lit3ratura bras1leira

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lit3ratura bras1leira

  1. 1. Ana Tereza Pinto de Oliveira 1a Edição
  2. 2. Expediente Editor Editora Assistente Assistente Editorial Revisão Projeto Gráfico e Diagramação Elaboração do Encarte Colaboração na Contextualização Capa Italo Amadio Katia F. Amadio Edna Emiko Nomura Cecília Beatriz Alves Teixeira e Ivani Martins Cazarim Exata Editoração Benedicta Aparecida Costa dos Reis Silvia Sampaio Antonio Carlos Ventura Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Oliveira, Ana Tereza Pinto de Literatura brasileira: teoria e prática / Ana Tereza Pinto de Oliveira. – 1. ed. – São Paulo : Rideel, 2006. ISBN 85-339-0812-1 1. Literatura brasileira I. Título. 06-0011 CDD-869.9 Índice para catálogo sistemático: 1. Literatura brasileira 869.9 © Copyright - Todos os direitos reservados à Av. Casa Verde, 455 – Casa Verde Cep 02519-000 – São Paulo – SP e-mail: sac@rideel.com.br www.rideel.com.br Proibida qualquer reprodução, seja mecânica ou eletrônica, total ou parcial, sem prévia permissão por escrito do editor. 2 4 6 8 9 7 5 3 1 0 1 0 6
  3. 3. APRESENTAÇÃO Esta obra possui uma linguagem clara, objetiva e contextualizada, além de ilustrações e fotos que dialogam com o texto auxiliando a sua compreensão, segue uma ordem cronológica – do século XVI aos nossos dias, sempre relacionando a produção artística com o momento histórico, destacando para cada estilo de época, os principais acontecimentos econômicos, políticos e sociais. Após o enfoque de cada item, o livro ainda apresenta questões de vestibulares para fazer com que o leitor avalie seu nível de compreensão, bem como se exercite para diversos tipos de exames. O Editor
  4. 4. Sobre a autora Ana Tereza Pinto de Oliveira é graduada pela Faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo em Português, Francês e Italiano. Mestre em Língua Portuguesa pela Pontífica Universidade Católica de São Paulo. Pós-graduada em Comunicação e Semiótica pela Pontíficia Universidade Católica de São Paulo. Especialista em Metodologia do ensino de terceiro grau pelas Faculdades Metropolitanas Unidas.
  5. 5. Índice Capítulo 1 – Introdução .................................................................................................. 9 Capítulo 2 – Quinhentismo .......................................................................................... Contexto histórico ......................................................................................................... A literatura informativa: Pero Vaz de Caminha ............................................................. A literatura dos jesuítas: Pe. José de Anchieta ............................................................. Questões de Vestibular ................................................................................................. 12 14 15 17 19 Capítulo 3 – Barroco .................................................................................................... Contexto histórico ......................................................................................................... Manifestações artísticas ............................................................................................... Produção Literária: Bento Teixeira, Gregório de Matos Guerra, Pe. Antônio Vieira, Manuel Botelho de Oliveira. ............................................................................... Questões de Vestibular ................................................................................................. 22 24 25 Capítulo 4 – Arcadismo ................................................................................................ Contexto histórico ......................................................................................................... Manifestações artísticas ............................................................................................... Produção Literária: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Santa Rita Durão, Basílio da Gama .............................................................................. Período de transição ..................................................................................................... Produção Literária. ........................................................................................................ Questões de Vestibular ................................................................................................. 27 38 54 56 57 59 69 70 71 Capítulo 5 – Romantismo ............................................................................................ 92 Contexto histórico ......................................................................................................... 94 Manifestações artísticas. .............................................................................................. 95 Produção Literária – Poesia – Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Fagundes Varela, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Sousândrade ................................................................................................................. 99 Produção Literária – Ficção: Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay, Franklin Távora, Manuel Antônio de Almeida. ....... 108 Produção Literária – Teatro: Martins Pena .................................................................. 116 Questões de Vestibular ................................................................................................ 118 Capítulo 6 – Realismo/Naturalismo/Parnasianismo ................................................... Contexto histórico ....................................................................................................... Manifestações artísticas ............................................................................................. Produção Literária – Machado de Assis, Raul Pompéia, Aluísio Azevedo ................. Parnasianismo ............................................................................................................ Produção Literária – Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac .................. Questões de Vestibular ............................................................................................... 163 165 166 168 175 176 180 Capítulo 7 – Simbolismo ............................................................................................ 214 Contexto histórico ....................................................................................................... 216 Manifestações artísticas ............................................................................................. 216
  6. 6. Literatura: características ............................................................................................ 217 Produção literária: Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens, Pedro Kilkerry ........... 218 Capítulo 8 – Pré-Modernismo .................................................................................... Contexto histórico ....................................................................................................... Manifestações artísticas ............................................................................................. Características ............................................................................................................ Produção literária: Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Graça Aranha, Augusto dos Anjos .............................................................................. Questões de Vestibular ............................................................................................... 229 231 233 234 Capítulo 9 – Modernismo: A Semana de Arte Moderna e primeira fase .................... Contexto histórico ....................................................................................................... Manifestações Artísticas ............................................................................................. Divulgação das idéias da Semana .............................................................................. Primeira fase do Modernismo ..................................................................................... Produção Literária: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado ...................................................... Questões de Vestibular ............................................................................................... 254 256 256 261 262 Capítulo 10 – Modernismo: Segunda fase ................................................................. Contexto histórico. ...................................................................................................... Manifestações artísticas ............................................................................................. Poesia – Produção Literária na poesia: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinicius de Morais, Murilo Mendes, Jorge de Lima ......................... Produção Literária: Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego ...................................................................................................... 290 291 292 Capítulo 11 – Modernismo: terceira fase ................................................................... Literatura – Prosa: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto .......................................................................................... Tendências atuais. Poesia: Concretismo, poesia social, poesia marginal .................. Prosa: prosa regionalista, prosa política, prosa urbana, prosa intimista, prosa memorialista ...................................................................................................... Bibliografia ................................................................................................................ Respostas das questões de vestibular ................................................................... 323 234 242 263 270 292 301 326 332 337 363 364
  7. 7. Reprodução Introdução A literatura brasileira, desde suas origens (com a Carta de Pero Vaz de Caminha) até meados do século XVIII, foi reflexo e prolongamento da portuguesa, pois as precárias condições da Colônia impediram que houvesse um processo literário autônomo. Por isso, alguns críticos falam em isoladas manifestações literárias nesse período ou “ecos” da literatura portuguesa. 9
  8. 8. Não houve no Brasil, pelo menos até a primeira metade do século XVIII, as condições necessárias para o surgimento da literatura, ou seja: a) grupo de escritores conscientes de seu papel e que, num processo coeso de intercomunicação e interdependência, assegurassem a continuidade literária*; b) grupo de receptores ativos que pudessem influenciar a produção dos escritores**; c) vida cultural intensa***. Esse quadro perdurou até o momento em que, em função do ciclo da mineração, começaram a surgir não só as cidades, mas também escritores unidos pelo sentimento de independência da Colônia e comprometidos com a Inconfidência Mineira. No entanto, nossa literatura, que se esboçou como sistema na primeira metade do século XVIII, só adquiriu plena nitidez e autonomia no século XIX, quando o Brasil deixou de ser colônia. Em função desse quadro, a literatura brasileira divide-se em duas grandes eras: a Colonial e a Nacional. * Não devemos nos esquecer de que, nos primeiros tempos de nossa história, a comunicação entre os agrupamentos urbanos era praticamente nula. Predominava o isolamento das capitanias em que se explorava a cana-de-açúcar em latifúndios. ** A maioria da população da Colônia, nessa época, era analfabeta e preocupava-se antes com problemas práticos de sobrevivência do que com literatura. *** A vida cultural na Colônia foi abafada pela proibição de atividade editorial, pela censura, pela inexistência de centros ou instituições culturais e pela precariedade do ensino. 10
