O impacto da crise econômica mundial no setor automotivo: estudo de caso na General Motors
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O impacto da crise econômica mundial no setor automotivo: estudo de caso na General Motors O impacto da crise econômica mundial no setor automotivo: estudo de caso na General Motors Document Transcript

  • 1 O IMPACTO DA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL NO SETOR AUTOMOTIVO: ESTUDO DE CASO NA GENERAL MOTORS Mário Januário Filho (USP) m.januariofilho@gmail.com Rodrigo Ferrassa (USP) rodrigo.ferrassa@gmail.com Luciane Meneguin Ortega (USP) luciane.ortega@uol.com.brResumo: A maneira como a política econômica global é estruturada e conduzida émotivo de debates intensos, já que vivemos em um mundo globalizado, onde açõesde um só país podem afetar o mundo todo (PEREIRA & MENEZES, 2008). Os EUAparecem ter esquecido os fundamentos da economia capitalista de Adan Smith(BONATTO, 2009) e como o próprio já previa em A Riqueza das Nações (1776) osEUA e o mundo mergulharam em uma grave crise econômica. O presente trabalhovisa discutir a atual crise econômica mundial, focando o setor automotivo,apresentar as ações do governo Brasileiro para reduzir seus impactos no país eanalisar as políticas e estratégias que a General Motors (GM) tomou ou poderia tertomado para enfrentar esse cenário. Este artigo é desenvolvido através depesquisas bibliográficas sobre os conceitos envolvidos e o histórico da atual crise,bem como o estudo do objeto apresentando as políticas adotadas pelos líderesestratégicos da GM. O resultado esperado é que o trabalho possa contribuir para aexpansão do conhecimento do tema abordado.
  • 21. Introdução1.1 A crise economia mundial – Histórico Não é de hoje que se fala em crise nos Estados Unidos. O mercadohipotecário subprime nos EUA foi o estopim da turbulência financeira global(ESTADÃO, 2008). O crédito farto e fácil, somado a um aumento da taxa de jurosagravou a crise financeira norte-americana e levou a sua ampliação a outras partesdo mundo, mostrando os limites de um processo que foi determinado pelafinanceirização da economia (MATTOSO, 2008). Com o aumento da inadimplência,os bancos norte-americanos passaram a ter políticas mais conservadoras para ofornecimento de crédito, retraindo o mercado imobiliário que sofreu forte quedaapartir de 2005, conforme gráfico 01. GRÁFICO 1: Venda de novas casas nos EUA. Fonte: BRIEFING (2009) Com as reservas dos bancos se esgotando, as empresas de hipotecacomeçaram a quebrar. O aumento da oferta derrubou o valor dos imóveis, o quedificultou o refinanciamento dos inadimplentes, desaquecendo a economia.
