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O Dragão dos       Ventos Celestiais1ª Parte - Os Guerreiros de Olonstreek            Marcelo Bessa              Salvador/...
Nota do Autor        Esta obra foi idealizada em 2009 e escrita em2012, após a conclusão do meu primeiro livro “OMelhor Am...
Prólogo      Num tempo distante pelas heras esquecido,a paz fora estabelecida a partir do equilíbriosensível das forças en...
imensa sabedoria o impedira de duvidar dosdestrutivos anseios do homem por subjugar seussemelhantes e do oportunismo do ma...
Primeira Parte                                          O Início       Ele acordou de um sono repleto de sonhosestranhos. ...
desespero proteger o reino, pereciam aos montes ante ospoderosos inimigos...       Queria acordar daquele terrível pesadel...
O Mundo Antigo      Ah a Terra!      Moldura da minha obra prima! Casa quecriei para o homem e que, há muito, tenhoprocura...
presentes e, mesmo que eles não saibam usá-la,não voltarei atrás.      Decide ouvir as preces dos mais honrados e,contra a...
Numa configuração muito antiga, distante daformação atual, a terra estava dividida entre trêscontinentes. Dois deles eram ...
que cercavam raras e estreitas passagens para o centro docontinente. Seus domínios, com escassa vegetação e calorintenso, ...
Olonstreek                   O Primeiro Reino Celestial      O mais rico dentre os reinos!       Enganam-se os que acredit...
Chegará o dia em que o ouro e a prataestarão desprotegidos e não serão tocados. Asarmas bem forjadas não os salvarão, mas ...
Olonstreek era o mais rico e poderoso dentre osreinos celestiais. Suas riquezas originaram-se da imensacadeia rochosa, cuj...
Ambos, rei e rainha, eram justos e humanos acimada condição de Senhores do reino do metal. A fé, nosdesígnios do Senhor Su...
...Voltando ao interior da casa, ele tomou suaespada e a velha bolsa que, para todos os lugares,carregava consigo e, apres...
Os Inimigos      Insolente! Traidor!       Servo invejoso! Traiu minha confiança porinveja dos meus filhos e da liberdade ...
contrário, perderão a terra e a vida, mas as almasdos dignos não serão tocadas e serão bem vindasem minha casa, vitoriosas...
Apesar da busca pela paz, comum a todos osReinos Celestiais, a influência da natureza humana,fatalmente conduzira o surgim...
...Aproximando-se do castelo ele percebeu umamudança sutil no cenário visto na vila. A luta continuavamais os soldados do ...
espadas que se cruzaram ante aos seus olhos surpresos. Ooponente era um homem humilde, de meia idade, quenem mesmo parecia...
O Escolhido      No momento, um homem fora escolhido.Sua justiça e sabedoria serão conhecidas...       É ele o primeiro lí...
Meus planos foram, há muito, definidos,mas os caminhos terão início nas habilidosasmãos do ferreiro.     Essa e a minha vo...
Descendente dos grandes mestres da forja dearmamentos, Steylrork aprendeu com seu pai, aquele queforjara as melhores lâmin...
— Se assim desejares, irás morrer junto à vossarainha...        — Afaste-se Majestade! Ninguém lhes fará malalgum!       A...
— Qual é o seu nome, heroico guerreiro?         — Sou Steylrork Majestade! Ferreiro do vossoreino.        — Obrigado Steyl...
— Este é o nosso amigo Steylrork, o homem aquem devemos a minha vida e a vida da nossa criança. Oinimigo caído ao chão tin...
— Agradeço o convite Majestade! Estarei aquienquanto desejares.       O povo foi avisado que o rei convocava a todospara o...
o momento, fora conhecido como um dos nossosferreiros, no entanto, quero que todos saibam da nossaeterna amizade e do mere...
que reconsidere vossa vontade dando-lhe minha palavraque estarei ao vosso dispor sempre que precisares.        — Tens libe...
A Revelação ao Ferreiro      Dias antes do ataque ao 1º reino...        A noite parecia não ter fim. Um sono profundo,sem ...
—Perdoe-me! Mas sou apenas um velho ferreiro!Como poderei cumprir tão honrosa missão?       —Não há porque questionar os d...
Ao acordar, o ferreiro acreditou, por instantes,que teria tido um estranho sonho, mas encontrou ao seulado um livro dourad...
Filho!      És tu o meu escolhido!      Vasculhei os reinos, procurando, e dentretodos vos escolhi. Não me importam riquez...
Tudo estava claro. Steylrork entendeu que, maisdo que um livro, estava diante de um elo entre ele e oSenhor Supremo, entre...
Segunda Parte        Na manhã seguinte o reino parecia acordar de umterrível pesadelo. O povo recolhia os restos da batalh...
— Majestade, se me permites discordar, gostariade posicionar-me contra a mudança de estrutura dasnossas defesas, pois crei...
— Algum dos presentes poderia sugerir algonovo, que possa reforçar nosso potencial de defesa?       Após um breve silêncio...
O Conselho Celestial       Conselheiros reunir-se-ão almejando a paz.São valorosos e honrados, mas suas forças nãosão capa...
Decidido a promover a formação de um conselhocomposto por representantes dos cinco reinos, o reiGyllimond reuniu-se com St...
Steylrork dirigiu-se ao rei:       — Meu Senhor! Creio que Ryanor sente-sedesafiado pela minha presença...       — Não há ...
— Estas são mensagens secretas e apenas oshomens presentes neste salão conhecerão seu conteúdo.Leia filho!         “Trata-...
O ferreiro esboçou um sorriso e tocou o ombro dojovem cavaleiro, em sinal de amizade...        Ryanor tomou as mensagens e...
Esconda-se ferreiro!      Vossa presença será requisitada, mas deveisesconder-se por hora!       És o principal conselheir...
...Acima dos interesses do conselho, Gyllimondviu-se profundamente preocupado com o paradeiro deSteylrork que jamais havia...
— Qual seria este assunto tão importante que otiraste de vossas responsabilidades de cavaleiro, deixadoo rei e a rainha de...
— Eis generoso como nenhum outro rei nascidonesta terra meu Senhor! Muito obrigado pelo vossoperdão!        A rainha não p...
As Crianças de Olonstreek      São duas as crianças. Deveis escondê-lasem vosso lar. Proteja a mãe como será pedido eajude...
A batalha que quase vitimou a rainha e a criançaque ela trazia no ventre, tornou a segurança da famíliareal, mais do que n...
Na noite seguinte a Rainha foi levada, sobredisfarce, para a casa de Steylrork. Apenas os homens deconfiança do rei e a se...
tropas na fronteira do reino, evitando ser surpreendidonovamente.        Uma tempestade quebrava o silêncio damadrugada, q...
entendendo que se tratava de situação semelhante,dirigiu-se à rainha explicando o que parecia estarhavendo.       — Senhor...
— Aqui está minha Senhora! Veja que belaprincesa o Senhor Supremo lhe enviou! É certamente amais bela que a terra já conhe...
O Ferreiro conhecia as convenções do seu tempo,sabia que não deveriam estar presentes durante onascimento de uma criança e...
Steylrork retirou-se deixando a família real, emcomemoração. Ele pôs-se a cavalgar em meio aospensamentos que o tomavam. I...
— Decidimos que vos daríamos o direito deescolher o nome da princesa, já que foste tu que a ajudaraa nascer.        — Senh...
A Transformação         O renovado Exército do Vale Evilkeerts     Tolos Ambiciosos!      Sedentos por vingança. A cobiça,...
Jamais serão vitoriosos, pois o lagodestruiu seus corações e as corpulentas aberraçõesnão verão a luz que as devolverão às...
Depois do ataque frustrado, o exército dosrenegados assumiu a busca por meios de se recompor,para continuar com o ambicios...
comuns, o que propiciou o desenvolvimento rápido econtínuo do transformado exército do Vale Evilkeerts. Apartir destes ren...
As Pequenas Espadas       ...Deixe-as brincar! Deixe-as crescer! Masinstrua e ensine o quanto antes, vez que logoprecisarã...
De volta à Galatyans, a família real, o ferreiro eseu filho, acomodaram-se, enquanto o chefe da guardaestabelecia, junto à...
cabelos negros e o corpo infantil já ensaiava o porteatlético que mais tarde ostentaria.        Eles eram amigos inseparáv...
— Crianças! Cheguem mais perto, quero contar-lhes uma história antiga.        Eles aproximaram-se para escutar o ferreiro....
— O anjo Myrior rebelou-se contra o SenhorSupremo. Ele acreditava que poderia assumir o reino,sobrepujando o poder de Deus...
Zaradyk sentia que tudo aquilo era verdade e pôs-se a imaginar quando a promessa seria cumprida.       Auryousrork, por su...
esconder-se em uma das cavernas que limitavam osdomínios do reino.       A princesa e seu companheiro eram mesmoespeciais....
fim, seguiram depressa para os limites da fronteirarochosa de Olonstreek o rei, os soldados e o ferreiro.        Após desp...
golpe e num giro, contra golpeou o inimigo ferindo-o noombro direito. O homem, furioso, desferiu outro golpefrontal, que Z...
O menino, ainda assustado, abaixou a cabeça numgesto de submissão.       O rei interferiu:     — Steylrork, não é o moment...
Na realidade, Auryousrork tornou-se hoje, como ovosso pai, um dos nossos heróis. Diante dos nossosolhos, este corajoso men...
— Podes contar comigo meu Senhor! Defendereia princesa, se preciso, com minha vida...        — Quanto a vós, Zara! Deveis ...
— Pai! Não ficaste orgulhoso do título que recebido rei? Ainda está chateado por termos fugido? Por que oSenhor não quer f...
O Repúdio dos Nobres      Não os dê ouvidos, meu filho!       Eles não conhecem o vosso real valor.Ignoram os perigos que ...
Em pouco tempo, o susto com o ocorrido, após ainusitada fuga da princesa, fora superado. No entanto, ainsatisfação dos mem...
— Sei de tudo isso Alteza, mas preocupa-me osentimento de Auryous, frente aos possíveis comentáriospreconceituosos dos nob...
— O que estais dizendo Auryous! Como vossopai, tu foste declarado um cavaleiro real. Vosso títulofora atribuído pelo rei e...
— Diga a Auryousrork que venha falar comigopela amanhã.       — Obrigado meu pai!        Na manhã seguinte, Zaradyk procur...
— Resolverei esta questão de uma vez por todas,meu sobrinho! Convocarei todo o povo de Olonstreekpara um pronunciamento pú...
Supremo receba minhas palavras e nos ajude a cumpri-las.        Após o pronunciamento, os comentários sedividiam por todo ...
O Heroico Steylrork      Há muito conheço vossa resignação, meunobre cavaleiro!      Vosso valoroso coração, sempre deixar...
Muito antes dos acontecimentos que o tornaramcavaleiro, e membro da família real, a nobreza do ferreirojá era conhecida pe...
salvo após tamanha tragédia. Esta recompensa me ésuficiente, está tudo bem agora...        O ferreiro continuou ajudando a...
O Primeiro Guardião      Guarda teu tesouro Steylrork!      Deveis proteger o livro e o símbolo comvossa vida. A obrigação...
São objetos sagrados e com tal, cobrarãoseu preço pela posse. No entanto, conheço meuescolhido e sua resignação...        ...
