A dimensão das escola no contexto internacional...

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Conferência apresentada na UCP - Porto (26 de maio de 2011). Autoria: Isaura Reis.

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A dimensão das escola no contexto internacional...

  1. 1. A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Isaura Reis Doutora em Educação Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha
  2. 2. <ul><li>I. Enquadramento </li></ul><ul><li>II. Abordagens ao Estudo da Escola </li></ul><ul><li>III. Estudos sobre a Dimensão da Escola </li></ul><ul><li>IV. Regulação Educativa e Dimensão da Escola </li></ul><ul><li>V. Conclusões </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Índice
  3. 3. <ul><li>Construção social da educação e da escola </li></ul><ul><li>À medida que a História vai revelando os padrões normativos e os modos de inter-relação presentes na acção individual e colectiva vai-se operando um processo de construção social em que as esferas económica, social, cultural e política marcam os contextos, os processos e os diferentes tempos da escola e da educação. </li></ul><ul><li>Reformas Educativas, Globalização, Territórios e Sociedades Contemporâneas </li></ul><ul><li>Após os anos de 1980 as economias entram em crise, aumenta o desemprego, acentuam-se as desigualdades sociais, valoriza-se a flexibilidade, redefine-se o papel do estado, intensifica-se a interdependência e a mundialização das economias, reforçam-se e diversificam-se as formas de integração económica e emerge a importância do local. Neste contexto a s políticas educativas são marcadas por um grande descontentamento com a escola, abrindo caminho a medidas reformadoras fortemente inspiradas nos princípios neo-liberais, tornando incerto e problemático o seu futuro </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações I - Enquadramento
  4. 4. <ul><li>Os modelos de governância e os modos de regulação da educação revelam tendências de evolução e transformação parcialmente convergentes, pese embora a especificidade de cada realidade histórica, social e temporal </li></ul><ul><li>A regulação das políticas educativas considera diferentes níveis de territorialidade </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Estado Educador Regulação Burocrático-Profissional Estado Avaliador “ Quase”-Mercados Educativos Regulação Pós-Buro crática Regulação transnacional, nacional e local Processos de Contaminação, hibridismo e mosaico Barroso, 2003 I - Enquadramento
  5. 5. <ul><li>Convergência parcial da regulação das políticas educativas </li></ul><ul><li>(tendências, divergências, ambiguidades, contradições, complementaridade) </li></ul><ul><li>Privatização de serviços educativos - Tensão entre uma regulação suportada pelo Estado e os &quot;Quase&quot;-Mercados Educaivos. </li></ul><ul><li>Livre-escolha dos pais – Crescente valorização , como mecanismo privilegiado de criação de mercados educativos e como processo de reprodução social e cultural. </li></ul><ul><li>Métodos e técnicas de gestão empresarial – Paradigma gestionário, traduzido na recorrência à qualidade, excelência, produtividade e eficácia. </li></ul><ul><li>Decisões centralizadas versus descentralizadas – Tendência no sentido de uma gestão pelo mercado, descentralizado, concorrencial e autónomo. </li></ul><ul><li>Avaliação pelos resultados – Mudanças associadas a criticas às burocracias e ao profissionalismo, fazendo uso do mecanismo da avaliação estandardizada e criterial. </li></ul><ul><li>Diversificação da oferta escolar – Profissionalização dos sistemas educativos, vocacionalismo , por pressão da economia, associada à aprendizagem ao longo da vida, empregabilidade e competências. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Maroy, 2004 I - Enquadramento
  6. 6. <ul><li>O Estudo da Escola como Organização: </li></ul><ul><li>Abordagem científico-racional </li></ul><ul><li>Tributária das teorias clássicas de administração e gestão que supõem a existência de um modelo ideal de organização que pode ser descrito e reproduzido, baseado nos pincipios da racionalidade, nas técnicas de gestão da organização científica do trabalho e nos objectivos de eficiência. </li></ul><ul><li>2. Abordagem interpretativa-simbólica </li></ul><ul><li>Tributária da concepção de escola como realidade social e cultural construída e vivida. </li></ul><ul><li>3. Abordagem crítico-políico </li></ul><ul><li>Tributária da concepção da escola como realidade social complexa onde os actores, em função de interesses, estabelecem estratégias, mobilizam poderes e influências, desencadeiam conflitos, coligações e negociações. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações II - Abordagens ao estudo da Escola