  • 31.2 A crise do setor automotivo americano – Histórico A crise econômica mundial desencadeou um cenário inevitável para o setorautomotivo norte-americano. Não é de hoje, não apenas por causa da crise, que asmontadoras Americanas estão em estado falimentar. Durante a década de 90, a indústria automotiva dos Estados Unidos viveu umdos momentos mais promissores de sua existência. O baixo preço do petróleo e oconsumismo de carros grandes, notórios pelo alto consumo de combustível, levaramas três gigantes GM, Ford e Chrysler a baterem recordes de vendas e acumularemreservas que até então pareciam inesgotáveis. Já em 2001 após os atentadosterroristas aos EUA, se inicia uma escalada dos preços do petróleo. A indústriaautomotiva Americana começa a perder mercado para as concorrentes japonesas,que já ofereciam carros mais baratos e que consumiam menos. Em 2007, pela primeira vez na história, uma montadora estrangeira vendemais automóveis no mercado americano do que uma montadora local. Entre janeiroe março, a empresa japonesa Toyota comercializa 2,35 milhões de veículos (VEJA,2008), ultrapassando a até então líder GM. Já não bastasse o momento delicado, ainda veio o efeito de uma retraçãoprofunda nas vendas de veículos nos EUA provocado pela crise do setor financeiro.As montadoras americanas entraram em estado de alerta, quando as empresasdivulgaram seus balanços trimestrais. A Ford perdeu US$ 3 bilhões e queimou US$7,7 bilhões de suas escassas reservas. Já a GM teve prejuízo de US$ 4,2 bilhões esuas operações consumiram US$ 7 bilhões do caixa. A ex-maior montadora domundo continuou a enfrentar forte depreciação do valor de suas ações, chegando aníveis mais baixos desde 1946 (LUCENA, 2008). Em 2009 a GM sofreu uma queda de 52,9% na vendas, com apenas 127.296unidades no país contra 270.423 unidades um ano antes. A Ford por sua vez, obte-ve uma queda de 48,4% com relação a fevereiro de 2008, ao entregar no mês 99,4mil veículos. A Chrysler também registrou uma queda em suas vendas nos EUA, de44%. Foram negociadas 84.050 unidades, contra 150.093 veículos um ano antes.Mesmo a concorrente Japonesa Toyota que ameaça a hegemonia das grandesamericanas, sofreu uma queda de 37,3% em fevereiro de 2009 de vendas nos Esta-dos Unidos, com a entrega de 109.583 veículos (TERRA, 2009), conforme Gráfico 2.
  • 4 GRÁFICO 2: Venda de carros nos EUA. Fonte: VERMELHO.ORG (2009)1.3 Justificativa A justificativa deste projeto se dá devido a importância do setor automotivopara a economia capitalista, a qual vem passando por um período turbulento. Devidoao caráter singular da atual crise econômica, torna-se relevante a execução desteestudo de caso de uma coorporação globalizada, que foi seriamente afetada. Assim,faz-se necessário, para uma melhor compreensão sobre o assunto, apresentar quaisestratégias a GM deveria ter tomado, preparando-se de forma mais adequada para ocenário atual.1.4 Objetivo Geral Estudar os impactos da crise econômica mundial na economia brasileira eanalizar as ações do governo brasileiro para reduzir os impactos da crise no setorautomotivo.1.5 Objetivos Específicos  Estudar o setor automotivo perante o cenário econômico atual;
  • 5  Analisar estratégias da General Motors frente a crise econômica;  Apresentar estratégias que a GM poderia ter tomado para enfrentar a crise.2. Fundamentação Teórica2.1 Impactos da crise na economia brasileira A crise financeira que se instaurou no mercado norte-americano, começandopelo setor imobiliário, teve impactos em nossa economia, não diretamente, pois osbancos brasileiros afirmam não possuir papéis ligados à hipoteca, mas atingediversos setores substancialmente devido à forte contração do crédito. São três os principais meios de transmissão da crise no Brasil: mudançabrusca no patamar do câmbio, menor disponibilidade de crédito internacional eredução da demanda externa pelos produtos brasileiros. Os dois primeiros têmimpacto mais imediato, enquanto o terceiro irá apresentar-se de maneiraprogressiva, à medida que o comércio mundial perca dinamismo. Por tudo isso, énormal que os empresários sejam mais parcimoniosos na análise de novosinvestimentos. (REVISTA NÓS FORA DOS EIXOS, 2009) Estes itens citados anteriormente serão melhor desenvolvidos para o melhorentendimento dos impactos da crise no Brasil. A instabilidade no mercado financeiro e na taxa de câmbio juntamente comuma tendência de queda no preço das ações são elementos que têm impactos sobrea economia real, pois tendem a reduzir a quantidade de investimentos produtivos porpelo menos duas razões. Uma delaas seria maiores barreiras de financiamento dasempresas de capital aberto ou que pretendem abrir seu capital pela dificuldade de secolocar novas ações no mercado com preços atrativos. A outra, um maior ambientede volatilidade cambial eleva o risco de contratos com fornecedores e compradoresexternos, prejudicando investimentos nos setores importadores e exportadores, alémda elevação do risco de financiamento externo, o que tende a reduzir esse tipo deoperação. (OPINIÃO, 2009) No Brasil, é exatamente esse o principal efeito da crise: a dificuldade em seobter dinheiro. Grandes empresas que dependem de financiamento externo passama encontrar menos linhas de créditos disponíveis, afinal, os bancos não sentemconfiança de emprestar em um contexto de crise. Por conseqüência, com a
