Se não os frustrarmos vão ficar detestáveis -Mário CordeiroNotícia criada em 2011-06-07 ensinoprivado.comOs pais de hoje s...
É possível tempo de qualidade sem tempo de facto?Claro que há que ter um mínimo de tempo e aí entra outra coisa: opções. C...
Ainda outro comentário: «O meu filho foi fazer testes para ver se entrano jardim-de-infância» (desta ou daquela escola, no...
4 - Debate de ideias, ética, noções filosóficas desde muitocedo, capacidade de argumentação, coerência econsistência na de...
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Se não os frustrarmos vão ficar detestáveis

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Se não os frustrarmos vão ficar detestáveis

  1. 1. Se não os frustrarmos vão ficar detestáveis -Mário CordeiroNotícia criada em 2011-06-07 ensinoprivado.comOs pais de hoje são melhores, iguais ou piorespais do que os seus pais?São diferentes. São diferentes como pessoas, dado opercurso de vida diferente que tiveram em relação aos pais e avós, sobretudonum país que teve uma transição social muito rápida; são diferentes asfamílias, na sua composição e estrutura; é diferente a sociedade, seja natecnologia, seja nos estilos de vida, transportes, horários, trabalhos e regras epremissas sociais. A vida da mulher e do homem alterou-se muito, bem comoos aspectos relacionais dessa vida. Uma coisa é certa: são os melhores paisque os filhos podem ter, e isso é que interessa. Não se podem comparar coisasque são incomparáveis, passe o pleonasmo.Como reage àquela ideia, que tanta gente repete, de que em criança é quese é feliz...As crianças são felizes, embora a infância não seja um universo cor-de-rosa,mas sim um quadro que começa em tons bem negros e ao qual poderemosadicionar cores, entre as quais a cor-de-rosa, bem como alguns (muitos) arco-íris. Mas para ter arco-íris é necessário ter sol mas também chuva. Há criançasmais felizes e outras menos felizes, e ainda há, felizmente, uma minoria muitoinfeliz, mas porventura menos do que anteriormente, embora careçamos dedados epidemiológicos para sustentar uma afirmação destas, que pertencemais ao domínio das convicções.Os pais, sobretudo as mães, falam muito da culpa que os persegue?Muito, mas é preciso desfazer esse mito da super-mulher, e a culpabilizaçãodas mães por trabalharem. As mães sempre trabalharam, e não apenas emcasa ou no meio rural: há 100 anos, mais de um terço das mulheres trabalhavaem fábricas, vendas, etc. Chega de culpa, essa odiosa herança da nossa moraljudaico-cristã. É preciso responsabilização, mas não culpabilização, porqueesta, além de injusta, vitimiza e paralisa.O maior drama dos pais de hoje é a falta de tempo?Não digo que os dias tenham 48 horas ou que uma vida pessoal plena nãocontemple muitos universos que não apenas o prestar cuidados aos filhos, massendo o tempo um bem finito e escasso, há que o valorizar como precioso eusá-lo bem. E fazer ver aos nossos filhos que quando nos vêem, depois de umdia inteiro de ausência, estão famintos de pais, que eles são a nossaprioridade. O que não quer dizer que sejam o nosso único destino ou quetenham espaço para libertar a sua omnipotência narcísica e egoísta. Mas anossa prioridade, são.
  2. 2. É possível tempo de qualidade sem tempo de facto?Claro que há que ter um mínimo de tempo e aí entra outra coisa: opções. Cadaum deve estudar, com critério, quais as prioridades e não pensar que sãodeuses e que podem fazer tudo. Não podem. Ter filhos levará a que muitasoutras coisas terão de ser postas um pouco à margem, designadamente acegueira pelas «carreiras» e pelo trabalho. E, note, não tem nada a ver com otrabalho enquanto necessidade de vida, mas com o culto desse trabalho comoEnte supremo nas nossas vidas.De que forma é que o Estado, nós todos, podíamos ajudar os pais a teruma vida mais fácil?A maneira como uma sociedade trata as crianças (e os seus cuidadores) dizbem do grau de civilização dessa sociedade. E por muita UE que sejamos emodelo nórdico que ambicionemos (nos discursos), estamos a milhas desseshorizontes e não se vê vontade política, nem sequer para debater o assunto. Enão é com cheques-bebés e outras