Manual e formador
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Like this? Share it with your network

Share
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
1,992
On Slideshare
1,992
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
66
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. e-formadorser formador on-line: novos desafiosMaria João RaimundoOutubro 2008
  • 2.   2  Índice  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Considerações Iniciais ......................................................................................................... 3 E‐formadores: novas tarefas, novas competências ............................................................ 5 Modelos de autor  ............................................................................................................... 6  . Salmon ........................................................................................................................ 6  Collison ........................................................................................................................ 6  Thomas ........................................................................................................................ 7  Berge ........................................................................................................................... 7 Tarefas de e‐formador ........................................................................................................ 8 Recursos ............................................................................................................................ 10 Actividades pedagógicas em ambiente e‐learning ........................................................... 11 Comunicação em ambiente e‐learning ............................................................................. 12  Comunicação síncrona .............................................................................................. 12  Chat ................................................................................................................ 12  Comunicação assíncrona .......................................................................................... 14  Correio electrónico ........................................................................................ 14  Fóruns de discussão ....................................................................................... 15 E‐formador: proposta de modelo/perfil de competências .............................................. 16 Considerações finais ......................................................................................................... 19 Bibliografia ........................................................................................................................ 21  
  • 3.   3   e­formador   [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   ser formador on‐line: novos desafios   Considerações Iniciais  A utilização de tecnologias no processo ensino/aprendizagem é uma realidade que pode ser reconhecida enquanto tal desde a invenção da imprensa e a sua utilização na prática educativa através da distribuição em massa de informação na forma de livros, jornais, etc.  (Lima  &  Capitão,  2003),  sendo  que  o  processo  de  ensino  sempre  absorveu instrumentos,  que  não  sendo  direccionados  para  a  educação  ganharam  funções educativas. É neste sentido que julgamos fundamental não sobrevalorizar a utilização do computador ou da internet, antes, ponderar sobre os seus melhores contributos para a construção  de  uma  aprendizagem,  neste  caso  à  distância,  por  si  só,  também  já experimentada  há  largas  décadas,  mas  que  vê  agora  os  seus  canais/veículos  de “transporte” de informação profundamente optimizados. Obviamente  que  um  e‐formador  deve  ter  competências  ao  nível  da  utilização  da tecnologia  em  causa,  mas  já  Perrenoud  (2000)  previa  que  esta  fosse  uma  condição essencial para ensinar e  aprender. Muito já se escreveu sobre e‐learning, b‐learning e tantas outras modalidades de ensino à  distância,  que  incluem  a  utilização  de  tecnologias  de  informação  e  comunicação,  na nossa  opinião  cada  vez  menos  novas,  mas  que  trouxeram  às  metodologias  de ensino/aprendizagem a necessidade imperativa de reflexão sobre os ajustes necessários ao nível de paradigmas, perfis e competências de aluno, de professor, só para nomear os mais óbvios.  O grau de autonomia do aluno cresceu, mas com ele cresceu também a necessidade de uma  gestão  rigorosa  da  sua  aprendizagem  que  se  desenvolve  em  comum  com  uma comunidade colaborativa baseada num paradigma construtivista. Nesta  comunidade,  a  virtualidade  da  presença  do  e‐formador  pode  ser  uma desvantagem  se  não  for  criteriosamente  gerida.  Contudo,  um  e‐formador  presente  e activo torna‐se ainda mais disponível aos alunos que um professor em sala de aula com “hora marcada”, que finda a sua intervenção, é um elemento distante e ausente. O e‐
  • 4.   4  formador  de  um  curso  é,  portanto,  elemento  essencial  no  sucesso  ou  fracasso  das  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]  aprendizagens dos seus alunos. “Ensinar”  online  é  uma  experiência  relativamente  recente  e  requer  algumas competências pedagógicas  específicas  na medida  em que o professor passa a ter uma função  de  liderança,  de  "animação"  no  sentido  mais  literal  da  palavra,  de  despertar  a "alma"  do  grupo.  E  nisto  é  apoiado  e  acompanhado  pelos  alunos,  que  também  se animam uns aos outros, procurando o crescimento de todos.  Requer‐se  não  só  o  domínio  de  um  conteúdo  ou  de  técnicas  didácticas,  mas  a capacidade de mobilizar os alunos em torno da sua própria aprendizagem, de fomentar o  debate,  promovendo  o  pensamento  crítico,  o  sentido  de  autonomia,  o  diálogo,  a negociação e a colaboração.  A  contribuição  para  o  desenvolvimento  de  interacções  e  de  relações  interpessoais produtivas entre os participantes e a criação das condições necessárias para que o saber circule,  se  multiplique,  seja  partilhado  e  (re)construído  pelo  estudante  é  também fundamental para este novo modelo de professor à distância. O perfil desejável de um e‐formador não é assunto novo e por isso optámos por na fase inicial  deste  trabalho  apresentar  um  conjunto  de  autores,  cujo  contributo  para  estes temas, muito já ajudou quem se viu nestas “andanças”.  Sentimos, porém, a necessidade de acrescentar a estes modelos algumas considerações que julgámos importantes para o tema: tarefas de um e‐formador, recursos, actividades pedagógicas  em  ambiente  de  e‐learning  e  modelos  de  comunicação  (síncrona  e assíncrona).     
