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  • 1. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela Acompanhamento eAnimação da Pessoa IdosaMargarida Borges Pires Página 1
  • 2. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaVELHICE – CICLO VITALTodo o ser vivo nasce, vive, reproduz-se e morre, ou seja, o ciclo de vida começa com aconceção e termina com a morte.O aumento da esperança média de vida gerou um crescimento acentuado dapopulação idosa, o que criou problemas, devido à falta de preparação da sociedadepara esta realidade. Como se pode verificar, por exemplo, ao nível dos sectores – sociale da saúde.Para melhor compreendermos esta realidade é importante perceber as diversas etapasde desenvolvimento do ser humano, que se caracterizam por tarefas biopsicossociais(são aquelas que a pessoa deve cumprir para garantir o seu desenvolvimento econsequente ajustamento psicológico e social).O ciclo vital é o conjunto das fases da vida onde é suposto realizar-se uma série detransições e de superar uma série de provas e de crises. Este ciclo desenvolve-seatravés do contacto com outros seres humanos e através da educação, uma criançapassa de um modo gradual por diferentes idades e estatutos, como ser capaz econsciente nas formas de uma cultura, até enfrentar a morte como a conclusão de suaexistência pessoal.Os indivíduos passam por diferentes etapas do ciclo de vida: a infância, a juventude, amaturidade, a velhice. A idade vai-se modificando ao longo do tempo e é essamodificação, concretizada em ciclos de vida, que determina estatutos e funçõesdiferentes para os indivíduos.A um ciclo familiar segue-se outro. Um ciclo é o fim da jornada de uma geração, a quese segue outra geração.O facto de que as pessoas vivem mais tempo faz com que os idosos se tornem umnúcleo da população relevante.A família atual entrecruza gerações.Exemplo:Netos (4.ª geração)Filhos (3.ª geração)Pais (2.ª geração)Avós (1.ª geração)Formação do casalFamília com filhos pequenosFamília com filhos na escolaFamília com filhos adolescentesFamília com filhos adultosMargarida Borges Pires Página 2
  • 3. Acompanhamento e Animação da Pessoa Idosa CEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela1.1 Velhice e tarefas do desenvolvimento psicológico As tarefas são básicas em cada sequência do ciclo de vida. Há uma expectativa social de que as pessoas em cada sequência cumpram com êxito as suas tarefas. Na última parte do ciclo também a pessoa idosa tem tarefas de desenvolvimento a cumprir, de modo a ser feliz e a ter qualidade na sua vida. Infância: Tarefa básica: Dominar a escrita e a leitura -» Servirá de instrumento para a sua independência, para uma comunicação mais ampla e efetiva, que posteriormente facilitarão as escolhas de formação e profissionalização, entre outras possibilidades. Adolescência: Tarefa básica: Formação pessoal, emancipação -» Relacionam-se com a fase anterior e prolongam-se para o período seguinte. Permite a autonomia e independência. Adulto: Tarefa básica: Responsabilidades cívicas e sociais; Estabelecer e manter um padrão económico de vida; Ajudar os filhos a serem futuros adultos responsáveis e felizes; Desenvolver atividades de lazer; Relacionamento com o marido ou mulher; Aceitar e ajustar-se às mudanças físicas da meia-idade e ajustar-se aos pais idosos. Velhice: Tarefa básica: Ajustar-se ao decréscimo da força e saúde; Ajustar-se à reforma; Ajustar-se à morte do marido ou da mulher; Estabelecer filiação a um grupo de pessoas idosas; Manter obrigações sociais e cívicas assim como investir no exercício físico satisfatórios para viver bem a velhice. Cumprir todas as tarefas é importante, como é importante também que os idosos contem com o apoio da família, da sociedade e dos profissionais que acuam na área. Dessa forma, ele poderá ter uma velhice bem sucedida e usufruir do prazer de ser e de viver, contribuindo para o bem de todos…1.2 Teorias sobre o envelhecimento psicossocial Teoria da continuidade: Afirma que o envelhecimento é uma parte integral e funcional do ciclo de vida. O indivíduo idoso tem todas as possibilidades de manter todos os seus hábitos de vida, preferências, experiências e compromissos construídos durante a vida. Teoria da atividade: Existe um consenso sobre a relação entre as atividades sociais e a satisfação vivida. Margarida Borges Pires Página 3
  • 4. Acompanhamento e Animação da Pessoa Idosa CEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela A velhice deve ser bem planeada e sucedida pressupondo a descoberta de novos papéis de modo a manter a autoestima para obter maior satisfação na vida. Tudo isto leva a hipótese de que a sociedade deve conservar a saúde valorizando o avançar da idade. Teoria da desinserção: O envelhecimento é acompanhado por um desmembrar entre o indivíduo e a sociedade. Quando a desinserção é geral, o indivíduo modifica o seu sistema de valores. A perda do papel que desempenha na sociedade, a perda de relações pessoais e sociais acabam por tornar-se situações rotineiras e normais. Verifica-se que a diminuição da satisfação da vida é proporcional à diminuição das atividades diárias. Fala-se do envelhecimento como se tratando de um estado tendencialmente classificado de “terceira idade” ou ainda “quarta idade”. No entanto, o envelhecimento não é um estado, mas sim um processo de degradação progressiva e diferencial. Ele afeta todos os seres vivos e o seu termo natural é a morte do organismo. É, assim, impossível datar o seu começo, porque de acordo com o nível no qual ele se situa (biológico, psicológico ou sociológico), a sua velocidade e gravidade variam de indivíduo para indivíduo.1.3 Teorias psicossociais de Eric Erickson, R. Peck e Buhler Eric Erickson (1950, 1982) Erickson propõe uma conceção de desenvolvimento em oito estádios psicossociais, perspetivados por sua vez em oito idades que decorrem desde o nascimento até à morte, pertencendo as quatro primeiras ao período de bebé e de infância, e as três últimas aos anos adultos e à velhice. Erickson dá especial importância ao período da adolescência, devido ao facto ser a transição entre a infância e a idade adulta, em que se verificam acontecimentos relevantes para a personalidade adulta. Na Teoria Psicossocial do Desenvolvimento, este desenvolvimento evolui em oito estádios. Os primeiros quatro estádios decorrem no período de bebé e da infância, e os últimos três durante a idade adulta e a velhice. Cada estádio contribui para a formação da personalidade total, sendo por isso todos importantes mesmo depois de se os atravessar. O núcleo de cada estádio é uma crise. A formação da identidade inicia-se nos primeiros quatro estádios. Erickson perspetivava o desenvolvimento tendo em conta aspetos de cunho biológico, individual e social. A teoria psicossocial em análise enfatizava o conceito de identidade, a qual se forma no 5º estádio, e o de crise que sem possuir um sentido dramático está presente em Margarida Borges Pires Página 4
  • 5. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelatodas as idades, sendo a forma como é resolvida determinante para resolver na vidafutura os conflitos.Margarida Borges Pires Página 5
  • 6. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela1. Confiança X Desconfiança (até um ano de idade): Durante o primeiro ano de vida acriança é substancialmente dependente das pessoas que cuidam dela, requerendocuidado quanto à alimentação, higiene, locomoção, aprendizado de palavras e seussignificados, bem como estimulação para perceber que existe um mundo emmovimento ao seu redor. O amadurecimento ocorrerá de forma equilibrada se acriança sentir que tem segurança e afeto, adquirindo confiança nas pessoas e nomundo.2. Autonomia X Vergonha e Dúvida (segundo e terceiro ano): Neste período a criançapassa a ter controlo de suas necessidades fisiológicas e responder por sua higienepessoal, o que dá a ela grande autonomia, confiança e liberdade para tentar novascoisas sem medo de errar. Se, no entanto, for criticada ou ridicularizada desenvolverávergonha e dúvida quanto a sua capacidade de ser autônoma, provocando uma voltaao estágio anterior, ou seja, a dependência.3. Iniciativa X Culpa (quarto e quinto ano): Durante este período a criança passa aperceber as diferenças sexuais, os papéis desempenhados por mulheres e homens nasua cultura entendendo de forma diferente o mundo que a cerca. Se a sua curiosidade“sexual” e intelectual, natural, for reprimida e castigada poderá desenvolversentimento de culpa e diminuir sua iniciativa de explorar novas situações ou de buscarnovos conhecimentos.4. Construtividade X Inferioridade (dos 6 aos 11 anos): Neste período a criança estásendo alfabetizada e frequentando a escola, o que propicia o convívio com pessoasque não são seus familiares, o que exigirá maior sociabilização, trabalho em conjunto,cooperatividade, e outras habilidades necessárias. Caso tenha dificuldades o própriogrupo irá criticá-la, passando a viver a inferioridade em vez da construtividade.5. Identidade X Confusão de Papéis (dos 12 aos 18 anos): O quinto estádio ganhacontornos diferentes devido à crise psicossocial que nele acontece, ou seja, IdentidadeVersus Confusão. Neste contexto o termo crise não possui uma aceção dramática, portratar-se de a algo pontual e localizado com pólos positivos e negativos.6. Intimidade X Isolamento (jovem adulto): Nesse momento o interesse, além deprofissional, gravita em torno da construção de relações profundas e duradouras,podendo vivenciar momentos de grande intimidade e entrega afetiva. Caso ocorrauma deceção a tendência será o isolamento temporário ou duradouro.7. Produtividade X Estagnação (meia idade): Pode aparecer uma dedicação à sociedadeà sua volta e realização de valiosas contribuições, ou grande preocupação com oconforto físico e material.8. Integridade X Desesperança (velhice): Se o envelhecimento ocorre com sentimentode produtividade e valorização do que foi vivido, sem arrependimentos e lamentaçõessobre oportunidades perdidas ou erros cometidos haverá integridade e ganhos, docontrário, um sentimento de tempo perdido e a impossibilidade de começar de novotrará tristeza e desesperança.Robert Peck (1955)Expande a teoria de Erickson, e descreve três ajustes psicológicos importantes para afase final da vida:1. Definições mais amplas do eu contra uma preocupação com papéis de trabalho –São aqueles que definiram suas vidas pelo trabalho, direcionando seu tempo àconquista de méritos profissionais pessoais;Margarida Borges Pires Página 6
  • 7. Acompanhamento e Animação da Pessoa Idosa CEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela 2. Superioridade do corpo contra preocupação com o corpo – Aqueles para quem o bem-estar físico é primordial à existência feliz poderá ficar mergulhadas no desespero ao enfrentarem a diminuição progressiva da saúde, com a chegada da terceira idade, e o surgimento das dores e limitações físicas. Peck afirma que ao longo da vida, as pessoas precisam cultivar faculdades mentais e sociais que cresçam com a idade; 3. Superioridade do eu contra uma preocupação com o eu – Provavelmente o mais duro e mais importante ajuste para o idoso seja a preocupação com a morte próxima. O reconhecimento do significado duradouro de tudo que fizeram ajudará a superar a preocupação com o eu, e continuarem a contribuir para o bem-estar próprio e dos outros. Buhler (1935) Estabeleceu uma diferença entre as vidas baseadas apenas na Vitalidade e Mentalidade. Através da sua teoria constata-se, portanto, que as pessoas se desenvolvem também após a juventude. “Uma pessoa permanece jovem na medida em que ainda é capaz de aprender, adquirir novos hábitos e tolerar contradições.” (Marie von Ebner-Escherbach)1.4 Do jovem adulto à meia-idade O jovem adulto vai desenvolver o seu “eu” e a maneira como vê o outro. Este desenvolvimento permite uma separação psicológica dos pais da infância e uma relativa autossuficiência no mundo adulto. Vai facilitar a relação de reciprocidade com os pais. Verifica-se o desenvolvimento de amizades adultas, mais difíceis de serem mantidas, diferentes daquelas da adolescência. Amizades com pessoas de diferentes idades e de diferentes estatutos sociais. Desenvolve-se a capacidade para a intimidade emocional e sexual. Aqui temos presente a crise já falada por Erickson (intimidade vs. isolamento). O jovem adulto poderá criar intimidade com outros. A vertente negativa é o isolamento de quem não Margarida Borges Pires Página 7
