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Conceito

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  • 1. A contribuição da história dos conceitos à ciência da informação: dimensões categórico-abstratas e analítico-causaisRodrigo Rabello INTRODUÇÃODoutor em ciência da informação pela Universidade EstadualPaulista Julio de Mesquita Filho (Unesp), São Paulo-SP, No presente texto buscam-se alternativasBrasil. Estagiário de pós-doutorado no Instituto Brasileiro de metodológicas para pensar o conceito científico noInformação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Brasília-DF, BrasilE-mail: rdgrabello@yahoo.com.br campo da ciência da informação. É importante salientar que o conceito em questão, além de ser constituído por uma natureza que o particulariza,Resumo adquire real interesse quando a ele congregam-A história dos conceitos, embora ainda pouco explorada se valores reconhecidos pela comunidade científica,pela ciência da informação, pode fornecer importantes remetendo à sua imprescindibilidade para acontribuições para o estudo de conceitos-chave que sistematização e formalização de quadros teóricosconstituem o quadro teórico-conceitual num contextocientífico. Nessa direção, a história dos conceitos é que orientam o estudo de diferentes fenômenosapresentada como uma ferramenta para o estudo da informacionais na ciência da informação.diacronia e da sincronia do conceito científico na ciênciada informação. Para tanto, foi mister compreender O conceito científico na ciência da informação tema intersecção das dimensões categórico-abstratase analítico-causais, ambas relevantes por serem sido estudado e/ou instrumentalizado com vistasconstitutivas da própria proposição da história dos ao enriquecimento de seu domínio teórico e da suaconceitos elaborada por Reinhart Koselleck. delimitação disciplinar, à luz de sua conformaçãoPalavras-chave historiográfica e epistemológica. Além disso, o estudo do conceito no campo tem sido direcionado àConceito científico. História dos conceitos. Epistemologia. busca de subsídios para as práticas relacionadas aoCiência da informação. fenômeno da informação.The contribution of the history of concepts Considerando a ciência da informação como objetoto information science: categorical-abstract de análise, prioriza-se discutir questões metodológicasand analytical-causal dimensions atinentes a problemas semânticos que, por sua vez,Abstract ajudam a explicar problemas ônticos do campo. Parte- se da hipótese de que a dimensão científica (emThe history of concepts, albeit still little explored byinformation science, can provide important contributions processo) é formada por conceitos que assumemfor the study of key concepts that constitute the posição polissêmica e categórica, por sua relevânciatheoretical-conceptual framework in a scientific context. ôntica no campo teórico, podendo ser estudadosThus, the history of concepts is presented as a tool for mediante uma abordagem histórico-conceitual.the study of diachronic and synchronic features of thescientific concept in Information Science. For such, itwas imperative to understand the intersection of the A partir dessa possibilidade, objetiva-se apresentar acategorical-abstract and analytical-causal dimensions, história dos conceitos como um método historiográficoboth relevant for constituting the very proposition of the que, ao ser direcionado à crítica de fontes documentaishistory of concepts elaborated by Reinhart Koselleck. de interesse à ciência da informação, possa auxiliarKeywords o estudo do conceito científico no campo. Para tanto,Scientific concepts. History of concepts. Epistemology. partiu-se da discussão metodológica desenvolvidaInformation Science. por Rabello (2009, 2011) que fora instrumentalizadaCi. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010 35
  • 2. Rodrigo Rabellopara investigar o conceito documento e que poderá não faz mais do que traçar os limites de aproximação,fundamentar outros estudos dessa natureza. Almeja- no interior dos quais é ainda possível utilizar osse, portanto, complementar a discussão preliminar conceitos como meios de previsão e de descriçãoiniciada outrora por esse autor (RABELLO, 2008), simplificada da natureza.”trazendo a relação mútua das dimensões categórico- A partir do desenvolvimento das ciências naturaisabstrata e analítico-causal, ambas essenciais para a sob o requisito metódico de controle, mensuraçãoapreensão da instrumentalidade da história dos conceitos e delimitação do conceito, observou-se, igualmente,à ciência da informação. a abertura da instrumentalidade do método que possibilitou o surgimento das ciências humanas porCONCEITO CIENTÍFICO E CIÊNCIA DA meio, principalmente, de uma nova roupagem dosINFORMAÇÃO princípios mecânicos da física, direcionando-os ao social. Essa abertura às ciências humanas foi atribuída,O conceito científico tem como característica principal a em grande medida, à interpretação do filósofo francêsprioridade do método – perspectiva científica – sobre Auguste Comte (1972, 1983) ao apontar, na segundaa ontologia – perspectiva filosófica que se dedica metade do século XIX, uma “evolução da ciência”ao estudo do ser e que se confunde, por extensão, rumo ao estudo dos fenômenos sociais, priorizandocom a própria filosofia (VUILLEMIN, 1987, o percurso do abstrato ao concreto e dos modosp.117). Espera-se que o conceito dessa natureza às substâncias. Com esta ampliação de escopo, oatenda aos requisitos de delimitação necessária conceito científico passou