  9. 9. Quinhentismo – 1500-1601 ERA COLONIAL (1500-1808) Seiscentismo ou “ecos” do Barroco – 1601-1768 Setecentismo ou Arcadismo – 1768-1808 PERÍODO DE TRANSIÇÃO – 1808-1836 Romantismo – 1836-1881 ERA NACIONAL (a partir de 1836) Realismo/Naturalismo/Parnasianismo – 1881-1893 Simbolismo – 1893-1902 Pré-Modernismo – 1902-1922 Modernismo – 1922 ➟ 11
  10. 10. Reprodução QUINHENTISMO (1500-1601) Homem tapuia, de Albert Eckhout. A primeira impressão que a nova terra causou ao colonizador foi de surpresa e deslumbramento. 12
  11. 11. QUINHENTISMO: século XVI Contexto histórico: a) na Europa • • • • • • ascensão da burguesia invenções progresso científico Reforma Contra-Reforma Grandes Navegações b) no Brasil • 1500 – descobrimento do Brasil – exploração do pau-brasil • 1530 – início das expedições de exploração e povoamento • 1534 – criação das capitanias hereditárias • 1549 – vinda dos jesuítas – catequese dos índios e fundação dos primeiros colégios Características: — literatura documental sobre o Brasil escrita por portugueses (que acompanhavam as expedições) e por viajantes estrangeiros — literatura pedagógica dos jesuítas visando à catequese dos índios e à orientação moral e espiritual dos colonos 13
  12. 12. Quinhentismo (1500-1601) A literatura do século XVI foi uma literatura sobre o Brasil. Refletindo ideais do Renascimento e da Contra-Reforma, traduziu o espírito de aventura, a sedução do exótico, o expansionismo geográfico e a propagação da cristandade. Contexto Histórico A Europa do século XVI assistiu à desestruturação da sociedade feudal. Os florescentes centros urbanos atraíam a população rural e neles se desenvolveu o comércio que propiciou o aparecimento da burguesia mercantil. Por sua vez, esta financiou as Grandes Navegações, cujo objetivo era a procura de novos mercados produtores e consumidores. Portugal gozava de uma situação privilegiada: a precoce centralização política na figura do rei, a posição geográfica estratégica (seus portos eram passagem obrigatória entre as cidades italianas, que monopolizavam o comércio do Oriente, e o norte da Europa), a rápida formação de uma burguesia mercantil, a Escola de Sagres – o mais completo e inovador centro de estudos náuticos da época – propiciaram a expansão de Portugal na procura de novas rotas comerciais, uma vez que o comércio no Mediterrâneo era monopólio das cidades italianas. Essa expansão iniciou-se com a Tomada de Ceuta, em 1415, e estendeu-se da conquista e colonização da África e da Ásia até a descoberta do Brasil. No entanto, o Feudalismo não foi minado somente pelo aparecimento da burguesia mercantil, mas também pela Reforma Protestante, que atraiu essa mesma burguesia. A reação da Igreja não se fez esperar e a ContraReforma, sustentada pela Companhia de Jesus, iniciou um movimento de reconquista espiritual. As Grandes Navegações e a Contra-Reforma determinaram as duas tendências da produção literária do século XVI: a) preocupação com a conquista material: literatura informativa que descreve as riquezas da terra; 14
  13. 13. b) preocupação com a conquista espiritual: literatura dos jesuítas, voltada para a catequese do índio e para a orientação moral e espiritual dos colonos. A Literatura Informativa Em 1500, Cabral “descobriu” o Brasil e Pero Vaz de Caminha, cronista de sua armada, escreveu a Carta a EL-Rei Dom Manuel sobre o achamento do Brasil, documento que marca o início da literatura brasileira. Portugal, no entanto, não explorou de imediato a nova terra. Interessado no ouro da África e no comércio garantido com o Oriente, de onde vinham especiarias, sedas e pedrarias, arrendou a exploração da costa brasileira a comerciantes que exploravam o pau-brasil, mas que eram impotentes para evitar ataques de estrangeiros. Endividado com os investimentos nas viagens ao Oriente, Portugal iniciou a colonização do Brasil com a expedição de Martim Afonso de Sousa, em 1530, esperando aqui encontrar metais e pedras preciosas. Nesse cenário, cronistas portugueses e estrangeiros escreveram textos que revelam seu deslumbramento frente à nova terra tropical, exótica, misteriosa. Não são textos propriamente literários, mas têm um valor documental inestimável para a história de nossos primeiros tempos e já contêm um sentimento nativista que encontrará sua expressão máxima no Romantismo. A origem do nome Brasil Muita gente diz que o nome Brasil deriva do pau-brasil, uma madeira que era extraída do litoral brasileiro e a partir da qual se fabricava uma tinta cor de brasa, usada para tingir tecidos. A história não é bem assim. Nos mapas medievais, o mundo conhecido aparecia rodeado de ilhas imaginárias. Uma delas era a Ilha Brasil, que se situava a oeste da Irlanda. Essa localização foi encontrada em um mapa de 1324 e repetida em diversos planisférios. Também chamada “Hy Brazil”, essa ilha mitológica afastava-se no horizonte sempre que os marujos se aproximavam. 15
  14. 14. A raiz de Brasil é bress, que, na língua celta, significa “feliz, encantado, sortudo”. A Ilha Brasil seria, portanto, a ilha da felicidade, um verdadeiro paraíso. Logo, o nome Brasil é de origem celta, grupo de línguas faladas pelos antigos habitantes da Irlanda, da Escócia e do País de Gales. Já o pau-brasil era conhecido entre os italianos, que o importavam do Oriente, durante a Idade Média. O nome científico da madeira é Lignum brasile rubrum, derivado da Ilha Brasil, pois se acreditava que o pau-brasil seria seu produto principal. O nome Brasil, logo adotado pela maioria das pessoas, fez com que todos os outros fossem deixados de lado, tornando-se oficial em poucos anos. Pero Vaz de Caminha (1437?-1500) Com a Carta de 1o de maio de 1500, Caminha fundou a literatura brasileira. Numa linguagem pitoresca e agradável, que revela um observador minucioso, relatou ao rei D. Manuel tudo o que vira na nova terra: De ponta a ponta é toda praia rasa, muito plana e bem formosa. Pelo sertão, pareceu-nos do mar muito grande, porque a estender a vista não podíamos ver senão terra e arvoredos, parecendo-nos terra muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro nem prata, nem nenhuma coisa de metal, nem de ferro; nem as vimos. Mas, a terra em si é muito boa de ares, tão frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem. Mas o melhor fruto que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente; e esta deve ser a principal semente que Vossa alteza nela deve lançar. Nesse texto podemos perceber os dois objetivos que nortearam as Grandes Navegações: conquista de bens materiais (ouro, prata, metais) e conquista espiritual (conversão dos indígenas, dilatação da fé cristã). 16
  15. 15. Muitos outros cronistas, portugueses e estrangeiros, descreveram nossa terra. Entre eles destacam-se: a) Pero de Magalhães Gândavo, português de origem flamenga, amigo de Camões, cujas obras Tratado da terra do Brasil e História da Província de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos de Brasil (1576), além de descreverem a gente, os bens e o clima da Colônia, aconselham os portugueses, que vivem em extrema miséria na Metrópole, a que venham para cá. b) Gabriel Soares de Sousa escreveu Tratado descritivo do Brasil (1587), a mais rica fonte de informações sobre o Brasil no século XVI. Nele fez um inventário da flora e da fauna da Bahia e alertou o rei para a necessidade de povoar e fortificar certas regiões para que estrangeiros não as tomassem. c) Hans Staden, alemão que esteve no Brasil por volta de 1520, escreveu Viagem ao Brasil (1557). A Literatura dos Jesuítas Desde que chegaram à Bahia em 1549 com Tomé de Sousa (o primeiro governador-geral do Brasil), os jesuítas, comandados pelo Padre Manuel da Nóbrega, incumbiram-se de catequizar os indígenas, educar e dar orientação moral e espiritual aos colonizadores. Escreveram poesia, teatro pedagógico, sermões e cartas, nas quais informavam os superiores da Companhia de Jesus sobre o desenvolvimento de seus trabalhos na Colônia. Quem mais se destacou entre os jesuítas foi Padre José de Anchieta. Padre José de Anchieta (1534-1597) Reprodução O fundador de São Paulo chegou ao Brasil em 1553 com o segundo governador-geral, D. Duarte da Costa. Foi uma das figuras mais importantes do século XVI pela relevância literária de sua obra e por ter sido o primeiro a escrever para brasileiros. Anchieta escrevendo na areia, de Benedito Calixto. 17
  16. 16. Sempre com intenção pedagógica, produziu sermões, autos (de inspiração medieval, seguindo o modelo de Gil Vicente) e poemas simples e ingênuos, mas cheios de lirismo. Dentre estes destaca-se “De Beata Virgine Dei Matre Maria” (“Poema à Virgem”). Devido à intenção didática de seus textos, usa linguagem de fácil assimilação e imagens claras. Anchieta escreveu em latim, tupi e português e foi o autor da primeira gramática em língua tupi: Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil. Observe neste fragmento, como as redondilhas menores e as rimas (sem esquema rígido) dão ao texto um ritmo que facilita a memorização, enfatizando sua função pedagógica. A Santa Inês Cordeirinha linda, como folga o povo porque vossa vinda lhe dá lume novo! Reprodução Cordeirinha santa, de Iesu querida, vossa santa vinda o diabo espanta. Por isso vos canta com prazer, o povo, porque vossa vinda lhe dá lume novo. ................................ Engenho, de Franz Post. 18
  17. 17. Questões de Vestibular Quinhentismo 1 (Fuvest-SP) Entende-se por literatura informativa no Brasil: a) o conjunto de relatos de viajantes e missionários europeus, sobre a natureza e o homem brasileiros. b) a história dos jesuítas que aqui estiveram no século XVI. c) as obras escritas com a finalidade de catequese do indígena. d) os poemas do Padre José de Anchieta. e) os sonetos de Gregório de Matos. 2 (UE-Londrina) Na Carta de Pero Vaz de Caminha: a) reconhecemos um texto de informação que em nada pode ter influenciado os escritores que se sucederam na Literatura Brasileira. b) vemos a preocupação do conquistador com a exploração do solo da terra conquistada, atitude única dos escritores da época, tal como o Padre Anchieta. c) identificamos um escrito que, pela maneira nacionalista como apresenta a terra, será tomado como modelo para o modernismo de Oswald de Andrade. d) temos um texto que, como todos os outros dos séculos XVI, XVII e XVIII, até o Romantismo, nada contribui para a Literatura Brasileira. e) encontramos os germes da atitude de louvor à terra que terá grande relevo no Romantismo. 3 (UF-RO) A Literatura brasileira do período colonial: a) sofreu grande influência da França. b) foi mero instrumento da política lusitana. c) foi uma continuação da literatura portuguesa. d) apresenta já bons ficcionistas. e) tem em Basílio da Gama seu poeta maior. 4 (UF-PA) Caetano Veloso em Língua usa expressões como “Lusamérica”, chegando mesmo a confessar: “Gosto de sentir minha língua roçar A Língua de Luís de Camões”; através disto percebe-se: 19