  • 6dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construçãodessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao país. (FOLHAONLINE, 2009) Também serão afetadas as exportações do país, que devem cair porque ospaíses compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro paracomprar e menos população com capacidade de consumir. (FOLHA ONLINE, 2009) Além disso, a queda no preço das ações provoca um efeito de redução deriqueza dos agentes econômicos (tanto pessoas físicas quanto jurídicas), reduzindoa demanda. Dependendo da magnitude desse efeito, há ainda o risco decomplicações nas relações de débito e crédito na economia, na medida em que sedeterioram os ativos de alguns agentes que formam o passivo de outros. Há aí umgrande potencial de piora da condição econômica desses e de outros agentesdevido ao contágio. (OPINIÃO, 2009) Assim com menos investimentos entrando naconta das grandes empresas elas deixam de realizar seus projetos, deixando assimde contratar pessoas, acentuando ainda mais a crise. Em maio de 2009, 8 em cada 10 empresas se dizem afetadas pela crise. Umapesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 80% dosempresários já adotaram medidas em relação ao quadro de funcionários, 54% delesoptaram por realizar demissões. Além disso, 53% das empresas suspenderamnovas contratações e 32% decretaram férias coletivas. Muitas das 431 empresaspesquisadas assinalaram mais de uma opção nesse quesito. Foram ouvidosempresários de 30 setores industriais em 24 estados do país. Questionados sobrequal deve ser o foco das ações governamentais para contornar os efeitos da crise,63% dos empresários da indústria assinalaram a opção de redução de tributos.Outros 51% marcaram corte de juros e do spread bancário - diferença entre a taxade captação e os juros cobrados nos empréstimos. Em terceiro lugar, com 30%,ficou o aumento da oferta de financiamento para capital de giro. (REVISTA VEJA,2009)2.2 Impactos da crise na economia brasileira no setor automotivo Nos últimos cinco anos, o setor automotivo foi um dos símbolos docrescimento da economia brasileira. Entre 2003 e 2008, venderam-se mais carros noBrasil do que em toda a década de 90. Mas esse setor pujante, que representa 6,5%
  • 7do PIB e emprega 1,5 milhão de pessoas, agora treme sob o impacto da crisefinanceira global. Em dois meses, as montadoras no Brasil viram o faturamento cair15%, tiveram de dar férias a 45.000 funcionários e acumulam 80.000 veículos emseus pátios e concessionárias. Elas cancelaram a produção de 400.000 carros. Asmontadoras, contudo, são apenas um dos elos numa ampla cadeia produtiva. Paracada emprego criado em uma delas, treze vagas são abertas em outras empresas.São ao todo quarenta tipos de negócio, agrupados em seis grandes núcleos. Todossentem o impacto da crise, em maior ou menor grau. (REVISTA VEJA (2), 2009) A indústria automobilística apresenta uma extrema sensibilidade às variaçõesde consumo. Não há nada mais fácil para as famílias ou as empresas do que poster-garem em seis meses, e até mais, a compra de um veículo, uma vez que se trata deuma aquisição pesada para todo e qualquer orçamento. Além disso, a indústria auto-mobilística vem sendo atingida em cheio pela crise do crédito. Nos países desenvol-vidos, três quartos dos carros são comprados a crédito. Quando o acesso a este últi-mo torna-se mais difícil, o impacto sobre as vendas é imediato. A terceira razão dizrespeito à organização do setor, no qual todas as atividades são concatenadas e in-terdependentes. Basta que os consumidores compareçam em menor número noscentros de vendas das concessionárias para que as usinas sejam obrigadas a redu-zirem suas cadências de produção, e até mesmo a fecharem parcialmente. Alémdisso, a estocagem de veículos produzidos, mas que não foram vendidos, revela sermuito mais custosa do que a colocação em regime de desemprego parcial de umaparte dos assalariados. (CARTEIRA DE INVESTIMENTOS, 2009)2.3 Intervenções do governo brasileiro no setor automotivo frente à crise Pelo quadro 1, pode-se observar que o governo tem tomado medidas nosentido de diminuir os impostos, garantir o crédito, realizar investimentos em setoresagravados pela crise para impulsionar o consumo de bens duráveis e não duráveis,garantindo que empresas contrarem, produzem mais gerando o aquecimento daeconomia.
