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  • 1. Contexto de épocaDécada de 50 foi marcada no âmbito social,político e econômico, por uma série complexade transformações que insinuavam o perfil deum momento de uma “nova modernidade”, queforneceria um ambiente estimulante para odesenvolvimento de sugestões renovadorasnas artes. poesia concreta de Augusto de CamposNão apenas a sociedade brasileira, mas todoo sistema internacional, experimentou mudan- Entre a Vanguardaças extraordinárias . Uma nova arrancada Antônio Maluftecnológica ocorreu no interior de um proces- e o Museo.so de remanejamento das relações internacio-nais que permitia a certos países tipicamente Se projetou como vencedor do“subdesenvolvidos”, como o Brasil, alcançarem, primeiro concuroso de cartazes para a 1a Bienal de São Paulo, em 1951 a integrante da N o Brasil, a arte concreta surge em meiodentro de certos limites e em determinados ao debate figuração X abstração, e, na capital primeira turma de alunos do IAC, Institutosetores, um razoável padrão de modernização paulista, do MASP e do MAM e sua bienal. Ao de Arte Contemporânea do MASP, Malufindustrial. lado do Salao Paulista de Arte Moderna e de não manteve uma carreira regular como algumas poucas galerias, essas intituições artista plástico dedicando se mais ao de-NO GOVERNO foram o principal campo de batalha daquele senho industrial e à publicidade, no qual se Juscelino Kubstchek, cujo lema era “50 anos de bate, com extencão à imprensa. notabilizou elaborando logotipos, cartazesem 5”, tinha como finalidade, com o seu “Pro- com esforço para garantir espaço próprio, e padronagens de tecido, além de trabal-grama de Metas”, modernizar o Brasil dot- a nova vanguerda artistica foi sendo as- har em coaboração com arquitetos crian-ando-o de indústrias de base e de bens de similada com intensidade e métodos que do murais geométricos como na Vila Nor-consumo. variaram em função de uma complexa rede manda (no edifícil Itália). Em todas as áreasÉ nesse período que a sociedade brasileira de interesses estético-politicos, não apenas Maluf se pautou sempre por uma concep-adquiria definitivamente sua feição urbana, locais, mas que ultrapassaram fronteiras ção própria de Arte Concreta, baseada emmovida pela ideologia do desenvovimento e envolvendo, para dar alguns exemplos; o gov- conceitos como o de adequação dos desen-pela associação com capitais externos, com erno norte-americano e o MoMA, a bienal de volvimentos, teoria criada por ele.a instalação de um novo e sofisticado parque Veneza,artistascriticos estrangeiros comoindustrial. Pela primeira vez em sua história,as massas urbanas despontavam no cenáriopolítico e a cidade transformava-se, sem pos-sibilidade de retorno, no centro decisório da Poesia concreta: um manifestovida nacional. TENSÃO DE PALAVRAS-COISAS NO ESPAÇO-TEMPO. Essa configuração de um setor urbano-industrial moderno estreitava, como nunca, os laços entre dezembro de 1956, n° 20)o processo social interno e a dinâmica do sistema internacional. Uma área considerável da popu-lação passava a desfrutar de uma experiência social cada vez mais próxima a dos habitantes dosmaiores centros urbanos internacionais. Diminuíam as distâncias e aumentava a sensibilidade paraas conquistas tecnológicas que repercutiam rapidamente na configuração do imaginário urbano e • a poesia concreta começa por assumir uma • contra a organização sintática perspectivista,na própria conformação do cotidiano das grandes cidades. Em 1950, o Brasil já tinha transmissões responsabilidade total perante a linguagem: onde as palavras vêm sentar-se como “cadáveresregulares de TV, sabia que um certo Peter Goldmark inventou o Long-play, no mesmo ano (1948) aceitando o pressuposto do idioma histórico como em banquete”, a poesia concreta opõe um novoem que três americanos formularam a teoria dos transístores e construíram os primeiros exem- núcleo indispensável de comunicação, recusa- sentido de