  7. 7. <ul><li>Sociologia das organizações educativas </li></ul><ul><li>Abordagens sobre os efeitos de escola e sobre a identificação e avaliação de escolas eficazes </li></ul><ul><li>Tradicionais Modelos Input-Output </li></ul><ul><li>School Effectiveness Research (SER) </li></ul><ul><li>School Improvement Research (SIR) </li></ul><ul><li>Effectiveness School Improvement (ESI) </li></ul><ul><li>Abordagens que tomam a escola como unidade de análise e como organização em acção , no quadro das mudanças das políticas educativas em torno da descentralização e da autonomia . </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Com origem nos EUA e significativos desenvolvimentos no RU, Austrália e Holanda, têm vindo a ser conduzidos estudos marcados pela ideia de que as escolas importam e fazem a diferença Escola como “ esfera própria de mediação entre o contexto social mais amplo (a economia e a sociedade …) e as interacções de pequena escala que ocorrem quotidianamente em espaços intersticiais (dos órgãos de gestão, .., à sala de aula e às relações pedagógicas …) Lima, 2011, p.157. II - Abordagens ao estudo da Escola
  8. 8. <ul><li>Abordagens sobre os efeitos de escola </li></ul><ul><li>Tradicionais Modelos Input-Output aplicam-se ao estudo da escola enquanto unidade de produção , que por meio de recursos humanos, financeiros e materiais, tem o papel de transformar indivíduos de um dado valor, em indivíduos de valor superior. </li></ul><ul><li>School Effectiveness Research (SER ) constrói-se à volta de estudos de sinalização e medição dos efeitos escola, focalizando micro-variáveis. O desenvolvimento das técnicas estatísticas e o desenvolvimento da modelação multinível levou a um forte incremento destas abordagens. </li></ul><ul><li>School Improvement Research (SIR ) constrói-se tendo em conta uma maior focalização nos processos e nos progressos. São introduzidas variáveis de contexto. O SIR não segue um paradigma homogéneo, conta quer com abordagens mais orgânicas, como mais mecanicistas. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Effectiveness School Improvement (ESI) tendência de aproximação entre a SER e a SIR com uma dimensão pragmática na construção de modelos, a identificação de procedimentos ou selecção de práticas boas de melhoria (Ex: Projecto OCDE). </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações II - Abordagens ao estudo da Escola
  9. 9. <ul><li>Modelo Integrado </li></ul><ul><li>Escolas Eficazes (Scheerens, 2000 ) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Contextos </li></ul><ul><li>- Altas expectativas </li></ul><ul><li>Procura da educação </li></ul><ul><li>Dimensão, tipo, localização e composição da escola </li></ul><ul><li>Processo - nível Escola </li></ul><ul><li>Orientação resultados /avaliação </li></ul><ul><li>Liderança </li></ul><ul><li>Planeamento cooperativo </li></ul><ul><li>Qualidade e diversidade curricular </li></ul><ul><li>Clima, disciplina e ordem </li></ul><ul><li>Imputs </li></ul><ul><li>- Experiência professores </li></ul><ul><li>Despesa por aluno </li></ul><ul><ul><ul><ul><li>Apoio famílias </li></ul></ul></ul></ul>Outputs - Resultados escolares ajustados por desempenho anterior, inteligência e nível socioeconómico <ul><li>Processo - nível Turma </li></ul><ul><li>Tempo trabalho </li></ul><ul><li>Ensino estruturado </li></ul><ul><li>Altas expectativas, reforço positivo </li></ul><ul><li>Avaliação </li></ul>II - Abordagens ao estudo da Escola
  10. 10. A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Sociologia das Organizações Educativas </li></ul><ul><li>Os estudos centrados nas características organizacionais da escola tendem a centrar-se em: </li></ul><ul><li>(Nóvoa, 1999) </li></ul><ul><li>Estrutura física </li></ul><ul><li>dimensão da escola </li></ul><ul><li>recursos materiais </li></ul><ul><li>n.º turmas </li></ul><ul><li>Edifício escolar </li></ul><ul><li>Organização espaços </li></ul><ul><li>… </li></ul><ul><li>2.Estrutura administrativa </li></ul><ul><li>Gestão, direcção, controlo, inspecção </li></ul><ul><li>Tomada de decisão </li></ul><ul><li>Comunidade educativa </li></ul><ul><li>Relação com autoridades centrais , regionais e locais </li></ul><ul><li>… </li></ul><ul><li>3. Estrutura social </li></ul><ul><li>Relação membros comunidade educativa </li></ul><ul><li>Responsabilização e participação </li></ul><ul><li>Democracia interna </li></ul><ul><li>Clima social </li></ul><ul><li>Cultura organizacional </li></ul><ul><li>… </li></ul>II - Abordagens ao estudo da Escola
