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A diferenciação dos lugares
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A diferenciação dos lugares

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  • 1. A – A DIFERENCIAÇÃO DOS LUGARES Espaço ocupado de formas diferentes! Nuns sítios… há muita gente, muitas casas, muitos automóveis... noutros... o verde ainda é a cor dominante! No nosso planeta há áreas que:  exercem maior atracção sobre a população e onde, por isso, o valor da densidade populacional é mais elevado;  têm condições naturais adversas e aí os grupos humanos, pouco numerosos, fazem, por vezes, uma vida nómada. Entre estes dois extremos de densidade populacional existem várias formas de fixação humana, mas as duas que habitualmente se consideram como mais significativas são:  As cidades, onde a grande concentração de pessoas condiciona a organização do espaço urbano; daí que, em todas elas, a paisagem urbana seja semelhante e fortemente marcada pela intervenção do Homem. Cidade: aglomerado populacional de certa importância onde as pessoas se ocupam essencialmente na indústria, no comércio e nos serviços. Paisagem urbana: organização do espaço correspondente às áreas ocupadas pelas cidades. Independentemente da área onde se localiza a cidade, seja junto ao mar, à beira de um rio ou no sopé de uma montanha, ela apresenta:  edifícios de vários andares  ruas que se cruzam em várias direcções  praças onde convergem várias ruas  forte concentração e diversidade de actividades. O campo Campo: designação vulgarmente atribuída às áreas rurais onde a actividade predominante é a agricultura. que se caracteriza por: • construções mais ou menos dispersas de um ou dois pisos, que formam as aldeias; • predomínio das actividades ligadas à Natureza; • aproveitamento turístico de determinados lugares; • implantação de algumas indústrias.
  • 2. Aldeia: pequeno aglomerado de casas, que podem formar um núcleo contínuo ou estar dispersas no meio da floresta ou dos terrenos agrícolas. A paisagem rural, Paisagem rural: organização do espaço correspondente a áreas onde predominam as actividades ligadas à agricultura, embora também existam actividades turísticas e algumas indústrias e onde estão inseridas povoações mais ou menos dispersas. Opõe-se ao espaço urbano. característica do campo, ao contrário da paisagem urbana, pode apresentar aspectos muito diversificados, porque é sobretudo o reflexo das actividades dominantes: • exploração florestal; • criação de gado; • agricultura; que são fortemente condicionados pelos características naturais, em particular: • relevo, que pode ser mais ou menos acidentado; • clima. B – OS CENTROS URBANOS Cidades — cada vez mais e maiores O Mundo está a tornar-se o planeta das cidades. Algumas maiores e mais povoadas que certos países! O aumento do número e do tamanho das cidades tornou-se um fenómeno generalizado a nível mundial. Este facto justifica os elevados valores da taxa de urbanização na maior parte dos países, bem como a existência de um grande número de cidades de enormes dimensões. Taxa de urbanização: percentagem de população urbana em relação à população total. Calcula-se utilizando a seguinte fórmula: O número de cidades e a sua dimensão têm crescido consideravelmente. Se, em 1950, apenas Nova Iorque e Londres tinham mais de 10 milhões de habitantes, actualmente esse número aproxima-se das duas dezenas e tende a aumentar. Cidades com mais de 1 milhão de habitantes. A urbanização em 2000
  • 3. São várias as razões que contribuem para este movimento de urbanização:  o êxodo rural, responsável pela urbanização dos países de industrialização mais antiga, como o Reino Unido, a Alemanha, a França, que hoje continua a verificar-se nos países em desenvolvimento, onde os campos estão em crise enquanto as cidades beneficiam de uma imagem mais atractiva;  o forte crescimento natural, que ainda se regista nos países em desenvolvimento e que contribui também para o crescimento urbano;  a concentração espacial das actividades, resultante da industrialização e da terciarização do espaço urbano. Estas actividades são grandes consumidoras de espaço, exigem mão-de- obra, consumidores e boas condições de transporte que só as cidades podem oferecer. Urbanização: concentração de população nas cidades. Terciarização: processo pelo qual o comércio e os serviços vão assumindo progressivamente maior importância na economia de um país. A grande concentração de população na cidade pode levar à saturação do espaço dos serviços, tornando-a menos atractiva, e fazer com que:  diminua a vinda de população das áreas rurais e algumas pessoas troquem a cidade pelo campo — êxodo urbano;  cada vez mais pessoas se fixem nas áreas rurais, embora continuem a trabalhar na cidade. Esta situação resulta, em grande parte, da melhoria dos transportes e do menor preço da habitação nas áreas rurais. Estes fenómenos justificam a diferença que se verifica na evolução da população urbana em países com diferentes níveis de desenvolvimento:  nos países desenvolvidos, onde se sentiram mais cedo os inconvenientes das grandes cidades, começa a notar-se um ritmo de crescimento mais lento. A população urbana evolui ao ritmo do crescimento natural;
