A arte pictórica e de imagem, baila-do e canto, são os três pilares doedifício que queremos que perdureatravés da fundação...
Caminho com choro de Saudade,           Suavemente encontrei a vidaLevo um tesouro em forma de rio.        Ao longe, junto...
Dos poetas ansiosos - o ridículo,     Das lágrimas, do ódio e da injustiçaE do pintores aflitos - a dúvida.     Da dor dos...
“O branco no branco”Só aparentemente falamos de cores.“Branco no branco” abre e rasga. Elege e rompe. Qualquer cor podeser...
Para mim, o branco significou ininterruptamente um começo, ou maisprecisamente um de alguns inúmeros recomeços: Nascer, ou...
O que procura Maria Sobral Mendonça com o seu labor?Talvez procure, através de um acto de liberdade – a PINTURA –resposta ...
“Nascemos de um sonho, vivemos no sonho, morremos quando osonho acaba.”(António Coimbra de Matos- “Mais amor menos doença”...
O Branco é a mistura de todas as cores.Cores, muitas cores houve na nossa infância, quando brincámos pelasruas de Braga, n...
“Pizzicato-Polca”; 168x114; Acrílico S/Tela; 2003
“Les Géants- D’Avalon”; 136x89; Acrílico S/Tela; 2003
“O Branco rebate tantas histórias”; 168x114; Acrílico S/Tela; 2003
“Em grandes cidades de memórias”; 99x158 Acrílico S/Tela; 2003
“Allegro con Spitito”; 136x89; Acrílico S/Tela; 2003
“A Vida tem tanta cor”; 89x136; Acrílico S/Tela; 2003
“Há um corpo que envolve todo o conjunto do Mundo”; 89x136; Acrílico S/Tela; 2003
“O trovão do silêncio”;114x168; Acrílico S/Tela; 2003
“Silentium post Clamores”; 158x158; Acrílico S/Tela; 2003
Cumpre-se agora um ritual. Maria recebe os seus Amigos em volta dasua obra e convida-os a que nela participem, deixando o ...
“O Branco no Branco”O Miticismo, a Tradição, a Tradição do espaço e o ponto de encontro“Branco no Branco” com o momento da...
“Gentes curiosas navegam”114x168; Acrílico S/Tela; 2003
“Silentium post Clamores”; 158x158; Acrílico S/Tela; 2003
Chegámos! Abre-se um portão para um mundo distinto.Entramos num mosteiro, de outra era, mundo de gigantes e austeri-dade. ...
de manipulações exteriores, que aqui a Maria Sobral Mendonça,dando continuidade ao seu anterior ciclo artístico exposto no...
“Quando sobrevêm o Branco”; 136x89; Acrílico S/Tela; 2003
Maria Sobral Mendonça (Lisboa, 8 de Maio de 1963)Designer, Pintora e Publicista, tem em linha de montagem acriação de uma ...
Exposições de Pintura - Individuais e Colectivas1994 - Panteão Nacional - “Tocar Com A Mente” - Lisboa.1995 - Galeria Conv...
Edgar Pêra – Cineasta Realizador                      (Portugal – 1960)                      Reúne um vasto curriculum em ...
Bernardo Saraiva Lobo – Fotografo                       (Portugal – 1966)                      Frequentou os institutos: F...
Hanna Barbos – Mezzo – Soprano                         (Hungria – 1970)                      Obteve 3 primeiros prémios do...
Agradecimentos pessoais,Alexandra Pacheco, Alexandre Sousa Pinheiro, Armando Martins,Barbarasays, Bernardo Saraiva Lobo, C...
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A arte pictórica e de imagem, bailado
e canto, são os três pilares do
edifício que queremos que perdure
através da fundação Henrique
Leote, instituída oficialmente há três
anos, para perpetuar a conservação
e vivência do Convento de São Paulo
no período contemporâneo à ordem
que aí construiu e viveu.
A mística desta exposição de Maria
Sobral Mendonça, que hoje se inaugura,
integra-se no espírito da
conservação da igreja do convento
como uma ruína viva, infelizmente
despojada dos seus tesouros de
outrora mas agora guarnecida por
manifestações culturais que a
consagram e perpetuam.
