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Leituras diárias – 2o trimestre de 2012                  MARÇO           6	    Domingo 	   João 9.28-41                   ...
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a verdade ulterior desse relato, ao plano de       tato com alguns gregos que vieram ao seutodo o livro de João: na vida, ...
EBD          • Domingo, 27 de maio de 2012•                     ESTUDO 9                                                  ...
2. Um convite ao amor mútuo (Jo 13.18-     nhecerão que sois meus discípulos, se vos30) – A pergunta que poderíamos fazer ...
EBD         • Domingo, 3 de junho de 2012•                       ESTUDO 10    A promessa do                               ...
Mandaria outro Consolador (Ajudador)                 essa união com ele; é uma união íntima. Nãopara estar nos discípulos....
EBD            • Domingo, 10 de junho de 2012•                       ESTUDO 11        As funções do                       ...
feita no meio da igreja de Cristo. O Senhor          tempo em que lhes dava uma tarefa espe-sabia que as sementes da verda...
EBD          • Domingo, 17 de junho de 2012•                     ESTUDO 12                                                ...
Palavra e Vida 2t 2012
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  1. 1. Introdução O evangelho de Cristo segundo João Estudaremos, neste trimestre, o Evan- tre eles, destacamos a ressurreição de Cris-gelho de João, também chamado de Quar- to, a família, a missão da igreja no mundoto Evangelho, em virtude da posição que e a volta de Cristo.ocupa no Novo Testamento. Lembramos a todos que, neste trimes- O Evangelho de João contém uma for- tre, a denominação batista comemora ote chamada ao arrependimento e à fé em Dia da Escola Bíblia Dominical, no quartoJesus Cristo. É um Evangelho abrangente domingo de abril.na mensagem que apresenta e, mais quenecessário, é imperativo que as pessoas co- Que Deus abençoe a todos, no estudonheçam a amplitude dos ensinos de Jesus da Palavra de Deus, neste trimestre.apresentados por João e passem a adotarum estilo de vida em harmonia com ele. Pr. Clemir Fernandes Silva Redator da revista Compromisso O Evangelho de João traz ensinos diri-gidos a todos os povos, em todos os tempos Quem escreveu: os estudos para EBDda história. Logo, traz mensagens para nós, são de três autores:hoje. Discernir a vontade de Deus no trans- 1) Estudos 1 a 4 e 9: Valtair Miranda,curso dos acontecimentos cotidianos não é pastor da Igreja Batista em Neves, São Gon-fácil; afinal, não existe uma receita para tal çalo, RJ;exercício. Esta tarefa é resultado de intimi-dade com Deus, de estudo perseverante e 2) Estudos 5 a 8: Davi Freitas de Car-aprofundado da Bíblia e da sabedoria pes- valho, pastor batista, RJ;soal. O estudo do Evangelho de João nos 3) Estudos 10 a 13: Solange Cardosoajuda a entender a vontade de Deus para A. d’Almeida, Coordenadora Editorial danossa vida e nossa relação com o próximo. JUERP. Quanto aos estudos da DCC, cada um deles leva o nome de seu autor. Em relação às uniões de adultos, osassuntos para estudo, em sua diversidade, Os estudos são condensações e adapta-também abordam realidades que visam ao ções de estudos anteriores, publicados nacrescimento e edificação dos adultos. Den- revista “Compromisso”.1 • PALAVRA E VIDA
  2. 2. Sumário Introdução........................................................................................ 1 Sumário e expediente...................................................................... 2 Leituras diárias................................................................................. 3 Apresentação dos estudos da EBD................................................ 4 Estudos 1 a 13 da EBD................................................................... 6 Informação denominacional.......................................................... 32 Divisão de Crescimento Cristão.................................................... 35 Estudos 1 a 13 da DCC................................................................. 36 Expediente Conselho Editorial Carrie Lemos Gonçalves, Celso Aloísio Santos Barbosa, Ebenézer Soares Ferreira, GiltonPalavra e Vida M.Vieira, Ivone Boechat de Oliveira, João Reinaldo Purim, José A. S. Bittencourt, Lael d’Almeida, Margarida Lemos Gonçalves, Pedro Moura, Roberto Alves de Souza e Silvino ISSN 1984-8714 Carlos Figueira Netto Coordenação Editorial Solange Cardoso de Abreu d’Almeida (RP/16897)Ano X – N° 46 – 2T/2012 RedaçãoEsta é uma revista especial da JUERP, editada Coordenação Editorial da JUERPem convênio com as Convenções Estaduais,voltada para o ensino da EBD e da DCC Conselho Geral da CBBpara adultos e jovens, nas igrejas de menor Sócrates Oliveira de Souzanúmero de membros arrolados Produção Editorial Studio AnunciarPublicação trimestral da JUERPJunta de Educação Religiosa e Publicações Produção Gráficada Convenção Batista Brasileira Willy Assis Produção GráficaCGC(MF): 33.531.732/0001-67CX Postal 320 – 20001-970 – Rio de Janeiro, RJ DistribuiçãoTel.: (21) 2298-0960 e 2298-0966 EBD-1 Marketing e Consultoria Ltda.Telegráfico – BATISTAS Tels. (21) 2104-0044Eletrônico – editora@juerp.org.br Fax: 0800 216768Site – www.juerp.org.br Caixa Postal: 28506 – CEP: 21832-970 Outras localidades, ligue grátis: 0800 216768Direção Geral E-mail: distribuidora@ebd-1.com.brAlmir dos Santos Gonçalves Júnior pedidos@ebd-1.com.br Nossa missão: “Viabilizar a co­ pe­ ação entre as igrejas batistas no cumprimento o r de sua missão como comunidade local”2 • PALAVRA E VIDA
  3. 3. Leituras diárias – 2o trimestre de 2012 MARÇO 6 Domingo João 9.28-41 7 Segunda João 10.1-7 8 Terça João 10.8-15 26 Segunda João 1.1-7 9 Quarta João 10.16-2127 Terça João 1.8-14 10 Quinta João 10.22-3028 Quarta João 1.15-18 11 Sexta João 10.31-3329 Quinta João 1.19-27 12 Sábado João 10.34-38 30 Sexta João 1.28-34 13 Domingo João 10.39-4231 Sábado João 1.35-42 14 Segunda João 11.1-16 15 Terça João 11.17-44 16 Quarta João 11.45-57 ABRIL 17 Quinta João 12.1-11 18 Sexta João 12.12-19 19 Sábado João 12.20-43 1 Domingo João 1.43-51 20 Domingo João 12.44-502 Segunda João 2.1-4 21 Segunda João 13.1-113 Terça João 2.5-8 22 Terça João 13.12-17 4 Quarta João 2.9-12 23 Quarta João 13.18 –20 5 Quinta João 2.13-15 24 Quinta João 13.21 –26 6 Sexta João 2.16-19 25 Sexta João 13.27-307 Sábado João 2.20-22 26 Sábado João 13.31-34 8 Domingo João 2.23-25 27 Domingo João 13.35-389 Segunda João 3.1-5 28 Segunda João 14.1-610 Terça João 3.6 –10 29 Terça João 14.7-1411 Quarta João 3.11-15 30 Quarta João 14.15-2412 Quinta João 3.16-21 31 Quinta João 14.25-3113 Sexta João 3.22-26 14 Sábado João 3.27-30 15 Domingo João 3.31-36 JUNHO16 Segunda João 4.1-15 17 Terça João 4.16-30 18 Quarta João 4.31-42 1 Sexta João 15.1-919 Quinta João 4.43-54 2 Sábado João 15.10-1920 Sexta João 5.1-18 3 Domingo João 15.20-2721 Sábado João 5.19-30 4 Segunda João 16.1-1122 Domingo João 5.31-47 5 Terça João 16.12-1623 Segunda João 6.1-15 6 Quarta João 16.17-2424 Terça João 6.16-21 7 Quinta João 16.25-3325 Quarta João 6.22.59 8 Sexta João 17.1-1026 Quinta João 6.60-71 9 Sábado João 17.11-2127 Sexta João 7.1-9 10 Domingo João 17.22-2628 Sábado João 7.10-24 11 Segunda João 18.1-1229 Domingo João 7.25-52 12 Terça João 18.13-2730 Segunda João 8.1-11 13 Quarta João 18.28-40 14 Quinta João 19.1-16 15 Sexta João 19.17-27 MAIO 16 Sábado João 19.28-37 17 Domingo João 19.38-42 18 Segunda João 20.1-10 19 Terça João 20.11-181 Terça João 8.12-24 20 Quarta João 20.19-232 Quarta João 8.25-40 21 Quinta João 20.24-313 Quinta João 8.41-59 22 Sexta João 21.1-84 Sexta João 9.1-14 23 Sábado João 21.9-195 Sábado João 9.15-27 24 Domingo João 21.20-2525 ABR.MAI.JUN DE 2012 • 3
  4. 4. Apresentação dos estudos da EBD O EVANGELHO DE JOÃO A teologia de Jesus Cristo O Evangelho de João é chamado, tam- JOÃO E OS SINÓTICOSbém, de “Quarto Evangelho”, em virtudede sua colocação na ordem dos Evangelhos O Evangelho de João distingue-se dosno Novo Testamento. Seu autor é o após- demais: Mateus, Marcos e Lucas, que sãotolo João. Esta é a opinião universalmente chamados Sinóticos, em virtude de segui-aceita, embora seu nome não seja mencio- rem uma linha de paralelismo na narrativanado no texto e, embora, haja conjecturas dos episódios da vida de Jesus Cristo, com asdivergentes de alguns autores. É que este é mesmas características literárias, enquantoo testemunho da tradição que vem desde João prefere seguir um plano diferente, dei-os primeiros dias do período apostólico da xando a impressão de ter sido escrito com ahistória do cristianismo. Quanto à data em intenção de complementar os demais.que foi escrito, situa-se entre os anos 95 e O Evangelho de Marcos é o mais anti-100 d.C., pouco antes da morte de João. go, enquanto o de João é o mais teológico, o mais interpretativo da pessoa, da obra e “Enquanto Lucas e Mateus dos ensinos de Jesus Cristo. Enquanto Lucas e Mateus iniciam seus iniciam seus Evangelhos Evangelhos narrando o nascimento de Je- narrando o nascimento sus, e Marcos inicia focalizando o início do ministério terreno de Jesus, João inicia seu de Jesus, e Marcos inicia Evangelho com a eternidade dele, como o focalizando o início do Verbo de Deus, sendo o próprio Deus que ministério terreno de Jesus, se fez carne. Selecionou sete fatos milagrosos realizados por Jesus e alguns de seus sermões. João inicia seu Evangelhocom a eternidade dele, como A FINALIDADE DO EVANGELHO DE JOÃO o Verbo de Deus, sendo o próprio Deus que Quanto à finalidade de seu Evangelho, ele diz, no capítulo 20, versículo 31, refe- se fez carne” rindo-se aos milagres que registrou, que eles4 • PALAVRA E VIDA