  • 8. Acompanhamento e Animação da Pessoa Idosa CEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela consegue partilhar afetos com intimidade nas relações privilegiadas. As virtudes básicas desta crise são o amor e a filiação. É neste idade que se tornam pai ou mãe em termos biológicos e psicológicos, isto é “engravidar até pode ser fácil; difícil é ser pai ou mãe). É nesta idade que se forma uma identidade profissional adulta, encontrando um lugar gratificante no mundo do trabalho. Dever-se-á desenvolver formas adultas de brincar, isto é, manter-se em contacto com “a criança de cada um de nós”. Não se deve esquecer que o brincar é a base do inventar, do criar, do descobrir, essenciais na atividade artística e científica. Toma-se consciência da limitação do tempo e da morte pessoal, de forma integrada.1.5 A meia-idade e as tarefas evolutivas Aceitação do corpo que envelhece; Aceitação da limitação do tempo e da morte pessoal; Manutenção da intimidade; Reavaliação dos relacionamentos; Relacionamentos com os filhos: deixar ir, atingir igualdade, integrar novos membros; Relação com seus pais: inversão de papéis, morte e individuação; Exercício do poder e posição: trabalho e papel de instrutor; Novos significativos, habilidades e objetivos dos jogos na meia-idade; Preparação para a velhice.1.6 Aspetos estruturais e funcionais da meia-idade Principais desenvolvimentos:  As mulheres entram na menopausa;  Ocorre certa deterioração da saúde física e declínio da resistência e perícia;  Sabedoria e capacidade de resolução de problemas práticos são acentuadas; capacidade de resolver novos problemas declina;  Senso de identidade continua a desenvolver-se;  Dupla responsabilidade de cuidar dos filhos e pais idosos pode causar stress;  Partida dos filhos tipicamente deixa o ninho vazio;  Para alguns, sucesso na carreira e ganhos atingem o máximo para outros ocorre um esgotamento profissional;  Busca do sentido da vida assume importância fundamental;  Para alguns, pode ocorrer a crise de meia-idade.  Alguns aspetos visíveis:  Rugas;  Cabelos brancos;  Redução da agilidade;  Redução da força física;  Falta de firmeza nas mãos e pernas;  Perda de sensibilidade no tato; Margarida Borges Pires Página 8
  • 9. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela  Diminuição da capacidade de audição;  Diminuição da capacidade de visão;  Alterações no olfato e paladar;  Voz torna-se mais fina;  A artéria coronária com o passar dos anos tende a estreitar, tornando-se em parte bloqueada. A inadequada circulação sanguínea no cérebro produz sérios distúrbios da personalidade em pessoas idosas.  Mudanças no sistema nervoso.  Redução da eficiência respiratória  Com o envelhecimento o tempo de reação torna-se mais lento e o idoso sofre algumas perdas de memória.  Envelhecimento psicológico:  No processo do envelhecimento as mudanças biológicas, causam grande impacto no psiquismo do indivíduo, modificando-lhe a sua autoimagem e determinando o seu ajustamento no meio envolvente.  O amor e respeito pelo mundo do indivíduo são fatores vitais para a preservação da identidade psicológica. Estes elementos são suficientes para o controlo das necessidades emocionais da pessoa idosa, no entanto nem sempre estão disponíveis, originando assim um problema. Deste modo é importante preservar um conjunto de valores na vida do idoso para que ele saiba ultrapassar os seus problemas. Fatores ligados ao acontecimento de vida Fatores ligados à história (variam de pessoa para pessoa Fatores ligados à idade (as (mudanças relativamente à sua mudanças biológicas que sociais, económicas e políticas ocorrência ou não, à sua ocorrem ao longo dos anos) que alteram as condições forma e ao momento em que concretas de vida das pessoas) ocorrem (ex. divórcio, reforma, doenças...) PROCESSO DE ENVELHECIMENTOMargarida Borges Pires Página 9
  • 10. Acompanhamento e Animação da Pessoa Idosa CEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela Podemos, ainda salientar que o envelhecimento se concretiza mediante três formas. O normal – ausência de patologia biológica e mental séria; O patológico – afetado por doença/ patologia grave; Envelhecimento ótimo/ bem-sucedido – sob condições favoráveis e propícias ao desenvolvimento psicológico. VELHICE – ASPECTOS SOCIAIS1.7 A velhice e a sociedade Velhice e envelhecimento: Conceitos e análise Mitos da velhice (início da velhice e aptidões da velhice; negatividades da velhice; isolamento e solidão na velhice) “A velhice hoje em dia dificilmente se pode comparar com um entardecer tranquilo.” É perfeitamente possível hoje em dia permanecer na terceira idade e ainda estar física e mentalmente ativo.” O conceito de velhice remete-nos, em primeira análise, para a noção de idade indiciando que a velhice se constitui num grupo de idade homogéneo. A idade não é um fator que pode, por si só, medir as transformações dependentes do envelhecimento. Acrescenta que as alterações surgidas com a idade dependem também do estilo de vida que cada um teve ao longo do seu percurso. As razões apontadas pela Organização Mundial de Saúde que fundamentam que a idade dos 65 anos e mais serve para definir as pessoas como idosas, vão no sentido de que com o avanço da idade, aumentam os riscos do sujeito, associando-os às modificações físicas, psíquicas e sociais influenciadas por fatores intrínsecos e extrínsecos ao sujeito. Identificamos os variados sentidos que o conceito idade pode assumir: - Idade cronológica como sendo a que se refere ao tempo que decorre entre o nascimento e o momento presente. O significado aqui atribuído dá-nos indicações sobre o período histórico vivido pela pessoa se, contudo, fornecer indicações prévias sobre o estado de evolução da mesma; - Idade jurídica que corresponde à necessidade social de estabelecer normas de conduta e determinar qual a idade em que o sujeito adquire determinados direitos e deveres perante a sociedade; - Idade física e biológica que tem em conta o ritmo a que cada indivíduo envelhece; - Idade psicoafectiva que reflete a personalidade e as emoções de um sujeito, não tendo esta limites em função da idade cronológica; Margarida Borges Pires Página 10
  • 11. Acompanhamento e Animação da Pessoa Idosa CEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela - Idade social, relacionada à sucessão de papéis que a sociedade atribui a uma pessoa e que corresponde às suas condições socioeconómicas. Associando os fundamentos destas definições constatamos que todas elas incluem, na sua definição, a influência que a interação do sujeito tem com os padrões de vida que o rodeia e socializa. O fator idade não serve para esclarecer quem é velho e quem o não é. Algumas expressões usadas no domínio comum da sociedade ocidental mostram a dificuldade em romper com os preconceitos: “Tenho rugas, estou a ficar velho…” “Já não tenho força para nada.” “Os anos vão passando.” “Não fazem nada e estão a tirar o lugar aos mais novos.” “O trabalho não anda, estão todos velhos.” “A juventude, de hoje, não sabe nada. No nosso tempo é que era…” De uma maneira geral, a sociedade vê a velhice como uma fase de declínio intelectual (“a memória está fraca”, uma fase na qual a demência se instala (estado de confusão, esquecimento e mudanças na personalidade irreversível). É uma fase na qual há uma mudança de estatuto – a reforma. Isto significa mais tempo livre ou a adoção de novos papéis e uma nova realidade física, económica e social. As mudanças corporais características da velhice são: Aparência física/ cor do cabelo cinzenta/ branca; Órgãos dos sentidos (défice auditivo sobretudo no homem, diminuição da capacidade de focalização dos objetos e outros); Músculos, osso e mobilidade (diminuição do peso e tonicidade muscular, diminuição da altura, aparecimento de osteoporose, etc.) Órgãos internos (diminuição da capacidade de funcionamento do coração pela perda da tonicidade muscular e ainda modificação do sistema imunitário, dado o declínio na produção de anticorpos). Diversos problemas cognitivos aparecem na velhice e poderão não ser reflexo da idade, mas de fatores, tais como: depressão, inatividade, efeitos secundários de medicação, isolamento social, pobreza, falta de motivação, falta de cuidados pessoais. No passado eram os mais velhos que desempenhavam o papel de formadores na transmissão de experiências e conhecimento. Estas expressões sobre a velhice representam um fenómeno recente, associado às transformações económicas e sociais provocadas pela Revolução Industrial com início no séc. XVIII. As pessoas mais velhas transmitiam a sabedoria, a experiência inerente aos modos de produção (ensinavam um ofício aos mais novos). Margarida Borges Pires Página 11
  • 12. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaApós a Revolução Industrial, com o aumento da longevidade, associado aodesenvolvimento científico e tecnológico, os idosos tornou-se um peso, um obstáculoe um encargo. Com a ajuda da medicina, atualmente a terceira idade é uma parteconsiderável da população.A partir daqui a função social da família perdeu importância dando lugar aoaparecimento de um grupo de idade – os mais velhos – reconduzindo-o para umestatuto de inutilidade.A velhice torna-se visível e de expressão pública. Coloca-se, assim, a questão de sabercomo e quem assume a responsabilidade deste grupo etário, passando a ser encaradocomo um fenómeno social passível de resposta sociais.A longevidade deve-se à melhoria da qualidade das condições económicas e sociais eao aumento dos níveis gerais de higiene e saúde.Período Longevidade atual Longevidade futuraDa infância à puberdade 0 – 20 Anos 0- 30 AnosJovens adultos 20 – 40 Anos 30 – 60 AnosIdade madura 40 – 60 Anos 60 – 100 AnosIdoso A partir dos 65 anos 100 – 120 Anos1.8 Mitos da velhiceNoções:Estereótipo -» Os estereótipos são crenças socialmentecompartilhadas a respeito dos membros de umacategoria social, que se referem a suposições sobre ahomogeneidade grupal e aos padrões comuns decomportamento dos indivíduos que pertencem a ummesmo grupo social. Sustentam-se em teorias implícitassobre os fatores que determinam os padrões deconduta dos indivíduos, cuja expressão mais evidenteencontra-se na aplicação de julgamentos categóricos,que usualmente se fundamentam em suposições sobre a existência de essências outraços psicológicos intercambiáveis entre os membros de uma mesma categoria social.Estigma social -» é uma forte desaprovação de características ou crenças pessoais quevão contra normas culturais. Estigmas sociais frequentemente levam à marginalização.Vários mitos até hoje cercam a condição da velhice. Dentre eles: “Mito da Senilidade" - Supõe que a velhice e a enfermidade andam juntas. A maioria da população anciã é considerada com uma saúde incapacitada,Margarida Borges Pires Página 12
