Artigo acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes

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Artigo acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes

  1. 1. ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO EM PACIENTES HIPERTENSOS DE MUITO ALTO RISCO artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... PHARMACEUTICAL CARE IN HYPERTENSIVE PATIENTS WITH VERY HIGH CARDIOVASCULAR RISK DANIELE DE PAULA FARIA 1 , PAULA ROSSIGNOLI 2, CASSYANO J CORRER 3, RODRIGO A.P.SOUZA 4 1 Farmacêutica da Farmácia Escola – Universidade Positivo, Farmacêutica pela Universidade Positivo. 2 Professora do Curso de Farmácia – Universidade Positivo, Mestre em Ciências Farmacêuticas – UFPR. 3 Mestre em Ciências Farmacêuticas – UFPR, Professor do Curso de Farmácia – UFPR. 4 Mestre em Ciências Farmacêuticas – UFPR, Farmacêutico da Farmácia Escola – Universidade Positivo. RESUMO Pacientes hipertensos de muito alto risco cardiovascular necessitam de um controle rigoroso da pressão arterial. O acompanhamento farmacoterapêutico vem colaborar na busca de efetividade e segurança do tratamento. O presente trabalho teve por objetivo avaliar o efeito do acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos de muito alto risco cardio- vascular. O estudo foi do tipo prospectivo com análise antes e depois do acompanhamento farmacoterapêutico. Participaram da pesquisa 29 pacientes da Unidade de Saúde Jardim Ga- bineto classificados como hipertensos de muito alto risco cardiovascular, durante um período de 6 meses. A obesidade estava presente em 39,3% dos pacientes e diabetes em 31%. Foi encontrada uma média de 1,62 Problema Relacionado com Medicamento, por paciente, sendo que os PRM de efetividade corresponderam a 75,9% dos casos. Das intervenções realizadas, 31 77,5% foram verbais ao paciente. Os valores de pressão arterial apresentaram ligeira diminui- ção ao longo dos 6 meses. O acompanhamento farmacoterapêutico em hipertensos de muito alto risco mostrou-se eficiente na detecção e resolução de PRM, porém o tempo de 6 meses foi insuficiente para obtenção de dados conclusivos a respeito dos valores de pressão arterial. Palavras-chave: Hipertensão arterial; Acompanhamento farmacoterapêutico; PRM. 1 INTRODUÇÃO complicações como as doenças cérebro- A Hipertensão Arterial Sistêmica vascular, arterial coronariana e vascular de (HAS) compreende uma entidade clínica extremidades, além de insuficiência cardíaca multifatorial que se caracteriza pela presença e de insuficiência renal crônica.(1) de valores iguais ou superiores a 140 mmHg As doenças cardiovasculares cons- para pressão sistólica e 90 mmHg para pres- tituem a principal causa de morte no Brasil, são diastólica, e que existe num contexto chegando a 27% dos óbitos, elevando con- sindrômico, com alterações hemodinâmicas, sideravelmente o custo médio social do país, tróficas e metabólicas, relacionando-se, em sendo também, responsáveis por 40% das caráter crônico à elevação dos índices de aposentadorias precoces.(2) Cerca de 20% da morbimortalidade. A HAS pode provocar população adulta é portadora de HAS e a baixa 1 E-mail: danielefaria1@gmail.com RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008
  2. 2. adesão ao tratamento e o diagnóstico tardio da saúde, de forma integrada à equipe de saú- aumentam a gravidade do quadro, sobrecar- de. É a interação direta do farmacêutico com o artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... regando e onerando os serviços de saúde.(3) usuário, visando uma farmacoterapia racional e a Os limites de pressão arterial con- obtenção de resultados definidos e mensuráveis, siderados normais são arbitrários e, na voltados para a melhoria da qualidade de vida.