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Análise do Ba Durante o Processo Scrum

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Demonstra a importância do Ba em equipes de projetos Scrum, com um estudo mais aprofundado que o artigo acima. Publicado no XVII SIMPEP em Bauru, SP. Ponto de partida para quem deseja saber como o …

Demonstra a importância do Ba em equipes de projetos Scrum, com um estudo mais aprofundado que o artigo acima. Publicado no XVII SIMPEP em Bauru, SP. Ponto de partida para quem deseja saber como o Scrum contribui com a Gestão do Conhecimento.

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  • 1. ANÁLISE DO BA DURANTE O PROCESSO SCRUM MAYSA ALVES DA CONCEIÇÃO SILVA () maysa.alves@ufpr.br HEITOR RORIZ FILHO () hroriz@massimus.com HELENA DE FÁTIMA NUNES SILVA () helenanunes@ufpr.brResumo: DEMONSTRA A IMPORTÂNCIA DO BA EM EQUIPES DE PROJETOS SCRUM. O BA CORRESPONDE AO AMBIENTE PROPÍCIO PARA A CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO, PODENDO SER DIVIDIDO EM QUATRO TIPOS: BA DE CRIAÇÃO, BA DE INTERAÇÃO, BA VIRTUAL E BA DE TREINAMENTO. CADA TIPPO DE BA CORRESPONDE A UM PROCESSO DO MODELO SECI DE CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO: SOCIALIZAÇÃO, EXTERNALIZAÇÃO, COMBINAÇÃO E INTERNALIZAÇÃO. ANALISA O BA A PARTIR DA VERIFICAÇÃO DE PRÁTICAS RELACIONADAS AOS QUATRO TIPOS DE BA E AOS PROCESSOS DE CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO DO MODELO SECI, ATRAVÉS DA ANÁLISE DO GUIA OFICIAL DO SCRUM E ATRAVÉS DE ENTREVISTAS REALIZADAS COM INTEGRANTES DE PROJETOS SCRUM. FORAM ENCONTRADAS PRÁTICAS RELACIONADAS AOS QUATRO TIPOS DE BA, NO DECORRER DO PROCESSO SCRUM, PODENDO-SE CONCLUIR, PORTANTO, QUE O SCRUM POSSUI UM AMBIENTE FACILITADOR PARA A CONVERSÃO DO CONHECIMENTO E QUE SUA CORRETA IMPLANTAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA CONVERSÃO DO CONHECIMENTO.Palavras-chaves: BA; MODELO SECI; CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO; SCRUM. BA ANALYSIS DURING THE SCRUM PROCESSAbstract: THIS PAPER DEMONSTRATES THE IMPORTANCE OF BA IN PROJECT TEAMS THAT WORK WITH SCRUM. BA IS THE PROPER ENVIRONMENT TO THE CREATION AND CONVERSION OF KNOWLEDGE AND CAN BE DIVIDED IN FOUR TYPES: CREATION, INTERACTION, VIRTUAL AND TRAINING BAS. EACH TYPE OF BA CORRESPONDS TO A PROCESS IN THE SECI MODEL OF KNOWLEDGE CREATION: SOCIALIZATION
  • 2. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 EXTERNALIZATION, COMBINATION AND INTERNALIZATION. THE ANALYSIS IS MADE FROM VERIFICATION OF PRACTICES RELATED TO THE FOUR TYPES OF BA AND THE PROCESSES OF KNOWLEDGE CREATION IN THE SECI MODEL FOUND IN THE SCRUM GUIDE AND IN INTERVIEWS DONE WITH PARTICIPANTS OF PROJECTS MANAGED WITH SCRUM. PRACTICES RELATED TO ALL FOUR TYPES OF BA WERE OBSERVED WHAT LEADS TO THE CONCLUSION THAT SCRUM HAS PRACTICES AND ACTIVITIES THAT PROMOTES KNOWLEDGE CREATION AND CONVERSION. IT ALSO FACILITATES AND PROMOTES THE CREATION OF ENVIRONMENTS FRIENDLY TO KNOWLEDGE CREATION AND CONVERSION.ITS CORRECT IMPLEMENTATION IS ALSO FUNDAMENTAL IN ORDER TO OBTAIN THESE ADVANTAGES.Keyword: BA; SECI MODEL; KNOWLEDGE CREATION; SCRUM. 2
  • 3. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 20101. Introdução O conhecimento é a principal vantagem competitiva para uma organização(STEWART, 1998). Nesta nova realidade, são mais bem sucedidas as organizações queconseguem converter o conhecimento em novas oportunidades de produtos ou serviços. Para tanto, as organizações precisam traçar metas e ações no sentido de otimizar acriação e o compartilhamento do conhecimento. Torna-se necessária, portanto, aimplementação de um ambiente propício à criação do conhecimento, o qual é denominadocomo Ba. O termo Ba, de origem japonesa, pode ser traduzido como “espaço”. Nonaka e Konno(1998) definem Ba como um espaço compartilhado que serve para a criação doconhecimento. Segundo os autores, há quatro tipos de Ba. Cada tipo corresponde a uma etapaespecífica do Modelo SECI de criação do conhecimento, que consiste em um processoespiralado com quatro etapas: Socialização, Externalização, Combinação e Internalização. O Ba pode ser um espaço físico, virtual ou mental, como por exemplo, escritórios detrabalho, formação de equipes de projeto, reuniões, trocas de e-mails e interação com clientes.Empresas que, para atingir seus objetivos de negócios, desenvolvem suas atividades com umaabordagem baseada em projetos, são intensivas em conhecimento, pois possuemcaracterísticas como a interação constante entre integrantes da equipe, equipesmultidisciplinares e experimentação constante. Dentre tais empresas, aquelas que utilizam Scrum como framework de gerenciamentode projetos devem, em teoria, proporcionar espaços adequados para a criação/conversão doconhecimento, tendo em vista que o Scrum baseia-se no artigo The New New ProductDevelopment Game, de Nonaka e Takeuchi. Este artigo foi publicado na revista HarvardBusiness Review, em 1986 (SUTHERLAND, 2006). Neste artigo, os autores sugerem