  • 13. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela associando velhice com senilidade ou deterioração mental. A velhice precisa ser vista como parte do ciclo vital e que o envelhecimento começa logo após o nascimento. As limitações não são enfermidades. “Mito do Isolamento Social” - Acredita ser a exclusão, o repouso, a solidão, o melhor para a vida do idoso. Existe aqui uma confusão que mistura o fato de um idoso não poder mais realizar tarefas produtivas e remuneradas como se esta fosse a única forma de interação social que se pode produzir. “Mito da Inutilidade” - Nasce de uma sociedade capitalista onde as pessoas valem pelo que elas produzem e pelo que elas conseguem possuir em função disto. É um mito totalmente baseado na produção material e na ganância. “Mito da Pouca Criatividade e da Capacidade Para Aprender” - Afirma que as pessoas em idade avançada não têm mais capacidade. É certo que os idosos contam com maior lentidão e não possuem mais tanta atenção, memória e agilidade. Porém são capazes de aprender muito, o que se necessita é criar outras formas de ensino que se voltem para as necessidades e habilidades anciãs. Não se pode querer de um ancião que aprenda como uma criança ou um jovem. “Mito da Assexualidade” - nasceu de tabus culturais e de atitudes de muitos profissionais. As pessoas velhas são julgadas como carentes de desejos sexuais e, no caso de manifestarem este desejo, são tidas como anormais. Se julga que a sexualidade e as relações sexuais estejam reservadas para os jovens e geralmente sexualidade é confundida com genitália, e não vista como uma dimensão do ser humano que está presente sempre.Um conceito mais recente que define a velhice como uma fase do processo evolutivo,vem substituindo na maioria das sociedades o antigo significado do envelhecer,conceito que trazia toda uma carga de negatividade. A velhice não se constituía objeto de preocupação social, antes, os idosos eram tratados com atitudes filantrópicas e benevolentes com o intento de ocultar os valores negativos que a sociedade que se modernizava lhe impunha. Considerava-se o idoso como alguém que existiu no passado, que realizou o seu percurso psicossocial e espera o momento fatídico para sair da cena do mundo.Atualmente, a velhice passa a ser objeto de cuidado e atenção especiais, que eramcertamente inexistentes nos últimos dois séculos. A mudança que se observa nasrelações que a sociedade estabelece com a velhice, não se verifica apenas pelamudança de valores, mas pelo aumento da esperança de vida devido ao progresso damedicina que com todo o seu aparato tecnológico enfrenta as doenças crónicasMargarida Borges Pires Página 13
  • 14. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelafavorecendo a longevidade e contribuindo dessa forma como um dos fatores para oaumento significativo da população idosa, principalmente nos países jovens.O aumento da faixa populacional considerada idosa tem exigido das sociedades e dopoder público um novo e sensível olhar sob a forma de investimento em políticassociais que contemplem o idoso em suas necessidades bio psicossociais.A sociedade e o estado não podem mais ignorar o idoso, que se tornou ator na cenapolítica e social, redefinindo imagens estereotipadas nas quais a velhice apareceassociada à solidão, doença, viuvez e morte, enfatizando essa fase de vida como umacondição desfavorável, muitas vezes indesejada.Uma iniciativa que aqui, como em outros países se vem fomentando são asUniversidades Abertas da Terceira Idade, instituições públicas e privadas que têmtrazido para dentro de seus espaços um número cada vez maior de idosos queprocuram retomar o seu lugar na sociedade, participando como sujeitos de saber enão apenas como objetos de estudo.Vários são os preconceitos, mitos e ideias erróneas sobre o envelhecer que somados àsmudanças, perdas e incertezas que acompanham esta etapa da vida, transformam-seem verdadeiros "Fantasmas do Envelhecer". Isso dificulta a relação das pessoas comessa nova imagem, levando-as a rejeitar o envelhecimento como um "processodinâmico, gradual, natural e inevitável.Outro preconceito que dificulta ao idoso lidar com o processo de envelhecimento é aassociação de velhice à enfermidade. Nesse sentido, é importante lembrar que oenvelhecimento é um processo individual, único, influenciado pela históriabiopsicossocial do indivíduo.Mas são poucas as enfermidades próprias do envelhecer, a pessoa que envelheceadoece como qualquer outro. O que se recomenda é uma maior atenção à sua saúdefísica e psíquica e o estímulo ao autocuidado uma vez que as suas defesas estãodiminuídas, ocorrendo maior exposição às doenças.A ideia de enfermidade incorporada ao imaginário da pessoa que envelhece, leva-a aperceber-se doente e incapaz, a resignar-se com este estado, negando-se a aceitar oslimites naturais e resistindo assim a descobrir formas mais saudáveis de conviver comeles.Na medida em que se oferece ao idoso e à sociedade em geral informações sobre oprocesso natural do envelhecimento e alternativas para um envelhecer ativo, esseimaginário vai-se modificando. Essa é uma tarefa que deve desafiar toda essapopulação de idosos que ingressa nesse novo século.Baseada nas modificações intelectuais que podem ocorrer com o envelhecimentoprincipalmente em relação à memória, tem-se a falsa ideia de que há uma completadeterioração das funções cognitivas, perdendo assim, o idoso a sua capacidade deaprendizagem. Este preconceito tem suas raízes também numa visão ainda hojedeturpada da educação que se destina aos jovens com o objetivo de os preparar paraMargarida Borges Pires Página 14
  • 15. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelacompetir no mercado de trabalho, isto é, para produzir. Por isso, parece tão estranho afigura do idoso ocupando um lugar nas salas de aula, nas oficinas, disputando vagasnas universidades e até mesmo no mercado de trabalho.É certo, conforme mostram os estudos sobre este aspeto do envelhecimento, que acapacidade de aprender na idade mais avançada não é a mesma que na juventude,porém mais uma vez é preciso retomar o conceito de "diferente" ao qual nosreferimos antes para aceitar a ideia de que os idosos continuam a aprender de outraforma, com outro ritmo, com outros interesses.O preconceito em relação à sexualidade é um dos que mais pesam sobre a pessoa queenvelhece. Dois fatores que influenciam estas crenças: a dificuldade em distinguir sexualidade e genitalidade; que a sexualidade é própria para a juventude.Uma das formas de reconhecimento do corpo relaciona-se com as primeirasexperiências de contato do bebé com a mãe o que influencia na aceitação da imagemcorporal e na perceção do corpo como fonte de prazer. Ao envelhecer a imagem dessecorpo dececiona na medida em que supõe uma desilusão no outro. Isto provoca umtrauma que é agravado ainda mais pela cultura de valorização da estética e da imagemfísica como se vê atualmente. Daí a importância de resgatar outros "códigos percetivose sensoriais" como o código tátil e do contato com o próprio corpo e o do semelhante.A imagem corporal desfavorável de si influencia a atividade sexual e como nos mostraSimone de Beauvoir,"Uma outra barreira é a pressão da opinião". A pessoa idosa dobra-se ao idealconvencional que lhe é proposto. Teme o escândalo, ou simplesmente o ridículo. Torna-se escrava d’ "o que vão dizer". Interioriza as obrigações de decência e de castidadeimpostas pela sociedade. Seus próprios desejos a envergonham, e ela os nega "...(Beauvoir, 1990, p.393)".Sabemos que as modificações fisiológicas que ocorrem com o envelhecimentocontribuem para a diminuição das respostas aos estímulos como a ereção do pénis, alubrificação da vagina e outras. O desejo, a capacidade de excitar-se e alcançar oorgasmo mantêm-se, por toda a vida numa pessoa saudável, orgânica epsicologicamente.A mulher que sempre foi vítima dos mitos e ideias erróneas sobre a menstruação, agravidez e o parto e cuja educação rígida a impediu de viver o prazer, vê -se nessa faseda vida, impedida, pela família e pela sociedade, de exercer o direito à suasexualidade. Torna-se assexuada. Embora se saiba que "biologicamente a sexualidadeda mulher é menos atingida pela velhice do que a do homem" (Beauvoir, 1990, p.425),para elas, chegar à menopausa significa não só parar de reproduzir, mas, abdicar detoda possibilidade de prazer.Quanto ao homem, a quem foi dado todo o direito ao sexo, envelhecer significadiminuir o seu poder e isto torna-se mais penoso para ele do que para a mulher. Paraambos, sob pena de serem vistos como anormais, desejo, prazer, atividade sexual,Margarida Borges Pires Página 15
  • 16. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelaestão proibidos negando a sexualidade como uma função humana que está presenteem todas as fases do desenvolvimento com características diferentes em cada umadelas.A aceitação das mudanças e a busca de informações sobre o envelhecimento ajudam adiminuir a influência negativa dos preconceitos sobre a sexualidade uma vez que estestêm mais poder de interferência do que as modificações decorrentes da idade.Para muitas pessoas o fato de o idoso evocar as suas lembranças é sinal de que as suasfunções intelectuais estão a entrar em deterioração."A reminiscência permite recordar pensando ou relatando fatos, atos ou vivências dopassado. É uma atividade psíquica universal, necessária na velhice porque favorece aintegração do passado ao presente, reforçando a identidade. Propicia exercitar amemória, resignificar a vida e ajuda a manter a memória coletiva". Portanto, “recordaré um processo vital, normal e saudável do envelhecer" diz Viguera.Margarida Borges Pires Página 16
  • 17. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela Mito Fato • Imagem negativa da velhice. • A velhice é uma etapa vital peculiar. Existem velhos • Frequentemente associada à ativos, sadios, participantes. doença, morte, improdutividade, dependência, decadência e • Doença, inatividade e morte pode ocorrer em qualquer faixa solidão. etária. • Criança para brincar, adulto para trabalhar e o velho para • Todas as idades, todas as funções. Projeto de vida não só para descansar. "Não é para a senhora fazer nada, tem que descansar, nem para viver só por coisas fúteis. O velho pode descansar..." brincar, trabalhar e descansar. • A memória e a inteligência diminuem com a idade. "Demente..." • Não diminuem necessariamente, mas modificam-se. Necessidade • O velho não aprende, é desatento, não presta atenção a nada. de exercitar a memória continuamente. Produção "Caduco..." intelectual, artística, empresarial, social, religiosa, pessoas com • Velho assexuado, perde o interesse e a capacidade sexual. mais de 65 anos. "Velho depravado / velha assanhada..." • Apreendem e prestam atenção ao que lhes interessa, ao que • Velho não tem futuro. Já deu o que tinha que dar. "Isso não é corresponde às suas necessidades, aos seus anseios. Existem mais para mim..." velhos que ocntinuam a produzir a nível económico, social, cultutal e artístico. • Velho volta a ser criança. "Agora ela é que é a minha filha. É o meu bebé..." • Relações sexuais mantidas. Ocorre redução da frequência, falta de interesse, de parceiros. • O velho só deve conviver com velho. • As pessoas devem preparar-se para envelhecer, fazer planos e • O velho vive do passado. "No meu tempo..." "Não é do meu projetos. O projeto da vida pressupõe tempo..." criatividade, autonomia, educação permanente. • O velho é uma pessoas que envelheceu, com a sua história de vida, o seu passado, tem um presente, e é necessário construir um futuro sem anular as outras etapas da vida. A maioria das pessoas veem a velhice, desconsiderando toda uma história de vida. • Laços de amizade fazem bem ao corpo e alma. O ser humano é um ser social. Grupos da terceira idade, grupos da igreja, centros de convivência são importantes. Mas não deve ocorrer só entre idosos, existe a necessidade do entrelaçamento de gerações. • Muitas vezes o presente e o futuro não são promissores. Como competir com a a tecnologia e o mundo globalizado? No entanto é possível a pessoa idosa manter-se atualizada, adaptar-se a diferentes situações.Margarida Borges Pires Página 17