  11. 11. <ul><li>Im portância da problemática da dimensão da escola </li></ul><ul><li>Pressão da conjuntura macroeconómica de sentido neo-liberal, associada à globalização, à emergência do local e à crise do regime de acumulação fordista. </li></ul><ul><li>Evolução demográfica , em particular o declínio da população em idade escolar nos países centrais. </li></ul><ul><li>Mudança dos modos de regulação educativa, associada à “crise” da escola de massas e às transformações económicas, sociais e polícias iniciadas nos anos de 1980. </li></ul><ul><li>Reconfiguração do papel do Estado , resultante da crise de legitimidade do Estado-Providência e da recomposição do seu papel na sociedade. </li></ul><ul><li>Introdução dos “Quase”-Mercados educativos e da livre-escolha , particularmente nos países anglo-saxónicos </li></ul><ul><li>Publicitação das diferenças de desempenho dos sistemas educativos e das suas escolas </li></ul><ul><li>A &quot;globalização&quot; convive com a emergência do local, particularmente ao nível das reformas públicas. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  12. 12. <ul><li>Dimensão da escola e custos </li></ul><ul><li>Desde os anos de 1950 que nos EUA (Gong, 2005) se debate a problemática da dimensão da escola/distrito escolar com base no argumento das vantagens geradas pelas economias de escala resultantes de : </li></ul><ul><li>Eficiência da gestão concentrada de recursos </li></ul><ul><li>Observância dos padrões curriculares </li></ul><ul><li>Qualificação e formação de professores </li></ul><ul><li>Avaliação e responsabilização pelos resultados educacionais </li></ul><ul><li>Senso comum : existem ganhos, em termos de custos, com escolas de grande dimensão </li></ul><ul><li>“ à medida que a frequência escolar aumenta, diminuem os custos unitários da escolarização” </li></ul><ul><li>Segundo Fox (1980) os custos unitários da escolarização exibem uma curva em U, pelo que existiria uma dimensão “óptima” de escola. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  13. 13. <ul><li>O que revela a literatura? </li></ul><ul><li>Benefícios gerados por escolas de grande dimensão para alguns alunos, pese embora a sua magnitude ser menor do que a esperada (Raywid, 1999) </li></ul><ul><li>Redução de custos administrativos nos primeiros anos do processo americano de consolidation que se anulam à medida que o tempo trás burocracia (estruturas extensas, complexas e pesadas) e que se consideram os custos dos transportes escolares (obrigatoriedade de acesso a uma escola mais distante) (Raywid, 1999; Eyre, 2002; Trust, 2003; Yan, 2006 e Griter e Silvernail, 2007) </li></ul><ul><li>Potencial economia de escala (Garrett, Elbourne, Bradley, Nole, Taylor e West, 2006), mas com grandes variações entre países da OCDE, o que torna impossível determinar qual é a dimensão óptima de uma escola, face à especificidade de cada região e país (Bray, 1988) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  14. 14. <ul><li>O que revela a literatura? </li></ul><ul><li>Escolas de pequena dimensão (Nova Iorque) com custos unitários, comparativamente, menores, quando calculados na base dos alunos com aprovação (Seifel, Iatarola, Fruchter e Berne, 1998) e em termos de longo prazo, face à diminuição do abandono e insucesso escolares, da qualificação dos recursos humanos e da integração social (Wasley e Lear, 2001) </li></ul><ul><li>Escolas de pequena dimensão têm, comparativamente, custos unitários elevados, mas a sua existência, no Reino Unido, revela-se inteligente e eficaz (OFSED, 2000) </li></ul><ul><li>Em escolas de professor único ou multigrade , frequentadas por milhões de crianças em regiões remotas, isoladas e rurais, a análise dos custos deve ter em conta a variedade dos contextos geográficos, socio-demográficos, administrativo-financeiros e pedagógicos, bem como as oportunidades geradas no combate à exclusão social (Little, 2001; Brunswic e Valérian, 2003 e Lewin, 2006) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  15. 