  • 4.  nos países em desenvolvimento, de urbanização mais recente, a taxa de urbanização ainda continua a aumentar a um ritmo acelerado, pois, para além do crescimento natural ser mais elevado, continua a afluir à cidade gente vinda do campo onde as condições de vida são menos atractivas do que nas cidades. População urbana: população que vive nas cidades ou centros urbanos, incluindo as áreas metropolitanas. Esta diferença na evolução recente dos dois grupos de países não foi ainda suficiente para equilibrar os valores das taxas de urbanização, uma vez que: • as mais elevadas predominam ainda nos países desenvolvidos; • as mais baixas encontram-se todas nos países em desenvolvimento. CIDADES MAL SEMEADAS Em cada continente e em cada país as cidades distribuem-se de forma irregular. Tal como a população, também as cidades se distribuem de forma irregular à superfície do Globo. As regiões mais densamente povoadas são as que possuem maior número de cidades. As cidades são pólos de recepção de população que aí se desloca à procura de melhores condições de vida. O crescimento populacional das cidades origina a concentração de equipamentos e serviços sociais e culturais, como: hospitais, escolas, bibliotecas, cinemas, serviços administrativos. Numa primeira fase a população e consequentes actividades económicas concentram-se no centro. A este fenómeno dá-se o nome de urbanização. Urbanização: corresponde à expansão da cidade. O crescimento demográfico, o desenvolvimento das actividades económicas e dos transportes originam a suburbanização. Suburbanização: corresponde ao crescimento das áreas envolventes da cidade (subúrbios). A saturação do centro da cidade leva a população urbana a fixar residência nos arredores e subúrbios da cidade – fase centrifuga – dá-se o êxodo urbano. O contínuo crescimento destas áreas, a saturação das infra-estruturas e o congestionamento contribuem para que a população afaste a sua residência das cidades e se fixe em áreas rurais com boa acessibilidade e bem equipadas com infra-estruturas – periurbanização – esta população realiza diariamente um movimento pendular, pois continua a trabalhar na cidade. Quando, numa determinada área, existem várias cidades, formam-se grandes espaços urbanizados contínuos, que podem adquirir características e designações diferentes: se os limites das várias cidades próximas se unem, não sendo possível determinar facilmente onde termina uma e acaba a outra, estamos na presença de uma conurbação ou de uma megalópolis; a designação depende da menor ou maior extensão ocupada pelo conjunto de cidades. Megalópolis: extensa área urbanizada, constituída por várias cidades independentes mas tão próximas que ficam aglutinadas pelas suas periferias. Em certos casos a extensão ocupada é relativamente pequena e o número de cidades é reduzido; dá-se então o nome de conurbação.
  • 5. A nível mundial, consideram-se três megalópolis, todas elas situadas em países desenvolvidos, mas em continentes diferentes. Três grandes megalópolis Pode acontecer que uma cidade de maior importância, por exemplo a capital do país ou uma cidade portuária, cresça de tal forma que vá integrando na sua área urbana outras cidades mais pequenas, vilas e até aldeias, que antes estavam separadas por espaço não construído. Quando tal acontece, diz-se que se formou uma área metropolitana e habitualmente toma o nome da cidade mais importante. Área Metropolitana: vasta região urbanizada resultante da junção de vários concelhos, com aglomerados urbanos ou não urbanos (pequenas cidades, vilas, aldeias, pequenos aglomerados industriais). Em Portugal consideram-se duas áreas metropolitanas, a do Porto e a de Lisboa. Área Metropolitana do Porto Área Metropolitana de Lisboa Curiosidades: A cidade… … mais poluída: Cidade do México, México. … com mais tráfego de transportes: Los Angeles, EUA. … com maior praça: Tiananmen, Pequim, China (396 hectares). D – ORGANIZAÇÃO INTERNA DAS CIDADES / DIFERENCIAÇÃO FUNCIONAL DO ESPAÇO URBANO Como se “arrumam” as cidades. Nada se localiza ao acaso, cada “coisa” no seu sítio! As cidades actuais identificam-se, fundamentalmente, por duas características: • intensa aglomeração de população que aí reside e/ou trabalha; • grande concentração e variedade de actividades que nela se exercem. Apesar da sua grande diversidade, as actividades podem associar-se tendo em conta o tipo de necessidades que satisfazem à população, designando-se então por funções urbanas.