  • 18. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaA qualidade de vida dos idosos sofre os efeitos de numerosos fatores, entre eles opreconceito dos profissionais, familiares e dos próprios idosos em relação à velhice.Há, assim, a necessidade de trabalhar esses mitos desde a infância, através dos meiosde comunicação social, nas escolas, nas famílias.“É fundamental estimular ações que promovam educação gerontológica continuada,visando combater a maior forma de violência: o Preconceito contra a Velhice. Só assimserá possível construir uma sociedade livre de discriminação, negligência, maus tratos,exploração e opressão.” (Machado & Queiroz, 2002)1.9 Representações da morte Morte pode ser definida como sendo o cessar irreversível de: 1. do funcionamento de todas as células, tecidos e órgãos; 2. do fluxo espontâneo de todos os fluídos, incluindo o ar (“último suspiro”) e o sangue; 3. do funcionamento do coração e pulmões; 4. do funcionamento espontâneo de coração e pulmões; 5. do funcionamento espontâneo de todo o cérebro, incluindo o tronco cerebral (morte encefálica); 6. do funcionamento completo das porções superiores do cérebro (neocórtex); 7. do funcionamento quase completo do neocórtex; 8. da capacidade corporal da consciência.Podemos considerar a morte como a maior das crises que o homem enfrenta. Todosnós enfrentamos crises, algumas superáveis outras não e embora estejam semprepresentes há uma diferença que interfere na possibilidade de seu enfrentamento; naterceira idade as perdas aceleram-se, sendo que o tempo para superá-las é menor.Pode ocorrer, no entanto, o idoso sentir-se incapacitado ou frágil para enfrentá-lasinstalando-se assim uma crise mais séria. Mesmo considerando que envelhecer eadoecer não sejam sinónimos, não podemos ignorar que determinadas enfermidadessão mais frequentes em idosos. Existem as doenças psicossomáticas e ainda asmodificações orgânicas que não são doenças, ou seja, rugas, cabelos brancos, pós-menopausa, postura encurvada, reflexos mais lentos, tudo isto se reflete naautoestima. Todos os conflitos gerados por estas situações, geram a preferência pelamorte em detrimento da dor física ou psíquica. Como se não bastasse há ainda opreconceito contra o envelhecimento, o sentimento de ser um fardo pesado a alguém.A sensação de perdas das pessoas que se ama, da beleza, do vigor, da saúde, dautilidade gera a imagem do “espelho quebrado”.Aspetos sociológicos: Nas sociedades primitivas os idosos eram venerados, fonte desabedoria e experiência, hoje houve inversão de valores, os idosos são marginalizadose perdem sua valorização social. A sociedade vem assistindo mudanças em relação àMargarida Borges Pires Página 18
  • 19. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelaimagem do idoso. Em parte, devido ao aumento da expectativa de vida e os problemasdecorrentes do despreparo quanto a que atitudes devem ser tomadas tanto no que dizrespeito a aspetos sociais de atenção a saúde como a um sistema previdenciário queos apoie. Atitudes preconceituosas têm feito da terceira idade um fardo aos que apossuem. O ideal não é simplesmente prolongar a vida como a ciência tem feito, masque haja condições favoráveis a uma vida digna onde não haja omissão quanto àscondições do idoso. A verdade é que a velhice não é um problema social, mas a formacom que a sociedade tem lidado com ela tem trazido problemas sociais. Apossibilidade de ações multidimensionais, tendo em vista as características da velhicee das suas determinantes biopsicossociais assustam-nos, principalmente a partir domomento da nossa conscientização de que também passaremos por esse processo quenos coloca a uma pequena distância da morte, responsável por nos banir de umasociedade que pensamos depender de nós, mas que nos transcende. A morte biológicasignifica o fim do organismo humano, mas o ser social só deixa de existir a partir domomento em que uma série de cerimónias de despedida é realizada e a sociedadereafirma a sua continuidade sem ele. Existe grande diferença entre conceitos pensadoscomo sinónimos. Envelhecimento, idoso e velhice distinguem-se quanto aos seusaspetos. O envelhecimento é o processo que ocorre durante o curso da vida, onde hámodificações biológicas, psicológicas e sociais. O ser humano modifica-sesomaticamente do nascimento até a morte. O idoso geralmente é especificado pelotempo cronológico, mas existem questões físicas, funcionais, mentais e de saúde quepodem influenciar. O idoso é o resultado do processo de desenvolvimento, do seucurso de vida. Faz parte de uma consciência coletiva. A velhice é a última fase doprocesso de envelhecimento. É um conceito abstrato, sendo impossível delimitá-la emtempo ou em características.Cada pessoa teme mais um certo aspeto da morte. Afirma-se que se deve considerar amorte sob duas conceções: 1. A morte do outro: o medo do abandono, envolvendo a consciência da ausência e da separação. 2. A própria morte. A consciência da própria finitude, a fantasia de como será o fim e quando ocorrerá.Ao pensar a sua morte, cada pessoa pode relacioná-la a um dos seguintes aspetos: a) Medo de morrer: Quanto à própria morte, surge o medo do sofrimento e da indignidade pessoal. Em relação à morte do outro é difícil ver o seu sofrimento e desintegração, o que origina sentimentos de impotência por não se poder fazer nada. b) Medo do que vem após a morte: Diante da própria morte existe a ameaça do desconhecido, o medo de não ser e o medo básico da própria extinção. EmMargarida Borges Pires Página 19
  • 20. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela relação ao outro, a extinção evoca a vulnerabilidade pela sensação de abandono.O que parece mais temido na morte depende da época de vida de cada um e dascircunstâncias do momento como, por exemplo: o perigo eminente devido a situaçõesexternas de guerras, crimes, violência; perturbações internas que ameaçam o sujeito,como medos e fobias, ou mesmo a morte de alguém.Para alguns a morte amedronta, pois é vista como fim ou como perda da consciênciaidêntica ao adormecer, desmaiar ou perder o controlo. O medo da morte pode contertambém o medo da solidão, da separação de quem se ama, o medo do desconhecido,o medo do julgamento pelos atos terrenos, o medo que possa ocorrer aosdependentes, o medo da interrupção dos planos e fracasso em realizar os objetivosmais importantes da pessoa. São tantos os medos, que algum sem dúvida faz parte danossa vida.Os fatores que mais influenciam, no sentido de conter o medo da morte, são: amaturidade psicológica do indivíduo, a sua capacidade de enfrentamento, a orientaçãoe o envolvimento religiosos que possa ter e a sua própria idade.Resumo: Momento trágico (viuvez, reforma, etc.) Rutura a nível pessoal, familiar e social Dificuldade em adaptar-se Espera emocional negativa (desilusão com a vida, insónias, depressão) Alteração do grupo de amigos A velhice traz consigo a perspetiva de morte. Mesmo com o aumento da esperança de vida é sempre um período finito. Esta finitude passa a ser mais consciente com a chegada da velhice. A perda de amigos, familiares e de pessoas de referência social reforça esta caraterística. Quando existe uma doença grave, ou outra condição de saúde, incluindo aspetos físicos, mentais e sociais que gera sofrimento, a morte passa a ser não só uma probabilidade mas também uma alternativa.Margarida Borges Pires Página 20
  • 21. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela1.10 Problemas sociais da velhice1.11 A pessoa idosa no final do séc. XXO envelhecimento tornou-se uma questão social e urgente.Nas últimas décadas, os avanços da medicina e a melhoria da qualidade de vidacontribuíram para o aumento da expectativa de vida da população. Esta situaçãomodificou a pirâmide etária, que se estreitou na base (infância e adolescência), e sealargou no topo (velhice), pelo aumento da expectativa de vida e a diminuição damortalidade infantil.Contudo, a modernidade é paradoxal: ao mesmo tempo que a expectativa de vidaaumenta, os idosos vivem num mundo estranho para eles. Além de preparar os idosospara essa nova configuração social, a sociedade deve-se reestruturar e reeducar-separa recebê-los.A representação da pessoa idosa sofreu modificações através da história devido àsmudanças sociais que reivindicavam políticas sociais para a velhice e a criação denovas categorias adaptadas à condição moral e “ética” do velho. No séc. XIX, naFrança, a velhice caracterizava as pessoas que não podiam assegurar o futurofinanceiro, sendo designadas de acordo com a sua posição social: “velho” ou “velhote”para os despossuídos que não podiam vender o seu trabalho; e “idosos” para aquelescom prestígio e posses.Hoje, a representação da velhice é marcada pela inserção do indivíduo de mais idadena produção, estando vinculada à invalidez e à incapacidade de produzir. O termo“velho”, na maioria das vezes, está carregado de conotações negativas, sendoempregado para reforçar a exclusão social daqueles que não produzem mais dentrodos moldes das sociedades capitalistas.A partir dos anos 60, mudanças em França tornaram os vocábulos “velho” e “velhote”pejorativos, sendo suprimidos dos textos oficiais e substituídos pelo termo “idoso”,transformando a representação das pessoas mais envelhecidas.Margarida Borges Pires Página 21
  • 22. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaSurge, então, um novo vocábulo para designar o grupo: a “terceira idade”, etapainterposta entre a reforma e a velhice. Entretanto, a colocação de todos os idosos sobo rótulo de terceira idade tem criado novos recortes como o “velho jovem” e o “jovemvelho”. A terceira idade torna-se categoria classificatória de uma classe heterogénea,mascarando a realidade social.Assim, constatando-se o prolongamento da vida sem a melhoria das suas condições,torna-se o idoso um estorvo social face à economia capitalista.As categorias de idade são construções histórico-sociais. A “terceira idade”, por ex., éuma criação das sociedades ocidentais contemporâneas, implicando na criação de umanova etapa de vida, acompanhada de agentes, instituições e mercados especializados.Os recortes de idade trazem a associação de práticas sociais. Estabelecem direitos edeveres, definem diferenças entre gerações, distribuem poder e privilégios, o quepode ser percebido na idade para entrada e saída do mercado de trabalho, para votar,para casar, para morrer (socialmente), para estudar, etc.A idade geracional, por ex., estabelece-se culturalmente, independentemente daestrutura biológica e dos estádios de maturidade. A ideia de gerações supõe pessoas que vivenciaram as mesmas épocas, e a mudança de geração implica mudanças de comportamento, na produção de uma memória coletiva e construção de uma tradição. Os idosos ativos, através das suas práticas sociais, contribuem para essa mudança de comportamento e criação de uma memória coletiva, a serviço da resistência à velhice e aoestigma do “velho” improdutivo e dependente.Numa cultura estruturada no modo produtivo, a saída do mercado de trabalhomodifica radicalmente a vida das pessoas, diminuindo-se obrigações trabalhistas efamiliares, seguindo-se mais rápido em direção à velhice social. Com a criação dareforma, o ciclo de vida é modificado em três etapas: a infância e adolescência (tempode formação), a idade adulta (tempo de produção) e a velhice (tempo de repouso).A reforma pode ser recebida de diferentes formas pelos idosos: uns aceitam-na comorecompensa pelos anos em que trabalharam, outros recebem-na de forma negativa,associando-a ao afastamento social e à perda do papel produtivo, tornando-se umsintoma social do envelhecimento.Na sociedade atual, prega-se o respeito aos mais velhos enquanto se exige deles umlugar para os jovens na produção, pois a valorização do profissional é proporcional àsua juventude e capacidade de produção.Afastando-se do processo produtivo, o idoso torna-se responsabilidade do Estado quelhe paga a reforma.Margarida Borges Pires Página 22
