Aula 4 - Max Weber

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Aula 4 - Max Weber

  1. 1. Max Weber Curso de Mestrado Profissional em Administração – ESAG/UDESC Profs. Carolina Andion e Mauricio C. Serafim
  2. 2. Biografia [1] <ul><li>1864 Nasce em Erfurt, Turíngia, Alemanha, em 21 de abril. Filho de família de classe média alta teve uma educação voltada para as humanidades: educação secundária em línguas, história e literatura clássica. </li></ul><ul><li>1882-1889 Desenvolve estudos universitários em Heidelberg, Gottingen e Berlim nos campos da economia, história, filosofia e direito. </li></ul><ul><li>1889 Escreve sua tese de doutoramento sobre a história das companhias de comércio durante a Idade Média. </li></ul><ul><li>1893 Casa-se com Marianne Schnitger e no ano seguinte torna-se professor de economia em Freiburg. </li></ul><ul><li>1898 Sofre depressão e deixa os trabalhos docentes </li></ul>
  3. 3. Biografia [2] <ul><li>1903 Volta à atividade na qualidade de co-editor do Arquivo de Ciências Sociais, publicação de referência no desenvolvimento dos estudos sociológicos na Alemanha. </li></ul><ul><li>1904 Publica ensaios sobre os problemas econômicos das propriedades dos Junker, sobre a objetividade nas ciências sociais e a primeira parte de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo . </li></ul><ul><li>1905 Parte para os Estados Unidos, onde pronuncia conferências e recolhe material para a publicação da segunda parte de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo . </li></ul>
  4. 4. Biografia [3] <ul><li>1910-1914 Redige Economia e Sociedade </li></ul><ul><li>1914 Durante a primeira guerra, como capitão do exército, administra 9 hospitais em Heidelberg. </li></ul><ul><li>1919 Profere conferências em Munique que serão publicadas em 1923 sob o título de História Econômica Geral. </li></ul><ul><li>1920 Morre em conseqüência de uma pneumonia aguda. </li></ul><ul><li>1922 Publica-se Economia e Sociedade . </li></ul>
  5. 5. Algumas obras centrais <ul><li>A ética protestante e o espírito do capitalismo (1904 e 1905) </li></ul><ul><li>Economia e sociedade (1922) </li></ul><ul><li>História geral da economia (1923) </li></ul><ul><li>Coletâneas publicadas no Brasil: </li></ul><ul><ul><li>Ensaios de sociologia (Gerth e Mills - Zahar, 1979) </li></ul></ul><ul><ul><li>Max Weber: Sociologia (Cohn – Ática, 1982) </li></ul></ul><ul><ul><li>Max Weber (Coleção ‘Os Pensadores’ – Abril Cultural, 1980) </li></ul></ul>
  6. 6. Contexto da obra <ul><li>Meados do século XIX: início do estudo científico dos fatos humanos. </li></ul><ul><li>Triunfo das ciências naturais (ruptura com a Idade Média – triunfo da razão – homem senhor de si e da natureza). </li></ul><ul><li>Disputa metodológica. </li></ul>
  7. 7. Contexto da obra <ul><li>Duas correntes de pensamento nas ciências sociais nascentes: </li></ul><ul><li>Positivistas : abordagem dos fenômenos humanos como nas ciências naturais, busca da explicação (tradição empirista inglesa e utilitaristas do século XIX). Bacon (1561-1626). Hume (1711-1776), Comte (1798-1857) e Durkheim (1858-1917). </li></ul><ul><li>Antipositivistas : afirmavam a peculiaridade dos fenômenos humanos, busca da compreensão, sentido e não da relação causa e efeito. Para eles a ciência natural (relação sujeito/objeto) difere das ciências humanas (relação sujeito/sujeito). Tradição no idealismo filosófico alemão: Hegel (1770-1831), Windelband (1848-1915), Dilthey (1833-1911), Weber (1864- 1920) </li></ul>
  8. 8. Contexto da obra <ul><li>“ Ciências da natureza” e “ciências do espírito”: diferenças estabelecidas na relação entre o pesquisador e a realidade pesquisada </li></ul><ul><li>Dilthey: “nós explicamos a natureza, enquanto compreendemos a vida da mente”. </li></ul>
  9. 9. Sociologia weberiana <ul><li>Diagnóstico/problemas da modernidade: </li></ul>Marx Alienação Durkheim Anomia Weber Racionalização
  10. 10. Objetivo da sociologia <ul><li>Diferentemente da sociologia de Durkheim, não consiste em explicar os fatos sociais. </li></ul><ul><li>A sociologia de Weber tem como objetivo captar as conexões de sentido da ação humana (compreender). </li></ul><ul><li>Conhecer um fenômeno social seria extrair dele o conteúdo simbólico da ação ou das ações que o configuram. (Pergunta chave: qual o sentido [importância] que o ator dá a sua conduta? O foco deixa de ser a causa estrutural, para ser o sentido) </li></ul>
  11. 11. Objetivo da sociologia <ul><li>“ [...] se agora sou sociólogo, então é essencialmente para pôr um fim nesse negócio de trabalhar com conceitos coletivos. Em outras palavras: também a Sociologia somente poder ser implementada tomando-se como ponto de partida a ação do indivíduo ou de um número maior ou menor de indivíduos, portanto de modo estritamente individualista quanto ao método” </li></ul><ul><li>(Weber em uma carta ao economista Robert Liefmann em 1920). </li></ul>
  12. 12. O objeto da sociologia <ul><li>“ É uma ciência voltada para a compreensão interpretativa da ação social e, por essa via, para a explicação causal dela no seu transcurso e nos seus efeitos” (Weber) </li></ul><ul><li>O objeto da sociologia é o fenômeno social que se configura pela ação humana (e essa assume diferentes configurações). </li></ul>
