Your SlideShare is downloading. ×
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Tese De Antropologia
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

Tese De Antropologia

7,092

Published on

2 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
No Downloads
Views
Total Views
7,092
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
171
Comments
2
Likes
2
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. TESE DE ANTROPOLOGIA MÁRCIO BARROSO DOS SANTOS TRINDADE. Desenvolvimento da tese de Antropologia Bíblica. A doutrina do homem. Marilândia do Sul 2005 1 Instituto Bíblico Maranata
  • 2. TESE DE ANTROPOLOGIA MÁRCIO BARROSO DOS SANTOS TRINDADE. Desenvolvimento da tese de Antropologia Bíblica. A doutrina do homem. Dissertação apresentada ao Curso de Bacharel em Teologia, do Instituto Bíblico Maranata de Marilândia do Sul, como requisito parcial à obtenção do título de Pastor. Orientador: Prof. Pr. Daniel Camargo Pauluci. Marilândia do Sul 2005 2
  • 3. TESE DE ANTROPOLOGIA MÁRCIO BARROSO DOS SANTOS TRINDADE. Desenvolvimento da tese de Antropologia Bíblica. A doutrina do homem. COMISSÃO EXAMINADORA. ________________________________________ Pr. Artêmio Langue Pauluci Instituto Bíblico Maranata ________________________________________ Pr. Daniel Camargo Pauluci Instituto Bíblico Maranata _______________________________________ Pr. Ricardo C. Pereira. Igreja Batista Regular em Cubatão. . Marilândia do Sul, de 2005. 3
  • 4. TESE DE ANTROPOLOGIA DEDICÁTORIA Dedico esta tese à: Minha querida e amada esposa que se dedicou ao máximo nos afazeres do lar e no cuidado das nossas filhas, proporcionando-me um maior tempo no preparo desta obra. Primeira Igreja Batista Regular em Cubatão, onde conheci os caminhos do Senhor, e que me apoiou nos momentos mais difíceis da minha vida. A minha querida família pelo incentivo e apoio; em especial: ao Doutor e professor José Barroso dos Santos e a professora Marinete Martins dos Santos; meus amados avós. 4
  • 5. TESE DE ANTROPOLOGIA AGRADECIMENTO Ao meu Deus que me deu forças físicas e me capacitou espiritualmente para que esta obra fosse realizada. A Ele seja a honra e a glória; amém e amém! Ao Professor e Pastor Daniel C. Pauluci, que se dedicou ao máximo no desenvolvimento da matéria de Antropologia em sala de aula, assim como, sem medir nenhum esforço colaborou na correção teológica desta obra. Ao Pastor Jaiderson e a Professora Alexandra pelo apoio durante todo o meu curso e pela disposição em corrigir a ortografia desta obra. A todos os meus Professores, em especial ao Pastor Artémio L. Pauluci pela dedicação e fidelidade no ensino da Palavra de Deus. A minha amada esposa que muito me incentivou. Aos meus familiares, que me apoiaram e me incentivaram. A minha amada igreja que me sustentou e me ajudou durante todo o meu curso. A todos que me ajudaram direta ou indiretamente. 5
  • 6. TESE DE ANTROPOLOGIA BARROSO, Márcio B.S. Trindade. Pesquisa sobre: Antropologia Bíblica a doutrina do homem 2005. 115 p. Dissertação (Bacharel em Teologia) – Tese de Antropologia Bíblica Instituto Bíblico Maranata. RESUMO A Antropologia Bíblica mostra a criação do homem do ponto de vista Bíblico. Como parte da teologia sistemática a Antropologia Bíblica é o tema central desta tese. Devemos saber que o homem é um projeto de Deus e não uma evolução, e sendo assim Deus tem um propósito todo especial para a humanidade. Portanto, esta obra tem como objetivo esclarecer este plano e trazer conhecimento sobre tudo que envolve a Antropologia Bíblica. Dentro deste trabalho esta incluído assuntos como: Evolução e criação, criacionismo Bíblico, o propósito da criação do homem, os seus ministérios, a imagem e semelhança, espírito, alma e corpo, a tentação do homem, etc. Estes e outros assuntos tratados neste trabalho estão incluídos dentro da doutrina da Antropologia Bíblica. Todo o conteúdo deste trabalho está embasado na Bíblia que é a Palavra de Deus; portanto, tem autoridade divina e infalível. Palavras chaves: Antropologia Bíblica; o homem é um projeto de Deus e não da evolução. 6
  • 7. TESE DE ANTROPOLOGIA SUMÁRIO Introdução 15 1. Evolução e Criação 16 1.1 A evolução 16 1.1.1 A evolução como filosofia. 16 1.1.2 A evolução como mecanismo descritivo 17 1.1.3 A evolução Teista 19 1.2 A criação 22 1.2.1 Como foi criado 24 1.2.2 Documentos favoráveis a criação 26 1.2.2.1 O dilúvio 27 1.2.2.2 A arqueologia 32 1.2.2.3 A geografia e história (Geologia) 34 2 A criação do homem 37 2.1 Sua origem segundo a Bíblia 38 2.2 O tempo da sua criação 40 2.3 O propósito da sua criação – Glorificar a Deus 41 2.4 Os ministérios estendidos ao homem na criação 46 2.5O homem criado a imagem e semelhança 48 2.5.1 Varias teorias 48 2.5.2 A imagem e semelhança 49 2.6 A constituição do homem – Corpo, alma e espírito 50 2.6.1 A dicotomia 50 2.6.2 A tricotomia 52 2.6.3 O corpo 55 2.6.3.1 Antes da queda 60 2.6.3.2 Depois da queda 62 2.6.4 A alma 63 2.6.4.1 A sua origem 64 2.6.4.2 Antes da queda 66 2.6.4.3 Depois da queda 67 7
  • 8. TESE DE ANTROPOLOGIA 2.6.4.4 A natureza adâmica 68 2.6.5.5 O intelecto 69 2.6.5.5.1 Inteligência 71 2.6.5.5.2 Sabedoria 72 2.6.5.6 Emoções 74 2.6.5.7 Vontade e livre-arbítrio 76 2.7 O espírito 84 2.7.1 Antes da queda 85 2.7.2 Depois da queda 86 2.7.3 A nova natureza 87 2.7.4 A intuição 88 2.7.5 A consciência 89 2.7.6 A adoração 91 3 A provação e a tentação do homem 93 3.1 A necessidade da prova 94 3.2 O tentador 95 3.3 A tentação 96 4 A queda do homem e as suas conseqüências 98 4.1A sua realidade 98 4.2 Porque Deus permitiu 99 4.3 As suas conseqüências 100 4.3.1 O relacionamento com Deus foi afetado 100 4.3.2 O próprio homem foi afetado 101 5 O estado eterno do homem 103 5.1 Do homem condenado: o lago de fogo 103 5.1.1 A natureza do sofrimento 105 5.1.2 O corpo de sofrimento 106 5.2 Do homem salvo: o céu 106 5.2.1 Sua vida após a morte 107 5.2.2 O corpo glorificado 108 Conclusão 110 8
  • 9. TESE DE ANTROPOLOGIA LISTA DE FIGURAS. Figura 1 – Imagem e semelhança 112 Figura 2 – A tipologia do tabernáculo e a tricotomia humana 113 9
  • 10. TESE DE ANTROPOLOGIA LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS Gn. Gênesis. Ex. Êxodo. Lv. Levítico. Nm. Números. Dt. Deuteronômio. Js. Josué. Jz. Juizes. Rt. Rute. 1 Sm. 1 Samuel. 2 Sm. 2 Samuel. 1 Rs. 1 Reis. 2 Rs. 2 Reis. 1 Cr. 1 Crônicas. 2 Cr. 2 Crônicas. Ed. Esdras. Ne. Neemias. Et. Ester. Jó Jó. Sl. Salmos. Pv. Provérbios. Ec. Eclesiastes. Ct. Cânticos dos Cânticos. Is. Isaias. Jr. Jeremias. Lm. Lamentações de Jeremias. Ez. Ezequiel. Dn. Daniel. Os. Oséias. Jl. Joel. 10
  • 11. TESE DE ANTROPOLOGIA Am. Amós. Ob. Obadias. Jn. Jonas. Mq. Miquéias. Na. Naum. Hc. Habacuque. Sf. Sofonias. Ag. Ageu. Zc. Zacarias. Ml. Malaquias. Mt. Mateus. Mc. Marcos. Lc. Lucas. Jo. João. At. Atos. Rm. Romanos. 1 Co. 1 Coríntios. 2 Co. 2 Coríntios. Gl. Gálatas. Ef. Efésios. Fp. Filipenses. Cl. Colossences. 1 Ts. 1 Tessalonicenses. 2 Ts. 2 Tessalonicenses. 1 Tm. 1 Timóteo. 2 Tm. 2 Timóteo. Tt. Tito. Fm. Filemom. Hb. Hebreus. Tg. Tiago. 1 Pe. 1 Pedro. 2 Pe. 2 Pedro. 11
  • 12. TESE DE ANTROPOLOGIA 1 Jo. 1 João. 2 Jo. 2 João. 3 Jo. 3 João. Jd. Judas. Ap. Apocalipse. a.C. Antes de Cristo. I.B.M Instituto Bíblico Maranata. N.V.I Nova versão internacional. [...] Indica as supressões dos textos. p. Página ou páginas. Vol. Volume. Ed. Editora. 12
  • 13. TESE DE ANTROPOLOGIA PREFÁCIO Muito me alegra prefaciar uma obra de real valor e necessidade em meio a um ambiente hostil de teologias amorfas, onde se encontra de tudo com pouco, ou melhor, com nenhum valor. Onde temas centrais à vida de um cristão, seminarista, pastores e teólogos têm sido deixados de lado, por falta de um paradigma que norteie os ensinos bíblicos, apresentados em nível superior da mente de um mundo secularizado e intelectualizado, onde muitas definições existem, mas pouco se pode crer nelas. A Antropologia Bíblica serve de bússola, para aqueles que querem enfrentar este mundo hostilizado por filosofias errôneas, falsa ciência e mística teologia, a fim de ensinar um verdadeiro caminho bíblico, trazendo luz a tantos que vivem enganados, por não saberem que estão sendo enganados e outros por não conhecerem o certo, como também fortalecer àqueles que já conhecem o certo e querem aumentar seu cabedal de conhecimento desta área Antropológica, se tornando ainda mais preparados para educar, debater e enfrentar o mundo do conhecimento. Contemplo em tal obra mais um esforço do autor para suprir a pouca literatura que aborda esse tema, escrita de forma concisa e clara ao mundo evangélico, se tornando assim um rico material para: pastores, seminaristas, estudantes, professores e outros mais. Iniciando esta obra o autor nos conduz a uma rápida contestação entre o Evolucionismo e o Criacionismo, e a partir de então ao tratado da magna criação de Deus – O homem, e assim desdobra-lo desde sua criação, momentos de inocência e queda no pecado, até sua formação e as implicações da mesma; de sua condição espiritual ao seu estado eterno; de sua condenação à sua salvação. A Antropologia Bíblica encanta aos Teólogos pelo seu ambiente central nas Escrituras, e por não bastar esse local, o próprio Deus, a Segunda pessoa da Trindade, resolveu encarnar-se, enriquecendo assim toda a Antropologia Bíblica fazendo um elo entre o divino e o humano; entre o homem e Deus; entre a condenação e a justificação. Sem a Antropologia não entenderíamos a encarnação, 13
  • 14. TESE DE ANTROPOLOGIA sem a encarnação não teríamos a justificação e a salvação, sem a salvação todo homem seria irremediavelmente condenado e para sempre separado de Deus. Reconheço a árdua dedicação do autor Márcio Barroso dos Santos Trindade na defesa deste Trabalho de Conclusão de Curso - Bacharel em Teologia, não temendo os obstáculos, enfrentando as lutas e conquistando o alvo, colocando em nossas mãos orgulhosamente o fruto do seu penoso trabalho. Muito nos honrou principalmente por acompanhá-lo no vislumbrar e adentrar em conhecer tal doutrina, por poder participar como seu mestre neste grande tesouro de sua vida – O VERDADEIRO CONHECIMENTO. Que esta obra sirva para enriquecer o conhecimento do leitor fazendo-o ainda mais ousado na defesa da fé do verdadeiro Cristianismo. Deleite-se. Pr. Daniel Camargo Pauluci 14
  • 15. TESE DE ANTROPOLOGIA Introdução à Antropologia Bíblica. A palavra antropologia vem do grego antropos, homem; do grego logia, estudo ou discurso racional. É um estudo sistemático do aparecimento, estrutura e realizações culturais do ser humano. A antropologia no estudo secular tem como base o estudo do homem totalmente separado das revelações Bíblicas. Qualquer argumento com respeito ao homem tem um cunho evolucionista, deixando totalmente de lado a verdadeira essência do homem, os valores espirituais, assim como o seu futuro destino. O assunto que será desenvolvido neste trabalho não terá como base a antropologia secular e sim a Antropologia Bíblica, que em teologia sistemática trata do estudo sistemático do homem dentro do ponto de vista Bíblico. A base da Antropologia Bíblica é chamar a atenção para o relacionamento do homem com o seu Criador. O salmista no Salmo 8:4 faz a seguinte pergunta: Quem é o homem? Ou melhor, Quem sou eu? Esta tem sido uma pergunta feita por milhares de pessoas regeneradas. E por não considerarem o elemento mais importante da criação do homem: que é um ser criado a imagem e semelhança de Deus para ter um relacionamento perfeito com Ele; não tem conseguido uma resposta satisfatória para a sua pergunta. A Antropologia Bíblica busca responder esta e outras perguntas como: Como o homem foi criado? O que é imagem e semelhança?Qual o destino final do homem? etc. A Antropologia Bíblica é a base para estas respostas. O meu desejo é que ao final desta obra, estas e outras perguntas sejam respondidas, e que todos tenham um entendimento correto da Antropologia Bíblica. 15
  • 16. TESE DE ANTROPOLOGIA 1. Evolução e Criação. Quando tratamos deste assunto, temos em mente duas linhas de pensamentos que tem como objetivo esclarecerem o principio de todas as coisas; sendo uma verdadeira (o criacionismo que envolve a fé Cristã) e a outra falsa (a evolução). 1.1 A evolução. Devemos ter em mente que o termo evolução, é uma palavra usada com diversos sentidos dentro desta área, visto que a teoria da evolução se ramifica em diversas linhas; para tratarmos das diferenças entre a evolução e o criacionismo bíblico, é preciso fazer a distinção entre estas linhas da evolução. São três as mais difundidas. 1.1.1 Evolução como filosofia. Este conceito da evolução tenta mostrar que o universo físico - e dando mais ênfase ao biológico - tem um desenvolvimento próprio a partir da matéria bruta, cuja sua origem é desconhecida, podendo considerar uma existência eterna sem um começo. Dentro deste conceito, é eliminado qualquer ação ou intervenção de um Deus todo poderoso e pessoal. Toda a questão é regida por leis imutáveis e tudo acontece por acaso; não há um propósito para a vida e a existência. Quando se trata do homem, diz que deve agir como um fim em si próprio; ele é quem determina as suas leis e a ninguém deve prestar conta, a não ser a sociedade humana. Nem todas estas posições foram aceitas por Charles Darwin em sua obra clássica a origem das espécies. No entanto ele não defenderia hoje uma posição do ateísmo persistente, própria da evolução filosófica, pois acreditava num Deus Criador como logicamente necessário para explicar a existência anterior da matéria bruta original, a partir da qual surgiram as formas primitivas de vida. 1 1 Gleason Archer. Enciclopédia de temas bíblicos. Editora Vida. p. 50. 16
  • 17. TESE DE ANTROPOLOGIA Concordo com alguns estudiosos do assunto, que seria mais certo chamar Darwin de Teísta em vez de Ateísta, mesmo que alguns que não crêem na existência de Deus, tenham adotado o seu sistema. O ateísmo persistente é um sistema fracassado, e incapaz de defender-se de uma maneira lógica. Dizemos com isto que, se toda esta matéria que vemos e conhecemos, tivesse sido formada ou associada por mero acaso sem a intervenção e direção de um Deus Superior, acabaremos concordando que o cérebro humano assim como as suas moléculas são produtos do mero acaso, e até mesmo os pensamentos dos homens, idealismos, etc, também procedem por acaso. O ateu por não acreditar em um Deus Criador, crendo que todas as coisas surgiram do acaso, ele anula o seu próprio entendimento e poder de argumentação, visto que as próprias moléculas do seu cérebro foram associadas por mero acaso. Dizem que não existem absolutos, mas ao mesmo tempo afirmam um absolutismo, pois apelam para um ponto de vista que para ser confirmado depende de um ser Superior. 1.1.2 Evolução como mecanismo descritivo. Quando se trata da evolução como mecanismo descritivo, temos em mente o processo da evolução pelo qual as espécies inferiores desenvolvem-se atingindo uma espécie superior. Os adeptos deste conceito da evolução afirmam que elas se desenvolvem por uma força interna, sem a ação de uma externa. Nas escolas seculares são apresentadas algumas espécies que evoluíram de um estado inferior para um superior, assim como em museus e revistas evolucionistas, tentando mostrar que isto deu certo nos seres humanos desde os tempos mais antigos. Dentro deste ponto de vista da evolução as espécies surgiram incompletas, inacabadas, imperfeitas, inferiores, menores e menos desenvolvidas que as similares atuais, sem órgãos, funções, sistemas e instintos que caracterizam seus correspondentes atuais, ou então, esses órgãos estariam desconectados e funcionando parcialmente. Mas esta teoria apresentada não é verdadeira, pois, podemos fazer uma comparação com os processos que acontecem em nossos dias, por exemplo: Se olharmos o processo de industrialização, veremos que um automóvel construído 17
  • 18. TESE DE ANTROPOLOGIA a tempos atrás e que chegou aos nossos dias vindo de etapa em etapa, foi desenvolvido desde o mais remoto até o mais luxuoso. Tendo em mente este exemplo e sabendo que houve um desenvolvimento, ficaríamos conscientes de que houve alguém trabalhando para que isto acontecesse. Quero usar ainda como exemplo, as diversas raças de cães, que são trabalhadas em laboratórios com objetivo de alcançar uma raça de melhor capacidade para segurança doméstica, adestramento policial, etc. Algumas obtiveram êxito e alcançaram uma superioridade, mas isto não significa evolução – O Criador fez e deu capacidade para os homens agirem de tal forma. Para que uma espécie evolua para uma superior, deve existir um elo - chamado “elo faltante” - que faça esta transição, da espécie inferior para a superior. Em uma pesquisa mais apurada levou os estudiosos a concordarem que não existem estes “Elos”, vejamos as seguintes citações: Austin H. Clark diz: “Se tivermos que aceitar os fatos, devemos acreditar que jamais existiram os chamados [seres] intermediários ou em outras palavras, que estes grupos maiores mantiveram entre si o mesmo relacionamento que possuem hoje”. 2 De modo semelhante, G.C. Simpson conclui que cada uma das 32 ordens de mamíferos apareceu derrepente nos registros paleontológicos. “Os membros mais primitivos e mais antigos de cada espécie tinham já as suas características básicas, e nenhum caso se conhece de uma seqüência contínua aproximada que partiu de uma espécie para outra”. 3 Devido a estas pesquisas e por uma variedade de razões, esta forma de evolução veio perdendo a sua força. Outras observações têm sido realizadas para provar também a fraqueza desta teoria, Vejamos: A mais antiga forma de vida, segundo a evolução, são as algas cianofícias, (vegetais aquáticos de cor azulada). Elas surgiram "perfeitas". Aqui o evolucionismo se perde totalmente, pois é incapaz de explicar como a abelha aprendeu a fazer favos matematicamente perfeitos. Estudos declaram que a mais antiga abelha encontrada em âmbar de New Jersey (que teria 80 milhões de anos), era "avançada e pouco difere das abelhas que vivem hoje". 2 Gleason Archer. Enciclopédia de temas bíblicos. Ed. Vida. p.50 3 Gleason Archer. Enciclopédia de temas bíblicos. Ed. Vida. p.50 18
  • 19. TESE DE ANTROPOLOGIA É também um mistério para a evolução o tamanho dos vegetais e animais fósseis, as espécies fósseis comparadas com as equivalentes atuais, ao contrário do que imaginava Darwin, são maiores, mais desenvolvidos e superiores aos atuais. 4 O grau de variações dentro de uma mesma espécie é impossível, possibilitando o surgimento de espécies diferentes ou superiores. Pode haver variedade de espécies, não novas espécies. 1.1.3 Evolução Teísta. Esta linha da evolução concebe a existência de Deus como Criador de todas as substâncias materiais do universo; diz que a matéria não era eterna, mas foi criada por Deus do nada, e é controlada no seu desenvolvimento segundo o plano que o Senhor determinou. Este conceito da evolução é o que mais se assemelha ao criacionismo bíblico, por isto é exigido muito conhecimento bíblico por parte daqueles que o estudam. Alguns podem dizer que esta linha da evolução pode harmonizar-se com Gênesis um, mas para mim quando se trata da obra criadora de Deus, obra esta que é única, devemos analisar os fatos com o máximo de cuidado, porque poderemos cair no erro de entrarmos em um conceito teísta ou semiteísta de um Deus que criou todas as coisas, tendo-o programado antecipadamente como se faz com um computador, e depois se retirou para ficar observando o seu funcionamento automático. Este Deus não é o “Ser Soberano” o “Eu Sou” (Ex.3:14) que se preocupa com suas criaturas, o Deus de quem se espera a salvação. Uma outra alternativa de uma evolução teística é que há lugar para a oração e para o relacionamento dos seres humanos e o Criador; tal evolução teística concebe Deus como o que determina a ascensão das espécies biológicas, mediante certo tipo de mecanismo evolutivo, cujo dinamismo e direção encontra-se em si mesma. Muitos teístas, não aceitam Adão e Eva como indivíduos literais, históricos, criados, mas concebem que o homo sapiens se desenvolveu gradualmente de um hominídeo sub humano para depois, finamente, desenvolver 4 Comentários de: Prof. Roberto Cezar de Azevedo. 19
  • 20. TESE DE ANTROPOLOGIA uma consciência de Deus, momento este sabe lá quando o homem macaco se tornou Adão. Um fato não se pode negar atualmente: os evolucionistas não se deram por vencidos, ainda procuram o "Elo perdido”. Parece brincadeira de criança, que homens respeitáveis no mundo das ciências tenham concebido tamanho disparate. Recentemente foi lançado um livro intitulado "A morte de Adão" o qual salienta a opinião amplamente prevalente nos círculos intelectuais de que o modo como o livro de Gênesis narra a origem do homem foi totalmente repudiado pela ciência moderna. Em lugar de Adão, dizem que nossos ancestrais têm nomes como PITHECANTHROPUS, AUSTRALOPITHECUS. É de se observar que os manuais universitários e de estudantes do 2º grau proclamam por toda parte que a evolução é um fato da história e que todas as pessoas instruídas devem aceitar como verdadeira. Essa propaganda é tão opressiva que não respeita nossos lares. Os "inocentes" desenhos animados da televisão são agentes evolucionistas desagregadores; precisamos ensinar o criacionismo aos nossos filhos e opor resistência torna-se extremamente difícil. Mas é bom salientar que os grandes cientistas da atualidade são criacionistas. Qualquer pessoa, despida de quaisquer preconceitos ao examinar as evidências factuais, vê um quadro totalmente diferente do apregoado pelos evolucionistas. O relato bíblico da criação do homem não foi desacreditado de forma nenhuma. FOI SIMPLESMENTE REJEITADO! A teoria da evolução nunca foi comprovada. FOI SIMPLESMENTE ACEITA! A ciência legítima só pode lidar com os processos atuais e assim, NADA pode dizer acerca das origens. No que se refere à origem do homem, não existe nenhum tipo de evidência real que desaprove a revelação bíblica de que Adão foi o primeiro ser humano, sendo formado por Deus com matéria química do solo, mas também foi criado imagem e semelhança de Deus. Todas as raças, do "homem pré-histórico" ao "homem da pedra-lascada" são indistintamente descendentes de Adão. Os achados fósseis, os prováveis macacos-homens são frutos de mentes preconceituosas. A famosa macaca-mulher Lucy, achada no Quênia e o homem de Neanderthal eram simplesmente seres humanos, foi uma falácia!5 Toda esta teoria não passa de falsificações enganosas de cientistas que querem provar e tirar a glória do único Deus soberano, incutindo esta impossível teoria da evolução na mente das pessoas. Isto se confirma quando o Dr. Alfred McCann publicou o seu importante livro, “God-Or Gorilla” (Deus-Ou Gorila), de 344 páginas de pesquisas sobre as falsificações, que serviram de base para tentar provar os supostos elos entre o macaco e o homem, e com isto desprezando os relatos da criação narrados no livro de Gênesis capítulos 1e 2. 5 Comentários de: Dorival veraz de Carvalho. 20
  • 21. TESE DE ANTROPOLOGIA Tratei até aqui sobre três aspectos concernentes a teoria da evolução, e é possível combatê-los através da Bíblia. Quero apresentar alguns aspectos bíblicos que vão contra a teoria da evolução e seus conceitos: A) O método em que o homem foi criado. * A Bíblia declara que o homem foi criado do pó da terra – Gn. 2:7; 3:19; 18:27; Jó.10:9; Sl.104:14,etc. Não de vidas já existentes como seria o caso da evolução que diz que o homem veio do macaco. * A Bíblia também declara na primeira epístola de Paulo aos Coríntios que “Nem toda a carne é a mesma; porém uma é a carne dos homens, outra, a dos animais, outra, a das aves, e a outra, a dos peixes”. – I Coríntios 15:39. Isto nos mostra que não existem os famosos “elos perdidos” e que o homem não veio do macaco quanto menos de um peixe. B) O estado original do homem. De acordo com a Bíblia o homem foi criado santo e justo, caiu desse estado, trazendo o pecado ao mundo – Gn. 1:27; Rm.5:12-21. Mas na evolução não existe lugar para um estado original santo do homem, nem para a entrada do pecado através de uma queda. C) O começo da raça humana. Pela Bíblia a raça humana começou por Adão; pela evolução o homem teria surgido em diversas partes da terra e simultaneamente. D) A permanência das espécies. Todas as espécies foram criadas como elas são, e sua procriação seria segundo “a sua espécie”. Isto nega a fábula evolucionária da transmissão superior das espécies. 21
  • 22. TESE DE ANTROPOLOGIA 1.2 A criação. Creio que já fizemos a seguinte pergunta: “Que importância tem para nós esta questão do criacionismo”? A resposta a esta pergunta implica em muitos assuntos importantes da nossa vida, como por exemplo, a criação dos animais, vegetais, assim como a criação do homem e a sua eternidade. Para melhor conhecermos o assunto, temos de recorrer à história. Em 1925 os evolucionistas reivindicaram o direito de ensinar a teoria da evolução nas escolas públicas dos Estados Unidos da América. De princípio parecia que queriam apenas apresentar as suas teorias, mas logo depois começou ser proibido o ensino do criacionismo; infelizmente o mundo hoje adota e sempre adotou o secularismo como padrão, por isto é que vários “ismos” tem se tornado padrão para o mundo. E o propósito de Satanás é que a Palavra de Deus seja anulada, “se a Bíblia não é verdadeira, ela não é inspirada, se não é inspirada não é a Palavra de Deus, então não é preciso crer nela. Assim, conceitos fundamentais como A CRIAÇÃO, arrependimento, salvação e o próprio Deus ficam desacreditados”. Ao longo da história o evolucionismo cresceu muito e criacionistas tem se tornado evolucionistas. E Infelizmente a crença de Deus como o Criador de todas as coisas se afastou dos homens. Portanto, é necessário considerarmos a criação dentro do ponto de vista bíblico. A Bíblia nos faz a seguinte declaração no livro de Gênesis: “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” Gn. 1:1. Neste verso temos a declaração de que Deus criou os céus e a terra, portanto há um apoio para o criacionismo bíblico. Antes de prosseguir, quero aqui definir o que é criacionismo bíblico. Criacionismo é um termo adotado por aqueles que são opostos à teoria da evolução. Este grupo considera a evolução uma fábula que vai contra os relatos bíblicos da criação. Willian Bell Ryley (1861-1947) foi o fundamentalista responsável pela oposição ao evolucionismo. Quando analisamos os relatos da criação, devemos ter em mente que estão escritos da forma que Deus criou. Por exemplo, a luz e as trevas são descritas antes do sol e das estrelas, mas isto não significa uma desordem 22