15. <ul><li>Conclusão : </li></ul><ul><li>Fragilidade do argumento das economias de escala </li></ul><ul><li>Tendência no sentido de evidenciar o papel das escolas de pequena dimensão , designadamente ao nível da democratização do acesso à escola e do seu potencial de melhoria do clima escolar (Lee e Ready, 2007) </li></ul><ul><li>Limitações metodológicas , dado que muitos estudos seguem abordagens quantitativas e meramente económicas, baseadas no estudo das relações entre os outputs e os inputs da função de produção educacional, assumindo que os inputs têm uma função &quot;aditiva&quot; e têm efeitos lineares nos outpus (Garrett et al, 2004) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Abordagem científico-racional e modelo ideal de organização -As organizações existem para a realização de metas previamente definidas -Recursos humanos, tecnologia e ambiente apropriados -Especialização permite maiores níveis de competência -Autoridade e normas favorecem a coordenação e controlo -As estruturas são neutras -Estruturas desadequadas geram problemas que se resolvem com reorganização III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  16. 16. <ul><li>Dimensão da escola e aprendizagens escolares </li></ul><ul><li>Particularmente nos EUA e no RU tem sido recorrente a interrogação acerca da relação entre a dimensão da escola e os resultados das aprendizagens dos alunos. </li></ul><ul><li>A investigação produzida pelo movimento das escolas eficazes tem revelado particular interesse no estudo da efeito-escola nos resultados das aprendizagens dos alunos: </li></ul><ul><li>Em países anglo-saxónicos cerca de 7% da variância dos resultados à língua materna e matemática (Gomes, 2005) e em França entre 3 a 17% (ensino secundário) (Meuret, 2000) </li></ul><ul><li>Senso comum : existem convicções e expectativas positivas acerca doas aprendizagens dos alunos de escolas de grande dimensão por razões de eficiência económica, dotação de recursos especializados, diversificação da oferta escolar e alargamento da oferta de actividades educativas. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  17. 17. <ul><li>O que revela a literatura? </li></ul><ul><li>Não existem efeitos directos da dimensão dos distritos escolares nos resultados das aprendizagens dos alunos da Pensilvânia (Gong, 2005) </li></ul><ul><li>As escolas secundárias de grande dimensão, OCDE, parecem conseguir melhores resultados escolares nos exames (Garrett, Elbourne, Bradley, Nole, Taylor e West, 2006) </li></ul><ul><li>As relações entre a dimensão da escola (21-9960 alunos) e os resultados obtidos no TIMSS (matemática) em 51 países variam muito de país para país e são inconclusivas (Schutz, 2006) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  18. 18. <ul><li>O que revela a literatura? </li></ul><ul><li>As pequenas escolas têm obtido, comparativamente, melhores resultados em teste de avaliação estandardizados (Fine, 1994; Bryk e Discoll, 1998) </li></ul><ul><li>As pequenas escolas secundárias conseguem melhores níveis de aprendizagem ( Wasley, Fine, Gladden, Holland, King, Mosak e Power,2000) e favorecem, em particular, as aprendizagens dos alunos mais carenciados (Lee e Smih, 1997 e Raywid, 1998) </li></ul><ul><li>As pequenas escolas têm produzido resultados positivos em termos de segurança e disciplina (Zane, 1994, Wasley, Fine, Gladden, Holland, King, Mosak e Power,2000), ambiente escolar (Garrett, Elbourne, Bradley, Nole, Taylor e West, 2006), uma comunidade escolar mais colaborativa (Duke e Trautvetter, 2001 e Strull, 2002) e maiores aspirações numa frequência escolar mais longa (Schneider, Wyse e Keesler, 2007). </li></ul><ul><li>As pequenas escolas têm taxas de frequência escolar e créditos académicos, comparativamente, mais elevados (Fine, 1994; Lee, Smith e Croniger, 1995; Oxley, 1995;Toch, 2003; Kahne, Sporte, Torre e Easton, 2008) . Porém, estes ganhos não se traduzem, necessariamente, em melhores resultados nos testes a matemática (Wyse, Keesler e Schneider, 2008) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  19. 