O estilo internacional silvio colin

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  • 1. 1O ESTILO INTERNACIONALTradução de Sílvio Colin - Publicado em 29/09/2011http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/09/28/estilo-internacional-ii/#more-2842Acesso em 5 de agosto de 2012.A expressão Estilo Internacional, apesar de muitas vezes ser confundida com ArquiteturaModerna, refere-se, stricto sensu, à arquitetura racionalista-funcionalista produzida,sobretudo dos anos 1930 a 1950 no mundo ocidental, correspondente ao plenodesenvolvimento dos princípios defendidos pelas vanguardas modernistas europeias dos anos1920, a partir de modificações introduzidas nos Estados Unidos. Pode ser tambémchamado Alto Modernismo. A expressão Arquitetura Moderna é bem mais amplo, referindo-setambém às vanguardas europeias dos anos 1920, que lhes são anteriores, e também amanifestações posteriores, como as Megaestruturas, Novo Brutalismo e outros movimentos.Deve-se a Henry-Russell Hitchcock, um dos mais importantes historiadores da arquiteturaamericana de seu tempo, a cunhagem da expressão Estilo Internacional, usado pela primeiravez em seu livro Modern Architecture. Romanticism and Regionalism em 1929. Sua intenção,na época, era apenas dar nome a certa arquitetura europeia dos anos 1920. Neste livro, aexpressão criada por Hitchcock tinha em mente a obra dos arquitetos europeus tais como LeCorbusier, Jacobus Oud, André Lurçat, Gerrit Rietveld e Mies van der Rohe. O que muitoimpressionou a Hitchcock foi o evento da Exposição Werkbund em Stuttgart, de 1927, na qualse apresentou o Bairro Weissenhof. Para o projeto do Bairro, dirigido por Mies van der Roheforam convidados arquitetos de diversas nacionalidades. Entre os alemães Walter Gropius,Ludwig Hilberseimer, Hans Scharoun, Adolf Gustav Schneck, Bruno e Max Taut, RichardDöcker, Hans Poelzig e Adolf Rading estavam Victor Bourgeois (belga), Le Corbusier e PierreJeanneret, (suíços), Josef Frank (austríaco), Jacobus Johannes Pieter Oud e MartStam (holandeses).O historiador americano caracterizava o Estilo como enfatizando as texturas superficiais,ornamentação reduzida a formas abstratas, sem nenhuma referência ao passado, priorizaçãodo “volume” e do “plano”, em detrimento do chamado “valor de massa”. Esta últimacaracterística pode ser bem entendida quando se compara dois edifícios canônicos daarquitetura industrial da época, a Fábrica Fagus de Gropius e a Fábrica de Turbinas da AEG, deBehrens. Este último, com certas ligações com a arquitetura do passado, valorizando a “massa”por meio dos maciços dos cantos. No edifício de Gropius, a busca da leveza volumétrica o fazretirar os pontos cegos laterais.
  • 2. 2Fabrica de Turbinas AEG. Berlim, 1909. Arq. Peter Behrens e Fábrica Fagus, Alfeld em Laine, 1913.Arq. Walter Gropius. Dois marcos da arquitetura industrial moderna.Imagens <de.wikipedia.org> e <dearchitecturablog.com>Em 1932, Hitchcock, associado a Philip Johnson, jovem filósofo ainda não graduado emarquitetura, fez a curadoria da primeira exposição de arquitetura no Museu de Arte Modernade Nova Iorque (MOMA), que chamou Modern Architecture-International Exhibition. Nolivro The International Style: Architecture since 1922, publicado em paralelo, Hitchcock ampliaos princípios estéticos do estilo: predomínio do volume sobre a massa; espaços definidos porplanos muito leves; regularidade prevalecendo sobre a simetria; uso de materiais suntuosos;perfeição técnica em lugar da ornamentação; flexibilidade de planta e esmero nas proporções.O movimento europeu original, entretanto, guardava algumas diferenças da sua evoluçãoamericana. Em primeiro lugar pela feição política e social.Na Europa, a arquitetura era considerada então um grande catalisador e somente um dosaspectos das mudanças na ordem social. O termo “internacional” não podia fugir da afinidadecom as chamadas Internacionais socialistas [1]. Mas também estava o movimentoarquitetônico ligado ao Zeitgeist (espírito da época), da cultura tecnológica do século XX, e aodesenvolvimento de uma estética da máquina. Em 1925, Walter Gropiuspublicou Internationale Architektur. Em 1927, Ludwig Hilberseimer publica o seu Internationaleneue Baukunst (Nova Construção Internacional) ano em que se realiza Internationale Plan-und-Model Ausstellung neuer Baukunst (Exposição de plantas e maquetes da Nova ConstruçãoInternacional) juntamente com a exposição dos edifícios do Bairro Weissenhof.