  • 23. TESE DE ANTROPOLOGIA cronológica. O texto não nos fala quando Deus criou, nem se quer o tempo que Ele gastou, mas nos deixa claro que Deus criou todas as coisas. O versículo acima diz: “No principio, criou Deus...” Principio este que as nossas mentes limitadas não podem alcançar, concordo com a seguinte citação: “O fato é ‘ NO PRINCIPIO CRIOU DEUS’. Um principio que não sabemos onde e muito menos quando, mas podemos crer. Crendo com a mesma segurança que Deus existe. Não podendo assim crer e nem aceitar que este princípio seja fruto do acaso, pois “Deus não joga dados com o universo”, mas sim o toca com amor e atenção especial; Deus criou. 6 Toda aceitação da criação de Deus procede de uma confiança no Deus que criou todas as coisas. A Bíblia nos diz: “Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela Palavra de Deus; e de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê” – Hb. 11:3. Romanos 1:20 diz: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas 7 . Tais homens são, por isso, indesculpáveis”; A palavra – poiemasin no original – que aparece neste versículo como coisas que foram criadas ou mais literalmente “coisas feitas”, significa algo que é fabricado, um produto, um projeto realizado por um artesão, e enfatiza Deus como o projetista mestre e o universo como sua criação. Quero ainda embasar os meus pensamentos com Provérbios 8:30 que diz: Então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; Temos neste versículo a sabedoria personificada, sabedoria esta que foi o princípio da revelação criadora de Deus. Aqui o termo arquiteto ressalta a perícia de Deus demonstrada na criação. Portanto, creio que a criação de Deus não é uma teoria como a teoria do acaso que não pode ser provada, mas é algo real que surgiu diretamente do 6 Pr. Daniel C. Pauluci. Apostila de Antropologia. I.B.M. p.2 7 Grifo nosso. 23
  • 24. TESE DE ANTROPOLOGIA Único Deus todo poderoso. A Bíblia nos declara “No princípio, criou Deus...” e isto deve ser aceito pela fé. 1.2.1 Como foi criado. Deus nos deixou relatos da sua criação – na Bíblia e na arqueologia, mas tem havido grandes confusões acerca de como tudo foi criado. É bom deixar claro que a Bíblia é exata naquilo que relata; o motivo de grandes confusões é uma má interpretação dos textos bíblicos. Entre Gn. 1:1 e 1:2, há um intervalo de tempo indeterminado, momento este que a criação original foi afetada por uma catástrofe universal que esta relacionada com a queda de Lúcifer. Como resultado a terra “tornou-se” (melhor tradução para palavra “estava”) sem forma e vazia, um caos. A partir do versículo três, Deus começou a sua obra de recriação da terra; neste processo de recriação, o Espírito Santo de Deus pairava sobre a face das águas. Ele operava sobre a expansão dos mares como “ruach” (hebraico) que significa “vento hálito” seu sopro produzia energia e vida criadora – Jó. 33:4; Sl. 104:30. O ato de pairar não significa uma coisa inerte, mas que se movia e preservava como algo vivo e enérgico. Os primeiros quatro dias da criação (da segunda ordem mundial) não foram necessariamente dias de vinte quatro horas e sim períodos de tempo, enquanto a partir do quarto dia, pelo relato bíblico foram períodos específicos de vinte quatro horas. A Bíblia não declara a duração de cada dia e nem quando Deus criou, e a grande verdade é que o termo “dia” no hebraico é “yôm” e pode ter vários significados: A) Período de iluminação natural (em contraste com o período de escuridão). B) Período de vinte e quaro horas; C) Idéia geral e indefinida de tempo; D) Um instante no tempo; E) O período de um ano (caso que a palavra aparece no plural; 1 Sm. 27:7; Ex. 13:10, etc.).8 8 R.Laird Harris, Gleason L. Archer, Jr. Bruce K. Waltke. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Ed.Vida Nova. p. 852. 24
  • 25. TESE DE ANTROPOLOGIA Para reforçar a defesa desta teoria, recentes descobertas confirmam a ordem do relato de Gênesis. Segue abaixo a ordem da criação (da segunda ordem mundial) de acordo com a Bíblia. Algumas considerações: A palavra Deus está no plural, e o verbo está no singular (no hebraico há três números: singular, dual e plural); assim a natureza de Deus é revelada nas primeiras palavras de Gênesis: uma Trindade (um só Deus subsistindo em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo). Portanto, houve participação das três pessoas nesta obra, obra esta que foi realizada pela Soberania de Deus. A) Sabedoria – Foi a primeira a ser criada (revelada) de acordo com Pv. 8:22-31; B) Céus – A terra estava coberta com águas e Deus as separou transformando em vapor, este espaço entre águas e águas Deus chamou céus, que pode significar extensão e firmamento – Gn. 1:6. C) Anjos – Os anjos já existiam e louvavam a Deus quando o Senhor estava fazendo a terra – Jó. 38:4-7. D) Água – A terra foi tirada da água. Logicamente a água foi criada antes da terra – 2 Pe. 3:5. E) Terra - pó – Primeiro se fez o pó da terra – “Ele ainda não havia feito a terra [...] nem o pó com o qual formou o mundo” – Pv. 8:269 , a terra já criada ( v.1), chegou a ser “sem forma e vazia” (v.2) mas não fora criada assim – Is. 45:18. A terra foi uma das coisas criadas no princípio. F) Trevas/ luz – Criou as trevas e a luz – Gn. 1:2-3; Is. 45:7. G) Plantas – Criou ervas e árvores frutíferas com sementes – Gn. 1:11-12. H) Sistema solar – Foi no quarto dia – Gn. 1:14-16. I) Seres viventes – Seres viventes com alma existente – Gn. 1:20,21,24,25. 9 Bíblia de estudo NVI. Ed. Vida. p. 1066. 25
  • 26. TESE DE ANTROPOLOGIA J) O homem – feito no sexto dia – Gn. 1:26-2. O homem foi criado, não evoluído de um ser inferior durante muitos milênios. Isto é declarado aqui e embasado por Cristo em – Mt. 19:4; Mr. 19: 6. Tudo que Deus criou e da forma que foi criado, foi perfeitamente como deveria ser, pois tudo que Deus fez e ainda faz é perfeito, bom e com propósito. Nesta criação definiram-se vários propósitos de Deus, eis alguns deles: A) Foi para Sua glória conforme alguns textos declaram – Sl. 19:1; Is. 43:7, 61:3; Lc. 2:14. B) Para a satisfação de Sua vontade – Ap.4:11. C) Para a honra de Jesus Cristo, Seu Filho – Cl. 1:16. Todas as coisas criadas por Deus, foram realizadas por Sua vontade e não por alguma dívida que possuísse com a humanidade, pois até mesmo a humanidade foi criada por Deus, para Si mesmo, e pela Sua Livre vontade de fazê-lo e no final da ordem criadora. 1.2.2 Documentos favoráveis à criação. A Bíblia em uma de suas aplicações cientificas nos serve como base para as nossas considerações e diretrizes a documentos científicos comprobatórios da Criação como uma Obra de Deus. Entre tantos documentos científicos existentes serão abordados os três principais favoráveis à criação de Deus. 26
  • 27. TESE DE ANTROPOLOGIA 1.2.2.1 O Dilúvio. Infelizmente, em toda a história e ainda hoje, existe muita incredulidade a respeito do dilúvio em água e da narração encontrada em Gênesis, mas podemos observar a sua importância e realidade nas páginas das Escrituras Sagradas – Gn. 6:8-8:14; Mt. 24:38-39; 2 Pe.3:5-7; 2:5-10. Jean Flori e Henri Rasolofomasoandro fazem a seguinte declaração: “A realidade do dilúvio e seu alcance mundial eram considerados como verdades fundamentais, tanto por Jesus, como pela igreja primitiva”. 10 * A Etimologia da palavra dilúvio. "Dilúvio" em Português deriva do Latim diluvium, diluvii, e também dilúvio, diluvionis, derivam diretamente do verbo dilúvio, diluviare, "inundar", "alagar". Os dois substantivos, conforme os dicionaristas se referem ao "dilúvio universal", ou "dilúvio de Noé", e são cognatos de diluvies, diluviei, "inundação", "enchente", "dilúvio", "cataclismo". Os três substantivos considerados, e o verbo, têm a mesma raiz do verbo diluo, diluere, "desfazer", "delir", "gastar", "lavar", "tirar lavando", "diluir", "afogar", "apagar", "riscar", "enfraquecer", "diminuir". Este verbo diluo, diluere é forma composta do verbo luo, luere, "lavar", "banhar", "regar", "purificar, apagar, desviar, com expiações", "pagar", "satisfazer", "remir", "resgatar", "expiar", "sofrer". Na realidade existem três verbos luo, luere, de origem e significado distintos. O primeiro tem o sentido de "sujar", "enlamear", e permaneceu no substantivo lues, luis, "corrupção do ar", "enfermidade contagiosa", "peste", "flagelo", "calamidade", e, na forma composta, no verbo polluo, polluere, "molhar", "umedecer (sujando)", "poluir", "corromper", "macular", "profanar". O segundo tem o sentido de "lavar", já considerado inicialmente, estreitamente ligado aos verbos lavo, lavare, e lavo, lavere, ambos com o sentido de "lavar", "banhar", "purificar", curiosamente tendo como forma derivada pollubrum, "bacia destinada às cerimônias de purificação", proveniente de um outro verbo polluo, polluere com o sentido de "purificar", caído em desuso provavelmente pela confusão com o homônimo anteriormente citado. Derivado deste segundo verbo é também o substantivo lustrum, que designa uma cerimônia pública de purificação realizada de cinco em cinco anos em Roma (em Português, "lustrar" é "purificar com água lustral") de onde também a sua acepção de "intervalo de cinco anos", ou "lustro". O terceiro tem o sentido de "desligar", "desobrigar", "pagar", "cumprir", "isentar", "absolver", e liga-se ao verbo solvo solvere, "dissolver", "desunir", "desunir as partes de um composto", "apagar (um crime)", "eximir (de uma dívida)", "pôr termo a", "destruir", também derivado de luo, luere com a adição do prefixo se (transformado em so pela influência do v da sílaba seguinte). São compostos de solvo, solvere os verbos absolvo, absolvere, "desatar", "desprender", "resgatar", "remir" (e o advérbio absolute, 10 Jean Flori, Henri Rasolofomasoandro. Em busca das origens. Ed. Editorial Safeliz. p. 232. 27
  • 28. TESE DE ANTROPOLOGIA "absolutamente", "perfeitamente"); dissolvo, dissolvere, "dissolver", "desfazer", "desfazer uma acusação", "destruir", (e o substantivo dissolutio, dissolutionis, "dissolução", "ruína", "aniquilamento"), resolvo, resolvere, "resolver", "deslindar", "dissolver", "reduzir a liquido", "dissipar" (e o substantivo resolutio, resolutionis, "decomposição", "dissolução geral", "fim do mundo)". Este apanhado da etimologia da palavra "dilúvio", envolvendo suas raízes, compostos e derivados, apresenta um quadro bastante ilustrativo dos vários aspectos envolvidos no episódio do dilúvio universal relatado no livro de Gênesis – no plano físico, inundação cataclísmica, flagelo, calamidade, destruindo, afogando, desfazendo, desunindo os próprios continentes, trazendo o fim de um mundo que ainda guardava bastante de sua perfeição original; e no plano moral, algo como uma cerimônia pública de purificação, pondo termo a uma situação de dissolução geral, apagando o passado, expiando, purificando, resgatando a humanidade e levando-a novamente ao padrão moral anterior à degradação generalizada dos dias que antecederam essa intervenção miraculosa de Deus em nosso planeta. 11 Somente pela a etimologia da palavra dilúvio e dos acontecimentos ocorridos nós temos uma prova de um mundo criado por Deus, que devido ao pecado foi destruído por meio das águas do dilúvio – Gn. 6,7. * O dilúvio em águas foi universal. Pelo relato de Gênesis 7 e 8 nós percebemos uma inundação universal e não local, o nível da água cobriu os picos mais altos. Gênesis 7:19 diz: Prevaleceram as águas excessivamente sobre a terra e cobriram todos os altos montes que havia debaixo do céu. No versículo vinte do mesmo capítulo tem a declaração de que o nível da água subiu quinze côvados acima dos montes (que é igual a sete metros). Se a água cobriu até mesmo o monte Ararat, onde a arca pousou, a água subiu mais de seis mil metros, sendo assim cobriria toda a superfície da terra. Então temos que concluir que o dilúvio em águas foi universal e não local; caso contrário o relato bíblico está errado. 11 Comentários de: Prof. Roberto Azevedo. 28
  • 29. TESE DE ANTROPOLOGIA Champlin nos dá alguns argumentos em prol do dilúvio universal. A) A linguagem dos capítulos sexto a nono de Gênesis refere-se a um dilúvio de dimensões universais. Todos os picos dos montes foram cobertos pelas águas, tendo havido a destruição absoluta de todos os seres vivos terrestres, excetuando-se os que estavam na arca (e, naturalmente, excetuando-se a vida marinha em geral). B) A universalidade das narrativas sobre o dilúvio mostra que o dilúvio chegou a todos os lugares. C) Há uma distribuição mundial dos depósitos aluviais do dilúvio. D) Houve a súbita extinção de mamutes peludos do Alasca e da Sibéria, na hipótese de que eles foram mortos afogados, e não por congelamento. E) A diminuição das espécies animais. Poucas espécies restam agora, em comparação com o que se via na antiguidade. Isto supõe que Noé não abrigou na arca todas as espécies possíveis, mas apenas as representativas de cada espécie; ou então que muitas destas espécies se extinguiram após terem sido soltas da arca. 12 Existem ainda outras razões que nos provam que o dilúvio foi universal. Com o pecado da raça humana naquela época, pecado este que afetou todos os homens na face da terra (Gn. 6:5-7), Deus então castigaria a todos através das águas do dilúvio, mas para que isto fosse possível era necessário que o dilúvio fosse universal e não local. Estudando cuidadosamente a estrutura em que a arca foi feita, veremos que esta estrutura foi feita para suportar um dilúvio universal e não local, caso contrário não precisaria de uma estrutura como foi a da arca. Uma outra coisa que devemos observar, é que a ordem de Deus para Noé foi para que ele fizesse entrar na arca um casal de cada espécie, se o dilúvio fosse local isto não era necessário, pois em outros locais ainda haveria animais da mesma espécie. Antes do dilúvio existiam as várias formas de vida que são reveladas no texto de Gn. 1:20-23. Creio que existiam até mesmo os dinossauros que foram extintos por ocasião do dilúvio. Também temos referências na Bíblia de animais ou monstros que não sabemos realmente como eram – Jó. 3:8. Portanto, estas formas de vida que foram extintas pelo dilúvio universal provam o criacionismo. 12 R.N. Champlin. O Antigo Testamento Interpretado (versículo por versículo). vol. 1. Ed. Hagnos. P.66. 29
  • 30. TESE DE ANTROPOLOGIA * O dilúvio universal e os fósseis: uma prova da criação. Os arqueólogos têm achado fósseis de animais da era quaternária estraçalhados, evidenciando um acontecimento de alta violência como foi o dilúvio; estes foram achados nas regiões da Europa e da América do Norte. E nas fendas de algumas montanhas foram achados esqueletos incompletos de animais, que foram colocados ali com muita violência pelas águas do dilúvio. Um dos lugares que foram achados estes esqueletos entre as fendas das montanhas foi em Odessa, perto do mar Negro; na ilha de Quitera, ao largo do Peloponeso; na ilha de Malta, na rocha de Gibraltar e até nas fontes de Ágata, no Nebraska. E ainda Temos registros de fósseis de peixes, corais e conchas que foram achados petrificados no topo das montanhas de grande altitude. Estima-se que haja aproximadamente cinco milhões de mamutes congelados na Sibéria (foram encontradas manadas de mamutes mortos em países não-polares, mas estavam fossilizados, pois não havia gelo para preservá-los). Nas proximidades dos mamutes encontraram-se também diversos outros animais congelados, tais como rinocerontes e esquilos, ovelhas e camelos, tigres e leões, além de um bezerro, um bisão, um cavalo e um lince, muitos com carne preservada. Em cavernas na França foram descobertas gravuras que representam a caça a esta raça extinta de elefantes. Alguns são descobertos em condições excepcionais de conservação. Foram mortos tão subitamente que são encontrados feijões, flores, grama verde e outros alimentos ainda não digeridos em seus estômagos e bocas. Muitos são encontrados em pé, na posição vertical (o mamute Berezovka, que foi encontrado em pé, estava com a pélvis, uma clavícula, e uma perna esmagada, mas não apresentava sinais de agonia, o que indica que seu corpo foi submetido a elevadas pressões após a morte). Houve casos em que cães famintos atacaram e comeram pedaços de alguns deles antes que os cientistas chegassem. O que teria causado a morte súbita e o congelamento de tantos mamutes? Por causa das gravuras com cenas de caça, alguns cientistas levantaram a hipótese de que eles haviam sido dizimados pelo homem. No entanto os mesmos cientistas dizem que eles viveram há diversos milênios, e estimam que nessa época talvez não houvesse mais do que 30.000 pessoas no mundo. Ou seja, não havia homens suficientes para matar sequer os mamutes da Sibéria. Levantou-se outra hipótese para sua morte súbita: teriam morrido em resultado de acidentes. Considere o caso de Dima um bebê-mamute que foi encontrado em uma montanha da Sibéria em 1977, e hoje encontra-se preservado no Museu do Instituto de Zoologia da Academia de Ciências da Rússia. Apesar de ter o lado esquerdo do seu tronco achatado (sofreu forte compressão na região após sua morte), Dima é um exemplar bem conservado, com pele, órgãos, músculos e ossos preservados, e seu DNA já foi estudado. Submetido à datação radiométrica, apresentou resultados curiosos: "Uma parte de Dima foi datada como possuindo 40.000 [anos], outra parte 26.000, e havia madeira 'imediatamente em torno do corpo' [congelada junto a ele] datando de 9-10.000 [anos]" (Troy L. Pewe, Quaternary Stratigraphic Nomenclature in Unglaciated Central Alaska, Geological Survey Professional Paper 862; U.S. 30
  • 31. TESE DE ANTROPOLOGIA Gov. printing office, 1975, p. 30). Note que especialistas russos que dataram mamutes (utilizando técnicas modernas: filtraram o colágeno dos ossos e mediram o radiocarbono com um contador de cintilação de líquidos) registraram que o C14 indica uma data de até 4.000 A.P. (Anterior ao Presente), segundo informações da revista científica americana Radiocarbon (Volume 37, Número 1, 1995, pp. 1-6. Department of Geosciences, The University of Arizona). Vale a pena conhecer o que o especialista Mitzi Perdue escreveu a respeito de Dima: "Há quase 40.000 anos aconteceu uma pequena tragédia. Um bebê mamute de um ano abaixou seu tronco para beber a água de um riacho gelado, desequilibrou-se e caiu na água. Incapaz de sair da água, o jovem afundou. Isso aconteceu na Sibéria, e a água e a lama mole logo congelaram sobre o mamute azarado. Seu corpo foi encapsulado em gelo fóssil e não foi visto novamente até 1977" (citado em www.nandotimes.com, 30/11/1999). Pode imaginar milhões de mamutes se desequilibrando e caindo na água por acidente? Sabia-se que, como no caso de outros mamutes, Dima havia morrido por afogamento. Encontrou-se barro, lama e partículas de cascalho no seu trato digestivo e sistema respiratório (traquéia, brônquios e pulmões). Os mamutes não são animais preparados para a vida em ambientes glaciais (nem tampouco os animais e plantas encontrados nas proximidades dos mamutes). O exame revelou que, exatamente como as outras raças de elefantes, não possuem glândulas excretoras de óleo, presentes em todos os mamíferos que vivem no Ártico. Um mamute tem aproximadamente o mesmo tamanho e peso das outras raças de elefantes; por isso, precisa de muito alimento: um elefante consome cerca de 150 kg de alimento por dia, e gasta dezesseis horas por dia fazendo isso. O mamute de Adams, um macho descoberto na Sibéria em 1799, era tão gordo que sua barriga chegava até abaixo dos joelhos. Como os cinco milhões de mamutes poderiam se alimentar na Sibéria? Alimento abundante requer no mínimo um clima temperado (muito mais quente do que o atual na região). Entre os alimentos encontrados no sistema digestivo dos mamutes, há pedaços de flores, o que indica que não morreram em uma estação fria (as evidências sugerem o final do verão ou o início do outono). Evidentemente o clima mudou muito rapidamente. Os mamutes e rinocerontes precisaram ser congelados imediatamente após sua morte, ou sua carne não teria sido preservada (quando o animal não é aberto, o processo de decomposição ocorre mesmo em ambientes glaciais, pois a inércia térmica do interior do organismo é suficiente para permitir a ação das enzimas e da atividade microbiana). Foram enterrados no gelo, a salvo dos predadores (incluindo pássaros e insetos). Há diversos outros "cemitérios de animais" em todo o mundo que dão evidência de um cataclismo que destruiu subitamente quantidades imensas de seres vivos. Fósseis de animais isolados, evidentemente são comuns, mas foram encontrados também diversos leitos com grandes quantidades de animais que vivem em comunidades, colônias e rebanhos, especialmente os que se ajuntam em manadas em situação de perigo. O Dr. Henry M. Morris expõe: "Há grandes leitos de restos de mamíferos fósseis (e.g.: os leitos de elefantes na Sibéria, os leitos de hipopótamos na Sicília, etc.), grandes leitos de anfíbios (e.g.: as grandes quantidades de anfíbios extintos nos leitos Permianos do Texas, [nos] Estados Unidos, etc.), leitos tremendamente grandes de plantas fósseis (e.g.: os estratos de carvão), e assim por diante. Praticamente todas as espécies de organismos que vivem hoje no mundo também foram encontradas no mundo fóssil, freqüentemente na forma de cemitérios fósseis contendo grande número de exemplares”. 31
  • 32. TESE DE ANTROPOLOGIA Todos os cientistas admitem que o petróleo seja matéria orgânica. A maioria dos geólogos acredita que os leitos de petróleo resultam do sepultamento de milhões de animais mortos. E eles teriam de ter morrido ao mesmo tempo, pois caso contrário, a decomposição de seus corpos se integraria ao ciclo ecológico comum, e não formaria petróleo (por esta razão, não existe petróleo sendo formado atualmente). Mesmo que falássemos de animais marinhos ou de quaisquer outros seres vivos, o fato é que a morte rápida de milhões deles já caracteriza um cataclismo. E incontáveis milhões de barris de petróleo têm sido extraídos da terra durante os últimos cem anos. 13 Os diversos fósseis que foram achados, sendo estes fósseis de peixes, corais e conchas e todos eles petrificados, assim como de mamutes, rinocerontes, esquilos, ovelhas, camelos, tigres, leões, além de um bezerro, um bisão, um cavalo e um lince, foram achados congelados, e muitos com vegetais ainda na barriga e na boca, com sua carne preservada, e que viveram antes do dilúvio, nos dão provas de um dilúvio universal e também da criação de Deus. Criação esta que não evoluiu de espécie para espécie, mas que permaneceu como era desde a sua origem. 1.2.2.2 A arqueologia. A arqueologia tem sido um instrumento valioso que tem ajudado a provar que os relatos da criação são verdadeiros. Todos nós sabemos que a história relatada nos capítulos um a onze de Gênesis, registra os primórdios da humanidade e que o seu trâmite foi no vale dos rios Tigre e Eufrates, história esta que tem sido comprovada pelas descobertas arqueológicas. Os arqueólogos descobriram as tábuas da criação, que proporcionou a recuperação de uma grande parte de documentos da antiga Mesopotâmia, preservados em caracteres em forma de cunha que são bem próprios da linguagem babilônica-assírica; estavam escritos em tábuas de barro e foi uma descoberta valiosa para a arqueologia. A região do vale babilônico-assírico tem sido um cemitério de antigas civilizações; com o desejo de escavar estas regiões de culturas esquecidas, o conhecimento da história Bíblica tem sido possível. A região que foi o berço da humanidade tem sido um dos lugares mais dramáticos da superfície 13 Lucian Benigno. Biblical @ archacologist.com. O dilúvio. 32
  • 33. TESE DE ANTROPOLOGIA terrestre devido às escavações. Com a possível decifração dos caracteres em forma de cunha, tem se descoberto um grande paralelo com os registros encontrados na Bíblia e cada vez mais, a veracidade da Bíblia tem sido comprovada. * Foram descobertas em Nínive, na biblioteca de Assurbanipal, as primeiras tábuas da criação, assim como pequenos fragmentos de tábuas que eram conhecidas pelos babilônicos e assírios como a grande epopéia da criação, contendo relação com os primeiros capítulos de Gênesis. Estas tábuas eram de barro e continham mais ou menos mil linhas. * Foram achadas outras partes das tábuas da criação. E com isto a epopéia quase foi totalmente restaurada, faltando apenas uma parte que está na tábua v. * Estas tábuas são posteriores ao século sete antes de Cristo, mas foram compostas nos dias de Hamurábi (1728-1676 a.C.). Um dos propósitos destas tábuas, era mostrar a superioridade da Babilônia sobre as outras cidades do país. Estas tábuas são literaturas dos Semitas Babilônicos, mas tudo indica que foram compostas em épocas muito mais remotas, talvez quatro mil antes de Cristo, por serem baseadas nas tradições dos Sumérios que entraram no sul da Babilônia em épocas remotas e aperfeiçoaram-se na escrita em forma de cunha. Os babilônios foram herdeiros da cultura dos Sumérios. Outras descobertas têm sido feitas pela arqueologia que provam o criacionismo, como por exemplo, a localização do jardim do Éden onde Deus colocou o homem e trouxe a ele os animais criados para que desse nome a cada um deles, lugar onde aconteceu a tentação e a queda. A Bíblia nos fala em Gn. 2:10-14 que o jardim do Éden estava localizado em um lugar nas regiões dos rios Tigre e Eufrates. Mais provável na terça parte mais para o oriente do Crescente Fértil. 14 E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços. 14 Grifo nosso. 33
