Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 Jean-Pierre Esquenazi (Sociologie des publics,
2003) sugere seis teorias principais...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 1) Inquérito/audiência
 A sociologia dos públicos tem uma relação inevitável com o...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 2) Obra (recepção) – ou público activado pela obra
 Uma “obra” associa-se a um mod...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 Wolfgang Iser:
 O processo de leitura é uma interacção entre dois sujeitos. É na m...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 3) Estratégias comerciais
 Distribui-se em duas grandes escolas de pensamento, par...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 Quanto ao funcionalismo, destaca-se um texto
editado em 1942 por Herta Herzog. Com ...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 4) Estratificação e práticas culturais
 Há duas teorias debaixo desta designação: ...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 Outro contributo para a teoria do público produzido pela estratificação
social – cu...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 5) Público estruturado pelas
configurações culturais
 Aqui, inclui-se uma divisão ...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 Outro domínio do público estruturado pelas configurações culturais
é o dos Gender S...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 6) Interacção e etnografia e quadros de participação
 O conjunto de estudos dentro...
Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi
 James Lull procurou conciliar o pensamento funcionalista e o
contributo etnográfico...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Públicos em Jean Pierre Esquenazi

1,148 views
1,021 views

Published on

Públicos em Jean Pierre Esquenazi

Published in: News & Politics
0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
1,148
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
292
Actions
Shares
0
Downloads
12
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Públicos em Jean Pierre Esquenazi

