Revolução..,

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Revolução..,

  1. 1. A Revolução Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto noprocesso produtivo em nível econômico e social. Iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX.Ao longo do processo (que de acordo com alguns autores se registra até aos nossos dias), a era da agriculturafoi superada, a máquina foi superando o trabalho humano, uma nova relação entre capital e trabalho se impôs,novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa, entre outros eventos.Essa transformação foi possível devido a uma combinação de fatores, como o liberalismo econômico, aacumulação de capital e uma série de invenções, tais como o motor a vapor. O capitalismo tornou-se o sistemaeconômico vigente.Contexto históricoAntes da Revolução Industrial, a atividade produtiva era artesanal e manual (daí o termo manufatura), nomáximo com o emprego de algumas máquinas simples. Dependendo da escala, grupos de artesãos podiam seorganizar e dividir algumas etapas do processo, mas muitas vezes um mesmo artesão cuidava de todo oprocesso, desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. Esses trabalhos eramrealizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os profissionais da época dominavam muitas (se nãotodas) etapas do processo produtivo.Com a Revolução Industrial os trabalhadores perderam o controle do processo produtivo, uma vez quepassaram a trabalhar para um patrão (na qualidade de empregados ou operários), perdendo a posse da matéria-prima, do produto final e do lucro. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam aosdonos dos meios de produção os quais passaram a receber todos os lucros. O trabalho realizado com asmáquinas ficou conhecido por maquinofatura.Esse momento de passagem marca o ponto culminante de uma evolução tecnológica, econômica e social quevinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média, com ênfase nos países onde a Reforma Protestantetinha conseguido destronar a influência da Igreja Católica: Inglaterra, Escócia, Países Baixos, Suécia. Nospaíses fiéis ao catolicismo, a Revolução Industrial eclodiu, em geral, mais tarde, e num esforço declarado decopiar aquilo que se fazia nos países mais avançados tecnologicamente: os países protestantes.De acordo com a teoria de Karl Marx, a Revolução Industrial, iniciada na Grã-Bretanha, integrou o conjuntodas chamadas Revoluções Burguesas do século XVIII, responsáveis pela crise do Antigo Regime, na passagemdo capitalismo comercial para o industrial. Os outros dois movimentos que a acompanham são a Independênciados Estados Unidos e a Revolução Francesa que, sob influência dos princípios iluministas, assinalam atransição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Para Marx, o capitalismo seria um produto daRevolução Industrial e não sua causa.Com a evolução do processo, no plano das Relações Internacionais, o século XIX foi marcado pela hegemoniamundial britânica, um período de acelerado progresso econômico-tecnológico, de expansão colonialista e dasprimeiras lutas e conquistas dos trabalhadores. Durante a maior parte do período, o trono britânico foi ocupadopela rainha Vitória (1837-1901), razão pela qual é denominado como Era Vitoriana. Ao final do período, abusca por novas áreas para colonizar e descarregar os produtos maciçamente produzidos pela RevoluçãoIndustrial produziu uma acirrada disputa entre as potências industrializadas, causando diversos conflitos e umcrescente espírito armamentista que culminou, mais tarde, na eclosão, da Primeira Guerra Mundial (1914).