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1º livro da trilogia

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  1. 1. 1
  2. 2. O Dragão dos Ventos Celestiais1ª Parte - Os Guerreiros de Olonstreek Marcelo Bessa Salvador/2013 2
  3. 3. Nota do Autor Esta obra foi idealizada em 2009 e escrita em2012, após a conclusão do meu primeiro livro “OMelhor Amigo do Cão – Para quem deseja retribuir estaamizade verdadeira”. Trata-se do início da Saga doReino Unificado do Dragão dos Ventos Celestiais, queestará completa ao final do terceiro volume. Autorizo a reprodução gratuita dessa obra, emmeio digital (PDF), com finalidade de permitir que asociedade brasileira a conheça, no entanto, reservo-me odireito exclusivo de comercializá-la em qualquer meioexistente. Aos interessados, uma boa leitura! Salvador, fevereiro de 2013 Marcelo Bessa 3
  4. 4. Prólogo Num tempo distante pelas heras esquecido,a paz fora estabelecida a partir do equilíbriosensível das forças entre o bem e o mal,conquistado mediante antigas batalhas das quaisse conhece apenas o resultado. Uma terradividida em cinco reinos, cercados de mistérios,homens honrados e guerreiros que esperambatalhas profetizadas para um tempo próximo. O Senhor Supremo, na busca de assegurar apaz existente, dividiu entre às regiões pacíficasda terra as forças que controlam tudo que existe,a essência de todo o poder vital, para que nãohouvesse disputas entre eles. No entanto, sua 4
  5. 5. imensa sabedoria o impedira de duvidar dosdestrutivos anseios do homem por subjugar seussemelhantes e do oportunismo do mal em explorartal fraqueza humana. O Senhor dos Homens decidiu, então,confiar nas mãos humanas, e em honradoscorações, as forças que unificadas gerariam ummilênio de paz. Assim, guardou numa profecia amaior e mais árdua de todas as provas para ahumanidade, revelando inicialmente a um sábiohomem os caminhos que nas mãos de poucos, secapazes, trariam à terra o Reino Unificado doDragão dos Ventos Celestiais... 5
  6. 6. Primeira Parte O Início Ele acordou de um sono repleto de sonhosestranhos. Sonhava com batalhas sangrentas, travadas noseu amado reino, onde cresceu e aprendeu, com seu sábiopai, muito mais do que o oficio que lhe fizera conhecido.As forças eram desiguais, os homens que tentavam em 6
  7. 7. desespero proteger o reino, pereciam aos montes ante ospoderosos inimigos... Queria acordar daquele terrível pesadelo, mas,ainda durante o sono, sentia que todo o horror quevislumbrava não ficaria para sempre escondido numplano irreal, teria que enfrentar tudo aquilo de fato e osom que o fizera despertar só confirmava esta certeza. Ele ouvia os gritos que lhe remetiam à violência ea dor que por toda a noite inundara seu sono. Mas agoraestava acordado e tudo era real, a luta esperada havia seanunciado. Abrindo a porta de casa, ele olhou ao longe, atéonde a visão alcançava, e pode perceber um cenárioaterrador. Casas em chamas, homens empunhando suasarmas e lutando por suas vidas, outros fugindo assustadospor entre os vencidos caídos ao chão. No ar um odor demorte e pânico que ele desejava não sentir em seu reinotão prospero... 7
  8. 8. O Mundo Antigo Ah a Terra! Moldura da minha obra prima! Casa quecriei para o homem e que, há muito, tenhoprocurado tornar a morada da paz. Meus filhos, no entanto, não entendem.Deixam-se levar pela vaidade, cobiça, desejo depoder e pela violência, afastando-se do meuobjetivo. Meus conselheiros insistem: “O livrearbítrio, meu Senhor! Tire-o antes que os homensse percam!”. Mas a liberdade é o maior dos meus 8
  9. 9. presentes e, mesmo que eles não saibam usá-la,não voltarei atrás. Decide ouvir as preces dos mais honrados e,contra a minha vontade, deixei que a terra fossedividida em reinos. Pouco ou nada adiantou e osrumos da guerra continuam seu sórdido caminho,enquanto o mal insiste em insurgir-se contra apaz. Contudo, meus olhos estão abertos e aindanão desisti dos bons homens... 9
  10. 10. Numa configuração muito antiga, distante daformação atual, a terra estava dividida entre trêscontinentes. Dois deles eram inabitados nas extremidadesdo globo. O terceiro, ao centro do planeta, era ocontinente habitado, morada dos homens e animaisexistentes. Cercado pelo insondável oceano de Noutlong (ooceano sem fim), o continente habitado fora dividido emseis regiões, dentre as quais se encontravam os cincoReinos Celestiais, assim dispostos: Ao sul do continente, estabeleciam-se osdomínios de Olonstreek, o Reino do Metal. Guarnecidopor cadeias rochosas compostas pelos mais nobres evaliosos metais do planeta, o território do 1º Reino eraformado por construções magníficas, edificadas numaterra fértil de cenário exuberante. Na região sudoeste do continente, cortado emilha, encontrava-se o Reino celestial das Águas ouLykroustreek. Geograficamente protegido pelo grandeLago Lykrols (o lago das Águas Cristalinas), queencontrava ao sul e a noroeste, o Oceano de Noutlong. Oreino constituía-se de um território abundante emnascentes, lagos e cataratas, de onde surgiam todas asfontes de águas puras de toda a terra. Protegido por uma extensa e poderosa floresta, aonoroeste do continente, fora edificado o Reino celestialdas Arvores, a bela região de Kromnoustreek, ondehabitavam a imensa maioria dos animais selvagens que,perigosos, reforçavam as defesas contra possíveisinvasões. O quarto Domínio, ao norte das terras habitadas,denominado Eineonstreek, o Reino celestial do Fogo, eracortado ao meio pelo rio Igneong (o rio de lavaincandescente). Tinha suas defesas estabelecidas porvulcões sempre ativos, margeados por abismos profundos 10
  11. 11. que cercavam raras e estreitas passagens para o centro docontinente. Seus domínios, com escassa vegetação e calorintenso, revelaram um ambiente inóspito, cuja vida forapermitida em consequência das poucas nascentes deáguas extremamente quentes. O Reino das Terras Celestiais, Iktyoustreek,estabelecido ao nordeste do continente, tinha suas defesasnum deserto extenso e inabitável. A região era habitadaapenas nas proximidades do litoral, onde as condiçõesgeográficas permitiam a sobrevivência de seushabitantes. Por fim, ao centro do continente, estabeleceu-se oVale Evilkeerts, a anti-região do Vale Negro. Uma regiãosombria, onde todo o mal inevitável que surgira das mãosdos renegados dos cinco Reinos Celestiais buscaraabrigo, consolidando, ao logo do tempo, o território domal na Terra, de onde surgiram os conflitosanteriormente profetizados. 11
  12. 12. Olonstreek O Primeiro Reino Celestial O mais rico dentre os reinos! Enganam-se os que acreditam que me refiroaos tolos metais preciosos... Os valorosos corações nessas terrasnascidos, ontem e hoje. Estas sim são asverdadeiras riquezas. Suas virtudes estão acimadas habilidades para a luta e justiça, pois acoragem e bondade valem mais. 12
  13. 13. Chegará o dia em que o ouro e a prataestarão desprotegidos e não serão tocados. Asarmas bem forjadas não os salvarão, mas suasvirtudes serão vistas nas terras Habitadas. Dos grandes heróis, mártires e eleitos,muitos nestes domínios nascerão. A guerra nestesolo terá início e aqui festejarão os reinos se avitória os alcançar... 13
  14. 14. Olonstreek era o mais rico e poderoso dentre osreinos celestiais. Suas riquezas originaram-se da imensacadeia rochosa, cuja formação abrigava enormes jazidasde ouro e prata. O poder, também, tinha origem nasriquezas minerais, pois a abundância de minério para aforja de armas e armaduras gerara uma cultura demilitarização onde as crianças, inclusive plebeias,desenvolviam habilidades em manejar armas. Os filhosdos nobres eram criados mediante educação diária sobretáticas de guerrilha, as notícias sobre uma guerra próximase espalharam pelo reino e, apesar dos discursos pacíficosda família real, todos cresciam com o sonho de tornarem-se heróis defendendo a justiça e a vida na terra antiga. O Palácio de Galatyans (Palácio de Prata) era,sem dúvida alguma, a mais bela e valiosa de todas asedificações do planeta. Sua imponência podia ser vista adistância, pois o reluzir do revestimento totalmenteconstruído com a prata real, traduzia o seu valor a todosque o contemplassem. No interior do castelo, as riquezasse multiplicavam em paredes, colunas e objetos em ouroe prata de valor inestimável. O rei Gyllimond era um homem maduro,corpulento, de olhos castanhos e andar altivo. Suaexpressão humilde contrastava com a postura rígida deum regente justo e poderoso, o que confundia ospreconceituosos nobres de Olonstreek. Os cabelosnegros, mesclados aos grisalhos completavam a belafigura do Senhor do 1º reino. A rainha Zayra, detentora de uma belezaindescritível em seus olhos verdes cristalinos, iluminavao semblante dos que ousavam contempla-la. Seus cabeloslouros, ondulados, harmonizam-se perfeitamente à peleclara, às feições impecáveis e corpo jovial que pareciamimunes ao tempo. Era Senhora do amor do seu rei einspirava incontáveis desejos secretos dos nobres deOlonstreek. 14
  15. 15. Ambos, rei e rainha, eram justos e humanos acimada condição de Senhores do reino do metal. A fé, nosdesígnios do Senhor Supremo, os tornara verdadeirosdesafiadores das preconceituosas leis da sociedadeantiga. Seus corações eram regidos pela bondade, amor ejustiça e o povo os veneravam com a mesma intensidadeque se sentiam amados por eles. O reinado de Gyllimonde Zayra fora marcado pela prosperidade galgada nasabedoria em administrar as riquezas reais para o bemcomum, contudo o controle dessas riquezas dera origem àinsatisfação de uma minoria gananciosa, tornando, assim,os recursos de Olonstreek a origem dos seus maioresconflitos. Todo metal precioso era de propriedadecomum a todo o reino, não sendo permitido a ninguémtomar posse dos mesmos. Os nobres tinham o direito deposse sobre as jazidas existentes em suas terras, noentanto, mesmo um deles seria preso e julgado caso fossesurpreendido apropriando-se das preciosidades nas terrasreais. Essa estrutura social e as leis em torno dos metaispreciosos geravam a ganância e a maldade em todas asesferas do 1º reino. Este sentimento, por muito, eracompartilhado dentre os habitantes das outras regiões dasterras habitadas, que se sentiam injustiçados por nãoterem direito natural sobre tais riquezas. Assim, homensde todos os lugares eram recrutados pelo mal, sobre opretexto de poder tomar posse do patrimônio deOlonstreek, ao subjugá-lo. 15
  16. 16. ...Voltando ao interior da casa, ele tomou suaespada e a velha bolsa que, para todos os lugares,carregava consigo e, apressado, preparou seu velhocavalo para partir. Em seus ouvidos uma voz familiarrepetia insistentemente: “Deves partir agora! O perigo ronda-nosimplacável! Por hora, cabe a ti a defesa dos bons. Vá aopalácio e mostre o vosso poder!” Seu cavalo cortava a vila, veloz, passando pordiversos focos de conflito e ele logo pode reconhecer osinvasores, pois as cicatrizes evidentes nas suas faces osdenunciavam. Os inimigos investiam perversos sobretodos os que cruzassem seu caminho, mulheres oucrianças, nobres ou servos, como se suas vidas nadavalessem. Aquele homem bondoso, sobre seu cavalo,com imenso pesar, sentia em suas entranhas cada golpeque via ser desferidos contra aqueles inocentes. Ele continuou cavalgando rumo ao castelo sem sepermitir desviar seu destino em socorro àquelas vítimas,mas, tomou sua espada, erguendo-a, quando avistou uminvasor que investia contra uma indefesa criança,confusa, em meio à estrada. Antes que o inimigodesferisse um golpe mortal contra o menino, forasurpreendido pela lâmina perfeita que lhe transpassara.Sem perder o ritmo, ele contemplou a face daqueleperverso invasor e nela vislumbrou a marca feita a ferrocom o símbolo do 1º reino celestial... 16
  17. 17. Os Inimigos Insolente! Traidor! Servo invejoso! Traiu minha confiança porinveja dos meus filhos e da liberdade que osconcedi. Ele deseja tê-los, deseja a terra e o poderde ser Senhor. Desafiou-me a entregá-los caso nãohouvesse honra, bondade e coragem que osvalesse. Insolente! Aceitei o desafio, pois creio no coração dosmeus filhos, e, apesar dos seus ardis, guiá-los-ei àvitória se forem, como acredito, merecedores. Do 17
