26/12/02 15:31+00:00Uma boa tarde para todos.A altura em que se começa este weblog faz-me lembrar outra experiência, a do ...
Se, face à mudança no DN, torci o nariz, já o Expresso pareceu-me manter-se na sualinha clássica, mas com um visual mais a...
calls, e-mails, individual web use details or credit card transactions. The letter claimsthat mandatory retention of such ...
Se a actual sociedade possui grande criatividade, ela também produz um negativo: quemnão tem capacidade de inovação, fica ...
PORQUE É QUE CERTOS ACONTECIMENTOS SÃO NOTÍCIAHELENA MENDONÇAPorque é que certos acontecimentos são notícia e outros não? ...
efeitos perversos dos valores-notícia. Defendo que devem procurar também as notíciaspositivas para equilibrar um pouco o e...
além de pressionar os poderes públicos (e privados) no sentido de abrirem arquivos (deimagens, sonoros) aos investigadores...
(re)adquirir o hábito de jornalista, atitude salutar para quem ensina jornalismo, isto é,misturar a prática com a teoria. ...
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CIMJ - textos que escrevi no blogue inicial do Centro de Investigação Media e Jornalismo (2002-2003)

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  1. 1. 26/12/02 15:31+00:00Uma boa tarde para todos.A altura em que se começa este weblog faz-me lembrar outra experiência, a do "Diáriodos Media" (há dois anos).Espero que haja sucesso também neste projecto.30/12/02 19:30+00:00Saiu o nº 6 da revista do Obercom, a Observatório, com o título de capa "Televisão,qualidade e serviço público". Traz um conjunto de textos onde o serviço público e aqualidade do mesmo são questionados, de autoria de Francisco Rui Cádima, CharoGutierrez Gea (laboratório de prospectiva em investigação em comunicação,Barcelona), Milly Buonano (professora associada de uma universidade de Roma) eUnesco. De outros textos destaco o liderado por Isabel Ferin (mais Catarina Burnay eLeonor Gameiro), sobre a ficção em português nas televisões generalistas, e Ana PaulaMeneses, sobre telenovelas.06/01/03 14:21+00:00Estive tentado a escrever, em meados de Dezembro último, sobre o portal InfoAmérica(www.infoamerica.org), pertença da universidade de Málaga. Tirando o sítio da BOCC,da universidade da Beira Interior, este parece-me ser um portal de grande possibilidadede expansão. Entre Outubro e Dezembro, no portal foram colocadas ligações em linhade rádio e televisão. Numa mensagem recebida hoje, o portal promete, para o final dotrimestre, a inclusão de informação sobre 100 pensadores que trabalharam acomunicação. Iamginem que, se precisarem de material para apresentação numa aula,por exempo de Pierre Bourdieu, Jean Baudrillard, Theodor Adorno ou RaymondWilliams, encontram neste portal informação útil, e certamente, científica. Recomendo avisita a este portal e o seu adicionar aos sítios favoritos no seu computador.07/01/03 21:15+00:00A BBC está a planear uma aliança transatlântica com a cadeia americana ABC, dadoque a possível fusão entre a ABC News e a CNN começa a estar fora de causa. A BBC ea ABC têm já um acordo, a funcionar desde 1993, para partilhar peças em vídeo e outromaterial noticioso. A BBC quererá alargar esta ligação. (lido na edição em linha, dehoje, do European Journalism Centre).11/01/03 12:25+00:00Já li (ou folheei) o Expresso de hoje. Curioso o facto de dois jornais (o Expresso e oDiário de Notícias) mostrarem novos designs na mesma semana, no início de um ano (eum aumentozito de preço). Porque será que dois jornais decidem mudar de linha gráficacerca de um ano após haver mudanças políticas? Será que há uma nova cultura no ar?Ou porque as audiências obrigam a testar novos modelos (o Público de hoje fala queeste jornal aumentou de audiências face ao rival DN, que baixou, em 2002, mas nada dizsobre volume de vendas)? 1