a ser apreendido, também,para que a linguagem científica possa se apoiar em como um construto, por possuir um significadorepresentações da realidade. Ainda no início da construído intencionalmente à luz de um marcociência moderna, buscou-se caracterizar o conceito teórico e metodológico.científico com uma simbologia criada pelo primadoda exatidão e da consensualidade. No primeiro Essa vertente epistemológica seguiu influindo asmomento, as ciências naturais buscaram representar ciências sociais durante o século XX e se caracterizoucom exatidão os fenômenos da natureza. por tentar explicar a realidade mediante a aplicação do método empírico somado ao emprego daCom a priorização do método, Vuillemin (1987) lógica, partindo das coisas particulares para chegarexplica que são quatro as condições necessárias para a generalizações que comporiam leis universais.tornar científico um conceito, a saber: 1) controle Conforme argumenta Japiassu (1977, p. 11, grifosequacional de um elemento presente em dado sistema do autor), o empirismo lógico, também denominadonatural na constituição de uma lei; 2) constituição de neopositivismo, se prende muito mais à “[...] elucidaçãouma linguagem técnica e não simplesmente comum; da atividade científica através de uma descrição dos3) evidência de conceitos implícitos (complexos) métodos, dos resultados, e, sobretudo, da linguagemem lugar daqueles explícitos (simples) originados do da ‘ciência’ ou da ‘razão’ nas ciências, do que aomodelo ontológico linguístico que não demonstravam exame propriamente crítico desta atividade.”o conjunto de axiomas que os comporiam; 4)mensurabilidade dos conceitos científicos, assim como A linguagem da ciência, sob a lógica do neopositivismo,das leis que os interligam. se expressa por sua suposta objetividade, precisão e não ambiguidade dos termos. Nessa epistemologia,À luz dessas condições, os conceitos científicos busca-se formatar a linguagem de especialidadetêm como traço distintivo a possibilidade de refutar da ciência à luz de sua suposta univocidade,a hipótese de que fazem parte; todavia, vale dizer homogeneidade e universalidade. Tal pressupostoque, no caso da refutação da conjetura, os conceitos foi sistematizado na teoria geral da terminologia (TGT)não são totalmente descartados. A esse respeito, elaborada na década de 1930 por Eugène Wuster,Vuillemin (1987, p.119) explica que “[...] a refutação cuja semelhança de abordagem pode ser observada36 Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010
  • 3. A contribuição da história dos conceitos à ciência da informação: dimensões categórico-abstratas e analítico-causaisse comparada à obra do filósofo do círculo de Viena, a) paradigma objetivo/físico – com ênfase no dado eRudolf Carnap (LARA, 2006). no processo comunicativo, ou seja, na mensagem. Nela o usuário aparece como um receptor passivoEmbora o reducionismo e o formalismo excessivo da da informação. Essa abordagem pode ser observadaTGT tenham sido relativizados pela teoria comunicativa nos estudos de García Marco (1998), Pérez Gutiérrezda terminologia, sob a sistematização de Maria Teresa (2000) e Rodríguez Bravo (2002);Cabré, criticados com maior ênfase pela socioterminologia,defendida por Enilde Faulstich (BARROS, 2006), b) paradigma subjetivo/cognitivo – prevê a açãoe questionados pela teoria sociocognitiva da terminologia, informacional do usuário ou do profissional dacom base nos estudos de Rita Temmermman (LARA, informação de forma socialmente descontextualizada,2006), o trabalho de Wuster continua sendo importante com ênfase na interpretação do indivíduo isolado.referência para muitas investigações dedicadas à Tal abordagem pode ser observada nos estudoslinguagem de especialidade no campo científico, de Fernández Molina (1994), Pratt (1977) e Belkininclusive à ciência da informação.1 (1978);Faz-se mister registrar que autores como Araújo (2009) c) paradigma social/pragmático – considera ae Rabello (2009) têm demonstrado a influência e a força informação contextualizada socialmente. Nesseatrativa da epistemologia lógica ou positivista na ciência da caso, a informação poderá estar inserida numinformação, sobretudo para pensar os conceitos científicos sistema de informação documental, que terá valorno seu quadro teórico-metodológico. institucional/social. Em tal abordagem, o usuário é concebido como um agente ativo, um “atorPara ilustrar a influência do positivismo na ciência social” cujas ações informacionais terão valorda informação, o estudo de Araújo (2009) assinala social, conforme é possível observar, por exemplo,aspectos teóricos relevantes que induzem à nos estudos de Wersig e Windel (1985) e de Silva edelimitação de um estágio que supõe a figuração Ribeiro (2002).da ciência da informação como uma ciência normal.Para tanto, o autor segue uma linha argumentativa À luz de tais dimensões conceituais, Araújo (2009)considerando os três paradigmas2 desenvolvidos por analisou criticamente seis dos campos teóricos queCapurro (2003), a saber: constituíram a ciência da informação, a saber: 1.1 A terminologia, em suas vertentes tradicional e contemporânea, é teoria matemática da informação, recuperação da informaçãoempregada interdisciplinarmente para pensar a própria ciência da e bibliometria; 2. teoria sistêmica; 3. teoria crítica dainformação como objeto (SMIT; TÁLAMO; KOBASHI, 2004),ou para pensar a linguagem de especialidade da ciência da infor- informação; 4. teorias da representação e da classificação; 5.mação (KOBASHI; SMIT; TÁLAMO, 2001) ou de outras ciências produção e comunicação científica; e 6. estudos de usuários.