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Rir é o melhor remédio

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Esse livro foi realizado em 2006, por mim e pelos meus colegas de faculdade quando cursamos Jornalismo, na Universidade São Judas Tadeu.

Esse livro foi realizado em 2006, por mim e pelos meus colegas de faculdade quando cursamos Jornalismo, na Universidade São Judas Tadeu.

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  • 1. Rir é o Melhor Remédio Rir é o Melhor RemédioPré-projeto do livro-reportagem apresentado emcumprimento parcial das exigências da disciplinaPlanejamento em Projetos, do curso deJornalismo, da Faculdade de Letras, Artes,Comunicação e Ciências da Educação, daUniversidade São Judas Tadeu, para obtenção dotítulo de Bacharel em Comunicação Social,habilitação em Jornalismo. Orientador(a): Prof(a).Rosemeire Ap. de Castro Fernandes. Universidade São Judas Tadeu Faculdade de Letras, Artes, Comunicação e Ciências da Educação Curso de Jornalismo São Paulo, 2006 1
  • 2. Rir é o Melhor Remédio Rir é o Melhor RemédioGiorgio RochaLeiliane LopesMayara VellardiNair TerukoPriscilla BassaniSheila Carvalho Universidade São Judas Tadeu Faculdade de Letras, Artes, Comunicação e Ciências da Educação Curso de Jornalismo São Paulo, 2006 2
  • 3. Rir é o Melhor RemédioSumário:Estudos sobre o Riso_____________________________ Página 4Doutores da Alegria_____________________________ Página 11Soraia Saide, Dra. da Alegria_____________________________ Página 28Voluntários da Esperança_____________________________ Página 35 Palhaço Nhoque_____________________________ Página 42Os Bombeiros_____________________________ Página 45Humor na Saúde_____________________________ Página 46Brinquedoteca Graac_____________________________ Página 54Um Remédio Chamado Alegria_____________________________ Página 57Biografia_____________________________ Página 67Agradecimentos_____________________________ Página 70Bibliografia_____________________________ Página 70 3
  • 4. Rir é o Melhor Remédio Estudos sobre o Riso Leiliane Lopes e Nair Teruko“Riso é a situação biológica que os sereshumanos demonstram em situações de humor.”(Wikpédia) O humor tem poder de proteger o individuode adoecer, isso porque a maioria das doençasestá ligada à área emocional ou psicológica do serhumano. Os doutores do riso trabalham invertendoesse quadro psíquico para fazer a pessoa seenxergar e pensar diferente para poder melhorar oquadro clínico. Falaremos neste livro de vários trabalhos einstituições que abraçaram essa terapia e quetrabalham levando alegria em lugares frios etristes como hospitais e delegacias. Palhaços emédicos que têm prazer em ver as pessoas felizese saradas. E antes de mencionar os trabalhos comriso e do que esse simples ato pode fazer nasaúde, vamos falas sobre algumas teorias queforam feitas há milhares de anos que confirmam oditado popular que diz que Rir é o MelhorRemédio. Segundo o dicionário de português risoquer dizer “ato ou efeito de rir; alegria; júbilo;motejo; escárnio”, vem da palavra em Latim Risu.O riso é uma linguagem universal e é um elementoextrema importância para o ser humano. Rir tem afunção de comunicar e possui uma base inata, ouseja, não precisamos aprender a rir, já nascemossabendo. 4
  • 5. Rir é o Melhor Remédio O riso é um gesto, uma expressão muitoséria para ser deixado somente para os cômicos.É por isso que, desde Aristóteles, hordas defilósofos, de historiadores, de psicólogos, desociólogos e de médicos,estuda-se o assunto. Entre eles está Hipócrates, o pai damedicina que no século IV a.C. já utilizavaanimações e brincadeiras na recuperação dospacientes. Já Darwin, pioneiro no estudo dacomunicação não verbal, classificou, em seu livroA Expressão das Emoções no Homem e nosAnimais, de 1872, o sorriso e o riso entre osmovimentos expressivos inatos e universais. O pensador Aristóteles (384 a 322 a.C )deu a partida para a formulação de uma filosofiado riso quando, em As partes dos animais, disseque "o homem é o único animal que ri”. Na suaobra intitulada Poética, considera que o cômicoconsiste no prazer de nós rirmos daquilo que édesagradável ou que tem defeitos. Sem haverformulado uma teoria da comédia, levantoualguns pontos importantes, definindo o cômicocomo a negação do trágico. O pensamento da época a respeito do risoé que quase todo ele é elaborado em função dasrelações e processos físicos do ato de rir,envolvendo calor, cócegas, respiração ediafragma.O humor (do latim humore), que querdizer disposição de ânimo, do temperamento,natural ou acidental; veia cômica, penetra nailusão e na imaginação, explorando aspossibilidades de situações improváveis e decombinações de idéias. Por outro lado Platão, em República,alertava sobre as regras impostas na tentativa de 5
  • 6. Rir é o Melhor Remédiose controlar o riso. Ele dizia que o riso enfraqueciao caráter e confundia a mente. Ele via o hábito derir como uma manifestação de arrogância, muitasvezes injustificada. Na Grécia antiga, a cidade de Atenasabrigava o Santuário de Asclépio, deus damedicina, onde os doentes assistiam a espetáculosde comediantes, musicais e peças de teatro, eraum centro que misturavam arte, filosofia emedicina. Os doentes riam e se curavam. A própria Bíblia traz alguns versículos quefalam sobre riso na saúde, alguns deles estão no livrode Provérbios escrito pelo Rei Salomão por volta de950 a.C., além disso a yoga hasya, ou yoga do risoutiliza essa técnica há mais de 3000. Assim,podemos enteder que realmente o tramento médicocom auxilio do riso tem muitos anos de existencia. Porém o trabalho de um médico damodernidade foi que conseguiu levar esse técnicapara hospitais e clínicas de terapia e por isso édevemos mencionar uma breve biografia do “pai daterapia do riso” o doutor Patch Adams. Pioneiro emusar essa fórmula e obter bons resultados.Obviamente que não teremos como fazer umabiografia na altura de suas experiências comomédico-palhaço (ou seria um palhaço-médico?), masescreveremos os principais passos dados por ele atése tornar o doutor Hunter Adams.Patch Adams O trabalho de um médico da modernidadeconseguiu levar a técnica do riso para os hospitaise clínicas de recuperação, e por ser considerado o“pai da terapia do riso” cabe mencionar uma breve 6
  • 7. Rir é o Melhor Remédiobiografia. O doutor Hunter Adams foi pioneiro emusar a fórmula do riso para obter resultados empacientes. Hunter Adams nasceu em 28 de maio de1945, em Washington DC, mas foi criado no Nortede Virginia. Viveu e cresceu no meio de soldados,em bases militares nos Estados Unidos. Aos 16anos, perdeu o pai, meses depois, um tio suicidou,e, ainda, levou o fora da namorada. Com tantosproblemas entrou em depressão. Tentou o suicídiotrês vezes e foi parar no manicômio. Por ironia do destino, Adams estava nolocal errado, no momento certo. Foi exatamente,em situações adversas, que conseguiu observar,que os loucos eram verdadeiros gênios. Vivendono manicômio aprendeu a entender as pessoas eanalisar os problemas. E saiu dali com a idéia fixade mudar o mundo e a sua vida. Em vez de brigar, chorar ou lamentaradotou o sorriso, para levantar o astral e ajudar aspessoas necessitadas. Aos poucos essepensamento tomou forma até fundar um hospitalgratuito e se transformar no médico a serviço daalegria. A origem dos doutores da alegriainternacional começa aqui. Para concretizar o seu sonho resolveuestudar medicina na Universidade Sewanee.Depois seguiu para a Universidade de GeorgeWashington. Em 1971, recebeu o diploma pelaFaculdade de Medicina de Virginia. As idéias brilhantes desse doutor malucorevolucionaram a medicina quebrando os métodostradicionais. Sua teoria é muito simples: o serhumano precisa de amor, carinho e atenção, nãoimporta em qual circunstância esteja. Com essa 7
  • 8. Rir é o Melhor Remédiotécnica, não só prolongou a vida, como amenizoua dor do paciente. O doutor Adams, desde o início,foi contra o tratamento frio aplicado pelos médicos,que não admitiam o “envolvimento com osdoentes". Adams nunca se conformou pelo fato domédico ter que dedicar apenas oito minutos aopaciente. Em média, leva de três a quatro horaspara diagnosticar o problema. Ele realmenteacredita, que a cura da doença, muitas vezes,reside na mudança do estilo de vida da pessoa. Seus pensamentos estavam à frente desua época, com trabalhos voluntários para ajudarpessoas carentes e doentes. Adams tambémlutava por um mundo mais justo, com menosdesigualdade social. E tinha consciência, de quecedo ou tarde, teria que abrir mão do que maisgostava de fazer: “clinicar.” Conversar com gente,tratar com carinho, dividir os problemas, divertircom as palhaçadas, este foi o legado que deixouantes de partir. Seu próximo passo seria viajar pelo mundocomo militante de medicina, fazendo palestras emmais de 45 países, para treinar 1600 médicos paraserem doutores-palhaços. Aproveitou o embalo eengajou na luta pela paz e justiça e se transformouem ativista político. O trabalho do doutor Hunter resultou emum hospital e um instituto com o nome deGesundheit, que significa saúde. O HospitalGesundheit em Arlington, nos Estados Unidos foifundado em 1972. Há 34 anos, cuida da saúde,com tratamento clínico gratuito, sem reembolso eprática de seguros. A fórmula encontrada paragarantir o sucesso foi a amizade, o sorriso para 8
  • 9. Rir é o Melhor Remédiodescontrair e tornar mais leve o peso daresponsabilidade. Cerca de 15000 pacientes, de1972 a 1983 receberam tratamento gratuito,utilizando o humor na recuperação de doenças,cujo resultado foi positivo. Em 1980 Hunter Adams comprou 317acres de terra e fundou o Instituto Gesundheit noPocahontas County, a Oeste de Virgínia. Umbosque montanhoso, com uma pequena casa defazenda e cocheira. Desde 1997, passou pordiversas reformas, para acomodar 40 camashospitalares, 60 camas para o pessoal de suaequipe e suas famílias, mais 40 para osconvidados, 40 acres para construir escolas paracrianças, um teatro, salas de suporte e exercícios,jardins com vegetais e pomar. O Instituto é um hospital comunitáriogratuito que não possui seguro. Faz experimentono ser como um todo, com foco na medicina, combase na crença de que não podemos separar asaúde do indivíduo, o ser da família e a sociedadedo mundo. É o único hospital grátis que possuiuma equipe especializada em todas asmodalidades curativas, que abrange desde artescênicas, educação, agricultura, a serviço social.Além de contar com a assistência de três médicosformados e de 20 médicos assistentes. Adams trabalhou intensamente com seugrupo para erguer essa comunidade, organizandoeventos para angariar fundos para a construção.Fez contatos com entidades, estudantes, ativistas,artistas internacionais para cada um dar suacontribuição, dedicando um dia, uma semana detrabalho ao Instituto Gersundheit. Com esseespírito inovador criou várias maneiras de cuidar 9
  • 10. Rir é o Melhor Remédioda saúde, como plantar e colher produtos naturais,possuir água limpa para beber, ar puro pararespirar, proteger o meio ambiente e abiodiversidade. É uma comunidade ativa voltada àação social, política e sobremaneira à saúdemundial. Hunter Adams atua com palhaços há 20anos. Começou com as apresentações na prisão.Há 18 anos leva 30 doutores vestidos de palhaçospara visitar zonas de guerra da Bósnia, campos derefugiados de Kosovo, África, Cuba, China, ElSalvador, Korea e Haiti e orfanatos e aidéticos naRomênia e locais de calamidade pública. Comtodas essas ações Adams se envolveu emassuntos de interesse mundial. Adams, não usa avental branco ou terno,não tem cara de doutor, se apresenta vestido depalhaço. Usa óculos de grau, nariz vermelho,camisa estampada com borboletas, calçapescador, tênis preto e uma meia da cor laranja eoutra roxa, parece um hippie, usa um bigodão erabo de cavalo, quase não chamando atençãocom seus 1,90m de altura. É casado, pai de dois filhos, têm 61 anos epassa quase os 365 dias do ano fora de casa. Elenão dá autógrafo, não aceita a idéia de serfamoso, mesmo tendo sua história retratada nofilme “Patch Adams, o amor é contagioso”distribuído pela Universal Studio. Hoje, mais de 40 países possuem projetossemelhantes ao doutores da alegria. Seu desejonão é apenas curar através do humor, é praticar amedicina com amor ao próximo, uma açãocomunitária do riso e da paixão pelos pacientes, 10