Com a sua pintura abstracta que
nos transmite muitas e variadas
sugestões, a pintora encoraja-nos
no caminho da elevação com o seu
toque terreno indispensável à nossa
vivência no quotidiano.
Henrique Leote

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Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)

  1. 1. A arte pictórica e de imagem, baila-do e canto, são os três pilares doedifício que queremos que perdureatravés da fundação HenriqueLeote, instituída oficialmente há trêsanos, para perpetuar a conservaçãoe vivência do Convento de São Paulono período contemporâneo à ordemque aí construiu e viveu.A mística desta exposição de MariaSobral Mendonça, que hoje se inau-gura, integra-se no espírito daconservação da igreja do conventocomo uma ruína viva, infelizmentedespojada dos seus tesouros deoutrora mas agora guarnecida pormanifestações culturais que aconsagram e perpetuam.Com a sua pintura abstracta quenos transmite muitas e variadassugestões, a pintora encoraja-nosno caminho da elevação com o seutoque terreno indispensável à nossavivência no quotidiano.Henrique Leote
  2. 2. Caminho com choro de Saudade, Suavemente encontrei a vidaLevo um tesouro em forma de rio. Ao longe, junto do peito. Em mim.Minha alma é meu gesto Respiro teu coraçãoGuardo bem ao meu lado Onde não existem acasosJunto do peito, eu. Essa brancura dos nossos sonhos. Caminho em choro de saudade.Donde não existem acasos, Procuro quem já partiu.Gentes curiosas navegamEm grandes cidades, Levo as memórias do nosso calorSem descobrirem donde vem o mar. E vou vencer E dançar,Trago comigo memórias E chorar, o egoísmo de sofrer.Poucas històrias. De uma mão só. Vou conseguir tocar os desejos dos outrosOh! O que perdi em viver Vou ser, todos os outrosMas, senti o desejo dos outros sem Realizar, brindar!ter.A tristeza dos meus a dor. Diz, que não existe o acasoNa crueldade dos teus sonhos... Em grandes cidades de memóriasFiquei só. O branco rebate tantas histórias.Levo comigo este sentimento silencio- Fiquei aqui no lugar do mundoso À espera de ti, é tudo branco...Cheguei onde o nada vence, Deuses meus onde estais?Cheguei ao lugar do mundo.Tive a sorte de rebater Morremos sozinhos há muito, nesseO branco no branco. lugar.O mundo ficou cheio de luzE o céu poderá ser um horizonte. A ausência das coisas Traz as lágrimas dos outros,Toquei a eternidade do sonho, Faz-me descobrir o trovão do silên-Levo comigo o melhor dos sentimen- ciotos Desta ilha das coisas.Venço a crueldade das leis Da vulgaridade das ruas dasA vida tem tanta cor... cidades.Deuses meus onde estais?Procurai o meu destino Caminho aqui longe de ti,Talvez um sonho pequenino Entre aromas e perfumes Dos livros escritos - o cheiro,
  3. 3. Dos poetas ansiosos - o ridículo, Das lágrimas, do ódio e da injustiçaE do pintores aflitos - a dúvida. Da dor dos outros, do tudo, em vida.São os gritos do combate da vida e Apenas nós longe do mundo.da morte, Tira o véu dos meus olhosMorremos sozinhos. E diz com força de verPor isso te desejo em silêncio Como lutei por teu amor.Inerte às gentilezas do mundo. Sorridente ao abandono Na audácia de saber que andei nesteQuero romper a dor dos sofredores deserto de ti.Ser o paradoxo. Amanhã estarei contigo.Não julgar e não ser julgada Com a audácia dos sentimentosContinuar a ser só. Dos que amam em silêncio.Observar o medo solitário, do teu Teu rosto manso de glóriamedo Valeu a pena seres minha memóriaQue habitas em um lugar Do tempo, da esperaOnde nem eu nem tu, estamos lá. Onde eu estou, e tu espreitas minha chegada.Tempo de esperaFortaleza inconstante. Morremos sozinhos. Há muito,Estou aqui para entender a dor dos