  • 3. 3Vista aérea do Bairro Weissenhof. Stuttgart, Exposição Werkbund, 1927.Imagem <en.wikipedia.org>Estes aspectos político-sociais, entretanto, não encontravam espaço no ambiente norte-americano, onde prevalecia a ênfase em aspectos formais, tal qual foi entendida por Hitchcocke Johnson. Segue-se então uma divulgação intensa. A exposição do MOMA percorreu onzecidades norte-americanas, e muitas outras mais em uma versão condensada. O escritor ecrítico Nikolaus Pevsner lançou em 1936 o livro Pioneiros do Desenho Moderno e SiegfriedGiedion, em 1941 lança o seu seminal Espaço, tempo e Arquitetura. O Nascimento de umanova tradição. O primeiro livro examina as condições da nova tradição arquitetônicacaracterizando sua suposta origem no movimento Arts and Crafts, da segunda metade doséculo XIX, na Inglaterra. O livro de Giedion caracterizava o Movimento Moderno como umindefectível sinal dos tempos, um caminho sem volta para a arquitetura, ideia que alimentoumuitas gerações de arquitetos no mundo ocidental durante décadas.
  • 4. 4Bairro Weissenhof. Projeto de Hans Scharoun. Imagem < sv.wikipedia.org>Bairro Weissenhof. Projeto de Mies van der Rohe Imagem < sv.wikipedia.org>
  • 5. 5Bairro Weissenhof. Projeto de J. J. P. Oud. Imagem < sv.wikipedia.org>Bairro Weissenhof. Projeto de Le Corbusier. Imagem www.skyscrapercity.comComo assinalou recentemente o crítico Josep Maria Montaner, parte da arquitetura norte-americana, a mais nacionalista, nunca chegou a se identificar com a arquitetura de origemcentro-europeia levada aos Estados Unidos por Mies, Gropius, Breuer etc. Para muitos
  • 6. 6arquitetos, o sistema Beaux-Arts seguia constituindo a linguagem mais genuinamente norte-americana, já que o neoclassicismo foi a linguagem vigente do momento de seu nascimentocomo nação. No início dos anos 1930, dentro dos limites que Hitchcock e Johnsonestabeleceram para o Estilo Internacional, muito poucos edifícios caberiam na classificação, emesmo assim, advinham de arquitetos de formação europeia. Havia a Casa Lovell, projetadapor Rudolph Michael Schindler, aluno de Otto Wagner, emigrado da Áustria em 1914,emNewport Beach, Califórnia, a casa Lovell de Los Angeles, do também austríaco Richard JosefNeutra, de 1927, entre outros esparsos exemplos. Merece destaque também o trabalho naCalifórnia do suíço Albert Frey, o austro-húngaro Frederick John Kiesler, sediado em NovaIorque e o alemão Oscar Stonorov, sediado na Filadélfia, que nos anos 1940 acompanharia osprimeiros passos de Louis I. Kahn.Casa Lovell, Newport Beach, Califórnia. 1926. Rudolph Schindler.