19. <ul><li>Conclusão : </li></ul><ul><li>Só por si a dimensão não contribui para melhores aprendizagens dos alunos </li></ul><ul><li>Porque a dimensão é um facto r importante na criação de certas estruturas e práticas indutoras de aprendizagens pode favorecer a sua melhoria, designadamente através de maior envolvimento nas actividades escolares, clima escola r e participação das famílias e comunidade (Wasley e Lee, 2001; Iatarola, Schwartz, Stiefel e Chellman, 2008) </li></ul><ul><li>A análise das eventuais relações entre a dimensão da escola e as aprendizagens dos alunos envolve um elevado nível de complexidade (estatutos socioeconómicos, currículos, características de identidade e dinâmicas locais, …) </li></ul><ul><li>Muitos dos estudos realizados apresentam significativas limitações metodológicas : grande dependência da natureza dos indicadores escolhidos, natureza estática e não dinâmica dos resultados das aprendizagens, não distinção dos efeitos escola dos efeitos alunos e famílias, … (Gong, 2005). </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  20. 20. <ul><li>Agregação versus Desagregação de Escolas </li></ul><ul><li>Desde os anos de 1980 que organizações internacionais, como a UNESCO, têm a vindo a difundir e recomendar iniciativas de promoção de agregação de escolas de pequena dimensão e isoladas com argumentos nos planos económico, pedagógicos, administrativo e político (Bray, 1987). </li></ul><ul><li>Vantagens económicas dado os elevados custos fixos com o factor trabalho (professores) </li></ul><ul><li>Vantagens educacionais resultantes do alargamento e diversificação da oferta e do trabalho especializado e coloborativo entre professores </li></ul><ul><li>Vantagens sociais com a criação de projectos extracurriculares, trocas de experiência e reforço da socialização </li></ul><ul><li>Vantagens políticas relacionadas com o reforço da densidade das redes de cooperação </li></ul><ul><li>(Hargreaves, 1996) </li></ul><ul><li>A partir dos anos 1990, sobretudo nos EUA, ocorre um movimento de desagregação de escolas de grande dimensão, sobretudo secundárias, justificado por problemas com estruturas, rotinas, relações impessoais e clima escolar (Wasley e Lear, 2001) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Agregar Desagregar III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  21. 21. <ul><li>Agregação versus Desagregação de Escolas </li></ul><ul><li>Segundo a UNESCO (Giordano, 2008) os reagrupamentos escolares e centros de recursos pedagógicos, originariamente criados como resposta à situação das escolas rurais, são já uma realidade internacional, mas com tipologia s bastante diversificadas , que na sua maioria se inscrevem em vastas reformas educativas nacionais, pese embora também existam por iniciativa local. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Falta de evidência sobre a capacidade de melhorar a educação. Os factores críticos são a cooperação entre escolas, motivação e melhoria das praticas pedagógico-didáticas, trabalho colaborativo, articulação com a educação não-formal, participação inclusiva e autonomia. III – Estudos sobre a dimensão da Escola Abordagem Carácter Cobertura Financiamento Densidade Objectivos Participação Participativa Facultativo Certas Regiões (rurais) Auto financiamento Fraca Pedagógicos Inclusiva Directiva (países em desenvolvimento ) Obrigatório Nacional Subvenções (países OCDE) Forte (unidade de gestão) Pedagógico -administrativos Não inclusiva
  22. 22. <ul><li>Canadá </li></ul><ul><li>- Escolas Geminadas (2 -4 escolas básicas agrupadas horizontalmente de forma não voluntária com distâncias </li></ul><ul><li>0-72Km e com resultados pouco claros (Rees e Woodward, 1998) </li></ul><ul><li>Austrália </li></ul><ul><li>- Rede de clusters (rede de centenas de escolas rurais agrupadas com autonomia própria (Caldwell, 2009) </li></ul><ul><li>Bégica </li></ul><ul><li>- Bassin scloraires (Cooperação, optimização da oferta e gestão dos fluxos escolares no combate à segregação e competição entre escolas) </li></ul><ul><li>Suécia </li></ul><ul><li>- Centros Escolares (Centros para alunos 7-12 anos com funções escolares, educativas e culturais, participados pela comunidade) </li></ul><ul><li>Portugal </li></ul><ul><li>- Agrupamentos Verticais de Escolas (Escolas básicas e até secundárias agrupadas verticalmente de forma não voluntária, com gestão e projecto educativo comuns ) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Espanha - Colégios Rurais Agrupados (Centro educativo com 1 escola sede e outras 2 ou 3 pequenas com gestão e projecto educativo comuns e professores fixos e itinerantes). Reino Unido - Clusters (3-8 escolas agrupadas horizontalmente com o objectivo da melhoria através da partilha de experiências e recursos (Keast, 1987) - Networked Learning Comunities ( mais de uma centena de redes com cerca 10 escolas cooperam com recurso às TIC) - Federação de Escolas (federação de escolas que partilham serviços alargados/complementares (Caldwell, 2009) Agregação versus Desagregação de Escolas Designações e experiências várias III – Estudos sobre a dimensão da Escola