  2. 2. A Revolução Industrial ocorreu primeiramente na Europa devido a três fatores: 1) os comerciantes e osmercadores europeus eram vistos como os principais manufaturadores e comerciantes do mundo, detendo aindaa confiança e reciprocidade dos governantes quanto à manutenção da economia em seus estados; 2) a existênciade um mercado em expansão para seus produtos, tendo a Índia, a África, a América do Norte e a América doSul sido integradas ao esquema da expansão econômica européia; e 3) o contínuo crescimento de suapopulação, que oferecia um mercado sempre crescente de bens manufaturados, além de uma reserva adequada(e posteriormente excedente) de mão-de-obra. [1]O pioneirismo do Reino UnidoO Reino Unido foi pioneiro no processo da Revolução Industrial por diversos fatores: • Pela aplicação de uma política econômica liberal desde meados do século XVIII. Antes da liberalização econômica, as atividades industriais e comerciais estavam cartelizadas pelo rígido sistema de guildas, razão pela qual a entrada de novos competidores e a inovação tecnológica eram muito limitados. Com a liberalização da indústria e do comércio ocorreu um enorme progresso tecnológico e um grande aumento da produtividade em um curto espaço de tempo. • O processo de enriquecimento britânico adquiriu maior impulso após a Revolução Inglesa, que forneceu ao seu capitalismo a estabilidade que faltava para expandir os investimentos e ampliar os lucros. • A Grã-Bretanha firmou vários acordos comerciais vantajosos com outros países. Um desses acordos foi o Tratado de Methuen, celebrado com a decadência da monarquia absoluta portuguesa, em 1703, por meio do qual conseguiu taxas preferenciais para os seus produtos no mercado português. • A Grã-Bretanha possuía grandes reservas de ferro e de carvão mineral em seu subsolo, principais matérias-primas utilizadas neste período. Dispunham de mão-de-obra em abundância desde a Lei dos Cercamentos de Terras, que provocou o êxodo rural. Os trabalhadores dirigiram-se para os centros urbanos em busca de trabalho nas manufaturas. • A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, adquirir matérias-primas e máquinas e contratar empregados.Para ilustrar a relativa abundância do capital que existia na Inglaterra, pode se constatar que a taxa de juros nofinal do século XVIII era de cerca de 5% ao ano; já na China, onde praticamente não existia progressoeconômico, a taxa de juros era de cerca de 30% ao ano.O liberalismo de Adam SmithAs novidades da Revolução Industrial trouxeram muitas dúvidas. O pensador escocês Adam Smith procurouresponder racionalmente às perguntas da época. Seu livro A Riqueza das Nações (1776) é considerado uma dasobras fundadoras da ciência econômica. Ele dizia que o individualismo é útil para a sociedade. Seu raciocínioera este: quando uma pessoa busca o melhor para si, toda a sociedade é beneficiada. Exemplo: quando umacozinheira prepara uma deliciosa carne assada, você saberia explicar quais os motivos dela? Será porque ama oseu patrão e quer vê-lo feliz ou porque está pensando, em primeiro lugar, nela mesma ou no pagamento quereceberá no final do mês? De qualquer maneira, se a cozinheira pensa no salário dela, seu individualismo serábenéfico para ela e para seu patrão. E por que um açougueiro vende uma carne muito boa para uma pessoa quenunca viu antes? Porque deseja que ela se alimente bem ou porque está olhando para o lucro que terá comfuturas vendas? Graças ao individualismo dele o freguês pode comprar boa carne. Do mesmo jeito, ostrabalhadores pensam neles mesmos. Trabalham bem para poder garantir seu salário e emprego.Portanto, é correto afirmar que os capitalistas só pensam em seus lucros. Mas, para lucrar, têm que venderprodutos bons e baratos. O que, no fim, é ótimo para a sociedade.Então, já que o individualismo é bom para toda a sociedade, o ideal seria que as pessoas pudessem atenderlivremente a seus interesses individuais. E, para Adam Smith, o Estado é quem atrapalhava a liberdade dosindivíduos. Para o autor escocês, "o Estado deveria intervir o mínimo possível sobre a economia". Se as forças