  • 23. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaNovas estratégias para a transição para a reforma precisam de ser criadas com oobjetivo de preparar as pessoas para a mudança, de forma a se programarem paraalcançar novos projetos de vida após a reforma.A velhice, na sociedade industrial capitalista, tem ficado à margem dos interessesprodutivos. O idoso tem sido rejeitado, e somente aqueles com prestígio social e declasses favorecidas podem esquivar-se da marginalidade social através dos seus bensacumulados. Ser idoso neste contexto é lutar para continuar a ser homem, parasobreviver, sendo impedido de lembrar e ao mesmo tempo sofrendo as adversidadesde um ser que gradualmente se desagrega.A sociedade industrial atribui à velhice a manutenção de papéis sociais do passado,relacionados à força produtiva, e que não correspondem mais ao idoso. Nestasociedade, os idosos não podem errar. Deles esperamos infinita tolerância, perdão, ouuma abnegação servil para a família. Momentos de cólera, de esquecimento, defraqueza são duramente cobrados aos idosos e podem ser o início do seu banimentodo grupo familiar.Na velhice, a dificuldade de realizar tarefas fica evidente: as distâncias mais longas, asescadas mais difíceis de subir, as ruas mais perigosas para atravessar. O mundo torna-se uma ameaça e falhas são condenadas, tornando o idoso inseguro, com medo dasolidão e da marginalização social.A relação dos familiares com o idoso também se modificou. Representado como frágil,é poupado de discussões e decisões familiares. Desta forma, é-lhe negado apossibilidade de conflito através da abdicação do diálogo. Isto contribui para que elereclame do abandono dos filhos e sinta-se banido e rejeitado.Conscientizar-se de que envelhecer é um processo natural não significa aceitar avelhice. Poucos são os idosos que conservam a jovialidade do espírito, a alegria deestar vivo, a esperança no futuro, sem revoltar-se com a nova situação.Os valores juvenis hoje difundidos têm feito com que o idoso se sinta inútil eindesejado, tornando-se depressivo, ansioso, introspetivo e reflexivo, pensando notempo que falta viver. A velhice torna-se ruína, uma vez que não se conserva ospadrões de juventude eternamente.Tudo isto leva à criação de estereótipos que caracterizam o envelhecimento: serimprodutivo, incapaz de aprender, doente, exigindo cuidados, inferior ao jovem. Istocria um abismo e um conflito de gerações entre jovens e idosos.O homem tende a abandonar o espaço do trabalho para o espaço doméstico, a mulhertende a se adaptar melhor à velhice, pois não se afasta tanto da esfera privada do lar.Elas tendem a conceber a velhice com tranquilidade, liberdade e felicidade, sem aautoridade comum dos maridos, e sem preocupação com o espaço público. Para eles,a velhice tende a traduzir-se pela desobrigação do trabalho, possibilidade de desfrutee lazer.Margarida Borges Pires Página 23
  • 24. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaHomens tendem a avaliar a sua idade pela produção no trabalho e as mudanças nasaúde, enquanto as mulheres a avaliam de acordo com as mudanças no núcleo familiar(saída dos filhos, chegada dos netos, etc.).Na velhice é preciso saber refletir sobre o vivido, assumindo novas posturas, como oresgate de valores e modos de viver ainda não assumidos; o rompimento de rotinas, aretomada de planos de vida incompletos; o resgate de desejos pessoais; o retorno àsemoções e sentimentos; e a reconstrução da identidade pessoal e social com base emnovos interesses e motivações. A vida é um “jogo de ganhos e perdas” e o problema davelhice tem sido não saber tirar proveito desse jogo, pois ao interpretar a vida, emcompreender o outro, em ser sensível e em perceber o que é essencial, em descobrirhabilidades, e em dedicar-se ao outro. Envelhecer não é seguir um caminho já traçadomas, pelo contrário, construí-lo permanentemente.Em função das suas representações sociais sobre a velhice, idosos assumem práticassociais que valorizam ou não a si mesmos. Para uns, ser idoso é começar a adoecer,não ver bem, esquecer tudo, deprimir-se, sentir-se inferior e perder o entusiasmo pelavida. Para outros, é tempo de novas experiências e conquistas, de convívio comamigos, viagens, ajuda aos outros e desenvolvimento de capacidades.1.12 Mudanças de atitudes do idoso frente a velhiceHoje, interesses em como viver o máximo possível, morrer dignamente, encontrarauxílio no envelhecimento, participar de decisões da comunidade e família, eprolongar o respeito e autoridade, são comuns e observados entre os idosos. Estesinteresses configuram uma nova postura em relação ao envelhecimento através daparticipação em causas que deem significado à vida.A década de 90 ofereceu um novo tipo de poder aos idosos. Por exemplo, os novosvalores sobre a saúde, qualidade de vida e longevidade. A velhice tornou-se uminvestimento. Idosos com boa situação económica têm mais tempo livre para desfrutara vida, passando a encarar a velhice positivamente. Os idosos são libertados dasobrigações familiares e ocupacionais, e, por outro lado, têm oportunidades paradesfrute próprio, oportunidade de autoconstrução, de busca de independência emelhoria da qualidade de vida.A imagem do avô contador de histórias é cada vez menos aparente. Hoje, um homemde 50 ou 60 anos não é idoso, pensamento comum décadas atrás. A capacidade deação, autonomia nos cuidados consigo mesmo, participação social e disposição paranovos projetos estão a modificar valores, e os idosos são valorizados pelas capacidadesde ação e jovialidade. A palavra de ordem é a prevenção do envelhecimento najuventude.Um novo estilo de vida surge entre os idosos. Eles preocupam-se com a dieta, ovestuário, a aparência corporal e a atualização com o que acontece no mundo. Hojeestá a surgir um novo idoso. Através de uma postura mais ativa, o idoso redireciona avida e a procura novidades que proporcionam satisfação e o valorizam socialmente.O grande desafio da velhice é aceitar-se a si mesmo, despojando-se de estereótipossociais impostos, não temendo o aparecimento dos primeiros fios de cabelos brancos,Margarida Borges Pires Página 24
  • 25. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelapois a velhice é inerente à existência. Devemos viver a nossa temporalidade, não nossubmetendo a uma cronologia medida artificialmente através dos rótulos. O homem éum ser inevitavelmente direcionado para morrer, o que o faz atuar na sociedade demaneira envolvente, até atingir a velhice, quando a liberdade do deixar estáplenamente desenvolvida.1.13 Envelhecimento ativoNoção: É a capacidade das pessoas que avançam em idade terem uma vida produtivana sociedade e na economia que quer dizer que possam determinar a forma comoreparam o tempo entre as atividades de aprendizagem, o trabalho, o lazer e os cuidados a outros. Assenta na possibilidade de os indivíduos poderem optar por manter uma atividade remunerada ou não. O projeto de uma vida adulta prolongada revela- se um desafio pessoal – quem sou eu, onde estou, para onde vou. Exige esforço, é expressão de liberdade e de autonomia, está associado ao conceito de progresso, tenta controlar o futuro, altera a perceção do tempo e permite encarar a realidade como relacional.Foram identificados comportamentos que classificaram como mais favoráveis, quer àreconstrução dos laços sociais, quer dos papéis e dos estatutos, com efeitos positivosno envelhecimento e na prevenção dos riscos: riscos sociais (isolamento e solidão);riscos ambientais (barreiras, habitação desadequada); riscos de saúde (incapacidades edependências). Agrupam-se em dois grandes grupos: Internos (autoestima, capacidadede relação com os outros, satisfação pessoal) e externos (rendimentos, redes deinserção, acesso à tecnologia, acesso aos cuidados de saúde, a serviços deproximidade).O envelhecimento ativo tem representado uma estratégia de governação dos sistemasde segurança social, de forma a retardar e/ou a evitar as saídas precoces do mercadode trabalho.Em relação à evolução dos pensionistas de velhice, no caso português, no horizonte1990-2020, as estimativas apontam para um aumento de cerca de 60% deste grupo, aomesmo tempo que os pensionistas de sobrevivência apontam 100%.As múltiplas questões a enfrentar, decorrentes das mudanças na estrutura daspopulações com alongamento da vida adulta são: emprego, financiamento dasreformas, modos de vida, relações sociais, solidariedades e cooperação entregerações, habitat, cobertura dos riscos de saúde, entre outras.Melhorar os níveis de saúde, de escolarização/ qualificação e de acesso aoportunidades de desenvolvimento pessoal ao longo da vida são fatores essenciais desustentabilidade de sociedades com aumentos da longevidade sem paralelo nahistória.Implementar uma política de envelhecimento obriga a um esforço decidido no sentidoda eliminação das formas de segregação pela idade.Margarida Borges Pires Página 25
  • 26. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaPolíticas de emprego, de formação ao longo da vida, de rendimentos, de informação,de acesso a cuidados de saúde (preventivos, curativos e de reabilitação) e de acesso aserviços sociais entendem-se como estratégias de promoção da qualidade de vida detodos os cidadãos de todas as idades.Envelhecer de uma forma ativa deve ser entendido como um direito e um dever que atodos congrega: indivíduos pelo incentivo à cidadania, coletivo pela assunção depolíticas integradoras, de discriminação positiva (anti exclusão), de garantia de direitoà autodeterminação e à participação na vida das comunidades e da sociedade, e bemassim à oferta de cuidados adequados à preservação da autonomia. Todas as pessoasidosas, mesmo em situação de dependência, devem poder envelhecer permanecendoativas. É necessário precavermo-nos contra o risco de privilegiar as pessoas idosasmais jovens em detrimento das pessoas muito idosas e de ter bem presente que arelação entre atividade e saúde (nomeadamente a estimulação mental) mantém-seválida para as muito idosas.O investimento na prevenção da doença, das incapacidades e da perda decompetências constituem eixos de maior importância.Acessibilidades, adaptação ao habitat, comunicação, serviços de proximidade, sãoeixos estratégicos orientados para a qualidade de vida de todos e consequentementedo envelhecimento de todos de forma ativa, com dignidade e segurança. As condiçõeshabitacionais não devem sabotar a situação de saúde e a autonomia das pessoas idosas. É desejável que a habitação para as pessoas idosas obedeça a características e normas específicas, designadamente em termos de projeto, sistemas de aquecimento, segurança e conforto, e ainda às características locais, tais como serviços de proximidade e outras facilidades num ambiente social e natural agradável, conducente à interação de todas as pessoasde todas as idades.Os cuidados e os transportes têm impactos significativos na capacidade das pessoasidosas viverem de forma independente.A qualidade de vida de todas as pessoas depende, para além de fatores económicos,de fatores sociais e espaciais das nossas aldeias, vilas e cidades. (ONU, Habitat II, 1999)A qualidade da intervenção social pode medir-se pela libertação do sofrimento e doisolamento, pela dinamização/ integração em redes de sociabilidade, pela promoçãode projetos de valorização das capacidades dos indivíduos e do seu desenvolvimentopessoal e pelo fluxo das trocas interpessoais e intergeracionais.A intervenção social numa estratégia de envelhecimento ativo orienta-se para obenefício de todos ao contribuir para o reconhecimento do valor social dos queenvelhecem e para uma maior visibilidade das trocas e da partilha do patrimónioeconómico, socia e cultural entre gerações.Alguns conceitos importantes:Autonomia é a habilidade de controlar, lidar e tomar decisões pessoais sobre como sedeve viver diariamente, de acordo com as suas próprias regras e preferências.Margarida Borges Pires Página 26