(GALVÃO, 2004), somando-se, ainda, aos esforços de se tomar osprocessos de organização e recuperação da informação como objeto no Na investigação de Araújo (2009), concluiu-se quecampo da ciência da informação (LARA; TÁLAMO, 2007; CAM-POS; GOMES, 2004). em todos os campos estudados o conceito informação2 É necessário ponderar que, embora Capurro (2003) tenha sido tem sido construído na condição de “coisa”, dotadacategórico ao identificar essas três dimensões da informação no de objetividade, em que se observam os aspectosâmbito da ciência da informação, sua análise pode ser problema-tizada diante da incerteza ao se afirmar que tais dimensões pode- intrínsecos da mensagem (emissão e recepção) e dariam realmente ser consideradas paradigmas em termos kuhnianos. funcionalidade (num modelo sistêmico). Deduziu-Mesmo que tais teorias constituam paradigmas, o questionamento se, portanto, que a ciência da informação teria sidoaqui sustentado parte da constatação de que, no movimento de umparadigma a outro no processo revolucionário – da ciência normal à orientada por um paradigma positivista. A dimensãoextraordinária e desta à nova ciência –, ocorre a sobrevalorização e a sincrônica do conceito informação sobressaiu a partir dasobreposição da inovação ante a tradição. Nesse sentido, questiona-se se, dimensão objetiva da informação. Embora tenha sidono caso da ciência da informação, realmente existe uma superaçãosucessiva entre os “paradigmas” objetivo, subjetivo e social. Nesse considerada a tensão teórica entre as abordagenscaso, pode-se questionar se seria correto traçar o quadro evolutivo objetiva, cognitiva e social, sugerida por Capurroda maneira como interpretou Capurro.Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010 37
  • 4. Rodrigo Rabello(2003), Araújo (2009) não chegou a destacar as Koselleck (1997) pudesse fundamentar a proposiçãoparticularidades históricas expressas na diacronia do das suas categorias de análise. Segundo afirmaconceito. Pereira (2004), a base teórico-metodológica da história dos conceitos fundamenta-se, em grandeAo identificar a carência de instr umentos medida, na abordagem hermenêutica de Heideggerteórico-metodológicos para a investigação de tais e de Gadamer.particularidades conceituais, Rabello (2008, 2009)aponta a possível contribuição teórico-metodológica Para a construção de seu referencial filosófico,da história dos conceitos para a realização de estudos Koselleck orientou-se, primeiramente, naepistemológicos na ciência da informação. perspectiva ontológica de Heidegger, que prioriza o ser num contexto em que a hermenêutica podeComo será possível observar adiante, a história dos ser pensada até mesmo no âmbito das ciênciasconceitos congrega a dimensão categórico-abstrata, num da natureza. Nessa perspectiva, o todo seriaplano filosófico, à dimensão analítico-causal, num apreendido pela interpretação do ser, partindo-plano científico. Enquanto a primeira dimensão se do pressuposto de que toda compreensão éé caracterizada por se debruçar sobre o exercício temporal, intencional e histórica. O diferencialespeculativo acerca de aspectos ônticos relacionados dessa abordagem decorre da não dependênciaao conceito, a segunda se atém ao estudo histórico, do olhar analítico para a apreensão do ser nacientífico, do conceito. Essa última dimensão é medida em que ele “[...] emerge subitamente daorientada pela tese central de Koselleck (2006), obscuridade no contexto inteiramente funcionala qual estabelece que a diacronia – ou seja, a do mundo.” (ALBERTI, 1996, p. 12).mudança ou estratificação semântica do conceito– encontra-se presente em seu uso sincrônico – ou Em síntese, enquanto o olhar analítico-hermenêuticoseja, pragmático – em que subjazem permanências – perspectiva científica – estaria condicionado aoe repetições semânticas. simbólico, à linguagem para informar, categorizar, caracterizar e explicar; o olhar hermenêuticoDIMENSÃO CATEGÓRICO-ABSTRATA E de Heidegger – perspectiva filosófica – estariaHISTÓRIA DOS CONCEITOS preocupado em antecipar o ser para mostrar que ele é, ou seja, demonstrar que as coisas simplesmenteA história dos conceitos, proposta pelo historiador são antes mesmo da linguagem, pois a “[...] simplesalemão Reinhart Koselleck (1923-2006), é um enunciação já é interpretação, antes mesmo de sobremétodo especializado de crítica das fontes que ela incidir a lógica.” Nesse caso, a interpretaçãopermite investigar o emprego das noções políticas e ocorreria antes mesmo da separação entre sujeito esociais expressas nos documentos da época estudada. objeto (ALBERTI, 1996, p. 12-13).Parte-se do pressuposto de que esse métodoapresenta-se como importante ferramenta teórico- Tais ideias de Heidegger influenciaram a teoriametodológica para pensar questões conceituais no filosófica de Gadamer quando esse autor afirmoucampo da ciência da informação. que a compreensão é o próprio caminho do ser na existência. Essa premissa foi construída por Gadamer medianteDe acordo com Castelo Branco (2006), a construção os pressupostos da dialética grega que propiciou aodo quadro teórico-metodológico de Koselleck filósofo suspender a separação entre sujeito e objeto.foi fundamentada principalmente nas obras de Para Gadamer, o sujeito não seria o único pontoEmmanuel Kant (1724-1804) e de Carl Schmitt de partida do conhecimento à medida que o objeto(1888-1985). As acepções dos filósofos Martin (texto) também lança perguntas ao sujeito de modoHeidegger (1889-1976) e Hans-Georg Gadamer a tecer um diálogo interpretativo à moda platônica(1900-2002) também foram essenciais para que (ALBERTI, 1996, p. 13).38 Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010