  3. 3. do mercado agissem livremente, a economia poderia crescer com vigor. Desse modo, cada empresário faria oque bem entendesse com seu capital, sem ter de obedecer a nenhum regulamento criado pelo governo.Os investimentos e o comércio seriam totalmente liberados. Sem a intervenção do Estado, o mercadofuncionaria automaticamente, como se houvesse uma "mão invisível" ajeitando tudo. Ou seja, o capitalismo e aliberdade individual promoveria o progresso de forma harmoniosa.Principais avanços tecnológicosSéculo XVII • 1698 - Thomas Newcomen, em Staffordshire, na Grã-Bretanha, instala um motor a vapor para esgotar água em uma mina de carvão.Século XVIII • 1708 - Jethro Tull (agricultor), em Berkshire, na Grã-Bretanha, inventa a primeira máquina de semear puxada a cavalo, permitindo a mecanização da agricultura. • 1709 - Abraham Darby, em Coalbrookdale, Shropshire, na Grã-Bretanha, utiliza o carvão para baratear a produção do ferro. • 1733 - John Kay, na Grã-Bretanha, inventa uma lançadeira volante para o tear, acelerando o processo de tecelagem. • 1740 - Benjamin Huntsman, em Handsworth, na Grã-Bretanha, descobre a técnica do uso de cadinho para fabricação de aço. • 1761 - Abertura do Canal de Bridgewater, na Grã-Bretanha, primeira via aquática inteiramente artificial. • 1764 - James Hargreaves, na Grã-Bretanha, inventa a fiadora "spinning Jenny", uma máquina de fiar rotativa que permitia a um único artesão fiar oito fios de uma só vez[2]. • 1765 - James Watt, na Grã-Bretanha, introduz o condensador na máquina de Newcomen, componente que aumenta consideravelmente a eficiência do motor a vapor. • 1768 - Richard Arkwright, na Grã-Bretanha, inventa a "spinning-frame", uma máquina de fiar mais avançada que a "spinning jenny". • 1771 - Richard Arkwright, em Cromford, Derbyshire, na Grã-Bretanha, introduz o sistema fabril em sua tecelagem ao acionar a sua máquina - agora conhecida como "water-frame" - com a força de torrente de água nas pás de uma roda. • 1776 - 1779 - John Wilkinson e Abraham Darby, em Ironbridge, Shrobsihire, na Grã-Bretanha, constroem a primeira ponte em ferro fundido. • 1779 - Samuel Crompton, na Grã-Bretanha, inventa a "spinning mule", combinação da "water frame" com a "spinning jenny", permitindo produzir fios mais finos e resistentes. A mule era capaz de fabricar tanto tecido quanto duzentos trabalhadores, apenas utilizando alguns deles como mão-de-obra. • 1780 - Edmund Cartwright, de Leicestershire, na Grã-Bretanha, patenteia o primeiro tear a vapor. • 1793 - Eli Whitney, na Geórgia, Estados Unidos da América, inventa o descaroçador de algodão. • 1800 - Alessandro Volta, na Itália, inventa a bateria elétrica.Século XIX • 1803 - Robert Fulton desenvolveu uma embarcação a vapor na Grã-Bretanha. • 1807 - A iluminacão de rua, a gás, foi instalada em Pall Mall, Londres, na Grã-Bretanha. • 1808 - Richard Trevithick expôs a "London Steam Carriage", um modelo de locomotiva a vapor, em Londres, na Grã-Bretanha. • 1825 - George Stephenson concluiu uma locomotiva a vapor, e inaugura a primeira ferrovia, entre Darlington e Stockton-on-Tees, na Grã-Bretanha. • 1829 - George Stephenson venceu uma corrida de velocidade com a locomotiva "Rocket", na linha Liverpool - Manchester, na Grã-Bretanha. • 1830 - A Bélgica e a França iniciaram as respectivas industrializações utilizando como matéria-prima o ferro e como força-motriz o motor a vapor.
  4. 4. • 1843 - Cyrus Hall McCormick patenteou a segadora mecânica, nos Estados Unidos da América. • 1844 - Samuel Morse inaugurou a primeira linha de telégrafo, de Washington a Baltimore, nos Estados Unidos da América. • 1856 - Henry Bessemer patenteia um novo processo de produção de aço que aumenta a sua resistência e permite a sua produção em escala verdadeiramente industrial. • 1865 - O primeiro cabo telegráfico submarino é estendido através do leito do oceano Atlântico, entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América. • 1869 - A abertura do Canal de Suez reduziu a viagem marítima entre a Europa e a Ásia para apenas seis semanas. • 1876 - Alexander Graham Bell inventou o telefone nos Estados Unidos da América (em 2002 o congresso norte-americano reconheceu postumamente o italiano Antonio Meucci como legítimo invetor do telefone) • 1877 - Thomas Alva Edison inventou o fonógrafo nos Estados Unidos da América. • 1879 - A iluminação elétrica foi inaugurada em Mento Park, New Jersey, nos Estados Unidos da América. • 1885 - Gottlieb Daimler inventou um motor a explosão. • 1895 - Guglielmo Marconi inventou a radiotelegrafia na Itália.O motor a vaporAs primeiras máquinas a vapor foram construídas na Inglaterra durante o século XVIII. Retiravam a águaacumulada nas minas de ferro e de carvão e fabricavam tecidos. Graças