  2. 2. Se, face à mudança no DN, torci o nariz, já o Expresso pareceu-me manter-se na sualinha clássica, mas com um visual mais alegre e colorido (sem ser pós-modernista). Paraquem gosta de história do jornalismo (e, eu, quando for grande, gostaria de serhistoriador dos media), o editorial do director do Expresso parece ser um bom ponto departida para a compreensão das mudanças gráficas do jornal ao longo de 30 anos.Retirando aquela tirada da melhor direcção do jornal, que é a actual.15/01/03 22:36+00:00Em colóquio realizado hoje na Universidade Nova de Lisboa, e promovido peloObercom, um dos membros da mesa, o novo presidente do ICAM, Elísio de Oliveira,enunciou as novas linhas de apoio à indústria do audiovisual, composta por quatrolinhas: 1) incentivar financeiramente a gravação de programas-piloto de apoio aosprodutores independentes de audiovisual (para além de um guião em papel, aapresentação do produto visual já montado), 2) apoiar a produção de seriados de trêsepisódios e telefilmes, 3) atribuir financiamento ao documentário audiovisual, e 4)apoiar a animação nacional. Elísio de Oliveira informou também da muito próximaimplementação da leitura imediata (informática) dos ingressos nas salas de cinema, parase poder traçar um melhor perfil do comportamento dos filmes nas salas (o que nãodisse foi que o projecto vem do tempo de Carrilho).Depois de uma fase de indefinição após a tomada de posse do actual governo e das lutasinternas no ICAM, parece haver uma nova orientação. Ficamos à espera daconcretização das propostas.21/01/03 18:37+00:00Em 1950, neste dia, morria George Orwell, após uma luta de três anos contra atuberculose.Esta e outras histórias podem ler-se no arquivo da BBC, agora tornado online. Só nãosei se se paga, ou quando se começa a pagar.04/02/03 21:05+00:00A mensagem seguinte recolhi-a hoje na newsletter do European Journalism Centre.Caso a vigilância electrónica fosse para a frente, este email ou um movimento qualquerde pagamento do meu cartão de crédito estaria a ser vigiado por um Grande Irmão. Omundo está mesmo perigoso...A setback for Big Brother-------------------------The European Union has received its first serious challenge to controversial internetprivacy guidelines drawn up last year in the wake of the terrorist attacks in the US.Thirty-eight European Parliament members, from a wide spectrum of political parties,have signed an open letter to the European Commission opposing the electronicsurveillance of EU citizens. The commissions proposals would force telephone andinternet companies to retain data for a period of 12 to 24 months, during which time itcould be accessed by law enforcement agencies. The data could be made up of phone 2
  3. 3. calls, e-mails, individual web use details or credit card transactions. The letter claimsthat mandatory retention of such data violates Article 8 of the ECs charter of humanrights and could undermine democracy rather than defending it. In the US, the Senateunanimously voted last month for suspension of an electronic surveillance project.Source: http://www.journalism.co.uk/news/story562.html - Journalism.co.uk07/02/03 17:21+00:00Um livro saído há pouco (David Hesmondhalgh, 2002, The cultural industries. Londres,Thousand Oaks e Nova Deli: Sage) reflecte profundamente na importância dadigitalização nos media. Escreve Hesmondhalgh, que os "velhos" media - como afotografia, o disco sonoro, o cinema, a rádio e a televisão - assentavam em sistemasanalógicos. Hoje, o código binário (zeros e uns) da digitalização permite eliminarinterferências no sinal, ter reproduções mais fiéis e efectuar manipulações do original. Oautor refere nomeadamente indústrias culturais como a música de consumo, aspublicações electrónicas, os jogos vídeo e de computador, a internet e a televisão digital.O livro aborda alguns pontos essenciais, segundo os meus interesses pessoais, a saber: adescentralização das redes www, o acesso fácil (mas desigual, conforme os