História g3ral

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História g3ral

  1. 1. História Geral 1
  2. 2. 2 História Geral
  3. 3. Carlos Alberto Schneeberger 1a Edição História Geral 3
  4. 4. Expediente Editor Editora Assistente Assistente Editorial Revisão Projeto Gráfico Diagramação Pesquisa Iconográfica Cartografia Capa Italo Amadio Katia F. Amadio Edna Emiko Nomura Sérgio Torres Jairo Souza Cristhiane Garcia Equipe Rideel Kid’s Produções Gráficas Ltda. e Mauri Camilo Antonio Carlos Ventura Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Schneeberger, Carlos Alberto História geral : teoria e prática / Carlos Alberto Schneeberger. – 1. ed. – São Paulo : Rideel, 2006. ISBN 85-339-0810-5 1. História – Estudo e ensino I. Título. 06-0013 CDD-907 Índice para catálogo sistemático: 1. História : Estudo e ensino 907 © Copyright - Todos os direitos reservados à Av. Casa Verde, 455 – Casa Verde Cep 02519-000 – São Paulo – SP e-mail: sac@rideel.com.br www.rideel.com.br Proibida qualquer reprodução, seja mecânica ou eletrônica, total ou parcial, sem prévia permissão por escrito do editor. 2 4 6 8 9 7 5 3 1 0 1 0 6 4 História Geral
  5. 5. APRESENTAÇÃO Essa obra foi concebida para aqueles que almejam desenvolver ou concluir seus estudos, para os que se preparam para participar dos principais vestibulares do país, e a todos que se interessam pela matéria. Sua importância está também, em sua utilização como fonte de pesquisa, pois além de a teoria ter sido apresentada de forma objetiva e com linguagem clara, foi distribuída com o equilíbrio necessário para a sistematização dos estudos e das consultas. O conteúdo conceitual da obra vem acompanhado de fotos, mapas e esquemas que dialogam com o texto auxiliando na sua compreensão. Todos os capítulos receberam, ao final, questões de vestibulares aplicadas pelas melhores instituições educacionais de Ensino Superior do país. O Editor História Geral 5
  6. 6. 6 História Geral
  7. 7. SUMÁRIO PARTE 1 – A PRÉ-HISTÓRIA Capítulo 1 – A pré-história ................................................. 13 Questões de vestibular ........................................................... 17 PARTE 2 – ANTIGÜIDADE: DAS CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS ATÉ O FIM DO IMPÉRIO ROMANO Capítulo 2 – Antigüidade Oriental ..................................... 18 As civilizações dos grandes vales fluviais .............................. A civilização egípcia ............................................................... A civilização mesopotâmica .................................................... As civilizações mediterrâneas orientais .................................. Civilizações periféricas ........................................................... Exercícios propostos .............................................................. Questões de vestibular ........................................................... 18 19 27 33 41 46 49 Capítulo 3 – Antigüidade Ocidental ................................... 50 O mundo grego ....................................................................... O mundo romano .................................................................... Exercícios propostos .............................................................. Questões de vestibular ........................................................... 50 64 81 86 PARTE 3 – IDADE MÉDIA Capítulo 4 – Introdução ..................................................... 91 Capítulo 5 – Alta Idade Média ........................................... 92 A civilização bizantina ............................................................. 92 A civilização muçulmana ........................................................ 95 Os reinos germânicos ........................................................... 100 Exercícios propostos ............................................................ 105 Questões de vestibular ......................................................... 106 Capítulo 6 – Baixa Idade Média ...................................... 108 Conjuntura européia ............................................................. 108 As cruzadas ........................................................................... 110 As rotas comerciais ............................................................... 113 As crises religiosas e as transformações culturais ................ 113 História Geral 7
  8. 8. Transição do feudalismo ao capitalismo ................................ 116 As monarquias nacionais ...................................................... 118 As grandes crises do século XIV .......................................... 124 Exercícios propostos ............................................................ 127 Questões de vestibular ......................................................... 130 PARTE 4 – IDADE MODERNA Capítulo 7 – Expansão marítima e comercial européia .... 133 Introdução ............................................................................. O pioneirismo de portugal .................................................... A expansão marítima espanhola .......................................... A expansão marítima inglesa, francesa e holandesa ........... Exercícios propostos ............................................................ Questão de vestibular ........................................................... 133 134 136 137 139 140 Capítulo 8 – O Renascimento Cultural ............................ 140 O pioneirismo italiano ........................................................... O Renascimento nos Países Baixos .................................... O Renascimento na península Ibérica ................................. O Renascimento na Inglaterra e na França ......................... O Renascimento na Europa Central ..................................... Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 142 144 144 145 146 146 147 Capítulo 9 – A Reforma Religiosa ................................... 149 O desencadeamento da Reforma na Alemanha .................. A Reforma na Suíça: O calvinismo ....................................... A Reforma na Inglaterra e na Escócia: O anglicanismo e o presbiterianismo ............................................................. A Reforma católica ou Contra-Reforma ................................ Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 149 153 154 155 157 158 Capítulo 10 – O Estado moderno ................................... 159 O mercantilismo .................................................................... A colonização ....................................................................... O absolutismo ....................................................................... Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 8 História Geral 159 163 164 166 167
  9. 9. Capítulo 11 – O absolutismo na Inglaterra ...................... 169 Apogeu e crise ...................................................................... As revoluções inglesas no século XVII ................................. Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 169 170 173 174 Capítulo 12 – O absolutismo na França ......................... 175 Exercícios propostos ............................................................ 178 Questões de vestibular ......................................................... 179 Capítulo 13 – O Iluminismo e o Pensamento Liberal ...... 180 Exercícios propostos ............................................................ 184 Questões de vestibular ......................................................... 184 Capítulo 14 – O despotismo esclarecido ........................ 185 Exercícios propostos ............................................................ 187 Questão de vestibular ........................................................... 188 Capítulo 15 – A independência dos Estados Unidos da América ...................................................................... 188 A formação das colônias ...................................................... O processo de independência .............................................. Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 188 191 193 194 Capítulo 16 – A Revolução Industrial .............................. 196 O pioneirismo da inglaterra .................................................. 196 Exercícios propostos ............................................................ 200 Questões de vestibular ......................................................... 201 PARTE 5 – IDADE CONTEMPORÂNEA Capítulo 17 – A Revolução Francesa de 1789 ................ 203 Exercícios propostos ............................................................ 213 Questões de vestibular ......................................................... 214 Capítulo 18 – O período napoleônico (1798-1815) ......... 216 Exercícios propostos ............................................................ 219 Questões de vestibular ......................................................... 220 História Geral 9
  10. 10. Capítulo 19 – O Congresso de Viena e a Santa Aliança .... 220 Questões de vestibular ......................................................... 223 Capítulo 20 – A independência das colônias espanholas na América ................................................... 224 Exercícios propostos ............................................................ 226 Questão de vestibular ........................................................... 227 Capítulo 21 – As grandes correntes ideológicas do século XIX: liberalismo e socialismo .......................... 228 O liberalismo ......................................................................... O socialismo ......................................................................... O pensamento social da igreja católica: Rerum Novarum ................................................................... Exercício proposto ................................................................ Questões de vestibular ......................................................... 228 231 233 234 234 Capítulo 22 – As revoluções liberais de 1830 e 1848 ..... 235 Exercícios propostos ............................................................ 237 Questões de vestibular ......................................................... 238 Capítulo 23 – A evolução da inglaterra até a I Guerra Mundial ............................................................. 239 Exercícios propostos ............................................................ 242 Questão de vestibular ........................................................... 243 Capítulo 24 – A unificação política da Alemanha e da Itália ......................................................................... 243 A fundação do império Alemão (II Reich) ............................. A unificação política italiana ................................................. Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 243 246 249 249 Capítulo 25 – Os Estados Unidos no século XIX ............ 250 Exercícios propostos ............................................................ 254 Questões de vestibular ......................................................... 255 10 História Geral