Nesse lugar.outros,Ficarei firmemente Estou a chegar a ti J’arrive a toiNessa imensidão de vida Entre os gritos do combate da vida eCaminho aqui longe de ti. da morte, Vinda da ausência das coisas,A ausência das coisas. Cheguei onde o nada vence.Faz-me descobrir o trovão do silên- É tudo branco.cio Em grandes cidades de memóriasEu já te pertenço. O branco rebate tantas histórias.Nesse silêncio de esperançaLevo comigo uma mágica aliança Deuses meus, onde estais?O reino da vida vence a morte! Eis-me aqui, És tu? Venci!Vais tirar o véu dos meus olhosUm dia como por magia,Estarei então, eu como por encantoNesse paraíso onde a luz transformao inferno
  4. 4. “O branco no branco”Só aparentemente falamos de cores.“Branco no branco” abre e rasga. Elege e rompe. Qualquer cor podeser aposta ao branco, mas, ainda assim, escolhe-se o branco. Não“outro branco”, mas “o branco”. O impulso que aponta “o branco”,na enorme paleta das cores, arrisca uma definição de identidade que,indefectivelmente, ultrapassa o sensorial e sagrado cromático.Se os fins não são indiferentes aos começos, o rasto desliza obedecen-do às regras da alteridade. A fragilidade dos percursos repele adesivosde palavra. O verbo sucinto chega muito depois. A amplitude da dis-tância intitula.“Branco no branco”, o que é, o que foi, o que tem sido, o que nuncadeixou de ser. Nada se anula por exigência matemática. Nem as frac-ções são consentidas. Retalhos de verdade narram parcelas e instalamo fundo.“A vida tem tanta cor.../ Deuses meus onde estais?”, escreveu MariaSobral Mendonça. Talvez o branco agregue e sumarie. Talvez osDeuses o saibam.Alexandre Sousa Pinheiro
  5. 5. Para mim, o branco significou ininterruptamente um começo, ou maisprecisamente um de alguns inúmeros recomeços: Nascer, ou certamen-te Renascer para algo de completamente incerto mas que é a base detoda a criação, independentemente do móbil que nos anima.Manifestamente, a arte nasce no branco, naquilo que é incompreensí-vel e vago e que paradoxalmente tende para a universalidade; tendetambém a criar-se no próprio seio dessa essência, como se o branco sur-gisse, sem mediação, e nós lhe déssemos o sentido. A Arte transforma o possível e o improvável dentro de um universocondenado à contingência. Como se, de um espaço em branco, daqui-lo que é frequentemente apelidado de vazio humano mas que poderáser um todo inagrupável, criássemos uma imagem de um UnoPrimordial, de Deus ou da Criação. As respostas possíveis, sem modés-tia, ao silêncio do mundo.Diogo Ogando
  6. 6. O que procura Maria Sobral Mendonça com o seu labor?Talvez procure, através de um acto de liberdade – a PINTURA –resposta para as interrogações, as dúvidas e as utopias que a assaltam.Procura, também e seguramente, resposta para os nossos anseios e sonhos.A sua mensagem é simultaneamente intimista e reflexiva, aberta e dia-logante. Uma contradição? Não, e vejamos porquê.Cada tela expressa a intimidade da pintora, que “caminha com chorode saudade” e “leva um tesouro em forma de rio”, e remete para umaapreciação mais vasta de uma obra programática com o sugestivo títu-lo “O Branco no Branco”.Reagindo ao seu impulso de generosidade a Maria percorre os camin-hos da comunicação. É uma necessidade de dádiva aos outros e de par-tilha que a impelem para a integração da sua pintura com a música, oespaço e a arquitectura, numa visão integradora e exploradora denovos horizontes.A necessidade de inter-reagir com o mundo que a rodeia (os amigos, opúblico, a sociedade) levam-na a estabelecer uma articulação com outrasáreas da expressão artística. O seu entusiasmo, força anímica e sensibili-dade artística criam fortes correntes criativas que atingem os que têm oprivilégio de com ela partilhar os mistérios da criação artística.Contrariando os defensores da imaterialidade dos espaços expositivosa Maria propõe um diálogo, de significados múltiplos, entre pintura earquitectura. A escolha do Convento de São Paulo, na Serra d’Ossa,não foi decerto um acaso. Espaço com vários séculos de história, reti-rado do Mundo, conjuga a beleza da paisagem envolvente com osvalores espirituais e artísticos da sua arquitectura.