  18. 18. contrário, perderão a terra e a vida, mas as almasdos dignos não serão tocadas e serão bem vindasem minha casa, vitoriosas ou não. És meu inimigo! E todo aquele que for porti seduzido, terá de mim o mesmo tratamento. Sequiseres ser Senhor, serás o Senhor das Trevas enela andará aquele que te seguir... 18
  19. 19. Apesar da busca pela paz, comum a todos osReinos Celestiais, a influência da natureza humana,fatalmente conduzira o surgimento de atos isolados deviolência, comportamento severamente punido pelas leisreais. Num consenso, os reinos celestiais puniam seusinfratores dando-lhes o direito de escolha, entre obanimento ou as prisões reais. Aqueles que escolhiam ocumprimento de suas penas seriam presos e perdoadosapós justa punição. Os que optassem pelo banimentojamais poderiam retornar aos respectivos domínios reais,sobre pena de execução. Ao longo dos anos os malfeitores que optarampelo banimento organizaram-se no território do ValeEvilkeerts (a anti-região do Vale Negro), cultivando todaa maldade e sentimento de vingança contra os ReinosCelestiais. Estes renegados estabeleceram-se no primeiroexército inimigo, que crescia no propósito de desafiar aordem dos cinco reinos, buscando impor o domínio domal sobre os povos da terra antiga. Assim, invadiramOlonstreek no intuito de roubar suas riquezas e obter adesforra tão esperada contra suas duras punições. A maléfica influência de Myrior, o Senhor dasTrevas, na ocasião do primeiro ataque, não passava desugestões sutis aos corações endurecidos dos renegados.Contudo, num futuro muito próximo, a presença destesombrio inimigo se concretizaria num exercito sobre-humano. 19
  20. 20. ...Aproximando-se do castelo ele percebeu umamudança sutil no cenário visto na vila. A luta continuavamais os soldados do reino estavam, claramente, vencendoa disputa. Tropas agrupavam-se marchando em direçãoao vilarejo e já era possível deparar-se com renegados emfuga. A voz ainda ressoava em seus ouvidos: “Entre depressa no Palácio!” Ele passou sem ser notado pela guarda, como seestivesse invisível, e, deixando seu cavalo, entrou nocastelo. Ouvia desde então outra voz que clamava: “Por favor, não me faça mal!” A bela voz feminina, impregnada de temor, fez ocoração do guerreiro repentinamente iniciar um estranhocompasso, batendo tão forte que ele podia escutá-lo. Elecorria pelas magníficas dependências do palácio, alheioàs belas que jamais contemplara e, então, deparou-se comuma inesperada imagem. A rainha Zayra fugia, desesperada, dos golpes deum renegado que tentava feri-la. Não demorou muitotempo para que o malfeitor encurralasse a indefesamulher. Ele sorria, num tom sarcástico e, erguendo suaespada, olhou-a como um carrasco pronto para umaexecução: — Em nome do exército do Vale Evilkeerts, voscondeno à morte, rainha de Olonstreek, pondo fim a tuavida e da criança que carregas no teu ventre... A rainha, sem esperança de ser salva, cerrou osolhos em oração, entregando-se nas mãos do SenhorSupremo. No entanto, como se o tempo houvesse parado,o golpe final não se concretizou, dando lugar ao som das 20
  21. 21. espadas que se cruzaram ante aos seus olhos surpresos. Ooponente era um homem humilde, de meia idade, quenem mesmo parecia ser capaz de erguer sua arma: — Quem és tu, velho insolente? A expressão do renegado revelou sua surpresa aoreconhecer o rosto que o desafiava: — Eu o conheço! És o ferreiro do vilarejo... 21
  22. 22. O Escolhido No momento, um homem fora escolhido.Sua justiça e sabedoria serão conhecidas... É ele o primeiro líder, o primeiro guardião enele se iniciará a vitória de todos. Ele irá instruire encorajar os heróis. Em sua formidável“astúcia” iludirá o inimigo enganador, pois doshumildes nascerá coragem e poder como jamaisforam vistos. Das minhas mãos, encontrarão a luz sob aqual o mal perecerá. Ela estará no livro, nosímbolo, naquele que foi rejeitado e, sobretudo,nos corações que a desejarem. 22
  23. 23. Meus planos foram, há muito, definidos,mas os caminhos terão início nas habilidosasmãos do ferreiro. Essa e a minha vontade! 23
  24. 24. Descendente dos grandes mestres da forja dearmamentos, Steylrork aprendeu com seu pai, aquele queforjara as melhores lâminas conhecidas na terra antiga, oofício de ferreiro. Ele era um homem de meia idade,cabelos grisalhos, olhos castanhos e expressão sincera.Seu corpo envelhecido escondia o porte de um velhoguerreiro e o olhar misterioso denotava grande sabedoria.Seu pai, um grande guerreiro, de prenome Auryous,forjava para si armas notáveis, manejando-as com imensadestreza e, seguindo seus passos, Steylrork aprenderatambém a utiliza-las com maestria. Esta prática secretatransformou a história daquele humilde ferreiro parasempre... 24
  25. 25. — Se assim desejares, irás morrer junto à vossarainha... — Afaste-se Majestade! Ninguém lhes fará malalgum! A rainha sentiu um súbito alívio ao perceber queseu fim tão anunciado fora adiado, contudo, a simplescomparação entre aqueles adversários lhe trazia aimpressão de que não estaria a salvo por muito tempo.Aquele homem bondoso, que tentava salvá-la, lutariacontra um maléfico e poderoso inimigo ao qual a simplespresença denotava um perigo mortal. Mas a lógica viu-sedesafiada quando, ao bloquear o primeiro golpe desferidopelo renegado, Steylrork feriu-lhe o ombro esquerdo,num contragolpe perfeito: — Vejo que sabes defender-se bem, para umvelho! Mas não precisarei de muito para liquidar-lhe.Disse o renegado segurando sua espada apenas com amão direita. Steylrork, impassível, permaneceu calado comose não ouvisse as palavras do prepotente adversário. Arainha sentia a esperança crescer em seu coração e passoua crer nas habilidades do herói desconhecido que surgiupara devolver-lhe a vida. O inimigo, furioso, ergueu aespada e avançou contra o ferreiro que, com a leveza deum jovem cavaleiro, bloqueou o golpe, girou o corpo pordebaixo das espadas e contra golpeou mortalmente orenegado. No coração do ferreiro uma estranha sensação depaz, tomou o lugar da agonia, quase insuportável, quesentia desde o início do conflito e ele percebeu que haviacumprido sua primeira missão. Nos olhos da rainha, alémdo natural alívio pelo perigo findado, a imensa gratidãoque sentia pelo gesto daquele plebeu: 25
  26. 26. — Qual é o seu nome, heroico guerreiro? — Sou Steylrork Majestade! Ferreiro do vossoreino. — Obrigado Steylrork! — Não há porque agradecer Senhora, jamaissentirei maior honra do que tê-la ajudado. — Falas como se tivesse prestado-me um simplesfavor. Salvaste minha vida e a partir deste instante tudeixaras de ser simplesmente o ferreiro de Olonstreek,pois serás sim conhecido como o mais leal dos amigos dafamília real. Esquecendo-se de sua posição a rainha abraçouseu protetor que, aturdido, silenciou sem saber comoagir... A invasão não demorou a cessar e tão logoresolvido o conflito, o rei Gyllimond, que havia partidoem batalha contra os invasores, retornou ao castelovitorioso. Grande fora a surpresa do rei ao perceber queos soldados designados para a defesa da rainha foramderrotados e as portas do salão, onde Zayra deveria serprotegida, estavam entreabertas. No instante em queavançava em direção à entrada do salão, o rei sentia omais profundo desespero que seu coração jáexperimentara. Estaria sua amada rainha entre as vítimasdaqueles cruéis inimigos? Apoiado num tênue fio de esperança o rei entrouna sala e sentiu-se profundamente aliviado ao ver Zayra,a salvo, junto a um plebeu que a protegia: — Quem és tu bondoso guerreiro? A rainha, tomando a palavra, disse solenemente: 26
  27. 27. — Este é o nosso amigo Steylrork, o homem aquem devemos a minha vida e a vida da nossa criança. Oinimigo caído ao chão tinha o meu destino nas mãosquando este nobre guerreiro, em tempo, enfrentou-osalvando-me. O rei aproximou-se do ferreiro que se ajoelhouem reverência: — Levante-se meu amigo! De todo o bem que eupoderia imaginar receber de mãos humanas, não há nadamaior do que este que hoje me fizeste. Jamais podereiretribuir-lhe à altura! Portanto, deixe a reverência paraaqueles com os quais eu não tenho uma dívida eterna.Para ti quero oferecer o que desejares. Peça e terás! Erguendo-se, Steylrork declarou num tom repletode sinceridade: — Não desejo nada meu Senhor! Pois estive nestecastelo para cumprir meu dever e assim o fiz. Contudo,sinto-me honrado por ouvir-lhe chamar-me por amigo eesta recompensa me basta... — Se vieste cumprir seu dever, a quem devoagradecer o envio de tão valoroso herói? És cavaleiro dequal dos reinos desta terra? — Sou apenas um ferreiro do vosso reino, Alteza!E nenhum homem responde pelo meu envio. No entanto,sou filho desta terra e, como qualquer outro, devoproteger a família real. — Entendo o vosso propósito Steylrork e se terecompensa a minha amizade, quero que saiba que a teráspara sempre. O conflito fora sufocado e tu deverasdescansar da batalha num dos aposentos de Galatyans,pois, logo farei um pronunciamento ao valente povo domeu reino e quero que estejas em nossa companhia. 27
  28. 28. — Agradeço o convite Majestade! Estarei aquienquanto desejares. O povo foi avisado que o rei convocava a todospara o seu pronunciamento, à cerca do conflito quevitimou muitos filhos do reino. Então, passado algumtempo, Gyllimond surgiu no alpendre do castelo,acompanhado pela rainha Zayra e Steylrork, quandocomeçou a falar ao povo: — Querido povo de Olonstreek! Neste triste diatrago-os aqui para que possamos, reunidos, homenagearnossos irmãos que deram suas vidas para proteger nossasterras. Os inimigos nos surpreenderam numa invasãocovarde e violenta, ferindo nossas almas por ganância evingança. Eram renegados de todos os reinos, julgadospor nossas leis, banidos por seus crimes e amotinadosnum exercito de malfeitores. Muitos dos nossos soldadospereceram ante este ataque traiçoeiro e não apenas eles,como muitos homens simples, mulheres e crianças quetentaram defender-nos, pois a maldade dos inimigos nãoescolheu suas vítimas. Junto ao meu exercito, no campo de batalha,presencie diversos atos de heroísmo, realizados porhomens e mulheres de todas as idades e origens, o quenos deixou orgulhosos e possibilitou a nossa vitória. Queo Senhor Supremo conceda o prêmio devido os nossosheróis no Palácio Celeste, que tenhamos aprendido overdadeiro sentido da nossa liberdade e o preço quemuitas das nossas famílias pagaram por ela. Enquanto lutávamos um dos perversos renegadosinvadiu o castelo no intuito de ferir nosso reino com amorte da rainha e da criança que ela carrega em seuventre, mas o Senhor Supremo apiedou-se do meu velhocoração, e do nosso reino, enviando este valorosocavaleiro para protegê-la. Seu nome é Steylrork e ele, até 28
  29. 29. o momento, fora conhecido como um dos nossosferreiros, no entanto, quero que todos saibam da nossaeterna amizade e do merecido título que agora oconcedo... Ficando de pé, o rei tomou sua espada na mãodireita e ordenou que o ferreiro ajoelhasse à sua frente.Emocionado, Steylrork, ajoelhou-se e pode sentir aespada tocar-lhe os ombros enquanto ouvia a voz do rei: — Steylrork! Em nome do 1º Reino Celestialconcedo-lhe o título de cavaleiro real, em justiça àbravura que demonstrares ao salvar-nos a todos nomomento em que protegera nossa família. Que o SenhorSupremo ajude-o a honrar vossa nova missão e que todoso respeitem, desde então, pela vossa nova posição. SouGyllimond, o rei dos domínios do metal, e esta é a minhavontade. O povo saudou, com reverência, o novo cavaleiroreal e muitos dentre aqueles que conheciam o valorosoSteylrork, demonstraram grande felicidade pela justahorária que ele recebera. Muitos outros, no entanto,represaram sua insatisfação em respeito ao rei. Algum tempo após o pronunciamento, Gyllimondchamou Sr. Steylrork para uma conversa reservada: — Steylrork! Preciso falar-lhe um instante. — Sim Majestade! Em que posso servi-lo? — Tenho planos para garantir a segurança darainha e gostaria de contar com vossa presença,diariamente entre nós, para viabiliza-los. Acredito queseria apropriado que visses residir em Galatyans. — Perdoe-me meu Senhor, se rejeito a honra queme concedeste! Mas nasci no vilarejo e ali passei todosos meus anos, por isso, não saberia viver em outro lugar,ainda que fosse neste belo Palácio. Peço-te humildemente 29