umanova abordagem para desenvolvimento de produtos, a abordagem rúgbi, fazendo umaanalogia com a jogada scrum deste jogo (que demanda forte trabalho em equipe). De acordocom esta abordagem, o produto é desenvolvido através da interação constante entre umaequipe multidisciplinar, que trabalha conjuntamente do início ao fim do projeto e estácomprometida com a experimentação constante (Nonaka e Takeuchi, 1986). A partir de 1995, o termo Scrum passa a descrever um framework para odesenvolvimento de produtos, utilizado para organizar equipes, com o objetivo de produzirmais e com maior qualidade (SCHWABER, 2007). É um processo simples de trabalho quepode ser utilizado por qualquer empresa que necessite de um processo de gerenciamento deprojetos. O Scrum é atualmente o framework mais difundido de gerenciamento ágil deprojetos. Pode ser utilizado em projetos de diversos tipos, apesar de sua origem ter sido emprojetos de software. Dado o exposto, o foco deste trabalho é a análise de como o processo Scrum podeinfluenciar a criação de conhecimento organizacional. Mais especificamente, este trabalhotem como objetivo a análise de como equipes de projetos, que utilizam o framework degerenciamento de projetos Scrum, dão suporte à criação do conhecimento, em torno doconceito de Ba. 3
  • 4. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 20102. O processo Scrum Originalmente, o Scrum foi desenvolvido para ser implementado em equipes dedesenvolvimento de produtos de software. Porém, pode ser utilizado por qualquer empresaque necessite implementar processos de gerenciamento de projetos, tais como agências depublicidade, projetos de arquitetura, bancos, etc. Segundo Schwaber et al. (2007), o Scrum é um framework dentro do qual pode-seempregar diversos processos e técnicas para desenvolver produtos complexos. A estrutura doframework Scrum é composta por três papéis, seis eventos/cerimônias com duração fixa,quatro artefatos e pelas regras, conforme segue:  Papéis: Product Owner, Scrum Master e o time;  Eventos com duração fixa: Planejamento da Versão para Entrega, Sprint, Reunião de Planejamento da Sprint, Revisão da Sprint, Retrospectiva da Sprint e Reunião Diária;  Artefatos: Backlog do Produto, Backlog da Sprint, Burndown de Versão para Entrega e Burndown de Sprint;  Regras: fazem o elo entre os eventos, os papéis e os artefatos do Scrum. De acordo com o Schwaber (2009), os três papéis formam os Times Scrum, projetadospara otimizar flexibilidade e produtividade. Para esse fim, eles são auto-organizáveis,interdisciplinares e trabalham em iterações. O Scrum Master é responsável por garantir que oprocesso seja entendido e seguido; o Product Owner é responsável por maximizar o valor dotrabalho que o Time Scrum realiza e o time executa o trabalho propriamente dito. A Figura 1 ilustra o processo de trabalho do framework Scrum, composto por eventose artefatos. O círculo maior, na cor verde, representa o evento Sprint, o coração do Scrum. Éuma iteração com duração de um mês ou menos, consistente com o esforço dedesenvolvimento. Durante uma Sprint, o time inicia o trabalho focando em determinadasfuncionalidades do produto em desenvolvimento e ao final da Sprint, tais funcionalidadesdevem estar completamente prontas. Todas as Sprints tem como resultado um incremento doproduto final ou, dependendo do número de Sprints já executadas, o produto final. Sendoassim, o time trabalha Sprint a Sprint, focando em subconjuntos de funcionalidades doproduto em questão, até que o produto final, de acordo com as necessidades do cliente, sejaalcançado. O Backlog do Produto e o Backlog da Sprint também estão ilustrados na Figura 1. OBacklog do Produto é uma lista priorizada de tudo que é necessário no produto, ou seja, a listacompleta de funcionalidades do produto. Como Scrum trabalha em iterações, o time deve sefocar em subconjuntos de tais funcionalidades, caso contrário não teria como atingir oobjetivo final de uma Sprint. O Backlog da Sprint é o subconjunto. Tais funcionalidades sãodetalhadas e é obtida uma lista de tarefas para se obter um incremento do produto final, ou oproduto final propriamente dito. A Figura 1 também ilustra o restante dos eventos que fazem parte do processo doScrum, tais como: Reunião de Planejamento da Sprint, Revisão e Retrospectiva da Sprint eReunião Diária. 4