  • 5.   5  E­formadores: novas tarefas, novas competências  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Diversas  versões  relativas  à  definição  de  e‐formador  revelam  diferenças  que,  embora possam  não  ser  significativas,  se  diferenciam  de  imediato  pelo  nome  que  lhe  é atribuído. Se é certo que em sala de aula um professor é um professor (eventualmente pode  adquirir  o  estatuto  de  formador)  numa  sala  de  aula  virtual  muito  lhe  podem chamar...  No  âmbito  do  e‐learning,  termos  como  professor,  tutor,  formador, moderador,  etc.  estão  normalmente  associados  ao  prefixo  “e”  ou  “on‐line”,  dando origem a designações como e‐professor, e‐tutor, e‐formador ou e‐moderador. Mais  consensuais  são  as  perspectivas  relativamente  às  suas  funções  gerais, nomeadamente  a  sua  decisiva  contribuição  para  a  qualidade  e  o  sucesso  do ensino/aprendizagem  bem  como  “a  sua  intervenção  no  apoio  à  aprendizagem  em regime de e‐learning que exige destes e‐formadores um amplo leque de competências a diversos níveis”  (Rodrigues, 2004). Consensual parecem ser também as competências gerais de um e‐formador: Promover, estimular,  orientar  e  apoiar  serão  talvez  os  seus  grandes  propósitos  e  que  segundo Mason  (1998)  estão  inerentes  a  diversas  formas  de  interacção:  formando  e  formador, formando  e  conteúdos  e  entre  formandos.  Outros  autores  incluem  ainda  uma  quarta forma de interacção: formando e a interface ou plataforma. A partir deste ponto as ideias divergem ligeiramente. Como tal,  e dada a profusidade de estudos sobre o tema, seleccionamos quatro modelos que julgamos poderem ser úteis e que a seguir apresentamos.  
  • 6.   6  Modelos de autor  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Salmon  Salmon  (2000)  propõe  um  modelo  de  e‐learning  que  exige  diferentes  estádios  de intervenção ao e‐formador:  Nível  Competências do e‐formando Competências do e‐formador  Desenvolvimento do  acesso/relação com a  Acesso e Motivação  Acolhimento e motivação  plataforma e motivação  para o tema  Familiarização e construção de  Socialização  Troca de mensagens  espírito de grupo (cultural,  social e de aprendizagem)  personalização de software  Partilha de  Orientação e apoio ao uso de  e busca/troca de  Informação  materiais de aprendizagem  informação  Construção de  Apoio ao processo, diminuindo  Conferências com o grupo  Conhecimento  gradualmente intervenção  Construção de  Apoio ao processo, diminuindo  Desenvolvimento  conhecimento dentro e fora  gradualmente intervenção  da plataforma  Collison Segundo  Rodrigues  (2004)  Collison  et  al  (2000)  divide  o  papel  do  e‐formador  em  três categorias: Guia não participante: o e‐formador dirige e conduz múltiplos debates entre estudantes, evitando interacções directas. Instrutor  ou  líder  de  projecto:  o  e‐formador  tem  um  papel  instrutivo,  fornecendo feedback, orientando e definindo regras das interacções. Líder  do  Processo  de  Grupo:  o  e‐formador  promove  a  participação  de  todos  nos debates, guiando‐os e focando‐os em linhas construtivas. 