  11. 11. Capítulo 26 – O imperialismo e a partilha da África e da Ásia ......................................................................... 257 Exercícios propostos ............................................................ 263 Questões de vestibular ......................................................... 264 Capítulo 27 – A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) ... 265 Origens ................................................................................. A guerra ................................................................................ Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 265 268 271 272 Capítulo 28 – A conferência de Paris e os tratados de paz (1919) .................................................... 274 A Conferência de Paris ......................................................... O Tratado de Versalhes ........................................................ Os demais tratados .............................................................. A Liga das Nações ................................................................ Exercício proposto ................................................................ Questão de vestibular ........................................................... 274 275 276 277 278 278 Capítulo 29 – A revolução de 1917 na Rússia ................ 279 Antecedentes ........................................................................ A revolução liberal-burguesa de fevereiro de 1917 .............. A revolução socialista de outubro de 1917 ........................... Primeiras medidas do governo comunista ........................... Uma nova política econômica (NEP) .................................... O triunfo de Stalin e os Planos Qüinqüenais ........................ Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 279 282 283 283 285 286 287 288 Capítulo 30 – As democracias ocidentais no período entre guerras ...................................................... 289 A Europa perde a liderança .................................................. A hegemonia dos Estados Unidos ........................................ Exercícios propostos ............................................................ Questão de vestibular ........................................................... 289 291 293 295 Capítulo 31 – A crise do capitalismo liberal e o New Deal .... 295 História Geral 11
  12. 12. Os primeiros sinais da crise ................................................. A crise se manifesta: o crash na Bolsa ................................. A crise se torna mundial ....................................................... Franklyn Roosevelt e a era do New Deal ............................. Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 295 298 300 301 302 304 Capítulo 32 – A ascenção do totalitarismo de direita: fascismo e nazismo ........................................................................ 305 O fascismo italiano ............................................................... O nazismo alemão ................................................................ O militarismo japonês ........................................................... Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 306 308 313 314 315 Capítulo 33 – A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) .... 316 Antecedentes imediatos ....................................................... O desencadeamento do conflito ........................................... Os Estados Unidos na guerra .............................................. O início do fim ....................................................................... A derrota do Eixo .................................................................. O balanço da guerra ............................................................. Exercícios propostos ............................................................ Questões de vestibular ......................................................... 316 318 320 322 323 325 326 327 Capítulo 34 - O Mundo Pós II Guerra Mundial ................ 329 A fundação da Organização das Nações Unidas (ONU) ...... A Guerra Fria ........................................................................ A reconstrução da Europa Ocidental .................................... A socialização do Leste europeu .......................................... A corrida armamentista ......................................................... O triunfo do comunismo na China Continental ..................... As grandes crises durante a Guerra Fria ............................. A descolonização da África, Ásia e Caribe ........................... As transformações nos Estados Unidos ............................... A União Européia .................................................................. 12 História Geral 329 330 332 333 335 336 338 358 361 362
  13. 13. PARTE 1 PARTE 1 A PRÉ-HISTÓRIA Capítulo 1 Chama-se de Pré-História o período que se estende do aparecimento do ser humano até o surgimento da escrita (4000 a.C.). O conhecimento desse período se faz pelo estudo dos vestígios deixados pelos povos que nele viveram, tarefa principalmente da Arqueologia e da Antropologia. Divide-se a Pré-História em períodos: Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais. Esses períodos foram divididos levando-se em consideração o estágio cultural dos grupos humanos e o grau do seu conhecimento técnico. Embora haja uma seqüência lógica na evolução humana, isto é, pode ocorrer uma simultaneidade. Assim, numa mesma época, podem coexistir os três períodos. Basta considerar, para efeito de exemplificação, o Brasil: em nosso território ainda há grupos indígenas isolados, iletrados, vivendo em pleno “Neolítico”. Pintura pré-histórica (Lascaux, França). História Geral 13
  14. 14. Se compararmos a Pré-História com a História propriamente dita, notaremos que a primeira corresponde a milhões de anos; a segunda, aproximadamente, a 6 mil anos. Mas há estudiosos que preferem localizar o início da Pré-História a partir de 600 mil a.C., no início do processo de evolução do ser humano primitivo. Ainda assim, observa-se enorme diferença em relação à duração de cada período. O Paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada, corresponde ao período mais remoto da humanidade, sua infância. Nessa época, o ser humano teve de lutar duramente para garantir sua sobrevivência. A obtenção de alimentos era difícil e perigosa, pela ameaça e concorrência de outros animais. O ser humano vivia da caça, pesca e coleta. Era um extrativista, um predador, pois nada produzia. Sua organização social era extremamente simples (vida grupal), e o local de abrigo e refúgio mais utilizado eram as cavernas. O domínio do fogo foi fundamental A grande maioria dos hispara sua sobrevivência. toriadores considera a capa- cidade do ser humano de produzir o fogo, dominá-lo e saber utilizá-lo como o maior avanço técnico no Período Paleolítico. Pesquise em enciclopédias e descubra a importância desse avanço. Para sua reflexão: esse avanço pode ser comparado à importância da energia elétrica em nossos dias. Reflita a respeito e imagine como seria sua vida se, num dado momento, cessasse o fornecimento de eletricidade. 14 História Geral Nossos ancestrais já conseguiam então produzir facas, pontas de flechas e lanças, usando a pedra. Os avanços técnicos eram lentos, mas extremamente importantes. Paralelamente, suas características físicas se modificavam: a caixa craniana se ampliava, sua postura ereta (bípede) tornava amplo seu campo de visão e liberava seus braços e mãos, transformados em verdadeiras ferramentas. Suas mãos foram se modificando, os dedos se afastaram, permitindo-lhes manipu-
  15. 15. lar instrumentos e levar alimentos à boca. A técnica da caça aos poucos evoluía, e vestimentas de pele eram confeccionadas com ajuda de agulhas feitas com ossos. A evolução da linguagem foi extremamente importante, pois possibilitou a transmissão de idéias, por meio da articulação dos sons. Assim, a experiência de uma pessoa se tornava um conhecimento coletivo. Na fase final do Paleolítico surgiram as primeiras manifestações artísticas: adornos para o corpo; estatuetas femininas estilizadas, relacionadas com cultos de fecundidade; pinturas de animais nas paredes das cavernas (pintura rupestre). Retratavam basicamente cenas de caça e possuíam um caráter mágico. Arte realista por excelência, reproduzia o mundo em que as pessoas viviam. Muitos símbolos desenhados podem ter sido o primeiro passo em direção à escrita ideográfica. Por volta de 10 mil a.C., ocorreu o fim da última glaciação. A camada de gelo, que havia coberto boa parte da Terra, recuou, alterando ecossistemas, provocando o desaparecimento de muitos animais e a migração de outros, mais afeiçoados ao frio. Obrigados a se adaptar às novas condições climáticas para sobreviver, muitos grupos humanos acompanharam os animais em seu processo migratório. Alargava-se a área ocupada pelos humanos. No Neolítico, ou Idade da Pedra Polida, a evolução técnica se acelerou. Com o polimento, os instrumentos e armas se tornaram mais eficazes. Os grupos humanos, a partir de então, passaram a transformar seu meio ambiente. Com a domesticação e a criação de animais, e o surgimento da agricultura, a produção de alimentos melhorou. A esses notáveis progressos chamamos de Revolução Neolítica ou Agrícola. Os grupos humanos se sedentarizaram, com a construção de habitações e a formação de comunidades. As atividades econômicas se diversificaram, especialmente no setor do artesanato, destacando-se a fiação de fibras vegetais e animais, a tecelagem e a cerâmica. História Geral 15
  16. 16. O conjunto das atividades econômicas determinou uma divisão de tarefas entre o homem e a mulher, ao mesmo tempo em que se estruturavam as instituições político-sociais. Ao homem cabia a caça, a preparação da terra para a lavoura e, certamente, as atividades militares (construção da paliçada, a defesa, a produção de armamentos). O cuidado com a lavoura, incluindo a colheita, era encargo feminino, bem como o cuidado da habitação, das crianças e a preparação da comida. A organização política congregava todos os membros masculinos adultos da aldeia, para assegurar sucesso na defesa, no ataque e manutenção do domínio das áreas de caça. A chefia, então, já repousava na experiência, não tanto na força. Desenho de uma aldeia neolítica, com pessoas trabalhando na agricultura, pecuária, artesanato, atividades domésticas etc. 16 História Geral
  17. 17. No final do Neolítico, iniciou-se a Idade dos Metais, com o emprego de instrumentos de metais graças ao domínio, ainda que rudimentar, da técnica de fundição. Utilizou-se, a princípio, o cobre, o estanho, sua liga (o bronze) e o chumbo, metais cuja fusão é mais fácil. A melhoria na fusão, pelo uso de foles, estimulou e diversificou a produção metalúrgica, culminando na produção do ferro, usado principalmente na feitura de armas. Datam do Neolítico a construção de monumentos colossais em pedra (megalíticos), chamados dólmens e menires. Os primeiros são construções que se assemelham a uma mesa. Estudiosos acreditam que deveriam ter a função de câmaras mortuárias. Já os menires são enormes pedras fincadas no solo em posição vertical, formando fileiras longilíneas ou circulares. Questão de vestibular 1) (UNICAMP) “Diferentemente das outras espécies de animais, o homem possui poucas defesas corporais para enfrentar as condições do meio ambiente. Essa deficiência física, aliada a um cérebro complexo, permite ao homem grandes quantidades de movimentos e capacidade para criar seu equipamento material.” Deste texto podemos concluir que: a) O homem, por sua capacidade física, conseguiu dominar a natureza. b) A cultura humana não é hereditária, o conhecimento humano é um legado social. c) O homem é a única espécie animal que possui técnica para transformar a natureza. d) A produção de alimentos (agricultura) provoca uma profunda modificação na formação física e biológica do homem. e) Com a economia produtora, o homem tinha o controle de sua sobrevivência, embora não possuísse ainda o poder de previsão da produção. História Geral 17
  18. 18. PARTE 2 PARTE 2 ANTIGÜIDADE: DAS CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS ATÉ O FIM DO IMPÉRIO ROMANO Capítulo 2 - Antigüidade Oriental As civilizações dos grandes vales fluviais A história da civilização ocidental teve origem no Oriente, há mais de cinco mil anos. Nessa região alguns povos, já sedentarizados, haviam descoberto a escrita, desenvolvido formas complexas de sociedade e atividades organizadas de trabalho, produzido notáveis obras artísticas, organizado governos com estruturas bem definidas e leis que disciplinavam a vida e os interesses das comunidades. A complexidade de suas culturas per- Mapa do nordeste da África (Egito) e Oriente Médio. 18 História Geral
