a metodologia empregada, a maneira de coletar os dados e astécnicas utilizadas para tal, à relação estabelecida com os pesquisados, na busca daintersubjetividade e ao mesmo tempo do estranhamento, bem como toda trajetória dequestionamento sobre a juventude e definição do objeto são momentos ligados einterdependentes. As técnicas utilizadas foram desde a observação direta, atentandosempre para os imponderáveis surgidos no decorrer do trabalho, as entrevistas,observação de eventos relacionados com o tema: comícios, passeatas, circulação porvários bairros da cidade em dias de reuniões, etc. Houve também coleta de matérias decampanha dos partidos concorrentes, desde material fornecido por eles, até utilizaçãodos programas eleitorais veiculadas pelo rádio.xiiiO recorte aqui realizado vai ao sentido de captar o significado da política no cotidianode alguns jovens. Na qual diziam também: “não gostarem de política”, mas quandoperguntadas sobre algum candidato, em especial durante entrevistas que envolverammais de uma pessoa nas ruas, imediatamente começavam a debater, um apontandoqualidades do candidato X, outro os defeitos, numa empolgação e demonstrando umnível de conhecimento do tema, que contrariava a expressão genérica inicial.Não há uma recusa em participar do jogo eleitoral. Pelo contrário, em muitos momentosele aparece como uma disputa apaixonada entre os vizinhos, parentes e amigos, comodefinidor de acertos e erros encarados como indivíduos, que conferem prestigio ou sãoobjeto de ridicularização.Além disso, ainda que seja para falar mal, os entrevistados demonstraram um gosto defalar de política, um nível de informação e uma paixão que contraria sua expressãogenérica de que não gostam de política.Esta é uma etnografia que abre um novo debate. Um debate em que os eleitores jovensprecisam ser repensados e vistos como atores políticos, que possuem escolhas própriasbaseadas em valores coletivos e que votam de acordo com pensamentos e interessesmuitas vezes desconhecidos para quem pretende tê-los como interlocutores.O que nos cabe como pesquisadores é contribuir para a compreensão do universopesquisado. O resultado e a inquietante sensação de que sempre haverá algo mais á serdito sobre o tema, e que o ponto final só é possível depois do reconhecimento que o 13
  • 14. destino de nossas pesquisas, como diria Weber, ao contrário das obras de arte, que sevalorizam com o tempo, é serem superadas. Anexosi http://terradaamizade.blogspot.com.br/2012/10/ze-mota-e-eleito-prefeito-de-iraucuba.htmlii http://www.eleicoes2012.info/candidatos-iraucuba-ce/iii http://blogueirodouglas.blogspot.com.br/2012/10/como-sera-ciro-braga-na-prefeitura-de.htmliv http://www.eleicoes2012.info/candidatos-itapage-ce/v http://www.tre-ce.jus.br/vi http://www.tre-ce.jus.br/eleicao/eleicoes-2012vii Candidato á prefeito de Itapajé, onde governou esta cidade por 12 anos e renunciou no final dacorrida eleitoral para lançar o nome de seu filho, Ciro Braga, como substituto ao cargo.viii Revista Mundo Jovem – um retrato sobre a religião e política para jovensix Artigo “Os pentecostais: entre a fé e a política” de Etiane Caloy Bovkalovski Doutoranda-UniversidadeFederal do Paraná/CNPq e Marionilde Dias Brepohl da Universidade Federal do Paranáx Dados obtidos através de conversas informais e panfletos contendo suas propostas.xi IPEA, Instituto de Pesquisas e Estudos Avançados,publicou o livro"Juventude e Políticas Públicas noBrasil" que traz análises sobre a situação do jovem no País e a garantia de seus direitos na atualidade.xii MAGALHÃES Nara. 1998. O Povo Sabe Votar, Uma Visão Antropológica. Petrópolis: Vozes/Unijuí.xiii MAGALHÃES Nara. 1998. O Povo Sabe Votar, Uma Visão Antropológica. Petrópolis: Vozes/Unijuí. 140pp. 14
  • 15. Fotos: Batista Braga ao lado de Ciro Braga – Nação 14 (prefeito eleito em Itapajé)(imagens do candidato concorrente ao pleito eleitoral da cidade de Itapajé – ‘Família Onze’) 15
  • 16. (comício no distrito de Missi/Irauçuba)(Zé Mota – prefeito eleito em Irauçuba) 16