  • 34. TESE DE ANTROPOLOGIA O primeiro chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro. O ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o bdélio e a pedra de ônix. O segundo rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de Cuxe. O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates. O livro de Gênesis nos fala do principio da raça humana no mesmo lugar que arqueologia tem demonstrado ser o berço da civilização; W.F.Albright diz: Desta forma a pesquisa arqueológica tem estabelecido, sem sombra de dúvida, que não há centro de civilização, na terra, que possa nem de longe competir, em antiguidade e atividade, com a bacia do Mediterrâneo Oriental e a região imediatamente ao leste dela – O Crescente Fértil. 15 Portanto, a arqueologia tem feito descobertas que provam que os relatos do livro de Gênesis são verdadeiros. Como conseqüência os relatos da criação também são verdadeiros. 1.2.2.3 A Geografia e história (Geologia). Na verdade é perfeitamente possível correlacionar a cronologia Bíblica, referente ao período do dilúvio, à própria geocronologia. Deve ser lembrado, no entanto, que após Noé ter saído da arca, a superfície da Terra ainda se encontrava sob os efeitos secundários do dilúvio, em um processo gradual de estabilização. Nesse período pós-dilúvio, os fenômenos geológicos se manifestaram. Um dos fenômenos geológicos que se manifestou por ocasião do dilúvio foi a divisão dos continentes. Cientificamente e Biblicamente a divisão dos continentes tem sido provada, por isto quero me deter um pouco dentro desta área da geologia – a divisão dos continentes. Apresentarei o assunto cientificamente e depois Biblicamente. Geralmente se atribui essa teoria a Wegener, mas na realidade ela havia sido postulada em 1658 pelo francês Pacet, embora tivesse depois caído no 15 Merril F. Unger. Arqueologia do Velho Testamento. Ed. Batista Regular. p.17,18. / Grifo nosso. 34
  • 35. TESE DE ANTROPOLOGIA esquecimento até princípios do século XX, quando então foi resgatada pelo norte-americano Taylor (1910). Entretanto, foi o geofísico alemão Alfred Wegener (1912) quem melhor soube apresentar esta sedutora teoria. 16 * A divisão dos continentes de acordo com Wegener. A tese de Wegener pode ser resumida da maneira seguinte: A crosta terrestre compunha-se inicialmente de uma camada flutuante de SIAL (silício e alumínio) em equilíbrio isostático sobre o SIMA (silício e magnésio). Essa crosta, ao resfriar-se, retraiu-se formando na era Paleozóica um agregado único, ou seja, um continente primitivo único (em alemão: Urkontinent) cercado também por um oceano único. Esse continente teria estado situado na região polar, e pelo efeito principalmente da força centrífuga, essa massa continental ter-se-ia fracionada em partes menores. Em seu percurso em direção ao equador, as massas resultantes ao fracionamento teriam formado os atuais continentes. Além disso, o movimento dessas massas continentais flutuantes explicaria a formação de montanhas como os Andes e as Montanhas Rochosas. A resistência oposta pelo SIMA ao movimento migratório do SIAL foi a causa da compressão, levantamento e dobramento das “proas” dos continentes em sua marcha inexorável. Em seu conjunto, a tese parece ser coerente. A idéia seduzia pela sua simplicidade genial. Ainda mais, tinha o mérito de explicar um grande número de fenômenos mediante uma causa única. A forma atual dos continentes, a incrível correspondência de formas entre a América do Sul e a África, a presença de montanhas nas bordas dos continentes, a correspondência de fauna e flora em um mesmo nível na África, América do Sul e Austrália, tudo isto passava a ser justificado de imediato pela genial teoria de Wegener. 17 Esta teoria teve os seus altos e baixos, foi sendo defendida e reprovada por alguns. Por ser reprovada ela perdeu a sua força, mas novos fatos científicos surgiram a favor desta teoria. Quero apresentar estes fatos de acordo com a obra “Em Busca das Origens”. Os estudos oceanográficos haviam demonstrado a existência de verdadeiras cadeias montanhosas no fundo dos oceanos, especialmente no Atlântico. Em 1963 a idéia da deriva novamente veio à tona e reconquistou adeptos. A grande mudança de atitudes teve lugar em 1968, com a publicação, nas melhores revistas cientificas britânicas e norte-americanas, de toda uma série de trabalhos que iriam devolver o prestígio à teoria, com ligeiras modificações. 16 Jean Flori, Henri Rasolofomasoandro. Em busca das origens. Ed.Editorial Safeliz. p.63. 17 Jean Flori, Henri Rasolofomasoandro. Em busca das origens. Ed.Editorial Safeliz. p.64. 35
  • 36. TESE DE ANTROPOLOGIA Assim, Hurley (abril de 1968) expunha claramente a existência, no fundo dos oceanos, de falhas e “cristas” que pareciam ser formadas de materiais “recentes”, provenientes das profundezas. Novamente comparando as camadas geológicas “concordantes” do Brasil e do Golfo da Guiné, ele chegava a conclusão de que eram contemporâneas. Renascia a idéia de que os continentes como imensas “balsas”, teriam podido deslizar da astenosfera. Não mais como balsas “à vela”, impelidas por forças externas, mas sim transportados pelas correntes magmáticas. A nova teoria da expansão do fundo oceânico (Sea Floor Spreading) não deixou de encontrar posteriormente novas confirmações. Os estudos de paleomagnetismo vieram a confirmar esta tese, revelando que, de ambos os lados das “cristas”, os materiais simétricos eram do mesmo período, pois haviam “registrado” as mesmas características do campo magnético. Esta era a prova de que o fundo dos oceanos foi criado na região da crista, e de que a matéria surgida das profundezas da Terra elevou-se separando progressivamente ambos os lados da crista. Só faltava descobrir o motor deste movimento da matéria, o que foi feito voltando-se à direita das correntes de convecção (semelhante às da água que se aquece em uma panela), que deveriam ter afetado as massas plásticas do manto (a astenosfera). Por razão ainda parcialmente desconhecida (gradiente de temperatura?), pensa-se que essas massas plásticas ter-se-iam movimentado com velocidade muito baixa, e sua elevação teria produzido as cristas oceânicas, de onde se derramaram para ambos os lados das cristas. Assim o fundo do oceano se encontraria em continua formação, com rochas relativamente jovens nas proximidades das dorsais oceânicas, e outras rochas progressivamente mais antigas, afastando-se da dorsal em ambos os lados. Esta expansão de matéria teria ocasionado a separação das “balsas” continentais. A evidência que sugere a expansão do fundo oceânico constitui o argumento mais poderoso a favor da chamada tectônica de placas, como é denominada essa teoria. Cabe, pois, novamente imaginar a litosfera (crosta e manto superior rígido) formada por placas continentais de 50 a 100 km de espessura, movendo-se com relação às outras, separadas entre si por fraturas em cujo interior as matérias provenientes das profundezas se esparge, repelindo simetricamente as “balsas” continentais. Desta forma, embora com novas roupagens, foi ressuscitada a teoria de Wegener, agora com a denominação de Tectônica de placas. Assim, renasceu também a hipótese de um continente único. Certamente ainda está longe de uma certeza absoluta sobre está questão, o que é conveniente sublinhar antes de finalizarmos. O geólogo australiano Snelling escreveu: “A maioria dos geólogos aceita hoje entusiasticamente a teoria da deriva dos continentes. Há, entretanto, componentes pesquisadores no campo das ciências da terra, que não aceitam”. Em qualquer caso, essa noção conta com amplo respaldo. As tentativas de explicar essas questões geológicas têm de ter isso em conta. E, de qualquer maneira, isso nos terá proporcionado uma lição muito positiva, ao nos recordar que no campo das ciências não se deve sepultar prematuramente nenhuma idéia, pondo-nos também de sobre aviso perante a sedução que exerce uma teoria unitária que pretende explicar tudo. 36
  • 37. TESE DE ANTROPOLOGIA A teoria transformista, tanto quanto a teoria de Wegener, é uma dessas teses monumentais que seduzem por sua harmonia, e que nos induzem a deixar de verificar minuciosamente seus fundamentos perante um edifício aparentemente tão importante. 18 Na Bíblia, temos uma referência que diz que a terra se dividiu Gn. 10:25. A Héber nasceram dois filhos: um teve por nome Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã. Temos um breve relato neste verso se referindo a Pelegue e a divisão da terra. Um dos significados do nome Pelegue é “divisão”, e isto ocorre porque algo deste cunho aconteceu na sua época. Esta divisão é a que chamo de: “a divisão dos continentes”, momento este em que a terra se dividiu, é importante notarmos que não existe nenhuma citação de genealogia depois da frase “... em seus dias se repartiu a terra...” e isto ocorre porque a divisão ou a repartição aqui citada foi uma divisão de terras e não de povos. Quero encerrar os meus pensamentos a respeito deste assunto (geologia) dizendo que novas descobertas nos campos da geologia e da meteorologia começam, assim, a trazer importantes contribuições para a concordância dos estudos científicos a respeito dos eventos ocorridos nos primórdios da história da Terra, com a revelação contida na Bíblia. 2. A criação do homem. Algumas perguntas podem ser feitas a respeito da criação do homem. Como exemplo: Quem criou o homem? Que é o homem? Qual o propósito da sua criação? Quais os seus ministérios? O que significa “imagem e semelhança”? O homem é um ser tricotomista ou dicotomista? Por que e como Deus permitiu a queda do homem? 18 Jean Flori, Henri Rasolofomasoandro. Em busca das origens. Ed.Editorial Safeliz. p.66,67,69. 37
  • 38. TESE DE ANTROPOLOGIA Muitos religiosos, cientistas e até mesmo teólogos têm dado várias respostas complicadas e sem nexo a estas perguntas que podem ser respondidas facilmente à luz da Bíblia. Tendo isto em mente, discorrerei agora sobre os vários aspectos concernentes a criação do homem, e estas perguntas serão respondidas de acordo com o que eu creio ser Bíblico. 2.1 Sua origem segundo a Bíblia. “Também disse Deus: Façamos o homem...” Gn. 1:26. “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Gn. 2:7. O relato da criação do homem se encontra basicamente em dois textos, ainda que possa ser embasado por outros textos bíblicos. Estes dois textos são: Gn. 1:26,27 ; 2:7,21-23. O homem veio a existir por um ato criativo da parte de Deus e como descrevi anteriormente, as três pessoas da Trindade estavam envolvidas neste ato, pois o versículo diz: “Façamos o homem...” (o verbo fazer aparece no plural indicando a ação das três pessoas), e quando olhamos para este versículo, vemos que as três pessoas da Trindade concordaram plenamente com a criação do homem. * Uma consideração da palavra “homem” de acordo com Strong – Gn. 1:26. Homem, adan; Homem, raça humana, Adão (o primeiro homem), a humanidade em geral. Adan é traduzido como Adão (o substantivo próprio) cerca de vinte vezes no AT, e como homem mais de quinhentas vezes. Quando se refere a toda raça humana, a Bíblia com freqüência usa a contrução b’nay adan, os filhos de Adão. Assim como homem no português, adan no seu sentido geral nada tem haver com sexo masculino, mas com enquanto ser humano. Por exemplo, em uma ocasião adan refere-se exclusivamente a mulheres! (Nm. 31:15). Adan provavelmente esteja relacionado com o verbo adon, ser vermelho, referindo-se a coloração avermelhada da constituição do ser humano. Adamah, “solo” ou “chão”, também pode derivar-se deste verbo. Desta forma, Gn. 2:7 afirma: “E formou o Senhor Deus o adan do pó da adamah. Paulo vê Adão como homem terreno em 1 Co. 15:47. Adan é um dos quatro principais termos hebraicos para “homem” usados na Bíblia.19 19 Bíblia de estudo Plenitude. Ed. Sociedade Bíblica do Brasil. p.5. 38
  • 39. TESE DE ANTROPOLOGIA A criação do homem foi um ato direto das mãos de Deus; sendo assim o método que Deus usou para criar o homem, não foi o mesmo que Ele usou para a criação dos animais e dos vegetais; estes foram criados indiretamente por uma palavra de ordem, a Bíblia assim nos declara: “Produza a terra...” Gn. 1:11,24, “Produzam as águas...” Gn.1:20, . Mas no caso do homem a declaração foi direta: “Façamos o homem...”; “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra...” Gn. 1:26; Gn.2:7. O homem não foi produzido pela terra e nem pela água; com isto não estou indo contra o relato bíblico que diz que Deus formou o homem do pó da terra, também não estou dizendo que na composição do homem não exista água. Mas que o Próprio Criador formou o homem do “pó da terra” 20 de uma maneira direta através do “Seu toque” 21 , e sem qualquer outra intervenção; por ser um ato direto de Deus, o homem foi criado perfeito e sem pecado, e o Espírito de Deus habitava no espírito do homem e os dois (homem e Deus) tinham uma perfeita comunhão; sendo assim o homem criado, e sem pecado podia olhar para o alto, conhecer e adorar este Deus que lhe criou. Por ser criado diretamente por Deus, o homem é a coroa da Sua criação, algo maravilhoso. Erickson faz a seguinte declaração: Apesar de criaturas, somos as mais elevadas dentre elas, as únicas feitas à imagem de Deus. Não somos simples produtos acidentais de um mecanismo cego nem um subproduto ou refugos lançados fora no processo de fazer algo melhor. Somos um produto expressamente desejado por Deus. Ás vezes, os cristãos sentem necessidade de minimizar a habilidade e as realizações dos homens a fim de dar maior glória a Deus. É certo que precisamos colocar as realizações humanas no devido lugar em relação a Deus. Mas não é necessário proteger Deus contra a competição da sua criatura mais elevada. A grandeza humana pode glorificar ainda mais a Deus. Os homens são grandes, mas o que os torna grandes é o fato de Deus os ter criado. O nome Stradivarius fala da qualidade de um violino; seu fabricante foi o melhor. Mesmo quando admiramos o instrumento, estamos admirando muito mais o talento do seu fabricante. A respeito dos homens, pode-se dizer que foram feitos pelo melhor e mais sábio de todos os seres, Deus. Um Deus capaz de fazer uma criatura tão maravilhosa é de fato um grande Deus. 22 Reconheçam que o Senhor é o nosso Deus. Ele nos fez e somos dele... Sl. 100:3. 23 20 Grifo nosso. 21 Grifo nosso. 22 Millard J. Erickson. Introdução à Teologia Sistemática. Ed. Vida Nova. P.213,214. 23 Bíblia de Estudo NVI. Ed. Vida. p. 986.991. 39
  • 40. TESE DE ANTROPOLOGIA 2.2 O tempo da sua criação. Alguns geólogos, antropólogos e vários teólogos, têm dado ao homem milhares de anos de existência e por não ser o que a Bíblia diz, esta teoria deve ser bem estudada e combatida, para que a verdade da Palavra de Deus não seja deturpada. Vejamos o que diz esta teoria: Os geólogos e antropólogos acharam os ossos do homem de Neandertal de 100 anos atrás, e falam do homo sapiens que teria dado origem ao homem moderno há cerca de 30 mil anos. Outros ossos são muitos mais antigos, como os do homo faber e do homo erectus (estes de 250 mil anos). Uma possibilidade é que a descrição de Gênesis 4 tenha omitido algumas gerações, e assim aquela civilização é mais antiga do que a soma daqueles anos. Muito tempo pode ter passado, com muitas gerações entre Adão e Caim. O mesmo pode ter acontecido com Adão no jardim do Éden. Talvez o tempo de Adão possa ser estendido até 30 mil anos atrás, e Caim e Abel dentro de 10 mil anos. 24 Com relação ao tempo da origem do homem, vários grupos de cientistas estão em constantes desafios: o historiador com sua preocupação pelos fatos relativos aos povos e nações primitivos, com a distinção entre raças e a possibilidade de uma origem comum; o filólogo como seu problema da origem da língua à luz de suas formas variadas presentes; o arqueólogo e o geólogo com a evidência que oferecem para a antiguidade do homem. O que esses homens asseveram a respeito da idade da família humana varia em tal grau que todas as alegações da infalibilidade ficam destruídas. O desacordo entre as autoridades não possui a tendência de gerar crença ou de estabelecer uma data confiável. Uma afirmação geral surge, a qual alega que o homem viveu muito mais sobre a terra do que a data de 4004 a.C., avaliada pelo Arcebispo Usher.25 ”Hoje” somos informados, “ os antropólogos concordam geralmente em que o homem não é uma recente introdução na terra. Todos os que têm estudado a questão admitem agora que sua antiguidade é muito grande; e que, embora tenhamos até certo ponto determinado o mínimo de tempo durante o qual teria ele existido, não avançamos na determinação do período muito maior durante o qual ele poderia ter, e provavelmente tem, existido. Podemos com tolerável certeza afirmar que o homem teria habitado a terra há centenas de milhares de anos, mas não podemos asseverar que ele positivamente não existiu, ou que há alguma boa evidência contra haver ele existido por um período de dez mil séculos.26 Ainda que esta teoria tenha se tornado comum entre vários teólogos, não concordo com ela por dois motivos: A) Os vários métodos que têm sido aplicados para datar o tempo da origem do homem não são verídicos, como por exemplo: 24 Zacarias de Aguiar Severa. Manual de Teologia Sistemática. Ed.A.D.Santos. p. 168, 169. 25 Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. vol. 1e2. Ed. Hagnos. p.548. 26 Charles Hodge. Teologia Sistemática. Ed. Hagnos. p.508. 40
  • 41. TESE DE ANTROPOLOGIA * A idade dos esqueletos: Alguns dos esqueletos que foram achados são esqueletos de outras criaturas e não possuíam as características da estrutura óssea do homem que conhecemos; portanto este método não é seguro e a sua datação não serve para o homem. * As datas que são lançadas com respeito às civilizações que dizem ser tão antigas e às gerações que dizem ser muitas, nunca foram confirmadas na íntegra. B) Quando estudamos detalhadamente a cronologia Bíblica com respeito à origem do homem, veremos que a origem do homem não antecede aos seis mil anos. O Dr. Miley escreveu: Os estudantes mais profundos dessa questão encontram medidas diferentes de tempo, que não variam tão amplamente como entre os cientistas; [...] Os pontos de vista mais importantes são bem conhecidos e facilmente afirmados. A origem do homem precedeu o advento de nosso Senhor em 4.004 anos, como calculado por Usher com base nas escrituras hebraicas; em 5.411 anos, como calculado por Hales com base na Septuaginta. Aqui há uma margem de 1.407 anos, que poderia cobrir muitos fatos da ciência com respeito à presença do homem no mundo, e trazê-los a harmonia com a cronologia bíblica. A aceitação desse cálculo não exige um mecanismo astuto. 27 2.3 O propósito da sua criação – Glorificar a Deus. ...a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz. 28 Is. 43:7 Deus criou o homem para Sua própria Glória, para que este O glorifica-se em toda a sua vida. Quando falamos em glorificar a Deus, o que pode vir às nossas mentes é a glorificação através do louvor, que é um meio pelo qual nós adoramos ou glorificamos a Deus; mas o louvor não é o único meio de glorificá-lo. Em 1 Co. 10:31 diz que devemos fazer “tudo para a glória de Deus”. Quando olho para esta declaração da Palavra de Deus, vejo que a glorificação envolve algo muito mais amplo do que o louvor, envolve todo o nosso ser e todo o 27 Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. vol.1e2. Ed. Hagnos. p.548. 28 Grifo nosso. 41
  • 42. TESE DE ANTROPOLOGIA nosso procedimento. E por Deus ter nos criado para a sua própria glória e desejar que O glorifiquemos, cabe a nós cumprirmos esta responsabilidade com toda a alegria e satisfação. Grundem diz que: ...a atitude normal do cristão é alegrar-se no Senhor e nas lições da vida que Ele nos dá (Rm. 5:2-3; Fp. 4:4; 1 Ts. 5:16-18; Tg.1:2; 1Pe.1:6,8; et al...) Quando percebemos que Deus nos criou para glorificá-lo, e quando passamos a agir a fim de cumprir esse fim, então começamos a experimentar uma intensidade de alegria no Senhor que antes não conhecíamos. E quando acrescemos a isto a compreensão de que o próprio Deus se deleita com a nossa comunhão com ele, nossa alegria se torna “inexprimível e plena de glória celeste” (1 Pe.1:18; paráfrase ampliada do autor).29 Um outro aspecto que quero discorrer a respeito do assunto que estamos tratando, é que a humanidade hoje está completamente fora do propósito exigido por Deus. Os homens têm deixado de glorificar ou adorar a Deus e passaram a glorificar outros homens assim como imagens de esculturas, algo que sempre foi e sempre será abominável aos olhos de Deus. Romanos 1:20-25 diz: Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem com de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém! Somente Deus merece toda a glória e não existe outro ser que mereça a glória que só é devida a Ele, pois é o criador de todas as coisas e não compartilha esta glória com ninguém. Neste sentido, argumenta Champlin: “Por certo nenhuma imagem pagã, que simboliza um deus que nada representa, pode apresentar a reivindicação de compartilhar da glória de Yahweh”. 30 29 Wayne Grudem. Teologia Sistemática. Ed. Vida Nova. p.363. 30 R.N. Champlin. O Antigo Testamento Interpretado (versículo por versículo). Ed. Hagnos. p.2.907. 42
  • 43. TESE DE ANTROPOLOGIA Isaías 42:8 diz: Eu sou o Senhor; este é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor. 31 Deus por ser o nosso criador, merece toda glória e adoração, isto deve continuamente incomodar todo nosso ser. As palavras do apóstolo Paulo são enfáticas a respeito da glória ou da adoração que Deus deve receber: Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! – Rm. 11:36. * A glorificação ou adoração deve ser racional. Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional – Rm. 12:1. Não descreverei nesta altura detalhadamente sobre o corpo em si, pois isto será feito quando for tratar especificamente do assunto – O Corpo. Quero apenas deixar algumas considerações acerca da palavra corpo neste verso. Creio que a palavra corpo neste versículo tem um sentido amplo, não apenas o corpo em si. Paulo escreve tendo em mente todo o ser do homem e toda a ação que este pode prestar a Deus através do seu corpo. Portanto, se a nossa alma for pura o nosso corpo será puro e servirá de meio apropriado para glorificarmos a Deus. * Uma consideração a respeito das palavras “... por sacrifício vivo...”; “... santo...”; “agradável a Deus...” e “culto racional”. Ao analisarmos a frase “sacrifício vivo” devemos ter em mente os sacrifícios que eram realizados no Antigo Testamento. Existiam sacrifícios de várias 31 Bíblia de estudo NVI. 43
  • 44. TESE DE ANTROPOLOGIA espécies e ofertas queimadas que tinham como propósito glorificar a Deus; estes animais e ofertas tinham um caráter todo especial, pois seriam sacrificados a um Deus Santo. Isto faz ligação com o nosso corpo que deve honrar e glorificar a Deus, como por exemplo: Da nossa boca não deve sair palavras torpes, os nossos olhos não devem contemplar aquilo que não agrada a Deus, as nossas mãos devem cooperar para a obra e ajudar o próximo. Estas ações servem de sacrifício vivo e glorificam a Deus. “Santo” – Existem vários imperativos solenes na Palavra de Deus com respeito a vivermos uma vida santa. Uma característica essencial do sacrifício é santidade e quando olhamos para o Antigo Testamento, mais especificamente para o tabernáculo vemos que tudo deveria ser santo. O altar era santíssimo e tudo que o tocasse deveria ser santo; o lugar onde ficava a arca da aliança se chamava santo dos santos, e para o sumo sacerdote existia todo um ritual que levava à santidade. Portanto, a santidade deve ter lugar primordial na adoração ao Senhor e para que isto aconteça toda a nossa alma (intelecto, emoções e vontade) deve ser santificada e se santificar gradativamente e assim passaremos a agir de acordo com a nova natureza. “Agradável a Deus” – Agradável a Deus é algo que Lhe satisfaz. Quando se contempla os sacrifícios que eram realizados no Antigo Testamento, estes para serem aceitos deveriam estar dentro do padrão exigido por Deus. Hoje o padrão exigido por Deus é: ... importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. Jo. 4:24. Se quisermos adorá-Lo agradando-O, devemos adorá-Lo ou glorificá-lo em espírito e em verdade. Só o fato de sermos criados por Deus, coloca- nos sob a responsabilidade de agradá-Lo com a nossa adoração. O propósito de Deus em criar o homem foi justamente este. A atuação do Espírito Santo no espírito do homem será tratada mais adiante. “Culto racional” – Significa que devemos glorificá-Lo com a participação do coração, da mente e da vontade. Existem dois tipos de adoração: uma falsa e a outra verdadeira. As três primeiras características citadas abaixo 44
  • 45. TESE DE ANTROPOLOGIA fazem parte da falsa adoração, enquanto a quarta característica faz parte da verdadeira adoração. A) Adoração ignorante ou irracional – sem saber o que adoram. O exemplo dos Samaritanos: “vós adorais o que não conheceis” – Jo 4:22. B) Adoração exterior – apenas aparente. O exemplo dos judeus - Deus não aceitava a adoração dos judeus porque era hipócrita e aparente (do exterior). A adoração deve ser de coração, ou seja, do interior. C) Adoração emocionalista – Produzida por um forte abalo sentimental e que provoca comoção. É algo momentâneo. D) Adoração ou glorificação racional – adoração envolvendo o coração à mente e a vontade. A raiz da palavra racional vem de origem grega “logos” que também nos transmite a idéia de conhecimento acerca dos propósitos de Deus. Por isto o termo racional envolve adorar de acordo com os propósitos de Deus para a adoração cristã. Para que a adoração seja racional, ela deve se enquadrar às determinações de Deus, para que o mesmo possa aceitá-la diante Seu Trono de Glória. Este fato envolve uma adoração conduzida pelo Espírito de Deus sobre o espírito humano, que por sua vez conduz toda a alma através do coração, mente e vontade a uma genuína adoração causada pela revelação do Verdadeiro Deus. 2.4 Os ministérios estendidos ao homem na criação. A Bíblia nos fala de homens que foram consagrados por Deus para exercerem ministérios específicos como de reis, profetas e sacerdotes. Estes ministérios eram dados por Deus e aqueles que eram chamados para tais, precisavam de capacitação especial ou sobrenatural para o exercício dos mesmos. 45