  • 8QUADRO 1. Principais medidas apoio ao sistema financeiro, setores econômicos e insti-tuições afetados pela crise financeira e econômica mundialMês/Ano Segmento_____________________________________________________________________________21 maio 2009 - Concessão de parcelas extras do seguro-desemprego a mais 216.500 trabalhadores que foram de-mitidos em dezembro e janeiro, período de agravamento da crise econômica mundial.17 abril 2009 - Ampliação da lista de materiais de construção que terão isenção de IPI (Imposto sobre ProdutosIndustrializados) nos próximos três meses. A nova lista inclui mais seis tipos de produtos, entre eles impermeabi-lizantes, revestimentos cerâmicos, cadeados e registros de gaveta. A isenção vale até 16 de julho. Redução do IPIda linha branca --geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos. as alíquotas do IPI vão de 15% para 5%para as geladeiras, de 5% ou 4% para 0% nos fogões, de 20% para 10% para as máquinas de lavar, e de 10%para 0% para os tanquinhos.16 abril 2009 - Liberação de mais R$ 12,6 bilhões em crédito para as empresas do agronegócio. A maior parte dodinheiro, R$ 10 bilhões, será atender frigoríficos e empresas do setor de aves, suínos e carnes bovinas. Criaçãode uma linha de crédito de R$ 2,3 bilhões para estocagem da produção de álcool durante a safra deste ano. O ob-jetivo do governo é evitar as variações de preços que ocorrem entre o período de produção e a entressafra.15 abril 2009 - Redução do aperto fiscal em 2009 ao menor patamar desde o início do programa de contenção dadívida pública, há dez anos. A Petrobras, maior empresa estatal do país, foi liberada da obrigação de controlargastos e poderá ampliar seus investimentos em R$ 15,5 bilhões.13 abril 2009 – Aporte para todos os municípios do país (5.564) de um reforço de até R$1 bilhão para compensaras perdas nos repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) por conta da queda da arrecadação.30 março 2009 - Prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para o setor automotivopor mais três meses (até junho), mas com a contrapartida da manutenção dos empregos pelas montadoras. Tam-bém estendeu o benefício para s motocicletas e para materiais de construção (muitos produtos tiveram a alíquotazerada).Ampliação da lista dos setores considerados prioritários na área da Sudam (Superintendência de Desen-volvimento da Amazônia) --têm isenção de IR (Imposto de Renda) de pessoas jurídicas.26 março 2009 - Criação de um sistema de garantias para aumentar os recursos para bancos médios e pequenos.A medida deve representar uma injeção de pelo menos R$ 40 bilhões na economia do país. Prorrogação peloBanco Central do prazo - de 31/03/2009 para 30/06/2009 - pelo qual os grandes bancos poderão descontar do de-pósito compulsório a prazo as compras de carteiras de crédito e outros ativos dos bancos de menor porte.10 março 2009 - Ampliação do limite de empréstimo do consignado para aposentados. O beneficiário poderávoltar a comprometer até 30% da sua renda com empréstimos com desconto em folha.22 janeiro 2009 - Alocação de recursos adicionais para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econô-mico e Social) no valor de R$ 100 bilhões para os anos de 2009 e 2010._____________________________________________________________________________________ Fonte: Matias-Pereira, J.: "A economia brasileira frente à crise financeira e econômica mundial"3. Metodologia Conceitualmente o método a ser empregado baseia-se no que LAKATOS &MARCONI (2005) referem como: “Observação direta extensiva” caracterizando umapesquisa descritiva, que envolve técnicas padronizadas de coleta de dados. Atravésde questionário estruturado, medidas de opinião e técnicas mercadológicas, busca-