  • 11. Rir é o Melhor Remédioem atingir um processo de relacionamento desaúde global. Doutores da Alegria Mayara Vellardi“Há pessoas tão alegres, tão meigas, tão felizes,que ao entrar numa habitação parece que lhe dãoluz.” (Worl Beecher) Segundo pesquisas realizadas edivulgadas no livro de Morgana Masetti, Soluçõesde Palhaços, há muito o que contar. Para aabordagem com a criança, foram aplicados doisdesenhos antes da atuação dos Doutores daAlegria e dois após o trabalho. Antes e depois dotrabalho, pediu-se à criança um desenho de comoela se sentia no hospital e outro, sobre uma figurahumana. Junto com esse pedido, iam sendoconstruídas as histórias que as crianças contavamà medida que desenhavam. Analisavam-se asdiferenças de estilo, cores, formas, tamanho, emrelação aos dois momentos. O intervalo médio deaplicação antes / depois foi de duas horas em 16pacientes. Foram analisados 90 desenhos: 68 dogrupo pesquisa, com a intervenção dos palhaços e22 sem a intervenção destes. Os resultados sãoperceptíveis. Na opinião de um médico, o sorrisopode ser o indicador de uma melhora no estadoclínico. O médico que valoriza isso dá um melhortratamento. Já a mudança de comportamento dascrianças é o resultado mais marcante do trabalhodos palhaços. Em muitos casos, essas mudançaseram importantes. Crianças que estavamprostradas se tornavam mais ativas. As quietas 11
  • 12. Rir é o Melhor Remédiopassaram a se comunicar mais. As que choravampassaram a sorrir e também a se queixar menosde dores. Melhora e/ou aumento de contato ecolaboração com a equipe e com o tratamentomédico foram dois aspectos significativos. Ascrianças passaram a se alimentar melhor e aaceitar mais as medicações e exames. Segundo os profissionais há também umamelhoria na imagem da hospitalização em si.Modifica-se a percepção do hospital como umambiente hostil. Diminui a ansiedade dainternação. Alguns profissionais associam aatuação dos Doutores da Alegria a umaaceleração da recuperação no pós-operatório. Os profissionais acreditam que o sorrisofunciona como um importante indicador derecuperação física, porque ajuda a diminuir aansiedade e torna os pais e as mães maisconfiantes na equipe e no tratamento. Observamainda que os pais ainda passam a ser mais ativosno processo de recuperação dos filhos, aceitandomelhor a hospitalização e percebendo-a de formamais positiva. Notou-se a diminuição do estresse narotina hospitalar, facilitação do trabalho pelamelhora do contato com as crianças, pais eprofissionais. Houve uma melhoria da imagem dohospital e uma mudança de comportamento dosprofissionais, que passaram a sentir-se maisdispostos para o trabalho. Dá para perceber como esse trabalho éimportante só pela opinião de uma mãe: “Ver meufilho contente, me deixa contente. Hoje até euestou sorrindo”. 12
  • 13. Rir é o Melhor Remédio A melhoria da expressão das criançasdurante a internação é o ponto mais marcante daatuação dos palhaços. O trabalho dos Doutores daAlegria promove uma mudança de comportamentofacilmente percebida pelos pais e mães. Tal comono relato dos profissionais entrevistados, elesobservam que as crianças começam a falar mais,a brincar, a se alimentar e a expressar aexpectativa de que os palhaços voltem. Observamtambém que a criança passa a encarar ahospitalização de uma forma mais positiva. Percebe-se diminuição da ansiedade emrelação à internação, melhoria no cuidado com osfilhos hospitalizados, alteração na imagem dohospital: “Ver meu filho sorrindo, mesmo quedoente, é bom, em vez de vê-lo apenas tomandoremédio”. (Comentário de uma mãe). Para os pais e mães, a mudançaobservada nas condições emocionais da criança,a partir da atuação dos palhaços, é umdeterminante significativo em sua própria condiçãoemocional. “Fiquei mais alegre por vê-lo feliz, issome deixou mais tranqüila”. (Comentário de umamãe). “Do personagem menino que morre, aosuper-homem que o salva do gigante”. (Desenhode criança). O grupo de pesquisa apresenta detrês a quatro vezes mais alterações que o grupode controle. A alteração mais presente é amodificação do conteúdo das histórias contadasapós a situação dos palhaços. Observa-se umenriquecimento de conteúdo, enredos positivos oude final feliz e uma maior expressividade deconflitos. Outras alterações importantes foram:aumento no tamanho de desenhos , maior uso de 13
  • 14. Rir é o Melhor Remédiocores, mais nitidez ou aprimoramento nas formas.Todas essas alterações indicam que, de algumaforma, houve uma expansão de movimentos dacriança e de sua forma de se posicionar diante dahospitalização. Esses dados mostram-se em concordânciacom os depoimentos de pais e mães, médicos eenfermeiras. Por meio dos desenhos, constatamosuma maior expansão motora e emocional dascrianças, expressas pelo aumento das formas,mais uso de cores e melhor resolução dashistórias.Fatos Marcantes No livro Soluções de Palhaços de MorganaMasetti, há lindos depoimentos vividos pelosDoutores da Alegria. Uma história marcante foivivida por Raul Figueiredo que interpreta o Dr.Zappata Lambada. – Uma paciente, de um ano emeio, havia passado por um transplante. Estavana UTI, muito deprimida, e não reagia a nada.Fomos atendê-la como de costume, sem saber doacontecido. Ela estava semi-adormecida e entãocomeçamos uma serenata. Aos poucos ela fixou oolho em nós, dando de vez em quando umasolhadelas para sua mãe, de quem logo tirei umovo de cabelo. Ela pegou o ovo, abriu-o e viudentro dele um filhote de passarinho a quem elaapanhou delicadamente com um olhar doce.Deixei o bichinho aos seus cuidados. Terminada a“consulta” a mãe pediu que ela nos desse tchau emandasse beijos, no que foi prontamenteatendida. Logo depois ela nos confidenciou queaquela era a primeira reação dela depois da 14
  • 15. Rir é o Melhor Remédiocirurgia. Falamos sobre o caso com a psicóloga eela pediu que auxiliássemos no tratamento.Sentimo-nos lisonjeados com o convite e desdeentão passamos a acompanhá-la em todas asdependências do hospital onde ela era conduzida.” Vera Abbud interpreta a Dra. Emily e elacontou sua história também. “Estávamosterminando uma rotina com a paciente, quando aenfermeira veio colocar o soro. Ela pediu para queeu segurasse a sua mão e começou a berrardurante as várias tentativas frustradas de tentarachar sua veia. A enfermeira desistiu, Graças aDeus, a pequena estava sofrendo muito. Entãopediu que a colocasse em pé. Ajudei-a a calçar ossapatos e, quando ela se sentiu pronta, falou,como se nada tivesse ocorrido: “Faz mais bolha”!E assim nos transportamos para uma realidademágica e voltamos a brincar. É muito bomsabermos que podemos proporcionar isso.” Thaís Ferrara interpreta a Dra. Ferraratambém conta um fato marcante. “Trabalhandocom o Dr. Lambada, visitamos uma paciente quehavia sofrido um grande trauma. Ela não falava, etínhamos dúvida sobre se ouvia. Era uma situaçãoconfusa e, na nossa santa ignorância, fomostateando, buscando uma forma de comunicação. Amúsica nos pareceu um veículo bem aceito.Fizemos a brincadeira do “atirei o pau no gato”e,em vez do “miau”, vinha sempre um cacarejo ouum relincho. Ela estava alerta e na terceira vez emque cantamos, veio em meu socorro: bem pertinhodo meu ouvido, moveu os lábios. Menos pelosussurro e mais pelo ar expirado, entendi um“miau”. Final feliz. Acertei finalmente a música efomos embora, sob o olhar eufórico da 15
  • 16. Rir é o Melhor Remédiofisioterapeuta, que nos disse ser a primeira vezque ela se concentrava em relação de estímulospor mais de alguns segundos. Na visita seguinte, amãe dela pediu para ela nos contasse o que haviaacontecido desde o nosso último encontro. “Volteia falar”, disse ela. Descobrimos que ela e umaamiga tinha sido atropeladas, a amiga morrera nahora e ela perdera a fala.” Fernando Escrich, interpreta o Dr. Escrich,também deixa sua história marcada. “Gostaria derelatar aqui o caso de uma paciente de 11 anos,que se encontra internada na Semi. Trabalhamosmuito com ela no ano passado e temos umcarinho muito especial dedicado a ela. Quandovoltamos nesse ano percebemos que ela teve obraço amputado, o que a princípio nos abalou poralguns minutos, mas bastou ficar ao lado dela pormais alguns minutos, para olharmos a situação deuma outra forma. Ela tem tanto carinho e afeiçãopelas enfermeiras, assistentes e médicos quecuidam dela, que isso parece deixa-la mais fortepara enfrentar esse momento tão difícil. Pode-senotar isso pelo cuidado que essas pessoas têmem deixa-la mais bonita, penteando seus cabelose passando batom na sua boca. Ela é realmentelinda. Outro caso foi de um paciente, de 7 anos,que sofreu um transplante de fígado e está na UTI.Tivemos duas visitas em que ele se relacionoumuito com a gente, o máximo que pôde é claro!Mas depois do dia 20, ele estava sempre sedado,mas mesmo assim fizemos algumas serenatas praele. Espero que ele esteja gostando da seleção demúsicas.” Cleber Montanheiro, que interpreta o Dr.Krebs Croc, abrilhanta ainda mais essas histórias 16
  • 17. Rir é o Melhor Remédioemocionantes. “Esta semana, identificamos emmuitas crianças a presença de um vírus poucoconhecido pela nossa equipe de besteirologistas –o “Bobovírus”. Listamos abaixo alguns sintomasapresentados pelas crianças nas quais ele foiencontrado. Riso contínuo: a criança dispara a rirsem controle da situação. Gritite: tendência dascrianças gritarem ao mesmo tempo. Falatite:intervalos falados, que vão diminuindo até queelas disparam a falar, desenvolvendo em seguidaa gritite. Detectamos ainda uma predisposição do“Bobovírus” a ser transmitido pelo ar. Muitas mãescomeçam a rir logo depois do início do tratamentopor nossa equipe.” Pedro Pires, interpreta o Dr. Dog, tambémacrescenta um fato interessante. “Um pacienteestá internado há bastante tempo no terceiroandar. Ele tem estado muito fraco esses dias,sofrendo um bocado. Num destes dias, tinhamudado de quarto. No início deste dia, não querianem que entrássemos, a Dra. Florinda e eu.Devagarzinho conseguimos ir entrando. Ele estavasozinho, gemia muito de dor, e por todo o tempoque estivemos lá não sabia muito o que fazer.Então apelei ao gesto mais básico de um serhumano que vê o outro sofrer – o carinho. Passeia mão em sua cabeça por um bom momento e eleaos poucos foi se acalmando, parando de gemere, me pareceu descansando. Naquele momentodeixei de ser o clown que bate a cara na portapara fazer rir, para me transformar no clown omais humano possível. É um momento quesempre guardarei comigo. “Eu sou um palhaço efaço coleção de momentos”.(Heinrich Böll –opinião de um palhaço).” 17
  • 18. Rir é o Melhor Remédio Carla Candiotto, interpreta a Dra. CarmelaCaramela, contribui com uma história comovente.“Aconteceu um fato que me emocionouprofundamente. Foi com nossa amiga, que está nohospital há mais de um ano, devido a umproblema muscular que a impede de moverqualquer parte do corpo. Eu e o Dr. Zequimestávamos tocando música e fazendo bolhas paraela, como de costume. Na hora de partimos, elaolhou para nós e movimentou os músculos daboca, formando um sorriso. O Dr. Zequim não aconhecia muito bem, e não podia imaginar háquanto tempo eu vinha esperando por aquelemomento. Faz um ano que trabalho com ela, e seurostinho sempre teve a mesma expressão.Considero esse fato uma de nossas grandesvitórias. Imagino que para ela, que é umaguerreira, foi um momento especial.” Soraia Saide, interpreta a Dra. Sirena, e elaconta algo muito marcante, através de suasexperiências. “Estávamos brincando com umpaciente de 7 anos, quando a enfermeira entroupara medir a febre das crianças e comentou com asua mãe que ela era uma criança triste que seriaum adulto triste. E a mãe concordou! As “doutoras”ficaram indignadas. Ninguém é triste! Ecomeçamos a desinfetar com bolhas de sabão aárea da cama dele. Descobrimos que o pato delafalava pelos cotovelos, e a Dra. Caramela extraiua língua de seu cotovelo. Ele sentou-se na cama enos ajudou a operar o pato, quer tinha sapos elagartixas na barriga. Na semana seguinte,durante uma briga entre as duas “doutoras”, elecontribuiu para a discussão com as seguintesfrases: “Sua batatinha frita! Seu bife estragado!” 18