  • 46. TESE DE ANTROPOLOGIA Sendo assim, estes ministérios pertencem a Deus, e Ele tem estendido aos homens da maneira que Lhe apraz. Quando Deus criou Adão e sua mulher Eva, Deus estava criando toda a raça humana e permitindo que esta participasse dos Seus ministérios. Estes três ministérios foram dados ao homem (a raça humana) na primeira dispensação – a dispensação da inocência. A. Governo Em Gn. 1:28 temos a seguinte declaração:. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. Os dizeres deste versículo nos revelam que o homem foi constituído como governador sobre a terra e sobre todos os seres do mar, dos céus e da terra. O homem teve o privilégio de participar juntamente com Deus do Seu ministério de governo. Adão não foi constituído Rei no lugar de Deus, o que temos é um vice- regente, assim como um mordomo obedecendo as ordens de Seu Criador. Assim o homem se fez participante deste ministério como governador. O que temos é Deus O Soberano, dando ordens ao Seu súdito-mordomo, estabelecendo uma mordomia, ou dispensação. Adão (e nele a raça humana) foi constituído mordomo de Deus no ministério de Governo. Ele não foi constituído Rei. Em sujeitar a terra e dominar sobre as criaturas ele ministrava como "mordomo". Ele devia fazer o que Deus lhe mandasse fazer; o que Deus lhe proibisse fazer, não fazer. 32 B. Profeta Outro ministério de Deus estendido ao homem foi o de profeta e este se dá pelo fato de que Deus se revelou ao homem através da Sua Palavra. Quando Adão recebeu as ordens de Deus, ele se tornou responsável para transmiti-la a sua descendência (inclusive a Eva, sua mulher) que apareceria por conseqüência da ordem que foi dada “... Sede fecundos, multiplicai-vos,...”. Portanto, quando Deus Se 32 Paulo C. Guiley. Dispensação Antiga. IBM. p.11. 46
  • 47. TESE DE ANTROPOLOGIA revela ao homem através da Sua Palavra, o homem se torna responsável para transmiti-la. O receber e o transmitir a Palavra, é ministério profético de Deus ao homem. C. Sacerdote. O último ou o terceiro ministério estendido ao homem, não por valores hierárquicos, foi o de sacerdote, este ministério se dá ao fato de que o homem deve adorar o seu Criador na beleza da Santidade - Sl.29:2. Em Ezequiel 28:14 “Lúcifer” é chamado de o “querubim da guarda”; este nome nos revela que ele era o detentor do ministério sacerdotal e que ministrava no santuário de Deus v.18. Lúcifer pecou contra Deus e como conseqüência perdeu este ministério. Este ministério foi estendido ao homem, assim o homem passou a ter condição de adorar a Deus. Gênesis 3:8 diz que eles (Adão e Eva) ouviram a voz do Senhor na viração do dia33 . Temos aqui uma inferência de que este evento poderia ter ocorrido diariamente, isto nos revela que o homem tinha comunhão com Deus e adorava a Deus. Nestes três ministérios estendidos ao homem Deus exigia fidelidade. Mas o homem falhou faltando com fidelidade nestes três ministérios. * O homem falhou no ministério de governo quando ele transferiu a sua lealdade a Deus, para ser Leal a Satanás em desobediência a Deus e obediência a Satanás. Como conseqüência desta desobediência o domínio (governo) sobre este "mundo", ou esta ordem mundial, passou das mãos da raça humana para as mãos de Satanás – Lc. 4:5, 6; Jo. 14:30; 1Jo.5:19. Uma outra falha do homem neste ministério de governo foi quando Ninrode estabeleceu o seu próprio governo indo contra o governo estabelecido por Deus depois do dilúvio, tendo por governante Noé. * Adão também falhou no seu ministério de profeta quando desobedeceu a Palavra de Deus e a transmissão da mesma, acreditando nas mentiras de Satanás. 33 Grifo nosso. 47
  • 48. TESE DE ANTROPOLOGIA * Não foi diferente com respeito ao ministério de Sacerdote. Adão faltou com fidelidade a Deus, recusando oferecer o sacrifício exigido por Ele. 2.5 O homem criado a imagem e semelhança. Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;... - Gn. 1:26. Encontramos nestas primeiras palavras deste verso algo sublime, belo, maravilhoso, algo totalmente diferente de toda a demais criação. Deus parou de olhar para o Céu, para as águas, e para a terra, e olhou para si mesmo: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;...” (Is. 43:21;Ef.1:12) criando assim o homem... Todas as demais coisas criadas, mesmo sendo a revelação da Glória e poder de Deus, foram criadas em direção ao homem (domine ele...), e o homem foi criado em direção a Deus. 34 2.5.1 Várias teorias. Em que sentido o homem é a imagem de Deus? A Bíblia não nos dá explicação do assunto, de modo que através dos tempos, os teólogos têm se debatido com o que eles chamam de a imago Dei no homem. Alguns fizeram a distinção entre “imagem” e “semelhança”. *Irineu (130-200 d.C.) identificou “imagem” com a razão e a liberdade moral do homem, e “semelhança” com a retidão original, e ensinou que apenas esta foi perdida com a queda no pecado. Esta tese de Irineu foi geralmente sustentada pelos escolásticos, e Tomás de Aquino deu-lhe uma aplicação dogmática. *Os reformadores negaram esta distinção entre “imagem” e “semelhança”. Lutero reconheceu que Gn. 1:26 é um caso de paralelismo hebraico, isto é, “imagem” e “semelhança” eram sinônimos. De modo geral os chamados pais da igreja sentiram-se inclinados a crer que a imagem de Deus no homem residia na alma ou no espírito. Tomás de Aquino pensou que a imagem encontrava-se no intelecto. Calvino ensinou que a imagem de Deus estava principalmente no entendimento, ou, no coração e na alma. Brunner fala de imagem “formal” para expressar a estrutura essencial do homem, que não é grandemente afetada pela queda; e a imagem “material” que foi totalmente perdida pelo pecado. Schleiermacher interpreta a imagem como o domínio do homem sobre a natureza. A posição reformada é que a imagem de Deus no homem consiste na racionalidade e competência do 34 Pr. Daniel C.Pauluci. Apostila de Antropologia. IBM. p.12. 48
  • 49. TESE DE ANTROPOLOGIA homem, mas que essas realidades foram perdidas e desfiguradas pelo pecado. Outros consideram que a personalidade é o ingrediente da imagem. Alguns teólogos modernos estão mais inclinados a ver a imagem de Deus na pessoa completa do homem, e não numa parte dela apenas. Isto resulta da ênfase na visão “integral” do ser humano. Assim, a totalidade do homem deverá ser a imagem de Deus. 35 Como vimos acima, vários teólogos não têm feito separação entre “imagem” e “semelhança”, como também concorda o autor do livro Manual de Teologia Sistemática Pr. Zacarias de Aguiar Severa. Com isto caem no erro de atribuir a “imagem” algumas características da “semelhança” ou vice-versa, tornando- as assim sinônimas. Algumas destas características são: Individualidade, racionalidade, espiritualidade, responsabilidade, moralidade, potencialidade e perpetuidade. Concordo que algumas destas características fazem parte da “imagem” e outras da “semelhança”, mas cada uma tendo a sua divisão correta e própria. 2.5.2 A imagem e Semelhança. A imagem – Deus criou o homem parecido consigo interiormente e não fisicamente, pois Deus é espírito e não possuí aparência física (Jo. 4:24); portanto cai por terra qualquer forma de pensamento que diz que a imagem de Deus no homem se refere a aparência física. Deus é triúno; ou seja, um único Deus que subsiste em três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – temos aqui a tricotomia divina; sendo assim Deus olhou para Si mesmo e criou o homem a Sua imagem - tricotomista: Com corpo, alma e espírito. Esta é a imagem de Deus no homem, algo que é parecido, mas não igual na sua constituição. A semelhança – Deus é um Ser pessoal, isto significa que possui as características de uma pessoa, características estas que não são físicas, mas 35 Zacarias de Azevedo Severa. Manual de Teologia Sistemática. Ed.A.D.Santos. p. 188,189. 49
  • 50. TESE DE ANTROPOLOGIA interiores. As características pessoais de Deus são: Intelecto, emoções e Livre- arbítrio. A palavra “semelhança” não significa igualdade, mas algo parecido. Deus então criou o homem um ser pessoal “parecido” consigo, possuindo – Intelecto, emoções e vontade própria. Esta é a semelhança de Deus no homem. (Ver esquema 1 – imagem e semelhança página - 112) 2.6 A constituição do homem – Corpo, alma e espírito. Existem dois pensamentos acerca dos elementos que constituem o homem: a dicotomia e a tricotomia. 2.6.1 A dicotomia. De acordo com os dicotomistas, o homem é constituído de duas partes: o corpo e a alma (ou espírito), sendo o espírito um designativo do mesmo elemento alma. O corpo é a parte material do homem, a sede e o instrumento do espírito ou alma. Estes, por sua vez, constituem a parte imaterial do homem. Dizem que o espírito expressa a alma e que “alma e espírito” são usados paralelamente nas Escrituras para designar a parte imaterial do homem. Dizem que esta parte (imaterial) é a que sobrevive e é retirada quando uma pessoa morre, sendo “alma e espírito” a mesma coisa; como base usam os textos de Eclesiastes 12:7 com 1 Reis 17:19-22. Um outro pensamento dicotomista, é que a palavra “espírito” nas escrituras está se referindo ao relacionamento do homem com Deus, e que a palavra “alma” pode ser usada nos mesmos sentidos da palavra espírito; como base usam o texto de Lc. 1:46,47. Existem outros textos mais usados pelos dicotomistas como exemplo: (Gn. 2:7; Jó. 27:8; 32:8; Sl. 41:4; Eclesiastes 12:7; Mt. 10:28;16:26; Jo.12:27,13:21; 1 Co.5:5, 7:1; Rm.7:15-25). Argumentos contra a teoria dicotomista. 50
  • 51. TESE DE ANTROPOLOGIA A) Esta teoria não trata de um conceito preciso, pois procede dos pensamentos humanos e não divinos, sendo assim não é digno de crédito. A Bíblia apresenta claramente a tricotomia humana e jamais associa “espírito e alma” como elementos idênticos. B) As palavras “alma e espírito” quando aparecem paralelamente nas Escrituras estão se referindo a parte imaterial do homem, mas jamais significam a mesma coisa. Quando a pessoa morre tanto a alma parte como o espírito parte, o homem continuará apresentando as características de um ser pessoal como espiritual. Um problema dos dicotomistas dentre muitos é a dificuldade de fazer a correta separação dos poderes da alma (intelecto, emoções e vontade) das funções do espírito (intuição, consciência e adoração). C) Como descrevi acima “alma e espírito” jamais significam a mesma coisa e não tem a mesma função. Os dicotomistas dizem que a alma assim como o espírito pode adorar e se relacionar com Deus. É verdade que a nossa alma adora a Deus, mas não individualmente sem que o espírito a leve à adoração, pois a adoração é espiritual – Jo. 4:24, a alma se torna o instrumento pessoal para a revelação de uma verdadeira adoração, que esta para adentrar-se diante de Deus, precisa iniciar no espírito humano e ser espiritual, ou seja, procede da revelação do próprio Deus no espírito do homem. Com a queda no pecado a alma se rebelou, deixando de receber a direção do espírito, passando assim a obedecer aos impulsos do seu próprio eu, adorando a criatura no lugar do criador (Rm 1: 20-25), comprovando que alma por si não tem poder ou condições de se relacionar com Deus, e que qualquer adoração realizada exclusivamente pela alma, seria apenas uma adoração intelectual e não chegaria ao trono de Deus. A Dicotomia, precisaria aqui fazer que Deus se rebaixasse de Sua Santidade e de Suas Determinações, aceitando algo natural, e terreno. Deus jamais sairá de sua posição, e aqueles que querem se achegar diante dEle, deverão se enquadrar aos Seus desígnios, para que assim o ministério do Espírito seja completo em nós, suprindo-nos em nossas fraquezas. 51
  • 52. TESE DE ANTROPOLOGIA 2.6.2 A tricotomia. A doutrina Bíblica da tricotomia afirma que o homem é constituído de três partes: o corpo que abarca os cinco sensos – ver, ouvir, cheirar, saborear, tatear; a alma que abarca os três poderes – intelecto, emoções e vontade; e espírito que abarca as três funções – consciência, intuição e adoração. Portanto, de acordo com esta verdade Bíblica, o corpo é a parte material do homem; a alma a parte pessoal; e o espírito a parte espiritual que se relaciona, adora e tem comunhão com Deus. A Palavra de Deus nos revela que o homem é constituído de três partes, ou seja, tricotomista. * Gênesis 2:7 - Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. A Palavra de Deus nos revela por este versículo que o homem foi criado um ser tricotomista. A expressão “... formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra...” refere-se ao “corpo” do homem que foi criado do pó da terra, depois a frase “... lhe soprou nas narinas o fôlego de vida..” mostra que o homem pelo sopro de Deus se tornou um ser espiritual, passou a possuir “o espírito” e “a alma”. * 1 Tessalonicenses 5: 23 - O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. O versículo se refere à santificação completa do crente; “... vos santifique em tudo...”. Olhando deste modo, só poderemos ser santificados “em tudo” se o nosso corpo, alma e espírito forem conservados íntegros. Em um outro ponto este versículo faz a distinção entre “alma e espírito” se assim não fosse a Palavra de Deus através do autor sagrado teria sido somente “vossa alma” É de suma importância analisar este versículo na sua língua original. O versículo aparece da seguinte forma: Auvto.j de, o` qeo.j th/j eivrh,nhj a`gia,sai u`ma/j o`lotelei/j( kai, o`lo,klhron u`mw/n to. pneu/ma kai, h` yuch, kai, to. sw/ma 52
  • 53. TESE DE ANTROPOLOGIA avme,mptwj evn th/| parousi,a| parousi,a tou/ kuri,ou h`mw/n VIhsou/ Cristou/ thrhqei,hÅ Os três artigos (definidos) definem espírito, alma e corpo como sendo três partes distintas. A NVI traduz da seguinte forma: Que o próprio Deus da paz os santifique inteiramente. Que todo o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam preservados irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. 36 Portanto, chegamos à conclusão por este versículo que o homem é um ser tricotomista. * Hebreus 4:12 - Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. Quando analisamos este versículo vemos que as partes espirituais do homem (alma e espírito) podem ser divididas. As partes do corpo aqui são “juntas e medulas”. A separação das partes (espiritual e material) neste versículo é clara e aplicada ao homem, pois a Palavra de Deus tem poder para penetrar até a divisão da alma do espírito e do corpo. O espírito e a alma podem ser divididos, pois possuem funções diferentes, sendo assim fica mais uma vez provado que o homem é um ser tricotomista. * O tabernáculo apresenta a tricotomia humana. Ainda com o objetivo de provar que o homem é um ser tricotômico, usarei uma tipologia do Velho Testamento que também apresenta uma figura muito clara da tricotomia humana – o tabernáculo. 36 Bíblia NVI. Ed. Vida. p. 1565. 53
  • 54. TESE DE ANTROPOLOGIA No tabernáculo a presença de Deus estava no Santo dos Santos. Sabendo que o Espírito de Deus habita no espírito de todo aquele que é regenerado, e que o Senhor está em nosso espírito – 2 Tm. 4:22, devemos ter em mente que o nosso espírito é o Santo dos Santos, hoje esta figura se aplica claramente em nós – Ef.4:30. Somos constituídos de três partes: o nosso corpo corresponde ao átrio exterior, nossa alma ao lugar santo, e nosso espírito ao Santo dos Santos, que é onde o Senhor e o Seu Santo Espírito Se fazem presente e se revelam. (Ver esquema 2 - A tipologia do tabernáculo e a tricotomia humana página 113) * Outros argumentos em prol da tricotomia Uma concepção bem popular em círculos protestantes conservadores, tem sido denominada concepção “tricotomista”. Os homens são compostos de três elementos. O primeiro elemento é o corpo físico. A natureza física é algo que temos em comum como os animais e as plantas. A diferença é de grau, já que os homens têm estrutura física mais complexa. A segunda parte da pessoa humana é a alma. Esse é o elemento psicológico, a base da razão, da emoção, das relações sociais, etc. Pensa-se que os animais têm uma alma rudimentar. A posse de uma alma é o que distingue os homens e os animais das plantas. O que distingue a humanidade dos animais não é o fato de possuirmos uma alma mais complexa, mais desenvolvida, mas o fato de possuirmos um terceiro elemento, a saber, um espírito. Esse elemento religioso permite aos homens perceber questões espirituais e reagir aos estímulos espirituais. Trata-se do centro das qualidades espirituais do indivíduo, visto que os traços de personalidade residem na alma. 37 Sendo o homem “espírito”, é capaz de ter conhecimento de Deus e comunhão com Ele; sendo “alma”, ele tem conhecimento de si próprio; sendo “corpo”, tem, através dos sentidos, conhecimento do mundo. – Scofield. 38 2.6.3 O corpo. * Vários usos da palavra corpo no Novo Testamento. 37 Millard J. Erickson. Introdução à Teologia Sistemática. Ed. Vida Nova. p. 227,228. 38 Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Myer Pearlman. Ed. Vida. p. 72. 54
  • 55. TESE DE ANTROPOLOGIA A. Corpo do pecado (Rm. 6:6) – Corpo do pecado é o corpo místico composto de todos os incrédulos que tem por característica o pecado; Adão é o cabeça deste corpo. O velho homem é a identificação neste corpo. B. Corpo mortal (Rm. 6:12) – Temos aqui uma referência ao corpo físico que é o meio pelo qual o pecado se manifesta. O princípio do pecado leva à morte o corpo físico ou carnal assim como à morte espiritual. C. Corpo da nossa humilhação (Fp. 3:21) – Fala de um corpo corruptível, pecaminoso, que não tem a glória que deverá ter futuramente. D. Corpo de Cristo – Pode se referir tanto ao Seu corpo humano, ou ao corpo místico composto de todos os salvos – a igreja. Estes que compõem o corpo de Cristo devem ter como característica uma vida de santidade; Cristo é o Cabeça deste corpo – (Ef.1:22-23). O novo homem é a identificação neste corpo. * A formação do corpo humano. Lemos nas Escrituras que o corpo do homem foi formado do pó da terra – Gn. 2:7; 1 Cor.15:45-49. Como prova disto o corpo do homem é constituído de elementos químicos que são encontrados no solo. Temos os seguintes elementos: Cálcio, carbono, cloro, flúor. Hidrogênio, tintura de iodo, ferro, magnésio, manganês, nitrogênio, oxigênio, fósforo, potássio, silicone, sódio, súlfur. Os minerais vitais são: cálcio, ferro, potássio, magnésio, sódio e silicone. Todos estes minerais estão presentes na forma orgânica e compõe aproximadamente 6% do corpo; o restante é composto de água, carbono e gases. [...] Assim pode ser visto que o testemunho da ciência reitera a revelação Bíblica de que o corpo é da terra, terreno... 39 A nossa experiência de vida e as palavras de Gênesis – 3:19 nos provam que o homem é formado do pó da terra e que o seu corpo para a terra voltará e será absorvido por um maior ou menor período, sem deixar rastro algum. 39 Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. vol. 1e2. Ed. Hagnos. p. 554, 555. 55
  • 56. TESE DE ANTROPOLOGIA A palavra “formou” em Gênesis 2:7 no original é “yatsar”, palavra esta que pode ser usada com referência a um oleiro dando forma a um vaso de barro. Quando estudamos os textos que mostram que Deus criou os animais do pó da terra. Vemos que o método usado por Deus foi diferente daquele que usou para criar o homem. O homem foi criado de maneira especial ou direta, “Deus tocou em Sua criação”, fazendo-a em forma e qualidades superiores aos demais seres criados, que apenas foram criados pela ordem de Deus sobre a terra. Gn. 1:20-25. A criação do homem foi separada das demais; e assim, por Deus, o homem foi colocado como a “coroa da criação”. Jamais conseguiremos entender a criação do homem na sua plenitude, pois nos faltam revelações Bíblicas suficientes para isto, pois o que nos resta é louvarmos e engrandecermos ao nosso Criador por tão grande criação. Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. 40 O corpo do homem formado do pó da terra tem cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e o tato. Estes sentidos nos revelam com que grande sabedoria Deus criou o corpo do homem. * A visão. A enciclopédia Barsa define visão como: Fenômeno que consiste na captação das impressões procedentes de uma fonte emissora de radiações luminosas e das formas que essas radiações originam ao incidirem sobre os objetos. 41 A visão faz com que o mundo tenha algum sentido (cor) para o homem, pois através dela contemplamos tudo que existe e tudo se torna real para nós. Todas as cores e imagens do universo são capitadas através da visão, nisto vemos a sabedoria de Deus em criar algo que nenhum homem é capaz de explicar na sua totalidade. Os nossos olhos que são responsáveis pelo que vemos, pesam 40 Edição Revista e Corrigida. Dicionário e concordância. Terceira Edição. Imprensa Bíblica Brasileira. p. 601 41 Barsa cd. v. 1.11 – Internet. 56
  • 57. TESE DE ANTROPOLOGIA apenas um por cento do peso da cabeça, mas que tem grande poder de transmissão de imagens para a nossa alma e através destas somos impelidos a viver pela alma. Os olhos são responsáveis por aquilo que nos propomos a visualizar. Através da nossa visão podemos glorificar a Deus assim como entristecê-Lo. Em Mateus 6:22,23 aparece a seguinte declaração: São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas; Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Existem entradas para nossa alma que são importantíssimas (a porta do ouvido e a porta do olho), pois através delas, como escrevi acima, recebemos a transmissão de “imagens” para a nossa alma. Os olhos são as lâmpadas do nosso corpo, porque por eles entra a “luz” como por uma janela; assim como as “trevas”. Com isto a nossa alma estará sendo “alimentada” e passaremos a viver pela alma. Se a nossa visão for santa glorificaremos a Deus através da alma; sendo pecaminosa entristeceremos a Deus. A alma se expressará através do corpo, com isto o nosso corpo poderá manifestar-se em santidade “luz” ou pecado “trevas”. Portanto, ao criar o homem, Deus lhe deu este sentido para que o homem O glorificasse e para que servisse de benção e para interagir com o mundo criado, como também contemplar a beleza da criação do próprio Deus – Sl. 19:1. * A audição. A audição é um sistema orgânico especializado para a percepção de sons, assim, seja nos animais como nos seres humanos. E o órgão responsável pela audição são os ouvidos. A audição dada ao homem é impressionante, uma fala humana faz com que as moléculas de ar vibrem movimentando o tímpano com precisão suficiente para diferenciar todos os sons da fala humana. Aos recebermos os sons capitados pela audição, o intelecto analisa as informações contribuindo para que tenham significado, gerando assim as emoções. Experiências antigas que muitas vezes são esquecidas podem surgir em 57
  • 58. TESE DE ANTROPOLOGIA nosso cérebro pela audição. Os sons que eram mecânicos, através da audição podem tocar o nosso “eu” fazendo-nos voltar no tempo. Através da audição podemos ouvir trovões, uma melodia doce cantada por uma pequena criança e estridentes sons de uma sirene; para que isto aconteça às muitas partes que formam o órgão responsável por este sentido trabalham na sua função específica contribuindo para uma audição perfeita. Se não houver este sincronismo, a possibilidade do homem perder a audição é muito grande. Vemos aqui mais uma vez a sabedoria de Deus em criar o homem, pois o corpo do homem trabalha em um sincronismo perfeito, algo impossível para a evolução. * O olfato. O homem tem uma capacidade olfativa bem maior do que ele próprio imagina; isto acontece porque ele próprio não tem feito uso deste sentido na sua totalidade. Se vivermos por um tempo em meio à natureza precisando dela para a nossa sobrevivência, faríamos bastante uso deste sentido e pode ser que se torne bem maior a sua necessidade, pois precisaríamos distinguir as coisas boas das ruins. O olfato funciona por meio de minúsculos receptores que realizam vários testes químicos em qualquer molécula que passe por eles. Nos insetos estes receptores se localizam em lugares diferentes como nos pés e nas antenas. No homem existe um tecido que se encontra no alto das nossas narinas, este tecido é um tecido receptor. Em certos animais este sentido é mais aperfeiçoado do que no homem, mas mesmo assim o homem consegue detectar pequenas moléculas em meio a outras moléculas que se encontram no ar. O olfato é um sentido que leva o homem à interpretação de funções antes conhecidas, pois através de um odor podemos reviver momentos inesquecíveis e sermos levados de volta ao tempo por uma fragrância escondida na memória. Assim como podemos ser lembrados de momentos inesquecíveis através do olfato, também podemos ser levados a um tédio nasal, algo que nos incomoda, mais que acabamos nos acostumando devido ao contato diário. 58
  • 59. TESE DE ANTROPOLOGIA Muitos médicos e antropólogos tentam explicar este sentido da melhor forma possível, mais ainda não foi compreendido na sua totalidade. Segundo alguns estudiosos o homem em seu olfato tem a capacidade de diferenciar cerca de dez mil odores diferentes, mesmo assim existem aqueles que têm menosprezado este maravilhoso sentido dado por Deus ao homem. * O paladar. O paladar trabalha em conjunto com olfato, e é um dos sentidos mais importantes dados por Deus ao homem. A língua do homem é coberta por diversas papilas gustativas; elas trabalham com o objetivo de dar ao homem apetite e desejo de consumo dos alimentos, como rejeição de outros. É necessária uma quantidade bem maior de uma substância qualquer, para que seja registrada por uma papila gustativa, do que para com o olfato. A língua sente o sabor de coisas adocicadas pela ponta, azedas e salgadas nos lados, e no fundo coisas amargas. O olfato assim como paladar são sentidos de grande utilidade ao homem. Quando um paciente está recebendo a comida diretamente no estomago ou de forma intravenosa, o corpo absorverá mais nutrientes se o paciente “preparar” a comida provando-a antes. Sentir os gostos estimula os sulcos gástricos da mesma forma que o cheiro de uma comida bem saborosa desperta em nós uma fome inesperada. * O tato. O dicionário Houaiss define tato como: O sentido por meio do qual se conhece ou percebe, usando o corpo, a forma, consistência, peso, temperatura, aspereza etc. de outro corpo ou de algo. 42 No corpo do homem encontram-se diversos sensores que reagem de maneiras diferentes sendo sensíveis a toques, dores, queimaduras e diversos níveis de temperaturas. O meio mais comum que usamos para tatear são os dedos, visto que as suas pontas são bem sensíveis, mas este não é o único meio pelo qual sentimos contatos materiais, pois este é o maior sentido que temos no nosso corpo, que não quer dizer de maior alcance. 42 Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. 1.0. 59