  5. 5. “No Evangelho de João, a teologia foi colocada com tanta clareza e simplicidade que todos, inclusive crianças, entendem claramente a grandeza do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, seu Filho”“foram escritos para que creiais que JesusCristo é o Filho de Deus, e para que, crendo,tenhais vida em seu nome”. É um Evangelhodirigido a toda a humanidade, com o fim deproduzir fé em Jesus Cristo como o Filho deDeus, para conduzir almas à salvação eter-na. Confirma esta finalidade no versículoconhecido como “o coração da Bíblia”, em Essa preocupação do autor do quartoque ele registrou as seguintes palavras de Evangelho se encontra registrada, também,Jesus: “Porque Deus amou o mundo de tal em sua primeira carta, quando ele diz: “Todomaneira, que deu seu Filho Unigênito, para espírito que confessa que Jesus Cristo veioque todo aquele que nele crê não pereça, mas em carne é de Deus; e todo espírito que nãotenha a vida eterna” (Jo 3.16). confessa a Jesus não é de Deus; mas este é o es- pírito do anticristo, do qual já ouvistes que há UMA PREOCUPAÇÃO de vir, e eis que está já no mundo” (1Jo 4.2,3). APOLOGÉTICA A TEOLOGIA DE JOÃO Grassava, no final do período apostó-lico, uma heresia conhecida como gnosti- No Evangelho de João, a teologia foi colo-cismo, que afirmava que Jesus era apenas cada com tanta clareza e simplicidade que to-uma emanação espiritual de Deus, uma dos, inclusive crianças, entendem claramenteaparência, não real. João quis combater a grandeza do amor de Deus manifestado emesse desvio da fé; quis mostrar que Jesus Jesus Cristo, seu Filho. Isto explica por queera, historicamente, real, que ele era o pró- tantos, em todo o mundo, o preferem comoprio Deus feito carne, Deus feito homem. material destinado à evangelização.ReferênciaSFERREIRA, Ilson. Pastorais do Verbo de Deus – O Evangelho de João. Rio de Janeiro: JUERP, 2004.GONÇALVES JÚNIOR, Almir dos Santos. Em conversa com o Mestre – A teologia de Jesus no Evangelho de João. Rio deJaneiro: JUERP, 2004. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 5
  6. 6. EBD • Domingo, 1 de abril de 2012 • ESTUDO 1 Texto bíblico: A revelação João 1.1-54 Texto áureo: de Deus João 1.14 Jesus Cristo é apresentado no Evange- Em vez de começar com o nascimentolho de João como o ser eterno que é Deus de uma criança, João inicia com a criaçãotornado homem e que é o autor da criação do próprio mundo. No momento em quede todas as coisas, a revelação perfeita de ele foi criado, o Verbo que veio ao mundoDeus e o autor da redenção como o Cor- em forma humana já partilhava da exis-deiro de Deus enviado para ser oferecido tência, e foi, ele próprio, o agente criadorem sacrifício para a salvação dos pecado- de todas as coisas. A respeito dessa pessoares. Ele é, também, a luz do mundo, que os que João apontou como o Verbo de Deushomens rejeitaram, e que conferiu, aos que que se fez carne, o apóstolo Paulo disse:creram nele, o poder de se tornarem filhos “Este é a imagem do Deus invisível, ode Deus. No início do Evangelho, ele já primogênito de toda a criação; pois neledefine tudo isto a respeito de Jesus Cristo. foram criadas todas as coisas; nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, se- 1. No princípio era o Verbo – O Evan- jam tronos, sejam soberanias, quer prin-gelho de João se inicia de uma forma com- cipados, quer potestades. Tudo foi criadopletamente diferente da forma dos demais por meio dele e para ele. Ele é antes deEvangelhos. Mateus e Lucas dedicam seus todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (Clprimeiros capítulos a narrativas do nasci- 1.15-17).mento e infância de Jesus; Marcos entradiretamente no início de seu ministério 2. João Batista, o precursor – Joãoterreno; João inicia olhando para a eterni- Batista foi o homem mandado por Deusdade, para um momento que ele denomi- para ser o precursor de Jesus; para serna de “princípio”, e o define como sendo o quem anunciaria sua chegada ao mundo.Verbo eterno de Deus e que era o próprio Sua vinda estava profetizada no AntigoDeus. Aquele homem que fora rejeitado Testamento. Setecentos anos antes do nas-pelo povo, no meio do qual surgiu e atuou, cimento de Jesus, Isaías profetizou: “Vozera o mesmo ser que existia no princípio de do que clama no deserto: Preparai o cami-todas as coisas. O Verbo de Deus é o Lo- nho do Senhor; endireitai no ermo veredagos eterno, a expressão objetiva de Deus, a nosso Deus” (Is 40.3); e Malaquias, 400sua palavra, razão, expressão. Com estas anos antes de Jesus, termina o Antigo Tes-palavras, João definia Jesus Cristo como o tamento dizendo: “Eis que envio o meuDeus que se fez carne e habitou entre nós. anjo, que preparará o caminho diante de6 • PALAVRA E VIDA
  7. 7. mim; e de repente virá ao seu templo o o Messias”. Dos que resolveram confiarSenhor a quem vós buscais, o anjo do con- nesse testemunho, destacaram-se André,certo, a quem vós desejais; eis que vem, diz Pedro, Filipe e Natanael. Eram pessoaso Senhor dos Exércitos” (Ml 3.1). Depois simples, pescadores, geralmente iletrados,de 400 anos de silêncio, durante os quais que até para ouvir a palavra precisavamDeus preparou o mundo para a chamada da ajuda dos escribas, que eram os poucos“plenitude dos tempos” (Gl 4.4), ouviu-se que dominavam a língua hebraica das si-a voz de João Batista pregando no lugar nagogas. Foram estes homens os primei-ermo a chegada do Messias, e batizando ros discípulos de Jesus.todos os que se arrependiam de seus pe-cados. Ele testemunhou a respeito de Je- APLICAÇÕES PARA A VIDAsus Cristo como sendo o Filho de Deus, oCordeiro que veio para tirar o pecado do 1. Jesus é anunciado por João comomundo. o próprio Deus. Essa mensagem ainda é João Batista era um homem singular. escândalo para muitas pessoas. Tem genteVivia no deserto, comia gafanhotos e mel que não consegue aceitar que Deus possasilvestre, e se vestia com peles de animais. ter encarnado na forma de uma pessoa eMas, a sua mensagem causava muito mais vivido no meio dos homens. Mas, escânda-impacto do que sua aparência. Inúmeras lo ou não, essa é a principal mensagem dapessoas vinham até o Jordão para serem igreja de Cristo. Você já reconheceu Jesusbatizadas por ele. O murmúrio que cor- como o Salvador de sua vida? Está propa-ria por toda parte era que ele poderia ser gando essa verdade?o Messias que eles aguardavam. Mas JoãoBatista disse claramente não ser o Messias 2. Deus se fez homem para revelar oe, sim, a voz do que clama no deserto, isto caminho de volta para ele. Ele se reveloué, o cumprimento da profecia de Isaías, de uma forma que poderíamos entender eanunciando que era maior do que ele. Ele compreender. Jesus é a revelação máximafalou que Jesus era o Cordeiro de Deus que de Deus e de sua vontade. Você já reco-viera para tirar o pecado do mundo. Pode- nheceu Jesus como o caminho, a verdademos entender que sua voz não encontrou e a vida? Está testemunhando a respeitoacolhida num grande número de pessoas. disto?Mas houve os que acreditaram, e a estesDeus lhes deu o poder de se tornarem fi- 3. Deus resolveu escolher as coisaslhos de Deus. loucas do mundo para envergonhar as sá- bias. Em vez de um príncipe, colocou João 3. Os primeiros discípulos – Depois Batista para ser o porta-voz de seu Filho.do batismo de Jesus, e depois de João tes- Em vez de letrados e sábios, escolheu pes-temunhar a respeito dele como o Cordei- soas simples e rudes para serem discípulosro de Deus, Jesus foi seguido por alguns e discípulas. Pode ser estranho, mas este édos discípulos de João, conversaram com o jeito de Deus agir. Você já reconheceuele e se convenceram de que Jesus era o a forma sobrenatural e poderosa de DeusMessias. Então, começaram a testemu- agir em sua vida? Tem sido agradecido?nhar a respeito dele, dizendo: “Achamos Tem passado adiante esta mensagem? ABR.MAI.JUN DE 2012 • 7
  8. 8. EBD • Domingo, 8 de abril de 2012• ESTUDO 2 Jesus inicia os Texto bíblico: João 2 sinais de seu Texto áureo: João 2.11 ministério Costuma-se dizer que Jesus iniciou seu gre aconteceu três dias depois de ter ma-ministério com a realização de duas ações nifestado desejo de viajar para a Galileia,em público, que foram a transformação de após ter evangelizado Filipe (1.43).água em vinho em Caná da Galileia (2.1- Os casamentos eram, como hoje, im-12) e, a seguir, a purificação do templo, em portantes expressões de alegria da sociedade.Jerusalém (2.13-25). Em verdade, porém, Maria, mãe de Jesus, ele e seus irmãos compa-ele iniciou seu ministério preparando os receram. Em dado momento, tendo ela per-primeiros discípulos. Uma vez batizado, cebido o constrangimento de ter acabado ofoi para o deserto onde foi tentado durante vinho recorreu a Jesus. O fato de ela ter pedi-40 dias (Mt 3.13 a 4.11). Ao voltar, passou do ajuda a Jesus indica que tinha consciênciapelo lugar onde João Batista continuava de seu poder e, também, que provavelmentebatizando, e foi apontado por ele a alguns o casamento ocorria em família de sua paren-de seus discípulos como sendo o Cordeiro tela ou de amigos. A resposta que Jesus deude Deus. Estes o seguiram até a casa onde não pode ser tomada como desrespeitosaresidia, ouviram seus ensinamentos até o para com sua mãe. Era apenas um recado deentardecer, e creram nele como sendo o filho para mãe. Jesus tinha o momento certoMessias que havia de vir. No dia seguinte, em seu plano de ministério para iniciar suasJesus encontrou-se com Filipe, o evange- atividades que mostrassem sua glória; alémlizou, e manifestou necessidade de viajar disso, o termo “mulher” era usado com sen-para a Galileia, provavelmente, para parti- tido de honra e foi honrando que Jesus assimcipar de uma festa de casamento com sua se dirigiu à sua mãe.família ( Jo 1.43). Três dias depois, estando Jesus agiu discretamente. Não fez ne-presente na festa de casamento, realizou o nhum gesto espalhafatoso. Não houveprimeiro sinal de seu ministério na presen- relâmpagos nem trovões. Ele apenas orde-ça de seus primeiros discípulos. nou aos servidores que enchessem de água as talhas que havia na casa, e depois man- 1. O primeiro milagre (Jo 2.1-12) – dou que as levassem ao chefe do cerimo-João coloca o início do ministério público nial, e este constatou que, em vez de água,de Jesus numa festa de casamento: “Assim havia ali vinho de boa qualidade. Esse mi-deu Jesus início aos seus sinais em Caná da lagre manifestou a natureza divina de JesusGalileia e manifestou a sua glória; e os seus e, por isso, os seus discípulos confirmaramdiscípulos creram nele” (2.11). Esse mila- sua fé nele como sendo o Messias.8 • PALAVRA E VIDA