  30. 30. que reconsidere vossa vontade dando-lhe minha palavraque estarei ao vosso dispor sempre que precisares. — Tens liberdade para decidir aonde queresviver, meu amigo, e entendo vossa decisão! Contudo, semudares de ideia vosso lugar estará à disposição. — Se me permites Alteza, voltarei ao meu lar novilarejo. Estarei de volta ao castelo pela manhã. — Vá em paz e até breve meu amigo! Cavalgando pela madrugada, Steylrork voltou aovilarejo lembrando-se das imagens aterradoras que haviapresenciado na última passagem por aqueles caminhos,hora desertos e envoltos num silêncio tumular queparecia homenagear as vítimas da batalha ali travada. Elesabia que a luta havia apenas começado e a sua missãoteria avançado um único passo de uma longa e árduacaminhada. Era guiado pelo próprio Senhor Supremo,cuja voz fazia-se sempre presente quando necessário. 30
  31. 31. A Revelação ao Ferreiro Dias antes do ataque ao 1º reino... A noite parecia não ter fim. Um sono profundo,sem sonhos, se alongava, mas o cansaço do dia ainda sefazia presente. Uma luz feriu a escuridão dos seusaposentos e dela um homem surgiu. Steylrork sentia quetempos tenebrosos estavam por vir, contudo, a sabedoriainata do seu coração o faria reconhecer um mensageirodo Senhor Supremo em qualquer circunstância. Era umanjo e ele preparou-se para ouvi-lo: —Diga-me a que vieste nobre mensageiro. —Venho declarar que tu, Steylrork, fosteescolhido pelo Senhor Supremo, para guardar a profeciado Reino Unificado do Dragão dos Ventos Celestiais econduzir os homens de bom coração a cumpri-la. 31
  32. 32. —Perdoe-me! Mas sou apenas um velho ferreiro!Como poderei cumprir tão honrosa missão? —Não há porque questionar os desígnios dovosso Deus. Ele conhece a todos os corações e escolheu ati dentre eles, sabendo exatamente vossos limites evirtudes... —Sei que não posso duvidar da sabedoria do meuSenhor em escolher-me. Contudo, não encontro em mimmerecimento algum para tanto. O anjo esboçou um sorriso: —Não se trata de um prêmio, mas de um voto deconfiança que por certo eis merecedor. Alem disso estanão é uma missão galgada em merecimentos meu caro! Esim, num sacrifício pelo bem de todos os homens, pois aofalharmos toda humanidade perecerá ante ao mal. VossoDeus confiou em vós, enviou-me para dar-lhe ciência dasua suprema vontade e ouvir uma resposta, ele não iráferir-lhe o livre arbítrio ainda que custe a vida de todos... —Sei a quem devo minha própria existência e aEle, que me honra com sua divina confiança, jamaisnegarei o meu sim. Estou pronto para o que foi decidido. —Face à resposta que me destes, deixo em vossasmãos, por ordem do Senhor Supremo, a profecia dodesejado Reino Unificado do Dragão dos VentosCelestiais, traduzida no livro que agora te entrego. Osímbolo presente em seu interior é, na verdade, uminstrumento do poder que emana da luz, devendo serusado com sabedoria. O anjo tocou o ombro esquerdo de Steylrork, queadormeceu subitamente... 32
  33. 33. Ao acordar, o ferreiro acreditou, por instantes,que teria tido um estranho sonho, mas encontrou ao seulado um livro dourado... Contemplando aquele objeto notável, Steylrorkpode perceber a importância do que estava por vir. EleEstendeu a mão, segurou o livro, tocou com as pontasdos dedos os seis brasões entalhados na capa ereconheceu os símbolos dos cinco reinos ao redor de um,desconhecido, que seria a representação do reinounificado. Ao abrir o livro o ferreiro sentiu-serepentinamente enfraquecido, como se algo roubasse lheas forças, contudo, em poucos instantes, recuperou-se.Ele esperava encontrar orientações sobre os primeirospassos da sua missão, mas percebeu que aquelas nãoeram escrituras comuns. A maioria das folhas nãocontinha texto algum e, ao fundo, a contra capa escondiao instrumento ao qual o anjo se referiu: um medalhãocom o símbolo do Reino Unificado. Surpreso Steylrorkcontemplou uma escritura surgir, letra após letra, numafolha que estava em branco... 33
  34. 34. Filho! És tu o meu escolhido! Vasculhei os reinos, procurando, e dentretodos vos escolhi. Não me importam riqueza oupoder, nobreza ou direito herdado. Estas sãopreocupações dos homens. Vossa lealdade, honra e justiça é o quedesejo. Tão abundantes não encontrei nos reis ouguerreiros, herdeiros ou nobres de toda a terra.Forje a vitória para o vosso povo, como aslâminas que Auryous lhes ensinara a forjar, everás que nada se perderá. Será tua esta difícil missão e se merecerdes,perderás a vida, mas tua recompensa não lhe serátirada jamais. Comece já a caminhada! Nas escrituras encontrarás o destinocorreto, porem, os caminhos, deveis trilhar por simesmo. Minha voz o acompanhará se quiserdesouvir e irei carregá-lo quando vossas forças, porfim, o deixarem. Confio em ti meu nobre ferreiro! 34
  35. 35. Tudo estava claro. Steylrork entendeu que, maisdo que um livro, estava diante de um elo entre ele e oSenhor Supremo, entre o mundo dos homens e as TerrasCelestiais. A mais importante das armas na guerra que seanunciava. Deveria defendê-lo com a própria vida, usá-locom o máximo de sabedoria e tornar a vitoria possívelaos homens. Assim, prostrado ante ao poderoso objeto,ele elevou uma prece ao seu Senhor: “Oh meu Supremo Senhor! Como podeis ser tão benevolente? Como posso honrar vossas palavras? Não sou nada! Não sou ninguém para merecer de ti, talhonraria! Darei o meu melhor! Protegerei estas escrituras e este medalhão comminha vida! Espero, com minha pequenez, poder honrar vossasuprema confiança. Para que possamos livrar-nos do malque nos assombra e ter a paz tão sonhada. Estou aqui meu Senhor! Desejo servi-lo! Desejo ahonra de ser instrumento da vossa vitória! Assim seja!” Steylrork estava, por fim, certo da sua missão e,desde aquela noite, começaram seus esforços para honraros desígnios do Senhor dos Homens, ainda que dissodependesse sua vida... 35
  36. 36. Segunda Parte Na manhã seguinte o reino parecia acordar de umterrível pesadelo. O povo recolhia os restos da batalha ejá iniciava a reconstrução do que fora destruído.Steylrork partiu cedo para o castelo, como desejou o rei,e, estando lá, foi chamado para uma reunião convocadano intuito de tratar das questões prioritárias de segurançapara Olonstreek. O tema central da reunião logo se tornou evidentepara todos. A clara necessidade de reformulação daestrutura de segurança do reino, vez que a antigaestratégia foi superada pelos inimigos, resultando norecente incidente. Ryanor, um homem jovem, sério,corpulento e altivo, o chefe da guarda de Olonstreek,sentindo-se responsável pelo acontecido reagiudefensivamente: 36
  37. 37. — Majestade, se me permites discordar, gostariade posicionar-me contra a mudança de estrutura dasnossas defesas, pois creio que a invasão sofrida não tevequalquer relação com as nossas táticas de segurança... — Ryanor! Estruturar as defesas de um reino éobrigação do chefe da guarda, no entanto, aceitar aestratégia proposta é da competência do rei. Assim, querodeixar claro que vossa responsabilidade quanto ao ataquenão é menor do que a minha e a mudança que devemosplanejar não é uma afronta aos vossos esforços, mas umaprecaução para que não venhamos a sofrer outro ataque. Subitamente, Steylrork tomou a palavra. Osnobres ali presentes, não conseguiam esconder asensação de que um intruso se interpunha em seusassuntos. Gyllimond, por sua vez, aguardou atentamentea posição do cavaleiro. — Senhor! Permita-me concordar com o nobrechefe da guarda. Os planos do inimigo certamente estãoacima da estrutura de defesa do nosso reino. — Majestade! Nossos inimigos são renegados doscinco reinos celestiais, reunidos num exercito. Portanto,me parece natural imaginar que os planos de vingançadesses malditos não se limitam a atacar-nos e certamenteexiste a intenção de invadirem os outros reinos. Os presentes entreolharam-se reconhecendo asrazões expostas pelo ferreiro. — E então o que faremos contra a eminentepossibilidade de um novo ataque? Perguntou o rei: 37
  38. 38. — Algum dos presentes poderia sugerir algonovo, que possa reforçar nosso potencial de defesa? Após um breve silêncio, Steylrork sugeriu: — Gostaria de sugerir que seja formado umconselho entre os reinos, com o intuito inicial deestabelecer diretrizes de cooperação e comunicação entreas regiões e seus exércitos, viabilizando, assim, a ajudanecessária quando da eminência de uma invasão porparte dos renegados. A surpresa do rei Gyllimond era a mesma dosoutros membros da reunião. Como um simples ferreiropoderia ser dotado de tão veemente sabedoria? Steylrorkestava completamente correto em seu julgamento emesmo os nobres, que não aprovavam sua presença,viram-se obrigados a concordar com sua estratégia. — Creio que não precisamos debater sobre assabias palavras do meu nobre amigo. Providenciaremosuma reunião secreta com as autoridades dos outros reinospara que possamos chegar a um consenso a respeito dapossível formação de um conselho destinado à segurançade todos. Que o Senhor Supremo nos ajude! 38
  39. 39. O Conselho Celestial Conselheiros reunir-se-ão almejando a paz.São valorosos e honrados, mas suas forças nãosão capazes de evitar o mal, pois traidores estão àespreita e seus segredos serão conhecidos... 39
  40. 40. Decidido a promover a formação de um conselhocomposto por representantes dos cinco reinos, o reiGyllimond reuniu-se com Steylrork no salão real e, comele, chegou ao entendimento de que seria necessárioenviar, através de um mensageiro de extrema confiança,comunicados secretos, endereçados exclusivamente aosdirigentes dos respectivos reinos. Decidiram, contudo,que os reais motivos deste encontro seriam revelados nomomento certo. Assim, o rei ordenou que um dossoldados, postos às portas do salão real, fosse ao encontrode Ryanor e o chamasse: — Meu Senhor! Em que posso lhe ser útil? — Ryanor! Prepare vosso melhor cavalo, poisdeveis partir ainda hoje aos outros reinos celestiais,levando uma mensagem urgente, que devera ser entreguenas mãos de cada dirigente e cujo conteúdo éextremamente secreto. O chefe da guarda olhou para Steylrork, comoquem olha para um traidor. Em seus pensamentos teve acerteza que aquele intruso desejava o prestígio que a eleera devido... — Mas meu Senhor! Tenho diversos assuntos daguarda para tratar, temos os melhores mensageiros dasterras habitadas e... — Não discuta minhas decisões, cavaleiro!Confiei à ti esta missão e serás tu a cumpri-la! — Perdoe-me Majestade! Não quis parecer-lheinsolente. Estarei a postos o quanto antes, se permitirdes,irei preparar-me imediatamente. — Permissão concedida! Ryanor dispensou um último olhar ameaçador aoferreiro e retirou-se apressadamente do salão. 40
  41. 41. Steylrork dirigiu-se ao rei: — Meu Senhor! Creio que Ryanor sente-sedesafiado pela minha presença... — Não há do que se preocupar Steylrork! Elesente-se culpado pela invasão e acredita ter perdido omeu apreço por falhar em proteger o reino, no entanto,não percebe que dentre todos os cavaleiros tem minhapreferência e confiança. — Permita-me, Senhor, sugerir que deveisesclarecer os fatos junto a Ryanor, em honra a confiançaque o tens. Ele pareceu-me decepcionado. — Entendo vossa preocupação Steylrork. Vamosaguardar que ele retorne... Algum tempo depois o Chefe da guarda retornouà Galatyans, sua expressam contrariada não deixavadúvidas quanto ao seu pesar, mas a jovem manteve-seobediente: — Está tudo preparado Majestade! Onde estão asmensagens que levarei? — Sente-se cavaleiro! O rei estendeu a mão, entregando-lhe quatromensagens seladas: — Ryanor! Steylrork sugeriu-me que aomensageiro devesse ser concedido o direito de conhecero conteúdo das mensagens, portanto, abra e leia uma dascartas! Ele hesitou: 41