  • 5. A contribuição da história dos conceitos à ciência da informação: dimensões categórico-abstratas e analítico-causaisTanto a perspectiva lançada por Heidegger quanto a 4) “geratividade” – diferença de gerações;lançada por Gadamer fundamentaram a formulação 5) relação entre “senhor e servo”.da problemática inicial apresentada por Koselleckreferente à necessidade de a história, tradicionalmente Essas categorias formam a base epistêmica da historikorientada por métodos e regras em direção a resultados, – ciência teórica. A dimensão filosófica categórico-passar a tomar o “tempo histórico” como objeto abstrata da historik, por sua vez, apresenta- sede análise, considerando-o como fenômeno da como “pano de fundo” que ajudaria a organizarrealidade humana – plural, diversificada e variável – outras duas dimensões – no plano analítico-causalexpressa na natureza e na estrutura temporal. ou científico – do estudo do passado: a geschichte – história factual ou disciplina da história – e a historie –Nessa proposição, o conceito dasein de Heidegger foi arte de apresentação ou da narrativa (KOSELLECK,importante a Koselleck, que o tomou como ponto 1997, p.70). O caráter diferencial da historik é o seude partida da hermenêutica para pensar o “horizonte transcendentalismo à hermenêutica à medida quede sentido” na relação existencial entre o nascimento representa as “estruturas de finitude” presentes nae a morte, à luz do processo de maturação do humano. oposição das categorias que são inseparáveis e que,A temporalidade, objeto de estudo historiográfico por sua vez, excluem-se mutuamente.de Koselleck (1997, p. 335), revela a tensão entreduas metacategorias inseparáveis com largo grau Para Alberti (1996, p.17), os pares de oposição porde generalidade: ele propostos constituem estruturas “[...] pré- ou extralinguísticas, isto é, categorias que apontam– “espaço de experiências” - que envolve o para modos de ser que, ainda que necessitem seraprendizado, a recordação, a memorização, o mediados pela linguagem, são em alguma medidaconhecimento tácito, etc.; e independentes e não se abrem em mediações– “horizonte de expectativas” - que abarca o projeto linguísticas.” Com isso, os pares de oposiçãode futuro, a expectativa do “vir a ser”, etc. são “pré- ou extra-hermenêuticos”, ou seja, eles remetem a “modos de ser de possíveis histórias”As metacategorias originadas da análise das que provocam algo como compreender e conhecer.determinações de finitude do dasein constituiriam umaantropologia essencial incompleta que demandaria A diferença entre geschichte e historik é que esta, nauma lapidação no campo historiográfico. Destarte, condição de “ciência teórica”, prioriza a emergênciaessa ampliação antropológica se direcionaria de sentido num contexto de ação transcendental ebasicamente a criar categorias para a composição de não hermenêutico. Essa percepção histórica (geral)uma base teórica de modo a possibilitar a ocorrência abriria terreno para posterior análise e compreensãode histórias factuais – ou geschichten. Partindo da da geschichte e da historie, num plano marcadamenteinterpretação do dasein heideggeriano e tomando hermenêutico.como parâmetro as metacategorias dela originadas, Nesse sentido, as categorias que compõem a historikKoselleck (1997, p.73-84, tradução minha) criou, formam estruturas pré-linguísticas e extralinguísticasainda, as seguintes categorias: que apontam para “[...] modos de ser (seinsweisen) que,1) “inevitabilidade da morte” (sterbenmussen) e a ainda devendo ser mediadas linguisticamente, não sepossibilidade de “matar ou ser morto” (tötenkönnen); diluem objetivamente na mediação linguística, senão que possuem também seu próprio valor autônomo.”2) oposição formal entre “amigo e inimigo”; (KOSELLECK, 1997, p.87, tradução minha).3) oposição entre “dentro e fora” – tendo comoderivação, a oposição entre “público e secreto/ Desse quadro, deduz-se que a historik seriaprivado”; responsável pelo processo de “provocar textos”,Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010 39
  • 6. Rodrigo Rabelloisto é, levaria à objetivação necessária no universo da arbitrário dos conceitos, para, em seguida, intervirgeschichte, no instante pelo qual a disciplina se depara propondo a correção, a normatização e/ou acom um problema histórico específico a ser elucidado reutilização de um conceito antigo.mediante a atribuição de sentido em busca da suacompreensão. Ao abranger as condições de possíveis A história dos conceitos de Koselleck propõe analisar ohistórias, a historik remete a processos de longa duração processo de ressignificação dos conceitos (diacronia)que não estão contidos em nenhum texto enquanto tal, cotejado ao seu uso semântico (sincronia), quemas antes incitam a produção de textos num espaço, define linguisticamente – como um referencial – ossegundo Alberti (1996, p.18), “extratextual”. horizontes de experiência. A partir da identificação da polissemia do conceito poderá emergir a traduçãoA peculiaridade do estudo de Koselleck (2006) de significados do passado para os dias atuais, umaparte da sua própria perspectiva de análise em vez em que “[...] as palavras que permaneceram asque objetiva fundir a abordagem filosófico- mesmas não são, por si só, um indício suficiente dehermenêutica – de Heidegger e de Gadamer – ao