  • 9se obter as opinioes dos lideres estratégicos da GM a respeito do dominio doproblema. Pelo meio de pesquisas bibliográficas e analise do estudo de caso, procura-seapresentar o contexto e o histórico do domínio do problema, além da apresentaçãodos resultados da pesquisa exploratória.4. Objeto – General Motors4.1 Histórico da GM Global A General Motors Corporation (GM) foi fundada em 16 de setembro de 1908em Flint, Michigan, Estados Unidos, pelo empresário William Durant dono da entãoBuick, uma das muitas marcas que iriam fazer parte da companhia. A intenção inicialera competir com a Ford, a maior montadora da época, para isso a empresa passa aproduzir carros pequenos. No entanto, com o adversário crescendo cada vez mais, aGM passa a investir em outros nichos de mercado, adquire então as marcas Cadilac,Oldsmobile e Pontiac. Em 1910, Durant perde o controle da GM para bancos devidoa enormes empréstimos. No ano posterior, une-se a Louis Chevrolet, inicia-se entãoa Chevrolet Company que fez grande sucesso. Oito anos depois, o empresárioconsegue reassumir a GM junto com a Chevrolet montando uma aliança forte,fazendo com que em 1930 o grupo já totalizava trinta empresas espalhadas emvários países, tornando-se a maior montadora do mundo. (VEJA.COM, 2009). Ficou sendo a maior por 77 anos, já que em 2007 com a crescente expansãodo mercado asiático, a Toyota, montadora do Japão, ultrapassou as vendas da GMnas operações globais em 88 mil unidades. (GLOBO-ECONOMIA, 2009). A décadade 90 e começo dos anos 2000 não foram fáceis para as operações da GM.Diversas fábricas foram fechadas, demissões foram geradas, perda de bilhões dedólares em investimentos fora do setor automotivo, aposentadorias voluntárias foramcriadas, requisições de empréstimos ao governo americano. (CARROS-UOL, 2009).Esses fatos alinhados ao cenário de crescente queda na venda de veículos na criseeconômica dos EUA, como mostra no gráfico 3 e 4, somados a enormesempréstimos solicitados ao governo americano para resolver seus problemas deliquidez, fizeram com que a GM, entrasse em concordata em primeiro de Junho de2009 (ESTADAO, 2009), contendo nove marcas de automóveis e tendo uma dívida
  • 10totalizada em 172,81 bilhões de dólares e seus ativos em 82.29 bilhões de dólares.(BLOOMBERG, 2009). Gráfico 3: Participação da montadoras no mercado norte-americano (GM em azul) Fonte: Market Data Center (2009) Gráfico 4: Gráfico das montadoras no mercado norte-americano (GM em azul) Fonte: Market Data Center (2009) Por sua dívida ser maior que seus ativos, a General Motors passará por umagrande reestruturação e, em um prazo de 60 a 90 dias, emergirá nos EstadosUnidos como uma nova companhia sustentada em suas principais marcas lucrativasCadillac, Chevrolet, Buick e GM. No total, a administração federal do EUA irá injetarna companhia US$ 50 bilhões, sendo que US$ 20 bilhões já foram liberados, e irácontrolar 60% do capital da empresa. Já o governo canadense concederá umempréstimo de US$ 9,5 bilhões em troca de 12,5% de participação acionária. Osindicato UAW (United Auto Workers) terá 17,5% dos títulos. (FOLHA, 2009) Ainda