(4) avaliação dos pacientes, deve-se consi- Entre os componentes da Atenção derar também a presença de fatores de Farmacêutica está o Acompanhamento Far- risco, lesões de órgãos-alvo e doenças macoterapêutico que consiste em um pro- associadas. Esses fatores possibilitam a cesso no qual o farmacêutico coopera com estratificação do risco cardiovascular do o paciente e outros profissionais de saúde paciente hipertenso, importante para a mediante o desenvolvimento, execução e decisão terapêutica e a determinação da monitorização de um plano terapêutico que meta dos valores de pressão arterial a se- produzirá resultados terapêuticos específicos rem atingidas com o tratamento. (1) para o paciente. Para tanto, as atividades De acordo com a estratificação de riscos principais são: 1) identificação de Problemas cardiovasculares(1), o grupo com maior probabili- Relacionados com Medicamentos (PRM) dade de um evento cardiovascular é o grupo de potenciais e reais; 2) resolução de PRM muito alto risco, pois, além de níveis de pressão reais e 3) prevenção de PRM potenciais.(4) arterial elevados, estão associados outros fato- Problemas Relacionados com Medicamentos res de risco cardiovascular e manifestações clí- (PRM) são falhas na farmacoterapia origi- nicas associadas. Sendo assim, a probabilidade nadas de diversas causas que interferem de ocorrência de um evento cardiovascular, em nos resultados terapêuticos desejados e dez anos, é estimada em mais de 30%, estando na qualidade de vida do paciente. O PRM é indicada a instituição de imediata e efetiva con- considerado real quando existe um problema duta terapêutica, sendo essa conduta baseada de saúde manifestado e potencial quando em tratamento medicamentoso associado a existe a possibilidade de sua ocorrência. A 32 tratamento não medicamentoso.(2) identificação de PRM segue os princípios O objetivo primordial do tratamento da de necessidade, efetividade e segurança, hipertensão é a redução da morbidade e da próprios da farmacoterapia. mortalidade cardiovasculares. O tratamento O Segundo Consenso de Granada(5), medicamentoso associado ao não medica- classifica os PRMs em 6 tipos: mentoso objetiva a redução da pressão arterial para valores inferiores a 130 mmHg de pressão Necessidade sistólica e 80 mmHg de pressão diastólica no PRM 1 O paciente não toma o medicamento caso de pacientes hipertensos de muito alto de que necessita. risco cardiovascular.(1) Para que o objetivo do PRM 2 O paciente toma medicamento de tratamento anti-hipertensivo seja alcançado, ou que não necessita. seja, para que o tratamento seja efetivo, a nova Efetividade prática profissional, chamada Atenção Farma- PRM 3 Inefetividade não quantitativa da cêutica, vem colaborar de maneira importante, farmacoterapia. pois tem como objetivo principal aumentar a PRM 4 Inefetividade quantitativa da farma- efetividade de tratamentos medicamentosos.(4) coterapia. A Atenção Farmacêutica é um modelo Segurança de prática profissional, desenvolvido no contexto da assistência farmacêutica, que compreende PRM 5 Insegurança não quantitativa da atitudes, valores éticos, comportamento, habili- farmacoterapia. dades, compromissos e co-responsabilidades na PRM 6 Insegurança quantitativa da farma- prevenção de doenças, promoção e recuperação coterapia. RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008
  3. 3. A identificação e resolução de PRMs, de forma a obter um bom perfil da pressão atividades inerentes à prática do acompanha- arterial em diferentes horários. artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... mento farmacoterapêutico, são fundamentais As intervenções farmacêuticas foram para garantir o sucesso da farmacoterapia. realizadas diretamente ao paciente (verbal Dessa forma, este estudo teve por objetivo ao paciente) e/ou ao médico (escrita, em avaliar o efeito do acompanhamento farma- forma de carta, ao médico), dependendo da coterapêutico sobre os resultados clínicos de causa identificada de PRM. Todas as causas pacientes hipertensos de muito alto risco car- de PRM que se relacionassem com o tipo diovascular, quantificar e caracterizar os PRM ou dosagem do medicamento utilizado pelo identificados, suas causas e as intervenções paciente, foram relatadas ao médico, pois realizadas para sua resolução. este é o profissional habilitado na prescrição e alteração de prescrição do medicamento. O presente estudo foi aprovado pelo 2 METODOLOGIA Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Positivo, sob o número 162/2006. Estudo prospectivo com um grupo de pacientes hipertensos em que foi realizada análise