permanência do mesmo conteúdo ou significadoscampo historiográfico para o desenvolvimento de por elas designado.” (KOSELLECK, 2006, p. 105).sua história dos conceitos. Noutras palavras, Koselleck São contempladas, portanto, questões relativas àune os enfoques hermenêutico-ontológico (filosófico) e semântica política dos conceitos no tocante aoanalítico-causal (científico), que se mesclam sob um estudo dos momentos de duração, alteração eprisma historiográfico. Conforme ressalta Pereira futuridade em que uma situação política concreta(2004, p. 46-47), ambas as abordagens convergem se expressa linguisticamente.para uma espécie de “historiografia filosófica”. Aautora conclui: “Assim como Heidegger na Filosofia, Procurar-se-á evidenciar, na próxima seção, aKoselleck parece acreditar, no âmbito historiográfico, contribuição da história dos conceitos para investigaçõesque todo o universo criado pelos homens se alicerça epistemológicas na ciência da informação. Talnuma determinada compreensão do ser.” abordagem pode ser justificada à luz do princípio da não neutralidade da ciência – sobretudo noA história dos conceitos proporciona cotejar as categorias âmbito das ciências sociais – nas quais a ciênciarepresentativas do passado e futuro – plano categórico-abstrato da informação encontra seu espaço de atuação.– com o movimento da ação política e social ao longo da Embora essa seja uma discussão para outra ocasião,história – plano concreto – no que tange às experiências é mister dizer que parte-se do pressuposto de quehistóricas e às ações humanas representadas nos a ciência é uma construção advinda de escolhas –conceitos. Para tanto, considera a maneira com que teóricas, metodológicas, ideológicas etc. – as quaisse combinam, no presente, a experiência passada se relacionam e podem ilustrar – nos conceitos por– horizontes de experiência – à luz das projeções em ela empregados – disputas sociais e políticas.expectativas de futuro (KOSELLECK, 2006).Esse quadro teórico sugere uma história dos conceitos HISTÓRIA DOS CONCEITOS E CIÊNCIAque não se limita a uma propedêutica no âmbito de DA INFORMAÇÃOuma epistemológica positivista. O método koselleckiano Noutro momento, Rabello (2008) trouxe elementosse diferencia da concepção da história dos conceitos teórico-metodológicos para a escolha do conceitotradicional, defendida por Hermann Lubbe, que, científico no âmbito da ciência da informação,sob a influência das ciências naturais, direcionou tomando como parâmetro as orientações deseus estudos à história da filosofia. De acordo com Koselleck (1992). Naquela ocasião, embora oVillacañas e Oncina (1997, p. 12-13), a história relacionamento entre as dimensões categórico-abstratados conceitos proposta por Koselleck não tem e analítico-causal não tenha sido abordado, pois oa pretensão de identificar o uso promíscuo ou enfoque foi dado a esta última, apresentaram-se40 Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010
  • 7. A contribuição da história dos conceitos à ciência da informação: dimensões categórico-abstratas e analítico-causaissugestões para possíveis aplicações da história dos conceitos. O interesse do autor não é puramenteconceitos à ciência da informação. “histórico-linguístico” tendo em vista que não busca apenas os significados históricos dos termos. OEsta seção será dedicada à intersecção das dimensões autor intentou transcender a perspectiva histórico-sobreditas quando pensadas para o estudo histórico- linguística ao se debruçar sobre a compreensão daconceitual de conceitos científicos estratégicos experiência humana expressa na linguagem.para a construção do quadro teórico da ciênciada informação. Nessa direção, a importância de Na história dos conceitos proposta por Koselleckestudos de natureza histórico-conceitual na ciência (2006), a referida experiência humana pode serda informação se justifica a partir da constatação definida mediante a releitura dos índices de realidadede que esta ciência tradicionalmente, e em nome da (consolidados) do passado – plano sincrônicointerdisciplinaridade, tem tomado por empréstimo – rumo à alteração teórica identificada – planode outras disciplinas conceitos sem necessariamente diacrônico – mediante uma perspectiva ideal,realizar a reflexão da sua trajetória epistêmica. expressa em experiências e em expectativas de futuro.A incorporação de novos conceitos, entretanto, Esse tratamento qualitativo evidencia um aspectopode se reverter num aliado para o fortalecimento mais profundo de análise situado no momentoe justificação do quadro teórico e metodológico. No em que se busca a identificação da permanênciacontexto da ciência da informação, Rendón Rojas dos significados dos conceitos na realidade social,(2005, p.19) defendeu essa ideia, afirmando que: contribuindo, por sua vez, para a crítica dos conceitos científicos utilizados e estudados pela [...] como a teoria é um sistema onde existe uma rede disciplina histórica. Conforme afirmou Koselleck de enunciados e conceitos que estão interconectados, (2006, p. 115): que dependem uns dos outros e que se modificam mutuamente, então, se dentro desse sistema se A história dos conceitos põe em evidência [...] a introduz um novo conceito ou enunciado que o estratificação dos significados de um mesmo conceito contenha e o explique, isso poderá acarretar na em épocas diferentes. Com isso, ela ultrapassa a mudança de todos os demais conceitos e enunciados. alternativa estreita entre diacronia ou sincronia, Isso significa que a tarefa principal é clarificar e não