  19. 19. mite aos historiadores chamá-las de “grandes civilizações”. Seria o Oriente Médio, portanto, o “berço da civilização ocidental”. A civilização egípcia O Egito antigo, no geral, foi território relativamente fechado durante milênios, de sorte que não sofreu muitas invasões dos povos que permaneciam nômades. Isolados, protegidos ao norte pelo mar Mediterrâneo, à leste e à oeste pelos desertos, e ao sul pelas cataratas do Nilo, os egípcios criaram uma grande cultura, notável pela sua originalidade e conservadorismo. Aspectos geográficos O nordeste da África é uma região seca e desértica. Mas, o Nilo, nascido no centro do continente, cruza o deserto em busca do Mediterrâneo. Em suas margens, de solo muito fértil, a presença humana, em grande número, é possível. O regime das cheias do rio está associado às chuvas nas cabeceiras do Nilo. Certamente, no Egito as cheias eram, e ainda História Geral 19
  20. 20. são, relacionadas com as boas colheitas e prosperidade. Essa ciclotimia, ou seja, enchentes e vazantes anuais que se repetem, contribuiu decisivamente para a formação de uma civilização original. O calendário era uma conseqüência do regime do rio, cujas águas alcançam maior volume por volta de junho, quando os sedimentos férteis (húmus) são depositados nas margens. Aos camponeses cabia a tarefa de aproveitá-las, cultivando o solo, num modo de vida tradicional, pacato e pacífico. O Egito pré-dinástico O Nilo favoreceu a sedentarização dos grupos humanos. O volume e a perenidade de suas águas facilitaram a abertura de canais de irrigação, ampliando as áreas cultiváveis. As comunidades primitivas (nomos), agrupamento de famílias, possuíam um chefe (nomarca) que organizava e administrava o trabalho coletivo. O crescimento populacional, a multiplicação das comunidades, a facilidade de transportes e comunicações pelo Nilo estimularam a união dos nomos, surgindo assim, com o decorrer do tempo, dois reinos: o do Norte (Delta do Nilo ou Baixo Egito) e o do Sul (Vale do Nilo ou Alto Egito), que lutaram pela hege- Busto de Akhenaton e Pirâmide Egípcia. 20 História Geral
  21. 21. monia política. Menés, rei do Alto Egito, derrotou seu rival do Norte e unificou o país por volta de 3200 a.C., pondo sobre sua cabeça a dupla coroa, branca e vermelha, e estabelecendo a capital do reino em Mênfis. Iniciava-se a administração unificada do Egito antigo, cuja história pode ser dividida em três grandes períodos: Antigo Império, Médio Império e Novo Império, com fases intermediárias. Antigo Império Durante esse período, os egípcios viveram em isolamento quase total dos outros povos. O faraó detinha o poder máximo, considerado um juiz supremo, encarnação de Hórus, filho do deus Rá. Sua existência era fundamental, pois até ordenava que o Nilo “nascesse e renascesse” anualmente, conforme a crença geral. É desse período a construção das famosas pirâmides de Queops, Quéfrem e Miquerinos, nomes de importantes faraós. Uma poderosa nobreza fundiária (descendentes dos antigos nomarcas) cooperava na administração e exploração dos camponeses. Os nobres apoiaram o poder do faraó até o momento em que lhes garantiu uma posição social. Mas, quando se sentiram suficientemente seguros e fortes, passaram a disputar o poder, ocorrendo um período de anarquia, que pôs fim ao Antigo Império. Médio Império Com o apoio da classe sacerdotal de Tebas, temerosa do poder da nobreza, uma nova dinastia passou a governar a partir dessa cidade. Restabelecida a ordem interna, a produção agrícola se expandiu por causa da ampliação de canais de irrigação. O Egito tornava-se o celeiro do Oriente Médio, rompendo seu isolamento tradicional. O comércio, interno e externo, se tornava bastante ativo, quer na bacia do Nilo, quer no Mediterrâneo. Mas a prosperidade cobrou seu preço: atraiu povos asiáticos, guerreiros e nômades, que invadiram o Egito. Um povo semita invadiu e ocupou o país: os hicsos. Dotados de armamentos de História Geral 21
  22. 22. ferro, de ousadas táticas militares e de cavalos, animais desconhecidos no Egito até então, os invasores derrotaram as forças do faraó e dominaram o país. O domínio hicso facilitou o estabelecimento de judeus na região, por serem também semitas. Novo Império Por volta de 1580 a.C., os hicsos foram expulsos, restaurando-se a independência política do Egito. Mas havia uma nova realidade. O egípcios aprenderam a arte de guerrear. Iniciava-se a época da expansão territorial. As fronteiras do império foram ampliadas e povos conquistados, formando-se um grande império. A economia assumia um caráter dinâmico, com a animação do comércio urbano no delta do Nilo e intensas relações com a Fenícia e a Mesopotâmia. A reforma monoteísta de Amenófis O perigo do poder clerical era imenso. Rivalizava com o do faraó. Em muitas ocasiões até o sobrepunha. Contra o politeísmo tradicional e a ameaça do clero levantou-se o faraó Amenófis IV que determinou o fechamento de muitos templos e distribuiu as terras pertencentes ao clero. Instituiu o culto a um único deus, Aton (Sol), considerado como a primeira religião monoteísta no mundo. Organizou uma nova classe sacerdotal, a ele subordinada, e adotou o nome de Aquenáton, ou seja, “filho de Aton”. A arte logo refletiu essa mudança: liberada da influência sacerdotal tradicional, a pintura passou a retratar com mais realidade os modelos, ganhando movimentos, leveza e graciosidade. Uma verdadeira revolução cultural. 22 História Geral
  23. 23. Com a morte do faraó Aquenáton, a reforma não se manteve. O clero voltava ao poder, reassumindo o controle do Estado. Grandes templos, então, foram construídos em Luxor e Karnak. Por volta de 670 a.C., os assírios, oriundos da Mesopotâmia, invadiram e conquistaram o Egito. Expulsos, um novo governo independente se instalou na cidade de Saís, no delta do Nilo. Mas a autonomia dos egípcios estava definitivamente comprometida em conseqüência de sua riqueza. Novas invasões se sucederam: os persas em 525 a.C., os macedônios em 332 a.C., e os romanos em 30 a.C. Sistema socioeconômico A sociedade se dividia entre os que se apossaram das terras e aqueles que tinham apenas a força de trabalho. As melhores terras ficaram nas mãos dos mais fortes militarmente (nobreza) que, sob a proteção dos sacerdotes e dos deuses, controlavam os trabalhadores. PERÍODOS INÍCIO (DATAS APROXIMADAS) TÉRMINO (DATAS APROXIMADAS) Pré-dinástico Fundação de comunidades Formação dos dois reinos Unificação do Egito Antes de 3200 a.C. Antigo Império Unificação do Egito Revolta dos nobres de 3200 a 2300 a.C. Médio Império Fim da anarquia Invasão dos hicsos de 2300 a 1750 a.C. Novo Império Expulsão dos hicsos Conquista persa de 1750 a 525 a.C. O topo da pirâmide social era ocupado pelo faraó e sua família. Considerado inicialmente descendente dos deuses, chegou a ser um deles, identificado, ao longo do tempo, ora com Hórus, ora com Amon-Rá e, até mesmo, com Osíris, deus considerado o fundador do Egito. Os sacerdotes fortaleciam o poder do faraó, ocupando, assim, uma posição privilegiada com a nobreza fundiária. Os funcionários, como os escribas, “os que sabiam ler História Geral 23
  24. 24. e escrever”, demarcavam as propriedades, conferiam a produção e o armazenamento dos cereais (trigo e cevada), controlavam os rebanhos e coletavam os impostos dos camponeses. Os camponeses formavam a grande camada popular, encarregados de arar a terra, semear, cuidar da plantação, colher, abrir canais, construir reservatórios. Na época de menor necessidade de mão-de-obra na lavoura, boa parte dela era empregada na construção de monumentos. Os escravos eram pouco numerosos, pois as guerras eram raras, pelo menos até o Novo Império. O politeísmo egípcio A origem da religião egípcia se iniciou no período pré-dinástico quando havia uma série de cultos dedicados aos totens. Cada nomo tinha seu deus protetor. À medida que os nomos se agrupavam, o número de deuses crescia. Deuses animais (zoomórficos), com forma meio humana e meio animal (antropozoomórficos), e forma humana (antropomórficos), ocupavam o imaginário religioso egípcio antigo, como Anúbis, com cabeça de chacal sobre o corpo humano; Hórus, o falcão protetor do faraó; Ápis, o boi; Hator, a vaca; além dos elementos da natureza, como Set (o vento), Osíris (o Nilo), Rá (o Sol). Acreditavam em um Juízo Final, quando Osíris então colocaria em uma balança o coração do morto para julgar seus atos. Os justos e os bons iriam para o paraíso, enquanto os maus, tendo seu coração devorado por Anúbis, seriam condenados a viver nas trevas. A religião egípcia mandava que se conservassem os corpos dos grandes (mumificação). Já os do povo, não era possível passarem pelo mesmo processo. Eram as múmias parte do Culto dos Mortos, tão acentuado na vida desse povo. Seguiam-se à morte as cerimônias fúnebres, que terminavam com a colocação das múmias em sarcófagos. Era um complicado processo de 24 História Geral
  25. 25. embalsamamento do corpo, uma preparação do invólucro terreno da alma, visando conservá-lo à sua espera. A munificação propiciou, por outro lado, um grande conhecimento de anatomia, até hoje admirado. Relações entre religião e arte A arquitetura egípcia era a principal manifestação artística dos egípcios, fortemente influenciada pela religião. As Pintura em túmulo egípicio. principais edificações, monumentais em suas dimensões, foram os túmulos (pirâmides e hipogeus), templos e palácios. Os templos eram considerados moradias pessoais dos deuses. Obras imponentes, sustentadas por enormes colunas e ornamentadas com estátuas colossais de divindades e faraós. Entre os túmulos, destacavam-se as pirâmides, cujas técnicas de construção ainda hoje intrigam os engenheiros e historiadores, e Uma das características da arquitetura egípcia antiga era a monumentabilidade das construções. Em muitas edificações contemporâneas, observa-se também essa tendência. Descubra quais os mais altos edifícios e faça uma lista posteriormente; reflita sobre o porquê da grandiosidade dessas construções. Explore as várias respostas. Haveria alguma preocupação semelhante a dos governantes egípcios antigos? História Geral 25
  26. 26. continuam sendo objetos de estudo. Outro tipo de construção tumular eram os hipogeus, escavados diretamente nas rochas. Para dificultar a ação de bandidos, os túmulos tinham passagens secretas, verdadeiros labirintos, muitas estátuas de deuses e salas pintadas, visando proteção e garantia de sobrevivência ao corpo embalsamado. Tudo em vão. Os saques aconteceram desde a Antigüidade. A escultura era predominantemente religiosa, com a representação dos incontáveis deuses. Quando a estátua representava um faraó, um sacerdote, um nobre, ela substituía o risco da destruição física causada pela morte. Esculpiam também sarcófagos de vários materiais, como madeira e granito. A pintura egípcia, além dos temas do cotidiano, retratava cenas religiosas e temas funerários, geralmente acompanhadas de descrições hieroglíficas, normalmente encontradas nas câmaras mortuárias. Aplicava-se às figuras humanas retratadas o princípio da frontalidade (a cabeça e as pernas de perfil, um olho e o tronco de frente). O tamanho das figuras correspondia ao grau de hierarquia social, ou seja, o faraó era representado em tamanho maior; seguindo-se sua mulher, os sacerdotes e os nobres, as pessoas da corte, os militares, em tamanho cada vez menor. Finalmente, as pessoas do povo, bem diminutas. Os hieróglifos e sua decifração A escrita egípcia, chamada pelos gregos de hieróglifos (escrita sagrada), surgiu antes de 3000 a.C. Durante muito tempo ousou desafiar os estudiosos interessados em sua decifração. Coube a Champollion, sábio francês, nas primeiras décadas do século XIX, o grande mérito. Comparando, pacientemente, um texto em grego clássico, em demótico (escrita egípcia popular, mais simplificada) e em hieróglifo, existentes na Pedra de Roseta, um achado arqueológico da campanha de Napoleão no Egito, decifrou a escrita egípcia, dando início à Egiptologia. Com isso, abriu-se um largo 26 História Geral