  1. 1. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  Jean-Pierre Esquenazi (Sociologie des publics, 2003) sugere seis teorias principais na caracterização de públicos:  Inquérito/audiência,  Obra (recepção),  Estratégias comerciais,  Estratificação e práticas culturais,  Configurações culturais (género, por exemplo),  Interacção e etnografia e quadros de participação.
  2. 2. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  1) Inquérito/audiência  A sociologia dos públicos tem uma relação inevitável com os inquéritos estatísticos, utilizados por inúmeros pesquisadores.  A ideia é mensurar ou avaliar os públicos reais ou potenciais. A televisão é examinada regularmente.  A prática da televisão é inversamente proporcional à densidade de outras práticas culturais. O teatro é a saída cultural mais incompatível com o gosto pronunciado pela televisão.  Geralmente, os utilizadores das estatísticas concentram-se mais na média mas esquecem as disparidades de consumo entre pessoas da mesma idade (caso dos mais velhos). Por outro lado, considera-se que quanto mais se vê televisão menos se escolhem programas.  Há três grandes oposições (jovem/velho, homem/mulher, nível de estudos elevado/baixo).
  3. 3. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  2) Obra (recepção) – ou público activado pela obra  Uma “obra” associa-se a um modelo de interpretação (teoria do “texto”).  A interpretação desenvolve-se a partir de directivas contidas no texto. Compreender a recepção significa desenrolar uma teoria do texto (autores: Umberto Eco, Wolfgang Iser, Hans Robert Jauss, Stanley Fish).  Umberto Eco:  1) Textos fechados – (por exemplo, a literatura popular, que postula um só modelo perfeitamente definido),  2) Textos abertos – possuem dimensões diferentes mas não exclusivas e admitem a possibilidade de modelos variados de leituras. Os textos abertos possibilitam leituras distintas e, por isso, nenhuma é mais justa que as outras.
  4. 4. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  Wolfgang Iser:  O processo de leitura é uma interacção entre dois sujeitos. É na memória do leitor que se desenvolve a elaboração do sentido da leitura. Reler um livro ou rever um filme muitos anos depois, com uma biografia pessoal com mais experiência e mais memória, pode levar a uma nova interpretação.  Hans Robert Jauss:  Cada época define-se pelo tipo de contacto que privilegia com as obras. Há horizontes de expectativas dos leitores, resultando, numa dada época, de normas de escrita, de modos julgados habituais de olhar a ficção e as relações estabelecidas com as obras-primas.  Stanley Fish:  A interpretação depende de níveis de competência do público, como se fossem diferentes comunidades de interpretação ligadas a estratégias interpretativas específicas.  A recepção do objecto pelo público é determinada pelo conhecimento que possui um género (ficção científica, policial, documentário) a que pertence o objecto. O género western é constituído por filmes que seguem um esquema comum respeitando lugares, personagens, acções [ver a telenovela].
  5. 5. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  3) Estratégias comerciais  Distribui-se em duas grandes escolas de pensamento, para quem o público é um conjunto de consumidores:  a) Funcionalismo, com os trabalhos do sociólogo Lazarsfeld nos anos 1930 e que, na década seguinte, teria forte influência nos media dos Estados Unidos.  b) Sociologia crítica das indústrias culturais, com duas datas de nascimento: um texto de Benjamin (A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica, 1936) e um texto de Adorno e Horkheimer (A produção industrial de bens culturais, 1947).  As duas escolas surgem quase ao mesmo tempo.
  6. 6. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  Quanto ao funcionalismo, destaca-se um texto editado em 1942 por Herta Herzog. Com apoio nos inquéritos conduzidos junto do público das soap operas radiofónicas, ela interessa-se essencialmente pelo gosto das classes mais populares pelo género. Ela negligencia o facto que há igualmente muito público mais culto que tem as mesmas necessidades. O funcionalismo teoriza a influência pessoal, título do livro de Katz e Lazarsfeld.
  7. 7. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  4) Estratificação e práticas culturais  Há duas teorias debaixo desta designação: a teoria da legitimidade cultural inspirada por Pierre Bourdieu e os Cultural Studies britânicos, ambas ancoradas na sociologia.  No trabalho de Bourdieu há dois livros fundamentais, o primeiro consagrado aos usos comuns da fotografia (Un art moyen, 1965) e o segundo à frequência dos museus (L’amour de l’art, 1969).  Cada domínio das práticas culturais é estruturado pelos hábitos dos diversos tipos sociais.  Un art moyen descreve as afinidades entre hábitos, estilos de vida e proprietários da técnica fotográfica. A fotografia é uma técnica realista e simples que permite a recolha regular de imagens, acompanhando a ritualidade da vida. A necessidade de fotografias nas pequenas cerimónias faz o ritmo da vida quotidiana.  Em L’amour de l’art, Bourdieu fala da constituição do público da arte, supondo-o ainda relacionada com a literatura e a música clássica. A primeira constatação surgida no livro é a taxa de frequência dos museus segundo as categorias sociais e profissionais.
  8. 8. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  Outro contributo para a teoria do público produzido pela estratificação social – cultural studies.  Um artigo de 1973, publicado por Stuart Hall (Coding/Decoding), tornou-se um dos principais estudos dos Cultural Studies. Para ele, o público não é uma massa passiva mas um dos actores intervenientes no processo.  O problema de interpretação pelo público põe-se ao nível da conotação: os telespectadores têm três possibilidades para interpretar a informação:  a) Validam a informação como ela é enunciada nos termos constitutivos da ideologia dominante (posição dominante hegemónica),  b) Aceitam o quadro da informação mas opõem-se à formulação particular do facto em questão (posição negociada),  c) Recusam o quadro geral e querem substitui-lo por outro sistema conotativo (posição oposicional).
  9. 9. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  5) Público estruturado pelas configurações culturais  Aqui, inclui-se uma divisão de sexos, nacionalidades e culturas.  Esquenazi salienta o inquérito Les jeunes et les sorties culturelles, que lhe permite caracterizar seis maneiras de abordar a oferta cultural (comportamento de jovens dos 12 aos 25 anos):  a) ecletismo, que se encontra sobretudo entre os jovens vindos de meios favorecidos e urbanos. Eles (mais as mulheres) são apreciadores de todas as actividades culturais,  b) rebeldia, com características sociográficas semelhantes ao anterior grupo, rejeita a cultura “clássica” e consagra-se aos concertos de rock e actividades contestatárias,  c) conformismo, um dos mais representados nas diferentes atitudes, centra-se no trio cinema-rock-discoteca; a rejeição da cultura clássica é aqui uma marca de desinteresse,  d) distanciamento é uma atitude que partilham muitos filhos das classes populares: são praticantes culturais fracos (excepto desporto e televisão) e não querem desenvolver as suas práticas,  e) frustração como traço dominante, provindo os públicos também das classes populares; mais rurais e femininos que os anteriores têm um desejo de maior actividade,  e) enraizamento, representa a particularidade preponderante de uma larga camada média (30% dos jovens inquiridos) fortemente ligada ao património e interessada no espectáculo desportivo.
  10. 10. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  Outro domínio do público estruturado pelas configurações culturais é o dos Gender Studies, divididos em duas grandes opções de investigação.  A primeira, a ferramenta psicanalítica, primeira fase de pesquisa pública sobre os públicos, propõe-se explicar o sucesso das soap operas junto das mulheres, e em especial das donas de casa, comparando a estrutura da organização narrativa do género televisivo e as formas de vida reservadas às mulheres. Cada série no género soap opera centra-se em torno de personagem de mãe ou mãe ideal, situada no coração de todas as intrigas.  A segunda, a etnologia feminista, procura perceber a situação desvalorizada dos produtos literários e televisivos preferidos pelas mulheres. Daí querer explicar o prazer dos públicos femininos face às soap operas ou à literatura “sentimental”.
  11. 11. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  6) Interacção e etnografia e quadros de participação  O conjunto de estudos dentro desta perspectiva tem o mérito de mostrar que os actos de recepção não funcionam num deserto cultural e social mas dependem de parâmetros que escapam à recepção. Caso da conversa ou discussão tidas após a recepção propriamente dita. Têm a vantagem de explorar domínios inacessíveis aos inquéritos quantitativos.  É muito difícil estudar um público. Além disso, o público é imprevisível e heterogéneo. Já David Morley falava de “públicos”, os quais interrogou para o seu inquérito sobre o programa Nationwide.  Por seu turno, Hartley qualifica os públicos de “ficções invisíveis”: são “ficções” porque aparecem juntos devido às necessidades do inquérito e “invisíveis” porque existem como públicos apenas no espírito do investigador.  Hartley fala ainda do programador de televisão, que imagina os públicos como aqueles a quem se destinam as emissões e que são vendidos aos anunciantes.
  12. 12. Os públicos em Jean-Pierre Esquenazi  James Lull procurou conciliar o pensamento funcionalista e o contributo etnográfico. Interrogando as famílias sobre o papel atribuído à televisão, o autor mostra que elas associam duas funções essenciais:  1) a televisão estrutura a vida familiar, contribuindo para o estabelecimento de horários e comportamentos,  2) a televisão tem uma vocação relacional ajudando à comunicação: os lugares comuns são retomados nas conversas, algumas emissões são vistas e comentadas em comum.

×