  • 19. Rir é o Melhor RemédioEle interagia e brincava com outras crianças. Nãoexiste criança triste, existe criança sem estímulo.” José Afonso Nereu, interpreta o Dr.Zequim, que também colabora com seu fatovivenciado. “Destes dias separei um caso pararelatar, que foi vivido com a Dra. Ferrara. Um casoque trata da importância da maturidade e dapaciência que um Doutor da Alegria deve terdentro de um hospital. Foi isso o queexperimentamos com uma meninona de 12 anos,bem disposta, mas que não estava nem aí pragente. Tentamos de tudo e nada. Estava maisinteressada em conversar com sua irmã sobre oque passava na TV do que na gente. De vez emquando, nos olhava para ver se ainda estávamoslá. Confesso que essa situação não ocorre comfreqüência, e talvez seja a mais difícil de se lidar.Estamos preparados para o “sim vocês podementrar”, e para o “não, eu não quero vocês”, masesse “tanto faz” pode ser dolorido. Para evitar ador, relaxe, aceite, faça esse exercício dedasapego ao ego, sem ansiedade, comgenerosidade. Saia do quarto e ria, ria de você. V.estava em outra, pronta pra ir pra casa. Dra.Ferrara saiu do quarto e riu e eu a acompanhei.” Camila Bolaffi, interpreta a Dra. RaimundaGabriel, e com a história que viveu, vai colaborarcom os outros depoimentos. “ Uma criança comquem tive bastante contato esse mês foi umgaroto. Mas, por algum motivo estranho, nuncaconseguira entrar no quarto dele. A porta pareciaaberta, só que quando eu ia entrar, “BANG”, davacom o nariz no vidro! E não é que o pestinha ria,ria, ria. Aí, quando eu me dava conta, estavadentro do quarto. E quem disse que eu conseguia 19
  • 20. Rir é o Melhor Remédiosair! Quando finalmente saímos de lá e fomosentrando no quarto logo à frente,nem podíamosimaginar que os bebês estavam tomando banho.Só nos restou entrar na dança, fazendo bolhas ecantar: “Tomo um banho de lua...Que tal nós todosnuma banheira de espuma...” Alexandra Golik, interpreta a Dra. FlorindaJardins, e conta uma fato interessante. “A primeiracoisa que uma paciente disse, quando nosconheceu, foi: “Vocês são mentirosos!” Ficamosatônitos, mas começamos a fazer nossas rotinascom as outras crianças. Aos poucos, foi seaproximando e observando o que acontecia. Navisita seguinte, pescamos um sorriso dela, quandonos viu. Quando percebeu que havíamos notadosua reação, fechou imediatamente a cara. Denovo preferimos trabalhar indiretamente com ela,por meio das outras crianças. Na terceira visita,mal entramos na enfermaria, Ela veio até nós. Apartir daí, criamos um ótimo relacionamento. Éengraçado notar sua idéia de que éramosmentirosos. Acho que queria dizer-nos que nuncaseria possível divertir-se num hospital. Felizmentepudemos mudar a sua percepção.” Paola Musatti, interpreta a Dra. Manela, etambém tem uma bela história a acrescentar.“Entramos no seu quarto: Manela e Sirena. Euainda não o conhecia e então ficamos nosapresentando. Era um quarto bastante escuro e omenino (aproximadamente 12 anos) tinha umaspecto físico nada agradável, e a sua mãe,apesar de não estar na cama, enferma, era comose estivesse. Eis que no meio do “bate papo”- eleera realmente muito esperto – ele pede para quesua mãe o abrace e vai seguindo a conversa. Ele 20
  • 21. Rir é o Melhor Remédionos dominou na sua imaginação. Voamos altocom suas idéias, ajudando na sua fantasia,encadeando uma na outra, mas ele sempre pedia(e sua mãe lhe dava) carinho-toque. Uma cena deamor. Ás vezes pegava sua mão e comparava otamanho com o de sua mãe e então entrelaçavam-se numa dança de rei e rainha, de nobreza. Éessa a palavra: nobreza. Esse menino memostrou, nesses seus atos, que há sempre algopor atrás do que vemos: que necessitamosenxergar. Ele desmontou meus conceitos e pré-conceitos que fazemos apenas pelo que vemos enão pelo que temos: SOMOS. Aos sair,comentamos: ele é um príncipe.” Ângelo Brandini, interpreta o Dr. Zorinho, eassim como seus colegas também tem algo acontar. “Tivemos um momento de muita tristeza noúltimo plantão a que esse relatório se refere, umpaciente com um pouco mais de 1 ano, era nossoconhecido há poucos meses , gostava muito debolhas e prestava muita atenção na gente. Nessedia chegamos para começar o trabalho e fomosinformados que ele estava entrando em óbito. Nãotivemos coragem de entrar no seu quarto naqueledia. Foi impossível esquecer o que estavaacontecendo com nosso amiguinho, mas não davapra deixar a peteca cair, o show tinha quecontinuar. Quando terminamos o trabalho noandar ele tinha acabado de falecer. Naquele dia oparadoxo entre a vida e a morte foi mais presentedo que nunca.” Wellington Nogueira, interpreta o Dr. Zinho,e conta uma história alegre para fechar com chavede ouro. “Uma das maiores sensações de alegrianesse trabalho vem da capacidade que alguns 21
  • 22. Rir é o Melhor Remédiojovens possuem de reverter seu quadro clínico,quando praticamente tudo vai contra eles. É ocaso de um menino (9 anos), que caiu até a lajede sua casa, enquanto brincava, sofreuafundamento de crânio, ficou em coma, saiu decoma, foi para um quarto normal, começou asuperar as seqüelas (perda de visão e fala), teveuma recaída, voltou para a UTI, encarou trêsparadas cardíacas. Mesmo assim, generosamenteele nos recebe e permite que nossas “receitas debobagens” sejam embaladas por momentosinesquecíveis de riso e alegria. Só para citar umexemplo, em nossa última entrevista a ele, na UTIinfantil, submetemos sua avó a um teste depersonalidade”. Colocamos uma galinha deborracha em seus braços e dissemos: “Vamoscontar até três e a senhora pode deixar caria agalinha.” Contamos até três. Ela deixou a galinhacair, e nesse exato momento, Dr. Zinho com todaa firmeza constatou: “Ela soltou a franga!”. Ele riua ponto de gargalhar; nossa cumplicidade, maisuma vez vinha á tona! A partir daí, por sugestãodo próprio paciente, testamos todas enfermeiras eauxiliares presentes na UTI infantil. O teste hoje éum grande sucesso em todos os hospitais e ele,acabo de saber, recebeu a tão merecida alta eestá em casa agora novamente. Grande garoto!”História e Curiosidades A supervisora de projetos dos Doutores daAlegria, Daiane Carina, trabalha desde 2000 comessa ONG e tem muito o que contar. Trabalha noCentro de Pesquisa e Desenvolvimento comosupervisora de projetos. Ajuda na elaboração, 22
  • 23. Rir é o Melhor Remédioplanejamento e execuções dos Projetos daorganização. Já presenciou diversas vezes otrabalho dos Doutores da Alegria pessoalmente. Começou a fazer parte dessa ONGatravés de uma agência de empregos. Naquelaépoca o Wellington (fundador) estava precisandode uma assistente de diretoria e disponibilizou avaga nesta agência. Então concorreu a vaga comoutras candidatas e foi selecionada. Para se tornar um Doutor da Alegria énecessário ser ator profissional, comespecialização na arte do palhaço e técnicascircenses. A rotina dos profissionais é feita emdupla, onde todos têm uma rotina própria, mastodos tem um itinerário que deve ser seguido,além de procedimentos de higienização. Cadadupla tem 1 dia na semana para trabalhar algumahabilidade artística, ensaiar, enfim levar repertórioartístico para o hospital. Os Hospitais atendidos em São Paulo são:Hospital do Campo Limpo; Hospital da Criança;Hospital do Mandaqui; Hospital Santa Marcelina;Instituto da Criança; Itaci e Hospital Geral doGrajaú. Já no Rio de Janeiro são: HospitalMunicipal Jesus e IPPMG. E em Recife são:Hospital Barão de Lucena; Hospital das Clínicas eHospital da Restauração. A história dos Doutores da Alegria,começou em 1986, quando Michael Christensen,um palhaço americano, diretor do Big Apple Circusde Nova Iorque, apresentava-se numacomemoração num hospital daquela cidade,quando pediu para visitar as crianças internadasque não puderam participar do evento. 23
  • 24. Rir é o Melhor RemédioImprovisando, substituiu as imagens da internaçãopor outras alegres e engraçadas. Essa foi asemente da Clown Care Unit™, grupo de artistasespecialmente treinados para levar alegria acrianças internadas em hospitais de Nova Iorque. Em 1988 Wellington Nogueira passou aintegrar a trupe americana. Voltando ao Brasil, em1991, resolveu tentar aqui um projeto parecido,enquanto ex-colegas faziam o mesmo na França(Le Rire Medecin) e Alemanha (Die KlownDoktoren). Os preparativos deram um trabalhodanado, mas valeu: em setembro daquele ano,numa luminosa iniciativa do Hospital eMaternidade Nossa Senhora de Lourdes, em SãoPaulo (hoje Hospital da Criança), teve início oprograma. O trabalho é gratuito para o público, masnão é voluntário. Ele se mantém com doações deempresas, parcerias com o Governo, através deleis de incentivo fiscal, e de sócios mantedores.Algo que é importante deixar claro, os Doutores daAlegria não pedem doações em faróis de trânsito,transporte coletivo, em universidades, ou de casaem casa. Há diversas maneiras de contribuir, parasaber mais detalhes é só acessar o site:www.doutoresdaalegria.org.br. A equipe é formada por profissionais deteatro, circo, música ou dança, mas todosespecializados na linguagem do palhaço. A partirda seleção recebem treinamento de um ano paraadequar seu repertório artístico ao universohospitalar. Os palhaços estão constantemente seaprimorando. O Hospital é um lugar de situaçãolimite, que exige domínio da técnica do improviso 24
  • 25. Rir é o Melhor Remédioe habilidades que enriquecem a interação com acriança. O Núcleo de Formação, Pesquisa eDesenvolvimento documenta, pesquisa e fortalecea linguagem do palhaço assimilando suaqualidade transformadora e abrindo caminhospara atuação além dos hospitais. Há um acervo delivros, artigos, teses, filmes sobre humor e saúde,grupos de palhaços que atuam em hospitais ejovens aprendizes. Apresentam palestras para empresas eescolas. A vocação é uma formação natural dosDoutores da Alegria. Possuem uma grandeformação de cenas, a partir do trabalho direto dohospital e da reflexão sobre ele, que resulta emespetáculos para adultos e crianças. Além doencontro promovido entre diversas escolas egerações de humoristas no Palhaços daMadrugada.Sucesso Comprovado A psicóloga Morgana Masetti com suaexperiência e estudos, comprova em seu livroBoas Misturas, que o sorriso é um fator muitoimportante para o contexto hospitalar. E segundoas informações presentes no livro, há fatores desucesso no trabalho dos Doutores da Alegriarealizado nos hospitais. O mais evidente é autilização do humor e da brincadeira como recursoe linguagem de contato. Além disso, eles sãocapazes de estabelecer uma boa comunicação econtam com um sistema específico de crenças evalores sobre o que acontece dentro do hospital. 25