  18. 18. (a) um protesto claramente exposto contra o colonialismo português. (b) a atitude extasiada com que o autor se coloca ante o elemento europeu. (c) as origens portuguesas renascentistas das nossas manifestações culturais, em especial, da nossa literatura. (d) que funcionam apenas como figuras de retórica, dispensáveis, pois, no texto como um todo. (e) o registro da presença da tirania na cultura brasileira. 5 (CESCEM) A literatura brasileira do período colonial, em seus primeiros tempos, teve como preocupação acentuada a catequização do selvagem. É o que se vê revelado: a) nos Diálogos das Grandezas do Brasil b) na Prosopopéia c) no teatro de Anchieta d) no Tratado da Terra do Brasil e) no poemeto épico O Uraguai 6 (OSEC) A literatura jesuítica, nos primórdios de nossa história: a) tem grande valor informativo b) marca nossa maturação clássica c) visa à catequese do índio, à instrução ao colono e à sua assistência religiosa e moral d) estava a serviço do poder real e) tem fortes doses nacionalistas 7 (UF-MS) ”Além das aves que se criam em casa: galinhas, patos, pombos e perus, há no Brasil muitas galinhas bravas e uma aves chamadas jacus, que na feição e grandeza são quase como perus. Há perdizes e rolas, mas as perdizes têm alguma diferença das de Portugal.” ”Há muitas castas de palmeiras, de que se comem os palmitos e o fruto, que são uns cachos de cocos, e se faze deles azeite para comer e para a candeia, e das palmas se cobrem as casas.” A descrição detalhada da faunas e da flora, de que são exemplos os fragmentos acima, constituiu uma das preocupações da: a) literatura de informação do período colonial. b) prosa cientificista dos naturalistas. c) semonística barroca do século XVII. 20
  19. 19. d) crônica de costumes do século XIX. e) prosa dos folhetins do século XIX. 8 (UF-PA) A gênese da nossa formação literária se encontra no século XVI. Dela fazem parte: a) as obras produzidas pelos degredados que eram obrigados a se instalar no Brasil. b) os escritos que os donatários das capitanias hereditárias faziam ao rei de Portugal. c) os relatos dos cronistas viajantes. d) as produções arcádicas. e) as poesias de Gregório de Matos. 9 (DRHU-SP) A “Carta” de Pero Vaz de Caminha: a) relata o primeiro contato dos portugueses com populações não européias. b) expõe a atitude compreensiva dos portugueses diante da barbárie dos índios. c) descreve as habitações indígenas, a organização social tribal e os mecanismos de comando dela. d) revela a extensão e fertilidade da terra, seus produtos naturais como ouro, prata e especiarias. e) mostra o indígena brasileiro alternadamente como selvagem e como inocente. 10 (FCC) São identificados como literatura de informação: a) os textos coloniais em que viajantes e missionários europeus retratam a natureza e o homem de nossa terra. b) os romances naturalistas empenhados mais na descrição da realidade observada que na elaboração estética. c) os textos românticos preocupados com a divulgação dos ideais republicanos e abolicionistas. d) os contos contemporâneos que empregam recursos da linguagem jornalística. e) os tratados científicos em que se combinam a exatidão dos dados objetivos e a perfeição do estilo. 21
  20. 20. Reprodução BARROCO (1601-1768) Detalhe da vista do Itamaracá, de Franz Post. Franz Post, pintor trazido para Pernambuco pelo holandês Maurício de Nassau, registrou cenas do cotidiano da Colônia à época do Barroco. 22
  21. 21. BARROCO: séculos XVII e XVIII CONTEXTO HISTÓRICO: a) na Europa • estados absolutistas • Contra-Reforma – Companhia de Jesus e Concílio de Trento • desaparecimento de D. Sebastião em Alcácer-Quibir • domínio espanhol sobre Portugal (1580-1640) b) no Brasil • ciclo da cana-de-açúcar • Bahia e Pernambuco: centros econômicos e culturais • bandeiras • invasões CARACTERÍSTICAS: rebuscamento da forma (gongorismo) rebuscamento do conteúdo (conceptismo) tentativa de conciliação de opostos AUTORES: Bento Teixeira Gregório de Matos Guerra Padre Antônio Vieira Manuel Botelho de Oliveira 23
  22. 22. Barroco (1601-1768) As manifestações literárias do Barroco no Brasil iniciaram-se com a publicação do poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira, em 1601, e encerraram-se, teórica e oficialmente, em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina e a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa. No entanto, em 1724, com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos, registra-se o início de uma consciência grupal com a socialização do fenômeno literário, assinalando, pois, a decadência dos valores defendidos pelo Barroco e a ascensão do movimento árcade. Vale lembrar que o poema Prosopopéia é uma imitação de Os Lusíadas, cujo objetivo é louvar Jorge Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco. Contexto Histórico O final do século XVI assistiu ao término do ciclo das Grandes Navegações e à derrocada política e econômica de Portugal que, em 1580, depois da morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir, cai sob o domínio espanhol. A dominação, que durou 60 anos, terminou em 1640. A unificação da Península Ibérica deu força à Contra-Reforma, que procurava não só recuperar os fiéis perdidos para a Reforma Protestante, mas também conquistar novos seguidores. O vigilante Tribunal do Santo Ofício da Inquisição não deixou que os avanços científicos e culturais do resto da Europa chegassem à Península, impondo severa censura a toda produção. Judeus e muçulmanos foram convertidos pela força ao catolicismo. Com a fundação da Companhia de Jesus, em 1534, por Santo Inácio de Loyola, os jesuítas dominaram o ensino tanto em Portugal quanto no Brasil. O domínio espanhol, no entanto, não exerceu muita influência no plano político brasileiro, uma vez que a Colônia continuou a ser administrada por portugueses. Durante esse período, começou o processo de expansão territorial com as bandeiras, que, penetrando o sertão, procuravam escravos, ouro e pedras preciosas. Com a conquista do litoral do Norte e do Nordeste, os franceses foram expulsos. Os holandeses, de24
  23. 23. pois de uma tentativa frustrada de se estabelecerem na Bahia entre 1624 e 1625 (o episódio foi objeto de um dos mais importantes sermões de Vieira), ocuparam a capitania de Pernambuco. Aí permaneceram de 1630 a 1654, explorando a cana-de-açúcar. Expulsos, os holandeses começaram a produzir açúcar nas Antilhas e forçaram a queda dos preços internacionais do produto, por isso o ciclo da cana-de-açúcar entrou em declínio no Brasil. Manifestações Artísticas Reprodução O Barroco europeu — expressão artística da crise espiritual vivida pelo homem do século XVII, dividido entre a racionalidade e o antropocentrismo do Renascimento e a volta ao teocentrismo e à espiritualidade medievais — caracterizou-se pela ostentação, cujo objetivo era impressionar e influenciar o receptor: a fé deveria ser atingida mais pelos sentidos e pela emoção do que pelo raciocínio. A arquitetura, a escultura e a pintura, freqüentemente misturadas, perseguem esse fim usando de recursos como: a) assimetria – o estilo é retorcido, opondo-se à simetria e ao equilíbrio do Renascimento; Colunas negras do Vaticano. 25
  24. 24. Reprodução b) impressão de movimento – opondo-se à estaticidade clássica, são escolhidas as cenas de maior intensidade dramática (rostos contraídos pelo sofrimento ou pelo êxtase) para serem representadas na escultura e na pintura; Êxtase da Santa Teresa de Bernini. Reprodução c) a técnica do claro-escuro, na pintura, dá a sensação de profundidade. Descida da cruz, Pieter Paul Rubens. 26
  25. 25. No Brasil, embora o Barroco englobe as primeiras manifestações de arquitetura jesuítica do século XVI, sua forma mais exuberante, tanto nas artes plásticas como na arquitetura, só ocorreu no século XVIII, com as igrejas baianas e mineiras, as esculturas de Aleijadinho, pinturas de Ataíde, e a música de Lobo Mesquita e José Maurício Nunes Garcia. O Barroco literário não coincidiu, portanto, com as outras manifestações culturais. As igrejas barrocas eram construídas de taipa de pilão, uma técnica que consiste em socar blocos de barro em uma fôrma de madeira, depois desmontada. Foi no século XVII que se popularizou a ópera, espetáculo tipicamente barroco. Na ópera, o teatro, a música, os cenários, os figurinos, a iluminação e a dança, juntos, atingem um clímax emocional. Produção Literária O Barroco brasileiro foi fruto de manifestações isoladas, visto que a Colônia ainda não dispunha de um grupo intercomunicante de escritores, nem de um público leitor influente, nem de vida cultural intensa, situação agravada pela proibição da imprensa e pela falta de liberdade de expressão. Reflexo da literatura escrita na Península Ibérica, a produção dessa época também revela a crise do homem do século XVII, dividido entre os valores antropocêntricos do Renascimento e as amarras do pensamento medieval reabilitado pela Contra-Reforma. Essa tensão manifesta-se no confronto pecado/perdão, terreno/celestial, vida/morte, amor platônico/amor carnal, fé/razão, céu/inferno. 27
  26. 26. Observe essa dualidade neste último terceto do soneto A Jesus Cristo crucificado estando o poeta para morrer, de Gregório de Matos: Esta razão me obriga a confiar, que, por mais que pequei, neste conflito espero em vosso amor de me salvar. Como as outras artes, a literatura empregou uma linguagem adequada à monumentalidade e à ostentação, exagerando no rebuscamento formal ao abusar de: a) antíteses, que refletem a contradição do homem barroco, seu dualismo. Dessa vez o exemplo é do soneto A instabilidade das cousas do mundo, do mesmo Gregório: Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da luz, se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas, a alegria. b) metáforas, que revelam as semelhanças subjetivas que o poeta descobre na realidade e a tentativa de apreendê-la pelos sentidos. O último terceto do soneto A Jesus Cristo Nosso Senhor de Gregório de Matos nos fornece o exemplo: Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória. c) hipérboles, que traduzem a pompa, a grandiosidade do Barroco. Também de Gregório é o exemplo que vem do soneto Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem, referindo-se o poeta ao pranto: 28
  27. 27. Ardor em firme coração nascido; Pranto por belos olhos derramado; Incêndio em mares de água disfarçado; Rio de neve em fogo convertido. d) utilização freqüente de interrogações, que revelam incerteza e inconstância. Outra vez Gregório em A instabilidade das cousas do mundo: Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Há duas correntes barrocas em literatura: a) cultismo – estilo marcado pelo rebuscamento formal que abusa de antíteses, paradoxos, hipérboles, jogos de palavras, ordem inversa. Essa tendência é também chamada de gongorismo, devido à influência do poeta espanhol Luís de Gôngora. Outro exemplo de Gregório de Matos, neste fragmento do soneto Ao braço do mesmo Menino Jesus quando appareceo: O todo sem a parte não é todo, A parte sem o todo não é parte, Mas se a parte o faz todo, sendo parte, Não se diga, que é parte, sendo todo. b) conceptismo – estilo desenvolvido sobretudo na prosa, preocupado em expor idéias e conceitos por meio do raciocínio lógico. O seguinte fragmento do Sermão da Sexagésima, de Vieira, exemplifica essa tendência: 29
