Migração para Software Livre nas Universidades
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Trabalho feito na Universidade Católica de Brasília

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Migração para Software Livre nas Universidades Migração para Software Livre nas Universidades Document Transcript

  • Migração de Software Livre nas Universidades 1 Eugênia Cândida Oliveira de Moura2, Mauro Tapajós Santos3Resumo O Software livre é uma opção adotada cada vez mais por instituições e empresas. Issose deve ao fato de que o Software livre apresenta inúmeras vantagens na sua adoção. Taisvantagens não se limitam somente à redução de custos, mas variam desde custos a utilizaçãode equipamentos antes obsoletos até vantagens operacionais e independência de fornecedor.O presente artigo apresenta uma análise sobre o processo de migração adotado em algumasuniversidades brasileiras. Essa análise tem como foco principal, avaliar o processo adotadopelas universidades, além de destacar as dificuldades e vantagens alcançadas com amigração, visando extrair argumentos para incentivar a implantação de Software livre naUniversidade Católica de Brasília, em áreas onde ele poderia ser uma alternativa.Palavras-chave: Processo de Migração para Software Livre.1. Introdução O uso de Software Livre no Brasil cresceu tanto no Governo quanto nas instituições deensino, visto que este atende a vários requisitos e necessidades das organizações. O SoftwareLivre tornou-se uma alternativa viável comparado ao software proprietário, com váriasvantagens na sua adoção como, por exemplo, a redução de custos, eliminação de problemasno controle de licenças, flexibilidade na configuração do ambiente, além de permitir areutilização de equipamentos antes obsoletos com o uso de software proprietário. Uma análisemaior destas vantagens pode justificar a adoção de Software Livre em alguns casos. Asuniversidades possuem um ambiente propício para o uso de Software Livre por serem grandesdesenvolvedoras e disseminadoras do uso desta tecnologia. A migração para Software Livre não é um processo simples quando se trata deempresas e instituições grandes. A mudança de cultura em um ambiente pode ser traumática egerar impactos desagradáveis. Porém, existem relatos de sucesso de organizações queimplantaram software livre. Contudo, para se alcançar o sucesso, é necessário umplanejamento do processo de migração. Esse processo de migração envolve inúmeras etapas eresponsabilidades e estas são importantes para evitar transtornos ou que o processo demigração tome um escopo inviável. Segundo o Guia Livre [3], a migração envolve umplanejamento minucioso e uma metodologia deve ser adotada para tal. Na seção 2, serão apresentadas aspectos importantes, vantagens, dificuldades emetodologias adotadas por algumas universidades no processo de migração de softwareproprietário para software livre. Estas universidades foram analisadas com intuito de entendero processo adotado na migração e levantar parâmetros para fundamentar migrações naUniversidade Católica de Brasília - UCB. Argumentos para a implantação de software livre naUCB serão apresentados na seção 3. Na seção 4, a conclusão será apresentada.1 Trabalho desenvolvido como projeto de pesquisa Cesmic da Universidade Católica de Brasília em abril/2007;2 Aluna do curso de Bacharelado em Ciências da Computação, eugeniacandida@gmail.com;3 Professor Orientador, tapajos@abordo.com.br;
  • 2. Referencial Teórico A metodologia adotada por cada universidade varia de acordo com as necessidades etamanho do campus no qual o processo de migração foi executado.2.1. UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais A UFMG adotou um processo de migração parcial executado no campus da Pampulha.Tal campus dispunha de 900 computadores utilizados por 1200 usuários e 5 servidores comNetware 6 e Windows, além do ambiente de rede local conectando os 14 prédios do campus.As estações de trabalho utilizava o sistema operacional Windows e poucos softwares livres, amaioria era licenciados. A metodologia adotada pela UFMG foi basicamente definir um pilotoe treinar um grupo de pessoas para implantá-lo. A migração foi feita de forma parcial e paratal, servidores SAMBA foram configurados, permitindo que estações de trabalho Windows secomuniquem com novos servidores GNU/Linux. Esse projeto piloto foi implantado em algumas unidades acadêmicas da UFMG, vistoque a migração era