rendimentoseconómicos, e que Castells, em livro finalmente traduzido pela Gulbenkian há escassassemanas, salienta) e os efeitos no consumo. Aqui, detecta uma tendência, que vale apena pensar. No tempo da "velha" televisão (tipo RTP), o telespectador-consumidorpagava a aquisição do receptor e a electricidade para o alimentar e sujeitava-se a unsquantos períodos de anúncios publicitários. Com a televisão por cabo, paga-se umaassinatura por um pacote de canais, ao lado dos anúncios publicitários; além disso, háoutros canais com assinatura independente. Quando vier a televisão digital, otelespectador-consumidor terá ainda de comprar um novo receptor (ou a caixa dedescodificação, pelo menos, até ao switch-off da televisão analógica). Isto é, o meio decomunicação chamado televisão passou de um preço inicial (compra do aparelho) e umvalor residual mensal (electricidade a pagar) para um valor mais elevado (assinaturageral por pacote e assinatura específica por canais suplementares). Será que mais canais(abundância) garantirão mais conteúdos diferenciados?09/02/03 20:11+00:00Para quem quiser visitar revistas de comunicação e jornalismo no espaço cultural daslínguas portuguesa e espanhola aceda ao endereço seguinte: www.infoamerica.org.12/02/03 18:25+00:00RECENSÃO The making of the network societyEm pequeno livro, Castells sintetiza o conceito da rede, flexível, adaptável ereconfigurável, não física mas electrónica. Quem fala em rede, fala de virtualidade, queo autor desenvolve em dois conceitos. O primeiro é o da cidade virtual - novo espaçopúblico, democrático, interactivo, comunitário. O outro conceito é o de virtualidadereal. Por norma, fala-se de realidade virtual; em Castells, a virtualidade real entende-secomo manifestação da cultura mediada electronicamente (online, televisão, vídeo),enquanto parte fundamental da realidade. É virtualidade porque processada em termoselectrónicos; é real porque parte central da nossa experiência. 3
  4. 4. Se a actual sociedade possui grande criatividade, ela também produz um negativo: quemnão tem capacidade de inovação, fica de fora. Aquilo que designa por divisor digitalquer dizer fragmentação, individualização, desigualdade social e de rendimentos. Paracombater tal divisor, surgem políticas de ligar mais computadores à Internet. Verifica-se, contudo, que os estudantes com melhores condições aprendem mais em relação aestudantes em piores situações sociais e culturais.Numa aposta polémica, o sociólogo catalão caracteriza a sociedade em rede comodesprovida de valores éticos. Criar e destruir são elementos constantes. Exemplo é o domercado financeiro global, não controlado por ninguém e onde se transferem bensfinanceiros de países e regiões para outros países – o autómato. Porém, a haver ética, elavem dos hackers, cujo sentido de inovação os leva a furar os segredos dos sistemasprotegidos de informação. Para além de entrar no proibido, arriscar e inovar constituemas palavras-chave do hacker, de certa maneira as ferramentas do gestor e da empresamoderna.Manuel Castells, com Bob Catterall (2002). The making of the network society.Londres: Institute of Contemporary Arts. 32 páginas. Custo aproximado no editor: 4,5€.17/02/03 19:59+00:00INTERNET - Parece que a Internet se está a tornar uma fonte de informação maisimportante do que a imprensa - em especial entre os mais jovens. Paul Carr, editor defridaything.co.uk, contou que a história da terceira gravidez de Madonna não foi umexclusivo da revista inglesa Heat, porque saira quatro dias antes no seu website. Osleitores da Heat compreenderam e enviaram muitas mensagens à fridaything.co.uk, aapoiar esta editora electrónica. Um inquérito recente em Nova Iorque concluiu que 80%das pessoas entre 18 e 34 anos consideram a internet como a principal fonte de notícias(notícia editada hoje pelo European Journalism Centre).A newsletter Friday Thing tem um modo