passando a remeter à possibilidade de simultaneidade negar novos conceitos. (tradução minha). e da não-simultaneidade que pode estar contida em um conceito. (grifos meus).Para pensar a apropriação de conceitos na ciênciada informação e a convivência de conhecimentos Na investigação de Rabello (2009), a trajetórianovos com antigos, antes é necessário considerar do conceito documento e a estratificação dos seusque a ciência, por ser um fenômeno social, traz significados em distintos períodos demonstraramconsigo “disputas semânticas”. A partir desse que na ciência da informação é possível o convívio deentendimento, a ciência não está livre dos conflitos e simultaneidade e não simultaneidade de significados.tensões nos momentos de permanência, de mudançae de projeção futura expressos conceitualmente em Quando um conceito é construído, sobretudocontextos diversos e para fundamentar diferentes no âmbito das ciências sociais, em formulaçõesestudos sobre a realidade. teóricas convergentes, ele tende a não modificar a essência de seu conteúdo. A repetição é necessáriaA abordagem semântica de Koselleck (2006) pode para que o conceito seja compreendido e mais bemser importante instrumento para o estudo de tais assimilado num jogo teórico persuasivo entre os“disputas”. Ao partir das metacategorias, o autor pares acadêmicos. Nesse caso, a repetição e a relativatoma o estudo linguístico como “pano de fundo” linearidade dos conteúdos conceituais adquirempara explicar a dimensão da ação social expressa nos dimensão política.Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010 41
  • 8. Rodrigo RabelloA tensão política, nesse contexto, pode ser história dos conceitos adquiriu posição estratégica, numapercebida mediante a tese de Koselleck (1992, plano marcadamente hermenêutico.p.6), a qual postula que a diacronia está contida nasincronia do conceito. Diante da própria natureza No âmbito conceitual, o processo interpretativodo conceito científico, tal diacronia é deliberada e, desvelou tensões associativas que são perceptíveis apor vezes, incisiva. Isso ocorre, por exemplo, na partir da complexidade que o termo assume diantesituação em que o teórico formula determinado da sua adjetivação. Para o estudo do documento, aconceito partindo do referencial de sua matriz teórica complexidade pode ser percebida na sua variaçãoou, em termos kuhnianos, de sua matriz disciplinar. semântica, como é o caso do documento histórico (paraNessa situação, o conceito é proposto com vistas a história); do documento jurídico (para o direito);a refutar aqueles conceitos que não compartilham do documento jurídico-administrativo e histórico (para ada mesma matriz. Assim, deve-se salientar que, no diplomática e para a arquivística), etc.contexto teórico-científico, nem sempre a diacronia Nesse estudo, Rabello (2009) considerou aé tão lenta como propõe Koselleck (1992) quando possibilidade de existência de simultaneidade entrepensa, no percurso histórico, a especificidade dos fato (faktor) e indicador (indikator). Todo construtoconceitos políticos de natureza não científica. representa algo que está além da língua, ou seja, umConsiderando tal dinâmica, Rabello (2009) adaptou indicador de tensões no âmbito do conhecimento,as categorias da historik de Koselleck (1997) a duas da cultura, da política, etc., podendo representaroutras categorias que apresentam uma relação interesses teóricos distintos, sob a influência detranscendental semelhante ao dos pares antitéticos. práticas profissionais, visões de mundo particulares,Tais categorias são: tradição e inovação. etc. Portanto, o conceito – na condição de um fato linguístico ou de um índice de realidade – poderá revelarA relação entre tradição e inovação as caracteriza como evidências de como podemos atuar concretamentepares antitéticos porque, além de se relacionarem com sobre a realidade, modificando-a. De acordo comas metacategorias koselleckianas espaço de experiências Koselleck (2006, p. 109),e horizonte de expectativas, elas se apresentam, pelomenos formalmente, como pares de oposição [...] os conceitos são [...] vocábulos nos quais se concentra uma multiplicidade de significados. Oinseparáveis e ao mesmo tempo excludentes, significado e o significante de uma palavra podem sercaracterística essencial na formação das categorias pensados separadamente. No conceito, significado eque constituem a historik. Conquanto tais categorias significante coincidem na mesma medida em que atenham sido orientadoras, elas revelaram a relação multiplicidade da realidade e da experiência históricadialética subjacente ao conceito estudado. Nesse se agrega à capacidade de plurissignificação de umacaso, tanto a tradição trouxe elementos da inovação, palavra, de forma que o seu significado só possamesmo em potencialidade, como a inovação herdou ser conservado e compreendido por meio dessaelementos da tradição teórica. mesma palavra. Uma palavra contém possibilidades de significação, um conceito reúne em si diferentesA proposição de tais categorias permitiu a Rabello totalidades de sentido. Um conceito pode ser claro,(2009) que realizasse a investigação das “estruturas mas deve ser polissêmico. [...] O conceito reúne emde finitude” subentendidas na oposição das si a diversidade da experiência histórica assim como a soma das características objetivas teóricas e práticascategorias “pré- ou extralinguísticas” importantes em uma única circunstância, a qual só pode ser dadapara a criação de possíveis histórias. Noutras como tal e realmente experimentada por meio dessepalavras, as categorias remeteram a processos de mesmo conceito.longa duração e provocaram textos num planocientífico-disciplinar, em que a interpretação das O quadro anterior apresenta a dimensão amplafontes se fez necessária. Foi nesse momento que a e dinâmica do conceito. Ao se considerar essa42 Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010