estrutura, capaz de, no momentoplares; já ouvira falar em cibernética e no “cérebro eletrônico”, criado em 1946, na Universidade da se a absorver as palavras com meros veículos histórico, captar, sem desgaste ou regressão, oPensilvânia, tinha notícia de que a Força Aérea dos EUA havia feito o primeiro vôo a jato cruzandoo país e admirava o gênio de Einstein que expandira a fantástica Teoria da Relatividade na Teoria indiferentes, sem vida sem personalidade sem cerne da experiência humana poetizável.Geral do Campo. Sete anos depois, já empolgados pela mobilização ideológica do desenvolvimento história - túmulos-tabu com que a convenção insiste em sepultar a idéia. • mallarmé (un coup de dés-1897), joyce (finnegansa produção da primeira pílula anticoncepcional, (1952), com a exploração da primeira bomba de hi- wake), pound (cantos-ideograma), cummings e,drogênio (1952), e com outras novidades incríveis como a vitamina B12 ou a invenção dos aparelhosde telefoto - ficaram sabendo que a URSS colocou em órbita um satélite artificial, uma nova lua num segundo plano, apollinaire (calligrammes) e as • o poeta concreto não volta a face às palavras, tentativas experimentais futuristasdadaistaschamada Sputnik. não lhes lança olhares oblíquos: vai direto ao seu estão na raíz do novo procedimento poético, centro, para viver e vivificar a sua facticidade. que tende a imporse à organização convencionalNA MUSICA Música, literatura, artes plásticas e as próprias jovens artes do século XX, como o cinema e a cuja unidade formal é o verso (livre inclusive).fotografia, voltavam-se para o espírito da invenção e da radicalidade dos grandes movimentos de • o poeta concreto vê a palavra em si mesmavanguarda do início do século - campo magnético de possibilidades - como um • o poema concreto ou ideograma passa a ser Após 1945, processou-se em alguns centros da Europa uma espécie de reavaliação e retomada objeto dinâmico, uma célula viva, um organismo um campo relacional de funções.de certos princípios das vanguardas que, de alguma forma, haviam-se perdido no emaranhado das completo, com propriedades psicofisicoquímicasduas grandes guerras. É o caso do grupo Nova Música (Neue Musik), na Alemanha, que desenvolvia tacto antenas circulação coraação: viva. o núcleo poético é posto em evidencia não maisum trabalho de recuperação das sugestões de Webern e Schönberg. Uma nova geração de músi- pelo encadeamento sucessivo e linear de versos,cos como Pierre Boulez, Luigi Nono, Bruno Madena e Stockenhausen, passava a generalizar a noção • longe de procurar evadir-se da realidade ou mas por um sistema de relações e equilíbriosde “série”, aprofundando a experiência da música dodecafônica. iludí-la, pretende a poesia concreta, contra a entre quaisquer parses do poema. No Brasil, em 1946, surgia o manifesto do grupo Música Viva, criado pelo regente alemão Hans e introspecção autodebilitante e contra o realismointegrado por jovens músicos, que atacava o conservadorismo nacionalista e retomava idéias de simplista e simplório, situar-se de frente para as • funções-relações gráfico-fonéticasvanguarda, especialmente a partir de Schönberg. Da mesma forma em outras áreas, os primeiros coisas, aberta, em posição de realismo absoluto. (“fatores de proximidade e semelhança”) e oanos do pós-guerra já sugerem a possibilidade de uma guinada no sentido da inovação. Alguns signosdessa possibilidade podem ser encontrados em fatos com a inauguração dos Museus de Arte Mod- uso substantivo do espaço como elementoerna do Rio e São Paulo (1949 e 1948), da I Bienal de Arte de São Paulo(1951) onde pela primeira vez o • o velho alicerce formal e silogístico-discursivo, de composição entretêm uma dialéticabrasil fazia uma exposição de arte com efetiva repercussão internacional e que trazia ao contato fortemente abalado no começo do século, voltou simultânea de olho e fôlego, que, aliada à síntesedo público e dos artistas locais o que de mais contemporâneo se realizava no exterior, nos trabal- a servir de escora às ruínas de uma poética ideogrâmica do significado, cria uma totalidadehos de Niemeyer com Le Corbusier, e até mesmo a disposição de setores da burguesia paulista de comprometida, híbrido anacrônico de coração sensível “verbivocovisual”, de modo a justaporfinanciar a Cia. Vera Cruz numa tentativa de implantar uma indústria cinematográfica. atômico e couraça medieval. palavras e experiência num estreito colamento