  9. 9. A Bíblia condena abertamente o uso geiras pela nacional, porque os sacrifíciosde bebida forte, o que hoje chamamos de só podiam ser comprados com dinheirobebida alcoólica (leia Levítico 10.9; Nú- israelita; lá estavam, também, os vende-meros 6.3; Provérbios 20.1; 23.32; Isaías dores de animais para sacrifícios. O ato5.22; Efésios 5.18). Como explicar, então, de Jesus foi um ato de indignação e deque Jesus tenha suprido a festa de vinho? efeitos pedagógicos. A casa de Deus deviaNão se tratava de bebida alcoólica. Trata- ser usada como casa de oração, mas a es-va-se do fruto da vide, como chamavam o tavam transformando em “casa de venda”que nós hoje chamamos de suco de uva. (v. 16). Seu ato ensina que Deus não toleraNão era vinho como hoje conhecemos. Era os que fazem mercado da relação com ele.o vinho novo, não fermentado. A transfor- A piedade do povo não pode virar fontemação da água em vinho não pode, por- de lucro. Questionado pelos judeus sobretanto, ser tomada como uma licença para a autoridade para fazer aquilo, e tendo eleso uso de bebidas alcoólicas por crentes. A exigido um sinal, referiu-se à ressurreiçãoBíblia nunca se contradiz. Essa transfor- de seu corpo, como templo, como o sinalmação ilustra o poder de Jesus Cristo de de sua divindade que haveriam de ver. E fi-transformar a natureza de quem crê. cou ainda alguns dias em Jerusalém fazen- do sinais; e muitos, vendo-os, creram nele. 2. A purificação do templo (Jo 2.13- Uma das pessoas que se impressionaram25) – Depois da festa em Caná, Jesus, sua com seus sinais foi Nicodemos, que estu-mãe e seus irmãos viajaram para a cidade de daremos na próxima lição.Cafarnaum, onde permaneceram poucosdias, e depois subiram para Jerusalém, por APLICAÇÕES PARA A VIDAcausa da festa da páscoa (2.12,13). Jerusa-lém era, para os judeus, a cidade de Deus. 1. Jesus fortalece a instituição familiarNela ficava o templo, o centro da vida re- ao iniciar seu ministério numa festa de ca-ligiosa dos judeus e símbolo da presença samento. A sociedade de hoje desvalorizade Deus; era o lugar onde aconteciam os o casamento. Tenhamos cuidado.sacrifícios, a adoração e as festas nacionais 2. Assim como Jesus, por ser o Deuscomo a festa da Páscoa, das primícias e das encarnado, pôde transformar água em vi-tendas. A da Páscoa lembrava a libertação nho, ele pode transformar o coração dodo povo do Egito, quando apenas os pri- pecador para que se torne nova criatura emogênitos dos egípcios foram mortos pela tenha vida eterna.última praga enquanto os israelitas esta- 3. Multiplicam-se, em nossos dias, osvam protegidos pelo sangue do cordeiro. modismos religiosos em que gananciososFoi para esta grande festa que Jesus e sua fraudadores da Palavra de Deus fazem dofamília se dirigiram. evangelho meio de enriquecimento, cum- O templo tinha deixado de ser uma prindo o que o apóstolo Pedro profetizou:instituição religiosa para se tornar uma “E por avareza farão de vós negócio cominstituição de interesses comerciais. Seus palavras fingidas; sobre os quais já de largocofres estavam abarrotados de ouro e ob- tempo não será tardia a sentença, e a suajetos preciosos. E os cambistas lá estavam perdição não dormita” (2Pe 2.3). Evitemoscom suas mesas, trocando moedas estran- os tais. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 9
  10. 10. EBD • Domingo, 15 de abril de 2012• ESTUDO 3O novo nascimento e Texto bíblico: João 3o testemunho de João Texto áureo: João 3.16 Batista sobre Jesus Há dois importantíssimos aconteci- Deus. O legalismo é um desvio religiosomentos narrados no capítulo 3: o ensino da essência e finalidade da lei para o apegode Jesus a respeito do novo nascimento, exagerado à forma. Assim, por exemplo,ministrado ao importante homem chama- o sábado, que deveria ser uma expressãodo Nicodemos (3.1-21), e o testemunho de adoração a Deus pela criação, se trans-de João Batista a respeito de Jesus Cristo formou numa das mais pesadas regras re-(3.22-36). ligiosas dos judeus, tornando-se um peso insuportável. Os legalistas formaram uma 1. A situação religiosa de Nicodemos religiosidade com a qual pensavam que– O capítulo três de João narra a visita de agradariam a Deus e alcançariam o seuNicodemos a Jesus. Nicodemos era um favor se conhecessem e praticassem a leidos líderes religiosos dos judeus. Ao ler e os preceitos que foram se avolumandoeste relato, os leitores do Evangelho de em cima dela. Essa era a situação religiosaJoão tomam conhecimento que pastores de Nicodemos. Por isso, por ser fariseu ede Israel se encontraram com Jesus e al- príncipe, escolheu ir conversar com Jesusguns reconheceram sua origem celestial, às ocultas, à noite.como Nicodemos, ao dizer “bem sabemosque és vindo de Deus” (v. 2), mas o precon- 2. Jesus instrui Nicodemos a respeitoceito e as tradições, fortemente arraigados, do novo nascimento – O que Jesus ensinouos afastaram do Mestre a tal ponto que se com grande clareza a Nicodemos é que todotornaram seus inimigos e perseguidores. o conhecimento que ele tinha das ordenan- O que leva um sistema religioso a afas- ças não era suficiente para salvá-lo. Somentetar seus adeptos daquele que deveriam a prática completa dos mandamentos pode-adorar? Os fariseus, como guardadores ria satisfazer a justiça divina. Infelizmente,da lei de Deus, zelosos seguidores da lei, essa via é impossível de ser trilhada. Nin-deveriam honrar e adorar Jesus enquanto guém pode cumprir totalmente todos osele realizava seu ministério na Palestina. mandamentos. Não há uma só pessoa queO próprio apóstolo João diz que “ele veio consiga cumprir a lei de Deus do fundo dopara o que era seu e os seus não o recebe- coração. Os judeus achavam que eram mui-ram” (1.11). Examinando a história, fica- to melhores que as pessoas mundanas (na-se sabendo que o legalismo foi o principal linguagem deles, gentias) e impuras pela suaresponsável por esse desvio do povo de herança religiosa e suas tradições. Mas Jesus10 • PALAVRA E VIDA
  11. 11. esclareceu a Nicodemos que a salvação não João Batista não via Jesus como umpode vir das obras. Ela vem pela fé no Filho concorrente, mas como o motivo de suaUnigênito de Deus: “Porque Deus amou o pregação. Era para isso que ele tinha sido le-mundo de tal maneira que deu o seu Filho vantado por Deus: para apontar para Jesus, ounigênito para que todo aquele que nele Cordeiro que veio tirar o pecado do mundo.crer não pereça, mas tenha a vida eterna”(3.16). APLICAÇÕES PARA A VIDA Nicodemos pensou que Jesus falava denascimento físico, e não entendeu. Então, 1. A vida eterna só é alcançada pela féo Senhor explicou que se tratava do nas- em Cristo. Mesmo que alguém consiga secimento do Espírito, pela fé no Filho de esforçar ao máximo para cumprir todosDeus. Com este ensino, Jesus tirou toda a os itens das ordenanças divinas, o estarápossibilidade de os espíritas encontrarem fazendo por medo de punição ou para serbase bíblica para a reencarnação. Jesus expli- recompensado, e não por livre disposiçãocou claramente que o que é nascido da car- para obedecer.ne continua sendo carne, e o que é nascido 2. Temos de ter cuidado para não nosdo Espírito é espírito. O novo nascimento tornarmos legalistas, e estabelecer regras deé a regeneração mediante arrependimento e comportamento para que as pessoas cum-fé em Jesus como o Filho de Deus. Ele seria pram para depois, então, se aproximaremlevantado (crucificado) como fora levanta- de Jesus. O ensino de Jesus é que o pecadorda a serpente de metal no deserto, e os que precisa nascer de novo: arrepender-se dos pe-cressem nele não morreriam, mas teriam a cados e crer em Jesus como o Filho de Deus evida eterna (Jo 3.14,15). seu Salvador. Então, pela graça de Deus, me- diante sua fé, o pecador é perdoado e regene- 3. O testemunho de João Batista a rado. Nasce de novo para alcançar a salvação.respeito de Jesus (3.22-36) – Depois des- Esta precisa ser a nossa mensagem. Este foi ose episódio, Jesus e seus discípulos foram ensino de Jesus a Nicodemos.para a Judeia, e batizavam (v. 22). JoãoBatista, por sua vez, continuava batizando. 3. Ninguém consegue mudar de vidaA atuação de Jesus despertou ciúmes em sem a atuação de Jesus Cristo em seu cora-alguns discípulos de João, os quais foram ção. Somente ele pode operar o novo nasci-ter com ele e lhe deram a notícia de que mento. E, a partir daí, da regeneração, é queJesus estava batizando (se bem que ele muda o comportamento, porque a pessoamesmo não batizava, mas seus discípulos é passa a ser uma nova criatura em Cristo.que o faziam – 4.1,2). João Batista, então, 4. Os líderes e membros das igrejastestemunhou a respeito de Jesus e o exal- precisam aprender com o exemplo de Joãotou como o Filho de Deus, que precisava Batista, que soube testemunhar de Jesus,crescer, enquanto ele, João, devia diminuir. apontando-o como o Filho de Deus comEle se mostrou um autêntico pregador do humildade, objetividade e clareza. Alémevangelho, ao dizer: “Aquele que crê no Fi- disso, não sentiu ciúmes. Tinha consciên-lho tem a vida eterna; mas aquele que não cia da superioridade de Jesus. Entendamoscrê no filho não verá a vida; mas a ira de que somos companheiros uns dos outrosDeus sobre ele permanece” (v. 36). na obra da pregação, e não concorrentes. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 11