  • 26. Rir é o Melhor RemédioUma crença muito forte, por exemplo, é a de que,por mais grave que seja o estado clínico dacriança, há uma essência que deseja brincar. Opalhaço está familiarizado com o inusitado, elevive no absurdo sem tentar organiza-lo, massabendo que se ele for capaz de olhar, ouvir, estarpresente, a relação naturalmente se organizará. Eorganização para um palhaço, é aceitar oresultado que se apresenta sem julgamento devalores, mas com o desfecho possível. Morgana Masetti também explica o queocorre no ambiente hospitalar. O palhaço por trásde todo o barulho e confusão que possa fazer,silenciosamente, nos confronta com questõespouco confortáveis do tratamento: a marca que oenvolvimento pode deixar – o que extrapola aquestão da sobrevivência ou não do paciente –quando existe a coragem de se colocarintegralmente nas relações. O palhaço lembra quea qualidade das interações terá impacto nosresultados do encontro. Se elas forem movidasnas relações alegres, a orientação será no sentidoda vida e da saúde. Se forem movidas pelapiedade e submissão (paixões tristes), se voltarãopara a doença. O palhaço circula como umexemplo vivo dessas possibilidades, questionandodespretensiosamente alguns valores do hospital. Segundo Masetti, o sorriso sinaliza quepaciente e palhaço percorreram uma situação dedificuldade e sofrimento, e a ultrapassam, capazesde transforma-la, ao gerar intimidade e uma outrapercepção sobre os fatos. O sorriso é um indíciode que a vida cabe dentro de um meio asséptico.É um fator de recuperação, porque leva ao 26
  • 27. Rir é o Melhor Remédioaumento de potência e a uma conduta ativaquanto à situação vivenciada. Esse ganho de potência, de ação, de viveros encontros e a saúde, surpreendentementeacontece no momento em que se abandona arealidade na forma como ela se apresenta, o quesignifica abrir mão da busca por explicaçõesrazoáveis para os fatos. Vem da possibilidade deabrir espaço para viver cada acontecimento semsustar seu fluxo. É essa percepção, essa coragemque se liga ao conceito de Winnicott, para quem asaúde implica o sentimento de que a vida vale apena (1996), e a oportunidade de recuperar asensação de continuidade de existir (1990). Só oviver é criativo fortalece esse sentimento; é eleque preserva algo de pessoal, de secreto, algumacoisa que apenas uma pessoa, individualmente,pode fazer, à sua própria e tão particular maneira. Para finalizar, a psicóloga conta em seulivro, Boas Misturas, que esse modo de viver só éviável se abrimos espaço para o imprevisível, oinexplicável, o desconhecido de cada relação.Mas, para isso, é fundamental não ter pressa depreenchê-la com uma organização lógica ou como tempo cronológico. Espinosa diz: Oconhecimento não é a operação de um sujeitomas a afirmação de uma idéia da alma: nãosomos nós que nega ou afirma algo de si mesma.Difícil? Sim, mesmo para artistas que decidem serpalhaços. Porque antes de tudo, não se trata deser presenteado com um dom ou algumacapacidade mágica. Como o cirurgião, o palhaço,também aprende a sua arte. 27
  • 28. Rir é o Melhor Remédio Soraia Saide, Doutora da Alegria Giorgio Rocha“Humor é uma forma de entretenimento e decomunicação humana, para fazer com que aspessoas riam e se sintam felizes.” (Wikpédia) É hora de brincar. Começou a brincadeira.Essas são palavras que qualquer criança gosta deouvir. E se colocarmos palhaços nesta brincadeira,agora sim a diversão está garantida. Mas este não é um parque, circo ou campode futebol, e sim em um quarto de hospital, e arigidez e organização deste ambiente não irãoimpedir que a Doutora Sirena formada com louvorem besteirologia visite mais um paciente.Nosso paciente irá receber uma boa notícia, após21 dias internado ele poderá ir embora e sua mãeaguarda impaciente para levar o filho para casa. A Doutora Sirena junto com o seucompanheiro de brincadeiras já estão na porta doquarto, e depois da surpresa inicial e hora deconfirmar a boa notícia.-Viemos aqui para dizer que você está pronto parair para casa e “Alta”, (que significa uma mulhergrande), já vem para levar você embora!Diz aDoutora com uma alegria contagiante! Os Doutores após a notícia finalizam umabrincadeira, e ansiosa na porta do quarto, com as 28
  • 29. Rir é o Melhor Remédiomalas prontas e com o papel da alta nas mãos amãe aguarda pelo filho.Só que uma vez no mundo do faz de conta, ondetudo é possível, o menino não quer interromper omomento e decide continuar a brincar com ospalhaços.São 15 minutos de diálogos, onde na língua dospalhaços, os Doutores da Alegria explicam emostram os seus instrumentos usados paraatender os pacientes, além de risadas, músicas emuita diversão. Ao ver o olhar impaciente da mãe dogaroto, chega à hora da Doutora Sirenainterromper a brincadeira e dizer:- A “Alta” está te esperando lá fora, chegou omomento de você ir para casa...E o menino olhando fixamente para os Doutoresda Alegria diz:- Palhaço, não vai embora, não... sabe que o queeu descobri, eu gosto de dar risada! Diante detamanha descoberta, os Doutores decidem ficar, esó resta a mãe esperar mais um pouco, para totaldeleite do filho. Este encontro faz parte de tantos outrosem que Soraia Saide a Doutora Sirena participou,desde que entrou para o elenco dos Doutores daAlegria no ano de 1993.Para fazer parte da trupe Soraia Saide percorreuum longo caminho.Com 16 anos ela começou a fazer curso de teatrono Teatro Escola Célia Helena.- Fazia o curso escondido de pai e mãe quequeriam que eu fosse médica ouadvogada. 29
  • 30. Rir é o Melhor Remédio Indo contra o desejo dos pais, Soraia seforma atriz pela Escola de Arte Dramática da USP. Nesta época decide também fazerjornalismo, o que a levou a trabalhar por três anosno anuário do Guia Rural da Editora Abril.Tanto o jornalismo como o emprego na EditoraAbril foram abandonados.A paixão pela a arte de representar falou maisalto. A vocação e o ofício que queria para sua vidasempre foi o teatro. O acaso levou os Doutores daAlegria ao encontro de Soraya. Antes de entrar para o elenco, elaparticipava da Troupe de Atmosfera Nômade,dava aulas de interpretação no Teatro EscolaCélia Helena e fazia teatro em fábricas. Ela estava com um espetáculo em cartazque foi recomendado ao Wellington Nogueira,palhaço fundador dos Doutores da Alegria e quena ocasião procurava por palhaços.- Ele foi assistir à "Uma rapsódia de personagensextravagantes" gostou e convidou o elenco paraconhecer o trabalho no hospital. Fui ver e gostei,por que vi jogo estabelecido entre palhaço ecriança. Fiz o teste e dois anos depois entrei parao elenco. Para se tornar um Doutor é necessário serator profissional com DRT e especialização nalinguagem do palhaço ou palhaço profissional.O texto por qual Soraia passou consiste em quatrofases: - Analise de currículo.- Carta de interesse- Oficina de jogos e habilidades.- Teste no hospital e entrevista. 30
  • 31. Rir é o Melhor Remédio Após ser aceito, o novo membro passa porum treinamento que dura um ano.Durante o treinamento é que o Doutor- palhaçoconhece o seu palco e o seu público. É nestemomento que ele passa a se habituar com a rotinade um hospital, e chega à hora de estabelecer arelação palhaço e médico. Uma relação pautada pela cordialidade erespeito, em que não há espaço para acompetição.-O relacionamento com os médicos e enfermeirasé muito bom, mesmo por que não competimos...Como bem diz o Wellington Nogueira, sótrabalhamos com a veia cômica dos pacientes.Nosso trabalho não tem nada haver com terapia. Éteatro, é jogo, é do que entendemos, somospalhaços profissionais.- Quando entramos num quarto, a primeira coisa épedir permissão pra isso.A segunda é estabelecer o jogo teatral afirmandoque somos médicos besteirologistas, afirmaSoraya. Os Doutores da alegria sabem que dentrodo hospital, os médicos são a figura de maiorpoder, e travestir o palhaço de médico é que tornatudo engraçado.- O médico é um personagem maravilhoso de serparodiado: tem uma linguagem e escrita próprias,roupa branca, um aparato todo, esteto, bloco dereceita, carimbo. Isso tudo pra um palhaço é ummar a ser navegado, diz Soraya Saide. Estabelecer um bom relacionamento comtodos os funcionários de um hospital é apenasuma das etapas que os palhaços devem passar 31
  • 32. Rir é o Melhor Remédiopara chegar no seu objetivo principal, o encontrocom os pacientes. E para que os pacientes aproveitem edesfrutem o máximo de cada apresentação, é feitauma preparação minuciosa, em que os palhaçostrabalham o improviso, a relação com ocompanheiro de apresentação, com o espaço, ecircunstâncias variáveis.Uma mesma dupla de palhaços visita um mesmohospital durante 10 meses, duas vezes porsemana, seis horas por dia. Em dia de apresentação, eles costumamchegar meia hora antes para poderem sepreparar, e quando começam a se vestir e passara maquiagem, fica fácil entender todo o encantoque as crianças sentem quando encontram comos Doutores do Riso.Na hora do aquecimento os mais musicais, afinaminstrumentos, e os mais corporais fazemalongamentos, variando de palhaço pra palhaço, ede dupla pra dupla. Depois que estão caracterizados, seguemum itinerário pré-estabelecido com as equipes desaúde de cada hospital, e falam com a enfermeiraresponsável por cada setor, assim levantam àsrestrições e recomendações do dia.Esta é uma parte muito importante. Os Doutoresda Alegria precisam saber se alguma criança nãopode rir, por que foi operada, ou se existe algumprocedimento que devem seguir em casos maisespecíficos. Quando no quarto com os pacienteslavam as mãos e pedem licença para cada criança visitada. Para que possam sempre estar bemdurante o trabalho que fazem nos hospitais, cada 32
  • 33. Rir é o Melhor Remédioartista do elenco tem um modo de relaxar. Quepode ser por meio de uma meditação, ou pelosimples ato de regar uma planta. O que o grupo também faz é uma reuniãomensal onde conversam sobre tudo o que osafetam, e por meio da psicóloga Morgana Masetti,que é a coordenadora do Centro de Estudos sobrehumor e saúde, recebem todo o apoio necessárioque possam precisar. Toda esta preparação é feita para que osDoutores estejam em cada apresentação namelhor forma física e psicológica, e que possamter controle maior da situação, para que no fimsejam recompensados com muitas risadas.- O encontro com os pacientes é diferente dotrabalho no palco... O perigo no palco geralmenteé o imprevisto, esquecer a fala, perder a deixa,não imprimir um ritmo. No hospital é não conseguirprovocar a criança para a brincadeira, para o jogo,não conseguir estabelecer uma relação. Comcriança não tem meio termo, se gosta, gosta e senão gosta pede pro pai aumentar o som datelevisão... isso nos dá um traquejo para o palcoabsurdo, o artista perde o medo da platéia, do olhono olho, diz Soraya.Para que possam levar alegria e diversão aospacientes, os Doutores da Alegria não recebemnada dos hospitais em que se apresentam. Como são uma ONG Cultural, o grupo semantém através de Leis de Incentivo à Cultura,por meio de patrocinadores, apoiadores e sóciosmantenedores.E para não depender apenas de incentivos,ministram palestras, cursos, vendem camisetas,pins, livros, e fazem leilões de arte com a renda 33
  • 34. Rir é o Melhor Remédiorevertida para os Doutores da Alegria. Destaforma podem manter toda a infra-estrutura dogrupo. Os Doutores estão em São Paulo, em setehospitais, Recife, em quatro hospitais e no Rio deJaneiro, em dois hospitais. Cada unidade tem auma sede, funcionários e artistas locais. Oprocesso de seleção e treinamento é o mesmonas três unidades. Os artistas selecionados são na suamaioria provenientes do teatro e do circo.Quando não está na pele da Doutora Sirena,Soraia Saide cuida dos seus trabalhos paralelos.- Como somos todos artistas profissionais amaioria dos artistas têm outros trabalhos nos seusgrupos, companhias teatrais ou circos. E muitosaindadão aula. Há dois anos trabalho com a Companhiade Teatro os Satyros, estou no espetáculo A Vidana Praça Roosevelt, e ensaiando um novoespetáculo que se chama Inocência. Nos seus momentos de lazer, Soraiaaproveita ao máximo o tempo que dispõem.Sempre que pode vai à praia e a restaurantes decomida árabe, japonesa, italiana.Adora ouvir MPB, e ler Guimarães Rosa, Mario deAndrade e Clarisse Lispector.Soraia Saide aos 16 anos traçou o caminho que alevou aos Doutores da Alegria, e agora com 45anos de idade, 29 de teatro e 13 como Doutora daAlegria diz com grande satisfação que acertou aseguir a sua vocação.- Gosto da minha profissão, do meu ofício, gostode ser palhaço, de poder trabalhar nos Doutoresda Alegria. 34