  42. 42. — Estas são mensagens secretas e apenas oshomens presentes neste salão conhecerão seu conteúdo.Leia filho! “Trata-se de assunto de extrema urgência paratodos os Reinos Celestiais! Eu, o rei Gyllimond deOlonstreek, venho, por meio dessa mensagem, solicitar apresença dos representantes de todas as regiões pacíficasdas terras habitadas, para uma reunião urgente etotalmente secreta no palácio de prata. Trataremos dequestões que envolvem a segurança e a paz em toda aterra. Creio que foram conhecidos, por todos, oseventos ocorridos em Olonstreek. Ataques covardes quevitimaram muitos homens de bem e quase destruíramnosso querido reino. Temos razões para acreditar que estefoi apenas o primeiro incidente de muitos e que os vossosterritórios serão os próximos alvos. Espero encontrar-lhesna próxima lua crescente e que o Senhor Supremo nosconduza!” Após um breve silêncio, seguido de olharesamigáveis entre os presentes Ryanor dirigiu-se ao rei:: — Majestade! Posso entender a importância dovosso envio e sinto-me honrado pela confiança que meconcedestes! — Tenho vossa permissão para partir? — Siga vosso caminho em paz, filho! Que oSenhor Supremo o conduza! — Obrigado Alteza! — Sr Steylrork! Perdoe-me por tê-lo julgado mal.Vejo que nosso rei o tem em alta conta e deveis sermerecedor dessa honraria. 42
  43. 43. O ferreiro esboçou um sorriso e tocou o ombro dojovem cavaleiro, em sinal de amizade... Ryanor tomou as mensagens e retirou-se dopalácio. Steylrork despediu-se do rei em seguida eretornou à sua casa no vilarejo. Ao chegar à vila o ferreiro sentia um desejoincontrolável de consultar o livro e suas mágicasescrituras. Ele era atraído por aquele misterioso objeto,sempre que houvesse algo importante a ser lido e aagonia que o tomava só tinha fim após a leitura. Ao abri-lo na última folha limpa, como esperado, uma novaescritura começou a aparecer letra após letra... Ryanor seguiu veloz pelos caminhos dos reinoscelestiais e cumpriu sua missão entregando, nas mãos dosdirigentes dos reinos, as mensagens do rei Gyllimond.Ele esclarecia a urgência do encontro e a necessidade dediscrição quando da chegada à Olonstreek e todos secomprometeram a comparecer ou enviar representantesem segredo. No dia da primeira reunião do Conselho Celestialos dirigentes ou representantes enviados, chegaram aoreino do Metal sem serem notados e foram recebidos emGalatyans, pelo próprio rei, com toda a discrição devida. Os trabalhos se iniciaram, mas Gyllimondinquietava-se com uma ausência entre seusconselheiros... 43
  44. 44. Esconda-se ferreiro! Vossa presença será requisitada, mas deveisesconder-se por hora! És o principal conselheiro do rei e elesentirá vossa ausência, contudo vosso melhorconselho será o silêncio. Não se trata de insolência ou covardia.Nossas melhores armas devem estar fora doalcance dos traidores. Não serás visto neste dia, nobreconselheiro! 44
  45. 45. ...Acima dos interesses do conselho, Gyllimondviu-se profundamente preocupado com o paradeiro deSteylrork que jamais havia estado ausente, desde que setornara cavaleiro. O momento mais importante após a invasão deOlonstreek havia chegado e o ferreiro simplesmentedesapareceu. O rei, não poderia ausentar-se para procurá-lo pessoalmente, então, ordenou que seus soldados ofizessem e o informasse imediatamente o que acontecera. A primeira reunião do Conselho Celestial atingiuo quanto esperado. Os representantes retornaram aos seusreinos com a mesma discrição que chegaram e ninguémse quer percebeu o que havia ocorrido em Olonstreek. Os soldados enviados por Gyllimond nãoencontraram Steylrork em lugar algum. A aflição do rei,e da rainha, quanto ao seu paradeiro, perdurou até oamanhecer do dia seguinte, quando o ferreiro chegou aocastelo, à passos largos: — Meu Senhor e Senhora! Perdoem-me aausência durante a reunião do Conselho. Steylrork curvou-se diante do rei e da rainha comuma expressão de arrependimento e pesar: — Meu amigo! Onde esteve? Estávamos aflitoscom o vosso desaparecimento. O que houve afinal? Disse Zayra, enquanto erguia o ferreiro,gentilmente, segurando-o pela mão. — Perdoe-me Majestade não tive a intenção deafligi-los, mas assuntos urgentes me detiveram por todo odia. O rei, irritado, olhando-o fixamente indagou: 45
  46. 46. — Qual seria este assunto tão importante que otiraste de vossas responsabilidades de cavaleiro, deixadoo rei e a rainha de Olonstreek sem notícias do vossodestino? — Entendo vossa revolta, meu Senhor! E esperominha justa punição, mas o assunto que me deteve é umsegredo que nem mesmo à família real me cabe revelar. O rei estava aturdido com a coragem daquelehomem. Não via temor nos olhos sinceros do ferreiro,apesar da iminente punição que ele poderia receber porter deixado suas obrigações reais, em nome de umsegredo que não pretendia revelar. Gyllimond pôs-se a lembrar de como conheceraSteylrork, como deparou-se com o salvador da sua amadarainha. A espada em punho preparada para defendê-lanovamente, caso fosse necessário; o olhar de um grandeguerreiro vitorioso enviado para estar ali naquele exatomomento. Lembrou-se também da sabedoria que eledemonstrara ao sugerir a formação do Conselho Celestiale, por fim, entendeu que estava sendo conduzido, poraquele homem humilde: “Steylrork é mais do que um cavaleiro deOlonstreek. É um enviado do próprio Senhor Supremo eestá a nos conduzir desde a invasão, não me caberecriminá-lo, nem saber mais do que me é permitido.”Pensou Gyllimond, mudando de atitude. — Não irei puni-lo cavaleiro, pois meus olhoscomeçaram a se abrir e posso imaginar o valor do vossosegredo. Esperarei o tempo em que poderás confiar-mevossos mistérios Steylrork e estou feliz por ver que estaisbem, meu amigo! 46
  47. 47. — Eis generoso como nenhum outro rei nascidonesta terra meu Senhor! Muito obrigado pelo vossoperdão! A rainha não pode entender como Gyllimondmudara de atitude tão repentinamente, contudo, numsorriso, demonstrou sua aprovação vez que nuncadesejara que o ferreiro fosse punido. O Conselho Celestial estava formado desde então,e foi estabelecido no primeiro encontro que cada reinoescolheria quatro mensageiros destinados ao envio decomunicados urgentes, solicitando reforços rápidosquando da iminência de ataques. Ficaram tambémestabelecidos códigos de comunicação por meio de sinaisluminosos, com os quais seria possível responder àssolicitações e até mesmo avisar da impossibilidade decumprimento do tratado de cooperação à distância.Outras reuniões foram pré-estabelecidas e ocorreriam emcada um dos outros reinos segundo agendamento prévio,ocasiões em que seriam atualizadas as informações sobrea segurança de todas as regiões pacíficas das terrashabitadas. 47
  48. 48. As Crianças de Olonstreek São duas as crianças. Deveis escondê-lasem vosso lar. Proteja a mãe como será pedido eajude quando ouvir a súplica. Uma nascerá emvossos domínios e a outra lhes será enviada.Reúna-as, pois são vossas, tanto quanto do rei eda rainha. Escolherás seus nomes e protegendo-asenganaras o oponente, pois no silêncio datempestuosa noite os olhos do inimigo nadaverão... Salve-as ferreiro! 48
  49. 49. A batalha que quase vitimou a rainha e a criançaque ela trazia no ventre, tornou a segurança da famíliareal, mais do que nunca, a prioridade no reino do metal. Os renegados capturados, após a invasão, foraminterrogados diversas vezes pela guarda de Olonstreek.Ryanor tencionava colher informações sobre o exercitoinimigo e suas intenções futuras. Ele descobriu queexistiam planos concretos de impedir que a criança realviesse ao mundo, que este fora o verdadeiro motivo doataque e que o contingente inimigo era muito maior doque fora visto. Por essa razão o Rei Gyllimond, resolveuesconder Zayra em um lugar onde ninguém imaginariaque ela pudesse estar. Ele convocou Steylrork para umareunião urgente: — Steylrork! Preciso da vossa ajuda. O ferreiro prontificou-se: — Meu Senhor! Diga-me em que poderei ser útil. — Preciso que escondas Zayra em vossa casa, atéo nascimento da nossa criança. Descobrimos que aintenção dos invasores era a morte da rainha e do bebê e,por isso, temo a possibilidade de um novo atentado. — Minha casa será abençoada pela honrosapresença da vossa família, meu Senhor! Não se preocupe,pois protegerei a rainha com a minha vida! — Vos agradeço meu amigo! Terás minhaconfiança para esta missão. Meus melhores homensestarão vigiando secretamente a vossa casa. 49
  50. 50. Na noite seguinte a Rainha foi levada, sobredisfarce, para a casa de Steylrork. Apenas os homens deconfiança do rei e a serva da rainha sabiam onde Zayrairia permanecer até o nascimento da sua criança. O pequeno Chalé onde o ferreiro vivia, dispunhade apenas um aposento onde ele se recolhia para dormir.Era realmente confortável e mantinha-se impecavelmenteorganizado, com moveis entalhados pelas suashabilidosas mãos. Ele preparou sua casa para a chegadada rainha e a recebeu com toda reverência devida: — Minha Senhora, perdoe-me o desconforto domeu lar. Farei o melhor para reduzir o incomodo destashumildes instalações. — Steylrork, meu amigo! Vossa segurança elealdade é todo o conforto de que preciso. Agradeço-vospor me abrir as portas da vossa casa. Zayra entrou no chalé e foi conduzida porSteylrork aos aposentos onde ficaria escondida até o finalda gestação, como planejado pelo rei. O ferreiro então começou a dedicar-se ao serviçoe proteção da bela rainha e sua criança que em algunsdias, viria a nascer. Zayra sentia-se bem, em segurança, eSteylrork mantinha-se vigilante. Ele avisaria ao reiquando a hora do nascimento estivesse próxima, para queElga, a fiel serva da rainha, viesse acompanhar o parto.Enquanto este dia não chegava, cabia à Elga fingir queZayra mantinha-se indisposta nos aposentos reais, paraque todos em Olonstreek acreditassem que elapermanecia no castelo, o que ela cumpriu sabiamente. Alguns dias se passaram e o plano de Gyllimondfuncionava plenamente. Ninguém, em todo o reino,imaginara que a rainha não estava recolhida no palácio.A invasão esperada não ocorreu, mas Ryanor reforçou as 50
  51. 51. tropas na fronteira do reino, evitando ser surpreendidonovamente. Uma tempestade quebrava o silêncio damadrugada, quando Steylrork ouviu uma voz que ochamava do lado de fora da casa. Ele imaginou saber doque se tratava, mas, precavido, tomou sua espada nasmãos e cuidadosamente abril a porta. Ninguém oesperava, porém, ao chão, havia um cesto com umacriança que curiosamente não chorava, embora estivesseao relento. O ferreiro sorriu, olhando para criança e,lembrando-se do que havia lido nas escrituras, trouxe-apara dentro. Enquanto fechava a porta ele ouviu um gritoque vinha do interior da casa. Zayra chamava-o, pois jáestava em trabalho de parto, porem, algo não corria beme ela clamava por sua ajuda: — Steylrork, aproxime-se! Está na hora, mas háalgo de errado! Temo pela vida da minha criança! Ajude-me, por favor! — Acalme-se minha Senhora! Estou aqui e ireiajudá-la! Não temas mal algum, pois o Senhor Supremoestá conosco neste momento! A urgência impedira Steylrork de chamar porElga. Teria, ele mesmo, que auxiliar o nascimento dobebê, em detrimento das convenções sociais queproibiam os homens de presenciar tais ocasiões. Ele nãosabia como proceder. Tentou, então, lembrar-se dasmulheres do vilarejo que se reunião para ajudar umas àsoutras quando uma criança estava para nascer e, muitasvezes, narravam seus feitos aos amigos. Num esforço, o ferreiro lembrou-se de umepisódio narrado por uma de suas vizinhas que,detalhadamente, explicou como conseguira salvar umbebê que não estava na posição correta para nascer. Ele, 51
  52. 52. entendendo que se tratava de situação semelhante,dirigiu-se à rainha explicando o que parecia estarhavendo. — Senhora! Creio que o vosso bebê não está naposição correta para nascer e precisará de ajuda — Ajude-me meu amigo! Faça o que for preciso,mas salve minha criança! Steylrork, munido das bênçãos do SenhorSupremo e imitando as parteiras do vilarejo, reposicionoua criança que nasceu em seguida. A rainha, exausta,desfaleceu, perdendo os sentidos, logo que pode ouvir oprimeiro choro do seu bebê. O ferreiro recordou-se de tudo que havia lido nasescrituras para aquele dia. Ele sabia que Zayra ficariabem, após um merecido descanso. Sabia, também, que osdestinos daquelas duas crianças, que agora seencontravam na sua humilde casa, estavam selados eentrelaçados para sempre. O Senhor Supremo mais umavez o mostrara como agir e ele assim o fez. Tudo corria como esperado e Steylrorkcontemplava as belas crianças que tranquilas dormiam,alheias, a tudo que estava por vir, a todo o mal queenfrentariam no futuro incerto dos homens das terrashabitadas. Zayra acordou chamando: — Steylrork! Traga-me meu bebê! Ele hesitou por um instante olhando para ascrianças. Então, tomou uma delas nos braços e levou atéa rainha. 52