  27. 27. campo para resgatar o passado dessa civilização. Com mais de 600 símbolos gráficos, os hieróglifos, escritos e pintados principalmente em papiro, eram vinculados à função religiosa. Gravuras e hieróglifos em sarcófago egípcio. A civilização mesopotâmica Geograficamente, a Mesopotâmia era a região do Oriente Médio compreendida entre os rios Tigre e Eufrates, com características semelhantes às do Egito, pois os dois rios forneciam facilidades excelentes ao transporte de mercadorias e à irrigação das terras. O regime dos rios era condicionado pelo derretimento do Mapa da Mesopotâmia. História Geral 27
  28. 28. gelo das montanhas na Ásia Menor, onde se situam suas cabeceiras, cujas cheias inundavam suas margens, estimulando a abertura de canais de irrigação e a construção de diques. Porém, suas cheias eram mais irregulares. Uma multiplicidade de povos se estabeleceu nessa região, por ser de transição e aberta, como os sumérios, acadianos, amoritas, assírios, caldeus etc. Em geral, eram semitas, que lutavam pela posse das terras fertéis. Nas planícies, no baixo curso dos rios, os agricultores eram freqüentemente atacados, desde remotas épocas. Por outro lado, os povos dos planaltos viviam mais do saque e do pastoreio. Nas sociedades hidráulicas da Mesopotâmia, a disputa pela A água, mais do que qualposse das melhores áreas culquer outra riqueza natural, tiváveis e da água foi muito intem sido na história objeto de tensa. Os povos mais fracos foprocura e disputa entre os ram, então, submetidos pelos povos. Pesquise e descubra mais fortes que se valeram da exemplos, no passado e no violência para reduzi-los à espresente. Com o crescimento cravidão e ao trabalho forçado. do seu consumo, o que podeAs cidades-Estado, que nela rá acontecer no decorrer do surgiram, disputavam permanosso século, segundo os nentemente as terras aráveis, cientistas? Verifique possíveis transformando a região num ceconseqüências para o meio nário de lutas constantes. A reambiente e para a saúde. volução urbana, em que a região foi provavelmente a pioneira, explica-se pela necessidade de proteção. Com a expansão do comércio, facilitado pela sua localização estratégica, e o contato constante entre os povos, as cidades foram construídas como importantes centros de defesa e de comércio. Um grande número de cidades surgiu, no terceiro milênio antes de nossa era, ao longo dos rios Tigre e Eufrates, como Ur, Uruk, Lagash, Acad e outras. 28 História Geral
  29. 29. Dominadas por sacerdotes e guerreiros, nelas, o soberano, representante dos deuses e proprietário da maior parte das terras, recebia impostos e a maior parte do saque nas guerras. Nesse período, as cidades eram independentes politicamente. Há dois principais períodos na história política da Mesopotâmia: a) Primeiro Período Babilônico (por volta de 4000 a 1275 a.C.), com a fundação de cidades como Lagash, Ur, Uruk e a primitiva Babilônia; b) Período Assírio (1275 a 538 a.C.), incluindo os períodos de domínio da Caldéia (de 612 a 538 a.C.) e também o segundo Período Babilônico, sob o reinado de Nabucodonosor (604 a 561 a.C.). Centro comercial de grande importância, controlando o trânsito pelo rio Eufrates, Babilônia se tornou uma potência militar. Seu rei, Hamurabi, conquistou longínquas regiões ao norte e a região conheceu um período de grande atividade comercial, com a fundação de novas cidades. Consolidado o seu poder, para mantê-lo, bem como regulamentar as relações sociais, o rei decretou um código para todo o seu império. O Código de Hamurabi é um modelo de jurisprudência na língua babilônica. Concebido há 37 séculos, o código legislava a partir da existência de três Pesquise a respeito do Código de Hamurabi. Transcreva alguns artigos e descubra o que significa a “lei do talião”. Posteriormente, compare-o com alguns importantes documentos do mundo contemporâneo, como a Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776), a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão na França (1789) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU (1948). Observe os principais artigos. O que você deduz? Assim, você pode conhecer seus direitos como cidadão. Mas, lembre-se, há também os deveres. História Geral 29
  30. 30. grupos sociais distintos: os ricos, o povo e os escravos. Portanto, não havia igualdade de todos perante a lei, como em princípio ocorre no mundo contemporâneo. Curiosamente, os delitos cometidos pelos ricos eram punidos mais severamente e os escravos tinham alguns direitos garantidos. O código garantia grande independência da mulher em relação ao marido, mas este podia castigá-la por infidelidade. Os filhos herdeiros ficavam com os bens dos pais, mas as mulheres tinham direito apenas a um dote. Contudo, novas invasões aconteceram no século XVI a.C., que devastaram toda a região, destruindo a hegemonia da Babilônia, como a dos assírios, que preponderaram na Mesopotâmia em decorrência de sua superioridade militar (carros de combate, catapultas, aríetes, cercos e assaltos de cidades). Notabilizaramse pela crueldade no tratamento dos prisioneiros. A partir do alto vale de Acad onde fundaram a cidade de Assur, comandados pelo rei Sargão II, e seus sucessores Senaqueribe e Assurbanípal, conquistaram toda a Mesopotâmia e anexaram parte do vizinho reino judeu. Com as guerras, o número de escravos aumentou muito e um poderoso exército mantinha a dominação, aterrorizando as populações. Tal desumanidade fez com que os povos dominados se levantassem contra a opressão dos assírios e destruíssem a Assíria. Novamente o Império Babilônico A nova dinastia babilônica, iniciada por Nabupolasar, teve curta duração, embora houvesse um notável desenvolvimento sob o governo de seu filho Nabucodonosor (605-563 a.C.). Seus domínios se estenderam por toda a Mesopotâmia, conquistaram o reino de Judá, e trouxeram os judeus cativos para a Babilônia, episódio relatado na Bíblia. Nabucodonosor determinou a constru30 História Geral
  31. 31. ção dos famosos Jardins Suspensos, uma das sete maravilhas do mundo antigo, segundo os gregos. A economia passou por grande expansão com o uso das rotas comerciais, tendo como epicentro a cidade da Babilônia. Após sua morte, seus sucessores se envolveram em lutas pelo poder, provocando a debilidade estatal e militar. Os comandantes defendiam seus próprios interesses, o que possibilitou aos persas, comandados por Ciro, a conquista da Babilônia, em 539 a.C. Ambições políticas, luta pelo poder, golpes de Estado, interesses pessoais e de grupos. Todos os períodos da história apresentam esses processos. Observe como os políticos justificam seu interesse pela política. O que eles dizem corresponde à realidade? Desenvolva sua capacidade de observação e seu espírito crítico. Exercite a sua cidadania, cobrando dos governantes as promessas eleitorais. Religião e cultura na Mesopotâmia Politeístas como os egípcios, os povos mesopotâmicos dedicavam aos seus deuses templos, oferendas e sacrifícios. Uma das preocupações era explicar a origem do mundo por meio dos mitos envolvendo os deuses, como Shamash, o Sol; Ishtar, deusa do amor; e Marduc, o criador dos homens. A atenção geral era voltada para os fatos do dia-a-dia. Os sacerdotes faziam as previsões diárias, interpretando a posição dos astros no céu e editavam horóscopos, interferindo na vida das pessoas, prevendo o futuro etc. A complexidade das relações econômicas urbanas favoreceu o desenvolvimento cultural. A escrita mesopotâmica eram ideogramas simplificados, escritos em tábuas de argila com o uso de História Geral 31
  32. 32. um estilete em forma de cunha. Por isso, é conhecida como escrita cuneiforme. Dividiram o dia em 24 horas (quatro períodos de seis horas) e o ano por meio dos dos ciclos da Lua. Dada a escassez de materiais de construção resistentes, a arquitetura e a estatuária da região não se situa entre as mais ricas da Antigüidade. Tijolos de barro era o material de que dispunham os engenheiros da região. Além dos Jardins Suspensos, destacaram-se os “zigurates”, construções altas que serviam de templo e de observatório astronômico. Construídos em forma de torre, na época sumeriana, era uma pirâmide de faces escalonadas. Zigurate. Observe como já na Antiguidade havia uma preocupação pelo ajuntamento e conservação de obras, ou seja, formar uma biblioteca. Em seu bairro há alguma biblioteca pública? No caso de existir, você a freqüenta? O que mais o atrai? Lembre-se de que sua curiosidade destaca você de forma positiva dentre as pessoas. Por outro lado, seu desinteresse também é notado. Portanto, desperte a curiosidade que deve existir em você. Cresça intelectualmente. 32 História Geral
  33. 33. A habilidade no uso dos números fez avançar as operações matemáticas e a geometria aplicada. Estudos de astronomia, divisão de ângulos, calendário de sete dias, divisão do círculo em graus foram outras realizações culturais desses povos. Na literatura sobreviveram narrativas, como a do herói Gilgamesh, que aparece na Bíblia com o nome de Noé. Era famosa a biblioteca do rei Assurbanípal, pelo número e diversidade dos documentos e livros. As civilizações mediterrâneas orientais Os fenícios Nem todas as civilizações da Antigüidade oriental estavam associadas à agricultura, à pecuária e ao artesanato. Alguns povos, como fenícios, semitas, dedicavam-se principalmente ao comércio no Mediterrâneo oriental. Oriundos da região da Caldéia, na Mesopotâmia, os fenícios se estabeleceram no atual território libanês, uma estreita faixa de terra, entre as montanhas e o Mediterrâneo. Mapa da Fenícia. História Geral 33
  34. 34. As façanhas marítimas e comerciais dos fenícios os tornaram famosos. Além disso, eles colaboraram enormemente para o progresso intelectual humano com a criação do alfabeto fonético. Vários fatores estimularam a expansão comercial e marítima da Fenícia. O cedro, abundante nas montanhas do Líbano, era a madeira ideal para a construção naval. Por outro lado, com exceção dos vales, o solo pobre não possibilitava alcançar uma suficiente produção agrícola. A solução foi lançar-se ao mar à procura de meios de subsistência e riquezas. Favoreceu o desenvolvimento do comércio a localização estratégica da Fenícia, entre o Egito, “o celeiro da Antigüidade”, a Ásia Menor e a Mesopotâmia. Marinheiros e artesãos eram numerosos em sua população, que trabalhava para uma aristocracia formada por notáveis mercadores que monopolizavam o poder político nas cidades-Estado. Na Fenícia nunca houve uma unidade político-administrativa. Eram cidades-Estado, como Biblos, a primeira a se destacar comercialmente, explorando as rotas do Mediterrâneo oriental. Por volta de 2500 a.C. alcançou tamanha importância comercial que se tornou preponderante na Fenícia. Posteriormente, por volta de 1400 a.C., sua rival Sidon alcançava a supremacia naval e militar ao atingir mercados no Mediterrâneo ocidental. Tiro foi a terceira a se destacar ao acumular enormes riquezas, funcionando como intermediária entre o Egito e os mercados do Oriente. Fez alianças com assírios, babilônicos e persas, para a prática do comércio e para o transporte marítimo de tropas, garantindo assim uma certa autonomia política em relação aos povos conquistadores. Os fenícios desenvolveram extraordinariamente o artesanato, produzindo mercadorias de grande procura na região mediterrânea, como armas, vasos, adornos de cobre e bronze, tecidos brocados, espelhos, objetos de vidro colorido. Produziam uma tinta púrpura, obtida de moluscos marítimos (múrice), para tingir tecidos, o que lhes garantia bons lucros. 34 História Geral