  • 35. Rir é o Melhor Remédio Hoje em dia ela é responsável pela seleçãoe treinamento dos novos palhaços para osDoutores da alegria, e espera que a trupe nãopare de crescer.E que possa contribuir ainda mais para cultura dopaís, aprofundando e cuidando da linguagem dopalhaço, e que palhaços das várias vertentes egerações possam se encontrar e trabalhar nosDoutores da Alegria.Mais palhaços, mais alegria e diversão paraaqueles que sabem o quanto pode ser poderosauma risada. Voluntários da Esperança Mayara Vellardi“O amor torna tudo brilhante, agradável evantajoso. O amor é o vaso que contém alegria!”(Madre Teresa de Calcutá) Fernanda Temple Lopes, começou suajornada de solidariedade no ano de 1999, quandotinha 19 anos. A idéia desse projeto tão lindo,nasceu da iniciativa de fazer algo bom pelo serhumano. Não teve apoio de pessoas próximas,mas mesmo assim, insistiu em algo que achouque era certo. A Associação Voluntários daEsperança, atualmente, tem cerca de 15 a 20voluntários. É um número que tem rotatividadedependendo de quantos treinamentos sãorealizados. Os interessados se candidatam, depoisassistem a uma palestra, criam afinidade com o 35
  • 36. Rir é o Melhor Remédiogrupo e passam a integrá-lo. Não tem burocraciapara a entrada. Muitas pessoas procuram o grupoprincipalmente pela internet, a maior parte sãomulheres. A rotina de visitas à casas de repouso ésemanal. Lá praticam junto com os idosos, aulasde dança do ventre, massagem, aula de artes emuitas brincadeiras. Mas também atingem umpúblico mais abrangente, como crianças carentes,hospitais e casas de apoio a crianças com câncer. Trabalham o ano todo, mas as principaisdatas são as festivas, Dia das Crianças, Natal,Páscoa. Para atender alguns hospitais enfrentamresistência, devido a serem locais que já possuemmuita ajuda, por isso procuram atender locais maiscarentes nesse aspecto, então a aceitação é maisfácil.- Para ser voluntário não precisa fazer nada forade casa. Você tem que ter bom coração com osfamiliares, com os amigos, com as pessoas dotrabalho. Dar uma palavra amiga, escutar alguémem um momento difícil, é algo que não custadinheiro, comenta Fernanda. 36
  • 37. Rir é o Melhor Remédio Foto: Mayara Vellardi Voluntários da Esperança / Cantora Monique Angel A maior dificuldade da ONG é a falta depatrocínio. Os voluntários armazenam doaçõesnas próprias casas. Para ser um voluntário, vocênão precisa ser estudante de algo específico,basta ter boa vontade, que juntos trocamconhecimentos para levar o melhor possível paraas pessoas necessitadas de amor, carinho ecompreensão. A Associação surgiu através de um atosingelo de Fernanda. Seu coração foi tocado emmeados de março de 1999, quando entrou nosanitário de um metrô. Lá estava uma senhoramendiga quase sem nenhum dente na boca.Reclamando da vida, da dor, dizendo que nãotinha nem dinheiro para tratar o dente, nem paracomprar remédio. Chorava e dizia que era melhorroubar do que pedir, porque se pedisse ia serconsiderada uma ladra, e não valia a pena teresperança. Disse que tinha sido humilhada poralgumas pessoas e se sentia triste. EntãoFernanda conversou com ela sobre a esperança e 37
  • 38. Rir é o Melhor Remédiolhe deu 1 real para ajudar simbolicamente. Depoisdisso, ela ficou pensando que muitas pessoas jáhaviam perdido a esperança. Começou a montaruma equipe para ajudar instituições carentes. E foino mês de abril, com uma visita a um orfanato,que tudo teve início. Foi atrás de doações eartistas. Fez diversos contatos e começou adivulgar seu trabalho através da internet. Asituação foi evoluindo e com recursos própriosconseguiram registrar a Associação, no ano de2004. - Coordenar os voluntários da esperançapara mim e uma benção. A nossa luta é a dosnecessitados, para levar justiça e esperança amuitos! E hoje criamos e prosperamos em muitosprogramas sociais tentando transformar. Aindaque essas transformações sejam pequenas eabranjam poucas vidas perto das tantas quesofrem, estamos fazendo a nossa parte, tendo osolhos voltados para aqueles que são afetados pelamiséria e desigualdade social. Os resultados sãobelíssimos, e nos dão a certeza de que ainda valea pena ter esperança!, afirma Fernanda. Os locais atendidos são diversos. Apesarda dificuldade financeira, eles não desanimam econtinuam fazendo esse trabalho tão especial. Osasilos atendidos são: Associação de Beneficênciaa Velhice Desamparada; Casa de Repouso SãoMatheus; Lar das Mãezinhas; Lar Humberto deCampos; Recanto dos Idosos de Vila Formosa;Toca de Assis. Os Hospitais e Casas de Apoio assistidossão: Casa Hope (Assistência a crianças eadolescentes com câncer); CBC (Assistência acrianças com câncer); COTIC (Assistência a 38
  • 39. Rir é o Melhor Remédiocrianças com deficiências físicas e metais);Hospital Menino Jesus (Assistência a crianças);Hospital São Jorge (Pacientes com Hemodiálise). As Comunidades Carentes atendidas são:Favela do Pantanal; Favela do Jaguaré; Favela doTolstoi; Itaquera; Jardim Evana; Jardim Ingá;Jardim Helena. E também atendem orfanatoscomo: Casa da Criança Feliz; Casa de amparo aopequeno São João Batista; Casa dos Inocentes;Lar da criança Favos de Luz; Lar da infância daNice. Houve uma situação emocionante paraFernanda. Os Voluntários da Esperança foramconvidados pelo Hospital São Jorge, para realizaruma festa; ou melhor, para uma "bagunçaanimada" em comemoração ao Natal. Então, nodia 15 e 16 de Dezembro foi marcada uma visitaao hospital, com o intuito de invadir o coraçãodaquelas pessoas tentando levar um pouco deesperança.- Foi a primeira visita desse gênero e fico muitofeliz de ter aberto o coração para mais esseaprendizado, pois realmente eu só aprendi.Aprendi mais um pouquinho sobre a grandeza daspessoas, aprendi sobre a vida. Refleti sobre aminha vida, comenta a presidente. Não havia como negar um pedido desses.Um hospital chamando o grupo para levar umpouco de alegria aos pacientes que ficam 4 horaspor dia, três vezes por semana recebendohemodiálise. - O primeiro ato antes de entrarmos, foiuma oração. E realmente somos preparados.Acredito que quando abrimos o coração comhumildade tudo o que nos falta no momento é 39
  • 40. Rir é o Melhor Remédiosuprido, aborda a fundadora. Foto: Mayara Vellardi Voluntários da Esperança / Cantora Monique Angel O grupo estava composto nesse dia dediversos voluntários. Fernanda de palhaça. Rafaelde Papai Noel, Cleber de Repórter Frango, e paraacompanhar Davi e a outra Fernanda como apoio. Foram o total de 12 apresentações paradiferentes pacientes de quinta para sexta compacientes diferentes, revezando alguns voluntáriosenquanto a palhacinha acompanhou tudo. Eles não haviam ensaiado, e sepropuseram a fazer algumas animações de últimahora. Entre as brincadeiras e as músicas, com seuhumilde violão, na primeira sessão, Fernanda viasempre os olhos das pessoas. Então, ela deu umamensagem ao microfone, e seu coração estavaplenamente engasgado, pediu força em silêncio equando saiu chorou quieta, mas logo na segundaestava firme de novo e depois destas 2, forammais 4 e até 6 apresentações no dia. 40
  • 41. Rir é o Melhor Remédio - São tantas lindas lembranças, doei minhavoz nas canções, meu sorriso, meu carinho emtodas as vezes que tocava nas mãos deles,escutei bençãos como "Você é maravilhosa... Suaalegria contamina..... Obrigada por alegrar meudia..... você tem o dom de encantar aspessoas...... Que pena que já vai embora..... vocêé iluminada...", diz Lopes. O ingrediente principal no trabalhovoluntário é o amor sincero, que faz a caridade setornar mais pura e verdadeira. As pessoas têmque ser quem são. Os adultos devem voltar aserem crianças, porque se a caridade é pura, ela éinocente como as crianças. - Tivemos a presença dos enfermeiros,imaginem só eles dançando as canções decrianças com coreografias, outro enfermeiroimitando o apresentador Sílvio Santos, outroimitando E.T., foi uma farra só, conta Fernanda. Os pacientes se divertiram, colocaramperucas, participaram de histórias onde eram ospais do papai Noel, cantores, entre outrospersonagens. Também seus sorrisos romperam ador, pelo menos naqueles momentos de alegria. Os olhos dos pacientes eram atentosseguiam tudo. Prestavam atenção nas músicas deesperança, alegria e cantaram muito. Alguns nãotinham nenhuma vontade de brincar, porquesentiam dor, mas mesmo assim, depois de tudo,agradeceram pelo bem que estava feito. Imaginem pacientes cegos cantandomúsicas de Funk, como “Tô ficando atoladinha”.Eles tiveram iniciativas de cantar e fazer piadastambém. Outros pacientes cantaram a música“Festa no Apê”, alguns fizeram graça pedindo rim 41
  • 42. Rir é o Melhor Remédiopara o Lula, outros expulsando o Lula dali, todosem uma alegria contagiante. Em um dos quartos, quando os voluntáriosentraram havia uma senhora com os olhosmarejados de agonia, e Fernanda chegou com seuviolão para cantar baixinho “Pelos prados ecampinas verdejantes eu vou. Tu és Senhor o meupastor...” Então, a mesma senhora chorou o queestava engasgado, carinho sincero, as palavrasque lhe disseram foram com amor, que no seucoração havia um Deus amável e era só confiar.Havia gaita, saxofone, violão, pandeiro tudo emum mesmo quarto, muitas experiências lindasvividas por esse grupo tão especial. - Eu acredito nos pequenos milagres. Esempre disse isso "Ver um rosto transformando-seda dor para a alegria é uma das coisas mais lindasque existem" Eu agradeço a todos que fizeramparte desse trabalho, foi algo marcante e especial,reconhece Lopes. -No último quarto, um paciente disse àdona do hospital que o cumprimentava: “Nós nãosomos doentes.” Aquilo para mim foi uma grandelição. Afinal doentes são aqueles que nãoacreditam na vida, nem em seus milagres. Muitoobrigado a todos. E muito obrigada a Deus pelaoportunidade de servir um pouquinho. Meemociono ao lembrar, encerra Fernanda. Palhaço Nhoque Nair Teruko“Felicidade é certeza de que a vida não está sepassando inutilmente.” (Érico Veríssimo) 42
  • 43. Rir é o Melhor Remédio Quando o doutor Hunter Adams teve aidéia de fundar um hospital gratuito e cuidar degente carente e doente, não imaginava que trariabenefícios para milhões de pessoas espalhadaspelo mundo. A ação social que naquela época nãotinha nome passou a ser denominada de trabalhovoluntário. E muitos empresários passaram aadotar essa sistemática em suas empresas. Oilustre fundador ganhou vários seguidores fiéis pordiversos países, como o Brasil. Um deles é o Marcelo Ferreira, quetrabalha como ponteador, na fábrica da Ford deSão Bernardo. “Marcelinho” se inspirou no filme“Patch Adams”, o amor é contagiante, para iniciarseus trabalhos sociais. Fez o curso de CapelaniaInfantil, no Hospital das Clínicas, para aprender alidar com crianças em diversas situações e cuidarde pacientes em estado terminal. Palhaço Nhoque divertindo as crianças Como o pai dos doutores, “Marcelinho”adora visitar hospitais, creches e casas derecuperação e cuidar de crianças doentes vestidode palhaço. É nessa hora que se transforma no“Nhoque”, para alegrar a garotada e distribuirbexiga e pirulito. Mas por detrás dessa máscara 43
  • 44. Rir é o Melhor Remédioesconde um pai, preocupado com o bem-estar e asegurança da família, que não cansa de levar ofilho de três anos e a filha de 11 à escola. E nãomede esforços para ajudar a esposa nos afazeresda casa, que necessita de cuidados médicos, apósa extração de dois tumores na tiróide. O trabalho do palhaço “Nhoque” seassemelha ao objetivo de seu fundador, de levarcarinho e atenção às populações excluídas pelapobreza, epidemia e conflito e através do risocuidar da saúde e amenizar o sofrimento daspessoas. “Marcelinho” costuma visitar pacientescom lepra, no Hospital de Hanseníase emSorocaba e crianças com fogo selvagem, que éuma doença que dá no corpo e a pele parece todaqueimada. “Marcelinho” não é ativista político, mascomo seu mestre, luta também por um mundomais justo. Não pode ver crianças puxandocarroça que fica indignado. Pede licença e elemesmo empurra. E pergunta:“Já tomaram café?”- Não, “tio”.Diante da negativa, “leva os pequeninos paracasa, dá pão, leite e bolachas”. E faz um apelo àsfamílias: “nunca abandonem seus filhos, por maiorque seja a dificuldade, pois nada substitui o amordos pais”. 44