antes e depois do acompanhamento 3 RESULTADOS farmacoterapêutico. Foram selecionados para o estudo O acompanhamento farmacoterapêu- pacientes hipertensos de muito alto risco, tico foi realizado com 29 pacientes hiperten- em uso de medicamentos anti-hipertensivos, sos de muito alto risco encaminhados pela pertencentes a uma microárea da Unidade de Unidade de Saúde do Jardim Gabineto (Curi- Saúde do Jardim Gabineto em Curitiba-PR. tiba-PR). Os dados utilizados no presente O acompanhamento farmacotera- estudo são relativos a um período de seis pêutico foi realizado na Farmácia-escola da meses de acompanhamento farmacotera- Universidade Positivo, segundo o Método pêutico. A média de visitas, por paciente, du- 33 Dáder (6) por um período de 6 meses (janeiro rante este período, foi de 9,52 ± 7,22 (n = 29). a junho de 2007), sendo avaliados valores Entre os pacientes estudados, a maioria, de pressão arterial e demais parâmetros de 62,1% (n = 18) era do gênero masculino, a média acordo com as co-morbidades apresentadas. de idade foi de 55,86 ±11,1 anos, com variação de As fases do acompanhamento farma- 31 a 76 anos. A média de anos de estudo entre coterapêutico consistiram, basicamente, em: os pacientes (n = 24) foi de 3,6 ± 3,8 anos, com 1) Primeira entrevista, onde foram coletados variação de 0 a 12 anos de estudo. todos os dados do paciente referentes aos Com relação às co-morbidades, problemas de saúde apresentados e os me- 31% dos pacientes (n = 9) apresentavam dicamentos em uso; 2) Fase de avaliação, diabetes e 17,2% eram portadores de dis- cujo objetivo foi estabelecer as suspeitas de lipidemia (n = 5). Todos os pacientes estu- PRM de acordo com parâmetros de neces- dados (n = 29) possuíam muito alto risco sidade, efetividade e segurança; 3) Fase de cardiovascular. A obesidade (IMC ≥ 30 kg/ intervenção, cujo objetivo foi a elaboração m2) estava presente em 39,3% (n = 11) dos de um plano de atuação e execução das pacientes, sendo a média de IMC (Índice intervenções necessárias para resolver os de Massa Corpórea) de 31,14 ± 6,70 (n = PRM; 4) Avaliação dos resultados, em que 28) com o menor valor de IMC de 22 kg/m 2 foram avaliados os resultados das interven- e o maior de 50 kg/m 2. ções realizadas. A frequência de visitas do Aspectos relacionados aos medicamentos paciente à farmácia para monitorização da utilizados pelos pacientes foram avaliados no PA foi individualizada para cada paciente início (Tempo 1) e após seis meses (Tempo 6) de RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008
  4. 4. Tabela 1 - Aspectos relacionados aos medicamentos no início e após 6 meses de acompanhamento farmacoterapêutico (n = 29). artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... Número de Número de Número de Freqüência Número de comprimidos antihipertensivos medicamentos de tomada antihipertensivos por dia em dose máxima Início 4,48 ? 1,55 9,10 ? 3,64 3,17 ? 0,76 2,17 ? 0,76 0,66 ? 0,67 (T1) Final 4,38 ? 1,64 8,62 ? 3,62 2,97 ? 0,32 2,21 ? 0,90 0,52 ? 0,69 (T6) p=0,573 Porcentagem (%) de Pacientes 100 80 60 40 20 0 TZ S a a no a a ol a il l n a lo pr in 34 lin op tin id AA rta id ol no C pi rm am to m su en ta ild sa H di ra ap se fo as In ife et At cl Lo op et ro C en M nv N M Pr Fu Si lib G Medicamentos Tempo 1 Tempo 6 Figura 2 - Medicamentos utilizados pelos pacientes (n=29) no início e no final do acompanhamento farmacoterapêutico. acompanhamento farmacoterapêutico conforme de acompanhamento farmacoterapêutico apresentado na Tabela 1. são apresentados no gráfico da fig. 2. Não houve mudança significativa com O número médio de PRM (Problemas relação ao número de medicamentos em uso Relacionados aos Medicamentos) encontrado (p = 0,573), número de comprimidos por dia por paciente ao longo do acompanhamento foi (p = 0,282), frequência de uso (p = 0,110), de 1,62 ± 1,32. A Tabela 2 apresenta as frequ- número de anti-hipertensivos (p = 0,663) ências dos tipos de PRM e das quantidades de e número de anti-hipertensivos na dose PRM apresentadas pelos pacientes. máxima (P = 0,103) após seis meses de As causas dos problemas de neces- acompanhamento farmacoterapêutico. sidade, efetividade e segurança também Os medicamentos mais utilizados foram investigadas no estudo e são apre- pelos pacientes no início e após seis meses sentadas na Tabela 3. RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008