  28. 28. Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a sim mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? Bento Teixeira (1560-1618) No Barroco literário destacam-se Gregório de Matos Guerra e Padre Antônio Vieira (também estudado no Barroco português) entre outros. Gregório de Matos Guerra (1633?-1696) Nascido na Bahia, foi para Coimbra, onde se formou em Direito. Suas sátiras valeram-lhe o apelido de “Boca do Inferno” e foram responsáveis por sua expulsão de Portugal. Voltou para o Brasil e a seguir foi degredado para Angola (pelo mesmo motivo). De lá voltou para morrer no Recife, pois estava proibido de voltar à Bahia, bem como de apresentar suas sátiras. 30
  29. 29. Sua obra não foi publicada na época e só no final do século XIX Gregório foi redescoberto. Entre 1923 e 1933, a Academia Brasileira de Letras publicou seis volumes com a compilação de sua poesia. Seguindo modelos barrocos europeus, o poeta escreveu uma lírica que engloba poesias amorosas, religiosas, satíricas e filosóficas. Nas amorosas está presente o dualismo carne/espírito, mulher-anjo/ mulher-demônio. Observe que neste soneto o nome da amada sugere as duas imagens em torno das quais se organiza toda a expressão poética. A mesma D. Angela Anjo no nome, Angélica na cara! Isso é ser flor, e Anjo juntamente: Ser Angélica flor e Anjo florente, Em quem, senão em vós, se uniformara: Quem vira uma tal flor, que a não cortara, Do verde pé, da rama florescente; E quem um Anjo vira tão luzente; Que por seu Deus o não idolatrara? Se pois como anjo sois dos meus altares, Fôreis o meu Custódio*, e a minha guarda, Livrara eu de diabólicos azares. Mas vejo, que por bela, e por galharda*, Posto que os Anjos nunca dão pesares, Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda. * protetor * elegante Nas filosóficas discute-se os temas da transitoriedade da vida, da passagem do tempo, da instabilidade das coisas e do desconcerto do mundo. Leia o exemplo: 31
  30. 30. Desenganos da vida humana metaforicamente É a vaidade, Fábio, nesta vida, Rosa, que da manhã lisonjeada, Púrpuras mil, com ambição dourada, Airosa* rompe, arrasta presumida*. É planta, que de abril favorecida, Por mares de soberba desatada, Florida galeota* empavesada*, Sulca ufana*, navega destemida. * elegante * vaidosa * barquinho * enfeitada * vaidosa É nau* enfim, que em breve ligeireza, Com presunção de Fênix generosa, Galhardias* apresta*, alentos preza: Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa De que importa, se aguarda sem defesa Penha* a nau, ferro* a planta, tarde a rosa? * navio * elegâncias * prepara rápido * penhasco, rochedo * no sentido de machado Nas sacras manifesta-se o conflito pecado/perdão, vida mundana/busca da pureza. A Jesus Cristo Nosso Senhor Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido*; Porque quanto mais tenho delinqüido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: 32 * despeço
  31. 31. Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida e já cobrada* Glória e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na Sacra História*, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada*, Cobrai-a: e não queirais, Pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória. * recuperada * Sagradas Escrituras * perdida, pecadora Em suas poesias satíricas, responsáveis por sua expulsão de Portugal e do Brasil, encontram-se termos indígenas e africanos, gírias, palavrões e expressões locais. Nelas, Gregório satiriza o clero, os administradores portugueses, a sociedade baiana da época e até o rei. A uma freira, que satirizando a delgada fisionomia do poeta lhe chamou “Pica-Flor” Décima “Se Pica-Flor* me chamais, Pica-Flor aceito ser, mas resta agora saber, se no nome que me dais, meteis a flor, que guardais no passarinho melhor! Se me dais este favor, sendo só de mim o Pica, e o mais vosso, claro fica, que fico então Pica-Flor.” * beija-flor 33
  32. 32. Reprodução Padre Antônio Vieira (1608-1697) Padre Antônio Vieira Vieira nasceu em Portugal e aos seis anos veio para o Brasil. Aqui ordenou-se padre jesuíta e, em 1640, quando terminou o período de dominação espanhola, voltou a Portugal. Atacado pela Inquisição por defender cristãos-novos (judeus convertidos ao catolicismo), voltou ao Brasil em 1652. Expulso do Maranhão por criticar a escravidão a que os colonos submetiam os indígenas, foi proibido de pregar e condenado a prisão domiciliar. Suspensa a pena, Vieira seguiu para Roma para pedir a anulação do processo. Voltou ao Brasil, onde morreu. Missionário, homem de ação, político doutrinador e mestre no uso da palavra, Vieira talvez tenha vivido na época ideal, pois a Colônia não dispunha de imprensa, o público leitor era extremamente reduzido, sendo a linguagem oral o meio mais adequado para divulgar idéias e persuadir auditórios. Sua obra divide-se em: 1) obras de profecia: em que conjuga seu estilo alegórico de interpretação da Bíblia à crença no Sebastianismo, segundo a qual um futuro de glórias estaria reservado a Portugal: História do futuro, Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum. 2) cartas: em que discorre sobre sua atuação, a situação da Colônia e a política da época — as relações entre Portugal e Holanda, a Inquisição, os cristãos-novos. 34
  33. 33. 3) sermões (cerca de 200): longos e elaborados segundo raciocínios claros. Seus sermões compõem-se de: • intróito ou exórdio: a parte introdutória, de apresentação; • desenvolvimento ou argumento: defesa da idéia, com base, quase sempre, na exemplificação bíblica; • peroração: a conclusão, a parte final do sermão. Seus principais sermões são: a) Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda (Igreja Nossa Senhora da Ajuda, Salvador, 1640): nele Vieira conclama o povo a combater os holandeses que cercam a cidade; b) Sermão do Mandato (Capela Real de Lisboa, 1645): nele o pregador desenvolve o tema do amor divino em oposição ao humano; c) Sermão de Santo Antônio aos Peixes (Maranhão, 1654): aqui Vieira critica os colonos do Maranhão e pede que libertem os índios escravizados; d) Sermão da Sexagésima (Capela Real de Lisboa, 1655): em que resume a arte de pregar. Observe, neste fragmento do Sermão da Sexagésima, o uso das metáforas para os quatro tipos de corações e sua opinião sobre a efemeridade das coisas no mundo (tema barroco por excelência): Sêmen est verbum Dei* O trigo, que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu, são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, * A semente é a palavra de Deus. 35
  34. 34. e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e pertubados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou o homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância, que se colhe cento por um: Et fructum fecit centuplum. Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) Brasileiro, estudou em Coimbra e foi amigo de Gregório de Matos. Publicou Música do Parnaso, uma coletânea de poemas escritos em português, castelhano, italiano e latim. Foi o primeiro poeta brasileiro a editar seus poemas. Dessa obra consta o poema “Ilha da Maré”, em que se percebem traços de nativismo: Frutas do Brasil E, tratando das próprias, os coqueiros Galhardos e frondosos Criam cocos gostosos, E andou tão liberal a natureza Que lhes deu por grandeza, Não só para bebida, mas sustento, O néctar doce, o cândido alimento. De várias cores são os cajus belos; Uns são vermelhos, outros amarelos, E, como são vários nas cores Também se mostram vários nos sabores, E criam castanha, Que é melhor que a de França, Itália, Espanha. (...) 36
  35. 35. Reprodução No período barroco apareceram entre nós as primeiras academias literárias centralizadas na Bahia: em 1724, é fundada a Academia Brasílica dos Esquecidos e, em 1759, a Academia Brasílica dos Renascidos. Elas foram importantes porque, além de intensificarem o sentimento nativista, representaram a primeira tentativa de intercomunicabilidade literária (reuniram intelectuais e escritores e estabeleceram uma aproximação cultural entre os principais centros urbanos de então) e de contato com o público. As academias também fizeram um importante trabalho de pesquisa histórica. Sebastião da Rocha Pita, cujo pseudônimo era Vago, pertenceu à Brasílica dos Esquecidos e escreveu História da América Portuguesa. Frutas tropicais, de Eckhout. 37
  36. 36. Questões de Vestibular (Barroco) 1 (UMC-SP) O culto do contraste, pessimismo, acumulação de elementos, niilismo temático, tendência para a descrição e preferência pelos aspectos cruéis, dolorosos, sangrentos e repugnantes, são características do: a) Barroco. b) Realismo. c) Rococó. d) Naturalismo. e) Romantismo. 2 (F. C. Chagas-BA) Assinale o texto que, pela linguagem e pelas idéias, pode ser considerado como representante da corrente barroca: a) “Brando e meigo sorriso se deslizava em seus lábios; os negros caracóis de suas belas madeixas brincavam, mercê do zéfiro, sobre suas faces... e ela também suspirava.” b) “Estiadas amáveis iluminavam instantes de céus sobre ruas molhadas de pipilos nos arbustos dos squares. Mas a abóbada de garoa desabava os quarteirões.” c) “Os sinos repicavam numa impaciência alegre. Padre Antônio continuou a caminhar lentamente, pensando que cem vezes estivera a cair, cedendo à fatalidade da herança e à influência do meio que o arrastavam para o pecado. d) “De súbito, porém, as lancinantes incertezas, as brumosas noites pesadas de tanta agonia, de tanto pavor de morte, desfaziam-se, desapareciam completamente como os tênues vapores de um letargo...” e) “Ah! Peixes, quantas invejas vos tenho a essa natural irregularidade! A vossa bruteza é melhor que o meu alvedrio. Eu falo, mas vós não ofendeis a Deus com as palavras: eu lembro-me, mas vós não ofendeis a Deus com a memória: eu discorro mas vós não ofendeis a Deus com o entendimento: eu quero, mas vós não ofendeis a Deus com a vontade.” 38
  37. 37. 3 (FUVEST-SP) “Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te Te lembra hoje Deus por sua Igreja; De pó te faz espelhos, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-te” Pelas características do quarteto acima podemos dizer que ele se enquadra no: a) Barroco. b) Arcadismo. c) Romantísmo. d) Parnasianismo. e) Modernismo. 4 (FUVEST-SP) O bifrontismo do homem, santo e pecador; o impulso pessoal prevalecendo sobre normas ditadas por modelos; o culto do contraste; a riqueza de pormenores – são traços constantes da: a) composição poética parnasiana. b) poesia simbolista. c) produção poética arcádica de inspiração bucólica. d) poesia barroca. e) poesia candoreirista. 5 (Positivo-PR) O estilo rebuscado que retrata os dilemas entre os apelos de ordem espiritual e os atrativos de ordem material, mais o exagero no emprego dos recursos estilísticos são características da Escola: a) barroca. b) arcádica. c) romântica. d) realista. e) modernista. 6 (Positivo-PR) Preencha as lacunas com a alternativa que completa adequadamente o texto: “O...., formalismo que se distingue pelo jogo de palavras, de construções e de imagens; e o ..... em que a temática se torna sutil pelo jogo das idéias e dos conceitos dão origem ao chamado..... . 39