É neste diálogo com o lugar, e com múltiplas formas de expressão artís-tica que a pintura de Maria Sobral Mendonça deve ser interpretada.A mensagem singular de cada tela é, assim, ampliada pela mensagemglobal do projecto de comunicação que constitui a exposição. Estaassume-se como intervenção cultural ao serviço da sociedade e comoprova da GENEROSIDADE da Maria.Flávio Lopes
  7. 7. “Nascemos de um sonho, vivemos no sonho, morremos quando osonho acaba.”(António Coimbra de Matos- “Mais amor menos doença”)Um Convento. “O Branco no Branco”. A necessidade de recolhimento.Celas. A cor falhada.A paisagem a invadir tudo. A luz intensa. Um impasse. Tempo de espe-ra.O reencontro consigo. As cores das fontes. A água.Expectativa de que aconteça alguma coisa nestes dias. A Maria.Pureza de pensamento.A Serra. Tudo muito. Muito intenso.O Branco a decompor-se. Exuberância de cores. Afectos perdidos.A inspiração a substituir o sonho. Sem sonho. Sem sono.Surgem as telas. Prova de passagem.Alentejo. Florença. O branco de cada cor.Incapacidade de estar só. O sonho novamente. Triste.A nostalgia a invadir a obra. A urgência de se expor.Depois do excesso, o desejo de se abandonar. Ao vento.Errar no verde da encosta, perder-se.Deixar que o silêncio apague tudo. Sem memória.Sem dor. Sem nada.Maria: nós não morremos sozinhos...Joana da Eira Fornelos
  8. 8. O Branco é a mistura de todas as cores.Cores, muitas cores houve na nossa infância, quando brincámos pelasruas de Braga, no Bairro da Sé, ao pé do Largo do Souto, onde convi-vemos com o branco imaculado das paredes e com o pesado cinzentodo granito, esculpido com imagens veneradas, nos Jardins daLusitânia e pelos pomares perfumados da quinta da tia da Maria- láapanhámos maças, debaixo de um sol tórrido de Setembro.Colorida e feliz foi a nossa infância no Minho, que guardamos parasempre nas nossas memórias e por isso, constantemente, as duas abri-mos nelas uma porta para tirar de lá as boas recordações que ficaram- hoje o que somos é em parte fruto delas e o Branco é o oposto doPreto, o Negro, o Luto intenso que sentíamos em Semana da Paixão;os terríveis “ farricocos” encarapuçados, a chamar os crentes àconversão, na procissão de Sexta – feira -- Santa, e quando passáva-mos pelas capelas da Via Sacra, ao visitar com certo medo aquelasimagens, os Passos do Senhor, com a cor púrpura presente, para rezarum pouco e pedir-lhe as inúmeras coisas fora do nosso alcance...Ocheiro a flores nos altares, flores de todas as cores, as cores que são afi-nal, a mistura que dá o Branco.O Branco, é o oposto do Negro, o Negro é a ausência da cor, e é a coreque a Maria muitas vezes veste, mas o que ela tem na Alma é o BrancoLuz e a mistura de todas as cores, as cores que deita nas telas, em ges-tos vigorosos e sinceros.João Botelho Moniz Burnay
  9. 9. “Pizzicato-Polca”; 168x114; Acrílico S/Tela; 2003
  10. 10. “Les Géants- D’Avalon”; 136x89; Acrílico S/Tela; 2003
  11. 11. “O Branco rebate tantas histórias”; 168x114; Acrílico S/Tela; 2003
  12. 12. “Em grandes cidades de memórias”; 99x158 Acrílico S/Tela; 2003
  13. 13. “Allegro con Spitito”; 136x89; Acrílico S/Tela; 2003