  • 7.   7  Thomas  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]  Também segundo Rodrigues (2004) Hywel Thomas da Training Foundation sistematizou o processo numa menemónica de 4P, as qualidades de um e‐formador: Positivo:  estabelece  ligações,  gera  entusiasmo,  mantém  o  interesse  e  ajuda  nas dificuldades. Proactivo: faz acontecer, é catalisador e identifica quando é necessário agir e fazer. Paciente: compreende as necessidades de cada formando e do grupo e tem flexibilidade de ajustar o curso às necessidades. Persistente:  Mantém  o  foco  no  essencial,  impede  os  formandos  de  se  afastarem  e resolve problemas técnicos ou de outra natureza.  Berge  Berge(1995), classifica a participação de e‐formador em quatro categorias: Pedagógica:  o  e‐formador  é  um  facilitador  educacional,  fazendo  uso  de  metodologias que focam debates nos conceitos, principios e competências.  Social:  promove  um  ambiente  amigável,  facilitador  da  aprendizagem,  incentiva  as relações humanas, desenvolvendo coesão e espírito de grupo. Gestão  (Organizativa  e  Administrativa):  define  e  divulga  agenda,  calendários,  regras  e procedimentos de participação, etc. Técnica:  a  utilização  do  software/plataforma    deve  tornar‐se  familiar.  O  e‐formador deve  garantir  que  o  uso  da  tecnologia  não  se  constitui  enquanto  factor  inibidor  da aprendizagem. 
  • 8.   8  Tarefas de e­formador  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Sendo que a motivação deve estar sempre no centro das atenções de um e‐formador, ainda antes de um curso on‐line ter o seu início existem condicionantes que deverão ser ponderadas. Segundo Duggleby (2002) devem ser colocadas as seguintes questões:  • O Curso pode ser realizado exclusivamente on‐line ou serão necessárias sessões  presenciais?  • O curso será apoiado com materiais distribuídos de outra forma que não a web?  • Os alunos terão de trabalhar apenas individualmente ou trabalharão também em  grupo?  • Os alunos poderão trabalhar ao seu próprio ritmo ou terão que cumprir prazos  rigorosos?  As respostas a estas questões determinarão a flexibilidade de gestão de tempo e, como tal,  a  intervenção  do  e‐formador.  Trabalhos  de  grupo,  rigor  de  prazos,  por  exemplo, inibem a flexibilidade dos alunos e implica uma maior e mais assídua intervenção do e‐formador. Estes são factores a considerar no processo de planeamento, estruturação e calendarização  efectuado  pelo  e‐formador.  Os  objectivos  da  formação  devem  ser adaptados  ao  número  de  participantes;  os  materiais  devem  ser  preparados  com antecedência, ainda antes de a formação iniciar, embora possam ir sendo adicionados novos; a calendarização das actividades a desenvolver deve ser clara, assim como a sua periodicidade (o mais comum é desenvolverem‐se semanalmente), a fim de auxiliar os estudantes na gestão do seu tempo e na frequência necessária para acompanharem o desenvolvimento do curso. Após  planeamento,  os  esforços  do  e‐formador  dever‐se‐ão  dirigir  para  a  sua implementação e orientação. A  este  propósito,  Duggleby  (2002)  e    Dias  (2001)  analisaram  a  intervenção  dos  e‐formadores durante um curso em e‐learning que resumiram nas seguinte tarefas: Dias (2001)  • Acolher;  • Encorajar e Motivar;  • Promover a interacção, participação e orientação;  • Fornecer retorno/resposta rápida; 
  • 9.   9   • Criar e animar grupos;  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   • Promover a colaboração entre participantes;  • Facilitar as discussões;  • Monitorar o progresso;  • Controlar o ritmo;  • Dar informação e acrescentar conhecimento;  • Definir trabalhos e tarefas;  • Assegurar que os objectivos do curso são cumpridos;  • Avaliar participantes;  • Avaliar curso.  