  • 5. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010FIGURA 1- O Processo Scrum. Fonte: adaptada de Schwaber et al. (2007). A Reunião de Planejamento da Sprint acontece para planejar a iteração. É fixada emoito horas de duração para uma Sprint de um mês. Para Sprints mais curtas, aloca-se para essareunião aproximadamente 5% do tamanho total da Sprint. O Planejamento da Sprint consisteem duas partes: na primeira parte, um evento com duração fixa de quatro horas, no qual édecidido o que será feito na Sprint. Na segunda parte, outro evento com duração fixa dequatro horas, o Time Scrum entende como desenvolverá essa funcionalidade em umincremento do produto durante a Sprint. Durante a iteração (ou Sprint), cada time se encontra diariamente para uma reunião dequinze minutos, chamada Reunião Diária. Essa reunião é sempre feita no mesmo horário e nomesmo local durante as Sprints. As Reuniões Diárias melhoram a comunicação, eliminamoutras reuniões, identificam e removem impedimentos para o desenvolvimento, ressaltam epromovem a tomada rápida de decisões e melhoram o nível de conhecimento de todos acercado projeto. Ao final da iteração, é feita a Reunião de Revisão da Sprint. Durante a Revisão daSprint, o Time Scrum e as partes interessadas colaboram sobre o que acabou de ser feito. Édurante essa reunião que as funcionalidades trabalhadas em uma Sprint são apresentadas aocliente do projeto. Baseados nisso e em mudanças no Backlog do Produto feitas durante aSprint, define-se quais são as próximas atividades a serem realizadas. Após a Revisão da Sprint e antes da próxima Reunião de Planejamento da Sprint, oTime Scrum tem a Reunião de Retrospectiva da Sprint. Nessa reunião, o time discute acercados pontos positivos e negativos encontrados no processo de trabalho no decorrer da iteração.Os pontos positivos devem se repetir, enquanto que os negativos devem ser evitados ouminimizados. No final da Retrospectiva da Sprint, o Time Scrum deve ter identificadomedidas de melhoria factíveis a serem implementadas na próxima Sprint.3. Modelo SECI para criação do conhecimento Nonaka e Takeuchi (1997) sugerem um modelo para a criação do conhecimento, oModelo SECI. Neste modelo, o caminho para a construção de um novo conhecimentoacontece na forma de espiral, apresentando quatro modos de conversão. 5
  • 6. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 Este processo de conversão do conhecimento está ilustrado na Figura 2, onde cadavolta finalizada na espiral caracteriza a efetiva produção do conhecimento.FIGURA 2- Espiral do conhecimento. Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997). Segundo Silva e Santos (2008), os quatro modos de conversão são os seguintes: 1. Socialização: nesta etapa ocorre a transformação de conhecimento tácito para tácito (T => T). Exemplos: seminários, treinamentos e brainstorming (tempestade de idéias); 2. Externalização: o conhecimento tácito é convertido em conhecimento explícito quando o mesmo é registrado de maneira assimilável por outras pessoas (T => E). Como exemplo, a elaboração de um artigo científico; 3. Combinação: o conhecimento explícito, ao ser comparado e combinado com outros conhecimentos explícitos, pode ser ampliado num processo de conversão explícito para explícito (E => E). Como exemplo, a elaboração da síntese de um texto; 4. Internalização: quando internalizado por alguém, o conhecimento explícito volta a ser conhecimento tácito (E => T). Exemplo: quando um leitor internaliza as informações de um texto pela leitura.4. Os quatro tipos de Ba O termo Ba refere-se a um campo ou espaço no qual as pessoas compartilham o quesabem, colaboram livre e abertamente, com o objetivo de criar algo. É um ambiente decompartilhamento, que estimula a troca de experiências e conhecimentos (NONAKA eKONNO, 1998). Para Nonaka e Konno (1998), há quatro tipos de Ba, os quais correspondem aos quatroprocessos de conversão do conhecimento presentes no Modelo SECI, explicitado na seção 3acima. Cada Ba acelera o processo de criação do conhecimento. Os quatro tipos de Ba são: 1. Ba de Criação: é o lugar onde os indivíduos compartilham sentimentos, emoções, experiências. É neste espaço que o processo de criação do conhecimento inicia. Representa o processo de Socialização do conhecimento do Modelo SECI; 2. Ba de Interação: é nesse ambiente que o conhecimento tácito torna-se explícito, representando o processo de Externalização do conhecimento. Pelo diálogo, os modelos mentais e habilidades dos indivíduos são convertidos em conceitos e termos comuns; 6
  • 7. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 3. Ba Virtual: consiste na interação entre indivíduos no mundo virtual pelo uso de Tecnologias da Informação (TI). Representa o processo de Combinação do conhecimento contido no Modelo SECI; 4. Ba de Treinamento: corresponde ao processo de Internalização do conhecimento. Facilita a conversão do conhecimento explícito em conhecimento tácito.5. Metodologia Nesta seção abordaremos os procedimentos metodológicos e as técnicas adotadas naelaboração da pesquisa.5.1 Classificação do estudo Foi realizado um estudo descritivo sobre a importância do Ba no framework Scrum,sendo realizada a busca de práticas relacionadas ao Ba no Guia Oficial do Scrum e através deentrevistas, realizadas com integrantes de projetos Scrum de três empresas diferentes.5.2 Etapas do estudo O trabalho foi dividido em quatro etapas: 1. Elaboração de Referencial Teórico: tem o objetivo de melhorar o entendimento sobre o tema, pela construção do Referencial Teórico relacionado ao Scrum, Modelo SECI para a criação do conhecimento e os quatro tipos de