  5. 5. A partir dos PRMs identificados estudo. Os resultados são apresentados durante o estudo, foram realizadas 40 in- nos gráficos das fig. 3 e da fig. 4. artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... tervenções, sendo 9 (22,5%) intervenções escritas ao médico e 31 (77,5%) interven- ções verbais ao paciente. 120 110 Pressão Arterial Diastólica Tabela 2 - Frequencia de Problemas Relacionados 100 a Medicamentos com relação ao tipo de PRM e à 90 quantidade apresentada por pacientes. 80 Pacientes 70 n=29 n=23 n=8 n=21 n=15 n=12 PRM n (%) 60 Tipo de PRM 50 0 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade 11 (37,9) Tempo de Acompanhamento Efetividade 22 (75,9) Figura 3 - Evolução dos valores de Pressão Arterial Segurança 3 (10,3) Diastólica Quantidade de PRM 120 Sem PRM 4 13,8 110 1 PRM 14 48,3 Pressão Arterial Diastólica 100 2 PRM 3 10,3 90 3 PRM 7 24,1 80 6 PRM 1 3,4 70 n=8 n=29 n=23 60 n=21 n=15 n=12 35 Tabela 3 - Causas de problemas relacionadas a 50 medicamentos identificadas e suas frequencias 0 1 2 3 4 Tempo de Acompanhamento 5 6 7 Causas n (%) Figura 4 - Evolução dos valores de Pressão Necessidade Sistólica Medicamento não prescrito 2 (18,2) Não adesão à terapia 9 (81,8) Efetividade 4 DISCUSSÃO Adesão Parcial 6 (27,2) Aspectos relacionados aos medicamen- Baixa Dose 6 (27,2) tos utilizados pelos pacientes apresentaram Falência Terapêutica 1 (4,5) pequena variação após seis meses. A maior Interação com alimento 9 (40,9) parte dos medicamentos utilizados faz parte da Segurança Relação Nacional de Medicamentos Essenciais Erro no processo de uso 3 (100) (RENAME), o que vem ao encontro do fato de os pacientes serem atendidos no SUS (Siste- ma Único de Saúde). Entre os medicamentos Com relação a resultados clínicos, utilizados para o tratamento da hipertensão foram monitorados valores de Pressão apenas atenolol e losartan não fazem parte da Arterial (PA) durante os seis meses do RENAME. O anti-hipertensivo mais utilizado é o RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008
  6. 6. captopril, um fármaco da classe dos inibidores principal causa de PRM de efetividade (41%) foi da ECA (IECA), seguido da hidroclorotiazida, um a interação com alimento. Nesse caso, faz-se re- artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... diurético tiazídico. Todos os medicamentos para ferência especificamente ao problema de perda o tratamento das co-morbidades fazem parte da efetividade do captopril quando do uso con- da RENAME. Pode-se dizer que não há, neste comitante com alimento. A segunda causa, baixa grupo de pacientes, problemas de acesso aos dose de medicamento (28%), está relacionada, medicamentos para o tratamento da hipertensão principalmente, à perda de efetividade do trata- e das co-morbidades. O que há é uma limitação mento ao longo do tempo, algo que é esperado nas opções terapêuticas que estariam restritas em se tratando de terapia anti-hipertensiva. A ter- à RENAME. Essa limitação se torna importante ceira causa identificada foi adesão parcial (26%), nos casos em que, apesar de boa adesão ao uma causa bastante frequente para problemas tratamento, os medicamentos estão em dose de efetividade que está relacionada a inúmeros máxima e não são efetivos. No entanto, apenas fatores que vão desde problemas de custo e um paciente do estudo estava com o tratamento acesso, até a dificuldade de aceitar a doença anti-hipertensivo em dose máxima. e seu tratamento. A quarta causa, falência tera- O ácido acetilsalicílico (AAS) é um medi- pêutica foi responsável por 5% dos problemas camento utilizado como antiagregante plaquetá- de efetividade e está relacionada com a falta de rio e tem como finalidade a prevenção de doença efetividade do medicamento anti-hipertensivo, arterial coronariana. Em se tratando de pacientes já em dose máxima. Nesse caso, não existe com muito alto risco cardiovascular, o uso de mais possibilidade de ajuste de dose, sendo AAS deveria ser feito por