  • 7. 7Casa Lovell. Los Angeles, 1927-9. Richard Neutra.O suíço William Lescaze, sócio de George Howe, americano da Filadélfia, associaram-se em1929, e, juntos, assinaram a autoria do mais importante edifício com traços modernistas nosEstados Unidos, o Philadelphia Saving Funds Society (PSFS), embora com aspectos aindaremanescentes de métodos projetuais passados.A arquitetura de Frank Lloyd Wright fica difícil de definir, segundo o estabelecido porHitchcock e Johnson, e este seja talvez um dos maiores problemas da crítica d então. O granderomântico americano era admirado na Europa, sobretudo na Holanda, tendo inclusiveinfluenciado os arquitetos neoplasticistas. Embora mantendo algumas características similaresàs da arquitetura europeia, como a leveza e a fluidez espacial, em outros momentos lhe eracompletamente contrária, como nos apliques decorativos, e na ligação aos materiais naturais,contrários à “arquitetura da máquina” e a tal perfeição mecânica. Chamava a arquiteturaeuropeia de “arquitetura ready-made dos internacionalistas”.Também se devem excluir do Estilo Internacional importantes arquitetos William van Allen,Harvey Wiley Corbett, John Mead Howells, bem como a larga série de arranha-céus“modernistas” cunhados sob o estilo Art-Déco, como o Chrysler Building de William Van Allene o Rockfeller Center, do qual Corbett projetou um dos edifícios, além de outros com traçosainda do ecletismo de 1920 e 1930.
  • 8. 8DESENVOLVIMENTO DO ESTILO INTERNACIONALA crise econômica dos anos 1930 não impediu que por todo o território dos Estados Unidos seconstruíssem edifícios com estas diretrizes estilísticas, seja por arquitetos que já as haviamassumido, como Neutra, Howe e Lescaze, seja por outros novos praticantes que a eles seuniram. Durante a década ocorreram mudanças substanciais no campo do projeto: aarquitetura tradicional começou a interessar-se pela espontaneidade no uso dos materiais,pela sensibilidade com que se acomodavam os edifícios ao terreno e pelas condiçõesclimáticas do lugar. Começou-se a analisar o que havia dado de si cinquenta anos dearquitetura californiana de madeira de sequoia e as repercussões do clima nas soluções deprojeto, as características dos materiais, a madeira laminada e o contraplacado, o plástico e ometal, atraíram a atenção dos profissionais. Olhou-se para a pré-fabricação como meio de“aumentar a economia”. A oferta de novos tipos de construção abriu um horizonte depossibilidades formais até então desconhecidas – a “curva livre”, a diagonal, o hexágono, queafetaram inclusive as coberturas e a disposição das paredes. Sobre isso, a padronização dasinstalações e serviços aumentou o grau de flexibilidade admissível nas plantas, o que provocoucerta crise nas hipóteses que dominavam então o processo de projetação, por entender que aplanta livre não satisfazia as necessidades de privacidade e sossego.Philadelphia Saving Funds Society. Filadélfia, 1932.Arq. William Lescaze e Geoge Howe.
  • 9. 9Junto à planificação de bairros e cidades, se pôs também em primeiro plano o tema damonumentalidade, isto é, a aptidão para se conseguir uma arquitetura “símbolo dos ideais eanseios da sociedade”.Este gênero de reflexões se confirmaria de maneira imprevista no final dos anos vinte. Aascensão do nazismo na Alemanha induziu muitos teóricos e projetistas a mudar-se para osEstados Unidos; alguns se dedicaram ao ensino, outros como Marcel Breuer, Gropius,Hilberseimer, László Moholy-Nagy, Mies van der Rohe e Martin Wagner retomaram suacarreira profissional interrompida. Pelo caminho da docência, de escritos e exposições, fizerampropostas similares às que animavam o mundo da construção nos Estados Unidos,consolidaram o que havia sido transformações latentes e recônditas no ensino de arquiteturaque receberia grande parte dos arquitetos em exercício a partir dos últimos setenta anos.Lake Shore Drive. Chicago, 1947-51. Arq. Mies van der Rohe.A expansão econômica dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial proporcionouoportunidades sem paralelo para a construção. O Estilo Internacional voltou a dominar a cena:se lhe atribuíram àqueles edifícios que reuniam as peculiaridades de composição a base deperpendicularidades e paralelismos, ausência de ornamentação, precisão técnica no empregode materiais mais recentes, presença hegemônica de grandes superfícies de vidro epreferência pela planta livre. O credo do Estilo Internacional se referendou com a exposição de1947 no mesmo MOMA, dedicado à obra de Mies van der Rohe, com a monografia escrita por