  13. 13. O objeto da sociologia <ul><li>Ação: modalidade de conduta (ato, permissão, omissão) à qual o próprio agente associa um sentido subjetivo e que orienta essa ação. </li></ul><ul><li>Ação social : O sentido atribuído pelo sujeito as suas ações faz sempre referência ao comportamento dos outros, orientando-se por esse comportamento. </li></ul><ul><li>Sentido: manifesta-se em ações concretas e que envolve um motivo sustentado pelo agente como fundamento da sua ação (Cohn) </li></ul><ul><li>Sentido é mais em relação ao objetivo visado na ação. </li></ul><ul><li>Relação social: probabilidade de que uma forma determinada de conduta social tenha seu sentido partilhado pelos diversos agentes numa sociedade (ex. amizade, concorrência econômica). </li></ul>
  14. 14. O objeto da sociologia <ul><li>Weber distingue 4 tipos de ação social : </li></ul><ul><ul><li>Ação racional com relação aos fins (objetivos): racionalidade instrumental/formal (ética da responsabilidade) </li></ul></ul><ul><ul><li>Ação racional com relação aos valores: racionalidade substantiva/material (ética da convicção) – baseada na ética, na honra </li></ul></ul><ul><ul><li>Ação afetiva ou emocional: reação emocional </li></ul></ul><ul><ul><li>Ação tradicional: ditada pelos costumes </li></ul></ul>
  15. 15. O objeto da sociologia <ul><li>Weber quer saber as linhas que vão ser percorridas ao longo do exercício da ação, que é a busca de objetivos que estão no agente, não são dados de fora (Cohn). </li></ul><ul><li>As múltiplas linhas de ações se entrelaçam por roteiros que são percorridos por n agentes com suas metas e que se cruzam (tecido social) (Cohn) </li></ul><ul><li>Uma imagem: Weber se preocupa mais com o movimento da aranha do que com a arquitetura da teia (Cohn) </li></ul><ul><li>Sociedade: uma rede de relações com alguma estabilidade. </li></ul>
  16. 16. Método interpretativo <ul><li>Weber define ciência como um campo “racional”, devendo-se separar a análise científica da ação política ou do julgamento de valores (observação rigorosa é, portanto, essencial). </li></ul><ul><li>Entretanto, o entendimento dos fenômenos sociais não pode ocorrer da mesma maneira que nas ciências naturais (é necessário um método específico). </li></ul><ul><li>Os fenômenos sociais têm uma regularidade causal, mas tal regularidade não pode ser expressa em leis imutáveis como nas ciências naturais. Ele defende a utilização de tipos ideais , que servem como referências analíticas em comparação com a realidade (valor heurístico). </li></ul>
  17. 17. Método interpretativo <ul><li>O tipo ideal não descreve um curso concreto de ação, mas um desenvolvimento normativamente ideal (curso de ação possível). </li></ul><ul><li>O uso do tipo ideal é diferente das generalizações científicas (leis), pois não pretende explicar, mas servir de referência para a análise e compreensão do real. </li></ul><ul><li>O tipo ideal não é falso nem verdadeiro, mas válido ou não válido, de acordo com a sua utilidade para a compreensão do fenômeno. </li></ul>
  18. 18. A sociologia Weberiana e o estudo da sociedade moderna <ul><li>Weber faz um contraponto à visão marxista, segundo a qual o capitalismo surge na Europa apenas por conseqüência de condições eminentemente econômicas. </li></ul><ul><li>Para ele, o que faz emergir o capitalismo é uma mudança de valores (ética) que ocorre no final da Idade Média (secularização). </li></ul><ul><li>O capitalismo traz em si uma ética particular por meio da qual ganhar dinheiro passa a ser uma expressão da virtude. Mais tarde essa transição dará margem ao fenômeno da racionalização do mundo. </li></ul>
  19. 19. A sociologia Weberiana e o estudo da sociedade moderna <ul><li>Weber veicula o capitalismo à ética protestante, mostrando que essa nova forma de pensar e agir trazida pela Reforma será essencial para criar as condições necessárias ao advento do capitalismo. </li></ul><ul><li>A ética racional do lucro torna-se legítima e, mais do que isso, passa a regular as várias esferas da vida (quebra da magia, desencantamento do mundo). </li></ul>
  20. 20. Sociologia econômica <ul><li>Ciência econômica lida com a ação econômica, definida por seu significado subjetivo: desejo de utilidades (e não ‘satisfação das necessidades’ para poder incluir a busca do lucro). </li></ul><ul><li>Sociologia econômica analisa ação econômica social , ou seja, ação econômica que leva em conta o comportamento de outros (cliente, concorrente, ordem legal, política e religiosa). </li></ul><ul><li>Em comum: tipo ideal e individualismo metodológico. </li></ul>
  21. 21. Sociologia econômica <ul><li>Visão pluralista do ator econômico. </li></ul><ul><li>O ator econômico moderno é essencialmente um ator racional com relação aos fins. </li></ul><ul><li>No entanto, há necessidade de levar em conta também as outras formas da ação social na esfera econômica. </li></ul><ul><li>Os motivos que levam o operário a trabalhar todos os dias podem ser: </li></ul><ul><ul><li>racionais com relação aos fins (salário) </li></ul></ul><ul><ul><li>tradicionais (costume de trabalhar) </li></ul></ul><ul><ul><li>racionais em valor (ética do trabalho). </li></ul></ul><ul><li>* * * </li></ul>

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