Ba; 2. Análise do Guia Oficial do Scrum: para discutir o papel do Ba dentro de Times Scrum, será analisado o Guia Oficial do Scrum, elaborado por Schwaber (2009). Por meio da análise, buscou-se identificar e classificar práticas que possam facilitar a criação do conhecimento; 3. Realização de entrevistas: por meio da realização de entrevistas, buscou-se identificar e classificar práticas que possam facilitar a criação do conhecimento, por meio da percepção dos entrevistados; 4. Análise e considerações finais: após a análise das práticas no Guia e das informações obtidas por meio de entrevistas, são realizadas as considerações finais.5.3 População e amostra Para definir a população desta pesquisa, optou-se por selecionar integrantes deprojetos que utilizam o framework de gerenciamento de projetos Scrum, e que exercem papeistais como Scrum Master, Product Owner ou integrantes do time Scrum. Com esta delimitação, chegou-se à definição da amostra da pesquisa, formada por trêsintegrantes de projetos Scrum, de três empresas diferentes, sendo duas localizadas no Brasil euma no Chile. Dois dos entrevistados exercem o papel de Scrum Master dentro do projeto eum deles exerce o papel de cliente/Product Owner. Todos exercem a atividade por no mínimo1 ano.5.4 Instrumento de coleta de dados A técnica utilizada para a coleta de dados foi a entrevista. A coleta se deu por meio deentrevista semi-estruturada, onde os respondentes puderam expressar suas respostaslivremente. As entrevistas abordam, principalmente, práticas relacionadas aos quatro tipos deBa no ambiente de projetos Scrum. Foi utilizado um roteiro previamente elaborado, com baseno Referencial Teórico e no objetivo da pesquisa a ser atingido. Antes da definição do roteiro 7
  • 8. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010final, foi realizado um pré-teste, que resultou na edição do roteiro, com a exclusão e inclusãode tópicos. O roteiro foi dividido em duas partes: a primeira parte tem como objetivo acaracterização da amostra, contendo questões como nome, tempo de trabalho com Scrum, tipode projetos em que trabalha, papel dentro do projeto e opinião sobre a importância da troca ecriação do conhecimento. A segunda parte tem como objetivo a coleta da percepção dosentrevistados no que se refere às práticas relacionadas à criação do conhecimento, dentro doambiente de projetos Scrum. A mesma foi dividida em quatro sub-partes, tais como segue: 1. Ba de Criação: verifica práticas relacionadas à Socialização do conhecimento dentro dos projetos em que os entrevistados fazem parte. É composta por seis questões; 2. Ba de Interação: verifica práticas relacionadas à Externalização do conhecimento dentro dos projetos em que os entrevistados fazem parte. É composta por quatro questões; 3. Ba Virtual: verifica práticas relacionadas à Combinação do conhecimento dentro dos projetos em que os entrevistados fazem parte. É composta por três questões; 4. Ba de Treinamento: verifica práticas relacionadas à Internalização do conhecimento dentro dos projetos em que os entrevistados fazem parte. É composta por duas questões. As entrevistas foram agendadas com antecedência, sendo explanados os objetivos pararealização da mesma. As entrevistas foram realizadas em locais reservados e individualmente.Os entrevistados são identificados pelos números de 1 a 3, não sendo esta a ordem darealização das entrevistas necessariamente.5.5 Procedimento para a coleta de dados Utilizou-se como procedimento para a coleta dos dados, um roteiro dividido em quatropartes, conforme descrito abaixo:  Parte 1: foi delimitada a população da pesquisa e ocorreu a identificação de pessoas que poderiam ser entrevistadas;  Parte 2: envio de mensagem eletrônica solicitando a colaboração das pessoas escolhidas;  Parte 3: agendamento e realização das entrevistas;  Parte 4: consistiu na análise e interpretação dos dados, bem como, nas considerações finais.6. Resultados De acordo com Sutherland et al. (2009 apud RORIZ FILHO, 2010), para se obterexcelência com a utilização do Scrum, o Time Scrum precisa atender a determinadas regras.Essas regras levam ao surgimento de times hiperprodutivos, sendo de fundamentalimportância o ambiente no qual esses times trabalham. A esse ambiente denominamos o Bado Time Scrum. 8