  14. 14. “A Vida tem tanta cor”; 89x136; Acrílico S/Tela; 2003
  15. 15. “Há um corpo que envolve todo o conjunto do Mundo”; 89x136; Acrílico S/Tela; 2003
  16. 16. “O trovão do silêncio”;114x168; Acrílico S/Tela; 2003
  17. 17. “Silentium post Clamores”; 158x158; Acrílico S/Tela; 2003
  18. 18. Cumpre-se agora um ritual. Maria recebe os seus Amigos em volta dasua obra e convida-os a que nela participem, deixando o seu teste-munho. Sempre.Tenho acompanhado o percurso de Maria Sobral Mendonça desde que,em 1994, fez a sua primeira individual no Panteão Nacional. Em1999, apresentou “Dança de Pássaros” no Palácio da Independênciae, dois anos depois, expôs no Convento das Mónicas. Agora, parte àaventura rumo ao Alentejo, sob o mote “O Branco no Branco”, apre-sentando a sua obra num outro espaço carregado pela vivência dosséculos. Ao preparar uma mostra no Convento de S. Paulo, MariaSobral Mendonça cumpre um interessante e fundamental processo dedescentralização cultural.Desta vez, Maria surpreende-nos com um conjunto de telas em queuma amálgama de figuras coloridas e muito recortadas se salientam deum imenso fundo branco. Ana Maria Botelho escreveu uma vez que apintura de Maria Sobral Mendonça é confessional e libertadora. E, aoobservarmos o quadro principal desta exposição constatamos que, nomeio de uma multidão feérica vê-se, em cima de um andor, uma figu-ra de espada em punho. “É D. Sebastião!” - diz-nos a autora. “Passoutambém neste Convento de S. Paulo, antes de Alcácer-Quibir...” -continua... O Rei é então representado com duas cabeças, cada umavirada para um lado diferente – uma para Lisboa, outra paraMarrocos; uma para a razão, outra para a paixão. Mas, quem conhe-ce verdadeiramente Maria verifica ser este também um auto-retrato –olhando sempre para a frente, mas nunca esquecendo as suas antigasraízes nortenhas de que se orgulha. Sempre com uma linha de conti-nuidade presente, a que não é alheio o facto de ter diversas vezes emalgumas exposições um ou outro quadro de uma anterior fase.Sempre com um fio condutor, como Ariadne. E ao testemunhar estaimagem vem-me à cabeça uma fala de Lord Sebastian Flyte, no fabu-loso romance “Reviver o Passado em Brideshead” de Evelyn Waugh:“Gostava de enterrar algo precioso em todos os lugares onde fui felizpara que um dia, já velho, feio e infeliz pudesse voltar, desenterrá-lo erecordar...”.Jorge Pereira de Sampaio
  19. 19. “O Branco no Branco”O Miticismo, a Tradição, a Tradição do espaço e o ponto de encontro“Branco no Branco” com o momento da criação e da meditação, sãosem dúvida as grandes referências desta exposição que Maria SobralMendonça nos apresenta.A forma sublime como dialoga com o seu espaço de instropecção, atela, e o “ataca” cheio de personalidade e sentido dão forma ás perso-nagens e momentos onde a conjugação das cores apresentadas e atemática abordada nos identifica de emediato com os “momentos” dereferência mitologica a que este espaço está associado.Com uma linguagem vanguardista denota-se que os trabalhos deMaria Sobral Mendonça são possuidores de uma forte itensão. Somosconfrontados - e após um percurso artístico de referência onde entreoutros se destaca recentemente o Diploma de Honra recebido pelaAssociation Internationel des Artes Plastiques, entidade associada àUnesco - com mais uma notavel mostra onde agora encontramos osvalores às Referências, à Identidade do “Eu” Sˇ de cada um.José Luis Bahia
  20. 20. “Gentes curiosas navegam”114x168; Acrílico S/Tela; 2003
  21. 21. “Silentium post Clamores”; 158x158; Acrílico S/Tela; 2003