  • 6. Função urbana: conjunto de actividades exercidas no interior de uma cidade que satisfazem determinadas necessidades da população. As mais frequentes são as funções: comercial, de serviços, industrial e residencial. Deste modo, em todas as cidades é possível considerar várias funções que se concretizam em diferentes locais ou edifícios. Destas as mais representativas são: Funções urbanas Actividades/locais característicos Residencial Blocos de apartamentos, vivendas Comercial Lojas, tabacarias, pastelarias… Industrial Fábricas Pessoais Cabeleireiro, cartório de Saúde Consultório, centro de saúde Político-administrativos Câmara Municipal, repartição de Finanças Serviços Financeiros Banco, seguros, bolsa Religiosos Igreja/catedral Turísticos Museu, monumento Culturais/universitários Universidades Nem todas as localizações são vantajosas para cada uma destas funções porque: • as características do espaço pretendido são diferentes de uma para outra; • o modo como satisfazem a população depende do local onde se instalam. Assim, o que normalmente acontece é que as actividades que têm alguma afinidade entre si, ou seja, que pertencem à mesma função urbana, têm localizações próxima e dão origem a que determinadas áreas da cidade se apresentem, sob o ponto vista funcional, mais ou menos homogéneas, são as áreas funcionais. Área funcional: espaço, no interior da cidade, onde predomina uma determinada função urbana. As áreas funcionais de Lisboa nos anos 70 Em todas as cidades as áreas funcionais são semelhantes:  áreas industriais — espaços situados na periferia com infra-estruturas destinadas à implantação de fábricas e armazéns;  centro, CBD ou Baixa — área da cidade com forte acessibilidade, preferida para a localização do comércio e serviços;  áreas residenciais — espaços onde se concentram edifícios de habitação.
  • 7. CBD (Central Business District): área funcional da cidade com uma forte concentração de comércio e serviços onde, por isso, aflui muita população e o preço do solo é muito elevado. Comércio: actividade que permite a aquisição de produtos em troca de um valor monetário. Por exemplo, um supermercado. Serviço: actividade que permite a satisfação de uma necessidade da população, pode ser em troca de um valor monetário, por exemplo, um cabeleireiro, ou um serviço grátis, por exemplo, uma repartição de Finanças. Acessibilidade: maior ou menor facilidade com que se atinge um lugar a partir de outros. C – A MORFOLOGIA URBANA O puzzle urbano... na Europa A fisionomia das cidades reflecte-se na planta... As numerosas actividades que se exercem na cidade permitem simultaneamente:  satisfazer as diversas necessidades das pessoas e empresas;  oferecer emprego a quem nela procura trabalho. Para que estes objectivos possam ser atingidos, é necessário que se procure a melhor organização possível do espaço no interior das cidades. Este aspecto pode ser observado numa planta, onde se percebe a forma como se combinam os espaços construídos, os espaços livres e as vias de circulação; Planta: projecção horizontal de uma cidade ou edifício de grande escala. A análise de diferentes plantas de cidades permite-nos concluir que é possível distinguir diferentes formas de organização interna da cidade, normalmente associadas a diferentes áreas do Globo. Modelo de cidade europeia Nas cidades do continente europeu:  há normalmente um centro antigo, que se caracteriza pela planta irregular; Planta irregular: planta de uma cidade onde as ruas estão dispostas de uma forma desorganizada, reflectindo o crescimento espontâneo da cidade.  a área urbana, no seu conjunto, pode organizar-se segundo uma planta radioconcêntrica ou apresentar plantas diferentes para sectores diferentes da cidade;