  • 9. A contribuição da história dos conceitos à ciência da informação: dimensões categórico-abstratas e analítico-causaisdimensão, é possível deduzir que, no processo de artificialidade e na escritura. Ambas as disciplinasformação/formalização de uma teoria científica, ajudaram a fundamentar, por conseguinte, oso termo é imediato e o conceito é mediato. No valores integradores histórico, jurídico e administrativocontexto teórico, o termo seria a exteriorização do documento arquivístico, comumente estudadolinguística de um conceito científico o qual está pela ciência da informação.“enraizado” numa complexidade lógica e histórica.No âmbito da ciência, os termos evidenciam a Ainda no âmbito da tradição, o enfoque objetivo daexistência dos conceitos – ou da necessidade destes informação foi observado no primeiro momento daem determinada teoria –, mas não necessariamente documentação – “fase positivista” – com a publicação dosão capazes de desvelar as intenções teóricas que um Traité de Documentation de Paul Otlet (1934). Emboraconceito científico pode representar em sua trajetória. o autor tenha atribuído uma dimensão categórica ao documento – considerando como suporte todos osNessa direção, a dimensão diacrônica do conceito objetos criados pelo homem, não mais restringindodocumento foi estudada no âmbito da ciência da tão-somente aos escritos – atribuiu, além disso, valorinformação por Rabello (2009) a partir da sua de objetividade sob a orientação de uma epistemologiarelação com outras disciplinas – história, diplomática positivista. Para tanto, estabeleceu relação entree documentação –, haja vista a imprescindibilidade teorias próximas aos conhecimentos geradosdo conceito para a sua justificação e construção nos domínios da biblioteconomia, arquivística edisciplinar. Partiu-se do princípio de que a ciência museologia, acrescendo à informação sua dimensãoda informação busca noutras disciplinas os social, ou seja, institucional.fundamentos que contribuem para sustentar oainda controverso signo de sua cientificidade. As Já no espectro da inovação conceitual, observaram-categorias tradição e inovação foram importantes para se as contribuições no âmbito historiográfico doincitar a elucidação de aspectos conceituais de valor movimento francês dos Annales, que teve comoôntico para a ciência da informação. expoentes na primeira geração autores como Lucien Febvre e Marc Bloch (LE GOFF, 1978; BURKE,No âmbito da tradição, observou-se a ideia de 1992, 1997; REIS, 2004). O movimento foi marcadopositividade no plano da filosofia da ciência do pelo questionamento dos princípios norteadores daséculo XIX – tal como expôs Comte (1972, 1983) “história positivista”, dentre os quais foi possível– e a sua influência no plano científico da história destacar a indagação da acepção de documento.metódica ou “positivista”, proposta por Leopold Valorizando uma postura ativa do historiador novon Ranke (1979). Sob esse “espírito positivo”, processo de questionar as fontes documentaisa diplomática, ao passo que subsidiou a pesquisa e, mesmo sem desconsiderar os documentoshistórica – trazendo procedimentos metódicos escritos, o movimento evidenciou a limitação destespara o estudo e verificação da autenticidade e da documentos quando tomados como os únicos meiosfidedignidade dos elementos externos e internos para a interpretação do passado. Nesse sentido, ado documento (GAY, 1990; BLOCH, 1997; interpretação dos objetos não escritos e, também,BAUER, 1957) – posteriormente foi influenciada e dos não artificiais (naturais) passou a ser apreciadainfluenciou, em distintos momentos, as teorias das com base em aspectos objetivos e subjetivos dadisciplinas arquivística e direito (HEREDIA, 1988; informação.DURANTI, 1995; PAULIUS, 2000). A inovação conceitual também pode ser figurada noO conceito documento investigado pela “história segundo momento da documentação – “fase hermenêutica”positivista” e pela diplomática encontra similaridade – na ocasião em que foi constatada certa consonânciaou aproximação com o enfoque objetivo da informação da disciplina com os pressupostos lançadosem que a natureza do objeto/registro predomina na sua pelo “movimento dos Annales”, a partir dosCi. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010 43
  • 10. Rodrigo Rabelloquestionamentos suscitados sobre o documento pela levam à indagação das fontes para a interpretaçãobibliotecária francesa Suzanne Briet (1951). Dando analítico-causal dos sentidos atribuídos ao conceito emcontinuidade aos questionamentos iniciais de Otlet, diferentes ocasiões e contextos, em permanências ea autora abriu à documentação a possibilidade de mutabilidades semânticas.considerar os documentos naturais, ficando evidentea atuação ativa do documentalista que atribuirá sentido Além do conceito documento – que serviu de apoioao objeto considerando os diferentes signos nele para a argumentação do presente artigo – não sepresentes. Assim, além do aspecto objetivo e social, pode deixar de destacar a possibilidade de empregosubtendido em Otlet, a informação do documento da história dos conceitos para a realização de estudospassou a ser pensada também sob uma perspectiva sobre o conceito que representa o principal objetosubjetiva, por meio de uma abordagem hermenêutica. da ciência da informação – a informação – bem como para a investigação de outros conceitos aO recorte proposto por Rabello (2009, 2011) ele relacionados, como, por exemplo, os conceitosdemonstrou que, embora a enunciação do termo profissional da informação, usuário e instituição informativa-documento no bojo da ciência da informação pareça documental, postos em relevo por Rendón Rojasapresentar simplesmente uma dimensão sincrônica, (2005) quando propôs o programa de investigação daa dimensão diacrônica não está apenas presente, ciência da informação.mas ajuda a situar a disciplina no âmbito dasciências sociais, demonstrando sua dependência Artigo submetido em 29/09/2010 e aceito em 10/08/2011.