  • 9. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 Para cada tipo de Ba, foi pesquisado no Guia Oficial do Scrum e nas entrevistas, autilização de práticas que podem estar relacionadas às quatro etapas do processo de criação doconhecimento, apresentados a seguir. Deve-se ressaltar que o foco é o processo Scrum per se,tendo em vista que o ciclo SECI pode vir a ocorrer no decorrer de diversas fases do projeto.Sendo assim, os pontos levantados e analisados consideram os principais pontos do processoScrum, apresentado na Figura 1, onde ocorrem eventos significativos relacionados ao modeloSECI. Devido à dinamicidade do processo Scrum, durante o trabalho realizado em umaSprint, pode-se encontrar todo o ciclo do modelo SECI. Isso é relativo ao tipo de projeto eambiente de desenvolvimento do time.6.1 Ba de Criação6.1.1 Guia Oficial do Scrum Foram identificadas, no Guia Oficial do Scrum, quatro eventos relacionados ao Ba deCriação, ou seja, foram identificados quatro eventos relacionados ao processo de Socializaçãodo conhecimento: Reuniões diárias, Reunião de Planejamento da Sprint, Reunião de Revisãoda Sprint e Reunião de Retrospectiva da Sprint.a) Reunião de Planejamento da Sprint Nesta reunião o Product Owner apresenta ao Time Scrum o que é prioritário noBacklog do Produto. Eles trabalham em conjunto para definir quais funcionalidades deverãoser desenvolvidas durante a próxima Sprint. O Product Owner está presente durante a Reunião de Planejamento da Sprint paraesclarecer o Backlog do Produto e para ajudar a efetuar eventuais trocas de funcionalidades,tendo em vista que o time terá pela frente uma iteração com início e fim bem definidos. OTime Scrum pode renegociar com o Product Owner funcionalidades do Backlog do Produto aserem implementadas. O Time Scrum também pode convidar outras pessoas a participarem dareunião para fornecerem conselhos técnicos sobre o domínio em questão. É em torno do conhecimento adquirido nessa reunião que o time irá focar suasdiscussões e atividades no decorrer do Sprint.b) Reunião de Revisão da Sprint Ao final da Sprint, é feita a Reunião de Revisão da Sprint. Durante a Revisão daSprint, o Time Scrum e as partes interessadas colaboram sobre o que acabou de ser feito. Essaé uma reunião informal, na qual ocorre a apresentação da funcionalidade e que tem a intençãode promover a colaboração sobre o que fazer em seguida.c) Reunião de Retrospectiva da Sprint Após a Revisão da Sprint e antes da próxima Reunião de Planejamento da Sprint, oTime Scrum tem a Reunião de Retrospectiva da Sprint. A finalidade da Retrospectiva éinspecionar como correu a última Sprint, em se tratando de pessoas, das relações entre elas,dos processos e das ferramentas. No final da Retrospectiva da Sprint, o Time Scrum deve ter identificado medidas demelhoria a serem implementadas na próxima Sprint. Essas mudanças se tornam a adaptaçãopara a inspeção empírica (experimentação).d) Reuniões diárias 9
  • 10. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 Cada time se encontra diariamente para uma reunião de quinze minutos, chamadaReunião Diária. Durante a reunião, cada membro explica: o que ele realizou desde a últimareunião; o que ele vai fazer antes da próxima Reunião Diária; e quais obstáculos estão em seucaminho. As Reuniões Diárias melhoram a comunicação, eliminam outras reuniões, identificame removem impedimentos para o desenvolvimento, ressaltam e promovem a tomada rápida dedecisões e melhoram o nível de conhecimento de todos acerca do projeto. Geralmenteacontecem reuniões subsequentes para realizar adaptações ao trabalho que está por vir naSprint. A intenção é otimizar a probabilidade de que o Time Scrum alcance sua meta.6.1.2 Entrevistas A pesquisa tentou identificar a utilização de práticas relacionadas à Socialização doconhecimento, através da percepção dos entrevistados. Para verificar a troca de conhecimentotácito para tácito, foram abordadas na entrevista práticas como: reuniões, conversas informais,interação face a face, brainstorming, narrativas de histórias e o uso de metáforas ou analogias. Foi questionado se há algum feedback para verificação do produto que foi ou que estásendo produzido e em que evento isso acontece. Todos os entrevistados responderam que sime afirmaram que o feedback ocorre na Revisão da Sprint. Em relação a realização de reuniõesde acompanhamento ou lições aprendidas, os entrevistados indicaram a realização dasreuniões de Revisão da Sprint, Retrospectiva da Sprint e Planejamento da Sprint. Foi questionado se há o uso de conversas informais e interação face a face para trocade conhecimento entre os membros da equipe e em que evento isso ocorre. Todos osentrevistados responderam que sim, sendo citados os seguintes eventos: Retrospectiva daSprint, Planejamento da Sprint e demais reuniões informais a qualquer momento no decorrerdo projeto. Foi questionado se há utilização de alguma forma de brainstorming ou outra técnicade elucidação no projeto. Somente um dos entrevistados afirmou que utiliza-se brainstormingna Reunião de Planejamento da Sprint. Foi questionado se existe a realização de narrativas de histórias e de que forma isso éfeito no decorrer do projeto, tendo o respondente 1 afirmado que não são realizadasnarrativas. O entrevistado 2 respondeu que faz-se uso das narrativas, mas que não hánecessidade de ter uma cerimônia Scrum para isso, faz-se sempre que necessário. Orespondente 3 afirmou que eventualmente são utilizadas as narrativas, praticamente mais noinício do projeto, em um evento informal, onde todos os integrantes da equipe participam. Em relação à utilização de metáforas e analogias para a criação de ideias e userstories, apenas um dos entrevistados respondeu que não. Os demais responderam que utilizammetáforas e analogias no Planejamento da Sprint, ou ainda em alguma cerimônia informal.6.2 Ba de Interação6.2.1 Guia Oficial do Scrum Relacionado ao Ba de Interação, foram identificados dois eventos relacionados aoprocesso de Externalização do conhecimento no Guia Oficial do Scrum: Reunião dePlanejamento da Versão para Entrega e Reunião de Planejamento da Sprint.a) Reunião de Planejamento da Versão para Entrega 10