  12. 12. EBD • Domingo, 22 de abril de 2012• ESTUDO 4 A missão Texto bíblico: João 4 e 5 de Cristo Texto áureo: João 4.13,14 Ao evangelizar a mulher samaritana, dessa forma, levou-a a confrontar-se comJesus afirmou para seus discípulos que os sua situação de pecado. E a mulher o reco-campos já estavam prontos para a ceifa e, nheceu como profeta. Ela muda de assun-assim, fazia ver a aproximação dos seden- to, perguntando sobre o verdadeiro lugartos samaritanos que vinham em resposta de adoração e Jesus ensina que o culto aao testemunho da mulher. Jesus começou Deus deve ser prestado em espírito e ema colheita na terra dos samaritanos ali na verdade, em qualquer lugar (v. 21-24).beira daquele poço, enquanto tomava Com essas palavras, Jesus suscitou na mu-água. Que exemplo, para nós, de sabedo- lher a grande esperança de judeus e sama-ria e senso de oportunidade na obra de ritanos, a saber, a vinda do Messias. É nesseevangelização! Depois da evangelização momento que Jesus revela sua natureza eda mulher samaritana, seguem-se, no texto sua missão ao dizer: “Eu sou o Messias, opara esta lição, a cura do filho de um ré- que fala contigo” (v. 26).gulo (ainda no capítulo 4), a cura de um Esta mensagem transformou aquelaaleijado em Jerusalém e o testemunho que mulher. Ela largou o que tinha ido fazer,Jesus deu de si mesmo: é o Filho de Deus deixou o cântaro e foi depressa anunciarque veio para dar a vida eterna aos que cre- aos seus conterrâneos o que havia ouvido.rem ( Jo 5.24). O Messias tinha chegado. Como resultado de seu testemunho, vários homens foram 1. Os campos brancos para a ceifa – até Jesus, ouviram-no, e o convidaram paraEnquanto os discípulos se afastaram em ficar na cidade alguns dias. O resultadobusca de alimento, Jesus pediu à mulher foi a conversão deles. Os discípulos viramque lhe desse água. A resposta que ela deu que, realmente, o campo estava prontoilustra o comportamento usual dos que para a ceifa.cultivam em seus corações os preconceitos Nesse episódio, vemos como Jesuse os ressentimentos a ponto de se despre- viveu grande parte de seu ministério nozarem. Na sua resposta, ela denunciou a meio dos excluídos e dos mais miseráveisinimizade entre judeus e samaritanos (v. da sociedade. As pessoas mais religiosas da9). Jesus não se ofendeu. Em vez de rece- época, os mais piedosos, os que achavamber a água que pedira, ofereceu água viva que estavam fazendo exatamente a vonta-para ela (v. 13,14). Como a mulher não de de Deus rejeitaram Jesus peremptoria-entendeu o sentido da água que ele lhe mente, enquanto samaritanos, que eramoferecia, Jesus denunciou sua situação es- um povo excluído pelos judeus, o aceita-piritual, perguntando pelo seu marido e, ram.12 • PALAVRA E VIDA
  13. 13. 2. A cura do filho do régulo; e do paralí- isso não os impressionou. Deram atençãotico no tanque de Betesda (4.43 a 5.15) – antes ao fato de ele carregar sua cama no sá-Jesus ficou com os samaritanos dois dias e de- bado, o que era uma quebra da lei. Essa ati-pois partiu para seu destino, que era a Galileia; tude era própria dos legalistas. Então, pornovamente se dirigiu à cidade de Caná, onde causa disso, quiseram matar Jesus.fizera seu primeiro milagre. Aí encontrou umrégulo (oficial do rei) que lhe pediu que des- 3. O testemunho de Jesus sobre sua na-cesse a Cafarnaum, onde estava à morte seu fi- tureza e sua missão (5.16-47) – Diante dalho. Jesus não foi, mas disse que ele estava cura- contestação dos judeus porque Jesus curarado. O homem creu. Estava longe de casa, mas o homem num sábado, o Senhor respondeuacreditou que a palavra de Jesus era suficiente dando testemunho a respeito de sua nature-para que o milagre acontecesse. O versículo za e de sua missão. Declarou-se o Filho de48 – “Se não virdes sinais miraculosos e prodí- Deus, repreendeu os fariseus porque nãogios de modo nenhum crereis” – era um teste davam crédito às Escrituras, que falavam apara ele. Mas ele não precisou de nada disso seu respeito, e proferiu as palavras que são apara crer. Os judeus pediam exatamente sinais essência do evangelho: “Na verdade, na ver-a Jesus para crerem. Mas o régulo creu sem ver dade vos digo que quem ouve a minha pala-sinais. A fé não é produzida com sinais. Vemos vra e crê naquele que me enviou tem a vidaisto na ressurreição de Lázaro. Todos viram eterna, e não entrará em condenação, masque ele estava morto e o viram sair do sepulcro passou da morte para a vida” (5.24). Esta ée andar mas, depois disso, os líderes religiosos a missão de Jesus. Dar a vida eterna ao quedecidiram matar Jesus em vez de crer nele (Jo crê. Mas os judeus o rejeitaram.11.53). Outro exemplo de fé está no episódio APLICAÇÕES PARA A VIDAda cura do paralítico curado perto do poçode Betesda, em Jerusalém (5.1-15). Não se 1. O ditado popular citado por Jesussabe quanto tempo depois do milagre da – “Dizeis que ainda faltam quatro mesescura do filho do régulo aconteceu isso. O para a ceifa” – significava protelação e aco-texto diz apenas “depois disto”. Jesus voltou modação. Seu sentido era: “Calma, nadaa Jerusalém, por causa de uma festa dos ju- de pressa, vá devagar, porque há tempo”.deus, que o texto não esclarece qual. O ho- Não havia, não. E não há. É urgente a ceifa.mem era paralítico há 38 anos e esperava o Por isso, Jesus parou ali em Sicar, e salvoumilagre do movimento das águas do poço pessoas rejeitadas pelos judeus. Apresse-para ser curado, mas sempre alguém chega- mo-nos na divulgação do evangelho.va antes dele. Nada indicava que ele pudes- 2. O régulo não pediu provas para crer.se ser curado naquele dia. Mas, ao ouvir as As provas não são sinais de fé, mas da faltapalavras de Jesus, para que ele se levantasse dela. Precisamos crer ainda que as circuns-e carregasse sua cama, imediatamente obe- tâncias não favoreçam, ainda que os olhosdeceu, e pôde experimentar em sua vida o não vejam, ou ainda que tudo aponte oque era impossível do ponto de vista huma- contrário. Os milagres que Jesus praticouno. Os fariseus criticaram o homem porque e estão registrados nas Escrituras são sufi-carregou sua cama sendo sábado. Em vez de cientes. Buscar, hoje, sinais e prodígios églorificarem a Deus pela cura do homem, sinal de incredulidade, e não de fé. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 13
  14. 14. EBD • Domingo, 29 de abril de 2012• ESTUDO 5 Texto bíblico: O ministério de João 6 e 7 Jesus se amplia Texto áureo: João 6.67,68 Os milagres realizados por Jesus em nheiro para comprar pão para aquela mul-seu ministério tinham a finalidade de mos- tidão, mesmo que houvesse onde comprar.trar que ele é o Messias prometido, o Filho O que faltou aos discípulos foi perceberde Deus. João mesmo diz isto em 20.31: que o Senhor de todas as coisas estava lá.“Estes foram escritos para que creiais que Era preciso crer, não questionar. A reaçãoJesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para do povo foi crer que Jesus, sendo o Mes-que, crendo, tenhais vida em seu nome”. sias, devia ser aclamado rei. Por isso, JesusAo todo, João narrou oito sinais. No ca- Cristo se afastou da multidão, porque seupítulo 6 são narrados dois desses sinais e é reino não é deste mundo.registrado o discurso de Jesus às multidõese aos discípulos, em que ele ensina que é 2. Milagre de Jesus sobre a naturezao pão da vida, que sua carne é, verdadei- (6.16-21) – No final do dia, os discípulosramente, comida e o seu sangue bebida, o tinham retornado para Cafarnaum e estavamque escandalizou a multidão. Esta se afas- atravessando o Mar de Genezaré, quando Je-tou dele e os discípulos se inquietaram, o sus foi ao encontro deles a uma distância de 5que deu oportunidade para a confissão de a 6 quilômetros mar adentro, andando sobrePedro. No capítulo 7, o foco muda para o as águas. Foi o quinto sinal feito na Galileia, etemplo, em Jerusalém, para onde Jesus se demonstrou seu poder sobre a natureza, quedeslocara, por ocasião da festa dos taber- ele mesmo criara.náculos, quando proferiu ensinos que re-voltaram os fariseus que tentaram prendê- 3. Cristo é o pão da vida (6.22-59) –-lo para matá-lo. No dia seguinte, a multidão, percebendo que Jesus havia regressado a Cafarnaum, 1. Milagre sobre a matéria (6.1-15) – A partiu para lá. Queriam fazê-lo rei. Exigi-passagem narra a multiplicação dos pães. ram de Jesus um sinal, mas Jesus se negou aFoi um sinal de tal eficácia, que foi regis- lhes dar mais pão e, então, proferiu seu dis-trado em todos os outros Evangelhos. Foi curso sobre si mesmo como sendo o verda-um fenômeno extraordinário, uma ope- deiro pão do céu. A multidão apelara pararação miraculosa de Jesus, não realizada a experiência do maná no deserto, e Jesusapenas na mente ou coração, mas objetiva, afirmou que o verdadeiro pão do céu é ele;do poder e autoridade de Jesus, o Filho de que em sua presença e atuação, Deus está aDeus, sobre a matéria. Os discípulos co- prover o alimento espiritual que o homemmentaram com Jesus a impossibilidade de necessita para viver. Além disso, Jesus en-alimentarem a multidão: não tinham di- sinou que ele é o poder doador da vida:14 • PALAVRA E VIDA
  15. 15. quem de mim se alimenta por mim viverá ninguém lhe pôs a mão, porque ainda não(v. 57). Ensinou, também, que o ato sim- era chegada a sua hora” (7.30,44).bólico de comer o pão é representado no Os fariseus discutiram a respeito de Je-ato de crer nele (v. 29). Jesus ensinou que sus, ainda planejando prendê-lo, mas Nico-se deve atentar para a vontade de Deus, em demos, o que visitara Jesus à noite (cap. 3),obediência da fé, cuja prova é o reconheci- argumentou com eles sobre a ilegalidademento e a submissão a Jesus, ou seja, crer do que pretendiam fazer, pelo que desde-nele como enviado de Deus para salvar nharam dele, mas suspenderam sua ação, eo homem que passa a viver para servi-lo. todos foram para suas casas.Esta adesão contínua é apresentada nas ex-pressões “comer o pão”, “comer sua carne” 5. Quem é Jesus? – Ainda, hoje, o prin-e “beber seu sangue”, ação de fé que resulta cipal questionamento que muitos fazem emna perfeita comunhão com ele. relação à pessoa de Jesus é a afirmação de que ele era apenas um homem (6.42; 7.26,27). 4. Jesus enfrenta a oposição (6.60 a Mas, ele mesmo afirmou que dentre os seus7.1-53) – O discurso de Jesus causou mui- seguidores havia muitos descrentes (6.64),to rebuliço no meio dos judeus. Isto se deu que muitos o abandonariam (6.66) e quepor causa da figura de Moisés. A multidão um dos apóstolos era diabo (6.70). A estesengrandeceu Moisés, como tendo dado o Jesus afirmou que veio de Deus, e que dá apão do céu ao povo, no deserto. Jesus os vida eterna porque é o pão vivo, que suascontradisse, porque ele, Jesus, é o verdadei- palavras são espírito e são vida, que “aquelero pão vivo do céu (6.32). Jesus enfrentou, que o enviou é verdadeiro... venho da partecorajosamente, a oposição, demonstrando dele e fui por ele enviado” (7.28,29). Jesusque eles haviam se esquecido do conteúdo é o Filho de Deus, enviado para dar a vidacentral da mensagem da Lei e dos Profetas: eterna a quem nele crer, e os sinais que eleque é apontar para o Messias, para a espe- realizou demonstram isto. Este é o resumorança de uma nova aliança, que é do Espí- da mensagem do Evangelho de João.rito. Desde esta ocasião, muitos desistiramde seguir Jesus, pelo que ele perguntou aos APLICAÇÃO PARA A VIDAapóstolos se queriam também abandoná--lo; e Pedro fez esta confissão: “Senhor, para Não nos deixemos iludir com os mo-onde iremos nós? Só tu tens as palavras da dismos religiosos de nossos dias. Elesvida eterna” (v. 68). transformam Jesus e o evangelho em meios No capítulo 7, quando ensinava no de produzir prosperidade material para ostemplo, para onde Jesus foi depois de al- que praticarem “atos de fé” que ensinam,gum tempo de estada na Galileia por causa que nada têm a ver com a Palavra de Deus,da festa dos tabernáculos, esta oposição se que são sortilégios, superstições e magiastornou mais acirrada, pois Jesus denun- de misticismo com o fim de obrigar Deusciou o intuito dos judeus que era matá-lo, a satisfazer suas pretensões gananciosas.numa clara afronta ao mandamento do De- Jesus Cristo é o Filho de Deus enviadocálogo “não matarás”. Deus estava no con- pelo Pai, para dar a vida eterna ao que deletrole de todos estes eventos, porque João se alimenta pela fé. Esta é a mensagem quedeclarou que “procuravam prendê-lo, mas precisamos espalhar por toda a terra. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 15