  22. 22. Chegámos! Abre-se um portão para um mundo distinto.Entramos num mosteiro, de outra era, mundo de gigantes e austeri-dade. Alguém nos aguarda. Afinal não somos assim tão diferentes.Quem nos convida, e recebe, sabe que aqui é possível usufruir, serenae tranquilamente, de toda uma dimensão que compreende o Divino.Há lugar para nós, eremitas, peregrinos e alquimistas. Na verdadeiraobra respeita-se o mistério. Aí caminha-se para um tempo petrificadoe, por conseguinte, encontramos nela uma imagem da imutabilidadeCeleste. Está-se bem contemplando e dorme-se em paz, flutuando,sonhando, ...Acompanha-nos a beleza, a doçura e a leveza. Apercebemo-nos que aevolução para outro estado pode ser um sacrilégio. Qualquer interven-ção é sempre arriscada porque movemo-nos em território sagrado.Terra-Cosmos; Cosmos-Terra. Onde começa um e acaba o outro? Seráque viajar cada vez mais longe usando o progresso tecnológico, desbra-vando, revolucionando e transformando tudo à nossa volta, à máximavelocidade, numa ilusão de conquistar rapidamente, duma forma egoís-ta, o que nos foi oferecido e criado gratuitamente por Deus, obteremosessa resposta? Ou que alcançaremos, dessa forma, a eternidade – sinó-nimo da felicidade que todos aspiramos? Não! Temos tudo à mão, sim-plesmente, bastaria respeitarmos o que nos é próximo. O que é naturalfaz-se ouvir, com toda a força que nos é possível apreender, sem ilusões.O caminho da luz, da transparência e da sabedoria, faz-se para o altocom paciência e tranquilidade. Havíamos de viver um “trajecto” queapenas nos iluminasse, nos abrisse os olhos e nos elevasse. O eixo ver-tical, como compreendeu o homem há milhares de anos ao evoluir dasquatro patas do chão, é o que transcende o estado terreno, nos libertado espaço e do tempo e nos conduz ao Paraíso – Céu na Terra. Temosque aprender a ser-se “monge”, trabalhar e contemplar, sofrer atenta-mente a um ritmo adequado, para melhor controlar, como fez Jesus, oenorme poder destrutivo que vive em nós. Há que aceitar a vida decabeça erguida, para compreendermos a morte e a ressurreição, senecessário, através do exercício espiritual. Como diz Jean Hani, no seulivro O Simbolismo do Templo Cristão, “se o tempo é mal, tambémnos conduz para o Messias e ao encontro com Ele, que é uma saídafora do tempo”. Essa, sim, é a conduta mais feliz e mais gratificante!Abre portas para um nosso interior desconhecido, que se preserva fora
  23. 23. de manipulações exteriores, que aqui a Maria Sobral Mendonça,dando continuidade ao seu anterior ciclo artístico exposto no Mosteirodas Mónicas, neste seu trabalho “Branco no Branco”, repleto de for-mas e sons nunca antes audíveis, tão bem exterioriza. Compreendendoque a vida não é um beco sem saída, mas há nela uma missão que saida alma, apresenta-nos uma contínua roda cósmica de doze pinturas(e um filme), expostas (os) neste outro templo, Convento de S. PauloEremita, contendo uma explosão de cores que, libertando-se das tre-vas, se levantam e se lançam no Céu para se fundirem na Alvura da“Paz” Eterna.Tal como os vitrais de uma catedral, descrevendo a história do mundona sua relação com o mistério da Redenção e que projectam o ciclodiurno, de doze horas, reflexo do anual, de doze meses, que acaba ecomeça na Páscoa do Encontro. Sendo esta, coincidente com a épocaem que se celebra a vida e a natureza sobre a morte, equinócio da pri-mavera, a prima vitória anual da Luz sobre a Escuridão. Data em que,finalmente, as mais de doze horas de sombra diárias do Outono eInverno são superadas.Tal como na liturgia da Palavra, representando o Triumpho Solar,adquirido através do “Sacrifício” cristão, desperto pelo Amor fraternoe ecuménico, que assim liberta a “energia” e o “calor” que nos permi-te a todos, indiferentemente da cor e raça, abraçar em plenitude aunião com Deus, “Luz da luz”, “Branco no branco”.Lourenço de Almada