a essas máquinas, a produção demercadorias aumentou muito. E os lucros dos burgueses donos de fábricas cresceram na mesma proporção. Porisso, os empresários ingleses começaram a investir na instalação de indústrias.As fábricas se espalharam rapidamente pela Inglaterra e provocaram mudanças tão profundas que oshistoriadores atuais chamam aquele período de Revolução Industrial. O modo de vida e a mentalidade demilhões de pessoas se transformaram, numa velocidade espantosa. O mundo novo do capitalismo, da cidade, datecnologia e da mudança incessante triunfou.As máquinas a vapor bombeavam a água para fora das minas de carvão. Eram tão importantes quanto asmáquinas que produziam tecidos.As carruagens viajavam a 12 km/h e os cavalos, quando se cansavam, tinham de ser trocados durante opercurso. Um trem da época alcançava 45 km/h e podia seguir centenas de quilômetros. Assim, a RevoluçãoIndustrial tornou o mundo mais veloz. Como essas máquinas substituiam a força dos cavalos, convencionou-seem medir a potência desses motores em HP (do inglês horse power ou cavalo-força).A classe trabalhadoraA produção manual que antecede à Revolução Industrial conheceu duas etapas bem definidas, dentro doprocesso de desenvolvimento do capitalismo: • O artesanato foi a forma de produção industrial característica da Baixa Idade Média, durante o renascimento urbano e comercial, sendo representado por uma produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão) possuía os meios de produção (era o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalhava com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final; ou seja não havia divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante, porém não assalariado, pois realizava o mesmo trabalho pagando uma “taxa” pela utilização das ferramentas. o É importante lembrar que nesse período a produção artesanal estava sob controle das corporações de ofício, assim como o comércio também se encontrava sob controle de associações, limitando o desenvolvimento da produção. • A manufatura, que predominou ao longo da Idade Moderna e na Antiguidade Clássica, resultou da ampliação do mercado consumidor com o desenvolvimento do comércio monetário. Nesse momento, já
  5. 5. ocorre um aumento na produtividade do trabalho, devido à divisão social da produção, onde cada trabalhador realizava uma etapa na confecção de um único produto. • A ampliação do mercado consumidor relaciona-se diretamente ao alargamento do comércio, tanto em direção ao oriente como em direção à América. Outra característica desse período foi a interferência do capitalista no processo produtivo, passando a comprar a matéria-prima e a determinar o ritmo de produção.A partir da máquina, fala-se numa primeira, numa segunda e até terceira e quarta Revoluções Industriais.Porém, se concebermos a industrialização como um processo, seria mais coerente falar-se num primeiromomento (energia a vapor no século XVIII), num segundo momento (energia elétrica no século XIX) e numterceiro e quarto momentos, representados respectivamente pela energia nuclear e pelo avanço da informática,da robótica e do setor de comunicações ao longo dos séculos XX e XXI (aspectos, porém, ainda discutíveis).Na esfera social, o principal desdobramento da revolução foi a transformação nas condições de vida nos paísesindustriais em relação aos outros países da época, havendo uma mudança progressiva das necessidades deconsumo da população conforme novas mercadorias foram sendo produzidas.A Revolução Industrial alterou profundamente as condições de vida do trabalhador braçal, provocandoinicialmente um intenso deslocamento da população rural para as cidades. Criando enormes concentraçõesurbanas; a população de Londres cresceu de 800 000 habitantes em 1780 para mais de 5 milhões em 1880, porexemplo. Durante o início da Revolução Industrial, os operários viviam em condições horríveis se comparadasàs condições dos trabalhadores do século seguinte. Muitos dos trabalhadores tinham um cortiço como moradia eficavam submetidos a jornadas de trabalho que chegavam até a 80 horas por semana. O salário era medíocre(em torno de 2.5 vezes o nível de subsistência) e tanto mulheres como crianças também trabalhavam, recebendoum salário ainda menor.A produção em larga escala e dividida em etapas iria distanciar cada vez mais o trabalhador do produto final, jáque cada grupo de trabalhadores passava a dominar apenas uma etapa