  • 11. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 O propósito do Planejamento da Versão para Entrega é estabelecer um plano e metasque o Time Scrum e o restante da organização possam entender e comunicar. O plano daversão para entrega estabelece a meta, as prioridades do Backlog do Produto, os principaisriscos e as características gerais e funcionalidades que estarão contidas na versão. O plano da versão estabelece também uma data de entrega e custo prováveis quedevem ser mantidos se não houver mudanças. Segundo Cohn (2010), o plano pode serexplicitado sob diversas formas, tais como: planilha eletrônica, story cards, quadro kanban(painel), documentos específicos de processos internos da empresa, dentre outras.b) Reunião de Planejamento da Sprint Esta reunião serve para planejar a Sprint e é dividida em duas partes: a parte do “oquê?” e a parte do “como?”. Na primeira parte, o Time Scrum trata da questão do “o quê?”. Oresultado desta primeira parte da reunião é o delineamento da Meta da Sprint. Uma vezselecionado o Backlog do Produto, a Meta da Sprint é delineada. A Meta da Sprint consiste em um objetivo que será atingido com a implementação doBacklog do Produto. Ela é uma descrição que fornece orientação ao Time Scrum sobre a razãopela qual o mesmo está desenvolvendo a Sprint. A Meta da Sprint é um subconjunto da Metada Versão para Entrega. O motivo para se ter uma Meta da Sprint é dar ao time algumamargem com relação à funcionalidade. Na segunda parte da reunião, o Time Scrum trata a questão do “como?”. O outputdesta segunda parte da reunião é a lista de tarefas para converter o Backlog do Produto emalgo funcional. Essa lista de tarefas é chamada de Backlog da Sprint, e, de acordo com Cohn(2010), pode estar explícita sob diversas formas, tais como: planilha eletrônica, story cards,quadro kanban (painel), documentos específicos de processos internos da empresa, dentreoutras.6.2.2 Entrevistas A pesquisa tentou identificar a utilização de práticas relacionadas à Externalização doconhecimento, através da percepção dos entrevistados. Para verificar a troca de conhecimentotácito para explícito, foram abordadas práticas como: armazenamento de informações,elucidação de requisitos, veiculação do conhecimento através de alguma mídia e elaboraçãode artefatos. Foi questionado se as melhorias no processo de trabalho são armazenadas, e, em casoafirmativo, de que forma isto é realizado. Um dos entrevistados respondeu que não, enquantoos demais entrevistados responderam que sim, tendo citado ferramentas de gerenciamento deprojetos com Scrum e documentos formais. Em relação ao tratamento da elucidação de requisitos do usuário/cliente e suasnecessidades de entrega, o entrevistado 1 afirma que existe uma reunião inicial, onde édiscutido e compartilhado o objetivo do projeto. Para o entrevistado 2, isso é visto peloProduct Owner. Para o entrevistado 3, o planejamento e avaliação da possibilidade dasentregas são realizados durante o Planejamento da Versão para Entrega. Em relação ao histórico de requisitos, o entrevistado 1 respondeu que é utilizado osoftware “Pivotal Tracking” e um quadro kanban (painel). O entrevistado 2 respondeu que omesmo é elaborado geralmente na Reunião de Revisão da Sprint e o entrevistado 3 informouque o mesmo é gravado no Backlog do Produto. 11
  • 12. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 Foi questionado se o conhecimento gerado durante o projeto é veiculado através dealguma mídia informal como wikis, videos, infográficos, etc.. O entrevistado 1 respondeu quenão, o entrevistado 2 respondeu que não, mas que deverão iniciar em breve. O entrevistado 3respondeu que sim, o conhecimento é veiculado em blogs e wikis internos. Foi questionado se são elaborados artefatos para atendimento a um processo interno,durante o desenvolvimento do projeto, e, em caso afirmativo quais são estes artefatos, tendotodos os entrevistados respondido que sim. Como exemplos, foram citados: casos de uso,Backlog de Impedimentos, Backlog do Produto, Backlog da Sprint, relatórios deacompanhamento, relatórios de carga horária e relatórios de qualidade.6.3 Ba Virtual6.3.1 Guia Oficial do Scrum Segundo Nonaka e Konno (1998), o Ba Virtual seria suportado em ambientescolaborativos baseados em Tecnologia da Informação (TI), tais como redes online decomunicação, groupwares, bancos de dados, etc. Esse ambiente seria propício ao processo deCombinação do conhecimento. Não foi possível encontrar nenhuma prática relacionada a