apelativo de obter informação: aceita notícias,boatos, memorandos confidenciais e registos vídeo secretos. Isto é, todo o mundo podeser, simultaneamente, fonte e jornalista. A newsletter não diz se há gatekeeper, censura,tratamento jornalístico ou audição de todas as partes envolvidas.26/02/03 18:46+00:00Desde hoje, o site da Infoamerica (www.infoamerica.org), na secção de revistasacadémicas, tem um ícone com a capa da nossa revista Media & Jornalismo e link parao CIMJ. A revista é apresentada como propriedade do Centro de Investigação Media eJornalismo de Portugal. O site da Infoamerica pertence à universidade de Málaga.26/05/03 18:44+00:00MEDIA E JORNALISMO InvestigaçãoHoje, o Diário de Notícias publicou o seguinte texto: 4
  5. 5. PORQUE É QUE CERTOS ACONTECIMENTOS SÃO NOTÍCIAHELENA MENDONÇAPorque é que certos acontecimentos são notícia e outros não? Quais os critériosutilizados pelos jornalistas na filtragem dos eventos? Esses critérios são partilhados ounão pelos profissionais independentemente do país onde se encontram? Perguntas tantasvezes colocadas pelos leitores e a que uma equipa de investigadores da UniversidadeNova está a tentar responder, num vasto projecto de investigação ainda em curso. Masos estudos exploratórios do coordenador do projecto de pesquisa, Nelson Traquina, jápermitem fazer uma aproximação à realidade das redacções: os jornalistas seleccionamos acontecimentos segundo critérios de novidade, notoriedade, infracção, conflito, etc.(os chamados «valores-notícia») e partilham uma cultura noticiosa comum, onde querque trabalhem. Ou seja, os profissionais «fazem parte de uma comunidade ou tribointerpretativa transnacional», pelo que a cobertura noticiosa em países diferentes revelasemelhanças significativas.Nelson Traquina e a sua equipa (Cristina Ponte e Rogério Santos), do Centro deInvestigação Media e Jornalismo da Universidade Nova, escolheram o fenómeno dasida para estudar o comportamento das redacções. O Diário de Notícias e o Correio daManhã são os órgãos a analisar, através da análise de conteúdo de um vasto períodonoticioso, de 1981 a 2000. O gabinete dos investigadores está já repleto de dossierscontendo cinco mil peças dos dois jornais. «Temos um total de 40 anos de coberturajornalística da problemática sida», entre editoriais, artigos de opinião, cartas do leitor,notícias e reportagens, sintetiza o coordenador. Uma enorme massa de artigos quecomeça agora a ser analisada, na tentativa de responder a uma «simples» pergunta:porque é que a sida é notícia?O projecto está longe da conclusão (Setembro de 2004), mas Nelson Traquina temrealizado estudos exploratórios. Num desses trabalhos, o investigador comparou acobertura jornalística da sida em cinco jornais de quatro países (Diário de Notícias eCorreio da Manhã, Portugal; El País, Espanha; New York Times, EUA; e Folha de SãoPaulo, Brasil). ao longo de três meses, de Outubro a Dezembro de 1993. «Há milharesde acontecimentos todos os dias, nem tudo é publicado. É impossível, um jornal não éuma Bíblia», começa por frisar Nelson Traquina. Daí que a selecção de notícias sejauma tarefa fundamental numa redacção. O conhecido sociólogo francês Pierre Bourdieuescolheu a palavra «censura» para definir esse trabalho. Mas o investigador portuguêsprefere «definições mais rígidas», optando pelo conceito de «valor-notícia» - ou seja, «ocritério utilizado para escolher um acontecimento e não outro».CABIDES NOTICIOSOS. No curto espaço de tempo noticioso avaliado, umacontecimento teve especial destaque: o sangue contaminado na Alemanha. Os valoresescândalo (contaminação), infracção (violação de regras), notoriedade (demissão doministro da Saúde alemão) foram o trampolim para as notícias publicadas em todos osjornais sob investigação. O Dia Mundial da Sida, a 1 de Dezembro, constituiu outro«valor-notícia». «Demonstra que o factor tempo pode ser um critério e como foiinteligente a criação do dia para dar a capacidade de pendurar as notícias num cabide».Um dos aspectos confirmados pelo estudo de Nelson Traquina é a tendência dos mediapara as notícias negativas, uma opção tantas vezes criticada pelos próprios leitores. Semminimizar a importância de publicar as «más notícias», o investigador deixa, porém, umconselho à comunidade jornalística: «Os jornalistas devem ter consciência de que há 5