da produção, mas sua produtividadeficava maior. Como sua produtividade aumentava os salários reais dos trabalhadores ingleses aumentaram emmais de 300% entre 1800 até 1870. Devido ao progresso ocorrido nos primeiros 90 anos de industrialização, em1860 a jornada de trabalho na Inglaterra já se reduzia para cerca de 50 horas semanais (10 horas diárias emcinco dias de trabalho por semana).Horas de trabalho por semana para trabalhadores adultos nas indústrias têxteis: • 1780 - em torno de 80 horas por semana • 1820 - 67 horas por semana • 1860 - 53 horas por semana • 2007 - 46 horas por semanaSegundo os socialistas, o salário, medido a partir do que é necessário para que o trabalhador sobreviva (deve sernotado de que não existe definição exata para qual seja o "nível mínimo de subsistência"), cresceu à medida queos trabalhadores pressionam os seus patrões para tal, ou seja, se o salário e as condições de vida melhoraramcom o tempo, foi graças à organização e aos movimentos organizados pelos trabalhadores, que apesar de teremsuas exigências atendidas, continuam a se organizar e protestar por ainda mais reduções da jornada de trabalhoem todo o mundo.MovimentosAlguns trabalhadores, indignados com sua situação, reagiam das mais diferentes formas, das quais se destacam:Movimento Ludista (1811-1812)Reclamações contra as máquinas inventadas após a revolução para poupar a mão-de-obra já eram normais. Masfoi em 1811 que o estopim estourou e surgiu o movimento ludista, uma forma mais radical de protesto. O nomederiva de Ned Ludd, um dos líderes do movimento. Os luditas chamaram muita atenção pelos seus atos.
  6. 6. Invadiram fábricas e destruíram máquinas, que, segundo os luditas, por serem mais eficientes que os homens,tiravam seus trabalhos, requerendo, contudo, duras horas de jornada de trabalho.Os manifestantes sofreram uma violenta repressão, foram condenados à prisão, à deportação e até à forca. Osluditas ficaram lembrados como "os quebradores de máquinas".Anos depois os operários ingleses mais experientes adotaram métodos mais eficientes de luta, como a greve e omovimento sindical.Movimento Cartista (1837-1848)Em seqüência veio o movimento "cartista", organizado pela "Associação dos Operários", que exigia melhorescondições de trabalho como: • particularmente a limitação de oito horas para a jornada de trabalho • a regulamentação do trabalho feminino • a extinção do trabalho infantil • a folga semanal • o salário mínimoEste movimento lutou ainda pelos direitos políticos, como o estabelecimento do sufrágio universal (apenas paraos homens, nesta época) e extinção da exigência de propriedade para se integrar ao parlamento e o fim do votocensitário. Esse movimento se destacou por sua organização, e por sua forma de atuação, chegando a conquistardiversos direitos políticos para os trabalhadores.As "trade-unions"Os empregados das fábricas também formaram associações denominadas trade unions, que tiveram umaevolução lenta em suas reivindicações. Na segunda metade do século XIX, as trade unions evoluíram para ossindicatos, forma de organização dos trabalhadores com um considerável nível de ideologização e organização,pois o século XIX foi um período muito fértil na produção de idéias antiliberais que serviram à luta da classeoperária, seja para obtenção de conquistas na relação com o capitalismo, seja na organização do movimentorevolucionário cuja meta era construir o socialismo objetivando o comunismo. O mais eficiente e principalinstrumento de luta das trade unions era a greve.Saúde e bem-estar econômicoEstudos sobre as variações na altura média dos homens no norte da Europa, sugerem que o progressoeconômico gerado pela industrialização demorou varias décadas até beneficiar a população como um todo. Elesindicam que, em média, os homens do norte europeu durante o início da Revolução Industrial eram 7,6centímetros mais baixos que os que viveram 700 anos antes, na Alta Idade Média. É estranho que a alturamédia dos ingleses tenha caído continuamente durante os anos de 1100 até o início da revolução industrial em1780, quando a altura média começou a subir. Foi apenas no início do século XX que essas populaçõesvoltaram a ter altura semelhante às registradas entre os séculos IX e XI[3]. A variação da altura média de umapopulação ao longo do tempo é considerada um indicador de saúde e bem-estar econômico.A industrialização na Europa: a partir de 1815Até 1850, a Inglaterra continuou dominando o primeiro lugar entre os países industrializados. Embora outrospaíses já contassem com fábricas e equipamentos modernos, esses eram considerados uma "miniatura deInglaterra", como por exemplo os vales de Ruhr e Wupper na Alemanha, que eram bem desenvolvidos, porémnão possuíam a tecnologia das fábricas inglesas.Na Europa, os maiores centros de desenvolvimento industrial, na época, eram as regiões mineradoras de carvão;lugares como o norte da França, nos vales do Rio Sambre e Meuse, na Alemanha, no vale de Ruhr, e tambémem algumas regiões da Bélgica. A Alemanha nessa época ainda não havia sido unificada. Eram 39 pequenos