  • 60. TESE DE ANTROPOLOGIA Como descrito acima, no corpo do homem existem diversos sensores que reagem de maneira diferente sendo sensíveis a diversos tipos de contatos e entres estes estão aqueles que causam dores. Uso a dor como exemplo, para mostrar que o tato é o maior sentido que encontramos em nosso corpo. Pessoas que serviram de cobaias para novas pesquisas amedrontadoras na área da medicina testemunharam que sentiram fortes dores em níveis diferentes no seu corpo, e foram relatados por estas vinte e um níveis de dores diferentes; estas pessoas saem com fortes ferimentos no corpo e picadas de agulhas. Experiências doloridas como estas servem para mostrar que o tato é o maior sentido encontrado no corpo humano, pois cada pequeno pedaço do corpo possui um sensor distinto da dor. Esta experiência pode ser usada para nos provar que podemos sentir diversos contatos materiais diferentes por meio de todo o corpo. 2.6.3.1 Antes da queda. Deus o criador do homem é um ser perfeito, e devido a isto criou o corpo do homem perfeito. A Bíblia não trás revelações suficientes para descrever o corpo do homem detalhadamente antes da queda. Sabemos que o ambiente criado por Deus em que o homem foi formado e também colocado para viver e exercer os ministérios dados por Deus era um ambiente inocente, livre da corrupção do pecado – Gn. 2: 8, 9, 15; isto exigiria que o corpo do homem também fosse sem pecado. O corpo do homem antes da queda era um corpo não corruptível, o homem estava livre de doenças, dores, velhice e até mesmo da morte física. Devido o pecado não fazer parte da vida do homem, este não serviria o mesmo através do seu corpo e com certeza seria para sempre um corpo não corruptível estando livre das corrupções, doenças, dores, toda sorte de deficiências e até mesmo da morte física. O corpo do homem antes da queda era perfeito apresentando assim uma similaridade ao corpo de Cristo. Assim como Adão foi criado diretamente por Deus, Jesus também foi uma criação especial, direta. Maria sua mãe, concebeu sem ter contato sexual com um homem; Maria era virgem e assim continuou até o nascimento de Jesus, as Escrituras indicam que José não teve contato sexual com ela antes do nascimento de Jesus – Mt. 1:25. Portanto, Jesus foi gerado de maneira 60
  • 61. TESE DE ANTROPOLOGIA sobrenatural pelo Espírito Santo no ventre de Maria, as duas referências explícitas a respeito deste assunto são: Mateus 1:18-25 e Lucas 1:26-38. Jesus Cristo possuía um corpo humano verdadeiro – At.2:22; 1 Tm.2:5. Seu corpo era sustentado por alimentos, estava sujeito à fome, cansaço e necessitava de sono como qualquer um outro. Este corpo enfrentou a cruz, foi maltratado, foi traspassado, e passou por todos os processos que todos os outros passavam quando iam ao sepulcro; o corpo de Cristo era real, porém perfeito. Jesus como qualquer um outro homem teve um desenvolvimento natural – Lc. 2:40; Lc.2:52. Isto significa que Ele desenvolveu-se fisicamente e se alimentava como qualquer um outro homem. Não se deve atribuir a este desenvolvimento, nenhuma participação da sua natureza divina. Entretanto, Cristo não possuía natureza carnal pecaminosa não se envolvendo com o pecado, isto sim ajudou no Seu desenvolvimento físico. Não apenas o nascimento de Jesus mas também sua vida, indica que ele tinha uma natureza física humana. É nos dito que ele crescia “em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc. 2:52). Ele crescia fisicamente, alimentado por comida e água. Ele não tinha capacidade física ilimitada. Mas o seu corpo talvez fosse mais perfeito em alguns aspectos que o nosso, porque não havia nele nenhum pecado (nem o pecado original, nem o pecado comum entre todos os homens) que afetasse a sua saúde. 43 Cristo também teve um desenvolvimento intelectual humano, pois veio de um lar que temia a Deus – Sua regularidade na sinagoga - Lc. 4:16, visitas ao templo Lc.2:14,46,47, conhecimento e estudo das Escrituras – Lc.4:17; Mt. 4:1-10. Estas referências mostram que Jesus Cristo tinha conhecimento intelectual como qualquer ser humano pode ter, esta instrução deve ser atribuída a seus pais. Jesus possuía limitações que são próprias de um ser humano. Ele esteve sujeito a limitações físicas, como cansaço - Jo. 4:6; fome - Mt. 21:18; sede - Mt.11:19; dormiu - Mt.8:24; Sl.121:4; foi tentado - Hb.2:18; 4:15; foi limitado em seu conhecimento - Mr.11:13; 13:32; 5:30-34; Jo.11:34; Dependia de Seu Pai, pois orou - Mr.1:35; Jo.6:15; Hb.5:7. É preciso ressaltar que Jesus, embora possuísse limitações Ele foi totalmente livre de pecado – Hb.4:15; 7:26; 2 Co.5:21. Portanto, de acordo com a Bíblia, Jesus Cristo era de natureza humana, como nós, mas não tinha natureza corrupta, não praticou o pecado e possuía um corpo humano perfeito. 43 Millard J. Erckson. Introdução à Teologia Sistemática. Ed. Vida Nova. p. 287. 61
  • 62. TESE DE ANTROPOLOGIA Adão foi criado por Deus de maneira especial e direta. Deus com as Suas próprias mãos criou Adão assim como o oleiro molda o vaso. O corpo de Adão antes da queda era um corpo perfeito e apresentava uma similaridade com o corpo de Cristo, que foi gerado e protegido do pecado de uma maneira especial e milagrosa pelo poder do Espírito Santo, condição esta que Lhe atribuiu um corpo perfeito. 2.6.3.2 Depois da queda. Depois da queda o corpo do homem deixou de ser perfeito, e toda depravação do homem agora é manifesta através do corpo. O corpo que não era corruptível passou a ser corruptível e ficou vulnerável a toda sorte de males: doenças, dores, velhice e a morte. Devido à queda, o pecado entrou para sempre na raça humana, e o homem passou a ser escravo do pecado servindo-o através do seu corpo – Rm. 1:20-25. Se o homem não tivesse desobedecido à ordem de Deus, estaria livre de todos estes males inclusive da morte física que ocorreu logo após a desobediência de Adão – Gn. 3:19. Thiessen diz algo com referência a degradação do corpo: O hebraico de Gn. 2:17 pode ser traduzido como “morrendo morrerás”.A partir do momento que o homem comeu da árvore proibida, já estava morrendo. Os germes destrutivos foram introduzidos naquela mesma ocasião. As dores que tanto o homem como a mulher viriam a sentir surgiram daquela única apostasia44 . Por estas declarações confirma-se que o corpo do homem sofreu as conseqüências destrutivas do pecado deixando de ser um corpo perfeito, e estas conseqüências foram imputadas a todos os homens. 2.6.4 A alma. 44 Henry Clarence Thiessen. Palestras em Teologia Sistemática. Ed. Imprensa Batista Regular. p. 180. 62
  • 63. TESE DE ANTROPOLOGIA Ao escrever sobre a tricotomia, foi esclarecido que o homem possui não só o espírito como também uma alma, estes são elementos diferentes e possuem funções diferentes. A alma é o principio intelectual, emocional e volitivo do homem e usa o corpo para relacionar-se com o mundo físico, foi dada por Deus a Adão por meio do Seu sopro. Em alguns casos a Bíblia se refere à alma como sendo a vida natural do homem. Por exemplo: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino – Mt. 2:20. Tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos – Mt. 20:28. No original grego existem três palavras para designar vida: bios, psyché e zoe e no hebraico nefesh que significa vida da alma. O termo psyché no Novo Testamento pode referir-se tanto a vida natural como a alma. Nos versículos acima o termo psyché que no original significa vida, nestes versículos ele aparece significando “alma”. Por ser a alma a sede da personalidade do homem, ou dos poderes que o tornam uma pessoa, a Bíblia se refere em algumas passagens à alma como sendo pessoas. Por exemplo: * Quando Jacó levou toda a sua família para o Egito. E os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, foram setenta – Gn. 46:27. 45 Na versão atualizada a palavra almas é traduzida como pessoas Isto acontece porque é na alma que reside à personalidade do homem – intelecto, emoções e vontade. Descreverei acerca destes três poderes da alma mais adiante. 2.6.4.1 A sua origem. 45 Almeida Revista e Corrigida. 63
  • 64. TESE DE ANTROPOLOGIA Existem três pensamentos que procuram explicar a origem da alma. Dois destes são teorias e o outro, doutrina Bíblica. A) Teoria da preexistência. Esta teoria afirma que todas as almas foram criadas por Deus no passado, e já existiam antes de serem incorporadas. No momento da gestação uma alma desta é colocada no corpo. Os defensores desta idéia foram Platão, Kant, Filo de Alexandria e Orígenes. Esta posição não tem base Bíblica, e tira a importância do corpo criado por Deus, visto que a alma já existia antes e só depois possuiria um corpo. Por está teoria só o corpo procede da mesma origem, tirando assim a importância da unidade no homem. Esta teoria é fraca e não tem lugar na teologia. B) A teoria da criação imediata. Esta teoria diz que cada alma é criada por Deus imediatamente para cada individuo, e que apenas o corpo é propagado a partir das gerações passadas. O momento da criação pode ter sido na concepção ou durante a gestação ou ainda no nascimento do indivíduo, alguns defensores desta teoria são: Aristóteles, Pelágio, e a maioria dos reformadores da Igreja Católica. Dizem que a reprodução dos pais é só do corpo, e não tem as características da alma. A fraqueza desta teoria é que ela não explica as semelhanças de características como também de comportamento que os filhos herdam dos pais. E tem dificuldade de explicar as declarações Bíblicas que se encontram em Romanos 3:23 que diz: pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, e Sl.51:5 que declara: Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Estas declarações mostram o estado de pecador do homem, e que o pecado faz parte da natureza humana. Se formos afirmar esta teoria, Deus teria criado cada alma em um estado pecaminoso. C) A doutrina Bíblica do traducionismo. 64
  • 65. TESE DE ANTROPOLOGIA De acordo com o traducionismo, cada alma estava em Adão, e dele procedem todas as almas sendo transmitidas de pai para filho. Deus é o criador direto do primeiro casal, e indireto de todos os outros, sendo assim Deus criou o espírito, assim como o corpo e a alma. 46 Este ponto de vista é o que melhor explica a transmissão de traços característicos em nossa constituição intelectual. Explica também a doutrina Bíblica da participação e da hereditariedade do pecado na raça humana, Henry Clarence Thiessen confirma isto dizendo: ...nossa participação no pecado de Adão é explicita melhor na teoria traducionista. O pecado entrou no mundo por um ato auto-determinado, e todo indivíduo, é responsabilizado por ele. Isto requer que toda posteridade de Adão e Eva, de uma ou de outra maneira, participe dele. O catecismo maior diz: “O pecado original é passado de nossos primeiros pais para sua posteridade por geração natural, de modo que todos que deles procedem dessa maneira são concebidos e nascidos em pecado”. 47 Quando olhamos para os anjos, percebemos facilmente que eles não possuem ligação racial, pois alguns caíram e outros não, mostrando que não existe transmissão de alma. Este exemplo dos anjos, ajuda-nos a entender a doutrina do traducionismo quando olhamos para a transmissão da alma na raça humana, pois o homem possui ligação racial com Adão; quando este pecou a sua alma tornou-se rebelde e assim foi transmitida a todos os homens, e de acordo com o modo estabelecido por Deus, os pais geram os seus filhos possuindo espírito, corpo e uma alma (sendo esta rebelde), e não somente corpo. Henry Clarence Thiessen diz: Esta teoria afirma que a raça foi criada em Adão, com relação à alma tanto quanto ao corpo, e que ambos são propagados a partir deles por geração natural. A teoria traducionista é a que melhor se harmoniza com as Escrituras que, como diz: Shedd, “ensina que o homem é uma espécie e a idéia de espécie subentende a propagação do todo do indivíduo saindo dela”. Ele acrescenta: “os indivíduos geralmente não são propagados em parte, mas em todos. Em Gn. 1:26,27, o homem e a mulher em conjunto são chamados de “homem”. 46 Grifo nosso. 47 Henry Clarence Thiessen. Palestras em Teologia Sistemática. Ed. Imprensa Batista Regular. p. 163. 65
  • 66. TESE DE ANTROPOLOGIA Em Gn.5:2, Deus chamou os dois de “Adão”, isto é, Ele os tratou como uma espécie. Em Rm.7:1, o termo “ homem” também parece ser usado para referir ao marido e a mulher. Em harmonia com isto, Jesus foi chamado de “Filho do Homem”, apesar de apenas a mulher ter tomado parte na sua origem humana. Em Mt.12:35 e I Co.15:21, o termo “homem” igualmente denota ambos os sexos. Além disso a “semelhança” consigo próprio na qual Adão gerou um filho dificilmente poderia ficar apenas restrita ao corpo, e se também houver sido na alma, então isso estava incluído na geração”. “Em pecado me concebeu minha mãe” (Sl. 51:5), só pode significar que Davi herdou uma alma depravada de sua mãe. Em Gn. 46:26, lemos a respeito das “almas” que descenderam de “Jacó”. At. 17:26 ensina que “de um só fez toda a raça humana”. Isto muito naturalmente quer dizer que descendem de um casal e têm uma natureza humana comum no total da sua constituição. Gn. 2:1-3 ensina que a obra da criação foi terminada no sexto dia. Não poderia ser este o caso se Deus criasse almas diariamente, a cada hora e a todo o momento. 48 2.6.4.2 Antes da queda. A alma do homem antes da queda, era uma alma submissa e os seus poderes trabalhavam em harmonia; o intelecto era puro e tinha sobre ele o agir de Deus e o homem almejava que os seus pensamentos fossem os pensamentos de Deus. As emoções eram puras e submissas ao espírito. Devido ao homem ser criado “a imagem e semelhança de Deus”, tudo indica que antes da queda as emoções do homem trabalhavam de acordo com as emoções de Deus; sendo assim, Deus estava no controle das suas emoções, e o homem podia adorá-Lo na beleza da Sua Santidade. O homem foi criado por Deus um ser possuidor de vontade própria, e esta vontade era pura, e levava o homem a presença de Deus e a realizar a Sua vontade. Toda esta harmonia da personalidade do homem acabou, quando o pecado que se originou em Lúcifer (Ez. 28:17; Is.14:12-14) e entrou na raça humana por meio de Adão. E como conseqüência, a alma do homem se tornou rebelde e o homem perdeu o privilégio de ser chamado filho de Deus. 2.6.4.3 Depois da queda. A alma do homem depois da queda, tornou-se rebelde deixando de ser submissa ao espírito, e com isto passou a rejeitar a voz de Deus. A sua exaltação depois da queda é clara e a prova disto, é que os homens passaram a serem 48 Henry Clarence Thiessen. Palestras em Teologia Sistemática. Ed. Imprensa Batista Regular. p. 163. 66
  • 67. TESE DE ANTROPOLOGIA dominados e a viverem segundo a mesma. Aqueles que vivem pela alma estão vivendo pelo seu próprio eu, e algumas das suas características são: adoração emocional sem a atuação do espírito (quando isto acontece se torna emocionalismo), arrogância e exaltação intelectual. Muitas pessoas que agem pela alma diferem em suas atitudes, alguns pendem mais para o lado emocional, outros para o intelectual e outros mais para a vontade, independentemente da maneira que agem, todos agirão com rebeldia devido à condição da alma depois da queda. A alma foi afetada na sua totalidade – intelecto, emoções e vontade. O intelecto do homem foi corrompido; aqueles que agem pelo mesmo exaltam-se intelectualmente e procuram dar ênfase às coisas que alimentam a mente, deixando de lado a vida espiritual verdadeira, e as suas ações são intelectuais e não sábias, pois a alma rebelde é completamente insubmissa ao espírito. As emoções dos homens também foram corrompidas; emoções que eram puras, tornaram-se impuras. Emoções estas que são carnais e que levam os homens a caírem sob o domínio do pecado, muitas vezes revela que este poder da alma foi corrompido pela queda da mesma. Emoções que serviriam para glorificar e exaltar a Deus, servem agora a carne. A vontade do homem também foi corrompida, e é por isto que muitas vezes as emoções impuras dos homens manifestam-se através da vontade. O homem que deveria servir a Deus através da sua vontade, agora age contra a vontade de Deus (Rm. 1:20-25; 3:11-12) revelando assim a sua vontade corrompida (Gl.1:17; 2 Pe.3:5; Jo.5:40). Deus sempre almejou que o homem O glorificasse através da sua alma, mas com a queda da mesma, isto deixou de ser real para ambos os lados. A alma que antes era pura e submissa, depois da queda passou a ser rebelde. Portanto, a mudança da alma foi uma mudança de estado e não de 67
  • 68. TESE DE ANTROPOLOGIA essência, pois os seus elementos continuam ativos, mas corrompidos devido à mudança de estado da alma. 2.6.4.4 A natureza adâmica. Quando Deus criou os nossos primeiros pais, deu a eles uma natureza que chamamos de natureza humana perfeita ou natureza adâmica, natureza esta que podemos chamar de manifestação do nosso eu, a responsável pela manifestação do que somos, somos seres humanos. A natureza adâmica faz o elo entre o corpo e a nossa alma, e através dela somos identificados como descendente de Adão. A natureza adâmica por si não é pecaminosa e nem sinônimo de pecado, pois foi criada por Deus. Mas quando falamos de natureza adâmica, o que logo vem em mente são as atitudes pecaminosas dos homens; isto acontece porque esta natureza passou a se expressar por estas atitudes. Desta forma podemos chamá-la de natureza pecaminosa. Ao dizer que Deus é o criador da natureza adâmica, não estou afirmando com isto que Deus é o criador do pecado, pois um dos atributos de Deus é a santidade e Ele abomina o pecado. Existem aqueles que ensinam a erradicação desta natureza, ensino este que vai totalmente contra as Escrituras. Alguns textos da Palavra de Deus como em (Rm. 6:6-9; Gl. 2:19-20), nos esclarece que o nosso velho homem morreu com Cristo. O velho homem não é sinônimo de natureza adâmica, velho homem fala da identificação de todos os incrédulos no corpo do pecado, corpo este que tem Adão como o cabeça, e que pertencíamos antes da nossa regeneração. Se velho homem ou até mesmo corpo do pecado fosse sinônimo de natureza adâmica, obrigatoriamente esta natureza seria erradicada, pois quando o homem é regenerado por Cristo ele deixa de ser um velho homem e o corpo do pecado vai sendo desfeito. A experiência dos filhos de Deus, mostra que o pecado ainda faz parte da sua vida (1 Jo.5:18), e que a natureza adâmica não foi erradicada. A morte física é uma outra prova de que a natureza adâmica ainda não foi erradicada. Chafer afirma: “Se a erradicação da natureza pecaminosa se consumasse, não haveria a morte física, pois esta é o resultado dessa natureza (Rm. 5:12-21)”49 . Um outro fato que merece 49 Messias Anacleto Rosa. Do púlpito volume 1. Ed. Descoberta. p.196 68
  • 69. TESE DE ANTROPOLOGIA consideração é que se a natureza adâmica fosse erradicada, automaticamente precisaríamos de uma outra natureza; possivelmente a natureza divina, para fazer o elo entre o corpo e a alma. Algo impossível porque o nosso corpo mortal não suportaria esta natureza divina em sua total expressão, para isto é preciso que o corpo seja glorificado. A erradicação da natureza adâmica é uma doutrina anti-Bíblica usada por muitos para ensinar uma falsa idéia de santificação, isto acontecendo estaríamos livres totalmente do pecado original e do pecado que diariamente nos acedia. A erradicação da natureza adâmica, só acontecerá com a morte física ou com o arrebatamento por ocasião da vinda de Cristo. O viver em conflito com o mundo, a carne e o diabo, mostra a impossibilidade da erradicação acontecer sem um destes fatos. A eficácia da morte de Cristo e a habitação do Espírito Santo em nossas vidas, são suficientes para a nossa santificação. Portanto, não precisamos de uma falsa mensagem que enfatiza a erradicação da natureza adâmica para vivermos em uma vida de santidade. 2.6.5.5 O intelecto. A Bíblia fala do intelecto do homem em diversas passagens, por exemplo: Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado – Prov 19:2. Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim – Lm. 3:20. Então, sabe que assim é a sabedoria para a tua alma; se a achares, haverá bom futuro, e não será frustrada a tua esperança – Prov. 24:14. As palavras em negrito mostram algumas atividades do intelecto, e a Bíblia ensina que elas provém da alma. A tendência que temos quando falamos em intelecto, é aplicá-lo literalmente ao cérebro devido a nossa capacidade de raciocínio; mas o intelecto em si não é o cérebro, mas um conjunto de funções e o exercício do mesmo. O intelecto não se restringe apenas na capacidade de raciocínio, mas também no 69
  • 70. TESE DE ANTROPOLOGIA armazenamento de dados, e para isto, enquanto na carne, ele usa o cérebro. Uma outra função do intelecto é analisar criticamente as informações recebidas, e apresentá-las da melhor maneira possível, para que através das emoções e da vontade possamos agir da melhor maneira, maneira esta que difere de cada individuo. Donaldo D. Turner faz a seguinte declaração a respeito do intelecto: Por intelecto ou mente do homem entendemos, não o cérebro como um dos órgãos do corpo, mas antes, aquela porção imaterial do homem que emprega o encéfalo para pensar, conhecer, raciocinar, julgar e coligir. 50 No terreno natural em que vivemos, nos deparamos com diversas situações que precisam ser superadas; diante destas situações, o intelecto entra em cena analisando criticamente os dados que foram recebidos, nos levando a agir através da nossa vontade. Através das nossas vidas manifestamos capacidades intelectuais, como por exemplo: o conhecimento intelectual, a sabedoria (no caso dos salvos) e o raciocínio, manifestações estas que provam que o homem é um ser racional. O poder intelectual é importantíssimo nas nossas vidas, pois fazemos uso do mesmo cotidianamente. A enciclopédia Barsa faz menção à palavra intelecto, como “o termo geral para a mente em referência à sua capacidade para o entendimento em sua maior amplitude” 51 . Este termo pertence propriamente à psicologia. Contudo quando se tem em vista um entendimento aumentado, que destaco aqui como sabedoria, a questão se torna teológica, pois este entendimento é operado pelo Espírito Santo do Senhor, questão esta que tratarei especificamente quando for falar da sabedoria. 2.6.5.5.1 Inteligência. 50 Dr.Donald D. Turner. A doutrina dos anjos e do homem. Ed. Imprensa Batista Regular. p. 252. 51 Barsa cd. vol. 1.11. 70
  • 71. TESE DE ANTROPOLOGIA A enciclopédia Barsa define inteligência, como: “o conjunto de aptidões que permitem aos indivíduos aprender com rapidez e demonstrar eficiência no manejo e uso adequado dos conhecimentos” 52 . A inteligência é o meio pelo qual o individuo interage no meio em que vive fazendo melhor uso da sua capacidade intelectual e do conhecimento adquirido. A inteligência esta ligada ao caráter e a personalidade de cada individuo; sendo assim todo homem é inteligente, e a inteligência esta estritamente ligada ao seres humanos, e não aos demais animais, pois estes agem por instinto. Existem homens que possuem um grau de inteligência maior do que outros, e o costume da maioria ao se deparar com indivíduos com uma capacidade intelectual (inteligência) elevada é chamá-lo de sábio. A sabedoria é uma capacidade que não está ao alcance de todos, mas somente daqueles que são regenerados. A inteligência é natural, e está ligada às coisas naturais; sendo assim, cada individuo desde o seu nascimento pode por si próprio desenvolver a sua inteligência com naturalidade, pois a inteligência provém do próprio homem. A Intelectualidade, também chamada sabedoria humana, mesmo sendo um privilégio de poucos, ainda se faz dentro de um contexto natural da capacidade humana; sendo assim, a intelectualidade é um conhecimento amplo do mundo, enquanto que a Sabedoria está ligada diretamente ao conhecimento de Deus, que também nos levará a um melhor e real conhecimento do mundo revelado pela Palavra de Deus. 2.6.5.5.2 Sabedoria. De acordo com Champlin existem cinco termos Bíblicos relativos aos tipos de sabedoria. 1. Chokmah – (também transliterado como hokmah): habilidade ou destreza n arte (Êxodo 28:3; 31:6); habilidade mais elevada de raciocínio, prudência, inteligência (Deuteronômio 4:6; Provérbios 10:1). 52 Barsa cd. vol. 1.11. 71
  • 72. TESE DE ANTROPOLOGIA 2. Sakal – ser prudente, circunspeto (1 Samuel 18:30; Jó 22;2). 3. Tushiyah, retidão, bom conselho e compreensão (Jó 11:6; 12:16; Provébios 3:21). 4. Binah, compreensão, introspeção, inteligência (Provérbios 4:7; 5:5; 39:26; Deuteronômio 4:6; 1 Crônicas 12:32; Daniel 1:21; 9:22; 10:1). 5. Sophia (no Novo Testamento), palavra geral para todos os tipos de sabedoria, divina e humana (Lucas 1:17; 11:31, 49; Atos 6:3,10; Romanos 11:31; 1 Corintios 1:17; Efésios 1:8,17; Tiago 1:5; 3;13,15,17, 2 Pedro 3:15; Apocalipse 5:12; 13:18; 17:9). 53 Ao contrário da inteligência que provém do próprio homem, a sabedoria provém de Deus e pertence exclusivamente a Ele (Jó. 12:13 e seguintes; Is.13:2; Dn.2:20-23). J. D. Douglas, nos dá várias características desta sabedoria que pertence exclusivamente a Ele. 1. Sua sabedoria consiste não apenas em conhecimento completo acerca de todos os aspectos da vida (Jó. 10:4; 26:6; Pv. 5:21; 15:3) mas também consiste de Seu irresistível cumprimento daquilo que Ele tem em mente; 2. O universo (Pv. 3:19 e seguinte; 8:22-31; Jr.10:12) e o homem ( Jó.10:8 e seguintes; Sl.104:24; Pv.14:31; 22:2) são produtos de sua sabedoria. 3 .Processos naturais ( Is. 28:23-29) e históricos (Is.31:2) são governados pela sua sabedoria, que inclui uma discriminação infalível entre o bem e o mal e é a base para as justas recompensas e punições que são a retribuição respectiva dos justos e dos iníquos ( Sl. 1:38; 73; Pv.10:3; 11:4; 12:2, etc.) 4. Tal sabedoria é inescrutável (Jó. 28:12-21): Deus em sua graça precisa revelá-la, se o homem tiver de compreendê-la em sua inteireza ( Jó,28:23- 28). Até mesmo a sabedoria derivada das habilidades naturais ou destiladas da experiência é um dom gracioso, porque é a atividade criadora de Deus que torna possível uma tal sabedoria.54 De acordo com a Bíblia os verdadeiros sábios são aqueles a quem Deus outorga a sabedoria, e não aqueles a quem os homens intitulam de sábios. Na Bíblia temos o exemplo de alguns homens a quem Deus lhes outorgou a sabedoria: Salomão (1 Reis 3:7-13; Mt.12:42), Estevão (At.6:10), Paulo (2 Pedro 3:15), e José (At.7:10). Esta sabedoria dada por Deus vai além das letras, é uma sabedoria prática que abrange todos os aspectos da vida daqueles que a possuem, assim como o conhecimento acerca de Deus. Os incrédulos podem ter um conhecimento intelectual das coisas de Deus, conhecimento este que chamo de um falso conhecimento, pois não procede do Espírito Santo que é o meio pelo qual Deus outorga a Sua sabedoria. Portanto, os 53 R.N. Champlin. Dicionário do Antigo Testamento. Ed. Hagnos. p. 5195. 54 J.D. Douglas. Dicionário da Bíblia. Ed. Vida Nova. p.1423. 72