  • 2. No Rio de JaneiroExposição Nacional de Arte Concreta Intituto de Arte Contemporâneo - IAC Há muita controvérsia e muita discussão em revista habitat nº3, 1951 Tendo a poesia concreta atingido o seu torno da nova tendência e a Exposição Nacio-primeiro estágio de maturação - a platafor- nal de Arte Concreta se transformou, entre 4ma teórica ganhava, cada vez mais, corpo e O Intituto de Arte Contemporânea surge po iniciativa do “Museu de Arte” de São Paulo, com e 11 de fevereiro de 57, no acontecimento maisdefinição, o “paideum”e os procedimentos for- finalidade de colocar a disposicão dos jovens uma escola e um centro de atividade, onde importante da cidade maravilhosa. Foi rea-mais básicos já estavam estipulados - urgia o serão estudados e divulgados os princípios das artes plásticas em favor da coletividade e lizado, sob o patrocínio do Teatro Universitáriolançamento oficial do movimento. em absoluta coerência com a com a época . Brasileiro, um caloroso debate na UNE, em 10 de fevereiro. Nessa noite, Décio Pignatari faz Noigandres Um grupo de arquitetos, artistas e técnicos, persuadido da necessidade dessa iniciativa, uma conferência polêmica, assistida por im- reune-se com o objetivo de trabalhar nessa escola rigorosamente disciplinada e orientada portantes figuras da intelectualidade carioca. No final de 1956, mais precisa numa base didática, visando; Mas talvez, o saldo mais positivo desses acon-mente dezembro, acrescida de um novo mem- tecimentos, para os poetas concretos, tenhabro o jovem poeta carioca Ronaldo Azeredo, sido o artigo “A Poesia Concreta e o Momentoa equipe Noigandres, juntamente com os pin- formar jovens que se dediquem à arte industrial e se mostrem capazes de Poético Brasileiro”, escrito por Mário Faustinotores e escultores aliados à mesma tendência, desenhar objetos nos quais o gosto e a racionalidade das formas e onde, após um rigoroso balanço da produçãorealiza a primeira Exposição Nacional de Arte correspondam a progresso e à mentalidade atualizada. poética daquele momento, o autor de O HomemConcreta, no Museu de Arte Moderna de São e sua Hora elegia os poetas criadores do novo aclarar a consciência da função social do desenho industrial, refutando a fácil movimento como representantes do que ha- e deletéria reprodução dos estilos superados e o diletanismo decorativo. via de melhor no campo da criação literáriaPaulo (MAM). brasileira. ressaltar o sentido da função social que cada projetista, no campo da arte aplicada, deve ter em relação à vida. Os Artistas Rupturas Participaram da exposição os seguintes ar- Após a realização da Exposição Nacional de Em uma palavra o I.A.C., solicitando a colaboração definitiva da industria, deseja incrementartistas plásticos: Geraldo Barros, Aluísio Carvão, Arte Concreta, o movimento ganha repercussão. a circulação de idéias novas, de novos empreendimentos no campo estético, erroneamenteLygia Clark, Waldemar Cordeiro, João S. Costa, O poeta Manuel Bandeira, por exemplo, então considerado como uma “torre de marfim” para iniciados, generalizando o mais possivel asHermelindo Fiaminghi, Judith Lauand, Maurício decano do Modernismo, adere as posições de conquistas da arte, da tradição e da cultura.Nogueira Lima, Rubem M. Ludolf, César Oiticica, equipe Noigandres, realizando alguma experiên-Hélio Oiticica, Luis Sacilotto, Décio Vieira, Alfre- cias poéticas concretas, ao mesmo tempo quedo Volpi, Alexandre Wollner, Lothar Charoux, Ly- em sua coluna diária de crônica