  7. 7. reinos e dentre esses a Prússia, que liderava a Revolução Industrial. A Alemanha se unificou em 1871, quando aPrússia venceu a Guerra Franco-Prussiana.Fora estes lugares, a industrialização ficou presa: • às principais cidades, como Paris e Berlim; • aos centro de interligação viária, como Lyon, Colônia, Frankfurt, Cracóvia e Varsóvia; • aos principais portos, como Hamburgo, Bremen, Roterdã, Le Havre, Marselha; • a polos têxteis, como Lille, Região do Ruhr, Roubaix, Barmen-Elberfeld (Wuppertal), Chemmitz, Lodz e Moscou; • e a distritos siderurgicos e indústria pesada, na bacia do rio Loire, do Sarre, e da Silésia.De 1830 a 1929 : A Expansão pelo mundoApós 1830, a produção industrial se descentralizou da Inglaterra e se expandiu rapidamente pelo mundo,principalmente para o noroeste europeu, e para o leste dos Estados Unidos da América. Porém, cada país sedesenvolveu em um ritmo diferente baseado nas condições econômicas, sociais e culturais de cada lugar.Na Alemanha com o resultado da Guerra Franco-prussiana em 1870, houve a Unificação Alemã que, lideradapor Bismarck, impulsionou a Revolução Industrial no país que já estava ocorrendo desde 1815. Foi a partirdessa época que a produção de ferro fundido começou a aumentar de forma exponencial.Na Itália a unificação política realizada em 1870, à semelhança do que ocorreu na Alemanha, impulsionou,mesmo que atrasada, a industrialização do país. Essa só atingiu ao norte da Itália, pois o sul continuoubasicamente agrário.Muito mais tarde, começou a industrialização na Rússia, nas últimas décadas do século XIX. Os principaisfatores para que ela acontecesse foram a grande disponibilidade de mão-de-obra, intervenção governamental naeconomia através de subsídios e investimentos estrangeiros à indústria.Nos Estados Unidos a industrialização começou no final do século XVIII, e foi somente após a Guerra daSecessão que todo o país se tornou industrializado. A industrialização relativamente tardia dos EUA em relaçãoà Inglaterra pode ser explicada pelo fato de que nos EUA existia muita terra per capita, já na Inglaterra existiapouca terra per capita, assim os EUA tinham uma vantagem comparativa na agricultura em relação à Inglaterrae consequentemente demorou bastante tempo para que a indústria ficasse mais importante que a agricultura.Outro fator é que os Estados do sul eram escravagistas o que retardava a acumulação de capital, como tinhammuita terra eram essencialmente agrários, impedindo a total industrialização do país que até a segunda metadedo século XIX era constituído só pelos Estados da faixa leste do atual Estados Unidos.O término do conflito resultou na abolição da escravatura o que elevou a produtividade da mão de obra.aumentando assim a velocidade de acumulação de capital, e também muitas riquezas naturais foramencontradas no período incentivando a industrialização.A modernização do Japão data do início da era Meiji, em 1867, quando a superação do feudalismo unificou opaís. A propriedade privada foi estabelecida. A autoridade política foi centralizada possibilitando a intervençãoestatal do governo central na economia, o que resultou no subsidio a indústria. E como a mão-de-obra ficoulivre dos senhores feudais, ocorreu assimilação da tecnologia ocidental e o Japão passou de um dos países maisatrasados do mundo a um país industrializado.As consequências da Revolução IndustrialA partir da Revolução Industrial o volume de produção aumentou extraordinariamente: a produção de bensdeixou de ser artesanal e passou a ser maquinofaturada; as populações passaram a ter acesso a bensindustrializados e deslocaram-se para os centros urbanos em busca de trabalho. As fábricas passaram aconcentrar centenas de trabalhadores, que vendiam a sua força de trabalho em troca de um salário.