  • 8. Planta radioconcêntrica: planta de uma cidade onde há um conjunto de ruas que divergem do centro e outras que são mais ou menos circulares e concêntricas.  as zonas industriais localizam-se na periferia;  é possível identificar áreas com tipos de construção característicos de determinados períodos;  os edifícios em altura surgem apenas no CBD, também chamado Centro de Negócios. A organização interna de qualquer cidade fica a dever-se, fundamentalmente: • às características de relevo. Quando é acidentado adapta-se melhor a uma planta irregular e quando é plano permite plantas com malhas mais geométricas; • ao passado histórico e à época de fundação da cidade. Se a cidade, ou o sector da cidade, é antigo, as suas ruas não estão adaptadas à circulação automóvel; se a cidade é moderna, as ruas são mais largas para facilitar a circulação de veículos; • ao valor do solo nas diferentes áreas da cidade. No centro, mais acessível, onde os comércios e serviços desejam instalar-se, o preço do solo é elevado, por os edifícios são mais altos; • à decisão dos poderes públicos. Se antigamente o crescimento da cidade se fazia de maneira espontânea, hoje em dia é ao planeamento urbano que cabe a decisão acerca da ocupação do solo nas várias áreas da cidade. O puzzle urbano... no resto do Mundo Os modelos de cidade diferem nas diferentes regiões do Globo. Na Europa, o modelo de cidade reflecte a antiguidade da maior parte das cidades e as fases da sua evolução. No resto do Mundo, onde a História é diferente, os modelos de cidade têm de ser também diferentes. A cidade norte-americana, semelhante à australiana, tem características específicas: Modelo de cidade norte-americana • a inexistência de centro antigo bem como de edifícios de arquitectura clássica; • a importância do CBD com edifícios de grande altura (arranha-céus); • a dominância de planta ortogonal.
  • 9. Planta ortogonal: planta de uma cidade onde as ruas são longas e rectilíneas e se cruzam perpendicularmente. Modelo de cidade latino-americana A cidade latino-americana e, de uma forma geral, as dos países em desenvolvimento distinguem-se pela: • existência do centro colonial, com um tipo de construção própria; ausência de zonas industriais; • nítida estratificação social das áreas residenciais; • existência de bairros de lata (no Brasil são as favelas, em França chamam-lhe bidonvilles). As diferenças encontrados nos modelos dos vários tipos de cidade ficam a dever-se: • ao passado histórico e à época de fundação da cidade. Se a cidade é de construção recente obedece geralmente a um plano prévio, apresenta uma planta geométrica e reflecte as novas técnicas de construção. Se a cidade é de ocupação mais antiga, e tem mesmo um passado colonial, apresenta marcas de outras épocas e até dos povos colonizadores; • ao nível de desenvolvimento do país. Se o país é industrializado, naturalmente a cidade apresenta áreas dedicadas a esta actividade. Se o país é pouco desenvolvido e existe uma grande parte da população com carências económicas, este facto surge reflectido nas características das áreas residenciais. As favelas do Rio de Janeiro O QUE A CIDADE TEM PARA OFERECER Apesar da oferta, muito do que existe na cidade não tem ali a sua origem!
  • 10. Os residentes na cidade e os que a visitam, vindos de outras áreas, procuram satisfazer diferentes necessidades e, por isso, devem ter acesso a produtos e serviços muito variados: • os bens alimentares que, na sua maior parte, são obtidos da agricultura e da pesca e que são consumidos sem sofrerem qualquer transformação, provêm do sector primário: Produtos da Terra — vegetais; — carne; — peixe; — água; —… • os produtos fabricados pelas várias indústrias, e que por isso mesmo sofreram transformações mais menos profundas, são provenientes do sector secundário: — livros; — aparelhos electrónicos — pronto-a-vestir; —… • o comércio, que põe à disposição da população todos os produtos do sector primário e secundário em vários locais, forma em conjunto com os diversos serviços, o que se chama o sector terciário, constituído por: — centros comerciais; — bancos; — lojas; — cinemas; — hospitais; — escolas; —… De uma forma simples, os três sectores podem distinguir-se pela natureza das actividades que os compõem. O sector terciário é o mais característico da cidade, pois é aqui que se concentra a maior diversidade de bens e serviços, mas a maior parte dos produtos, embora oferecidos na cidade, não são produzidos no seu interior, mas sim em áreas que podem ser próximas ou distantes e que têm características muito diferentes: • áreas litorais; • áreas rurais; • áreas industriais ou urbano-industriais, quando se localizam próximo das cidades. Na medida em que nestas áreas também residem muitas pessoas que se dirigem à cidade para beneficiarem do seu comércio e dos seus serviços, estabelecem-se entre a cidade e cada uma das outras áreas relações de complementaridade. Relações de complementaridade: trocas entre duas áreas que oferecem bens ou serviços diferentes. CADA UM DÁ O QUE TEM