  16. 16. EBD • Domingo, 6 de maio de 2012• ESTUDO 6 Texto bíblico: João 8 e 9 Perdão e Cura Texto áureo: João 8.31,32 Nos capítulos 8 e 9, o Evangelho de toridade que poderia aplicar a lei capital;João registra três ocorrências no ministé- e Jesus seria denunciado; se mandasse nãorio de Jesus durante sua presença em Jeru- apedrejar, descumpriria a lei, e cairia emsalém na Festa dos Tabernáculos. Após a descrédito diante do povo. Jesus desfeztentativa frustrada de prender Jesus para o esta armadilha com sua atitude e resposta.matar (estudo anterior), seus opositores se O que Jesus demonstrou, ao perdoardispersaram e foram para suas casas. Jesus, e livrar a mulher, é que nós não estamosentretanto, foi para o Monte das Oliveiras equipados para julgar (dar o veredito) a(8.1) e, na manhã seguinte, voltou ao tem- ninguém, porque nós somos pecadores. Je-plo e, do lado de fora, a multidão se apro- sus era o único que poderia fazer mas, mes-ximou dele e ele começou a ensinar. Foi mo assim, preferiu a misericórdia e com seuquando lhe trouxeram a mulher apanhada perdão apelou à mulher para abandonar oem adultério. Depois desse episódio, ele pecado, para não pecar mais, porque estavavoltou a ensinar à multidão e proferiu o perdoada. Sigamos o exemplo de Jesus.sermão em que se declarou como a luz domundo; finalmente, ainda em Jerusalém, 2. A luz do mundo (8.12-59) – A mu-ocorreu o episódio da cura do cego de nas- lher se retirou, perdoada, após seus acu-cença, que aguçou ainda mais a oposição sadores também terem se retirado, e Jesusdos escribas e fariseus contra Jesus. Nessas prosseguiu, diante da multidão, ensinando,três ocorrências se afirmam e se aprofun- e iniciou dizendo: “Eu sou a luz do mun-dam as evidências de que Jesus Cristo é o do; quem me segue não andará em trevas,Messias que havia de vir, o Filho de Deus, mas terá a luz da vida” (v. 12). O contextocomo João queria demonstrar em seu desta passagem, a Festa dos Tabernáculos,Evangelho. ofereceu a Jesus a oportunidade que neces- sitava para apresentar sua missão. Durante 1. O perdão (8.1-11) – A lei estabele- a festa, enormes candelabros eram acesoscia que ambos os adúlteros apanhados em no templo. Por causa da posição elevada dopecado deviam morrer: homem e mulher templo, sua iluminação podia ser percebida(Dt 22.22), mas os escribas e fariseus que- em toda a cidade de Jerusalém. Aquela luzriam apedrejar apenas a mulher. O que simbolizava a revelação e a verdade da féeles queriam era apanhar Jesus num dile- judaica. Na Festa dos Tabernáculos, Jesusma, numa armadilha: se Jesus mandasse se declarou a luz do mundo, a verdadeiracondenar a mulher, estaria em falta peran- revelação de Deus. Segui-lo representariate Pilatos, governador romano, única au- abrir-se para a verdade e para a vida.16 • PALAVRA E VIDA
  17. 17. “Quem és tu?” Perguntaram os fari- na. Esta falsa ideia de Deus é “a mentira”seus (v. 25). A indagação em si já implica a (v. 44). Os homens assumem esta mentiradescrença, o não reconhecimento de Jesus ao darem crédito às vãs filosofias do mun-como o Filho de Deus, enviado do Pai. Os do que exaltam o homem e suas estruturas.inquiridores procuravam saber a linhagem A mensagem para nós é que não pode ha-de Jesus, sua descendência. Quanto a si ver relação filial com Deus sem amar Jesuspróprios, apelaram para a descendência que é o Filho (v. 42); os que o rejeitam, es-de Abraão (v. 33), para se justificarem e colhem como pai o inimigo, o princípio daengrandecerem; mas Jesus os contradiz, morte e da mentira (v. 44).porque eles não viviam como Abraão; omodo de agirem era diferente (v. 34-37) 3. O cego de nascença (9.1-41) – Oe até queriam matá-lo. Então, os acusou homem nascera cego, mas nem ele nem seusde ter como pai o próprio diabo. Se Deus pais tinham culpa disto.fosse o pai deles, eles amariam Jesus, por- Havia, entre os hebreus, a crença deque veio enviado pelo Pai. Mas ao querer que todo mal físico era sempre consequên-matá-lo, demonstravam que queriam fazer cia do pecado da própria pessoa ou de seusa vontade do diabo (v. 40-44). pais. Pensar que a cegueira do homem fos- Deus enviou Jesus para possibilitar aos se resultado do pecado de seu pai até pode-homens conhecê-lo, e crer nele como Sal- ria ser entendido mas, como perguntar se ovador. Conhecer Jesus (crer nele) é, ao mes- homem nascera cego por pecado dele pró-mo tempo, conhecer Deus (crer nele). Ten- prio? Como pecar antes de nascer? O des-tar conhecer Deus de qualquer outra forma conhecimento da verdade leva os homensé um exercício inócuo. Quando Jesus fosse a conviverem com concepções absurdas.levantado, então o conheceriam. Jesus se Mas Jesus não discute. Ele responde queaproxima do pecador na cruz do Calvário. naquela vida abria-se a oportunidade deLá se efetivará o plano de redenção de Deus transformação pelo encontro com ele. E,(Jo 3.14-21). Os judeus estavam julgando tendo dito “eu sou a luz do mundo”, deuJesus pelas suas leis e normas, mas estavam visão ao cego pelo processo que vem nosausentes da verdade espiritual que lhes pos- versículos 5 a 7. Na controvérsia levantadasibilitava se tornarem verdadeiros discípu- pelos fariseus com o homem que fora cego,los de Jesus. Só pode ser libertado do peca- este declarou: “Se ele é pecador ou não eudo quem permanece nos ensinos dele sobre não sei. Só sei que era cego e agora vejo”.seu ministério libertador: “Conhecereis a Depois, quando o ex-cego se encon-verdade e a verdade vos libertará” (v. 32). trou com Jesus no templo, o Senhor se re- Os fariseus sofriam de cegueira, uma velou a ele como o Messias, e o homem ocegueira diferente. Mais adiante, no episó- aceitou pela fé como seu Salvador. O ado-dio do cego de nascença que Jesus curou, rou, isto é, caiu prostrado a seus pés. Jesusele vai dizer aos fariseus: “Agora como di- viu na cegueira daquele homem a oportu-zeis: Nós vemos, permanece o vosso peca- nidade para demonstrar a compaixão nodo” (9.41). Os fariseus tinham uma falsa tempo presente (dia), a partir da fé nele. Oconcepção de Deus. Ocultavam sua quali- convite é feito aos discípulos, como a nósdade de Pai, o seu amor para com os ho- também: que façamos as obras daquelemens e o seu desígnio de lhes dar vida ple- que o enviou ao mundo. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 17
  18. 18. EBD • Domingo, 13 de maio de 2012• ESTUDO 7 Texto bíblico: Jesus, João 10 o Bom Pastor Texto áureo: João 10.14 Não deve haver imagem mais marcan- porta, ou seja, segue o plano estabelecidote do que a que Jesus empregou para seu por Deus. Os falsos líderes religiosos nãoministério de salvação do que a de um atuavam segundo a vontade de Deus, pois,pastor de ovelhas. Ele não somente a usou se desejassem fazê-lo, teriam que reconhe-para designar sua missão e sua maneira de cer Jesus como o Messias, que veio paraatuar mas, também, se identificou como guiar o povo para a vida eterna.singular, como o único que pode recebera qualificação de “bom”. As expressões: 2) Jesus assume o papel de modelo epastor e pastorear já eram conhecidas no de guia. Ele vai adiante de suas ovelhas.Antigo Testamento, aplicadas à natureza Ele oferece um verdadeiro relacionamentoe à missão dos chefes em relação ao povo com base na verdade que ele representa: asao qual lhes competia dirigir. Além de se ovelhas ouvem a sua voz e ele chama pelointitular “pastor”, Jesus se distinguiu como nome as suas ovelhas (v. 3). O relaciona-único, dizendo “Eu sou o bom pastor”. mento é mantido pela fé. 1. Jesus como o Bom Pastor (Jo 10.1- 3) Ele dá a vida pelas suas ovelhas7) – Este capítulo está na sequência da (10.11-21). Ele é o Messias de direito e dediscussão de Jesus com as autoridades ju- fato. Neste papel, ele se entrega pelas ove-daicas, como consequência de ter curado lhas e lhes abre a porta para a salvação: “Euo cego de nascença num sábado. Ele os sou a porta das ovelhas” (v. 17). Com es-declarou como cegos que pensavam ver, tas palavras João apresenta o aspecto subs-por isso permaneciam no seu pecado e os titutivo da missão de Jesus, no objetivo dequalificou, juntamente com todos os che- libertar o homem da opressão do pecado,fes religiosos, como falsos pastores, como em sua morte de cruz. Ele, como pastor,ladrões e salteadores, porque eram pessoas é também a porta do aprisco e os que en-que desprezavam a porta de entrada para tram por ele encontram alimento. Crero reino de Deus, e queriam dirigir o povo nele é figurado por entrar por ele, que é acom falsos conceitos e falsa autoridade. porta. Portanto, para viver é preciso crer Em que Jesus diferenciava de todos os naquele que dá a vida pelas suas ovelhas.outros “pastores”, ou seja, o que o definia Ninguém tomaria a vida de Jesus. Suacomo o Bom Pastor? morte não seria acidental na história. Ele não entraria na história como um mártir 1) Primeiro, Jesus estava em consonân- assassinado. Ele é o próprio autor da vida.cia com os propósitos do Pai: ele entra pela Por isso, ele explicou: “ninguém a tira de18 • PALAVRA E VIDA