  6. 6. efeitos perversos dos valores-notícia. Defendo que devem procurar também as notíciaspositivas para equilibrar um pouco o efeito negativo.» No universo da sida, porexemplo, «há muita gente seropositiva que vive todos os dias e realiza coisas. Mas asnotícias sobre essas pessoas não aparecem nos jornais».Apesar de não partilhar a ideia de que o jornalismo «é inimigo da esperança», oinvestigador admite que a divulgação apenas de escândalos «pode enfraquecer aesperança dos cidadãos». Ao contrário do que muitas vezes parece, «procurar as notíciasboas requer mais trabalho e a verdade é que os jornalistas estão pressionados pelo factortempo», além de que, «as coisas más têm efeitos mais vastos, enquanto as boas não dãomuito nas vistas». Mas, sugere o investigador, «num mundo em que parece haver sócoisas negativas, há que fazer um esforço para introduzir uma componente positiva».26/06/03 17:58+00:00SEMINÁRIO/FORMAÇÂOConforme previsto, decorreu ontem o I Seminário sobre Metodologias de Pesquisa,dedicado ao tema "Repensar a investigação empírica sobre os Media e o Jornalismo",orientado por Isabel Ferin, da Universidade de Coimbra.Numa acção centrada sobre a realidade em Portugal, dentro do bloco comunicação-media-jornalismo, Isabel Ferin destacou os seguintes pontos: crescimento de mestradose doutoramentos no país, traduzido por investigação, aliás visível na produção literáriasobre comunicação, media e jornalismo; aparatos e metodologias para além dos objectosde análise; dificuldades na obtenção de dados (registos de televisão, por exemplo);importância dos Centros de Investigação; publicitação de trabalhos, nomeadamenteteses (para que outros investigadores não partam do zero, se trabalharem na mesma áreade investigação); contextualização (por exemplo, a importância de dados estatísticosgerais, como o Obercom está a fazer).Um dos pontos vitais da apresentação de Isabel Ferin foi a necessidade de os novosestudos cruzarem dados das áreas de produção (encoding, na terminologia do textoseminal de Stuart Hall) e recepção (decoding).O tempo do seminário não chegou para abordar o conjunto de textos em discussão, mashouve muitas e proveitosas intervenções dos membros do Centro que participaram noencontro. Recordo que estavam em análise dois textos escritos por Isabel Ferin - um dosquais já publicado na revista do CIMJ, Media & Jornalismo -, uma comunicação deEduardo Meditsch e outros textos assentes em metodologias específicas de investigação.Das intervenções dos presentes, recordo o realce dado ao estatuto do investigador (oprofessor, para além dos trabalhos associados à sua carreira, tem de disponibilizartempo para a pesquisa), a importância de criar redes nacionais e internacionais deinvestigadores e a análise às notícias (na sequência de uma obra recente de Schudson,em que este autor alerta para o peso crescente das notícias leves e da tabloidização dosnoticiários).Foi dada também importância à constituição de um "lobby" forte e com mediatizaçãodos investigadores da área para que haja o conhecimento público dos seus trabalhos, 6