  • 11segundo a Folha de São Paulo (2009), No processo de corte de gastos, a empresajá anunciou que fechará ao menos 13 fábricas, demitir 21 mil funcionários e sedesfazer de até 2.400 concessionárias nos EUA, além de vender quase a metade desuas marcas. Segundo Fritz Henderson as operações na Europa, América do Sul ouÁsia e que seguirão operando "sem interrupções".4.2 Histórico da GM do Brasil A General Motors do Brasil (GMB) é a maior subsidiária da Corporação naAmérica do Sul e a segunda maior operação fora dos Estados Unidos. No dia 26 dejaneiro de 2005 completou 80 anos de atividades no país. A empresa foi fundada em1925 em galpões alugados no histórico bairro do Ipiranga, em São Paulo. Nocomeço, as atividades consistiam na montagem de veículos importados dos EstadosUnidos. Após cinco anos, a GMB inaugurava oficialmente, em 1930, sua primeirafábrica, em São Caetano do Sul - São Paulo. Em 1958 começou a operar a segundafábrica, em São José dos Campos - São Paulo, inaugurada oficialmente um anodepois pelo então presidente da República Juscelino Kubitschek. Em julho de 2000inaugurou o Complexo Industrial de Gravataí, no Rio Grande do Sul, uma dasfábricas mais modernas do mundo. Em 2004 chegou a ser líder do mercado com23,1% de participação. Em 2005 o Complexo de Gravataí estava sendo ampliadopara a sua duplicação de capacidade de produção de 120 mil veículos/ano para 230mil veículos/ano. (GM-MEDIA, 2009) Com uma participação do mercado varejo que gira em torno dos 20% com aforte marca de automóveis Chevrolet (GM-MEDIA, 2009), a GMB segue em terceiracolocação perante seus concorrentes segundo os dados da FENABRAVE (2009) doacumulado do ano de 2009.
  • 12 Gráfico 5: Participação da GM no mercado brasileiro Fonte: FENABRAVE (2009). Com a concordata pedida pela sede nos EUA, as operações no Brasil nãoestão sendo afetas, segundo afirma o presidente da GMB, Jaime Ardila, pois a filialno Brasil é lucrativa, tem autossuficiência em desenvolvimento e design de veículos,e exporta tecnologia para outros países, integrando assim a parte “saudável” nareestruturação enfrentada pela montadora nos EUA. (ECONOMIA-UOL, 2009)4.3 Questionário: Estratégias da General Motors frente a crise econômica atual Como parte da metodologia, um questionário foi enviado a um profissional daempresa contendo dezesseis perguntas intercaladas entre múltipla escolha,dissertativas ou sim/não, para analisar o contexto econômico em que a corporaçãose encontra bem como verificar as estratégias econômicas da empresa na visão domesmo. Segundo a pesquisa, o governo brasileiro está atento para a crise econômicainstaurada no mundo e está auxiliando o setor automobilístico com medidas quevisam minimizar o impacto gerado no mesmo, como é o caso da redução do Impostosobre o Produto Industrializado (IPI). São medidas que resolvem o problema a curtoprazo pois com a restauração do imposto, as vendas da General Motors podemdesacelerar que na opinião do entrevistado pode fazer com que a GM possa ter umapostura mais flexível de adaptabilidade ao novo ambiente, se mantendo alinhadacom fortes propagandas de seus produtos bem como manter um nível qualidade doproduto acima do esperado para ganhar assim a confiança dos consumidores.