  • 10. 10Johnson sobre o mesmo. Já então um arquiteto e crítico de prestígio, Johnson insistiria emreferir-se aos princípios deste estilo em repetidas ocasiões, porém em meados dos anos 1960não hesitou em modificar a definição do mesmo como resultado, talvez, da popularização esimplificação experimentada pelo termo, para condensá-la nos aspectos de “veracidade naestrutura, interação de ritmos modulares representados por grandes panos de vidro,predileção pelas coberturas planas, conveniência das formas cúbicas por suas qualidades decontinentes perfeitos e supressão de motivos ornamentais”.Edifício Sede das Nações Unidas. 1947-51. Arq. Wallace Harrison.As mudanças que se adivinhavam em princípios dos anos 1950 induziram Hitchcock aescrever “The International Style Twenty Years after” (O Estilo Internacional vinte anos depois)na Architectural Record (1951), para afirmar a “existência de um núcleo disciplinar naarquitetura”, quer dizer, que o “Estilo Internacional” havia tido um “resultado feliz” nosEstados Unidos e que este fato bem poderia ser qualificado como “o maior avanço do séculoXX”. Colin Howe observou que as edificações de aço e vidro que atualmente se relacionamcom a sociedade industrial se converteram em “… o disfarce das atividades que empreendeum capitalismo ‘glorificado’ “. Os primeiros indícios dessas relações se observam em váriasobras: o edifício de doze pavimentos para a Equitable Life Assurance (1945-48) em Portland,Oregon; na emissora de radiodifusão WFY de Wallace Harrison em Schnectay, Nova Iorque; nocentro médico Bellevue da Universidade de Nova Iorque do SOM [2] e o projeto para o edifíciode escritórios para a Associação dos Empresários da Construção (1947) de Nathaniel Owins.Seria, entretanto Mies van der Rohe o mentor do arranha-céu de estrutura metálica e vidro,
  • 11. 11padrão que se repetiria nas décadas seguintes, nos edifícios do Lake Shore Drive, em Chicago(1948-51), uma retícula de perfis de aço estandardizados preenchidos com lâminas de vidro; oefeito era de um brilho intenso e a sensação era a de estar diante do produto de umasociedade em estado técnico muito avançado. Harrison, diretor de planejamento de umaequipe internacional de conselheiros em matéria de projeto, apresentava ao mesmo tempoum projeto semelhante para o edifício sede da Secretaria das Nações Unidas (1947-50) [3]. Sobo comando do chefe de projetos, Gordon Bunshaft, a empresa SOM iniciou o seudesenvolvimento aplicando a essência daquele modelo a algumas edificações destinadas a dara imagem de empresas de diversas atividades, das quais os exemplos mais representativos sãoa Casa Lever (1951-52) e o Consórcio Hanover de Fabricantes (1953-54), ambos em NovaIorque. Apesar disso, foi novamente Mies van der Rohe quem criaria “a imagem perfeita depoderio e credibilidade” [4] no Edifício Seagram de Nova Iorque (1954-1958).Lever House. Nova Iorque, 1952. Arq. Gordon Bunshaft (SOM).Fosse em equipamentos docentes [Instituto de Tecnologia de Illinois, Chicago, 1945-56] ouresidências [Casa Farnsworth, em Plano, Illinois, 1045-50] Mies van der Rohe praticou umaestratégia de projeto parecida, se bem que trabalhasse com volumes de pouca altura ebasicamente horizontais. Eero Saarinem soube aproveitar esta bagagem no Centro Técnico da
  • 12. 12General Motors, em Warren, Michigan, [1946-55], uma obra muito copiada, como naCompanhia Geral de Seguros Connecticut, em Bloomfield, 1954-57, projetada pelo escritórioSOM. A utilização de volumes de aço e vidro em residências atraiu a Gregory Ain, EdwardBarnes, John Johansen [5], Philip Johnson e alguns arquitetos mais. A transcendência que teveeste tipo de residências se faz patente nas casas Case-Study. Charles Eames levantou a suacom peças de fabricação industrial a fim de obter o máximo de espaço fechado com ummínimo de recursos. Raphael Soriano, com o patrocínio de Arts and Architecture desenvolveuum projeto partindo da obra de Mies van der Rohe, porém condicionando-o a que na execuçãointerviessem componentes artesanais e técnicas construtivas acessíveis. Gropius e Breuerconstruíram nos subúrbios de Boston várias casas que recordavam as de Weissenhofsiedlungde 1927 e adaptaram também versões ampliadas de seus desenhos de residências eequipamentos docentes dos tempos da Bauhaus, como as residências para os graduados daUniversidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts [1949-1950], de Gropius ou aResidência Cooperativa do Vasar College, em Poughkeepsie, Nova Iorque [1950], de Breuer.Casa de Vidro. New Canaan, Connecticut, 1949. Arq Philip JohnsonA expressão Estilo Internacional findou, pois, tendo um duplo significado: tanto se referia a umsurto de edifícios erguidos entre 1920 e 1930, como também aos edifícios que proliferaram emtodas as cidades dos Estados Unidos representando entidades, empresas e sociedades derenome. De um modo ou de outro, nada tinha a ver com as circunstâncias históricas que, nadécada de 1920 deram significado à arquitetura europeia, e o Estilo Internacional acabou pordesignar uma abordagem formal de projeto, uma temática vinda da Europa e suas variaçõesamericanas.
