é Possível ser surdo em português
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é Possível ser surdo em português é Possível ser surdo em português Presentation Transcript

  • É POSSÍVEL SER SURDO EM PORTUGUÊS? Língua de Sinais e Escrita: em busca de uma aproximação Grupo 2
    • Caracteriza-se 3 Fases distintas:
    • Primeira Fase: Oralismo
    • Objetivo de assimilação da linguagem oral
    • Escola como laboratório de fonética
    • Técnicas de terapia de fala
    • Eliminar a diferença que separa ouvintes e não ouvintes
    • Meta Principal: tornar o surdo um “falante” proficiente da língua oral
    • Segunda Fase: Comunicação Total
    • Uso de sinais com a finalidade de desenvolvimento da linguagem do surdo
    • Utiliza-se os sinais como uma “ponte” para a aquisição da língua oral
    • Sinais utilizados pelos profissionais
    • Terceira Fase: Bilíngüe
    • Tornar acessível duas línguas: a língua de sinais e a língua portuguesa, em sua modalidade oral e/ou escrita
    • O texto produzido por um aluno surdo não obedece a estrutura gramatical do português
    • agrupamento de algumas palavras (léxico) da língua portuguesa
    • O “problema” de ortografia não é algo exclusivo do aluno surdo, a maioria das crianças apresentam
    • Também apresentam dificuldades em história, geografia, matemática e ciências, pois necessitam da língua portuguesa para o acompanhamento de seus conteúdos curriculares
    • “ Conhecer” ou “aprender” o português como segunda língua é saber um número x de palavras. O que significa que quanto maior for o léxico “dominado” pelo aluno, mais ele será considerado proficiente na língua.
    • Pessoa
    • As três pessoas do discurso na Libras, no singular e plural, assumem peculiaridades na escrita. O sujeito e, em alguns casos, o objeto podem aparecer não marcados, isto é, não explícitos nos enunciados. Já, nos verbos direcionais, o sujeito e o objeto são sempre marcados nos pontos iniciais e finais.
    • Pronomes:
    • Ele muito tem bebê o AIDS.
    • Nós amigos tem não AIDS.
    • Flexão Verbal :
    • Curitiba. Boa passear # vi.
    • O menino # vi televisão camiseta do Brasil.
    • Podem não ser explicitadas por nenhuma expressão lingüística:
    • Rua XV de Novembro, andar (Eu)
    • Ano 1991 tetra é ano 1998 penta? (O Brasil/Ele)
    •  
    • Entretanto, em muitos dos textos, há a predominância da primeira e terceira pessoas do singular, há a ocorrência do pronome e do nome simultaneamente.
    •  
    • Eu André 1976 fui escola de ouvintes.
    • Eu gosto bom Brasil.
    • Artigos
    • Artigos: são palavras que precedem os substantivos para determiná-los ou indeterminá-los. Os artigos definidos (o, a, os, as), de modo geral, indicam seres determinados, conhecidos da pessoa que fala ou escreve. Os artigos indefinidos (um, uma , uns, umas) indicam os seres de modo vago, impreciso.
    • Os artigos são omitidos na grande maioria dos casos, uma vez que os mesmos não existem em Libras. Como a utilização do artigo pressupõe um certo conhecimento de gênero por parte do falante, muitas vezes ele é utilizado de forma inadequada pelos surdos.
    • Exemplos:
    • A avião viajar o França Brasil.
    • Eu viu o televisão.
    • O André é viu flor.
    • Elementos de Ligação
    • Elementos de Ligação: As preposições e as conjunções constituem elementos de ligação entre as palavras, permitindo uma enorme ampliação da capacidade de expressão do vocabulário.
    • O uso inadequado e a ausência de conectivos como as conjunções e preposições são um aspecto comum nas produções dos surdos, uma vez que são inexistentes em Libras.
    • Exemplos:
    • A Gabriela chorar # fugir cachorro.
    • Eu voltei # 1992 # escola.
    • Conectivos
    • Conectivo na gramática da língua Portuguesa, é um vocábulo que liga orações no período.
    • O conectivo que , por ser amplamente utilizado como elemento de ligação em português, demonstra ser um grande problema para os surdos. Algumas vezes posicionados sintaticamente corretos na oração, mas lexicalmente inadequados. Isso prova que há uma percepção apropriada por parte dos alunos de sua importância nas orações, embora a regra de como usá-los não tenha sido assimilada.
    • Exemplos:
    • O argumento do cigarro que não se incomoda alguém e alguns sim.
    • Ele vi que passear muito macaco, leão, passeio público.