Duggleby (2002)  • Acolher os alunos;  • Encorajar e motivar;  • Controlar progressos obtidos;  • Assegurar‐se que os alunos estão a trabalhar ao ritmo certo;  • Fornecer informação, desenvolver, clarificar e explicar;  • Fornecer comentários aos trabalhos dos alunos;  • Certificar‐se que os alunos estão à altura dos padrões requeridos;  • Garantir o sucesso das conferências;  • Tornar‐se elemento facilitador de uma comunidade de aprendizagem;  • Fornecer conselhos de apoio técnico;  • Concluir o curso. Durante  o  cumprimento  das  suas  tarefas,  bem  como  a  dinamização  das  actividades, haverá,  no  nosso  entender,  algumas  considerações  que  devem  ser  acauteladas, nomeadamente a precisão na linguagem a usar, com instruções claras e precisas, uma vez que a comunicação é feita pela escrita, bem como entender que esta é uma função que requer tempo e atenção permanente, evitando o “stress” da participação excessiva ou  o  abandono  dos  estudantes  a  si  próprios,  que  pode  levar  à  não  participação  de muitos  estudantes  (Lurking).  Este  é  um  conceito  definido  como  “  …o  comportamento dos  estudantes,  que  embora  leiam  e  acompanhem  as  discussões  (possível  de  analisar através de mecanismos específicos de software/plataforma que permitem verificar, por exemplo,  quem  leu  o  quê,  ou  quem  gravou  para  o  seu  computador),  não  participam nelas.  Este  fenómeno  cria  alguns  problemas,  nomeadamente  quanto  à  avaliação.”( Morgado, 2001 ) 
  • 10.   10  Recursos  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Sendo que um curso ministrado on‐line implica uma capacidade de organização e gestão rigorosas,  é  facilitador  o  fornecimento  aos  e‐estudantes  de  um  conjunto  de recursos/documentos da responsabilidade do e‐formador.  • Pacote tecnológico em que se inclui o software (ou plataforma) necessário, bem  como as respectivas instruções de utilização. Porém, é importante que durante o  curso seja sempre disponibilizado apoio técnico (pelo e‐formador ou em formato  help‐desk).  • Guia  do  e‐formando  em  que  sejam  claros  os  pré‐requisitos  necessários,  orientações para o ensino on‐line, instruções sobre a utilização dos recursos de  aprendizagem e gestão do tempo.  • Guião  do  Curso  onde  conste  a  duração/cronologia  dos  curso,  destinatários,  objectivos e resultados de aprendizagem, conteúdos, metodologias, avaliação e  outros aspectos importantes sobre a estrutura do curso.  • Guião  de  unidade  para  cada  uma  das  etapas  estipuladas.  Neste  documento  deverão ser disponibilizados e pormenorizados os objectivos da unidade (tema,  actividades,  prazos),  as  instruções  para  o  seu  cumprimento,  os  materiais  necessários (documentos de leitura ou outros, links de interesse) e avaliação.  • Resumo  de  unidade  constitui‐se  enquanto  um  feedback  precioso  para  os  e‐ estudantes.  Deve  incluir  os  contributos,  os  pontos  fortes  e  pontos  fracos  do  processo  e  as  conclusões  de  forma  a  facilitar  o  contínuo  conhecimento  cumulativo.   • Avisos,  solicitações  e  outros  pequenos  recursos  que  vão,  ao  longo  do  curso,  optimizando a capacidade de comunicação entre e‐formador e e‐formando. Na  impossibilidade  das  pequenas  compensações  do  ensino  presencial,  este  é  um  recurso indispensável.    
  • 11.   11  Actividades pedagógicas em ambiente e­learning  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Há  já  alguns  autores  que  denominam  as  actividades  dinamizadas  em  regime  de  e‐learning  como  e‐tividades  (e‐tivities),  nomeadamente  Salmon  (2000).  É  aconselhavel que o e‐formador garanta a estas actividades uma “progressão lógica através do ciclo de aprendizagem  e  que  ofereçam  uma  variedade  adequada  às  necessidades  de  cada pessoa”  (Duggleby, 2002). A sua escolha deve estar condicionada à forma do curso, ao tema, à duração e número de participantes. Referem‐se, a título exemplificativo, as mais comuns:  • Pesquisa na internet, preferencialmente, de início de forma orientada.  • Discussão em fórum/chat subordinada a um determinado tema proposto pelo e‐ formador da qual deve ser realizada uma sintese.  • Trabalhos  escritos  onde  se  desenvolvem,  constroem  e  demonstram  conhecimentos.  São,  normalmente,  semelhantes  aos  usados  em  formação  presencial.  • Trabalhos  práticos  nem  sempre  são  fáceis  de  se  aplicar  à  modalidade  de  e‐ learning, mas podem ser realizáveis caso seja possível documentá‐los por escrito  ou em formato áudio ou vídeo.  • Testes  e  questionários  que  permitem  realizar  avaliações  diagnósticas,  formativas  ou  mesmo  sumativas.  Existem  diversas  aplicações  on‐line,  algumas  gratuitas,  que  facilitam  este  tipo  de  actividade  (aconselhamos  http://www.surveymonkey.com). 