  53. 53. — Aqui está minha Senhora! Veja que belaprincesa o Senhor Supremo lhe enviou! É certamente amais bela que a terra já conheceu! — Obrigada meu amigo! Mais uma vez salvastenossas vidas. — Estarei sempre aqui minha Senhora! Agoraqueira descansar com vossa criança. Chame quandoprecisar. A manhã, finalmente, chegou e a rainha logo quissaber da outra criança que ali se encontrava. O ferreiroexplicou a “incrível coincidência” que ocorrera naquelamadrugada tempestuosa e ambos concordaram que,certamente, tratava-se de um sinal divino. Ele juroucuidar e proteger o bebê que havia sido deixado em suaporta, bem como, a criança que nascera em sua casa. Zayra tomou em seus braços o outro bebê que aliestava. Era um belo garoto aquele que desde então,tornara-se filho do seu amigo ferreiro. Ela levou-o paraseus aposentos e, num gesto digno da bondosa rainha deOlonstreek, pôs-se a alimentá-lo junto à princesa. Tudo havia ocorrido conforme a vontadesuprema, Steylrork cumprira sua missão e era chegada ahora de avisar ao rei sobre o acontecido. Ele convocou osoldado que montara guarda durante toda a noite, aalguns metros de sua casa, e ordenou que fosse ao casteloavisar ao rei que seu bebê havia nascido durante aquelamadrugada, que Rainha Zayra e a Princesa, estavam beme aguardando sua visita. Em pouco tempo o rei Gyllimond chegou à casado ferreiro, aflito, em busca de notícias sobre o que haviaacontecido: — O que houve Steylrork! Por que não nos avisouque a hora havia chegado? 53
  54. 54. O Ferreiro conhecia as convenções do seu tempo,sabia que não deveriam estar presentes durante onascimento de uma criança e que, como regra de conduta,um homem que ousasse presenciar o nascimento de umaprincesa poderia pagar com a vida perante a sociedade. — Meu Senhor! Perdoe-me, mas havia algo deerrado e temi pela segurança da vossa família, caso meausentasse. Obriguei-me, portanto, a auxilia-la durante oparto, a despeito das nossas convenções. Gyllimond, no entanto, era naturalmente avesso àmaioria das convenções preconceituosas da sociedadeantiga e não estava preocupado com quem auxiliou onascimento de sua pequena princesa desde que ela e arainha estivessem em segurança. — Não se envergonhe meu amigo! Tudocertamente correra conforme a vontade do SenhorSupremo. Estou feliz por encontrar minha família emsegurança! Esta é apenas mais uma das dívidas que temospara convosco. — Obrigado por vossa confiança, Majestade!Deixe-me levar-lhe à vossa bela família. Gyllimond cumprimentou Zayra e falou sobre oquanto estava feliz por vê-la bem. Depois tomou sua filhanos braços, com profunda emoção: — Minha bela princesa, minha vida e meu reinosão teus. Terás das mãos de vosso pai, tudo o queprecisar para ser feliz e prometo que o serás, comonenhuma outra princesa em toda historia dos homens. 54
  55. 55. Steylrork retirou-se deixando a família real, emcomemoração. Ele pôs-se a cavalgar em meio aospensamentos que o tomavam. Imaginava o futurodaquelas pobres crianças que conhecera durante a noitepassada, os desafios que estavam por mudar suasinocentes vidas e todo horror da guerra que viria. Seucoração estava agora em conflito, entre o desejo deprotegê-las, a qualquer custo, e a obrigação de deixa-lasseguir o perigoso caminho pré-determinado em nome daprofecia que guardava. Mas, o ferreiro logo recuperou arazão, entendendo que o melhor caminho já havia sidotraçado pelo próprio Deus e que ele amava aquelespequenos muito mais do que qualquer homem que ostentasse proteger. Voltando à sua casa, ele fora informado de que orei procurava-o: — Estou aqui Majestade! Em que posso ser útil? — Steylrork! Zayra deixou-me a par da inusitadahistória que ocorreu esta noite e me parece claro que turecebeste um presente das mãos do Senhor Supremo.Saibas que é da nossa vontade que a rainha possaalimentar vosso filho enquanto bebê. Dou-lhe minhapalavra que esta criança será protegida e tratada como omesmo zelo e cuidado que terá a princesa. Sei que nãoqueres residir no palácio, mas creio ser importante quepermaneças conosco até que vosso filho não necessitemais dos cuidados da Rainha. — Agradeço tuas promessas Majestade!Agradeço também a ti, minha Senhora, pela bondade dealimentar meu pequeno menino. Será uma grande honraresidirmos, pelos próximos meses, em Galatyans, Alteza! A Rainha então tomou a palavra para anunciaruma decisão que tomara junto ao rei: 55
  56. 56. — Decidimos que vos daríamos o direito deescolher o nome da princesa, já que foste tu que a ajudaraa nascer. — Senhor! Como será possível, um simplesferreiro ser detentor de tal honraria? — Tu és cavaleiro de Olonstreek Steylrork eainda que não o fosse, tens a nossa gratidão e amizade!Acaso a família real não tem o direito de ter um amigo? — Naturalmente Majestade! Tenho grandefelicidade por ostentar vosso apreço! — Há alguns dias tive um sonho e ele umacriança, uma bela menina, era conduzida pela mão porum anjo de Deus que a chamava de Zaradyk. Imagineique este poderia ser o nome de vossa princesa, minhaSenhora! O rei tomou a palavra: — És mesmo um homem ungido, Steylrork! Falasde um sonho profético com tal simplicidade que nosparece uma rotina para vós, receberdes mensagens dopróprio Senhor Supremo. Sonhastes com a nossa princesae assim ela será chamada! A rainha, num sorriso, concordou: — É um belo nome meu amigo! Mas afinal comoserá chamado o vosso menino? — Meu pai chamava-se Auryous. Chamaremosmeu filho de Auryousrork, para que ele seja maior que oshomens que o precederam. Saíram todos do vilarejo em direção ao castelo. Arainha cuidaria, desde então, das duas crianças eSteylrork empenhara-se em protegê-las diariamente noPalácio de Prata! 56
  57. 57. A Transformação O renovado Exército do Vale Evilkeerts Tolos Ambiciosos! Sedentos por vingança. A cobiça, maldadee ambição, os destruíram. Pensaram encontrar poder no tenebrosoMyrior, mas, na verdade, entregaram-se comoescravos e perderam suas almas. Tolos Perversos! 57
  58. 58. Jamais serão vitoriosos, pois o lagodestruiu seus corações e as corpulentas aberraçõesnão verão a luz que as devolverão às cinzas... 58
  59. 59. Depois do ataque frustrado, o exército dosrenegados assumiu a busca por meios de se recompor,para continuar com o ambicioso plano de dominar o 1ºreino, repartindo entre os membros, suas riquezas. Noravox, o líder do exército Evilkeerts, era umconhecido membro da nobreza do reino do metal, umassassino banido por seus crimes. Quando jovem,sonhara tornar-se um cavaleiro real, porem foradesqualificado devido ao comportamento violento eleviano. Depois, ele direcionou seus esforços contra asriquezas reais, sendo preso e julgado pelo assassinato dossoldados que o flagraram tentando roubar metaispreciosos em Olonstreek. Seu ódio contra o 1º reino olevou a organizar o exército e a ofensiva contra o palácioreal, mais o primeiro fracasso o fez crer que precisaria deajuda para tornar possíveis seus planos de vingança.Noravox buscou nas forças ocultas o poder necessárioaos seus propósitos e desde então aliou-se ao Senhor dasTrevas (Myrior). Aquele exército que antes servia aos propósitos deriqueza e violência eminentemente humanos, agoraserviria ao mal, destinando-se a aniquilar a humanidade eestabelecer o domínio das trevas. O poder maléfico de Myrior estava concentradonas águas lodosas, represadas em um lago situado aocentro do Vale Evilkeerts, o Lago Myrior. Os soldadosmerecedores, após serem testados, banhavam-se nestaságuas e aos poucos se transformavam em ferasabomináveis, com força e estatura descomunais.Tornavam-se humanoides aberrantes e disformes, que,com extrema facilidade, aniquilariam um homemcomum. Diante de tamanho poder, o potencial depersuasão para o recrutamento de novos soldados,advindos de todos os reinos, crescera na proporção emque ficava clara a possibilidade de vitória contra soldados 59
  60. 60. comuns, o que propiciou o desenvolvimento rápido econtínuo do transformado exército do Vale Evilkeerts. Apartir destes renegados viria a guerra, a morte e adestruição contra os homens e seus reinos, quepreparados ou não, defender-se-iam ou pereceriam ante aluta pela vida. 60
  61. 61. As Pequenas Espadas ...Deixe-as brincar! Deixe-as crescer! Masinstrua e ensine o quanto antes, vez que logoprecisarão. Proteja-as também! O mal espreita emsilêncio. Ficai atento à minha voz e aos sinais, noentanto, permita-as alguma ousadia, pois devemaprender depressa a ter coragem. Que as pequenas espadas sejamdesembainhadas para a surpresa do inimigo, àsmargens dos rochedos de Olonstreek... 61
  62. 62. De volta à Galatyans, a família real, o ferreiro eseu filho, acomodaram-se, enquanto o chefe da guardaestabelecia, junto à Gyllimond, diretrizes de segurançapara a pequena princesa. Estabeleceu-se, na ocasião, queos soldados de maior confiança do rei e o próprio Ryanorfariam um revezamento guardando a integridade do bebêe está era a mais importante missão do exército realdesde então, gozando de prioridade sobre quaisqueroutra. O pequeno Auryousrork, como prometido,recebera os mesmos cuidados oferecidos à princesa. Arainha o tratava com carinhos de mãe e seu pai, SrSteylrork, não escondia a grande honra que sentira ao vero zelo real pelo menino. Com o passar do tempo os bebê tornaram-sepequenas crianças e apesar dos esforços do rei e darainha, em manter Steylrork e seu filho no palácio,chegou o dia em que eles voltaram para a vila. Oscomentários sobre a amizade verdadeira entre a famíliareal e a pequena família do ferreiro corriam por todo oreino. As crianças cresciam em segurança e emboraAuryousrork e seu pai não residissem mais no castelo,estavam sempre presente. Steylrork ensinava-ossecretamente suas técnicas de combate e os professoresdas artes da guerra, estranhavam as capacidades inatasdaquelas crianças. Zaradyk encantava a todos com a beleza dos seuscuriosos olhos azuis, emoldurados por seus cabeloslouros como o ouro de Olonstreek e muitos nobres jásonhavam em unir um dos seus filhos à bela princesa queela certamente se tornaria. Auryousrork parecia o prelúdio de um grande rei.Tinha o olhar imponente de um guerreiro, incomum parauma pequena criança. Seus olhos eram castanhos, seus 62
  63. 63. cabelos negros e o corpo infantil já ensaiava o porteatlético que mais tarde ostentaria. Eles eram amigos inseparáveis. Divertiam-se,aprendiam e cresciam juntos, a despeito do preconceitovelado que os nobres conservadores de Olonstreeknutriam contra o amor inocente que os unia... 63
  64. 64. — Crianças! Cheguem mais perto, quero contar-lhes uma história antiga. Eles aproximaram-se para escutar o ferreiro.Zaradyk poderia ouvir as historias de Steylrork duranteshoras, sem parar. Ela permanecia atenta a suas palavras equeria sempre saber mais sobre o passado do seu povo.Auryousrork, por outro lado, estava sempre impacientenestas ocasiões, não queria desperdiçar o tempo dos seustreinamentos de combate para ouvir seu pai falar dasvelhas batalhas que nem mesmo ele havia presenciado. Naquele dia Steylrork decidiu falar sobre a antigalenda do reino unificado: — Escutem crianças! Está é a mais importantehistoria que vossos pequenos ouvidos conhecerão! — Há muitos séculos atrás, um conflito pôs fim àpaz que, desde sempre, imperava nas Terras Celestiais.Havia um anjo chamado Myrior, que gozava de umgrande prestígio para com o Senhor Supremo. Eledetivera a confiança do seu Senhor e o respeito de todosos que conviviam no Palácio Celestial. Um dos seusprincipais trabalhos consistia no cuidado para com osmagníficos animais do reino, nossos temíveis dragões... Zaradyk não pode conter-se e interrompeu: — Mas tio Rork! Como criaturas tão máspoderiam habitar o Palácio Celestial? Auryousrork continuou perdido em seuspensamentos, alheio a historia narrada por seu pai. — Nem sempre foi assim Zara. Os dragões eramseres pacíficos no antigo lar Celestial. — E o que aconteceu com eles então tio Rork? 64