  19. 19. mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho provocar a fé e, consequentemente, trazerpoder para dá-la e para tornar a tomá-la” vida e liberdade ante a morte, o pecado e o(v. 18). Assim, referiu-se à sua ressurreição mal. As obras realizadas em nome do Paisob seu próprio poder. comunicam a unidade moral de vontade entre Deus e Jesus. 2. A abrangência do rebanho do Bom Jesus reafirmou que é o Filho de Deus,Pastor (v. 16) – O que Jesus quis dizer e que deviam crer nele por causa de suascom “outras ovelhas que não são deste obras. Por afirmar que o Pai estava nele, eaprisco”? Literalmente, deveríamos enten- ele no Pai, os fariseus quiseram novamenteder a citação como prenúncio da missão prendê-lo, mas Jesus saiu do meio deles,aos gentios. O propósito da expressão é e se retirou para além do Jordão, ondeapontar para a necessidade do mundo que muitos creram nele, porque viam que, porjaz no Maligno (1Jo 5.19) em conhecer Je- suas obras, era verdadeiro o testemunhosus como Salvador e Senhor sem distinção de João Batista sobre ele, e ali ficou algumalguma. Por outro lado, a expressão nos tempo, até que as irmãs de Lázaro o man-coloca frente com a tarefa de evangeliza- daram chamar por causa da sua enfermida-ção e missões, responsabilidades da igreja de (10.39-42).como sacerdócio real a serviço do Messias.O rebanho do Bom Pastor não abrangeria APLICAÇÕES PARA A VIDAapenas o povo hebreu, mas se estenderia atodo o mundo. 1. É importante saber que temos Jesus 3. As provas de que Jesus, o Bom Pastor, a nos comunicar a vida eterna. Não podeé o Messias (10.22-42) – Alguns, repor- haver dúvida da autoridade de Cristo paratando-se aos sinais que Jesus tinha feito, cumprir sua promessa. As figuras do pas-principalmente a cura do cego de nascen- tor e da porta abrem um caminho para aça, demonstravam-se impressionados por comunhão com ele.seu ensino (v. 21), mas outros insistiam na 2. Ter Jesus como Pastor é: (1) superaracusação de possessão demoníaca. As con- as barreiras instituídas pelo pecado, res-trovérsias prosseguem. Do versículo 21 ao ponsáveis pela existência humana afastada22 há um intervalo de tempo. Agora, o de Deus e de suas promessas; (2) reconhe-ambiente já é o de outra festa em Jerusa- cer estar vivendo pela fé em Cristo, e nãolém, a festa da Dedicação, que ocorria no pelos próprios méritos, como julgavam osinverno, três meses depois da festa dos Ta- debatedores de Jesus, que se apegavam à le-bernáculos. “Se tu és o Cristo, dize-no-lo tra da lei; (3) saber que a ressurreição nãoabertamente” (v. 24). Em sua resposta, Je- é o começo da vida eterna, mas a certezasus ressaltou que já o vinha afirmando, há dela, porque Jesus, no seu estado de exal-tempos, mas sem obter a devida aceitação. tação, já a fez realidade, pela comunicaçãoEntão, aponta, como principal argumen- do Espírito da vida em nós.to para provar sua natureza e sua missão 3. Nosso dever é passar adiante estasmessiânica, para as obras realizadas por ele realidades, para que muitos outros possamem nome do Pai. O objetivo das manifes- crer em Jesus, e passem a fazer parte de seutações e milagres realizados por Jesus era rebanho. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 19
  20. 20. EBD • Domingo, 20 de maio de 2012• ESTUDO 8 A chegada a Texto bíblico: João 11 e 12 Jerusalém Texto áureo: João 11.25,26 Tendo se retirado para a Pereia, depois de poder sobre a morte não se daria comque o quiseram prender na Judeia, Jesus a cura da enfermidade de Lázaro, mas comdesenvolve um curto ministério nessa re- sua ressurreição.gião, interrompido pela morte de Lázaro. Os discípulos de Jesus temeram voltarEle viaja de volta para Betânia e ressuscita a Betânia, muito próxima de Jerusalém,Lázaro. Os judeus confabulam para matá-lo onde os fariseus já tinham tentado matare, por isso, Jesus se retira para Efraim com Jesus. Mas Tomé, corajosamente, desafiaseus discípulos, seis dias antes da Páscoa; os outros apóstolos: “Vamos nós tambémvolta a Betânia para participar de uma ceia para morrermos com ele” (11.16).oferecida a ele. Aí tem seus pés ungidos por Ao chegar, Jesus deparou com a tristezaMaria. No dia seguinte, entra triunfalmen- pela morte de Lázaro. E, vendo chorar Mariate em Jerusalém, que ficava a três quilôme- e os judeus que estavam com ela, moveu-setros apenas de Betânia. Uns gregos querem em espírito e se perturbou. Então, Jesus cho-conhecê-lo, e Jesus dá testemunho de sua rou (v. 32-35). Jesus era homem como nós,missão como luz do mundo e Salvador, cor- com sentimentos. Comover-se em espírito,roborado por uma voz do céu, que a multi- segundo o verbo grego empregado, é “ge-dão ouviu como um trovão, e Jesus define, mer”; e perturbar-se é “agitar-se”, indicandomais uma vez sua missão: ”Porque eu vim, uma reação externa, que transparece no ver-não para julgar o mundo, mas para salvar o bo “chorou”. Ao mesmo tempo em que eramundo” (12.47). Aproximava-se o final do homem com emoções, era Deus, o Logosministério terreno de Jesus. encarnado, em toda a sua glória e majestade. 1. A ressurreição de Lázaro (Jo 11.1- 2. O poder de Jesus sobre a morte (11.23-45) – O milagre da ressurreição de Lázaro 44) – Desde a entrada do pecado no mun-aponta para a glória de Deus porquanto do, a morte é o inimigo principal do ho-demonstra o seu poder de dar vida a partir mem. Nesta passagem, Jesus demonstrado presente. A demora de Jesus em ir até sua autoridade sobre a morte ao ressuscitarBetânia para socorrer Lázaro, que estava Lázaro.enfermo, segundo mensagem que lhe en- “Teu irmão há de ressuscitar” (v. 23). Aviaram suas irmãs Marta e Maria, está nos afirmação de Jesus não deixa dúvidas. Ele éversículos 6 a 10. É que a obra de Deus o EU SOU, o Senhor da vida. Ao afirmartem seu tempo certo para ser realizada. A “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê emglorificação de Deus pela demonstração mim, ainda que morra viverá”, Jesus articula20 • PALAVRA E VIDA
  21. 21. a verdade ulterior desse relato, ao plano de tato com alguns gregos que vieram ao seutodo o livro de João: na vida, morte e res- encontro.surreição de Jesus é que o homem encontra “Ramos de palmeiras” (v. 13). Segun-vida (ainda que esteja morto). do Levítico 23.40, os ramos de palmeiras “Crês tu isto?” (v. 26). Estaria Jesus tes- eram usados para celebrar a festa dos ta-tando a fé de Marta, ou desejava que a respos- bernáculos. No período interbíblico, osta dela servisse de testemunho aos presentes, macabeus usaram ramos de palmeiras parade modo a confirmar sua condição de Mes- celebrar a libertação do templo e da cidadesias, uma vez realizado o milagre? O certo é dos conquistadores sírios. Agora, a multi-que nós, como crentes em Jesus, somos de- dão usa os ramos de palmeiras para saudarsafiados a expressar nossa fé diante dos mais Jesus como rei e Messias. Provavelmente,intricados problemas com que defrontamos. os ramos eram para sugerir a Jesus que O milagre da ressurreição de Lázaro fizesse a mesma coisa: libertar o povo defoi realizado para testemunho aos presen- Israel dos dominadores romanos.tes do poder de Deus para salvar mediante Para cumprimento de uma profecia mes-a fé de seus seguidores (v. 42). siânica, que se encontra em Zacarias 9.9, Jesus Por causa da ressurreição de Lázaro, os entrou na cidade montado em um jumento.judeus passaram a planejar a morte de Je- Procurado pelos gregos, Jesus maissus, por isso, ele se retirou para Efraim com uma vez testemunhou de sua missão (v.seus discípulos (v. 54), e voltou a Betânia 44-50). Foi o último sermão público de Je-seis dias antes da páscoa, para uma ceia na sus procurando levar os ouvintes a creremcasa de Lázaro, Marta e Maria. Durante a nele para alcançarem a vida eterna.ceia, Maria unge os pés de Jesus, simbolica-mente preparando-o para a morte. Judas, APLICAÇÕES PARA A VIDAganancioso e avaro, protestou contra aque-le gasto, mas Jesus elogiou o procedimento 1. Jesus é a ressurreição e a vida. Elede Maria (12.1-11). Muita gente foi ao lo- prometeu que no último dia ressuscitarácal, porque queria ver Jesus e também atra- a todos os que lhe pertencem. Esta con-ída pelo sobrenatural de ver o homem que vicção de fé é a nossa grande esperança efora morto e estava vivo. E muitos creram consolo. Perseveremos.em Jesus. Mas os fariseus decidiram que 2. A mensagem que Jesus pregou emmatariam Jesus, e também Lázaro, porque, Jerusalém sobre sua missão é a mesma quevendo-o ressuscitado, muitos estavam se precisamos continuar anunciando semconvertendo a Jesus (v. 10,11). cessar: que ele é o Filho de Deus e veio a este mundo para oferecer a vida eterna a 3. A entrada triunfal de Jesus em Jerusa- quem crer nele.lém (12.12-33) – Nesta passagem, o após- 3. Jesus Cristo, o Messias, o Filho detolo João apresenta os eventos finais do Deus, é a luz do mundo. Insistir em nãoministério público de Jesus, antes de seu crer nele é andar em trevas. E isto resultajulgamento, condenação e crucificação. na morte, que é a condenação eterna. CadaDois destes relatos têm bastante impor- crente precisa testemunhar de Jesus comotância para o propósito do autor do Evan- a luz do mundo, para que outras pessoasgelho: a entrada triunfal de Jesus e seu con- sejam salvas. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 21