todos os pacientes, no necessário substituir o esquema terapêutico. entanto, 31,03% dos pacientes não fazem uso de Cabe destacar a importância do acompa- AAS, caracterizando um PRM de necessidade. nhamento farmacoterapêutico na monitorização Para a resolução dos PRMs e con- da efetividade do tratamento e detecção precoce sequente garantia do sucesso da farmaco- de necessidade de ajustes de dose. terapia, é importante conhecer as causas Em alguns casos, a não adesão pode 36 que originaram os PRMs. se dar também de forma involuntária e está A principal causa para PRM 1 de ne- relacionada, muitas vezes, à falta de entendimento cessidade, ou seja, o paciente não utiliza o do paciente sobre a forma correta do uso do medicamento de que necessita, (fig. 3) foi a falta medicamento. A orientação sobre a necessidade de prescrição do medicamento (83%), estando de tomar adequadamente os medicamentos relacionada, em grande parte, com a falta de e o esclarecimento sobre as complicações diagnóstico ou identificação do problema de da Hipertensão Arterial não controlada são saúde pelo médico. A outra causa foi a não ade- fundamentais para resolver a baixa adesão. são (17%) ao tratamento, ou seja, o paciente Para PRM de segurança, a única causa foi diagnosticado, o medicamento foi prescrito, encontrada foi erro no processo de uso do me- porém ele não aderiu ao tratamento. Não foi dicamento. Essa causa inclui, principalmente, a identificado nenhum caso de uso desnecessário administração do medicamento em horários erra- de um medicamento (PRM2). dos, por exemplo, uma reação adversa ocorrida A maior parte dos PRMs encontrados pela administração do medicamento em jejum. estavam relacionados à efetividade do tratamento. Isso pode ser resolvido por meio de orientações Resultado semelhante foi obtido em estudos do farmacêutico ao paciente durante as visitas como o de Garção e Cabrita(7) em que 47% dos do acompanhamento farmacoterapêutico sem PRMs encontrados eram de efetividade e como necessidade de encaminhamento ao médico. o estudo de Parejo(8) em que a prevalência de O maior número de intervenções PRM de efetividade foi de 59,56%. (77,5%) ao paciente em comparação às inter- Quatro causas diferentes foram en- venções ao médico (22,5%) justifica-se pelo contradas para PRM de efetividade (fig. 4). A fato de a maioria dos PRMs terem sido cau- RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008
  7. 7. sados por fatores ligados ao comportamento pacientes (n = 29) tiveram a PA verificada e do paciente frente ao seu tratamento (não no mês 6 (fechamento do estudo) apenas 8 artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... adesão e erro no processo de uso). Esses pacientes tiveram a pressão arterial medida. PRMs são, portanto, passíveis de resolução por meio de orientação direta ao paciente, sem necessidade de encaminhamento ao médico. 5 CONCLUSÃO As intervenções escritas ao médico cor- responderam a um informe terapêutico ao médico O acompanhamento farmacoterapêutico do paciente, com os parâmetros monitorados em pacientes hipertensos de muito alto risco no período, a avaliação do caso com relato do mostrou-se eficaz na detecção de Problemas Re- problema identificado e, em alguns casos, com lacionados aos Medicamentos, na identificação a sugestão de conduta. As intervenções ao pa- de suas causas, na elaboração de uma interven- ciente consistiram em orientações verbais com ção adequada e na conseqüente resolução dos base no problema identificado. PRMs. Problemas causados por comportamento É importante ressaltar que nas situações inadequado do paciente frente ao seu tratamen- em que a resolução do PRM dependia de ajustes to foram mais freqüentes e foram resolvidos de medicação, como alteração da dose, substi- por meio de uma intervenção do farmacêutico tuição do tratamento ou inclusão de um medica- diretamente ao paciente. Com relação ao efeito mento, a intervenção foi realizada com o médico, do acompanhamento sobre o resultado clínico, já que a decisão sobre a terapia farmacológica do o tempo de 6 meses e a variação do número de paciente é privativa desse profissional de saúde. medidas de pressão arterial