  65. 65. — O anjo Myrior rebelou-se contra o SenhorSupremo. Ele acreditava que poderia assumir o reino,sobrepujando o poder de Deus, mas foi banido dosDomínios Celestes e precipitado ao centro do ContinenteHabitado, trazendo consigo os dragões que viviam sob oseus cuidados. Auryousrork perguntou: — Mas porque este tal anjo traidor não tomoupara si os cinco reinos? Se ele possuía os dragões, quempoderia vencê-lo no continente habitado? — Hora! Vejo que finalmente interessou-se pelahistória pequeno guerreiro! — As batalhas entre os homens e o anjo traidor,com seu exercito de dragões, aconteceram em seguidaAuryousrork! No entanto, os homens conquistaram aliberdade e o próprio Senhor Supremo aprisionou oinimigo em um lago ao centro do Vale Evilkeerts. Mas jálhes falei sobre as batalhas entre os homens e os dragões,em outra ocasião meu filho, tu não te lembras? Zaradyk olhou para Auryousrork e sorriu comcerta ironia. Ele retribuiu o sorriso e deu de ombros.Steylrork continuou: — Após aprisionar o anjo traidor o SenhorSupremo prometeu aos valentes guerreiros que traria àterra, num futuro próximo, um reino unificado. Este seriaalcançado por intermédio do Dragão dos VentosCelestiais, símbolo da bondade e justiça, contrários aoterror trazido por Myrior e seus dragões corrompidos. — Esta fora a promessa do Senhor Supremo aoshomens daquele tempo. A formação do Reino Unificadodo Dragão dos Ventos Celestiais. 65
  66. 66. Zaradyk sentia que tudo aquilo era verdade e pôs-se a imaginar quando a promessa seria cumprida. Auryousrork, por sua vez, manteve-se incrédulo.Eram apenas lendas antigas e ele não tinha tempo aperder com histórias. Precisava aprender a combater, poissó assim poderia tornar-se cavaleiro como seu pai. As crianças haviam completado treze anosquando decidiram explorar as fronteiras de Olonstreek.Zaradyk não era uma menina comum e os perigos aosquais estava exposta a aprisionava em seus própriosdomínios. A família real jamais a deixara sozinha, desdeque nasceu, e Auryousrork, seu companheiro inseparável,também sofria as consequências da proteção excessiva,por parte da guarda real. Eram crianças felizes, mas ansiavam porliberdade. Zaradyk suplicara a ajuda de Auryousrork que,apesar de tentar dissuadi-la da ideia, por respeito ao seupai e ao rei, terminou por ceder ao poder de persuasãoque ela exercia sobre ele e a ajudou na fuga rumo àsfronteiras do reino. Assim que o desaparecimento da princesa foidescoberto e a notícia chegou ao conhecimento do reiGyllimond, um alerta de segurança foi ordenado etornou-se prioridade máxima para todo o exército, oresgate da princesa em segurança. Pouco tempo depois,Steylrork chegou à Galatyans e disse ao rei que Auryoustambém havia desaparecido. As crianças seguiram escondendo-se dos soldadosque os procuravam e, a cavalos, rumaram em direção àcadeia rochosa que limitava o reino do Metal. Próximos àfronteira de Olonstreek, avistaram soldados que saiamdos seus postos para reforçar as buscas e decidiram 66
  67. 67. esconder-se em uma das cavernas que limitavam osdomínios do reino. A princesa e seu companheiro eram mesmoespeciais. Mais inteligentes, corajosos e hábeis nas artesda guerra, do que quaisquer outra criança nascida nasterras habitadas. No entanto, os riscos escondidos portraz das fronteiras dos Reinos Celestiais eramverdadeiros. Zaradyk e Auryousrork não poderiamimaginar os perigos que os rondava silenciosamente pelosimples fato de atravessarem as fronteiras de Olonstreek. Enquanto isso, no palácio, Steylrork conversavacom Gyllimond e Zayra sobre o que ele achava que teriaacontecido: — Senhora. Percebi que Zara tem estadoincomodada com a proteção da guarda real, acredito queela e Auryous possam ter despistado a guarda e tenhamfugido juntos. O rei, que acompanhava atento o que dizia oferreiro, perguntou aflito: — Steylrork! Tens alguma ideia de em que partedo reino as crianças possam ter ido? — Senhor! Temo que devamos procurar nafronteira rochosa. As crianças nunca esconderam acuriosidade sobre o que há através da floresta Cinzenta. — Mas Steylrork! Os guardas protegem afronteira, a todo o momento... — E todos estão preocupados com as buscas daprincesa. — Tens razão. Não temos tempo a perder!Vamos procurá-los agora mesmo! A floresta é muitoperigosa e se eles conseguiram despistar os guardas nocastelo, saberão fazer o mesmo com os da fronteira. Por 67
  68. 68. fim, seguiram depressa para os limites da fronteirarochosa de Olonstreek o rei, os soldados e o ferreiro. Após despistarem os soldados, as criançasdeixaram os cavalos numa caverna e seguiram andandoaté os limites do reino. Passando a fronteira rochosa eleslogo avistaram a imensa e sombria Floresta Cinzenta queprotegia a região dominada pelo mal, o Vale Evilkeerts.Curiosa, a princesa sugeriu: — Auryous! Vamos chegar mais perto da Florestade Nágora. Será que conseguiríamos chegar até o ValeNegro, deve ser assustador, não é... — Zara! Creio que já fomos longe demais.Viemos para o lado de fora do reino como era vossodesejo. Entrar nos domínios do mal, já seria loucura!Tens ideia de quantos soldados de Olonstreekdesapareceram neste lugar? Não entrarei nessa floresta enem a deixarei arriscar-se mais. — Mas Auryous nós somos... Um homem ameaçador, muito estranho, comcicatrizes por todo o corpo, interrompeu o diálogo entreos meninos, segurando a princesa pelo braço. Tratava-sede um ladrão banido pelo 1º reino que, no entanto, aindanão teria sido aceito pelo exército inimigo. Quandoreconheceu Zaradyk, ele decidiu levá-la com o intuito deser aceito por Noravox em reconhecimento ao seu feito. Auryousrork partiu decidido em direção aohomem que soltando a princesa o empurrou contra ochão. Zaradyk desembainhou sua pequena espada eameaçou o ladrão. Ele sorriu sarcasticamente e ergueusua espada contra a princesa. Habilidosa ela bloqueou o 68
  69. 69. golpe e num giro, contra golpeou o inimigo ferindo-o noombro direito. O homem, furioso, desferiu outro golpefrontal, que Zara novamente bloqueou, porém foi lançadaao chão devido à violência do ataque, deixando cair, àdistancia, sua pequena espada. O inimigo já não tencionava levar a princesa comvida. Decidira ataca-la com toda sua fúria, avançandocontra ela, com a espada erguida sobre a cabeça.Surpreendendo-o, Auryousrork o impediu, saltando ecortando-lhe a mão direita, com a lâmina perfeita queSteylrork forjara para ele. O homem, ferido, fugiu em direção a FlorestaCinzenta. Enquanto Auryous ajudava Zara a se levantar,pode perceber o grande contingente do exército deOlonstreek que corria na direção deles. Ele sentiu-sefinalmente salvo daquele malfeitor e confortou a princesaque chorava assustada. O rei, ao longe, chamou Zaradyk que correu paraabraçá-lo: — Pai, por favor, perdoe-me! Eu só queria umtempo longe do controle da guarda. Vossos soldados nãome deixam sozinha nem um instante. — Minha filha. Tu és a princesa do reino doMetal. Muitos malfeitores querem ferir-lhe e, assim, ferirvosso reino. A proteção da guarda é necessária mesmoque lhe incomode. — Quanto a vós Auryous! Vimos o que fez e lhesou grato por ter protegido minha filha... — Auryousrork! Disse o ferreiro, num tom ameaçador. — Que ideia foi essa de fugir com a princesa? 69
  70. 70. O menino, ainda assustado, abaixou a cabeça numgesto de submissão. O rei interferiu: — Steylrork, não é o momento para exortações.Vamos levar as crianças para o Galatyans. O ferreiro balançou a cabeça, discretamente, numgesto afirmativo dirigido ao rei. Seus olhos, porém,continuaram a exortar o garoto por todo o caminho devolta. Foram todos juntos ao palácio encontrar a rainhaque aguardava, aflita, por notícias das crianças. Elacorreu ao encontro de Zaradyk, e ao perceber o ar deculpa nos olhos do pequeno Auryousrork, estendeu osbraços chamando-o para que ele também a abraçasse. Em seguida o rei tomou a palavra: — Crianças! Perceberam o risco que seexpuseram? Entenderam por que não podem ficar sem aproteção da guarda, sobretudo, fora dos domínios reais? Auryous respondeu: — Sim meu Senhor! Peço-lhe que me perdoe! Aculpa foi toda minha. Aceitarei o meu castigo... — Conheço bem minha filha, Auryousrork, e seique ela deve ter lhe convencido a ajudá-la. Sei tambémda grande amizade e cuidado que tens por ela e, por isso,não vejo motivo para lhe atribuir toda a culpa doocorrido. Quanto à punição para os dois, creio que osusto com o ataque que sofreram fora suficiente até omomento. Assim aproveito para pedir ao amigo Steylrorkque não atribua punição ao vosso filho. 70
  71. 71. Na realidade, Auryousrork tornou-se hoje, como ovosso pai, um dos nossos heróis. Diante dos nossosolhos, este corajoso menino, munido de sua pequenaespada, protegeu a princesa, salvando-lhe a vida. Steylrork esforçou-se para disfarçar o orgulho quesentira. E num breve sorriso, evitou que seu filhopercebesse que já estava perdoado. Em seguida o rei ordenou que Auryousrork seaproximasse e ajoelhasse perante ele, para que pudessedar-lhe a honraria de cavaleiro real. Auryous, incrédulo, ajoelhou-se. Como numsonho o menino, contemplou o rei tomar sua espada etocar-lhe os ombros tornando-lhe o mais jovem cavaleirode todos os reinos da terra: — Auryousrork! A partir deste momento vossavida estará marcada pela missão de honrar Olonstreek eseu povo. Ser um cavaleiro real exigi senso de justiça,coragem, força e lealdade. Entrego-lhe esse título porque,ao proteger a princesa, tu provaste o vosso valor e omerecimento desta grande responsabilidade. — Agora, dar-lhe-ei vossa primeira missão.Deverás continuar vossos estudos com Zaradyk,protegendo a ela e a si mesmo, sem faltar com aobediência a vosso sábio pai, Sr Steylrork. — Perdoe-me meu Senhor! Mas se agora soucavaleiro real, porque então continuarei fazendo o quesempre fiz. — Filho! Cada cavaleiro deve honrar a obrigaçãoque lhes for confiada, não importando qual seja. Vossamissão é a mais importante dentre todas que já ordenei:cuidar do maior dos meus tesouros, a minha queridafilha. Sei que tu sempre cuidaste de Zaradyk com muitozelo e carinho, meu desejo é que continue agindo assim. O garoto respondeu com firmeza: 71
  72. 72. — Podes contar comigo meu Senhor! Defendereia princesa, se preciso, com minha vida... — Quanto a vós, Zara! Deveis lembrar-se doquanto a segurança de Auryousrork nos é importante.Portanto, lhe caberá à obrigação de não permitir quevosso amigo precise arriscar a vida para tirar-lhe de outrasituação que possas evitar. — Eu entendo o que me dizes meu pai! Queroagradecer, diante de todos, ao meu amigo Auryousrork,por ter me ajudado, e prometo não colocá-lo em riscooutra vez. O Senhor, minha mãe e meu tio Steylrork têma minha palavra. — Eu, o rei Gyllimond, declaro-me satisfeito comos rumos desta reunião. Que o Senhor Supremo receba efaça cumprir, minhas palavras, as palavras da rainha, aspromessas feitas pela princesa Zaradyk e pelo cavaleiroreal Sr. Auryousrork. Com o fim da reunião, Sr Steylrork aproximou-sedo rei falando em particular: — Senhor! Entendi o que fizeras ao meu filho equero agradecer-lhe. — Não me agradeça por isso, meu amigo! Vimoso prodígio que vosso filho realizou e, realmente, forauma atitude digna de um cavaleiro real. Cuidaremos paraque ele torne-se um grande guerreiro como o pai... Voltando para casa, o ferreiro permaneceu caladopor todo o caminho, o que, aos poucos, deixouAuryousrork apreensivo. Assim, o garoto resolveuquebrar o silencio: 72
  73. 73. — Pai! Não ficaste orgulhoso do título que recebido rei? Ainda está chateado por termos fugido? Por que oSenhor não quer falar comigo? — Auryous. Não imaginas o susto que me deste?Existem muito mistérios por traz da nossa proximidadecom a família real. Tua missão fora dada pelo rei, porema minha foi entregue pelo próprio Senhor Supremo. Sevossa responsabilidade é de proteger a princesa, a minhaé de proteger a ti e a ela. Quanto ao título que o rei lheconcedeu, estou muito orgulhoso e foste merecedor, noentanto, creio que eis muito jovem para entender aimportância disso. — Que mistérios são esse meu pai? Tem algo aver com a profecia? Por que não confias em mim? Se nãoestou preparado, me ensine! — Perguntas demais para o momento Auryous.Não quero que dês ouvidos aos comentários que circulampelo reino a respeito da profecia. Chegará o tempo emque falaremos sobre tais mistérios, está me ouvindo? — Sim Senhor... — E quem lhes disse que não confio em vós? Senão confiasse diria ao rei para não torná-lo cavaleiro.Duvidas que ele me ouviria? — Não Senhor... — Confio em ti meu filho e estarei sempre pertoquando precisares da minha ajuda. Para esta ou qualqueroutra missão que tiveres que assumir. Agora vamosdescansar; este dia difícil nos esgotou a todos. — Vamos sim meu pai! Obrigado por ficar aomeu lado. Por fim, o ferreiro abraçou o filho aliviado por teracabado toda aquela confusão e recolheu-se ao descansomerecido. 73