esseambiente no Guia Oficial do Scrum, pois o processo não recomenda o uso de ferramentas deTI.6.3.2 Entrevistas A pesquisa tentou identificar a utilização de práticas relacionadas a Combinação doconhecimento, através da percepção dos entrevistados. Para verificar a troca de conhecimentoexplícito para explícito, foram abordadas práticas como: uso de Tecnologias de Informação,combinação de protótipos ou incrementos de produto e utilização de informações. Foi questionado se há o uso das Tecnologias de Informação para troca de informaçãoentre os membros da equipe, e, em caso afirmativo, pediu-se que os entrevistados apontassemem quais eventos as mesmas são utilizadas. Todos os entrevistados responderam que sim,tendo citado as seguintes tecnologias: wiki, Internet Messenger, e-mail e “Skype”. Os eventoscitados foram: Reunião de Planejamento da Sprint, Reunião de Revisão da Sprint e ReuniõesDiárias. Foi questionado se protótipos ou incrementos de produto são combinados paraelaboração de uma versão do produto e de que forma são combinados. Todos os entrevistadosresponderam que sim, tendo o entrevistado 3 respondido que muitas vezes um protótipo éutilizado para mostrar ao usuário uma possível solução inicial. Também foi questionado aos entrevistados se são utilizadas planilhas/documentos ououtras fontes de informação, para obtenção, compreensão de informação e posterior registrode resultados, tendo todos os entrevistados respondido que sim. Dentre as fontes deinformação citadas tem-se: planilhas “Excel”, software “Pivotal Tracking”, software “Rally”,Backlogs do Produto e Backlogs da Sprint.6.4 Ba de Treinamento6.4.1 Guia Oficial do Scrum Foi identificado, no Guia Oficial do Scrum, um evento relacionado ao processo deInternalização do conhecimento, ou seja, relacionado ao Ba de Treinamento: Reunião deRetrospectiva da Sprint. 12
  • 13. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 Nesta reunião, o Scrum Master encoraja o Time Scrum a revisar, dentro do modelo detrabalho e das práticas do processo do Scrum, seu processo de desenvolvimento, de forma atorná-lo mais eficaz e gratificante para a próxima Sprint. Muitos livros documentam técnicasque são úteis para a realização de retrospectivas, os quais podem ser utilizados para melhoraro processo de desenvolvimento em etapas posteriores. A finalidade da Reunião de Retrospectiva é inspecionar como ocorreu a última Sprint,pela identificação e priorização dos principais itens que correram bem e aqueles que, se feitosde modo diferente, poderiam ser ainda melhores. Isso inclui a composição do time,preparativos para reuniões, ferramentas, métodos de comunicação e processos paratransformar itens do Backlog do Produto em algo “pronto”.6.4.2 Entrevistas A pesquisa tentou identificar a utilização de práticas relacionadas a Internalização doconhecimento, através da percepção dos entrevistados. Para verificar a troca de conhecimentoexplícito para tácito, foram abordadas práticas como: utilização de recursos impressos ou demídias como CD/DVD e revisões de resultados pós-projeto. Foi questionado se são utilizados recursos impressos ou de mídias como CD/DVDpara a criação ou elucidação de soluções, e, em caso afirmativo, quais são os recursos. Todosos entrevistados responderam que não, tendo o entrevistado 3 afirmado que isso ocorre apenasno treinamento de equipes, para o desenvolvimento de equipes. Foi questionado também se são realizadas revisões de resultados pós-projeto (liçõesaprendidas, ativos organizacionais), e, em caso afirmativo, quais são as revisões. Todos osentrevistados responderam que sim. O entrevistado 1 citou o controle de qualidade. Oentrevistado 3 informou que não há relatório formal, mas que é feito um feedback para o setorFinanceiro. Para melhor visualização, o Quadro 1 resume os eventos encontrados no Guia Oficialdo Scrum e citados nas entrevistas, relacionados aos quatro tipos de Ba apresentados na seção4 deste artigo. Ba Guia Oficial do Scrum Entrevistas 1. Reunião de Planejamento da Sprint 1. Reunião de Planejamento da Sprint Ba de Criação 2. Reunião de Revisão da Sprint 2. Reunião de Revisão da Sprint 3. Reunião de Retrospectiva da Sprint 3. Reunião de Retrospectiva da Sprint 4. Reuniões Diárias Ba de Interação 1. Reunião de Planejamento da Versão 1. Reunião de Planejamento da Versão para Entrega para Entrega 2. Reunião de Planejamento da Sprint 2. Reunião de Revisão da Sprint Ba Virtual Nenhum evento encontrado 1. Reunião de Planejamento da Sprint 2.Reunião de Revisão da Sprint 3. Reuniões Diárias Ba de Treinamento 1. Reunião de Retrospectiva da Sprint Nenhum evento citadoQUADRO 1- Eventos relacionados aos quatro tipos de Ba, encontrados no Guia Oficial do Scrum e citados nasentrevistas. Fonte: elaborado pelos autores.7. Análise e discussão dos resultados 13