por paciente dificul- Quanto aos resultados clínicos, é possí- tou a obtenção de resultados conclusivos acerca vel perceber ligeira diminuição nos valores de PA deste resultado clínico. durante os meses do acompanhamento farma- coterapêutico. Essa diminuição é mais evidente nos valores de pressão arterial sistólica do que ABSTRACT nos valores de diastólica, provavelmente por se 37 tratar de valores mais sensíveis à mudança. Hypertensive patients with very high A análise desse resultado clínico (PA), cardiovascular risk require a strict control of no entanto, ficou prejudicada por duas limitações blood pressure. The pharmacotherapy follow-up da pesquisa. A primeira diz respeito ao tempo adds efficacy and safety to treatment. This study de acompanhamento de 6 meses, período con- aimed to assess the effect of pharmacotherapy siderado pequeno para obtenção de mudanças follow-up, community pharmacy, on hypertensive significativas em resultados clínicos como os patients with very high cardiovascular risk. We did valores de pressão arterial. Nesse sentido, deve- a prospective study, before-and- after treatment, se levar em conta, que para cada mudança no in which the monitoring was conducted of 29 tratamento, seja ela a alteração do esquema hypertensive patients from Jardim Gabineto terapêutico ou simplesmente uma melhora na Primary Care Unit for a period of 6 months. adesão, recomenda-se um mínimo de quatro se- Obesity was present in 39.3% of patients and manas para avaliação do resultado da alteração. diabetes by 31%. It was found an average of A segunda limitação diz respeito ao 1.62 drug-related problems (DRP) per patient, número de pacientes no estudo e ao número and the non effectiveness of the treatment de pacientes que compareceram a todas as corresponded to 75.9% of the cases. Most of visitas para que se tivesse um bom perfil da interventions were made (77.5%) verbally direct pressão arterial ao longo dos 6 meses de to the patient. The values of blood pressure acompanhamento. Isso fica bastante eviden- showed slight decrease over the 6 months. The te quando se analisa os valores de PA. No pharmacotherapy follow-up in very high risk mês 1 (início do acompanhamento), todos os hypertensive patients proved to be efficient in RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008
  8. 8. the detection and resolution of DRP, but the time 4 Hepler CD, Strand LM. Oportunidades y res- of 6 months was insufficient to obtain conclusive ponsabilidades em la atención farmacêutica. artigos acompanhamento farmacoterapêutico em pacientes hipertensos... data about the values of blood pressure. Pharm Care Esp. 1999;1:35-47. Key words: Hypertension; pharmacothe- rapy follow-up; drug-related problems. 5 Comité de Consenso. Segundo Consenso de Granada sobre Problemas Relaciona- dos con Medicamentos. Ars Pharmaceu- REFERÊNCIAS tica. 2002; 43:179-187. 1 Mion Jr D, Kohlmann Jr O, Machado CA, 6 Machuca M, Fernández-Llimós F, Faus Amodeo C, Gomes MAM, Praxedes JN, MJ. Método Dáder. Manual de acompa- et al. V Diretrizes Brasileiras de Hiperten- nhamento farmacoterapêutico. Espanha: são Arterial. São Paulo: Sociedade Brasi- GIAF-UGR, 2003. leira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão, Sociedade Brasileira de 7 Garção, JA ; Cabrita, J. Evalution of a phar- Nefrologia; 2006. maceutical care program for hypertensive patients in rural Portugal. J Am Pharm 2 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assoc. 2002;42(6):858-864. Políticas de Saúde. Plano de reorganização da atenção à hipertensão arterial e ao diabe- 8 Parejo, MIB. Problemas relacionados tes mellitus: manual de hipertensão arterial con los medicamentos como causa de e diabetes mellitus. Brasília: Ministério da consulta em el servicio de urgências del Saúde, 2002. Hospital Universitário Virgen de las Nieves de Granada. Universidad de Granada. 3 Brasil. Secretaria Municipal de Saúde de Tese de Doutorado. Granada, 2003. Curitiba. Protocolo de atenção à hipertensão 38 arterial sistêmica. Curitiba: Secretaria Municipal de Saúde, 2004. RUBS, Curitiba, v.1, n.3, p.29-36, set./dez. 2008

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