  35. 35. Dotados de enorme conhecimento técnico-naval, dominaram as rotas mediterrâneas, ultrapassaram o estreito de Gibraltar em direção ao Atlântico e alcançaram as ilhas Britânicas. Acreditase mesmo que tenham feito a primeira viagem de circunavegação da África muitos séculos antes dos portugueses. Os fenícios alcançaram fontes produtoras de matérias-primas, como cobre e estanho na península Ibérica. Estabeleceram várias cidades-colônia no litoral mediterrâneo, que funcionavam como entrepostos comerciais. No norte da África, fundaram Cartago, futuramente a grande rival de Roma. Era um entreposto de mercadorias que, produzidas na África Central, atravessavam o deserto do Saara em caravanas. Escravos, peles e penas, ouro, marfim e madeiras preciosas eram alguns dos muitos produtos que chegavam a Cartago. Mapa do Mediterrâneo ocidental. Os fenícios foram os criadores do alfabeto, um sistema de escrita no qual cada sinal representa um som (grafia fonética). Facilitava consideravelmente suas transações comerciais e seus História Geral 35
  36. 36. trabalhos de contabilidade. O alfabeto fenício compunha-se de 22 sinais, correspondentes apenas às consoantes, pois se tratava de uma língua semita. Mais tarde, os gregos introduziram os símbolos correspondentes às vogais. Com algumas modificações, tornou-se o alfabeto latino utilizado pela grande maioria dos povos ocidentais. Quadro comparativo do alfabeto fenício, grego e latino. Pense na importância do alfabeto fonético fenício e na importância de saber ler e escrever, especialmente em uma sociedade moderna urbano-industrial. Reflita sobre as dificuldades que uma pessoa enfrenta em um grande centro urbano se não souber ler. Liste alguns problemas que esta pessoa enfrenta diariamente. Depois troque idéias com seus colegas. Comente a situação do Brasil quanto à alfabetização de sua população. Questione se o governo tem feito o que deveria. Os hebreus O judaísmo é a origem de duas outras religiões que possuem milhões de adeptos em todo o mundo: o cristianismo e o isla36 História Geral
  37. 37. mismo. Ele surgiu entre os hebreus na Antigüidade, primeiro povo efetivamente monoteísta da história. Várias tribos semitas, originárias da Mesopotâmia, fixaram-se na região da Palestina, a partir do século XX a.C., em caráter seminômade. Entre elas, os hebreus. Com a posse da área, dedicaram-se principalmente ao pastoreio (bovinos, caprinos e ovinos). Para satisfazer suas necessidades básicas, dedicaram-se ao cultivo de trigo, cevada, oliva, figo, fava etc. A produção de leite, lã e pele complementava a alimentação e fornecia matériaprima para suas atividades artesanais. A localização geográfica da Palestina favorecia o comércio com outros povos. A sedentarização veio com o tempo. Mapa da Palestina na Antigüidade. A sociedade hebraica tinha como base a família patriarcal. O poder do patriarca era incontestável, mas regido pelo bom senso. A poligamia era institucionalizada e havia a prática da venda de filhos para estrangeiros, como forma de aliviar os problemas em épocas de penúria. A mais grave delas levou o povo hebreu a se deslocar para o Egito, no século XVII a.C., em busca de ali- História Geral 37
  38. 38. mentos, aproveitando estar esse país sob domínio dos hicsos, também semitas. Por volta de 1290 a.C., o líder Moisés chefiou a saída do povo hebreu do Egito em busca da Palestina, a “Terra Prometida” por Iavé. Era o “Êxodo”. Os hebreus vagaram muitos anos pelos desertos, até adquirir uma forte solidariedade tribal. Boa parte da tradição e crenças religiosas judaicas surgiu nesta época, como as Tábuas da Lei (Dez Mandamentos) e a Arca da Aliança. Tendo morrido Moisés, outro líder, Josué, iniciou a conquista da Palestina, expulsando ou submetendo outros povos semitas que aí haviam se estabelecido. Os hebreus desenvolveram um sistema tribal, baseado no sistema de propriedade familiar dos meios de produção. Os idosos eram respeitados por sua sabedoria e conhecimento das leis costumeiras, exercendo a função de “patriarcas”. O direito da primogenitura assegurava a transmissão do poder ao filho mais velho. Já os juízes eram os chefes das tribos, que se constituíram com a agregação das comunidades, e eram escolhidos pelos patriarcas. Sansão foi o mais famoso. Certamente as mulheres ocupavam uma posição inferior na sociedade. Como os povos que viviam na região haviam oferecido grande resistência, sendo vencidos com dificuldades, especialmente os filisteus, o precário domínio dos hebreus revelava a sua fragilidade político-militar. Divididos em doze tribos, chefiadas pelos juízes, os hebreus compreenderam a importância da concretização da unidade político-militar. Um chefe militar, Saul, foi aclamado rei dos judeus, em 1 010 a.C. Assim, a consolidação da monarquia hebraica foi conseqüência das guerras na Palestina. Saul foi sucedido por Davi, outro comandante militar. Ao mesmo tempo que completou a conquista da Palestina, iniciou a construção do Templo de Jerusalém. Davi conseguiu unir todas as tribos e transformou Jerusalém na capital do reino. Líder carismático, legitimou o seu poder através 38 História Geral
  39. 39. de alianças com os sacerdotes. Organizou um exército de mercenários e iniciou uma política expansionista para financiar os gastos do Estado. Salomão foi o terceiro rei. Governou de 966 a 933 a.C., época em que o reino hebraico alcançou o seu maior desenvolvimento político e econômico. O templo teve a sua construção completa da, abrigando a Arca da Aliança, símbolo do pacto entre o povo hebreu e Iavé (Deus). O templo de Jerusalém simbolizava referência nacional e a religião funcionava como meio de união do povo e elo de ligação com o poder político. Porém, o individualismo dos chefes políticos provocou a separação das tribos. Após a morte de Salomão, ocorreu o Cisma Hebraico. Dez tribos ao norte constituíram o Reino de Israel, cuja capital era a cidade de Samaria. As duas tribos restantes formaram o Reino de Judá, ao Sul, com capital em Jerusalém. A divisão enfraqueceu o povo hebreu, estimulando a cobiça dos povos vizinhos. O Reino de Israel foi atacado e conquistado pelos assírios em 720 a.C. Judá não resistiu ao ataque de Nabucodonosor, tendo sido sua população levada cativa para a Babilônia em 586 a.C. Episódio conhecido na Bíblia como “Cativeiro da Babilônia”. O drama judeu só terminou quando o rei persa Ciro conquistou a Babilônia, em 539 a.C., e permitiu que os judeus regressassem às suas terras. O Templo de Jerusalém foi restaurado e a classe sacerdotal manteve uma política de aliança com o Estado persa. Posteriormente, novas invasões e domínios se tornaram comuns. Ocorreu a conquista de Alexandre, em 333 a.C., depois a do greco-egípcio Ptolomeu. Seguiu-se a invasão romana, comandada por Pompeu. Em 63 d.C., os hebreus se revoltaram, mas, derrotados, foram dispersos pelo Império Romano, no episódio conhecido como Diáspora. Seu fim ocorreu somente com a fundação do Estado de Israel, em 1948. Os judeus, por ocasião da formação do seu Estado na Antigüidade, já cultuavam apenas um deus, Iavé. História Geral 39
  40. 40. A crença em Iavé ou Jeová foi institucionalizada pelas leis de conduta e princípios espirituais e religiosos, escritos por Moisés, e que correspondem ao Pentateuco bíblico (Torá), destacandose os Dez Mandamentos. Jeová é o elo de ligação, assegurando a existência da nação de Israel por toda a história. Entre as práticas religiosas destacam-se: guardar o shabath (sábado), celebrar a Páscoa (Psach), adorar Iavé na sinagoga, a circuncisão, o barmitzva, a dieta, o jejum no Yon Kippur etc. A Bíblia (Antigo Testamento, para os cristãos) contém toda uma tradição oral milenar dos hebreus. Destacam-se a explicação da criação do mundo (Gênesis) até o Êxodo (Pentateuco); os Livros Muro das Lamentações. 40 História Geral
  41. 41. Históricos; os Salmos, de David; os Provérbios, de Salomão; e os Livros Proféticos, de Daniel, Ezequiel e Isaías. O Talmud é formado pelos comentários dos rabis sobre as leis e as coleções de preceitos morais, espirituais, religiosos, higiênicos etc. O cristianismo e o islamismo têm sua origem no judaísmo. Ambas são religiões monoteístas, mas possuem entre si elementos de diferenciação e identificação. Consulte livros, enciclopédias, Internet ou entreviste pessoas. Faça um quadro sintético comparativo indicando algumas diferenças. Reflita sobre elas. Mas lembre-se: o respeito ao diferente é fundamental. Afinal, vivemos em um mundo multirreligioso e essa diversidade enriquece o patrimônio cultural da humanidade. Civilizações periféricas Os persas Os persas pertenciam ao grupo étnico indo-europeu, também chamado ariano. Originários do Cáucaso, os arianos invadiram o planalto do Irã no segundo milênio a.C.; dividiam-se em medos e persas. Povos guerreiros, conquistadores e expansionistas, dominaram povos do Oriente antigo, desde o Egito até a Índia, estabelecendo um grande Império. A grande vantagem militar: eram hábeis no uso de cavalos e possuíam carros de combate. Provavelmente foram os medos os primeiros a domesticar cavalos. Em 546 a.C., Ciro se tornou rei da Pérsia. Formou um grande exército, com soldados armados com longas lanças, corpos de arqueiros e cavalaria. Era um conquistador diferente, pois as cidades conquistadas não eram destruídas e os povos dominados, menos explorados. História Geral 41
  42. 42. Seus domínios se estenderam até o Mediterrâneo oriental com a conquista de cidades gregas na região da Jônia e a aliança com os fenícios. Em 539 a.C., conquistou a parte ocidental da Índia. Governante hábil, concedia liberdade religiosa, conseguindo assim o apoio dos povos dominados. Autorizou até mesmo os judeus cativos na Babilônia a voltarem para Jerusalém e reconstruir o Templo de Jerusalém. Com a paz o comércio se desenvolveu, abrangendo desde a Índia até o Mediterrâneo. Foi o genial construtor de um grande Império. Nos domínios de Ciro, a idéia de justiça desempenhava uma função fundamental. Ciro criava condições para que os povos sob seu domínio fossem capazes de pagar tributos. Concedialhes também certa autonomia, sob supervisão de um administrador persa por ele nomeado. Seu sucessor, Cambises, anexou o Egito em 525 a.C. Foi sucedido por Dario, o grande administrador persa, cujo domínio se estendia do Egito até a Índia, incluindo parte do litoral do Mediterrâneo oriental. O Império foi dividido em diversas regiões conhecidas como satrapias, administradas por funcionários de sua confiança. Mantinha um corpo de funcionários de confiança que percorria as províncias (“os olhos e os ouvidos do rei”), e era responsável pela fiscalização dos atos dos sátrapas. Por causa da grande extensão do Império, organizou um eficiente sistema de comunicações, por meio de estradas e de mensageiro. Havia quatro cidades administrativas: Susa, Persépolis, Passárgada e Ecbátana. Graças a essa obra e ao tratamento aos povos submetidos, o Império sobreviveu por longo tempo, mas acabou sendo conquistado por Alexandre, em 331 a.C. No seu apogeu, o Império controlava as rotas da China e da Índia até o Mediterrâneo. Havia uma longa estrada, a “Real”, com 2.400 Km, ligando a cidade de Éfeso, no litoral do mar Egeu, a Susa, dotada de hospedarias para os viajantes e estábulos para 42 História Geral
  43. 43. cavalos, bem como um correio oficial regular. As reservas governamentais em ouro eram tão grandes que a moeda persa, o dárico, era aceita internacionalmente. Os persas eram politeístas até a reforma feita por Zaratustra ou Zoroastro, no século VI a.C., que concebeu uma religião baseada na noção de justiça. Concebia a existência de dois deuses principais (dualismo), que representavam princípios diferentes e antagônicos. AuraMazda era o princípio da vida, luz, bem, verdade, virtude e outras qualidades. Ahriman, representado por uma serpente, simbolizava a morte, trevas, mal, discórdia, doenças, conflitos e outras desgraças. Ambos estariam em constante luta. As pessoas que seguissem Aura-Mazda Escultras em Persépolis. seriam recompensadas; os História Geral 43