  22. 22. EBD • Domingo, 27 de maio de 2012• ESTUDO 9 Texto bíblico: Um momento João 13 Texto áureo: difícil João 13.21 Há momentos na vida em que os so- servos que lavavam os pés dos convidados.frimentos são insuportáveis. Jesus também Jesus ocupou esse lugar de serviço.os enfrentou. O momento de ele passar Ele sabia que estava para deixar estedesta vida para o Pai estava se aproximan- mundo, e que a continuação de seu traba-do. Então, ele se reuniu com os apóstolos lho estaria com os seus discípulos. Esta-num cenáculo cedido por pessoas amigas, riam eles prontos para continuarem? Elepara comemorar a Páscoa com eles. Essa sabia que necessitariam de coesão, e que aceia aconteceu no dia 15 do mês judaico coesão depende do relacionamento e quede Nisan. Era a última ceia de seu minis- o relacionamento depende do amor. E otério terreno. Possivelmente, seus discípu- amor está diretamente ligado à submissão.los já sentiam no ar o clima tenso de que Assim, ao lavar os pés aos discípulos, pro-algo terrível aconteceria. Antes, em um clamou uma das maiores mensagens quediscurso, ele já lhes havia dito que ele teria seus discípulos jamais haviam ouvido eque ir a Jerusalém, ser maltratado, morto visto. E ordenou: “Assim como eu fiz come ressuscitar ao terceiro dia: “Desde então vocês, façam o mesmo uns aos outros”.começou Jesus a mostrar aos seus discípu- A mensagem é que devemos servir unslos que convinha ir a Jerusalém, e padecer aos outros, porque é servindo que se pra-muito dos anciãos e dos principais dos sa- tica o amor. Os seguidores de Jesus Cristocerdotes, e dos escribas, e ser morto, e res- haveriam de se tornar conhecidos em vir-suscitar ao terceiro dia” (Mt 16.21). Du- tude de darem a face outra vez, em virtu-rante essa ceia, Jesus lhes deu uma grande de de servirem uns aos outros. Por causalição de humildade e lhes deu instruções disso, muitas vezes, nos consideram fracossobre a necessidade de se amarem uns aos e medrosos, mas Deus demonstra, insis-outros. Ao final dessa ceia, tendo Judas tentemente, que é na fraqueza que ele fazsaído para o trair (v. 30), Jesus instituiu a força. Seu poder se aperfeiçoa na nossasua própria ceia, memorial de sua morte e pequenez.anúncio de sua ressurreição, que até hoje O procedimento de Jesus não foi paraos cristãos comemoram. instituir um hábito litúrgico, semelhante ao que praticam alguns grupos de religio- 1. Uma lição de humildade (Jo 13.1- sos, com o chamado lava-pés. Seu proce-20) – Acabada a ceia pascal, e tendo Judas dimento foi para ilustrar a mensagem quejá determinado trair o Mestre, Jesus se le- desejava inculcar nos corações dos seusvantou da mesa, e começou a lavar os pés discípulos, isto é, que fossem humildes eaos discípulos. Era costume o anfitrião ter servissem uns aos outros.22 • PALAVRA E VIDA
  23. 23. 2. Um convite ao amor mútuo (Jo 13.18- nhecerão que sois meus discípulos, se vos30) – A pergunta que poderíamos fazer é amardes uns aos outros” (v. 34,35). Nes-como alguém poderia trair Jesus, que só pen- sas palavras de despedida, Jesus anunciousava em ajudar as pessoas? Curava, pregava e sua morte, ainda numa linguagem velada.ensinava em todo tempo. Ainda, assim, um Seus discípulos não compreendiam clara-dos seus discípulos o traiu. mente o que iria acontecer. Por isso, Pe- Eu poderia apontar algumas respos- dro pronunciou algumas palavras, mistotas. Uma delas é que o evangelista regis- de coragem e fanfarra que iria terminartra que a traição era um cumprimento da na tríplice negação que viria breve. JesusEscritura do Antigo Testamento, que já não negou que Pedro morreria por amorprevia que a traição acompanharia o Un- a ele, mas isso não seria naquele momen-gido de Deus (Sl 41.10). Para as igrejas to. Ele o trairia, mas seria restaurado, eque nasceram da pregação dos primeiros daria sua vida por Jesus num futuro aindaapóstolos, esta era mais uma evidência distante, depois da plantação de muitasnas Escrituras de que Jesus era, realmente, igrejas e do crescimento das comunidadeso enviado de Deus. cristãs pelo império romano. Os outros Evangelhos narram que Judasprocurou os adversários de Jesus e o vendeu APLICAÇÕES PARA A VIDApor 30 moedas. A ganância estaria por trásda traição. O dinheiro aparece como base 1. Jesus morreu para que cada um, aode quase todas as traições. O apóstolo Paulo ser salvo por ele, fosse inserido numa igre-ensinou que “o amor ao dinheiro é a raiz de ja, seu corpo, que é uma comunidade de fé.todos os males” (1Tm 6.10). Outras respostas poderiam ser dadas, 2. A natureza da igreja é a vida comu-mas a essência de todas elas é a fraqueza nitária. Ser igreja implica estar em Cristohumana. Pedro, de certa forma, também e, ao mesmo tempo, estar unidos em umtraiu Jesus ao negá-lo por três vezes. No mesmo propósito: proclamar a mensagemcaso de Pedro, Jesus o perdoou e, mais tar- de salvação trazida pelo evangelho.de, ele foi restaurado por Jesus em seu mi-nistério, mas Judas, nem deu tempo paraisso, porque praticou o suicídio. 3. Não podemos viver numa igreja como se o outro simplesmente não existisse. As 3. A solene despedida (Jo 13.31-34) pessoas, à nossa volta, devem nos reco-– Chega, finalmente, a hora da despedida. nhecer pelo amor que praticamos pelosJesus está para partir. Ele instituiu a ceia irmãos.memorial de sua morte. Depois que Judassaiu, para o vender, ele disse: “Agora o Fi- 4. Numa época de crise, é possível quelho do homem é glorificado, e Deus é glo- as pessoas vivam tão preocupadas comrificado nele”, e a seguir lhes deu o novo suas próprias vidas que não percebam omandamento: “Um novo mandamento sofrimento do irmão ao lado. Precisamosvos dou: Que vos ameis uns aos outros estar atentos a isto para que cumpramos ocomo eu vos amei a vós, que também vós mandamento de Jesus: Que nos amemosuns aos outros vos ameis. Nisto todos co- uns aos outros, como ele nos amou. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 23
  24. 24. EBD • Domingo, 3 de junho de 2012• ESTUDO 10 A promessa do Texto bíblico: João 14 e 15 Texto áureo: Espírito Santo João 14.16 No fim da última ceia, tendo Jesus falado co, de consumação do reino de Deus coma respeito de sua partida para o Pai, os discí- sua volta. Jesus tranquilizou os discípulospulos ficaram desolados, pensando em como quanto ao caminho para o lugar para ondeviveriam sem a presença do Senhor amado. iria partir, dizendo que ele mesmo é o ca-Como haveriam de viver sem suas palavras minho, a verdade e a vida. Basta crer nele ede conforto, sem seus ensinos? Jesus os con- tudo está bem. Filipe interrompe, queren-solou, prometendo que mandaria o Espírito do ver o Pai, e Jesus explica que quem o vêSanto, para não os deixar órfãos. Não os dei- está vendo o Pai. Sua união com o Pai é as-xaria sozinhos. Nunca os tinha abandonado, segurada pelas obras que ele realizou. E ose não os abandonaria agora. É este o ensino discípulos realizariam obras maiores, umacentral dos capítulos 14 e 15. Neste estudo, vez que lhes mandaria o Espírito Santo e,vamos analisar a pessoa do Espírito Santo além disso, tinham o recurso da oraçãocomo Ajudador, Intérprete e Testemunha. para pedirem ao Pai o que precisassem. No próximo estudo, abordaremos ain-da sobre o Espírito Santo, no capítulo 16, 2. O Espírito Santo como Parácletoa respeito de suas funções de Parácleto, En- (14.16-18) – O Espírito Santo é chamadosinador e Testemunha; e a oração de Jesus de Parácleto e de Espírito de Verdade. Pará-pelos discípulos, no capítulo 17. cleto é uma palavra grega que tem o sentido original de “alguém chamado para ficar ao 1. Cristo conforta os discípulos (14.1- lado de uma pessoa para ajudá-la de qual-15) – A promessa de enviar o Espírito San- quer modo, para defendê-la em processos,to faz parte das palavras de consolação de como um amigo no tribunal”. No versículoJesus ditas aos seus discípulos quando, no 16, Jesus menciona outro Ajudador, o quefim da última ceia, falou-lhes a respeito de nos dá a entender que os discípulos já ti-sua partida para o Pai. nham um, que só pode ser ele mesmo. Em Com palavras de ternura e compaixão, 1João 2.1, Jesus é chamado de nosso “Pará-ordenou aos seus discípulos que não tives- cleto junto ao Pai”, onde a palavra é tradu-sem medo: eles criam em Deus, e que con- zida apropriadamente por “advogado”. Jesusfiassem, também, nele. Ele está indo prepa- tinha sido o Parácleto dos discípulos aquirar lugar para, depois, levar para junto de si na terra. Ele tinha combatido por eles, aju-os que creem nele. Essa promessa pode ser dando-os. Eles puderam aprender com suareferência ao momento da morte de cada orientação e apoio; só que agora estava pres-crente, ou pode ter o sentido escatológi- tes a deixá-los. Mas, não os deixaria órfãos.24 • PALAVRA E VIDA
  25. 25. Mandaria outro Consolador (Ajudador) essa união com ele; é uma união íntima. Nãopara estar nos discípulos. Não apenas com pode haver união mais estreita e íntima do queeles, mas neles e permanentemente. a união entre a videira e seus ramos. Nos versículos 26 e 27 Jesus volta a fazer a 3. O Espírito Santo como Ensinador (Jo promessa de enviar o Espírito Santo, o qual viria14.26-31) – Os discípulos poderiam contar para dar testemunho dele. O testemunho quecom a presença do Espírito Santo para exercer Jesus tinha dado, com suas palavras e suas obras,uma função didática, educadora. Ele os capa- não cessaria quando ele não estivesse mais nestecitaria para se lembrarem dos ensinos de Jesus mundo. O Espírito Santo assumiria este mi-e os faria compreender tudo. Em outras pala- nistério de testemunhar e o levaria adiante pelavras, o Espírito Santo lhes serviria de memória instrumentalidade dos discípulos. O cumpri-e expositor. Os escritores do Novo Testamen- mento desta função está exemplificado em Atosto experimentaram essa atuação do Espírito 5.32, onde Pedro e seu companheiro, diante doSanto no dia-a-dia das igrejas. Quando havia sumo sacerdote e do conselho, proclamaram anecessidades específicas, ele ensinava e mos- ressurreição e a glorificação de Jesus: “Nós somostrava a vontade de Deus. É esta a convicção testemunhas destes fatos, e bem assim o Espíritode Paulo, quando escreve a Primeira Carta aos Santo, que Deus outorgou aos que lhe obede-Coríntios: “...os quais também falamos, não cem”. O testemunho dos discípulos e do Espíri-com palavras ensinadas pela sabedoria huma- to Santo é o mesmo. Ambos testemunham dana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito obra salvadora de Jesus. Portanto, não pode ha-Santo, comparando coisas espirituais com es- ver dúvida, Jesus é de fato o Messias prometidopirituais” (1Co 2.13). de Deus. Testemunha é alguém que viu com os próprios olhos, e ouviu com os próprios ouvidos. 4. O Espírito Santo como Testemunha Só tem validade para testemunhar quem presen-(15.1-27) – A promessa do Espírito Santo ciou os fatos. E esta função de testemunhar, quefoi intercalada com um ensino precioso para o Espírito Santo continuaria a exercer perma-os discípulos, para lhes restaurar a confiança, nentemente, revela que Jesus é o único Salvador.a segurança, a fé e a esperança. Jesus mostrou Um significado mais amplo do testemunho doque nada nesta vida, nenhuma circunstância Espírito Santo é indicado em 1João 5.6: “O Es-pode separar o seu discípulo da comunhão pírito é o que dá testemunho, porque o Espíritocom ele, ao mesmo tempo deixa bem claro Santo é a verdade”.que o sucesso como obreiros cristãos dependiada união com ele. Para deixar isto bem claro, APLICAÇÃO PARA A VIDAusou a figura da videira, tão conhecida de seusdiscípulos como moradores da Palestina. O O Espírito Santo prometido foi der-ensino dos versículos 1 a 25 é sobre a comu- ramado no dia de Pentecostes (At 2) so-nhão com Cristo, que ele ilustrou com três bre a igreja, e de lá para cá todos os que sefiguras: a videira, o agricultor e os ramos da vi- convertem a Jesus Cristo como Salvadordeira. Esta comunhão com Cristo é espiritual, o recebem no momento quando abrem oé a união da vida divina com a vida humana, coração para Jesus. Vivemos, pensamos ee é real e vital, não sendo um assunto de mera agimos sob sua ajuda. Conscientes disto,afiliação a alguma organização. É uma união santifiquemo-nos e sejamos corajosos emmútua, porque devemos consentir em aceitar testemunhar de nossa fé. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 25