  • 11. A CIDADE É UM PONTO DE ENCONTRO Venha de longe ou de perto, tudo ali vai ter. Estradas, pessoas, produtos... A cidade, como local de concentração de grande variedade de bens e serviços, transforma-se simultaneamente:  numa aglomeração de população e de empresas;  num centro que atrai pessoas que residem em áreas próximas e até distantes. As pessoas procuram residir na cidade ou deslocam-se até lá porque:  é mais fácil conseguir trabalho e por isso muitas fazem deslocações diárias para o seu emprego localizado na cidade — são as migrações pendulares;  têm a certeza de que lá vão poder encontrar tudo, ou quase tudo, aquilo de que necessitam para satisfazer as suas necessidades do dia-a-dia. As empresas têm todo o interesse em localizar os seus estabelecimentos na cidade pois:  têm a garantia de obter lucro devido ao elevado número de clientes;  podem conseguir trabalhadores com mais facilidade, graças à concentração pessoas na cidade. Cada cidade tenha a sua área de influência, cuja dimensão depende da importância das funções da cidade. Área de influência: área geográfica na qual a cidade exerce as suas funções. O SOSSEGO OU A AGITAÇÃO? Viver na cidade ou no campo não é bem a mesma coisa! As diferentes características do espaço urbano e do espaço rural decorrem:  da forma como o espaço é ocupado pelos grupos humanos. De forma contínua na cidade ou de forma descontínua no campo;  das actividades desenvolvidas em cada um deles. Domina o sector terciário na cidade e o sector primário no campo.
  • 12. Por estes motivos, a cidade e o campo proporcionam às pessoas diferentes oportunidades, que nos permitem distinguir o modo de vida rural do modo de urbano. Modo de vida: conjunto de hábitos que caracterizam as diferentes vertentes da vida do indivíduo ou do grupo — profissão, tempos livres, vida familiar... Enquanto no campo, duma forma geral:  o persistem muitas ocupações, com horários de trabalho mais ou menos flexíveis há pouca oferta de ocupação de tempos livres;  valoriza-se a tradição: os trajes, os pratos típicos, as festas populares...;  todas as pessoas se conhecem e entreajudam em caso de necessidade;  o ambiente é sossegado e há pouca poluição sonora e visual;  as deslocações das pessoas são curtas, o ritmo de vida é calmo. A pacatez do campo Na cidade, normalmente:  a esmagadora maioria das pessoas cumpre horários de trabalho muito rígidos; a oferta de actividades de ocupação de tempos livres é muito diversificada;  não há um conjunto de valores comuns, mas uma grande diversidade de hábitos. Aceita- se a diversidade, valoriza-se o que é moderno;  cada um sente os seus problemas. As relações entre as pessoas são pouco familiares;  as ruas estão repletas de painéis publicitários e a intensa circulação automóvel deteriora a qualidade do ar;  as pessoas têm uma grande mobilidade dentro, de e para a cidade; o ritmo de vida é agitado. Actualmente, nos países desenvolvidos, este contraste está um pouco atenuado, porque:  o desenvolvimento dos transportes facilita as deslocações diárias entre a cidade e campo;  a existência, em muitas aldeias, de infra-estruturas e equipamentos oferece muitas das comodidades próprias da cidade;  os meios de comunicação social difundem novos hábitos e valores. Estas condições permitem a adopção pelos rurais do modo de vida urbano e motivam muitos urbanos a residir no campo — é a rurbanização. Urbano: indivíduo que vive na cidade; o que diz respeito à cidade. Rurbanização: instalação de equipamentos e actividades próprios dos centros urbanos, em aglomerados de pequenas dimensões localizados no espaço rural envolvente, que leva alguns urbanos a mudar a sua residência da cidade para o campo.