  • 73. TESE DE ANTROPOLOGIA incrédulos nunca entenderão e nem agirão sabiamente e sim intelectualmente, seja na área espiritual assim como na área natural. Por ser um conhecimento intelectual que procede do próprio homem, ele se torna falho e estas falhas são manifestas pelas suas próprias atitudes. A este respeito Ritchie faz a seguinte declaração: A falta de sabedoria é mundial. Isto não quer dizer que haja falta de inteligência, ou de poder de raciocínio, ou de conhecimento. Muitas pessoas inteligentes e com grande conhecimento têm-se mostrado muito falhas nas suas atitudes e no seu uso deste conhecimento. 55 A sabedoria é um privilégio dos regenerados. Tiago na sua epístola diz que basta apenas pedir a Deus que Ele dará. Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. – Tg. 1:5 Em primeiro lugar, neste versículo Tiago nos mostra que a fonte da sabedoria é Deus, e no capitulo 3: 17-18 ele reforça esta idéia falando de uma sabedoria celestial; Salomão declara em Provérbios 2:6 que a fonte da sabedoria é Deus, e o modo de consegui-la, segundo Tiago, é pedindo a este Deus que é a fonte de toda sabedoria. Com respeito a isto temos o exemplo de Salomão: Salomão pediu e a resposta foi... Eis que te dou um coração tão sábio e entendido... Completando tal afirmação de que não existe homem sábio sem que ela tenha vindo de Deus, e para ter vindo de Deus, o homem precisa ser de Deus, o verso 28 de 1 Reis capítulo 3, confirma: “E todo o Israel ouviu a sentença que o rei proferira, e temeu ao rei; porque viu que havia nele a sabedoria de Deus para fazer justiça”. Para aqueles que são de Deus, que pedem da Sua SABEDORIA, Deus nos transmite um Grau a mais da Sua pessoa, para e exclusivamente para a SUA GLÓRIA. 56 A sabedoria aqui designada vai além de um simples conhecimento intelectual, e designa uma percepção a respeito do que é espiritual e eterno. 55 Ritchie. Comentário Ritchie do Novo Testamento. vol. 14. Ed. Cristãs. p. 41. 56 Pr. Daniel C.Pauluci. Apostila de Antropologia. IBM. p.20. 73
  • 74. TESE DE ANTROPOLOGIA Champlin faz a seguinte declaração a respeito desta sabedoria: [...] é aquela qualidade do entendimento que aguça a percepção das obrigações morais e a apreensão das realidades eternas. Essa é a sabedoria pela qual Salomão orou (ver II Cro. 1:8-12). Ela se compõe daqueles princípios que, conforme diz o livro de Provérbios, se originam da reverência para com Deus (ver Prov. 1:7). O fenomenal progresso que tem feito a humanidade, no acumulo do conhecimento cientifico, infelizmente não tem sido acompanhado pelo crescimento na sabedoria, a que Tiago se refere. Conforme escreveu Arnold Tonybee, o grande historiador norte- americano: ‘ A evidência técnica não é, por si mesma, uma garantia de sabedoria ou de sobrevivência’. 57 A palavra todos (Tg. 1:5), significa todos os crentes sinceros e que necessitam de sabedoria. Sendo assim, as palavras de Tiago confirmam que sabedoria é um privilégio dos Salvos, e não dos incrédulos. 2.6.5.6 Emoções. A Bíblia fala sobre três tipos de emoções. Watchman Nee descreve estas emoções da seguinte maneira: a) Emoções de afeto – 1 Sm. 1:18; Ct.1:7; Lc.1:46; Jó 33:20; 2 Sm.5:8; Zc.11:8; Dt. 6:5; Jó 10:1; Sl. 107:18. b) Emoções de desejo – Dt. 14:26; 1 Sm.20:4; Sl.84:2; Ez.24:21; Sl.42:1; Is.26:9; Mt.12:18. c) Emoções de sentimento e de percepção – Lc. 2:35; 1 Sm. 30:6; Jz.10:16; 2 Rs. 4:27, Jó.19:2; Is.61:10; Sl.86:4; Sl.107:5; Sl.42:5 58 . A emoção, é o meio pelo qual o homem expressa os seus sentimentos variados: do ódio ao amor, do medo a coragem, da tristeza a alegria. De acordo com Watchman Nee, “a falta de emoção tornaria o homem insensível como pau ou pedra” 59 . O intelecto é visto como frio e analítico. As emoções por sua vez são quentes e interativas. Estas emoções são provocadas pelo que vemos, sentimos e ouvimos. 57 R.N. Champlin. Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Ed. Hagnos. vol. 6. p.17. 58 Watchman Nee. O homem espiritual. vol. 1. p.47. 59 Watchman Nee. O homem espiritual. vol 1. p.45. 74
  • 75. TESE DE ANTROPOLOGIA A Bíblia nos exorta a amarmos a Deus de todo o nosso coração, e isto nos revela que somos responsáveis por aquilo que sentimos; e o que sentimos deve agradar a Deus em todos os sentidos. Este tipo de emoção é diferente, porque devemos amar a Deus do mesmo modo que Ele nos amou entregando seu filho, emoção esta que é sacrificial, e vai além daquelas que sentimos pelos nossos parentes, irmãos em Cristo, etc. Para que isto aconteça precisaremos sem duvida da atuação do Espírito Santo em nossos corações. Algumas vezes a Bíblia se refere ao coração como o órgão que se aplica às emoções humanas, sendo considerado o centro da sensibilidade (Provérbios 14:10; 4:23; Gn.6:6). Quando os nossos primeiros pais pecaram, foram levados pela emoção do momento, pois a proposta do inimigo foi tentadora “... como Deus, sereis...”. A partir da entrada do pecado, emoções que eram puras passaram ser tendenciosas, e emoções destrutivas vieram a fazer parte da vida do homem, como por exemplo, o medo e o orgulho. O MEDO veio a ter um domínio sobre nossas emoções. Em muitas de nossas atitudes, temos como seu recheio o medo. Com o pecado o ser humano se tornou inseguro e medroso — o pecado tirou a estabilidade emocional do homem. O pecado que hoje reina neste mundo não tem nada de bom para nos dar, mas o que ele trouxe e procura a cada dia mais impor é a DESTRUIÇÃO E MISÉRIA neste comportamento e neste mundo vivemos. O pecado trazendo essa desestabilidade emotiva muitas vezes pode levar o homem, até mesmo o convertido à destruição do seu corpo. O medo muitas vezes levar-nos-á a destruição, e ao pânico, agindo assim contra uma ação intelectual lógica. Hoje as nossas emoções, são expressas dentro do contexto intelectual e volitivo e muitas vezes o nosso orgulho (mais um tipo de sentimento causado pelo pecado) através do nosso EU pecaminoso, leva-nos a desafiar as outras emoções como o medo, para que o eu seja enaltecido em relação aos demais. O maior sentimento visto no homem hoje chama, ORGULHO, e para cultivá- lo o ser humano procurará todos os métodos, independente do que lhe aconteça com o corpo.60 Devido às emoções serem quentes elas se tornam poderosas e perigosas, e por isto devem ser controladas pelo Espírito Santo, e esta capacidade está ao nosso alcance (Rm. 5:6; Gl. 5:22; 1 Jo.4:19). 60 Pr. Daniel C. Pauluci. Apostila de Antropologia. Instituto Bíblico Maranata. p.30 75
  • 76. TESE DE ANTROPOLOGIA 2.6.5.7 Vontade e Livre arbítrio. Vontade. A Bíblia fala em algumas passagens a respeito da capacidade volitiva do homem – a sua vontade. Dt. 21:14 – Deixá-la-ás ir à sua própria vontade. Sl. 35:25 – Cumpriu-se o nosso desejo. 1 Cr. 22:19 – Disponde, pois, agora o coração e a alma para buscardes ao Senhor, vosso Deus. Jó. 6:7 – Aquilo que a minha alma recusava tocar. Jó. 7:15 - pelo que a minha alma escolheria, antes, ser estrangulada; antes, a morte do que esta tortura. Os termos em negrito designam a vontade humana que parte da alma. Definições do termo vontade. A vontade é o instrumento que utilizamos para tomar decisões, e revela nossa capacidade de fazer escolhas. Ela manifesta se “queremos” ou “não queremos”. Sem ela o homem ficaria reduzido a um autômato61 – Watchman Nee. A vontade é o poder que leva o homem a decidir se vai ou não proceder, e que o leva a escolher qual a maneira porque vai executar uma ação. O homem recebe mil sugestões de dentro e de fora; e no meio destas sugestões fica a vontade, que tem o dever de escolher e decidir qual a sugestão que vai ser posta em ação62 – A.B. Langston. Vontade própria é o sentimento dado por Deus ao homem, e que o leva a fazer escolhas dentro de um parâmetro estabelecido por Deus no terreno natural; e toda escolha feita vem acompanhada de conseqüências, provando assim que o homem não possui livre-arbítrio. No terreno espiritual o homem é levado por Deus a exercer a sua vontade por meio da escolha. A escolha é uma atividade da vontade, ambas são influenciadas e por isto não são soberanas: a vontade é influenciada pelo meio em que vivemos, e a escolha pela vontade. 61 Watchman Nee. O Homem Espiritual. Ed. Candeia. vol. 1. p.45. 62 A. B. Langston. Esboço de Teologia Sistemática. Ed.Casa Publicadora Batista. p.150. 76
  • 77. TESE DE ANTROPOLOGIA Quando Deus criou o homem, o criou a sua semelhança; semelhança não é ser igual, mas parecido. Deus é Soberano e só ele possui livre- arbítrio. O homem foi criado a Sua semelhança (parecido) possuindo apenas vontade própria e não Livre-arbítrio. À vontade do homem depois da queda, se tornou danificada e tendenciosa à carne. Deus ao criar o homem não o criou possuindo um pouco da Sua Divindade, quanto menos um deusinho possuindo livre-arbítrio, mas o criou com limitações dentro do meio em que vive, isto não significa que o homem não possui vontade, mas que é limitado no uso da mesma. Alguns têm definido vontade como uma faculdade à parte e independente da alma, capaz de operar por si mesma, sem qualquer ligação com a razão, com o meio em que vive, e com as emoções. Muitas vezes o homem se deparara com problemas difíceis de serem resolvidos, e a tendência é adiar a resolução do problema até que se forme alguma opinião sobre o assunto, e assim seja feita a melhor escolha. A decisão de adiar a resolução do problema já nos mostra que à vontade do homem não é livre, pois já é resultado de uma análise feita pelo intelecto que age sobre a vontade; com isto a idéia de que a vontade não está ligada com a alma, cai por terra. Um outro exemplo que nos prova que o homem possuí vontade, mas que esta não é livre, é o próprio meio em que vivemos. Diariamente somos levados a colocar em prática a nossa vontade escolhendo o que vamos vestir, comer, comprar, etc. Entretanto, fazemos isto influenciados pelo meio em que vivemos, somos influenciados pela melhor roupa para a ocasião, somos influenciados pelo olfato com respeito a nossa alimentação, assim como pelas cores que nos influenciam a comprar o automóvel mais bonito. As palavras de Langston são reais quando ele declara que o homem recebe mil sugestões de dentro e de fora, e no meio destas sugestões que procedem do meio em que vivemos está à vontade. Deus realmente criou o homem possuidor de vontade própria, e lhe permitiu exercer esta vontade, fazendo escolhas dentro de um parâmetro estabelecido por Ele próprio no terreno natural. Com isto, Deus não criou o homem um robô, mas o criou diferente Dele. Livre – Arbítrio. 77
  • 78. TESE DE ANTROPOLOGIA Algumas definições do termo livre-arbítrio. Arbítrio – Resolução que depende só da vontade – Moderno dicionário da língua portuguesa – MICHAELIS 2000. Livre-arbítrio – Faculdade do homem de determinar-se a si mesmo – Mesmo dicionário citado acima. Arbítrio – Deliberação que depende da vontade da pessoa que resolve. Grande novíssimo dicionário da língua portuguesa – de Laudelino Freire, da Academia Brasileira de Letras. Livre-arbítrio – Poder de se determinar sem outra regra que a própria vontade – Mesmo dicionário citado acima. De inicio, pode se notar uma separação entre “arbítrio” e “vontade”, dando- se a entender que um é causa e outro é efeito. Pode ser o caso de que, imperceptivelmente, muitos defensores do “livre-arbítrio” estejam usando a metonímia ou a sinédoque, que são figuras de retórica muito usadas, em que a causa é apresentada como efeito, e o todo pela parte, respectivamente. [...] O fato é que temos que separar a causa do efeito para entendermos o assunto63 . Livre-arbítrio – É a livre capacidade de julgar, determinar, escolher e acontecer, tanto no terreno das ações naturais como no terreno das ações espirituais e imateriais sem a influência de outros meios. 64 Definição: É a capacidade de determinar e agir tanto no terreno espiritual, assim como no material, estando livre de conseqüências. Hoje muitos têm defendido o livre-arbítrio, sem realmente estudarem o assunto na sua amplitude. E muitos com o propósito de exaltarem-se e de tirar de Deus a Sua própria Glória, que só a Ele é devida. Depois que o pecado entrou na raça humana, o orgulho tem sido um dos principais sentimentos que tem imperado na vida do homem, e este sentimento tem levado o homem a se colocar no lugar de Deus e querer ser como Deus. Na maioria das vezes o homem tem procurado salvar-se a si mesmo, assim como determinar o que deve acontecer na sua vida material ou natural, ignorando que existe um Deus Soberano que rege todo universo. Isto significa que, devido o orgulho que entrou na raça, o homem quer tomar para si algo que pertence a Deus: O LIVRE-ARBÍTRIO. O Pastor Daniel C. Pauluci declara que: “o livre-arbítrio é de Deus e para Deus, a vontade é do homem e para o homem” 65 . 63 Pr. Artémio L. Pauluci. Artigo: Breves considerações sobre uma falácia denominada Livre-Arbítrio. p.1. 64 Pr. Daniel C.Pauluci. Apostila de Antropologia. IBM. p.24. 65 Pr. Daniel C.Pauluci. Apostila de Antropologia. IBM. p.24. 78
  • 79. TESE DE ANTROPOLOGIA Existem aqueles que fazem confusão entre Soberania e livre-arbítrio. Como Soberano Deus domina todas as coisas e exerce poder sobre elas. Dominar todas as coisas fala da Soberania, exercer poder sobre elas fala do Seu livre-arbítrio. O pastor Daniel C. Pauluci na sua apostila de antropologia Bíblica faz uma importante declaração a este respeito: ...SOBERANIA é a posição de DEUS COMO DEUS, LIVRE ARBÍTRIO é o exercício desta posição; SOBERANIA é o Poder da DIVINDADE, LIVRE ARBÍTRIO é o uso do mesmo. 66 Só Deus pode salvar, julgar, determinar, fazer e acontecer tanto no terreno espiritual como no material, porque Ele é o único que possui livre-arbítrio; desta forma o homem nunca foi e nunca será o detentor deste poder denominado livre-arbítrio. Mesmo assim, no decorrer da história, vários hereges se levantaram formulando doutrinas que são preceitos de homens com o propósito de menosprezar a Soberania de Deus e defenderem o livre-arbítrio. Eis algumas delas: A) Antinomismo ou Antinomianismo – Considera como verdadeiros, princípios e leis que se contradizem, como no caso da Soberania de Deus e o livre-arbítrio do homem. É um sistema que nega qualquer interferência externa sobre o comportamento do homem, exceto suas próprias noções subjetivas sobre o que é certo, e que suas noções subjetivas estão acima de toda e qualquer lei. Desta filosofia surge: B) Compatibilismo – Um esforço de fazer que se torne compatível princípios opostos como: Soberania de Deus e livre-arbítrio do homem. C) Apolinarismo – (310-390?) Apolinário fez tremenda confusão em relação à tricotomia e sustentou que espírito humano equivale a ter livre- arbítrio. D) Deificação – Prática de religiões não cristãs de elevar um governante humano à condição de divindade. E) Humanismo e secularismo – Trata de qualquer movimento ou ideologia que se concentra em valorizar o ser humano. F) Iluminismo – Trata de tendências filosóficas que apresentam a emancipação da humanidade. Foi o iluminismo que tentou minar a autoridade da Bíblia. G) Individualismo – Trata de um pensamento da cultura ocidental moderna, cuja ênfase está em que o significado da vida é encontrado na capacidade individual de pensar e tomar decisões isoladamente, sem considerar nenhum elemento externo. H) Movimento da morte de Deus – Movimento teológico dos anos 60, no qual propagavam que Deus tinha deixado de desempenhar um papel significativo na vida do homem moderno. I) Pelagianismo - (354-415) Pelágio, no seu ensino, declarou que o esforço e os méritos humanos, podem produzir a salvação sem a necessidade da graça divina. J) Renascença – (1400-1600) Época de Erasmo, do Humanismo, em que houve um esforço para descentralizar a pessoa de Deus para que o homem se tornasse à figura central. 66 Pr. Daniel C.Pauluci. Apostila de Antropologia. IBM. p.24. 79
  • 80. TESE DE ANTROPOLOGIA K) Arminianismo – (1560-1609) Jacó Arminio, foi teólogo que exaltou a tal ponto o livre-arbítrio, que ensinou: Assim como um indivíduo poderia livremente escolher a salvação, depois de a ter escolhido, no uso do Livre-arbítrio, livremente poderia rejeitá-la.67 Com base no primeiro ponto do sistema teológico formulado por Jacobus Arminius em oposição à doutrina calvinista, o livre-arbítrio tem sido a principal mensagem proclamada pelos arminianos. O primeiro ponto do sistema teológico formulado por Arminio diz: Deus concedeu ao homem a capacidade de aceitar ou recusar a salvação que lhe é oferecida. Em outras palavras, Deus concedeu ao homem o livre-arbítrio para aceitar a salvação e rejeitá-la quando quiser. Algumas objeções às declarações do arminianismo com relação ao livre-arbítrio: * Contrariando as Escrituras que diz que o homem se encontra em um estado de depravação total (Rm. 3:10,11), o arminianismo declara: “que todo homem pode buscar a Deus quando quiser pelo seu livre-arbítrio, e que o seu destino depende do modo que ele usa este livre-arbítrio”. Por esta declaração entendo que o homem não foi corrompido totalmente pelo pecado, que a sua vontade não esta totalmente escravizada, que ainda há no homem pecador um pouco de santidade que agrade a Deus e que o homem trabalha em conjunto com o Espírito Santo na regeneração. O homem nasce escravo do pecado, a sua natureza é má e corrupta, portanto, ele não tem capacidade nenhuma de fazer escolhas no terreno espiritual, sendo assim o homem por si próprio não tem participação nenhuma na salvação. É Deus quem opera no homem o milagre da Salvação – Filipenses 2:13 diz: porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Jamais o homem pode ser salvo pelo seu livre-arbítrio, e sim pela graça eficaz de Deus que é operada nos eleitos pelo Espírito Santo, que por sua vez liberta a capacidade de escolha do homem, levando-o a receber a Cristo voluntariamente. Charles Haddon Spurgeon, também conhecido como o príncipe dos pregadores faz a seguinte declaração a respeito da responsabilidade do homem na salvação: 67 Pr. Artémio L. Pauluci. Artigo: Breves considerações sobre uma falácia denominada Livre-Arbítrio. p.2. 80
  • 81. TESE DE ANTROPOLOGIA Podemos exortar por muito tempo um homem cego a enxergar, porém ele não enxergará. Igualmente, podemos exortar um homem morto a viver, porém ele não viverá somente por meio da nossa exortação. Algo mais é necessário. E ainda [termo acrescido]: “Que a graça de Deus não viola a vontade do homem, mais triunfa docemente sobre ela, levando o homem a receber a Cristo voluntariamente [termo acrescido]. Ninguém nunca foi e nem será arrastado para o céu pelas orelhas; saiba disso. Nós iremos para lá de coração e porque desejamos 68 ”. * Pelas declarações Bíblicas o homem jamais possui livre-arbítrio para recusar a salvação que lhe é oferecida. A graça eficaz é sempre eficaz - (Jo 6:44; 1 Jo 4:19; At 13:48; Ef 2:4-5, 8-9; 2 Ts 2:13). Spurgeon declara: Se o homem é livre para escolher ou rejeitar a salvação assim como o bem ou o mal, como Deus consegue executar os seus propósitos, sem violentar esta liberdade? Nenhuma profecia deixou de ser cumprida por que os homens não cooperaram. Deus não esta ansioso, roendo as unhas, aguardando a decisão do homem, para correr em um paliativo e remediar uma traquinagem humana. Sl. 33:11; Is.55:10,11; Rm.9:17. O livre-arbítrio arminiano transforma Deus em rei que não reina. Um Deus impotente, fervendo de ira, ou chorando de tristeza, diante do comportamento humano! Alguns arminianos chegam a negar que Deus desconhece ações futuras, livres, dos homens, por serem incertas. Sl. 139; Is. 10:5-7,15; At. 4:27,28 69 . Quero encerrar as minhas considerações acerca das objeções às declarações do arminianismo com relação ao livre-arbítrio, com mais algumas palavras de Spurgeon: Muitos sermões arminianos têm sido pregados. Mas nunca ninguém ouviu um arminiano orar, porque os santos em oração se parecem iguais em palavra, mente e oração. O arminiano não pode orar a respeito do livre- arbítrio; não há lugar para isto, pois o livre-arbítrio não é de Deus e vai contra Deus. Imagine-o orando: Senhor eu te agradeço porque e não sou como um destes pobres calvinistas presunçosos. Senhor eu nasci com um glorioso livre-arbítrio; eu nasci com um poder pelo qual posso me voltar para ti por conta própria; tenho melhorado minha graça. Se todos tivessem feito o que eu fiz com a Tua graça, poderiam ter sido salvos. Senhor, eu sei que Tu não nos fazes 68 Igreja Batista de Catanduva. Textos da Reforma. 69 Igreja Batista de Catanduva. Textos da Reforma. 81
  • 82. TESE DE ANTROPOLOGIA espiritualmente propensos se nós mesmos não quisermos. Tu dás graças a todos; alguns não melhoram mas eu sim. Haverá muitos que irão para o inferno, tantos quanto foram comprados pelo sangue de Jesus Cristo como eu fui; ele tinha tanto do Espírito Santo quanto me foi dado; tiveram uma boa chance, e foram tão abençoados como eu sou. Não foi a Tua graça que nos diferenciou; eu sei que ela faz muito, mas eu cheguei ao ponto desejado; eu usei o que me foi dado e os outros não – essa é a diferença entre eu e eles. Essa é uma oração para o diabo, pois ninguém ofereceria tal oração. 70 Quando olhamos para as declarações Bíblicas, percebemos que desde a criação dos nossos primeiros pais o homem nunca possuiu o livre-arbítrio. Existiam sobre Adão leis que o limitava em sua área de ação, e que foram dadas para que ele obedecesse incondicionalmente; mas Deus nunca obrigou o homem a obedecer, dando-lhe assim a capacidade de exercer a sua vontade. Mas é um fato que o homem estava sob ordens e influências e nunca possuiu o livre-arbítrio. Vejamos: Gn. 1:26,28 - Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. As palavras em negrito mostram as ordens de Deus dadas ao homem e que deveriam ser obedecidas. Se estas ordens pudessem não ser cumpridas pelo homem, provavelmente alguma disciplina no terreno natural seria dada por Deus, mas o fato é que elas naturalmente foram cumpridas pelos homens, pois se tornaram os critérios que passaram a reger a vida dos homens. Podemos tomar como exemplo, a disciplina que seria aplicada se o homem comece do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, disciplina esta que já havia sido sentenciada antes mesmo do homem pecar contra Deus -... no dia em que dela comeres, certamente morrerás... O livre-arbítrio, que só Deus possuí dá a Ele a autoridade de fazer e acontecer, algo que não pertence ao homem. Quando Deus colocou o homem 70 Igreja Batista de Catanduva. Textos da Reforma. 82
  • 83. TESE DE ANTROPOLOGIA diante do fruto da árvore do conhecimento do bem do mal, Deus queria uma obediência incondicional por parte do homem, mas não obrigou o homem a esta obediência. Isto deu ao homem o privilégio do mesmo usar a sua vontade e honrar a Deus através dela. Naquele momento o homem vez uso da sua vontade escolhendo comer do fruto e imediatamente vieram às conseqüências, como por exemplo, a morte física e espiritual. Se neste momento da queda o homem possuísse o livre-arbítrio, ele poderia escolher entre a morte e a vida, poder este que nunca esteve ao alcance de Adão, pois o que ele escolheu foi entre obedecer e desobedecer, questão que milita apenas no terreno natural ou físico. Vemos que as conseqüências vieram logo após o seu ato, e a determinação de Deus foi cumprida... no dia em que dela comeres, certamente morrerás...; provando assim que Adão não era livre, pois não teve poder para mudar a sua condição. Livre-arbítrio foi o engodo da serpente (Satanás) na ocasião da tentação. Uma verdadeira ilusão em que: - Há uma negação da realidade. - Há um questionamento da veracidade de Deus. - Há uma negação da justiça e bondade de Deus. - Há uma promessa de sabedoria terrena. - Há uma promessa de divindade ao homem. - Há uma promessa de poder ilimitado ao homem O apresentado acima é o âmago do movimento da nova era, preparando o mundo para o reino do anticristo. É o que está sendo ensinado nas escolas seculares, e, infelizmente em algumas escolas teológicas também. A maioria das praticas ocultistas, endeusam e endossam o “livre-arbítrio”, bem como o carismatismo e programas de curas, milagres, sinais e prodígios. É a exaltação da criatura (o homem) acima e em detrimento da pessoa do criador (Deus). É um deus servo, objeto de consumo, atendendo as ordens e caprichos de um homem exaltado a senhor. 71 O livre – arbítrio pregado por muitos tem gerado diversas implicações, vejamos algumas delas: - Uma exaltação da criatura acima do criador. - Numa violação a Soberania de Deus. - Numa desvalorização da salvação eterna. - Uma afronta ao propósito de Deus para as suas criaturas. - Numa confusão entre causa e efeito. - Na não aceitação da doutrina Bíblica da depravação total da raça humana. 71 Pr. Artémio L. Pauluci. Artigo: Breves considerações sobre uma falácia denominada Livre-Arbítrio. p.3 83