  • 45. Rir é o Melhor Remédio Transformação: de Marcelo Ferreira à Palhaço Nhoque Assim como seu fundador, “Marcelinho”não se limita apenas na cura através do humor, sepreocupa em atingir um objetivo maior, de ajudarao próximo com dedicação e paixão para mudar oestilo de vida das pessoas e evitar problemas. Euma forma de contribuir é divulgando seustrabalhos para jornais do bairro e televisão. ARede Globo, a maior emissora do país, mostrou atrajetória de “Marcelinho” no programa AntenaPaulista, destacando três momentos principais: eletrabalhando, se transformando no palhaço“Nhoque” e sua visita ao Hospital do Câncer ADC. Os Bombeiros Nair Teruko“(...)Há há há há há, mas eu tô rindo à toa, nãoque a vida seja assim tão boa, mas um sorrisoajuda a melhorar(...)” (Música - Falamansa.) Uma outra iniciativa inspirada notrabalhado desenvolvido pelo doutor HunterAdams partiu do grupo de “Bombeiros” da Ford. 45
  • 46. Rir é o Melhor RemédioEles resolveram montar um teatro infantil, com onome “Brincar é bom, mas não assim”, queensinava de forma divertida a cuidar da saúdepara não ficar doente. Diferente dos tradicionais doutores daalegria, o grupo procurava ajudar gentenecessitada através do riso. E o meio encontradofoi a arte cênica. No palcoos personagens Buscapé, Biribinha, Dengão eChapolim, se transformavam em palhaços etransmitiam às crianças o modo correto para nãose machucar ou adquirir doenças. A peça “brincar é bom, mas não assim” eraapresentada nas escolas dos bairros pobres daperiferia. O sucesso foi tanto, que a peça infantilse transformou em projeto, para atender apopulação carente, visando saúde, educação,segurança e bem-estar social. Da noite para o dia,os bombeiros viraram artistas e começaram a darentrevistas para o Diário do Grande ABC, RedeGlobo. E o objetivo maior do grupo começou aficar de lado. O intuito seria continuar fazendo otrabalho do “feijão com arroz”, que estava dandocerto. O time fez apresentações por dois anos ealguns meses. Pena que o teatro acabou. O grupose desmembrou com a saída de dois personagensprincipais. De qualquer forma foi considerado porvários críticos como um trabalho excepcional.Como o doutor Hunter Adams, os “Bombeiros”faziam apresentações para levantar o astral eatravés das gargalhadas evitar doenças. O Humor na Saúde Leiliane Lopes 46
  • 47. Rir é o Melhor Remédio“O coração alegre serve de bom remédio; mas o espírito abatido seca os ossos.”Provérbios 17:22 A Terapia do Riso é um método terapêuticopara tratamento de depressão, melancolia, mauhumor, estresse e diversas outras doenças. Masantes de explicar o porquê que o simples ato desorrir pode mudar um quadro clínico, vamosanalisar como um sentimento negativo pode sertransformar em uma doença dentro do corpohumano. Acordar cedo, dormir tarde, trabalhar,pagar as contas e aumentar as dívidas. Convivercom medo, insegurança e desigualdades. Ohomem do século XXI é cercado por divergênciasque confundem as mentes causando estresse, eoutras doenças. Principalmente em moradores decidades grandes que correm contra o tempo pararealizar todas as suas tarefas. Não é difícil de encontrar logo pela manhãpessoas nervosas e muito mal humoradas.Existem vários motivos para que elas sejamassim, mas é preciso tomar muito cuidado, poismau humor e a tristeza podem resultar em váriasdoenças físicas. Isso acontece porque o nossoorganismo somatiza este estado negativotransformando em algo nocivo gerandoenfermidades.Adoecendo As diferentes emoções podem serliberadas por processos catárticos. A dor pode ser 47
  • 48. Rir é o Melhor Remédioliberada de diversas maneiras, dependendo dotipo de emoção com a qual estamos lidando. O ser humano foi programado para movera dor para fora dos nossos corpos e quando não ofazemos ela cria raízes profundas nos adoecendo.Precisamos liberar emoções, movê-las para forados nossos corpos e fazemos isso de váriasformas sorrindo, chorando, com raiva, comtristeza, alegria e etc. O pesquisador suíço, Hans Salye disseque a interpretação do estresse é dependente nãosó de elementos externos, mas também dapercepção individual dos eventos e do significadoa eles atribuído. O modo como você percebe umadeterminada situação vai determinar se vocêreage a ela como uma ameaça ou como umdesafio. O estresse ‘mau encarado’ cria mudançasfisiológicas prejudiciais à saúde. O elo entre oestresse e algumas doenças como pressão alta,tensão muscular entre outras foi comprovado pordiversas pesquisas. Quando não liberamos a dor ea tensão e a doença se desenvolve passamos atratá-la somente com remédios que só saram ossintomas e não a raiz do problema.Curando O mau humor, a infelicidade, a tristeza e omedo são problemas que nascem primeiramentena mente humana e por isso pesquisadoresdesenvolveram técnicas que modificam estessentimentos para que a pessoa passe a seenxergar de outra forma e tenha uma melhorasignificativa de suas doenças. 48
  • 49. Rir é o Melhor Remédio É assim que terapia do riso vem sendoutilizada como método terapêutico, pois elacomeça a mudar o pensamento do paciente comlições que ensinam a lidar com as adversidadesretirando delas tudo o que pode ser positivo. Podemos ilustrar esse pensamentorecordando do filme “ A vida é bela” de RobertoBegnini. No filme o pai faz com que seu filhopense que estão em uma gincana fugindototalmente do real sentido do que estavam vivendodentro do campo de concentração. Bill Coby dizia “ Se você pode rir de umacoisa, poderá sobreviver a ela”. Existe uma ‘lenda’ na psicologia que dizque quando crianças damos em torno de 400risadas por dia e quando crescemos apenas 15. Anossa cultura nos ensina que dar risada é coisa decriança e que amadurecer é sinal de ‘ficar sério’ eessa ‘seriedade’, por muitas vezes, é a causa danossa doença. São poucos os profissionais quetrabalham com essa técnica, por mais que estejaconfirmada através de pesquisas que o riso auxiliana recuperação e na cura de pacientes reduzindoo tempo de tratamento e de internação em até20% . Conceição Trucom, cientista e consultoraque recentemente lançou um CD com técnicaspara se fazer a terapia do riso em casa, nos dizque é muito difícil de implantar a terapia do riso nopaís, em especial em São Paulo, pois nãolevamos a sério o fato de dar risada. “Realmenteé muito difícil montar turma de Terapia do Risoaqui em São Paulo. Desde 1998 que venhotentando e não flui”, conta Trucom. 49
  • 50. Rir é o Melhor Remédio Uma boa parte dos terapeutas contatadosdesconhece o assunto e até mesmos entre ospsicólogos esse tema não é muito estudado.Chegamos a contatar todas as clínicas de terapiasdivulgadas na lista telefônica e nenhumprofissional trabalhava com essa técnica ouconhecia alguém que trabalhasse com riso. “Aspessoas não levam a sério essa história daTerapia do Riso, Clube do Riso e tudo mais.Poucas pessoas conhecem”, completa a cientista. Segundo ela, muitos acreditam que se tratasomente de um grupo de participantes trancadosem uma sala rindo e ‘ficando alegrinho’ por unsminutos e por isso, não dão a credibilidademerecida para esse trabalho. “Então vou fazendominha parte, escrevendo textos, divulgandominhas palestras e é assim que vai acontecendo”,encerra. É preciso entender que o riso de quefalamos não é só ficar forçando uma risada ousomente mexer os músculos da face mostrando osdentes. O riso que ‘cura’ é a resposta a umestímulo interno ou externo. Precisamos lembrar que o riso e o choroestão localizados no mesmo lugar no cérebro, ohipotálamo. “Estimule o lugar em certa freqüênciae obterá lagrimas, faça com outra freqüência eterá riso.” Precisamos aprender a rir da dor e que éesse o grande poder do riso. Quando você mudadentro de você o sentido do problema e estimulaou percebe um outro sentido da história vocêpoderá rir dele, como alívio ou comoagradecimento. 50
  • 51. Rir é o Melhor Remédio Mudar a visão de alguns fatos, brincar comsentidos de outros, esquecer daquilo que não sepode mudar te ajudam a desligar dos problemasda mente que te adoecem. E quando você vence,você sorri. E como esse sorriso é resposta de umareação interna e externa ele passa a ter poder decura. Conceição Trucom resume a terapia doriso em “trata-se da conquista de uma mudança decontexto para com os desafios da vida. Aprender arir dos próprios defeitos, armaduras, bloqueios emedos, é a etapa de partida para o lugar do riso.” E agora vamos analisar fisicamente oporquê que o riso cura. Enquanto você ri o seu corpo movimenta28 músculos e aciona vários órgãos. NaAlemanha, uma pesquisa feita pelo Departamentode Psicologia de Dusseldorf revela que rir é tãobom quanto praticar esportes. No cérebro o hipotálamo, centro decontrole de emoções, libera do organismo aendorfina que propriedades analgésicas ajudandoa relaxar e a reduzir a dor. As endorfinas sãosubstâncias produzidas pelo corpo para aliviar ador de ferimentos e ajudar-nos a enfrentar oestresse físico. Essas substâncias foramencontradas em todos os animais, porém nosseres humanos elas não só bloqueiam a dor comotambém são mediadoras das emoções. Algumas pesquisas já realizadasdescobriram que a sede das emoções e damemória do ser humano fica no ‘sistema límbico’,com seus vários núcleos e que está situado naregião cerebral chamada hipotálamo que está 51
  • 52. Rir é o Melhor Remédioconectado com a neuro-hipófise, glândula queatua como maestro do sistema. A boca e os olhos passam a liberarimunoglobina, um anticorpo que aciona e melhoraa função imunológica, através da saliva e daslágrimas liberadas durante o riso e isso defende onosso corpo contra algumas infecções virais ebacterianas. O coração passa a bater mais rápido, asartérias se dilatam provocando uma sensação debem estar. Os pulmões expelem enormes quantidadesde ar em grande velocidade alterando aquantidade de peptidios (substancias cerebrais,por exemplo a endorfina) produzidos pelo corpo.O ar expelido oxigena o corpo e isso é bom paramelhorar a boa forma aeróbica. O riso também possui um efeitoantiinflamatório em juntas e ossos; ele podereduzir a inflamação e aliviar a dor em condiçõesartríticas. Norman Cousins testou nele mesmoessa técnica e descobriu que em cada 10 minutosde risada autentica ele tinha um efeito analgésicode pelo menos duas horas. Experiências mundiais têm mostrado queo bom humor, ou melhor, estados de alegriaprovocam uma maior produção de serotonina eoutros neuro transmissores sustentado um bemestar. Pesquisadores da Universidade Yale, EUA,conduziram um estudo que mostrou que nossasexpectativas em relação à velhice determinam omodo como envelheceremos. Para esse resultadoforam entrevistados 660 homens e mulheres com 52
  • 53. Rir é o Melhor Remédiomais de 50 anos. Todos eles haviam sidoentrevistados 23 anos antes. Entre as perguntas do questionário estavaesta: “A medida que os senhores ficam maisvelhos, a vida fica melhor, pior ou igual ao queimaginavam quando eram jovens? Ao comparar osdepoimentos do passado com óbitos registradosno grupo, os pesquisadores perceberam queaquelas pessoas com uma visão mais otimista davelhice tendiam a viver, em média, sete anos emeio a mais que os pessimistas. As emoções positivas inibem a produçãode dois hormônios que são danosos à saúdequando produzidos em excesso: o estradiol e aadrenalina que baixam o sistema de defesa doorganismo, propiciando o aparecimento deinfecções e dificultando o tratamento de uma sériede doenças. Além disso, o hábito de sorrir enrijece osmúsculos do rosto evitando rugas. Será que vocêprecisa de mais algum outro motivo para sorrir? Alguns autores da risoterapia pedem paraque sejam anotados em um papel todos osmotivos que te fazem sorrir, mais ou menos assim:dou risada quando alguém tropeça, quandoalguém fala algo errado, quando penso lembro dealguma situação inusitada, quando ouço piada,quando me sinto aliviada, quando estou com aspessoas que amo, quando vejo uma criançasorrindo, quando vejo o sol nascer, quando estáchegando o final de semana, etc. O simples fato de ser alegre já faz com queseja transmitindo a alegria para outras pessoas.Afinal, a terapia do riso envolve uma comunicaçãointerna e com as pessoas à sua volta. Não 53