  • 13. O buliço da cidade O “REVERSO DA MEDALHA” NA CIDADE! Longe vai o tempo em que viver na cidade era o sonho de qualquer um... Com a Revolução Industrial, as cidades tornaram-se atractivas devido à falta de trabalho no campo para ocupar uma população rural cada vez mais numerosa. Actualmente, apesar de continuarem a ter alguns aspectos atractivos, as grandes cidades, devido à saturação do espaço, apresentam um conjunto de problemas muito diversos: Um “mundo de problemas”!  o alojamento — a necessidade de construção de edifícios em grande número faz subir o preço dos terrenos, o que encarece o preço da habitação. Deste modo, a capacidade económica das pessoas determina a área da cidade onde fixam residência. Nos países em desenvolvimento, a falta alojamentos leva ao aparecimento dos bairros de lata, normalmente na periferia das cidades; os transportes — a grande mobilidade no interior e na periferia da cidade, bem como o grande número de veículos em circulação, gera situações de congestionamento de tráfego, que aumentam o tempo das deslocações, a poluição e o stress dos condutores;
  • 14. Engarrafamento de transito  o abastecimento de água, energia, alimentos — nos países desenvolvidos, de forma geral, as infra-estruturas e as redes de abastecimento garantem a satisfação da população. Nos países em desenvolvimento isso nem sempre acontece;  esgotos, poluição e lixo — os fumos, os esgotos e o lixo produzido continuamente nas cidades sobrecarregam a atmosfera, o solo e as águas de produtos que muitas vezes não são absorvidos pela Natureza, o que contribui para a diminuição da qualidade do ambiente;  solidão, insegurança e criminalidade — a coabitação na cidade, no bairro e até no prédio de pessoas que praticamente não se conhecem; a falta de emprego; a idade avançada e a falta de companhia para alguns idosos pode explicar que na cidade, mais que na aldeia, estes problemas se façam sentir. O aumento dos sem-abrigo e dos assaltos são a prova disso. Um sem-abrigo São estes problemas que explicam que, nos países desenvolvidos, o êxodo urbano comece a ter algum significado e o êxodo rural esteja a perder importância. UM ESFORÇO PARA INVERTER A SITUAÇÃO É urgente resolver ou minorar os problemas das cidades! Nos países desenvolvidos onde:  primeiro se fizeram sentir os problemas das cidades;  existem mais recursos económicos e técnicos; estão a ser feitos esforços para controlar o crescimento das cidades e alguns dos seus problemas, através da:  organização da expansão da cidade — os poderes públicos procuram através do planeamento urbano, organizar a cidade, garantindo uma distribuição equilibrada dos vários equipamentos (espaços verdes, transportes, serviços sociais...), promovendo a recuperação dos núcleos antigos e procurando que a qualidade ambiental seja preservada; Planeamento urbano: conjunto de acções, compiladas em vários documentos, que constituem o plano e que procuram localizar as pessoas e as actividades de uma forma organizada.
  • 15.  construção de bairros sociais — em muitas cidades existem bairros degradados, quer na periferia, ocupados por população vinda do campo, quer no centro, onde vivem predominantemente pessoas idosas. Os ocupantes destes bairros, de fraco poder económico, não podem suportar rendas de casa elevadas. Para resolver esta situação, os poderes públicos constroem bairros sociais modo a proporcionarem rendas mais modestas;  construção de ETAR e de aterros sanitários — para evitar que os esgotos e os lixos contaminem os cursos de água e os solos, as cidades tendem a estar equipadas: — com estações de tratamento, onde a água dos esgotos, depois de estes serem sujeitos a diferentes transformações, pode ser reutilizada, por exemplo. para rega; — com espaços devidamente equipados para fazer a selecção dos lixos e permitir, quando é possível, a sua reciclagem ou reutilização;  organização dos espaços de circulação — no sentido de diminuir o tráfego e facilitar a circulação das pessoas na cidade, é cada vez mais frequente: — a existência de ruas pedonais no centro e nas áreas históricas da cidade, onde é interdito o trânsito de veículos; — a diversificação do transporte público - autocarro, metropolitano, metro de superfície, para tentar romper com o ciclo vicioso do transporte urbano. Um ciclo vicioso  combate à pobreza e à marginalidade — o desemprego, a falta de apoio da família, a desintegração social, mais frequente nos grupos de imigrantes, gera problemas sociais muito graves, que muitas vezes são combatidos por organizações não governamentais que actuam movidas apenas pela solidariedade;