comentava agia Pape, Amílcar de Castro, Kasmer Fejer, Franz renovadora tendência.J. Weissmann, Ivan Serpa e os poetas: Augusto Mas uma cisão ocorre dentro do movimento. Oe Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Ronaldo poeta Ferreira Gullar e Reinaldo Jardim desin- Wollner um IACAzeredo, Ferreira Gullar e Waldimir Dias Pino, dentificam-se das posições do grupo paulista,especialmente convidados. em defesa de uma poesia “subjetivista e intu- itiva”. Também o crítico Oliveira Bastos assinou A mostra o manifesto da cisão, embora reconhecendo Pioneiro, o artista-designer Alexandre Wollner posteriormente, a validade das propostas da percebeu, nos anos 50, que a proximidade en- Se compunha de cartazes-poemas, apresen- poesia concreta. tre arte e vida poderia dar-se ao trabalhartados ao lado de obras pictóricas e esculturas. A saída de Gullar, Jardim e Bastos do Movimento diretamente nos meios de produção urbanos,As soluções gráficas dos cartazes (padroniza- de Poesia Concreta foi motivada pela publica- que surgiam em São Paulo. Era uma época emção de tipos, diagramação) foram sugeridas ção do ensaio “Da Fenomenologia da Composição que design era uma causa, e não um estilo.pelo artista plástico e publicitário Hermelindo à matemática da Composição”.Fiaminghi, que também participava do evento. De 1951 a 1953, estudou no Instituto de ArteNa ocasião a revista ad-arquitetura e decora- Contemporânea do MASP, “O IAC, e principal-ção é contatada através de Waldemar Cordeiro mente a vivência e a convivência no ambientee inclui no seu nº 20, o material da exposição, do MASP daqueles anos aprimoraram minhafuncionando, assim, como catálogo da mesma. capacidade intuitiva e permitiram-me perce-Neste número escreveram artigos o próprio ber a possibilidade de participação social doWaldemar Cordeiro, Décio Pignatari, Augusto artista através do design”, disse Wollner, parade Campos, Haroldo de Campos e Ferreira Gul- o jornal Folha de S. Paulo, em 06/08/80.lar. Foram publicados também, poemas concre-tos e clichês reproduzindo os quadros e escul- Seus trabalhos, assim como os de Maurício Nogueira Lima e Antonio Maluf, são pioneiros do de-turas dos artistas expostos. No auditório do sign gráfico no Brasil. Por seus trabalhos neste instituto, recebeu uma bolsa de estudos naMAM, Décio Pignatari e o crítico Oliveira Bastos Alemanha, em Ulm, na famosa escola de design “Hochschule fur Gestaltung”, advinda da Bauhaus..pronunciaram conferências sobre a nova poe- Lá estudou com Max Bill, Johannes Ittem, Josef Albers, Walter Peterhans, entre outros grandessia. Paralelamente ao evento, foi lançado o nº nomes da arte e do design moderno. “A nossa turma do ano de 1954 foi drasticamente treinada3 da revista Noigandres, trazendo como sub-tí- para a ciência e tecnologia. Nem eu estava preparado para isso, afinal eu era um artista”, con-tulo, o nome poesia concreta. A exposição, como tou em entrevista para a revista D’Art, no 5.era de esperar, repercurtiu nos meios artísti-cos e intelectuais da capital paulista. Porém, o Como artista plástico, realizou entre 1951 e 1954 pinturas geométricas que utilizavam a lingua-impacto maior da eclosão do movimento con- gem da gestalt visual, cujo aprendizado certamente veio de sua experiência como programadorcreto vai ocorrer, de fato, quando a mostra é visual. Trazia também materiais industriais para o campo das artes plásticas, como o eucatex.levada para o Rio de Janeiro, em fevereiro do Expôs na II Bienal Internacional de São Paulo, em 1953, onde ganhou um prêmio de jovem pintura.ano seguinte e montada no saguão do MEC. A Seu ideal de união entre arte e indústria o aproximou dos artistas da arte concreta paulista, oesta altura, o movimento ganha espaço amplo Grupo Ruptura, com o qual expôs na I Exposição Nacional de Arte Concreta (MAM-SP, 1956; MAM-na imprensa, e jornais e revistas de grande cir- RJ, 1957), e na mostra Konkrete Kunst (Zurique, 1960).culação deram cobertura ao evento.