  • 12.   12  Comunicação em ambiente e­learning  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   “Todo  o  acto  educativo  tem  por  detrás  um  acto  de  comunicação”    (Rodrigues,  2004). Dada a ausência física dos intervenientes consideramos importante analisar, ainda que sumariamente,  as  ferramentas  que  permitem  esta  comunicação  e  cuja  dinamização, sobretudo em estádios inicias do curso, é da inteira responsabilidade do e‐formador.  Esta função implica duas vertentes:  • Intelectual, de intervenção, fornecendo informação, mantendo o debate dentro  do  tema,  estimulando  a  construção  de  conhecimento,  relacionando  e  resumindo.  • Organizativa e de suporte, registando e controlando intervenções, esclarecendo  dúvidas  de  funcionamento  das  actividades  e  apoiando  as  problemáticas  de  âmbito técnico.  Comunicação síncrona As  formas  de  comunicação  síncrona  implicam  simultaneidade  na  interacção.  As  mais comuns baseiam‐se na utilização de texto (chat), mas podem incluir áudio e vídeo. Deve ser  sempre  considerado  um  número  limite  de  participantes  de  forma  a  que  as intervenções não se sobreponham e se consiga manter uma lógica de debate.  Chat A moderação de chats nem sempre é fácil pelo que o e‐formador deve precaver alguns cuidados, nomeadamente:  • Planear e preparar cuidadosamente as sessões;  • Definir objectivamente objectivos, formato e tema a abordar;  • Anunciar/agendar sessões antecipadamente;  • Definir e divulgar regras de utilização;  • Limitar duração das sessões;  • Limitar número de participantes;  • Respeitar horários;  • Manter o chat dentro do tópico definido;  • Disponibilizar transcrição das sessões. 
  • 13.   13  Podemos, ainda, analisar as maiores vantagens do chat:  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   • Promove a dimensão social, aproximando participantes;  • Permite o contacto directo entre intervenientes do curso, nomeadamente entre  formandos e formador, fornecendo feedback imediato;  • Permite o esclarecimento rápido de dúvidas;  • Promove a espontaneidade, por vezes fundamental na sociabilização;  • Simula  o  ambiente  de  sala  de  aula  presencial,  o  que  poderá  ser  familiar  aos  formandos, conferindo‐lhes confiança. Porém,  como  toda  a  moeda  tem  duas  faces,  também  se  devem  considerar  as desvantagens do chat:  • Sendo  baseados  em  texto,  os  chats  podem  ser  penalizadores  para  utilizadores  menos ágeis na escrita com teclado;  • A  obrigatoriedade  de  estar  on‐line  a  uma  determinada  hora  pode  dificultar  a  reunião do grupo;  • Múltiplos assuntos discutidos em simultâneo;  • Perguntas que ficam sem resposta;  • Comentários  ou  respostas  que  perdem  a  pertinência  em  consequência  de  intervenções que surgem pelo meio de outros intervenientes. Muitas são as actividades passíveis de ser desenvolvidas neste formato. Apresentamos algumas sugestões:  • Discussão de textos;  • Apresentação de trabalhos;  • Sessões de brainstorming;  • Sessões com especialistas;  • Sessões de dúvidas e perguntas;  • Horário de atendimento virtual;  • Trabalho em grupo;  • Encerramento de módulos ou cursos.     