  38. 38. a) b) c) d) e) universalismo – individualismo – classicismo. cultismo – conceptismo – barroco. subjetivismo – sentimentalismo – romantismo. objetivismo – universalismo – realismo. idealismo – pragmatismo – simbolismo. 7 (UF-RO) O Barroco foi o primeiro estilo literário do ocidente a romper, de certa forma, com o padrão clássico na literatura ocidental. Assinale a alternativa que só contém características desse estilo de época. a) Jogos de palavras e idéias, deformação e contraste. b) Fusionismo, convencionalismo clássico, o equilíbrio. c) Individualismo, jogos de palavras e culto da liberdade. d) Deformação, racionalismo e equilíbrio. e) Mistura do sagrado e do profano, fusionismo e culto à natureza. 8 (UF-RS) Com relação ao Barroco brasileiro, assinale a alternativa INCORRETA. a) Os Sermões, do padre Antônio Vieira, elaborados numa linguagem conceptista, refletiram as preocupações do autor com problemas brasileiros da época, por exemplo, a escravidão. b) Os conflitos éticos vividos pelo homem do Barroco corresponderam, na forma literária, ao uso exagerado de paradoxos e inversões sintáticas. c) A poesia barroca foi a confirmação, no plano estético, dos preceitos renascentistas de harmonia e equilíbrio, vigentes na Europa no século XVI, que chegaram ao Brasil no século XVII, adaptados, então, à realidade nacional. d) Um dos temas principais do Barroco é a efemeridade da vida, questão que foi tratada no dilema de viver o momento presente e, ao mesmo tempo, preocupar-se com a vida eterna. e) A escultura barroca teve no Brasil o nome de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que, no século XVIII, elaborou uma arte de tema religioso com traços nacionais e populares, numa meseta representativa do Barroco. 40
  39. 39. 9 (MAUÁ-LINS) Que características do Barroco se deixam entrever no texto abaixo: A vós correndo vou, Braços sagrados, Nessa Cruz sacrossanta descobertos; Que para receber-me estais abertos, E por não castigar-me estais cravados. (Gregório de Matos) 10 (UF-SE) A literatura dessa época caracteriza-se pela abundância de ornatos, pela elaboração formal que redunda em um estilo trabalhado, ricamente entretecido de figuras, em especial a antítese, o paradoxo e a hipérbole. Esse movimento estético é o: a) Barroco. b) Arcadismo. c) Naturalismo. d) Pré-modernismo. e) Modernismo. 11 (Centec-BA) Não é característica do Barroco a: a) preferência pelos aspectos científicos da vida. b) tentativa de reunir, num todo, realidades contraditórias. c) angústia diante da transitoriedade da vida. d) preferência pelos aspectos cruéis, dolorosos e sangrentos do mundo, numa tentativa de mostrar ao homem a sua miséria. e) intenção de exprimir intensamente o sentido da existência, expressa no abuso da hipérbole. 12 (FCMSC-SP) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que: a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião. b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza. c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia do céticos. d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus. e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dure. 41
  40. 40. 13 (FAAP-SP) “Eu sou aquele, que os passados anos Cantei na minha lira maldizente Torpezas do Brasil, vícios e enganos.” Assim se apresenta, na sua obra satírica, esse poeta baiano do século XVII, autor também de poesia lírica e de poesia sacra. Trata-se de .........., cuja obra ilustra bem o estilo de época .......... 14 (FUVEST-SP) “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia. Depois da luz, se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria.” Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos Guerra, a principal característica do Barroco é: a) o culto da Natureza. b) a utilização de rimas alternadas. c) a forte presença de antíteses. d) o culto do amor cortês. e) o uso de aliterações. 15 (UF-RS) Considere as afirmações abaixo. I - A obra de Gregório de Matos centrava-se em dois pólos temáticos, a religião e a vida amorosa, que se concretizam, na sua poesia, no conflito entre o pecado e o prazer. II - Para concretizar esses conflitos, Gregório de Matos fez uso freqüente de figuras retóricas como antíteses e paradoxos. III - A crítica social que se pode encontrar nos poemas de Gregório de Matos dirige-se principalmente aos homens públicos da Bahia do século XVII. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e II. d) Apenas I e III. e) I, II e III. 42
  41. 41. 16 (UF-PA) A vós correndo vou, braços sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos. Que, para receber-me, estais abertos, E, por não castigar-me, estais cravados. A vós, divinos olhos, eclipsados De tanto sangue e lágrimas cobertos, Pois, para perdoar-me, estais despertos, E, por não condenar-me, estais fechados. A vós, pregados pés, por não deixar-me, A vós, sangue vertido, para ungir-me, A vós, cabeça baixa, para chamar-me. A vós, lado patente, quero unir-me, A vós, cravos precisos, quero atar-me, Para ficar unido, atado e firme. Os dois últimos versos do segundo quarteto expressam o (a) a) rebuscamento de linguagem próprio da época a que pertence o texto. b) simplicidade do estilo do autor. c) estado de espírito de equilíbrio e harmonia do estilo seiscentista. d) ausência de conflito Deus-Homem. e) influência dos ideais da Revolução Francesa. 17 (PUC/Campinas-SP) Observe os dois textos abaixo. A. Ofendi-vos, meu Deus, bem é verdade, É verdade, Senhor, que hei delinqüido, Delinqüido vos tenho, e ofendido, Ofendido vos tem minha maldade. B. A cada canto um grande conselheiro Que nos que governar cabana e vinha, Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. 43
  42. 42. Estes dois textos pertencem ao mesmo poeta e identificam: a) texto A: gênero lírico-sacro; texto B: gênero satírico. São versos de Tomás Antônio Gonzaga, escritor barroco do século XVIII. b) texto A: gênero lírico-religioso; texto B: gênero satírico. São versos de Santa Rita Durão, poeta lírico do Neoclassicismo. c) Texto A: poesia de caráter religioso; texto B: poesia de caráter social. São versos de Castro Alves, autor da segunda metade do século XIX, época do Ultra-Romantismo. d) texto A: poesia que reconhece a condição pecadora do homem; texto B: versos satíricos. São versos de Gregório de Matos, autor da época barroca. e) texto A: poesia do arrependimento; texto B: poesia satírica. São versos de José de Anchieta, na época do Quinhentismo. 18 (PUCC-SP) “Que falta nesta cidade? Verdade Que mais por sua desonra? Honra. Falta mais que se lhe ponha? Vergonha. O demo a viver se exponha, Por mais que a fama a exalta, Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha,” Pode-se reconhecer nos versos acima, de Gregório de Matos: a) o caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço de uma crítica, em tom de sátira, do perfil moral da cidade da Bahia. b) o caráter de jogo verbal próprio da poesia religiosa do século XVI, sustentando piedosa lamentação pela falta de fé do gentio. c) o estilo pedagógico da poesia neoclássica, por meio da qual o poeta se investe das funções de um autêntico moralizador. d) o caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço da expressão lírica do arrependimento do poeta pecador. e) o estilo pedagógico da poesia neoclássica, sustentando em tom lírico as reflexões do poeta sobre o perfil moral da cidade da Bahia. 44
  43. 43. 19 (DRHU-SP) “Triste Bahia! ó quão desemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando, e tem trocado, Tanto negócio e tanto negociante.” Nestas estrofes, Gregório de Matos dirige-se à “cidade da Bahia” e considera os efeitos da passagem do tempo na relação entre ambos. No presente, tal relação é expressa por uma: a) identidade de estados, como conseqüência da exploração econômica sofrida tanto no plano coletivo quanto no individual. b) identidade de estados, como conseqüência de um processo de transações econômicas que acabaram por beneficiar tanto a cidade quanto o poeta. c) dessemelhança de estados, resultante da incompatibilidade de interesses entre os negócios do poeta, no plano particular, e os da economia colonialista, no plano geral. d) dessemelhança de estados, resultante das trocas comerciais que degradaram o nível de vida da cidade sem ter afetado a condição social do poeta. e) oposição de estados, já que os negócios levaram o poeta à abastança ao mesmo tempo em que a vida empobrecia pela ação da “máquina mercante”. 20 (UF-PA) Nas produções poéticas de Gregrório Matos Guerra o fato de encontrarmos, lado a lado, poesias que atingem alto grau de lirismo e poesias que satirizam veementemente fatos e acontecimentos, numa atitude claramente antilírica, é suficiente para a) demonstrar o quanto o poeta estava distante do estilo de época do seu tempo. b) representar o reflexo de valores medievais que nortearam a confecção dos seus poemas. c) demostrar como ele deseja ter a sua nacionalidade reconhecida. 45
  44. 44. d) perceber-se a oscilação típica do homem do barroco e que se repete em outros níveis na sua poesia. e) mostrar a supervalorização amorosa que ele praticava enquanto homem do barroco. 21 (OSEC) Gregório de Matos foi nosso primeiro grande poeta e: a) chegou a publicar toda a sua obra. b) teve vida moral exemplar. c) manteve-se independente, criando estética peculiar. d) sua obra permaneceu inédita até o século XX. e) teve medo de satirizar o clero. 22 (FUND. STO. ANDRÉ) “Cultivou a poesia sacra, lírica e satírica. Também escreveu poemas graciosos e pornográficos. Essa diversidade de caminhos percorridos pela inspiração do vate baiano se explica acima de tudo pela riqueza plástica de seu talento literário e, ao fim, pela estética barroca, que lhe serviu de pano de fundo”. Tais palavras, de Massaud Moisés, em A Literatura Brasileira Através dos Textos, aplicam-se a: a) Manuel Botelho de Oliveira. b) Domingos Caldas Barbosa. c) Gregório de Matos. d) Bento Teixeira. e) Eusébio de Matos. 23 (FAU -SANTOS) A respeito de Gregório de Matos Guerra afirma-se que: a) foi o primeiro poeta brasileiro a publicar sua obra. b) como escritor, político, sacerdote e pregador foi a maior figura brasileira do século XVII. c) foi escritor sem profundidade, todo superficial que construiu seus enredos de modo fácil e agradável. d) foi o primeiro poeta brasileiro, grande representante do cultismo e do conceptismo, e introdutor da sátira política com sabor de nativismo. e) pertenceu ao Arcadismo e sua obra retrata a vida e o sonho dos Inconfidentes. 46
  45. 45. 24 (CESCEM) É possível, nos textos reproduzidos abaixo, apreender alguns temas constantes na poesia barroca, tratados mais de uma vez por Gregório de Matos em sua obra poética. I. “Que és terra, homem, e em terra hás de tomar-te, te lembra hoje Deus por sua igreja; ...” II. “Não vi, depois que o monte discorremos, Há tantos anos, sempre atrás do gado, Noite tão clara, como a que hoje temos; ...” III. “Tupã, ó Deus Grande! Cobriste o teu rosto Com denso velame de penas gentis; ...” IV. “Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa, De que importa, se aguarda sem defesa Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?” V. “Ó não aguarde que a madura idade Te converta essa flor, essa beleza, Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada”. Assinale a alternativa que contém os números correspondentes aos três textos de Gregório de Matos que apresentam tais constantes. a) II — III — V. b) I — IV — V. c) I — II — V. d) II — III — IV. e) III — I — IV. 25 (UF-PA) A SÉ DA BAHIA A nossa Sé da Bahia, Com ser um mapa de festas, É um presepe de bestas, Se não for estrebaria; Várias bestas cada dia Vejo que o sino congrega: Caveira - mula galega, Deão - burrinha bastarda, Pereira - rossim de albarda, Que tudo da Sé carrega. 47