  23. 23. <ul><li>Agregação versus Desagregação de Escolas </li></ul><ul><li>Emergência de uma estratégia de compromisso entre escolas de grande e pequena dimensão, sobretudo no tecido urbano e no ensino secundário. Este movimento não é estandardizado nem unificado, contando com diversas designações (academias, blocos, pequenas comunidades educativas, subescolas) que podem ser associadas a diferentes tipologias (Raywid, 1996) </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações III – Estudos sobre a dimensão da Escola House Plans Minischools Schools-Within-Scholls Small schools Subunidades sem autonomia Subunidades com autonomia curricular e pedagógica Pequenas escolas com autonomia por via de recomposição Pequenas escolas com autonomia por via de criação Tutoria, aconselhamento, orientação e apoio Programas escolares Organização por temáticas, careiras ou pedagogias (típico da escolha educativa)
  24. 24. A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Administração educativa e dimensão da Escola </li></ul><ul><li>“ Os problemas educativos e das escolas são de gestão, racionalização e modernização e não de valores, objectivos, policias e recursos”. </li></ul><ul><li>Racionalizar e modernizar por via da dimensão da escola </li></ul><ul><li>Transposição para o contexto escolar das mesmas lógicas, modelos, estratégias e paradigmas da gestão empresarial, disseminadas por agências transnacionais. </li></ul><ul><li>A qualidade, excelência, eficiência e eficácia alcançam-se por via da racionalização, reorganização, regulamentação, controlo, resultados, …. </li></ul><ul><li>Considerar a gestão como técnica pretensamente neutra favorece uma “liderança bastarda”, desvinculada de princípios e valores. </li></ul><ul><li>Pensar a educação como um produto como qualquer outro é redutor, pois ignoram-se as interacções humanas e sociais. </li></ul>IV – Regulação educativa e dimensão da Escola
  25. 25. A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Centralização e descentralização educativa e dimensão da Escola </li></ul><ul><li>“ Na busca da eficácia coabitam e sobrepõem-se tendências recentralizadoras e descentralizadoras: um universo fragmentado em que o Estado redefine o seu papel “ </li></ul><ul><li>Recentralizar, agregando, e descentralizar, desagregando, por via da dimensão da escola </li></ul><ul><li>Racionalização da rede escolar com recurso à retórica da descentralização e da autonomia por via da extensão das políticas centralmente definidas para as periferias. </li></ul><ul><li>Racionalização da rede escolar com recurso a uma gestão pelo mercado, descentralizado, concorrencial e autónomo. </li></ul><ul><li>Planificar a rede escolar com base em motivações gestionárias, técnico-instrumentais e financeiras é esquecer a função emancipadora da educação </li></ul>IV – Regulação educativa e dimensão da Escola
  26. 26. A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Avaliação pelos resultados e dimensão da Escola </li></ul><ul><li>“ Na busca da eficácia intensifica-se a avaliação pelos resultados e o controlo social da escola” </li></ul><ul><li>Avaliação pelos resultados como forma de responsabilização e controlo social por via da dimensão da escola </li></ul><ul><li>A avaliação externa, baseada nos resultados, confere informação e “contamina” o discurso político de promoção de uma maior “qualidade” da escola. </li></ul><ul><li>A avaliação enquanto &quot;nova forma de comunicação&quot; – responsabilizadora - entre a escola, o mercado e a sociedade. </li></ul><ul><li>Os processos de avaliação são suportados num principio de “possibilidade cientifica”, convivendo com limitações, dado negligenciarem factores pessoais e sociais como motivação, confiança, cultura, condições materiais de vida … </li></ul>IV – Regulação educativa e dimensão da Escola