  24. 24. “Quando sobrevêm o Branco”; 136x89; Acrílico S/Tela; 2003
  25. 25. Maria Sobral Mendonça (Lisboa, 8 de Maio de 1963)Designer, Pintora e Publicista, tem em linha de montagem acriação de uma nova Marca de Design Industrial a promover nomercado Nacional e Internacional. Os seus artigos (Porcelanae Vidro) encontram-se nos seguintes postos de venda: LojaAlma Lusa (Produtos de Designers Nacionais); Loja da RealAssociação de Lisboa e na Loja da Fundação do Centro Culturalde Belém. Para o Instituto Português dos Museus destaca-secom o Design exclusivo de uma colecção de “Copos paraCerveja” em Vidro, com a concepção de imagem personalizadae temática dos respectivos Museus. Recebe o “Certificat deDistinction” em 1999, pela Association Internacionale dêsArtes Plastiques auprés de L’Organisation des Nations Uniespour l’education, la science et la culture / UNESCO.
  26. 26. Exposições de Pintura - Individuais e Colectivas1994 - Panteão Nacional - “Tocar Com A Mente” - Lisboa.1995 - Galeria Conventual - “ Regresso a Pedro e Inês e Outras Histórias” - Alcobaça1996 - Galeria Conventual - “O Conhecimento dos Anjos” - Alcobaça1997 - Galeria Hexalfa - “Largar o Caís do Desconhecido”- Lisboa1997 - Palácio de Independência de Portugal - “Amores de Pedro e Inês” - Lisboa1998 - Galeria 65ª - “III Tempos de Duplicidade” - Lisboa1998 - Mosteiro de Santa Cruz - “As Lágrimas de Pedro e Inês”- Organizada pela Quinta das Lágrimas - Coimbra.1999 - Palácio de Independência de Portugal - “A Dança Dos Pássaros” - Lisboa1999 - Galeria Conventual - “6 Artistas, 6º Aniversário” - Alcobaça1999 - Pavilhão De Portugal - Retrospectiva de Colecção Privada - Lisboa2000 - Galeria Bairro Alto -“ I Bienal Pintura Domingos Sequeira” - Lisboa2000 - Galeria Conventual - “Imagens Para a Poesia de Virgínia Vitorino”2001 - Convento de Santa Mónica - “A Perda Do Eu Pelo Outro” - Lisboa2001 - Museu da Água - Organizada pela Real Associação de Lisboa - Lisboa2003 - Encontro Nacional de Cultura - Magic-X Cultura - Colectiva Nacional de Artes Plásticas - Alcobaça2003 - Cadeia das Mónicas - Exposição colectiva dos Funcionários dos Serviços Prisionais - Lisboa2003 - “PORTOARTE” - Feira Internacional de Arte Contemporânea - representada pela Galeria EmporioArte - Porto2003 - USERDESIGN expõe os artigos de vidro e de porcelana na FIL-Lisboa.2003 - Convento de São Paulo - “O Branco No Branco” - Fundação Henrique Leote - Alentejo.
  27. 27. Edgar Pêra – Cineasta Realizador (Portugal – 1960) Reúne um vasto curriculum em diferentes forma- tos (Vídeo e Filme) para diferentes meios (Cinema, Televisão, Instalações e Espectáculos). Filmes seleccionados: ”Reproduta Interdita”;“Matadouro”; “A Cidade de Cassiano”; “Guerra ou Paz”; “O Trabalho liber-ta?”; “SWK4”; “O Manual da Evasão LX94”; “O Mundo Desbotado”; “Who Isthe Master Who Makes The Crass Green?”; “A KonspiraçãoDus 1000Tympanaus”; “As Desventuras do Homem câmara” e “A Janela” Francisca Mendonça – Designer Gráfica (Portugal – 1968) ERG –École Recherche Graphique – Bruxelas, Bélgica. Exposições e trabalhos gráficos selecionados: Théatre Varia – Bruxelas – Bélgica; Exposição deCartazes, no Ciclo de Bernard Marie Koltés; Triennale Européene deL’ Affiche Politique – Mons; 6emes Recontres Internationnales desArtes Graphiques, Festival D’Affiches de Chaumont – França; Festivald’Hîver de Sarajevo; 15 International Biennal of Warsaw – Polónia;Exposição van Dyck – Antuérpia.Criação de “Newsletters” e imagem para plataformas de exposições deArte Contemporânea.