  • 3. Paisagismo e CulturaWaldemar Cordeiro movimento organizado no âmago dos in- teresses extra-artísticos, que ocorrem Noigandres e midia Revista AD, nº21 1957 na vida artística, mobilizou o esforço dos “papas” das “igrejinhas” que tentamRuptura neutralizar uma suposta ação renova- Nos países de expressão portuguesa, as primei- dora dos jovens. Na realidade, porém, oApós 4 anos de luta semi-clandestina o movimento abstrato e concreto, e con- ras idéias sobre uma poesia em sintonia com amovimento da arte abstrata e concre- sequentemente o grupo ruptura, não nu- era das mídias e das novas tecnologias começamta ingressa na vida legal artística. A ex- trem veleidades tão audaciosas. Anossa a ser esboçadas a partir de meados dos anosposição do grupo ruptura, realizada no atitude como integrante do júri do II 50, graças à intervenção do grupo brasileiroMuseu de Arte Moderna, assinala esse Salão Paulista de Arte Moderna deveria Noigandres (Décio Pignatari, Augusto de Cam-movimento. Esse grupo contudo está ser penhor do nosso absoluto repeito às pos e Haroldo de Campos), criador da poesialonge de representar todo movimento concepções artísticas dos nossos cole- concreta, e nos anos 60, com o surgimento dopaulista de arte abstrata e concreta, gas e da nossa fé na possibilidade da co- grupo português PO.EX, que abrangia cercacuja fileiras contam hoje inúmeros inte- existencia pacífica, no terreno da orga- de uma dezena de poetas reunidos ao redorgrantes. nização artistica de tendências plásticas de Melo e Castro. Dessa época para cá, a idéia de uma poesia de feição radicalmente contem- diferentes. Mas parece, no entanto, queA exposição Ruptura repercutiu profun- há quem nutra dúvidas a esse respeito, porânea, capaz de lançar mão dos novos recur-damente nos meios artísticos e, como era e sái quebrando lanças contra moinhos sos escriturais, não cessa de ganhar adeptos.de se esperar, provocou celeumas e po- de vento. Um fato digno de atenção, no que diz respeitolemicas. De outro lado, entretanto com o a essa poesia, é a sua particular expansão em Waldemar Cordeiro nosso país e a vitalidade das experiências que foram aí desenvolvidas, a ponto de ser prati- No âmbito das funções específicas do programa camente impossível hoje, em qualquer parte do que está con dicionado o jardim, a solução mundo, conceber uma mostra ou uma antologia Movimento NeoConcreto plástico-visual é sem duvida a característica dessa nova poesia verbo-áudio-moto-visual sem mais relevante. que a presença brasileira seja considerada. SeDessa cisão, nasceria o movimento NeoConcreto, que dura de 1959 a 1961. Após esse isso pode parecer normal, atentemos entretan-período, o poeta Ferreira Gullar renuncia à poesia de vanguarda e parte para uma É com efeito, ne forma real- resultado final que to ao fato de que muitos países, mesmo entreliteratura de cunho político-participante dispensa os antecedentes e as motivações - que os mais industrializados e com maior hegemonia A partir da publicação, ainda nesse mesmo ano (1959), do “Plano- Piloto para Poe- reencontramos todos os conteúdos que fazem da mídia, ainda não despertaram para as pos-sia Concreta”, o movimento completa maturação e as irradiações de suas idéias da arquitetura paisagistica uma atividade tão sibilidades de uma poesia da era da televisão ecomeçam a se fazer sentir não só no próprio ambiente literário, como também em válida e completa quanto as demais atividades do computador.outras áreas do contexto cultural brasileiro. que já tem o seu lugar assegurado na cultura.A expressão neoconcreto indica uma tomada de posição em face da arte não-figurativa “geo- Na realidade, o paisagismo, quando encer-métrica” (neoplasticismo, construtivismo, suprematismo, escola de Ulm) e particularmente em rado num certo nível, não pode prescindir daface da arte concreta levada a uma perigosa exacerbação racionalista. Trabalhando no cam-po da pintura, escultura, gravura e literatura, os artistas que participam dessa I Exposição problemáticaque reflete, num sentido amplo umNeoconcreta encontraram-se, por força de suas experiências, na contingência de rever as e histórico, o próprio desenvolvimento da con- moviposições teóricas adotadas até aqui em