  • 14.   14  Comunicação assíncrona  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]  A maior diferença relativamente à comunicação síncrona reside no tempo. As intervenções são feitas de forma intermitente com diferença temporal. Podem perder espontaneidade, mas ganham em pesquisa e reflexão. Correio electrónico  É literalmente a função dos serviços postais em formato electrónico, ainda que substancialmente mais rápido e, talvez, mais económico. Usa‐se para uma forma de comunicação em diferido entre duas ou mais pessoas. Neste último caso, quando se trata de comunicação entre um emissor e vários receptores, será facilitador o uso de listas de distribuição. Analisemos, agora, as maiores vantagens do correio electrónico:  • Ferramenta familiar, com que a maioria dos e‐formandos se sente confortável;  • Rápido e económico;  • Permite a comunicação privada;  • Mensagem entregue de forma automática;  • Evita  sobrecarregar  os  canais  comunicativos  colectivos  com  mensagens  de  interesse individual;  • Confere confiança aos mais “tímidos”, com maior receio de exposição colectiva. E as desvantagens:  • As  mensagens  via  correio  electrónico  correm  o  risco  de  ficarem  diluídas  no  conjunto das mensagens diárias dos utilizadores;  • Para conferir alguma agilidade ao processo de comunicação, implica o controlo  sistemático da caixa de correio. Apresentamos algumas sugestões de actividades em correio electrónico:  • Distribuição  personalizada  (ou  não?)  pelos  formandos  de  mensagem  de  acolhimento;  • Regularização de questões administrativas inerentes ao curso;  • Distribuição de documentos;  • Divulgação de anúncios e avisos;  • Comunicação individual entre formador e formando;  • Comunicação entre membros de um grupo de trabalho.  
  • 15.   15  Fóruns de discussão  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]  São, provavelmente, a mais utilizada ferramenta em plataforma de aprendizagem em e‐learning. Tal como o correio electrónico permitem troca de mensagens, por ordem cronológica mas cada espaço de discussão é, normalmente, subordinado a um tema de discussão específico. É  conveniente  que  o  e‐formador  pondere  algumas  questões  sobre  a  utilização  de fóruns:  • Planear e preparar cuidadosamente a utilização do fórum;  • Definir objectivamente objectivos, formato e tema a abordar;  • Comunicar linhas de discussão;  • Anunciar/agendar debates antecipadamente;  • Definir e divulgar regras de funcionamento e utilização;  • Acompanhar regularmente as actividades do fórum;  • Manter o funcionamento do fórum;  • Moderar as discussões e actividades. Analisemos, agora, as maiores vantagens do fórum:  • Permite estruturar, organizar e preservar as intervenções e registo de diálogos;  • Dada  a  sua  continuidade  cronológica,  permite  organizar  e  estruturar  a  linha  condutora de construção de conhecimento;  • Permite criar diversos temas diferentes em espaços de discussão distintos;  • Rápido e económico. E as desvantagens:  • Os  formandos  têm  que  aceder  ao  fórum  para  terem  conhecimento  das  intervenções;  • Os  formandos  devem  sentir‐se  confortáveis  para  enviar  mensagens  para  um  espaço público. Actividades possíveis em fórum de discussão:  • Apresentação dos participantes;  • Esclarecimento de dúvidas e perguntas;  • Brainstorming;  • Discussão orientada;  • Discussão livre;  • Debates;  • Apresentação e Avaliação de Trabalhos. 
  • 16.   16  E­formador: proposta de modelo/perfil de competências  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Feita toda esta compilação de informação, ousamos propor um perfil de competências inerente à função de e‐formador. Fizemo‐lo no final, porque só agora, e após reflexão sobre tudo o que ficou para trás, nos sentimos capazes de o fazer. No fundo,  é um sumário sistematizado de todos os modelos e propostas analisadas.  Optamos por dividi‐lo em cinco categorias:  Pedagógicas, o e‐formador deve:  • Aplicar metodologias de ensino/aprendizagem e optimizar o uso de tecnologias  em geral, promovendo a utilização de recursos e serviços on‐line;  • Integrar os recursos disponibilizados pelas tecnologias enquanto facilitadores da  construção de conhecimentos, assim como de motivação, interesse e dedicação  à aprendizagem;  • Animar e liderar o processo de aprendizagem;  • Adoptar  estratégias  que  motivem  o  formando  a  envolver‐se  na  sua  própria  aprendizagem e lhe permitam desenvolver a sua autonomia e iniciativa;  • Adoptar  uma  metodologia  orientada  para  análise,  reflexão,  problematização,  interacção, de acordo com as diferentes fases da aprendizagem;  • Mobilização de competências individuais na construção da inteligência colectiva;  • Mobilizar  a  comunidade  de  e‐formandos  em  torno  da  sua  auto  aprendizagem,  com a sua presença, resposta e esclarecimentos;  • Induzir  o  trabalho  colaborativo,  favorecendo  um  ambiente  de  aprendizagem  colectiva;  • Moderar e gerir debates redigindo conclusões:  o Gerir a interacção presencial entre todos os intervenientes;  o Definir  o  tempo  das  tarefas,  flexibilizando  a  gestão  do  tempo  e  dos  prazos, em função do perfil do e‐formandos;  o Identificar novas oportunidades e factores de mudança, dando feedback  sobre o trabalho efectuado;  o Disponibilizar apoio técnico.    