parcial. Nas estações de trabalho, o sistema operacional escolhido parasubstituir o Windows foi o Conectiva Linux, pelo simples fato de ser em português. O GFTP,um cliente FTP, foi utilizado para transferência de arquivos e como interface gráfica optarampelo KDE, além de outros pacotes como OpenOffice, Mozilla Firefox, etc. A metodologiaadotada pela UFMG foi simples: treinar uma equipe e implantar um projeto piloto emalgumas unidades acadêmicas. Os critérios para escolha como, sistema operacional, interfacegráfica além dos demais pacotes livres, foram baseados nos conhecimentos da equipe técnicaresponsável pelo projeto piloto.2.2. UFG – Universidade Federal do Goiás/CAJ Já existia software livre no campus de Jataí, como o navegador Mozilla e o pacoteOpenOffice, no entanto eram softwares livres instalados nos departamentos de computação elaboratórios de informática da instituição. Após a migração, não só os departamentos decomputação passaram a utilizá-los mas também outros departamentos. Essa universidadeoptou por uma migração gradual e aleatória, migrando por departamentos. No campus de Jataífoi realizado um estudo do ambiente e definido uma equipe responsável por tal migração.Segundo Ferreira [2], não foram utilizados critérios para escolha das distribuições. Autilização dos pacotes e distribuições foram determinadas pelos discentes e docentes dauniversidade. Para tal, uma entrevista foi realizada envolvendo todos os docentes e discentes.Contudo, a equipe também fez escolha de acordo com o ambiente, como o uso do SAMBApara interconectar estações Windows com os servidores GNU/Linux, visto que o ambienteiria continuar com software proprietário. Além da opção pelos sistemas gerenciadores debancos de dados MySQL e Postgres. A falta de política, relacionada com regras, normas e responsabilidades para realizar oprocesso de migração foi uma das dificuldades apresentadas durante a implantação, além daausência de treinamento. A UFG não dispunha de uma equipe técnica treinada para realizar talmigração. A principal vantagem foi o aproveitamento de hardwares que apresentavamperformance inviáveis com uso de software proprietário. A customização de hardwares, arobustez no Kernel Linux e facilidade de gerenciamento foram características destacadascomo vantagem na adoção do Software Livre naquela instituição [2].2.3. UCS – Universidade de Caxias do Sul
  • A UCS desenvolveu um projeto piloto de migração para Software Livre para serimplantado com o objetivo de avaliar o nível de conhecimento da equipe técnica, treiná-la evalidar a arquitetura planejada para realizar a migração. A migração aconteceu de formagradual, procurando minimizar problemas decorrentes do mau planejamento. O campus daUCS dispunha de cerca de 1800 computadores, todos com Windows e 40 servidores, sendoque mais de 30 eram baseado no sistema operacional Netware. A migração envolveu umestudo do ambiente e equipamentos utilizados no campus, com o estudo planejou-se umaarquitetura para a migração da plataforma atual para uma nova, substituindo o softwareproprietário. A substituição das ferramentas como OpenOffice, Mozilla, Gimp, ocorreu emprimeiro plano, visto que a migração completa traria uma mudança de cultura considerável. Uma das vantagens apresentadas pela UCS com a adoção de software livre é oaumento da vida útil dos equipamentos, aumento da flexibilidade de configuração doambiente, além da redução dos problemas encontrados com licenças. Com o uso de softwarelivre em quase toda a universidade, esta utilizou-se de tecnologias livres como Zope e Plonepara desenvolver uma aplicação workflow para uso interno da própria UCS. Um dos motivospara o desenvolvimento da aplicação utilizando tecnologias livres foi o alto custo deaplicações workflow disponiveis no mercado [6].2.4. Unicamp – Universidade Estadual de Campinas A Unicamp, assim como as demais universidades analisadas, optou por realizar umamigração gradual. Um dos principais objetivos da Unicamp com relação a migração paraSoftware Livre foi a busca por estabilidade nas plataformas, visto que existiam problemasrelacionados com travamento de servidores e degradação da rede ocasionada por servidoresWindows. A Unicamp vem contribuindo consideravelmente no desenvolvimento desoftwares livres após a migração no campus. A distribuição GNU/Linux Librix, o Rau-Tu, umsistema de perguntas e respostas, o Nou-Rau, sistema de armazenamento e indexação