  • 27. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaIndependência é, em geral, entendida como a habilidade de executar funçõesrelacionadas à vida diária – isto é, a capacidade de viver independentemente nacomunidade com alguma ou nenhuma ajuda de outros.Qualidade de vida é “a perceção que o indivíduo tem da sua posição na vida dentro docontexto da sua cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação aos seusobjetivos, expetativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo queincorpora de uma maneira complexa a saúde física de uma pessoa, o seu estadopsicológico, o seu nível de dependência, as suas relações sociais, as suas crenças e asua relação com características proeminentes no ambiente” (OMS, 1994). À medidaque um indivíduo envelhece, a sua qualidade de vida é fortemente determinada pelasua habilidade de manter autonomia e independência.Expetativa de vida saudável é uma expressão geralmente usada como sinónimo de“expetativa de vida sem incapacidades físicas”. O tempo de vida que as pessoas podemesperar de cuidados especiais é extremamente importante para uma população emprocesso de envelhecimento.Os fatores determinantes do envelhecimento ativo: Fatores determinantes transversais: a cultura e o géneroA cultura modela a nossa forma de envelhecer, pois influencia todos os outros fatoresdeterminantes do envelhecimento ativo.Os valores culturais e as tradições determinam muito como uma sociedade encara aspessoas idosas e o processo de envelhecimento, elas têm menor probabilidade deoferecer serviços de prevenção, deteção precoce e tratamento apropriado.Nos países asiáticos, a regra cultural é a valorização de famílias ampliadas e a vida emconjunto em lares com várias gerações da mesma família.Margarida Borges Pires Página 27
  • 28. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaOs fatores culturais também influenciam na busca de comportamentos mais saudáveis.As políticas e os programas precisam de respeitar culturas e tradições e, ao mesmotempo, desmistificar estereótipos ultrapassados e informações erróneas.O género é uma “lente” através do qual se considera a adequação de várias opçõespolíticas e o efeito destas sobre o bem-estar dos homens e das mulheres.O papel tradicional das mulheres como responsáveis pelos cuidados com a famíliapode conduzir ao aumento da pobreza e de problemas de saúde quando ficam maisvelhas. Por outro lado, homens jovens e adultos estão mais sujeitos a lesõesincapacitantes ou morte devido à violência, riscos ocupacionais e ao suicídio. Tambémassumem comportamentos de maior risco (beber, fumar…). Fatores comportamentais determinantesA adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própriasaúde são importantes em todos os estádios da vida.Um dos mitos do envelhecimento é que é tarde demais para se adotar esses estilosnos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicasadequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool, e fazer uso demedicamentos corretamente podem prevenir doenças e o declínio funcional,aumentar a longevidade e a qualidade de vida do indivíduo. Fatores determinantes relacionados a aspetos pessoaisA biologia e a genética têm uma grande influência sobre o processo deenvelhecimento.A razão principal dos idosos ficarem doentes com mais frequência que os jovens é quedevido à vida mais longa, foram expostos por mais tempo a fatores externos,comportamentais e ambientais que causam doenças do que os indivíduos mais novos.Os fatores psicológicos, que incluem a inteligência e a capacidade cognitiva, sãoindícios fortes de envelhecimento ativo e longevidade. Durante o processo deenvelhecimento normal, algumas capacidades cognitivas diminuem, naturalmente,com a idade. Entretanto, essas perdas podem ser compensadas por ganhos emsabedoria, conhecimento e experiência.Homens e mulheres que se preparam para a velhice e se adaptam a mudanças fazemum melhor ajuste na sua vida depois dos 60 anos.A maioria das pessoas fica bem-humorada à medida que envelhece e, em geral, osidosos não diferem muito dos jovens no que se refere à capacidade de solucionarproblemas. Fatores determinantes relacionados ao ambiente físicoDeve-se dar uma particular atenção aos idosos que moram em áreas rurais (cerca de60% no mundo todo), onde os tipos de doença podem ser diferentes em função dascondições de ambiente da falta de serviço de ajuda disponível. A urbanização e amigração dos jovens em busca de emprego podem deixar o idoso isolado em áreasrurais com poucos meios de se manter, e pouco ou nenhum acesso a serviços sociais ede saúde.Serviços de transporte público acessíveis e baratos são necessários em áreas rurais eurbanas. Isso é especialmente importante para os idosos com problemas demobilidade.Margarida Borges Pires Página 28
  • 29. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaOs perigos no ambiente físico podem causar lesões incapacitantes e dolorosas nosidosos, e as mais frequentes são decorrentes de quedas, incêndios e batidas nosautomóveis.Os padrões de construção devem levar em conta as necessidades de saúde esegurança das pessoas idosas, como os obstáculos nas residências que aumentam orisco de quedas precisam ser corrigidos ou removidos. Fatores determinantes relacionados ao ambiente socialApoio social, oportunidades de educação e aprendizagem permanente, paz e proteçãocontra a violência e maus tratos são fatores essenciais do ambiente social queestimulam a saúde, participação e segurança, à medida que as pessoas envelhecem. Fatores económicos determinantesRendaProteção socialTrabalhoEm todo o mundo, se mais pessoas pudessem ter, o quanto antes em sua vida,oportunidades de trabalho digno (com remuneração adequada, em ambientesapropriados, e protegidos contra riscos), iriam chegar à velhice ainda capazes departicipar da forca de trabalho. Assim, toda a sociedade se beneficiaria. Em todas aspartes do mundo, há um aumento do reconhecimento da necessidade de se apoiar acontribuição ativa e produtiva que idosos podem dar e fazem no trabalho formal,informal, nas atividades não-remuneradas em casa e em ocupações voluntárias.Nos países desenvolvidos, o ganho potencial do incentivo para as pessoas mais velhastrabalharem mais tempo não está sendo bem entendido. Mas quando o índice dedesemprego está alto, há frequentemente uma tendência a reduzir o número deMargarida Borges Pires Página 29
  • 30. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelatrabalhadores mais velhos como meio de se criar empregos para os jovens. Contudo, aexperiência mostrou que a aposentadoria antecipada usada para dar espaço a novosempregos para os desempregados não foi uma solução eficaz.Nos países menos desenvolvidos, os idosos tendem a se manter economicamenteativos na velhice pela necessidade. No entanto, industrialização, adoção de novastecnologias e mobilidade do mercado de trabalho estão ameaçando muito do trabalhotradicional dos idosos, especialmente nas áreas rurais. Os projetos dedesenvolvimento precisam garantir que idosos sejam qualificados para esquemas decrédito e plena participação nas oportunidades de geração de renda.Tanto nos países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, os idosos algumasvezes responsabilizam-se pela administração do lar e pelo cuidado com crianças, deforma que os adultos jovens possam trabalhar fora de casa.Em todos os países, os idosos qualificados e experientes atuam como voluntários emescolas, comunidades, instituições religiosas, negócios e organizações políticas e desaúde. O trabalho voluntário beneficia os idosos ao aumentar os contatos sociais e obem-estar psicológico e, ao mesmo tempo, oferece uma relevante contribuição para ascomunidades e nações.1.14 Desafios de uma população em processo de envelhecimentoOs desafios de uma população em processo de envelhecimento são globais, nacionaise locais. Superar esses desafios requer um planeamento inovador e reformas políticassubstanciais tanto em países desenvolvidos como em países em transição.1.º Desafio: A carga dupla de doençasÀ medida que as nações se industrializam, mudanças nos padrões de vida e trabalhosão inevitavelmente acompanhadas por uma transformação nos padrões das doenças.Essas transformações apresentam maior impacto nos países em desenvolvimento.Ainda lutando contra doenças infeciosas, desnutrição e complicações puerperais, essespaíses enfrentam um rápido crescimento das doenças não transmissíveis. Esta “cargadupla de doenças” reduz os recursos já escassos ao seu limite.Esta mudança no padrão de doenças transmissíveis para as não transmissíveis estáocorrendo rapidamente na maioria dos países desenvolvidos, onde as doençascrónicas, como cardiopatias, cancro e depressão estão cada vez mais se tornando asprincipais causas de morte e invalidez. Esta tendência irá crescer nas próximasdécadas.2.ºDesafio: O maior risco de deficiênciaNos países desenvolvidos e em desenvolvimento, as doenças crónicas são causasimportantes e dispendiosas de deficiência e pior qualidade de vida. A independênciade pessoas mais velhas é ameaçada quando deficiências físicas ou mentais dificultam aexecução de atividades quotidianas.Com o passar dos anos, os portadores de deficiências tendem a encontrar maisobstáculos relacionados ao processo de envelhecimento.Diversas pessoas desenvolvem alguma deficiência mais tarde, que se relaciona aodesgaste do processo de envelhecimento (por exemplo, artrite) ou ao início de umadoença crónica, que poderia ter sido evitada (ex: cancro de pulmão, diabete e doençavascular periférica), ou uma doença degenerativa (ex: demência).Margarida Borges Pires Página 30
  • 31. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaA probabilidade de sofrer sérias deficiências cognitivas e físicas aumentadramaticamente em pessoas de idade muito avançada.Entretanto, as doenças associadas ao processo de envelhecimento e o início dedoenças crónicas podem ser prevenidas ou adiadas.Algumas mudanças na comunidade são importantes, tanto na prevenção dedeficiências como na redução das restrições que pessoas com incapacidadegeralmente enfrentam. Observou-se um progresso impressionante no tratamento alongo prazo de doenças crónicas como hipertensão e artrite, incluindo novas técnicaspara diagnóstico e tratamento precoces. Os estudos recentes enfatizaram que oaumento do uso de acessórios – desde simples acessórios pessoais, como bengala,andarilho e corrimão, até tecnologias desejadas por toda a população como telefones– podem reduzir a dependência entre portadores de deficiência.Outras deficiências relacionadas à idade incluem perda de visão e audição. As maisfrequentes causas de cegueira e deficiência visual relacionadas à idade incluemcatarata (quase 50% de todos os tipos de cegueira), glaucoma, degeneração macular eretinopatia diabética.A perda auditiva leva a uma das deficiências mais difundidas, especialmente entrepessoas idosas. Essa perda pode causar dificuldades de comunicação, o que por suavez pode levar à frustração, baixa autoestima, reclusão e isolamento social.Como as populações do mundo todo vivem por mais tempo, há uma necessidadepremente de políticas e programas que ajudem a prevenir e reduzir a carga dedeficiências na velhice tanto em países desenvolvidos como naqueles emdesenvolvimento.3º Desafio: Provisão de cuidado para populações em processo de envelhecimentoÀ medida que as populações envelhecem, um dos maiores desafios da política desaúde é alcançar um equilíbrio entre o apoio ao “autocuidado” (pessoas que cuidamde si mesmas), apoio informal (cuidado por familiares e amigos) e cuidado formal(serviço social e de saúde). Os cuidados formais incluem cuidados de saúde primários(prestados principalmente na comunidade) e cuidados institucionais (em hospitais oucasas de repousos).Uma boa parte dos cuidados que os indivíduos necessitam pode ser proporcionada poreles mesmos ou pelos cuidadores informais, e a maioria dos países aplica seus recursosfinanceiros de uma forma inversa, ou seja, a maior parcela das despesas é utilizadacom cuidados institucionais.Em todo o mundo, os familiares, amigos e vizinhos (a maioria composta por mulheres)dão mais apoio e assistência para os mais velhos que necessitam de cuidados. Algunslegisladores temem que se propiciarem mais cuidado formal, as famílias se envolvammenos, mas alguns estudos demonstraram que não é bem assim. Quando há provisãode cuidados formais adequados, a assistência informal permanece como o principalaliado.A maioria das pessoas idosas que necessitam de cuidados prefere ser atendida na suaprópria casa. Como a proporção de idosos aumenta em todos os países, viver em casaaté uma idade mais avançada e com a ajuda de familiares irá se tornar cada vez maiscomum.Margarida Borges Pires Página 31