  44. 44. que seguissem seu opositor seriam castigados eternamente. Portanto, acreditavam em outra vida, mas apenas para as almas. Os ensinamentos do dualismo persa foram reunidos em um livro, o Avesta ou Zend-Avesta. Nele, Zaratustra descreveu o Juízo Final, quando os valores morais e o comportamento das pessoas seriam pesados numa balança. Anunciava a vinda de um Messias, o “ungido”, salvador. Os cretenses Como a Fenícia, Creta foi uma civilização dominada por cidades-Estado, especialmente Cnossos, a mais importante. A proteção natural do mar proporcionava aos cretenses uma vida relativamente tranqüila. Mesmo assim, uma poderosa frota vigiava seu litoral contra o ataque de piratas que, por vezes, perturbavam seu comércio, sua principal atividade econômica. Para mantê-lo ativo, importavam matérias-primas para a produção metalúrgica, como cobre, de Chipre e estanho, da Ásia Menor, e Mapa de Creta. 44 História Geral
  45. 45. exportavam objetos de cerâmica e de metal, tecidos, armas e, principalmente, azeite e vinho. Também agiam como intermediários, ao transportar madeira do Líbano para o Egito. As terras, bem aproveitadas, supriam com a atividade agropecuária as necessidades da população. Geralmente havia excedente, que era exportado para pagar as importações. Na ilha de Creta, as oliveiras e as videiras se desenvolviam muito bem. Os palácios reais eram dotados de oficinas e armazéns para a atividade artesanal. Nele, os artesãos, organizados profissionalmente, trabalhavam com enorme perícia. As mercadorias eram de fina qualidade: jóias, armas, vasos com armação de ouro, ferramentas etc. Os negócios eram registrados em papiro importado do Egito, mas os cretenses desenvolveram uma escrita bem mais simplificada. O domínio cretense sobre o sul da península Balcânica fez com que muitas lendas fossem elaboradas, como a do Minotauro, um monstro meio homem e meio touro, que habitava a ilha e exigia sacrifícios humanos de que eram vítimas os gregos. O minotauro habitava o Labirinto (na verdade, o grande palácio de Cnossos), com seus múltiplos corredores, onde as vítimas se perdiam e eram por ele devoradas. O padrão de vida para a época, em Cnossos, era elevado. Havia ruas calçadas, casas confortáveis para os mercadores. Seus habitantes conheciam hidráulica, pois sabemos que suas residências e as casas de banhos públicos eram dotadas de água corrente. O declínio cretense, após 1400 a.C., deve ter sido motivado pela invasão dórica da península Balcânica, com reflexos sobre a vida em Creta. História Geral 45
  46. 46. As lendas, embora produto do imaginário de um povo, podem ser um importante material para se conhecer a história de um povo. É o caso da lenda do Minotauro. Leia sobre ela e identifique passagens que, interpretadas, permitem se conhecer a história dos cretenses, suas características e costumes. Informe seus colegas sobre suas descobertas. Lembrese de que quem tem curiosidade, pesquisa com prazer e revela o desejo de saber sempre mais. A civilização creto-micênica Povos indo-europeus ocuparam a península Balcânica, a partir do ano 2000 a.C. Viriam a formar o povo grego. A primeira vaga era constituída pelos aqueus que fundaram pequenas vilas, como Micenas e Tirinto, na região sul da península. Conheceram a civilização cretense, cujo comércio transformou Micenas em uma importante cidade, cuja influência se difundiu pela Grécia. Atacada e destruída pelos dórios, Micenas praticamente desapareceu. Exercícios propostos a) b) c) d) e) Responda os testes 1 e 2 usando este código: Todas as frases estão certas. Só as frases I e II estão certas. Só as frases I e III estão certas. Só as frases II e III estão certas. Todas as frases estão erradas. 1) I - O Egito antigo tinha na agricultura a grande concentração de mãode-obra. II - Os camponeses cuidavam das plantações e dos canais de irrigação. III- Os artesãos produziam peças de vestuário e objetos do mobiliário. 2) I - Menés unificou o Egito e iniciou a primeira das dinastias. 46 História Geral
  47. 47. II - Os nomarcas constituíam a classe sacerdotal. III- O Egito antigo tinha um sistema político fortemente centralizado. 3) No Egito antigo, a classe sacerdotal monopolizava a religião e influenciava o poder político e o povo. Podemos afirmar que: a) A classe sacerdotal nunca contestou o poder dos faraós. b) O politeísmo egípcio contava com um grande número de divindades, zoomórficas e antropozoomórficas. c) O faraó era o deus supremo dos egípcios. d) Os egípcios sempre foram monoteístas. e) O mundo pós-morte era reservado ao faraó e à classe sacerdotal. 4) O Egito antigo entrou numa era de caos interno quando, provenientes da Ásia Menor, armados de carros de guerra, forte cavalaria e armas de ferro, desconhecidas dos egípcios, eles invadiram e tornaram-se senhores do Egito. Eram eles os: a) Hebreus. c) Gregos. e) Assírios. b) Hicsos. d) Persas. 5) a) b) c) d) e) Assinale a proposição incorreta: O célebre código de Hamurabi surgiu durante o Primeiro Império Babilônico. Sargão II, Senaqueribe e Assurbanipal foram grandes reis hititas. Os assírios celebrizaram-se pela sua ferocidade e dedicação à guerra. Em 612 a.C., os caldeus, aliados dos medos, arrasaram Nínive. A típica construção mesopotâmica é o Zigurate. 6) Assinale a frase incorreta: a) Por ser uma região aberta, a Mesopotâmia distinguia-se por seu comércio e invasões. b) Em 587 a.C., Nabucodonosor conquistou o Egito, escravizando milhares de judeus. c) Em 539 a.C., Ciro, rei dos Persas, conquistou a Babilônia. d) Predominaram na Mesopotâmia os assírios e os caldeus. e) O barro era o material mais usado na escrita cuneiforme mesopotâmica. História Geral 47
  48. 48. 7) De acordo com o texto assinale a alternativa correta: “A arte da Mesopotâmia do Norte herda da arte babilônica, como a civilização ninivita herda da sociedade caldaica. A língua que os artistas falam é pouco mais ou menos a mesma, porque o solo, o céu e os homens não são diferentes. O que aconteceu foi que, com a transformação da ordem social e das condições de vida, o positivismo caldeu fez-se brutalidade. O sacerdote sábio cedeu ao chefe militar, que usurpou em seu proveito e no uso da sua raça os comandos que seus companheiros de caça e de combate lhe confiavam.” (Aymard e Auboyer – História Antiga) a) b) c) d) e) De acordo com o texto, podemos afirmar que: A arte da Mesopotâmia do Norte não teve qualquer influência externa em sua constituição. O chefe militar substituiu a sabedoria pela violência. Nota-se uma total disparidade de temas, técnicas, motivos nas artes dos povos mesopotâmicos. A transformação da ordem social nada tem a ver com a arte. A sociedade caldéia herdou dos assírios um legado cultural vasto que marcou profundamente sua maneira de ser. 8) a) b) c) d) e) O maior legado dos fenícios para o Ocidente foi: A religião dualista baseada nos princípios do Bem e do Mal. O Direito escrito baseado na lei de Talião. O culto a uma divindade agrária, a Deusa-Mãe. O pensamento filosófico humanista. A invenção e a divulgação do alfabeto. 9) a) b) c) d) e) A diáspora foi a(o): Exílio dos hebreus na Babilônia. Formação do Reino de Israel. O individualismo dos chefes políticos. A política de unificação das tribos. A dispersão dos hebreus pelo Antigo Mundo Romano. 48 História Geral
  49. 49. 10) a) b) c) d) e) Dario I é considerado o grande líder dos persa. Isto se deve à: Criação de uma justiça preocupada com os valores fundamentais do homem. Derrota frente aos gregos nas Guerras Médicas. Reorganização administrativa do Império, dividindo-o em satrapias. Preocupação em impedir a exploração dos povos conquistados. Elaboração de tratados sobre a organização militar persa. Questões de vestibular 1) (PUC-SP) Um império teocrático, baseado na agricultura, na arregimentação de camponeses para grandes obras e profundamente dependentes das águas de um grande rio. Esta frase se refere aos: a) Fenícios e a importância do Tigre. b) Hititas e a importância do Eufrates. c) Sumérios e a importância do Jordão. d) Cretenses e a importância do Egeu. e) Egípcios e a importância do Nilo. 2) (FUVEST) O Código de Hamurabi dispunha em um de seus artigos: “Se um homem deixar de reforçar o seu dique, se isto provocar uma ruptura e as águas inundarem os campos, este homem será condenado a restituir o cereal destruído por sua negligência”. Esse Código pertence à civilização: a) Egípcia. c) Grega. e) Persa. b) Cretense. d) Mesopotâmica. 3) (UFPR) As condições geográficas da Fenícia, região mediterrânea, determinaram a dupla vocação dos fenícios, de: a) Comerciantes e industriais. b) Mercadores e navegantes. c) Agricultores e comerciantes. d) Mercadores e agricultores. e) Comerciantes e artesãos. História Geral 49
  50. 50. 4) a) b) c) d) (UFAC) Quanto aos hebreus, é correta a afirmação de que: Formaram o primeiro povo a elaborar uma religião monoteísta. Sua religião sempre foi politeísta. Durante toda sua história tiveram uma religião monoteísta. Foram um dos únicos povos da chamada Antigüidade oriental que, durante a maior parte de sua história, teve uma religião monoteísta. e) Adotaram facilmente a religião politeísta dos romanos. 5) (UnB-DF) A questão seguinte apresenta duas proposições, I e II, referentes a um quadro histórico. Analise a questão e assinale: I. A religião dos persas, na época do Império, era o Zoroastrismo ou Mazdeísmo, criada por Zoroastro ou Zaratustra, algumas centenas de anos antes da expansão militar dos persas. II. O Zoroastrismo tinha, com a vinda de um Messias, a ressurreição dos mortos, o julgamento final e a trasladação do redimido para um paraíso eterno. a) Se as proposições I e II forem verdadeiras e a proposição II for causa da proposição I. b) Se a proposição I for verdadeira, mas a proposição II for falsa. c) Se a proposição I for falsa, mas a proposição II for verdadeira d) Se as proposições I e II forem verdadeiras, mas não existir relação de causalidade entre elas. e) Se ambas foram falsas. Capítulo 3 - Antigüidade Ocidental O mundo grego Os Gregos antes de Homero A partir do segundo milênio a.C., povos arianos, vindos do norte, invadiram a península Balcânica. Primeiro foram os aqueus, de50 História Geral
  51. 51. pois os jônios e os eóleos e, finalmente, os dórios. Esses quatro povos formaram o povo grego. A quarta e última grande invasão ariana, a dos dórios, superiores militarmente, causou enorme destruição. Muitos aqueus e jônios fugiram da península, refugiaram-se nas numerosas ilhas do mar Egeu ou fundaram colônias no litoral da Ásia Menor. Era a primeira “diáspora” (dispersão). O contato dos gregos com as culturas asiáticas, tecnológica e culturalmente mais desenvolvidas, contribuiu para fazer da Grécia asiática uma região muito dinâmica. Mapa da Grécia Antiga, com as invasões dos indo-europeus. A história grega antiga pode ser dividida didaticamente em períodos: homérico (antes do século VIII a.C.), Arcaico (séculos VII e VI a.C.), Clássico (século V a.C.) e Helenístico (séculos IV e III a.C.). Período Homérico Conhecido pelas obras de Homero e pelos estudos arqueológicos, abrange as conseqüências da invasão dos dórios e, História Geral 51
  52. 52. especialmente, a existência da comunidade gentílica (ou genos), formada por pessoas ligadas por laços familiares a um chefe comum, o “páter-famílias”. Ele conduzia as orações aos deuses e era respeitado como elo de ligação entre as divindades e a população. Dotado de grande poder, aplicava a justiça, exercia o poder político e distribuía as tarefas econômicas. Nessa pequena comunidade, de economia natural e trabalho coletivo, havia a igualdade social, pois a terra era propriedade comum e a produção era igualmente dividida. Porém, esse sistema viria a se autodestruir. Período Arcaico Com o aumento da população, a área plantada não mais atendia às necessidades. Os parentes mais afastados do “páter” passaram a se dedicar a outras atividades econômicas (comércio) ou à ocupação de outras regiões. Entre os que permaneciam na comunidade não era possível evitar a insatisfação, pois os que trabalhavam ganhavam tanto quanto os que não trabalhavam. A discórdia forçou a substituição do coletivismo pelo individualismo, e nessa passagem os interesses pessoais se sobrepuseram aos do conjunto. O sistema comunitário se desintegrou: a divisão foi feita pelo “paterfamílias”, certamente beneficiando os parentes mais próximos, enquanto muitos nada receberam. Nasciam assim as classes sociais na Grécia arcaica. A fim de proteger suas propriedades, os aristocratas uniramse formando uma fratria, e a junção de várias fratrias gerava uma tribo. Com o crescimento populacional, as pequenas vilas evoluíram para cidades-Estados, que necessitavam ser protegidas dos inimigos. Por isso, cada cidade-Estado se localizava e crescia, geralmente, em torno de uma elevação, dotada de uma muralha, facilitando sua defesa. Era a Acrópole. 52 História Geral