    • Gênero/Número
    • Os substantivos flexionam-se nos gêneros masculino e feminino e quanto às formas
    • Quanto ao número, os substantivos apresentam em singular e plural
    • A ausência de desinência para gênero e número em Libras é um dos aspectos mais evidentes da interferência dessa língua na escrita, pois a concordância nominal inadequada é uma constante nas construções analisadas.
    • Exemplos:
    • A minha mamãe faz uma bolo chocolate bom.
    • Eu viu o televisão.
    • Verbos
    • Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou situação.
    • Uma vez que apresentam-se sem flexão de tempo e modo em Libras há uma tendência de os surdos apresentarem os verbos em sua forma infinitiva na escrita.
    • Exemplos:
    • O Brasil ganhar um bola.
    • Em relação à omissão freqüente dos verbos de ligação (Ser, Estar, Ficar, etc.), isto se deve à prevalência da Libras na qual tal verbo é inexistente.
    • Exemplos:
    • Eu # casado.
    • Na Libras, o tempo é expresso através de locativos temporais (passado – pra trás, futuro – pra frente, presente – à frente do corpo). Como tais noções são representadas por itens lexicais isolados, podem manifestar-se na escrita, em duas situações:
    • Através de enunciados que refletem essas noções exatamente como na Libras: 
    • Exemplos:
    • Em hoje , diminui a porcentagem de paciente que não morrem.
    • (...) no mundo não tem terra no café foi antigo antes escravos eles descobrir.
    • Através de enunciados que manifestam a necessidade de uma diferenciação no item lexical verbal embora sem a flexão correta:
    • Exemplos:
    • Eu gosto bom ele Jardim Botânico.
    • Eu viu o televisão.
    • Outro aspecto referente à ordem das palavras extremamente peculiar na Libras diz respeito à negação, que pode se dar de três formas:
    • Através da utilização do item lexical isolado – NÃO.
    • Pelo uso simultâneo do lexema verbal e da negação realizada com o balanceamento da cabeça para os lados – NÃO COMER, NÃO PRECISAR.
    • Pela alteração do movimento do sinal – SABER NÃO, GOSTAR NÃO.
    • a língua materna do surdo é a Libras
    • os “erros” que estudantes surdos cometem ao escrever o português devem ser encarados como decorrentes da aprendizagem de uma segunda língua
    • a influência da língua nativa – a LIBRAS – é maior e mais efetiva do que os longos anos de escolarização
    • metodologias de ensino da Língua Portuguesa negou-se ao surdo perceber o sentido na aprendizagem de uma segunda língua. Como conseqüência, as respostas para o fracasso foram justificadas como inerentes à condição da “deficiência auditiva”
    • estrangeiros que estão adquirindo uma segunda língua apresentam dificuldades semelhantes ás dos surdos
    • não é apenas o fato de o surdo não receber informações auditivas que interfere nas suas práticas em português, mas, também o fato de sua língua fundadora estar participando ativamente no processo de elaboração discursiva
    • o professor deve estar atento quanto a organização sintática da frase, ausência de verbos de ligação, flexão de modo e tempo, conjunções, pronomes, concordância verbal e nominal
    • entendam que têm diante de si um usuário de uma língua diferente da sua
    • problemas de comunicação entre ouvintes e surdos, a não aquisição da língua de sinais em tenra idade, a escrita distorcida do português, a necessidade de o surdo ser inserido em uma comunidade surda, a convivência com dois mundos (ouvinte e surdo), a identidade do surdo, também são tidos como pontos críticos quando se discute sobre o surdo e a surdez
    • igualmente, muitas coisas foram, são e continuam sendo pretendidas, sobretudo quando se almeja modificar as situações educacional e lingüística do surdo. Manifestações a respeito da inclusão do surdo na escola comum, da manutenção da escola especial, do acesso a duas línguas (sinais e português), do reconhecimento da surdez como diferença figuram como metas pretendidas
    • Considerações Finais
    • As questões apontadas na aquisição de português escrito por surdos vêm expor uma situação que requer ações específicas e especializadas.
    • Nesse sentido, um procedimento essencial é que a escola faça o diagnóstico das necessidades educacionais do aluno surdo, a fim de orientar suas ações. Ao mesmo tempo, é necessário desenvolver um amplo intercâmbio de informações e experiências entre profissionais e interessados nessa questão, incluindo-se primordialmente a própria comunidade surda e sua família, a fim de ampliar o conhecimento da realidade do surdo, na busca do entendimento de sua complexa situação lingüística e (multi)cultural.