  46. 46. Sobre o autor do texto anterior é incorreto afirmar que: a) pertence ao Período Colonial da Literatura Brasileira. b) reflete influência do processo de transplantação cultural européia para o Brasil. c) é um dos poetas mais importantes do estilo neoclássico no Brasil. d) revela decisiva influência do espírito contra-reformista. e) em sua poesia Iírica utiliza linguagem altamente retorcida. 26 (UF-PB) Leia o texto seguinte: Ardor em coração firme nascido! Pranto por belos olhos derramado! Incêndio em mares de água disfarçado! Rio de neve em fogo convertido! Tu, que um peito abrasas escondido, Tu, que em um rosto corres desatado, Quando fogo em cristais aprisionado, Quando cristal em chamas derretido. .’... Se és fogo como passas brandamente? Se és neve, como queimas com porfia? Mas ai! que andou Amor em ti prudente. Pois para temperar a tirania, Como quis, que aqui fosse a neve ardente, Permitiu, parecesse a chama fria. MATOS, Gregório de. Poesias selecionadas. São Paulo: FTD, 1993, p. 49. a) É perceptível, no soneto acima, o encadeamento de metáforas, alinhadas em contraste, a fim de caracterizar o pranto. Esse procedimento é típico de que vertente barroca? b) Diferentemente da antítese, que é uma oposição meramente formal entre os termos, o paradoxo é uma oposição das idéias, expressa num único juízo acerca de alguém ou de algo. Extraia do texto dois exemplos de paradoxo. 48
  47. 47. 27 (UF-BA) Assinale a proposição ou proposições em que o poeta Gregório de Matos, afastando-se da proposta estética do Barroco, assume uma postura crítico-satírica ante à realidade e, depois, some os valores: (01) “Sol de justiça divino/sois, Amor onipotente,/porque estais continuamente/no luzimento mais fino:/porém, Senhor, se o contino/resplandecer se vos deve,/fazendo um reparo breve/desse sol no luzimento,/sois sol, mas no Sacramento/Com razão divina neve.” (02) “E que justiça a resguarda? ............................................ Bastarda É grátis distribuída? ......................................................... Vendida Que tem, que a todos assusta? ........................................ Injusta. Valha-nos Deus, o que custa,/o que EI-Rei nos dá de graça,/que anda a justiça na praça/Bastarda, Vendida, Injusta.” (04) “Valha-me Deus, que será/desta minha triste vida,/que assim mal logro perdida,/onde, Senhor, parará?/que conta se me fará/lá no fim, onde se apura/o mal, que sempre em mim dura,/o bem, que nunca abracei,/os gozos, que desprezei, por uma eterna amargura.” (08) “Entre os nascidos só vós/por privilégio na vida/fostes, Senhora, nascida/isenta da culpa atroz:/mas se Deus (sabemos nós)/que pode tudo, o que quer,/e vos chegou a eleger/para Mãe sua tão alta,/impureza, mancha, ou falta/nunca em vós podia haver.” (16) “O Mercador avarento,/quando a sua compra estende,/no que compra, e no que vende,/tira duzentos por cento:/não é ele tão jumento,/que não saiba, que em Lisboa/se lhe há de dar na gamboa;/ mas comido já o dinheiro/diz, que a honra está primeiro,/e que honrado a toda Lei:/esta é a justiça, que manda EI-Rei.” (32) “Senhor Antão de Souza de Meneses,/Quem sobe a alto lugar, que não merece,/Homem sobe, asno vai, burro parece,/Que o subir é desgraça muitas vezes. A fortunilha autora de entremezes/Transpõe em burro o Herói, que indigno cresce:/Desanda a roda, e logo o homem desce,/Que é discreta a fortuna em seus reveses.” 49
  48. 48. (64) “De um barro frágil, e vil,/Senhor, o homem formastes,/cuja obra exagerastes/por engenhosa, e sutil:/graças vos dou mil a mil,/ pois em conhecido aumento/tem meu ser o fundamento/na razão, em que se estriba,/se lhe infundis alma viva,/Que muito, que vivo alento.” Soma 28 (UF-SE) Em língua portuguesa, um autor elevou ao mais alto nível um gênero literário destinado a persuadir e comover os ouvintes, obedecendo a normas tradicionais da retórica, que prescrevem invenção, disposição, elocução, memória, declamação e ação. Essa afirmação identifica a) Gregório de Matos Guerra e sua poesia satírica. b) Tomás Antonio Gonzaga e suas liras. c) Basílio da Gama e seu poema épico. d) Castro Alves e sua poesia de caráter social. e) Padre Antônio Vieira e seus sermões. 29 (UFMS) “Célebre como orador, epistológrafo e prosador em geral, conciliou muito bem os fundamentos de sua formação jesuítica com o estilo da época. Atingiu o máximo de virtuosidade nos sermões, carregados de alegorias e antíteses.” O autor e o estilo a que se refere o texto acima são: a) Pero Vaz de Caminha — classicista. b) Pe. Antônio Vieira — barroco. c) Gregório de Matos — barroco. d) Pe. Antônio Vieira — arcádico. e) Gregório de Matos — arcádico. 30 (FUVEST-SP) A respeito do Padre Antônio Vieira, pode-se afirmar: a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana, não se ocupou de problemas locais. b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava. c) Dada sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos mundanos. 50
  49. 49. d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-O para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais. e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos. 31 (UF-BA) Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os Pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra, o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela, que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os Pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina, que Ihes dão, a não querem receber; ou é porque o sal não salga, e os Pregadores dizem uma cousa, e fazem outra, ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem: ou é porque o sal não salga, e os Pregadores se pregam a si, e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal. (Pe. Antônio Vieira) A. O autor aponta como causa da corrupção na terra: a. A doutrina pregada é fraca ou os homens não lhe são receptivos. b. Os pregadores pregam uma falsa doutrina ou a doutrina é ineficiente. c. Os homens não são receptivos à doutrina, porque ela é verdadeira. d. A ação dos pregadores não testemunha o que eles pregam. e. Os homens tentam imitar os pregadores, seguindo-lhes a doutrina. B. São características do autor e da época, presentes no texto: a. Recurso às antíteses, como suporte das idéias. b. Argumentação construída através de jogo de idéias conduzindo a uma resposta. c. Visão negativa do caráter do homem. d. Niilismo temático encobrindo o vazio de idéias. e. Abordagem da dualidade inerente à condição humana. 51
  50. 50. 32 (PUC-SP) “Há de tomar o pregador uma só matéria, há de defini-Ia para que conheça, há de dividi-Ia para que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar; há de responder às dúvidas, há de satisfazer às dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a força da eloqüência os argumentos contrários, e depois disto há de colher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há de acabar.” (Padre Antônio Vieira) Este trecho do “Sermão da sexagésima” aponta as partes que compõem o discurso argumentativo e ilustra o Barroco, em seu estilo conceptista. Em que consiste este estilo? Exemplifique-o com o texto acima. 33 (OSEC) Música do Parnaso, de Manuel Botelho de Oliveira, publicada em 1705, apresenta: a) poemas escritos em três línguas. b) poemas carregados de erotismo. c) poemas Iírico-amorosos de cunho platônico. d) cantos de fundo religioso. e) novelas exóticas. 34 (OSEC) A “Silva Descritiva da Ilha da Maré” do mesmo Manuel Botelho é notável: a) pelo nacionalismo marcante. b) por seu cunho nativista. c) por seu valor pré-arcádico. d) pelas notas românticas. e) por ser o primeiro poema em versos livres. 35 (FUVEST) a) Indique uma obra da Era Colonial brasileira influenciada por Os lusíadas. b) Como se manifesta essa influência? 52
  51. 51. 36 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS) Cantem Poetas o poder Romano, Submetendo Nações ao jugo duro; o Mantuano pinte o Rei Troiano, descendo à confusão do Reino escuro; que eu canto um Albuquerque soberano, da Fé, da cara Pátria firme muro, cujo valor e ser, que o Céu lhe inspira, pode estancar a Lácia e Grega lira. O poema Prosopopéia, de Bento Teixeira, de que é exemplo o fragmento acima, pode ser diretamente vinculado, pelas suas influências e ressonâncias, à: a) sátira vicentina. b) lírica petrarqueana. c) narrativa homérica. d) épica camoniana. e) poética anchietana. 37 (UF-SE) “Primeiramente só Cristo amou, porque amou sabendo. Para inteligência desta amorosa verdade, havemos de supor outra não menos certa, e é que, no mundo e entre os homens, isto que vulgarmente se chama amor não é amor, é ignorância. Pintaram os Antigos ao amor menino. E a razão, dizia eu o ano passado, que era porque nenhum amor dura tanto que chegue a ser velho”. O texto exemplifica a) a prosa conceptista do Padre Antônio Vieira. b) a forma cultista do Barroco. c) o exagero do estilo barroco, conhecido por Barroquismo. d) a obra religiosa de Gregório de Matos. e) o cultismo de Bento Teixeira. 53
  52. 52. Reprodução ARCADISMO (1768-1808) Detalhe da leitura da sentença de Tiradentes, de Eduardo de Sá. A frustrada Inconfidência Mineira foi um movimento decisivo para a emancipação política do Brasil. 54
  53. 53. ARCADISMO: século XVIII CONTEXTO HISTÓRICO: a) na Europa • • • • • • ascensão política da burguesia liberalismo econômico Primeira Revolução Industrial despotismo esclarecido Iluminismo Revolução Francesa b) na América • Independência dos Estados Unidos c) no Brasil • • • • ciclo da mineração mudança do eixo econômico e cultural para Minas Gerais e Rio de Janeiro Inconfidência Mineira CARACTERÍSTICAS: • novo interesse pelos clássicos • racionalismo • equilíbrio • simplicidade • desprezo aos exageros barrocos (inutilia truncat) • aurea mediocritas • fugere urbem • poesia épico-nativista (prenúncio do Romantismo) AUTORES: Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio) Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu) Silva Alvarenga (Termindo Sipílio) Basílio da Gama Santa Rita Durão Barroco • rebuscamento Arcadismo formal • preferência • simplicidade por aspectos dinâmicos, dramáticos • • retorno cultos dos contrastes • equilíbrio, (inutilia truncat) à estaticidade e sobriedade clássicas harmonia 55
  54. 54. Arcadismo ou Neoclassicismo (1768-1808) Didaticamente o Arcadismo iniciou-se em 1768 com a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, e com a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica. Esse período encerrou-se com a chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, quando se iniciou o período de transição para o Romantismo. Contexto Histórico Vale lembrar que são poucos os estudiosos da literatura brasileira que falam desse período de transição (1808-1836). A maioria deles estende o Arcadismo até o início do Romantismo. A Europa, no século XVIII, vivia uma época de transformações radicais. O espírito científico — baseado na razão, na observação e na experimentação — propiciou o desenvolvimento do Iluminismo e marcou a produção científico-cultural: a física de Newton, a filosofia de Locke, as idéias dos enciclopedistas*. O Iluminismo, uma visão de mundo da burguesia intelectual da época, defendia a idéia de Voltaire** de que, como Deus está na natureza, o homem pode descobri-lo por meio da razão, sem necessidade da intervenção da Igreja. Defendia também a idéia de Rousseau*** de que os homens são naturalmente bons e iguais entre si, a sociedade é que os corrompe. Era preciso, pois, modificar a sociedade para garantir a liberdade, a igualdade e a fraternidade (lema da Revolução Francesa). * A Enciclopédia foi a principal expressão do pensamento iluminista. Coordenada por d’Alembert, Diderot e Voltaire, seu objetivo era organizar o conhecimento da época sobre Artes, Ciências, Filosofia e Religião. A obra traduzia a nova concepção de organização social e política baseada no culto à razão, ao progresso, às ciências e na rejeição de todo o saber ligado à religiosidade. ** Voltaire, filósofo francês, um dos ideólogos do despotismo esclarecido. *** Jean-Jacques Rousseau, autor de Discurso sobre a origem e desigualdade dos homens, Do contrato social, Emílio, defendia a teoria do “bom selvagem”, postulando que só a volta à natureza era garantia de felicidade. 56