  7. 7. além de pressionar os poderes públicos (e privados) no sentido de abrirem arquivos (deimagens, sonoros) aos investigadores.17/09/03 21:35+00:00WEBLOGSAmanhã e depois de amanhã, realiza-se um encontro sobre weblogs, na Universidade doMinho. A prestar atenção às notícias que se estão a publicar e que sairão do encontro.Afinal, trata-se de um assunto que interessa a todos nós.17/12/03 16:16+00:00WEBLOGS E JORNALISMOEste weblog está a fazer um ano de existência. O primeiro post em arquivo data de 26de Dezembro de 2002, escrito por mim, embora me recorde de haver mais um ou outropost anterior escrito pelo José Carlos Abrantes, o grande dinamizador do weblog, e peloAntónio José Silva. A regularidade não tem sido muito boa - eu próprio estou entre osque não tem cumprido tal desiderato - mas não quero deixar de emitir uma opiniãoacerca da efeméride e dos weblogs ligados ao jornalismo. Isto a propósito de duascoisas.A primeira é a leitura (descoberta) de um texto datado de 1940, de Paul Lazarsfeld,chamado Radio and the printed page, em que o responsável pela pesquisaadministrativa e dos efeitos limitados dos media, comparou o impacto da rádio, meioainda recente na época, e os jornais. Uma das perguntas que ele fez foi: será que a rádioirá retirar campo à leitura (de jornais e de livros)? Nós já nos esquecemos desta questão,pois andamos à volta de outra: o consumo da televisão e da internet contribuem para ailiteracia? Na pág. 264 do seu livro, Lazarsfeld conclui que, até ao advento da rádio, ojornal preenchia duas funções: 1) relatar o que acontecera, e 2) interpretar a importânciado acontecimento. Mas, dado que a rádio é mais rápida em relatar acontecimentos, aimprensa perde este papel. Quando abrimos um jornal, escreveu Lazarsfeld,provavelmente já conhecemos os principais acontecimentos através da rádio. Hoje,diríamos o mesmo da televisão ou da internet. Lazarsfeld ainda não escrevera sobre otwo step flow of information e sobre a importância dos líderes de opinião, o que iriaacontecer nos anos seguintes. Mas fala em reforço: para ele os ouvintes tipo J (jornais)têm capacidades suficientes para ler os jornais com facilidade, mas o seu interesse nasnotícias intensifica-se através da complementaridade da audição da rádio. Ao invés, osouvintes tipo R (rádio), porque dão maior destaque à rádio, têm um interesse maismodesto e recente em termos de notícias (p. 254). Ou seja, e nas palavras de Lazarsfeld,a dieta noticiosa do ouvinte tipo R é menos variada que a dos consumidores de notíciasde jornais.A outra coisa é o trabalho de Manuel Pinto no weblog Jornalismo e Comunicação, localde passagem obrigatória para quem quer saber notícias que os media tradicionais aindanão publicaram. Através dele soubemos, por exemplo, da saida de Joel da Silveira daAACS. O que chamo a atenção é para a linguagem que Manuel Pinto está a usar.Escreve ele: segundo uma fonte bem colocada; segundo apurou este weblog. Aqui está ocerne do jornalismo, a notícia nova, a cacha. Manuel Pinto, o professor está a 7
  8. 8. (re)adquirir o hábito de jornalista, atitude salutar para quem ensina jornalismo, isto é,misturar a prática com a teoria. Há, assim, a contínua deslocação entre dar o novo (otrabalho do jornalista) e o reflectir sobre as tendências dos media (o sociólogo, oumediólogo, como a análise às referências recentes sobre a regulação dos media, a partirde posições defendidas num jantar na última semana). O novo medium (re)ocupa o lugardos velhos media, na pesquisa e divulgação em primeira mão - mas também na análise einterpretação.Paul Lazarsfeld e Manuel Pinto, comungando vivências distintas, alertam-nos, contudo,para questões próximas. De que destaco uma: o consumidor do weblog da Universidadedo Minho, ou quiçá o leitor deste nosso weblog, reforça o seu conhecimento adquiridonoutros media. Em que a gratificação - para pegar na terminologia de uma das maisqualificadas colaboradoras de Lazarsfeld, Herta Herzog - resulta numa maiorcapacidade de reflectir sobre o mundo em volta e numa mais consciente tomada deposição (e de decisão, se tiver poder para isso).Talvez por isso valha a pena fazer um esforço para, no dia 26, o weblog do CIMJcomeçar o seu segundo ano de actividade. 8

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