  • 14. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010 A partir da análise do Quadro 1, verifica-se uma correspondência quase que total entreas duas fontes de coleta de dados para a pesquisa. Um ponto a ser considerado, porém, serefere especificamente às diferenças encontradas em relação ao Ba Virtual. Nenhum eventorelacionado a este tipo de Ba foi encontrado no Guia Oficial do Scrum, mas foram citados trêseventos relacionados ao mesmo pelos entrevistados. Isto pode estar relacionado ao fato de queapesar do processo Scrum não recomendar o uso de ferramentas de TI, pode-se verificar queatualmente diversas empresas utilizam tais ferramentas, com os seguintes objetivos: o Facilitar o gerenciamento do projeto através da automatização dos Backlogs ou o Aproximar membros de times geograficamente separados, através de ferramentas de colaboração. De uma maneira geral, as diferenças encontradas no Ba de Criação, no Ba Virtual e noBa de Treinamento podem se dar devido a inúmeros fatores, dentre eles, a quantidadereduzida de entrevistados e o grau de maturidade das equipes que os entrevistados fazemparte. Além da questão da maturidade das equipes, o papel de cada entrevistado também é umfator importante a ser considerado, pois possuindo papéis diferentes e níveis de experiênciadiferentes, os seus pontos de vista com relação às condições propícias à criação doconhecimento podem divergir. É de fundamental importância também a maneira como o Scrum foi implementado nasempresas nas quais os entrevistados fazem parte. Uma implementação com maior ou menorgrau de adequadação pode influenciar diretamente as condições de geração do conhecimento.Vale ressaltar que a implementação pode se dar de maneira diferente para cada empresa, deacordo com sua cultura e valores (COHN, 2010).8. Considerações Finais O conhecimento e, consequentemente, a conversão e criação do conhecimento,tornam-se essenciais para que as organizações consigam adquirir vantagens competitivas.Para que isso ocorra, a implementação do Ba torna-se essencial. Este artigo se propôs a discutir o Ba e o processo de conversão do conhecimento emequipes de projetos Scrum, pela análise do Guia Oficial do Scrum e por meio da realização deentrevistas. Por meio da análise do Guia e das entrevistas, foi possível detectar práticasrelacionadas aos quatro tipos de Ba durante o processo Scrum. Através da análise e discussão dos resultados encontrados, verifica-se que váriosfatores podem ter influenciado as diferenças encontradas nas duas fontes de pesquisa doestudo. Não obstante tais fatores, pode-se concluir que o processo Scrum per se auxilia, demaneira geral, atividades propícias para a criação/aperfeiçoamento de ambientes favoráveisaos processos de conversão do conhecimento, desde que implantado corretamente, ou seja,com boa preparação para suas cerimônias e metas claras para o atingimento da maturidadedos responsáveis pelos papéis descritos pelo processo Scrum. Pode-se sugerir para trabalhos futuros, a realização de um estudo de caso, realizadoem projetos que utilizam o framework Scrum. O estudo de caso poderia demonstrar como oBa e seus quatro tipos acontecem na prática e como estes poderiam contribuir para a criaçãodo conhecimento dentro da equipe de projeto. Além disso, com base no que foi descrito, umaanálise do ambiente atual nos quais os projetos no Brasil são realizados pode ser feita, com ointuito de delinear quais medidas uma organização pode tomar de forma a fomentar a criaçãodo conhecimento em projetos Scrum. 14
  • 15. XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Gestão de projetos e Engenharia de produção Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2010ReferênciasCOHN, M.. Succeeding with Agile: Software Development Using Scrum. Editora Addison Wesley, 2010.NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. The New New Product Development Game. Harvard Business Review, 1986.NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram adinâmica da inovação. 14. ed. Rio de Janeiro: editora Campus, 1997.NONAKA, I.; KONNO, N.. The Concept of “Ba”: Building a Foundation for Knowledge Creation. CaliforniaManagement Review, Vol. 40 No.3, pp.40-54, 1998.RORIZ FILHO, H.. Ba and Knowledge Creation in Scrum. ScrumAlliance, Brasil, 2010. Disponível em<http://www.scrumalliance.com>, acesso em janeiro de 2010.SCHWABER, K. et al.. Agile Software Development with Scrum. Editora Prentice Hall, 2007.SCHWABER, K. The Enterprise and Scrum. Editora Microsoft Press, 2007.SCHWABER, K.. Guia Oficial do Scrum. ScrumAlliance, tradução, 2009. Disponível em<http://www.scrumalliance.com>, acesso em janeiro de 2010.SILVA, M. A. C.; SANTOS, J. L. C.. Análise da gestão do conhecimento no INPA baseada em práticasgerenciais. DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 9, n.4, 2008.STEWART, T.. Capital Intelectual: a nova vantagem competitiva das empresas. Rio de Janeiro, EditoraCampus, 1998.SUTHERLAND, J.. A Brief Introduction to Scrum. Editora Prentice Hall, 2006.SUTHERLAND, J. et al.. Shock Therapy: A Bootstrap for a Hyper-Productive Scrum. In Agile 2009, Chicago,2009. 15

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