  • 13. 13PÓS-ESCRITO: O ESTILO INTERNACIONAL NO BRASILSilvio ColinEdifício Esther. São Paulo, 1936. Arq. Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho.No Brasil, o Estilo Internacional é muitas vezes confundido com o Movimento Moderno comoum todo. Os Edifícios Nova Cinta, Bristol e Caledônia, no Parque Guinle, Rio de Janeiro, de1948, assinados por Lúcio Costa, por exemplo, são muitas vezes citados como legítimosrepresentantes de nossa versão do Estilo, assim como os pioneiros Edifício Esther, de VitalBrasil e Adhemar Marinho [1936-38] em São Paulo e o próprio Ministério da Educação e Saúde[1936-44] incluem-se neste rol internacionalista. Se uma abordagem livre pode admitir ainclusão, por outro lado, traz algumas outras questões. Em primeiro lugar por se tratar de umestilo, em sua versão americana, que se utiliza, decanta a Industrialização e a simboliza. Estesedifícios brasileiros citados se constituem em uma experiência heroica de, com uma indústriaedilícia apenas nascente, se equiparar aos feitos internacionais, nem sempre com bonsresultados. Além disso, graças, sobretudo ao pensamento de Lúcio Costa, sempre se procurouincluir nestes edifícios elementos regionalistas de nossa forte tradição cultural, como osazulejos no MES, e os elementos cerâmicos, ao jeito de muxarabis, no Parque Guinle, o que seconstitui em uma ousada e original desobediência. Mesmo Brasília, que em alguns de seusedifícios chega a representar o Estilo, tem na obra de Oscar Niemeyer edifícios de umaambição formal não condizente com o EI, como é o caso do Itamarati, do Palácio da Alvorada,entre outros.
  • 14. 14Edifício Avenida Central. Rio de janeiro, 1958-61.Arq. Henrique Mindlin.O Estilo Internacional teve sua verdadeira representação no trabalho de Rino Levi [EdifícioSeguradora Brasileira, 1948-56], de Giancarlo Palanti [Edifício Conde Prates, 1952], de FranzHeep [Edifício Itália, 1956], em São Paulo, para citar alguns apenas dos mais importantes, e oEdifício Avenida Central, no Rio de Janeiro, de 1958-61, de Henrique Mindlin. Este, umaexperiência pioneira, tentando implementar o uso da estrutura metálica aqui, uma experiênciaque se revelou tecnicamente satisfatória, porém não teve maiores consequências naquelemomento, devido à falta de adequação de nossa indústria siderúrgica. Ainda hoje, o concreto éo material mais utilizado.A década de 1960, para nós, foi aquela da implementação do Estilo Internacional. Mas nunca ofizemos de maneira tão absoluta como nos Estados Unidos. Aqui fomos muito influenciadospelas idéias racionalistas de Le Corbusier, mas também por sua profunda liberdade de tratar osprojetos, típicas de um homem de atelier, não de escritório técnico. As formas sensuais eginomórficas de Niemeyer marcaram profundamente nossa arquitetura e rivalizaram com aavassaladora vertente miesiana. Além disso, como recebemos esta cartilha com certo atraso,ela já nos chegou tingida com outras ideias como a do Brutalismo e do expressionismo mega-estrutural, típicos da década de 1950 avançada e, sobretudo da década seguinte.