  74. 74. O Repúdio dos Nobres Não os dê ouvidos, meu filho! Eles não conhecem o vosso real valor.Ignoram os perigos que os ronda, secretamente, eacreditam que proteger as tolas convenções sociaislhes será válido. Posso disser-lhe que se soubessem o que osespera, suplicariam, beijando-lhe os pés, pelovosso socorro e aquele que ao fim estiver de pé,curar-se-á perante os vossos. Plebeus ou não... 74
  75. 75. Em pouco tempo, o susto com o ocorrido, após ainusitada fuga da princesa, fora superado. No entanto, ainsatisfação dos membros da nobreza envolvidos com afamília real, a cerca da presença de plebeus no seuconvívio, começou a ficar evidente para todos. Apesar de tratar-se de uma criança, Auryousrorklogo entendeu que sua presença entre os nobres, não eradesejada. Sentia-se protegido pelo declarado amor que arainha demonstrara sentir por ele, porem, o zelo real aospoucos se tornara insuficiente. Desde sempre, Zayratentara deixá-lo à margem do preconceito da nobreza,mas, com o tempo, seus cuidados não impediram que opequeno cavaleiro se sentisse rejeitado por seu povo. Steylrork, por certo tempo, evitou o assunto comGyllimond, mas logo percebeu que a situação certamenteviria à tona à medida que Auryousrork amadurecesse eentendesse sua origem. Assim, ele dirigiu-se ao rei: — Senhor, gostaria de um tempo para tratarmosde um assunto que receio estar na eminência de insurgir-se contra nós. — Do que se trata meu amigo? Diga-me semtantos rodeios. — Majestade! É notório o incomodo dos nobrescom a minha presença e principalmente a deAuryousrork, no convívio com a vossa família. Temo queesta questão possa gerar constrangimentos para meu filhoe até mesmo para o vosso reinado. — Steylrork! Eu sou o rei de Olonstreek. Se agratidão e amizade da minha família por vós e por vossofilho os tornaram nobres entre os nobres, quem irá dizer ocontrário. Não importam as convenções da nossasociedade, nem a vossa origem ou a de Auryousrork.Devo-lhes a vida da minha esposa e filha, o que ostornam tão especiais que qualquer pessoa que os ofendaserá considerada inimiga do reino. 75
  76. 76. — Sei de tudo isso Alteza, mas preocupa-me osentimento de Auryous, frente aos possíveis comentáriospreconceituosos dos nobres que o cercam. Ele é apenasuma criança e não entende porque é preterido. — Acalme-se ferreiro! Caso seja necessáriofalarei pessoalmente com Auryousrork e garanto que tu evosso filho não serão ofendidos diante dos meus olhos. — Está certo meu Senhor! Aguardarei osacontecimentos... O tempo passou e a previsão de Steylrork nãodemorou a se confirmar. Os nobres começaram adescriminar veementemente o garoto plebeu queacompanhava a princesa a todos os lugares. Nem mesmoo título de cavaleiro atribuído pelo rei, fora suficientepara gerar algum respeito a Auryousrork, por parte danobreza conservadora. Conversavam entre eles sobre ofato de não ser natural um plebeu, ainda mais umacriança, ser nomeado cavaleiro. Tais comentários nãotardaram a chegaram aos ouvidos do garoto que se sentiraextremamente incomodado. Zaradyk logo notou adecepção do amigo e tentou confortá-lo, enquantocavalgavam lado a lado: — Sr Auryousrork! Sabes que me sinto muitohonrada pela companhia de tão virtuoso cavaleiro? — Sei o que queres Zara, e não vai adiantar! Qualo valor de um cavaleiro sem o respeito dos nobres doreino que serve? Creio que eu deva desistir desta históriade ser cavaleiro. Sou filho de ferreiro e assim devo serconhecido. Eles deixaram os cavalos pastando e se sentaramà sombra de uma árvore: 76
  77. 77. — O que estais dizendo Auryous! Como vossopai, tu foste declarado um cavaleiro real. Vosso títulofora atribuído pelo rei e só ele poderia revogá-lo. — Então estou condenado a ser um cavaleirorejeitado pelos nobres do meu reino. Não sei o que fazerZara! Eu nasci plebeu e é assim que serei visto por todos.Nem mesmo meu pai conhece minha verdadeira origem,ele encontrou-me em sua porta... Zara pode perceber a grande tristeza nos olhos deAuryousrork. Ela o abraçou enquanto ele tentavaesconder suas lagrimas: — Acalme-se Auryous! Vamos descobrir umaforma de resolver isso, não gosto de ver-te chorar. — Quem está chorando princesa? De onde tirasteessa ideia? Cavaleiros não choram! — Está certo Sr Auryousrork! Vamos esqueceresta história... Zaradyk, não pode esquecer o acontecido.Conhecia Auryousrork muito bem e sabia o quanto elesofria por ser rejeitado. Resolveu então falar com o rei nointuito de vislumbrar uma solução. — Meu pai! Gostaria de falar-lhe um pouco... — Minha querida! Em que posso ajudar-lhe. — Quero pedir-lhe que faças justiça àAuryousrork. Os nobres mais conservadores do reino oestão descriminando. Dizem que ele não deve convivercom a nobreza e que não o reconhecem como cavaleiro.Ele está muito triste e não gosto de vê-lo assim. — Não é surpresa minha filha! Há algum tempoSteylrork alertou-me sobre seus receios a este respeito.Mas não se preocupe Zara! Resolverei este problema. 77
  78. 78. — Diga a Auryousrork que venha falar comigopela amanhã. — Obrigado meu pai! Na manhã seguinte, Zaradyk procurou Auryous elhes disse que seu pai queria vê-lo. Ele foi ao encontro dorei que o pediu que se aproximasse: — Sr Auryousrork! Sente-se aqui ao meu lado. Zara permaneceu de pé, no salão real. — Filha, por favor, deixe-nos a sós. — Com sua licença meu pai... — E quanto a ti meu rapaz! Que ideia é essa dedeixar-se abater por comentários daqueles que estãoabaixo da autoridade que lhe fizera cavaleiro? — Perdoe-me Senhor! Zaradyk não deviaincomodá-lo com meus problemas. — Estais enganado, pequeno cavaleiro! Aprincesa apenas cumpriu com o dever de informa-mequanto ao desrespeito à minha vontade. Se os nobresdesfazem do vosso título é a mim que estão ofendendo. — Entendo meu Senhor! — Tu és um cavaleiro real, Auryousrork, o quesignifica que possui autoridade para exigir respeito atémesmo por parte dos nobres. — Mas Majestade! Eles ignoram a minhaautoridade e não se importam com minha posição. Aosseus olhos sou apenas um garoto plebeu de quem não seconhece nem mesmo a origem. — Zara contou-me que tu estavas muito triste.Quero que saiba de uma vez por todas que vosso pai écomo um irmão para mim, o que o torna meu sobrinho.Sou vosso tio e, como tal, também não quero vê-lo triste. 78
  79. 79. — Resolverei esta questão de uma vez por todas,meu sobrinho! Convocarei todo o povo de Olonstreekpara um pronunciamento público e não terás mais motivopara sentir-se rejeitado... Após alguns dias, estava o povo aguardando opronunciamento, quando surgiu o rei Gyllimond ao ladoda rainha Zayra, em companhia do ferreiro e seu filho: — Que ouçam todos com atenção. Falarem emnome de Olonstreek e da família real. Todos sabem quehá tempos trouxemos ao nosso convívio um grandehomem. Um plebeu, ferreiro e herói, a quem devo minhavida, desde o dia que ele salvou minha querida esposa evossa rainha Zayra. — O que outrora fora um sentimento de gratidão,com o tempo tornou-se uma grande amizade. Declaroagora que este homem é hoje, para mim, rei Gyllimondde Olonstreek, mais do que um grande amigo. Este é Sr.Steylrork, meu irmão! Portanto, saibam que não importaa origem pregressa deste homem, ordeno que não apenasseu título de cavaleiro seja respeitado por todos, comotambém que ele, a partir deste momento seja reconhecidocomo irmão do rei. — Em consequência, seu filho Sr. Auryousrork,que, para nós, já havia se tornado um grande herói, porter salvado das mãos de um malfeitor a princesa Zaradyk,deve ser considerado sobrinho do rei, bem como, ter seumerecido título de cavaleiro respeitado por todo o reino. — Declaro estes fatos, desde então, leiirrevogável e deixo claro que serão devidamente punidosaqueles que desrespeitarem meu irmão e sobrinho. Quesejam esquecidas suas antigas origens, pois valem desdeagora as origens que a eles atribuo. Que o Senhor 79
  80. 80. Supremo receba minhas palavras e nos ajude a cumpri-las. Após o pronunciamento, os comentários sedividiam por todo o reino do metal, mas a soberanavontade do rei não seria criticada, ao menospublicamente. Diante dos acontecimentos, o ferreiro decidiufinalmente aceitar o convite de Gyllimond e Zayra. Iriadesde então, residir no Palácio de Prata, com seu filho etoda a família real. Steylrork e Auryous foram despedir-se do lar detantos anos. À frente da casa estavam Markvellus e suafamília, amigos que por muitos anos conviveram comeles. O ferreiro prometera que estaria sempre perto, queviria ao antigo chalé sempre que fosse possível, pois aliencontrara a paz que em nenhum outro lugar haviasentido. 80
  81. 81. O Heroico Steylrork Há muito conheço vossa resignação, meunobre cavaleiro! Vosso valoroso coração, sempre deixara amarcas dos teus bons propósitos, por onde querque tenhas passado. Lembro-me da vossa coragem entre aschamas que cobriram o vilarejo e da criança quevive por obra dos teus esforços. Sei que osguerreiros da unificação contarão com vossa forçapara vencer e que o vosso nome jamais seráesquecido, Sr. Steylrork! 81
  82. 82. Muito antes dos acontecimentos que o tornaramcavaleiro, e membro da família real, a nobreza do ferreirojá era conhecida pelos moradores da vila de Olonstreek.Steylrork nutria o respeito daqueles que o conheciam, porsua sabedoria e coragem, tão veementes. Certa vez, a vila despertou em meio a um grandeincêndio que destruiu diversas casas se espalhando portoda parte. Enquanto muitas pessoas fugiam em pânico, oferreiro apressou-se no intuito de ajudar possíveisvítimas. Andando em meio a fumaça ele encontrou umcasal caído, do lado de fora de uma casa em chamas,ambos mal conseguiam respirar e o homem desesperadopedia ajuda: — Por favor! Ajudem-me! Minha pequena filhaesta lá dentro! Steylrork tomou nas mãos uma manta de lã,molhou-a rapidamente em um barril que estava próximo,cobriu-se e entrou na casa para salvar a criança. Logo elesaiu com a menina nos braços e entregou-a aos pais: — Senhor! Meu nome é Markvellus. A criançaque salvaste é tudo que temos na vida, por isso, eu jamaispoderei agradecer-lhe devidamente pela vossa bondade.Devo-lhe tudo que jamais terei e levarei todos os meusdias tentando pagar-lhe. — Não me deves nada, amigo! Nenhum homempoderia dormir em paz, ao deixar uma criança entregueàs chamas. Fiz o que devia e sinto-me feliz por vê-la a 82
  83. 83. salvo após tamanha tragédia. Esta recompensa me ésuficiente, está tudo bem agora... O ferreiro continuou ajudando a combater osdiversos focos de incêndio até que tudo se resolveu. No dia seguinte os bons homens da vila, lideradospor Steylrork, reuniram-se para ajudar a reerguer as casasperdidas no incidente. Markvellus estava entre eles epode aproximar-se do heroico ferreiro que salvara suafilha. Daquele momento em diante nascera uma grandeamizade entre eles e os anos que se seguiram ao incidentetornaram-na ainda mais forte. 83
  84. 84. O Primeiro Guardião Guarda teu tesouro Steylrork! Deveis proteger o livro e o símbolo comvossa vida. A obrigação é vossa, mas o bem quedela advier será de todos, igualmente. Sabes o queeu digo? Está claro que vossas armas não devem,jamais, ser tocadas pelo opositor ou tudo estaráperdido. De fato, os inimigos não ousarão utilizá-las, e nem poderiam, pois a luz se opõe às trevas.Mas poderão e tentarão ocultá-las e quanto a issodeveis permanecer vigilante. 84
  85. 85. São objetos sagrados e com tal, cobrarãoseu preço pela posse. No entanto, conheço meuescolhido e sua resignação... 85

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