  • 13 Para que a confiança dos consumidores seja garantida, segundo a visão doentrevistado, o governo deveria manter a taxa de juros moderada, mantendo ainflação estável, afim de garantir o crescimento economico sustentável a médio elongo prazo. Isso aumenta a confiança do consumidor para aquisição de bens comoveículos, já que existirá crédito para tal. Manter a redução do IPI até o final de 2009e fornecer incentivo à industria automobilistica através de subsídios são soluçõesimediatas ao mercado automibilístico. Segundo a pesquisa, a redução da taxa SELIC pelo governo contribuiu paraque as vendas se impussionassem à quantidade obtida no período pré-crise masnão atendeu de forma satisfatória o setor automobilístico. Do ponto de vista do entrevistado, o governo auxilia o setor automobilístico,mesmo com as grandes cidades tendo níveis caóticos de congestionamento e faltade investimentos no setor de transpostes, pois é um setor que impactua direta ouindiretamente em diversos aspectos sócio-economicos, e quando se trata de ummercado emergente que aquece a economia do país, o governo tende a sepreocupar mais. As ações que estão obtendo maiores retornos para que a GM Corporationpossa se alavancar são a estabilidade e manutenção na venda de veículos,confiabilidade de clientes, investimento na produção de veículos populares eeconomicos, investimento em propaganda de uma marca forte e competitiva. A GM sofreu muitas consequências com a atual crise pois, segundo aavaliação do entrevistado, por conta da baixa credibilidade de consumidores quenão cumpriram com suas dívidas e não saldaram suas dívidas aos bancos ecrediárias, fazendo com que a indústria esfriasse devido a baixa de vendas e não-recebimento por produtos já vendidos, além do contexto da crise em que seencontra os EUA. Alguns fatores relevantes citados foram: Falta de investimento emcarros econômicos, falta de crédito e falta de confiança do consumidor. Na opinião do entrevistado, a GM retardou o processo de reestruturação jáque sua estrutura de custo estava elevada para os níveis atuais pois ocorrem fatoresem cascata, ou seja, diversos fatores adversos tanto interno quanto externo àcompanhia, foram ocorrendo fazendo com que o planejamento não ocorresse daforma como foi estipulado, além do modelo de negócios aplicado pela GM que nãofoi o mais adequado para o mercado norte-americano.
  • 14 Outras empresas concorrentes tiveram um impacto menor com a crise,segundo a pesquisa, pois usaram estratégias mercadológicas diferentes comocarros com baixo custo. Segundo a visão do profissional, a GM, para minimizar o impacto da crise ouevitar a situação em que se encontra, poderia enxugar custos de uma forma geral,aplicar um modelo de negócio voltado para o cenário econômico atual, com carrosmenores e menos poluentes o que iria baratear o custo, mantendo o foco naqualidade do produto, aumentando a satisfação dos clientes, gerando uma maiorconfiança dos consumidores.5. Considerações Finais Os principais objetivos deste estudo foram conhecer os motivos que levarama indústria automotiva americana a um estado falimentar, os impactos desse quadrono Brasil e as ações do governo brasileiro para mininizar esse quadro. Escolhemos este objeto, pois ele evidencia que apesar do mercadoautomotivo ser um dos mais rentáveis, se não estiver bem estruturado, a longoprazo pode ter sérias complicações. Demontrando que, mesmo a GM, lider domercado mundial durante 77 anos, perdeu o posto de maior montadora para ajaponesa Toyota por não estar preparada para enfrentar a instabilidade do mercadofinanceiro. Procurou-se identificar a viabilidade do modelo de negócios das montadorasamericanas, obtendo uma constatação negativa. Feito isso, com base nas pesquisasbibliográficas, buscou-se verificar os motivos que levaram o modelo mais lucrativodo mundo, o norte-americano, a entrar no século XXI com baixa competitividadequando comparadas com as emergentes asiáticas. Neste sentido, constatou-se que estrutura de custos das montadoras norte-americanas, com políticas especificas de benefícios trabalhistas, planos de saúde,número de empregados e regras com o sindicato, foram boas durante os anos 50,60 até os anos 70, porque elas teriam participação de mercado maiores. Além disso,a margem de lucratividade da indústria era muito maior. Assim, quando o mercadocomeçou a virar para veículos que consomem menos combustível, somado aescalada no mercado americano pelas concorrentes quais tinham uma estrutura delucros menor, tornou-se muito difícil as grandes permanecerem lucrativas.