  55. 55. A Primeira Revolução Industrial, caracterizada pela aplicação da ciência na indústria, registrou a mudança de uma economia agrária e manual para uma economia dominada pela indústria e mecanização da manufatura e fortaleceu a burguesia, cujo objetivo, agora, era ascender politicamente. Os déspotas esclarecidos, soberanos absolutistas inspirados pelo racionalismo iluminista, limitaram o poder da Igreja, reduziram os privilégios da aristocracia e do clero, estimularam as artes e a pesquisa científica e protegeram os interesses da burguesia. Esse quadro preparou o terreno para a independência dos Estados Unidos (1776) e para a Revolução Francesa (1789). Em Portugal, o déspota esclarecido Marques de Pombal, ministro de D. José I, reformulou o ensino universitário segundo os ideais iluministas e expulsou os jesuítas de Portugal e do Brasil, pondo fim ao monopólio jesuítico do ensino. No Brasil, na passagem do século XVII para o XVIII, a descoberta de jazidas de ouro e diamante deslocou a atividade econômica e cultural do Nordeste para a região de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, iniciando o ciclo da mineração. Diferentemente da sociedade do ciclo da cana-de-açúcar rígida e patriarcal, assentada na monocultura e na escravidão, os núcleos urbanos (que se desenvolveram em função da atividade mineradora), com sua variedade de serviços e funções, permitiram uma maior mobilidade social. Nas últimas décadas do século XVIII, com o declínio da mineração, a opressão fiscal da Coroa e a corrupção das autoridades, as vilas empobreceram. A reação contra Portugal, aliada às idéias iluministas, que encontraram eco no crescente sentimento nativista, desembocaram na Inconfidência Mineira, da qual participaram advogados, intelectuais e poetas. Manifestações Artísticas O Neoclassicismo (o novo Classicismo, o retorno aos ideais clássicos e renascentistas), baseado na visão científica e nas idéias racionalistas do Iluminismo, foi uma reação ao estilo extravagante do Barroco e representou um retorno à simplicidade, sobriedade, simetria e equilíbrio clássicos, que se refletiram na arquitetura e na escultura. 57
  56. 56. A pintura inspirou-se em temas históricos e na mitologia clássica. Fotos: Reprodução No Brasil, curiosamente, embora fosse século XVIII e a produção artística da época estivesse ligada aos ideais iluministas, assistiu-se ao desabrochar exuberante do Barroco, também chamado de Barro- Pantheon, de Pierre-Antoine de Machy. co brasileiro ou ainda Barroco mineiro. Em Ouro Preto (antiga Vila Rica) predominam esculturas em madeira e pedra-sabão do Aleijadinho e pinturas de Manuel da Costa Ataíde. Na Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, destacam-se a arquitetura e a ornamentação de algumas igrejas. Lobo de Mesquita e o padre José Maurício foram os principais compositores de música O juramento dos Horácios, de David. barroca sacra. Escultura de Aleijadinho, pinturas de Ataíde. 58
  57. 57. Literatura O Arcadismo insurgiu-se contra os exageros do Barroco, produzindo uma poesia que retornou à simplicidade e equilíbrio clássicos e renascentistas. No Brasil, ocorreu um entrosamento acentuado entre vida intelectual e preocupações político-sociais: o selvagem foi valorizado, houve uma visão crítica da política colonial e um crescente nativismo. Pela primeira vez, desde “o descobrimento”, o momento histórico permitiu a existência de uma relação sistemática entre escritor, obra e público, preparando o campo para a Era Nacional de nossa literatura. Três foram os princípios básicos do Arcadismo: 1) fugere urbem (fugir da cidade) em busca do locus amoenus (lugar ameno, aprazível): o poeta voltava-se para a natureza, para o campo à procura de uma vida simples, bucólica, longe dos centros urbanos (todos os nossos poetas árcades, no entanto, foram urbanos, intelectuais e burgueses, daí falar-se em fingimento poético que se concretiza no uso de pseudônimos pastoris); 2) carpe diem (aproveita o dia): máxima do poeta latino Horácio com a qual o poeta convida a aproveitar o momento presente (este foi também um dos temas preferidos do Barroco); 3) Inutilia truncat (cortem-se as inutilidades): os árcades queriam cortar todos os excessos barrocos, por isso usavam palavras simples, períodos curtos e mais comparações que metáforas. Produção Literária Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio) (1729-1789) Escritor de transição entre o estilo barroco cultista e as novas tendências, nasceu no Brasil, mas, como a maioria dos nossos escritores, foi para Portugal, tendo estudado Direito em Coimbra. Em 1768 lança o livro Obras, que iniciou o Arcadismo entre nós. Nesse mesmo ano fundou a 59
  58. 58. ão Reproduç Arcádia Ultramarina. Participou da Inconfidência Mineira, foi preso e enforcou-se na prisão em 1789. Ele foi o primeiro e mais acabado poeta árcade. Suas poesias anteriores a Obras são ainda barrocas. Depois de 1768, voltou-se para motivos bucólicos e a natureza brasileira foi pano-de-fundo de seus textos e também sua confidente (traço que antecipa o Romantismo). Sua musa era Nise e seus sonetos têm da influência de Camões. nítiCláudio Manuel da Costa Destes penhascos fez a natureza O berço, em que nasci! Oh quem cuidara, Que entre penhas tão duras se criara Amor, que vence os tigres, por empresa Tomou logo render-me; ele declara Contra o meu coração guerra tão rara, Que não me foi bastante a fortaleza. Por mais que eu mesmo conhecesse o dano, A que dava ocasião minha brandura, Nunca pude fugir ao cego engano: Vós, que ostentais a condição mais dura, Temei, penhas, temei; que Amor tirano, Onde há mais resistência, mais se apura. Escreveu também o poemeto épico Vila Rica, no qual exalta a aventura dos bandeirantes, descreve a fundação da cidade e os acontecimentos da época da mineração. 60
  59. 59. Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu) (1744-1810) As liras de Marília de Dirceu, que idealizam a mulher amada, têm como tema o ideal da vida simples em que a honradez e o trabalho são essenciais, além do sentimento de transitoriedade da vida, que leva o poeta ao carpe diem. Elas dividem-se em duas partes: Reprodução Nasceu em Portugal. Viveu a infância e a adolescência no Brasil. Voltou a Portugal e estudou Direito em Coimbra. Voltou ao Brasil já com 38 anos e apaixonou-se por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a Marília, com quem pretendia casar-se. Mas, durante a Inconfidência Mineira, foi preso e condenado ao degredo em Moçambique, onde se casou com uma rica viúva e morreu em 1810, sem ter voltado ao Brasil. Tomás Antônio Gonzaga a) na primeira, usando uma linguagem simples, quase ingênua, descreve a amada, fala sobre o namoro e traça planos de felicidade conjugal: Lira XXI Não sei, Marília, que tenho Depois que vi o teu rosto; Pois quanto não é Marília Já não posso ver com gosto. Noutra idade me alegava, Até quando conversava Com o mais rude vaqueiro: Hoje, ó bela, me aborrece Inda o trato lisonjeiro Do mais discreto pastor. Que efeitos são os que sinto! 61
  60. 60. Serão efeitos de Amor? Saio da minha cabana Sem reparar no que faço; Busco o sítio aonde moras, Suspendo defronte o passo. Fito os olhos na janela Aonde, Marília bela, Tu chegas ao fim do dia; Se alguém passa, e te saúda, Bem que seja cortesia, Se acende na face a cor. Que efeitos são os que sinto! Serão efeitos de Amor? ...................................... b) na parte final, escrita na prisão, quando seus sonhos foram desfeitos, revela amargura, abatimento e revolta: Lira XV Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro, Fui honrado Pastor da tua aldeia; Vestia finas lãs, e tinha sempre A minha choça do preciso cheia. Tiraram-me o casal*, e o manso gado, Nem tenho, a que me encoste, um só cajado. Para ter que te dar, é que eu queria De mor rebanho ainda ser o dono; Prezava o teu semblante, os teus cabelos Ainda muito mais que um grande Trono. Agora que te oferte já não vejo Além de um puro amor, de um são desejo. 62 * casa
  61. 61. Se o rio levantado me causava, Levando a sementeira, prejuízo, Eu alegre ficava apenas via Na tua breve boca um ar de riso. Tudo agora perdi; nem tenho o gosto De ver-te ao menos compassivo o rosto. Propunha-me dormir no teu regaço As quentes horas da comprida sesta, Escrever teus louvores nos olmeiros, Toucar-te de papoulas na floresta. Julgou o justo Céu, que não convinha Que a tanto grau subisse a glória minha. Ah! Minha Bela, se a Fortuna volta, Se o bem, que já perdi, alcanço, e provo; Por essas brancas mãos, por essas faces Te juro renascer um homem novo; Romper a nuvem, que os meus olhos cerra, * Jove – Júpiter, principal Amar no Céu a Jove*, e a ti na terra divindade da antiga Roma Gonzaga foi autor também de Cartas Chilenas, poemas satíricos que circularam anonimamente por Vila Rica pouco antes da Inconfidência Mineira. Nelas, Critilo, o próprio Tomás Antônio, morador de Santiago do Chile (Vila Rica) satirizou o governador Luís Cunha de Meneses, o Fanfarrão Minésio, cujos desmandos administrativos e morais criticou. As cartas foram endereçadas a Doroteu, provavelmente Cláudio Manuel da Costa. Essas cartas são um importante documento histórico da época da mineração. Observe a descrição ferina que faz do governador: Escuta a história de um moderno chefe Que acaba de reger a nossa Chile: ....................................................... 63
  62. 62. Tem pesado semblante, a cor é baça* O corpo de estatura um tanto esbelta, Feições compridas e olhadura feia, Tem grossas sobrancelhas, testa curta, Nariz direito e grande, fala pouco Em rouco, baixo som de mau falsete, Sem ser velho, já tem cabelo ruço* E cobre este defeito a fria calva A força de polvilho que lhe deita. Ainda me parece que estou vendo No gordo rocinante* escarranchado As longas calças pelo umbigo atadas, Amarelo colete e sobre tudo Vestida uma vermelha e justa farda. De cada bolso da fardeta, pendem Listadas pontas de dois brancos lenços; Na cabeça vazia se atravessa Um chapéu desmarcado, nem sei como Sustenta o pobre só do laço o peso. * sem brilho * grisalho *cavalo ruim Santa Rita Durão (1722-1784) Embora fosse brasileiro, ainda jovem foi para Portugal e nunca mais voltou ao Brasil. Publicou em 1781 o poema épico Caramuru. Denotando considerável influência camoniana, seu poema compõe-se de dez cantos, versos decassílabos, oitava rima (ABABABCC) e, embora não utilize a mitologia pagã, tem a divisão da epopéia clássica: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo. Santa Rita foi o primeiro autor brasileiro a utilizar uma lenda nacional como 64 Capa da primeira edição de Caramuru, de Santa Rita Durão.