face da arte concreta, uma vez que nenhuma delas sciência. mento“compreende” satisfatoriamente as possibilidades expressivas abertas por estas experiên-cias. A concepção do jardim e sua solução formal, compondo(...) portanto, devem constituir momentos da além daO neoconcreto, nascido de uma necessidade de exprimir a complexa realidade do homem mod- própria criação, em paridade com condições eerno dentro da linguagem estrutural da nova plástica, nega a validez das atitudes cientificis- nuvem responsabilidades com a arquitetura, poesia,tas e positivistas em arte e repõe o problema da expressão, incorporando as novas dimensões música e artes visuais. Isso em virtude da supe-“verbais” criadas pela arte não-figurativa construtiva. O racionalismo rouba à arte toda aautonomia e substitui as qualidades intransferíveis da obra de arte por noções da objetividade ração do preconceito relativo de uma suposta umcientífica: assim os conceitos de forma, espaço, tempo, estrutura - que na linguagem das artes superioridades das chamadas artes puras. campoestão ligados a uma significação existencial, emotiva, afetiva - são confundidos com a aplica- Nesse sentido, o paisagismo depois de ter su- de combateção teórica que deles faz a ciência. Na verdade, em nome de preconceitos que hoje a filosofiadenuncia (M. Merleau-Ponty, E. Cassirer, S. Langer) - e que ruem em todos os campos a começar perado um naturalismo chocho, cuja aspiraçãopela biologia moderna, que supero o mecanicismo pavloviano - os concretos-racionalistas ainda maxima é o “presépio” tenta participar d esfor-vêem o homem como uma máquina entre máquinas e procuram limitar a arte à expressão ço da arquitetura para renovação do gosto.dessa realidade teórica.Não concebemos a obra de arte nem como “máquina” nem como “objeto”, mas como um quasi- miracorpus, isto é, um ser cuja realidade não se esgota nas relações exteriores de seus elementos;um ser que, decomponível em parte pela análise, só se dá plenamente à abordagem direta, gemfenomenológica. Acreditamos que a obra de arte supera o mecanicismo material sobre o qual irarepousa, não por alguma virtude extraterrena: supera-o por transcender essas relações quem de o ummecânicas (que a Gestalt objetiva) e por criar para si uma significação tácita (M. Ponty) queemerge nela pela primeira vez. Se tivéssemos que buscar um símile para a obra de arte não opoderíamos encontrar, portanto, nem na máquina nem no objeto tomados objetivamente, mas, tivo horizontecomo S. Langer e W.Wleidlé nos organismos vivos. Essa comparação, entretanto, ainda não bas-taria pra expressar a realidade específica do organismo estético. olev 
o 
uavi puro(...) verj 
o 
gand numPor sua vez, a prosa neoconcreta, abrindo um novo campo para as experiências expressivas, opér 
o 
lasp mo mentorecupera a linguagem como fluxo, superando suas contingências, sintáticas e dando um sentidonovo, mais amplo, a certas soluções tidas até aqui equivocadamente como poesia. É assim que, arap 
o 
ocosna pintura como na poesia, na prosa como na escultura e na gravura, a arte neoconcreta re- vivoafirma a independência da criação artística em face do conhecimento prático (moral, política, Portuguese: (inindústria, etc.) conventional form): “Que Décio Pignatari -1956Os participantes desta I Exposição Neoconcreta não constituem um “grupo”. Não os ligam motivo o levou a viverprincípios dogmáticos. A afinidade evidente as pesquisas que realizam em vários campos osaproximou e os reuniu aqui. O compromisso que os prende, prende-os primeiramente cada um à jogando pérolas parasua experiência, e eles estarão juntos enquanto dure a afinidade profunda que os aproximou. porcos (para poucos)?”
  • 4. Bibliografia Araújo, Ricardo. Poesia Visual vídeo brasileiro, São Paulo, Cosac Naify, Bra- poesia, São Paulo, Editora Perspectiva, sil, 1999. Brasil, 1999. www.artebr.com.br BANDEIRA, João. Arte Concreta Pau- www.itaucultural.org.b lista: Documentos. São Paulo. Cosac www.mac.usp.br Naify, Centro Universitário Maria Antô- www.tvcultura.com.br nia da USP, Brasil, 2002. www.artemoderna.art.brEdição, pesquisa e diagramação BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo, Vér-Marilia Rubio tice e ruptura do projeto construtivo