  • 17.   17  Gestão, o e‐formador deve:  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   • Ter espírito de liderança;  • Ter aptidão para estimular e moderar a participação e a discussão;  • Ser  objectivo  nas  indicações,  permitindo  sugestões  e  adaptando‐se  ao  ritmo  e  perfil do grupo;  • Bom comunicador ‐ gestão do processo comunicacional (síncrona e assíncrona),  incluindo e promovendo a participação activa de todos os intervenientes;  • Capacidade de resposta rápida aos e‐formandos;  • Permanência na plataforma ‐ gestão de debates;  • Ser dotado de atributos comunicacionais e éticos específicos: responsabilidade,  espírito  de  crítica  construtiva,  positividade  e  pro‐actividade,  paciência  e  persistência, empatia e simpatia.  Sociais, o e‐formador deve:  • Adoptar uma postura não autoritária (flexível) sem perder o rigor e a disciplina;  • Partilhar conhecimentos e experiencias;   • Criar  oportunidades  para  uma  aprendizagem  resultante  do  esforço  de  uma  comunidade  (apoio  e  retorno  de  todos  os  indivíduos  durante  o  percurso  formativo);  • Promover  o  espírito/trabalho  em  grupo,  facilitando  a  aprendizagem  colaborativa;  • Manter‐se acessível e próximo dos e‐formandos;  • Estimular a participação e a discussão;  • Incentivar a partilha, a inter‐ajuda e o trabalho em equipa (aspecto processual e  social da aprendizagem);  • Reconhecer  a  diferença,  promovendo  a  inclusão  e  participação  activa  de  todos  os intervenientes;  • Estar  presente  com  regularidade  e  atento  à  plataforma  dando  resposta  às  solicitações dos formandos e feedback dos seus trabalhos;  • Promover a participação e o contributo de todos, mas reconhecer a diferença ao  permitir  que  há  quem,  por  personalidade,  prefira  ser  contido  nos  comentários  durante o desenvolvimento dos debates/actividades;  • Mediar a gestão de conflitos, induzindo alterações nos comportamentos;  • Negociar com os e‐formandos, de início, as regras (possíveis) do curso (horários,  prazos, etc.). 
  • 18.   18  Tecnológicas, o e‐formador deve:  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   • Ter competências na área das tecnologias utilizadas;  • Ter  facilidade  de  utilização  de  equipamentos,  de  sistemas  operativos  e  de  aplicações informáticas necessárias ao curso;  • Conhecer profundamente o contexto virtual (conteúdos, metodologias, etc.);  • Estar  consciente  das  capacidades  pedagógicas  das  tecnologias  utilizadas  e  potencia‐las enquanto meio (e não fim) da aprendizagem;  • Ajudar o estudante a adquirir estratégias e destrezas adequadas para a formação  online;  • Apoiar nas questões técnicas.  Operacionais, o e‐formador deve:  • Preparar todos os materiais/recursos/actividades do curso atempadamente;  • Informar  os  estudantes  de  todos  os  aspectos  administrativos  que  lhes  digam  respeito;  • Usar  a  comunicação  privada  para  tratar  alguma  questão  particular  de  carácter  delicado;  • Proporcionar a apresentação de todos os participantes;  • Ser  visível  (sem  ser  intrusivo),  dando  sempre  «feedback»  aos  formandos  e  agindo quando necessário;  • Ajudar os e‐formandos a sentirem‐se confortáveis com o software/plataforma;  • Ser ponderado e realista na quantidade de recursos e tarefas;   • Promover contributos objectivos, sucintos e fáceis de ler;  • Manter  as  linhas  orientadoras  nas  discussões  e  encerrá‐las  com  intervenções  pertinentes;  • Ser informal, sem deixar de ser rigoroso;  • Ser firme em relação a intervenientes que não respeitem as regras estabelecidas;  • Evitar a todo o custo “desavenças” entre e‐formandos on‐line;  • Proporcionar um ambiente calmo e descontraído, propício a um bom trabalho.  