  28. 28. Bernardo Saraiva Lobo – Fotografo (Portugal – 1966) Frequentou os institutos: Fondation Course in Art & Design, Maidstone – Inglaterra. Course Environmental Portrait Photography and alterna- tive Processes no Maryland College of Art,Baltimore – USA. Photographic studies – University of Derby – Inglaterra.Editada os seus trabalhos em livros de prestigio, revistas e catálogos. Jan Rewzeski – Músico Compositor – Saxofone (Roma 1970) Escola Populaire di Musica di Testaccio (Roma); Conservatório de Pérouse (Itália); Conservatoire Royal de Musique de Liège. Reúne um vasto tra- balho de Composição e Saxofone para diversosgrupos, nomeadamente: Koba; Ice Cream Solution; Meu;Ictus Ensamble; L’Ensemble de Musique Contemporaine QO2; SonieYouth entre outros. Compôs música original para a coreografia“Pecadilia” do bailarino e coreografo Enzo Pezzela, assim como para acoreografia “Les Temps Suspendu” (Loulou Omer et Yves Mora).
  29. 29. Hanna Barbos – Mezzo – Soprano (Hungria – 1970) Obteve 3 primeiros prémios do Conservatoire Royal de Mons. Cantora de Ópera; Arte Liríca e Música Barroca. A destacar: Centro de Ópera Barroca (Monteverdi); Coros da Ópera deWallonie; Théatre du Café; Bazaar; Ensemble Leporello; Le GrandCarrousel; troup Ardents et Dans Différents Ensambles Vocaux (Choeurde Chambre de Namur, Laudandes...) Exercita diversidade de estilos:Música Barroca; Cantos Populares; Música Contemporânea.Ficha Técnica“O Branco No Branco”Filme de Edgar PêraMúsica Original do Filme Jan RwezeskiCanto Soprano Hanna BarbosDesign Gráfico Francisca MendonçaFotografía Bernardo Saraiva Lobo
  30. 30. Agradecimentos pessoais,Alexandra Pacheco, Alexandre Sousa Pinheiro, Armando Martins,Barbarasays, Bernardo Saraiva Lobo, Conceição Moreira Rato, AntónioNegrão Neto, António Pinto Coelho, Diogo Ogando, Edgar Pêra, FelicidadeQuintas de Mendonça, Filipa Mendonça, Flávio Lopes, Flor Rogério,Francisca Mendonça, Gisela Borges, Hanna Barbos, Hélder SobralMendonça, Henrique Leote, Isabel Menezes, Jan Rezweski, Joana da EiraFornelos, Joana Leitão de Barros, João Botelho Moniz Burnay, João Vieira daRocha, Jorge Pereira Sampaio, José Manuel Oliveira, José Luís Bahia,Lourenço de Almada, Manuel Amaral, Margarida Eça Leal, MariaVasconcelos, Paula Guedes, Paulo Nogueira, Pedro Morais Fonseca, Raul daBernarda, Rui José Pedroso, Rita Porfírio, Rosa Vasconcelos, Sónia Filipe,Tânia Tintim e Vasco Lourinho.Apoio no registo de imagens para o filme,Museu da Ciência da Universidade de LisboaDirectora - Professora Doutora Fernanda Madalena Abreu CostaSecretária da Direcção – Maria Paula Gualdrapa e João Pedro Frade
  31. 31. Paulo Matosinhos (SPEKTRUM KORPORATION) – Videoprojecção

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