  • 54. Rir é o Melhor Remédiopodemos esquecer que o riso é uma comunicaçãouniversal. Como já citamos essa terapia vai alterar ospensamentos e a forma de ver e conviver com omundo. A alegria é uma emoção que vem danossa alma e por isso precisa ser exercitada. Useentão a lista de coisas que te fazem rir e pratique. Normam Cousing teve um diagnostico deque sofria com uma doença degenerativa nacoluna vertebral, e depois de ficar muito tempointernado, recebeu alta médica alegando terpoucos dias de vida. Não contente com essasentença se mudou para um hotel onde recebiaamigos e passava o tempo assistindo filmesengraçados, conversando e jogando carta, coisasque o faziam dar risada e isso lhe dava ânimo,aumentava o apetite e assim melhorou sua saúde,tanto que foi falecer somente aos 75 anos deidade em 1990. Brinquedoteca GRAAC Sheil a CarvalhoMagia e sonho, uma forma de apagar ou esqueceros pesadelos.“A felicidade vai em direção aos que sabem rir”(Provérbio Japonês) 54
  • 55. Rir é o Melhor Remédio O Grupo de Apoio ao Adolescente e àCriança com Câncer (GRAAC) é uma instituiçãosem fins lucrativos e foi criado para garantir aospacientes o direito de alcançar todas aspossibilidades de cura com qualidade de vida. Emparceria com a comunidade foi criada dentro doGRAAC uma sala de espera diferenciada: aBrinquedoteca Terapêutica. A Brinquedoteca é um ambiente dedescontração e relaxamento aonde os pacientes eseus acompanhantes aguardam consultas eprocedimentos. A sala é dividida em cantos e cadaum deles é caracterizado por tema: Canto do bebê: brinquedos e atividadesdirecionadas à crianças de 7 meses a 3 anos. Canto da imaginação: fantasias, perucas,maquiagem e um palco. Nesse espaço as criançaspodem inventar brincadeiras e montar pequenasapresentações teatrais. Canto da leitura: uma pequena biblioteca.Tem livro para diferentes públicos e além doslivros, há também revistas atuais para os pais.Canto do adolescente: computadores e vídeogame para os pacientes mais velhos. É o localmais cobiçado, não só pelos adolescentes, maspelas crianças também.Videoteca: desenhos animados, documentários efilmes. Há empréstimos de livros e vídeos. Os pacientes que ficam impossibilitados deacompanhar o ano letivo, podem ter a reposiçãode aula no GRAAC. A escola do paciente informaao GRAAC o que a classe está aprendendo eenvia para o professor do grupo de apoio omaterial de estudo necessário para o pacienteacompanhar a aula. Os professores do GRAAC 55
  • 56. Rir é o Melhor Remédiotrabalham voluntariamente. Todos os meses a brinquedoteca recebeum profissional para ensinar os pacientes. Sãooficinas de arte, música, origami e umadirecionada para as mães. Os materiaisproduzidos são vendidos em bazar para arrecadarfundos. Não há regras estipuladas. As criançasficam livres para qualquer atividade, com exceçãoda hora do estudo que deve ser cumprida. Todosficam à vontade para se distrair como querem,aproveitando ao máximo o espaço oferecido. A brinquedoteca é um ambiente tranqüilo eque faz com que pareça uma sala de espera comooutra qualquer. As crianças ficam livres e alegres,o que traz um ar especial para o lugar. Só dá paranotar que é uma sala especial quando se conversacom uma mãe ou pai. Em instantes seus olhosenchem-se de lágrimas e a emoção ficatransparente em seus rostos e por isso preferemnão falar sobre o assunto. Ficam lá observandoseus filhos, como se estivessem esperando umaconsulta normal para o tratamento de uma doençarotineira e comum. Os voluntários sentem-se gratificados porcontribuir com um projeto grandioso e semcompromisso com lucros. O objetivo principal doGRAAC e da Brinquedoteca é oferecer uma boaqualidade de vida aos seus pacientes e que estespossam viver normalmente, independente doestágio da doença, que eles possam levar umavida normal como qualquer um. Eles recebemtambém, regularmente, a visita da ONG Arco Íris,que leva alegria, espetáculos, brincadeiras entreoutras atividades. Todos os profissionais que 56
  • 57. Rir é o Melhor Remédiotrabalham com o GRAAC contribuem para que oobjetivo principal do grupo seja alcançado.Entre os serviços oferecidos pelos profissionaisestão as oficinas psicopedagógicas, orientaçãopsicológica ao pais, brincadeiras orientadas eatividades lúdicas durante a internação. Atravésda psicologia é desenvolvido projetosmultidisciplinares importantes para a melhoria daqualidade de vida dos pacientes e envolve apreparação para procedimentos com a utilizaçãode um boneco terapêutico e o projetoprofissionalização, direcionado para osadolescentes. Para os pacientes que estão internados ouem sessão de quimioterapia, aonde devem ficarimóveis durante certo tempo, há a briquedotecacirculante. São carrinhos de brinquedos,organizados e limpos diariamente, e circulam entreos andares de internação. Essa é mais uma formade transformar um ambiente de clima pesado emalgo mais leve e aconchegante. Atualmente a Brinquedoteca Terapêutica,que está em parceria com o Instituto AyrtonSenna, conta com uma equipe de doisprofissionais: Patrícia Pecoraro, coordenadora dolocal e Dora Saggese, pedagoga e uma equipe detrinta e seis voluntários. Um remédio chamado alegria Priscilla Bassani“Caridade é um sentimento de compaixão ou umaação altruísta de ajudar ao próximo sem qualquertipo de recompensa.” (Wikpédia) 57
  • 58. Rir é o Melhor Remédio O livro conta diversas histórias mostrandoo ato de amor ao próximo, onde seusprotagonistas são voluntários com o propósito delevar alegria nos hospitais, trabalho já antigo e quetem como percussor Patch Adams, já citado nodecorrer do livro,o homem que tem uma enormepaixão por sua missão de ajudar pessoas. Hospitais, asilos, orfanatos... esses são oslugares que fazem o papel de picadeiro paraesses palhaços voluntários. A missão é a mesmados colegas de circo: levar alegria e bom-humoraonde quer que estejam. E começa do mesmojeito... Respeitável público, vamos apresentar...eleusa nariz vermelho, sapatos enormes, perucas,fazem trapalhadas, e não importa o tamanho ou aidade dos presentes, mas sim o sorriso estampadono rosto de cada pessoa, e com eles por perto aalegria está garantida. Eles fazem de tudo para ohospital transforma-se no melhor picadeiro para selevar a alegria, através de um trabalho muito sério,e com uma receita milagrosa para a cura: umapequena mistura de palhaçada com o dom de umverdadeiro palhaço, que leva a felicidade e asolidariedade refletida no rosto de cada umpresente. Atualmente brincam e atendem noshospitais, milhares de voluntários anônimos pelasmais variadas causas e iniciativas. São jovens,universitários, empresários, professores e pessoasda terceira idade, que de alguma forma queremuma transformação social para construir um paísmelhor. Existe cerca de 180 grupos que realizamesse trabalho no Brasil, dentre eles Doutores daAlegria citado em páginas anteriores, CantoCidadão e outros que preferem não divulgar seu 58
  • 59. Rir é o Melhor Remédiotrabalho ou fornecem informações desde quepacientes e doutores sejam divulgados de maneiraanônima. O atendimento é realizado soborientação médica de cada hospital, de modo queesse trabalho não traga nenhum risco ouinconveniência nos tratamentos em processo. Esses são os verdadeiros palhaçossolidários, são pessoas que dedicam uma parte doseu dia para ajudar ao próximo e às vezes atédeparam-se com momentos complicados, comolidar com a situação dos enfermos e do ambientehospitalar. Muito natural sabendo que todos queestão presentes naquele ambiente ficam com ospensamentos limitados entre a vida e a morte, aesperança e a desilusão, este paradoxo é ogrande desafio desses verdadeiros “doutores” e, oqual, eles enfrentam com maestria sem igual. Atuar no universo de enfermos exige maisque a palhaçada, mas também mergulhar nessarealidade, se esforçar, ter dedicação, com umaenorme necessidade de preparo, sensibilidade ebom senso em qualquer momento que irá atuar. O“doutor palhaço” é aquele que em primeiro lugarestá entregue de corpo e alma em todos osmomentos sem pensar ou medir os riscos esempre respeitando os limites do próximo. A partirdeste momento ele fará de tudo para não causarproblemas e como resultado enxergar vida empessoas especiais. Como no caso relatado poruma voluntária do grupo canto cidadão, nodepoimento abaixo, onde demonstra sua emoçãoao realizar seu trabalho com uma criançaportadora da Sindrome de DOWN. “Fiquei muito emocionada com odepoimento do Dr.Pepe ! Obrigada Também 59
  • 60. Rir é o Melhor Remédiogostaria de registrar uma experiência. Terça feira,no Hospital Alexandre Zaio (Zona Leste),passando pela Enfermaria, Dr.Carcará e eu fomospresenteados por um anjo abençoado de nome X,portador da Síndrome de DOW que nosrecepcionou em seu leito com braços abertos esorriso nos lábios, nos contou muitas piadas,imitou boneco ventríloquo, Silvio Santos na TeleSena Premiada, Gil Gomes, etc, demos muitarisada !! foi muito gratificante. Tivemos sorte deencontrar o Anjo X, para falar a verdade, Carcaráe eu, estávamos um pouco sem saber o que fazerao ver no Pronto Socorro, rostos desamparados,desde cedinho a espera de um clínico que nãoapareceu ! fato constante naquele local. Para nãoestender muito, Anjos com simples gestos,alimentam nossas esperanças” (Depoimento deDoutores Cidadãos) Um dia lindo, quente,quando em segundos surge um cenário diferente,uma pessoa triste, quieta, sozinha e o dia tornou-se totalmente o contrario do que foi visto minutosatrás.”Mas isso pode melhorar, essa é a função dopalhaço no hospital” comenta o doutor-palhaçoDaniel.A vida é curta e precisamos viver comalegria a cada minuto... “Infelizmente, tive um problema de saúde enão pude comparecer a um processo seletivo paraparticipar como voluntaria de uma organização .Inexplicavelmente, sem nenhum histórico quejustifique, sofri um AVCI aos 39 anos de idade.Fiquei sem os movimentos do lado direito. Fiqueiinternada no Hospital Santa Paula por 14 dias. Foium período difícil, que enfrentei com coragem,graças a minha fé em Deus e a alguns “anjos” queELE colocou no meu caminho. Alguns deles 60
  • 61. Rir é o Melhor Remédioestavam disfarçados de dedicados e carinhososenfermeiros cujos nomes foram gravados parasempre num cantinho especial do meu coração.Mas teve um anjo especial que me visitoudisfarçado de Dr.Parmegianequito do CantoCidadão!Me fez rir, esquecer por um momento demeus problemas, me senti única e tive vontade deviver e recomeçar. Uma honra! Foi muitogratificante poder ver de perto esse trabalho quetanto admiro. Tive seqüela na perna direita, mas jávoltei a andar e estou fazendo fisioterapia e elessempre me vistam graças a ajuda deles estou merecuperando”. ( Depoimento de paciente) Quando pacientes são tratados somente ocorpo o resultado pode ser positivo ou negativo,mas quando a alma é tratada com carinho e afetode um outro ser humano,sempre será positivo ,mesmo que seja muito dolorido. Fazer parte doprocesso de transformação e evolução de um serhumano é presente divino, principalmente paraquem se entrega e faz por merecer a receber essepresente. Assim como diz a frase de Adams: Esse é um desafio divino com recompensadivina, pela capacidade que o voluntário possui deoferecer oportunidades de recuperação, caminhode evolução. Pois não é só o paciente que sealegra com a presença dos palhaços, como relataa filha de uma paciente que acompanhava suamãe todos os dias até a sua melhora... “No dia em que os doutores-palhacosforam visitar minha mãe no HSPM (Hosp. ServidorPúblico Municipal de São Paulo) vi o quanto otrabalho deles ajuda na recuperação dospacientes, e também como eles conseguiram dara chance de minha mãe mostrar um pouco do seu 61