  8. 8. Outra das consequências da Revolução Industrial foi o rápido crescimento econômico. Antes dela, o progresso econômico era sempre lento (levavam séculos para que a renda per capita aumentassesensivelmente), e após, a renda per capita e a população começaram a crescer de forma acelerada nunca antesvista na história. Por exemplo, entre 1500 e 1780 a população da Inglaterra aumentou de 3,5 milhões para 8,5,já entre 1780 e 1880 ela saltou para 36 milhões, devido à drástica redução da mortalidade infantil.A Revolução Industrial alterou completamente a maneira de viver das populações dos países que seindustrializaram. As cidades atraíram os camponeses e artesãos, e se tornaram cada vez maiores e maisimportantes.Na Inglaterra, por volta de 1850, pela primeira vez em um grande país, havia mais pessoas vivendo em cidadesdo que no campo. Nas cidades, as pessoas mais pobres se aglomeravam em subúrbios de casas velhas edesconfortáveis, se comparadas com as habitações dos países industrializados hoje em dia. Mas representavamuma grande melhoria se comparadas as condições de vida dos camponeses, que viviam em choupanas de palha.Conviviam com a falta de água encanada, com os ratos, o esgoto formando riachos nas ruas esburacadas.O trabalho do operário era muito diferente do trabalho do camponês: tarefas monótonas e repetitivas. A vida nacidade moderna significava mudanças incessantes. A cada instante, surgiam novas máquinas, novos produtos,novos gostos, novas modas.As doutrinas sociais e econômicasEssas doutrinas coincidiam em alguns pontos fundamentais: eram contrárias ao liberalismo dos economistas doséculo XVIII e ao capitalismo, e favoráveis ao restabelecimento da "soberania" do trabalho. Vejamos algumasdessas doutrinas:Socialismo utópicoO socialismo utópico concebia a organização de uma sociedade de caráter ideal. Contudo, esperava que arealização concreta dessa sociedade se desse através de concessões dos governantes ou dos capitalistas. Seusprincipais representantes foram Robert Owen (1771-1858, rico industrial inglês, Saint-Simon (1760-1825) eCharles Fourier (1772-1837), ambos franceses.Socialismo científicoO socialismo científico tem por fundamento a interpretação econômica da História e pregava o triunfo final dostrabalhadores através da própria luta do proletariado. Seus representantes foram Karl Marx (1818-1883),advogado alemão de origem judaica, e Friedrich Engels (1820-1895), compatriota e colaborador de Marx. Osocialismo científico pode também ser chamado de revolução social do marxismo.Socialismo cristãoA Igreja, diante dos problemas sociais, sobretudo os da classe operária, preconizou reformas em bases cristãs.Combateu a violência e a revolução social do marxismo. Entre os principais documentos que contêm osprincípios da doutrina social da Igreja está a Rerum Novarum, encíclica do papa Leão XIII, prumulgada em1891. O quadrgésimo ano da Rerum Novarum foi comemorado com a publicação da encíclica QuadragesimoAnno (1931) do papa Pio XI. Do papa João XXIII temos: Pacem in Terris e Mater et Magistra. O papa PauloVI é o autor de Populorum Progressio e Humanae Vitae, esta última sobre o controle da natalidade.A industrialização no BrasilO Brasil, como uma antiga colônia de uma nação europeia, faz parte de um grupo de países de industrializaçãotardia.
  9. 9. A industrialização em PortugalEm Portugal, as reformas de Mouzinho da Silveira liquidam os resquícios das estruturas feudais e consolidam aburguesia no poder, modernizando o país. Na segunda metade do século XIX implanta-se a malha ferroviáriano país em paralelo a um desenvolvimento industrial e do comércio, à dinâmica do colonialismo, e a umagrande emigração, principalmente em direcção ao Brasil e aos Estados Unidos da América.

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