  • 15 A utilização da pesquisa descritiva através do questionário enviado a GM doBrasil, mostrou-se bastante útil como uma ferramenta para apoiar a obtenção dosprincipais resultados do estudo de caso desse artigo. No que diz respeito às açõesdo governo brasileiro, a GM do Brasil reconhece que a redução do IPI foi uma deci-são muito importante e acertada a curto prazo, contudo argumentam que a longoprazo para retomar o crescimento, somente com a redução dos juros a indústria au-tomotiva voltará a crescer no Brasil. Fica constatado por fim, que os principais fatores que levaram a GM Global aperder a sua supremacia, foi a falta de investimentos em carros mais econômicos, afalta de crédito e a demora para executar o plano de reestruturação, sendo esse últi-mo motivo, também a conclusão de um dos principais objetivos do trabalho, o que aGM deveria ter feito e não o fez.6. Referências BibliográficasABRIL (2008). O país das montadoras: Nenhum setor foi tão beneficiado pelaabertura da economia, pela estabilização e por incentivos estatais quanto oautomobilístico. Disponível em:<http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_278202.shtml> Acesso em 25 de Maio 2009.BONATTO, A. R. Adam Smith: idéias que não devemos esquecer. 2009.Disponível em: <http://dinheirama.com/blog/2009/01/08/adam-smith-ideias-que-nao-devemos-esquecer/>. Acesso em: 15 Abril 2009.BRIEFING (2009). New home sales. Disponível em:<http://www.briefing.com/Investor/Public/Calendars/EconomicReleases/newhom.htm>. Acesso em 18 de Junho 2009.BLOOMBERG (2009). GM Files Bankruptcy to Spin Off More Competitive Firm.Disponível em: <http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=a4brqCWwvYXY> Acesso em 8 de Junho 2009.
  • 16CARTEIRA DE INVESTIMENTO (2009). Crise no setor Automobilístico Disponívelem: <http://carteiradeinvestimento.wordpress.com/2008/11/20/as-razoes-da-crise-do-setor-automobilistico/> Acesso em 20 de Junho de 2009ESTADAO (2008). Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA. Disponívelem: <http://www.estadao.com.br/especiais/os-efeitos-da-crise-do-setor-imobiliario-dos-eua,1546.htm> Acesso em 10 de Junho 2009.ESTADAO (2009). Em pedido de concordata, GM diz ter US$ 173 bi em dívida.Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/economia,em-pedido-de-concordata-gm-diz-ter-us-173-bi-em-divida,380344,0.htm> Acesso em 20 de Junho2009.FENABRAVE (2009). Gráficos de venda de carros por varejo. Disponívelem:< http://www.tela.com.br/dados_mercado/vendasvarejo/index.asp?coditem=11>Acesso em 20 de Junho de 2009.FOLHA (2009). Após concordata, GM chega a acordo preliminar para venda damarca Hummer. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u575276.shtml> Acesso em 7 deJunho 2009.LUCENA, G (2008). Ascensão e queda das montadoras americanas. Disponívelem: <http://revistaautoesporte.globo.com/Revista/Autoesporte/0,,EMI18391-10142,00.html> Acesso em 02 de Junho 2009.MARKET DATA CENTER (2009). Auto Sales. Disponívelem:<http://online.wsj.com/mdc/public/page/2_3022-autosales.html> Acesso em 18 deJunho de 2009MATIAS PEREIRA, J.: "A economia brasileira frente à crise financeira e econô-mica mundial" en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 116,
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