  • 84. TESE DE ANTROPOLOGIA - Numa salvação forjada e dependente do homem. - Numa defesa absurda “da força do pensamento positivo”. - Numa negação de grande parte das Escrituras. - Num equívoco e relaxo na educação de filhos. - Numa negação da doutrina Bíblica da eleição. - Numa falta de disposição de submeter-se ao controle do Espírito Santo. 72 Encerrando as considerações sobre livre-arbítrio, quero reforçar o fato de que o homem é influenciado por diversos fatores tanto no terreno espiritual, assim como no material. Em última análise, todas as suas escolhas sofrem conseqüências; sendo boas ou ruins, isto revela que o homem não possui o livre- arbítrio. 2.7 O espírito. Quando Deus criou o homem deu a este o espírito, que difere totalmente da alma. O espírito dado por Deus ao homem também estabelece a diferença entre o homem e os outros seres criados, pois os outros seres possuem apenas uma alma e não um espírito. O espírito do homem salvo, é o que faz a diferença no seu caráter, pois este subjuga a alma, sendo assim o homem agirá de maneira que agrade a Deus por meio da sua personalidade. O espírito tem grande importância nas nossas vidas, pois é por meio dele que seremos considerados espirituais ou não; por isto devemos dar lugar para que o Espírito Santo de Deus aja em nosso espírito, para que assim possamos, pelo espírito, impedir com que a alma subjugue o mesmo e passemos agir por ela. É necessário diferenciar a alma do espírito, e existem muitas pessoas que não fazem esta diferença e perdem a benção de uma vida espiritual verdadeira com Deus. Através da Palavra de Deus e pela experiência que temos com Ele, podemos perfeitamente conhecer o Espírito Santo. Mas é muito difícil conhecer o espírito humano, porque este é escondido pela alma, pela sua rebeldia, pois a nossa alma é muito forte, tendenciosa unicamente às coisas materiais precisando ser quebrantada. A Palavra de Deus como uma espada de dois gumes, precisa penetrar 72 Pr. Artémio L. Pauluci. Artigo: Breves considerações sobre uma falácia denominada Livre-Arbítrio. p.3 84
  • 85. TESE DE ANTROPOLOGIA na nossa alma a ponto de separar a alma (intelecto, emoções e vontade), do espírito (intuição consciência e adoração), para que assim possamos discernir o espírito da alma. O espírito é a parte imaterial do homem que tem funções especificas e que leva o homem a se relacionar com Deus, revelando nele a Vida de Deus pela habitação do Espírito Santo em seu espírito, funções estas que trataremos mais adiante. O espírito à semelhança da alma, também sofreu mudanças depois da queda do homem. Descreverei agora estas mudanças traçando um paralelo do espírito antes e depois da queda. 2.7.1 Antes da queda. Quando Deus criou o espírito do homem, o criou com perfeita condição de ser habitado pelo Seu Espírito. O homem era habitado por Deus, e sendo assim era vivo espiritualmente, e as suas ações eram totalmente controladas por Ele. O Espírito de Deus levava o homem a ouvir perfeitamente a voz de Deus pela a intuição, a analisar e discernir perfeitamente pela consciência a voz que era ouvida através da intuição, e a adorar o Seu Criador verdadeiramente. Portanto, o espírito do homem antes da queda era perfeito e todas as suas funções trabalhavam em conjunto, em prol de um só objetivo: reconhecer e glorificar a Deus. 2.7.2 Depois da queda. Depois da queda, o espírito do homem deixou de ser habitado pelo Espírito Santo e perdeu toda a sua condição de perfeição. O homem que era vivo espiritualmente, passou a ser morto e todas as suas ações passaram a ser dominadas pela alma, que é poderosa e tendenciosa às coisas materiais. Depois da queda, todas as funções do espírito que trabalhavam em conjunto com o único propósito de reconhecer e glorificar a Deus, foram afetadas. 85
  • 86. TESE DE ANTROPOLOGIA A intuição deixou de receber as comunicações que vinham da parte de Deus. O homem deixou de escutar a voz perfeita de Deus pelo espírito e passou a escutar pela alma outros tipos de vozes que não procediam de Deus, mas do diabo. A consciência que analisava perfeitamente as comunicações que vinham de Deus, perdeu este poder, e passou a ser subjugada, e escondida pela alma que é poderosa, e como tenho dito, tendenciosa às coisas materiais. A adoração que era verdadeira passou a ser uma falsa adoração. A adoração não foi anulada, mas perdeu o seu foco principal que era Deus. O Espírito Santo que é o agente principal para a adoração deixou de agir no espírito do homem; e apartir daí o homem deixou de adorar a Deus verdadeiramente e passou a adorar a criatura em lugar do criador - Rm. 1:25. O espírito do homem foi afetado totalmente depois da queda, e os propósitos espirituais de Deus para o homem não eram mais os mesmos, pois o espírito do homem se tornou um espírito morto – Ef. 2:1, 5. 2.7.3 A nova natureza. Assim como a natureza adâmica é o elo entre a alma e o corpo, a nova natureza é o elo entre o espírito e o corpo glorificado. Somente os regenerados ou nascidos de novo possuem a nova natureza. O meio que Deus usa para outorgar a nova natureza ao homem é regenerá-lo pelo ministério do Espírito Santo, que vivifica a palavra na vida dos eleitos, e como conseqüência disto, crerão no Senhor Jesus Cristo e participarão da nova natureza ou natureza divina - 1 Pedro 1:4 “... para que por elas vos torneis co- participantes da natureza divina". 86
  • 87. TESE DE ANTROPOLOGIA Ao ler-se Jo. 3:5, percebe-se dois elementos diferentes e necessários para o novo nascimento: a ÁGUA e o ESPÍRITO. Visto que por se tratar de um nascimento espiritual, a palavra ESPÍRITO aqui se refere ao ESPÍRITO SANTO e a palavra ÁGUA a própria Palavra de Deus. Quem não nascer por meio destes dois elementos, não pode entrar no reino dos céus. Portanto, as palavras ÁGUA e ESPÍRITO são duas coisas e duas sementes diferentes, e que é preciso a união destas duas sementes para que a nova natureza seja gerada. A passagem de 1 Pedro 1:23 nos esclarece que, a palavra ÁGUA em Jo.3:5 se refere realmente a Palavra de Deus. Efésios 5:26 nos fala da palavra ÁGUA como um símbolo da Palavra de Deus. Então, é preciso que estas duas sementes se unam para que haja a regeneração, e com isto a nova natureza fará parte da vida do regenerado. A nova natureza que também é chamada de natureza divina, procede de Deus por meio da regeneração. Todo regenerado possui as duas naturezas e isto fará com que ele tenha uma luta interior muito grande (Rm. 7:14-24), visto que a velha natureza penderá para as obras da carne, e a nova natureza para os frutos do espírito. O crente nesta vida não esta livre totalmente do pecado, pois a velha natureza que também chamamos de natureza adâmica ainda não foi erradicada; isto não serve de desculpas para o pecado, pois o regenerado pode e deve andar no Espírito. Este procedimento alimentará a nova natureza que alcançara vitória sobre a velha, e isto gerará santificação e vitória na vida do crente. 2.7.4 Intuição. A intuição é a função do espírito do homem que recebe as informações espirituais; isto só é possível por meio da intuição, porque ela é uma função do espírito que está ligada ao que é espiritual. Ampliando mais a definição sobre a intuição uso aqui as palavras do Pr. Daniel C. Pauluci que diz: A intuição é a capacidade do ser de “ouvir” as vozes que não são ouvidas pelos ouvidos naturais; é a capacidade de ouvir as vozes espirituais, em que a nossa alma sem a ação do nosso espírito, jamais tomaria conhecimento através do intelecto. É pela intuição que podemos ouvir o “som” espiritual e imaterial; é pela INTUIÇÃO que podemos ouvir a voz de Deus, ou do 87
  • 88. TESE DE ANTROPOLOGIA Maligno; é pela intuição que recebemos as “informações” de um mundo espiritual. 73 Dificilmente acharemos referências claras na Bíblia com respeito a esta função do espírito, mas Atos 9:7 nos fala algo a respeito da intuição: Os seus companheiros de viagem pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo, ninguém. O contexto deste verso fala da conversão de Paulo. Uma leitura detalhada do texto juntamente com Atos 22:9, veremos que os companheiros de Paulo que estavam com ele naquela ocasião ouviram a voz que falava com Paulo, mas não conseguiram discerni-la espiritualmente, pois os companheiros de Paulo não eram regenerados, portanto faltava-lhes o atuar do Espírito Santo na sua intuição para que o tipo de voz fosse discernida. A Bíblia neste versículo deixa claro que o espírito do homem através da intuição pode receber informações espirituais diversas que a alma não pode receber. Podemos receber informações através da alma, mas estas serão informações conhecidas pelo intelecto que muitas vezes necessita de circunstâncias exteriores. Mas o nosso espírito não precisa de circunstâncias para receber ou escutar pela intuição alguma voz espiritual, isto fala de uma ligação direta com o que é espiritual através da intuição que esta em nosso espírito. Como relatado na definição acima, a intuição é o meio pelo qual o homem recebe informações espirituais; estas informações ou vozes podem vir tanto de Deus ou do Maligno, por isto é necessário à atuação do Espírito Santo no espírito do homem regenerado, para que haja um discernimento (através da consciência) da voz ouvida. João na sua primeira epístola, diz que todos os regenerados possuem a unção (1 Jo.2:20,27), unção esta que diz respeito à habitação do Espírito Santo em nosso espírito, que nos capacita a ouvirmos a voz de Deus através da intuição. 73 Pr. Daniel C.Pauluci. Apostila de Antropologia. IBM. p.28. 88
  • 89. TESE DE ANTROPOLOGIA Adão e sua mulher tinham esta função perfeita (antes da queda); o espírito era o meio pelo qual eles ouviam a voz de Deus que se comunicava com eles diariamente, revelando assim os seus propósitos. Em resumo: [...] “a INTUIÇÃO é a capacidade do Espírito do Homem de ouvir os sons espirituais ou imateriais, para que assim a CONSCIÊNCIA entre em ação para distingui-los”. 74 2.7.5 Consciência. A intuição é a responsável para receber ou escutar os sons espirituais. Enquanto a consciência é a responsável para discernir, perceber, analisar, distinguir entre o certo e o errado, assim como, diferenciar no terreno espiritual os sons que foram recebidos pela a intuição – podemos chamá-la de o intelecto espiritual. * A consciência e as suas funções. A consciência é a função mais fácil do espírito do homem de ser reconhecida. Como descrito na definição é a consciência que nos faz perceber e distinguir entre o certo ou errado, condenar as atitudes carnais e aprovar as espirituais também é uma função da consciência. Watchman Nee faz a seguinte declaração sobre a consciência: A consciência é responsável pelo discernimento. Ela é capaz de distinguir entre o certo e o errado. Isto não se dá, porém, pela influência do conhecimento acumulado na mente, mas por um julgamento espontâneo e direto. Freqüentemente o raciocínio procura justificar atos e atitudes que nossa consciência julga errados. O trabalha da consciência é independente e direto; ela não se curva às opiniões exteriores. Se alguém comete um erro, ela logo levanta a voz da acusação. 75 Olhando para a Bíblia temos alguns versos que nos ajudam a entender e a localizar a consciência. 74 Pr. Daniel C.Pauluci. Apostila de Antropologia. IBM. p.29. 75 Watchman Nee. O homem espiritual. vol.1. Ed. Candeia. p.40. 89
  • 90. TESE DE ANTROPOLOGIA Romanos 8:16 – O próprio Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Este testificar é realizado na consciência, que é uma função do espírito. Salmo 34:18 - Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. Estar oprimido de espírito tem um significado de percebermos que estamos errados, e esta função de percepção do erro é da consciência. A expressão espírito oprimido, significa que a consciência está localizada no espírito. 1 Corintios 5:3 – Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei... Paulo diz que em espírito já tinha sentenciado ou julgado uma pessoa pecaminosa. Sentenciar ou julgar é uma função da consciência, que é uma função do espírito. Nós estamos sujeitos a escutar vários tipos de sons ao mesmo tempo. Em meio a tantos sons escutados pela intuição, a consciência tem a função de esclarecer para os crentes quais são os sons que procedem de Deus. Para esclarecer este fato, uso mais uma vez o versículo de Romanos 8:16 que diz: O próprio Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Paulo aqui declara para os crentes da época que era possível ouvir a voz de Deus (através da intuição), e ter certeza (pela consciência) que Deus estava confirmando individualmente a filiação de cada um. Temos que ter sempre em mente, que sem o agir do Espírito Santo no espírito do homem, a consciência nunca será capaz de esclarecer os sons que procedem de Deus; este esclarecimento é um privilégio dos regenerados. Mesmo sendo um privilégio dos regenerados, existem aqueles que rejeitam este privilégio desfazendo da voz de Deus que foi revelada a eles pelo agir do Espírito Santo na sua consciência. O viver uma vida em pecado e subjugada pela alma, prejudica o agir do Espírito Santo em nossa consciência. Sendo assim, não conseguiremos entender qual a perfeita revelação da vontade de Deus para as nossas vidas. 90
  • 91. TESE DE ANTROPOLOGIA Em nossos primeiros pais, a consciência era perfeita e sensível aos sons que vinham de Deus; devido a isto o homem tinha o privilégio de saber perfeitamente qual era a revelação de Deus para as suas vidas. 2.7.6 Adoração. Este tópico terá por finalidade abordar especificamente a atuação do Espírito Santo no espírito do homem com referência a adoração, (sobre outros aspectos da adoração ver páginas 41-45). Existe grande dificuldade em saber qual o exato lugar da habitação do Espírito Santo no homem. É devido a esta habitação que podemos prestar a verdadeira adoração; portanto, é necessário termos bem defino em nossa mente que o Espírito Santo habita no espírito humano regenerado. A Bíblia declara em Jo. 3:6 a existência de dois espíritos diferentes, um o Espírito Santo de Deus e o outro o espírito humano; um outro texto que nos esclarece bem isto é Jo. 4:24 que diz: Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade;76 a palavra Espírito, com referência a Deus Pai aparece em maiúsculo indicando ser o Espírito Santo; a palavra espírito aparece em minúsculo indicando ser o espírito do homem. Isto indica que devemos adorar a Deus de acordo com a Sua essência – Deus é espírito e devemos adorá-Lo em nosso espírito. Romanos 8:16 diz que o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito; mais uma vez temos a indicação de dois espíritos diferentes, e o pronome nosso indica que a palavra espírito está se referindo ao espírito do homem. Em Romanos 8:9, 10 temos mais uma referência com respeito ao Espírito Santo e o espírito humano:... o Espírito de Deus habita em vós [...] mas o espírito é vida... e Romanos 1:9 Paulo declara que servia a Deus no seu espírito. Efésios 4:30 diz que fomos selados com o Espírito Santo, em outras palavras, o Espírito Santo está em nós, ou faz morada em nós. Esta morada é realizada em nosso espírito que é o lugar de habitação do Espírito Santo. Por estas passagens, temos bases sólidas para comprovar a existência do Espírito Santo assim como do espírito humano, e podemos perceber 76 Versão Revista e Corrigida – Terceira edição. 91
  • 92. TESE DE ANTROPOLOGIA que no caso dos regenerados os dois estão intimamente ligados. Inclusive, existe uma grande dificuldade de tradução com referência a palavra espírito, visto que em algumas passagens a palavra espírito pode ser traduzida com letra maiúscula ou com letra minúscula; podendo indicar tanto o Espírito Santo assim como o espírito humano. Isto se dá porque no caso dos regenerados o Espírito Santo e o espírito humano estão intimamente ligados, e nos ajuda a compreender que o lugar de habitação do Espírito Santo de Deus é no espírito humano. Para que haja uma verdadeira adoração é necessário que o Espírito Santo habite no espírito do homem, temos visto que esta habitação é uma realidade na vida dos regenerados; portanto é possível prestarmos uma verdadeira adoração. Mais uma vez a tipologia do tabernáculo nos ajuda a entender a habitação do Espírito Santo no espírito humano, que é o agente que nos capacita e nos leva a uma verdadeira adoração. Em 1 Corintios 3 o apóstolo Paulo nos diz que todos os regenerados são templos do Espírito Santo de Deus. A Bíblia nos fala do tabernáculo como o templo de Deus em boa parte do Antigo Testamento. O tabernáculo era dividido em três partes: o átrio exterior, o lugar santo e o santo dos santos. A Bíblia nos declara que Deus habitava no santo dos santos, lá estava a sua Glória Shekinah. No santo dos santos estava a arca da aliança que tipificava Cristo, por esta tipologia Cristo também estava no santo dos santos, assim como o Espírito Santo – pois a Bíblia declara que Deus é Espírito. Assim como no tabernáculo o Deus Triuno habitava no santo dos santos, Ele habita em nós hoje – Ef. 4:6; 2 Cor.13:5; Rm. 8:11. O lugar de habitação do Espírito é em nosso espírito que simboliza o santo dos santos (ver esquema a tipologia do tabernáculo e a tricotomia humana – pág. 113). A Adoração a Deus no tabernáculo só era possível, porque Deus se fazia presente no santo dos santos. Hoje a nossa adoração só é possível porque o Espírito Santo se faz presente em nosso espírito. Para adorar ao Senhor em espírito, é necessário que todas as funções do espírito estejam ativas na adoração, isto só é possível por meio do Espírito Santo que habita em nosso espírito. Adorar a Deus em espírito se refere à adoração que o Espírito Divino realiza dentro do espírito humano regenerado. O propósito de Deus em criar o homem foi para que este O adorasse verdadeiramente. Mas devido ao pecado, o homem está completamente fora dos padrões de Deus para a adoração, e tem sido levado a adorar de maneira errada 92
  • 93. TESE DE ANTROPOLOGIA (ver as características da falsa adoração nas páginas 45). Esta maneira errada de adorar tem sido realidade também no meio evangélico. Então, a fim de adorarmos de maneira correta, temos que reconhecer a insuficiência total de todas as coisas físicas, e a incapacidade total da carne, que são fatores que nos levam a adorar a Deus de maneira errada. Só uma pessoa na qual habita o Espírito Santo – um crente verdadeiro – pode adorar o Pai em espírito. Efésios 2:18 declara: porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. No poder e sob a direção do Espírito Santo que habita em nosso espírito podemos adorar a Deus verdadeiramente. 3 A provação e a tentação do homem. A palavra provação não tem o mesmo sentido de tentação, ainda que no original a palavra seja a mesma, elas se diferenciam pelas terminações e pelo contexto. Visto que o assunto agora envolve as duas áreas, mostro a diferença entre tentação e provação. Provação – Procede de Deus. Não tem como propósito induzir ao erro. O seu propósito: Aprovar-nos diante de Deus. Tentação – Procede de Satanás e não de Deus - Tiago diz: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Tem como propósito induzir ao erro ou ao pecado, para que sejamos derrotados ou desaprovados diante de Deus. Estas definições são suficientes para fazer a diferença entre a provação de Deus, e a tentação de Satanás com referência aos nossos primeiros pais. 3.1 A necessidade da prova. * Foi necessária para que o homem escolhe-se obedecer ao Seu Criador. 93
  • 94. TESE DE ANTROPOLOGIA O que chama a atenção é que Deus colocou o homem sob uma prova, prova esta que era não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão foi criado diretamente por Deus; isto indica que foi criado com uma santidade perfeita, mas não sem possibilidade de pecar. Adão tinha que escolher por sua vontade própria obedecer a Deus e não pecar, e devido a isto Deus o colocou sob uma prova. O propósito de Deus em provar o homem não foi com intensão de induzi-lo ao erro, pois este não é o propósito da provação. Deus queria provar a obediência do homem através da sua fidelidade a Ele. Deus criou o homem com a possibilidade de resistir à prova, se assim não fosse não o teria provado. No momento da prova toda personalidade de Adão estava sendo provada; ele era totalmente responsável pelo uso da mesma, até mesmo porque o trabalho do Espírito Santo não era acusá-lo de pecado, pois Adão não conhecia o pecado. O intuito de Deus em provar o homem, nunca foi levá-lo a pecar ou trazer algum mal para a sua vida, mas para que o homem através da sua personalidade neutra pudesse obedecê-Lo, e com isto o homem colheria bons resultados. Como disse o Dr. Shedd: Deus fez o homem com capacidade de escolha, para que através desta capacidade ele fosse merecedor de obter pela sua fidelidade a recompensa: uma liberação final e eterna da possibilidade de pecar 77 . O Dr. Donald D. Tuner diz que: “se Adão tivesse escolhido obedecer, o seu poder de não pecar, teria chegado a ser o não poder pecar” 78 . Este seria um dos resultados positivos para vida do homem se ele obedecesse a Deus por si próprio. Outros resultados positivos teriam acontecido, como por exemplo: os ministérios de Deus estendidos ao homem não teriam sido prejudicados. Portanto em Deus provar o homem, tinha um só propósito: fazer com que o homem O glorifica-se através da sua obediência. Isto levaria o homem a atingir maior bem para ele, para Deus e para o universo. 3.2 O tentador. 77 Donald D. Turner. A Doutrina dos anjos e do homem. Ed. Batista Regular. p. 275. 78 Donald D. Turner. A Doutrina dos anjos e do homem. Ed. Batista Regular. p. 275. 94
  • 95. TESE DE ANTROPOLOGIA Considerarei agora o tentador, isto é, Satanás. A intenção não é fazer uma análise pormenorizada da pessoa de Satanás, mas mostrar algumas das suas características e intenções. A) A Bíblia o chama de querubim ungido. Querubins existem vários, mas só um é ungido – Lúcifer que veio se tornar Diabo ou Satanás. A Bíblia diz que ele possui um reino (principados e potestades) – Ef. 6:11,12. E por possuir um reino, ele possuí também um trono, de onde governa. B) A sua obra é tríplice: matar, roubar e destruir – João 10:10. Ezequiel 28:12-15 nos fala deste ser como o Sinete da perfeição ou Aferidor da medida, isto significa a obra máxima da perfeição, cheio de sabedoria e completo em formosura. D) A Bíblia diz: que ele tem poder para se transformar em anjo de luz – 2 Cor. 11:14; que ele é astuto (esperto, aquele que engana) - 2 Cor.11:14. E) É chamado de dragão em Apocalipse 12:4. O dragão possui: 1. Asas de águia - agilidade na ação; 2. Pata de leão - força e poder na ação; 3.Cauda de serpente- Sagacidade na ação. F) Satanás apareceu em cena humana como uma criatura maligna, espiritual e caída em pecado. A Bíblia no Novo Testamento fala por duas vezes que foi ele quem tentou os nossos primeiros pais, e por duas vezes a serpente é indicada como Satanás – 2 Coríntios 11:3; 1 Timóteo 2:14; Apocalipse 12:9; 20:2. Isto comprova que os acontecimentos do livro de Gênesis com respeito a Satanás, Adão, Eva e o pecado não são alegóricos e nem fictícios. G) O seu nome significa adversário, ele se opõe contra todo o propósito de Deus – é o Seu arqui-inimigo. E por isto ele tentou Adão e Eva; tinha como propósito alistá-los no seu reino desleal, fazendo com que Adão e Eva desobedecessem a Deus. Com esta atitude, Satanás estava se opondo contra os propósitos de Deus para com a humanidade. 95
  • 96. TESE DE ANTROPOLOGIA H) No relato de Gênesis, jamais Satanás quis o bem para Adão e Eva, tentando mostrar para eles que Deus os tratava com injustiça por haver-lhes proibido de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Satanás é astuto e pai da mentira – Jo. 8:44. Satanás estava enganando, foi sutil, maligno e astuto em tudo quanto fez com Adão e Eva. 3.3 A tentação. Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu – Gn. 3: 1-6. O texto citado acima, relata a tentação dos nossos primeiros pais. A tentação lançada sobre a mulher por Satanás (a serpente) tinha como objetivo levá- la a pecar através da desobediência. Com esta intenção, Satanás deu alguns passos: * O primeiro passo foi usar do corpo de uma serpente com o intuito de enganar a mulher. A serpente antes da queda era um animal brilhante, que chamava a atenção, e não era um réptil repugnante como hoje em dia. * O segundo passo foi tentar confundir a mulher com respeito à Palavra que Deus havia dito – Gn. 3:1. Satanás neste versículo mudou a Palavra de Deus, acrescentando-lhe algo, oferecendo a mulher poderes que não estavam ao seu alcance. 96
  • 97. TESE DE ANTROPOLOGIA * O terceiro passo foi negar a veracidade da Palavra de Deus, dizendo: Certamente não morrereis – Gn. 3:4. Com o intuito de justificar a sua afirmação contrária a de Deus, Satanás interpretou erroneamente a intenção de Deus no Seu mandamento – Gn. 3:5. Deus havia dado uma ordem ao homem que consistia em não comer do fruto de uma determinada árvore. O simples contato com a árvore não seria pecado, mas sim o comer do fruto da mesma. Adão como sacerdote foi o responsável para transmitir a ordem de Deus a sua mulher, isto pode ter sido o motivo que levou Satanás a tentar primeiro a mulher. O fato de o pecado ter sido consumando, não indica que a mulher estava isenta de conhecimentos acerca de Deus. Antes da queda a mulher tinha o espírito vivo, onde o Espírito Santo de Deus agia, possibilitando-a reconhecer a ordem dada por Deus. Com o seu coração confuso por ocasião da tentação, a mulher deixou de lado a Palavra de Deus, e passou a pensar em uma vida independente de Deus. A partir deste momento faltava só a consumação do ato. Em Gn. 3:6 diz que ela comeu do fruto e ainda deu a seu marido para que ele também comesse; neste momento foi consumado o primeiro pecado da humanidade. Assim como a mulher pecou porque quis pecar, com Adão não foi diferente. Adão foi receptor direto da Palavra de Deus; devido a isto a sua desobediência foi indesculpável, ele pecou deliberadamente. Foi devido à desobediência de Adão que a raça humana se encontra em pecado. O pecado foi consumado por um ato que transgrediu o mandamento divino; este ato teve a sua raiz na desobediência (do homem e da mulher) no tocante a Deus e a sua Palavra. Como conseqüência da desobediência, o homem foi tomado por um sentimento muito grande de orgulho e egoísmo, que são sentimentos contrários à pessoa de Deus. 4 A queda do homem e a suas conseqüências. Vários textos da palavra de Deus falam da humanidade como uma raça perdida, caída em pecado e que necessita de resgate – Lucas19: 10; João. 1:29; João.8;7; João.8:21; Romanos 3:23; 5:12; 1 Pedro 1:18; 1João 3:8. 97