  26. 26. EBD • Domingo, 10 de junho de 2012• ESTUDO 11 As funções do Texto bíblico: Espírito Santo e João 16 e 17 a oração pelos Texto áureo: João 16.8-11 discípulos A referência ao Espírito Santo nos dois justiça que nos foi imputada, para sermoscapítulos estudados na lição anterior (14 e salvos; 3) Quanto ao juízo: o Espírito San-15) evolui, no capítulo 16, para uma expo- to é quem viria trazer luz ao fato de que osição mais ampla das funções do Espírito juízo de Deus é uma realidade cósmica.Santo, que são três. Depois de consolar os Ninguém pode cometer injustiças e ficardiscípulos e prometer o Espírito Santo, Je- impune. Existe o juízo de Deus. O própriosus orou por eles e pelos que haveriam de Diabo, que é o príncipe deste mundo, estácrer (cap. 17). julgado pelo juízo de Deus. Os homens não podem fazer o mal e ficar por isso mes- 1. Convencer o mundo (16.7-11) – O mo. Com este convencimento, o Espíritoverbo grego traduzido por convencer tem o Santo desperta nos pecadores o desejo desentido de trazer à luz, levar a uma convicção. buscar perdão para seus pecados. DessasO Espírito Santo leva os pecadores à convic- três maneiras o Espírito Santo confronta oção de três realidades: pecado, justiça e juízo. mundo com a necessidade urgente de uma 1) Quanto ao pecado: o pecado con- mudança radical em sua forma de viver e desiste em não crer em Jesus como o Filho de se relacionar com Deus a partir de sua novaDeus, e é isto que leva o pecador à conde- maneira de ver o pecado, a justiça e o juízo.nação. Os pecadores não reconhecem seuestado de afastados de Deus e condenados 2. Guiar o crente (16.12-14) – Em rela-(Rm 3.23) até que o Espírito Santo os con- ção aos convertidos, que formam a igreja devença disto. Somente ele pode fazer isto. Cristo, a função do Espírito Santo é guiá-losPortanto, o Espírito Santo ajuda o pecador em toda a verdade. Durante seu curto mi-a ver que precisa se arrepender e crer. 2) nistério, Jesus sabia que os discípulos não seQuanto à justiça: o Espírito Santo corrige a apropriaram de toda a verdade, de todos osideia errada de que a justiça não foi vista na mistérios que ele procurou ensinar. Mas oscruz de Cristo. Os críticos da época criam discípulos não ficariam com verdades pelaque Jesus era injusto e merecedor de mor- metade ou com uma compreensão superfi-rer; e que matar Jesus agradava a Deus. O cial. O Espírito Santo os levaria a uma com-Espírito Santo viria para levar os pecado- preensão aprofundada e completa dos mis-res à convicção de que Jesus é a verdadeira térios de Deus. Esta obra continua sendo26 • PALAVRA E VIDA
  27. 27. feita no meio da igreja de Cristo. O Senhor tempo em que lhes dava uma tarefa espe-sabia que as sementes da verdade semeadas cial. A oração tem três partes:naqueles rudes corações germinariam sob 1) Oração por si mesmo: pediu ao Paiorientação do Espírito Santo. Nenhum para ser glorificado. Embora sendo Deus,homem chega à compreensão e percepção na encarnação, Jesus teve de experimentardas verdades eternas sem a ajuda do Con- a humilhação por levar sobre si a conde-solador. É impossível alcançar o alvo maior nação de nosso pecado. Sua glorificação sede Deus para nossa vida sem ele. Nenhum daria na cruz e na sua ressurreição. A cruzobstáculo será demasiado alto, nenhuma era a passagem obrigatória para a glória dacarga demasiada pesada, nenhum problema ressurreição e ascensão ao céu aprovado emdemasiado grande, pois Deus, por meio do sua obra de Redentor. Deus glorificou a Je-Espírito Santo, tem provido uma maneira sus ao lhe conceder a autoridade de podersegura de vitória para os crentes. morrer pelos pecados do mundo e procla- mar a toda a humanidade a graciosa oferta 3. Glorificar a Jesus (16.14) – Glorificar de salvação da parte do Pai, ao mesmo tem-é tornar visível a realidade majestática de Jesus. po em que o Filho glorificaria o Pai.É celebrar, dignificar, exaltar. É o Espírito San- 2) Oração pelos discípulos: nesta parte,to quem torna Jesus Cristo entendido, visto Jesus destaca três pontos principais: a) queem sua verdadeira natureza de poder e glória, Deus os guardasse; b) que Deus os conser-como o Filho de Deus e nosso Redentor. E ele vasse em unidade, a fim de que pudessemdesempenha esta função ouvindo de Jesus e mostrar de forma visível a mesma unidadeanunciando aos servos de Deus, permanen- que sempre existiu entre o Filho e o Pai;temente, os pensamentos, os sentimentos e a desavença na igreja é a mais perigosa armavontade de Deus manifestados em Jesus Cris- contra o evangelho de Jesus; c) que os discí-to. Pela atuação do Espírito Santo, a pessoa de pulos fossem santificados na verdade.Jesus é cada vez mais engrandecida no seio da 3) Oração pelos futuros discípulos (v.igreja; e cada vez mais se espalha pelo mundo, 20-24): isto é, por todos os que viriam aà medida que multiplicamos a obra missioná- crer nele. Jesus pede para que eles, também,ria, anunciando o seu evangelho. vivessem em unidade, assim como ele e o Pai são um em unidade, e que desenvolves- 4. A oração de Jesus pelos discípulos sem a mesma missão de testemunho.(cap. 17) – Depois de prometer que man-daria o Espírito Santo e de ensinar sobre APLICAÇÕES PARA A VIDAsuas funções, Jesus concluiu seu discursode consolação aos crentes, exortando-os 1. A obra de evangelização é feita pelosa terem coragem e bom ânimo, dizendo: discípulos de Jesus, usados como instru-“No mundo tereis aflições, mas tende bom mentos de Deus.ânimo, eu venci o mundo”. 2. Há muitos modismos e falsificações Após a promessa do Espírito Santo e do evangelho. A verdade é uma só: a que édo encorajamento, os discípulos ouviram a ensinada pelo Espírito Santo.mais profunda e íntima oração de Jesus em 3. Jesus orou por nós. Esta é uma ver-que ele reforçou, mais uma vez, a seguran- dade que, além de elevar a nossa autoesti-ça da presença divina entre eles ao mesmo ma, traz para nós segurança e alegria. ABR.MAI.JUN DE 2012 • 27
  28. 28. EBD • Domingo, 17 de junho de 2012• ESTUDO 12 Texto bíblico: Sofrimento e João 18 e 19 morte de Jesus Texto áureo: João 19.30 Estes dois capítulos poderiam ser con- 600 soldados; além deles, foram algunssiderados como o clímax do sofrimento de judeus, guardas do templo. Levavam lan-Jesus, pois nos lembram o sangue, o suor e ternas, tochas e armas. Talvez pensassemas costelas vazadas pela lança do soldado que Jesus tivesse um exército para lutar porromano, no Calvário. Os dois capítulos ele, daí o aparato; 3) Jesus manteve sereni-são os mais tristes mas, graças a Deus, eles dade, e diante da soldadesca que se aproxi-não fecham a história. Passando aos capí- mou, perguntou a quem procuravam, e setulos 20 e 21 encontramos os relatos da apresentou: “Sou eu”. Então, os soldadosvitória do Messias, pela sua ressurreição e caíram por terra (18.5). Alguma evidênciasubida para os céus. É com este sentimen- da divindade de Jesus deve ter causado essato de vitória que vamos estudar estes capí- reação; 4) Jesus protegeu os discípulos, or-tulos que marcaram para sempre a história denando aos soldados: “Deixai ir estes”; 5)da humanidade. Pedro, impetuoso, deu um golpe de espada no primeiro que pôs as mãos em Jesus, e 1. A prisão de Jesus no Getsêmane (18.1- cortou-lhe uma orelha; mas Jesus o curou e12) – Após a ceia no cenáculo e o discurso repreendeu a Pedro. Então Jesus foi levado,de consolação aos discípulos feito pelo Se- sem nenhuma resistência.nhor, em que prometeu a vinda do EspíritoSanto, Jesus saiu com seus discípulos para 2. O julgamento e Jesus (18.13-40) –enfrentar o inimigo. Entre a saída e a prisão, O julgamento de Jesus ocorreu em duasque se deu no Getsêmane, houve o episódio esferas de poder: a esfera dos judeus (oda oração em que o Senhor, angustiado, poder religioso), e a esfera dos romanos (opediu ao Pai que passasse dele aquele cáli- poder político de dominação):ce, narrado pelos outros Evangelhos (Mt a) O julgamento judeu (18.13-27): Je-26.36-46; Lc 22.39-46; Mc 14.32-42). João sus foi conduzido primeiramente a Anásnarra os acontecimentos em cinco mo- para um interrogatório preliminar. Anásmentos: 1) Jesus foi para o horto delibera- não era mais o sumo sacerdote, mas con-damente porque tinha consciência de que servava o título, e era sogro do atual, que sesua hora tinha chegado. Era um lugar que chamava Caifás. Anás o interrogou sobreele frequentava normalmente quando ia a seus discípulos e sobre sua doutrina. JesusJerusalém; Judas também conhecia o lugar nada disse sobre os discípulos; e, sobre suae podia prever a ida de Jesus para lá; 2) O doutrina, declarou que todos eles haviamexagero de força para prender Jesus. Uma tido oportunidade de o ouvir publicamen-coorte romana tinha aproximadamente te e, por isso, não precisava responder. A28 • PALAVRA E VIDA

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