  53. 53. Acrópole de Atenas. A formação do Estado atendia aos interesses da aristocracia, chamados eupátridas em Atenas, chefiados por um rei (basileu) e um conselho, o Areópago. O povo não participava do governo. O antigo poder coletivo da comunidade passara para o Estado, dominado pela aristocracia, que decidia sobre o destino de todos. O comércio se desenvolveu, com importação de trigo e matérias-primas das colônias e exportação de vinho, azeitonas, armas, cerâmicas e outros produtos artesanais. Os comerciantes enriqueciam, enquanto a aristocracia eupátrida concentrava a posse das terras. A situação difícil causada pela importação levou os pequenos lavradores a hipotecarem suas terras para pagar suas dívidas. Incapazes de resgatá-las, muitos pequenos proprietários eram escravizados, outros emigravam e houve aqueles que se transformaram em pequenos artesãos. Para facilitar as relações comerciais, as cidades-Estados cunhavam suas próprias moedas. No século VI a.C., Atenas conheceu grandes transformações. A economia, a política e a sociedade ateniense mudaram em História Geral 53
  54. 54. função do crescimento do comércio, do artesanato e da exportação. As antigas estruturas políticas não se ajustavam à nova realidade e seguiu-se um período de agitações sociais e políticas. As classes baixas tomavam consciência da sua marginalização política e passaram a pressionar por reformas. Os eupátridas resistiram. Um dos meios: substituíram o rei (basileu) por nove Arcontes, magistrados encarregados de exercer o poder executivo. Diante da pressão das classes sociais insatisfeiPesquise sobre a legislação coditas, era preciso mudar a ficada por Dracon, que manteve o legislação. O legislador “status quo” em Atenas. Descubra o Dracon, em 621 a.C., cosignificado dessa expressão latina e dificou a lei costumeira, o saiba por que, exceto a elite, todas que provocou a revolta as demais classes sociais ficaram das classes populares. insatisfeitas. Lembre-se de que teAnos depois, o político mos em nossa língua a expressão e legislador Sólon (594 “draconiano”. Descubra também qual a.C.) foi incumbido de foi a importância da codificação. achar uma solução para os conflitos. Decidiu pela divisão da sociedade não mais segundo o nascimento, mas a partir da riqueza. Foram criadas quatro classes sociais, da mais rica para a mais pobre: pentacosiomedimnos, zeugitas, hipe Períodois e tetas. Além disso: a) Estimulou a expansão do comércio e do artesanato, permitindo inclusive que estrangeiros (metecos) vivessem em Atenas. b) Ampliou a emissão de moedas com a exploração de minas de prata na região do Láurion, perto de Atenas. Padronizou pesos e medidas. c) Proibiu a escravidão por dívidas. d) Redistribuiu as terras aos seus antigos proprietários. A participação dos cidadãos na política e nas magistraturas correspondia à sua riqueza, ou seja, os mais ricos participavam 54 História Geral
  55. 55. da Assembléia (Eclésia), dos Tribunais (Heliae), do Conselho (Bulé) e das magistraturas (Arcontado). Os mais pobres (thetas), somente da Assembléia. Organograma do sistema político de Atenas. Porém, a obra reformadora de Sólon criou insatisfações por não atender os interesses de todas as classes. Veio a luta civil, que durou cerca de trinta anos e que propiciou o aparecimento de demagogos e tiranos. No conceito grego, tirano era aquele que chegava ao poder por meios ilegais. Em 560 a.C., Psístrato se transformava no primeiro tirano ateniense, promovendo a pacificação política por meio da construção de obras públicas. Assim, equilibrava-se entre as classes sociais, agradando os pobres, criando mais empregos e incentivando o comércio, que beneficiava os mercadores. Após a sua morte, seus filhos assumiram o poder, mas Hiparco foi assassinado e Hípias, afastado. História Geral 55
  56. 56. Anos mais tarde (508 a.C.), o político Clístenes assumiu o poder e fez as reformas que implantaram a democracia em Atenas. É conhecido, por isso, como o “pai da democracia”. Dividiu todos os cidadãos de Atenas em dez tribos. Cada tribo era formada por três demos (um da planície, outro da montanha, outro do litoral), anulando os antagonismos. Todas as tribos tinham representantes nos diversos órgãos públicos. A Eclésia, ou assembléia de todos os cidadãos, era o órgão político máximo e indicava os dez estrátegos, um por tribo, para exercer o poder executivo. O Arcontado e o Areópago foram mantidos por tradição, zelando apenas pela constitucionalidade das leis. Para defender a democracia foi instituído o ostracismo, que permitia exilar, mediante votação pela Assembléia, os que ameaçavam o Estado. Contudo, não se deve confundir a antiga democracia grega com a idéia de democracia elaborada pelos iluministas franceses do século XVIII, nem com a atual. Afinal, quem era cidadão em Atenas? O escravo, o homem liberto, o estrangeiro, as mulheres e mesmo o grego nascido na cidade, cujo pai tivesse vindo de outra cidade-Estado, todos eram excluídos. O sistema democrático comportava só os cidadãos, e estes eram apenas 10% de toda a população. A condição de cidadão se iniciava pela exigência de ter pai e mãe atenienses. Daí o número tão pequeno de cidadãos. Por outro lado, a democracia grega era direta, e não representativa. Os cidadãos compareciam à assembléia pessoalmente. A cidade-Estado de Esparta era a grande rival de Atenas na luta pela hegemonia sobre a Grécia. O isolamento geográfico de Esparta e suas terras férteis para a prática da agricultura propiciaram a sobrevivência da comunidade. As instituições se mantiveram intactas durante séculos. Porém, por causa do crescimento demográfico, Esparta poderia conhecer as mesmas transformações das demais cidades-Esta56 História Geral
  57. 57. do gregas. Optou pela conquista da vizinha região da Messênia, alargando assim a posse de terras e escravizando boa parte da população local. Os espartanos passaram a depender do trabalho dos hilotas (escravos). Como a existência de numerosos escravos ameaçava o domínio dos espartanos, estes passaram a se preparar militarmente a maior parte de sua vida. Os escravos, pertencentes ao Estado, eram repartidos e distribuídos à razão de seis por lote de terra, também pertencente ao Estado, mas de usufruto do cidadão espartano. O sistema político estabelecia que somente os espartanos podiam ter cidadania (“os iguais”), mas o poder efetivo ficava nas mãos dos idosos (Gerontocracia). A legislação, atribuída a Licurgo, um personagem lendário, instituiu o sistema governamental oligárquico. Havia a diarquia, ou seja, dois reis que cuidavam dos negócios internos e externos; a Assembléia dos Cidadãos Organograma do sistema político espartano. História Geral 57
  58. 58. (Ápela), que aprovava ou não as leis elaboradas pelo Conselho de Anciãos (Gerúsia) e o Eforado, composto por cinco magistrados, os Éforos, que fiscalizavam e exerciam o poder, mas submetidos aos gerontes. Havia em Esparta três classes sociais: a) Espartíatas ou espartanos, detentores do poder, dedicandose ao adestramento militar. Formavam a aristocracia espartana, embora fossem iguais entre si. b) Periecos, descendentes dos aqueus, antigos senhores da região que não se opuseram à conquista dos dórios. Livres, faziam o cultivo de suas próprias terras na periferia ou faziam o comércio, mas não tinham participação nem direitos políticos. c) Hilotas, submetidos pela guerra, trabalhavam como escravos nas terras do Estado e nos lotes dos espartanos. Seu número era controlado, pois um aumento excessivo colocaria em risco o domínio dório. Quando havia aumento populacional, os espartanos eliminavam o excedente. A educação em Esparta era muito rígida, com ênfase nas práticas físicas e militares, exigindo-se do jovem total obediência aos mais velhos e ao Estado. Ao nascer, a criança espartana era examinada pelo éforos. Se apresentasse algum defeito, era sacrificada em nome da eugenia (pureza racial). Aos sete anos, era colocada sob os cuidados do Estado; a partir dos doze anos, educada no campo, onde aprendia a suportar os rigores de uma vida simples, desprovida de conforto. Assim, os fracos eram eliminados. Até os 60 anos os espartanos estavam obrigados ao treinamento militar. Período Clássico: as grandes guerras no mundo grego antigo Os persas foram os grandes inimigos dos gregos, que haviam criado uma brilhante civilização no litoral da Ásia Menor, onde 58 História Geral
  59. 59. floresciam numerosos núcleos de comércio e de intensa vida cultural. A região da Jônia, berço da filosofia grega, caiu sob domínio persa, mas se revoltou, ainda que sem sucesso. O imperador Dario decidiu então atacar a Grécia Continental, devido ao auxílio prestado pelos atenienses à Jônia. Em 490 a.C., os persas desembarcaram na Ática, onde se deu a célebre batalha de Maratona, em que os atenienses derrotaram os persas, muito mais numerosos. Maratona ficou imortalizada nos anais da história, pela façanha militar e pelo aviso da vitória dado por um soldado, que correu cerca de 40 quilômetros, sem parar, até Atenas. Xerxes, sucessor de Dario, preparou os persas para a desforra, com muitos navios e milhares de soldados. Os persas desceram pela Trácia, alcançando o desfiladeiro das Termópilas, onde os aguardavam 300 espartanos e 6 mil aliados, que durante dias resistiram aos invasores. Para garantir a retirada dos aliados, o comandante espartano Leônidas optou por resistir apenas com seus soldados, com sucesso. Mas um traidor conduziu os persas por um atalho, permitindo-lhes atacar a retaguarda grega. Foram todos massacrados. A Ática foi abandonada por seus habitantes, e Atenas, ocupada e destruída. Mas, em Salamina (480 a.C.), as numerosas embarcações persas moviam-se com dificuldade no estreito. Aí, as pequenas embarcações atenienses, valendo-se habilmente de um esporão frontal, perfuravam os navios persas abaixo da linha d’água. A derrota persa foi completa e Xerxes retirou-se para a Ásia. Tomando a ofensiva, os gregos atacaram a retaguarda do exército persa (batalha de Platéia, 479 a.C.), funesta aos persas, tanto quanto as diversas batalhas navais. Decidiram então os gregos ir combater o inimigo no seu próprio território. Era a terceira guerra, e novamente vencido o exército persa. O tratado celebrado em 449 a.C., estabelecia que os persas não poderiam mais ocupar nem aproximar suas tropas das colônias gregas da Ásia Menor, História Geral 59