  • 32. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaAs informações e instruções sobre o envelhecimento ativo precisam ser incorporadosao currículo e aos programas de treinamento para todos os trabalhadores das áreassociais, de saúde, de recreação, planeamento urbano e arquitetura.4.º Desafio: A feminização do envelhecimentoAs mulheres vivem mais do que os homens em quase todos os lugares. Este fatoreflete-se na maior taxa de mulheres por homens em grupos etários mais velhos.As mulheres têm a vantagem da longevidade, mas são vítimas mais frequentes daviolência doméstica e de discriminação no acesso à educação, salário, alimentação,trabalho significativo, assistência à saúde, heranças, medidas de seguro social e poderpolítico. Essas desvantagens cumulativas significam que as mulheres, mais que oshomens, tendem a ser mais pobres e a apresentar mais deficiência em idades maisavançadas.Por causa de sua posição de cidadãs de segunda-classe, a saúde das mulheres maisidosas é geralmente negligenciada ou ignorada. Além disto, muitas mulheres possuempouca ou nenhuma renda devido aos anos de trabalho não remunerado. O cuidadofamiliar é frequentemente suprido em detrimento da segurança econômica e da boasaúde na idade mais avançada.5.º Desafio: Ética e iniquidadesAlguns avanços científicos e a medicina moderna suscitaram várias questões éticas.Em todas as culturas, os consumidores precisam estar bem informados sobre as falsasdeclarações de produtos anti envelhecimento e os programas que são ineficazes oumesmo prejudiciais.As sociedades que valorizam a justiça social devem lutar para assegurar que todas aspolíticas e práticas sejam mantidas e para garantir os direitos de todas as pessoas,independente da idade.A idade avançada frequentemente exacerba outras desigualdades pré-existentesassociadas à raça, etnia ou ao gênero.Para as pessoas idosas e pobres, as consequências dessas experiências anteriores sãoagravadas através de outras exclusões de serviços de saúde, esquemas de crédito,atividades geradoras de renda e processos decisórios. As desigualdades quanto àatenção à saúde ocorrem quando porções de populações pequenas ecomparativamente prósperas e em processo de envelhecimento, especialmente empaíses desenvolvidos, consomem um montante desproporcional dos recursos públicospara seus cuidados.6.º Desafio: A economia de uma população em processo de envelhecimentoNota-se um aumento de custos resultantes da explosão do envelhecimento nos váriospaíses.7.º Desafio: A criação de um novo paradigma (modelo)A terceira idade foi tradicionalmente associada à aposentadoria, doença edependência. Mas estas ideias não são a realidade, pois muitos idosos ainda seencontram no ativo.É o momento de termos um novo paradigma, que perceba os idosos comoparticipantes ativos de uma sociedade com integração de idade, contribuintes ativos, eMargarida Borges Pires Página 32
  • 33. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandelabeneficiários do desenvolvimento. Reconhece a importância das relações e do apoioentre familiares e diferentes gerações.Requer programas que apoiem o aprendizado em todas as idades e permitam àspessoas entrar e sair do mercado de trabalho para assumir o papel de cuidadores emdiferentes momentos.Essa abordagem apoia a solidariedade entre as gerações e fornece maior segurançapara crianças, pais e pessoas idosas.Educar os jovens sobre o envelhecimento e cuidar da manutenção dos direitos daspessoas mais velhas irão ajudar a reduzir e eliminar a discriminação e o abuso.1.15 Ser velho hoje, no meio rural e no meio urbanoEm primeiro lugar, devemos distinguir o idoso rural do idoso urbano.Em segundo lugar, devemos olhar o idoso no contexto da família, incluindo filhos enetos.Finalmente, deverão ser analisadas as relações sociais complexas fora da família.Assim, o idoso, no meio rural, era uma figura privilegiada no seio da comunidade. Àsua figura estava ligada toda a história familiar e patrimonial; fossem ricas ou pobres,as famílias mantinham no seu seio o idoso. O seu património constituía como que umagarantia de assistência á velhice. Embora a divisão do património resultasse de umsistema de desigualdades no seio das comunidades, a verdade é que idoso, através doseu património, estava presente na família e geria os seus bens até ao dia em quemorria. Na família, o idoso era uma ponte de ligação ou relacionamento com a geraçãoseguinte.Este modelo rural começou a ser alterado há dois séculos através da industrialização econsequente crescimento das sociedades urbanas, e a maior parte dos idosos de hojejá fogem ao perfil anterior e enquadram-se no perfil do que chamamos de idosourbano. O idoso urbano defronta-se com vários problemas resultantes de viver nacidade moderna, o maior dos quais é a solidão.A solidão é mais do que o resultado do abandono a que alguns filhos votam os pais. Afuga dos jovens para as periferias na procura de uma melhor qualidade de vida e desucesso material a todo o custo, retira-lhes tempo para outras ocupações,nomeadamente para o convívio com a família. O idoso é o elo mais fraco da família, epor isso o primeiro a ser posto no fim da cadeia de relações familiares.A isto há que juntar o envelhecimento da população urbana. O envelhecimento dapopulação urbana é um fenómeno relativamente recente e muito intenso, que resultada ida das novas gerações para bairros novos. Na cidade ficam os idosos.Esta situação deverá ser mudada: a solução está na alteração da fisionomia dascidades, e na mudança de atitude perante os idosos. Os cidadãos, nas suas respostassociais, têm de aceitar que a sociedade tem um dever de gratidão a cumprir comaqueles que protagonizaram o êxodo rural da década de 60 e que fizeram crescer ascidades. No caso dos centros históricos, a solução está na sua renovação urbana, demodo a que os jovens se fixem lá.Margarida Borges Pires Página 33
  • 34. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela1.16 Respostas institucionais1.17 Pensar novas respostasCada vez mais, torna-se fundamental manter a pessoa idosa no seu meio social tendoem vista o seu bem-estar físico, psíquico e emocional. Desta forma, questiona-se cadavez mais a institucionalização da pessoa idosa como resposta social prevalente,verificando-se uma tendência para a atuação conjunta dos vários organismosinstitucionais, quer a nível nacional como a nível local no sentido de criar respostasalternativas à institucionalização do idoso. Criaram-se nos últimos anos respostas taiscomo: os serviços de apoio domiciliário, centros de dia e de convívio, e até mesmo osserviços de acolhimento domiciliário. A nível nacional, as respostas sociaisinstitucionais existentes podem caracterizar-se segundo dois tipos: o acolhimentopermanente que engloba os equipamentos de colocação institucional de idosos, taiscomo: os lares, as residências e famílias de acolhimento; o acolhimento temporário, decarácter não institucional, reúne os serviços de apoio e acompanhamento local dosidosos, tais como: os serviços de apoio domiciliário.Cada vez mais, as instituições tentam oferecer serviços que promovam umenvelhecimento bem-sucedido, que potenciem a conservação do empenhamentosocial e do bem-estar subjetivo, conceitos estes difundidos pelos especialistas nestamatéria.Nos últimos anos têm vindo a realizar-se vários estudos no sentido de se saber quais osfatores que mais contribuem para a melhoria da qualidade e diversidade das respostassociais que permitam uma maior satisfação das necessidades da pessoa idosa, queresteja ou não institucionalizada. Um dos estudos mais ambiciosos neste domínio foiconduzido por Cameron (1975) que refere que os sentimentos de felicidade, detristeza, e de bem-estar subjetivo não se degradam com a idade e que os idosos nãotêm uma satisfação de viver inferior à dos jovens. A variabilidade entre os indivíduosparecem, pelo contrário, aumentar com o envelhecimento, neste sentido fala-se cadavez mais de velhices e não de velhice, não existindo assim a velhice, mas antes dandoênfase à existência da heterogeneidade com que cada idoso vive o seu próprioprocesso de envelhecimento, sendo este, altamente influenciado pelo suporte socialde que dispõe, permitindo ao mesmo tempo a manutenção da sua participação social,tanto quanto possível.Desde as investigações de Durkheim (1987), que o isolamento e a ausência dasrelações com os outros são fatores de predição dos comportamentos suicidas, queforam também ao encontro dos estudos feitos com idosos. Neste sentido, osequipamentos sociais têm de basear todas as suas resposta fazendo com que aspessoas percebam o seu potencial, promovendo o seu bem-estar físico, social e mentalao longo do curso da sua vida, o que inclui uma participação ativa dos seniores nosmais variados domínios da sociedade, intervindo nas questões económicas, espirituais,culturais, cívicas e até mesmo ao nível da participação das políticas sociais.Donald (1997) formulou algumas classes gerais que podem servir de referência àsrespostas sociais, tais como:  O bem-estar físico, em que se destacam os aspetos materiais, saúde, higiene e segurança;  As relações interpessoais, que pode incluir a família, amigos e participação na comunidade;Margarida Borges Pires Página 34