à interdisciplinaridade para auxiliar a pensar a suaprópria disciplinaridade. Nessa direção, a polissemiado conceito documento demonstrou aspectos ônticos REFERÊNCIASda ciência da informação de modo a aproximá-lo ALBERTI, V. A existência na História: revelações e riscos dada condição de uma categoria. hermenêutica. Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n.17, 1996. Disponível em: <www.cpdoc.fgv.br./revista/arq/184.pdf>. AcessoA história do conceito documento anteriormente em: 20 out. 2007.mencionada não objetivou atribuir a uma ou a ARAÚJO, C. A. Á. Correntes teóricas da ciência da informação. Ci.outra disciplina estudada o arauto da cientificidade Inf., Brasília, DF, v. 38, n. 3, p.192-204, set./dez., 2009.esperado para a formulação de um construto BARROS, L. A. Apresentação: aspectos epistemológicos eabarcador e definitivo – leia-se: conceito objetivo, perspectivas científicas da Terminologia. Cienc. Cult., São Paulo,em tom de definição – embora ainda hoje essa seja v.58, n.2, abr./jun. 2006.uma virtude propalada pelas lentes do positivismo BAUER, W. Introducción al estudio de la Historia. Trad. da 2.ed. alemãlógico. Buscou, por sua vez, demonstrar, no por Luis G. de Valdeavellano. 3.ed. Barcelona: Bosch, 1957.quadro teórico da ciência da informação, a possível BELKIN, N. J. Information concepts for information science. Journalconvivência de diferentes enfoques conceituais of Documentation, v.34, n.1, p.55-85, 1978.que podem ser acionados para construir e justificar BLOCH, M. Introdução à História. Ed. rev. aum. e criticada por Étienneteorias em distintos contextos de investigação. Bloch. [S.l.]: Forum da História/Publicações Europa-América, 1997. p. 103-121. cap. 2.CONSIDERAÇÕES FINAIS BURKE, P. Abertura: a nova história, seu passado e seu futuro. In: BURKE, P. (Org.). A escrita da história: novas perspectivas. Trad. MagdaO entendimento das dimensões categórico-abstratas e Lopes. São Paulo: UNESP, 1992. p. 7-37.analítico-causais é imprescindível para o emprego da ______. A Escola dos Annales: 1929-1989: a revolução francesa dahistória dos conceitos como uma ferramenta para o historiografia. Trad. Nilo Odália. São Paulo: UNESP, 1997. 154p.estudo do conceito científico no domínio da ciência BRIET, S. Qu’est-ce que la documentation? Paris: Éditions Documentairesda informação. Foi possível observar que o ponto de Industrielles et Técnicas, 1951.partida categórico-abstrato incita a questionamentos que44 Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010
  • 11. A contribuição da história dos conceitos à ciência da informação: dimensões categórico-abstratas e analítico-causaisCAMPOS, M. L. A.; GOMES, H. E. Tesauro e normalização LARA, M. L. G. Novas relações entre Terminologia e Ciência daterminológica: o termo como base para intercâmbio de informações. Informação na perspectiva de um conceito contemporâneo daDatagramazero, Rio de Janeiro, v. 5, n. 6, 2004. Disponível em: <http:// informação. DataGramaZero, Rio de Janeiro, v.7 n.4, ago. 2006.www.dgz.org.br/dez04/Art_02.htm>. Acesso em: 20 mar. 2010. Disponível em: <http://www.dgz.org.br/ago06/Art_02.htm>. Acesso em: 20 mar. 2010.CAPURRO, R. Epistemologia e Ciência da Informação. [S.l.:s.n.],2003. Disponível em: <www.capurro.de/enancib_p.htm>. Acesso LARA, M. L. G.; TÁLAMO, M. F. G. M. Uma experiência na interfaceem: 30 out. 2005. Linguística Documentária e Terminologia. DataGramaZero, Rio de Janeiro, v.8, n.5 , out. 2007. Disponível em: <http://www.dgz.org.CASTELO BRANCO, P. H. V. B. 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  • 12. Rodrigo RabelloRODRÍGUEZ BRAVO, B. El documento: entre la tradición y la VILLACAÑAS, J. L.; ONCINA, F. Introducción. In: KOSELLECK,renovación. Granada: Ediciones Trea, 2002. (Biblioteconomía y R.; GADAMER, H.-G. Historia y hermenéutica. Barcelona: Paidós, 1997.Administración Cultural, 67). p.9-54. (Pensamiento Contemporáneo, 43).SILVA, A. M.; RIBEIRO, F. Das “ciências” documentais à ciência da VUILLEMIN, J. Conceito. In: ENCICLOPÉDIA EINAUDI. Lisboa:informação: ensaio epistemológico para um novo modelo curricular. Imprensa Nacional; Casa da Moeda, 1987. v. 37, p. 77-124.Porto: Afrontamento, 2002. WERSIG, G.; WINDEL, G. Information Science needs a theory ofSMIT, J. W.; TÁLAMO, M. F. G. M.; KOBASHI, N. Y. A determinação ‘information actions’. Social Science Information Studies, v. 5, p.11-23,do campo científico da Ciência da Informação: uma abordagem 1985.terminológica. DataGramaZero, Rio de Janeiro, v.5, n.1, fev. 2004.Artigo 3. Disponível em: <http://www.dgz.org.br/fev04/Art_03.htm>. Acesso em: 24 fev. 2006.46 Ci. Inf., Brasília, DF, v. 39 n. 3, p.35-46, set./dez., 2010

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