  60. 60. nem tampouco ameaçar com suas esquadras as ilhas do Mar Egeu, que passou a constituir um lago helênico. Os persas, sucessivamente batidos, retiraram-se do Mediterrâneo. O poderio de Atenas confirmava-se. Reforçado seu poderio naval, era necessário organizar o poderio em terra. Mas já não era contra os persas que se armava Atenas, mas contra sua rival, Esparta. Foi criada a Confederação de Delos (478 a.C.), cuja finalidade era afastar definitivamente qualquer ameaça persa na Ásia Menor. Mas, Esparta não aderiu. As cidades participantes contribuíam com dinheiro, arrecadado e administrado por Atenas, para a construção de navios, que ficavam certamente sob o comando dos atenienses, que não deixaram de empregar, em proveito próprio, certas quantias do tesouro comum, embelezando sua própria cidade. Diante das evidências de desvio de fundos, algumas cidades ameaçaram abandonar a Liga. Os atenienses impuseram sua vontade e, com o uso da esquadra, atacaram os dissidentes. Evidenciava-se, nesse momento, o imperialismo político e militar de Atenas. Sob o governo Péricles, Atenas chega a seu apogeu cultural, passando a ser o centro da civilização grega. Com o dinheiro da Confederação de Delos, a cidade foi reconstruída, ergueu-se o, Partenon. Fídias dirigia a produção escultórica e os mais notáveis pensadores do mundo grego se estabeleceram em Atenas. As construções e as festas faziam de Atenas a primeira cidade mediterrânea, onde se ouviam muitas línguas e muitos filósofos. Era a união da beleza plástica com a profundidade do espírito. Sófocles, Ésquilo e Eurípedes transformavam o teatro, nascido que fora de festas religiosas. Outros subversivos falavam livremente, entre eles Sócrates, que levava ao extremo a análise moral. Platão, Demócrito, Hipócrates, Anaxágoras... Jamais uma sociedade reunira tantos talentos, tornados imortais. 60 História Geral
  61. 61. Atenas tinha então (século V a.C.) cerca de 300 mil habitantes. Surpreende como uma cidade relativamente pequena para os nossos padrões pudesse ter produzido tantos intelectuais. Que fatores influenciaram nesse verdadeiro fenômeno? Por que nosso país, com quase duas centenas de milhões de habitantes, tem uma produção bastante limitada na área intelectual? Reflita e discuta com seus amigos. O respeito às opiniões dos outros é fundamental, para a construção da cidadania. O imperialismo exploratório ateniense sobre as demais cidades não podia durar para sempre. Os submetidos haveriam de se revoltar. Esparta, a grande rival, assumiu o papel de líder da oposição. A paz de trinta anos assinada com Atenas era precária. Reuniu as cidades do Peloponeso e apoiou as cidades marítimas que se rebelavam contra a Confederação. Estruturada a Liga do Peloponeso, sob a liderança de Esparta, a guerra foi inevitável. O choque dos dois imperialismos se materializou na Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.). A devastação caracterizou a Grécia. A força marítima ateniense atacou os aliados dos espartanos, enquanto que estes, com seu exército superior, destruíam os aliados de Atenas. A desorganização econômica arruinou os atenienses. A peste, a fome, os cercos e as mortes minaram sua capacidade. O próprio Péricles foi vítima de epidemia. Em Egos Pótamos, os espartanos venceram a esquadra ateniense, graças à ajuda da cidade de Corinto. Derrotada Atenas, os espartanos a ocuparam e dissolveram a Confederação de Delos, pondo fim ao imperialismo ateniense. Esparta se tornava a nova potência hegemônica da Grécia e exercia um domínio de força sobre as cidades gregas. Conheceu um desenvolvimento econômico para o qual suas estruturas História Geral 61
  62. 62. tradicionais não se encaixavam. Para consolidar ser imperialismo, tropas eram mantidas nas cidades submetidas. E as mesmas cidades que lutaram contra Atenas, agora se voltavam contra o imperialismo espartano. Tebas liderou, com o apoio de Atenas, uma revolta geral contra o domínio espartano, vencido em Leuctras, em 371 a.C. O gosto pela hegemonia e pelo imperialismo impregnou os tebanos. Porém, em Mantinéa, em 362 a.C., foram derrotados por uma coligação ateniense-espartana. As lutas internas enfraqueceram as cidades-Estado. A ameaça de uma intervenção estrangeira era iminente, agora procedente do norte: os macedônios. Período Helenístico A região da Macedônia, ao norte da Grécia, adentrava a história, envolvida que fora nas guerras contra os persas. Seu rei, Felipe II, concentrou todos os poderes em suas mãos, organizou um poderoso exército e iniciou a conquista da Grécia, usando a diplomacia e a corrupção. Segundo suas palavras, “não há muralhas que resistam a um burro carregado de ouro”. Quando diplomacia e corrupção falhavam, apelava à força militar. Desta maneira, Felipe conquistou a Grécia (338 a.C.), unificando-a politicamente, pela primeira vez. Tendo sido assassinado (336 a.C.), legou a seu filho Alexandre, educado pelo filósofo Aristóteles, um Estado homogêneo e um exército greco-macedônio poderoso e disciplinado. Em 334 a.C., começava a invasão da Ásia Menor, cujo objetivo maior era a conquista do mundo persa. Após as primeiras vitórias fulminantes sobre os persas, Alexandre passou à conquista das cidades fenícias. Aquelas que se rendiam pacificamente eram integradas ao novo império; as que resistiam, arrasadas, e sua população, em geral, escravizada. Ao conquistar o Egito, foi recebido como libertador. 62 História Geral
  63. 63. A seguir, conquistou sucessivamente a Mesopotâmia, a própria Pérsia, em 329 a.C., e a parte ocidental da Índia. Seus soldados se recusaram a ir mais longe. Voltava para a península balcânica, quando veio a falecer na região da Babilônia, com 32 anos. Neste mesmo ano (323 a.C.), morria Aristóteles, seu preceptor. Suas conquistas possibilitaram a organização de uma economia “universal”, que tinha por eixo articulador o Mediterrâneo Oriental. As cidades costeiras prosperaram e o fluxo de mercadorias se intensificou. A idéia central de Alexandre era a criação de um império cosmopolita, unindo o Oriente e o Ocidente. Suas ações se perpetuam por meio do estímulo à miscigenação étnica e cultural entre orientais e ocidentais; da transformação do grego em língua internacional; da fundação de importantes centros culturais, como Alexandria no Egito e muitas outras cidades também chamadas Alexandria; da tolerância religiosa. Da fusão do pensamento grego e oriental surgiu a cultura helenística, responsável pela notável evolução intelectual nos séculos III e II a.C. Após a morte prematura de Alexandre, seu império, cujas fronteiras se estendiam desde o Egito até a Índia, se desintegrou, dividido entre seus ambiciosos generais, por não haver um herdeiro adulto. Ptolomeu ficou com o Egito, conservando suas instituições tradicionais, desenvolvendo o comércio, apossando-se dos centros comerciais. Cleópatra foi uma das herdeiras dessa dinastia. Entre as pessoas que se notabilizaram pela produção intelectual, podemos citar: Euclides, fundador de uma escola de matemática em Alexandria, onde Arquimedes estudou; Aristarco, que calculou a distância entre a Terra e a Lua, e se posicionou em favor do heliocentrismo, teoria pela qual a Terra giraria em torno de seu próprio eixo e em torno do Sol, bem como a Lua giraria em torno da Terra, e as estrelas fixas estariam mais distantes que o Sol; Eratóstenes, quer calculou a circunferência da Terra e História Geral 63
  64. 64. fez um mapa com um oceano em volta de todo o globo. Todo esse conhecimento científico só seria retomado no Ocidente à época do Renascimento (século XV). Pode-se estabelecer semelhanças entre a difusão do grego na época de Alexandre, do latim, durante o Império Romano e a Idade Média, e o inglês, atualmente. Todas essas influências caracterizam um processo de aculturação. Pense sobre os fatores que estimulam a expansão da língua inglesa, em que setores principalmente ela se manifesta. Faça um levantamento de várias palavras e atitudes que correspondem a esse processo de aculturação. Você aceita facilmente ou procura manter uma certa resistência? Opine. É importante. O mundo romano Origens de Roma Há duas explicações sobre as origens de Roma: a lendária e a histórica. Sua origem histórica é um assunto polêmico. Pela lenda, Roma foi fundada em 753 a.C., por Rômulo e Remo. Para os historiadores, Roma foi formada por povos pastores arianos que se estabeleceram na região do Lácio, na parte centro-ocidental da península da Itália. Constantemente atacados pelos etruscos, um povo estabelecido ao norte do Lácio, os pastores construíram uma fortaleza entre “sete colinas”. Essa cidadela militar latina passou a dominar uma passagem estreita pela qual principalmente os mercadores cruzavam o rio Tibre, ao transportar o sal do litoral até a Etrúria (“Rota do Sal”). As classes sociais na Roma primitiva se estruturaram a partir da posse ou não da terra. Os mais antigos habitantes monopoli64 História Geral
  65. 65. Mapa da Itália, na época de Roma primitiva. zaram as melhores terras cultiváveis, constituindo grandes propriedades. Eram os patrícios, enquanto os pequenos proprietários, artesãos e estrangeiros formavam a plebe. Roma monárquica Só os patrícios tinham direitos políticos. Administravam a cidade por meio dos chefes das famílias (gens ou clãs), que se reuniam no Conselho dos Anciãos ou Senado e aprovavam leis aplicadas pelo rei. A tradição se refere a sete reis, mas provavelmente os primeiros nunca tenham existido: Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Ostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo, sendo os três últimos de origem etrusca, pois Roma, a partir de 640 a.C., foi dominada por esse povo. Tarquínio, o último rei, fez construir grandes obras públicas com o objetivo de ter o apoio dos plebeus e diminuir o poder dos patrícios. Estes reagiram e História Geral 65
  66. 66. expulsaram-no da cidade pondo fim à monarquia e ao domínio etrusco, em 509 a.C. Roma republicana Os patrícios instituíram a República, totalmente controlada por eles. Portanto, era uma República aristocrática (dos “bens nascidos”). O Senado era o órgão máximo, decidia pela paz e guerra, controlava a arrecadação e as despesas do Estado, elaborava as leis e as fazia executar por meio de magistrados, como os dois cônsules, eleitos por um ano. Enquanto um tratava dos assuntos internos, o outro se encarregava das guerras e das relações com outros povos. Os demais magistrados da República romana eram os: a) Questores: encarregados da cobrança dos impostos e da administração das finanças. b) Pretores: eram juízes, portanto encarregados de aplicar a justiça. c) Censores: faziam o recenseamento da população e zelavam pelos “bons costumes”. d) Edis: administravam a área urbana, tendo como principais funções: zelar pelo policiamento para manter a ordem pública, fiscalizar o comércio, determinar os pesos e medidas, organizar o abastecimento etc. Em época de crise ou quando a guerra estava sendo desfavorável aos romanos, os dois cônsules escolhiam um ditador para substituí-los por um período máximo de seis meses, dotado de grande poder (dictatus). Quando o fator que determinava a necessidade da ditadura deixava de existir, o poder voltava aos cônsules. Portanto, na Roma antiga a ditadura era uma instituição legal. A reunião geral dos romanos ocorria na Assembléia Centuriata. Todos os homens, equipados para lutar, se reuniam no Cam66 História Geral
  67. 67. po de Marte para referendar as decisões do Senado. Como as centúrias dos patrícios eram melhor equipadas e mais numerosas (98 contra 95), eles dominavam as decisões da Assembléia. A plebe, sentindo-se prejudicada, passou a reivindicar direitos, pois lutava nas guerras em que Roma se envolvia. Foi o longo período de lutas sociais na Roma antiga. Organograma das instituições da República. Os plebeus ameaçavam abandonar Roma, faziam greves, até os patrícios cederem. Em 494 a.C., conseguiram a aprovação do “Tribuno da Plebe”, escolhido pelos plebeus. O tribuno, considerado sacrossanto e inviolável no exercício de suas funções, tinha o direito de vetar as decisões da Assembléia quando prejudiciais aos interesses da plebe. Posteriormente, a plebe exigiu que a lei oral fosse codificada. Dez juristas (Decenviros) escreveram as primeiras leis em dez placas de bronze, expostas publicamente. A essas foram acrescentadas, posteriormente, mais duas placas. Nascia assim, cerca de 450 a.C., a Lei da XII Tábuas. Outras leis se seguiram: a “Lei Canuléia”, permitindo casamentos entre patrícios e plebeus; a “Lei Licínia Sextia”, proibindo a escravidão por dívidas; em 287 a.C., foi aprovado o plebiscito, pelo qual as decisões votadas pela plebe em Assembléia teriam foça de lei. Assim, a instauração da igualdade jurídica fez desaparecer os privilégios tradicionais dos patrícios. Os plebeus, certamente os História Geral 67

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