  • 98. TESE DE ANTROPOLOGIA 4.1 A sua realidade. O relato de Gênesis 3:6-24 nos fala da realidade da queda do homem. Antes da queda, todo o ser do homem inclinava-se para fazer a vontade de Deus. Toda esta condição mudou quando Eva deu ouvidos à voz de Satanás, ultrapassando os limites dados por Deus ao homem. Portanto, o pecado do homem foi um desejo do seu coração. O homem preferiu satisfazer os desejos da alma, a satisfazer os desejos de Deus. O pecado não se tornou real na humanidade, até que o casal provasse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal; sendo assim, o pecado só foi consumado na sua totalidade, quando Adão também provou do fruto. Devido a este fato a Bíblia acusa Adão como responsável pela a entrada do pecado no mundo – 1 Corintios 15:22; Romanos 5:12-14. É inútil dogmatizar uma posição sobre qual teria sido o resultado se Adão não tivesse provado do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O fato é que Adão provou do fruto assim como Eva, e por serem representantes da humanidade, o pecado foi imputado e transmitido a toda raça humana. Devido à realidade do pecado, Deus terminou com a dispensação da inocência, onde o homem foi colocado em um ambiente perfeito, sujeito a uma lei simples, e advertido das conseqüências da desobediência. Ambos caíram porque desobedeceram, a mulher motivada pelo orgulho e o homem (Adão) deliberadamente. A finalidade era provar a fidelidade do homem; mas o homem falhou nesta primeira dispensação desobedecendo a Palavra de Deus. No momento da queda, toda raça humana foi afetada pelo pecado e destinada a um só caminho: a morte eterna. 4.2 Porque Deus permitiu. Sabemos que o pecado teve origem na pessoa de Satanás quando o mesmo manifestou os seus maus desígnios – Is. 14:13,14. Antes disto o pecado ainda não tinha se revelado no universo e nem na humanidade. O Pr. Artêmio L. Pauluci nos dá sete motivos porque Deus permitiu a entrada do pecado no mundo, assim como na humanidade: 98
  • 99. TESE DE ANTROPOLOGIA 1- Porque o Homem Possui a Capacidade Moral de Escolher. 2- Porque o Valor de uma Alma Remida é Muito Maior do que o Valor de uma Alma que Rejeita a Redenção. 3- Porque era Necessário o Homem Aprender a Obediência. 4- Por Causa dos Anjos. 5- Para que Deus Pudesse Revelar o Seu Ódio Contra o Pecado. 6- Para que Houvesse um Julgamento Completo Sobre Todo o Mal. 7- Para que Houvesse uma Revelação da Graça de Deus. 79 Foram citados alguns motivos porque Deus permitiu a entrada do pecado na humanidade. Através da entrada do pecado, Deus manifestou alguns dos Seus atributos, mas Deus não precisava do pecado para esta manifestação, o fato é que: o homem seria conhecedor dos atributos de Deus de uma outra maneira, mas agora, os conhecemos através da entrada do pecado. Assim o homem passou a ser conhecedor do amor, da graça e de tantos outros atributos de Deus. Não foi da vontade de Deus que o homem pecasse para que este experimentasse os seus atributos, se assim fosse Deus estaria concordando com a entrada do pecado na raça humana, e todo o relato Bíblico que proibia o homem comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal teria sido uma mentira, e como diz o Dr.Turner: “até mesmo a morte de Cristo na cruz do calvário teria sido um sacrifício cruel desnecessário 80 ”. O fato é que a mente limitada nunca poderá entender os propósitos de Deus, mas a realidade é que tudo o que Deus faz tem um propósito, e até mesmo os propósitos de Deus tem sido realizados com a entrada do pecado na humanidade. O Pr. Paulo C.Guiley afirma: Porém há motivos que a mente pura pode reconhecer agora. Se o coração estiver inclinado a conceber a Deus todos os direitos da sua divindade, reconheceremos que tudo o que Deus faz ou permite é sempre justo, certo, e para o maior bem dos homens e a maior glória do Seu nome. 81 Assim como Deus permitiu a entrada do pecado na humanidade, haverá um dia que Ele eliminará de vez o pecado, cumprindo mais uma vez o Seu propósito e revelando a Sua Soberania. 4.3 As suas conseqüências. 79 Pr. Artêmio L. Pauluci. Apostila de Hamartiologia. I.B.M. p.14, 15,16. 80 Donald D. Turner. A Doutrina dos anjos e do homem. Ed. Batista Regular. p. 292. 81 Paulo C.Guiley. A doutrina do pecado e da salvação. p.33. 99
  • 100. TESE DE ANTROPOLOGIA A queda do homem trouxe conseqüências desastrosas para a sua vida, dentre estas conseqüências quero destacar as seguintes: o relacionamento com Deus afetado, o próprio homem afetado e a primeira dispensação afetada. 4.3.1 O relacionamento com Deus foi afetado. Lemos em Gênesis 3:7-9, que Deus mantinha comunhão perfeita com o homem antes da queda, e que depois da queda esta comunhão foi quebrada e o homem temeu em ficar na presença do Senhor. Se não fosse por causa do pecado, o homem teria ainda hoje um relacionamento perfeito para com Deus. O próprio homem que pecou contra Deus desobedecendo a sua ordem também foi responsável por quebrar o seu relacionamento. É interessante notarmos no texto que o homem assim como a mulher, não se esconderam um do outro, mas se esconderam de Deus, indicando que eles estavam cientes do pecado que cometeram contra o Seu Criador. Os primeiros efeitos do pecado começaram a manifestar-se na vida do homem. Com a sua justiça própria tentaram enganar a Deus fazendo vestimentas com suas próprias mãos, vestimentas estas que não puderam mudar a justiça divina. Com a queda, os seus olhos foram abertos, e com isto perceberam que algo foi mudado; eram indignos diante do Senhor, e mesmo com as suas vestimentas, nada pôde ser mudado e o seu relacionamento para com Deus tinha sido para sempre afetado. Este pecado cometido levou Deus a tratar o homem de maneira diferente; isto não quer dizer que Deus mudou, mas que Deus passou a enxergá-los como pessoas desobedientes, pessoas estas que tinham quebrado a aliança uma vez estabelecida. Devido à desobediência; o homem foi expulso do jardim que Deus havia criado, e com isto o homem perdeu todas as suas regalias, inclusive do relacionamento espiritual e perfeito que tinha com o Senhor. A quebra deste relacionamento espiritual consiste na morte espiritual, uma separação eterna da vida que é Deus, e com isto o homem passou agora a precisar de uma regeneração espiritual. 100
  • 101. TESE DE ANTROPOLOGIA Tudo que envolve o relacionamento para com Deus foi perdido em conseqüência da queda. E a maior perca foi a da comunhão espiritual que o homem tinha com Deus. 4.3.2 O próprio homem foi afetado. * Com relação a sua santidade. O homem quando foi criado por Deus foi criado em uma posição de santidade, e com a queda no pecado perdeu esta posição. Isto é provado porque o seu ato de pecado tornou-se normal. O homem sentiu culpa, mas não expressou qualquer sentimento de arrependimento, de confissão de pecado ou até mesmo de contrição espiritual. O homem perdeu o senso de santidade, pois não queria converter-se do pecado cometido sob a influência de Satanás, toda a sua personalidade estava voltada para eles e para o tentador, de modo que não foi expresso nenhum sentimento de tristeza por haverem desobedecido e pecado contra Deus. O sentimento de santidade deve permear toda a vida de um filho de Deus, e levá-lo a declarar as mesmas palavras de Pedro ao se deparar com o Senhor depois de haver pecado contra Ele: ...tu sabes que eu te amo - João 21:17. Portanto, não vemos este sentimento na vida dos nossos primeiros pais depois da queda, isto indica a perca do senso de santidade e do desejo de agradar o Seu criador. * Com relação à sua personalidade. Uma outra realidade é que com a queda, a personalidade do homem foi afetada na sua totalidade; podemos perceber isto, porque o seu intelecto analisou positivamente os fatos ocorridos; com isto o homem não tomou os passos corretos para com Deus depois da queda. Devido a sua personalidade ter sido totalmente afetada por ocasião da queda, tudo que o homem faz, não satisfaz o Seu Criador; isto se denomina: depravação total. O homem é totalmente incapaz de agradar a Deus através da sua personalidade, porque esta foi totalmente corrompida pelo pecado. 101
  • 102. TESE DE ANTROPOLOGIA * Com relação ao seu modo de vida. Esta é uma outra conseqüência da queda do homem que está relatada nas Escrituras em Gênesis 3: 17-19. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes a terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. A Palavra de Deus declara que toda a vida do homem, assim como o ambiente em que vivia sofreram mudanças em conseqüência da queda, assim como toda a sua alimentação que antes da queda o homem a tinha facilmente, depois da queda se tornou difícil de ser adquirida. As frutas, legumes e cereais que eram perfeitos e que faziam parte da sua alimentação, passaram a possuir espinhos e abrolhos; as árvores passaram a gerar frutos mirrados e doentes, e os cereais foram infestados de parasitas. O principal trabalho da mulher que estava restringido ao seu lar, e particularmente no papel de gerar filhos, se tornou difícil e doloroso. No caso do homem, o seu trabalho era no campo e em conseqüência da queda este trabalho também foi dificultado. O homem passou a trabalhar muito e produzir pouco, e isso com muito esforço e sofrimento, indicando o julgamento divino sobre o homem e que o pecado sempre produziu e sempre produzirá dificuldades na vida do homem, e no ambiente em que ele se relaciona. Em Is. 11:6-9, 35:1-10; 65:25; e Oséias 2;8, temos as características do mundo quando este for renovado por Deus . Estas características podem indicar que o ambiente em que o homem vivia antes da queda, era um ambiente totalmente perfeito, que foi desestabilizado e infectado pelo pecado por ocasião da queda. O apóstolo Paulo em Romanos capítulo oito, fala das conseqüências que foram causadas na natureza, ou até mesmo no ambiente de vida da humanidade por ocasião da queda. 5 O estado eterno do homem. 102
  • 103. TESE DE ANTROPOLOGIA A Bíblia é clara em afirmar a perdição eterna, assim como a vida eterna. Dois caminhos após a morte estão destinados aos homens, que por um deles caminhará. Jesus certa feita declarou que existia um fogo que jamais poderia ser apagado (Mr. 9:46-49), referindo-se ao lugar de habitação eterna dos incrédulos. Jesus também disse que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância (Jo. 10:10), referindo-se a vida eterna que espera os regenerados; em uma outra passagem declarou que Ele mesmo iria preparar lugar para eles, e que voltaria para busca-los (Jo.14:1-3). Portanto, por mais que o homem não entenda, está confirmado por estas declarações Bíblicas a existência de dois lugares de habitação eterna, um para os regenerados e outro para os incrédulos. 5.1 Do homem condenado: O lago de fogo. As passagens que falam do estado eterno dos ímpios após a morte não são tão numerosas quanto as que encontramos a respeito do estado eterno dos justos. Porém, as que encontramos são suficientes para nos provar a existência de um lugar onde os ímpios passarão toda a sua eternidade: o lago de fogo – Ap. 19:20; 20:10,14,15; 21:8. O termo mais comum para mostrar o estado eterno do homem condenado sugere uma localidade, e não apenas um estado – Ap. 20:13-15. O conceito de um lugar eterno de punição vem da palavra Hebraica ge hinnon (vale de Hinnon) e da sua correlata gehenna no grego. O vale de Hinnon está ligado a um lugar situado próximo de Jerusalém, onde os pagãos sacrificavam os seus filhos ao deus Moloque. Este lugar depois passou a ser o lugar onde todas as impurezas da cidade eram jogadas e queimadas em um fogo que nunca se apagava. Assim este termo gehenna que é traduzido por inferno algumas vezes no Novo Testamento, passou a ser um símbolo do juízo divino e do lugar de habitação eterna dos incrédulos - o lago de fogo; que de acordo com Eliseu Pereira Lopes “é o inferno definitivo e eterno” 82 (Ap.20:11-15). 82 Eliseu Pereira Lopes. O que virá após o arrebatamento. Ed. Associação Religiosa Imprensa da Fé. p.79. 103
  • 104. TESE DE ANTROPOLOGIA Além destas passagens já citadas, que nos comprovam um lugar de habitação eterna para os incrédulos, o texto de Efésios 3:21 no seu original nos fala da palavra aion com respeito a expressão aion dos aions, que pode ser traduzida da seguinte forma: era das eras, ou séculos dos séculos. Esta mesma palavra é usada tanto para indicar o fogo eterno (Mt. 25:41,46; 2 Ts. 1:9) que está destinado aos incrédulos (ou ambas moradas eternas (Mt.19:16,29; Lc.16:9; Jo.3:15,16), como para indicar a eternidade de Deus (Rm. 16:25,26; Hb.9:14). Muitos têm lutado contra esta doutrina do estado eterno do homem condenado, porque não conseguem conciliar como um Deus Santo pode permitir que muitas almas (pessoas) vivam eternamente em um lugar de sofrimento. O fato é que Deus nunca mandou e nem mandará almas para sofrerem eternamente. Deus apenas passa de largo deixando com que estas almas que seguiram Satanás tenham o lugar que mereçam por haverem todos desobedecidos em Adão; o homem é totalmente responsável para escolher a sua habitação eterna, crendo ou não no Senhor e Salvador Jesus Cristo. Através da Bíblia, podemos ter conhecimento do lugar eterno que aguarda os incrédulos. Isto traz aspectos positivos para a vida dos regenerados, e um destes aspectos é que: só em pensar que não estaremos neste lugar de sofrimento, o sentimento que deve tomar conta das nossas vidas deve ser de gratidão para com o nosso Salvador, e de amor para com as almas perdidas. Um outro aspecto é declarado pelo Dr. Donaldo D. Turner: Pode ser que assim servirá, durante os séculos, para assegurar os salvos que o mal está derrotado e subjugado, de maneira que jamais poderá levantar a cabeça outra vez. Se fosse aniquilado, talvez houvesse temor de que toda a triste história se repetir-se de novo. O lago de fogo eterno será um testemunho constante de que só a santidade há de imperar no reino eterno de Deus, porque a única coisa que produz resultado duradouro da bem-aventurança. 83 5.1.1 A natureza do sofrimento. 83 Dr. Donaldo D. Turner. Doutrinas das Últimas Coisas. Ed. Imprensa Batista Regular. p. 296. 104
  • 105. TESE DE ANTROPOLOGIA A) Haverá uma Ausência total da verdadeira felicidade que procede de Deus. Hoje as pessoas incrédulas enfrentam nesta vida diversas decepções e tristezas em diversas áreas, e às vezes colocam estas dores e tristezas como sinônimos de sofrimento eterno, porque crêem que o homem sofrerá eternamente aqui nesta terra. Mas, nenhuma destas se comparam aos sofrimentos causados pelo lago de fogo; que é a negação de todo bem e felicidade que as pessoas procuram. A morte espiritual é a separação eterna da vida que é Deus, e de toda boa dádiva e de todo o dom perfeito – Tg. 1:17. No lago de fogo, nenhuma dificuldade, ansiedade e tristeza serão satisfeitas, justamente porque Deus estará ausente. Até mesmo a graça comum que os ímpios recebem não estará mais ao alcance dos mesmos, porque o lago de fogo é um lugar de ausência total da vida que é Deus, e da verdadeira felicidade que procede de Deus. B) Haverá verdadeiro sofrimento espiritual. O lago de fogo é um lugar de castigo eterno para os ímpios, onde toda natureza espiritual (alma e espírito) do homem estará presente em pleno exercício. Tomando como base o texto de Lucas (Lc. 16:22-31) que descreve um lugar de sofrimento para os ímpios, pode se perceber claramente que os poderes da alma e as funções do espírito estão ativos: à vontade – quando rico manifestou o desejo que os seus parentes soubecem da realidade do lugar que ele estava; a emoção – estava em tormento; a consciência – sabia o lugar que estava, sua consciência estava atormentada e tinha discernimento da voz que lhe falava. Assim será também no lago de fogo (o inferno definitivo e eterno), tanto o espírito como a alma sofrerão eternamente. Estes sofrimentos mostram a ira divina contra toda a impiedade e injustiça dos homens na sua maior expressão final – Rm. 1:18; 2:5. 5.1.2 O corpo de sofrimento. 105
  • 106. TESE DE ANTROPOLOGIA Quanto à qualidade do corpo dos ímpios, não temos muitas revelações; o que sabemos é que os seus corpos ressuscitarão para a condenação. O corpo dos ímpios será totalmente diferente do corpo glorificado dos regenerados. Este corpo ressuscitado dos ímpios será um corpo adequado e condenado para o sofrimento eterno – 2 Ts. 1:9. Se assim não fosse, estes corpos naturais não suportariam o tamanho do castigo sobre eles, em um lugar de sofrimento onde a natureza satânica fará o elo entre a parte imaterial e o corpo físico do homem condenado. 5.2 Do homem salvo: O céu. A posição das igrejas reformadas é de que a parte imaterial dos crentes, imediatamente após a morte, entra nas glórias dos céus. Esta posição está embasada grandemente nas Escrituras. No último século alguns teólogos reformados calvinistas assumiram a posição de que os crentes, ao morrerem, entram num lugar intermediário e ali permanecem até o dia da ressurreição. Este não é um pensamento correto, pois a Bíblia ensina que a parte imaterial do crente, quando é separada do corpo, entra imediatamente na presença de Cristo. Paulo declara em II Cor. 5:8: Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. A Bíblia se refere ao céu de algumas maneiras: A) Parte do universo (Gn. 1:1) – Refere-se a atmosfera imediatamente acima da terra (Gn.1:20), ao firmamento onde o sol, a lua e as estrelas estão localizados (Gn1:17). b) Habitação de Deus (Dt. 26:15; Sl.2:4) – O sentido mais significativo da palavra céu é ser ele a habitação de Deus. c) Tabernáculo (Hb. 9:24; Ap.21:3), jardim (Ap.22:1-5), pátria e cidade – isto porque o céu é o lugar de eterna habitação dos salvos em Jesus Cristo. Todos os salvos são estrangeiros e peregrinos aqui nesta terra (2 Pedro 2:11), em rumo de uma pátria que está nos céus – Fl.3:20; Hb.11:13-16. No 106
  • 107. TESE DE ANTROPOLOGIA céu está a cidade ou morada de todos os regenerados; a cidade da Nova Jerusalém (Ap.21:2), o lugar de eterna permanência (Hb.13:14). O céu ao contrário do lugar de sofrimento dos incrédulos é um lugar de eterna felicidade dos regenerados. Felicidade esta que é comprovada pelo estilo de vida que os regenerados terão no céu. 5.2.1 Sua vida após a morte. A) Será uma vida totalmente livre do pecado. Esta é uma característica que irá dominar o estilo de vida dos regenerados no céu, haverá santidade completa. A ausência da natureza adâmica será real, pois terá sido erradicada. Todo pecado será banido, assim como todas as suas conseqüências. B) Será uma vida de perfeita e ampla comunhão com Deus. Os pecados ainda existentes nesta vida, assim como as limitações, impedem que haja uma perfeita e ampla comunhão do homem regenerado para com Deus. Isto não ocorrerá no céu, pois a comunhão dos regenerados será ampla e perfeita, e a melhor expressão Bíblica que descreve esta comunhão é: contemplarão a sua a face (Ap.22:4). Portanto, a comunhão no céu será indescritível e incomensurável. C) Será uma vida isenta do mal. No céu não haverá tristeza, doenças e a morte (Is. 25:8; Ap.7:17; 21:4). A vida totalmente livre do pecado implica em uma total transcendência sobre todas as formas do mal – Ap.22:3. D) Será uma vida voltada para o serviço constante a Deus. 107
  • 108. TESE DE ANTROPOLOGIA Esta é uma realidade da vida dos regenerados no céu, serviremos a Deus continuamente (Ap.22:3). Não sabemos o que os regenerados farão realmente no céu, mas sabemos que o louvor e a adoração farão parte deste servir (Ap.5:9; 12:10; 14:3). J.K. Grider diz que: “Haverá atividades no céu a ocupar as faculdades mais nobres dos homens”. Entre outras coisas haverá ministérios governamentais. 84 Portanto, serviremos ao Senhor continuamente nas mais diversas formas. 5.2.2 O corpo glorificado. As minhas considerações estarão limitadas dentro do assunto referido – o corpo glorificado, e não do arrebatamento da igreja. Para todos os regenerados haverá um dia onde todos serão transformados (1 Cor. 15:52, 53; 1 Ts. 4:13-17). Por ocasião desta transformação todos os salvos terão um novo corpo. Este corpo será semelhante ao de Cristo quando Ele ressuscitou (1Ts. 3:20,21; 1 Jo.3:2), incorruptível, não sujeito às leis naturais deste mundo. Este corpo não terá sangue, será capaz de transladar-se de um ponto para o outro, de atravessar barreiras materiais, de fazer-se visível ou invisível para os olhos humanos e não terá mais a capacidade de reprodução; isto indica que pertence a uma outra esfera de existência – 1 Corintios 15:35-50. O corpo ressuscitado será um corpo glorificado, adequado para habitar eternamente o lugar que Deus preparou para os regenerados - o céu. É necessário que haja esta transformação, porque o corpo natural ou corruptível jamais suportaria a manifestação total da natureza divina, que é a natureza que fará o elo entre a parte imaterial e o corpo físico do homem regenerado – neste caso o corpo glorificado. 84 Céu, Enciclopédia Histórico-Teologica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova – 1990. V.1. p.273. 108
  • 109. TESE DE ANTROPOLOGIA Conclusão A) Evolução e criação. A evolução na sua totalidade cai por terra quando analisada detalhadamente à luz das Escrituras Sagradas, com isto se conclui que a evolução não passa de uma teoria formulada por homens, que tem como objetivo tirar a Glória de Deus. Ao contrário da evolução, o criacionismo é comprovado pela Bíblia, pela a arqueologia e pela geologia. Isto deve nos levar a crer na criação Bíblica e não na evolução. 109
  • 110. TESE DE ANTROPOLOGIA B) A criação do homem. A Bíblia é clara em declarar que o homem foi criado diretamente por Deus, com o propósito de glorificá-Lo. Deus criou o homem a sua imagem (possuindo corpo, alma e espírito) e semelhança (possuindo intelecto, emoções e vontade). O homem foi criado um ser totalmente perfeito, e veio perder esta perfeição no momento da queda; toda a sua natureza imaterial, assim como o seu corpo físico foram afetados pelo pecado, trazendo assim conseqüências ao homem. C) A provação e a tentação do homem. O homem precisaria escolher obedecer ao Seu Criador, por isto a necessidade da provação, Deus ao provar o homem não tinha como propósito fazer com que este pecasse, mas sim leva-lo a obedecer através da sua capacidade de escolha. Este intuito de conduzir o homem ao pecado procedeu da serpente (Satanás), que deu alguns passos para a concretização do seu intuito. D) A queda do homem. A queda do homem se tornou real para a humanidade quando Adão desobedeceu a Deus provando do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, portanto o pecado foi transmitido à humanidade a partir deste ato de Adão. Deus tinha propósitos quando permitiu que o homem pecasse (isto não significa que Deus concorda com o pecado), Deus é Soberano e Ele sabe o que faz. Além do corpo, da alma e do espírito que foram afetados pelo pecado, outras conseqüências drásticas sobrevieram ao homem, como por exemplo: seu relacionamento com Deus foi afetado, o próprio homem foi afetado – sua santidade, sua personalidade e o seu modo de vida. 110
  • 111. TESE DE ANTROPOLOGIA E) O estado eterno do homem. Todo homem, seja ele salvo ou condenado, irá viver eternamente. O homem condenado irá para o lago de fogo, lugar este onde o homem estará para sempre longe da verdadeira felicidade, onde toda a sua natureza imaterial sofrerá. O homem salvo ou regenerado, com um corpo glorificado viverá eternamente no céu, onde terá uma vida totalmente livre do pecado, uma comunhão perfeita com Deus, uma vida isenta de todo tipo de mal onde viverá para sempre servindo ao Seu Criador. 111
  • 112. TESE DE ANTROPOLOGIA 112
  • 113. TESE DE ANTROPOLOGIA 113
  • 114. TESE DE ANTROPOLOGIA BIBLIOGRAFIA 1 - A.B. Langston – Esboço de teologia sistemática. Ed. Casa Publicadora Batista. 2 - Artémio L. Pauluci – Artigo: Breves considerações sobre uma falácia denominada livre-arbítrio. 3 - Artémio L. Pauluci – Apostila de hamartiologia. Instituto Bíblico Maranata. 4 - Bíblia de estudo – N.V.I. Ed. Vida. 5 - Bíblia de estudo Plenitude – Ed. Sociedade Bíblica do Brasil. 6 - Barsa cd. volume 1.11. 7 - R.N. Champlin – Dicionário do Antigo Testamento. Ed. Hagnos. 8 - R. N. Champlin – O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Ed. Hagnos. 9 - R.N. Champlin – O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Ed. Hagnos. 10 - Charles Hodge – Teologia Sistemática. Ed. Hagnos. 11 - Comentários de Dorival veraz de Carvalho – Internet. 12 - Comentários do Professor Roberto Cezar de Azevedo – Internet. 13 - Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. 1.0. 14 - Daniel C. Pauluci – Apostila de antropologia – Instituto Bíblico Maranata. 15 - Donald D. Tuner – A doutrina dos anjos e do homem. Ed. Imprensa Batista Regular. 16 – Enciclopédia Histórico - Teológica da Igreja Cristã – São Paulo: Vida Nova – 1990. 17 - Gleason Archer – Enciclopédia de Temas Bíblicos. Ed. Vida. 18 - Gleasom L. Archer, Jr. Bruce K. Waltke – Dicionário Internacional de teologia do 19 - Antigo Testamento. Ed. Vida Nova. 20 - Igreja Batista de Catanduva – Textos da Reforma. 21 - Jean Flori, Henri Rasolofomasoandro – Em busca das origens. Ed. Editorial Safeliz. 22 - J.D.Douglas – Dicionário da Bíblia. Ed. Vida Nova. 23 - Lucian Benigno – Biblical @ archacologist. com. O dilúvio. 24 - Lewis Sperry Chafer – Teologia Sistemática. Ed. Hagnos. 25 - Merril F. Unger – Arqueologia do Velho Testamento. Ed. Imprensa Batista Regular. 114
  • 115. TESE DE ANTROPOLOGIA 26 - Millard J. Erickson – Introdução a Teologia Sistemática. Ed. Imprensa Batista Regular. 27 - Myer Pearlman – Conhecendo as Doutrinas Bíblicas. Ed. Vida. 28 - Messias Anacleto Rosa – Do púlpito, volume 1. 29 - Paulo C. Guiley – A doutrina do Pecado e da Salvação. Instituto Bíblico Maranata. 30 - Ritchie – Comentário Bíblico do Novo Testamento. Ed. Edições Cristãs. Volume14. 31 - Watchman Nee – O homem espiritual. Ed. Candeia. Volume 1. 32 - Wayne Grudem – Teologia Sistemática. Ed. Vida Nova. 33 - Zacarias de Aguiar Severa – Manual de Teologia Sistemática. Ed. A.D. Santos. 34 - Versão usada: Almeida Revista e Atualizada – Bíblia On Line 3.0. Fontes fonográficas. 1 - Pr. Artémio L. Pauluci. 2 - Pr Daniel C. Pauluci. 115

×