  63. 63. assunto: o naufrágio de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, na costa baiana, seu amor por Paraguaçu e a partida dos dois para a Europa, momento em que várias índias apaixonadas perseguem o navio a nado. Dentre elas, destaca-se Moema, a amante preterida no casamento. Leia um fragmento do episódio da morte de Moema: Perde o lume dos olhos, pasma e treme, Pálida a cor, o aspecto moribundo; Com mão já sem vigor, soltando o leme, Entre as salsas escumas desce ao fundo. Mas na onda do mar, que, irado, freme, Tornando a aparecer desde o profundo, —”Ah! Diogo cruel!”— disse com mágoa, E sem mais vista ser, sorveu-se na água. Basílio da Gama (Termindo Sipílio) (1740-1795) Basílio da Gama Brasileiro, estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro. Em 1768, quando estava em Lisboa, foi acusado de ligação com os jesuítas. Julgado pelo Tribunal da Inquisição, foi condenado ao degredo em Angola. Mas o poeta soube atrair as simpatias e o perdão do Marquês de Pombal, dedicando um epitalâmio (poema que celebra o casamento de alguém) a sua filha. 65
  64. 64. Agradecido ao Marquês, escreveu o poema épico e antijesuítico O Uraguai, em 1769. O assunto é a luta entre os índios dos Sete Povos das Missões (no Uruguai) contra o exército luso-espanhol que deveria transferir as missões para os domínios portugueses na América e a Colônia do Sacramento para a Espanha. Basílio da Gama quebra a estrutura da epopéia clássica e começa seu poema pela narração. Ele constitui-se de cinco cantos, em versos decassílabos brancos (sem rima) e sem divisão em estrofes. No primeiro canto, as tropas espanholas juntam-se às portuguesas. No segundo, descreve a batalha entre índios e as tropas, com a derrota dos primeiros. No terceiro, Cacambo, o indígena marido de Lindóia, ateia fogo ao acampamento dos brancos. Balda, o vilão jesuíta, prende e envenena o índio. Lindóia tem visões, mero pretexto para Basílio da Gama contar os feitos do Marquês de Pombal, que reconstrói Lisboa após o terremoto. No quarto canto, vemos a preparação para o casamento forçado de Lindóia com Baldetta (sucessor de Cacambo) e a seguir o suicídio de Lindóia. No último canto descrevem-se os crimes dos jesuítas e sua prisão. Leia este fragmento da morte de Lindóia, em que, estando todos reunidos para o casamento, estranham a demora da noiva. Seu irmão, o índio Caitutu, vai procurá-la no jardim onde se refugiara: Morte de Lindóia (fragmento) Este lugar delicioso e triste, Cansada de viver, tinha escolhido Para morrer a mísera Lindóia. Lá reclinada, como que dormia, Na branda relva e nas mimosas flores, Tinha a face na mão, e a mão no tronco De um fúnebre cipreste, que espalhava 66
  65. 65. Melancólica sombra. Mais de perto Descobrem que se enrola em seu corpo Verde serpente, e lhe passeia, e cinge Pescoço e braços, e lhe lambe o seio. Fogem de a ver assim, sobressaltados, E param cheios de temor ao longe, E nem se atrevem a chamá-la, e temem Que desperte assustada, e irrite o monstro E fuja, e apresse no fugir a morte. Porém o destro Caitutu, que treme Do perigo da irmã, sem mais demora Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes Soltar o tiro, e vacilou três vezes Entre a ira e o temor. Enfim sacode O arco e faz voar a aguda seta, Que toca o peito de Lindóia, e fere A serpente na testa, e a boca e os dentes Deixou cravados no vizinho tronco. Açouta o campo coa ligeira cauda O irado monstro, e em tortuosos giros Se enrosca no cipreste, e verte envolto Em negro sangue o lívido veneno. Leva nos braços a infeliz Lindóia O desgraçado irmão, que ao despertá-la Conhece, com que dor! no frio rosto Os sinais do veneno, e vê ferido Pelo dente sutil o branco peito. 67
  66. 66. Os olhos, em que Amor reinava, um dia, Cheios de morte; e muda aquela língua Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes Contou a larga história de seus males. Nos Olhos Caitutu não sofre* o pranto. E rompe em profundíssimos suspiros, Lendo na testa da fronteira gruta De sua mão já trêmula gravado O alheio crime e a voluntária morte. É por todas as partes repetido O suspirado nome de Cacambo. Inda conserva o pálido semblante Um não sei quê de magoado e triste; Que os corações mais duros enternece. Tanto era bela no seu rosto a morte! Outros autores do Arcadismo, porém de menor expressão, foram: • Alvarenga Peixoto (1744-1793) – participou da Inconfidência Mineira e propôs o lema Libertas quae sera tamen (Liberdade ainda que tardia) que deveria figurar na bandeira republicana. Preso, é deportado para Angola. Em seus versos, de extremado apuro formal, combateu o colonialismo. • Silva Alvarenga (1749-1814) – reorganizou a Academia Científica do Rio de Janeiro, que passou a chamar-se Sociedade Literária (1786). Acusado de propagar idéias subversivas, foi preso e depois perdoado pela rainha D. Maria. Para sua musa escreveu os rondós e madrigais de Glaura. Compôs ainda Poesias diversas e O desertor da letras, poema herói-cômico, satirizando o sistema escolástico de Coimbra. 68
  67. 67. Período De Transição (1808-1836) No início do século XIX, Portugal achava-se numa situação difícil: optar entre a dependência econômica inglesa e o poderio militar francês. Afugentada pelas tropas de Napoleão, que invadiram Portugal no início do século XIX, a Família Real portuguesa chegou ao Brasil em 22 de janeiro de 1808. O Brasil foi, subitamente, elevado da condição de Colônia à de Reino Unido a Portugal e Algarve e, o Rio de Janeiro transformou-se em sede política, econômica e cultural da Monarquia. Estava próxima nossa emancipação política, apressada pelas reformas de D. João VI. Ele remodelou a cidade do Rio de Janeiro e o Brasil começou a ganhar os contornos de uma nação. A abertura dos portos brasileiros às “nações amigas” permitiu que circulassem novas idéias, gostos e hábitos. Fundaram-se escolas de ensino superior e academias, liberou-se a imprensa. Reprodução Contratada por D. João VI, chegou ao Brasil, em 1816, a Missão Francesa com a tarefa de ensinar artes e ofícios aos brasileiros. O arquiteto Montigny, os escultores Auguste-Marie Taunay e Marc Ferrez, os pintores Nicolas Antoine Taunay e Jean-Baptiste Debret introduziram no Brasil o Neoclassicismo e inauguraram o gosto pelos temas históricos e nacionais (em oposição ao Barroco das igrejas). Com eles o Brasil ganhou imagem própria, distanciando-se da matriz. Em 1821, D. João VI voltou para Portugal e aqui ficou o príncipe regente D. Pedro I, que proclamou nossa independência em 1822. O jantar, de Debret. 69
  68. 68. Produção Literária A literatura desse período, chamado também de Pré-Romantismo, caracterizou-se pela tentativa de abolir os modelos clássicos. No entanto, numa época em que ocorreram mudanças tão intensas em todos os setores da sociedade, floresceu uma poesia de segunda linha, uma poesia retórica, cujo objetivo era ensinar, persuadir, moralizar: o poema sacro, em que se destacaram Elói Ottoni, Sousa Caldas e Américo Elísio (pseudônimo de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência). Desenvolveram-se também nesse período os gêneros públicos: sermão, discurso, artigo e ensaio de jornal. Neste último campo destacaram-se Hipólito da Costa Pereira, fundador do jornal Correio Braziliense, e Evaristo da Veiga. Ambos foram indispensáveis para a formação e expansão de um público leitor no Brasil. É na oratória, porém, que se prenuncia o Romantismo. Frei Monte Alverne, em seus sermões, funde à fé, ao sentimento religioso as “harmonias da natureza” e as “glórias da pátria”. As ladeiras de Ouro Preto, antiga Vila Rica, hoje patrimônio cultural da humanidade, guardam as lembranças do século do ouro. Poetas, inconfidentes, músicos, pintores e escultores deixaram suas marcas na cidade-símbolo do desenvolvimento urbano brasileiro. A Igreja São Francisco de Paula foi a última igreja levantada em Ouro Preto durante o período colonial. Sua construção demorou um século, de 1804 a 1904. 70
  69. 69. Questões de Vestibular (Arcadismo) 1 (UF-RO) O período literário que se seguiu ao Barroco apresentou três tendências paralelas e complementares entre si. Juntas, essas tendêcias formam a essência do movimento aludido. Essas tendências são: a) Neoclassicismo, Egocentrismo, Exotismo. b) Subjetivismo, Perfeição Formal, Musicalidade. c) Iluminismo, Arcadismo e Neoclassicismo. d) Arcadismo, Protesto Social, Literatura-Documento. e) Determinismo, Musicalidade, Culto da Liberdade. 2 (UF-RO) O Neoclassicismo brasileiro, em um certo aspecto, antecipou em alguns temas o nosso Romantismo. Assinale a alternativa que contém os temas dessa antecipação. a) Subjetivismo e Emancipação. b) Indianismo e Melancolia. c) Indianismo e Culto à Natureza. d) Perfeição Formal e Nacionalismo. e) Culto da Liberdade e Evasão. 3 (CESESP-PE) I – “O momento ideológico na literatura do Setecentos traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.” II – “O momento poético, na literatura do Setecentos, nasce de um encontro, embora ainda amaneirado, com a natureza e os afetos comuns do homem.” III – “Façamos, sim, façamos, doce amada, Os nossos breves dias mais ditosos” A característica que está presente nestes versos é o carpe diem (gozar a vida). a) Só a proposição I é correta. b) Só a proposição II é correta. c) Só a proposição III é correta. d) São corretas as proposições I e II. e) Todas as proposições são corretas. 71
  70. 70. 4 (UF-PB) Das afirmações abaixo, em torno do Barroco e do Arcadismo no Brasil, I – O cultismo (jogo de palavras) e o conceptismo (jogo de idéias) são típicos do Arcadismo brasileiro, preso a uma concepção neoclássica de arte. II – Pessimismo, gosto pelo paradoxo e pelas antíteses, culto do contraste são algumas das características do estilo barroco. III – Profundamente relacionado com a Contra-Reforma, o estilo barroco procura a síntese entre o teocentrismo e o antropocentrismo. IV – Os poetas Gregório de Matos, Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama são representantes típicos do Arcadismo no Brasil. são corretas apenas, a) I e II. b) II e III. c) III e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV. 5 (FUND. STO. ANDRÉ) “Entremos, Amor, entremos entremos na mesma esfera; venha Palas, venha Juno, venha a deusa de Citera. Vai-te, amor, em vão socorres ao mais grato empenho meu: para formar-lhe o retrato, não bastam tintas do céu”. O empenho em comparar a beleza da amada às perfeições da Natureza, as personificações, o apelo à mitologia grega, são recursos abusivamente empregados pela estética: a) barroca. b) arcádica. c) romântica. d) parnasiana. e) simbolista. 72
  71. 71. 6 (Positivo-PR) “Magnífica idéia de banir da poesia o inútil adorno das palavras empoladas, conceitos estudados, freqüentes antíteses, metáforas exorbitantes e hipérboles sem modo, introduzindo em nossos versos o delicioso e apetecido ar de simplicidade.” Este excerto pode muito bem representar um resumo das intenções do: a) Modernismo. b) Barroco. c) Simbolismo. d) Arcadismo. e) Romantismo. 7 (Mackenzie-SP) Aponte a alternativa cujo conteúdo não se aplica ao Arcadismo: a) Desenvolvimento do gênero épico, registrando o início da corrente indianista na poesia brasileira. b) Presença da mitologia grega na poesia de alguns poetas desse período. c) Propagação do gênero lírico em que os poetas assumem a postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado. d) Circulação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político. e) Penetração da tendência mística e religiosa, vinculada à expressão de ter ou não ter fé. 8 (ABC-SP) “....”, um dos termos usuais para caracterizar o estilo da época, se prende, por um lado, à tendência a imitar os clássicos franceses, comum na Europa de setecentos, e, no que se refere à literatura portuguesa e brasileira, identificaria a preocupação de combater o Cultismo, imitar gregos e romanos, como Virgílio, Horácio, Teócrito e Anacreonte, tomar como modelo as atitudes literárias do século XVI. A lacuna seria corretamente preenchida por: a) Barroco. b) Neoclassicismo. c) Romantismo. d) Parnasianismo. e) Simbolismo. 73
  72. 72. 9 (FUVEST-SP) “Por fim, acentua o polimorfismo cultural dessa época o fato de se desenrolarem acontecimentos historicamente relevantes, como a Inconfidência Mineira e a transladação da Corte de D. João VI para o Rio de Janeiro.” (Massaud Moisés) A época histórica a que se refere o crítico é a do: a) Simbolismo. b) Arcadismo. c) Parnasianismo. d) Realismo. e) Romantismo. 10 (FATEC-SP) Sobre o Arcadismo brasileiro só não se pode afirmar que: a) tem suas fontes nos antigos grandes autores gregos e latinos, dos quais imita os motivos e as formas. b) teve em Cláudio Manuel da Costa o representante que, de forma original, recusou a motivação bucólica e os modelos camonianos da lírica amorosa. c) nos legou os poemas de feição épica Caramuru (de Frei José de Santa Rita Durão) e O Uraguai (de Basílio da Gama), no qual se reconhece qualidade literária destacada em relação ao primeiro. d) norteou, em termos dos valores estéticos básicos, a produção dos versos de Marília de Dirceu, obra que celebrizou Tomás Antônio Gonzaga e que destaca a originalidade de estilo e de tratamento local dos temas pelo autor. e) apresentou uma corrente de conotação ideológica, envolvida com as questões sociais do seu tempo, com a crítica aos abusos de poder da Coroa Portuguesa. 11 (UF-PE) “Tanto a busca da simplicidade formal, quanto a da clareza e eficácia das idéias, se ligam ao grande valor dado à natureza, como base da harmonia e da sabedoria. Daí o apreço pela convenção pastoral, isto é, pelos gêneros bucólicos que visam representar a inocência e a sadia rusticidade pelos costumes rurais, sobretudo dos pastores.” (A. Cândido e J. A. Castello) Esse excerto relaciona-se a um determinado estilo Iiterário. Assinale, então, o autor que não pertence ao estilo em questão: 74

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