  27. 27. A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Livre-escolha, mercantilização e dimensão da escola </li></ul><ul><li>“ A escolha parental defendida ou consentida como ante-câmara da mercantilização da educação“ </li></ul><ul><li>Incrementar a livre-escolha, desagregando, por via da dimensão da escola </li></ul><ul><li>A livre-escolha é um mecanismo promotor de um mercado concorrencial educativo, regulado segundo uma lógica instrumental económica que induz a diversificação da oferta. </li></ul><ul><li>Num quadro regressivo demográfico os mecanismos visiveis e ocultos de escolha parental fazem deslocar a pressão sobre a escola do lado da oferta para o lado da procura </li></ul>IV – Regulação educativa e dimensão da Escola
  28. 28. A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Diversificação da oferta escolar e dimensão da escola </li></ul><ul><li>“ Da natureza formativa e função emancipadora do conhecimento à utilidade, empregabilidade e capacidades instrumentais visadas pela competências” </li></ul><ul><li>Alargar e diversificar a oferta, agregando, por via da dimensão da escola </li></ul><ul><li>A tendência vocacionalista baseia-se numa mera igualdade formal de aceso competitivo a modalidades e graus de ensino hierarquizados, social e escolarmente distintos e distintivos </li></ul><ul><li>A diversificação da oferta, combinada com a livre-escolha, mais do que um recurso dos alunos é um dispositivo da escola que em busca da sua eficácia política e social segrega e excluiu. </li></ul>IV – Regulação educativa e dimensão da Escola
  29. 29. <ul><li>O modo de regulação educativa , sistémico, múltiplo , complexo, institucional, situacional e compósito, sintetiza a forma como a escola é pensada, vivida e construída num mundo imprevisível, complexo e flexível. </li></ul><ul><li>Ao estudo da escola e da sua dimensão não parece interessar a identificação dos factores isolados, mas antes a configuração sempre singular de um conjunto de variáveis que a caracterizam e a distinguem. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações Conclusões
  30. 30. <ul><li>A dimensão da escola não é uma mera variável, mas antes uma “liga” que combina o nº de alunos e as suas idades, graus de ensino, professores, equipamentos, processos de decisão, cultura e valores … </li></ul><ul><li>A dimensão da escola não tem uma natureza neutra nas políticas públicas. A escola rural, como centro educativo local, continua a ser vital para pequenas comunidades geograficamente remotas, economicamente deprimidas e com reduzidos espaços públicos. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>A geografia da escola tem em conta a densidade populacional e a distância/acessibilidade , mas existem proximidades, identidades, dinâmicas que interessa valorizar </li></ul><ul><li>A dimensão da escola não assume, na investigação, a importância que têm no senso comum. O mesmo não acontece com o clima e a cultura escolar, a densidade das redes de interacção, a satisfação e a motivação profissional. </li></ul>Conclusões
  31. 31. <ul><li>A dimensão da escola e as economias de escala assentam na valorizam de custos directos e na maximização da rentabilidade e da utilidade. Mas não existe evidência de que exista uma dimensão óptima de escola . </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>Quanto mais caminhamos do nível mes0 para o micro - da escola para a turma e desta para a relação professor-aluno – maior parece ser a capacidade explicativa dos resultados escolares. Como tal, as políticas que apostam na dignificação e formação dos professores e na real autonomia da escola parecem ser as que melhor servem a Educação. </li></ul>Conclusões
  32. 32. <ul><li>A dimensão da escola e o movimento de agregação estão, de facto, associados à tendência de aglomeração hierárquica da ocupação humana e ao paradigma da escola urbana, modernamente apetrechada e sediada na sede de concelho. </li></ul>A dimensão das escolas no contexto internacional: lições e recomendações <ul><li>A dimensão da escola e o movimento de desagregação estão associados ao fim da crença de que as escolas de grande dimensão podiam oferecer o acesso a uma educação de qualidade a baixos custos , mas também ao maior nº de graus de liberdade no planeamento da rede escolar, resultante da livre escolha e dos “quase”-mercados educativos. </li></ul>Conclusões

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