deconteúdos digitais, assim como o GeCon, um gerenciador de conteúdo para publicação Web,dentre outros, fazem parte da lista de softwares livres desenvolvidos pela Unicamp. Édestaque a competência desta universidade no desenvolvimento e uso de Software Livre. As principais vantagens destacadas pela adoção de Software Livre na Unicamp foi aredução de custos e independência relacionada à software.2.6. UEG – Universidade Estadual do Goiás A UEG adotou a implantação parcial, por setores, partindo pelos envolvidos cominformática. A migração envolveu apenas 21 máquinas na unidade de Santa Helena. Oprocesso de migração foi devidamente planejado. A metodologia para o planejamento damigração envolvia basicamente o levantamento de requisitos. Ou seja, identificar a estruturafísica e lógica do ambiente, identificar público alvo, avaliar o impacto da migração além dedestacar as vantagens na utilização de software livre. Tal metodologia é semelhante arecomendada pelo Guia Livre, anteriormente citado. A UEG, fez uma pesquisa completasobre os conhecimentos dos discentes e docentes desta unidade, com intuito de avaliar o queexatamente poderia ser migrado sem gerar problema. O foco da UEG era migrar parasoftware livre sem afetar ou afetar de forma mínima os discentes e docentes do campus. Apesquisa realizada ajudou a escolha das distribuições e pacotes, como o JDK, o JUDE e oMYSQL. A distribuição Conectiva Linux foi utilizada por ser uma distribuição brasileira e degrande familiaridade para os alunos.3. Resultados Com a análise das universidades que passaram ou ainda estão em processo demigração para software livre, podemos visualizar uma série de aspectos ao se optar por tal
  • tecnologia. Contudo, temos como principal resultado, o sucesso na migração quando esta ébem planejada. A migração de uma plataforma proprietária para uma aberta é sem dúvidasbem complexa e trabalhosa. Cada universidade adotou por uma metodologia que melhorencaixa no seu ambiente visando obter o máximo de sucesso na migração. A Universidade Católica de Brasília já possui alguma experiência em software livre. AUCB tem, assim como a Unicamp, desenvolvido software livre. No entanto, nem todos osdepartamentos desta universidade passaram por uma real avaliação devidamente suportada.Processos de migração na UCB poderiam ser viáveis, dada a experiência existente comsoftwares livres. A universidade possui profissionais qualificados para realizar umplanejamento eficaz, e um forte centro de competência em TI, uma das grandes justificativaspara se considerar a alternativa.4. Conclusão Com a análise feita, nota-se a importância com relação à realização de umplanejamento adequado para se obter sucesso no processo de migração. Consideração feitatambém pelo Guia Livre. Um processo de migração bem planejado envolve uma série deatividades nas quais irão minimizar o impacto gerado com essa mudança de cultura nainstituição. As universidades analisadas, por apresentar limitações, adotaram o processo demigração parcial, visto que este envolve um impacto menor na mudança, tanto para usuárioscomo para o operacional envolvido. As limitações apresentadas variam desde a falta de umaequipe técnica treinada até a ausência de uma política de migração. Se pode dizer que os processos, em maior ou menos grau, tiveram resultado maispositivo que negativo. O maior ônus é a adaptação e mudança de culturas necessária da partede todos os envolvidos: usuários, administração de TI e rede, e gestão.5. Referências [1] CONCEIÇÃO, Paulo. Estudo de Caso de Migração para Software Livre do Laboratório da UEG. Lavras, 2005. [2] FERREIRA, Viviane. Aplicação de Software Livre nas Instituições de Ensino Federal da Cidade de Jataí. Lavras, 2005. [3] Guia Livre: Referência de Migração para Software Livre no Governo Federal. [4] MORAIS Fernando, PEREIRA Emerson, ANDALÉCIO Aleixina. Software livre para uso administrativo: a opção do centro de computação da UFMG. [5] Anais do Oitavo Fórum Internacional de Software Livre, 2007 [6] RIBEIRO Alexandre, STROGULSKI Heitor. Projeto de Migração da Plataforma de Software Proprietário para Software Aberto na UCS. FISL, 2001. [7] Anais do Sétimo Fórum Internacional de Software Livre, 2006 [8] UEG. Disponível em: http://bazar.ginux.ufla.br/index.php/MonosARL/search/titles? searchPage=2. Acessado em: 16 Abr. 2007 [9] UniCamp. Disponível em: http://woodstock.unicamp.br:9673/SoftwareLivre. Acessado em: 16 Abr. 2007.