  • 35. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela  O desenvolvimento pessoal, que representa as oportunidades de desenvolvimento intelectual, e autoexpressão;  As atividades recreativas que podem subdividir-se em três partes: Socialização, entretenimento, passivo ou ativo;  As atividades de carácter espiritual, em que estão envolvidas, a atividade simbólica, religiosa e o autoconhecimento.Muitos estudos vêm referir que a qualidade de vida, ou falta desta nos idosos,depende em grande medida do facto dos idosos possuírem autonomia para executaras atividades do dia-a-dia, manter uma relação familiar ou com pessoas significativaspara si, ter recursos económicos suficientes e desenvolver/participar em atividadeslúdicas e recreativas continuamente.Segundo Jacob (2002), as respostas sociais tendem a evoluir, sendo que os estudosapontam para:  O aumento da procura deste tipo de serviços, havendo um elevado nível de procura expressa não satisfeita (lista de espera) nas valências para idosos;  Que os atuais centros de convívio poderão evoluir para as chamadas universidades de terceira idade, tornando-se assim mais dinâmicos, e com uma maior adesão por parte dos idosos, sendo mais ativos;  Para que os Centros de Dia funcionem todos os dias da semana (fins de semana e férias) e em horário mais alargado;  Que os serviços de apoio domiciliário tenderão a aumentar, assim como os serviços tenderão a funcionar todos os dias, mesmo no horário noturno;  Que os lares tenderão a diminuir, tornando-se cada vez mais especializados em grandes dependentes e idosos com demências;  Que irão surgir mais residências, versões mais reduzidas (até 25 utentes) e melhorados os lares;  Que o trabalho com idosos irá ser cada vez mais especializado e exigente;  Para que exista um aumento bastante significativo de atividades de animação para sénior.Tendo em conta os estudos realizados nesta área que vieram contribuir para encararde forma diferente o processo do envelhecimento, bem como, as problemáticas que secolocam, a necessidade de uma formação específica e contínua dos recursos humanosdestas instituições e equipamentos sociais, quer ao nível das chefias, quer ao nível dosseus colaboradores, tornam-se fundamentais. Essa formação deve ser específica econtínua, uma vez que, numa sociedade em constante mudança vão surgindo novasrealidades e novas problemáticas que este tipo de serviços deverá dar resposta. Assim,é necessário que as instituições e equipamentos sociais tenham um espírito deabertura suficiente face ao exterior, no sentido de estarem em pleno contacto com omeio, sendo capazes das necessárias adaptações, quer ao nível das políticas sociais,quer ao nível das respostas que efetivamente prestam. Assim, e só assim, este tipo deserviços e equipamentos sociais poderão colocar o utente, o cliente no centro de todaa sua atuação, sendo este o princípio primordial de toda e qualquer resposta social, deacordo com as novas orientações.Embora os apoios sociais e financeiros dirigidos aos idosos se continuem a revelarinsuficientes no nosso país, parece-nos relevante salientar algumas formas deequipamentos disponíveis, nomeadamente:Margarida Borges Pires Página 35
  • 36. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela  Lares de Idosos – equipamentos coletivos de alojamento permanente ou temporário, destinados a fornecer respostas a idosos que se encontrem em risco, com perda de independência e/ou autonomia.  A insuficiência de lares de idosos estatais tem dado origem a uma verdadeira proliferação de lares privados (que visam essencialmente fins lucrativos), que muitas vezes funcionam clandestinamente e sem as condições que confiram aos idosos o mínimo de dignidade.  Lares para Cidadãos Dependentes – constituem respostas residenciais a idosos, que apresentam um maior grau de dependência (acamados).  Centros de Dia – constituem um tipo de apoio dado através da prestação de um conjunto de serviços dirigidos a idosos da comunidade, cujo objetivo fundamental é desenvolver atividades que proporcionem a manutenção dos idosos no seu meio sociofamiliar.  Centros de Convívio – são centros a nível local, que pretendem apoiar o desenvolvimento de um conjunto de atividades sócio recreativas e culturais destinadas aos idosos de uma determinada comunidade.Apesar das respostas sociais nem sempre corresponderem ao desejável, vai-senotando uma crescente preocupação em implementar respostas inovadoras,destacando-se recentemente:  O Apoio Domiciliário – consiste na prestação de serviços, por ajudantes e/ou familiares no domicílio dos utentes, quando estes, por motivo de doença ou outro tipo de dependência, sejam incapazes de assegurar temporária ou permanentemente a satisfação das suas necessidades básicas e/ou realizar as suas atividades diárias. É um tipo de apoio que conquistou muitos adeptos, na medida em que se caracteriza pela prestação de um serviço de proximidade com cuidados individualizados e personalizados. Além disso, é preservada a família e a casa que constituem para o idoso um quadro referencial muito importante para a sua identidade social.  Acolhimento Familiar – consiste em apoios dados por famílias consideradas idóneas que acolhem temporariamente idosos, quando estes não têm família natural ou tendo-a não reúne estas condições que proporcionem um bom desempenho das suas funções.  As Colónias de Férias e o Turismo Sénior – são prestações sociais em equipamentos ou não, que comportam um conjunto de atividades que pretendem satisfazer as necessidades de lazer e quebrar a rotina, proporcionando ao idoso um equilíbrio físico, psíquico, emocional e social.  O Termalismo – é uma medida que visa permitir aos idosos em férias tratamentos naturais, reduzindo assim o consumo de medicamentos. Proporciona também a deslocação temporária da sua residência habitual, permitindo deste modo o contacto com um meio social diferente, promovendo a troca de experiências, que quebram ou reduzem o frequente isolamento social.Margarida Borges Pires Página 36
  • 37. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela1.18 O idoso no contexto familiarCom o advento das transformações fisiológicas e psicológicas ocorridas durante oprocesso de envelhecimento, o idoso tende, com o avanço dos anos, a viver uma vidasocial mais restrita, cingindo-se deste modo cada vez mais à sua família. Emconsequência, esta torna-se um fator básico não só à sobrevivência do idoso, mastambém para que este se mantenha emocionalmente equilibrado, face àscontingências do declínio biopsicossocial.De facto, a família é uma célula fundamental, enquanto lugar privilegiado de trocasintergeracionais. É aí que as gerações se encontram, se entreajudam e completam deforma intensa. No entanto, nas sociedades onde a expectativa de vida está a serampliada, as relações familiares apresentam novos desafios e de acordo com Nelson eNelson (citado por Freitas et al, 2002) há questões éticas que devem ser consideradas:  “Os membros da família não são substituíveis por similares ou pessoas melhor qualificadas.  Os membros da família são vinculados uns aos outros.  A necessidade de intimidade produz responsabilidade.  As famílias são histórias em andamento…”O decurso e desenvolvimento da Sociedade Humana tem mostrado que como“unidade social a família é capaz de resolver ou ajudar a resolver problemasbiopsicossociais, individuais ou coletivos, apesar de poder ser também geradora deconflitos e doenças”. Neste sentido a família tem de ser uma estrutura cujodesenvolvimento se obtém através dos esforços dos seus membros na realização devárias tarefas nomeadamente: adaptação, proteção, participação, crescimento esuporte na afetividade (Nina e Paiva, 2001).Destas ações sobressai o facto de que cada um dos elementos da família tem umasérie de papéis determinados, que servem de base para a sua identidade na sociedade.Cada membro tem uma personalidade que pode sair dos limites da família, mas estesfazem uma série de coisas “juntos” e outras em “separado”. Assim, surge anecessidade de se criarem regras que dirijam a conduta da família e dos seusmembros.Estas regras não são descritas e vão-se estabelecendo a partir de um processo deconvivência: afetam a privacidade, a interação, a autoridade e a tomada de decisões.Esta interação e adaptação a novos papéis e funções implica que as famílias mudempara se adaptarem e esta capacidade de adaptação; mudança e crescimento sãoessenciais para o progresso a longo prazo no ciclo da vida familiar. Basta considerar asnecessidades da cultura, da temporalidade, a coabitação com uma sociedadeindustrial, urbana, que se introduz vigorosamente no seu seio, assumindo muitas vezesfunções que foram, durante muito tempo, pertença exclusiva do agregado ou núcleofamiliar (Antunes, 1999).É verdade que ao longo da vida ocupamos múltiplos papéis, e isto significa esimultaneamente implica, que nos devamos ir preparando para os mesmos. Um dessespapéis é o envelhecimento e a coabitação com os idosos, dentro dos espaços aceites eorganizados culturalmente.Sem pretendermos ”inventariar” as múltiplas funções que têm sido atribuídas pelosestudiosos à família, gostaríamos no entanto de destacar algumas pela pertinência queassumem neste estudo:Margarida Borges Pires Página 37
  • 38. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de Mirandela Ajudar cada membro da família é uma função que engloba o apoio físico, financeiro, social e emocional que são aspetos relevantes para a maioria dos idosos. Este apoio verifica-se através de estruturas organizadas de papéis familiares interdependentes e baseiam-se nas reações emocionais dos seus membros. Vivem em grupo e cultivam sentimentos de pertença e de corresponsabilização. Por outro lado, o estabelecimento de autonomia e independência para cada um dos seus membros tem-se revelado uma medida geradora e facilitadora de crescimento pessoal para os indivíduos, que se desenvolvem e adaptam no seio da família, assumindo particular destaque nos elementos mais velhos.Outras funções defendidas são: Adaptação – que consiste na utilização de recursos dentro e fora da família, para a solução de um problema, nomeadamente quando o equilíbrio da família estiver ameaçado durante uma crise. Participação – ou seja a partilha na tomada de decisões e das responsabilidades, pelos membros da família. Crescimento – maturidade física e emocional e ainda realização conseguida pelos membros da família através do mútuo apoio e orientação. Afeto – relações de cuidados ou ternura que existem entre os membros da família. Decisão – compromisso assumido de dedicar tempo a outros membros da família, encorajando-os física e emocionalmente. Além disso, implica também uma decisão de bens e espaço.Quando uma família demonstra integridade nestas cinco componentes funcionais,poder-se-á considerar uma família “saudável”, ou “funcional” mas se porventura aintegridade não existe, então poderemos defrontar-nos com “disfunções familiares”mais ou menos graves.Entender a dinâmica familiar dos idosos é uma questão de crucial importância, namedida em que eles tendem por vezes a mascarar o seu real posicionamento noagregado familiar.Existem evidências de que a estrutura familiar tem sofrido violentos abalos econsequentes transformações na sociedade moderna.Foram vários os fatores que contribuíram para essas transformações: as migraçõesobrigaram as famílias nucleares a tornarem-se mais “individualistas”; a mobilidadesocial ligada à cidade e ao trabalho industrial distende os laços entre irmãos; aeducação estabelece uma clivagem no seio familiar e fá-las desintegrarem-se;sucedendo de uma forma idêntica em relação à grande assimilação de novos valores,atitudes, condutas ligadas à industrialização, à cidade e ao prestígio dos estranhos.Estas transformações levam naturalmente a estrutura familiar e social a não ser capazde resolver os problemas que se colocam hoje aos idosos: a família tradicional ofereciaquase em exclusividade uma série de serviços, que hoje são fornecidos tanto porinstituições privadas como estatais. Ela já “não é capaz” de assegurar a cada membroas funções que tradicionalmente lhe cabiam e que passavam por satisfazernecessidades físicas (como a alimentação, habitação e cuidados globais), psíquicas(como a autoestima, o afeto, o equilíbrio) e as sociais (como a identificação, relação,comunicação e pertença a um grupo).Margarida Borges Pires Página 38
  • 39. Acompanhamento e Animação da Pessoa IdosaCEF Geriatria – Escola Secundária de MirandelaNo desenrolar destas “incapacidades de resposta” a família tem sido publicamenteresponsabilizada pelo abandono dos seus idosos, contribuindo para tal a generalizaçãode uma ideia, um pouco mítica, da família extensa de outrora.Assistimos atualmente à “substituição do papel familiar” pelas chamadas redes sociaisde apoio (onde são incluídas as instituições para idosos).Margarida Borges Pires Página 39

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