  • 62. Rir é o Melhor Remédiotalento e isso fez com que a auto estima dela seelevasse a ponto de me comover com tamanhopoder que tem esse tratamento. Minha mãe foicantora das "Irmãs Galvão", quem a conheceu foio Clerson. Não sei se ele vai se lembrar afinal sãotantas pessoas que tem o privilégio de ter apresença desses voluntários nas horas difíceis davida mas eu sei que este dia foi muito especial pratodos na minha família e eles foram o assunto deuma reunião de família que foi feita logo depoisque minha mãe teve alta admiro muito o trabalhode vocês. Que Deus abençoe cada um de dessesvoluntários”. Este é o sentido do trabalho dosvoluntários, sensibilizar as pessoas a aplicaremessa dose de entusiasmo e animação aos seussonhos, pois dessa maneira é possível colocar emprática aquilo que se acredita. E para que tudofique maravilhoso, divertido e descontraído ospalhaços utilizam diversas maneiras de brincarsão utilizados brinquedos, técnicas de mágicas,malabarismo, teatro, tudo que puder para serengraçado e atrair atenção e risos dos pacientes,além de músicas e uso de improvisações. “É muito fácil perceber que o pacientemelhorou, pela sua expressão percebe-se osorriso, troca de olhares verdadeiros com ospalhaços, tudo de modo que não estivessem nohospital e sim no circo”. ( Enfermeira ) São depoimentos como esse que enche deentusiasmo os voluntários para invadir os hospitaiscom a certeza de que o carinho, a alegria, orespeito e a cidadania são tão importantes para acura quanto os medicamentos tradicionais. “Sou filha de uma paciente que esteveinternada no hospital Perola Bayton. Deus 62
  • 63. Rir é o Melhor Remédiotransformou no dia 21/05/2006 a minha mamãeem uma estrela. Foram 4 meses de batalha emuito sofrimento. Mas tudo terminou de umaforma que não aceitei até hoje, mas terminou. Senti-me impotente, vi que minhas mãossó podiam dar carinho, e eu só podia falarpalavras de consolo. Porque só Deus tem o poderde mostrar nosso destino.Mas uma coisa eu quero declarar aqui, quemesmo diante de todo este sofrimento, ela sempreesperava por uma turma de palhaços que ia visita-la, queria saber que hora e dia iriam passar noquarto. Vocês deram a minha mãe no hospitalmomentos de alegria e esperança. Eu vi nos olhosdela o brilho de felicidade, quando os anjoschegavam no quarto. Vou agradecer sempre porisso. Parabéns pelo trabalho realizado por essesvoluntários e por fazer as pessoassorrirem.Mesmo que seja o último sorriso”.(Depoimento de acompanhante de enfermo) Os palhaços nos hospitais mostram otrabalho, a alegria contagiante, a garra, vontade,iniciativa e coragem de fazer algo pelo próximo,com a presença marcante e com algo mais, davida que todos eles exalam.Motivando todos asaírem do comodismo e colocar velhos sonhosadormecidos em prática. A alegria no rosto dos pacientesdesprovidos de saúde, de afeto, de amor éinstantânea e mostra que a força da mente para oprocesso de reabilitação é muito importante. O risosincero cura qualquer doença, mas a tristeza e omau humor podem afetar a saúde física, sendouma vibração muito destrutiva.O bom humor ajuda 63
  • 64. Rir é o Melhor Remédiona cura e previne doenças. Rir é o melhor remédiopara o corpo e o espírito. A presença do palhaço traz alegria paratodos que estão nos hospitais. Segundo aenfermeira Sara, funcionária do hospital SantaMarcelina, as mães sempre revelam a ela queapós as sessões apresentadas pelos voluntários,as crianças ficam mais alegres, sorridentes, commenos medo da internação, fora a extremaimportância que eles tem para elas mesmas, comoo alivio e conforto. “Quando os palhaços entraram naenfermaria reparei somente em uma criança, era ocaso mais grave, ela estava com câncer e nãoqueria passar por sessões de quimioterapia.A mãeda criança chorava o tempo todo ao ver osofrimento da filha, com a presença dos palhaços,a criança começou a sorrir e pude seguir meusprocedimentos de enfermagem sem que eladerrubasse uma lagrima sequer.Notei também oenvolvimento da mãe com os voluntários, entãoisto, alem do efeito positivo na criança , tambémrepercute na mãe, ela relaxou e isso é muitoimportante para criança ela se sente maisconfiante, os o trabalho desses voluntáriosconsegue humanizar o atendimento e ameniza oambiente.” (depoimento da enfermeira Sara) O palhaço tem o dom de fazer as pessoasa perceber o mundo real através do que elassentem, ensinando a rir de si mesmo, mesmo elesendo desastrado e sempre derrotado, ele nuncadesiste de tentar, assim como o paciente nuncadeve deixar de tentar lutar pela sua vida. Eleameniza a dor do paciente, transforma todo aquelecenário medonho em um dia de festa, de 64
  • 65. Rir é o Melhor Remédiocomemoração, chama a atenção daquilo queainda está saudável no indivíduo doente, brincardevolve a força que é algo que todo ser humanoprecisa na luta contra a doença, mesmo que nãopossa ser de maneira objetiva, no plano subjetivo,o paciente não se sente tão fraco, pois estáfazendo o que todo o ser humano sabe e podefazer: sorrir. Sorrir, gargalhar vale mais que qualquerremédio milagroso contra depressão, tristeza,tédio, solidão, medo, reações que os pacientestendem a ter dentro de um hospital, sua eficáciatem poder de ressuscitar um pacientedesanimado. Um bom sorriso sempre vemacompanhado de descontração, amor e alívio,nada melhor que a presença de um palhaço paraajudar na cura desses sentimentos. Eles nos dizem palavras de incentivo, nosfazem perceber que vale a pena viver, vale a penarecomeçar. Pessoas precisam muitas vezes maisde atenção do que de medicamento, por isso osmédicos podem contar com a ajuda dessesvoluntários ou ate mesmo desenvolver essetrabalho tornando-se um, preocupando-se emcuidar da família e do paciente e não só dasdoenças. Os “doutores palhaços” tem como metalivrar as pessoas do sofrimento, pela cura interior. Então sempre sorria você esta sendocurado, este é trabalho dos voluntários quetrabalham todos os dias em hospitais para levar aalegria. O depoimento abaixo revela a alegria deser um voluntário. “Foi incrível o meu plantão no hospital,pude rever alguns pacientes que já haviaconhecido no plantão anterior. Um deles o Sr. 65
  • 66. Rir é o Melhor RemédioConrado, foi vitimado de um derrame cerebral eestá por hora, impossibiliado de falar e semovimentar, porém os seus olhos(que coisalinda!) são capazes de expressar tudo aquilo queele quer exteriorizar, ele é muito fofo e receptivo.Na semana passada ao contrário da primeira visitaele estava só e não tínhamos a filha comointerlocutora da ultima vez cheguei pertinho dele eperguntei: - lembra de mim bebezinho? Ele sorriucom olhos e afirmou que sim fechando aspálpebras. Disse a ele baixinho: - Esta sua folgavai acabar , logo voce ficará bem e vai voltar pracasa. Chega de moleza!Ele começou a rir e para oestado que ele estava eu diria que ele gargalhou,foi maravilhoso para mim, a melhorrecompensa.Meu coração ficou tão preenchido deamor que me sinto a pessoa mais feliz do mundo”.(depoimento de voluntária) O sonho do “doutor palhaço” é semprelevar a alegria e a cidadania que correm nas veiasde todos voluntários a todos os cantos do país.Desenvolvendo isso passo por passo, riso porriso. “Hoje minha manhã foi bastante corrida,mas a minha tarde compensou qualquer sacrifício.Ainda sinto no coração a euforia, alegria, emoção,satisfação em ter me tornado uma DoutoraPalhaça. É um misto de sentimentos que me fazrefletir em como a vida tem sido boa comigo.Depois de um período de dificuldades, angústias,dúvidas, separação... descobri como um sorriso,um olhar, um pequeno gesto de solidariedadepodem fazer a diferença. Aprendi que VIVER ésimples, é bom, é gratificante, basta sentirmos quea cada nascer do sol, que a cada entardecer, a 66
  • 67. Rir é o Melhor Remédiocada estrela que surge no céu, nós estamos vivos,respirando, tendo pessoas que amamos ao nossolado e que, apesar dos problemas, que nosimpulsionam a continuar, nós somos especiais.Tenho certeza que meus objetivos serãocumpridos e que eu serei muito feliz! Um superbeijo no coração de cada um e no nariz de seusrespectivos palhaços, alegria a todos” (depoimentode voluntário)Giorgio Rocha Trabalho atualmente como assessor de imprensa dos Trovadores Urbanos. Sou recém formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Escolher o tema para o trabalho de conclusão de curso não foi uma tarefa fácil, da mesma forma que se tornar um jornalista não é algo simples de 67
  • 68. Rir é o Melhor Remédiose alcançar. O tema do nosso livro é a terapia doriso, pela mídia conhecemos um pouco sobre esteassunto, e com o nosso trabalho de conclusão decurso pretendemos mostrar que a terapia do risotem muito mais a ser descoberto.Leiliane Lopes Recém formada em jornalismo pela Universidade São Judas, paulista, 21 anos, é repórter de uma revista e site de música. Confesso que no começo não gostei do tema, mas pelas pesquisas feitas e as entrevistas tive um contato maior com a Terapia do Riso e passei a aplicar em mim e a ensinar para meus familiaresque esse método de tratamento psicológico émuito simples e faz muito bem.Mayara Vellardi Minha decisão em fazer jornalismo foi por alguns motivos, sempre gostei muito de escrever e de falar, principalmente de aparecer. Com o passar do curso aprendi que o jornalismo possui diversas vertentes. Há espaço para todos, desde os tímidos até os que adoram aparecer, 68
  • 69. Rir é o Melhor Remédiocomo eu por exemplo! Tem a assessoria deimprensa, ramo que estou trabalhando com muitogosto, na qual ajudo a desenvolver a imagem dacantora Monique Angel. Para mim o jornalismonão é só uma profissão e sim um estilo de vida!Nair Teruko Trabalho há anos numa grande multinacional, cuja área é composta de governo, imprensa e relações públicas. Sou formada em letras e agora em Jornalismo. Muitas vezes, ser comodista pode provocar atraso no desenvolvimento profissional, em outras, é uma questão de tempo, esperar e agir no momento certo, ou deberço, que passa de pai, para filho e netos, ouainda, ter pessoas influentes, que nos ajudem aprogredir na vida.Priscila Bassani Nasci em São Paulo, 21 anos, descendente de português e italiano, herdei esse temperamento forte e decidido. Estou terminando o curso de jornalismo na Universidade São Judas Tadeu e trabalho também como administradora de empresas. Adoro escrever quando trabalho e livremente nas 69
  • 70. Rir é o Melhor Remédiohoras vagas, no decorrer do curso de jornalismoadquiri muitos conhecimentos para aprimorar maiso meu modo de escrever,costume que tenhodesde adolescente, que começou com cartinhas efoi evoluindo ao longo dos anos.Sheila Carvalho Gosto de ouvir histórias, gosto de escrever, as notícias mudam a cada instante, pronto, achei o que procurava. Não tenho experiência alguma. Já escrevi para alguns sites de televisão, mas nada demais. Não sei se posso considerar a faculdade como experiência, mas acredito que vou chegar lá e mudar algo,pode não ser o mundo, mas já fico feliz de mudaro bairro onde moro.Agradecimentos:Agradecemos a Deus, às nossas famílias e aosnossos amigos pelo apoio e colaboração.Agradecemos também aos professores, poisdesempenharam um árduo trabalho junto conosconesse período de 4 anos. Hoje, concluímos maisessa etapa de nossas vidas, agora seguiremoscomo jornalistas formados para o imenso mercadode trabalho. 70
  • 71. Rir é o Melhor RemédioBibliografia:Masetti, Morgana - Soluções de Palhaços.Masetti, Morgana – Boas Misturas.Lambert, Dr. Eduardo – A Terapia do Riso / Acura pela alegria.Funes, Mariana – O Poder do Riso / UmAntídoto Contra a Doença.Masetti, Morgana e Lopes, Edson – Boca Larga. 71

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