  • 19.   19  Considerações finais  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Como todos os modelos e formas de ensinar e de aprender, também as especificidades do  e‐learning  implicam  alguns  cuidados.  Julgamos  fundamental  o  desenvolvimento  de um  modelo  pedagógico  específico  que  envolva  os  alunos,  quer  ensinando,  quer mobilizando,  respondendo  prontamente  a  dúvidas  colocadas  e/ou  perguntando, verificando‐se, de facto, uma comunicação efectiva.  Para  a  própria  sociedade  de  Informação  em  que  vivemos,  ainda  existem  muitas vinculações ao passado, não tão distante como isso, que são motivadoras de problemas pertinentes no ensino online, como:  • A informação, hoje em dia, “envelhece” mais rapidamente;  • A banalização do ensino on‐line sem estruturação coerente;  • A tecnologia pode funcionar como princípio que define a aprendizagem, quando  devia ser o contrário;   • Dar‐se mais valor ao material e à técnica do que ao conteúdo;  • Os Professores estarem “Formatados” para se concentrarem no domínio de um  conteúdo ou de técnicas didáticas;  • Confusão com outras formas de “Educação à Distância” (EaD) ou com a sala de  aula;  • Falta de identificação clara dos objectivos da utilização de novas tecnologias. Esta prontidão exige uma disponibilidade generosa e um envolvimento profundo com o processo. Por sua vez, este processo implica uma, quase óbvia, mudança de práticas, de métodos  e  de  estratégias.  Mais  do  que  uma  grande  familiaridade  com  a  tecnologia, ensinar  online  requer  competências  que  envolvam  os  estudantes  no  desenvolvimento dos seus próprios processos de aprendizagem e auto‐formação.  Por se  tratar de  um  processo de auto‐formação as  actividades a serem  desenvolvidas, devem  respeitar  o  ritmo  da  comunidade  virtual,  para  não  provocar  ansiedade  ou desmotivação, podendo mesmo levar ao abandono da formação. Finalmente, exige‐se a um e‐formador coragem. Ele ensina numa sala de  aula pública, aberta  a  todos  os  visitantes.  Não  há  porta  fechada,  os  improvisos  são  difíceis  e  os julgamentos  fáceis.  Nem  todos  poderão  ter  confiança  suficiente  nos  seus  métodos  de forma a torná‐los acessíveis à grande world wide Web. Esta condição torna o e‐learning 
  • 20.   20  uma modalidade de formação não tão barata, nem tão lucrativa como se pensa, pois é  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]  necessário que se invista muito mais em Recursos Humanos.     “Of all the distance factors inherent in the classroom (social, cultural psychic and physical), only the factor of physical distance between teacher and learner is irrelevant  to learning   (Wedemeyer, 1981) 
  • 21.   21  Bibliografia  [ e ‐ form ador]  [s er  for m ador   o n‐ l ine :  no vos   desafios]   Berge, Z. (1995). Facilitating computer conferencing: recommendations from the fild. Educational Technology , 35 (1) 22‐30. Collison, G., Elabaum, G., Haavind, S., & Tinher, R. (2000). Facilitating on‐line learning ‐ effective strategies for moderators. Madison: Atwood Publish. Dias, A. (2001). The role of the trainer in online courses. Actas da II Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação: desafios 2001. Braga: Centro de Competência Nônio Século XXI, Universidade do Minho. Duggleby, J. (2002). Como ser um tutor on‐line. Lisboa: Monitor. Lima, J., & Capitão, Z. (2003). E‐lerning e E‐conteúdos. Aplicações das teorias tradicionais e modernas de ensino e aprendizagem à organização e estruturação de e‐cursos. Lisboa: Centro Atlântico. Mason, R. (1998). Using Communications media in open and flexible learning. London: Kogan Page. Morgado, L. (2001). O papel do professor em contextos de ensino on‐line. Discursos, série III , pp. 125‐138. Perrenoud, P. (2000). Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed Editora. Rodrigues, E. (2004). Competências dos e‐formadores. In A. A. Dias, & M. J. Gomes, E‐lerning para e‐formadores (pp. 71‐95). Guimarães: TecMinho. Salmon, G. (2000). E‐moderating: the key to teaching and learning on‐line. London: Kogan page. Shepherd, C. (2003). In search of the perfect e‐tutor. Obtido em 1 de Novembro de 2003, de Training Foudations: http://www.trainingfoundation.com/articles/default.asp?pageID=970