coisas no género, ou a beijar criancinhasem campanha eleitoral. É com medidas que apoiem a maternidade e apaternidade (como algumas das tomadas quando do nascimento) e com aintolerância perante abusos cometidos pelos empregadores. Por outro lado, oEstado não se deve substituir às pessoas e os pais, que têm de ter coragempara aproveitar a Lei sem reservas. Infelizmente, muitos pais não querem ter amaçada de estar com os filhos.Tenho ouvido pediatras e psicólogos dizer que a tolerância dos pais à dore à frustração dos filhos é excessivamente baixa. Sente que é assim?Quando os pais não são capazes de ser pais, só causam insegurança. A vidafaz-se de coisas boas e outras menos boas, que valorizam as boas.O que acontece quando não somos capazes de os frustrar?A baixa tolerância à frustração é um passo para criar pessoas narcísicas,birrentas, omnipotentes, numa palavra, detestáveis e que são um autênticocancro social e relacional. Não se pode ter tudo já, nem sequer tudo. É bomque os pais ensinem a frustração e como ter planos B que a menorizem, casocontrário teremos crises sucessivas de ganância de humanos que se achamdeuses e podem ter tudo o que querem, só por terem um cartãozinho decrédito.Imagine-se num parque infantil. Uma frase: Não consigo fazer nada dele,enquanto o menino arranca o balde da mão de outra criança, ou dápontapés na própria mãe...O menino arranca o balde, devolve o balde e pede desculpa. O menino dá umpontapé na mãe e vai de castigo. Tão simples como isso. Tudo o resto éfantasia de pessoas mal resolvidas e com medo da censura social. Quandouma criança faz uma birra em público, quem fica mal vista é ela, ou os pais quenada fizerem. Os pais que actuam como deve ser só ficam bem no retrato.
  3. 3. Ainda outro comentário: «O meu filho foi fazer testes para ver se entrano jardim-de-infância» (desta ou daquela escola, normalmente bemcotada). Como sente uma criança este exame de admissão, sobretudo senão entrar? Começa a vida já como um falhado?Testes para o jardim-de-infância? Mas estará tudo doido? Nem comento, masgente parva sempre houve, não é necessariamente de agora, e esses testestêm a ver, muitas vezes, com começarem-se a formar «cavalos de corrida»para ocuparem no futuro lugares de relevo. Muitas escolas particulares sãobraços armados de estratégias de grupos económicos, religiosos e outros.Bem-haja a escola pública!A outra frase que vai ouvir de certeza é «o meu filho é alérgico». Há maisalergias de facto, são mais diagnosticados, ou é quase um rótulo quejustifica os medos dos pais perante o desconhecido?Há mais alergias e reacções similares, decorrentes da degradação ambientalque não vemos, mas que existe… e que o nosso corpo sente. Não tem a vercom a alimentação, exclusivamente, até porque nunca circularam produtos detão boa qualidade no espaço europeu, mas sim com a poluição, os escapesautomóveis, a retenção dos pólenes nas cidades por acção da poluição e docalor urbano, etc. O ambiente mudou, mas o nosso organismo é o mesmo dehá milhares de anos e não se adapta geneticamente de um dia para o outro.--------------------------------------------------------------------------------Ingredientes para uma criança feliz1 - Amor - Dar e receber, mas de forma explícita, nãoapenas intencional ou conceptual. Conselho: habituem--sea pedir aos vossos filhos para dizerem duas coisas quecorreram bem nesse dia e duas que correram menos bem.Falem sobre elas.2 - Educação - Regras, firmeza afectiva, limites, instrução,cultura. Conselho: Não pensem que os meninos mal-educados que vêem foram atingidos por um qualquer raiocósmico. São o resultado de anos e anos de má-educação.3 - Lazer, desporto, actividades artísticas, espaços amplosde liberdade. Não esquecer que os pais são os modelosprincipais para as crianças. Se fica no sofá, não seadmire...
  4. 4. 4 - Debate de ideias, ética, noções filosóficas desde muitocedo, capacidade de argumentação, coerência econsistência na defesa daquilo em que se acredita.5 - Ler, ouvir música, escrever, fantasiar, criar, amar.Diferente de estar sempre a impor actividades...

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